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Conheça os ‘Bens Culturais Imateriais Registrados’ nos estados da Amazônia Legal

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Ofício, saberes e práticas das parteiras tradicionais fazem parte de bens imateriais do país. Foto: Reprodução

“O patrimônio cultural imaterial é tudo aquilo que dá sentido à memória e à identidade coletiva de um povo, mas que não é físico, concreto, material. Ele aparece nos saberes e modos de fazer, nos rituais, nas danças, nas músicas, nas festas e nos lugares marcados pelos afetos coletivos. É aquilo que não se pega com as mãos, mas se sente na fala, no gesto e no convívio, como os ensinamentos que recebemos dos nossos avós. São os laços e vínculos que sentimos durante uma celebração ou a maneira como se faz um bordado. Esse patrimônio é vivo, transmitido de geração em geração, e está sempre mudando com as pessoas e os territórios onde acontece”.

É com essa descrição e cerca de dois mil documentos relacionados a todo o patrimônio cultural imaterial do Brasil que foi criado um acervo digital público na plataforma ‘Bem Brasileiro’.

A plataforma foi desenvolvida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em parceria com o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) e o Laboratório de Inteligência de Redes da Faculdade de Ciências da Informação da Universidade de Brasília (FCI/UnB). 

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No total, 59 Bens Culturais Imateriais Registrados fazem parte da plataforma e boa parte também está presente nos Estados da Amazônia Legal, pois alguns são de abrangência nacional, portanto se repetem em vários estados.

Fotos, vídeos, arquivos em texto e publicações variadas fazem parte do acervo dos bens que foi disponibilizado desde o dia 8 de outubro. O presidente do Iphan, Leandro Grass, destacou que, entre os bens, estão formas de expressão e celebrações como o Círio de Nazaré, do Pará.

Leia também: Patrimônios imateriais: sete manifestações culturais da Amazônia registrados pelo Iphan

Ainda que com o objetivo de manter as informações públicas para acesso geral, de todo cidadão, a plataforma tem como público-alvo pesquisadores, estudantes e também os detentores do patrimônio imaterial.

Confira os bens já registrados que fazem parte dos Estados da Amazônia Legal:

Acre

Grafismos do povo Huni Kuĩ, no Acre, fazem parte de acervo de bens imateriais brasileiros
Grafismos do povo Huni Kuĩ. Foto: Reprodução/Iphan

Amapá

Em uma roda de marabaixo, Danniela Ramos (ao centro) canta em homenagem à avó, Benedita Guilherma Ramos, a Tia Biló, falecida seis meses antes, aos 96 anos. Macapá, Amapá. Junho de 2022. Foto: Reprodução/Iphan

Amazonas

Maranhão

Oficina de percussão – tambor de crioula – com o Mestre Ivan Madeira. 2017. Foto: Roberto Castro/MTur

Mato Grosso

Pará

Círio de Nazaré. Foto: Luiz Braga/Iphan

Rondônia

Roda de Capoeira. Foto: Reprodução/Iphan

Roraima

Projeto Inventário das Parteiras Tradicionais do Brasil. Foto: Eduardo Alcântara

Tocantins

Boneca Karajá. Foto: Telma Camargo

Acesse o acervo completo AQUI.

Rizoma da fé: a Basílica Santuário como ente essencial de Belém

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Foto: Luiza Amâncio/UFPA

Na manhã do segundo domingo de outubro, Belém do Pará acorda em estado de comunhão. Milhares de pessoas, de pés descalços e dispostas a cumprir promessas durante quilômetros, se aglomeram nas ruas. No ar, cheiro de vela e miriti. Um mar de mãos erguidas acompanha a berlinda que conduz a imagem de Nossa Senhora de Nazaré. Nesse instante, a cidade inteira parece se inclinar para um único ponto: a Basílica Santuário, destino e origem do Círio

Leia também: Círio de Nazaré: o material e o imaterial compõe a maior celebração católica do mundo

Para o arquiteto e pesquisador Wagner José Ferreira da Costa, autor da tese ‘A Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré: geração, vivificação e retroalimentação das dimensões material e festiva do bairro de Nazaré em Belém do Pará‘, que dedicou mais de dez anos de vida acadêmica ao estudo desse templo, não se trata apenas de uma igreja.

A Basílica é um organismo vivo, uma árvore cujas raízes se entrelaçam no imaginário coletivo e cujas copas se estendem pelas ruas, capelas e instituições do bairro Nazaré. Um rizoma da fé que conecta, torna vívido e retroalimenta a vida material e festiva da cidade.

“Eu sempre tive essa ideia de entender a Basílica como um livro, mas também como uma árvore. Ela é um ente que gera e regenera, que se conecta a outros espaços e pessoas. É raiz e é copa. É material e é espiritual. Meu trabalho foi tentar mostrar como isso se dá de forma concreta em Belém”, explica Wagner.

A vida de um pesquisador enraizada no sagrado

A trajetória do pesquisador ajuda a compreender a sensibilidade que o levou a mergulhar tão fundo nesse objeto de pesquisa. Nascido em Marituba, cresceu próximo aos rios, às matas e à religiosidade popular amazônida.

“Venho de uma família católica, mas sempre flertei com outras tradições, com o misticismo, com a psicologia e com a antropologia. Essas influências me ajudaram a olhar para a Basílica não apenas como arquiteto, mas também como alguém interessado nos símbolos e na alma do lugar”, conta.

Desde a graduação na UFPA, sua relação com a Basílica foi se fortalecendo, e foi no doutorado que a Basílica se consolidou como centro simbólico e afetivo. “Eu diria que esse templo me escolheu. Não foi só uma escolha racional. A Basílica estava sempre ali, me chamando, me desafiando”, revelou.

