Uma família de Macapá (AP) mantém, há cerca de 6 anos, uma criação com mais de 20 colmeias de abelhas sem ferrão no quintal de casa. A prática da meliponicultura, criação de abelhas nativas, começou durante a pandemia da Covid-19 e reúne três espécies diferentes.
No meliponário da família em Macapá, destacam-se espécies locais como a uruçu-cinzenta e a uruçu-amarela, que estão entre as mais cultivadas por criadores da região devido à boa adaptação.
O projeto concilia a preservação ambiental com a produção de um mel de alto valor comercial e medicinal. O Brasil abriga cerca de 250 espécies de abelhas sem ferrão espalhadas por diferentes ecossistemas. Na Amazônia, o cenário é propício para o mercado regional.
Família cria mais de 20 colmeias de abelhas sem ferrão no quintal de casa, em Macapá. Foto: Carlos Cardozo/Rede Amazônica AP
A iniciativa ganhou força com o engenheiro eletricista e meliponicultor Takao Meguro Portal, que retornou de São Paulo para o Amapá no período de isolamento social. A princípio, o mel era voltado para o consumo da mãe dele na culinária e no tratamento de sequelas respiratórias causadas pelo coronavírus.
Engenheiro eletricista e meliponicultor Takao Meguro Portal. Foto: Carlos Cardozo/Rede Amazônica AP
O interesse pela criação doméstica surgiu de família, já que o pai de Takao tinha experiência anterior com o manejo de abelhas com ferrão da espécie Apis mellifera.
“Essas abelhas nativas são manejadas desde o tempo do povo maia, que foi um dos primeiros códices de meliponicultura do mundo. Elas já existiam antes das abelhas europeias, que ingressaram aqui na América. O mel desse tipo de abelha era utilizado nas bebidas sagradas dos maias e tem uma propriedade medicinal muito, muito potente”, destaca Portal.
Rotina e cuidados no manejo
Manter um meliponário em casa exige uma rotina rigorosa de vistorias. O produtor alerta que as abelhas são sensíveis e suscetíveis a pragas.
“A gente tem que tomar muito cuidado ao trazer uma colmeia para dentro do meliponário. Respeitem o período de quarentena. O manejo tem que ser feito com muita atenção. Eu sempre aconselho ao meliponicultor que está ingressando na área: faça um curso para não errar em nenhuma manobra, porque é um bicho muito sensível”, recomenda.
O processo de produção exige paciência. A partir da divisão de uma colmeia considerada “matriz”, leva-se cerca de três meses de manejo adequado para que o enxame ganhe força.
Família cria mais de 20 colmeias de abelhas sem ferrão no quintal de casa, em Macapá. Foto: Carlos Cardozo/Rede Amazônica AP
Só depois desse período são instaladas as melgueiras — módulos superiores da caixa onde as abelhas começam a depositar o mel.
O sabor e a coloração do produto não dependem apenas da espécie da abelha, mas principalmente da florada da estação. As variações das flores na região determinam se o mel será mais claro, escuro, mais doce ou com notas ácidas a cada colheita.
Regras e limites por lei
Para quem deseja iniciar na atividade dentro de áreas urbanas, o criador faz um alerta importante: embora não possuam ferrão, as abelhas têm mecanismos próprios de defesa e são animais delicados. A recomendação é buscar capacitação técnica antes de adquirir os enxames.
Além disso, Portal reforça que os ninhos nunca devem ser retirados diretamente da natureza, exceto em casos de resgate, como quando uma árvore cai e o enxame corre risco de morrer.
Família cria mais de 20 colmeias de abelhas sem ferrão no quintal de casa, em Macapá. Foto: Carlos Cardozo/Rede Amazônica
A legislação brasileira também impõe limites: criadores amadores podem manter até 49 caixas em casa. Para plantéis que ultrapassem esse número, é obrigatório obter autorizações e licenças junto aos órgãos ambientais.
*Por Isadora Pereira e Mayra Carvalho, da Rede Amazônica AP
Conhecedor de uacaris, primatólogo recebeu um dos principais reconhecimentos internacionais destinados à jovens cientistas da área de primatologia. Foto: Marcelo Ismar Santana
O pesquisador do Instituto Mamirauá, Felipe Ennes Silva, recebeu um dos principais reconhecimentos internacionais destinados a jovens cientistas da área de primatologia. A American Society of Primatologists (Sociedade Americana de Primatologia) concedeu ao brasileiro o prêmio Early Career Achievement, homenagem que destaca pesquisadores com contribuições científicas relevantes nos primeiros anos após a conclusão do doutorado.
O prêmio reconhece uma trajetória construída ao longo de mais de uma década de pesquisas dedicadas aos uacaris calvos (Cacajao spp.), primatas endêmicos da Amazônia que possuem características únicas, como a face avermelhada, a cauda curta e adaptações anatômicas relacionadas à alimentação.
A relação de Felipe com a espécie começou em 2012, quando foi convidado pelo Instituto Mamirauá para desenvolver um projeto de pesquisa na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. Antes mesmo do início dos trabalhos de campo, mergulhou na literatura científica sobre os uacaris e conheceu as pesquisas pioneiras desenvolvidas pelo fundador do Instituto Mamirauá, Márcio Ayres.
Os uacaris calvos (Cacajao spp.) possuem características únicas como a face avermelhada, a cauda curta e adaptações anatômicas relacionadas à alimentação. Foto: Reprodução/Instituto Mamirauá
“Quando comecei a estudar os uacaris, percebi a enorme contribuição dos trabalhos já realizados, mas também o quanto ainda havia para descobrir. No campo, fui conhecendo características únicas desses primatas e, quanto mais avançava nas pesquisas, mais intrigado eu ficava para compreender diferentes aspectos da biologia da espécie. É assim até hoje”, relembra o pesquisador.
Os primeiros estudos aconteceram nas regiões do Paraná do Aranapú e da Boca do Mamirauá, onde trabalhou na habituação dos animais à presença de pesquisadores, etapa essencial para a realização de observações comportamentais e ecológicas de longo prazo. Foi nesse período que teve o primeiro contato direto com os uacaris.
“Foi um período muito produtivo, tanto pela quantidade de dados coletados quanto pelo conhecimento que adquiri sobre os primatas e sobre a região. Foi ali que vi os uacaris pela primeira vez e comecei a construir essa trajetória de pesquisa”, afirma.
Ao longo de sua trajetória, Felipe ampliou significativamente o conhecimento científico sobre os uacaris. Entre suas principais contribuições estão pesquisas em genética evolutiva que ajudaram a esclarecer as relações entre diferentes populações do gênero Cacajao. Seus estudos também demonstraram como transformações históricas da paisagem amazônica, incluindo mudanças no curso de grandes rios, influenciaram a diversidade genética, a distribuição e a evolução dessas espécies. Além disso, identificaram variações genéticas associadas a adaptações específicas dos diferentes grupos de uacaris, abrindo novas perspectivas para compreender sua história evolutiva.
