Saiba quais foram os ‘Super El Niños’ mais fortes da história

Em 150 anos, foram registrados quatro eventos extremos considerados como ‘Super El Niño’. Foto: Reprodução/NOAA

A possibilidade de um Super El Niño na temporada 2026/2027 ligou o alerta de organizações ambientais, autoridades políticas, entidades e da população mundial acerca dos impactos decorrentes do fenômeno climático, que promete atingir níveis extremos. As projeções meteorológicas apontam que o evento natural responsável pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico será um dos mais intensos das últimas décadas, com temperaturas que podem ultrapassar os 4ºC.

Caso o Super El Niño se consolide, o fenômeno confirmará a intensificação das mudanças climáticas e o aumento do aquecimento global num intervalo curto de pelo menos cinco anos entre El Niños considerados fortes segundo a média histórica do evento natural. De acordo com especialistas, nos últimos 150 anos, foram registrados quatro “Super El Niño” em todo planeta: 1877-78, 1982-83, 1997-98 e 2015-16.

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O Portal Amazônia pesquisou e reuniu alguns fatos sobre os quatro maiores El Niños registrados até aqui. Confira:

Maiores El Niños da história

1877-78

Retrato da Grande Fome durante o Super El Niño 1877 na Índia. Foto: Reprodução/Meteored Brasil

O El Niño de 1877 foi um dos mais intensos já registrados e provocou consequências devastadoras em diversas partes do planeta. O fenômeno ocorreu em uma época em que ainda não existiam satélites, modelos meteorológicos ou sistemas modernos de monitoramento climático, mas seus impactos foram tão severos que muitos pesquisadores consideram o episódio como um dos eventos climáticos mais destrutivos da história moderna.

Na Ásia, países como Índia, China e partes do Sudeste asiático enfrentaram uma sucessão de secas catastróficas, em que a falta de chuva devastou plantações, secou rios e levou milhões de pessoas à fome. Já na África, diversas regiões do continente registraram estiagens severas e mortalidade elevada. Estimativas históricas indicam que dezenas de milhões morreram em consequência direta ou indireta das crises alimentares agravadas pelo clima extremo.

Enquanto isso, o Sul dos Estados Unidos e partes da América do Sul enfrentavam chuvas intensas e enchentes associadas às mudanças na circulação atmosférica do planeta. No Brasil, o impacto mais dramático ocorreu no Nordeste, com a chamada Grande Seca que entrou para a história como uma das maiores tragédias climáticas e humanitárias do país. A estiagem atingiu especialmente Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, destruindo plantações, dizimando rebanhos e levando milhares de famílias à miséria.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é o Super El Niño?

1982-83

Super El Niño de 1982/83
El Niño de 1982 foi devastador em países como o Peru, na América do Sul. Foto: Reprodução/Semana.com

Primeiro monitorado por satélites e boias oceânicas, o El Niño de 1982 foi considerado um dos mais fortes e devastador do século, causando inundações, secas e e prejuízos econômicos em diversos continentes. O episódio surpreendeu a comunidade acadêmica científica num período em que os conhecimentos sobre o tema ainda era limitados, no entanto, ampliou o interesse científico pelo monitoramento climático global.

Seus impactos tiveram potencial destrutivo em vários países como chuvas torrenciais no Peru e Equador, secas severas na Austrália, Indonésia, Filipinas e sul da África, além de incêndios florestais. Já no Brasil, causou a redução significativa das chuvas na Amazônia, aumento expressivo das queimadas, secas em partes do Nordeste e excesso de chuvas em partes do Nordeste.

De acordo com estimativas á época, o prejuízo estimado foi de aproximadamente oito milhões de dólares e teve como saldo negativo cerca de duas mil mortes relacionadas aos desastres.

1997-98

Incêndios florestais na Floresta Amazônica se tornaram frequentes durante o Super El Niño 1997-98. Foto: Reprodução/Earth.com

É considerado por muitos pesquisadores o mais intenso do século XX. O El Niño desta temporada provocou impactos devastadores em diversos países da América do Sul, especialmente no Peru e no Equador, em que os efeitos foram particularmente severos com chuvas torrenciais, enchentes de grandes proporções e deslizamentos de terra. Os desastres foram inevitáveis: rios transbordaram, cidades ficaram isoladas, milhares de moradias foram destruídas e estradas, pontes, sistemas de abastecimento de água e redes elétricas sofreram graves prejuízos.

Na Amazônia, o evento climático culminou no comportamento da Floresta Amazônica, que sofreu com secas prolongadas, redução dos níveis dos rios, aumento das queimadas, mortalidade severa de árvores e diminuição da umidade. Em outras regiões do Brasil, o Sul enfrentou cheias frequentes, o Nordeste registrou secas e o Centro-Oeste ondas de calor.

Estudos à época estivam perdas superiores a US$ 30 bilhões, o que tornou o Super El Niño 1997-98 um dos maiores desastres naturais mais caros do século passado.

2015-16

Super El Niño 2015-16 foi o único do século XXI e o último registrado até então. Na ocasião, o ano de 2015 se tornou o mais quente da história à época. Foto: Reprodução/Brasil Escola

Com intensidade comparável aos eventos anteriores, este El Niño provocou alterações intensas no clima global, que até então já era considerado uma planeta aquecido. A temperatura de 2,6ºC das águas oceânicas tornou o ano de 2015 o mais quente da história à época, o que causou ondas de calor intensas em diversos continentes, além de secas no sul da África, incêndios florestais na Indonésia e problemas alimentares nos países africanos.

A Floresta Amazônica também foi impactada com os efeitos do evento extremo. Secas, estresse hídrico em função da alta emissão de carbono, bacias hidrográficas abaixo do nível normal e aumento recorde de focos de queimadas em vários estados foram alguns dos problemas enfrentados pelo bioma amazônico. Outras regiões brasileiras como o Sul sofreram com episódios de chuva intensa e temperaturas acima da média em grande parte do país.

Super El Niño em 2026?

As projeções divulgadas pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOOA) sinalizam 82% de probabilidade para a formação do Super El Niño entre maio e julho e 96% de chance de que o fenômeno se mantenha entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027. Os modelos indicam que a temperatura da superfície do mar no Pacífico tropical poderá atingir 3,6°C acima da média, superando o recorde de 2,75°C observado durante o forte El Niño de 2015/2016.

*Com informações do MetSul Meteorologia e Greenpeace.

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