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Conheça 5 iniciativas indígenas brasileiras que estão salvando a natureza no Brasil

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Voluntária indígena exibe mapas climáticos feitos à mão durante curso sobre o Sistema de Informação Geográfica (SIG), em Roraima. Foto: Ipam/divulgação.

Nos diferentes biomas brasileiros, da Amazônia ao Cerrado, a ameaça do fogo, do desmatamento, das invasões de terra e do garimpo ilegal ainda reina sem muitos contrapesos, colocando a natureza e a vida de povos tradicionais na rota da degradação e do conflito.

Enquanto cobram o poder público por medidas emergenciais e por mais apoio, grupos indígenas entenderam que não têm tempo a perder: com suas próprias ações coletivas, comunidades em todo o país atuam para combater as múltiplas crises que assolam seus territórios, exercendo o papel de guardiões de florestas, rios e planícies.

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A reportagem reuniu histórias de cinco projetos sob gestão indígena que, aliando saberes ancestrais, tecnologia e planejamento, já fazem a diferença na missão do Brasil rumo a um futuro de preservação.

Mulheres Krahô em Tocantins

Treze mulheres indígenas formam o Mē Hoprê Catêjê, grupo de guerreiras Krahô responsável pela vigilância territorial na Terra Indígena Kraolândia. Foto cedida por Luzia Krahô (Kruw).

Muita coisa mudou na Terra Indígena Kraolândia, que se espalha por mais de 300 mil hectares nos municípios de Goiatins e Itacajá, no Tocantins. Em um passado não tão distante, as mulheres ali se viam afastadas de postos de liderança, restritas ao trabalho doméstico, enquanto os perigos da extração de madeira, da caça e dos agrotóxicos espreitavam o território.

Para combater essas ameaças, as próprias mulheres indígenas Krahô deram um passo à frente, superando as barreiras de gênero para proteger seu território.

Jovens Yanomami recorrem a drones

Um jovem Yanomami consulta um aplicativo de mapeamento territorial. Foto: Evilene Paixão/HAY.

Se monitorar a maior terra indígena do Brasil já não é uma tarefa fácil, imagine protegê-la. É aí que entra a tecnologia: para se resguardarem do constante assédio de garimpeiros e invasores — e, assim, orientar possíveis planos de ação —, indígenas Yanomami estão usando drones para manter cada pedaço de seu gigantesco território ao alcance dos olhos.

Leia também: Indígenas de todo o Brasil ocupam a Esplanada dos Ministérios

Essa é a nova tarefa dos jovens Yanomami, que passam por treinamento em sistemas geográficos informatizados para ampliar suas afinidades com mapas e aplicativos.

Povo Pataxó transforma fazenda degradada em exemplo de agroecologia

Os trabalhadores Pataxó não contam com maquinários. Utilizando ferramentas como roçadeira e enxada, produziram cerca de duas toneladas de alimentos em um ano. Foto: André Cherri/V.U.E.L.A.

O que fazer com a terra degradada? Se depender dos Pataxó, o caminho é claro: transformá-la para dar espaço à agroecologia. No ano passado, a reportagem da Mongabay foi até a Terra Indígena Barra Velha do Monte Pascoal, no sul da Bahia, para ver de perto como o trabalho de comunidades indígenas tem ajudado a reflorestar nascentes e a repovoar o solo com alimentos livres de agrotóxicos.

Mas, apesar de valorizarem o próprio trabalho de preservação, geração de renda e subsistência, membros da aldeia Pataxi Pataxó Akuã Tarakwatê mantêm vivas suas denúncias: segundo eles, o apoio do poder público segue em falta

Mulheres Bakairi revolucionaram o combate aos incêndios no Cerrado

Mulheres Bakairi se preparam para uma ação de combate ao fogo na Terra Indígena Santana (MT). Foto: Coronel Paulo Selva.

Na Terra Indígena Santana, no Mato Grosso, é bastante comum ver mulheres Bakairi trocando seus cocares coloridos por capacetes de proteção, enquanto ocultam as pinturas de seus rostos com grossas balaclavas antichamas.

