Foto: Ricardo Stucker/PR
As mudanças climáticas já não podem ser tratadas apenas como uma questão ambiental. Eventos extremos, insegurança energética e hídrica, pressão sobre recursos naturais, transição para uma economia de baixo carbono e avanço de atividades ilícitas sobre territórios estão criando novos desafios para a segurança dos países e colocando a Amazônia no centro de disputas econômicas e geopolíticas.
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É nesse contexto que Brasília recebe, nos dias 4 e 5 de novembro de 2026, a 2ª Conferência Internacional sobre Soberania e Clima, com o tema “Segurança, Clima e Meio Ambiente: uma convergência estratégica”. O evento será realizado em formato híbrido, no auditório da Escola Superior de Defesa (ESD), em Brasília, com participação gratuita, mediante inscrição prévia pelo site do evento e transmissão on-line.
Promovida pelo Centro Soberania e Clima, a conferência reunirá autoridades civis e militares, pesquisadores, especialistas e representantes de instituições públicas e da sociedade civil para discutir como o Brasil pode responder, de forma integrada, a agendas que cada vez menos se enquadram em uma única área de atuação. A proposta do encontro parte de uma constatação: os riscos contemporâneos estão se tornando mais interdependentes.
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A transição energética é um exemplo dessa convergência. O Brasil possui reservas de quase todos os 24 minerais considerados críticos e estratégicos em sua lista oficial, muitos deles utilizados em tecnologias associadas à economia de baixo carbono. Com o aumento da demanda global, cresce também a pressão pela exploração desses recursos, ampliando a importância geopolítica dos territórios onde estão localizados.
Para além do potencial econômico, a exploração mineral envolve questões relacionadas à proteção ambiental, aos direitos humanos e aos impactos sobre as comunidades e regiões produtoras.
Desmatamento, contaminação de rios, perda de biodiversidade e conflitos territoriais estão entre os riscos associados à expansão da atividade. Na Amazônia, essa pressão se soma a questões estruturais relacionadas à presença do Estado, aos ilícitos transnacionais e à garantia da soberania sobre áreas extensas e de difícil acesso.
Ao mesmo tempo, a mudança do clima amplia riscos para infraestrutura, populações e atividades econômicas, exigindo novas ações de adaptação, prevenção e resiliência. Para o Centro Soberania e Clima, compreender essas conexões é fundamental para que o Brasil possa formular políticas públicas capazes de responder a esse cenário de forma integrada.
“A 1ª Conferência mostrou que é possível reunir, em diálogo franco, plural e democrático, civis e militares, academia e sociedade civil para tratar de temas de soberania e clima que raramente são debatidos em conjunto, e a convergência que identificamos ali mudou o patamar de incidência do Centro. Esta segunda edição parte dessa base para aprofundar um debate crítico e plural, capaz de se transformar em recomendações concretas para as políticas públicas do país”, destaca Mariana Nascimento Plum, diretora executiva do Centro Soberania e Clima.
Quatro eixos de debates sobre os desafios estratégicos do Brasil
Ao longo dos dois dias, a programação será organizada em quatro painéis que abordam diferentes dimensões da relação entre segurança, clima e meio ambiente.
O primeiro painel discutirá defesa e mudança do clima, com foco em riscos, adaptação e resiliência. O segundo tratará da transição energética, dos minerais críticos e da segurança internacional, tema que ganhou centralidade diante da crescente disputa global por tais recursos.

A relação entre soberania, meio ambiente e as transformações geopolíticas no entorno estratégico brasileiro será o foco do terceiro painel. Já o quarto discutirá o avanço do crime organizado transnacional e da degradação ambiental na Amazônia, aproximando duas agendas que tradicionalmente são tratadas de maneira separada.
A programação inclui ainda a conversa “Conexões para Convergir”, reunindo convidados da academia e de instituições públicas, civis e militares. O objetivo é ampliar o diálogo entre diferentes áreas de conhecimento e setores envolvidos na formulação e implementação de políticas públicas.
Diálogo internacional
Um dos destaques da abertura será a conferência magna, realizada em formato virtual, com Sherri Goodman, presidente da Diretoria do Council on Strategic Risks e primeira secretária adjunta de Defesa para a Segurança Ambiental dos Estados Unidos, entre 1993 e 2011.
Com o tema “O Clima como Multiplicador de Ameaças: Segurança, Energia e o Futuro da Defesa”, a participação de Goodman amplia o debate para uma perspectiva internacional sobre os impactos da mudança do clima nas agendas de segurança, energia e defesa.
Entre os demais nomes já confirmados estão Izabella Teixeira, conselheira emérita do CEBRI e ex-ministra do Meio Ambiente; Erin Sikorsky, diretora do Center for Climate and Security; Vanessa Grazziotin, diretora executiva da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA); Marcelo Furtado, head de Sustentabilidade da Itaúsa; e David Marques, gerente de Programas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, além de representantes de instituições públicas, civis e militares.
Uma agenda que busca aproximar áreas tradicionalmente separadas
A conferência dá continuidade à agenda de pesquisa e articulação desenvolvida pelo Centro Soberania e Clima nos últimos quatro anos, voltada à convergência entre soberania, segurança, defesa, meio ambiente, mudança climática e desenvolvimento sustentável.
Entre as iniciativas do Centro estão projetos dedicados à cooperação regional na Amazônia, integrando defesa, segurança, desenvolvimento e sustentabilidade, e à compreensão da Amazônia como infraestrutura crítica para a segurança climática, a soberania, o desenvolvimento sustentável e a resiliência nacional.

A conferência, que está na sua segunda edição, busca avançar nessa agenda, identificando conexões para a construção de recomendações capazes de contribuir para políticas públicas integradas. Mais do que aproximar especialistas de diferentes áreas, a intenção é criar um espaço de diálogo capaz de transformar conhecimento e debate em recomendações para os desafios estratégicos que o Brasil enfrentará nas próximas décadas.
Sobre o Centro Soberania e Clima
O Centro Soberania e Clima é um think tank independente que atua há quatro anos na convergência entre soberania, segurança, defesa, meio ambiente, mudança climática e desenvolvimento sustentável, com foco na produção de conhecimento baseado em evidências e na criação de espaços de diálogo qualificado.
*Com informações da assessoria