O aprofundamento dessas pesquisas o levou ao doutorado em Biologia Evolutiva pela University of Salford, no Reino Unido. Durante o doutorado, sua tese foi reconhecida pela Primate Society of Great Britain (Sociedade Britânica de Primatologia) com a Napier Memorial Medal, tornando Felipe o primeiro latino-americano a receber a honraria. Atualmente, além de pesquisador associado do Instituto Mamirauá, ele é professor da New York University (NYU) e integra redes internacionais dedicadas à conservação de primatas.
Pesquisador acumula décadas de trabalhos e pesquisas em campo na Amazônia voltados para o estudo da primatologia. Foto: Felipe Ennes/Arquivo pessoal
Para o pesquisador, receber o prêmio da American Society of Primatologists representa um importante reconhecimento de sua trajetória.
“Foi muito gratificante receber essa homenagem justamente neste momento em que estou estruturando um laboratório, consolidando um grupo de pesquisa e começando a formar novos alunos. É um reconhecimento de uma caminhada que não foi linear, mas que contou com o apoio de colegas, professores, orientadores e instituições ao longo de toda a minha carreira”, destaca.
Futuras pesquisas sobre uacaris e outras contribuições
Mesmo com o reconhecimento internacional, Felipe afirma que seu trabalho na Amazônia está apenas começando. A proposta agora é consolidar um grupo de pesquisa em Primatologia, integrando atividades de campo, laboratório e análises genéticas. Entre as próximas etapas estão estudos sobre a ecologia alimentar dos uacaris e a composição de seu microbioma intestinal, buscando compreender como esses animais estão respondendo aos eventos de secas extremas que têm se tornado cada vez mais frequentes na Amazônia.
“Não temos a menor ideia de como os uacaris estão se adaptando a esses cenários. Queremos entender como as mudanças na disponibilidade de alimento influenciam a espécie e formar uma base sólida de conhecimento para orientar estratégias de conservação”, explica.
Pesquisador pretende consolidar equipe para futuros estudos na Amazônia. Foto: Marcelo Ismar Santana
Para Felipe, a história do Instituto Mamirauá demonstra que pesquisa e conservação caminham juntas.
“A pesquisa tem um papel fundamental para orientar ações de conservação. Precisamos conhecer profundamente as espécies, entender os desafios da Amazônia e formar novas gerações de pesquisadores. A hora de agir é agora para reduzir as chances de extinção desses primatas nas próximas décadas”, conclui.
Além das pesquisas com uacaris, Felipe participou de diversas expedições científicas em áreas pouco estudadas da Amazônia, contribuindo para ampliar o conhecimento sobre a distribuição, o tamanho das populações e as principais ameaças enfrentadas por diferentes espécies de primatas. Seu trabalho também envolve colaboração em iniciativas nacionais voltadas à conservação, como o Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Primatas Amazônicos e processos de avaliação do estado de conservação das espécies brasileiras.
Muito além do espetáculo apresentado na arena do Bumbódromo, Parintins mostra sua identidade nos ateliês, feiras e espaços dedicados ao artesanato. É por meio das mãos de artesãos locais que sementes, fibras, madeira, tecidos, penas artificiais e outros elementos inspirados na natureza amazônica se transformam em biojoias, esculturas, miniaturas dos bois-bumbás, quadros e lembranças que carregam a história e a cultura da ilha.
A produção artesanal ganha ainda mais força durante o Festival Folclórico, quando milhares de turistas circulam pela cidade em busca de lembranças.
No entanto, durante todo o ano é possível encontrar espaços dedicados à comercialização dessas peças, reunindo trabalhos que representam não apenas os bois Caprichoso e Garantido, mas também a biodiversidade amazônica, os povos originários e as tradições ribeirinhas.
Centro de Artesanato Soarte
Considerado o principal endereço para quem deseja conhecer o artesanato produzido em Parintins, o Centro de Artesanato Soarte concentra o trabalho de mais de 50 artesãos do município. Entre os produtos disponíveis estão biojoias produzidas com sementes e fibras naturais, esculturas em madeira, quadros de artistas locais, miniaturas dos bois, objetos decorativos, acessórios e lembranças inspiradas na fauna, flora e tradições amazônicas.
O Centro de Artesanato Soarte funciona das 8h às 17h, e está localizado na Rua Boulevard 14 de Maio, esquina com a Rua Gomes de Castro, nº 61, no Centro Histórico de Parintins, próximo ao cais da cidade.
Central de Artesanato Soarte. Foto: Reprodução/Amazon Sat
Mercado Municipal Leopoldo Neves
Localizado às margens do rio Amazonas, na Rua Benjamin da Silva, no Centro da cidade, o mercado foi inaugurado em 1937 e permanece como um dos principais pontos de encontro entre moradores e turistas. Conhecido principalmente pela venda de frutas regionais, verduras, peixes, carnes e produtos típicos da Amazônia, o espaço também oferece uma variedade de artesanatos produzidos por artistas locais.
O espaço funciona diariamente das 5h às 22h, e os visitantes encontram biojoias, peças decorativas, pequenos objetos inspirados nos bois-bumbás, lembranças da cidade e produtos confeccionados com matérias-primas amazônicas.
Mercado Municipal Leopoldo Neves. Foto: Uriel Vasconcelos/Amazon Sat
Artes Belas Artesanato
Outra opção para quem procura presentes e souvenirs é a Artes Belas Artesanato Parintins. Localizada na Rua Clarindo Chaves, nº 650, no Centro, a loja reúne diferentes tipos de artesanatos produzidos por artistas e oferece opções para quem deseja levar uma lembrança da viagem ou presentear familiares e amigos.
A loja, funciona de segunda a sábado, das 9h às 17h30, e possui uma diversidade de produtos que permite o visitante encontrar peças para diferentes gostos e faixas de preço, tornando o espaço uma alternativa para quem busca presentes ou recordações produzidas localmente.
A ação busca fortalecer a valorização da cultura popular amazônica, preservar a memória coletiva e ampliar o acesso às tradições do Festival Folclórico de Parintins por meio de conteúdos educativos, culturais e informativos exibidos em diferentes plataformas do Grupo Rede Amazônica.
Altas temperaturas durante o verão aumentam riscos para a pele e o sistema respiratório. Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
A chegada do verão amazônico, marcado pela redução das chuvas e pelo predomínio de dias quentes e ensolarados, pede atenção redobrada com a saúde. O aumento das temperaturas pode favorecer a desidratação, agravar doenças respiratórias e elevar o risco de problemas de pele. Para minimizar esses impactos, especialistas do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Pará (CHU-UFPA/HU Brasil) orientam a população sobre medidas simples para proteger o organismo durante esse período.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a previsão é de temperaturas acima da média em grande parte da Região Norte, cenário associado à influência do fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial.
Diante disso, a adoção de medidas preventivas ganha ainda mais relevância, sobretudo nos períodos de maior exposição ao calor e à radiação solar.
Respiração e audição merecem atenção especial
Durante o verão amazônico, é comum alternar entre ambientes externos, com temperaturas elevadas, e locais climatizados. Essa variação pode favorecer o aparecimento ou agravamento de rinite, sinusite, faringite e crises alérgicas.
