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Pesquisa aponta presença de metais tóxicos em peixes de região do Pará

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Foto: Arquivo/ Pesquisador Fábio Albuquerque

Estudo realizado pela Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), por meio do Programa de Pós-Graduação em Sociedade, Natureza e Desenvolvimento (PPGSND), avaliou a presença de metais tóxicos — mercúrio, arsênio, cádmio e chumbo — em peixes consumidos na região. A coleta do pescado foi feita nos municípios de Faro, Juruti, Santarém e Oriximiná (Baixo Amazonas) e Itaituba (Sudoeste do Pará).

A pesquisa investigou seis espécies de peixes e avaliou a presença dos metais tóxicos sob dois cenários de consumo: o cenário brasileiro, com o consumo de 24 g/pessoa por dia, e o cenário amazônico, com 462 g/pessoa por dia. Nesse cenário amazônico, tem-se o consumo de grandes quantidades de peixe, principalmente em comunidades ribeirinhas.

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Foto: divulgação

As espécies de peixes pesquisadas são tucunaré, surubim-pintado, pirarucu e piranha, consideradas predadoras; e duas espécies não predadoras: aracu e acari. O principal critério para essa escolha foi a presença dessas espécies em todas as localidades, assim como o fato de todas serem muito valorizadas e consumidas na região.

Os pesquisadores responsáveis pela pesquisa são o doutor em Ciências Ambientais Fábio Albuquerque, colaborador do PPGSND, e o professor Antonio Minervino, docente do quadro permanente do programa. Ambos são pesquisadores do Laboratório de Sanidade Animal (Larsana) da Ufopa.

Contextos importantes da pesquisa

A escolha dos municípios para a pesquisa, assim como das espécies de pescado, deu-se com base no cenário atual da região, que enfrenta diversos desafios ambientais. Um exemplo é a mineração artesanal de ouro, em grande parte ilegal, que é uma atividade poluidora consolidada na região e responsável pela contaminação direta por mercúrio. Nos últimos anos, a mineração de ouro aumentou consideravelmente na região, com mudanças no perfil da atividade, considerando que os garimpeiros passaram a utilizar equipamentos pesados, levando a uma maior industrialização do processo e, consequentemente, a maiores danos ambientais. Esse é um cenário identificado em Itaituba.

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A região também abriga grandes projetos de mineração, principalmente de bauxita, em Porto Trombetas — no município de Oriximiná —, desde 1969, e no município de Juruti, desde 2009. O estudo destaca que o resíduo dessa prática, uma lama vermelha, contém elevada alcalinidade e pode conter metais pesados em altas concentrações. Os riscos ambientais decorrem de seu alto pH, o que pode provocar problemas de permeabilidade do solo e favorecer a mobilização de contaminantes junto a águas subterrâneas, alterando características químicas do solo ou da água.

Santarém, que diretamente não tem essas atividades minerais, é afetada porque recebe a carga de sedimentos a partir do movimento dos rios Tapajós e Amazonas, que são afetados pelas ações nos três municípios citados – Itaituba, Oriximiná e Juruti.

De acordo com a pesquisa, a região tem passado por uma rápida transformação agrícola, transitando de uma agricultura familiar para uma agricultura mecanizada industrial de milho e soja. A região do Baixo Amazonas, no Oeste do Pará, tornou-se uma nova fronteira agrícola, com aumento da área plantada com soja de apenas 25 hectares, em 2001, para 122 mil hectares, em 2024.

Tanto essa expansão agrícola quanto as atividades de mineração em curso têm impulsionado o desmatamento direto por meio da abertura de áreas e da construção de extensas redes de infraestrutura. Como o mercúrio está presente de forma abundante nos solos da região, a remoção da vegetação e a perturbação do solo promovem erosão acelerada, contribuindo para uma maior disponibilidade de mercúrio nos ecossistemas aquáticos.

Considerando que o peixe de água doce é a principal fonte de proteína em comunidades ribeirinhas, essas atividades têm impactado as populações locais, já que as espécies de peixes podem acumular elementos potencialmente tóxicos, como os metais inorgânicos.

No caso de Faro, este é um município que não é, diretamente, influenciado por águas provenientes da mineração, mas, como Santarém, sofre pressão de atividades agrícolas, desmatamento, queimadas e exploração ilegal de madeira, o que pode afetar negativamente a saúde das pessoas que consomem peixe.

Sobre os resultados da pesquisa

Os resultados do estudo mostram que peixes carnívoros apresentaram maiores níveis de mercúrio, podendo ultrapassar valores considerados seguros quando o consumo é frequente. “Altas concentrações de mercúrio se encontram nos peixes predadores, como o tucunaré, a piranha, o surubim-pintado e o pirarucu. Nos peixes não predadores (aracu e acari) foram observadas concentrações elevadas de arsênio, possivelmente associadas à exposição ao sedimento”, disse o professor Albuquerque.

No cenário amazônico, de alto consumo de peixe, os dados indicam risco à saúde ao longo da vida, principalmente por efeitos neurológicos associados ao mercúrio. Em parte das amostras, o arsênio também contribuiu para risco potencial de câncer.

Porém, de acordo com o pesquisador, o estudo não indica que os peixes estão impróprios para o consumo porque, considerando a variação dos locais, há as espécies predadoras que têm baixa concentração de substâncias tóxicas. A pesquisa, segundo ele, pretende chamar a atenção para as situações de degradação ambiental na região que podem aumentar a concentração das substâncias a níveis mais arriscados. Vale ressaltar que os metais pesados ocorrem naturalmente nos ecossistemas, mas as atividades antrópicas como mineração, desmatamento, queimadas, entre outras, vai favorecer o aumento das concentrações de metais que chegam aos organismos aquáticos”, alertou Fábio Albuquerque.

Aspectos ligados à saúde

O estudo fornece novos insights sobre os riscos carcinogênicos (representam a probabilidade de desenvolver câncer) e não carcinogênicos (efeitos adversos à saúde que não resultam em câncer), referentes aos metais pesquisados.

No cenário brasileiro de consumo de peixe, os percentuais de arsênio e cádmio resultaram em, praticamente, todos os dados com risco negligenciável, ou seja, perigo baixo. Porém, considerando o cenário amazônico, o consumo de certas espécies de peixe (acari e pirarucu) de cidades do Oeste do Pará (Faro, Juruti e Santarém) resultou em risco inaceitável para populações ribeirinhas devido à ingestão de arsênio.

