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Documentário conta história de Dona Nena, a fundadora da Casa do Chocolate no Pará

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Dona Nena. Foto: Divulgação/Assessoria

A Amazônia, seus rios, sua floresta e as histórias de quem vive e constrói sua relação com esse território são o centro de “Esse Rio é Minha Rua 3”, novo documentário de curta-metragem dirigido por Zena Gorayeb, que conta a história de Dona Nena, uma das figuras mais importantes do empreendedorismo feminino do Pará.

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Em sua terceira edição, a série documental volta seu olhar para a Ilha do Combu, às margens do Rio Guamá, para contar a trajetória de Dona Nena, ribeirinha, extrativista do cacau e fundadora da Casa do Chocolate. A partir de sua história, o filme percorre o ciclo do cacau, do cultivo e da colheita à transformação das sementes em chocolate, revelando conhecimentos e práticas transmitidos entre gerações.

O filme será lançado no dia 19 de setembro, a partir das 16h, no espaço cultural Norte Skate Point, localizado no bairro do Umarizal, em Belém, e terá outras duas exibições: no dia 17 de outubro, na Casa do Chocolate, na Ilha do Combu, e no dia 9 de novembro, no Cine Líbero Luxardo, no Centur, em Belém.

Dona Nena
Foto: Reprodução/Projeto Draft

Nena, retrato da resistência feminina

“Esse Rio é Minha Rua 3” apresenta a trajetória de Dona Nena e constrói um retrato afetivo de uma mulher que encontrou no cacau um caminho de autonomia, resistência e transformação, mostrando como os saberes tradicionais podem dialogar com novas formas de produção e geração de renda sem romper com a relação de respeito ao território.

“Esse filme é, sobretudo, um encontro com a Amazônia a partir de quem vive nela. A história de Dona Nena revela a força dos saberes ribeirinhos e mostra que preservar o território também passa por valorizar as pessoas, suas histórias e seus modos de vida”, destaca a diretora Zena Gorayeb.

A produção também reafirma uma escolha da diretora pela equidade de gênero tanto atrás quanto diante das câmeras. A presença de mulheres na equipe e o protagonismo feminino nas histórias são entendidos como parte de uma perspectiva de cinema que busca ampliar os espaços de criação e representação.

Leia também: Mulheres conquistam protagonismo inédito na direção de principal organização dos povos Yanomami e Ye’kwana

Equipe de produção do curta também é formado por mulheres. Foto: Divulgação

“Ter mulheres na equipe e mulheres como protagonistas é uma escolha consciente. Quero valorizar seus olhares, seus saberes e suas histórias, para que elas ocupem espaços de criação e sejam protagonistas de suas próprias narrativas”, afirma Zena.

A trajetória de Dona Nena se conecta diretamente à identidade da Ilha do Combu. Entre o rio, a floresta e o trabalho artesanal, o documentário revela uma economia baseada na valorização da biodiversidade e dos conhecimentos locais. Nesse contexto, o cacau deixa de ser apenas matéria-prima e se transforma em elemento de conexão entre território, memória, cultura e futuro.

Com uma narrativa marcada pela proximidade com a personagem e pelo registro do cotidiano ribeirinho, “Esse Rio é Minha Rua 3” busca aproximar o público de uma Amazônia vivida, produzida e narrada por seus próprios habitantes.

Além da produção audiovisual, o projeto desenvolve atividades de arte-educação e práticas esportivas com crianças ribeirinhas, promovendo experiências de aprendizado, expressão, convivência e valorização da cultura amazônica. A iniciativa foi contemplada pelo Edital PNAB nº 005/2025 – Fomento à circulação de projetos culturais, fortalecendo ações que aproximam arte, educação, esporte e território e ampliam o acesso de crianças e comunidades ribeirinhas a atividades culturais e formativas.

*Com informações da assessoria

Aleam aprova projeto que prevê água gratuita e medidas para proteger população do calor extremo

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A medida também beneficia trabalhadores de aplicativos e suspende atividades físicas escolares ao ar livre. Foto: Reprodução/Arquivo Rede Amazônica AM

A Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) aprovou no dia 8 de setembro com 18 votos favoráveis, um projeto de lei (PL) que estabelece medidas de proteção para a população durante períodos de calor extremo no estado. Entre as regras previstas estão a oferta gratuita de água, a criação de áreas de sombra e a mudança no horário de atividades expostas ao sol.

De autoria do deputado Delegado Péricles (PL), o Projeto de Lei nº 509/2026 cria cinco níveis de risco térmico, que vão de normalidade a emergência térmica. As medidas devem ser adotadas de forma gradual, conforme a temperatura e a umidade do ar ou a partir de alertas oficiais.

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O texto ainda precisa ser sancionado pelo governador do Amazonas, Roberto Cidade (União Brasil), para virar lei.

Veja os níveis de risco térmico previstos

  • NRT 1 – Normalidade: índice de calor projetado inferior a 36 °C e ausência de aviso oficial de temperatura elevada.
  • NRT 2 – Atenção: índice de calor entre 36 °C e 40 °C por um ou dois dias consecutivos, ou vigência de aviso oficial de perigo potencial;
  • NRT 3 – Alerta: índice de calor entre 36 °C e 40 °C, com previsão de permanência ou aumento por pelo menos três dias consecutivos, ou vigência de aviso oficial de perigo;
  • NRT 4 – Alerta Máximo: índice de calor entre 40 °C e 44 °C, com previsão de permanência ou aumento por pelo menos três dias consecutivos, ou vigência de aviso oficial de grande perigo;
  • NRT 5 – Emergência Térmica: índice de calor superior a 44 °C, com previsão de permanência ou aumento por pelo menos três dias consecutivos.

Água gratuita

A partir do nível de atenção, estabelecimentos privados com atendimento presencial deverão oferecer água potável gratuitamente aos clientes e visitantes.

A regra não se aplica a bares, restaurantes, lanchonetes, cafeterias, quiosques e estabelecimentos semelhantes que já comercializam bebidas.

A partir do nível de alerta, locais privados com pelo menos 500 metros quadrados de área de circulação de público, como centros comerciais, hipermercados e galerias, também deverão oferecer áreas de descanso ventiladas ou climatizadas, sanitários e pontos de hidratação.

O projeto ainda proíbe, nesse nível de risco, a formação de filas diretamente expostas ao sol sem cobertura ou sombreamento.

Leia também: Saiba o que fazer para proteger crianças do calor, fumaça e estiagem em Manaus

Transporte coletivo intermunicipal

No transporte intermunicipal rodoviário e hidroviário delegado pelo estado, viagens com duração de pelo menos duas horas deverão oferecer água gratuitamente aos passageiros.

Os veículos também deverão manter os sistemas de climatização ou ventilação em funcionamento.

A partir do nível de alerta máximo, haverá ainda restrições ao transporte de passageiros em áreas descobertas e acima da lotação autorizada.

Eventos ao ar livre

Em eventos ao ar livre com mais de 500 pessoas, o nível de alerta exigirá pontos gratuitos de hidratação e áreas de descanso cobertas ou sombreadas.

Em níveis de risco mais altos, os horários dos eventos deverão ser adaptados ou as atividades transferidas para locais protegidos do calor.

Aleam aprova projeto que prevê água gratuita e medidas para proteger população do calor extremo
Foto: Divulgação

Escolas particulares

Nas escolas particulares, atividades físicas e recreativas ao ar livre deverão ser suspensas entre 10h e 16h a partir do nível de alerta.O projeto também prevê acesso à água e aos banheiros e flexibilização do uniforme dos alunos.

“O eixo desta proposição é a substituição de um comando único e indiferenciado por uma escala graduada de resposta, à maneira dos sistemas de alerta precoce consagrados na gestão de risco de desastres e na vigilância em saúde”, diz trecho da justificativa da proposta aprovada pelos deputados.

Trabalhadores expostos ao calor

A proposta também estabelece medidas para trabalhadores que ficam expostos ao calor, como entregadores, motoristas por aplicativo, mototaxistas, ambulantes, catadores, carteiros e trabalhadores de obras e serviços em vias públicas.

Estabelecimentos privados deverão permitir que esses profissionais tenham acesso gratuito a água e sanitários. As plataformas de entrega e transporte também deverão informar os usuários sobre o nível de risco térmico e indicar pontos de hidratação.

No nível de alerta máximo, trabalhadores de aplicativos não poderão ser punidos por recusar chamadas, fazer pausas ou se desconectar temporariamente entre 10h e 16h.

Proteção de animais

O projeto também estabelece medidas para proteger animais durante períodos de calor extremo.

A partir do nível de alerta, serão consideradas situações de maus-tratos:

  • manter animais sob sol direto, sem sombra e água;
  • deixar animais dentro de veículos estacionados;
  • transportar animais sem ventilação adequada.

No nível de emergência térmica, atividades expostas ao calor que não tenham sido adaptadas deverão ser interrompidas entre 10h e 16h.

O descumprimento das regras poderá resultar em sanções administrativas previstas no Código de Defesa do Consumidor e na legislação estadual de proteção animal.

Pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi ajudam a identificar nova espécie de cecília no Brasil

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Cecília-maria é um anfíbio escavador. De hábitos discretos, animal foi coletado na Mata Atlântica do Rio de Janeiro. Foto cedida para divulgação ´por Miguel Relvas Ugalde

A mais nova integrante da família Siphonopidae chama-se Siphonops maria ou, simplesmente, ‘cecília-maria’. Ela é do Rio de Janeiro; mede, no máximo, 192 mm de comprimento; tem de 110 a 119 anéis corporais; e possui olhos pequenos e cobertos por pele. Por esse último detalhe, as cecílias também são chamadas de ‘cobras-cegas’, embora sejam anfíbios. O equívoco não é o único envolvendo a identificação desses discretos animais.

Um estudo liderado por cientistas do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), instituição vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), identificou que alguns espécimes estão erroneamente catalogados em coleções herpetológicas. Entre esses, estava ‘cecilia-maria’, que, após a pesquisa, foi descrita e nomeada devidamente.

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Os achados foram registrados no artigo científico “Avaliação filogenética e osteológica de espécimes atribuídos a Siphonops hardyi (Gymnophiona: Siphonopidae), com a descrição de uma nova espécie do Rio de Janeiro, Brasil”, publicado no Zoological Journal of the Linnean Society, no início deste mês.

Foi escrito pelos pesquisadores Adriano Oliveira Maciel, Manuela Vieira dos Santos, Ana Lúcia da Costa Prudente, vinculados à Coordenação de Zoologia do Museu Goeldi (Cozoo/MPEG), com a contribuição de cientistas independentes e de outras instituições de pesquisa nacionais e internacionais (lista completa aqui).

Leia também: ‘Cobra-de-duas-cabeças’ anda em duas direções e passa quase toda a vida escondido

Detalhe da cabeça da cecília-maria. Foto: Miguel Relvas Ugalde

De acordo com o estudo, as análises se concentraram na segunda família mais rica em espécies de cecílias da América do Sul, a Siphonopidae, que registra ocorrências em todos os biomas brasileiros, mas com maior concentração de espécies na Amazônia e na Mata Atlântica. O foco da pesquisa foi na espécie Siphonops hardyi, com ocorrência na Mata Atlântica brasileira, cujo nome tem sido usado, equivocadamente, para catalogar diversos espécimes de linhagens semelhantes, em relação ao aspecto externo, mas consideravelmente diferentes.

Estudo conduzido no Museu Goeldi

O pesquisador Adriano Maciel destaca que o estudo foi conduzido principalmente no Laboratório de Herpetologia do Museu Goeldi, chefiado pela pesquisadora Ana Prudente, mas também com etapas desenvolvidas no Laboratório de Biologia Molecular do MPEG, mantido com financiamento da Finep, por meio do projeto “Parque Analítico do MPEG: Análise de Transformações na Amazônia e seus Efeitos na Sociobiodiversidade e na Paisagem”.

“Além disso, as imagens adquiridas no Laboratório de Microtomografia de Alta Resolução do MPEG também foram decisivas para o refinamento das comparações entre o crânio da cecília-maria e as demais espécies de seu gênero”, ressaltou.

A pesquisa também contou com bolsa de pós-doutorado do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq e recebeu apoio de uma bolsa de doutorado das fundações de pesquisa de São Paulo e do Pará, Fapesp e Fapespa, respectivamente.

Foram também examinadas amostras do GenBank, o banco de dados público de sequências genéticas mantido pelo National Center for Biotechnology Information (NCBI). No Brasil, foram analisados espécimes conservados no Museu Goeldi (Belém, PA), no Museu Nacional (Rio de Janeiro, RJ), na Coleção Célio Haddad (Unesp, Rio Claro, SP) e no Museu de Diversidade Biológica da Unicamp (Campinas, SP).

O levantamento também contou com acervos do Museu Nacional de História Natural de Paris (França) e do Museu Zoológico de Hamburgo (Alemanha), além de dados de tomografia computadorizada do crânio de um exemplar depositado no Museu de Zoologia da Universidade de Michigan (EUA).

Leia também: Anfíbio semelhante à minhoca é encontrado pela primeira vez no Peru

Reconstrução tridimensional do crânio de uma cecília-maria e seu esqueleto. Foto: Autores do Artigo

Combinação de análises genéticas e ósseas

Os cientistas combinaram análise filogenética molecular – para entender o parentesco e a história evolutiva desses animais – com morfologia externa, dentição e estudo comparativo dos ossos do crânio (osteologia). Para a análise filogenética, os cientistas primeiro extraíram o DNA das amostras e sequenciaram três marcadores genéticos mitocondriais específicos (12S, 16S e COI).

Usando programas de computador, montaram uma árvore evolutiva (filogenia), determinando o grau de parentesco entre os indivíduos e identificando suas linhagens.

Imagem usada no artigo científico mostra o mesmo osso em diferentes espécies de cecílias (Imagem: Autores do artigo)
Imagem usada no artigo científico mostra o mesmo osso em diferentes espécies de cecílias. Foto: Autores do artigo

No estudo da morfologia externa e da cavidade oral, contaram os anéis corporais e número de dentes, entre outras características. Na osteologia comparativa dos crânios, os pesquisadores utilizaram diversas ferramentas tecnológicas e informações, por exemplo, obtiveram tomografias computadorizadas de alta resolução e fotografias de crânios de outros estudos; e consultaram estudos anatômicos clássicos e contemporâneos.

Assim, puderam reconstruir crânios tridimensionais e analisar vários detalhes morfológicos, como a forma de cada osso, a quantidade e a posição dos dentes, o encaixe das suturas e as aberturas (forames) por onde passam vasos e nervos sensoriais dos anfíbios. Foram observados quase 30 parâmetros diferentes, que ajudaram a identificar diferenças anatômicas únicas de cada grupo.

“Nas análises, encontramos o parafiletismo do gênero Siphonops, pois indivíduos com características atribuídas a Siphonops foram agrupados com indivíduos com características tradicionalmente atribuídas a Luetkenotyphlus, outro gênero da família. Isso mostra que as características antes consideradas exclusivas de Luetkenotyphlus não definem uma linhagem evolutiva independente, não justificando o reconhecimento dos dois grupos como gêneros distintos. Para corrigir isso, reunimos esses grupos aparentados sob um único gênero, considerando Luetkenotyphlus sinônimo de Siphonops”, explicou o pesquisador Adriano Maciel.

A Siphonops maria (nome científico) ou cecília-maria (nome vernacular sugerido) foi registrada em fragmentos de Mata Atlântica em diferentes condições de conservação no estado do Rio de Janeiro, alguns dos quais nas proximidades de áreas urbanizadas, a maioria unidades de conservação municipais, estaduais e federais. No artigo, os pesquisadores reforçam a importância da preservação desses remanescentes florestais para a manutenção da biodiversidade do bioma.

Outras duas espécies muito parecidas a Siphonops hardyi seguem sem nomeação, aguardando outros estudos, por causa da ausência de dados genéticos da localidade-tipo de Siphonops hardyi. A família Siphonopidae, com a descrição de cecília-maria, agora compreende 29 espécies terrestres, distribuídas em quatro gêneros reconhecidos na América do Sul, principalmente na Amazônia e na Mata Atlântica.

Por que “cecília-maria”?

Cecília é o nome usado para identificar os anfíbios escavadores, com hábitos subterrâneos, da ordem Gymnophiona, que inclui a família Siphonopidae. A palavra deriva do latim (caecus, ‘cego’) e faz alusão aos olhos reduzidos dos animais, uma característica evolutiva ligada ao seu hábito de escavar e de viver enterrados.

Maria foi uma forma de homenagear uma das 11 pessoas escravizadas que participaram do reflorestamento da Floresta da Tijuca, hoje abrangida pelo Parque Nacional da Tijuca. Ela não tinha sobrenome, pois o sistema escravocrata negava às pessoas escravizadas identidade individual.

Os pesquisadores registram no artigo que a área havia sido submetida a extenso desmatamento desde a fundação da cidade, em 1565, principalmente devido à exploração madeireira para construção e cultivo de café. “Entre 1861 e 1874, sob ordem do imperador Dom Pedro II, Maria e outras 10 pessoas escravizadas plantaram mais de 100 mil árvores, contribuindo para a restauração da floresta e das nascentes que abasteciam a então capital do Brasil, que havia sido severamente afetada pelo desmatamento”.

Também justificam que Maria tem sido, historicamente, o nome feminino mais comum no Brasil, sendo usado atualmente por mais de 11 milhões de mulheres, segundo o IBGE, o que o torna uma homenagem às mulheres brasileiras, sendo, inclusive, parte de nomes de mães, irmãs, tias, avós e bisavó e esposa de autores do artigo.