Essa é a rotina destemida de dezenas de mulheres indígenas à frente de uma brigada voluntária, há anos responsável por conter o avanço feroz das chamas no Cerrado brasileiro. O protagonismo delas nunca se fez tão necessário: nos últimos anos, a savana vem enfrentando uma de suas mais devastadoras temporadas de incêndio. A liderança feminina é mais do que decisiva para evitar desastres.

Mulheres indígenas são linha de frente na luta contra o fogo

As brigadistas indígenas Kadiwéu Luciana Correia (à direita) e Neudines Félix. Foto: Alicce Rodrigues/Instituto Terra Brasilis.

O fogo não dá trégua em nenhum dos principais biomas brasileiros. E quem vê tudo arder de perto não pode esperar: nos últimos anos, diante da falta de recursos e da ausência do Estado, mulheres indígenas como as Kadiwéu, no Mato Grosso do Sul, e as Wapichana, Macuxi e Waiwai, em Roraima, enfrentam as chamas que devastam a vegetação nativa e os habitats sensíveis.

Estudo, monitoramento, treinamento, um corajoso trabalho de campo e, depois, reflorestamento: é tudo com elas. 

*O texto foi originalmente publicado no site Mongabay


Reativação da comissão de educação da Amazônia é avaliada pelo MEC

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Ministério da Educação (MEC) e a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) realizaram reunião de trabalho na sede do bloco, em Brasília, na terça-feira, 7 de abril, para discutir a reativação da Comissão Especial de Educação da Amazônia (CEEDA). A estrutura buscará, por meio do diálogo político e técnico, estabelecer objetivos estratégicos para a região na área de educação, respeitando as especificidades da Amazônia. 

Leia também: MEC realizará consulta para criação da Universidade Indígena; saiba quais Estados da Amazônia estão incluídos na pesquisa

Partes buscam diálogo para reinstalação da comissão voltada para a ampliação do conhecimento na região amazônica. Foto: Divulgação/OTCA

O assessor especial para Assuntos Internacionais, Felipe Dutra de Carvalho Heimburger, representou o MEC na reunião, atividade que iniciou os procedimentos formais para a reinstalação da CEEDA. Também estiveram presentes o coordenador de Integração Regional do MEC, Gustavo Brechesi Servilha; a diretora-executiva da OTCA, Vanessa Grazziotin; e o coordenador de Ciência, Tecnologia e Educação do bloco, Angel Vilora. 

A OTCA é a única organização socioambiental e intergovernamental na América Latina que reúne os oito países amazônicos – Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela –, tendo papel essencial na articulação regional para uma Amazônia mais integrada, inclusiva e impulsionada pelo conhecimento. 

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MEC avalia reativação da comissão de educação da Amazônia
Ministério da Educação discute a reabertura da comissão de educação da Amazônia. Foto: Ângelo Miguel/MEC

Reativação da comissão

A reativação da CEEDA resgata a relevância da organização como plataforma de articulação regional, em consonância com os esforços dos países membros em estabelecer uma agenda comum que integre a educação básica e superior como pilares para o desenvolvimento sustentável da região. A medida alinha-se, ainda, aos mandatos regionais estipulados nas Declarações de Belém (2023) e Bogotá (2025), assinadas em encontros preparatórios para a COP30, realizada no Brasil no último ano. 

*Com informação do Ministério da Educação (MEC)

Estudo retrata realidade de estudantes indígenas com deficiência em instituições de ensino

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Estudo busca entender o cenário desses dois marcadores sociais: ser indígenas com necessidades especiais Foto: Loiro Cunha

Um estudo na área de Educação Especial da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) está buscando identificar e analisar as condições de ingresso e permanência de estudantes indígenas com deficiência nas instituições federais brasileiras. Para isso, está buscando voluntários para participação.

“Quando olhamos para a realidade de estudantes indígenas com deficiência, essa modalidade de ensino é um espaço pouco investigado, havendo lacuna de pesquisas acadêmicas em relação a sua presença e permanência, além de processos de invisibilização e exclusão, como mostra a literatura atual”, afirma a estudante indígena Josineide Jacilda da Silva, do Povo Atikum, de Pernambuco. Ela é mestranda do Programa de Pós-Graduação em Educação Especial (PPGEEs) da UFSCar.