O otorrinolaringologista do Hospital Universitário Bettina Ferro de Souza (HUBFS), Henderson Cavalcante, recomenda manter boa hidratação ao longo do dia, evitar mudanças bruscas de temperatura e realizar a limpeza periódica dos aparelhos de ar-condicionado.
“A boa hidratação permite que as mucosas do nariz e da garganta mantenham sua função de barreira natural contra microrganismos”, explica.
Os banhos em rios, praias e piscinas, bastante frequentes no verão amazônico, também demandam alguns cuidados. “Após os banhos, é recomendado secar bem os ouvidos e evitar o uso de hastes flexíveis, que podem causar lesões e favorecer infecções”, orienta.
Verão aumenta o risco de infecções
O aumento da circulação de pessoas em praias, ilhas, balneários e outros locais de lazer favorece a transmissão de vírus respiratórios. Segundo o infectologista do Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB), Julius Monteiro, manter a vacinação em dia e adotar medidas simples, como higienizar frequentemente as mãos, reduz significativamente o risco de infecções.
O especialista alerta, ainda, para o armazenamento adequado dos alimentos durante passeios e viagens. “As altas temperaturas aceleram a proliferação de microrganismos e aumentam o risco de doenças transmitidas por alimentos. Em viagens para praias, por exemplo, recomenda-se transportar alimentos perecíveis em recipientes térmicos e evitar consumir produtos que permaneceram muito tempo fora de refrigeração ou foram preparados em condições inadequadas”, ressalta.
Também é preciso ter atenção ao consumo de bebidas fora de casa. “É recomendável dar preferência a bebidas industrializadas e devidamente envasadas, especialmente aquelas que já vêm refrigeradas, em vez de sucos naturais ou bebidas com gelo de procedência desconhecida, já que não é possível garantir a origem da água utilizada no preparo”, explica.
Cuidados com a saúde devem redobrar no período do verão amazônico. Foto: Jader Paes/Agência Pará
Durante o período de férias e de maior circulação em locais de lazer, comum no verão, a prevenção das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) não deve ser negligenciada. O uso de preservativos nas relações sexuais, a testagem regular e o acompanhamento com profissionais de saúde reduzem o risco de transmissão dessas infecções.
A atenção também se volta para as hepatites virais, tema da campanha Julho Amarelo, que busca conscientizar a população sobre prevenção, diagnóstico e tratamento dessas doenças. Algumas hepatites podem evoluir de forma silenciosa e causar complicações graves, como cirrose e câncer de fígado. A vacinação, especialmente contra as hepatites A e B, aliada à realização de testes quando indicados, está entre as principais estratégias de prevenção.
Proteção da pele ajuda a prevenir doenças durante o verão
A combinação entre calor, umidade e maior exposição ao sol no verão favorece o surgimento de brotoejas, micoses e queimaduras solares, além de aumentar o risco de câncer de pele.
Segundo a dermatologista do HUJBB, Rossana Veiga, manter a pele bem enxugada, sem umidade acumulada, é uma medida estratégica para prevenir infecções.
“O calor associado à umidade faz com que o suor permaneça por mais tempo sobre a pele, favorecendo brotoejas e irritações, principalmente em crianças. Também é importante retirar roupas molhadas após banhos de rio, praia ou piscina e secar bem as regiões de dobras, como axilas, virilhas e entre os dedos dos pés, reduzindo o risco de micoses”, aconselha.
A especialista indica ainda reaplicar o protetor solar a cada duas horas durante a exposição ao sol, utilizar chapéus de aba larga e outras barreiras físicas de proteção, aplicar hidratante após o banho e priorizar atividades físicas ao ar livre no fim da tarde, quando a radiação solar tende a ser menos intensa.
A ingestão frequente de água também deve fazer parte da rotina. “A sensação de sede já indica que o organismo começou a perder água. Por isso, a hidratação deve ser mantida ao longo de todo o dia, principalmente entre crianças, idosos e pessoas que permanecem expostas ao calor por períodos prolongados”, destaca.
Sinais de alerta indicam quando buscar atendimento
A orientação é procurar atendimento médico diante de sintomas persistentes ou de maior gravidade, como dificuldade para respirar, febre prolongada, dor intensa de ouvido, diarreia acompanhada de sinais de desidratação, queimaduras solares extensas ou lesões de pele que aumentem rapidamente ou apresentem secreção.
Reunião ocorreu em Manaus e contou com líderes indígenas, organizações parceiras e instituições públicas. Foto: Gildo Feitosa/Apiam
Os povos indígenas Kanamary e Nadëb lançaram, no dia 7 de julho, em Manaus (AM), os Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs) das Terras Indígenas (TIs), Paraná do Boá-Boá, localizada no município de Japurá, e Uneiuxi, em Santa Isabel do Rio Negro, no extremo noroeste do Amazonas. A TI Paraná do Boá-Boá é compartilhada pelos povos Kanamary e Nadëb, enquanto a TI Uneiuxi é ocupada pelo povo Nadëb, considerado de recente contato.
Realizado pela Articulação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (Apiam) e Amazon Conservation Team – Brasil (ACT-Brasil), o evento reuniu lideranças indígenas, organizações parceiras e representantes de instituições públicas para discutir compromissos com a implementação dos planos e o fortalecimento da governança territorial indígena.
Construídos coletivamente pelos povos originários a partir dos conhecimentos tradicionais, das necessidades das comunidades e do diálogo entre diferentes gerações, os PGTAs estabelecem estratégias para temas como gestão ambiental, educação, saúde, segurança alimentar, geração de renda, proteção territorial e valorização cultural.
No encontro, uma roda de conversa debateu as alianças necessárias para transformar as propostas registradas nos planos em políticas públicas e ações concretas nos territórios, com o objetivo de aproximar organizações indígenas e instituições públicas responsáveis por apoiar a implementação da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI).
Dona Socorro Nadëb, da comunidade do Roçado, na TI Uneiuxi, fala em evento em Manaus. Foto: Natália Pimenta / ISA
Planos são resultados de Construção coletiva
Natália Pimenta, assessora do Instituto Socioambiental (ISA) no Amazonas, relembra que o PGTA da TI Uneiuxi é resultado de um longo processo de construção coletiva realizado entre 2018 e 2022, envolvendo lideranças, jovens, mulheres e homens das comunidades Roçado e São Joaquim, em cooperação com a Coordenadoria das Associações Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro (CAIMBRN), Associação das Comunidades Indígenas do Médio Rio Negro (ACIMRN).
Natália destacou a importância do momento para o movimento indígena e para o fortalecimento da gestão territorial autônoma dos povos, seguindo seus planos de vida descritos nos PGTAs. Ela lembrou ainda que o plano da TI Paraná do Boá-Boá foi publicado na própria língua Nadëb. “[O documento] registra não apenas prioridades para o bem-viver, mas também a memória, a língua, os conhecimentos tradicionais e a relação histórica do povo com o rio Uneiuxi, reafirmando o território como espaço de vida, identidade e continuidade cultural”, afirmou.
