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19ª edição do CINEAMAZÔNIA em Rondônia abre inscrições; saiba como participar

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Foto: Divulgação

As inscrições para a 19ª edição do CINEAMAZÔNIA – Festival de Cinema Ambiental, em Rondônia, estão abertas até o dia 20 de junho. Podem se inscrever produções audiovisuais de curta e médio metragem, de até 26 minutos, produzidos no estado, nos gêneros de ficção, documentário, animação e experimental, bem como, longas metragens no gênero documentário.

As produções serão exibidas na edição deste ano, que será realizada entre 3 a 7 de agosto de 2026, nas cidades de Porto Velho, Candeias do Jamari e Itapuã do Oeste.

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As produções farão parte da Mostra não competitiva do festival audiovisual, e serão exibidas em escolas da rede pública de ensino, de forma gratuita, ampliando a oportunidade que os trabalhos possam ser conhecidos por estudante e educadores de Rondônia.

De acordo com o diretor da Acapulco Filmes, responsável pela Décima Nona Edição do CineAmazônia, cineasta José Jurandir da Costa: “é uma oportunidade para que o audiovisual rondoniense possa ampliar seu público e uma forma de democratizar o acesso à produção cultural realizada no Estado”.

19ª edição do CINEAMAZÔNIA em Rondônia abre inscrições; saiba como participar
Foto: Divulgação

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Com atividade totalmente gratuitas, além da exibição de filmes voltado para estudantes da rede pública, serão também desenvolvidas atividades como duas oficinas para os estudantes e debate com a discussão sobre a importância da preservação e recuperação de arquivo audiovisual, principalmente e produção realizada na Amazônia

A Décima Nona Edição do CINEAMAZÔNIA tem patrocínio da Lei Paulo Gustavo, selecionado no EDITAL Nº 06/2024/SEJUCEL-SIEC – FOMENTO PARA FORMAÇÃO, DIFUSÃO E APOIO A SALA DE CINEMA – Categoria: I: Difusão, do Governo do Estado de Rondônia, através da Secretaria do Esporte, Cultura e Lazer.

O CINEAMAZÔNIA

O CINEAMAZONIA acontece desde 2003 e já teve sua versão itinerante em cinco países distintos, já tendo percorrido mais de 190.000 km. Considerando as atividades do CINEAMAZONIA voltadas a cinema e meio ambiente, o mesmo integra o Green Films Network, maior rede mundial de festivais ambientais de todo o mundo.

O CINEAMAZONIA alia seu trabalho de difusão do cinema nacional, ao desejo de pensar o meio ambiente, integrando-se populações tradicionais e latino americanas a realidade vivenciada na Amazônia, através da tela de cinema. A Amazônia está focada prioritariamente na grade de exibição dos filmes, tanto na 19a Edição, quanto em seu formato Itinerante em Candeias do Jamari e Itapuã do Oeste.Regulamento disponível AQUI

Inscrição disponível AQUI.

*Com informações da assessoria

Pesquisa com nanotecnologia biodegradável aponta compostos da Amazônia com potencial contra Zika

Foto: Gemilson Soares Pontes/Acervo pessoal

Uma nova estratégia contra o Zika foi descrita por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Fiocruz Amazônia e L’ Istituto per i Polimeri, Compositi e Biomateriali (IPCB), da Itália. O estudo mostra que compostos naturais da Amazônia, combinados com nanotecnologia, conseguem inibir a replicação do vírus Zika e modular a resposta imune em células humanas infectadas. 

A publicação recebeu o título ‘PEG-PCL nanoparticles loaded with amazonian compounds inhibit Zika virus replication and modulate host immune responses’ e mostra a análise do óleo essencial da espécie Piper alatipetiolatum (Pau de Angola) e o composto Zerumbona, extraído do gengibre-amargo (Zingiber zerumbet), combinados a nanopartículas biodegradáveis. 

“A ideia central é aproveitar a biodiversidade amazônica e pesquisar o potencial antiviral   de bioativos com atividade biológica contra esse tipo de vírus. O objetivo foi entender de que forma esses compostos poderiam ter ação antiviral para que, no futuro, a gente possa avançar para estudos mais complexos”, explica o pesquisador Gemilson Soares Pontes, do Laboratório de Virologia e Imunologia do Inpa.

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Pesquisa do Inpa com nanotecnologia biodegradável aponta compostos da Amazônia com potencial contra Zika
Foto: Gemilson Soares Pontes/Acervo pessoal

Pontes destaca que a utilização de nanopartículas biodegradáveis foi o diferencial. Ao nanoencapsular os compostos, os cientistas aumentam a biodisponibilidade e, consequentemente, a ação antiviral. “Isso é inovador, porque melhora a entrega do bioativo para a célula infectada”, reforça o pesquisador. 

O trabalho faz parte do projeto ‘Nanoarbo – Nanoencapsulamento de compostos bioativos para arboviroses’, iniciado em 2022 e financiado pelo Ministério das Relações Exteriores e da Cooperação Internacional da Itália (MAECI) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam).

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Sobre o Zika

O Zika é transmitido principalmente pelo Aedes aegypti e deixou o país em alerta após o surto ocorrido em 2015 e 2016, quando o Brasil registrou até 1,3 milhão de casos de associação com microcefalia e síndrome de Guillain-Barré. Até hoje não existe antiviral específico licenciado para Zika, o tratamento é apenas sintomático.

Para os pesquisadores que publicaram o artigo, a estratégia também é relevante diante das mudanças climáticas, que expandem a circulação de arbovírus para outras regiões do Brasil e do mundo. 

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A pesquisa utilizou uma abordagem multidisciplinar integrada envolvendo químicos, biomédicos, farmacêuticos, biólogos e médicos, que fizeram desde a extração e purificação dos compostos até as análises in silico e a avaliação de suas atividades biológicas.

O artigo completo foi publicado e está disponível na revista Biomedicine & Pharmacotherapy. A próxima etapa é avançar para estudar as atividades antivirais contra outras arboviroses de importância em saúde pública, como Dengue, CHIKV e Mayaro, além de avançar para ensaios pré-clínicos mais robustos e translacionais com os compostos mais promissores.

*Com informações do Inpa

MC do Pará, Jon da Rima faz do freestyle um ato de justiça climática 

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Jon da Rima apresentando a Batalha do Marex, em Belém. Registro de 2022. Foto: Jon da Rima/Acervo pessoal

Diferente de muitos outros passageiros, Jonatha Francisco, 26 anos, sobe no barco com a caixinha de som na mão. Como artista rimador ambulante, ele percorre ônibus e embarcações da região metropolitana de Belém (PA) rimando para garantir parte do sustento.