Necessidade de revisão taxonômica

Além de apresentar uma revisão taxonômica e filogenética da família Siphonopidae, descrever e nomear uma nova espécie e identificar erros de catalogação em coleções herpetológicas, o estudo destaca a necessidade de uma revisão taxonômica detalhada e abrangente de S. hardyi. Essa revisão seria feita a partir de materiais das localidades originais para organizar a classificação e identificar quantas espécies existem sob esse nome dentro do ameaçado bioma Mata Atlântica.

*Com informações do Museu Paraense Emílio Goeldi

Arte, música e diversidade marcam o encerramento do Mormaço 2026 no Teatro Municipal

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Encerramento teve show de MK e apresentação da Focus Cia de Dança. Foto: Fernando Teixeira/PMBV

Após quatro dias de intensa programação, marcada pela valorização da diversidade artística e fortalecimento da cultura, o Mormaço Cultural chegou à última noite de apresentações, no Teatro Municipal de Boa Vista, neste domingo, 13. O encerramento do festival contou com show do cantor MK, no palco da área externa e a reapresentação do espetáculo da Focus Cia de Dança, na Sala Roraimeira.

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O último dia do festival reuniu apresentações que valorizam a música e a dança, proporcionando ao público boa-vistense uma experiência marcada pela criatividade e emoção.

Despedida do Teatro

O cantor MK abriu a noite de programação no Teatro Municipal com o som do Hip-Hop. “Desde quando o Mormaço Cultural nasceu, eu queria tocar no festival, a sensação de estar aqui é indescritível. A gente trabalha e busca sempre uma oportunidade para ser visto e chamado. E quando isso acontece, a satisfação é grande”, contou.

Na Sala Roraimeira, casais conduziram o público por um grande musical, reunindo canções que atravessaram gerações e ajudaram a construir a história da música popular brasileira, na voz e na obra de um dos maiores nomes da música nacional, Roberto Carlos.

Leia também: Som das Manas reúne vozes femininas na abertura do Mormaço Cultural 2026

MK abriu a noite no Teatro Municipal ao som do hip-hop. Foto: Fernando Teixeira/PMBV

“O acesso à cultura é maravilhoso e esse evento possibilita momentos incríveis para as pessoas. Muita gente está tendo a oportunidade de conhecer o teatro pela primeira vez graças a essa iniciativa da prefeitura”, destacou a servidora pública, Delzanira Justa, que prestigiou o espetáculo As Canções que Você Dançou Pra Mim”, nesta última noite de apresentações no teatro.

Festival no Teatro Municipal

“Som das Manas” abriu a programação do Mormaço Cultural 2026 e encantou o público do festival, na quarta-feira,9, reunindo cantoras e compositoras da cena independente do Estado. O cantor Denison Siqueira recebeu o público com grandes sucessos do pop e rock nacional e internacional, em uma apresentação no palco externo do evento na primeira noite de evento.

Na noite de sexta-feira, 11, Rubinho Gleydson subiu ao palco do Mormaço Cultural pela primeira vez. Com 20 anos de carreira na música, o cantor preparou um repertório especial para o festival.

Evento permite que famílias inteiras participem da programação. Foto: Jonathas Oliveira/PMBV

Na área interna do teatro foi a vez da Focus Cia de Dança levar o público para visitar grandes sucessos de Roberto Carlos, como “Detalhes”, “Outra vez”, “Desabafo”, “Cama e mesa” e “O calhambeque”, com a apresentação do espetáculo “As Canções que Você Dançou Pra Mim”.

A programação de sábado, 12, iniciou ainda no período da manhã, com a Focus Cia de Dança ministrando uma oficina gratuita de dança contemporânea para artistas locais. Á noite, a banda BodCore abriu a programação com um repertório repleto de Rock. Logo depois, o público pôde conferir a reapresentação do espetáculo “As Canções que Você Dançou Pra Mim”.

Na manhã do domingo, 13, as crianças ganharam uma programação muito especial. O espetáculo “Bichos Dançantes” conduziu o público infantil pela história de Elisa, uma jabuti que completa 100 anos e decide celebrar essa data especial de uma maneira diferente. Para isso, convida oito bichos para festejarem ao seu lado. Apesar das diferenças, todos os animais compartilham do desejo de encontrar a felicidade.

Criançada se divertiu com “Bichos Dançantes”, espetáculo que contou a história da jabuti Elisa. Foto: Divulgação/PMBV

A noite foi marcada pelo encerramento das atividades do Mormaço Cultural 2026 no Teatro Municipal. Fechando a programação com a apresentação do espetáculo “As Canções que Você Dançou Pra Mim” e show do cantor MK.

Mormaço no Parque do Rio Branco

Na sexta-feira, 18, o Mormaço Cultural chega ao Parque do Rio Branco. Os Palco Sol e Lua reunirão artistas da terra e nacionais, além de DJs, atrações infantis, teatro de rua, intervenções culturais e cultura urbana. Por lá, o festival segue até domingo, 20, encerrando com a programação infantil.

Cachaça e café? Pai e filho unem bebidas em produção própria no Acre

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Aloísio David de Oliveira Junior e Aloísio David de Oliveira, produzem cachaça em Acrelândia e uniram a bebida ao café robusta amazônico que também é produzido no município. Foto: Aloísio David de Oliveira Junior/Arquivo pessoal

Em Acrelândia, no interior do Acre, pai e filho resolveram juntar cachaça e café em uma só garrafa. Aloísio Júnior, de 32 anos, e Aloísio David de Oliveira, de 67, estão há nove anos no ramo da cachaça e decidiram apostar em uma bebida feita com café robusta amazônico produzido na própria região.

A ideia pode parecer inusitada à primeira vista, mas levou meses de testes até chegar à receita que agradou quem provou. O empresário de agroindústria, Aloísio Júnior, contou que a história da família com a cachaça começou em 2017, quando seu pai Aloísio David de Oliveira, conhecido como Ligeirinho, decidiu investir na produção.

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Naquele ano, o pai comprou um alambique, equipamento usado para destilar bebidas alcoólicas, de segunda mão, com capacidade para 250 litros.

“Meu pai já tinha uma experiência com o campo e também formação de tecnólogo em química, então, esse conhecimento técnico ajudou muito a gente. No sítio, onde hoje funciona a fábrica, a família já produzia pimenta, melancia, milho verde e cana-de-açúcar. A gente usava a cana para fazer melado, rapadura, alfenim, açúcar mascavo. Então, já existia toda essa produção rural antes de a ideia da cachaça aparecer”, explicou.

Júnior, na época, morava em Rio Branco e cursava engenharia elétrica. Ele fez sete períodos do curso antes de entrar de vez no negócio da família.

Segundo ele, a primeira destilação saiu em setembro de 2017. No começo, eram apenas 20 a 30 litros por dia, com equipamentos improvisados e uma estrutura ainda distante da que existe hoje.

“Meu pai começou a fazer aqui [Acrelândia]. Como eu morava em Rio Branco, eu pegava meu carro e saía vendendo de porta em porta as cachaças. E a gente foi evoluindo”, relembrou.

O caminho até transformar aquela produção pequena em uma cachaçaria regularizada, no entanto, levou anos. Segundo Júnior, foram oito anos até a empresa chegar ao padrão exigido pelo Ministério da Agricultura.

Além da falta de dinheiro para investir, a família precisou adaptar as técnicas aprendidas fora do estado às condições da Amazônia. Segundo ele, fatores como clima, solo, água e até os microrganismos presentes na região interferem na produção.

“Eles não conhecem a nossa microbiota, a nossa água é diferente, nosso solo é diferente, nosso clima é diferente”, disse.

Leia também: Cerveja com café? Empreendedor cria bebida alcoólica com Robusta Amazônico em RO

Pai e filho juntam cachaça e café em bebida produzida no interior do Acre: ‘Genuinamente acreana’
Barris de madeira usados no processo de envelhecimento das cachaças produzida em Acrelândia. Foto: Aloísio David de Oliveira Junior/Arquivo pessoal

Contudo, a empresa conseguiu concluir a regularização em setembro de 2025 e, agora, tem capacidade para produzir até 50 mil litros por ano. A produção atual fica entre 15 mil e 18 mil litros.

Como o café foi parar na cachaça?

A ideia surgiu da própria relação da família com a produção de café em Acrelândia. Foi aí que entrou em cena Vanderlei de Lara, conhecido como Zinho, produtor do Café Lara e amigo da família.

O café usado na bebida não é destilado, é o robusta amazônico produzido no Ramal do Granada, no município. Para Jnior, unir os dois produtos fazia sentido.

“Eu falei: cara, vamos juntar então a melhor cachaça com o melhor café e vamos fazer esse negócio”, relembrou;

Mas o café não passa pelo alambique. Depois que a cachaça prata está pronta, os grãos selecionados são colocados em contato com a bebida para uma infusão.

O café escolhido é especial, do tipo robusta amazônico, com torra média e sem fermentação. A intenção é retirar dos grãos o máximo possível de aroma e sabor e transferir essas características para a bebida. O processo leva cerca de 30 dias. Depois desse período, a cachaça passa por filtragem e os grãos são descartados.