Leia também: Amazonas terá curso de Licenciatura Intercultural Indígena a partir de 2019

“A educação superior de indígenas ainda é uma interface em construção, apesar dos avanços, especialmente por meio das ações afirmativas, que favorecem a presença indígena nas universidades. Tal avanço também se dá através de muita luta e resistência dos povos indígenas. Apesar disso, esse espaço também é composto por muitas ausências”, contextualiza a pesquisadora. “Assim, pesquisar sobre essa realidade exige uma abordagem dialógica com essas pessoas, sob um olhar que busque compreender as relações interseccionais, e a luta do movimento das pessoas com deficiência, e indígenas na busca pela garantia dos seus direitos e pela inclusão no Ensino Superior e na sociedade”. 

Para estudar esse cenário, Josineide da Silva está realizando uma pesquisa de cunho qualitativo, com uso de entrevista com roteiro semiestruturado, de maneira online, via Google Meet. Além disso, ela fará uso da metodologia indígena do Tehêy, que visa trazer as experiências desses estudantes com a realização de um desenho narrativo, por meio de uma roda de conversa via Google Meet. 

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Como participar

Interessados em participar podem preencher o formulário ou entrar em contato diretamente pelo WhatsApp (16) 98178-9582 ou e-mail josineide@estudante.ufscar.br.

“Como participantes, pretende-se selecionar dois estudantes indígenas com deficiência, de cada região geográfica brasileira, trazendo as suas vozes, que serão abordadas sob a análise de conteúdo, nos ajudando a entender os contextos e elementos produtores de ausências, para que possamos refletir e buscar estratégias que auxiliem na transformação em presenças”, detalha a pesquisadora.

Com os resultados do estudo, a mestranda do PPGEEs/UFSCar espera contribuir com avanços na área da Educação Especial, bem como no acesso e permanência de estudantes indígenas com deficiência matriculados na educação superior brasileira. O estudo ainda pode colaborar com as ações das instituições de Ensino Superior para apoiar o ingresso e a permanência desses estudantes que possuem dois marcadores sociais: ser indígena e ser pessoa com deficiência. 

instituição realiza estudo para entender o cenário dos indígenas com deficiência nas instituições federais de ensino
Campus da Universidade Federal de São Carlos, em São Paulo. Foto: Divulgação/UFSCar

Estudo

O estudo, intitulado “Indígenas com deficiência nas universidades federais brasileiras: entre presenças e ausências”, tem orientação da professora Rosimeire Maria Orlando, do Departamento de Psicologia (DPsi) da UFSCar, e apoio financeiro da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Projeto de pesquisa aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFSCar (CAAE: 92321325.2.0000.5504).

*Com informação da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)

Pesquisa da UFAM sobre dinâmica dos rios amazônicos ganha destaque nacional

Artigo apresenta análise detalhada do comportamento dos rios Beni e Mamoré, principais formadores do Rio Madeira. Foto: Imagem extraida do estudo

Um estudo desenvolvido no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal do Amazonas foi publicado na Revista Brasileira de Geomorfologia (2026, v. 27, n. 1, e2683), trazendo contribuições relevantes para a compreensão dos processos fluviais na Amazônia.

Intitulado “Dinâmica hidrossedimentar na confluência dos rios Beni e Mamoré”, o artigo apresenta uma análise detalhada sobre o comportamento hidrossedimentar em um dos principais setores formadores do rio Madeira. A pesquisa contribui para o entendimento da produção, transporte e deposição de sedimentos em grandes sistemas fluviais da bacia amazônica.

Leia também: Estudo mostra que pequenos rios amazônicos influenciam especiação de aves de florestas de terra firme

Trabalho recebeu reconhecimento nacional pela União da Geomorfologia Brasileira, em 2025. Foto: Reprodução/artigo

O trabalho é resultado de uma dissertação de mestrado em Geografia e recebeu reconhecimento nacional ao ser premiado pela União da Geomorfologia Brasileira durante evento realizado em Natal, em agosto de 2025.

Além de seu valor acadêmico, o estudo também possui relevância aplicada, especialmente para o planejamento ambiental e a gestão de recursos hídricos na região amazônica, área marcada por intensa dinâmica fluvial.