De acordo com a pesquisa, as diretrizes nacionais não podem ser usadas para avaliar os riscos à saúde de elementos potencialmente tóxicos em populações amazônicas, uma vez que o consumo de peixe impacta significativamente o risco humano.

Necessidade de monitoramento ambiental

Identificação e processamento de amostras para análise de metais pesados (Laboratório da Universidade de Santiago de Compostela)

O estudo destaca que padrões nacionais de consumo e segurança alimentar não refletem adequadamente a realidade amazônica, reforçando a necessidade de monitoramento ambiental e ações de saúde pública específicas para populações com alto consumo de pescado.

Os resultados estão associados a processos ambientais e atividades humanas presentes na região, como garimpo, mineração, desmatamento e expansão agrícola, que influenciam a disponibilidade desses contaminantes nos ecossistemas aquáticos.

*por Rosa Rodrigues – Ascom/Ufopa

Amazônia ganha marca própria e inédita para potencializar turismo e ações sustentáveis

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Nova marca oficial da Amazônia Legal brasileira visa valorizar o potencial turístico da região formado por nove dos 26 estados brasileiros do país. Foto: Divulgação

Um dos territórios mais ricos, plurais e simbólicos do mundo, a Amazônia Legal Brasileira ganha, pela primeira vez, uma marca própria oficial. Fruto da parceria entre a Rotas Amazônicas Integradas (RAI) e a Embratur, a marca da Amazônia nasce para valorizar o potencial de negócios da região — formada por nove dos 26 estados do País —, bem como fortalecê-la como destino turístico nacional e internacional, valorizando e dando protagonismo a seu povo e a tudo que produz.

A iniciativa do site, posiciona o vasto território amazônico como centro e origem de uma experiência transformadora, um agente ativo com poder de influenciar, ensinar e provocar mudanças internas. A ideia é mostrar uma Amazônia vibrante, integrada, plural e acessível, que oferece um impacto amplo para quem passa por lá e gera desenvolvimento real e sustentável para quem mora na região. Contendo a maior floresta tropical do planeta, a Amazônia Legal Brasileira corresponde a cerca de 60% do território brasileiro, sendo casa para 28 milhões de pessoas.

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Ideia da marca também é mostrar uma Amazônia vibrante, integrada, plural e acessível. Foto: Divulgação

“A Amazônia reúne todos os atributos para se consolidar como um dos destinos turísticos mais relevantes do mundo. O turismo, nesse contexto, é uma ferramenta estratégica para impulsionar um modelo de desenvolvimento sustentável, baseado na geração de emprego e renda para as comunidades locais. Da floresta às cidades, toda a cadeia do território é beneficiada. Além disso, iniciativas como essa contribuem para posicionar a região no centro da bioeconomia global e para fortalecer a internacionalização de micro e pequenos empreendedores amazônicos”, destaca Bruno Reis, Diretor de Marketing Internacional da Embratur.

Marca viva

Assinado pela FutureBrand São Paulo, o projeto foi cocriado com base em uma série de pesquisas e envolvimento direto de moradores, trabalhadores, artistas e outras referências dos nove estados que formam a região. Trabalhada por anos com estéticas e posicionamentos fragmentados, agora os estados da Amazônia Legal Brasileira passam a ter como base uma marca única, que auxiliará na alimentação de todo o ecossistema de negócios e turismo, fomentando a economia sustentável da região e atraindo visitantes e investidores do Brasil e do mundo. Assim, será possível unificar, pela primeira vez, os esforços de comunicação dos estados que a formam – Acre, Amazonas, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins –, mantendo a identidade de cada um.

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Marca Amazônia
Marca reúne cores e elementos pré-definidos de acordo com a região e ocasião, ao mesmo tempo que destaca sua fauna, flora, ambiente e cultura. Foto: Divulgação

“No mundo todo, muitos dos destinos turísticos mais visitados e desejados têm marcas fortes e bem estabelecidas. A Amazônia sempre teve esse potencial, mas nunca havia reunido de forma estruturada todos os envolvidos para somar esforços em prol dessa construção. Agora, apresentamos uma marca sólida, que ilustra de forma clara a riqueza, pluralidade e efervescência da Amazônia, unindo seus principais elementos e o poder de toda a região por meio de um único conceito e design”, detalha Arnaldo de Andrade Bastos, sócio e Chief Design Officer da FutureBrand São Paulo.

Para desenvolver a marca, os especialistas se basearam, principalmente, nos desenhos naturais da Amazônia. Utilizando coordenadas reais do Rio Amazonas e seus afluentes, o alfabeto inteiro foi encontrado em imagens de satélite, formando o logo da Amazônia com curvas reais dos 25 mil quilômetros de vias navegáveis dessa bacia. Atuando como uma marca viva, ela passa a não ter apenas uma aplicação, mas sim trazendo uma série de cores e elementos pré-definidos, podendo se transformar de acordo com a região e ocasião, ao mesmo tempo que destaca sua fauna, flora, ambiente e cultura.

Garantindo maior pertencimento e a essência regional, o projeto contou ainda com uma série de profissionais e artistas de diferentes localidades do território como colaboradores, como os ilustradores Cristo, Winy Tapajós, Malu Menezes e Beatriz Belo; os fotógrafos Ori Junior e Bob Menezes; e o Instituto Letras que Flutuam, com o letrista Odir Abreu. Já a produção audiovisual de apresentação do projeto ficou a cargo da Marahu, do Pará.

Múltiplas aplicações

Selo foi criado para aplicação em grande variedade de produções locais. Foto: Divulgação

Mais do que registrar o destino como base turística, a nova marca da Amazônia também tem como meta se tornar um ativo potente na geração de negócios para as empresas, empreendedores e artesãos da região, assim como garantir a geração de renda e receita que auxilie em sua preservação. Para isso, foi criado o selo “Feito de Amazônia”, que poderá ser aplicado para uma grande variedade de produções locais, comprovando as origens amazônicas e fortalecendo essa marca dentro e fora do território brasileiro.