Eduardo Fonseca Castelo, liderança Nadëb, disse que o evento representou uma oportunidade para que os próprios povos indígenas apresentassem suas prioridades diretamente às instituições responsáveis por apoiar sua implementação. Segundo ele, a presença de órgãos públicos, organizações indígenas e parceiras fortalece o compromisso com a garantia de direitos e a execução das ações previstas nos planos.
“É importante que todos saibam a nossa realidade e também como nós queremos ter os nossos direitos e como pensamos o nosso futuro. Daqui para frente, podemos cobrar dessas pessoas que se comprometeram. Muitas vezes, quando não temos essa ferramenta, nossos direitos são negados e violados. Agora esperamos mais atenção para aquilo que é nosso direito, como educação, saúde, segurança, proteção do território, manejo e geração de renda”, concluiu.
Sinédrio Nadëb, da aldeia Jutaí, da TI Paraná do Boá-Boá. Foto: Natália Pimenta/ISA
Sandra Gomes Castro é liderança do povo Baré, de Santa Isabel do Rio Negro, e conta que acompanhou o processo de construção do PGTA Nadëb ao longo de quase oito anos. Ela destacou que o documento, que reúne os anseios das comunidades, agora precisa sair do papel. “O PGTA não é apenas o futuro das próximas gerações. Ele já é o presente. Tudo o que foi construído pelos próprios Nadëb agora precisa ser vivenciado e implementado”, comentou.
Sandra ressaltou ainda que a implementação dos planos é um compromisso compartilhado entre lideranças indígenas, organizações e instituições públicas, especialmente diante da vulnerabilidade do povo Nadëb, considerado de recente contato.
“As lideranças precisam assumir esse compromisso para que o PGTA fortaleça a defesa do território, da cultura, da língua e da segurança do povo”, finalizou.
PGTAS do Rio Negro
Atuando há mais de 30 anos na região do Rio Negro, em uma parceria histórica com a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), o ISA apoiou a elaboração de 12 Planos de Gestão Territorial e Ambiental em conjunto com organizações indígenas e outras instituições, fortalecendo processos de planejamento conduzidos pelos próprios povos indígenas.
Os 12 PGTAs da região do Alto e Médio Rio Negro podem ser acessados e obtidos na íntegra no acervo do ISA e no site da Foirn.
A Fundação Rede Amazônica (FRAM) apresenta a consolidação de seus relatórios anuais de atividades desenvolvidas entre os anos de 2021 e 2025. Foram anos marcados por produções intensas, novos projetos inovadores e ações de grande impacto voltadas para o público interno e externo.
Cada um desses períodos reforça o compromisso institucional com a integração e o desenvolvimento da Amazônia, a capacitação de pessoas, a articulação de parcerias estratégicas e contribuições significativas para o desenvolvimento social, ambiental, cultural, educativo e tecnológico da região.
Confira os destaques estruturados de cada ano:
Relatório Anual 2021
Mesmo enfrentando um cenário de grande instabilidade devido à pandemia de Covid-19, o ano de 2021 permitiu à Fundação ampliar suas atividades presenciais e virtuais. Alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS) e às boas práticas do Terceiro Setor, a FRAM fortaleceu sua agenda ESG.
Eixo Arte, Educação e Cultura: Realização do concurso literário Conta um Conto (tema “Minha Casa é Meu Mundo”), apoio ao projeto de reforço escolar Ler +1 e as transmissões das capacitações do projeto Repensar.
Eixo Empreendedorismo e Inovação: Realização de atividades da Semana de Ciência & Tecnologia e exibições do programa Missão Startup.
Eixo Desenvolvimento Social e Sustentabilidade: Lançamento do primeiro Selo Consciência Limpa (“Empresas que Semeiam”), a iniciativa Consciência Limpa em Ação em parceria com o Instituto SOKA, as palestras Repensar Amazônia COP26, a ação de arborização Manaus Te Quero Verde e a edição da plataforma Amazônia Que Eu Quero focada em Infraestrutura.
Em 2022, o compromisso com a Governança Corporativa e com a sustentabilidade a longo prazo ganhou ainda mais tração. A Fundação consolidou projetos de educação continuada e expandiu seu portfólio de eventos culturais e tecnológicos.
Criação do RedeLab: Lançamento da iniciativa com foco em oficinas práticas de videorreportagem, produção de conteúdo com celular, webjornalismo, audiovisual e podcast.
Educação e Cultura: Promoção cultural do evento Cidade do Jazz e a caravana itinerante e lúdica do Natal do Bem.
Inovação e Debates: Oficinas infantojuvenis do Semente de Inovação (aeromodelismo e brinquedos reciclados), as discussões do Meetup Acelera e as rodadas corporativas do Conecta Café com Inovação.
Fóruns Estratégicos: Grande temporada do Amazônia Que Eu Quero abordando eixos como energia limpa, infraestrutura, modelo econômico, empreendedorismo e florestas, além da exibição da série de TV e podcast Echos da Amazônia.
O ano de 2023 foi um período desafiador e de superproduções que consolidou a presença da FRAM em todos os seis estados da Região Norte. Pautada em uma gestão transparente e voltada para o ESG, a instituição expandiu suas entregas.
Infraestrutura e Espaços Educacionais: Inauguração e abertura ao público do Centro de Eficiência Energética (CEEA) com fins educacionais e a criação do espaço colaborativo ODS Space.
Desenvolvimento e Aceleração Social: Implementação do Programa Aurora de aceleração para organizações da sociedade civil e o lançamento do programa Casullo, focado no acolhimento e desenvolvimento de colaboradoras da empresa.
Mobilização Comunitária: Campanhas integradas do Ler +1 e ações de reflorestamento e ajuda humanitária do projeto Rede Voluntária (com plantio de árvores e entrega de cestas básicas).
Cultura e Tecnologia: Realização dos painéis universitários do Amazônia Que Eu Quero com entrega do Caderno de Soluções em Brasília, imersões do Red Lab Experience, os projetos Ópera em Rede, Círio na Rede em Macapá e a participação na Campus Party Amazônia.
Celebrando 39 anos de trajetória contínua na Amazônia, a Fundação estruturou o ano sob o lema de conectar a floresta e a cidade, gerando sementes de transformação e inclusão social.
Grandes Coberturas e Festivais Culturais: Realização do Carnaval Amazônico, do projeto cultural Pipoca Em Cena e o fortalecimento das iniciativas Círio Na Rede e Verão Na Rede.
Preservação e Diálogos Globais: Criação e preservação histórica do Memorial Bernardo Cabral e recepção dos debates globais do fórum Glocal Amazônia.
Inovação Tecnológica: Lançamento das competições de inovação do Rocket Amazônia e as atividades do Laboratório dos Sonhos.
Sustentabilidade em Foco: Painéis estratégicos do Amazônia Que Eu Quero, novas exibições do Echos da Amazônia, ampliação das ações socioambientais do Consciência Limpa, engajamento do Rede Voluntária e apoio ao esporte sustentável no XTERRA.
