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Estudo aponta que calor extremo causa mais mortes por doenças respiratórias no país; saiba o cenário da região Norte

Por ser um país com dimensões continentais, estudo têm cenários e resultados diferentes em algumas regiões do país. Foto: Rovena Rosa

A cada ano, o Brasil registra 6 mil mortes por doenças respiratórias relacionadas a temperaturas extremas – isto é, quando o calor ou o frio superam aquilo que o corpo humano consegue tolerar. É o que aponta uma pesquisa da Unicamp que analisou mais de um milhão de óbitos registrados em 646 municípios brasileiros ao longo de 11 anos. As descobertas se tornam mais urgentes diante das mudanças climáticas, que intensificam a frequência e a gravidade dos extremos térmicos no país e no mundo.

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O estudo aponta que 6% das mortes por causas respiratórias, cerca de 66 mil casos, que ocorreram no Brasil de 2010 a 2020 estão relacionadas a temperaturas fora do ponto de menor risco, estimado em 22,4°C para o país. O calor responde pela maior parte desse impacto (4,27% das mortes por doenças respiratórias), enquanto o frio representa 1,81% dos casos, segundo dados do artigo publicado na revista PLOS Climate. Segundo os autores, foi a primeira vez que um estudo mapeou a relação entre temperatura e mortalidade respiratória em nível nacional no Brasil. O achado central, de acordo com eles, contraria o senso comum: o maior vilão não é o frio, mas o calor.

Fotos: Rovena Rosa

À medida que as temperaturas médias sobem e as ondas de calor se tornam mais frequentes e intensas devido às mudanças climáticas, a tendência é de que esse quadro se agrave.

“Nosso trabalho mostra que isso de fato acontece e é um problema. Se pensarmos em 6 mil mortes por ano, é um custo muito grande”, diz Guilherme Coelho, médico de família e primeiro autor do estudo. Ele desenvolve seu doutorado no Departamento de Tocoginecologia da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp.

Em três décadas, a ocorrência de ondas de calor no Brasil passou de 7 dias por ano para 52 dias por ano, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em algumas regiões, como o Nordeste e os estados de Roraima e Mato Grosso do Sul, a média das temperaturas máximas subiu até 3 °C.

No plano global, entre 2011 e 2020, o planeta se aqueceu 1,1 °C acima dos níveis pré-industriais, o que representa um ritmo mais acelerado do que em qualquer intervalo de 50 anos nos últimos dois milênios, segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), um órgão das Nações Unidas.

Muitas vulnerabilidades

Guilherme Coelho, médico de família e autor do estudo. Foto: Divulgação/Jornal Unicamp

Os dados ganham contornos mais precisos quando se observa como a temperatura se traduz em risco direto de morte, a depender da região e do clima. O tempo entre a exposição e a morte pode variar conforme o tipo de temperatura extrema. O frio tem um efeito mais prolongado, podendo influenciar a mortalidade por até três semanas. O calor, por outro lado, atua de forma quase imediata, com pico de efeito nos primeiros dois a três dias. “O efeito do calor é muito mais rápido para os desfechos”, diz Coelho.

Em um país de dimensões continentais, ter resultados distintos a depender da região não é surpresa. Na pesquisa, o Norte registrou a maior fração dos óbitos atribuíveis ao calor – 12,5% das mortes respiratórias –, enquanto o frio praticamente não aparece como fator de risco naquela região. O Nordeste segue padrão semelhante, com 8,6% das mortes associadas ao calor. Já no Sul, o cenário se inverte: quase 6% das mortes estão relacionadas ao frio, contra apenas 1,5% ao calor. O Sudeste apresenta efeitos mistos, reflexo de sua diversidade climática.

O estudo aponta que os efeitos da temperatura sobre as doenças respiratórias podem ser explicados por dois mecanismos principais. O primeiro é fisiológico: o calor extremo favorece a desidratação e a irritação das vias aéreas, agravando doenças respiratórias, enquanto o frio compromete os mecanismos de defesa do sistema respiratório, reduzindo a capacidade do organismo de eliminar secreções e aumentando a suscetibilidade a infecções respiratórias.

O segundo mecanismo está relacionado à circulação de agentes infecciosos. Alterações de temperatura e umidade podem influenciar a sobrevivência e a transmissão de vírus respiratórios, como influenza, interferindo inclusive na sazonalidade dessas doenças. Segundo os autores do artigo, as mudanças climáticas impactam das duas formas, pois, ao intensificar os extremos térmicos, amplificam tanto o estresse fisiológico quanto as condições favoráveis à circulação de determinados patógenos.

Leia também: Calor extremo: Manaus deve ficar entre cidades mais quentes do mundo em 2050, aponta estudo

Calor extremo é a causa da maioria das mortes por doenças respiratórias no país.
Moradores em situação de rua são os mais acometidos pelas altos picos de temperaturas como o calor excessivo e o frio extremo. Fotos: Antônio Cruz e Rovena Rosa/Agência Brasil

Para chegar a esses dados, os pesquisadores utilizaram um modelo estatístico chamado DLNM (modelos não lineares de defasagem distribuída, na sigla em inglês), que captura dois aspectos ao mesmo tempo: a relação não-linear entre temperatura e morte, e o fato de uma onda de calor ou de frio ter efeitos que se prolongam por vários dias ou até semanas. Cada município foi analisado separadamente, e os resultados foram posteriormente combinados por meta-análise (técnica que pondera as estimativas locais e produz uma curva nacional).

“Existe uma sazonalidade natural e esperada. Quando a temperatura sai do esperado, calculamos o que pode ser atribuível a ela”, explica o doutorando.

O modelo matemático, no entanto, tem limitações. Por trabalhar com dados agregados, não permite afirmar individualmente que uma pessoa morreu por causa do calor (ou do frio). “Não estamos falando de causa direta. Para falar de causa, a gente precisa ver o dado individual. Aqui a gente fala em fração [populacional] atribuível”, diz Coelho.

Primeiro artigo publicado durante o doutorado de Coelho, o estudo reuniu pesquisadores de enfermagem, medicina e computação, vinculados ou não à Unicamp. A equipe inclui Danielle Kassada, professora da Faculdade de Enfermagem (FEnf) da Unicamp e coorientadora da pesquisa, Charles M’poca Charles, pós-doutorando da Unicamp, e Clarimar José Coelho, professor da PUC-Goiás e especialista em computação e matemática. Completam o grupo os docentes da FCM Maurício Wesley Perroud Junior e Rodolfo de Carvalho Pacagnella, orientadores de Coelho no mestrado e no doutorado, respectivamente.

O paradoxo do frio na Amazônia

O estudo também evidenciou um fenômeno descrito como “paradoxo do frio”, caracterizado pelo aumento da morbimortalidade (conceito que combina a incidência de doenças e a mortalidade) associado a quedas de temperatura em regiões tradicionalmente quentes. Temperaturas que seriam consideradas amenas em cidades do Sul e Sudeste do Brasil podem, no Norte, estar relacionadas ao aumento de óbitos por doenças respiratórias e cardiovasculares.

“A própria definição do que é frio é muito regional”, explica o médico. “Em Manaus, por exemplo, abaixo de 24 °C já é considerado frio, porque as residências não são feitas para aquelas temperaturas, e as pessoas não estão adaptadas”, afirmou.