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É nesse mesmo movimento de quem transita entre periferias e rios que Jon da Rima, nome artístico de Jonatha, construiu uma visão de mundo onde Hip Hop e justiça climática são passos de um só caminho.

Carioca de nascença, ele se mudou para Ananindeua em 2017 e nunca mais desapareceu da cena. Hoje integra a Conexão das Batalhas de Rimas de Ananintuba, organiza o Duelo de Mc’s Revolução Cabana e milita no Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas, um movimento social que atua nacionalmente pela reforma urbana e pelo direito à moradia digna.

Leia também: Hip Hop: mais que cultura popular, um estilo de vida

Foi com essa bagagem que ele inscreveu sua rima na batalha virtual Corre na Rima, parceria entre o Greenpeace Brasil, pelo projeto Corre de Quebrada, e a Batalha da Matrix, e que você pode ouvir a seguir:

A rima que Jon fez para o concurso condensa em menos de um minuto sua bagagem de uma construção de anos nas ruas. “Justiça climática é justiça ambiental e justiça social, visando a derrubada do capitalismo e a luta contra o marco temporal”, diz em um trecho.

Da referência ao geógrafo Milton Santos à memória dos que “partiram, porém lutaram”, cada verso carrega uma escolha política deliberada.

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“Justiça social é fazer ocupação, como os povos indígenas ocuparam a Cargill. Enquanto isso, Belém debaixo d’água, Pernambuco debaixo d’água, Minas Gerais debaixo da terra, e eu falo daqui do Pará”, complementa. Nesse trecho da rima, Jon cita também tragédias e crimes que escancaram a disputa sobre o modelo de desenvolvimento imposto não só à Amazônia e quem decide seu destino, mas que se repete na realidade de comunidades periféricas de outras regiões do país. 

Hip Hop como escola

Antes disso tudo, havia um adolescente que vivenciava as consequências de um modelo de sociedade e de escola que desconsidera as muitas formas de viver e pensar.

O encontro com o Hip Hop mudou sua forma de encarar esse caminho:

“Minha relação com o Hip Hop é algo extremamente íntimo, pois foi através dele que comecei a ter autodeterminação, ganhei autoestima, fui compreendendo o mundo em sua complexidade e aonde eu estava encaixado dentro da sociedade. Mudou radicalmente a forma de eu me ver e enxergar as coisas ao meu redor, me ajudou a combater bullying contra mim e contra pessoas que eram próximas“, afirmou.

Suas notas na escola oscilavam entre quatro e sete, e tinha reprovado duas vezes antes de descobrir o Rap.

“O Hip Hop me ajudou a entender que eu não era burro, mas sim que a forma como eu estava inserido na escola, a forma como eu tentava aprender não era compatível com a minha vivência”, declarou. 

Jon da Rima: MC do Pará que faz do freestyle um ato de justiça climática
Batalha de Cristo. Foto: Acervo pessoal

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A partir daí, passou a gabaritar as provas.

Aos 16 anos, já frequentava rodas culturais de Hip Hop no Rio. Em 2021, de volta ao Pará, fundou a Batalha de Cristo no próprio bairro, em Ananindeua, que revelou nomes como Mc Láindia, Mc Afrotonni e Mc Félix. “Vi que no meu bairro precisava ter uma roda cultural de Hip Hop para ser uma alternativa para a juventude da nossa área”.

Foi o Rap também que o levou a Malcolm X, Che Guevara e ao Partido dos Panteras Negras, e dali ao socialismo.

“Quando me apresento como hip hopper, trago comigo todos esses nomes que viveram e se dedicaram por uma sociedade onde as riquezas fossem para todos”, afirma.

A Amazônia como território de rima

No Norte, Jon entende que fazer Rap implica necessariamente falar de terra, de rios e de povos.

“Quem produz Hip Hop nessa região tem que falar sobre a questão da luta pela terra, a questão da natureza, a crise climática, falar sobre a soberania dos povos originários, quilombolas e ribeirinhos”, explica.

Para ele, esses povos carregam uma cultura de “harmonia com a natureza, consumir de forma necessária e não para gerar lucro”, cultura que entra diretamente em choque com a lógica extrativista.

Expo Favela Ananindeua. Foto: Acervo pessoal

Ele cita em nossa conversa uma luta atual em que está envolvido pelo Pedral do Lourenço, formação rochosa no rio Tocantins que grupos empresariais querem remover para viabilizar a hidrovia Araguaia-Tocantins, favorecendo o agronegócio e a mineração. “Vai afetar pescadores e populações ribeirinhas, que usam do rio para se alimentar e se sustentar”, alerta.

O contexto é o mesmo que alimenta outro front de denúncia: uma investigação recente do Greenpeace Brasil apontou que esquemas de lavagem de ouro na Amazônia, usando permissões de garimpo como fachada, são responsáveis pela comercialização ilegal de toneladas do metal extraído de terras indígenas e unidades de conservação. Para Jon, é a mesma lógica:

“O agronegócio, a mineração, exploração das florestas e dos rios é um retrocesso, coloca em risco toda a humanidade”, afirma.

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Em sua rima feita para o Corre na Rima, Jon canta sobre a “população negra, indígena e periférica” forçada a morar em “área de risco”, e não é figura de linguagem. Durante as obras de saneamento para a COP30 em Belém, os resíduos foram direcionados para a Vila da Barca, bairro periférico. O projeto que deveria tratar o esgoto da Avenida Visconde de Souza Franco, cartão-postal da cidade, transferiu o problema para o mesmo bairro.

Batalha de rima na ocupação da Seduc feita pelos povos indígenas para revogação da Lei estadual 10.820/2024 – Belém do Pará, 2025. Foto: Acervo pessoal

“Todo esse dinheiro não mudou em nada a vida do pobre aqui. Pelo contrário, piorou em vários aspectos”, afirma Jon. Depois das chuvas que deixaram bairros de Belém debaixo d’água este ano, ele e coletivos como a Conexão das Batalhas de Ananintuba e a Kabanagem Produções levaram para as redes e para as rodas de rua a pergunta que a grande mídia não fez: onde foi parar o mais de um bilhão investido em drenagem e saneamento para a COP30?

O Norte não é margem

Jon também aponta o que chama de “lógica do centro-periferia dentro do capital”:

“Assim como o Brasil é periferia do mundo, o Norte é periferia dentro do Brasil. Invisibilizam as pessoas daqui para que a narrativa delas não seja contada, para não expor a contradição do capitalismo”.

