Documentário reúne relatos sobre a tragédia do naufrágio Anna Karoline 3

Produção 'A história que o rio nunca esqueceu' conta com os relatos de sobreviventes, familiares de vítimas e profissionais que atuaram diretamente no resgate durante o naufrágio Anna Karoline 3.

Documentário ‘Anna Karoline III: A história que o rio nunca esqueceu’ tem cerca de 50 minutos. Foto: Divulgação/GEA

Após seis anos do naufrágio do navio Anna Karoline 3, uma produção audiovisual conta a história de uma das maiores tragédias da região amazônica. O telefilme ‘Anna Karoline III: A história que o rio nunca esqueceu’ tem cerca de 50 minutos e reúne relatos inéditos de sobreviventes, familiares de vítimas e profissionais que atuaram no resgate, reconstruindo, pela memória, os momentos que marcaram o naufrágio da embarcação.

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De acordo com um dos diretores da produção, Thomé Azevedo, o documentário busca se aproximar do chamado “cinema verdade”.

“Podemos dizer que este filme retrata sofrimento, perdas e momentos de grande dor. Mas é uma peça importante para a memória dessas tragédias que acontecem na Amazônia”, afirma Thomé Azevedo, produtor e responsável pelas entrevistas.

A narrativa é construída principalmente a partir de entrevistas com pessoas diretamente afetadas, que relembram detalhes do dia da tragédia — desde os motivos da viagem até os momentos que antecederam o desastre.

Leia também: “Nossa dor não naufragou”: tragédia da embarcação Anna Karoline 3 completa dois anos

Além dos relatos de vítimas e familiares, o telefilme também traz contribuições de profissionais que atuaram na ocorrência, como equipes da Polícia Técnico-Científica, Corpo de Bombeiros e forças de segurança, além de jornalistas que acompanharam a cobertura.

“Mais do que revisitar o passado, a obra também busca provocar reflexão e conscientização. O filme aponta para a importância de medidas preventivas em viagens fluviais, como a verificação das condições das embarcações e cuidados básicos de segurança, contribuindo para evitar novos acidentes”, destaca o diretor Marcelo Nobre.

Navio Anna Karoline 3 após ser içado — Foto: GTA/Divulgação
Navio Anna Karoline 3 após ser içado. Foto: Divulgação/GTA

Lançamento e exibição

O telefilme teve uma exibição especial em formato avant-première no Cine Movieland nesta sexta-feira (17), em sessão reservada para familiares das vítimas, autoridades e participantes da produção. A produção foi disponibilizada gratuitamente ao público no canal oficial da Duas Telas Produtora Cultural no YouTube.

A produção foi realizada por duas produtoras privadas em um projeto que foi aprovado no edital nº 003/2023 da Secretaria de Estado da Cultura do Amapá (Secult-AP), por meio da Lei Paulo Gustavo, voltado à produção de telefilmes no estado.

Relembre o naufrágio do navio Anna Karoline 3

No dia 29 de fevereiro de 2020, o navio Anna Karoline 3 naufragava, entre o Amapá e o Pará, deixando 40 mortos, 51 sobreviventes e ainda 2 desaparecidos.

A viagem partiu de Santana, a 17 quilômetros de Macapá, em direção a Santarém, no Sudoeste do Pará), mas a tragédia aconteceu no meio do caminho, entre os rios Amazonas e Jari.

A investigação da Polícia Civil do Amapá apontou que o navio estava com 70% de sobrecarga. A embarcação deveria carregar, no máximo, 100 toneladas, mas no dia do naufrágio, transportava cerca de 175 toneladas.

Leia também: MPF pede indenização por danos materiais e morais às vítimas do naufrágio da Anna Karoline III no Amapá

A investigação apontou que não somente o excesso de peso influenciaram para o acidente, mas uma série de fatores:

  • A rota feita pela embarcação não era autorizada pela Capitania do Portos;
  • O despachante do porto emitiu documento com informações falsas sobre a carga;
  • Militares da Marinha não passaram mais de 5 minutos fiscalizando o navio;
  • A embarcação fez um abastecimento irregular no meio da rota;
  • As condições climáticas não eram favoráveis para tal manobra;
  • Quem conduzia o barco no momento do abastecimento era o tripulante indiciado e não o comandante.

*Por Francisco Pinheiro, da Rede Amazônica AP

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