Assim, na tese, defendida em 2024, o arquiteto elaborou a metáfora que se tornou marca de sua pesquisa: a Basílica-arborizante. Ele a compara a uma árvore que nasce de uma semente (o imaginário mariano da Virgem), cresce em tronco (Primeira Ermida e Atual Basílica ) e se abre em copa, conectando-se a outros espaços.

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basílica de nazaré em belém
Foto: Reprodução/Basílica de Nazaré

Mas diferente de uma árvore isolada, essa faz rizomas — conceito de Gilles Deleuze e Félix Guattari que se opõe a ideias fixas e hierárquicas (como uma árvore com raízes) e representa uma rede flexível, sem centro, onde tudo pode se conectar a tudo — e se expande. Em resumo, enquanto árvores são sistemas rígidos e hierárquicos, os rizomas são modelos abertos e adaptáveis que atravessam o bairro, conectando-se a outras capelas, instituições e práticas festivas. 

“O bairro Nazaré não pode ser entendido sem a Basílica. Ela é raiz de pertencimento e força de identidade. É o coração que pulsa, mas também as veias que irrigam”, escreveu o pesquisador. E, segundo ele, essas conexões ficam visíveis durante o Círio. As ruas se iluminam, os prédios se enfeitam e arcos se erguem em homenagem a Santa. Cada gesto urbano é um galho dessa árvore simbólica.

“O templo não é só o prédio. É também o entorno, as manifestações, os gestos que acontecem a partir dele. É um sistema arbóreo-rizomático que mantém a cidade unida”, defende Wagner.

O pesquisador destaca, também, o papel de instituições vizinhas, como o Colégio Gentil Bittencourt, que, por exemplo, guarda memórias de gerações que viveram a festa como rito de passagem e, ainda hoje, realiza uma missa que antecede a Trasladação, que é o cortejo de Nossa Senhora até a Igreja da Sé, no sábado antes do Círio. “Esses lugares são raízes secundárias, são outros ‘pontos’ no bairro Nazaré. Todos respondem ao influxo da Basílica”, explica.

Mais que documentos e livros, a pesquisa foi feita de imersão. Wagner participou de quatro Círios consecutivos (2020 a 2023), atuou na Pastoral do Turismo, guiou visitantes estrangeiros em português, inglês e até japonês. Levou fiéis do mundo inteiro a conhecer o templo, enquanto observava como cada gesto, cada olhar, revelava novas dimensões do sagrado. E, até a pandemia de covid-19, que interrompeu cortejos e silenciou ruas, trouxe outro tipo de revelação. 

“Nem mesmo o coronavírus foi capaz de derrubar a força arborizante da Basílica”, escreveu Wagner. Para ele, o templo permaneceu como referência simbólica mesmo quando as procissões não puderam acontecer. Casas continuaram enfeitadas, velas continuaram sendo acesas em silêncio, orações foram transmitidas por telas. O rizoma da fé resistiu.

Mito vivo

Tema central da pesquisa, o Círio é definido por Wagner como mito vivo ao explicar a origem, ao mesmo tempo que se atualiza. “O Círio é mito porque nos conta a história de Nossa Senhora de Nazaré, mas é vivo porque acontece todo ano, sempre igual e sempre diferente. Ele se reinventa sem perder sua essência”, afirma o pesquisador.

Para ele, acompanhar o Círio não é apenas observar um evento religioso, é perceber como a cidade inteira se reorganiza em função dele. O trânsito se altera, os comércios mudam horários, famílias se preparam com meses de antecedência. “É como se Belém inteira fosse atravessada pela corda do Círio. Todos estão conectados a esse mito vivo”, comenta.

Um rizoma que resiste

Ao final, a tese reafirma: a Basílica é um ente essencial. “Primeiro se instalou o imaginário da Santa, depois suas ermidas e a matriz, e então a Basílica. A partir daí, surgiram ambiências festivas, identitárias e afetivas que moldaram o bairro e a cidade. Esse ente arbóreo estende suas raízes e copas para além de sua redoma, arquetipando um verdadeiro sistema Arbóreo-Rizomático”, escreve.

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Essa árvore simbólica não deixa de crescer. Todos os anos, em outubro, novos galhos se abrem, novas gerações são incorporadas, novas promessas se amarram à corda do Círio. O rizoma da fé continua a se expandir, sustentado por raízes profundas que mantêm Belém fincada  em sua tradição, mas aberta à renovação constante da vida e da festa.

A tese ‘A Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré: geração, vivificação e retroalimentação das dimensões material e festiva do bairro de Nazaré em Belém do Pará foi defendida por Wagner José Ferreira da Costa, em 2024, no Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo (PPGAU/ITEC), da Universidade Federal do Pará, sob orientação da  professora Cybelle Salvador Miranda.

*Com informações da UFPA

‘Marca Amazônia’ integra presença dos destinos da Região Norte no mercado global

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Foto: Márcio Menasce/Embratur

A promoção conjunta da Amazônia pelos estados da Região Norte está mais próxima. A Embratur participou, no dia 8 de outubro, do lançamento nacional da ‘Marca Amazônia‘, na ABAV Expo 2025, no Rio Centro, no Rio de Janeiro (RJ). O presidente da Agência, Marcelo Freixo, também se reuniu com secretários de turismo dos estados da Região Norte para articular o lançamento internacional da marca, que acontecerá na World Travel Market (WTM) Londres, em novembro.

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Fruto da parceria entre a Embratur e a Rotas Amazônicas Integradas (RAI), grupo formado por representantes dos sete estados da Região Norte, a Marca Amazônia vem para fortalecer a região como produto turístico internacional, valorizando e dando protagonismo a indígenas, caboclos, ribeirinhos, quilombolas e seringueiros.

O lançamento regional da logo aconteceu durante a apresentação do Plano Brasis 2025–2027, realizada em Boa Vista (RR) no início de agosto.