O Hip Hop regional, para ele, tem a missão de combater essa invisibilização, e foi exatamente isso que a cena paraense fez durante as ocupações indígenas da Cargill em 2026 e da Seduc em 2025, em que 20 povos diferentes ocuparam a Secretaria exigindo a revogação da Lei 10.820/2024. A lei alterava a carreira do magistério e abria caminho para substituir o ensino presencial por EAD em áreas remotas, como comunidades quilombolas e terras indígenas. Na ocasião, artistas estiveram na linha de frente desmentindo a versão que muitos canais de TV propagaram, colocando os povos indígenas como os errados da história. 

“O Hip Hop vai se unir com qualquer cultura que é oprimida no mundo, se adaptar pra caminhar junto a essa cultura para combater aqueles que estão oprimindo”.

A rima que Jon enviou para o Corre na Rima cumpre o que o Rap do Norte propõe: nomear o que a mídia encobre, honrar quem luta e fazer do verso um ato político.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Greenpeace, escrito por Camila Doretto.

Conhecimento indígena orienta ações de combate a incêndios em TI do Xingu, no Mato Grosso

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Equipes do Prevfogo, do Ibama, trabalham para controlar incêndio florestal no Parque Indígena do Xingu, no Mato Grosso, em 2016. Foto: Vinícius Mendonça/Ibama

Resultado de cinco anos de trabalho na região do Alto Xingu, Território Indígena do Xingu (MT), o Instituto Socioambiental (ISA) entregou ao Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), do Ibama, um total de 15 Planos de Manejo Comunitários do Fogo. A entrega foi realizada no dia 13 de maio em assembleia do Instituto Aritana, no Polo Leonardo.

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O fogo é uma tecnologia milenar de manejo da paisagem, utilizado na roça de coivara, na limpeza de caminhos e aldeamentos, no preparo da comida, na coleta do mel, no aquecimento das casas, em técnicas de caça e em inúmeras outras atividades. No entanto, nos últimos anos, os incêndios florestais se tornaram um dos principais desafios enfrentados pelos povos xinguanos. 

A entrega dos Planos de Manejo Comunitário do Fogo para o PrevFogo marca um novo momento na prevenção de incêndios dentro do Território Indígena do Xingu: a possibilidade de a política pública ser aperfeiçoada a partir do conhecimento e necessidades específicas dos povos indígenas.

“Os Planos de Manejo Integrado do Fogo, frutos do Mapeamento da Cultura do Fogo, que são produzidos de maneira participativa, revelam os saberes e fazeres das comunidades do Alto Xingu, quanto ao conhecimento tradicional associado ao uso, ou não uso, do fogo no território”, explica Marcos Guedes, técnico especialista em Manejo Integrado do Fogo do PrevFogo.

Para ele, a abordagem é muito exitosa em trazer o protagonismo comunitário como base para a efetiva promoção da gestão do fogo nos territórios. “Os Planos de Manejo Integrado do Fogo do Alto Xingu servirão de bússolas a apontar caminhos e soluções na árdua missão de conservação do território e prevenção aos incêndios florestais”, afirma.

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Mudanças climáticas e adaptação

O trabalho começou em diálogo com aldeias do Rio Kuluene, principal rio formador do Xingu, onde moram indígenas dos povos Kalapalo e Kuikuro, principalmente. A região é caracterizada pela presença de campos naturais, uma vegetação adaptada ao fogo. No entanto, os indígenas têm sofrido com incêndios que começam nos campos, mas se descontrolam e queimam áreas de floresta.

Preocupados com a manutenção das condições de vida em suas comunidades, os xinguanos passaram a procurar o ISA para pensar novas estratégias de manejo do fogo. O trabalho resultou na elaboração dos mapas.

Desenho do Plano de Manejo Comunitário da Aldeia Tangurinho. Foto: Emilton Paixão

“Estes planos abrange as diretrizes dos povos nativos que vivem no Território Indígena do Xingu. É gerido coletivamente por diversas etnias, como Kuikuro, Naruvotu, Tapayuna, Wauja, Kalapalo e Yudja. Suas frentes prioritárias incluem executar os planos de manejo comunitário do Xingu e mitigar os impactos das mudanças climáticas na região, com foco na restauração ecológica, manejo tradicional de roçados, recuperação de cultivos nativos, manejo sustentável e fomento a sistemas agroflorestais”, explica Emilton Paixão, técnico do ISA que apoiou a elaboração dos Planos de Manejo.

O desmatamento crescente no entorno do território, o uso intensivo de agrotóxicos “secantes” nas lavouras de soja e milho e o secamento de nascentes e diminuição das águas fluviais tornaram a floresta mais seca e vulnerável ao fogo.

Antes, o fogo era mais brando, queimava lentamente uma pequena área e apagava naturalmente ao anoitecer ou ao encontrar uma porção de mata mais úmida. Agora, o fogo está “bravo” e avança descontroladamente sobre a floresta, degradando imensas áreas de mata. A floresta degradada pelo fogo se torna mais seca e mais suscetível à incêndios no ano seguinte, gerando um ciclo perverso de savanização da floresta amazônica. 

Recursos estratégicos para a construção de casas, confecção de utensílios e artesanatos, coleta de frutas e plantas medicinais são destruídos, gerando prejuízos para as aldeias.

Leia também: Funai conclui delimitação de duas novas terras indígenas no Amazonas 

Gráfico de área queimada no TIX ano a ano, com dados do Mapbiomas – Coleção 10. Foto: Ricardo Abad

“Este ano de 2026 será extremamente desafiador. O Xingu se prepara para um El Niño de seca intensa e altas temperaturas. O ISA seguirá junto com os povos do Xingu e suas instituições representativas, como a Associação Terra Indígena do Xingu (ATIX) e o Instituto Aritana, monitorando, avaliando e colaborando com o manejo do fogo e combate aos incêndios, ao lado dos agentes públicos do PrevFogo”, afirma Ivã Bocchini, coordenador-adjunto do programa Xingu do ISA.

A atuação do PrevFogo no Território Indígena do Xingu se caracteriza por duas estratégias fundamentais: ações de manejo e ações de combate. As primeiras, orientadas pelo Plano Nacional de Manejo Integrado do Fogo, ocorrem no período de maio a julho, quando a chuva diminui, mas a mata ainda está úmida, momento ideal para realizar queimas controladas, onde o fogo é tecnologia ancestral de manejo e conservação da floresta. s ações de combate a incêndios se estendem de agosto a outubro, no auge da estiagem, quando qualquer fogo precisa ser rapidamente detectado e apagado.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Instituto Socioambiental

Com acervo de 20 mil itens, Arquivo do Museu Goeldi apresenta pesquisas em coleções documentais

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Foto: Daniel Magno/ MPEG

Com um acervo de mais de 20 mil documentos, o Arquivo Guilherme de La Penha, mantido pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), aderiu à 10ª Semana Nacional de Arquivos, entre 8 e 12 de junho. Para marcar a data, será realizada a mesa-redonda “Novos olhares sobre os arquivos: gênero, raça e etnia”, nesta terça-feira (9), das 9h às 12h, no Auditório Paulo Cavalcante, no Campus de Pesquisa do MPEG, em Belém (PA).

O evento se conecta com o tema proposto pelo Arquivo Nacional, “Arquivos, democracia e justiça social”, e traz temáticas atuais relacionadas a pesquisas em coleções documentais, como a mantida pelo Museu Goeldi.  

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O Arquivo Guilherme de La Penha integra a estrutura do Serviço de Arquivo e Memória (Searm), vinculado à Coordenação de Comunicação e Extensão (Cocex) e chefiado pela jornalista e doutora em museologia Lílian Bayma de Amorim. Ela será uma das participantes da mesa-redonda junto aos pesquisadores Nelson Sanjad, Márcio Couto Henrique, Iane Maria Batista, Cássia Moraes e Emílio Ribeiro, vinculados ao Museu Goeldi e à Universidade Federal do Pará (UFPA).

“A semana é um evento promovido pelo Arquivo Nacional, ao qual o Museu Goeldi aderiu, cadastrando como evento, este ano, a mesa-redonda. Nossa proposta é dar um enfoque maior na divulgação de pesquisas sobre esse olhar do arquivo como um lugar de pesquisa histórica relacionada a gênero, raça e etnia”, disse Lilian Bayma.

Não haverá inscrição prévia para o evento. O acesso é liberado a qualquer pessoa interessada, bastando que se identifique na portaria do Campus, apresentando documento de identificação.

Democratizando o acervo

Em relação à aderência da atividade e do cotidiano do Arquivo Guilherme de La Penha ao tema nacional, Lilian Bayma ressalta o caráter democrático do setor, que está acessível para consultas da população, sendo mantidos os cuidados necessários para a conservação do acervo. “Está aberto a estudantes de nível médio, universitários e demais pesquisadores que queiram fazer pesquisa na região amazônica. Nós temos um acervo enorme sobre trabalhos desenvolvidos na região e fazemos essa abertura para toda a sociedade”, disse.

Lilia Bayma consulta um dos 1420 negativos de vidro da coleção fotográfica. Foto: Daniel Magno/MPEG

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Nelson Sanjad, curador das coleções documentais históricas do Museu Goeldi, ressalta que a política de acesso da instituição também inclui a visibilidade a coleções pouco conhecidas:

“Temos, atualmente, uma política bem definida no sentido de adquirir, conservar e incentivar pesquisas em coleções documentais relacionadas a povos indígenas, populações tradicionais e mulheres. Estamos, por exemplo, organizando coleções especiais relacionadas a uma pioneira da ciência amazônica, Emília Snethlage, e a um dos poucos indígenas que deixaram um arquivo pessoal, o Sabino Munduruku”.

Na Brasiliana Fotográfica

Ainda em relação à democratização do arquivo do Museu Goeldi, Lilian lembra que parte do acervo fotográfico já está na Brasiliana Fotográfica, ao alcance de qualquer pessoa que tenha acesso à internet.

A instituição de pesquisa foi a 15ª a aderir à plataforma, no final do ano passado, sendo a primeira da Amazônia a manter acervo nesse ambiente digital. No início deste ano, foi lançado um álbum sobre a cidade de Belém (em comemoração ao aniversário da cidade).

Logo depois, foi divulgada, dentro da série “Feministas, graças a Deus”, o álbum sobre Emília Snethlage, ex-diretora do Museu Goeldi, acompanhado do artigo Uma alemã que amava a Amazônia, do historiador Nelson Sanjad. 

Consulta presencial

Quem desejar pesquisar no acervo do Arquivo Guilherme de La Penha deve solicitar o agendamento da visita direto no Searm, por meio do e-mail arquivo@museu-goeldi.br. A pessoa deve dar informações básicas sobre o que deseja pesquisar, como tema, período, tipo de documentação.

O Searm faz uma busca no acervo e, caso exista o material solicitado, faz o agendamento da consulta presencial. De acordo com a chefe do setor, Lilian Bayma, há um esforço para digitalizar documentos, de maneira a torná-los mais acessíveis e também para garantir a preservação do acervo. “Em casos específicos, como quando a solicitação é de pesquisadores do exterior, digitalizamos o documento e enviamos”, disse. 

Um dos 1420 negativos em vidro que integra o acervo do Arquivo Guilherme de La Penha. Foto: Daniel Magno/MPEG

Fragmentos de uma memória de quase 160 anos

Pela capacidade de reunir diferentes materiais e temas, o acervo tem sido fonte para diversas pesquisas científicas, jornalísticas e educativas. O acervo de mais de 20 mil itens – entre documentos institucionais, cartas e imagens reproduzidas em papel, fototipias, diapositivos (slides), contatos e fotos digitais, em negativos de vidro e flexíveis – guarda fragmentos de uma história de quase 160 anos do Museu Goeldi, criado em 1866. Além disso, o acervo extrapola o caráter institucional, reunindo uma memória do processo de institucionalização da ciência na Amazônia, suas cidades, paisagens e habitantes. 

O servidor técnico Pablo Borges, formado em administração com especialização na área arquivística, é uma das pessoas que trabalham no arquivo. Ele explica que o Arquivo Guilherme de La Penha exerce a função de um arquivo central dentro da instituição, responsável pela implementação da gestão documental no MPEG (arquivos corrente e intermediário – documentos institucionais em uso), além de guardar o arquivo permanente (a coleção histórica).

Mas nem sempre foi assim. Pablo Borges lembra que o arquivo, durante os primeiros anos da instituição, era um local de apoio à administração que fazia a guarda dos documentos administrativos. A documentação tem sido guardada desde os anos 1890, mas só veio a receber um tratamento arquivístico na década de 1980. Foi nesse momento que, segundo o técnico, o então diretor Guilherme de La Penha começa a estruturar o espaço como uma unidade de documentação que passa a, além de dar um apoio à administração, servir como apoio à pesquisa científica.

Além de servidores capacitados no campo arquivístico, o setor ganha um novo status, passando a ser um departamento no organograma da instituição e não mais apenas uma sala que guarda documentos administrativos (arquivo corrente). Pela quantidade de registros históricos mantidos durante décadas, nota-se que havia um trabalho de documentar a memória da instituição. No entanto, a preocupação com a preservação dessa memória nos moldes atuais se manifestou a partir da gestão de Guilherme de La Penha e, por isso, o arquivo recebeu o seu nome.

No caso da coleção fotográfica, Pablo informa que ela ganhou destaque com a chegada de Emílio Goeldi ao museu.  “Algumas fotografias foram tiradas pelo próprio Goeldi, outras por Jacques Huber. Em 1897, Goeldi contrata um profissional da área, o fotógrafo alemão Ernst Lohse. Então, a partir daí, há vários registros fotográficos, tanto do entorno da cidade, quanto das atividades que eram desenvolvidas no Museu. Hoje, parte desses registros estão salvaguardados aqui no arquivo, e compõe a coleção fotográfica”, disse.

De acordo com o servidor do Arquivo, a coleção fotográfica inclui 1.420 negativos em vidro, que era a tecnologia usada entre final do século XIX e meados do século XX. Eles tratam de diversos temas.

“Nós temos registros da cidade de Belém, registros das coleções científicas, do Parque Zoobotânico, em diversas ocasiões, entre outros. Hoje o Arquivo Guilherme de La Penha, é um dos serviços do Museu Goeldi que salvaguarda uma das coleções científicas da instituição, que são as coleções históricas documentais. Além da gestão de toda a documentação institucional, nós temos o compromisso de preservar essa documentação e de trabalhar na divulgação desse acervo”, ressaltou.

*Com informações do Museu Paraense Emilio Goeldi

De pacu à dourado: conheça a peixaria de Roraima que tem cardápio formado de acordo com a pesca do dia

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Peixes são escolhidos pelos clientes no Bar da Rosinha. Foto: Tiago Côrtes/Rede Amazônica RR

Dos saberes tradicionais indígenas e da relação construída ao longo da vida com os rios, Rosinete de Oliveira, de 54 anos, conhecida como Dona Rosinha, garante renda. Há quase dois anos, ela transformou a paixão por peixe e a confiança no que o rio Branco oferece em um empreendimento: o Bar da Rosinha, às margens do principal rio de Roraima.

Localizado no bairro Jardim das Copaíbas, zona Oeste de Boa Vista, no Bar da Rosinha, a principal atração não são as bebidas, mas os peixes fritos feitos no fogão à lenha. É como se o rio definisse o cardápio, já o cliente escolhe o peixe que vai comer entre as espécies disponíveis no dia.

Pratos dependem da pesca do dia e custam a partir de R$ 25. Foto: Tiago Cortês/Rede Amazônica RR

Ela compra os peixes de pescadores que trabalham na região. Depois, limpa, corta, empana, frita e serve ao cliente com baião, farofa, vinagrete e molho caseiro das pimentas cultivadas pela própria Rosinha. A refeição é feita debaixo das mangueiras e com a vista das águas que banham Roraima. A sensação é de estar em um sítio no interior, mas sem sair da cidade.

“Sempre varia [os peixes], é aquilo que Deus dá. Às vezes vem pacu, cabeça gorda, branquinha. Vem peixe de pele também, como por exemplo, dourado, surubim e até sardinha”, conta Rosinha.

O preço da comida também varia conforme o peixe escolhido e depende do quanto ela pagou aos pescadores. A partir disso, a refeição é negociada a partir de R$ 25. Atualmente, o bar recebe uma média de 200 clientes por fim de semana, realidade bem diferente de 2024, quando começou. Para Rosinha, o segredo para atrair tantos clientes está na simplicidade do negócio.

“No primeiro dia, trouxe só uma caixa de isopor, coloquei debaixo da mangueira e coloquei para vender, sem ninguém. Estava só mato, tudo sujo, mas consegui vender um pouco e me animei. Não são essas comidonas difíceis. É o mais simples do simples, é isso. E isso é maravilhoso”, lembra Rosinha.

Leia também: Conheça alguns peixes que não podem faltar na mesa do amazônida

Peixes, cerveja e música

A ideia surgiu do desejo de oferecer às pessoas aquilo de que ela gosta: comer peixe frito, beber cerveja e escutar forró.

“Não achei que daria esse tanto de gente querendo. Se eu soubesse tinha colocado há mais tempo. Todo mundo quer comer um peixe frito na lenha”, disse.

A proposta em que o próprio cliente escolhe qual peixe quer comer nasceu de forma espontânea. “Comecei a colocar os peixes e as pessoas perguntavam o que tinha e levava a pessoa para escolher. O carro chefe é a matrinxã e outros peixes pequenos, tipo as piabas.”

Assim como Rosinha, outras 26 mil mulheres comandam o próprio negócio em Roraima. O número representa 30% dos 86 mil empreendimentos formalizados no estado, segundo dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

Rosinha trabalha no estabelecimento ao lado das filhas, do marido, das irmãs e de outros familiares. Ela conta que o momento mais gratificante é quando entrega o prato ao cliente. “Gosto de montar meus pratos e entregar para que a pessoa primeiro coma com os olhos. Depois, encha a barriga”, diz.

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Toda a família da Rosinha contribui para o funcionamento do bar. Foto: Rosinete de Oliveira

Experiências e desafios

Mesmo localizado dentro da cidade de Boa Vista, no Bar da Rosinha o sinal de telefone oscila e nem sempre funciona. O trajeto para chegar lá é sem asfalto e a energia elétrica é fornecida por um gerador. Mas isso não é um problema para ela. Pelo contrário, faz parte do que torna o local diferente dos convencionais.

“Empreendimentos que contam histórias verdadeiras conseguem se conectar mais com as pessoas. Esse modelo de negócio está crescendo, e essas características naturais e regionais não podem ser vistas em outro lugar, apenas no bar da Dona Rosinha”, avalia a gestora de projeto Trade Turístico do Sebrae em Roraima, Kamyla Brasil.

Além disso, manter um empreendimento nesses moldes requer capacidade de adaptação, por enfrentar desafios que estão fora de controle. Sobretudo, ao depender da natureza, como avalia Kamyla.

“Empreender com produtos que dependem da natureza exige uma capacidade de adaptação maior que os negócios tradicionais, porque ela precisa lidar com fatores que estão fora do controle, como por exemplo, o clima, período de reprodução das espécies e até se o rio está cheio ou seco”, destacou.

Ela explica ainda que o modelo de gestão de negócio da Rosinha é uma inovação que valoriza mais a experiência do que o produto final, o que acaba sendo valorizado pelo mercado.

“A clientela busca exatamente aquilo que ela oferece alí. Ela transformou a experiência em exclusividade, ao aproximar o consumidor da cultura local, da atividade pesqueira e dos saberes tradicionais [indígenas], que não depende de tecnologia, mas dos elementos do território”, explicou.

No Bar da Rosinha o cliente escolhe entre os peixes disponíveis na pesca do dia. Foto: Tiago Côrtes/Rede Amazônica RR

Raízes indígenas

Rosinha é indígena do povo Macuxi. Foto: Rosinete de Oliveira

Nascida em Bonfim, no Norte de Roraima, Dona Rosinha é indígena do povo Macuxi e cresceu às margens do rio Tacutu. Ainda criança, mudou-se com a família para Boa Vista para estudar. Anos depois, já casada e mãe de quatro filhos, decidiu retomar a conexão com a natureza e transformou esse desejo no Bar da Rosinha.

“Como a gente gosta de estar pescando, estar na beira do rio pegando peixe, por que normalmente quem é indígena gosta de estar na beira de rio, viemos para o bairro Jardim das Copaíbas. Daí, tivemos acesso ao rio”, afirmou.

O Bar da Rosinha também pode ser classificado como parte do turismo gastronômico por colocar o alimento no centro da motivação da viagem. Mesmo localizado na capital, o bar fica longe do centro turístico tradicional e é uma alternativa para quem busca conhecer manifestações culturais genuinamente roraimenses.

O início de tudo

Rosinha vendia na praia, junto com a família. Foto: Rosinete de Oliveira

No Jardim das Copaíbas, começou com um comércio em que vendia churrasquinho e dindin na praia que, na época, formava na margem do rio. Até que a matriarca da família, Deolinda de Oliveira decidiu morar na região.

“Quando ela e meu pai chegaram aqui, começaram a pescar para a própria alimentação e vendiam um pouco. Passaram a morar aqui, construíram uma casinha e ficaram”, destacou.

Rio dita o cardápio de peixes

No verão, quando o rio está baixo, todo o espaço do bar é utilizado pelos clientes. Já no inverno amazônico, com a cheia do Rio Branco, Rosinha guarda mesas e cadeiras para evitar que sejam levadas pela água, e o atendimento passa a ocorrer por agendamento, já que o acesso é feito apenas por canoas.

O Rio Branco influencia não apenas o cardápio, mas também o abastecimento do empreendimento. Na seca, Rosinha compra os peixes de pescadores da região. Durante o período do defeso, o fornecimento vem de criadores de tanques.

Saiba mais: Saiba quais peixes amazônicos são mais ricos em ômega 3, 6 e 9

peixes
Peixes são comprados de pescadores da região. Rosinha limpa, corta, empana, frita e serve aos clieintes. Foto: Tiago Côrtes /Rede Amazônica RR

Rosinha diz que conduzir o bar é estar perto do que sempre gostou: da família, do rio e da natureza. “É uma satisfação imensa Deus ter me dado essa oportunidade de morar na beira do rio, sempre quis isso. Comer sempre um peixe fresco e estar em contato com essa natureza maravilhosa vendo esse rio passar”, afirmou.

Lá, os peixes servidos dependem da pesca do dia e o ritmo das águas continua a definir o funcionamento do negócio que, genuinamente, pertence ao território roraimense.

*Por Tiago Côrtes, da Rede Amazônica RR

O Caso Agenor: “Isso que dá defender pobre”

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Agenor de Carvalho, o advogado assassinado em Porto Velho. Foto: Reprodução

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

Naquela noite quente de 9 de novembro de 1980, Porto Velho estava em festa. As luzes brilhavam no jantar de eleição do diretório regional do PDS, o partido do governador Jorge Teixeira. A música alta, a cerveja à vontade e as risadas criavam uma atmosfera de celebração e poder.

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Mas, enquanto os convidados brindavam, um acontecimento sombrio pairava sobre a cidade. Poucas horas antes, o secretário-geral do partido de oposição (o PMDB) havia sido brutalmente assassinado. A notícia se espalhou rapidamente, mas não foi suficiente para interromper a festa dos governistas. Estava sinalizado o desprezo pelas causas que a vítima representava.

Agenor Martins de Carvalho é, hoje, um nome emblemático na luta pelos direitos dos sem-teto e dos sem-terra. Conhecido como o ‘advogado dos pobres’, o goiano de Porangatu — cidade do norte de Goiás, às margens da rodovia Belém-Pará — chegou a Rondônia no começo da década de 1970 e foi morto a tiros às 4h30 daquele domingo.

Agenor de Carvalho, o advogado assassinado em Porto Velho. Foto: Reprodução
Agenor de Carvalho, o advogado assassinado em Porto Velho. Foto: Reprodução

Ainda jovem, com 34 anos, aparentava mais idade devido ao jeito sóbrio e compenetrado de levar a vida, ao vasto conhecimento que possuía e às responsabilidades de ser pai de três filhos. Ele estava em sua casa, na rua Júlio de Castilhos, no centro de Porto Velho, dormindo com a esposa, quando foi chamado à porta. Ao atender, levou um tiro certeiro no coração, disparado por uma arma calibre .32 duplo. A perícia apontou o uso de ‘bala de barão’, um projétil de metal bastante caro para a época. Agenor morreu a caminho do hospital.

O caso ganhou repercussão na imprensa nacional e seu nome ficou marcado na história. Atualmente, um bairro, uma rua e um presídio levam o nome de Agenor de Carvalho na capital rondoniense. Ele também era político e despontava como pré-candidato a deputado federal para as eleições de 1982. Por essa razão e por convicção, atendia a tantos necessitados gratuitamente.

O corpo foi transladado para Goiás. No aeroporto de Porto Velho, centenas de pessoas se reuniram para o embarque do féretro, em uma última e emocionante homenagem. O jornalista Eurípedes Cleiton notou quando um homem simples, de cabeça baixa, comentou tristemente: ‘Isso que dá defender pobre’.

Título de um texto publicado no jornal “Movimento” (RJ), por José Neumar da Silveira, assessor da Contag em Rondônia. Imagem: Reprodução

Demandas ganhas

O advogado atuava em causas coletivas de reintegração de posse. Ele defendia mais de 900 famílias de sem-teto da capital contra a imobiliária Empreendimentos da Amazônia S/A, de Carlos Figueiredo e Francisco Fernandes Sorviersoki — que haviam mandado derrubar palhoças e expulsar moradores em uma área entre as avenidas Sete de Setembro, Rio de Janeiro e Rio Madeira (atual Chiquilito Erse).

Agenor conseguiu a reintegração em Brasília, no Supremo Tribunal Federal (STF), por um placar unânime de 7 a 0. Diante da derrota, Figueiredo e seu sócio, conhecido como ‘Chico da Coringa’, ficaram revoltados.

A atuação de Agenor estendia-se ao interior do estado, ao longo da BR-364, onde atuava como assessor jurídico da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura). Em Cacoal, no ano de 1978, ele recebeu ameaças de morte do pistoleiro José Joaquim dos Santos, o “Zé Bahia”.

O criminoso comandava um grupo de jagunços a serviço do Condomínio Bonanza (de Lins/SP) na Gleba Prosperidade — área que hoje fica dentro do perímetro urbano de Cacoal. Eles haviam expulsado 55 famílias de colonos do local, que ainda estava em processo de demarcação pelo Incra. Mais uma vez, a Justiça determinou que a terra pertencia aos posseiros. Negligência das autoridades

Agenor de Carvalho, o advogado assassinado em Porto Velho. Foto: Reprodução

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À medida que ganhava reputação como um defensor combativo, Agenor acumulava a antipatia de pessoas poderosas. Antes do golpe fatal, ele já havia sido alvo de outros atentados. Em 1975, registrou a primeira ocorrência após ter seu carro alvejado; as suspeitas recaíram sobre José Milton Rios.

Na época, Agenor denunciou os episódios à OAB e declarou ao Jornal do Brasil que a Secretaria de Segurança Pública agia com total negligência: “Fazem vistas grossas às ações de milicianos e assassinos que atuam nas áreas de conflitos agrários, dando a entender que Rondônia é uma terra sem leis. Além do mais, os chefes de polícia têm demonstrado animosidade em relação a mim”.

Em 1976, ele representou contra o comandante da Polícia Militar, coronel Ivo Célio da Silva, por abuso de autoridade no despejo de cem famílias na fazenda de Fernando Iberê, na comunidade de Abaitará, em Pimenta Bueno. No Parque Aripuanã, também em Pimenta Bueno, Agenor defendeu 156 famílias despejadas pela Funai de uma reserva indígena devidamente demarcada. Neste caso específico, a Funai venceu a demanda no STF, pois a terra pertencia, de fato, à comunidade originária.

Conluio

O estopim para a morte do advogado foi um conluio liderado pelo cearense José Milton de Andrade Rios. Homem violento, Rios já havia determinado, em 1968, o massacre de dez indígenas Cintas-Largas próximo ao Rio Roosevelt durante uma pesquisa mineral — um processo que acabou esquecido pela Justiça e pelo qual ele nunca foi punido.

O conflito com o advogado se acirrou quando Agenor o denunciou por manter um arsenal de armas de grosso calibre, de uso restrito das Forças Armadas, no Seringal Muqui (atual município de Presidente Médici). Descontrolado ao ser confrontado, Rios decidiu eliminá-lo.

O seringalista e latifundiário utilizava seu poder bélico e o apoio de jagunços para expulsar pequenos agricultores do Seringal Muqui. A maioria das 250 famílias locais já possuía documento de posse emitido pelo Incra e sobrevivia da agricultura familiar, cultivando café, mandioca e feijão. Rios, no entanto, pleiteava 21 mil hectares daquela área para si.

Na época, o lendário capitão Sílvio Gonçalves de Farias, peça fundamental nas políticas agrárias do território, era o coordenador regional do Incra. Provocado pelas ações jurídicas de Agenor, o capitão Sílvio também se tornou um estorvo para José Milton Rios ao priorizar o cronograma técnico de distribuição de terras para quem nelas trabalhava, rejeitando as investidas do latifundiário.

As ações de Agenor surtiam efeito real, e isso selou o seu destino. Rios e Figueiredo uniram-se e contrataram, na região de Ji-Paraná, o pistoleiro que executaria o advogado. Posteriormente, todos os envolvidos foram condenados, e os mandantes foram obrigados a indenizar a viúva e os três filhos por danos morais.

Ulysses e CEB’s

O assassinato repercutiu na política nacional. O presidente nacional do PMDB, deputado federal Ulysses Guimarães, denunciou o crime e exigiu uma investigação rigorosa. Na imprensa, sobravam críticas ao governo federal, acusado de estimular o fluxo migratório para a região sem estruturar o Incra para receber os novos contingentes. O crescimento demográfico desordenado agravava os conflitos agrários, a violência urbana e a degradação ambiental.

Em 1980, Rondônia contava com cerca de 600 mil habitantes. Posseiros, indígenas, garimpeiros e representantes de colonizadoras disputavam o território “na base da bala” — um cenário de desvantagem crônica para as parcelas mais vulneráveis. Em meio às tensões sociais, a Igreja Católica também desempenhou um papel central por meio das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), oferecendo forte apoio às causas defendidas por Agenor.

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Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista.

Coletivo do Amapá transforma biodiversidade em moda e leva produção ao cenário nacional

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Material dos artistas ficaram expostos no Sebrae durante o 10º Modamazon. Foto: Mariana Ferreira/Rede Amazônica AP

O reaproveitamento de recursos da biodiversidade da Amazônia vira matéria-prima para a moda autoral de artistas do coletivo amapaense Modamazon. Com peças que valorizam traços regionais, as produções ganham destaque no cenário nacional e mostram que a moda vai muito além do mercado financeiro de luxo.

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O projeto criado em 2018 reafirma raízes ancestrais e promove o reconhecimento da identidade amazônica por meio do vestuário. Participam estilistas, designers de acessórios e artesãos.

Em cada peça há um pouco do Amapá: sementes colhidas na mata viram colares, caroços de açaí se transformam em detalhes de roupas, e símbolos do Norte — muitas vezes alimento — passam a vestir e dar cor às criações cheias de personalidade e estilo.

O estilista Driko Peixoto, criador do coletivo, define a moda como ato de amor e representatividade. Para ele, a troca entre artistas e floresta materializa uma união que carrega mais que o potencial da economia criativa: é a moda como ferramenta de valorização cultural.

“A gente precisa cuidar para que sempre exista. Nossa moda é quase 100% artesanal, já que o Estado não é industrializado. Boa parte dos processos é manual, incorporando sementes e fibras. Trabalhamos com o que a natureza nos oferece, e disso surgem experimentos que viram produtos grandiosos, com valor agregado imensurável”, disse Peixoto.

A produção marcada pelo trabalho manual, deixa o resultado, muitas vezes mais caro, porém garante exclusividade: cada peça é única. Esse é um dos desafios dos profissionais: firmar marcas e conquistar valorização.

Leia também: Moda com insumos da floresta é transformada em estratégia de geração de renda no Amazonas

Coletivo do Amapá transforma biodiversidade em moda e leva produção ao cenário nacional
Desfile da 10º Modamazon no Amapá. Foto: Divulgação/Modamazon

“Nosso produto sai 50% mais caro que o do Sul e Sudeste. Temos desafios com matéria-prima, pois não trabalhamos apenas com recursos da natureza. Precisamos de outras superfícies que muitas vezes não encontramos aqui, e isso encarece o produto”, explicou Driko.

São vestidos, colares, bolsas e sapatos com a identidade do Amapá. As cores e traços dão forma a sonhos de profissionais que começam pequenos, enfrentam dificuldades, mas conquistam espaço em passarelas nacionais, como a Brasil Eco Fashion Week, referência em moda sustentável.

“O Norte é muito rico nessa perspectiva. Desde sempre evidenciamos isso, descentralizando eixos e trazendo as nuances da região”, destacou Daniel Mendes, diretor de relacionamento do evento.

O caminho até a estruturação dos profissionais conta com apoio do Sebrae. Segundo a gestora de projetos Larissa Queiroz, o Amapá tem cerca de 3.400 profissionais da moda autoral cadastrados.

“Começamos com o básico, ajudando na formalização. Quando o profissional amadurece, buscamos mercados, como feiras e rodadas de negócios, que são ações fundamentais”, afirmou Larissa.

Do ateliê para as passarelas no Amapá

Em 2026, o Modamazon celebrou sua 10ª edição, expandindo horizontes e dando visibilidade à moda sustentável. O coletivo recebeu mais de 400 inscrições de modelos. A diversidade é um dos diferenciais: na passarela, pessoas negras, PCDs e idosos de até 75 anos.

Desfile da 10º Modamazon no Amapá. Foto: Divulgação/Modamazon

Mais que um evento de moda, o Modamazon é um movimento de resistência, inovação e pertencimento, consolidando a Amazônia como território de expressão autêntica e potência criativa.

*Por Mariana Ferreira, da Rede Amazônica AP

Documentário mostra o impacto do plástico e do microplástico na avifauna de rios no Amazonas 

Cena do documentário ‘O Impacto do Plástico e do Microplástico na Avifauna dos Rios Negro e Solimões’. Foto: Reprodução/youtube Instituto Soka Amazônia

O Instituto Soka Amazônia lançou o documentário ‘Entre Fios Invisíveis: O Impacto do Plástico e do Microplástico na Avifauna dos Rios Negro e Solimões‘, uma produção que investiga como a poluição plástica vem afetando as aves na Amazônia.

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A narrativa tem como eixo a RPPN Dr. Daisaku Ikeda e três comunidades ribeirinhas e indígenas localizadas nos rios Negro e Solimões. Ao longo do percurso, o documentário conecta ciência, educação ambiental e saberes tradicionais para mostrar, de forma sensível e direta, como o plástico tem alterado comportamentos, habitats e ciclos naturais da avifauna da região.

O aumento de resíduos plásticos nos rios amazônicos já representa uma ameaça concreta à biodiversidade. Um exemplo disso é o uso de fios de nylon e fragmentos plásticos na construção de ninhos — como no caso do ninho de japú encontrado na RPPN Dr. Daisaku Ikeda —, evidenciando uma adaptação forçada das espécies às interferências humanas.

Leia também: Reserva Particular do Patrimônio Natural Dr. Daisaku Ikeda em Manaus ganha guia de aves

Documentário mostra o impacto do plástico e do microplástico na avifauna de rios no Amazonas
Foto: Reprodução/youtube Instituto Soka Amazônia

Documentário dá visibilidade aos impactos

Mais do que apresentar dados, o documentário busca dar visibilidade a essa realidade a partir de uma abordagem socioambiental integrada, ampliando a percepção sobre os impactos do plástico e do microplástico na Amazônia e promovendo a conscientização ambiental em âmbito nacional e internacional.

O lançamento fez parte de uma série de atividades desenvolvidas pelo Instituto, dentro do calendário da Semana do Meio Ambiente 2026, de 1º a 6 de junho, e com apoio de diversos parceiros: Universidade do Estado do Amazonas, Vem Passarinhar Manaus, UEA, INPA, Programa de Coleções Científicas Biológicas (PCCB), SEMED Manaus, E.M Alfredo Linhares, Oca do Conhecimento Ambiental, SEMED Careiro, E.M Francisca Góes, Comunidade 3 Unidos.

Leia também: Microplástico e mudanças climáticas: ameaças aos rios amazônicos

*Com informações do Instituto Soka Amazônia

Programação que antecede o Festival de Parintins 2026 começa a se intensificar; veja a agenda

Foto: Divlgação/Arquivo Secom AM

O calendário oficial de eventos do Festival Folclórico de Parintins 2026 começa a se intensificar na cidade amazonense. Para quem pretende aproveitar a ilha da magia antes da disputa no fim de junho, a programação reúne diversas atividades dos bois-bumbás Caprichoso e Garantido abertas ao público.

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Segundo a organização do evento, o calendário ainda está sujeito a alterações de datas, horários e locais, mas já é possível se programar para curtir o clima de festa para o 59º festival em Parintins.

Leia também: Dicas para Parintins 2026: como se preparar para viver o maior festival folclórico da Amazônia

parintins, cidade que sedia o festival folclórico dos bois caprichoso e garantido no amazonas
Foto: Reprodução/Amazon Sat

Programação em Parintins

  • 8 de junho – Saída das alegorias do Garantido da Cidade Garantido para a área de concentração;
  • 12 de junho – Saída tradicional do Garantido pelas ruas de Parintins;
  • 15 de junho – Início do translado das alegorias do Caprichoso para a área de concentração;
  • 16 a 19 de junho – Ensaios técnicos do Caprichoso – Curral Zeca Xibelão;
  • 17 a 19 de junho – Ensaios técnicos do Garantido – Curral Lindolfo Monteverde;
  • 18 de junho – Ensaio técnico do Caprichoso no Bumbódromo (fechado);
  • 19 de junho – Ensaio técnico do Garantido no Bumbódromo (fechado);
  • 20 de junho – Sorteio da ordem de apresentação dos bois;
  • 20 de junho – Ensaio técnico do Garantido no Bumbódromo (fechado);
  • 20 de junho – Boi de Rua do Caprichoso;
  • 21 de junho – Passagem de som do Garantido no Bumbódromo (aberta ao público);
  • 22 de junho – Ensaio técnico do Caprichoso no Bumbódromo (fechado);
  • 23 de junho – Passagem de som do Caprichoso no Bumbódromo (aberta ao público);
  • 24 de junho – Ladainha e São João do Garantido;
  • 25 de junho – Coletiva de imprensa do Caprichoso sobre o projeto artístico de arena;
  • 25 de junho – Coletiva de imprensa do Garantido sobre o projeto artístico de arena;
  • 26, 27 e 28 de junho – Festival Folclórico de Parintins 2026, no Bumbódromo.