Calor na região Norte é o que mais causou mortes por doenças respiratórias no país, segundo estudo da Unicamp. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM

Kassada explica que as moradias em áreas tropicais são construídas para dissipar o calor, com ampla ventilação, materiais leves e pouco isolamento térmico, o que torna a população mais exposta a episódios de frio. Populações adaptadas ao calor constante também tendem a tolerar menos as variações térmicas negativas do que aquelas de climas mais amenos.

O fenômeno não é exclusivo dos trópicos. Estudos europeus já registraram que populações de regiões mais quentes do continente são mais vulneráveis a quedas de temperatura do que as do norte. O artigo em questão amplia essa evidência para o contexto tropical e aprofunda um ponto que as mudanças climáticas tornam cada vez mais urgente: se o aquecimento global intensifica os extremos em ambas as direções, os desafios para a saúde pública vão muito além de se preparar para o calor.

(In)justiça climática

Mas os números e modelos estatísticos não capturam toda a dimensão do problema. A professora da Faculdade de Enfermagem conta que durante uma visita com alunos à casa de um paciente de Campinas, acamado após um acidente vascular encefálico (AVE), o termômetro levado para medir a temperatura local marcou 52 °C. A residência, descreve ela, tinha três cômodos, com apenas uma janela pequena e teto de amianto.

A intensidade dos impactos das ondas de calor sobre a saúde varia entre os diferentes grupos populacionais, afetando de forma mais expressiva as populações em situação de maior vulnerabilidade, destaca a docente. “Se esses efeitos já são observados em Campinas, uma das cidades mais desenvolvidas do interior do país, é provável que regiões com infraestrutura mais precária apresentem consequências ainda mais severas”.

Danielle Kassada, professora da Faculdade de Enfermagem (FEnf) da Unicamp. Foto: Divulgação/Jornal Unicamp

Os idosos concentram aproximadamente 75% das mortes por causas respiratórias associadas à temperatura, de acordo com o artigo. Esse cenário está relacionado ao declínio fisiológico da capacidade de regular a temperatura corporal, aliado à alta prevalência de doenças crônicas, como doença pulmonar obstrutiva crônica e asma. “É fundamental desenvolver estratégias específicas de proteção e cuidado direcionadas às populações em maior situação de vulnerabilidade e residentes de áreas periféricas”, enfatiza.

Tantas nuances e diferenças regionais colocam um desafio direto para as políticas públicas. No Norte, onde a alta temperatura responde por mais de 12% das mortes respiratórias e as ondas de calor se tornam progressivamente mais longas e intensas, o foco deve ser na resposta rápida.

Segundo Kassada, entre as medidas prioritárias estão a elaboração de planos de contingência para extremos térmicos, a criação de centros de resfriamento em espaços públicos climatizados (para acolher a população nos períodos críticos de calor) e a ampliação do acesso à climatização em unidades de saúde e moradias mais vulneráveis. O planejamento urbano também entra na equação das estratégias de adaptação climática, pela necessidade de ampliação de áreas verdes, redução de superfícies impermeabilizadas e mitigação das ilhas de calor urbanas.

Na região Sul, o desafio é outro. Os autores afirmam que a região continuará a exigir investimentos em preparação para o frio mesmo em um cenário de aquecimento global, já que a instabilidade climática pode manter ou agravar a vulnerabilidade de populações que carecem de infraestrutura habitacional adequada para lidar com quedas de temperatura. Isso inclui visitas domiciliares a idosos isolados durante períodos de frio intenso, melhoria das moradias para que retenham calor e campanhas sazonais que combatam a ideia de que o frio não é um risco à saúde no Brasil.

Independentemente de qual seja a região, pesquisadores e documentos de política pública convergem: o que falta não é diagnóstico, mas sistemas de alerta precoce baseados em gatilhos de temperatura específicos para cada localidade. Essa é uma das prioridades explícitas do Plano de Ação em Saúde de Belém (BHAP), lançado pelo Ministério da Saúde na COP30 (conferência climática global realizada no ano passado na capital paraense), que prevê o desenvolvimento de modelos preditivos ajustados aos contextos climáticos regionais e aos diferentes perfis de saúde da população.

Kassada cita o município do Rio de Janeiro como referência nacional na implementação de sistemas de alerta para o calor extremo. “A cidade instituiu, em 2024, o Protocolo de Enfrentamento ao Calor Extremo, estruturado em níveis de calor definidos a partir da combinação entre temperatura, umidade e tempo de exposição”. A lógica é antecipar a demanda antes que ela chegue ao sistema, algo que, segundo ela, as previsões climáticas e os indicadores epidemiológicos já permitem fazer com razoável precisão.

Da resiliência à prevenção

Kassada, que participou tanto da COP30 quanto da edição anterior da cúpula climática, destaca uma mudança significativa na abordagem das discussões sobre saúde entre as duas conferências. Enquanto na COP29 predominaram debates voltados à resiliência e à resposta aos impactos já instalados das mudanças climáticas, na reunião de Belém houve maior ênfase em estratégias preventivas, promoção da saúde e elaboração de planos territorializados de adaptação climática.

Durante o último evento, o Ministério da Saúde lançou o Plano AdaptaSUS, voltado para a adaptação climática na atenção à saúde, com foco territorial, e para a integração das ações de vigilância e assistência. Apresentado na mesma ocasião, o BHAP estabelece três linhas de ação para sistemas de saúde resilientes ao clima: vigilância e monitoramento, políticas baseadas em evidências, e inovação em saúde digital.

O plano reconhece que os impactos das mudanças climáticas afetam de forma desproporcional países em desenvolvimento e populações em situação de vulnerabilidade, e que estratégias padronizadas tendem a ser insuficientes em contextos de grande diversidade climática, territorial e socioeconômica, como o brasileiro.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal da Unicamp, escrito por Marina Gama.

Mais de 1,8 mil km² de áreas para refúgio de aves ameaçadas foram desmatadas na Amazônia brasileira

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Desmatamento das IBAs na Amazônia compromete a vida de aves e do ecossistema biológico do território. Foto: Divulgação/Polícia Federal

As chamadas Áreas Importantes para a Conservação das Aves (IBAs), identificadas como essenciais para a preservação da biodiversidade, perderam mais de 1,8 mil km² de florestas no bioma amazônico entre 2023 e 2025, segundo análise da InfoAmazonia. A perda de vegetação ameaça espécies raras e compromete funções fundamentais da floresta, como a dispersão de sementes e o equilíbrio da cadeia alimentar.

O gavião-real é uma águia rara, uma das maiores aves de rapina das Américas, e gosta de fazer o ninho no topo das árvores. Conhecido cientificamente como Harpia harpyja, pode ter asas com mais de dois metros de envergadura. As garras são comparadas às de um urso, podendo ser ainda maiores e mais grossas. Para sobreviver, alimenta-se principalmente de mamíferos como preguiças e macacos, além de outros vertebrados de médio porte. Caçando no alto das copas, ele depende de grandes árvores e extensas áreas intactas de floresta para encontrar alimento.

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A ave habita uma das 58 Áreas Importantes para a Conservação das Aves na Amazônia: a Caxiuanã/Portel, no Pará. Esses territórios, conhecidos em inglês como Important Bird Areas (IBAs), são resultado de uma iniciativa global, criada na década de 80 pela rede britânica BirdLife International, para identificar e proteger os habitats considerados indispensáveis para a sobrevivência das aves e da biodiversidade no planeta.