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A nova marca também inaugura um segmento turístico inédito no Brasil: o turismo de transformação, vivenciado a partir da visita à Amazônia brasileira, que transformam para sempre o visitante e, também, o mundo, ao promover a conservação e divulgar a importância e os saberes da floresta, que podem ser encontrados em entre os Estados do Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.

O presidente da Embratur, Marcelo Freixo, lembrou que o fortalecimento da Amazônia como produto turístico único é uma saída para combater o garimpo, o desmatamento e outras atividades ilegais da região. “Para combater as atividades ilegais, a gente tem que criar atividades legais. E o turismo é a solução. O turismo é que vai gerar emprego, vai gerar renda, o turismo de base comunitário, a economia verde”, elencou.

“A gente sabe o quanto isso é importante. Nós vamos ter uma COP30 na Amazônia, uma COP capaz de debater de forma profunda o que é a floresta, levando todos os chefes de estado do mundo para dentro de um estado amazônico. Então essa é uma responsabilidade muito grande na hora de pensar a economia, desenvolvimento, mas sempre de forma sustentável. E o mundo não será sustentável se não tiver a Amazônia. Parabéns ao trabalho de vocês”, disse Freixo.

Superintendente Estadual de Turismo de Rondônia, Gilvan Pereira Junior, ressaltou a importância da parceria da região com a Embratur.

“A Embratur tem sido um órgão essencial para o desenvolvimento do turismo da Amazônia. Estamos com todos os secretários estaduais reunidos aqui na ABAV Expo, e esse alinhamento [entre estados e a Agência] tem impulsionado o turismo de maneira técnica e profissional e nos ajuda a nos conectar com outros países, a saber quais são os potenciais que temos e entrar de uma maneira bem estruturada no mercado internacional para poder alcançar nosso objetivos”, afirmou.

 lançamento nacional da 'Marca Amazônia', na ABAV Expo 2025
Foto: Lucas Silva/Amazonastur

Protocolo de intenções

Outra ação da Embratur nesta quarta na ABAV Expo foi a assinatura de um protocolo de intenções com Amazonas Destination. A iniciativa formaliza uma parceria voltada para promover o estado do Amazonas no mercado internacional. O foco principal da colaboração será o segmento de Turismo de Negócios e Eventos (MICE), setor de alto valor agregado e prioritário no Plano Brasis, o plano de marketing internacional do Brasil.

O documento estabelece diretrizes para atuação conjunta em ações de marketing e promoção e prevê a participação do estado em feiras, campanhas e o desenvolvimento de produtos turísticos para atrair eventos de grande porte para a região. A assinatura reforça a posição da Amazonas Destination no turismo local e destaca o compromisso da Embratur com a internacionalização de destinos brasileiros.

🌱💻 Saiba mais sobre a COP30 aqui

Parintins, no Amazonas
Parintins. Foto: Lucas Silva/Amazonastur

O presidente Marcelo Freixo assinou o documento ao lado dos diretores executivos da Amazonas Destination, Jaime Mendonça de Souza Junior e Luciana Kalvon. O grupo é uma DMC (Destination Management Companies) – empresa especializada em fornecer serviços e expertise incluindo lazer, cultura, eventos e outros segmentos, com o objetivo de atrair turistas de lazer e de negócios.

“Com esse termo de cooperação nós queremos trazer cada vez mais eventos e visitantes para o estado do Amazonas. O Amazonas, enquanto destino, está se reinventando. Manaus (AM) é um grande portão de entrada, uma cidade linda com uma história incrível, agregada a destinos de natureza, com navegação nos rios, hotel de selva, e a possibilidade de interiorização do estado, que é lindo, tem um povo muito hospitaleiro e belezas naturais sem fim”, comemorou Mendonça.

*Com informações da Embratur

Do Rio a Belém: ambientalista promove educação durante viagem de bicicleta

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Ambientalista viaja de bicicleta até Belém. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Por muitas gerações, a bicicleta é usada como um meio de locomoção e para a prática de esportes. Crianças e adolescentes veem nas duas rodas a liberdade de explorar novos limites e adultos têm os pedais como aliados para chegar mais rápido e gastando menos.

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Embora o desejo pela bicicleta tenha dado lugar aos jogos eletrônicos e a conteúdos digitais, o meio de transporte ainda é uma alternativa barata e que não prejudica o meio ambiente, além de promover saúde. Pensando nisso, o geógrafo e ambientalista Leandro Costa decidiu dar mais um uso ao veículo, transformando em um instrumento de educação ambiental.

“A gente precisa que o problema da mudança climática seja levado para o dia a dia da vida das pessoas. A gente fala muito em ações pensadas na esfera federal ou estadual, mas as pessoas não sabem como agir e como isso vai impactar na vida delas. E a bicicleta é um impacto positivo gigante”, avalia.

Com a confirmação de que a 30º Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) ocorreria este ano na cidade de Belém, no Pará, Leandro decidiu percorrer o caminho do Rio de Janeiro, onde mora, até a capital paraense de bicicleta.

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Pelo caminho, planejou encontros com crianças e jovens para conversar sobre a aventura de 3,5 mil quilômetros e o impacto da escolha da bicicleta como meio de transporte para o planeta e para o futuro de quem vive nele.

ambientalista Leandro Costa viaja do rio a belem para cop 30 de bicicleta Foto Fabio Rodrigues-Pozzebom Agência Brasil
No meio da viagem de 3,5 mil quilômetros até Belém, o geógrafo e educador ambiental Leandro Costa faz uma parada em Brasília Foto; Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

“É preciso discutir emergencialmente isso dentro das escolas, dentro das comunidades, enfim, em todo o ambiente da sociedade civil organizada, para que a gente traga essas questões para a vida das pessoas”, acredita.