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Pesquisa dos rios amazônicos

A pesquisa contou com financiamento da Jirau Energia, por meio do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica, e com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas, que concedeu bolsa de mestrado no período de 2021 a 2024.

O artigo está disponível nos idiomas português e inglês e pode ser acessado aqui.

Durante ATL, IPAM apresenta novo sensor para monitorar qualidade do ar

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Foto: Divulgação/ Ipam

O IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) apresentará esta semana, durante o ATL (Acampamento Terra Livre), em Brasília, o novo sensor que integrará uma nova rede de monitoramento de ar, ainda em desenvolvimento, batizada de RedeAr. 

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O equipamento, desenvolvido em parceria com a UFPA (Universidade Federal do Pará), estará exposto na tenda da Coiab (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira). O novo sensor pretende expandir a medição de qualidade do ar, principalmente em territórios indígenas. 

Revoada de andorinhas-azuis no rio Negro, Amazonas. Foto: Marcos Amend/Arquivo Pessoal
Foto: Marcos Amend/Arquivo Pessoal

“Muitas vezes se tem a falsa ideia de que os indígenas e as pessoas da Amazônia respiram ar puro. Não é isso que vem acontecendo em períodos de seca e de grandes queimadas”, enfatiza Filipe Viegas Arruda, pesquisador do IPAM e responsável pelo desenvolvimento do equipamento. 

Nota técnica do IPAM revela que a qualidade do ar na Amazônia Legal em 2024 foi classificada como péssima em períodos de eventos climáticos de seca extrema. Foram 138 dias de ar nocivo à saúde em estados da Amazônia. Na região, a poluição tem origem nas queimadas de florestas e para limpeza de pastos. Em cidades como São Paulo, por exemplo, o ar fica mais poluído pela queima de combustíveis de automóveis. 

O novo sensor é mais robusto, nacional, de baixo custo e é capaz de medir a cada dois minutos os índices de poluição, umidade e temperatura. A estrutura é protegida da entrada de insetos e é capaz de medir material particulado muito fino (PM 2.5), de 0,002 milímetros, equivalente a 10 vezes um fio de cabelo, por exemplo. 

O novo sensor é mais robusto, nacional, de baixo custo. Foto: SECOM/AM

Leia também: Acampamento Terra Livre inicia atividades do Abril Indígena em Brasília

“Esse material tem a capacidade de entrar nas vias respiratórias, atingir os pulmões, os alvéolos, misturar com a corrente sanguínea e a longo prazo trazer uma grande decorrência de problemas de saúde, doenças respiratórias e cardiovasculares”, exemplifica Arruda. 

A ideia é que, com a expansão da rede de monitoramento em comunidades indígenas, possa ser feito o cruzamento de dados de medição com índices de atendimento de doenças respiratórias, feitos pela SESAI (Secretaria Nacional de Saúde Indígena) e do Telesaúde, do programa Conexão Povos da Floresta. 

Monitoramento em tempo real 

Durante o ATL, o sensor importado da rede PurpleAir fará o monitoramento em tempo real das condições do ar, além de exibir imagens de satélite das condições em áreas indígenas.   

O Brasil tem aproximadamente 570 estações de monitoramento da qualidade do ar: 377 são estação de referência, a maioria na Região Sudeste; 203 são estações de baixo custo que várias instituições, inclusive o IPAM, conseguiram distribuir em diversas regiões da Amazônia Legal; e apenas 12 estão em territórios indígenas. 

“Existe uma grande dificuldade de se manter esses sensores funcionando em terras indígenas porque exigem infraestrutura de internet. Em parceria com o Conexão Povos da Floresta, temos hoje cerca de 2,3 mil comunidades com energia e internet. Então a gente busca ampliar essa rede utilizando a Rede Ar por várias dessas comunidades”, afirmou o pesquisador do IPAM. 

Segundo dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), quem vive na Amazônia pode perder até três anos de expectativa de vida devido à péssima qualidade do ar.  

A Política Nacional de Qualidade do Ar, em vigor desde 2024, obriga estados e municípios a fazerem relatórios mensais e anuais de qualidade do ar. 

