Home Blog Page 7

História da Medicina no Amazonas: as vidas mutiladas pela hanseníase, momentos de dor e tristeza

0

Locais de isolamento: Umirizal, 1928. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br

No momento da decadência do látex e as fracassadas iniciativas do Governo Federal em salvar a produção do látex, os soldados da borracha deslocaram-se de suas terras de origem e vieram para Manaus, no Amazonas, naturalmente o destino final era o seringal onde a população que lá existia vivia momentos difíceis e de incertezas. Alguns seringais já haviam sido abandonados, assim como várias propriedades.

Nas transformações ocorridas nos anos de 1832 à 1890 na cidade de Manaus, costumes e tradições foram se perdendo no tempo. A madeira substituída pelo ferro, o barro pela alvenaria, a palha pela telha, o igarapé pela avenida, a carroça pelo bonde elétrico a navegação a remo pelos navios a vapor. Nessa época, havia uma grande preocupação em sanear a cidade, procurando retirar de circulação os pedintes e os doentes de hanseníase, cuja presença nas ruas da cidade comprometia a boa impressão a todos que visitavam a chamada Paris das selvas (Souza, O., 1997; SOUZA, M., 2001).

(…) Júlio Schweickardt (2009b), em sua tese Ciência, Nação e Religião: as doenças tropicais e o saneamento no Estado do Amazonas (1890-1930), mostra que a capital amazonense estava na vanguarda do debate médico a respeito de enfermidades como a febre amarela e malária. Além das ações de saneamento levadas a cabo pelas autoridades, pesquisadores discutiam a transmissão e as formas de combater as moléstias dentro das concepções mais avançadas da época. O debate incluía também, pesquisadores estrangeiros, que representavam instituições científicas que visitavam o Amazonas para estudar as doenças tropicais. O saneamento de Manaus começa no final do século XIX, quando as chamadas doenças do clima quente passaram a conflitar com as imagens de civilização que as autoridades politicas queriam construir. Segundo Schweickardt, a elite urbana ufanava-se pelas belezas da cidade, mas, por detrás os cortiços se multiplicavam em pleno centro obrigando estrangeiros e nacionais que trabalhavam no comércio.¹

Por esse motivo, os cortiços sofriam constantes intervenções sanitárias, especialmente no período epidemias. O subúrbio, por outro lado, concorriam com a mata e com os igarapés, dificultando qualquer ação de saneamento. As condições ambientais do subúrbio propiciavam o meio favorável à reprodução do temido Anopheles que transmitia a malária […] os costumes da população, o regime das águas e as dificuldades de saneamento contribuíam para a continuidade das doenças tropicais em Manaus. Desse modo viver na capital amazonense era perigoso, pois significavam riscos constantes de se contrair uma dessas terríveis doenças que atemorizavam os estrangeiros e migrantes (SCHWEICKARDT, 2009b, p.72).¹

Vale ressaltar que inúmeras pesquisas apontavam que a hanseníase já era reconhecida como sério problema de saúde pública na Amazônia, especialmente nos idos do ano 1800, com nos afirma o escritor Artur Viana; “Ser a hanseníase doença de importação muita antiga nas cidades de Belém e Santarém”.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

História da Medicina no Amazonas: as vidas mutiladas pela hanseníase, momentos de dor e tristeza
Locais de isolamento: Colônia Antônio Aleixo, Paricatuba e Umirizal, 1928. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

O médico e pesquisador Souza Araújo concluiu, à época, que a leprose já existia em Manaus, em razão do forte e intenso comércio realizado entre a nossa capital e as de Santarém e Belém.

No período de 1832 a 1890, principalmente a capital do Amazonas fora atingida por processo migratório expressivo, aumentando seu contingente populacional de 8.500 para cerca de 5.300 habitantes. Tudo isso, era possível porque estávamos no auge do período da extração do látex e influencia da Europa atingia-nos com modernidade em todos os aspectos, hábitos, vestir, comer e beber, incluindo a promiscuidade resultante de prostituição das famosas polacas.

No processo de transformação uso, costumes e tradições próprias, foram aos poucos, sendo coladas de lado, em todos os sentidos. Vale ressaltar a famosa “Rampa da Ribeira”, o celebre Porto Real, que descia para o Igarapé da Ribeira. Não mais existe o igarapé, aterrado, que serpenteava mais ou menos o local onde está o edifício colonial ocupado pela Loja 22 Paulista.

À época, 1845, a atual Praça Osvaldo Cruz não existia, pois constitui excelente obra de engenharia urbana, quando havia engenharia urbana em Manaus, o local onde está construída a Sé – Catedral era um corte quase abrupto para o rio e no alto estava a celebre olaria que promovera a transformação da cidade de Manaus, criada pelo importante Lobo D’Almada.¹

Registra a cronica que, em 1867, for recolhida a primeira hanseniana, que viviam numa palhoça em Umirizal, local situado acima de Manaus, à margem esquerda do Rio Negro. Não há dúvida de que nessa época, a hanseníase já se desenvolvia com grande intensidade no Amazonas. Os pacientes, recolhidos em estado avançado da doença eram internados na Santa Casa de Misericórdia.

Em 1891, no início da era republicana, foi criada em Manaus uma repartição de saúde pública, denominada Inspetoria de Higiene do Estado do Amazonas, que englobava o serviço de saneamento e habitação. A saúde pública era prioridade e era tratada com rigor. Em 1893, o Código de Postura do Município estabelecia uma pena alternativa de multa no valor de cem mil reis, ou cinco dias de prisão para família do paciente acometido de doença infectocontagiosa, que n]ao comunicasse o fato à Inspetoria de Higiene. No decorre do tempo em face do aumento de infectados, o Serviço do Estado foi reorganizado e ampliado na forma da Lei n. 286, de 30 de setembro de 1899.

Os primeiros levantamento estatísticos, relacionados aos casos de hanseníase em Manaus, foram organizados de 1900 a 1920. O bairro da Cachoeirinha foi o local mais detalhadamente trabalhado por ser o mais distante, apresentando um resultado de 131 casos, sendo 103 masculinos e 28 femininos. Nessa mesma época, as estimativa para todo o Amazonas tínhamos um total entre 800 e 1000 doentes.