Garrafas com café robusta amazônico em uma das etapas da produção da bebida. Foto: Aloísio David de Oliveira Junior/Arquivo pessoal

Júnior explica que, por causa da infusão e da adição de açúcar, a bebida deixa de ser classificada tecnicamente como cachaça e passa a ser uma cachaça mista.

O teor alcoólico também cai de 38% para 35%. A bebida pode ser consumida pura ou usada no preparo de drinks.

Nove meses de testes

Antes de chegar ao público, a receita passou por vários testes. A família experimentou cafés com diferentes níveis de torra, além de versões fermentadas e tradicionais.

Os primeiros protótipos tinham apenas cinco litros. A cada teste, a bebida era provada e ajustada. Ainda de acordo com Júnior, Vanderlei Lara ajudou a avaliar o resultado do ponto de vista do café, enquanto dois mixologistas contribuíram para analisar a combinação com a cachaça.

“Fomos testando devagarzinho, fizemos teste aí com cinco litrinhos, fizemos degustação, mandamos para o seu Vanderlei como especialista de café para saber a questão do sabor do café. O processo foi todo assim até chegar ao que queríamos”, explicou.

Foto: Divulgação

Depois de meses de testes, veio a prova com o público. A família levou 250 garrafas para a Expoacre deste ano, uma das principais feiras agropecuárias de Rio Branco.

“Todas as garrafas que levamos foram vendidas. Então a venda da bebida foi a prova real de que a gente podia colocar para a produção. A gente nunca faz uma cachaça sem antes testar com o público em si”, afirmou.

Nome carrega a identidade do estado

Se o objetivo era colocar o Acre dentro da garrafa, o nome escolhido não poderia ser mais direto. Aquiry significa ‘rio dos jacarés’ na língua do povo indígena Apurinã e era a forma como os indígenas se referiam ao rio que hoje conhecemos como rio Acre. O nome também está ligado à origem do próprio nome do estado.

Foi essa identidade que pai e filho quiseram levar para a marca. Para Júnior, a escolha ajuda a diferenciar uma bebida produzida no Acre de outras cachaças tradicionais do país.

“Não tinha nome melhor do que Aquiry. É o nome mais acreano possível. Então hoje a gente tem uma cachaça genuinamente acreana, feita por acreanos, em solo acreano e com um nome acreano”, afirmou.

A referência à Amazônia também aparece nos sabores. A linha tem oito versões: prata, ouro, cerejeira, jucá, jambu, café, castanheira e jatobá.

Leia também: Saiba a origem dos nomes dos nove Estados da região amazônica no Brasil

Foto: Reprodução/Instagram-@ligeirinhoagroindustria

A de jucá, feita com a semente do pau-ferro, tem um sabor mais amadeirado e seco e, segundo Júnior, lembra o whisky. A de cerejeira é mais suave e adocicada, enquanto a de jambu deixa na boca a sensação de formigamento característica da planta.

A família também aposta na castanheira, uma das referências mais conhecidas da Amazônia, e no jatobá. Há ainda a versão com carvalho, uma das opções mais tradicionais da linha, além da cachaça prata, branca e sem passagem por madeira.

Do sítio no interior do Acre para outros países

Depois de anos vendendo a produção dentro do Acre, a família agora começa a olhar para fora do estado. A bebida já é distribuída no estado por uma empresa parceira e há negociações para ampliar a presença em Rondônia, além de contatos no Sul do país.

Ainda de acordo com Júnior, também existem conversas com parceiros em Lisboa, em Portugal, e no Peru.

”A ideia por enquanto é alcançar inicialmente outros mercados da América do Sul, como Bolívia e Peru, antes de pensar em destinos mais distantes”, pontuou.

O desafio, agora, é acompanhar o interesse sem perder a capacidade de produção. A expectativa da família é chegar a 40 mil litros em 2027 e, depois, alcançar a capacidade de 50 mil litros por ano.

*Por Jhenyfer de Souza, da Rede Amazônica Acre.

De Piracicaba à Amazônia: instituto especializado da USP é berço de estudos dos rios voadores

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Arte sobre fotos: Acervo do jornal O Estado de S.Paulo e do CENA/USP

Arte sobre texto publicado no jornal O Estado de S. Paulo

Era 3 de novembro de 1970 quando o parágrafo acima foi publicado no jornal O Estado de S. Paulo. Escrito pelo jornalista Roberto Godoy, o trecho dá início à reportagem Em 2 anos, a selva e as chuvas, em que se noticia o andamento das pesquisas inovadoras realizadas pelo Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA). 

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Quase quatro mil quilômetros separam esse instituto especializado da USP, localizado em Piracicaba, no interior do Estado de São Paulo, da Floresta Amazônica. Mas a distância não impediu que o CENA se tornasse o berço de estudos seminais que levaram a uma compreensão mais aprofundada sobre o funcionamento do ecossistema dessa ainda desconhecida região, no início da década de 1970. 

Naquele tempo, a Amazônia passava por um intenso processo de transformação socioambiental, capitaneado pelos planos regionais de desenvolvimento da ditadura militar, que a consideravam isolada, atrasada e vazia. O estímulo a novas frentes de ocupação do território, a abertura de estradas e o lançamento de projetos de mineração levaram à aceleração do desmatamento.

Frente àquele cenário, a hipótese do pesquisador líder das investigações, Enéas Salati, do CENA, era de que a transpiração da floresta poderia ser responsável por uma parcela das chuvas da região, mas não se sabia qual era esse porcentual nem qual seu impacto sobre as demais regiões brasileiras.

Se o porcentual fosse pequeno, o processo de ocupação tão almejado pela ditadura militar poderia ser justificado cientificamente: haveria provas de que desmatar não era tão prejudicial ao ecossistema.

De Piracicaba à Amazônia: conheça o instituto especializado da USP que é berço dos rios voadores
Propaganda da Sudam publicada em 1972 na edição especial Amazônia, da revista Realidade. Naquele tempo, glorificar o desmatamento fazia parte do plano estratégico de desenvolvimento proposto pela ditadura militar. Foto: Reprodução/Acervo Ricardo Cardim

Leia também: Rios voadores, o fenômeno que fornece chuva para o Brasil e regula o clima do mundo

Assim, do ponto de vista militar, as pesquisas de Salati na Amazônia eram estratégicas e recebiam apoio financeiro majoritariamente do governo federal, por meio de convênios estabelecidos via Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEM), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), além de recursos significativos da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

O problema é que, literalmente, o tiro dos militares saiu pela culatra, como explica o pós-doutorando André Secchieri Bailão, da Casa de Oswaldo Cruz (Fiocruz), no dossiê Isótopos das águas brasileiras para o desenvolvimento: a hidrologia isotópica, os peritos do Centro de Energia Nuclear na Agricultura e de organizações internacionais no Nordeste e na Amazônia (1968-1978):

Arte sobre texto publicado no jornal Revista Brasileira de História da Ciência

Conforme os resultados das pesquisas avançavam e traziam evidências de que, sem floresta, não haveria tanta chuva nem na Amazônia nem nos centros de produção agrícola do Sul e do Sudeste do Brasil, acontecia também uma mudança significativa no posicionamento de Salati. Se, por um lado, nos anos iniciais dos estudos no CENA, ainda no fim da década de 1960, o pesquisador parecia se alinhar à agenda desenvolvimentista do regime militar, por outro lado, no final da década de 1970, Salati se tornaria um grande crítico das transformações ambientais estimuladas pelo governo.

Assim, ao mesmo tempo em que ganhava reconhecimento no campo científico, ele conquistava, cada vez mais, voz no movimento ambientalista internacional. Embora, infelizmente, as ideias de Salati nunca tenham sido ouvidas, em âmbito governamental, de modo que pudessem modificar os planos já em andamento do regime militar.

Arte sobre foto de contúdo publicado na revista Water Research Resource​

A crítica ao desmatamento generalizado, que transparece no trecho destacado acima, é parte do artigo que Salati e colaboradores publicaram na prestigiada revista Water Research Resource, em outubro de 1979. Com o título Reciclagem da água na Bacia Amazônica: um estudo isotópico, o trabalho foi realizado em colaboração com Eiichi Matsui, do CENA, e com o israelense Joel R. Gat, do Weizmann Institute of Science, um dos muitos pesquisadores estrangeiros que participaram dos estudos na região amazônica.

O pesquisador israelense Joel R. Gat durante visita ao CENA em agosto de 1975. Professor do Departamento de Química do Instituto Weizmann de Ciência, Gat foi consultor da AIEA na área de hidrologia. Foto: Acervo CENA/USP

Voando sobre a floresta

Quem também se envolveu ativamente no processo de descoberta sobre a Amazônia e se recorda com saudade do tempo em que embarcava nos aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) para fazer as coletas de amostras de água na floresta foi o técnico de nível superior do Laboratório de Isótopos Estáveis do CENA, José Aurélio Bonassi, carinhosamente conhecido por seu apelido de infância, Pingin: “Foi um projeto muito bacana, porque eu comecei a viajar para a Amazônia e fui coletar amostras de chuva. Depois, fizemos estudos relacionados ao projeto nas capitais brasileiras: coletamos chuva em todas as regiões do Brasil para estudar a dinâmica dos rios voadores”.