Comemorando a marca histórica de 40 anos de atuação, a Fundação iniciou e consolidou o ano de 2025 com o foco voltado para a “Aliança Amazônica” e a expansão de programas de impacto direto para mais de um milhão de pessoas na Região Norte.
Projetos Digitais de Impacto: Lançamento do projeto digital Parcerias que Transformam nas redes sociais, veiculando conteúdos mensais sobre os impactos gerados pelo trabalho colaborativo institucional.
Educação e Gastronomia: Lançamento de uma nova edição do projeto Rede Educa, trazendo destaque especial para a gastronomia regional, a diversidade cultural e ingredientes típicos como expressão de identidade dos povos da Amazônia.
Grandes Eventos Estratégicos: Realização do Carnaval Amazônico 2025, focado no resgate de blocos de rua, fortalecimento do Carnaboi e compensação de emissões de carbono, além do apoio institucional e recepção do Bioeconomy Amazon Summit 2025 em Manaus.
Conscientização Ambiental e de Saúde: Exibição do Rede Educa – ESG com 20 horas de programação educativa na TV, ações do Recicla Amazônia, mobilizações escolares para descarte correto de óleo de cozinha através do Consciência Limpa, além de campanhas de saúde pública contra ISTs durante os períodos festivos.
A Fundação Rede Amazônica é o braço institucional do Grupo Rede Amazônica e atua na Região Norte — abrangendo os estados do Amazonas, Acre, Amapá, Rondônia, Roraima e Pará. Com uma trajetória sólida voltada à responsabilidade socioambiental, a FRAM tem como missão capacitar pessoas, articular parcerias estratégicas e desenvolver projetos e programas estruturados que contribuem de forma direta para a proteção, integração e o desenvolvimento social, econômico e ambiental de quem vive na Amazônia.
Nova espécie do gênero Chiasmocleis foi identificado durante amostragem noturna realizada pela expedição científica do IIAP. Foto: Divulgação/IIAP
Uma expedição científica do Instituto Peruano de Pesquisa da Amazônia (IIAP), agência vinculada ao Ministério do Meio Ambiente no Peru, identificou duas possíveis novas espécies desconhecidas pela ciência na Reserva Comunal de Yanesha, localizada em Pasco. As atividades de campo ocorreram de 28 de abril a 30 de maio de 2026, período em que a equipe avaliou o estado da fauna e flora, bem como o conhecimento tradicional das comunidades nativas Yanesha, estabelecidas naquela região.
O herpetólogo Omar Rojas detectou uma possível nova espécie de sapo do gênero Chiasmocleis durante amostragem noturna. Ele apontou que esses anfíbios são miniaturizados e apresentam modificações externas, como a redução das falanges nos dedos das mãos e dos pés, e até fusões vertebrais. Ele relatou que os exemplares encontrados na reserva não ultrapassam dois centímetros de tamanho corporal, o que, somado à sua coloração marrom-escura, tornava sua descoberta significativamente difícil.
“Devido a algumas características externas e sua distribuição, intuímos que esta espécie é nova. No entanto, estudos genéticos mais detalhados serão necessários para confirmar essa hipótese”, disse ele.
Por sua vez, o ictiólogo Morgan Ruiz avaliou dez pontos estratégicos em rios e córregos de fluxo rápido, onde coletou mais de 37 espécies de peixes. Lá, ele detectou um espécime que pode ser desconhecido para a ciência, pertencente ao gênero Ancistrus, caracterizado por faixas laterais escuras de baixa intensidade nas laterais, além de manchas brancas limitadas à cabeça e região dorsal.
“A avaliação fluvial na área não apenas revelou essa possível descoberta, mas também identificou espécies-chave para alimentação local, como o boquichico, a corvina e a carachama, além de variedades de alto interesse ornamental, entre as quais se destacam a mojarra de linhas vermelhas e o carachama barbudo”, disse o especialista.
Pertencente ao gênero Ancistrus, espécie de peixe é caracterizada por faixas laterais escuras de baixa intensidade e manchas brancas limitadas à cabeça e região dorsal. Foto: Divulgação/IIAP
Outras descobertas
A expedição também revelou uma notável diversidade de aves. O ornitólogo Francisco Vásquez, por meio de censos visuais e registros de vocalização, registrou bandos mistos com até dez espécies de tangaras e cerca de 50 exemplares agrupados. Ele também observou o Galo-das-rochas-peruano ou Tunki (Rupicola peruvianus), com um ninho ativo e uma fêmea incubadora.
Os resultados também incluíram as 31 espécies de besouros do esterco coletadas pelo entomologista Julio Grandez. Essa descoberta confirma o bom estado de conservação da reserva e fornece registros inéditos da Selva Central.
A mamóloga Claudia Ramos capturou, com redes de névoa e gravadores acústicos, 120 morcegos de 26 espécies, dos quais 70% dispersam sementes nas florestas pré-montanas. Enquanto isso, Elvis Valderrama fez um inventário de mais de 300 espécies de plantas, com possíveis novos relatórios para o departamento de Pasco.
Por fim, os pesquisadores Margarita del Águila e Pedro Pérez lideraram o componente social em três comunidades nativas e seus respectivos setores: San Pedro de Pichanáz (San Pedro, Azulis e San Francisco), Alto Iscozacín (Alto Iscozacín, Puerto Herrera e Chontilla) e Santa Rosa de Pichanáz (Santa Rosa e Santo Domingo), onde catalogaram mais de 120 plantas de uso medicinal e ritual. Durante esse processo, os moradores locais alertaram sobre os impactos do desmatamento, como o aumento da temperatura e a escassez de fauna importante.
Expedição científica
A expedição científica do IIAP era composta por Elvis Valderrama, Julio Grandez, Morgan Ruiz, Claudia Ramos, Francisco Vásquez e Omar Rojas, além de assistentes de campo, guias locais e guardas florestais. Durante sua estadia na Reserva Comunal de Yanesha, registraram flora, peixes, insetos, anfíbios, répteis, aves e morcegos em dois setores da área protegida.
Expedição científica foi realizada na Reserva Comunal de Yanesha, em Pasco. Foto: Divulgação/Andina
O estudo contou com o apoio do Serviço Nacional de Áreas Naturais Protegidas pelo Estado e da sede da Reserva Comunal de Yanesha, sob a liderança de Luis Muñoz e o apoio técnico das analistas Drilda Anticona e Jhojan Doñe, além da equipe de guardas florestais. O Parque Nacional Yanachaga Chemillén também participou.
Da mesma forma, a Associação para a Gestão e Conservação da Reserva Comunal de Yanesha, juntamente com os chefes indígenas das comunidades de Alto Iscozacín, San Pedro Pichanáz e Santa Rosa de Pichanáz, coordenaram as atividades anteriores e facilitaram a apresentação do estudo a todos os habitantes da região.
A Reserva Comunal de Yanesha foi criada em 1988 e é a primeira do tipo no país. Com mais de 34.000 hectares de florestas de alta selva, abriga milhares de espécies de flora e fauna, incluindo a onça e o lobo-do-rio, considerados vulneráveis.
Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com
O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) promoveu um encontro especial no final do mês de maio destinado a debater aspectos operacionais de fundo relativamente à conclusão das obras de restauração da BR-319, Manaus e Porto Velho. Os trabalhos centraram-se, fundamentalmente, na questão governança em si e do bioma que envolve os 21 municípios localizados na área de influência da rodovia. A propósito, segundo o INPA, já foram realizadas mais de 1.200 entrevistas e oficinas com lideranças locais da região. Os relatórios conclusivos têm como propósito subsidiar Parceria Público-Privada (PPP) da BR-319, prevista para o período 2028-2048, deverão, presumivelmente, estar prontos no próximo mês de agosto.
Para o Inpa, a estratégia de governança socioambiental e territorial da estrada deve ser conduzida com base nos resultados da Avaliação Ambiental Estratégica (AAE), que vem sendo elaborada pelo Instituto e que amplia o escopo para além da área de influência direta da rodovia. Na ocasião, foram debatidas as três frentes do Plano de Governança e Gestão do Governo Federal para a interiorização sustentável da BR-319, apresentadas pelo ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco. Segundo o diretor da entidade, Henrique Pereira, “a AAE é essencial porque a rodovia já exerce pressão antes mesmo de ser recuperada.
O estudo liderado pelo Inpa, em parceria com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), a Universidade Federal de Rondônia (Unir) e o Instituto Mamirauá, propôs análises de quatro cenários: estrada precária sem governança; estrada recuperada sem governança; estrada recuperada com governança socioambiental; e governança fortalecida sem recuperação da estrada. Cerca de 40 pesquisadores das instituições parceiras participaram da elaboração do documento”, salientou.
Informe da Assessoria de Comunicações do Inpa destaca que, durante a audiência pública, o ministro do Meio Ambiente e Mudança de Clima e presidente do Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), João Paulo Capobianco, destacou que o Amazonas e Rondônia serão beneficiados e que o modelo busca “juntar meio ambiente e desenvolvimento”. A Frente de Proteção Ambiental prevê a criação de Unidades de Conservação (UCs), regularização fundiária e instalação de três portais de fiscalização nos municípios amazonenses de Humaitá, Careiro e Manicoré. Quanto às UCs, na verdade, já foram criadas 28 Unidades, sendo 11 federais, 9 do Amazonas e 8 de Rondônia, suficientes para assegurar a proteção do bioma em toda sua extensão.
As UCs criadas pelo governo amazonense incluem: 1) Parque Estadual Matupiri, com 513.747,47 ha, 2) Reserva de Desenvolvimento Sustentável Matupiri, área de 179.083,45 ha, 3) Reserva de Desenvolvimento Sustentável Igapó Açu, área de 397.557,32 ha, 4) Reserva Extrativista Canutama, com área de 197.986,50 ha, 5) Floresta Estadual Canutama, com área de 150.588,57 ha e 6) Floresta Estadual Tapauá – área: 881.704,000 ha e 7) a Floresta Nacional de Humaitá, com área de 468 790,00 ha. Não é, com efeito, por falta de medidas protetoras que a recuperação da BR-319 continue sendo considerada pelo governo Federal e ONGs ameaça à degradação ambiental do bioma.
Promessas e boas intenções à parte, contudo, essencial e prioritariamente o Amazonas demanda urgentes avanços infra estruturais e econômicos em relação à BR-319, esperando que se torne uma rodovia viva e produtiva, eixo de efetiva integração dos modais de transporte fluvial e rodoviário em benefício da economia estadual. Não apenas uma “estrada para passeio”, no entender da ex-ministra do Meio Ambiente, Marina da Silva, inimiga pública número 1 da obra e da Amazônia.
Para o engenheiro Marcos Maurício Costa da Silva, integrante do Movimento ‘Na Guerra pela BR-319”, a Manaus-Porto Velho configura eixo geopolítico estrutural imprescindível para mitigar o isolamento da região amazônica, particularmente em relação à redução de custos logísticos, escoamento da produção da Polo Industrial de Manaus (PIM), contribuição para a integração do setor primário em benefício, principalmente, da produção e escoamento de alimentos, e, por fim, promovendo estímulo ao turismo regional, polos vocacionais naturais do bioma.
Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).
Locais de isolamento: Umirizal, 1928. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal
Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br
No momento da decadência do látex e as fracassadas iniciativas do Governo Federal em salvar a produção do látex, os soldados da borracha deslocaram-se de suas terras de origem e vieram para Manaus, no Amazonas, naturalmente o destino final era o seringal onde a população que lá existia vivia momentos difíceis e de incertezas. Alguns seringais já haviam sido abandonados, assim como várias propriedades.
Nas transformações ocorridas nos anos de 1832 à 1890 na cidade de Manaus, costumes e tradições foram se perdendo no tempo. A madeira substituída pelo ferro, o barro pela alvenaria, a palha pela telha, o igarapé pela avenida, a carroça pelo bonde elétrico a navegação a remo pelos navios a vapor. Nessa época, havia uma grande preocupação em sanear a cidade, procurando retirar de circulação os pedintes e os doentes de hanseníase, cuja presença nas ruas da cidade comprometia a boa impressão a todos que visitavam a chamada Paris das selvas (Souza, O., 1997; SOUZA, M., 2001).
(…) Júlio Schweickardt (2009b), em sua tese Ciência, Nação e Religião: as doenças tropicais e o saneamento no Estado do Amazonas (1890-1930), mostra que a capital amazonense estava na vanguarda do debate médico a respeito de enfermidades como a febre amarela e malária. Além das ações de saneamento levadas a cabo pelas autoridades, pesquisadores discutiam a transmissão e as formas de combater as moléstias dentro das concepções mais avançadas da época. O debate incluía também, pesquisadores estrangeiros, que representavam instituições científicas que visitavam o Amazonas para estudar as doenças tropicais. O saneamento de Manaus começa no final do século XIX, quando as chamadas doenças do clima quente passaram a conflitar com as imagens de civilização que as autoridades politicas queriam construir. Segundo Schweickardt, a elite urbana ufanava-se pelas belezas da cidade, mas, por detrás os cortiços se multiplicavam em pleno centro obrigando estrangeiros e nacionais que trabalhavam no comércio.¹
Por esse motivo, os cortiços sofriam constantes intervenções sanitárias, especialmente no período epidemias. O subúrbio, por outro lado, concorriam com a mata e com os igarapés, dificultando qualquer ação de saneamento. As condições ambientais do subúrbio propiciavam o meio favorável à reprodução do temido Anopheles que transmitia a malária […] os costumes da população, o regime das águas e as dificuldades de saneamento contribuíam para a continuidade das doenças tropicais em Manaus. Desse modo viver na capital amazonense era perigoso, pois significavam riscos constantes de se contrair uma dessas terríveis doenças que atemorizavam os estrangeiros e migrantes (SCHWEICKARDT, 2009b, p.72).¹
Vale ressaltar que inúmeras pesquisas apontavam que a hanseníase já era reconhecida como sério problema de saúde pública na Amazônia, especialmente nos idos do ano 1800, com nos afirma o escritor Artur Viana; “Ser a hanseníase doença de importação muita antiga nas cidades de Belém e Santarém”.