*Com informações da assessoria do Ipam

Com incentivos do setor privado, mercado andino chegou a absorver cerca de metade das exportações acreanas 

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Porto de Chancay no Peru recebe exportações do Acre. Foto: Marcos Vicentti/ Secom Acre

O estudo “Da fronteira ao Pacífico: o Acre no corredor comercial andino”, elaborado pelo Fórum Empresarial do Acre com apoio do Sebrae, no final de março, apontou que o estado do Acre, nos últimos anos, tem se destacado por sua proximidade com o Pacífico e por fazer fronteira direta com os dois mercados que concentram quase toda a sua relação andina para exportações: Peru e Bolívia.

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O estudo aponta que a posição geográfica, por si só, não assegura integração. Ela oferece uma vantagem potencial que só se converte em valor econômico quando é acompanhada por rotas viárias eficientes, operação aduaneira regular e uma oferta exportadora capaz de manter a continuidade.

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Rio Acre. Foto: Odair Leal/SECOM

Entre 2019 e 2025, Peru e Bolívia responderam por 99,12% do fluxo comercial do Acre com os países andinos. O Peru sozinho concentrou 79,98% desse total, enquanto a Bolívia representou 19,15%. A ligação evidencia que essa relação deixou de ser periférica para se tornar estrutural na economia local.

Avanços no mercado

O secretário de Indústria, Ciência e Tecnologia do Acre (Seict), Assurbanipal Mesquita, atribui o crescimento das exportações acreanas a um conjunto de ações estruturantes adotadas pelo governo estadual. Segundo ele, o primeiro fator decisivo foi o fortalecimento do agronegócio comercial, que ampliou a produção de milho e soja e agora avança sobre o café e outras culturas.

“Essas matérias-primas são fundamentais para viabilizar cadeias industriais exportadoras, como a de proteína suína. A Dom Porquito, por exemplo, hoje consome milho e soja produzidos no estado com custo menor do que antes”, destacou.

Outro ponto citado pelo secretário é o trabalho do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf-AC), que garantiu ao Acre o status internacional de área livre de febre aftosa sem vacinação, certificação obtida por apenas cinco estados brasileiros.

Leia também: Segurança alimentar: Rondônia registra recorde histórico de exportações

Anel viário de Brasileia aguarda trabalhos do DNIT. Foto: Pedro Devani/ Secom – Acre

“Esse reconhecimento colocou o Acre no mapa internacional da proteína animal e atraiu o interesse de diversos países. Recentemente, uma missão das Filipinas esteve no estado para conhecer e credenciar indústrias locais”, afirmou.

Mesquita também ressaltou as ações de promoção comercial conduzidas pela Seict, com participação em feiras internacionais, rodadas de negócios e programas de incentivo fiscal, além da concessão de áreas para instalação de indústrias. “Esse ambiente favorável já estimulou mais de R$ 400 milhões em investimentos privados”, disse.

Apesar dos avanços, a logística ainda é um dos principais desafios. O secretário cita a necessidade de ampliar o uso do Porto de Xangai, melhorar a estrutura das alfândegas e concluir o anel viário de Brasileia, obra sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

Ele informou que o governo participa, nesta semana, de uma missão para conhecer um modelo de alfândega integrada que pode reduzir custos e tempo de operação.

Logística e incentivos

A BR-317 é a principal via de ligação do Acre com o Pacífico. Ela conecta Rio Branco a Assis Brasil e, a partir de Iñapari, integra o estado à malha rodoviária peruana. Já a BR-364 organiza o fluxo interno e sustenta a conexão entre a capital, os municípios do leste e os corredores de saída do comércio exterior.

Mesquita reconhece que a pauta exportadora do Acre ainda é concentrada, principalmente em proteína animal, soja e castanha in natura, e afirma que a diversificação será prioridade em 2026.

“Estamos iniciando um diagnóstico para identificar indústrias com potencial exportador e apoiá-las na regularização e certificação. Produtos como açaí, mandioca, farinha, itens da biodiversidade e o próprio café podem ampliar a participação de pequenas indústrias no comércio exterior”, explicou.