É julho de 2026 e Pingin está sentado em uma das cadeiras do laboratório onde começou a trabalhar, em maio de 1978. Seus olhos azuis se enchem de lágrimas quando veem a cópia impressa do artigo de 1979. Emocionado, lembra-se com carinho da oportunidade de estágio que lhe foi oferecida naquela época pelo professor Eiichi, quando Pingin ainda cursava o Técnico em Química, aos 23 anos. Trocou o emprego que tinha no banco pelas bancadas do laboratório e nunca mais abandonou a química. Concluiu a graduação e, na sequência, foi contratado pelo CENA.

A poucos metros dali, repousa, na sala de estudo do laboratório, um gigantesco, imponente e já desbotado mapa da Bacia Amazônica, que toma conta de toda uma parede. Ainda é possível enxergar ali as muitas marcas circulares que registram as incontáveis expedições de que Pingin participou. Tempo em que ele e os pesquisadores do CENA, literalmente, correram atrás dos rios voadores. 

O técnico de laboratório Pingin acompanhou os cientistas do CENA em diversas viagens para coletar amostras de água na Amazônia. No detalhe, ele aparece ao centro, ao lado de outros dois técnicos do Laboratório de Isótopos Estáveis: Miguel Luiz Baldessin (à esquerda) e Bento Moçambique de Moraes Neto (à direita). Fotos: Denise Casatti

Leia também: Sistemas atmosféricos controlam chuvas e transporte de nutrientes da África até a Amazônia

Decifrando a dança das águas

Para identificar as origens das chuvas na Amazônia, o grupo de pesquisadores do CENA precisava investigar as características típicas da água em diferentes pontos da Bacia Amazônica. Como tudo o que é material no mundo é feito de átomos, portanto, de elementos químicos, é viável estudar as origens da água olhando para os átomos que a compõem: dois de hidrogênio e um de oxigênio. “A molécula de água, H2O, parece simples, mas é complexa”, revela Pingin. 

Apesar da palavra “átomo” significar indivisível, sabemos que ele é constituído por partículas menores, como os elétrons, os prótons e os nêutrons. Analisando o caso específico do oxigênio, por exemplo, trata-se de um átomo que sempre possui oito prótons e, geralmente, tem oito nêutrons, somando uma massa atômica igual a 16. Esse é o mais abundante no nosso planeta: o oxigênio 16 (O16). 

No entanto, existe, na natureza, uma diversidade de átomos de oxigênio: por exemplo, alguns têm massa atômica igual a 17, porque possuem um nêutron a mais. Ainda que em menor abundância, esses átomos de oxigênio 17 (O17) são mais pesados, ou seja, possuem algumas propriedades físicas diversas das do oxigênio 16. Mas note também que, apesar do oxigênio 17 ter um nêutron a mais, ele continua sendo um átomo de oxigênio. Então, tanto o oxigênio 16 quanto o 17 (e também o 18) constituem um mesmo elemento químico e, portanto, ocupam a mesma posição na tabela periódica. Daí vem o nome isótopo: iso significa “mesmo” e topos, “lugar”. 

É o que ocorre com outros elementos, tal como o hidrogênio. Nesse caso, o mais abundante em nosso planeta é o hidrogênio 1 (H1), também conhecido como prótio, que possui um próton e zero nêutron, somando uma massa atômica igual a um. Similar ao exemplo do oxigênio, na natureza também encontramos uma diversidade de átomos de hidrogênio: alguns têm um próton e um nêutron, possuindo massa atômica igual a dois, como o hidrogênio 2 (H2), também conhecido como deutério. 

O pesquisador norte-americano Irving Friedman durante visita ao CENA em maio de 1973. Vinculado ao Serviço Geológico dos Estados Unidos, Friedman é reconhecido por ter construído o primeiro espectrômetro de massas para medição rotineira da composição isotópica de hidrogênio. Foto: Acervo CENA/USP

Mas de nada adiantaria reconhecer cientificamente essa diferença no interior do átomos, se não fosse possível mensurá-la. Observe que, em todos os exemplos citados de oxigênio e hidrogênio, a diferença se dá na massa atômica dos átomos, ou seja, alguns são mais pesados e outros mais leves. Para capturar esse peso, então, foi preciso criar um equipamento específico chamado espectrômetro de massas, façanha conquistada pelo químico Irving Friedman, do Serviço Geológico dos Estados Unidos, em Denver.

Com esse instrumento, tornou-se possível, literalmente, acompanhar os caminhos dos átomos com distintos pesos atômicos. Isso porque os isótopos se distribuem de forma diversa em cada ambiente da Terra, gerando uma espécie de assinatura isotópica típica para os átomos presentes em cada local do planeta. Assim, ao coletar uma amostra de água no litoral, é possível compreender a proporção de isótopos típica daquele ambiente, que vai diferir de uma amostra de água coletada em outro local. 

Friedman construiu, no laboratório do ganhador do Prêmio Nobel, Harold Urey, no Instituto de Estudos Nucleares de Chicago, o primeiro espectrômetro de massas para a medição rotineira da composição isotópica de hidrogênio, com base em projetos recebidos do físico Alfred Nier, pioneiro no desenvolvimento da espectrometria de massas. Reconhecido como pioneiro da hidrologia isotópica, Friedman efetuou, então, as primeiras medições de isótopos de hidrogênio em água oceânica e, em 1953, publicou um artigo de referência intitulado Teor de deutério em águas naturais e outras substâncias.

O CENA construiu uma profícua parceria com Friedman, resultando em diversas visitas do norte-americano a Piracicaba, bem como em um estágio de seis semanas de Salati em Denver, em 1970, e também de Eiichi, em 1973. O interesse de Salati pela área de hidrologia isotópica remonta a antes da fundação do CENA. Engenheiro agrônomo graduado em 1955 pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), Salati concluiu o doutorado na mesma instituição em 1958 sob a orientação do professor Admar Cervellini, que liderou o esforço de criação do CENA e foi seu primeiro diretor. Já em 1958, foi contratado como professor assistente de Cervellini junto ao Departamento de Física e Meteorologia da Esalq. 

Poucos anos depois, em 1964, Salati recebeu um auxílio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para desenvolver a pesquisa Variação da composição isotópica natural do oxigênio. Dois anos depois, no ano de fundação do CENA, em 1966, ele e o professor Cervellini participaram, como observadores, do Simpósio de Hidrologia Isotópica da AIEA, realizado de 14 a 16 de novembro na sede da instituição, em Viena, na Áustria. 

O primeiro espectrômetro de massas do CENA foi comprado em 1966 com recursos da CNEM, do CNPq, da Capes, da Fapesp e da USP. Chegou ao porto de Santos no ano seguinte, mas só entrou em operação em 1968. Segundo o professor Epaminondas Sansígolo de Barros Ferraz, um dos fundadores do CENA, a luta para se conseguir um espectrômetro de massas foi das mais árduas, pois remonta à década de 1950. Foto: Denise Casatti

Responsável pelo planejamento e construção do Laboratório de Espectrometria de Massa para Elementos Leves do CENA, Salati iniciou as análises de oxigênio a partir do momento em que foi instalado um espectrômetro de massas em 1968 no CENA, o CH4, da empresa Varian MAT, fabricado na então Alemanha Ocidental. Já as análises de hidrogênio começaram a acontecer com a instalação de um segundo espectrômetro em 1970, o GD 150 da Varian MAT. O pós-doutorando André Secchieri Bailão explica quais foram os primeiros estudos realizados na época:

Arte sobre conteúdo de pós-doutorado

Segundo Bailão, diferente de outras áreas de pesquisa, como, por exemplo, a geração de energia nuclear, complexa e custosa, o campo da hidrologia isotópica utilizava técnicas mais baratas e simples, podendo ser empregada por países em desenvolvimento como o Brasil.

Inspirando futuros possíveis

Aos 88 anos, Salati morreu em Piracicaba no dia 5 de fevereiro de 2022. Em entrevista concedida ao portal do Observatório do Clima, logo após o falecimento, o professor Reynaldo Luiz Victoria, que foi orientado por Salati durante o mestrado, recordou: “Ele dizia que na Amazônia você tem um rio embaixo e um em cima [no céu], e os dois estão permanentemente em conexão”. 

No texto do Observatório do Clima, outro entrevistado é o climatologista Carlos Nobre, do Instituto de Estudos Avançados da USP. Ele contou que seu primeiro trabalho no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em 1975, foi ao lado de Salati: “Ele me incentivou a fazer doutorado e me inspirou muito no começo da minha carreira”. Hoje, Nobre é referência global nos estudos sobre mudanças climáticas na Amazônia e, recentemente, foi nomeado pelo papa Leão XIV como membro do conselho que vai tratar de desenvolvimento humano no Vaticano.