Segundo o geógrafo, o caminho entre as cidades – Rio e Belém – inspirou uma reflexão sobre o que já foi percorrido entre a Eco 92, ocorrida no Rio de Janeiro, e que foi a primeira conferência para tratar sobre o tema climático, e a COP30, que é como se fosse um retorno ao começo três décadas depois. 

“A partir daí eu também quis ter uma visão de como as pessoas veem essa COP aqui no Brasil e entender como elas podem fazer parte disso”, explicou.

Com o apoio das embaixadas da Bélgica e da Holanda e do Instituto Piabanha, Leandro viabilizou o projeto e já percorreu quase metade do caminho. 

“É um trabalho não só de sensibilizar as pessoas sobre as mudanças climáticas, mas também de nos fazer refletir sobre o que cada um pode fazer, e até mesmo de encorajar negociadores de seguirem até terem um bom resultado, sem parar, até o final”, reforça o embaixador da Bélgica no Brasil, Chris Hoornaert, ao receber o ciclista em Brasília.  

Leia também: Efeitos das mudanças climáticas são sentidos por um terço dos moradores da Amazônia Legal

Impacto positivo

Ao longo do trajeto, Leandro disse que conversa com crianças e adolescentes sobre a COP30 e a necessidade de cada um contribuir para enfrentar o problema global. 

Ainda segundo Leandro, na bagagem, reúne as perspectivas sobre as mudanças climáticas dos territórios por onde passa, e que serão apresentadas em um painel digital a ser exibido em Belém, pelo The Climate Reality Project Brasil.

“Eu estou passando pelo interior real do Brasil, e quando você passa de bicicleta, você vê o que não é possível ver de carro ou ônibus. Já saindo do Rio de Janeiro, tive o impacto de ver uma grande quantidade de bicicletas sendo utilizadas nas comunidades mais vulnerabilizadas, até na Avenida Brasil, como meio de locomoção no dia a dia”, disse.

Diariamente, o ambientalista percorre de 70 km a 110 km nos períodos onde o sol é menos intenso, evitando sofrer na pele os efeitos da seca extrema, que ele também atribui aos impactos causados pela ação do homem sobre o clima. Até Brasília, foram 1,5 mil quilômetros percorridos desde o dia 21 de setembro.

Ao final da jornada, quando chegar em Belém, Leandro deixará de emitir quase uma tonelada de gás carbônico equivalente (CO²e), em média, e deixará pelo percurso, em mais de dez escolas e centenas de comunidades, a semente da capacidade de cada um de promover a mudança em seu território.

*Com informações da Agência Brasil

Círio na Rede: solidariedade ganha espaço com troca de alimentos em Macapá

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Foto: Divulgação

A fé e a solidariedade caminham juntas no Círio na Rede 2025, e neste ano o gesto de doar ganha ainda mais força. A Fundação Rede Amazônica (FRAM) promove, em parceria com a Diocese de Macapá, uma campanha especial de arrecadação de alimentos não perecíveis, que serão destinados as famílias mais carentes atendidas pela Paróquia Nossa Senhora de Fátima.

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As doações poderão ser feitas na Praça Santuário de Fátima, no próximo sábado (11), das 9h às 19h, ou enquanto houver itens disponíveis. Para incentivar a participação, o público poderá trocar os alimentos por brindes exclusivos do Círio na Rede, como camisas e ecobags transformando a solidariedade em um gesto de comunhão e alegria.

Foto: Divulgação

“A arrecadação de alimentos é uma das formas mais bonitas de unir fé e solidariedade. Nossa expectativa é superar as metas dos últimos anos, fortalecendo o compromisso da Fundação Rede Amazônica com o bem-estar das comunidades onde atuamos. Cada doação leva esperança à mesa de quem mais precisa e reafirma nosso propósito de transformar a realidade amazônica com união e empatia”, explica o coordenador de projetos da fundação, Matheus Aquino.

Leia também: Fundação Rede Amazônica promove terceira edição do Círio na Rede em Macapá

A iniciativa faz parte da programação oficial do Círio de Nazaré 2025 em Macapá, e reforça o compromisso da Fundação Rede Amazônica em fortalecer o vínculo entre fé, cultura e responsabilidade social. A expectativa é arrecadar uma grande quantidade de alimentos que possam ajudar famílias que enfrentam dificuldades diárias, levando mais dignidade e esperança neste período especial de celebração.

Foto: Divulgação

O Círio na Rede segue promovendo atividades que unem devoção, cultura e solidariedade em toda a Amazônia.

O Círio na Rede tem o apoio da Prefeitura de Macapá, Geap Saúde, Grupo Equatorial, tem o apoio institucional da Diocese de Macapá, Águas da Amazônia, Exército Brasileiro, Tratalyx e a realização da Fundação Rede Amazônica.

Nova espécie de crustáceo é descoberta no litoral maranhense

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Crustáceo parasito foi identificado no litoral do Maranhão. Foto: Divulgação

Pesquisadores da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) fizeram parte de um projeto que identificou uma nova espécie de crustáceo parasito chamado Naricolax zafirae. O animal, visível apenas com o auxílio de uma lupa binocular, foi encontrado no litoral do Maranhão, na cavidade nasal de um peixe conhecido popularmente como barbudinho, comum da região. 

O nome da nova espécie foi uma homenagem à professora da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) e pesquisadora maranhense Zafira de Almeida, falecida em 2021, vítima de câncer. Zafira era referência em estudos sobre o conhecimento funcional e a conservação dos recursos pesqueiros amazônicos. 

A descoberta é considerada inédita para a ciência, por ser o primeiro registro do gênero Naricolax no Oceano Atlântico. Isso amplia o conhecimento sobre a biodiversidade marinha, destacando o Maranhão como um dos principais polos de pesquisa sobre ecossistemas costeiros da Amazônia Atlântica.