No entanto, as localizações das IBAs foram definidas pela ciência e não fazem parte do ordenamento jurídico de conservação do país, como ocorre com as Unidades de Conservação (UCs). Assim, apenas 15% delas (9 áreas) estão protegidas, ou seja, têm todo o seu território dentro de uma área protegida, como uma UC, Terra Indígena ou outra categoria de proteção.

Leia também: Saiba o que são as Unidades de Conservação (UCs) e a importância delas para a Amazônia

Das 58 IBAs, apenas nove unidades em áreas protegidas, enquanto que 29 estão parcialmente protegidas e 20 estão sem sobreposição à áreas protegidas. Imagem: Funai/Save Brasil/INPE

Com essa fragilidade, o habitat de espécies raras como o gavião-real, mas, também, o Araçari-de-pescoço-vermelho e o Jacamim, está sendo desmatado. A InfoAmazonia analisou os dados do PRODES, sistema do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que calcula as taxas anuais de desmatamento, e observou uma perda de 1.821 km² de floresta entre agosto de 2023 e julho de 2025 (período que compreende os ciclos de monitoramento de 2024 e 2025). A área desmatada é quase o dobro da cidade de Belém.

Gavião-real, uma das aves mais ameaçadas de extinção da Amazônia brasileira.
Gavião-real é espécie rara, vive na Amazônia e sofre com desmatamento e caça. Foto: Carlos Tuyama/Projeto Harpia

“A Amazônia é o último reduto do gavião-real. Hoje, a gente tem que literalmente parar de desmatar, tem que restaurar a floresta. Os dias estão contados do jeito que está [o desmatamento]. Então, precisa reflorestar. Isso não significa plantar eucalipto e pinho, significa restaurar floresta nativa”, afirma Mario Cohn Haft, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) especializado em aves amazônicas.

Haft explica que, diante da perda de habitat, as aves não levantam voo em busca de outros espaços. Elas permanecem onde estão, mesmo sem condições adequadas de sobrevivência Para ele, a criação de mais unidades de conservação pode ser uma solução para garantir a proteção integral das IBAs.

“Desmatar ou degradar a floresta significa matar os bichos que vivem lá dentro, diretamente ou indiretamente. Uma mata toda aberta ou fragmentada em pedaços pequenos, cercada de pasto, é muito ruim do ponto de vista da sobrevivência desses bichos. É como uma morte anunciada. Você enxerga o desmatamento e prevê perfeitamente quais vão ser as próximas espécies a se tornarem ameaçadas”, diz.

Além da fragmentação do habitat, o desmatamento compromete a construção de ninhos e intensifica a competição por alimento entre as aves. Espécies com baixa densidade populacional e alta dependência de florestas contínuas podem ter ciclos reprodutivos inteiros comprometidos, acelerando o risco de extinção mesmo diante de pequenas perdas territoriais.

O gavião-real, por exemplo, tem reprodução lenta: põe apenas um ovo por vez, e os filhotes podem permanecer dependentes dos pais por mais de um ano. Com isso, a recuperação populacional é mais demorada quando indivíduos são mortos ou perdem habitat.

Leia também: Você sabe quais aves representam os Estados da Amazônia Legal?

Gavião-real é um predador do topo da cadeia alimentar e vive nos topos das maiores árvores da Amazônia. Foto: Reprodução/Ideflor PA

Outras espécies e o impacto além das aves

O jacamim-de-costas-escuras (Psophia sp.) é uma das espécies de aves que existem apenas na Amazônia e é encontrada na IBA Gurupi, que teve 114 km² de desmatamento. A ave vive em bandos e é admirada por comunidades locais. É considerada forte e valente, capaz até de predar jabutis. Também é conhecida pela facilidade com que interage com seres humanos.

Haft, que tem o jacamim como um dos focos de pesquisa, explica que a espécie pode adotar filhotes de outras aves.

“É um bicho social, que precisa de uma mata grande para rodar o suficiente e achar o que comer. Ele depende de uma mata fechada para, inclusive, se esconder de predadores. Imagina um fragmento pequeno de mata, onde não há para onde correr. Se entra um gato jaguatirica, pega todos esses jacamins, faz uma festa e depois cai fora”, explica Haft.

Jacamin-de-costas-escuras é um animal sociável, que anda em grupos e precisa de extensas áreas de floresta contínua. Foto: Reprodução/SEMA MA

O jacamim reúne várias espécies. Entre elas, o jacamim-de-costas-escuras é a que corre maior risco, classificada como Criticamente em Perigo (CR) desde 2014 — categoria da Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) que indica risco extremamente alto de extinção na natureza. Essa classificação considera fatores como quedas acentuadas da população, número reduzido de indivíduos e habitats cada vez menores e fragmentados.

Mutum é uma ave rara conhecida por transportar sementes na floresta amazônica Foto: Emanuel Barreto/ICMBio

Mas os impactos do desmatamento vão além da redução do número de aves. Muitas espécies amazônicas atuam como dispersoras de sementes. Outras ajudam a controlar populações de insetos e pequenos animais. As aves que se alimentam de frutas, por exemplo, ajudam sementes a alcançar áreas distantes da planta de origem, contribuindo para a diversidade vegetal e para a recuperação de áreas degradadas. Sem elas, parte desse ciclo natural é interrompido.

“Se você tira a floresta, elimina toda a função do ecossistema. Se retira, por exemplo, o mutum, provavelmente está afetando não apenas a dispersão de sementes realizada pela espécie, mas também a oferta de presas. O mutum serve de alimento para outros animais”, explica o pesquisador Thiago Orsi, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

“Com menos presas disponíveis, os predadores também tendem a diminuir. Ao mesmo tempo, a perda de predadores pode provocar crescimento descontrolado de populações de outros animais, alterando a dinâmica ecológica da floresta”, conclui o pesquisador.

Leia também: Por que as aves estão desaparecendo mesmo em áreas preservadas da Amazônia?

Àreas mais afetadas

O estado com o maior número de IBAs na Amazônia brasileira é o Amazonas (11). Em segundo lugar, está o Pará (10); em terceiro, Roraima e Amapá empatados, cada um com 5 áreas. Entre o Acre e o Amazonas, está a maior IBA do mundo: Tabocais, com 73 mil km² — área equivalente a quase 50 cidades de São Paulo. O território abriga a maracanã-de-cabeça-azul, espécie ameaçada de extinção.

Apesar da dimensão, Tabocais não é a área mais desmatada entre as 58 IBAs amazônicas. Foi a IBA Rio Capim, no sudeste do Pará, que registrou a maior perda florestal, com aproximadamente 324 km² desmatados entre 2023 e 2025. Em seguida, aparecem a Caxiuanã/Portel, habitat do gavião-real no Pará, com 320 km², e Alto Sucunduri, no Amazonas, com cerca de 275 km² devastados.

“O mais urgente é preservar essas áreas, principalmente na bacia do Rio Capim e nas regiões que ainda podem ser transformadas em unidades de conservação”, disse o ornitólogo e doutor em biologia Pablo Cerqueira, formado pela Universidade Federal do Pará.

Pesquisador com atuação em unidades de conservação no Pará, ele avalia que a criação de novas áreas protegidas e o fortalecimento do monitoramento das aves são medidas essenciais para conservar espécies já ameaçadas.

Edson Ribeiro, coordenador da Save Brasil, organização que lidera a classificação de novas IBAs no país, avalia que “possuímos um arcabouço jurídico, uma legislação ambiental relativamente consistente e um sistema de unidades de conservação bem elaborado”. Por outro lado, ele afirma que cabe uma “forma mais efetiva de destinar as verbas e os recursos diversos para a proteção desses territórios”.