“Estamos falando de uma potência em arte, música, gastronomia, cultura e produção de centenas de itens para diferentes indústrias. E é justamente essa riqueza que o mundo pode agora vivenciar de forma plena: a Amazônia como uma experiência sensorial e transformadora, que se revela nos sabores, nos sons, nas cores e nos saberes da floresta. Uma jornada que impacta quem visita, mas que também fortalece quem vive e produz na região, gerando valor, orgulho e futuro para a Amazônia”, enfatiza Bruno Reis.

“O objetivo é organizar as experiências, destinos turísticos, licenciamentos e selo de origem debaixo de uma marca desejada e reconhecida no mundo todo. Queremos reforçar o convite para que o turista brasileiro e internacional venha viver a Amazônia Brasileira”, completa Gilvan Pereira, Secretário de Turismo de Rondônia.

*Com informações da assessoria

Ecoporé lança publicações sobre análise do carbono e biodiversidade em Rondônia

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Relatórios técnicos foram produzidos pelo Projeto Terra e Mata, da Ecoporé. Foto: Reprodução/Ecoporé

A preservação da Amazônia Ocidental ganha novos e fundamentais capítulos com a divulgação de dois relatórios inéditos do Projeto Terra e Mata, executado pela Ecoporé. Com apoio da Universidade Federal de Rondônia, as publicações técnicas reúnem análise do carbono e biodiversidade.

Combinando tecnologia de ponta, como monitoramento por satélite e armadilhas fotográficas, com o valioso conhecimento dos agricultores locais, os documentos revelam o impacto real da restauração ecológica no Vale do Guaporé, em Rondônia.

Leia também: Empresas criam plataforma para mapear créditos de carbono na Amazônia

Publicações reúnem informações sobre monitoramento por satélite e armadilhas fotográficas.
Monitoramento consiste em ferramentas tecnológicas como armadilhas fotográficas no Vale do Guaporé, em Rondônia. Foto: Divulgação/Ecoporé

Publicações unem natureza e produção rural

De acordo com a Ecoporé, os relatórios Experiências do Monitoramento da Biodiversidade em Áreas de Restauração Ecológica no Sudoeste da Amazônia e Monitoramento do Carbono e Avaliação do Impacto da Restauração Florestal no Sudoeste da Amazônia detalham como a natureza e a produção rural podem — e devem — caminhar juntas.

O Projeto Terra e Mata é executado pela Ecoporé, com apoio financeiro do Fundo Socioambiental Caixa e parceria da FETAGRO e Sindicatos de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Alvorada D’Oeste, Costa Marques, Presidente Medici, São Miguel do Guaporé e Urupá e Seringueiras, além de EMATER, SEDAM, EMBRAPA e UNIR.

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Para produção dessas publicações, há o profundo reconhecimento e agradecimento pelo apoio das prefeituras de Alvorada D´Oeste, Costa Marques, Presidente Médici, São Miguel do Guaporé e ao IFRO de São Miguel do Guaporé. A Ecoporé é ator oficial da Década da Restauração de Ecossistemas da ONU e faz parte da  Aliança pela Restauração na Amazônia e Sociedade Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE).

Governo Federal investe R$ 132 milhões em regularização fundiária na Amazônia

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O governo federal e a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) formalizaram contratos para desenvolver ações de regularização fundiária e assistência técnica para atender mais de sete mil famílias e auxiliar no controle do desmatamento na Amazônia Legal. 

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Com a assinatura de 14 entidades prestadoras de serviços, os contratos somam aproximadamente R$ 132 milhões e fazem parte do Programa União com Municípios,

O programa é dividido em três ciclos, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), e feito em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a Anater.

Leia também: Estudo aponta municípios da BR-319 entre prioritários para regularização fundiária no sul do Amazonas

Governo investe R$ 132 milhões em regularização fundiária na Amazônia
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O projeto prioriza pequenas propriedades rurais – imóveis com até quatro módulos fiscais – localizadas em assentamentos ou áreas de glebas públicas federais sem destinação. 

A primeira etapa será realizada nos 48 pontos prioritários para controle do desmatamento nos estados do Amazonas, Acre, Pará, Mato Grosso, Rondônia e Roraima e prevê a regularização de 2,3 milhões de hectares, para atender as cerca de 7,3 mil famílias de agricultores familiares, ocupantes de terras públicas federais ainda sem destinação ou assentados do Incra.

Edital da regularização fundiária na Amazônia

Pelo cronograma, em abril começa o processo de formação das equipes, a assinatura das ordens de serviço com cada uma das 14 entidades vencedoras. Entre as ações iniciais estão a identificação e visita aos agricultores familiares para iniciar a regularização fundiária e ambiental em terras previamente selecionadas em diálogo entre os parceiros. 

Em seguida o início do trabalho de campo com as famílias que serão atendidas. As equipes apoiarão os agricultores na implementação de práticas agroecológicas e de sistemas agroflorestais. 

A iniciativa mira na garantia da propriedade da terra e na inclusão produtiva na Amazônia. Além da regularização ambiental e fundiária, o programa também foca no apoio à Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater).

Segundo o edital do projeto, também será oferecida assistência técnica, fortalecimento da agricultura familiar e a promoção do desenvolvimento rural sustentável, para que os agricultores aprimorem sua renda de forma sustentável, mantendo a floresta em pé. 

“Essa região, marcada por uma multiplicidade de atores, incluindo comunidades tradicionais, povos indígenas, agricultores familiares, assentamentos da reforma agrária, médios e grandes empreendimentos agropecuários e unidades de conservação, demanda estratégias de atuação que considerem as especificidades locais, os conflitos pelo uso do solo, a regularização fundiária e as diferentes formas de apropriação e valorização dos recursos naturais”, diz o edital do programa. 

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é grilagem de terras?

Foto: Reprodução/ Governo do Tocantins

Ao final do terceiro ciclo, a expectativa é que o processo de regularização fundiária alcance 9,5 milhões de hectares, uma área equivale ao estado de Santa Catarina. A meta é fazer a regularização completa de cerca de 30 mil famílias.

Criado por decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em setembro de 2023, o Programa União com Municípios definiu, com base em dados oficiais, 81 municípios prioritários para o controle do desmatamento e da degradação florestal na Amazônia. Desses, 70 aderiram ao programa.