Leia também: Confira sete praias do Pará que fazem parte da Amazônia Atlântica

O estudo foi fruto de uma colaboração entre a UFMA, a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com o financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema). Os esforços resultaram na descrição de uma espécie até então desconhecida, encontrada em áreas de manguezais, dunas e praias que apresentam grande amplitude de maré. 

Crustáceo faz parte de região ainda pouco explorada da diversidade amazônica

Segundo o professor do curso de Oceanografia e Limnologia da UFMA que participou da pesquisa, Jorge Nunes, o estudo buscou investigar partes ainda pouco exploradas da diversidade amazônica. 

“A proposta visava estudar parasitos de tubarões e raias, mas fomos além, porque a relação hospedeiro-parasito das espécies de peixes estuarino-marinhas do Litoral Amazônico é muito desconhecida. Com base nisso, demos prioridade para  os critérios ecológicos locais mais relevantes, como o endemismo ou importância econômica, várias espécies de peixes foram estudadas com o intuito de prospectar tanto os ectoparasitos, quanto endoparasitos”, relata. 

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Pesquisadores da UFMA contribuem para descoberta de nova espécie de crustáceo no litoral maranhense
Nova espécie de crustáceo parasito: Naricolax zafirae. Foto: Divulgação

O Maranhão, por sua posição geográfica estratégica e diversidade de ambientes costeiros, tem se consolidado como um território essencial para estudos sobre biodiversidade e transformações ambientais. Dessa forma, pesquisas como essa contribuem para descobrir o potencial de ambientes que atuam diretamente no equilíbrio dos outros ecossistemas, como o bioma amazônico. 

“A Amazônia é colossal em todos os sentidos. Na diversidade biológica, é considerada um dos ambientes mais impressionantes do planeta. Mas mensurar essa exuberância em números pode subestimar em níveis muito elevados. Por outro lado, sob a lente de uma visão sistêmica ou funcional, deixa notório sua importância dentro do contexto da história evolutiva e ecológica, visto que a relação hospedeiro-parasito revela um processo concomitante dos dois organismos, conhecido como coevolução e resulta em uma fotografia ecológica em tempo real”, explica o professor Jorge. 

Ciência e mudanças climáticas: um debate em evidência

A descoberta do crustáceo parasita ocorre em um momento em que as discussões sobre mudanças climáticas ganham destaque mundial, especialmente com a aproximação da COP 30, que será realizada em novembro, no Pará. O evento reunirá representantes de diversos países para debater soluções globais diante da crise climática, e os estudos que estão sendo produzidos na região amazônica são de grande importância para o diálogo.  

O aquecimento dos oceanos e o aumento da acidez da água são apontados por pesquisadores como algumas das principais ameaças à vida marinha. Essas alterações afetam diretamente crustáceos, corais e outros organismos cruciais para o equilíbrio dos ecossistemas costeiros. Apesar de ainda não ser possível apontar como essas condições podem afetar a espécie recém-descoberta, é urgente continuar com as investigações, como explica o professor e pesquisador da UERJ, Fabiano Paschoal. 

“É necessário um acompanhamento da presente espécie ao longo dos anos para uma melhor elucidação do tema”, indicam, sobre a nova espécie de crustáceo. 

Além de ampliar o conhecimento científico, estudos que ajudam a compreender como o oceano responde a variações de temperatura, salinidade e pH são indicadores fundamentais para prever impactos ecológicos de longo prazo. 

Caminhos para a preservação 

As descobertas científicas precisam caminhar junto às medidas de proteção aos ecossistemas, que são fundamentais para o equilíbrio ambiental e a manutenção das atividades humanas que deles dependem. O fortalecimento de políticas integradas de gestão, monitoramento ambiental e educação científica é um caminho indispensável para a proteção ambiental. 

“Medidas protetivas para os ambientes marinhos do estado não constituem uma tarefa fácil. Infelizmente, não existe fórmula nem mágica instantânea. A construção precisa de tempo, porque os efeitos são tardios e graduais. Sempre que aprendemos algo novo, incluímos nas propostas estratégicas para a conservação biológica. A meu ver, evitar problemas ambientais é mais eficaz e mais econômico que a sua mitigação da forma que vemos”, destaca Jorge.

Para a UFMA, descobertas como a do crustáceo parasito evidenciam o compromisso da universidade pública com a produção de conhecimento sobre o meio ambiente e com a busca por soluções para os desafios climáticos contemporâneos. “As universidades buscam excelência em todos os pilares que as sustentam. Nesse sentido, conquistas como essa representam uma grande projeção e reconhecimento científico para a UFMA”, concluiu Jorge Nunes.

Acesse o estudo sobre a nova espécie de crustáceo clicando AQUI. 

*Com informações da UFMA

Tese de doutorado analisa impactos da política de cotas em universidades da Amazônia

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Foto: Reprodução/Ufam

A política de ação afirmativa tem desempenhado papel central na democratização do ensino superior no Brasil, especialmente na Amazônia Legal. É o que revela a tese de doutorado da pesquisadora Marcineuza Santos de Jesus, defendida no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Amazonas (PPGE/Ufam).

O estudo analisou os impactos da Lei de Cotas (12.711/2012) na Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) e a própria Ufam, integrantes da rede Procad-Amazônia.

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Orientado pela professora Fabiane Maia Garcia e financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), o estudo nasceu como uma proposta de desdobramento/continuação da pesquisa de mestrado e apontou como resultados que a política de ação afirmativa foi fundamental para ampliação do acesso de estudantes de escolas públicas, além de estudantes pretos, pardos e indígena, aumentando a diversidade da população universitária da UFMT e da Ufam.

A tese também identificou desafios como na UFPA, nos dois primeiros anos de implementação, que provocou uma redução no acesso, porque a universidade já possuía um sistema de reserva de vagas consolidado e precisou se adequar à nova legislação. Isso significou a diminuição do acesso de estudantes da rede pública e diversidade na UFPA.