O projeto Rios Voadores uniu o aeronauta Gérard Moss e o pesquisador Salati em um esforço para percorrer a trilha dos jatos de baixa altitude, evidenciando como a Amazônia mandava umidade para a América do Sul. Fotos: site do projeto Rios Voadores

Quem também foi inspirado pelas pesquisas de Salati foi o climatologista José Antonio Marengo Orsini, atualmente coordenador-geral de pesquisa e desenvolvimento no Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). Um dos artigos científicos escritos por Salati o motivou a estudar a Amazônia. Em 2004, Marengo publicou um trabalho sobre os “jatos de baixa altitude”, correntes de ar e água que saíam da Amazônia, batiam nos Andes, faziam uma curva e levavam umidade até o Rio da Prata, entre a Argentina e o Uruguai, depois de passar pelas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. 

Pouco tempo depois dessa publicação, Marengo foi convidado por Salati para colaborar em um projeto, juntamente com o aeronauta Gérard Moss, destinado a percorrer a trilha desses jatos em um avião e mostrar como a Amazônia mandava umidade para a América do Sul. Com patrocínio da Petrobras, o projeto recebeu o nome de Rios Voadores.

Seguindo o caminho contrário ao desses rios, as cinzas de Salati voaram do interior de São Paulo de volta à Floresta Amazônica, ecossistema ao qual ele dedicou grande parte de sua vida. A pedido do próprio Salati, elas repousam hoje na Reserva Ducke, uma área de mata que pertence ao INPA, perto de Manaus.

O mundo cabe em Piracicaba: parcerias científicas sem fronteiras

No dia 15 de setembro de 1972, o auditório do CENA ficou lotado: além da assinatura do convênio do governo federal, por meio da CNEM, com o PNUD (sob administração da AIEA), houve a inauguração do atual prédio principal. Fotos: Acervo CENA/USP


Um dos marcos da história do CENA é o projeto Desenvolvimento da produção agrícola através da aplicação de técnicas nucleares, resultado de um acordo de cooperação técnica assinado em 1972 pelo governo federal, por meio da CNEM, com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), sob administração da AIEA, órgão autônomo das Nações Unidas com sede em Viena. Por meio desse convênio, o CENA passou a sediar o único escritório exclusivo da AIEA na América Latina fora das embaixadas, o qual funcionou até 1991. 

Com duração inicial prevista de cinco anos, o projeto foi prorrogado até o final de 1978 e renovado para uma segunda fase até 1981, seguido na sequência por outros convênios, como o chamado Projeto Amazônia I. Na primeira fase, houve o repasse de mais de US$ 1,6 milhão (valores da época). “Para Viena, o CENA representava uma porta de entrada no Brasil e na América Latina, para a realização de um grande projeto de cooperação na área agrícola, e foi o terceiro instituto no mundo a receber esse tipo de apoio, depois da Iugoslávia e da Índia”, explica o pós-doutorando Bailão.

“Graças aos peritos que, através do projeto, têm visitado o CENA e às bolsas concedidas aos seus pesquisadores, o CENA tem tido a oportunidade de formar novos pesquisadores que vêm atuando de modo decisivo em seus programas de pesquisas”, destaca o relatório de atividades 1968/1977 do centro, na página 71. Na página seguinte, constam os nomes de 22 especialistas que visitaram Piracicaba no período, provenientes de 13 diferentes países: Austrália, Canadá, Dinamarca, Escócia, Estados Unidos, Holanda, Inglaterra, Israel, México, Noruega, Porto Rico, Suécia e Suíça.

Entre eles estão nomes como o de Gat, coautor do artigo publicado em 1979 por Salati e Eiichi; Irving Friedman, reconhecido como pai da hidrologia isotópica; e Peter B. Vose, químico britânico que foi diretor internacional da AIEA. Em parceria com Vose, Salati publicou outro importante artigo, desta vez na prestigiada revista Science, em 1984: Bacia Amazônica, um sistema em equilíbrio.

Você sabia que o CENA possuía dois barcos que foram construídos especialmente para facilitar as coletas de amostras nos rios da Amazônia? O primeiro deles, o Amanaí, ficou pronto em 1980; já o segundo, o CENA I, chegou a Manaus em 1990. Os dois foram posteriormente doados ao INPA. Fotos: Acervo CENA/USP


Essa intensa e extensa rede internacional de colaboração científica constituída na primeira década de vida do CENA possibilitou a circulação de ideias, recursos e materiais entre o Brasil e o mundo. “Apesar do fluxo de recursos das agências internacionais ao CENA, e a vinda constante de peritos estrangeiros que auxiliavam os brasileiros nas pesquisas, da elaboração dos projetos à interpretação dos dados, o fluxo de conhecimentos e técnicas não foi unidirecional. Pelo contrário, os experts do centro foram protagonistas na constituição de suas próprias agendas de pesquisa, em que os peritos internacionais desempenharam, na verdade, o papel de apoio”, revela Bailão.

“Os brasileiros definiram as agendas de trabalho, os planos das visitas de campo e levantaram as principais hipóteses. Além disso, publicaram suas conclusões como autores principais em conferências científicas e em importantes publicações internacionais”, adiciona o pós-doutorando.

Mas Salati não se restringiu a levar os resultados de suas pesquisas ao conhecimento de outros cientistas, ele buscou ir além dos muros da academia e alcançar a população por intermédio de grandes veículos de imprensa. No dia 10 de setembro de 1978, por exemplo, ele publicou o texto Desmatamento e o ciclo da água na Amazônia no suplemento cultural do jornal O Estado de S. Paulo:

Arte sobre texto publicado no jornal O Estado de S. Paulo

Ainda que tivesse adotado um perfil combativo em relação aos projetos de desenvolvimento em vigor à época, Salati foi nomeado, pela ditadura militar, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) em 1979, cargo em que permaneceu até 1981, e que voltou a ocupar de 1991 a 1992. Vale ressaltar que o fato de não ter sido aparentemente perseguido pelo regime, como aconteceu com diversos outros pesquisadores brasileiros, Salati tampouco conseguiu efetuar as transformações que tanto desejava em relação à ocupação da floresta. 

Além de diretor do CENA de 1981 a 1985, Salati também exerceu o cargo de diretor do antigo Instituto de Física e Química de São Carlos da USP, de 1976 a 1979. Como consultor, atuou no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), no Banco Mundial e na International Financial Corporation (IFC).

Em cena, Chico Mendes

Entre os inúmeros visitantes ilustres que o CENA recebeu ao longo dos seus 60 anos está o ambientalista Chico Mendes: ele participou de um painel realizado no dia 7 de dezembro durante a II Semana do Ambiente do CENA. Quinze dias depois, ele foi assassinado em Xapuri, no Acre. Fotos: Acervo CENA/USP

A voz do ambientalista e seringueiro Chico Mendes ecoou no Auditório Admar Cervellini, do CENA, apenas 15 dias antes de ser assassinado. Era 7 de dezembro de 1988, terceiro dia da II Semana do Ambiente, quando Chico participou do painel Desenvolvimento e ambiente, moderado pelo jornalista Randau Marques, do jornal O Estado de S. Paulo

Segundo reportagem publicada no site da Fundação Perseu Abramo, naquele ano de 1988, a cada vez que proferia uma palestra e viajava de volta ao Acre, Chico sempre se despedia dos amigos como se fosse a última vez que o veriam: “Isso ficou muito patente nas palestras proferidas em Piracicaba, no Estado de São Paulo (7 de dezembro), e na cidade do Rio de Janeiro (9 de dezembro), quando, ao falar das ameaças de morte, frisou que talvez estivesse voltando para sua terra para ser morto”.

De acordo com Zuenir Ventura, autor do livro Chico Mendes: crime e castigo, o seringueiro acertou quando anunciou que ia ser morto, mas errou ao achar que sua morte poderia ser inútil: “Aquele estouro que Ilzamar [esposa de Chico] ouviu, no começo da noite de 22 de dezembro de 1988, chegou ao mundo todo. Nunca um tiro dado no Brasil ecoou tão longe ― até hoje”.

Para saber mais

*O conteúdo foi originalmente publicado no Jornal da USP, escrito por Denise Casatti.

Você sabia que a criação do ex-Território Federal do Amapá ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial?

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Fortaleza de São José de Macapá, durante o Território Federal do Amapá. Foto: Reprodução/IBGE Cidades

No dia 13 de setembro de 2026, o Amapá completou 83 anos de criação do antigo Território Federal. A região foi desmembrada do Pará em 13 de setembro de 1943, quando passou a ter uma estrutura administrativa própria, mas ainda subordinada ao governo federal.

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O desmembramento ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial. A primeira capital do território foi o município de Amapá, que abrigou uma base aeronaval utilizada pela Marinha norte-americana no litoral brasileiro.

De acordo com o pesquisador e historiador Célio Alício, mesmo com a nova estrutura, a autonomia política era limitada. O governo federal indicava os governadores, que nomeavam os prefeitos.