Para o desenvolvimento das ações, estão previstos investimentos de cerca de R$ 815 milhões, provenientes do Fundo Amazônia/BNDES, do Projeto Floresta+ Amazônia — implementado em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) —, além de recursos do Fundo Verde para o Clima (GCF), do Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA/MMA) e do Fundo de Defesa de Direitos Difusos do Ministério da Justiça e Segurança Pública (FDD/MJSP).

*Por Luciano Nascimento, Agência Brasil.

Governo do Amapá alerta para os riscos de picadas de animais peçonhentos no período chuvoso

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Em casos de picadas de animais peçonhentos, procure atendimento médico imediatamente. Foto: Gabriel Maciel/Sesa

Com a intensificação do período chuvoso, a área da saúde alerta para o aumento do risco de acidentes com animais peçonhentos, como cobras, aranhas e escorpiões. A umidade e o acúmulo de água favorecem o aparecimento desses animais, tanto em áreas urbanas quanto rurais, sendo os trabalhadores do campo os mais afetados na maioria dos casos.

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Dados do Hospital de Emergência apontam que, desde janeiro, já foram registrados 53 casos de acidentes com animais peçonhentos, sendo 21 relacionados a picadas de escorpião.

Governo do Amapá alerta para os riscos de picadas de animais peçonhentos no período chuvoso
Cobra da espécie comboia, conhecida como jararaca-do-norte, animal peçonhento. Foto: Reprodução/ Agência de Notícias do Amapá

Leia também: Saiba como se prevenir de acidentes com animais peçonhentos durante o inverno amazônico

Diante desse cenário, especialistas reforçam que, em caso de acidente, não é recomendado recorrer a práticas caseiras, como tentar sugar o veneno ou fazer torniquete, pois essas medidas podem agravar o quadro. A orientação correta é lavar o local da picada com água e sabão e procurar atendimento médico imediatamente.

Gabriel Miranda, enfermeiro responsável técnico do setor de trauma do HE. Foto: Gabriel Maciel/Sesa

“O atendimento rápido faz toda a diferença. Práticas inadequadas podem piorar o quadro do paciente. O ideal é manter a calma, higienizar o local e buscar assistência o quanto antes”, orienta.

O enfermeiro responsável técnico do setor de trauma do Hospital de Emergência, Gabriel Miranda, destaca a importância da condução adequada nos primeiros momentos.

Além disso, é importante relatar ao profissional de saúde o máximo de informações possíveis sobre o acidente, como local, sintomas e, se possível, características do animal. Também é recomendado manter a vítima hidratada e o membro atingido em posição elevada.

O alerta também se estende às crianças, que estão mais vulneráveis a esse tipo de acidente. Um exemplo é o caso do garoto José Vitor, que mora em Mazagão Novo. Ele foi picado ao pegar um objeto no chão enquanto brincava. A cobra, da espécie comboia, conhecido como jararaca-do-norte, provocou sintomas de envenenamento nas primeiras horas, e o menino precisou ser encaminhado ao Hospital da Criança e do Adolescente em Macapá.

Leia também: O que fazer ao encontrar um animal peçonhento em casa?

Médico do HCA, Roberto Dourado. Foto: Junior Nery/Sesa

Em 24 horas as consequências do envenenamento já eram consideradas graves, o garoto recebeu todo suporte para esse tipo de ocorrência e sucesso na recuperação. O médico do Hospital da Criança e do Adolescente (HCA), Roberto Dourado, reforça que o atendimento precoce é fundamental para evitar complicações.

“Quanto mais rápido a criança receber atendimento, menores são os riscos de agravamento. Os sintomas podem evoluir de forma acelerada, por isso é essencial não esperar e procurar imediatamente uma unidade de saúde para avaliação e tratamento adequados”, explica o médico.

Após o atendimento inicial, o paciente deve ser acompanhado por profissionais de saúde, que irão avaliar a evolução do quadro e indicar o tratamento adequado, conforme o tipo de acidente e os sintomas apresentados.

*Por Roberta Corrêa, Agência de Notícias do Amapá.

MAZ Música destaca ritmos da floresta e reúne artistas de comunidades tradicionais

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Maracás, tambores, flautas e música eletrônica vão dividir o mesmo palco na edição de abril do MAZ Música, projeto do Museu das Amazônias (MAZ) que valoriza a sonoridade da maior floresta tropical do mundo. A programação acontece nesta sexta-feira, 10, a partir das 18h, na área externa do museu, no Complexo Porto Futuro, com entrada gratuita, em Belém.

Nesta edição, o projeto homenageia comunidades tradicionais da Amazônia, como os povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos, reunindo artistas e mestres da cultura em apresentações que evidenciam a música como linguagem de memória, identidade e resistência.

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DJ Kabocla vai abrir a programação gratuita na próxima sexta-feira, 10, a partir das 18h, no Complexo Porto Futuro, em Belém. Foto: Divulgação/ DJ Kabocla

A abertura da noite fica por conta da DJ Kabocla, a partir das 18h, com sets que misturam  música eletrônica com saberes indígenas e sons da floresta.

Na sequência, o público confere o show do “Toró Misterioso”, encontro entre a banda quilombola Toró Açu, do quilombo do Abacatal, em Ananindeua, e a Batucada Misteriosa, grupo de carimbó formado por jovens de Icoaraci e da Ilha de Cotijuba. A apresentação propõe um carimbó urbano e autoral, que dialoga com tradições ribeirinhas, quilombolas e contemporâneas. A apresentação conta ainda com participações especiais dos mestres Nego Ray e Luiz Pontes.

Batucada Misteriosa é o grupo de carimbó formado por músicos de Icoaraci e da Ilha de Cotijuba, com carimbó autoral. Foto: Arquivo/ Batucada Misteriosa

Leia também: ‘Os Poderosos Treme-Terra’: HQ de ficção envolve heróis, imaginário amazônico e música

A programação terá início às 14h, na varanda do museu, com a oficina “Curadoria musical indígena e discotecagem”,  com a DJ Kabocla. As inscrições são gratuitas e realizadas no local, minutos antes da atividade. A classificação é a partir de 16 anos.

“O MAZ Música de abril convida o público para escutar as vozes ancestrais da Amazônia. Ao homenagear a musicalidade dos povos tradicionais, como dos povos tradicionais, reforçamos a importância de valorizar saberes, ritmos e histórias que resistem e seguem vivos até hoje. Celebrar o mês dos Povos Indígenas, marcado pelo 19 de abril, é também reconhecer a potência cultural desses povos e seu papel fundamental na identidade amazônica”, explica a coordenadora de programação do Museu, Gabriele Martins. 