De acordo com a pesquisadora Marcineuza Santos de Jesus, a política de cotas promoveu a ampliação do acesso de estudantes de escolas públicas e pardos, aos cursos mais concorridos e de maior prestígio social, no campus da Ufam e da UFMT.

“Porém foi possível notar alguns efeitos contrastantes, por exemplo, na UFMT após a implementação da lei 12.711/2012 notamos a redução do acesso de estudantes pretos, se comparados a 2012, ano em que a universidade implementou o seu próprio sistema de reserva de vagas. Na Ufam, pudemos notar a diminuição do acesso de estudantes indígenas, que pode ter relação com a configuração da política na universidade, que coloca pretos, pardos e indígenas para concorrer entre si as vagas reservadas. Já na UFPA houve a diminuição do acesso de estudantes em todas as categorias, o que pode ter relação a adaptação da universidade à nova política”, explicou a pesquisadora.

Tese de doutorado analisa impactos da política de cotas em universidades da Amazônia
Marcineuza Santos de Jesus defendeu tese sobre política de cotas na Amazônia. Foto: Reprodução/Ufam

Marcineuza Santos de Jesus ressaltou que a política de ação afirmativa contribui para democratização do ensino superior na Amazônia ao se configurar como um mecanismo fundamental para o acesso, a inclusão, a participação, a diversidade institucional para a classe trabalhadora, especialmente para a população negra, considerando o modelo de sociedade e de sociabilidade burguesa que estamos inseridos.

“Porém, em termos de democratização, reflete no máximo os ideais de uma democracia representativa, uma vez que a atual conjuntura societária funciona como um limitante da democracia substantiva, e consequentemente da democratização do ensino superior, já que isto implicaria no acesso universal, e não restrito como temos hoje”, defendeu a pesquisadora.

O que é a rede Procad-Amazônia?

O Procad-Amazônia lançado, em 2006, com o objetivo de apoiar projetos conjuntos de pesquisa realizados por instituições de ensino superior pertencentes à região amazônica em associação com outras instituições do país, proporcionando a ampliação da formação de mestres e doutores e da produção científica, o intercâmbio docente e discente, a criação de novos programas de pós-graduação e a fixação de doutores na Amazônia brasileira.

De acordo com a pesquisadora, a escolha pelo Procad-AM de 2018 ocorreu por ter sido a edição mais recente dessa rede de cooperação, e pelo objetivo, uma vez visou à diminuição das assimetrias regionais observadas no Sistema Nacional de Pós-Graduação (SNPG), conforme diretrizes do Plano Nacional de Pós-Graduação 2011-2020.

“A escolha da rede de cooperação dessas três Universidades, intitulada ‘Políticas educacionais, linguagens e práticas culturais na Amazônia’ ocorreu devido ao objetivo da cooperação que estas estabelecem, visando o aprimoramento do ensino e da pesquisa acadêmica na perspectiva da internacionalização dos programas de pós- graduação envolvidos na rede acadêmica do Procad-Amazônia, cujo foco são as políticas educacionais e as linguagens e práticas culturais na Amazônia, priorizando as questões étnico- raciais, indígenas e quilombolas na pesquisa em educação e cultura. Foi justamente por priorizarem as questões étnico-raciais, indígenas e quilombolas que optamos por essa rede de cooperação, uma vez que representa um compromisso público com a produção e divulgação de conhecimentos acerca dessas temáticas na Amazônia Legal e que se ligam diretamente ao problema da pesquisa”, explicou a pesquisadora.

Marcineuza Santos de Jesus salientou a escolha da Amazônia Legal como lócus de pesquisa porque em se tratando de educação e principalmente de democratização, esta possui especificidades, marcada por assimetrias em relação às demais regiões do país.

“A questão geográfica e as disparidades educacionais, se comparadas ao restante do Brasil, são elementos importantes nas discussões sobre democratização do ensino superior amazônico e como, as políticas, a exemplo das de Ação Afirmativa, implicam nesse cenário”, enfatizou.

Leia também: Povos e comunidades tradicionais reivindicam criação de cota na Universidade Federal do Pará

Caminhos da pesquisa

Para caracterizar as políticas de ação afirmativa implementadas e desenvolvidas nos âmbitos das três universidades amazônicas, inicialmente, a pesquisadora analisou os documentos das três universidades que tinham em seu escopo o combate à discriminação e uma efetiva igualdade de acesso à educação.

“Esses documentos foram analisados para compreendermos o tipo de política afirmativa desenvolvido nas universidades, o público-alvo, a própria iniciativa e compromissos das instituições com a questão”, explicou Marcineuza Santos de Jesus.

Paralelo a isso, a pesquisa selecionou os quatro cursos com maiores números de inscritos de cada instituição, de 2011 a 2014 nos casos da UFMT e UFPA; e no caso da UFAM de 2015 a 2018, antes e depois das cotas (lei 12.711/2012) e depois, ampla concorrência, lei de cotas e ação afirmativas. Após a seleção dos cursos, traçou-se o perfil do tipo de escola e o étnico racial.

“As categorias analisadas foram origem educacional, raça, etnia, que são categorias abordadas na política. Essa análise ocorreu em duas frentes. A primeira é a análise do perfil dos estudantes ingressantes, dois anos antes (2011-2012) e dois anos depois (2013-2014) da lei 12.711/2012, na UFPA e UFMT, e na UFAM como esse trabalho já foi realizado na dissertação, aprofundamos o período (2011-2018) para ver como a política se consolidou. A segunda análise, ocorreu a partir do perfil dos estudantes nos cursos que possuem mais prestígio social, como Direito e Medicina, e outros menos prestigiados como Pedagogia e Serviço Social, para caracterizarmos o perfil de quem adentrava esses cursos antes das ações afirmativas e o perfil de quem ingressou após as ações afirmativas. Essas análises nos possibilitaram o estabelecimento de um panorama acerca dos desdobramentos das ações afirmativas no processo de democratização dessas universidades”, detalhou a pesquisadora.