Locais de isolamento: Colônia Antônio Aleixo, Paricatuba e Umirizal, 1928. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal
O médico e pesquisador Souza Araújo concluiu, à época, que a leprose já existia em Manaus, em razão do forte e intenso comércio realizado entre a nossa capital e as de Santarém e Belém.
No período de 1832 a 1890, principalmente a capital do Amazonas fora atingida por processo migratório expressivo, aumentando seu contingente populacional de 8.500 para cerca de 5.300 habitantes. Tudo isso, era possível porque estávamos no auge do período da extração do látex e influencia da Europa atingia-nos com modernidade em todos os aspectos, hábitos, vestir, comer e beber, incluindo a promiscuidade resultante de prostituição das famosas polacas.
No processo de transformação uso, costumes e tradições próprias, foram aos poucos, sendo coladas de lado, em todos os sentidos. Vale ressaltar a famosa “Rampa da Ribeira”, o celebre Porto Real, que descia para o Igarapé da Ribeira. Não mais existe o igarapé, aterrado, que serpenteava mais ou menos o local onde está o edifício colonial ocupado pela Loja 22 Paulista.
À época, 1845, a atual Praça Osvaldo Cruz não existia, pois constitui excelente obra de engenharia urbana, quando havia engenharia urbana em Manaus, o local onde está construída a Sé – Catedral era um corte quase abrupto para o rio e no alto estava a celebre olaria que promovera a transformação da cidade de Manaus, criada pelo importante Lobo D’Almada.¹
Registra a cronica que, em 1867, for recolhida a primeira hanseniana, que viviam numa palhoça em Umirizal, local situado acima de Manaus, à margem esquerda do Rio Negro. Não há dúvida de que nessa época, a hanseníase já se desenvolvia com grande intensidade no Amazonas. Os pacientes, recolhidos em estado avançado da doença eram internados na Santa Casa de Misericórdia.
Em 1891, no início da era republicana, foi criada em Manaus uma repartição de saúde pública, denominada Inspetoria de Higiene do Estado do Amazonas, que englobava o serviço de saneamento e habitação. A saúde pública era prioridade e era tratada com rigor. Em 1893, o Código de Postura do Município estabelecia uma pena alternativa de multa no valor de cem mil reis, ou cinco dias de prisão para família do paciente acometido de doença infectocontagiosa, que n]ao comunicasse o fato à Inspetoria de Higiene. No decorre do tempo em face do aumento de infectados, o Serviço do Estado foi reorganizado e ampliado na forma da Lei n. 286, de 30 de setembro de 1899.
Os primeiros levantamento estatísticos, relacionados aos casos de hanseníase em Manaus, foram organizados de 1900 a 1920. O bairro da Cachoeirinha foi o local mais detalhadamente trabalhado por ser o mais distante, apresentando um resultado de 131 casos, sendo 103 masculinos e 28 femininos. Nessa mesma época, as estimativa para todo o Amazonas tínhamos um total entre 800 e 1000 doentes.
Para proceder a um levantamento das doenças endêmicas na Amazônia em 1903, o governo do Estado entrou em ação, contratando os serviços do famoso sanitarista Osvaldo Cruz e sua equipe. Em 1903, foi construída uma casa de isolamento em Umirizal destinada a portadores de varíola e ante a impossibilidade de manter os doentes de hanseníase na Santa Casa de Misericórdia de Manaus, estes foram removidos para o respectivo local tratados e assistido pelo dr. Miranda Leão. Segundo dados dos registros da Diretoria do Serviço Sanitário, até 1921, já haviam sido recolhidos ao Umirizal 75 pacientes.
Em 12 de novembro de 1906, foi assinado pelo Governador Constatino Nery, em relação à profilaxia da hanseníase e tuberculose, determinado que:
[…] Nenhum estabelecimento em que vendam gênero alimentícios o medicamento, nem habitações coletivas, poderão empregar tuberculosos e leprosos que eliminem o bacilo especifico, sob pena de multa de 200 mil reis.²
Alfredo da Matta. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal
Por sua vez, o Decreto n. 1 1413, de 30 de maio de 1921, no seu artigo 13 enfatiza que a Direção Clínica e Administrativa da Colonia dos Leprosos e do Hospital de Isolamento ficará a cargo de um inspetor sanitário. Nesse mesmo ano assumia a chefia do Serviço de Saneamento Rural do Amazonas, o Dr. Samuel Uchôa. No ano seguinte, foi empossado no posto de Inspetor Sanitário Rural do Estado o Dr. Alfredo da Matta.
De acordo com pesquisa realizada entre 1922 e 1923, foram relacionados 1436 portadores de hanseníase no Estado do Amazonas. Até então, o cadastramento e tratamento dos pacientes eram centralizados na capital, o que torna extremamente difícil a efetivação de cuidados em favor dos pacientes residentes no interior do Amazonas, devido às distâncias e a precariedades dos meios de transporte.
No entanto, a preocupação de afastar do espaço urbano e de seus entornos os doentes de hanseníase permaneceu como no período áureo da economia do látex. Embora a nova estética urbana empreendida não tinha conseguindo bani-los do centro de Manaus, mesmo que para isso as autoridades, tenha colocado grande esforço neste sentido.
Samuel Uchôa entendia a lepra como […] o maior mal do Amazonas é a mais tremenda ameaça […] não uma simples ameaça, mas uma apavorante; uma fulminadora realidade. Por isso, ao assumir a Diretoria de Saneamento Rural em 1921, juntamente com sua equipe dedicou-se na sensibilização da sociedade para a construção de um isolamento nos moldes que consideravam adequados, isso implicava principalmente no distanciamento de Manaus, pois colônia de asilamento existente não atendia as condições necessárias para um isolamento eficaz, como constatava Uchôa. O isolamento do Umirizal é defeituoso até a própria localização perto de Manaós, no Bairro de São Raymundo, não offerece garantias, tornando-o fácil a evasão dos doentes.³
Os doentes cadastrados eram encaminhados para o leprosário “Belizário Pena” inaugurado em 1923, na localidade de Paricatuba, a margem do Rio Negro, duas horas acima da cidade de Manaus.
Com este trabalho idealizado e realizado pelo doutor Alfredo da Matta e sua equipe, passou-se a ter um certo controle dos pacientes de hanseníase.
A falta de recursos na época era o mais grave obstáculo do governo estadual, para manter os doentes internados; surgiu a partir daí a Sociedade de Assistência aos Lázaros e Defesa Contra a Lepra, coordenada pelo Dr. Alfredo da Matta, organização que ogo se estendeu a quase todos os municípios do interior do Amazonas. Em consequência da doença, muitas famílias se separavam dos entes queridos, pais ou irmãos. Em 26 de abril de 1926, na Rua Urucará, no Bairro da Cachoeirinha foi inaugurada a Creche Alice Sales, destinada ao amparo dos filhos de pacientes portadores de hanseníase.