MAZ Música – Programação:

14h – Oficina: Curadoria musical indígena e discotecagem

Varanda do Museu das Amazônias| 16 anos | Gratuito

18h – Shows MAZ Música

Área externa do Museu das Amazônias| Livre | Gratuito

*Por Amanda Engelke, da Secretaria de Cultura do Pará

Manaus recebe líderes da navegação interior nos Diálogos Hidroviáveis

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Manaus será palco de um dos mais relevantes encontros da logística nacional nos dias 22 e 23 de abril de 2026. Integrando a programação oficial da NN Logística — maior feira da indústria fluvial da América Latina — os DIÁLOGOS HIDROVIÁVEIS chegam como um espaço qualificado de debate, articulação e construção de soluções para o presente e o futuro da navegação interior no Brasil.

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Com curadoria da Agência de Desenvolvimento Sustentável das Hidrovias e dos Corredores de Exportação (ADECON) e da Associação Brasileira para o Desenvolvimento da Navegação Interior (ABANI), o evento reúne autoridades públicas, lideranças empresariais, especialistas e pesquisadores em uma programação intensa, que combina visão estratégica, inovação e troca de conhecimento aplicada.

O evento reúne autoridades públicas, lideranças empresariais, especialistas e pesquisadores. Foto: divulgação

O presidente da ADECON, Adalberto Tokarski, afirma que “o DIÁLOGOS HIDROVIÁVEIS é hoje o principal espaço de debate qualificado sobre política pública, infraestrutura e regulação da navegação interior no Brasil. Em Manaus, nos dias 22 e 23 de abril, reuniremos as principais autoridades e especialistas do setor para discutir, com profundidade técnica, os desafios e oportunidades das hidrovias brasileiras”.

Ele destaca ainda que, nesta edição, o evento amplia seu escopo ao incorporar a pauta da indústria naval.

“Trata-se de um tema de grande relevância, especialmente neste momento em que o governo federal, por meio do Fundo da Marinha Mercante, direciona volumes expressivos de recursos para o setor, impulsionando uma forte retomada da capacidade produtiva dos estaleiros nacionais. É um ambiente em que sustentabilidade, inovação e eficiência operacional são tratadas de forma integrada, orientando a construção de soluções que ampliem a utilização das nossas hidrovias e fortaleçam seu papel como eixo estruturante da logística nacional.”

Realizado no Centro de Convenções Vasco Vasques, em Manaus, o encontro ocorre dentro de um ambiente que já projeta recordes: a NN Logística 2026 terá crescimento de 10% em sua área, reunindo mais de 100 expositores e 400 marcas nacionais e internacionais, além da expectativa de receber mais de sete mil visitantes e movimentar negócios superiores a R$ 400 milhões.

Conteúdo estratégico e nomes de peso

A programação dos DIÁLOGOS HIDROVIÁVEIS foi estruturada para abordar, de forma técnica e aprofundada, os principais desafios e oportunidades da navegação interior e da indústria naval brasileira.

Logo na abertura oficial, representantes de instituições como o Ministério de Portos e Aeroportos (MPOR), ANTAQ, DNIT, Infra S.A., além de entidades setoriais como ADECON, ABANI, ATP, AMPORT, FENOP e ABTP, destacam o papel estratégico das hidrovias para o desenvolvimento econômico da Amazônia e do país.

O evento será realizado no Centro de Convenções Vasco Vasques, em Manaus.
O evento será realizado no Centro de Convenções Vasco Vasques, em Manaus.

Entre os temas centrais já confirmados, destacam-se os painéis:

“A Indústria Naval como Vetor Estratégico de Desenvolvimento Nacional e Regional”; “Políticas Públicas, Instrumentos de Fomento e Ambiente Institucional da Indústria Naval”; “Construção, Manutenção e Modernização da Frota de Navegação Interior”; “Sustentabilidade, Inovação e Transição Tecnológica na Indústria Naval”; “Desenvolvimento da política pública da navegação interior”; “Crise Climática e Adaptações na Navegação Fluvial (Flutuantes – Taxa de seca/ LWS – Low Water Surcharge) / Soluções (Dragagem – Concessões)”; e “Manaus Moderna – Projeto, Execução e Projeções”, consolidando uma agenda robusta e alinhada aos principais desafios e oportunidades do setor no Brasil.

Entre os palestrantes e debatedores confirmados estão Otto Burlier (MPOR), Wilson Pereira de Lima Filho e Renildo Barros (ANTAQ), Edme Tavares de Albuquerque Filho (DNIT), Ian Guerriero – Superintendente (BNDES),Cristiano Della Giustina (Infra S.A.), Daniel Aldigueri e Eliezé Bulhões Carvalho (MPOR), além de Eduardo Queiroz (ANTAQ) e Ian Guerriero e Felipe Borim Villen (BNDES).

Também participam lideranças de entidades estratégicas, como José Rebelo III (ABANI), Adalberto Tokarski e Edeon Vaz Ferreira (ADECON), Murillo Barbosa e Gabriela Costa (ATP), Flávio Acatauassú (AMPORT), Sergio Aquino (FENOP) e Jesualdo Silva (ABTP).

A programação reúne ainda executivos e especialistas do setor produtivo e da engenharia naval, como Fábio Vasconcelos (Estaleiro Rio Maguari), Deborah Camely (Estaleiro Juruá), Mariana Pescatori (Hidrovias do Brasil), Darlan Carvalho (LHG Mining), Marcio Cavalcanti (Grade Consultoria), Luís Fernando Resano (ABAC), Marcelo Di Gregório (Superterminais), Pedro Ventura (Robert Allan Ltd.), Hito Braga (UFPA) e Luís de Mattos (SOBENA).

Ambiente ideal para conexões e oportunidades

Mais do que um ciclo de debates, os DIÁLOGOS HIDROVIÁVEIS se consolidam como um espaço estratégico para networking qualificado, geração de negócios e aproximação entre diferentes elos da cadeia logística.

Profissionais do setor, estudantes e pesquisadores terão a oportunidade de interagir diretamente com tomadores de decisão, conhecer tendências globais e participar de discussões que impactam diretamente o futuro da infraestrutura e da economia brasileira.