“É preciso considerar também que a sociedade como um todo deve tratar a conservação dos ambientes naturais como prioridade. Há várias camadas sociais, econômicas e ambientais envolvidas em tudo isso, mas vivemos uma grave crise ambiental global. Não podemos mais, como indivíduos e como sociedade, negligenciar nossa responsabilidade em relação às outras formas de vida que compartilham conosco a ‘casa’ planetária”, argumenta.

Ribeiro reflete que “a natureza não reconhece os limites e fronteiras geográficas dos países estabelecidos pelo homem”. Independentemente da existência das IBAs, as políticas em curso ainda não são suficientes para deter o avanço sobre os habitats das aves amazônicas.

“Toda ação danosa nos ambientes naturais, mesmo numa escala local ou regional, reverbera em todo mundo. A Amazônia é conhecida por seu papel na regulação do clima, no regime de chuvas e em tantos outros serviços ecossistêmicos que a floresta de pé entrega generosamente ao ser humano. A perda de espécies de plantas e animais é apenas uma ponta do iceberg dos impactos das ações humanas nos ambientes”, complementa o coordenador.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela InfoAmazônia, escrito por Jullie Pereira

“A Amazônia precisa ser explicada para o mundo”, afirma Aldo Rebelo

Arte: Reprodução/Amazon Sat

O jornalista, escritor e político Aldo Rebelo afirmou que a Amazônia é pouco explorada diante de sua vasta dimensão territorial. Segundo ele, em conversa do Welliton Lopes no programa ‘Entrevistas‘, do canal Amazon Sat, isso ocorre por causa da forma como a região é apresentada ao Brasil e ao mundo.

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Pré-candidato à Presidência da República nas próximas eleições pelo Democracia Cristã (DC), Aldo Rebelo declarou que “a Amazônia é conhecida por uma versão e não pelo que ela realmente é”. Para ele, apesar das inúmeras riquezas existentes na região, foi construída a ideia de que a Amazônia deve ser vista como uma área “intocável”.

“A Amazônia precisa ser explicada para o Brasil e para o mundo. O estado do Amazonas, que tem pouco mais de um milhão e quinhentos mil quilômetros quadrados, têm apenas 5% de todos o seu território ocupado por alguma atividade humana. Se você reunir a agricultura do Amazonas, a pecuária do Amazonas, as cidades, a infraestrutura, tudo isso não chega a 5% de território, 95% é de vegetação nativa. E ficam aqui picaretas, financiados lá de fora, para dizer que no estado do Amazonas o devastamento é irreversível. Não, já está tudo congelado, tudo transformado em unidade de conservação, em terra indígena”, declarou.

Leia também: “Fundo Amazônia foi criado para interditar a Amazônia”, afirma Aldo Rebelo

Aldo Rebelo critica problemas com licenciamento

A Amazônia precisa ser explicada para o mundo, afirma Aldo Rebelo
Aldo Rebelo é um dos convidados do programa ‘Entrevistas’. Foto: Reprodução/Amazon Sat

Segundo Aldo Rebelo, a forma como tem sido conduzidas as políticas de gestão sobre a Amazônia desaceleram o desenvolvimento da região. Rebelo citou alguns bens naturais já identificados na região e que, ao seu ver, devem ser explorados.

“Você não tem licenciamento para fazer a mina de Autazes, para fazer uma hidrovia no rio Madeira ou no rio Tapajós. Tem que remover isso. Primeiro, Supremo Tribunal Federal não pode mais parar obras de infraestrutura como parou a “Ferrogrão”. O STF não pode mais ser o tutor do país em áreas que são de atribuição do executivo e do legsilativo. Segundo lugar tem que ter uma autorida única de licenciamento. Não pode ser essa corrida de obstáculos que você tem que licenciar no Ibama, na Funai, no Ministério Público, no Juiz de primeiro grau”, disse. Assista:

A entrevista completa já está disponível no canal do Amazon Sat no Youtube: assista o programa completo AQUI.

‘Entrevistas’

O programa Entrevistas, do Amazon Sat, nasce com a proposta de aproximar os amazônidas das decisões tomadas em Brasília que impactam diretamente a região. Produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal, o programa aborda temas ligados à política, justiça, economia e meio ambiente, ouvindo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e formadores de opinião.

Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, que há mais de duas décadas acompanha pautas da Amazônia em Brasília, o programa pretende aprofundar debates e revelar os bastidores das decisões que influenciam a vida de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica. A atração também busca transformar assuntos técnicos e complexos em informações acessíveis ao público.

‘Entrevistas’ tem sempre um episódio inédito às terças-feiras, às 19h30, e conta com reexibições:

quartas, às 9h;
quintas, às 13h30;
sextas, às 17h30;
sábados, às 9h30;
domingos, às 15h45;
e segundas, às 19h30.

Todos os horários seguem o fuso de Manaus/AM (GMT -4).

Sistema Transporte leva agenda inédita à TranspoAmazônia 2026 em Manaus

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Simulador de embriaguez estará disponível no estande do Sistema Transporte durante a TranspoAmazônia 2026. A experiência utiliza óculos especiais para reproduzir os efeitos da fadiga. Foto: Divulgação/Sistema Transporte

Manaus (AM) será a “capital do transporte brasileiro” entre os dias 27 e 29 de maio. Isso porque a capital do Amazonas receberá uma ampla programação institucional do Sistema Transporte (CNT, SEST SENAT e ITL) durante a terceira edição da TranspoAmazônia, maior feira e congresso internacional de transporte e logística da região Norte. Pela primeira vez, a Confederação Nacional do Transporte (CNT) realizará na Amazônia reuniões estatutárias, encontros setoriais e uma programação aberta ao público voltada aos desafios logísticos, à inovação e ao desenvolvimento do transporte na região.

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A participação inédita levará à capital amazonense o presidente do Sistema Transporte, Vander Costa, integrantes da diretoria da entidade, empresários e representantes de 29 federações, cinco sindicatos nacionais e 29 entidades associadas, ampliando a presença institucional do setor na região e fortalecendo o debate sobre infraestrutura, conectividade e integração logística.

Um dos principais destaques da programação será o estande do Sistema Transporte, que reunirá CNT, SEST SENAT, ITL, Despoluir, Fetramaz, Fetranorte e diversos sindicatos regionais em um espaço integrado de relacionamento, conteúdo e experiências voltadas ao público da feira.

Durante os três dias do evento, o estande terá programação contínua, com palestras dinâmicas, apresentações institucionais e debates sobre inovação, sustentabilidade, qualificação profissional e os desafios logísticos da Amazônia.

transpoamazônia 2026
Foto: Divulgação/TranspoAmazônia

Programação será extensa

A programação incluirá temas como transformação tecnológica no transporte, inteligência logística, redução de emissões, formação profissional e perspectivas para o setor na região Norte. O público também poderá participar de ativações interativas, bem como conhecer produtos, serviços e iniciativas desenvolvidas pelo SEST SENAT, além de estudos e indicadores apresentados pelo CNT Data — plataforma da CNT responsável pela produção e análise de dados do transporte brasileiro, utilizada para subsidiar pesquisas, estudos econômicos e decisões voltadas ao desenvolvimento do setor.