A ‘Colonia Antônio” Aleixo” situado nas cercanias, na época o local era considerado afastado, inaugurada em 1942, pelo Governo do Estado do Amazonas, oferecia melhores condições de vida comunitária aos hansenianos internados. Esta medida amenizou, de certa forma as dificuldades enfrentadas pelo governo para localizar o grosso dos pacientes, pois o isolamento de Paricatuba só podia ser de barco. Assim, de forma lenta, porém progressiva, os doentes foram transferidos, sendo que, naquele mesmo ano, também entrou em funcionamento o educandário “Gustavo Capanema, destinado na época aos filhos de hansenianos internados.
Não só como registro histórico, mas, também por justiça destacaram-se os médicos Geraldo Rocha, Menandro Tapajós e Leopoldo Krichanã, que se dedicavam ao atendimento dos pacientes das Colonias “Antônio Aleixo Belizário Pena” e a Casa Amarela, mais tarde denominada dispensário Alfredo da Matta.
A partir de 1953, a campanha nacional contra hanseníase tomou vulto, tendo o Governo Federal feito a convocação de especialistas para elaborar o Plano Nacional de Combate à Endemia. O plano apoiava-se interiormente, na politica dos doentes em leprocômios. O Estado do Amazonas acompanhou a politica adotada.
Do dispensário ao centro de saúde
Em 28 de agosto de 1955, foi inaugurado o Dispensário Alfredo da Matta, em um prédio modesto, adaptado da antiga Casa de Trânsito, conhecida popularmente como Casa Amarela. A adaptação por esse tradicional imóvel, para funcionar como dispensário, em linhas gerais, a uma planta elaborada pela diretoria de obras do Ministério da Saúde e que serviu de modelo, para a construção e instalação de outros similares na Amazônia.
O nome dado ao dispensário foi escolhido pelos médicos: Silas C. De Andrade, Célio Mota e Menandro Tapajós, prestando uma justa homenagem ao sanitarista Dr. Alfredo da Matta, tendo como primeiro diretor o Dr. Leopoldo Krichanã.
A medida que o tempo passava, o trabalho desenvolvido no dispensário “Alfredo da Matta” foi solidificando-se e adquirindo respeitabilidade. O resultado deste trabalho deu essa instituição o reconhecimento oficial pelo Ministério da Saúde, pela Organização Mundial da Saúde e outras instituições não governamentais, sendo logo transformado em Centro Regional em Dermatologia da Região Amazônica, tendo mais tarde denominado-se em Centro de Dermatologia Tropical em Venereologia Alfredo da Matta.
Referências:
¹ RIBEIRO, Maria de Nazaré de Souza. Vidas mutiladas nos espaços da hanseníase. Júlio César Suzuki. Manaus: UEA Edições. Pág. 37.
² Instituto Alfredo da Matta. Ontem e hoje: uma história de saúde pública. Manaus: IDTVAM, 1997, organizado por Francisco Gomes.
³ O mal de hansen: exclusão, segregação geográfica e o imaginário dos higienistas em Manaus (1921-1926): Ruth Jacó Lopes. Centro Universitário do Norte – Uninorte – Licenciatura Plena em História.
MONTEIRO, Mário Ypiranga. A Catedral Metropolitana de Manaus – Sua longa história. Manaus: Edição Sérgio Cardoso, 1958.
Instituto Alfredo da Matta. Ontem e hoje: uma história de saúde pública. Manaus: IDTVAM, 1997. Organizado por Francisco Gomes.
Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.
Pesquisa da Ueap cria petiscos e farinhas a partir de restos de pescado para gerar renda a ribeirinhos. Foto: Albenir Sousa/Rede Amazônica AP
Um projeto da Universidade do Estado do Amapá (Ueap) ensina estudantes a reaproveitarem integralmente as sobras e resíduos de peixes e crustáceos que seriam descartados. A iniciativa, desenvolvida no Laboratório de Biologia Pesqueira e Beneficiamento da instituição, conta com maquinário específico para transformar o descarte de pescado em soluções sustentáveis e gerar novas alternativas de consumo regional, gerando renda para as comunidades ribeirinhas
De acordo com a coordenadora do projeto, Daniele Hoshino, a pesquisa acadêmica nasceu justamente para enfrentar o grande volume de descarte de pescado gerado todos os dias pelo setor pesqueiro. A atuação ganha destaque com a celebração do Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador nesta quarta-feira (8), reforçando a presença feminina na pesquisa acadêmica e o desenvolvimento de tecnologias sociais voltadas para a realidade das populações locais na Amazônia.
“A ideia do projeto surgiu devido a um problema, que é a quantidade de resíduo de pescado gerado diariamente. […] Se ele for tratado de forma correta, pode servir tanto para a alimentação humana como para a alimentação animal”, explicou Daniele.
Daniele Hoshino, coordenadora do projeto. Foto: Albenir Sousa/Rede Amazônica AP
Reaproveitamento de pescado gera resultados
Camarões reaproveitados geram criação de novos itens culinários. Foto: Albenir Sousa/Rede Amazônica AP
A demanda pelo estudo partiu de uma necessidade da própria comunidade local. Um dos principais focos da pesquisa é o reaproveitamento dos resíduos do camarão, gerados em grande escala em áreas ribeirinhas do Amapá, como no arquipélago do Bailique, distrito de Macapá. A coordenação afirma que as metodologias são planejadas para serem baratas e de fácil aplicação por esse público.
Entre os resultados práticos, as pesquisas já resultaram na criação de itens voltados para a culinária, usando o crustáceo de forma 100% integral.
“Nós já elaboramos diversos produtos […]. Conseguimos aproveitar integralmente o camarão. Nós geramos farinha de camarão, que pode ser utilizada para saborizar os alimentos, geramos também um petisco com base no resíduo”, destacou a coordenadora.
Integrante da pesquisa há um ano, a bolsista de iniciação científica Eloísa Freire desenvolveu uma farinha de saborização e detalhou as etapas de produção realizadas no laboratório da universidade.
“Nós fizemos primeiramente a secagem a 60 graus em estufa durante aproximadamente 48 horas, depois passou para o processo de trituração, então a gente triturou esse resíduo seco por bastante tempo para que ele ficasse bem fino. Depois adicionamos também outras especiarias como páprica, cheiro-verde, cebola, todos secos também, para que a gente ao final tivesse um produto bem desenvolvido”, explicou a estudante.
Farinha de saborização produzida a partir do reaproveitamento do pescado. Foto: Albenir Sousa/Rede Amazônica AP
Além do impacto ambiental e social nas comunidades isoladas, a iniciativa cumpre o papel de integrar o aprendizado de sala de aula com o mercado consumidor. O trabalho busca unir o conhecimento prático aos pilares básicos da formação acadêmica: ensino, pesquisa e extensão.
“Enquanto universidade, a gente se preocupa muito em trabalhar nos três eixos […]. No ensino, fazemos a aplicação das disciplinas; na pesquisa, pensamos na aplicação de novas tecnologias; e na extensão, buscamos levar as nossas tecnologias sociais além dos muros da universidade”, concluiu Eloísa.
*Por Isadora Pereira e Mariana Braga, da Rede Amazônica AP