A expectativa é de que o evento fortaleça o papel da Amazônia como protagonista no desenvolvimento da navegação interior, impulsionando soluções sustentáveis e integradas para os desafios logísticos do país.

Serviço

  • O que? Diálogos Hidroviáveis – NN Logística 2026
  • Onde? Centro de Convenções do Amazonas Vasco Vasques – Av. Constantino Nery n.º 5001, Flores, esquina com Av. Pedro Teixeira – Zona Centro-Sul
  • Quando? 22 a 24 de abril de 2026 – 14h às 21h
  • Informações: https://nnlogistica.com.br
  • Credenciamento para visitação (gratuito) AQUI:

Projetos da Amazônia fortalecem proteção territorial e geram renda aos indígenas

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Projetos na Amazônia fortalecem proteção territorial e geram renda com protagonismo indígena. Foto: André+Carioba

Projetos apoiados pelo Fundo LIRA/IPÊ fortalecem a proteção de territórios e impulsionam a bioeconomia na Amazônia Legal, com participação direta de milhares de indígenas e comunidades tradicionais. As iniciativas articulam organizações locais em diferentes estados e combinam conhecimento tradicional, tecnologia e gestão territorial para gerar renda, fortalecer a governança e conservar a floresta.

Para Neluce Soares, coordenadora do Fundo LIRA/IPÊ, os resultados evidenciam um modelo consistente de desenvolvimento a partir dos territórios.

“Quando os investimentos chegam diretamente às organizações locais, é possível fortalecer a governança, gerar renda e proteger a floresta ao mesmo tempo. São soluções que nascem dos territórios e respondem a desafios globais”, afirma.

Leia também: Comunidades indígenas do Xingu usam tecnologia para proteger território de atividades ilegais

Proteção territorial

Na região do Xingu, mais de 7.300 indígenas foram diretamente beneficiados por ações de gestão territorial e fortalecimento institucional. O trabalho envolveu cinco Terras Indígenas, com a realização de 225 missões de vigilância e a implementação de instrumentos de gestão em uma área próxima a 10 milhões de hectares.

O uso de tecnologias como drones, GPS e sistemas de monitoramento, aliado ao conhecimento ancestral, tem ampliado a capacidade de proteção dos territórios.

“Através do trabalho com o drone, localizamos um acampamento de madeireiros próximo à aldeia. Isso facilitou nossa atuação”, afirma Awanene Parakanã, da Associação Indígena Tato’a (TATOA).

Proteção territorial
Área territorial da região do Xingu. Foto: Reprodução/Norte Energia

Além da proteção territorial, as iniciativas também fortalecem cadeias produtivas da sociobiodiversidade em diferentes regiões da Amazônia. No Alto Rio Negro, mais de 4.900 indígenas participaram da implementação de Planos de Gestão Territorial e Ambiental em três Terras Indígenas, totalizando 10,2 milhões de hectares. Os projetos contribuíram para a geração de R$ 2,5 milhões em faturamento com produtos e serviços, ampliando o acesso a mercados municipais, estaduais e nacionais.

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Em Rondônia e no Acre, organizações apoiadas ampliaram a produção e a base de cooperados, consolidando cadeias produtivas e fortalecendo a gestão local. No território Xipaya, a estruturação de uma miniusina de beneficiamento ampliou a produção de óleos vegetais e outros produtos da sociobiodiversidade, fortalecendo a geração de renda e a autonomia das comunidades.

Os impactos também se refletem na melhoria das condições de vida. Na Terra Indígena Trincheira Bacajá, a perfuração de poços e a instalação de sistemas de bombeamento com energia solar garantiram acesso contínuo à água potável, reduzindo doenças e fortalecendo a segurança alimentar. “Hoje temos água limpa para todas as nossas crianças. Antes, elas ficavam doentes ao beber água do igarapé”, relata Printkore Xikrin, cacique da aldeia Ngôkôndjâm, da Associação ABEX.

Os projetos ainda impulsionam o protagonismo das mulheres em diferentes territórios. No Alto Rio Negro, mulheres Baniwa vêm ampliando sua atuação na produção e comercialização de produtos da sociobiodiversidade, fortalecendo a autonomia econômica, a organização comunitária e sua participação nas decisões locais.

Para Fabiana Prado, gerente do Fundo LIRA/IPÊ, os resultados reforçam o papel estratégico de iniciativas que conectam conservação, economia e governança. “A experiência mostra que é possível integrar proteção ambiental, geração de renda e fortalecimento institucional. Esses projetos demonstram que a Amazônia tem caminhos concretos para um desenvolvimento sustentável baseado nos territórios”, afirma.

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Sobre o Fundo LIRA

O Fundo LIRA é uma iniciativa de apoio a projetos de impacto socioambiental em áreas protegidas. É uma iniciativa do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas que atua de forma integrada, combinando financiamento, desenvolvimento institucional das organizações de povos e comunidades tradicionais, gestão do conhecimento, inovação e articulação com políticas públicas. Ao trabalhar em rede e a partir das realidades territoriais, o LIRA contribui para a conservação da biodiversidade, justiça climática, consolidação das organizações locais e a construção de estratégias duradouras para os territórios amazônicos.

Mais informações sobre o LIRA podem ser conferidos neste link.

Fundo LIRA também incentiva projetos de impactos socioambientais para milhares de pessoas. Foto: Synergia Socioambiental

Pesquisadores instalam estação meteorológica em Alvarães para monitorar clima na Amazônia

Estação meteorológica busca ampliar a rede de monitoramento climático na região da Amazônia Central. Foto: Bianca Darski

Pesquisadores do Instituto Mamirauá instalaram uma estação meteorológica na comunidade Bom Jesus da Ponta da Castanha, localizada na Floresta Nacional de Tefé, no município de Alvarães (AM). A ação, organizada em parceria com os comunitários, busca ampliar a rede de monitoramento climático na região da Amazônia Central e fortalecer a resiliência das comunidades por meio de informações úteis para a adaptação às mudanças climáticas.