O secretário também destacou o potencial do Acre como hub logístico para importação de produtos asiáticos. “Estamos trabalhando na formação de empresas e comerciantes para aproveitar oportunidades de compra no mercado internacional e revenda no Brasil. O Polo Logístico é parte central dessa estratégia”, concluiu.

Mercado consolidado

Depois de um período de oscilações até 2023 nas exportações, o fluxo comercial do Acre ganhou força em 2024 e se mantém em patamar elevado em 2025, impulsionado principalmente pelas exportações. Parte desse avanço fica evidente quando se compara a participação do estado no comércio brasileiro com Peru e Bolívia, considerando apenas os produtos em que o Acre de fato atua.

O movimento confirma que a fatia acreana ainda é pequena no cenário nacional, mas cresce de forma consistente em nichos específicos, sobretudo no mercado peruano.

Além das carnes suínas e da castanha, a pauta exportadora inclui, com alguma regularidade, milho em grão, pernis suínos congelados, preparações para alimentação animal e outros itens de menor volume.

Mesmo assim, a concentração permanece alta, o que torna o desempenho mais vulnerável a oscilações de preço, demanda e condições logísticas.

No comércio com o Peru, duas cadeias dominam com folga: castanha com casca e carne suína. Já na relação com a Bolívia, a castanha também lidera, mas em escala menor e dentro de uma pauta mais fragmentada.

Entre o mapa continental e as discussões geopolíticas, emerge o ponto mais concreto do desafio: o corredor que conecta Rio Branco à faixa de fronteira e, dali, à continuidade rodoviária rumo ao Pacífico, eixo que sustenta a integração comercial do Acre com os países andinos.

De forma geral, o estudo reforça que o Acre já está inserido no comércio andino, mas ainda possui amplo espaço para crescer. O fortalecimento das cadeias produtivas, aliado à melhoria da logística e à ampliação da infraestrutura, pode transformar o estado em um elo estratégico entre o Brasil e o Pacífico.

“Vamos concentrar esforços na implantação de empresas importadoras. É uma oportunidade real para o comércio acreano. A ideia é transformar o Acre em uma porta de entrada de produtos importados para o Brasil e permitir que nossos empreendedores lucrem com essa atividade. É uma grande chance de ampliar negócios e gerar renda”, afirma o secretário.

*Escrito por Tácita Muniz, da Agência Acre

Em carta, indígenas veem avanços, mas cobram demarcações e proteção

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Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Os representantes da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), entidade que coordena o Acampamento Terra Livre em Brasília (DF), levaram, nesta quinta-feira (9), para a Secretaria-Geral da Presidência e para o Ministério das Minas e Energia, uma carta de sete páginas que reconhece avanços nas políticas públicas, mas que traz reclamações sobre a demora nas demarcações dos territórios. 

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Com o título de ‘Brasil soberano é terra indígena demarcada e protegida’, o documento aponta que o atual governo foi construído com apoio do movimento indígena para ‘reconstruir condições de institucionalidade e democracia’.

“É preciso reconhecer que houve mudanças importantes neste período”, diz.

Entre essas mudanças, foram citadas a criação do Ministério dos Povos Indígenas, a presença de autoridades indígenas em posições de destaque no Poder Público e a reconstrução de espaços de diálogo. 

Leia também: Portal Amazônia responde: O que é Acampamento Terra Livre?

Em carta, indígenas veem avanços, mas cobram demarcações e proteção
Em carta, indígenas veem avanços, mas cobram demarcações e proteção. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

No entanto, os representantes consideram que as ações ainda estão aquém do necessário.

“Reconhecemos avanços, mas eles ainda não respondem à urgência histórica nem à dívida do Estado brasileiro com os nossos povos”.

Cenário de violência

Os indígenas dizem que há um cenário de aumento de invasão dos territórios, violência e criminalização de povos, lideranças e organizações indígenas. 

“Houve reconstrução de parte da institucionalidade e mudanças no discurso, mas a proteção concreta dos territórios e da vida dos povos indígenas ainda precisa ganhar consistência e continuidade”, afirma a carta.

Os indígenas argumentam que os direitos às políticas públicas são obrigações permanentes do Estado. 