“Era uma autonomia relativa, mas, comparado com o que era até o dia 13 de setembro de 1943, a elevação a território foi benéfica, porque alicerçou o Amapá para que, em 1988, fosse elevado à categoria de estado”, afirmou.

ex-Território Federal do Amapá completa 83 anos
Fortaleza de São José de Macapá, que abrigou a guarda territorial do Amapá. Foto: Reprodução/IBGE

Leia também: Três episódios pouco contados sobre a história do Território Federal do Amapá

Território Federal transformou o futuro do estado

Em 1945, a capital sede mudou para Macapá, que ainda não tinha serviços básicos como água encanada e energia elétrica. Segundo o pesquisador, o primeiro governador, Janary Nunes, teve papel decisivo na organização do local.

“Naquele momento, Janary Nunes estruturou um território que até então não tinha mínimas condições de ser elevado à categoria que estava. A ação dele, enquanto administrador e agente político, foi fundamental para que Macapá, naquela primeira década, se desenvolvesse”.

A transformação definitiva ocorreu em 5 de outubro de 1988, quando a Constituição Federal elevou o território à categoria de Estado do Amapá.

Mercado foi inaugurado por Janary Nunes, nos 10 anos do Território Federal do Amapá. Foto: Edgar Rodrigues/Acervo pessoal

Confira a linha do tempo da criação do estado do Amapá

  • 13 de setembro de 1943: O Decreto-Lei Federal nº 5.812 cria o Território Federal do Amapá, desmembrando a região do Pará.
  • 23 de maio de 1945: Criação do município de Oiapoque pelo Decreto-Lei nº 7.578. No mesmo ano, a capital do território é transferida da cidade de Amapá para Macapá.
  • 22 de dezembro de 1956: A Lei Federal nº 3.055 cria o município de Calçoene.
  • 17 de dezembro de 1987: A Lei Federal nº 7.639 cria simultaneamente os municípios de Ferreira Gomes, Laranjal do Jari, Santana e Tartarugalzinho.
  • 5 de outubro de 1988: A Constituição Federal eleva o Território Federal à categoria de Estado do Amapá.
  • 1º de janeiro de 1991: Instalação da Assembleia Legislativa do Estado do Amapá (Alap) e promulgação da primeira Constituição estadual.
  • 1º de maio de 1992: Aprovação das Leis Estaduais nº 3 a 8, emancipando Cutias, Itaubal, Pedra Branca do Amapari, Porto Grande, Pracuúba e Serra do Navio.

*Por Crystofher Andrade e Maria Clara Prudêncio, da Rede Amazônica Amapá.

Gimena Cariajano, a ‘influenciadora’ Achuar que promove cultura e defesa da Amazônia peruana nas redes sociais

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Gimena Cariajano, influenciadora Achuar, estrela a campanha “Mais peruano do que nunca” da Marca Perú. Foto: Reprodução/Agência ANDINA Editora Perú

A cultura, os costumes e o ecossistema dos povos amazônicos são o tema do conteúdo gerado pela influenciadora Achuar Gimena Cariajano, de 27 anos, para sua legião de seguidores nas redes sociais, um trabalho que já dura três anos e que agora também se concentra na proteção ambiental, o que a tornou protagonista da campanha ‘Mais peruana do que nunca’, da Marca Perú.

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Nascida em uma comunidade Achuar em Loreto, uma área onde se realiza extração de petróleo, aos 18 anos mudou-se para Iquitos, cidade onde estudou Engenharia Ambiental na universidade.

“Justamente por vir de uma região como essa, nasceu em mim o desejo de estudar para essa carreira, para encontrar alternativas que ajudassem minha comunidade e minha bacia hidrográfica”, disse a criadora de conteúdo.

Devido a complicações decorrentes da pandemia de Covid-19 e do credenciamento de sua instituição de ensino, a influenciadora Achuar não concluiu seus estudos. Foi por isso que, durante a quarentena, Gimena começou a criar conteúdo para as redes sociais. 

Conheça a 'influenciadora' Achuar que promove a cultura e a defesa da Amazônia nas redes sociais
Conheça a ‘influenciadora’ Achuar que promove a cultura e a defesa da Amazônia nas redes sociais. Foto: Reprodução/Agência ANDINA Editora Perú

Leia também: Conheça 9 guardiões que defendem a Amazônia todos os dias

Atualmente, a jovem possui aproximadamente 300 mil seguidores graças aos vídeos em que detalha aspectos da vida na Amazônia, destacando os costumes e histórias dos povos nativos de sua região e incutindo a necessidade de defender a natureza.

“Tenho aprendido muitas coisas com outros povos indígenas, porque cada um tem sua própria visão de mundo, sua própria maneira de ver a vida, seus próprios costumes e tradições. E estou aprendendo e compartilhando isso”, disse ele.

Conheça a ‘influenciadora’ Achuar que promove a cultura e a defesa da Amazônia nas redes sociais. Foto: Reprodução/Agência ANDINA Editora Perú

Estrela nas redes sociais

Cariajano demonstra modéstia, salientando que não sabe como foi escolhida como uma das protagonistas da campanha “Mais peruana do que nunca”, com a qual a Marca Perú celebra seus quinze anos de existência. 

“Foi uma grande surpresa para mim, mas ainda me sinto uma intrusa em tudo isso, porque acho que existem muitas histórias, talvez com um impacto maior”, disse ela. “Recebi o convite e, por um momento, hesitei, mas pensei: ‘Por que não me expor, por que não alcançar outros espaços com essa mensagem importante que também ressoa nas mentes e nos corações de outros jovens?’”, acrescentou.

O perfil que ela mantém no mundo virtual levou Gimena a agora também treinar jovens amazônicos para que eles tenham as ferramentas necessárias para mostrar suas experiências e cultura nas redes sociais.

Para isso, ele desenvolveu uma metodologia que recebeu apoio de organizações não governamentais e, nesse processo, espera-se que ele vá a cidade de Tarapoto, também no Peru, para ensiná-las.

Defesa ativa

A influenciadora Achuar também compartilha seu conhecimento em oficinas sobre questões ambientais, feminismo, apicultura nativa e produção de filmes comunitários. Além disso, ela está ansiosa para assumir uma postura mais ativa na defesa de seu ecossistema. 

“Quando comecei nas redes sociais, meu objetivo era fazer as pessoas se apaixonarem pela Amazônia, mas o que eu pergunto agora é: o que acontecerá com toda essa beleza se não a defendermos?”, disse Cariajano.

Leia também: Influenciadores ribeirinhos: conheça sete vozes da Amazônia que conquistam as redes sociais

Ela indicou, portanto, que em suas redes sociais, “vocês verão uma Gimena Cariajano mais ativista, mais franca sobre essas questões, falando de forma mais direta, mas sempre com cautela, porque os defensores do meio ambiente sempre correm riscos”.

*Com informações da Agência Andina

Água de cachoeira no Amazonas muda de cor e fiscalização apura possível dano ambiental

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Foto: Reprodução/Instragram-@natalfalls

Turistas e moradores de Presidente Figueiredo, no Amazonas, ficaram preocupados neste domingo (13) após a água da Cachoeira Natal Falls amanhecer barrenta. O local, conhecido como um dos principais pontos turísticos da região, recebe visitantes que esperavam lazer e encontraram decepção.

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A cachoeira é uma das mais visitadas da cidade. Segundo o empresário Jones Farias, que trabalha no local há mais de 10 anos, nunca havia ocorrido algo parecido.

“É a pior surpresa que a gente poderia ter. Esperamos receber turistas para conhecer essa cachoeira que representa tão bem o Amazonas. Mas eles se deparam com essa situação causada por um irresponsável. Acreditamos que não seja produto químico, mas barro e argila, resultado de assoreamento”, disse.

A mudança brusca na cor da água deixou moradores e autoridades em alerta. Judeilson Trindade, presidente do Conselho de Turismo de Presidente Figueiredo, é um dos que tem acompanhado o caso.

“É muito preocupante porque trabalhamos com turismo. O impacto atingiu uma das melhores cachoeiras no período do verão amazônico. Estamos monitorando para entender onde está acontecendo esse crime ambiental. Nas redes sociais, todo mundo tenta compreender o que houve”, afirmou.

Leia também: Saiba quais cachoeiras precisam de guia obrigatório em Presidente Figueiredo

Investigações na cachoeira

Investigações preliminares apontam que a mudança na cor da água pode estar ligada a atividades humanas na região. Fiscais da Secretaria de Meio Ambiente percorreram a mata para identificar a origem do problema.

Do alto, foi possível observar melhor a dimensão do dano. Carlos Daniel, fiscal da secretaria, explicou que a alteração pode ter ocorrido a cerca de 3 a 4 km do ponto principal.

“Houve mudança na coloração e acreditamos que seja resultado de impacto ambiental. Vamos voltar ao local para notificar o responsável, possivelmente ligado a assoreamento em um igarapé. A normalização da água deve demorar por causa da vazante lenta”, disse.

Jones Farias reforçou que espera punição para os responsáveis. “Esperamos que a pessoa seja penalizada e que isso seja cessado. Todos que visitam aqui são guardiões da cachoeira. O impacto de hoje mostra a importância que a Cachoeira Natal tem para o Amazonas”, declarou.