Esta é primeira estação meteorológica instalada no âmbito do projeto Lagos Sentinelas da Amazônia. A estação medirá informações para a compreensão do clima na região onde está localizado o Lago de Tefé, como temperatura e umidade do ar, direção e velocidade do vento, radiação solar e quantidade de chuva. Outras quatro estações serão instaladas, uma para cada lago monitorado no projeto: Lago de Coari, Lago de Janauacá, Lago de Serpa, no estado do Amazonas, e Lago Grande de Monte Alegre, no Pará.

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estação meteorológica na comunidade Bom Jesus da Ponta da Castanha, localizada na Floresta Nacional de Tefé, no município de Alvarães (AM).
Estação meteorológica foi instalada na comunidade Bom Jesus da Ponta da Castanha, localizada na Floresta Nacional de Tefé, em Alvarães (AM). Foto: Bianca Darski/Instituto Mamirauá

De acordo com Daniel Michelon, pesquisador do Grupo de Geociências e Dinâmicas Ambientais na Amazônia do Instituto Mamirauá, medir variáveis meteorológicas é fundamental para entender como o clima está mudando na região amazônica, especialmente em áreas protegidas como a Flona de Tefé. “Essas variáveis controlam diversos processos ambientais, incluindo o nível dos lagos, a ocorrência de secas e cheias, e o funcionamento dos ecossistemas. Esses dados também são fundamentais para compreender as interações entre atmosfera, floresta e corpos d’água, além de alimentar e validar modelos climáticos e ecológicos e de previsão do tempo”, explica o pesquisador.

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Benefícios da estação

O coordenador do projeto Lagos Sentinelas da Amazônia e pesquisador do Instituto Mamirauá, Ayan Fleischmann, destaca a importância da parceria com a comunidade Bom Jesus da Ponta da Castanha, e demais comunitárias do Lago de Tefé, para a instalação da estação meteorológica. “Essa estação vai nos ajudar especialmente porque queremos mantê-la por muito tempo para entender como as mudanças climáticas têm afetado o clima da região. Quando falamos em clima, temos que entender em longo prazo, mais de 10 anos idealmente, 30 anos ou mais. Queremos medir ao longo do tempo como a temperatura e chuva tem mudado, se eventos de chuva extrema tem se intensificado nesses anos em relação ao passado… Tudo isso pode ser analisado com a estação meteorológica automática que instalamos. Sabemos que o clima tem mudado. Temos visto ondas de calor muito intensas, tanto no ar quanto na água, entre outros impactos muito fortes das mudanças climáticas, no clima da região de Tefé, Alvarães, da Floresta Nacional de Tefé como um todo”.

Diante de um cenário cada vez mais frequente de eventos climáticos extremos, como as secas históricas que ocorreram em 2023 e 2024 no Amazonas, pesquisadores do Instituto Mamirauá e de outras instituições concentram esforços para coletar e analisar informações nos ecossistemas aquáticos na região. Com dados de longo prazo e em ampla escala geográfica, o objetivo é entender as consequências desses eventos extremos e prever a sua ocorrência, de forma a subsidiar políticas públicas para reduzir a vulnerabilidade de quem vive e depende dos ecossistemas aquáticos amazônicos. “Para os moradores da Flona Tefé, essas informações ajudarão a entender melhor os padrões de chuva, seca e vento, apoiando o planejamento de atividades locais e fortalecendo a capacidade de adaptação às mudanças climáticas”, explica Daniel Michelon.

Moradores da Comunidade Bom Jesus da Ponta da Castanha decidiram o local da instalação da estação meteorológica e discutiram os benefícios para a comunidade. O comunitário Jucelino Oliveira da Costa explica que para ele é motivo de muito orgulho ter uma estação na comunidade. “Conseguir esta estação através do conhecimento e da parceria é motivo de muito orgulho. A gente não tem como saber o quanto está quente ou frio, então tendo um aparelho que mede isso, a gente vai passar a saber, quanto graus está, o que secou, o que choveu”, explica Jucelino Costa.

Moradores da Comunidade Bom Jesus da Ponta da Castanha
Moradores aprovaram a instalação da estação meteorológica na Comunidade Bom Jesus da Ponta da Castanha. Foto: Bianca Darski/Instituto Mamirauá

Silas Rodrigues, presidente da comunidade, aponta que para os comunitários será importante acompanhar como está o clima. “Envolvendo as escolas, quem sabe não pode surgir o interesse de saber o que é uma estação e o que ela faz? Pode surgir pessoas que se interessam pela área de meteorologia e se formar nessa área. Vamos ficar próximos, acompanhando”, destaca o presidente.

Rede de monitoramento climático e ambiental

O Instituto Mamirauá, por meio do Grupo de Pesquisa em Geociências e Dinâmicas Ambientais na Amazônia, mantém desde 2023 uma rede de monitoramento climático e ambiental, composta por quatro estações meteorológicas distantes entre si por mais de 80 quilômetros. As estações estão localizadas na cidade de Tefé e nas unidades de conservação Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (Uarini, AM) e Floresta Nacional de Tefé (Alvarães, AM). Além dos dados meteorológicos, também é medido diariamente o nível da água do rio ou do lago com uso de uma régua.

Os dados monitorados são divulgados mensalmente em diferentes canais, como rádio, e-mail e o grupo de whatsapp do Boletim das Águas do Médio Solimões. O grupo foi criado em 2023 e atualmente conta com mais de 900 membros, em sua maioria moradores da região. Além de dados meteorológicos da região do Médio Solimões, são divulgadas informações hidrológicas como o nível do rio do Alto Solimões e de afluentes como os rios Japurá e Negro.

Mapa da rede de monitoramento climático e ambiental do Instituto Mamirauá. Foto: Divulgação/ Instituto Mamirauá

Sobre o projeto Lagos Sentinelas da Amazônia

O projeto “Lagos Sentinelas da Amazônia: Centro Transdisciplinar para Compreensão das Dinâmicas Socioambientais e das Águas Amazônicas sob Mudanças Climáticas” é uma iniciativa que reúne pesquisadores, gestores públicos e comunidades ribeirinhas com o objetivo de compreender e monitorar, de forma colaborativa, os impactos das mudanças climáticas nos lagos da Amazônia Central e possíveis soluções, especialmente para comunidades que vivem no entorno.

