‘Pequenos da Floresta’ resgata memórias da infância amazônica através de histórias ilustradas em Parintins

A iniciativa foi desenvolvida pela empresária Erika Baranda em parceria com a filha, Maria Clara Baranda, de 6 anos, e busca preservar as memórias afetivas da infância na Amazônia por meio de narrativas ilustradas e escutas sensíveis

Ilustração do ‘Pequenos da Floresta’. Imagem: Erika Baranda/Acervo pessoal

Histórias contadas à beira do rio, brincadeiras nas ruas de terra e viagens de barco que relembram uma infância simples, deram origem ao projeto ‘Pequenos da Floresta’, uma iniciativa, desenvolvida pela empresária Erika Baranda em parceria com a filha, Maria Clara Baranda, de 6 anos, que busca preservar as memórias afetivas da Amazônia por meio de narrativas ilustradas e escutas sensíveis.

Inspirado na infância em Parintins, o projeto resgata os costumes, os saberes populares e as experiências que ajudam a construir a identidade cultural da cidade. 

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A iniciativa surgiu como um gesto de resistência cultural diante das transformações tecnológicas que mudaram a forma de viver a infância amazônica. De acordo com Erika, a ideia nasceu da necessidade de registrar histórias que, muitas vezes, sobrevivem apenas na memória dos mais velhos.

“O projeto veio com o desejo de preservar as memórias afetivas da infância amazônica, especialmente de Parintins. São histórias simples, mas carregadas de identidade, cultura, brincadeiras, saberes populares e da relação profunda com a floresta e com o rio”, explicou ao Portal Amazônia

As inspirações vieram das próprias experiências vividas em Parintins por Erika, como as brincadeiras coletivas nas ruas, as conversas com os mais velhos, as festas populares, a convivência comunitária e a relação intensa com a floresta e com o rio. Crescer em Parintins, segundo ela, significava viver cercada de imaginação.

Memórias que o tempo começou a apagar

De acordo com a empresária, o sentimento de urgência apareceu quando percebeu que boa parte dessas vivências estava começando a desaparecer silenciosamente.

“Quando percebi que muitas crianças já não vivem essas experiências da mesma forma e que muitas memórias estavam ficando apenas na lembrança dos mais velhos, senti a necessidade de transformar essas vivências em algo que pudesse atravessar gerações”, afirma.

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'Pequenos da Floresta' resgata memórias da infância amazônica através de histórias ilustradas em Parintins
Projeto retrata infância amazônica. Imagem: Erika Baranda/Acervo pessoal

Para Erika, existe um risco real de perda da memória afetiva de Parintins caso essas histórias não sejam valorizadas e registradas. 

“O avanço da tecnologia e as mudanças sociais transformam os hábitos e a forma de viver na cidade. Por isso é tão importante valorizar e contar nossas histórias para que a essência cultural de Parintins continue viva”, destaca.

Por isso, o projeto também funciona como um espaço de preservação cultural. Entre os aspectos que ela acredita que precisam ser preservados estão os saberes populares, as tradições ribeirinhas, as brincadeiras infantis, a oralidade e o sentimento de pertencimento do povo parintinense com sua cultura.

Histórias que ganham vida através da ilustração

No projeto ‘Pequenos da Floresta’, as experiências reais são transformadas em narrativas ilustradas, unindo memória, afeto e arte e criando histórias acessíveis e emocionantes, capazes de despertar identificação em quem lê.

“É dar vida às memórias de forma sensível e acessível. A ilustração aproxima, emociona e ajuda as pessoas a se reconhecerem nas histórias”, explica.

Erika Baranda e sua filha Maria Clara. Foto: Erika Baranda/Acervo pessoal

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O projeto ganhou ainda mais significado com a participação de Maria Clara, filha da criadora. A parceria aconteceu de maneira espontânea, durante conversas sobre as histórias e os processos criativos, e aos poucos, o olhar infantil passou a fazer parte da construção narrativa.

“As crianças enxergam detalhes que os adultos esquecem. O olhar dela trouxe mais leveza, curiosidade e sensibilidade para o projeto”, destacou Erika. 

A experiência também fortaleceu os laços entre as duas, já que o processo de criação se tornou um espaço de troca, escuta e aprendizado.

Escutar para preservar

Uma parte importante do ‘Pequenos da Floresta’ são as chamadas “escutas sensíveis”, prática que busca ouvir os moradores, as famílias e as pessoas da comunidade de forma acolhedora e respeitosa.

A ideia permite que cada pessoa compartilhe suas memórias espontaneamente, valorizando relatos que normalmente não aparecem em registros oficiais. “Essas histórias têm muita força e verdade”, afirma. 

Entre os relatos que mais a marcaram estão histórias ligadas à infância ribeirinha, à convivência comunitária e às relações construídas em torno do rio.

Imagem: Erika Baranda/Acervo pessoal

Próximos passos

A proposta agora é ampliar o projeto com novas histórias, ilustrações, exposições e ações educativas voltadas para crianças e escolas. “Queremos deixar o legado da valorização da infância amazônica, da memória afetiva e da identidade cultural de Parintins para as futuras gerações”, afirma Erika. 

De acordo com ela, a infância amazônica possui uma conexão profunda com a natureza, com a imaginação alimentada pelas histórias da floresta, com o senso de comunidade e com a riqueza cultural que existe no modo simples e humano de viver na Amazônia.

Para acompanhar o projeto, siga o perfil oficial no Instagram.

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