Água de cachoeira no Amazonas muda de cor e fiscalização apura possível dano ambiental
Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM

*Por Francisco Carioca, da Rede Amazônica AM

12 obras sobre a Amazônia que podem ser lidas gratuitamente no MEC Livros; saiba como pegar emprestado

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Foto: Reprodução/MEC Livros

A Amazônia também pode ser descoberta por meio das páginas de um livro. Para quem quer conhecer mais sobre a região, seus povos, histórias e biodiversidade, a plataforma MEC Livros, do Ministério da Educação (MEC), disponibiliza um catálogo de obras digitais que podem ser emprestadas gratuitamente.

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Entre as opções estão livros de poesia, literatura infantil, ficção, pesquisas e narrativas inspiradas em diferentes territórios amazônicos. As obras mostram que existem diferentes formas de conhecer a Amazônia e passam pela cultura, pela memória e pela literatura produzida na Amazônia.

Como pegar um livro emprestado?

A plataforma permite que os leitores tenham acesso aos livros pelo computador ou pelo celular e, para utilizar, é necessário fazer login com uma conta Gov.br. Depois de entrar, o usuário pode pesquisar os títulos disponíveis, consultar as informações de cada obra e realizar o empréstimo.

Para pegar um livro emprestado, o leitor deve acessar a plataforma do MEC Livros pelo site ou aplicativo e entrar com a conta Gov.br. Depois do login, basta navegar pelo catálogo ou utilizar a ferramenta de busca para encontrar uma obra.

Para encontrar os livros sobre a Amazônia, basta procurar pela aba ‘Amazônia: uma floresta de histórias’. Ao clicar na capa do livro, é possível consultar a sinopse e outras informações sobre a publicação.

Para realizar o empréstimo, o usuário deve selecionar a opção ‘Emprestar e ler’ ou ‘Pegar emprestado’, e o livro passa a ficar disponível na estante digital do leitor. O prazo padrão para leitura é de 14 dias. Caso não existam exemplares disponíveis naquele momento, o usuário pode entrar em uma fila de espera e aguardar a liberação da obra.

Leia também: Conheça 20 livros de escritores indígenas de diferentes povos originários no Brasil

12 obras para conhecer a Amazônia disponíveis no MEC Livros

Contos – Minha Amazônia, Meu Mundo

Escrito por Gilcimara Neves Cidade, a obra reúne histórias vividas, ouvidas e criadas pela autora, passando por contos indígenas, ficção, relatos reais e histórias relacionadas à cidade de Manicoré, no Amazonas.

A publicação também mistura elementos do cotidiano amazônico com um universo de fantasia, incluindo histórias sobre planetas distantes, apresentando diferentes formas de imaginar e contar a Amazônia.

MEC Livros: 12 obras sobre a Amazônia que podem ser lidas gratuitamente; saiba como pegar emprestado
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Tempo de Retomada

A poeta e pesquisadora Trudruá Dorrico combina poesia, prosa, documentos históricos e manifesto político para discutir colonização, memória, identidade e os saberes dos povos originários. A autora confronta temas como o apagamento de nomes, a imposição da língua portuguesa, o racismo estrutural e a ideia de uma ‘terra vazia’.

Ao mesmo tempo, a obra valoriza os modos de vida e os conhecimentos ancestrais dos povos originários. Além disso, a memória das avós, a espiritualidade Makuxi, os encantados e o amor aparecem como elementos importantes da narrativa. O livro conta ainda com ilustração de capa da artista Tamikuã Txihi e textos introdutórios de Sony Ferseck (Wei Paasi) e Carola Saavedra.

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A Pescaria do Curumim e Outros Poemas Indígenas

Escrito por Tiago Hakiy, ‘A Pescaria do Curumim e Outros Poemas Indígenas’ apresenta a cultura dos povos indígenas da Amazônia por meio de poemas voltados ao público infantil. Os poemas retratam aspectos da cultura indígena amazônica, com situações como banho de rio, brincadeiras, pesca e contato com a natureza.

Além disso, as histórias passam por situações presentes no cotidiano, como brincar com animais, subir em árvores, pescar o almoço, tomar banho de rio e observar as estrelas. As ilustrações são de Taísa Borges.

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Sinfonia da Amazônia

Em ‘Sinfonia da Amazônia’, as escritoras Lalau e Laurabeatriz apresentam a floresta a partir dos sons que fazem parte de seus diferentes ambientes. Animais, plantas, rios e outros elementos da floresta ganham espaço na narrativa que convida o leitor a imaginar os sons da Amazônia.

Além disso, a obra também explora a imaginação ao misturar seres reais e fantasiados. A proposta é levar o leitor a diferentes cenários, como rios, copas das árvores e outros ambientes da floresta amazônica.

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Originárias

‘Originárias’ reúne textos de 12 autoras de diferentes povos indígenas do Brasil. A obra apresenta narrativas inspiradas em sonhos, experiências comunitárias, histórias transmitidas entre gerações e na observação da natureza.

A publicação reúne ficção e não ficção e apresenta ainda informações sobre os povos indígenas de cada autora, além de biografias e um glossário. As autoras são: Auritha Tabajara, Bruna Karipuna, Chirley Maria Pankará, Eliane Potiguara, Glicéria Tupinambá, Lidiane Damaceno Krenak, Márcia Mura, Naine Terena, Simone Karajá, Telma Taurepang, Trudruá Dorrico e Vanessa Kaingang.

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Cores da Amazônia

Tucumã, uxi, buriti, aperema, guará e sucuri são alguns dos elementos apresentados em “Cores da Amazônia”, de César Obeid e Guataçara Monteiro. A obra utiliza poemas e imagens para mostrar parte da diversidade encontrada na região, em uma linguagem que busca aproximar o leitor das frutas, dos animais e de outros elementos que fazem parte do cotidiano amazônico.

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Ficções Amazônicas

Escrito por Aparecida Vilaça e Francisco Vilaça Gaspar, ‘Ficções Amazônicas’ propõe uma viagem por diferentes tempos e territórios espirituais. A obra reúne histórias relacionadas a temas como nascimento, vida, morte, antropofagia e pós-morte.

As narrativas também apresentam relações entre povos indígenas e não indígenas, além de questões sociais e políticas. A publicação também valoriza conhecimentos e elementos ancestrais presentes nas diferentes culturas amazônicas.

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Flor de Mureru

Em ‘Flor de Mureru’, Márcia Wayna Kambeba levam o leitor para os ambientes aquáticos da Amazônia. A obra, ilustrações de Cris Eich, tem como elemento central a flor de mureru, que brota durante as cheias e aparece nas águas de igarapés e lagos.

A partir dela, o livro apresenta diferentes aspectos da paisagem amazônica e convida o leitor a observar a beleza existente nos rios e nas águas da região.

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Mini Curiosos Descobrem a Amazônia

Voltado para crianças, ‘Mini Curiosos Descobrem a Amazônia’, de Clarice Uba, apresenta informações sobre a biodiversidade da região. O leitor pode descobrir, por exemplo, que algas podem crescer no pelo do bicho-preguiça, conhecer características dos sapos-ponta-de-flecha e descobrir mais sobre os botos-cor-de-rosa.

Com textos curtos e linguagem acessível, a publicação busca estimular a curiosidade das crianças e apresentar a importância da floresta amazônica para o planeta.

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Estudos de Literatura do Amazonas

‘Estudos de Literatura do Amazonas’, de Tenório Telles e Antônio Paulo Graça, apresenta aspectos da formação da literatura produzida no Amazonas. A publicação destaca que uma das primeiras tentativas de construir algo próximo a uma história da literatura amazonense ocorreu em 1934, com autoria de Anísio Jobim.

A obra contribui para conhecer parte da trajetória da produção literária do estado e a forma como a literatura amazonense foi sendo registrada ao longo do tempo.

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Entre Campo e Poesia: A Alma Amazônica em Versos

Conhecida como A Poeta Camponesa, Deise Ribeiro nasceu na comunidade camponesa Murutinga e transforma em versos experiências ligadas à vida no campo, às raízes e à Amazônia.

A obra apresenta poemas inspirados no cotidiano rural, nas lutas sociais e nos elementos culturais da região. Entre os temas estão os rios, a floresta, os carimbós e a vida no interior.

A cidade de Abaetetuba, no Pará, também aparece como parte importante das referências presentes na produção da autora.

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Manaquiri – Terra de Caranã

‘Manaquiri – Terra de Caranã’, de Aluizio Felipe da Silva, conta a história de Caranã, personagem que dedicou a vida ao atendimento de comunidades ribeirinhas localizadas às margens de rios e igarapés do Amazonas. O personagem é apresentado como enfermeiro, obstetra e dentista prático, atuando em uma região onde o acesso aos serviços de saúde era limitado.

A narrativa percorre áreas como os rios Negro e Solimões e a região da bacia dos rios Manaquiri e Castanho. O livro também foi construído a partir de um manuscrito do chamado ‘Diário de Caranã’, utilizado pelo autor para reconstruir aspectos da realidade amazônica do século XX.

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