A carta cobra medidas para seis áreas: ‘demarcação e proteção dos territórios’, ‘consulta, participação e autodeterminação’, ‘orçamento e governança permanente’, ‘vida, segurança e bem viver’, ‘clima, transição ecológica e vedação à espoliação’, ‘memória, reparação e futuro dos povos’.

*Por Luiz Claudio Ferreira, Agência Brasil.

Agricultores entregam mais de 60 toneladas de alimentos em Boa Vista

Agricultores entregam mais de 60 toneladas de alimentos em Boa Vista. Foto: PMBV

Caixas de hortaliças, frutas e raízes têm sido entregues na sede da Secretaria de Agricultura e Assuntos Indígenas (SMAAI) por inscritos no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Desde o início do fornecimento, em janeiro deste ano, as equipes da prefeitura já receberam mais de 60 toneladas de produtos agrícolas. O processo segue até o mês de maio.

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Semanalmente, os trabalhadores do campo descarregam os mais diversos produtos, formando um grande volume e variedade. De acordo com o secretário de Agricultura e Assuntos Indígenas, Cezar Riva, o método fortalece a agricultura familiar e, ao mesmo tempo, garante alimento de qualidade à população em situação de vulnerabilidade.

“Um dos grandes gargalos do produtor rural é a comercialização. Então, ao entregar diretamente para o PAA, ele tem a garantia de que vai receber. Adquirimos produtos do agricultor familiar e doamos a instituições que fazem trabalhos de assistência social no município”, disse. 

Leia também: Agricultura familiar é 8ª maior produtora de alimentos do mundo; Região Norte representa 15,4% do país

Agricultores entregam mais de 60 toneladas de alimentos em Boa Vista
Agricultores entregam mais de 60 toneladas de alimentos em Boa Vista. Foto: PMBV.

Impacto econômico

Com a compra segura e preço justo garantidos, o programa envolve cadastramento, logística, organização e execução, resultando em renda direta ao agricultor familiar. Neste ano, Francisco Moreira, produtor da região do Projeto de Assentamento Nova Amazônia há mais de 20 anos, faz entregas de feijão verde, macaxeira e maxixe.

“Depois que começamos a entregar a produção no PAA, a nossa renda aumentou, e estamos felizes com esse resultado positivo. Quando a gente planta, já sabemos que vamos conseguir vender nossos produtos. Com esse apoio da prefeitura, trabalhamos para aumentar nossa produção, conforme vamos vendendo”, disse.

Leia também: Coco babaçu é usado para criar alimento similar a hambúrguer no Maranhão

167 agricultores familiares participam desta etapa do programa. Foto: PMBV.

Ao todo, 167 agricultores familiares estão cadastrados no programa para fornecer produtos nesta etapa. De forma prática, os produtores fazem o agendamento das entregas via celular, sem enfrentar filas, sempre às quartas e quintas-feiras. No dia e horário marcados, os alimentos frescos são entregues na quantidade previamente acertada.

*Com informações da Prefeitura de Boa Vista

Indígenas pedem territórios livres da exploração de petróleo

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Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Os mais de 7 mil Indígenas que integram, nesta semana, o Acampamento Terra Livre, em Brasília, participaram de uma marcha na tarde desta quinta-feira (9).

O grupo andou do Eixo Monumental até a Esplanada dos Ministérios para entregar reivindicações. As lideranças apresentaram propostas sobre a exclusão de exploração de petróleo e gás em territórios indígenas.

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Na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), realizada em 2025 em Belém (PA), o Mapa do Caminho para afastamento da economia dependente de combustíveis fósseis, uma das prioridades do governo brasileiro, não entrou na lista de consensos. No evento, porém, representantes ministeriais de mais de 80 países declararam apoio oficial à proposta, segundo o governo.

Leia também: Acampamento Terra Livre inicia atividades do Abril Indígena em Brasília

Indígenas pedem territórios livres da exploração de petróleo
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

“Como foi uma proposta do governo brasileiro para a construção do mapa do caminho e o desmatamento zero e também para a não exploração de petróleo e gás, nós estamos apresentando algumas propostas ao governo para ser incluída no texto”, disse  o coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Dinaman Tuxá. 

O documento deve ser recebido pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.  As reivindicações direcionadas ao Poder Executivo incluem também o pedido de mais demarcações e outras políticas públicas. “Nós vamos entregar documentações nos ministérios dos Povos Indígenas, do Meio Ambiente, da Agricultura e Pecuária, e no Itamaraty”, afirmou o coordenador da Apib.

*Por Luiz Claudio Ferreira, Agência Brasil.

Falta de energia elétrica afeta abastecimento de água para a população

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Abastecimento de água. Foto de capa: Canva

Nas grandes cidades, o fornecimento de água para a população é feito por redes de abastecimento que dependem da energia elétrica para funcionar. Por conta disso, quando ocorre algum tipo de problema no sistema elétrico, afeta imediatamente a distribuição de água para os consumidores.

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Isso acontece devido a dependência da eletricidade no processo de coleta, tratamento e distribuição de água. De acordo com João Augusto Saraiva, engenheiro ambiental e sanitarista, a rede utiliza diversos equipamentos eletrônicos em todas essas etapas.

“O caminho da água para chegar nas casas passa por diversas etapas: captação, transporte, armazenamento, tratamento e depois a distribuição para o cliente final. Acontece que, em todas essas etapas, existem diversos equipamentos elétricos que fazem o sistema como todo funcionar. A partir do momento que a energia falta, vamos ter problema no abastecimento de água”, explicou João.

Leia também: MPF move ação para que Amazonas Energia e União forneçam eletricidade a comunidades de Novo Airão

Falta de energia afeta o serviço de abastecimento de água. Foto: Roverma Energia
Falta de energia elétrica afeta o serviço de abastecimento de água. Rede é dependente da eletricidade. Foto: Roverma Energia

Além da falta de energia elétrica, a retomada do serviço também afeta o reestabelecimento do fornecimento de água para a população. Segundo Saraiva, mesmo com o retorno da eletricidade, a retomada na distribuição da água para as residências é feita de forma gradual para não comprometer os aparelhos e toda a rede de abastecimento.

“O que a gente precisa entender que necessariamente o retorno da energia não vai implicar no retorno imediato do abastecimento de forma regular. Como o sistema depende da energia, ele precisa passar por uma recomposição operacional gradual, então os equipamentos são religados novamente, a gente precisa testar eles, é necessário regularizar o nível nos reservatóios, pressurizar a rede novamente, estabilizar a vazão da água. Aí sim, a gente estabiliza o fornecimento para a residência dos clientes. Seria um risco para o próprio sistema em si a água retornar de forma abrupta”, explica Augusto.

Leia também: ‘O Rio que Somos’: documentário mostra cotidiano dos ribeirinhos da Amazônia e do Pantanal

Falta de energia afeta qualidade da água

A falta de energia elétrica também impacta na qualidade da água. Segundo o especialista, devido as redes serem antigas, a água não tratada acaba infiltrando dentro da rede durante o desabastecimento.

“De forma geral, as redes de abastecimento são antigas e existem tubulações que possuem infiltrações. Nesses pontos, a água externa acaba entrando para dentro da rede, impactando na qualidade da água. Mas a gente tem passado por um processo de restruturação da rede de abastecimento”, frisou o engenheiro, que é consultor ambiental.

Equipes trabalham no restabelecimento de água após falta de energia elétrica em Belém. Foto: Divulgação/ Águas do Pará

Águas que Transformam

A entrevista com João Augusto faz parte do quadro ‘Águas que transformam’, do programa Estação CBN Belém, da rádio CBN Amazônia, na edição de 8 de abril.

O especial visa ampliar o diálogo com a população e a melhoria do serviço do fornecimento de água no estado.

Engenheiro João Augusto Saraiva fala sobre os impactos da falta de energia elétrica no abastecimento de água. Foto: Reprodução/Youtube-CBN Amazônia

Com apresentação da jornalista Ize Sena, o quadro vai ao ar toda quarta-feira no Estação CBN Belém, na 102.3 FM e no YouTube. Confira a entrevista completa (a partir de 1:18):

Confira mais episódios do especial ‘Águas que transformam’