Outro eixo da programação será a atuação do ITL (Instituto de Transporte e Logística), que levará apresentações sobre capacitação executiva e desenvolvimento profissional. Na pauta ambiental, o Despoluir levará ao evento ações voltadas à sustentabilidade e redução de emissões no transporte, destacando o compromisso do setor com uma agenda alinhada aos desafios ambientais da Amazônia e às exigências globais de sustentabilidade.

O estande foi concebido para aproximar empresários, autoridades, estudantes e jovens profissionais da atuação do Sistema Transporte, por meio de conteúdos acessíveis, experiências interativas e discussões conectadas às transformações da logística nacional.

Leia também: Livro que resgata a formação logística da Amazônia será lançado na TranspoAmazônia

Além da programação aberta ao público, a CNT realizará em Manaus reuniões da diretoria estatutária, encontros setoriais e agendas institucionais com lideranças nacionais do transporte de cargas e passageiros.

Para o presidente do Sistema Transporte, Vander Costa, a realização da agenda institucional em Manaus representa um avanço na integração da Amazônia às principais discussões sobre infraestrutura e logística no país.

“Estar na Amazônia com uma agenda institucional dessa dimensão representa uma oportunidade de aproximar o setor transportador das demandas regionais e ampliar a integração logística do país”, afirma.

TranspoAmazônia reúne cadeia logística nacional em Manaus

A TranspoAmazônia 2026 reunirá empresas, operadores logísticos, autoridades públicas, especialistas e representantes dos modais rodoviário, aquaviário, aéreo e multimodal.

A programação inclui feira de negócios, congresso internacional, painéis técnicos, networking e exposição de soluções voltadas ao desenvolvimento logístico da Amazônia, com foco em inovação, conectividade e integração regional.

O evento acontece entre os dias 27 e 29 de maio, no Centro de Convenções Vasco Vasques, em Manaus, com apoio do Governo do Amazonas, entidades representativas do setor e patrocínio da Transpetro.

Para o presidente da Federação das Empresas de Logística, Transporte e Agenciamento de Cargas da Amazônia (Fetramaz) e idealizador da TranspoAmazônia, Irani Bertolini, a edição de 2026 consolida o crescimento do evento e amplia a relevância da Amazônia nas discussões nacionais sobre logística e infraestrutura.

“A TranspoAmazônia se consolida como um espaço estratégico para debater os desafios logísticos da região e apresentar soluções voltadas à realidade amazônica. A presença da CNT e do Sistema Transporte fortalece ainda mais esse ambiente de integração entre empresas, especialistas e lideranças do setor”, destaca.

A TranspoAmazônia 2026 — III Feira e Congresso Internacional de Transporte e Logística da Amazônia acontece entre 27 e 29 de maio, no Centro de Convenções Vasco Vasques, de 9h às 21h. As inscrições são gratuitas pelo site oficial TranspoAmazônia 2026.

*Com informações da assessoria

“Fundo Amazônia foi criado para interditar a Amazônia”, afirma Aldo Rebelo

Arte: Reprodução/Amazon Sat

O pré-candidato a presidência da República pelo Democracia Cristã (DC), Aldo Rebelo, nas Eleições 2026, criticou a forma como recursos do Fundo Amazônia são aplicados atualmente. A fala sobre o assunto foi feita em conversa com o jornalista Welliton Lopes, no programa ‘Entrevistas‘, do canal Amazon Sat.

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Aldo Rebelo não poupou críticas à forma que os recursos do Fundo Amazônia são utilizados. Segundo ele, estes recursos são “esmolas dadas pelos ricos”.

“O Fundo Amazônia foi criado para interditar a Amazônia. Para criar bolsas que compensem a pobreza. Olha, você não toca na Amazônia, você não vai produzir, você não vai criar uma vaca, não vai plantar uma roça, não vai tirar o minério de ouro lá do rio Madeira. Não vai tirar o nióbio lá da ‘Cabeça do Cachorro’, de São Gabriel da Cachoeira. Você deixa a Amazônia intocada. […] E em troca nós te damos uma bolsa, para você sobreviver de bolsa e de esmola, dado pelos ricos, para que eles possam emitir gases de efeito estufa e Amazônia ser uma espécie de reserva de sequestro de carbono”, criticou.

Leia também: “Dividir o país entre esquerda e direita só desorienta o Brasil”, diz Aldo Rebelo

Fundo Amazônia foi criado para interditar a Amazônia, afirma Aldo Rebelo
Aldo Rebelo é um dos convidados do programa ‘Entrevistas’. Foto: Reprodução/Amazon Sat

Aldo Rebelo propõe outra aplicação ao Fundo Amazônia

Aldo Rebelo afirmou ainda que quando ministro do conselho de Administração do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), durante o primeiro mandato da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), questionou ao diretor do órgão o porquê dos recursos do Fundo Amazônia não serem aplicados em pastas do Poder Executivo para o melhor desenvolvimento da população.

Segundo ele, o diretor à época afirmou que a destinação do recurso era definida por países que aplicavam no fundo, como a Noruega, e Organizações Não Governamentais (ONGs).

“Pergunte quanto do Fundo Amazônia tem na universidade, no governo do Amazonas, ou no do Pará, no Acre ou de Roraima. Na área de ciência e tecnologia, nas universidade. Esse recurso é para ONGs. Isso é inaceitável”, destacou Rebelo. Assista:

A entrevista completa já está disponível no canal do Amazon Sat no Youtube: assista o programa completo AQUI.

‘Entrevistas’

O programa Entrevistas, do Amazon Sat, nasce com a proposta de aproximar os amazônidas das decisões tomadas em Brasília que impactam diretamente a região. Produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal, o programa aborda temas ligados à política, justiça, economia e meio ambiente, ouvindo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e formadores de opinião.

Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, que há mais de duas décadas acompanha pautas da Amazônia em Brasília, o programa pretende aprofundar debates e revelar os bastidores das decisões que influenciam a vida de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica. A atração também busca transformar assuntos técnicos e complexos em informações acessíveis ao público.

‘Entrevistas’ tem sempre um episódio inédito às terças-feiras, às 19h30, e conta com reexibições:

quartas, às 9h;
quintas, às 13h30;
sextas, às 17h30;
sábados, às 9h30;
domingos, às 15h45;
e segundas, às 19h30.

Todos os horários seguem o fuso de Manaus/AM (GMT -4).

Gente do Norte Empresas: Egreen Baranda revela nova estrutura do Kwati Club

Foto: Reprodução/Amazon Sat

Médica radioterapeuta e empresária, Egreen Baranda é fundadora e CEO do Kwait Club, um River Club localizado às margens do lago Macurany, na zona Sul da cidade de Parintins (AM). Surgido em 2018 como um espaço inovador para suprir a falta de opções de lazer diurno e celebrações durante o Festival Folclórico de Parintins, o Kwati Club passou por reformas e já está com uma estrutura mais ampla para receber visitantes não somente durante o Festival, mas para diversas atividades em todos os dias do ano.

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Há quase dez anos enfrentando os desafios diários de empreender na Amazônia, Egreen Baranda acredita no potencial amazônico de encantar aqueles que vivem na região e também aqueles que buscam conhecê-la. A fundadora e CEO do Kwati Club acredita que Parintins tem potencial para movimentar a economia não somente na época do Festival, mas durante todo o ano.

“Não é segredo para ninguém que o Festival de Parintins move milhões de reais na economia e a importância que o Festival tem para a população de Parintins. Mas eu acho que o grande diferencial no empreendedorismo do turismo amazônico é justamente esse. É você conseguir trabalhar ao longo do ano para que você consiga gerar renda. Então imagina que durante o Festival de Parintins a gente gera cerca de duzentos empregos diretos e indiretos ali para a população. Claro que fora do Festival a gente vai ter uma quantidade menor, mas a gente não vai deixar de estar gerando”, comenta.

Saiba mais: Gente do Norte Empresas: saiba quem é Egreen Baranda

A importância do Kwait Club na visão de Egreen Baranda

Imagem colorida mostra vista aérea do Kwati Club
Foto: Reprodução/ Amazon Sat

Para Egreen Baranda, o Kwati Club tem por objetivo gerar meios para atrair aqueles que querem conhecer Parintins para além do Festival Folclórico que acontece todos os anos no fim de junho. Egreen destaca que a cidade de Parintins possui diversos outros atrativos e que é preciso conhecê-los.

“Eu enxergo o Kwati não só como uma opção durante o Festival. Eu acho que, durante o Festival, enquanto não tiver a reforma do bumbódromo, existe uma limitação para receber essa população que quer vir a Parintins. Eu digo que Parintins não funciona só os cinco dias que giram em torno do Festival. A gente tem que trabalhar para os outros 360 dias. Então o Kwati Club vem há anos trabalhando para que a gente consiga ter visitantes nesses outros 360 dias. Eu acredito que a importância do Kwati seja exatamente nesse papel que a gente faz, um trabalho ao longo do ano para continuar recebendo esse turista, para continuar recebendo esse cliente que quer vir a Parintins”, explica.

Lazer e conforto

Segundo a empresária, o Kwati Club possui diversos atrativos que vão desde o conforto de seus quartos, até os eventos realizados dentro do espaço.

“A edição 2026 eu brinco que é um revival. Porque na época que o Kwati era exclusivo de uma marca, ele já era exatamente como ele está hoje: um Kwati voltado para a experiência, que vai proporcionar aos clientes um atendimento personalizado, um Kwati que vai ter uma carta de drinks especial, um Kwati que vai ter um restaurante de buffet amazônico, mas também com outras culinárias. Já tínhamos esse ritmo menos acelerado há dez, vinte anos atrás. E a gente tá vivendo agora essa época. É um revival“, destacou Egreen.

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A empresária e médica é uma das convidadas do programa Gente do Norte – Empresas, do canal Amazon Sat. Assista:

Guia de Mamíferos do Amazonas revela uma Amazônia pouco conhecida

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Foto: Adriano Gambarini

O estado do Amazonas ganha uma publicação inédita dedicada à valorização da sua biodiversidade: o ‘Guia de Mamíferos do Amazonas’, primeiro guia de bolso voltado exclusivamente para a mastofauna amazônica produzido para o estado. O projeto foi contemplado pelo Conselho Municipal de Cultura, por meio do Edital Macro de Chamamento Público Nº 002/2024 da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura – PNAB (Lei nº 14.399/2022).

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Com linguagem acessível, a guia apresenta 56 das espécies de mamíferos mais carismáticas do Amazonas, destacando informações sobre status de conservação, tamanho e fotografias artísticas revelando as características mais marcantes de cada uma delas.

O guia possui textos bilíngues (português e inglês) e traz, para cada espécie apresentada, a respectiva nomenclatura científica, além dos nomes populares em português, inglês e em línguas do tronco tupi-guarani, valorizando a ancestralidade, os saberes tradicionais amazônicos e a riqueza cultural associada à biodiversidade da região.

guia mamiferos amazonia
Foto: Divulgação

Guia busca encantar o público

O Amazonas abriga pelo menos 355 espécies de mamíferos catalogadas — cerca de 45% de toda a mastofauna brasileira. Apesar dessa riqueza impressionante, ainda existem poucas publicações acessíveis ao grande público sobre a fauna amazônica, especialmente voltadas ao turismo de observação de vida silvestre, atividade que cresce em todo o mundo e possui enorme potencial econômico e cultural para a região.

Idealizado pelo casal de biólogos, escritores e fotógrafos de natureza Maurício Noronha e Dayse Campista, o projeto pretende não apenas documentar a biodiversidade amazônica, mas também aproximar brasileiros e estrangeiros da fauna local, fortalecendo a identidade socioambiental e incentivando a conservação da natureza.

“O Guia de Mamíferos do Amazonas nasce para revelar uma Amazônia ainda desconhecida por muitos brasileiros. Queremos despertar o encantamento pela nossa fauna e mostrar que conservar também passa por conhecer, valorizar e divulgar esse patrimônio natural e cultural”, destaca Maurício Noronha.

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Além da publicação impressa, o projeto possui importantes ações de democratização cultural e educação ambiental. A obra foi distribuída gratuitamente para 500 alunos da rede pública de ensino, acompanhada de atividades educativas socioambientais e oficinas de incentivo à leitura e produção artesanal de livros sobre mamíferos amazônicos.

Outra frente importante está sendo a distribuição gratuita do guia para operadoras de ecoturismo, contribuindo para fortalecer o Amazonas como destino internacional de observação de vida silvestre.

Produzido em formato folder premium, com impressão de alta qualidade e acabamento sofisticado, o guia também conta com um mapa indicando alguns dos principais destinos para observação de fauna no Amazonas, tornando-se uma ferramenta prática para turistas, estudantes, pesquisadores e amantes da natureza.

Lançamento

O “Guia de Mamíferos do Amazonas”, segundo os autores, representa mais que uma publicação, trata-se de um convite para descobrir a riqueza natural, cultural e simbólica da Amazônia através de seus animais mais fascinantes.

Assim, o CRBio-06 convida profissionais, estudantes e o público interessado em biodiversidade para acompanhar o webinar de lançamento do guia na quarta-feira, 27 de maio, às 19h, com transmissão ao vivo pelo YouTube do CRBio-06. Inscrições AQUI.

A programação reunirá Dayse Campista, bióloga e mestre em Ecologia, e Maurício Noronha, diretor-presidente do Instituto Sauim-de-coleira. A mediação será conduzida por Rodrigo Hidalgo, Mestre em Zoologia e Conselheiro do CRBio-06. A atividade contará com certificado de participação de 2 horas e a participação é gratuita.

*Com informações da assessoria

Ação da Marinha do Brasil realiza mais de 110 mil atendimentos em saúde em comunidades da Amazônia

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População ribeirinha recebeu atendimento médico a bordo do navio de Assistência Hospitalar (NAsH) ‘Doutor Montenegro’. Foto: Reprodução/Marinha do Brasil

Mais de 8 mil ribeirinhos das comunidades do Vale do Juruá e estados do Acre e Amazonas, receberam atendimentos em saúde durante a 26ª edição da Operação Acre XXVI, coordenada pela Marinha do Brasil. A missão, concluída no dia 19 de maio, realizou mais de 110 mil procedimentos de assistência médico-hospitalar e apoio humanitário para famílias residentes em regiões da Amazônia Ocidental.

A operação durou quatro meses e foi realizada por meio do Navio de Assistência Hospitalar (NAsH) ‘Doutor Montenegro’, que atendeu comunidades ribeirinhas e isoladas do Vale do Juruá. Para o Comandante do Navio, Capitão de Corveta Marcelo Camerino da Silva de Souza, a missão reafirma o papel estratégico e humanitário da Marinha na Amazônia.

“Essa missão mostrou mais uma vez que a presença da Marinha na Amazônia vai muito além da navegação. Em muitos lugares, o Navio representa o único acesso à saúde, ao atendimento médico e à esperança para famílias ribeirinhas. Cada atendimento, cada medicamento entregue, cada mamografia realizada, carrega dignidade, cuidado e presença do Estado onde muitas vezes ninguém consegue chegar”, destacou o Comandante.

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Operação Acre - Marinha do Brasil
Navio de Assistência Hospitalar ‘Doutor Montenegro’ atendeu comunidades ribeirinhas do Vale do Juruá e estados do Acre e Amazonas. Foto: Reprodução/Marinha do Brasil

Camerino ressaltou ainda que a continuidade da missão é fundamental para assegurar assistência às populações amazônicas mais isoladas. “Para nós, militares, fica a certeza de que poucas missões têm impacto humano tão grande quanto essa Operação Acre”, concluiu o comandante, que foi recepcionado em Manaus por amigos e familiares na chegada da tripulação, na última terça.

Números da operação

Foram realizados mais de 110 mil procedimentos de saúde, incluindo atendimentos médicos, odontológicos, de enfermagem e laboratoriais. Os números refletem a atuação integrada da equipe multidisciplinar embarcada e a capacidade operativa do navio, que percorreu localidades de difícil acesso para garantir assistência básica e especializada às populações locais.

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Missão atendeu comunitários ribeirinhos do Vale do Juruá. Foto: Juan Diaz

Outro dado importante foi a distribuição de 453.075 medicamentos, assegurando continuidade a tratamentos, além da aplicação de 57 vacinas, fortalecendo medidas preventivas e ampliando o acesso aos cuidados básicos de saúde em áreas afastadas dos grandes centros urbanos.

A Operação “Acre XXVI” também marcou a realização de 1.022 mamografias, em parceria com a ONG Américas Amigas. A iniciativa contribuiu para a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama em regiões de difícil acesso, ampliando o cuidado com a saúde da mulher.

*Com informações da Marinha do Brasil

Uso excessivo de inseticidas pode ser fator de risco para Parkinson, aponta estudo realizado em Belém

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Uso excessivo de inseticidas é fator de risco para Parkinson. Foto: Divulgação/Acervo dos pesquisadores

Um estudo epidemiológico sobre a doença de Parkinson em Belém (PA) revelou um dado preocupante para além da prevalência entre moradores de quatro ilhas da região metropolitana da capital paraense, todos com idade acima de 60 anos: o frequente uso de inseticidas.

A pesquisa de campo, realizada nas ilhas de Cotijuba, Combu, Outeiro (comunidade do Fama) e Mosqueiro (comunidades do Sucurijuquara e Furo das Marinhas) iniciou em 2022 e encerrou em 2025, tendo entrevistado 1.163 idosos em seus domicílios. Após a análise dos dados, os pesquisadores se dedicam à produção de um relatório final.

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A pesquisa faz parte de um estudo internacional, financiado pela Michael J. Fox Foundation for Parkinson Research, que se destina a estudar a doença de Parkinson em populações vulneráveis nas regiões periféricas do mundo.  No Brasil, o estudo recebeu o nome de Estudo epidemiológico da doença de Parkinson prodrômica e estabelecida no Brasil, (PROBE-PD, sigla em inglês) e foi realizado em quatro regiões: ilhas de Belém (Pará), Veranópolis (Rio Grande do Sul), Jacobina (Bahia) e Candangolândia (Distrito Federal).

O objetivo é identificar a prevalência da doença de Parkinson, ou seja, a proporção de casos em face à população total de cada região. Participam do estudo pesquisadores da UFPA, UFRGS, UFBA e UnB.

No Pará, o estudo é coordenado pelos doutores Bruno Lopes Santos Lobato e Lane Viana Krejcova, ambos professores da UFPA. Bruno é mestre e doutor pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, professor da Faculdade de Medicina da UFPA, coordenador do Laboratório de Neuropatologia Experimental do Hospital Universitário João de Barros Barreto e médico do Hospital Ophir Loyola, a referência para doença de Parkinson no estado. Lane é educadora física e professora da Escola de Dança da UFPA, sendo mestra e doutora na área de neurodegeneração, com atuação no estudo de doenças resultantes de efeitos de exercícios físicos.

Também integra a equipe, a professora de Educação Física Juliana Duarte, mestra em Biologia Celular e doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Oncologia e Ciências Médicas da UFPA, orientanda do professor Bruno Lopes.

O risco do uso excessivo de inseticida

A literatura médica tem mostrado há décadas que existe uma associação entre a exposição a pesticidas e o surgimento da doença de Parkinson. Os riscos são maiores para quem mora próximo a plantações nas quais são empregados usualmente agrotóxicos ou pesticidas agrícolas.

O uso permanente de agrotóxicos pode contaminar mananciais e causar problemas à saúde não somente para quem manipula esses produtos, mas também para quem consome a água desses mananciais. Contudo, estudos prévios do grupo do professor Bruno já haviam mostrado que, além dos pesticidas agrícolas, a exposição aos pesticidas domésticos, como inseticidas, também está associada a um maior risco de surgimento da doença de Parkinson.

No contexto do estudo PROBE-PD, os professores participaram da estruturação do projeto de um estudo básico para levantar a prevalência da doença de Parkinson e fatores de risco, como, por exemplo, a associação da doença ao ambiente. A equipe de pesquisadores da UFPA, a partir das visitas e entrevistas realizadas, concluiu que a população de regiões mais necessitadas, como a de áreas rurais das ilhas de Belém, está mais exposta ao uso excessivo de inseticidas. 

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Estudo aponta uso excessivo de inseticidas como fator de risco para Parkinson
Estudo aponta uso excessivo de inseticidas como fator de risco para Parkinson. Foto: Divulgação/Acervo dos pesquisadores

A pesquisa mostrou que 60% da população acima de 60 anos nas ilhas de Belém faz uso de algum tipo de inseticida, pelo menos uma vez por semana, conforme revelaram nas entrevistas. Muitos desses inseticidas de uso doméstico, usados para combater pernilongos, são vendidos sem qualquer controle, e alguns sem registro da Anvisa. Há produtos que não identificam seus princípios ativos, mas frequentemente contêm compostos químicos da classe dos piretroides, de ação tóxica. O uso excessivo e constante destes produtos, principalmente em ambientes fechados (a prática de fechar o quarto e borrifar o inseticida), pode afetar a saúde do usuário a longo prazo.

Os pesquisadores fazem, porém, uma distinção importante para não causar alarme injustificado. A professora Lane Krejcova, especialista em neurodegeneração, observa que os inseticidas de uso doméstico vendidos regularmente em supermercados, devidamente registrados, contêm piretroides em baixas concentrações e, quando usados com parcimônia, são rapidamente degradados no ambiente, apresentando menor toxicidade. “O problema está no uso excessivo, condição que não permite a metabolização pelo ambiente”, adverte a pesquisadora.

Situação distinta, e mais preocupante, é o emprego, como inseticida doméstico, de um carrapaticida de uso veterinário à base de cipermetrina, formulado para o controle de carrapatos e moscas em bovinos. Trata-se de um concentrado emulsionável, normalmente vendido em frascos pequenos em casas de produtos agropecuários, que deve ser diluído em água conforme as instruções da bula. Por desconhecimento dos riscos para o ser humano, esse tipo de produto vem sendo desviado de sua finalidade original e empregado pela população para combater pernilongos – inclusive os mosquitos transmissores da dengue, zika e chikungunya -, além de baratas, formigas e cupins.

“É muito frequente as pessoas usarem esse carrapaticida bovino dissolvido em água para matar formigas ou cupins. Elas jogam o produto no entorno de suas casas, o veneno se infiltra no lençol freático, contaminando águas de poços e de rios. Estamos falando de populações ribeirinhas, cujas casas estão próximas de rios e geralmente possuem poços nos quintais. O risco de contraírem doenças, entre as quais o Parkinson, é enorme”, afirma a doutoranda Juliana Duarte.

Segundo Bruno Lobato, esses carrapaticidas contêm piretroides de uso veterinário, empregados em animais de grande porte como bovinos, mas conforme orientações específicas de manuseio prescritas na bula. “Há toda uma recomendação sobre a manipulação do produto para evitar a infiltração no lençol freático, porque ele é diluído em água e não pode ser descartado de qualquer forma. Muitas pessoas, porém, não sabem disso e o usam em quintais ou nas paredes internas e externas de suas casas como inseticida de uso doméstico. Fazem isso por desconhecer os riscos. É um problema grave”, afirma.

Para ele, a solução mais eficiente e barata passa pela educação da população. Os órgãos de saúde pública devem basicamente explicar aos moradores os riscos aos quais estão sujeitos ao manipular carrapaticidas bovinos como inseticida comum. Recomendações sanitárias preventivas que evitem a proliferação de mosquitos também são bem-vindas. Entre elas, não deixar água acumulada em recipientes como vasos e calhas, que acabam se tornando habitats para insetos vetores de doenças como dengue, zika, chikungunya e febre amarela.

A prevalência do Parkinson nas ilhas de Belém

A realização do estudo PROBE-PD para quantificar os números básicos sobre a doença de Parkinson era uma preocupação expressa por Bruno Lopes há bastante tempo, desde quando começou a lidar com a doença. Os pesquisadores do estudo sentiam a necessidade de atualizar os números do único estudo até então realizado, na década de 2000, na cidade de Bambuí, próximo a Belo Horizonte, Minas Gerais.

A oportunidade de realizar um estudo mais abrangente, envolvendo não uma única cidade, mas quatro regiões brasileiras distintas, veio com o edital financiado pela Michael J. Fox Foundation for Parkinson Research. Quatro instituições federais de ensino e pesquisa se habilitaram ao novo estudo, entre as quais a UFPA.

Os pesquisadores elegeram as pessoas acima de 60 anos como público-alvo da pesquisa por ser este grupo o de maior risco de desenvolver a doença de Parkinson. Além do interesse na prevalência, os pesquisadores estavam interessados em estudar mais sobre os fatores de risco que podem causar a doença, entre os quais o impacto do ambiente.

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Estudo aponta uso excessivo de inseticidas como fator de risco para Parkinson. Foto: Equipe de pesquisadores da UFPA

“A gente sabe os fatores de risco, mas não exatamente como eles impactam as pessoas porque, no Brasil, esses números são muito pouco claros”, informa o neurologista Bruno Lopes.

Em Belém, os pesquisadores elegeram a região insular de Belém como locus da pesquisa por ser uma região periférica onde mora uma população vulnerável. Nas ilhas reside uma população de aproximadamente 62 mil pessoas. A partir de dados fornecidos pela Prefeitura de Belém e pela Secretaria Municipal de Saúde, os pesquisadores quantificaram o número de idosos acima de 60 anos e estabeleceram uma amostra possível de ser visitada diretamente em suas casas.

A decisão de fazer visita direta, de porta em porta, é explicada pela professora Lane Krejcova: “não queríamos fazer uma pesquisa a partir de relato de pessoas que nos procurassem, cabendo a nós apenas computar os números finais. Além disso, por conta das características da região, onde o acesso à internet nem sempre é possível, a opção pela visita física aos idosos se mostrou necessária, afinal também queríamos saber sobre os fatores que predispõe à doença”.

A equipe de 30 pessoas, quase toda formada por pessoal da área de saúde, incluindo os bolsistas, enfrentou as asperezas de se deslocar por lugares algumas vezes de difícil acesso. O resultado das entrevistas apontou a prevalência de 1.63%. Ou seja, para cada grupo de 100 pessoas acima de 60 anos em Belém, quase duas desenvolverão a doença de Parkinson. Para os coordenadores da pesquisa, a prevalência evidencia que a doença de Parkinson não é rara, principalmente se for considerado o tamanho da população de idosos em Belém.

A prevalência registrada em Belém segue a taxa nacional e os números preocupam porque, segundo o último censo, são quase 33 milhões de idosos no Brasil. Mas, identificar fatores que predispõem à doença de Parkinson, como fizeram os pesquisadores da UFPA no caso do uso excessivo de inseticida, é um grande avanço para reduzir casos novos da doença.

*Com informações da UFPA

Amazônia é uma região rica que precisa ser “desinterditada”, segundo Aldo Rebelo

Arte: Reprodução/Amazon Sat

Durante o programa ‘Entrevistas‘, do canal Amazon Sat, Aldo Rebelo foi enfático em afirmar que o país só irá se desenvolver se a Amazônia foi “desinterditada”. A fala do pré-candidato a presidência da República pelo Democracia Cristã (DC) vem diante de críticas ao modelo do Governo Federal sobre como os recursos naturais são tratados.

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Segundo Aldo Rebelo, a região recebe intervenção direta de governos do exterior através de Organizações Não Governamentais (ONG’s) e o país precisa “desinterditar” o espaço para o desenvolvimento do país.

aldo rebelo no programa entrevistas do amazon sat
Foto: Reprodução/Amazon Sat

Leia também: Pré-candidato à presidência, Aldo Rebelo questiona relação de riqueza e pobreza da Amazônia

Aldo Rebelo afirma que a região tem solução

“Portanto, o que eu posso dizer, é que meu diagnóstico sobre Amazônia é que é uma região rica e interditada. E o meu diagnóstico já traz a solução. Precisamos desinterditar a Amazônia e fazer com que a população da Amazônia possa usufruir das riquezas, com responsabilidade ambiental, social. Mas essa Amazônia rica, no solo e no subsolo, mas pobre na sua população, foi uma escolha lamentável que o Estado, que a política no Brasil, terminaram por fazer”, destacou. Assista:

A entrevista completa já está disponível no canal do Amazon Sat no Youtube: assista o programa completo AQUI.

‘Entrevistas’

O programa Entrevistas, do Amazon Sat, nasce com a proposta de aproximar os amazônidas das decisões tomadas em Brasília que impactam diretamente a região. Produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal, o programa aborda temas ligados à política, justiça, economia e meio ambiente, ouvindo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e formadores de opinião.

Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, que há mais de duas décadas acompanha pautas da Amazônia em Brasília, o programa pretende aprofundar debates e revelar os bastidores das decisões que influenciam a vida de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica. A atração também busca transformar assuntos técnicos e complexos em informações acessíveis ao público.

‘Entrevistas’ tem sempre um episódio inédito às terças-feiras, às 19h30, e conta com reexibições:

quartas, às 9h;
quintas, às 13h30;
sextas, às 17h30;
sábados, às 9h30;
domingos, às 15h45;
e segundas, às 19h30.

Todos os horários seguem o fuso de Manaus/AM (GMT -4).