A iniciativa teve início diante dos cenários alarmantes enfrentados pelas águas amazônicas nos últimos anos. Lagos da região se mostraram particularmente sensíveis às mudanças climáticas, sendo impactados por secas extremas que ocasionaram a morte de diversas espécies — entre elas, centenas de botos nos lagos Tefé e Coari, no Amazonas —, além de afetar milhares de pessoas que vivem nessas regiões. Nesse contexto, devido ao fato de os lagos estarem em posições mais baixas na paisagem, eles funcionam como “sentinelas” porque recebem, abrigam, acumulam e refletem tudo que está em seu entorno.

O projeto é coordenado pelo pesquisador do Instituto Mamirauá, Ayan Fleischmann e é financiado pela chamada CNPq/MCTI/FNDCT nº 19/2024 – Pró-Amazônia, voltada à criação de Centros Avançados em Áreas Estratégicas para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia. O projeto também conta com apoio da Fundação Gordon e Betty Moore, WCS, Fapeam, Sedecti e Governo do Amazonas, além da participação de 15 instituições nacionais e internacionais.

Entre as instituições parceiras do projeto, estão: Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio), Instituto Tecnológico Vale (ITV), Serviço Geológico do Brasil (SGB), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade de Brasília (UnB), Sociedade para a Pesquisa e Proteção do Meio Ambiente (Sapopema), Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD), Instituto Cary e Universidade Bangor e Universidade da Califórnia em Santa Bárbara (UCSB).

Sobre o Instituto Mamirauá 

O Instituto Mamirauá é uma Organização Social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) que atua por meio de programas de pesquisa, manejo de recursos naturais e desenvolvimento social na Amazônia, tendo como linhas de ação principais a aplicação da ciência, tecnologia e inovação na conservação e uso sustentável da biodiversidade amazônica, bem como a construção e consolidação de tecnologias sociais e programas de manejo em parceria com comunidades tradicionais. 

Área da aldeia indígena Gamir, em Rondônia, passa por processo de restauração florestal

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A restauração florestal na Aldeia Gamir, localizada na Terra Indígena Sete de Setembro, em Rondônia, atingiu um marco importante neste primeiro trimestre de 2026. Em visita técnica realizada pela Ecoporé, a área de 70 hectares está em fase inicial de restauração e as primeiras impressões já demonstram sinais de crescimento surpreeendente de recuperação.

Através do projeto Regenera, a transformação já é aparente. Antes, a área apresentava solo compacto e sem vida, decorrentes da pecuária extensiva sem práticas de manejo sustentável das pastagens. Agora, toda a região já conta com espécies leguminosas plantadas.

Para o vice-cacique geral do povo Paiter Suruí e cacique da Aldeia Gamir, Uraan Suruí, a parceria com a Ecoporé e o Projeto Regenera veio fortalecer um desejo que já pulsava na comunidade.

“Antes mesmo do projeto começar, nós já vínhamos realizando nossas próprias ações de restauração. Isso sempre fez parte da nossa visão de recuperar, proteger e produzir de forma equilibrada. Agora, com o apoio da Ecoporé, esse trabalho se torna mais concreto. É como somar forças: o conhecimento ancestral com o suporte técnico para potencializar os resultados”, afirmou o vice.

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Restauração florestal na Aldeia Gamir conta com espécies leguminosas plantadas na região. Foto: Acervo Ecoporé
Restauração florestal na Aldeia Gamir conta com espécies leguminosas plantadas na região. Foto: Acervo Ecoporé

O caminho da restauração

O processo de restauração foi planejado estrategicamente para priorizar a saúde do solo. O primeiro passo foi construir os acordos com a comunidade. A partir daí remover o principal fator de degradação, que consistia em uma gramínea exótica, e preparar o solo. Com a área livre, iniciou-se o plantio de espécies leguminosas, como o feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) e o feijão-guandu (Cajanus cajan).

Essas espécies desempenham um papel vital na fixação biológica de nitrogênio, recuperando a fertilidade do solo de forma natural e eficiente, controlando o crescimento das espécies exóticas, eliminando a necessidade de agrotóxicos e contribuindo para a germinação de espécies florestais nativas.

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Dados

Os dados coletados em campo através de monitoramento e medições em parcelas confirmam o sucesso da metodologia:

  • 1º Talhão (Dezembro/2025): Com aproximadamente 40 hectares, as plantas já atingem 1,80m de altura. A floração já começou, indicando uma excelente expectativa para a colheita de sementes.
  • 2º Talhão (Fevereiro/2026): Implantado de forma estratégica para otimizar o manejo da comunidade, permitindo que a colheita das sementes do primeiro talhão coincida com o ciclo de manutenção.

Para Marcos Souza, supervisor técnico da Ecoporé, a metodologia tem dado certo.

“Nossas visitas técnicas confirmam o que os olhos já veem: a terra está ganhando vida nova. Sem o uso de uma gota de veneno, as plantas nativas estão vencendo naturalmente o mato invasor. O solo, antes cansado, agora está recuperando seus nutrientes e sendo protegido por um manto verde de vegetação que não para de crescer”, afirma Marcos.

Impacto Social e Futuro

Mais do que uma recuperação ecológica, o projeto foca na geração de renda. As sementes produzidas nestas áreas serão colhidas pelos indígenas, replantadas ou negociadas para outros projetos de restauração, garantindo a sustentabilidade ecológica e financeira para as famílias. A partir do segundo ano, o projeto evolui para a implementação de Sistemas Agroflorestais (SAFs), integrando a produção de alimentos com a floresta em pé, sempre com a decisão e participação ativa da comunidade indígena.

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Marcos de Souza, supervisor, faz panorama na TI com vice-cacique geral do povo Paiter Suruí, Uraan Suruí. Foto: Acervo Ecoporé

“Para mim, como liderança e como filho desse território, essa restauração é mais do que plantar árvores, é reconstruir a vida. Ver esses hectares sendo recuperados é como ver nosso próprio futuro sendo replantado com as nossas mãos, garantindo harmonia ambiental, social e econômica para as próximas gerações”, resume Uraan.

Esta iniciativa conta com o suporte das sementes disponibilizadas pela RESEBA, executada pela  Ecoporé e realizada através do Projeto Regenera, com apoio da The Caring Family Foundation. Promove a agricultura regenerativa na Amazônia,  fortalece a bioeconomia e a restauração ecológica, tudo isso  sem que a floresta precise ser derrubada.

*Com informações da assessoria