Para proceder a um levantamento das doenças endêmicas na Amazônia em 1903, o governo do Estado entrou em ação, contratando os serviços do famoso sanitarista Osvaldo Cruz e sua equipe. Em 1903, foi construída uma casa de isolamento em Umirizal destinada a portadores de varíola e ante a impossibilidade de manter os doentes de hanseníase na Santa Casa de Misericórdia de Manaus, estes foram removidos para o respectivo local tratados e assistido pelo dr. Miranda Leão. Segundo dados dos registros da Diretoria do Serviço Sanitário, até 1921, já haviam sido recolhidos ao Umirizal 75 pacientes.

Em 12 de novembro de 1906, foi assinado pelo Governador Constatino Nery, em relação à profilaxia da hanseníase e tuberculose, determinado que:

[…] Nenhum estabelecimento em que vendam gênero alimentícios o medicamento, nem habitações coletivas, poderão empregar tuberculosos e leprosos que eliminem o bacilo especifico, sob pena de multa de 200 mil reis.²

Alfredo da Matta. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Por sua vez, o Decreto n. 1 1413, de 30 de maio de 1921, no seu artigo 13 enfatiza que a Direção Clínica e Administrativa da Colonia dos Leprosos e do Hospital de Isolamento ficará a cargo de um inspetor sanitário. Nesse mesmo ano assumia a chefia do Serviço de Saneamento Rural do Amazonas, o Dr. Samuel Uchôa. No ano seguinte, foi empossado no posto de Inspetor Sanitário Rural do Estado o Dr. Alfredo da Matta.

De acordo com pesquisa realizada entre 1922 e 1923, foram relacionados 1436 portadores de hanseníase no Estado do Amazonas. Até então, o cadastramento e tratamento dos pacientes eram centralizados na capital, o que torna extremamente difícil a efetivação de cuidados em favor dos pacientes residentes no interior do Amazonas, devido às distâncias e a precariedades dos meios de transporte.

No entanto, a preocupação de afastar do espaço urbano e de seus entornos os doentes de hanseníase permaneceu como no período áureo da economia do látex. Embora a nova estética urbana empreendida não tinha conseguindo bani-los do centro de Manaus, mesmo que para isso as autoridades, tenha colocado grande esforço neste sentido.

Samuel Uchôa entendia a lepra como […] o maior mal do Amazonas é a mais tremenda ameaça […] não uma simples ameaça, mas uma apavorante; uma fulminadora realidade. Por isso, ao assumir a Diretoria de Saneamento Rural em 1921, juntamente com sua equipe dedicou-se na sensibilização da sociedade para a construção de um isolamento nos moldes que consideravam adequados, isso implicava principalmente no distanciamento de Manaus, pois colônia de asilamento existente não atendia as condições necessárias para um isolamento eficaz, como constatava Uchôa. O isolamento do Umirizal é defeituoso até a própria localização perto de Manaós, no Bairro de São Raymundo, não offerece garantias, tornando-o fácil a evasão dos doentes.³

Os doentes cadastrados eram encaminhados para o leprosário “Belizário Pena” inaugurado em 1923, na localidade de Paricatuba, a margem do Rio Negro, duas horas acima da cidade de Manaus.

Com este trabalho idealizado e realizado pelo doutor Alfredo da Matta e sua equipe, passou-se a ter um certo controle dos pacientes de hanseníase.

A falta de recursos na época era o mais grave obstáculo do governo estadual, para manter os doentes internados; surgiu a partir daí a Sociedade de Assistência aos Lázaros e Defesa Contra a Lepra, coordenada pelo Dr. Alfredo da Matta, organização que ogo se estendeu a quase todos os municípios do interior do Amazonas. Em consequência da doença, muitas famílias se separavam dos entes queridos, pais ou irmãos. Em 26 de abril de 1926, na Rua Urucará, no Bairro da Cachoeirinha foi inaugurada a Creche Alice Sales, destinada ao amparo dos filhos de pacientes portadores de hanseníase.

A ‘Colonia Antônio” Aleixo” situado nas cercanias, na época o local era considerado afastado, inaugurada em 1942, pelo Governo do Estado do Amazonas, oferecia melhores condições de vida comunitária aos hansenianos internados. Esta medida amenizou, de certa forma as dificuldades enfrentadas pelo governo para localizar o grosso dos pacientes, pois o isolamento de Paricatuba só podia ser de barco. Assim, de forma lenta, porém progressiva, os doentes foram transferidos, sendo que, naquele mesmo ano, também entrou em funcionamento o educandário “Gustavo Capanema, destinado na época aos filhos de hansenianos internados.

Não só como registro histórico, mas, também por justiça destacaram-se os médicos Geraldo Rocha, Menandro Tapajós e Leopoldo Krichanã, que se dedicavam ao atendimento dos pacientes das Colonias “Antônio Aleixo Belizário Pena” e a Casa Amarela, mais tarde denominada dispensário Alfredo da Matta.

A partir de 1953, a campanha nacional contra hanseníase tomou vulto, tendo o Governo Federal feito a convocação de especialistas para elaborar o Plano Nacional de Combate à Endemia. O plano apoiava-se interiormente, na politica dos doentes em leprocômios. O Estado do Amazonas acompanhou a politica adotada.

Do dispensário ao centro de saúde

Em 28 de agosto de 1955, foi inaugurado o Dispensário Alfredo da Matta, em um prédio modesto, adaptado da antiga Casa de Trânsito, conhecida popularmente como Casa Amarela. A adaptação por esse tradicional imóvel, para funcionar como dispensário, em linhas gerais, a uma planta elaborada pela diretoria de obras do Ministério da Saúde e que serviu de modelo, para a construção e instalação de outros similares na Amazônia.

O nome dado ao dispensário foi escolhido pelos médicos: Silas C. De Andrade, Célio Mota e Menandro Tapajós, prestando uma justa homenagem ao sanitarista Dr. Alfredo da Matta, tendo como primeiro diretor o Dr. Leopoldo Krichanã.