Para a doutora, as políticas de ações afirmativas não podem ser entendidas como processos isolados da sociedade em que estão inseridas, não só como uma política em si, mas um objeto que está inserido em um contexto societário, onde a educação e consequentemente as políticas educacionais são perpassadas por processos de disputas entre grupos e classes antagônicas.

“Isso significa que a análise do nosso objeto precisava ser situada em um contexto social, político, econômico, cultural e ideológico, de forma que pudéssemos capturar as várias nuances que os cercam. As dinâmicas sociais, perpetrada pelo modo de produção capitalista são influenciadas e exercem influência em todos os aspectos da vida em sociedade, inclusive na educação. Logo, tratar de políticas educacionais pressupõe situá-las em um contexto mais amplo, em uma sociedade regulada pelo modo de produção capitalista, que tem como especificidade a divisão em classes sociais e a propriedade dos meios de produção material”, finalizou.

*Com informações da Ufam

Ministério da Ciência e Tecnologia anuncia R$ 33,5 milhões para pesquisas estratégicas na Amazônia

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Foram anunciados os os projetos pré-selecionados do Programa Pró-Amazônia. Foto: Eufran Amaral

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) anunciou na terça-feira (7), em cerimônia na sede da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), os projetos pré-selecionados do Programa Pró-Amazônia, que direcionará R$ 33,5 milhões para pesquisas voltadas à preservação ambiental, ao uso sustentável dos recursos naturais e ao fortalecimento da integração entre países amazônicos.

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A chamada pública MCTI/CNPq nº 03/2025, desenvolvida em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), financiará 74 propostas de pesquisa distribuídas em 13 áreas estratégicas, entre elas biotecnologia, energias renováveis, recuperação e monitoramento de ecossistemas, tecnologias sociais, inteligência artificial aplicada à região, sistemas alimentares sustentáveis e gestão de recursos hídricos.

As iniciativas são lideradas por 32 instituições da Amazônia Legal e contam com 83 parcerias internacionais, principalmente com Colômbia, Peru, Bolívia e Equador.

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Cerimônia na sede da OTCA para o anúncio dos projetos pré-selecionados do Programa Pró-Amazônia. Foto: OTCA

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Durante a cerimônia, o secretário-geral da OTCA, Martin von Hildebrand, destacou que cada projeto representa uma oportunidade de transformação. Ele afirmou que ao unir ciência moderna e saberes tradicionais, os países amazônicos constroem respostas conjuntas para proteger a floresta e promover um desenvolvimento sustentável e integrado.

Já a ministra Luciana Santos ressaltou que o programa consolida a ciência como instrumento de cooperação e ação conjunta entre os países amazônicos. Ela afirmou que enfrentar os desafios ambientais, culturais e sociais da região exige soluções construídas de forma coletiva, combinando conhecimento científico e saberes tradicionais. Para a ministra, o edital reforça uma visão de soberania e sustentabilidade que orienta a política científica do governo federal para a Amazônia.

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Amazônia
Foram anunciados os os projetos pré-selecionados do Programa Pró-Amazônia. Foto: Pedro Guerreiro/Agência Pará

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O presidente do CNPq, Ricardo Galvão, disse que a qualidade das propostas e a importância da descentralização dos investimentos em ciência e tecnologia. Segundo ele, os resultados demonstram a capacidade científica das instituições amazônicas, a diversidade temática das pesquisas e o fortalecimento das redes de cooperação nacionais e internacionais.

Pró-Amazônia

Criado pelo MCTI com recursos do FNDCT, o Programa Pró-Amazônia faz parte de uma estratégia mais ampla de fortalecimento da ciência e inovação na região. Além de apoiar pesquisas em áreas prioritárias, a iniciativa prevê investimentos em infraestrutura científica, inovação em biotecnologia e descarbonização, projetos em rede e cooperação internacional. As iniciativas contempladas pelo programa contribuem com a preservação ambiental, incentivando o monitoramento e a recuperação de ecossistemas, a proteção da biodiversidade e o uso sustentável dos recursos naturais. O Pró-Amazônia também valoriza conhecimentos tradicionais e culturais, promovendo a integração regional e o fortalecimento das cadeias produtivas da sociobiodiversidade.

Sobre a OTCA

A Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) é a principal entidade intergovernamental da região amazônica, criada com o objetivo de promover a cooperação entre os países membros – Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela.

Sede da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA). Foto: Reprodução/Amazon Sat

A OTCA atua em diversas frentes estratégicas, incluindo proteção da biodiversidade, manejo florestal, ciência e tecnologia, governança territorial, inclusão social e defesa dos direitos dos povos indígenas. Além disso, a organização desenvolve instrumentos de monitoramento ambiental e políticas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, buscando soluções integradas para o desenvolvimento econômico da região, além de consolidar políticas de sustentabilidade e proteção da biodiversidade amazônica.

*Com informação da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA)

Atlas reúne pesquisas sobre doenças de búfalos no Brasil

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Fruto de quase três décadas de investigação científica, o ‘Atlas de Doenças de Búfalo no Brasil‘ consolida o conhecimento acumulado sobre as principais enfermidades que acometem a espécie no país, com atenção especial às condições da região amazônica.

A obra, publicada em formato digital pelos professores José Diomedes Barbosa e Carlos Magno Chaves, do Instituto de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Pará (UFPA), em parceria com Marilena Brito e Pedro Malafaia, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), tornou-se uma referência técnica para médicos-veterinários, pesquisadores e produtores.

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A obra reúne informações detalhadas sobre patologias que afetam a pecuária bubalina, uma atividade de grande importância econômica e social, especialmente na Amazônia, onde o búfalo é parte fundamental do sistema produtivo.

