Premiação visa reconhecer iniciativas de comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas que contribuam para a proteção dos territórios. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
O Fundo Amazônia anunciou o lançamento do “Prêmio Fundo Amazônia – Conhecer e Reconhecer”, que vai selecionar iniciativas lideradas por povos indígenas, quilombolas e demais povos e comunidades tradicionais que contribuam para a proteção dos territórios e da floresta na Amazônia Legal.
O prêmio é uma parceria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), gestor e coordenador do Fundo, respectivamente. As inscrições estão abertas.
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O anúncio ocorreu durante painel na tenda da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) no Acampamento Terra Livre (ATL), em Brasília. Serão selecionadas 50 iniciativas, sendo 15 conduzidas por organizações indígenas, 15 por organizações quilombolas e 20 por organizações de outros segmentos de povos e comunidades tradicionais. Cada iniciativa premiada receberá R$ 50 mil, totalizando o valor de R$ 2,5 milhões.
Para Tereza Campello, diretora Socioambiental do BNDES, o prêmio marca uma nova etapa na atuação do Fundo Amazônia.
“Desde 2023, o Fundo ampliou sua presença nos territórios e passa agora a apoiar diretamente iniciativas de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, que já desempenham papel central na proteção da floresta. O prêmio reconhece e fortalece esses que são os principais guardiões da Amazônia”, disse Tereza.
O MMA foi representado pela diretora da Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável (SNPCT), Claudia Regina Sala de Pinho, que comentou sobre a importância do reconhecimento das ações.
“O prêmio valoriza não apenas os povos indígenas e as comunidades quilombolas, mas também a diversidade de povos e comunidades que atuam diretamente na proteção dos territórios e na conservação da Amazônia”, afirmou Pinho.
“Ao reconhecer esses sujeitos, evidencia modos de vida fundamentados no bem-estar coletivo, na relação equilibrada com a natureza e no desenvolvimento de tecnologias ancestrais, historicamente construídas e essenciais para a proteção do bioma amazônico. Mais do que um reconhecimento simbólico, a iniciativa fortalece a visibilidade e reafirma o papel estratégico desses povos como verdadeiros guardiões da sociobiodiversidade e detentores de direitos”, pontuou.
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Prêmio reforça protagonismo
A chefe do Departamento de Gestão do Fundo Amazônia do BNDES, Fernanda Garavini (foto acima), e a gerente Ana Paula Donato (foto abaixo) apresentaram as informações sobre o prêmio, também disponíveis no site do Fundo Amazônia.
“Este prêmio é mais um passo neste reconhecimento do protagonismo dos povos indígenas e dos povos e comunidades tradicionais nessa agenda de proteção de território, de enfrentamento da crise climática e de desvelar um outro modelo de ocupação da Amazônia, um caminho ancestral”, afirmou Garavini.
“É um prêmio destinado tanto para organizações formais quanto para coletivos informais”, acrescentou Donato.
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Para a presidenta da Funai, Lucia Alberta Baré, o prêmio representa uma oportunidade de reconhecimento e fortalecimento dessas iniciativas. “Muitas vezes, as experiências realizadas nos territórios podem influenciar e incidir em políticas públicas, e isso é muito importante”, afirmou. “Esse reconhecimento se dá também por meio do aporte de recursos previsto no edital do Fundo Amazônia. Estamos aqui para reforçar o compromisso da Funai em divulgar essa iniciativa, para que os povos indígenas conheçam, compreendam o processo e possam participar. O edital foi pensado de forma mais simples, com menos burocracia, para atender às demandas dos povos indígenas”.
Quem pode participar
Podem concorrer ao prêmio coletivos e organizações de povos indígenas, quilombolas e demais povos e comunidades tradicionais da Amazônia Legal que desenvolvam iniciativas voltadas à proteção dos territórios e à conservação da floresta. A categoria de participação será autodeclarada no momento da inscrição, respeitando as diferentes formas de organização desses grupos.
Que tipo de iniciativa pode ser inscrita
O prêmio aceita diferentes formatos de atuação, desde ações pontuais até práticas contínuas, desde que se tratem de experiências já realizadas, com resultados concretos no território. As iniciativas devem apresentar uma base territorial identificável, permitindo compreender sua atuação prática e sua contribuição para a proteção dos territórios e da floresta.
Serão consideradas elegíveis iniciativas que atuem em frentes como vigilância e monitoramento territorial e ambiental, restauração ecológica e preservação da biodiversidade, organização social, formação e práticas culturais voltadas à gestão territorial, adaptação climática e segurança alimentar, manejo integrado do fogo e prevenção de incêndios florestais, elaboração e implementação de instrumentos de gestão territorial e ambiental, além de ações relacionadas à regularização fundiária.
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Como se inscrever
As inscrições estarão abertas entre os dias 6 de abril e 6 de julho de 2026 e deverão ser realizadas por meio de edital público, com orientações disponíveis nos canais oficiais do Fundo Amazônia. O processo de seleção será conduzido em duas etapas. A primeira, de habilitação, será realizada pelo BNDES e verificará a completude das informações, a anuência coletiva e a regularidade das propostas. Na sequência, as iniciativas passarão por uma etapa de análise qualitativa, conduzida por três comissões de seleção — uma para cada categoria (indígena, quilombola e demais povos e comunidades tradicionais) — com composição interinstitucional.
Participam dessas comissões a Coiab), a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), a Rede de Povos e Comunidades Tradicionais (Rede PCTs), além de representantes do governo federal (Ministério dos Povos Indígenas, Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, e Ministério da Igualdade Racial) e dos estados da Amazônia Legal.
As propostas serão avaliadas com base em critérios como clareza e consistência, contribuição para a proteção territorial, protagonismo de mulheres, participação de jovens e transmissão de saberes, além da contribuição para o repertório coletivo de experiências.
O cronograma prevê o lançamento e início das inscrições em 6 de abril de 2026, o encerramento em 6 de julho de 2026, a divulgação das iniciativas premiadas em novembro e a realização da premiação, acompanhada de ações de comunicação e visibilidade, entre novembro e dezembro de 2026.
Todas as informações sobre o Prêmio Fundo Amazônia – Conhecer e Reconhecer estão disponíveis no site do Fundo Amazônia.
Fundo Amazônia
O Fundo Amazônia é a maior e mais transparente iniciativa para a redução de emissões por desmatamento e degradação florestal (REDD+) baseada em resultados do mundo. Criado em 2008, tem como objetivo viabilizar o apoio nacional e internacional a projetos para a conservação e o uso sustentável das florestas na Amazônia Legal.
Em 2025, o Fundo Amazônia atingiu o maior volume anual desde sua criação, com cerca de R$ 2 bilhões em projetos aprovados. O mecanismo ampliou sua escala de atuação, avançou na restauração de áreas degradadas, expandiu o apoio a atividades produtivas sustentáveis e às ações que garantem a integridade dos territórios de povos e comunidades tradicionais que mantêm a floresta em pé.
O Fundo Amazônia também voltou a apoiar iniciativas estruturantes voltadas ao monitoramento, fiscalização ambiental e comando e controle, indispensáveis ao enfrentamento do desmatamento e dos crimes a ele associados. Nesse escopo, incluem-se iniciativas de prevenção e combate a incêndios florestais, bem como o fortalecimento das capacidades institucionais dos órgãos responsáveis pela proteção ambiental, inclusive das Forças de Segurança Pública.
A atuação do Fundo Amazônia na prevenção e combate a incêndios florestais foi ampliada para o Cerrado e Pantanal. Finalmente, as iniciativas voltadas à regularização fundiária também merecem destaque na atuação recente do Fundo.
Entre 2023 e 2025, o Fundo aprovou e contratou R$ 4 bilhões em projetos em 50 projetos — o equivalente a 58% de todo o volume apoiado desde sua criação, consolidando sua retomada operacional e ampliação de capacidade de execução.