A medida que o tempo passava, o trabalho desenvolvido no dispensário “Alfredo da Matta” foi solidificando-se e adquirindo respeitabilidade. O resultado deste trabalho deu essa instituição o reconhecimento oficial pelo Ministério da Saúde, pela Organização Mundial da Saúde e outras instituições não governamentais, sendo logo transformado em Centro Regional em Dermatologia da Região Amazônica, tendo mais tarde denominado-se em Centro de Dermatologia Tropical em Venereologia Alfredo da Matta.

Referências:

¹ RIBEIRO, Maria de Nazaré de Souza. Vidas mutiladas nos espaços da hanseníase. Júlio César Suzuki. Manaus: UEA Edições. Pág. 37.

² Instituto Alfredo da Matta. Ontem e hoje: uma história de saúde pública. Manaus: IDTVAM, 1997, organizado por Francisco Gomes.

³ O mal de hansen: exclusão, segregação geográfica e o imaginário dos higienistas em Manaus (1921-1926): Ruth Jacó Lopes. Centro Universitário do Norte – Uninorte – Licenciatura Plena em História.

MONTEIRO, Mário Ypiranga. A Catedral Metropolitana de Manaus – Sua longa história. Manaus: Edição Sérgio Cardoso, 1958.

Instituto Alfredo da Matta. Ontem e hoje: uma história de saúde pública. Manaus: IDTVAM, 1997. Organizado por Francisco Gomes.

Leia também: As irmãs de “Sant’Anna” e a Beneficente Portuguesa em Manaus

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Projeto acadêmico no Amapá transforma restos de pescado em petiscos e farinhas

0

Pesquisa da Ueap cria petiscos e farinhas a partir de restos de pescado para gerar renda a ribeirinhos. Foto: Albenir Sousa/Rede Amazônica AP

Um projeto da Universidade do Estado do Amapá (Ueap) ensina estudantes a reaproveitarem integralmente as sobras e resíduos de peixes e crustáceos que seriam descartados. A iniciativa, desenvolvida no Laboratório de Biologia Pesqueira e Beneficiamento da instituição, conta com maquinário específico para transformar o descarte de pescado em soluções sustentáveis e gerar novas alternativas de consumo regional, gerando renda para as comunidades ribeirinhas

De acordo com a coordenadora do projeto, Daniele Hoshino, a pesquisa acadêmica nasceu justamente para enfrentar o grande volume de descarte de pescado gerado todos os dias pelo setor pesqueiro. A atuação ganha destaque com a celebração do Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador nesta quarta-feira (8), reforçando a presença feminina na pesquisa acadêmica e o desenvolvimento de tecnologias sociais voltadas para a realidade das populações locais na Amazônia.

“A ideia do projeto surgiu devido a um problema, que é a quantidade de resíduo de pescado gerado diariamente. […] Se ele for tratado de forma correta, pode servir tanto para a alimentação humana como para a alimentação animal”, explicou Daniele.

Leia também: Restos de peixes são reutilizados em estudo no Amazonas para criação de outros alimentos

Daniele Hoshino, coordenadora do projeto. Foto: Albenir Sousa/Rede Amazônica AP

Reaproveitamento de pescado gera resultados

camarões e restos de pescado são reaproveitados para criar petiscos e farinhas
Camarões reaproveitados geram criação de novos itens culinários. Foto: Albenir Sousa/Rede Amazônica AP

A demanda pelo estudo partiu de uma necessidade da própria comunidade local. Um dos principais focos da pesquisa é o reaproveitamento dos resíduos do camarão, gerados em grande escala em áreas ribeirinhas do Amapá, como no arquipélago do Bailique, distrito de Macapá. A coordenação afirma que as metodologias são planejadas para serem baratas e de fácil aplicação por esse público.

Entre os resultados práticos, as pesquisas já resultaram na criação de itens voltados para a culinária, usando o crustáceo de forma 100% integral.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

“Nós já elaboramos diversos produtos […]. Conseguimos aproveitar integralmente o camarão. Nós geramos farinha de camarão, que pode ser utilizada para saborizar os alimentos, geramos também um petisco com base no resíduo”, destacou a coordenadora.

Integrante da pesquisa há um ano, a bolsista de iniciação científica Eloísa Freire desenvolveu uma farinha de saborização e detalhou as etapas de produção realizadas no laboratório da universidade.

“Nós fizemos primeiramente a secagem a 60 graus em estufa durante aproximadamente 48 horas, depois passou para o processo de trituração, então a gente triturou esse resíduo seco por bastante tempo para que ele ficasse bem fino. Depois adicionamos também outras especiarias como páprica, cheiro-verde, cebola, todos secos também, para que a gente ao final tivesse um produto bem desenvolvido”, explicou a estudante.

Farinha de saborização produzida a partir do reaproveitamento do pescado. Foto: Albenir Sousa/Rede Amazônica AP

Além do impacto ambiental e social nas comunidades isoladas, a iniciativa cumpre o papel de integrar o aprendizado de sala de aula com o mercado consumidor. O trabalho busca unir o conhecimento prático aos pilares básicos da formação acadêmica: ensino, pesquisa e extensão.

“Enquanto universidade, a gente se preocupa muito em trabalhar nos três eixos […]. No ensino, fazemos a aplicação das disciplinas; na pesquisa, pensamos na aplicação de novas tecnologias; e na extensão, buscamos levar as nossas tecnologias sociais além dos muros da universidade”, concluiu Eloísa.

*Por Isadora Pereira e Mariana Braga, da Rede Amazônica AP

Além do espetáculo: série de minidocumentários mergulha no universo dos bois-bumbás

Foto: Divulgação/Arquivo Secom AM

A cultura dos bois-bumbás de Parintins vai muito além das apresentações na arena do Bumbódromo. Com o objetivo de ampliar o olhar sobre as tradições, os espaços e as pessoas que mantêm viva essa manifestação cultural durante todo o ano, o projeto “Vamos Brincar de Boi” produziu uma série especial de seis minidocumentários dedicados aos bastidores e às memórias que compõem o universo do Festival Folclórico de Parintins.

A produção integra as ações desenvolvidas pela Fundação Rede Amazônica para valorização do patrimônio cultural amazônico e apresenta ao público histórias, personagens e locais que ajudam a construir a identidade dos bois-bumbás muito além dos três dias de espetáculo.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Os episódios abordam diferentes aspectos da cultura parintinense, passando pela visita ao Bumbódromo fora do período do festival, pelo trabalho dos artistas responsáveis pelas alegorias dos bois Caprichoso e Garantido, pela tradição da Ladainha do Boi Garantido e pelos currais das duas agremiações, espaços considerados verdadeiros centros de produção cultural e de preservação da memória popular.

A série também destaca os tricicleiros, personagens tradicionais das ruas de Parintins e reconhecidos como parte importante da identidade cultural e do cotidiano da cidade.

Para o gerente de Programação do Grupo Rede Amazônica, Lemmos Ribeiro, a proposta dos minidocumentários é mostrar ao público que a cultura dos bois-bumbás permanece viva durante todos os meses do ano e é construída diariamente por centenas de pessoas.

“Queríamos apresentar Parintins para além do festival e das apresentações na arena, mostrando aspectos da cultura, da tradição e do cotidiano que podem ser vivenciados em qualquer época do ano. Existem personagens, espaços e manifestações culturais que fazem parte dessa identidade e que também merecem protagonismo. Registrar essas histórias é uma forma de contribuir para a preservação da memória cultural e reconhecer o trabalho de quem mantém essa tradição viva diariamente”, afirma.

Leia também: Maior romaria fluvial da América Latina em extensão: a história da devoção parintinense à Nossa Senhora do Carmo

Segundo Lemmos, as plataformas de comunicação têm papel fundamental na valorização e difusão dessas histórias para novos públicos. “A televisão aberta e as plataformas digitais ampliam o alcance dessas narrativas, fortalecem a identidade cultural da região e despertam o interesse para que mais pessoas conheçam e valorizem Parintins durante todo o ano, e não apenas no período do festival”, destaca.

Os minidocumentários foram exibidos entre os dias 1º e 6 de julho, logo após o encerramento do Festival Folclórico de Parintins 2026. A série foi veiculada na programação do Amazon Sat e também disponibilizada nos canais oficiais do Amazon Sat e da Fundação Rede Amazônica no YouTube. Assista:

Vamos Brincar de Boi

O “Vamos Brincar de Boi” é uma iniciativa da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, da Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC) e do Governo do Amazonas.

A ação busca fortalecer a valorização da cultura popular amazônica, preservar a memória coletiva e ampliar o acesso às tradições do Festival Folclórico de Parintins por meio de conteúdos educativos, culturais e informativos exibidos em diferentes plataformas do Grupo Rede Amazônica.

El Niño: CNM alerta que mais de um terço dos municípios brasileiros estão em situação crítica para desastres

0

Foto: Divulgação/Observatório do Clima

Diante da confirmação de que o fenômeno climático El Niño em 2026 será mais intenso, a Confederação Nacional de Municípios (CNM) alerta para a necessidade de reforço de medidas de prevenção a desastres. Dos 5.569 Municípios, 2.095 (37,6%) estão em situação crítica, mais susceptíveis a eventos como deslizamentos, alagamentos, enxurradas e inundações, de acordo com dados de nota técnica do governo federal analisados pela instituição.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Segundo o levantamento Serviço Geológico do Brasil (SGB) acompanhado pela CNM, foram identificadas 17.862 áreas de risco, sendo 5.593 consideradas de risco muito alto e 12.269 de risco alto. Nessas regiões, moram 4,6 milhões de pessoas e estão 1,7 milhão de casas.

O presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, destaca a importância de ações coordenadas entre União, estados e Municípios para evitar graves perdas para a população.

“Além de ter planos de emergência, é necessário investir na prevenção de desastres com medidas como limpeza de esgoto e armazenagem de água potável. A gente já tem um diagnóstico grave e precisa trabalhar para evitar novas tragédias, que muitas vezes atingem lugares já afetados anteriormente”, afirma.

Leia também: Entenda as previsões para o Super El Niño em 2026, que promete ser o mais intenso da década

El Niño preocupa

Os efeitos do El Niño — como altas temperaturas, ondas de calor, incêndios e chuvas intensas — podem gerar problemas como sobrecarga na saúde pública e falhas no abastecimento de água.

Como forma de apoiar os Municípios, a Confederação tem orientado os gestores a atuarem de forma integrada com outros Entes Federativos e priorizar cenários de risco já identificados. Entre as recomendações estão:

  • atualizar ou elaborar o Plano Municipal de Contingência (Plancon);
  • preparar e estruturar abrigos temporários;
  • mapear rotas de evacuação seguras;
  • produzir alertas antecipados;
  • pré-organizar compras e contratos emergenciais
  • e planejar o atendimento a comunidades isoladas.
seca efeito do el niño no amazonas em 2023
Seca no Amazonas, em 2023, efeito do El Niño. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Defesa Civil

Pesquisa da CNM, divulgada em maio deste ano, revelou que 3.469 Municípios (62%) têm baixa capacidade de enfrentamento aos eventos climáticos extremos, como inundações e secas severas (como as provocadas pelo El Niño). Mais da metade (55%) não conta com sistema de alerta e alarme e 27% não possuem atuação em gestão climática e prevenção de desastres. Em 2025, levantamento com 2.871 Municípios apontou como principais necessidades apoio financeiro para prevenção de desastres e gestão climática (93%), capacitação técnica (70%) e ampliação da equipe técnica (67%).

Um dos graves problemas identificados pelo movimento municipalista é a falta de recursos na Defesa Civil. A CNM defende a aprovação da PEC do Clima (PEC 31/2024), que pode garantir cerca de R$ 30 bilhões para ações de gestão ambiental e adaptação climática. Também é necessário aprimorar a transferência de recursos federais. Entre 2010 e 2025, a União prometeu R$ 30,5 bilhões para Defesa Civil municipal, mas apenas R$ 18,9 bilhões foram efetivamente repassados às prefeituras.

A fragilidade orçamentária e na coordenação de políticas públicas na área tem provocado resultados trágicos. Nos últimos 15 anos, 4.633 brasileiros foram vítimas fatais de desastres e 7,8 milhões de pessoas foram obrigadas a abandonar suas casas. Os eventos também causaram R$ 856,3 bilhões em prejuízos econômicos. Entre 2010 e 2025, deslizamentos, alagamentos, enxurradas e inundações foram responsáveis por 42% do total de mortes em desastres.

*Com informações da CNM

Maior romaria fluvial da América Latina em extensão: a história da devoção parintinense à Nossa Senhora do Carmo

Romaria das Águas leva imagem de Nossa Senhora do Carmo de Manaus até Parintins de barco. Foto: Thyago Lima/Acervo pessoal

A Romaria das Águas consolidou-se como uma das maiores manifestações religiosas da Amazônia e é considerada a maior romaria fluvial da América Latina em extensão. Realizada anualmente entre Manaus e Parintins, no Amazonas, a peregrinação reúne milhares de fiéis em uma viagem pelas águas do Rio Amazonas, levando a imagem de Nossa Senhora do Carmo, padroeira da Ilha Tupinambarana, em um percurso de aproximadamente 370 quilômetros que une fé, cultura e tradição amazônica.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp 

Muito além de um evento religioso, a Romaria tornou-se um símbolo da identidade amazônica. Embarcações de diversos tamanhos acompanham o cortejo fluvial, enquanto comunidades ribeirinhas recebem a imagem da santa ao longo do trajeto até Parintins, onde ocorre a tradicional Festa de Nossa Senhora do Carmo, celebrada em 16 de julho.

A origem da Romaria

A história da Romaria das Águas começou em 2009, idealizada pelo artista plástico, cenógrafo e carnavalesco Juarez Lima, um dos nomes da referência da arte parintinense. Reconhecido por sua contribuição ao Festival Folclórico de Parintins, Juarez decidiu criar a peregrinação para cumprir uma promessa feita em agradecimento pela recuperação de seu amigo Jair Mendes, que havia sofrido um acidente vascular cerebral (AVC).

O que nasceu como um gesto de gratidão rapidamente ganhou grandes proporções. A cada edição, mais embarcações passaram a integrar o cortejo, que também recebeu apoio de artistas, voluntários, instituições religiosas e moradores das cidades por onde a imagem de Nossa Senhora do Carmo passa.

“Meu pai foi exemplo de fé e esse legado deve continuar não só pelos filhos dele, eu e meu irmão, mas por diversas pessoas. Todos os anos recebemos o apoio de diversos devotos, entre eles artistas, para que essa romaria continue todos os anos e mostrar que a fé de Juarez Lima pela saúde de Jair Mendes e a crença em Nossa Senhora do Carmo seja sempre lembrada”, afirma Thyago Lima, filho de Juarez Lima.

Juarez Lima em sua última Romaria em vida. Foto: Thyago Lima/Acervo pessoal

Leia também: De Manaus à Parintins: 5 curiosidades sobre a Romaria das Águas para Nossa Senhora do Carmo

Com o passar dos anos, a Romaria tornou-se parte do calendário religioso do Amazonas e passou a integrar oficialmente as celebrações da padroeira de Parintins. Além da devoção mariana, o evento passou a representar a valorização da cultura amazônica, reunindo elementos da religiosidade popular e das tradições ribeirinhas.

Fé e cultura navegando juntas

Um dos principais diferenciais da Romaria das Águas é a união entre fé e arte. A imagem monumental de Nossa Senhora do Carmo, transportada sobre uma estrutura flutuante especialmente preparada para a viagem, tornou-se uma das marcas registradas da peregrinação.

As esculturas utilizadas durante a procissão são produzidas por artistas ligados ao Festival de Parintins. Integrantes dos bois Caprichoso e Garantido trabalham lado a lado na construção das alegorias, deixando de lado a rivalidade característica do festival para colaborar em um projeto comum de devoção religiosa.

“É um sentimento que a gente não consegue nem explicar. É uma forma de agradecimento isso que a gente faz. E o sentimento é totalmente diferente. Trabalhar no Festival de Parintins, no Carnaval, é como se fosse qualquer outro trabalho. Mas na Romaria é algo diferente”, afirma Osleilson “Zulú” Silva, artista plástico.

romaria das águas 2024
Imagem feita para a Romaria de 2024. Foto: Divulgação

Ao longo do percurso, a imagem é recebida por moradores de comunidades ribeirinhas e municípios do interior do Amazonas. Muitos fiéis acompanham toda a viagem em embarcações, enquanto outros aguardam a passagem da procissão às margens do rio para prestar homenagens, fazer orações e pagar promessas.

A chegada a Parintins costuma reunir milhares de pessoas na orla da cidade. O momento marca o encontro da Romaria com as celebrações de Nossa Senhora do Carmo, uma das manifestações religiosas mais tradicionais do estado.

O legado de Juarez Lima

A morte de Juarez Lima, em novembro de 2024, deu um novo significado à Romaria das Águas. Mesmo após o falecimento do artista, o evento continuou sendo realizado por familiares, amigos e colaboradores que assumiram a missão de preservar o legado deixado por seu idealizador.

Desde 2025 a peregrinação também passou a homenagear Juarez Lima, destacando sua contribuição para a cultura amazonense e para a religiosidade popular. Seu trabalho permanece presente não apenas nas alegorias da Romaria, mas também na memória dos milhares de romeiros que participam da travessia todos os anos.

“A continuidade desse legado do Juarez é algo que eu faço questão de participar. Eu trabalhei com o Juarez durante muito tempo e é estranho continuar sem ele aqui. Mas desde que eu adoeci, depois do falecimento dele, e me recuperei com a ajuda da ciência médica, da minha família e da fé em Nossa Senhora do Carmo, eu faço questão de ir todos os anos”, afirmou o ajudante dos trabalhos artísticos, Alan Cruz Fonseca, romeiro e funcionário da empresa fundada pelo cunhado Juarez Lima.

A coordenação do evento passou a ser conduzida por integrantes da família, que mantiveram a proposta original de fortalecer a devoção a Nossa Senhora do Carmo e preservar uma tradição que chega ao seu 17° ano.

Vamos Brincar de Boi

O “Vamos Brincar de Boi” é uma iniciativa da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, da Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC) e do Governo do Amazonas.

A ação busca fortalecer a valorização da cultura popular amazônica, preservar a memória coletiva e ampliar o acesso às tradições do Festival Folclórico de Parintins por meio de conteúdos educativos, culturais e informativos exibidos em diferentes plataformas do Grupo Rede Amazônica.

Bênção de Saída da Romaria das Águas será transmitida pelo Amazon Sat; veja a programação

0

Peregrinação de Nossa Senhora do Carmo acontece todos os anos, com saíde de Manaus e destino à Parintins. Foto: Thyago Lima

A 17ª edição da Romaria das Águas poderá ser acompanhada ao vivo pelo canal Amazon Sat. A transmissão da Bênção de Saída acontece no dia 13 de julho, diretamente do anfiteatro da Ponta Negra, em Manaus (AM), a partir das 18h (horário local) – 19h (horário de Brasília) e 17h (horário do Acre) -, marcando o início da peregrinação fluvial rumo a Parintins.

Idealizada pelo artista plástico Juarez Lima em 2009, a Romaria das Águas nasceu como cumprimento de uma promessa e, ao longo dos anos, transformou-se em uma das maiores manifestações de fé da Amazônia.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp 

A peregrinação reúne centenas de embarcações e milhares de fiéis durante o trajeto entre Manaus e Parintins, em homenagem a Nossa Senhora do Carmo, padroeira da Ilha Tupinambarana. Após a morte de Juarez Lima, em 2024, a organização passou a ser conduzida por seus familiares, que mantêm viva a tradição criada pelo artista.

Leia também: 15 anos de história: Romaria das Águas exalta cura pela fé, no Amazonas

Jair Mendes ao lado de Juarez Lima durante uma das edições da Romaria das Águas.
Jair Mendes ao lado de Juarez Lima durante uma das edições da Romaria das Águas. Foto: Juarez Lima Filho e Thyago Lima/Acervo pessoal

Confira a programação da transmissão da Bênção de Saída da Romaria das Águas 2026:

HorárioProgramação
17h00Abertura oficial e recepção dos fiéis
18h00Momento Cultural Amazônico
19h00Celebração da Bênção de Saída
19h50Show de Evangelização

A cerimônia reúne romeiros, autoridades, representantes da Igreja Católica e artistas em um momento que une religiosidade, cultura e tradição amazônica. Após a bênção, a imagem de Nossa Senhora do Carmo inicia a peregrinação fluvial em direção a Parintins, onde integra a programação da festa da padroeira do município, celebrada em 16 de julho.

https://portalamazonia.com/especial-publicitario/curiosidades-romaria-aguas-pin

Acre segue como um dos estados com pior desempenho em democracia ambiental na Amazônia Legal

0

Acre segue entre os estados com pior desempenho em democracia ambiental na Amazônia Legal. Foto: Reprodução/Secom AC

O Acre continua entre os estados com pior desempenho em democracia ambiental na Amazônia Legal, segundo o Índice de Democracia Ambiental (IDA), divulgado no dia 2 de julho pelo Instituto Centro de Vida (ICV) e pela Transparência Internacional Brasil. Um ano após aparecer entre os últimos colocados no levantamento, o estado permaneceu na faixa considerada “ruim” e voltou a registrar um dos piores resultados na proteção de defensores ambientais.

Segundo os dados, o Acre passou de 26,5 pontos, registrados no levantamento anterior, para 35,5 nesta edição. Apesar da melhora na pontuação, o estado continua entre os cinco com pior desempenho da Amazônia Legal. Já no indicador que mede a proteção de defensores, a nota passou de 2,5 para 2,9 pontos, mantendo o Acre atrás apenas de Roraima, que registrou 0,8 ponto.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O levantamento avaliou 120 indicadores para medir como a União e os nove estados da Amazônia Legal garantem transparência, acesso à informação, participação social, acesso à Justiça e proteção aos direitos socioambientais.

Entre os estados, Mato Grosso (56,7 pontos), Pará (55,3), Amazonas (43,8) e Maranhão (41,9) receberam classificação “regular”. Já Tocantins (39,6), Rondônia (36,2), Amapá (35,8), Acre (35,5) e Roraima (22,8) ficaram na faixa “ruim”. A média dos estados foi de 40,8 pontos.

Leia também: Acre ocupa 8º lugar entre estados que associam crescimento econômico a sustentabilidade

Floresta no Acre é preservada devido à leis ambientais do estado
Acre possui cerca de 85% de sua cobertura vegetal nativa preservada. Foto: Pedro Devani/Secom AC

Segundo o estudo, a proteção de defensores foi o aspecto mais crítico avaliado. A média dos estados nesse indicador foi de apenas 15,1 pontos. A pesquisa aponta ainda que apenas Mato Grosso, Maranhão e Pará possuem mecanismos próprios de proteção a defensores ambientais.

De acordo com a Transparência Internacional Brasil e o ICV, a maioria dos estados ainda não conta com estruturas capazes de prevenir riscos, proteger ativistas e responder de forma adequada a situações de violência contra pessoas que atuam na defesa do meio ambiente.

Estudo defende temas ambientais

O levantamento conclui que a agenda de proteção a defensores ambientais ainda é pouco institucionalizada na Amazônia Legal. Para os pesquisadores, os estados precisam de políticas públicas voltadas à prevenção de ameaças, à proteção de ativistas e ao enfrentamento de casos de violência.

Entre as recomendações do estudo está a aprovação, pelo Senado, do Acordo de Escazú, tratado internacional voltado à garantia dos direitos de defensores ambientais.

Acre aparece entre os estados com classificação “ruim” na pesquisa. Imagem: Reprodução/Instituto Centro de Vida (ICV) e Transparência Internacional Brasil

O documento também propõe ampliar os programas de proteção, incentivar a participação social em temas ambientais e criar estruturas especializadas em meio ambiente, questões fundiárias e povos indígenas no Judiciário, no Ministério Público, nas Defensorias Públicas e nas polícias.

Proteção a defensores ambientais

Defensor ambiental Raimundão
Raimundo Mendes de Barros é um dos líderes ambientais de Xapuri. Foto: Reprodução

O baixo desempenho do Acre no indicador de proteção a defensores ambientais já havia sido apontado na edição de 2025.

Além disso, a divulgação do levantamento ocorreu em meio à repercussão da Operação Suçuarana, feita pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) na Reserva Extrativista Chico Mendes, em Xapuri.

A ação de combate a crimes ambientais provocou protestos de moradores e colocou em evidência o debate sobre a segurança de lideranças que atuam na defesa do meio ambiente.

Na ocasião, uma das lideranças que relatou ameaças foi Raimundo Mendes de Barros, conhecido como “Raimundão”, primo de Chico Mendes e uma das principais referências do movimento extrativista no Acre.

O Comitê Chico Mendes, formado por familiares do líder seringueiro, divulgou uma nota pública em defesa de Raimundão e afirmou que ele vinha sofrendo ameaças por atuar na defesa da floresta e das comunidades tradicionais.

*Por Jhenyfer de Souza, da Rede Amazônica AC

Bolívia registra nascimento de segundo filhote de harpia, espécie ameaçada de extinção

0

Filhote de harpia foi registrado durante monitoramento do segundo ninho da espécie na Bolívia. Foto: Divulgação/MHNNKM

Após meses de monitoramento, um filhote de harpia teve seu nascimento registrado na Bolívia. O Programa de Conservação da Harpia, liderado pelo Museu de História Natural Noel Kempff Mercado (MHNNKM), no departamento de Santa Cruz, documentou de forma inédita, no dia 7 de julho, o ciclo reprodutivo da espécie considerada em perigo de extinção nas florestas bolivianas.

De acordo com o museu, o nascimento do filhote ocorreu nos primeiros meses deste ano, como resultado do monitoramento permanente do ninho descoberto em setembro de 2025 no município de Santa Rosa del Sara.

“Após anos de trabalho de campo, múltiplas expedições de monitoramento e o esforço conjunto do programa (…) foi possível registrar o segundo nascimento de um filhote de harpia (Harpia harpyja) confirmado para a Bolívia”, disse o museu por meio de suas redes sociais.

Leia também: Amazônia abriga a maior ave de rapina do Brasil

O monitoramento do ninho permitiu documentar o ciclo reprodutivo pela primeira vez de forma contínua na Bolívia. Foto: Divulgação/MHNNKM

O ninho foi localizado após uma busca sistemática promovida por pesquisadores do museu, com o apoio da família Drawert, proprietária da área onde essas aves vivem. A descoberta possibilitou acompanhar de perto um novo ciclo reprodutivo, uma expectativa que meses depois foi confirmada com o nascimento do filhote.

Antes da descoberta, as águias já haviam sido avistadas em várias ocasiões tanto pela família quanto por especialistas. Esses registros guiaram o trabalho de campo até que identificassem o local onde iniciariam um novo ciclo reprodutivo. Meses depois, essa expectativa se tornou realidade.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O nascimento possibilitou documentar continuamente todo o ciclo reprodutivo e obter informações sobre sua biologia e ecologia, conhecimento que até então era escasso na Bolívia e essencial para fortalecer as estratégias de conservação.

Segundo o pesquisador Alexander Blanco, assessor internacional do programa desde sua criação, o ninho está entre os maiores ativos documentados para a espécie em toda a sua área de distribuição, uma característica que aumenta o valor científico do monitoramento.

Harpia em perigo

águia-harpía
A harpia é uma das maiores aves de rapina do mundo. Foto: Divulgação/MHNNKM

Os resultados dessa pesquisa são ainda mais relevantes porque o Livro Vermelho de Vertebrados da Bolívia 2026 recategorizou a harpia como ameaçada, após ter sido considerada vulnerável e, subsequentemente, quase ameaçada.

Conhecida como o “emblema do ar de Santa Cruz”, esta espécie de águia é uma das maiores aves de rapina do mundo. Pode atingir entre 90 centímetros e pouco mais de um metro de comprimento, uma envergadura de asas de até 2,24 metros e desenvolver garras de quase sete centímetros. Habita florestas úmidas de planície e necessita de grandes extensões de cobertura florestal para estabelecer seus ninhos e encontrar alimento.

Saiba mais: Ameaçados de extinção: Confira 8 espécies de macacos que podem desaparecer

O Livro Vermelho de Vertebrados da Bolívia 2026 recategorizou a águia como ameaçada. Foto: Divulgação/MHNNKM

Sua reprodução progride lentamente, característica que faz de cada nova prole um registro de enorme importância para a conservação. A espécie põe um ou dois ovos e, entre 34 e 35 meses, podem se decorrer entre o nascimento de uma prole, dificultando a recuperação de suas populações diante de ameaças constantes.

O Livro Vermelho identifica a perda e degradação das florestas, a caça ilegal, colisões com linhas de energia e perseguição humana entre os principais riscos para sua sobrevivência.

Na Bolívia, o tamanho de sua população ainda é desconhecido, por isso especialistas consideram prioritário expandir pesquisas sobre sua distribuição, sucesso reprodutivo e requisitos de conservação.

O museu ressaltou que o monitoramento permanente do ninho fornece informações sem precedentes sobre a biologia e ecologia dessa ave, uma base científica que orientará futuras ações de conservação de uma espécie que hoje enfrenta um risco maior de desaparecer das florestas bolivianas.

*Com informações do Governo da Bolívia

“Nós precisamos modernizar a legislação”, afirma Sidney Leite sobre oferta de voos na Amazônia

Arte: Reprodução/ Amazon Sat

O deputado federal pelo estado do Amazonas, Sidney Leite (PSD), em conversa no programa Entrevistas, do canal Amazon Sat, afirmou que a força tarefa de deputados e senadores da Amazônia para mudar a legislação sobre o transporte aéreo e fornecer mais opções de voos na região é para o que ele chamou de “modernizar a legislação”.

Para o parlamentar, os amazônidas vivem “isolados” do restante do Brasil por vias terrestres e, por isso, o poder público precisa agir diante das empresas concessionárias que estão oferecendo o serviço em cidades que estão dentro da Amazônia Legal.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

“Precisamos modernizar a legislação haja vista que nós na Amazônia vivemos no isolamento. Pagamos uma passagem absurda que é mais cara que um voo internacional. Nós temos dificuldades de voos entre as capitais. Para você ter uma ideia, o cidadão que mora no Amazonas, no município de Guajará, que fica na fronteira com o Acre tem que ir pra Cruzeiro do Sul pegar um voo para Rio Branco, pegar um outro voo na madrugada para Brasília e de Brasília pegar um voo para Manaus, o que é um desrespeito para com a população da Amazônia”, afirmou o deputado federal.

Sidney Leite afirmou ainda que preços de passagens aéreas fora da região, com distâncias mais longas, são mais baratos que de viagens curtas entre cidades na Amazônia.

“Se eu tirar uma passagem de Manaus para Salvador e parar em Brasília, essa passagem é mais barata que o trecho ‘Manaus – Brasília’ e não há nada que justifique isso. Mas isso não é só em relação a Manaus. O que acontece é que nós temos o monopólio de três companhias aéreas e com esse projeto de lei nós queremos atrair empresas internacionais para fazer voos que iniciem ou terminem na Amazônia, não só garantindo a oferta de voos, mas diminuindo o preço das passagens”, comentou.

Preço de carga no voos

O deputado federal Sidney Leite afirmou ainda que a situação atual do tráfego aéreo também encarece o preço do transporte de carga e isso afeta cidades como Manaus que possuem uma alta produção industrial. Para ele, os projetos de lei farão com que essa situação também possa ser corrigida.

“Queremos também diminuir o preço de carga porque nós temos uma demanda muito grande. Para você ter uma ideia, o aeroporto da cidade de Manaus é terceiro maior aeroporto de movimento de cargas do país, ficando atrás só do aeroporto de Guarulhos e Viracopos no estado de São Paulo. Nós praticamos isso de forma absurda. O cidadão de qualquer parte do país compra pela internet e recebe em três dias no máximo a sua demanda, já nós não, porque vivemos nesse isolamento e na ditadura desse monopólio das companhias aéreas”, pontua.

A entrevista completa já está disponível no canal do Amazon Sat no Youtube: assista o programa completo AQUI.

‘Entrevistas’

O programa Entrevistas, do Amazon Sat, nasce com a proposta de aproximar os amazônidas das decisões tomadas em Brasília que impactam diretamente a região. Produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal, o programa aborda temas ligados à política, justiça, economia e meio ambiente, ouvindo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e formadores de opinião.

Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, que há mais de duas décadas acompanha pautas da Amazônia em Brasília, o programa pretende aprofundar debates e revelar os bastidores das decisões que influenciam a vida de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica. A atração também busca transformar assuntos técnicos e complexos em informações acessíveis ao público.

‘Entrevistas’ tem sempre um episódio inédito às terças-feiras, às 19h30, e conta com reexibições:

quartas, às 9h;
quintas, às 13h30;
sextas, às 17h30;
sábados, às 9h30;
domingos, às 15h45;
e segundas, às 19h30.

Todos os horários seguem o fuso de Manaus/AM (GMT -4).

Novo livro de Thiago Roney reúne 24 contos sobre a Amazônia contemporânea

0

Doutor em Literatura, o autor junta sua produção ficcional na nova publicação da Editora Valer. Imagem: Divulgação

A literatura amazônica ganha um novo título de destaque com o lançamento do livro ‘Com o rio Negro na boca’, do escritor Thiago Roney, publicado pela Editora Valer, em Manaus (AM). Reunindo 24 contos escritos ao longo de 14 anos, a obra consolida uma trajetória literária marcada pela experimentação da linguagem, pelo absurdo do cotidiano, pelo tempo sombrio no Brasil e pela construção de uma Amazônia distante dos estereótipos.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Em vez da anomalia da normalidade, os textos mergulham em conflitos familiares, violência, religiosidade, infância, delírio e desigualdade social, fazendo do rio Negro uma poderosa imagem simbólica que atravessa toda a coletânea.

Em ‘Com o rio Negro na boca’, a escrita de Thiago Roney transita entre o grotesco e o lírico, entre a violência e a ternura, criando narrativas em que o cotidiano é continuamente tensionado até seus limites.

Leia também: Literatura amazônica: conheça livros que ajudam a desbravar a região sem sair de casa

THIAGO RONEY LANÇA NOVO LIVRO EM MANAUS
Foto: Anne lucy

Os personagens vivem situações extremas e transformam o pensamento, a memória e a própria linguagem em matéria narrativa, conduzindo o leitor a um universo onde realidade e delírio se confundem.

Livros de Thiago Roney revelam sua trajetória

Professor, pesquisador e escritor, Thiago Roney é doutor em Literatura pela Universidade de Brasília (UnB), mestre em Letras e Artes pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e autor dos livros ‘O estouro da artéria de um cavalo húngaro’ (2013), ‘A merda do mundo’ (2015), ‘O drone de Yebá Buró – um poema cosmopolítico’ (2022) e ‘Realismo dos fantasmas da periferia: o pensamento do realismo mágico’ (2025).

O lançamento do novo livro, ‘Com o rio Negro na boca’, será realizado no dia 14 de julho, às 19h, no Valer Teatro (Salão Verde), localizado na Rua José Clemente, n° 600, no Largo São Sebastião, Centro de Manaus.