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búfalos
Foto: Alexandre de Moraes/UFPA

Com uma abordagem didática e linguagem acessível, o atlas oferece uma visão abrangente dos principais problemas sanitários que impactam o rebanho.

Organizado por temas, o conteúdo reúne informações sobre doenças infecciosas, parasitárias, metabólicas e reprodutivas, apresentadas com linguagem acessível e enriquecidas por imagens clínicas e histopatológicas obtidas em campo, necropsias e exames laboratoriais.

Foco é na saúde dos búfalos

Resultado de observações diretas e pesquisas aplicadas, o material preenche uma lacuna na literatura veterinária brasileira, contribuindo para o avanço técnico-científico e o fortalecimento da cadeia produtiva de búfalos no país.

Leia também: Patrulhamento em búfalos: uma modalidade exclusiva de policiamento marajoara

Mais do que um compêndio diagnóstico, o livro reflete o compromisso dos pesquisadores com a melhoria da saúde animal e o desenvolvimento sustentável da pecuária amazônica.

e-book está disponível na loja virtual da Amazon

*Com informações da UFPA

Pianista Linda Bustani recebe título de Doutora Honoris Causa pela UNIR

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Foto: Divulgação

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

A Universidade Federal de Rondônia homenageia a pianista Linda Bustani com o título de Doutora Honoris Causa, reconhecendo sua trajetória brilhante e influência na formação de gerações de músicos brasileiros. Nascida em Porto Velho, em 1951, Linda iniciou sua carreira aos cinco anos e, em 2026, completa sete décadas dedicadas à música.

Referência internacional na escola pianística russa, seu repertório inclui mais de 40 concertos para piano e orquestra. Solista, recitalista e pedagoga, Linda eleva o nome de Rondônia no cenário da alta performance artística — e também no universo acadêmico.

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O que pensa a Geração Z: entre diversidade e conservadorismo

Pesquisa inédita revela os valores e hábitos dos jovens que vão dominar o mundo até 2030. Uma pesquisa da MindMiners encomendada pela revista VEJA traça o perfil da Geração Z — jovens nascidos entre 1997 e 2012 — que já estão moldando o futuro. Em 2030, eles representarão 25% da população mundial. O estudo ouviu mil brasileiros entre 18 e 28 anos e revelou um grupo conectado, consciente e paradoxal.

Principais dados da pesquisa: Conectividade: 66% acessam a internet todos os dias; 59% ficam entre 1 e 4 horas online; Relacionamentos: 61% buscam vínculos duradouros; 48% não priorizam o sexo; 67% apoiam a diversidade sexual; Consumo de substâncias: 55% não bebem álcool; 61% nunca usaram drogas; 48% são contra a legalização; Trabalho: 48% valorizam a segurança financeira; 35% abandonariam empregos tóxicos; Religião: 56% não seguem nenhuma; 25% acreditam em algo espiritual; Futuro: 44% enxergam o amanhã com pessimismo.

O paradoxo Z – Apesar de serem inclusivos e abertos à diversidade, muitos jovens da Geração Z demonstram traços conservadores em suas escolhas pessoais. Valorizam saúde, estabilidade e relações profundas — e desafiam os estereótipos de alienação digital. Eles estão prontos para transformar o mundo.

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100 anos de Dió: o comunista que plantou utopias em Rondônia

Foto: Divulgação

Nascido em 7 de outubro de 1925, em Rio Branco (AC), Dionízio Xavier da Silveira — o lendário “Dió” — completaria um século em 2025. Cabo da Guarda Territorial durante a Segunda Guerra, entrou para o Partido Comunista e foi perseguido após a cassação do PCB em 1947. Um pouso forçado em Porto Velho mudou seu destino: ali fincou raízes e se tornou figura central da militância política e cultural da região.

Mascate, guarda-livros, jornalista e vereador na capital rondoniense, Dió foi pioneiro na luta contra os grileiros e fundador do jornal “A Palavra”, em Ji-Paraná. Atuou na clandestinidade durante a ditadura, enfrentou agressões e perseguições, mas nunca abriu mão de seus ideais.

Faleceu em 2001, aos 75 anos, deixando um legado de idealismo e amor profundo por Rondônia. Ele continua a inspirar gerações. Seu filho, o jornalista Zola Xavier, mantém viva essa memória: em 2019, lançou o documentário Caçambada Cutuba, e em 2023 publicou o livro Uma Frente Popular no Oeste do Brasil, onde Dió também figura como personagem central.

A mulher que batizou o Rio de “Cidade Maravilhosa”

Jane Catulle Mendès e o epíteto que virou identidade. Em setembro de 1911, a atriz e poeta francesa Jane Catulle Mendès desembarcou no Rio de Janeiro e, sem saber, eternizou a cidade com um nome que atravessaria gerações: “Cidade Maravilhosa”.

A expressão nasceu de um deslumbre — um pôr do sol na Baía de Guanabara — e foi registrada por Jane em uma dedicatória à equipe do jornal “A Imprensa”: “Rio de Janeiro est une ville merveilleuse dont je suis éblouie” (“O Rio de Janeiro é uma cidade maravilhosa que me deslumbra”).

Imagem: Divulgação

Viúva do escritor Abraham Catulle Mendès, Jane buscava autonomia intelectual e encantou a elite carioca com sua beleza, erudição e ousadia: viajava apenas com uma jovem assistente, algo incomum para a época. Em 1913, lançou “La Ville Merveilleuse”, livro de poemas inspirado no Brasil, selando sua paixão pela cidade.

O jornalista Rafael Sento Sé resgata essa história no livro “A Poeta da Cidade Maravilhosa” (Autêntica), recém-publicado, revelando como uma musa da Belle Époque francesa ajudou a moldar a alma do Rio com um simples gesto — e uma frase que virou símbolo.

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista