Desova de tartarugas. Foto: Reprodução/Ideflor-Bio
Tabuleiro, ou Taboleiro, é o termo local designado às áreas de desova de tartarugas-da-amazônia. É caracterizado por ser uma área localizada num banco de areia (praia), às margens de terra firme ou de ilhas, onde ocorre a desova gregária (seres, animais ou plantas que vivem em bandos, grupos, comunidades ou colônias) da tartaruga-da-amazônia, de acordo com a biológa e doutora em ecologia, Daniely Félix-Silva.
No entanto, no mesmo tipo de ambiente também podem ser encontradas desovas de tracajá e pitiú, embora estas não desovem de forma gregária.
Um dos mais conhecidos na Amazônia é o Refúgio de Vida Silvestre (REVIS) Tabuleiro do Embaubal, uma unidade de conservação estadual de proteção integral situada no município de Senador José Porfírio, no estado do Pará.
Acácias com 33 meses de vida, em Manaus: as TPAs ou “terras pretas de índio” (TPI), como também são conhecidas, resultam da decomposição de matéria orgânica e do uso de fogo por populações pré-colombianas e continuam sendo criadas por povos atuais. Foto: Tsai Siu Mui/Cena-USP
Um estudo realizado no Amazonascom apoio da FAPESP demonstrou que pequenas quantidades da chamada “terra preta da Amazônia” (TPA), solo antropogênico criado por antigas populações amazônicas, são capazes de aumentar o crescimento em até 55% na altura e 88% em diâmetro do ipê-roxo (Handroanthus avellanedae), árvore que ocorre também na Mata Atlântica.
Pesquisadores coletam amostras de solo e medem tronco de árvores durante experimento com TPA. Foto: Anderson Santos de Freitas/Cena-US
Em uma espécie amazônica, o paricá (Schizolobium amazonicum), o aumento foi de 20% na altura e 15% no diâmetro do tronco. Os resultados são referentes aos primeiros 180 dias de vida das plantas, em comparação com outras das mesmas espécies que não receberam a terra preta.
A pesquisa, publicada na revista BMC Ecology and Evolution, foi conduzida por pesquisadores do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (Cena-USP), em Piracicaba, da Embrapa Amazônia Ocidental e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), ambos em Manaus.
“O determinante não foi a quantidade de nutrientes em si, que não muda muito, mas os microrganismos, que eram bem diferentes, especialmente os fungos. Nas plantas tratadas com terra preta há uma reorganização da microbiota em torno das raízes, com um recrutamento mais eficiente de microrganismos benéficos e uma redução de patógenos”, explica Anderson Santos de Freitas, primeiro autor do estudo, realizado durante doutorado no Cena-USP com bolsa da FAPESP.
Além de ajudar a reflorestar áreas degradadas e prover serviços ecossistêmicos, as duas árvores analisadas podem ser usadas na exploração sustentável de madeira, principalmente o ipê-roxo.
As terras pretas da Amazônia ou terras pretas de índio (TPI), como também são conhecidas, resultam da decomposição de matéria orgânica e do uso de fogo por populações pré-colombianas e continuam sendo criadas por povos atuais. Leia mais AQUI.
O estudo mostra que as TPAs abrigam um conjunto de bactérias, arqueas e fungos que ajudam as plantas a absorverem os nutrientes e ainda eliminam outros microrganismos oportunistas e patogênicos, tornando o ambiente muito mais favorável para seu crescimento.
“Estudamos as terras pretas há mais de 20 anos e testamos diversas formas de uso. A ideia é entender o que elas têm de melhor para as árvores crescerem mais rápido e mais fortes em áreas degradadas”, conta Tsai.
“Quando se desmata, principalmente para pastagem, a tendência é que o solo seja mal manejado, o que leva a uma perda muito rápida de microrganismos e nutrientes. O objetivo é recuperar a floresta e os serviços ecossistêmicos nessas áreas”, completa.
Protegidas por lei, as terras pretas são reguladas pelo Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGen), órgão colegiado presidido pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
“Usamos pequenas quantidades nos experimentos, após obter autorização do CGen. A ideia não é que as pessoas a utilizem diretamente, o que é proibido, mas entender como ela é formada, qual seu conteúdo e quais microrganismos e processos a tornam tão especial. Com isso, poderíamos reproduzi-la ou isolar seus componentes que possam ser úteis”, diz Freitas.
Experimento
Em um estudo anterior, o grupo comparou o crescimento em estufa, com e sem a adição de terra preta, de mudas de outras espécies arbóreas e do capim braquiária (leia mais em: agencia.fapesp.br/41651).
No trabalho atual, foi medido o crescimento das mudas no campo. Para isso, sementes das duas espécies foram cultivadas no viveiro da Embrapa Amazônia Ocidental, em Itacoatiara (AM), em dois tratamentos: terra preta ou fibra de coco.
Após 15 dias, as sementes haviam germinado e se tornado mudas, que foram então transferidas para o campo experimental da mesma instituição, em Manaus. Foram plantadas no solo e não receberam nenhuma adubação ou herbicida, recebendo apenas água da chuva e tendo controle manual de plantas daninhas.
Após seis meses, todas as plantas estavam vivas. Porém, as diferenças das tratadas com TPA foram significativas. No caso dos paricás, embora tenham apresentado um crescimento proporcionalmente menor do que o que ocorreu entre os ipês-roxos, as árvores tinham cerca de 1,5 metro de altura 180 dias depois de as mudas serem transferidas para o campo.
Os pesquisadores observaram no solo das plantas tratadas com terra preta um aumento, principalmente, da diversidade de fungos, mais acentuado no ipê-roxo. A explicação pode ser a grande adaptação do paricá a solos degradados, que faz com que a espécie não demande tantos nutrientes e microrganismos.
“Os fungos respondem mais rápido, por serem microrganismos mais complexos. Com a adição de terra preta, imediatamente há um aumento de matéria orgânica e, portanto, de fungos decompositores, que fazem uma ciclagem mais eficiente dos nutrientes, tornando-os mais disponíveis para as plantas”, detalha Freitas.
Os resultados publicados agora se referem aos primeiros 180 dias de vida das plantas. No total, o experimento durou três anos. Atualmente, os pesquisadores analisam os dados do período completo, que vão resultar em novos trabalhos.
Nos mais de 20 anos estudando as terras pretas, o laboratório liderado por Tsai no Cena-USP tem mais de 200 microrganismos isolados dessas formações, que agora estão sendo analisados quanto às suas funções. A ideia é desenvolver soluções que possam ser aplicadas na recuperação de solos degradados para o reflorestamento.
O trabalho teve apoio da FAPESP ainda por meio de Bolsa de Doutorado no Cena-USP para outro coautor do estudo, Guilherme Lucio Martins.
O artigo ‘Boosting tree growth in the Amazon rainforest using Amazonian Dark Earths‘ pode ser lido AQUI.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Fapesp, escrito por André Julião
Uma nova espécie de besouro foi descoberta no sul da Amazônia peruana por uma equipe internacional de cientistas. Foto: Reprodução/Agência Andina
Uma equipe internacional de cientistas descobriu um total de nove novas espécies de besouros na parte sul da Amazônia peruana, informou a organização ambiental Amazon Conservation (ACCA). Uma das nove espécies descobertas recebeu o nome de Anisopodus forsythi, em homenagem ao naturalista e entomologista Adrian Forsyth, fundador da ACCA.
A descoberta de Anisopodus forsythi faz parte de uma investigação que descreve um novo gênero e nove novas espécies de besouros de chifres longos, “representando um avanço significativo no conhecimento científico sobre esses insetos no sul da Amazônia peruana”, destacou a ACCA.
Adrian Forsyth. Foto: Divulgação/ACCA
A pesquisa foi realizada pelos cientistas latino-americanos Ángelo Ávila-Jiménez, Juan Pablo Botero, Antonio Santos-Silva e Alejandro Lopera-Toro, que combinaram coleta de amostras em campo, revisão de coleções científicas e análises taxonômicas especializadas para identificar e descrever as espécies.
A organização ambiental afirmou que o nome Forsyth reconhece as décadas de trabalho de Adrian Forsyth na promoção da pesquisa científica e da conservação da biodiversidade nos trópicos, bem como sua visão de fomentar espaços onde novas gerações de cientistas possam estudar a natureza em primeira mão.
Papel fundamental dos besouros nas florestas tropicais
Em outra ocasião, a ACCA descreveu que os besouros de antenas longas, pertencentes à família Cerambycidae, desempenham um papel ecológico fundamental nas florestas tropicais.
A organização explicou que suas larvas se desenvolvem na madeira e contribuem para a decomposição de troncos e galhos, um processo essencial para a reciclagem de nutrientes e a manutenção da saúde do ecossistema.
Algumas espécies chegam a carregar outros invertebrados sob suas asas, que precisam delas para percorrer longas distâncias entre diferentes pedaços de madeira, demonstrando a complexidade das interações dentro da floresta.
Foto: Divulgação/ACCA
A ACCA argumentou que, além da descoberta de novas espécies, a pesquisa fornece informações essenciais sobre a diversidade desses insetos no sul do Peru e o posiciona como o quarto país com a maior diversidade de besouros da família Cerambycidae na América do Sul.
Este trabalho também representa a primeira lista abrangente de 137 espécies de besouros dessa família para a região de Cusco. A maioria dos espécimes analisados foi coletada durante pesquisas realizadas na Estação Biológica de Conservação da Amazônia (ACCA) de Manu, localizada no Vale de Kosñipata, em Cusco.
Por fim, mencionou que a pesquisa foi possível graças ao apoio da Biome Conservation, por meio de seu programa de bolsas para jovens cientistas, cujo financiamento permitiu o trabalho que levou à descoberta e documentação dessas espécies.
As aulas despertam o interesse pela tecnologia e inovação desde cedo. Foto: Divulgação/PMBV
Nesta terça-feira, 24, teve início mais uma edição do curso de Robótica Educacional promovido pela Prefeitura de Boa Vista, por meio da Agência Municipal de Empreendedorismo (AME). As aulas ocorrem às terças e quintas-feiras no Centro Municipal de Inovação (CMI), bairro Mecejana, onde as manhãs e tardes se enchem de criatividade e descobertas.
Ao todo, cerca de 120 crianças, entre 9 e 14 anos, mergulham em um universo onde aprender envolve construir, testar, errar e tentar de novo. A proposta é despertar desde cedo o interesse pela tecnologia e inovação. De início, os olhos atentos já revelam o impacto.
“Esse é o meu primeiro contato com a robótica. Está sendo uma experiência legal e diferente”, contou Isabela Souza Costa, de 9 anos.
Em meio à turma, Isabela se destaca. É a única menina. O que torna a experiência ainda mais especial. Foto: Divulgação/PMBV
Para Isaac Alves Barbosa da Silva, de 12 anos, cada peça montada é uma conquista. “Eu estou conhecendo um monte de coisa que antes eu não sabia. Quero aprender a montar robôs e fazer sistemas”, disse.
Ao longo de 40 horas, os alunos aprendem lógica, programação e, principalmente, a trabalhar em equipe. Comunicação, cooperação e criatividade são tão importantes quanto qualquer circuito montado.
O projeto já soma uma década de transformação. “Desde 2016, a robótica educacional vem moldando jovens talentos em Boa Vista, com dois editais por ano e a missão de fazer com que cada criança saia melhor de como entrou”, resume o coordenador Pedro Ribeiro.
Cerca de 120 crianças estão matriculadas na primeira turma de robótica educacional de 2026. Foto: Divulgação/PMBV
Os alunos mais dedicados têm a chance de integrar equipes de competição, como a elite I’Robot e representar a capital em desafios nacionais. Este mês, a equipe participou da etapa nacional da FIRST LEGO League Challenge, o maior torneio de robótica do país.
A competição ocorreu durante o Festival Sesi de Robótica, na Fundação Bienal, localizada no Parque do Ibirapuera (SP). A programação contou com torneio, desafios e diversas atrações interativas voltadas à tecnologia e inovação.
Búfalos são considerados invasores. Foto: Reprodução/Acervo NGI Cautário-Guaporé
A Justiça Federal determinou que o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) suspenda imediatamente o abate experimental de búfalos invasores que vivem em reservas ambientais de Rondônia. Em caso de descumprimento, será aplicada multa diária de R$ 100 mil.
O projeto foi iniciado na segunda-feira (16). O objetivo é abater 10% da população de búfalos, atualmente estimada em 5 mil cabeças, para elaborar um plano de erradicação da espécie invasora.
No entanto, o Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma petição na Justiça Federal, em um processo que já está em andamento, pedindo a suspensão das atividades.
O órgão alega que a área abrangida pela operação se sobrepõe a territórios de ocupação tradicional de povos indígenas e comunidades quilombolas e que esses povos não foram consultados sobre a ação.
Em 2025, o MPF moveu uma Ação Civil Pública para obrigar o ICMBio e o Estado de Rondônia a implementar medidas urgentes de controle do búfalo asiático. O órgão pede também uma indenização de R$ 20 milhões por danos morais coletivos, a ser destinada a ações de reflorestamento nas unidades de conservação estaduais e federais em Rondônia. O processo tramita na 2ª Vara Federal Cível e Criminal Seção Judiciária de Ji-Paraná (RO).
Na decisão, o juiz Frank Eugênio Zakalhuk aponta que já havia uma decisão anterior que permitia apenas elaborar o plano de controle, não o abate
O ICMBio defende que não há como elaborar um plano de erradicação sem uma pesquisa de campo como a que estava em andamento. Segundo o Instituto, a iniciativa cumpre determinação da Justiça Federal para a adoção de medidas imediatas para controle e erradicação dos búfalos.
Além de determinar a suspensão do abate, a Justiça Federal ordenou que:
seja fixada uma multa diária de R$ 100 mil em desfavor do ICMBio e do Estado de Rondônia, solidariamente, em caso de descumprimento da determinação de suspensão imediata das operações;
o ICMBio apresente, no prazo de cinco dias, cópia integral do projeto piloto de controle e erradicação da espécie invasora Bubalus bubalis que fundamenta as operações em curso;
a Funai se manifeste, em até cinco dias, sobre a situação territorial das comunidades indígenas afetadas, os impactos das operações e a necessidade de realização de consulta prévia.
O Grupo Rede Amazônica entrou em contato com o ICMBio, o Estado de Rondônia e a Funai pedindo posicionamento sobre a decisão recente, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Por que os búfalos estão sendo abatidos?
Como não são nativos do Brasil, os búfalos não possuem predadores naturais. Soltos e se reproduzindo sem controle, eles provocam graves impactos, como a extinção de espécies da fauna e da flora nativas e alteração no curso dos campos naturalmente alagados, que fazem parte da biodiversidade local.
Foto: Vinicius Assis/ Rede Amazônica RO
De acordo com o biólogo e analista ambiental do ICMBio, Wilhan Cândido, o abate é, no momento, a única alternativa viável para resolver a questão. Como a região é isolada e de difícil acesso, não existe logística possível para retirar os animais vivos ou mortos. Além disso, como se desenvolveram sem controle sanitário, a carne não pode ser aproveitada.
Atualmente, os animais vivem entre a Reserva Biológica (Rebio) Guaporé, a Reserva Extrativista (Resex) Pedras Negras e a Reserva de Fauna (Refau) Pau D’Óleo, no oeste de Rondônia, uma região de encontro entre três biomas: a Floresta Amazônica, o Pantanal e o Cerrado.
As reservas biológicas são a categoria de proteção ambiental mais restritiva em Rondônia. As únicas atividades permitidas nessas áreas são a educação ambiental e pesquisas científicas. No entanto, algumas famílias ainda vivem nesses locais, pois já residiam ali antes da criação das unidades de conservação.
“É um ambiente único, com várias espécies endêmicas [nativas] e a presença do búfalo vai levar à extinção de várias delas. Algumas espécies que a gente só tem registros aqui, sejam elas residentes ou migratórias”, explica o biólogo e analista ambiental do ICMBio, Wilhan Cândido.
*Por Jaíne Quele Cruz e Vinicius Assis, da Rede Amazônica RO
Ação está na 26ª operação pelo estado com uma equipe multiprofissional que tem como objetivo levar saúde as comunidades isoladas, através do chamado ‘Navio Esperança’. Foto: Reprodução/Acervo Marinha do Brasil
Com consultas médicas, odontológicas e até pequenas cirurgias gratuitas, o Navio de Assistência Hospitalar (NAsH) Doutor Montenegro, da Marinha do Brasil, começou os atendimentos nesta terça-feira (24) em Mâncio Lima, interior do Acre.
Ao todo, seis municípios do Vale do Juruá devem receber os atendimentos durante a Operação Ícaro, que iniciou 9 de fevereiro em Cruzeiro do Sul. A expectativa é de que sejam atendidos mais de mil moradores apenas durante a operação.
À Rede Amazônica Acre, o comandante do navio, Marcelo Camerino da Silva de Souza, contou que a ação está na 26ª operação pelo estado com uma equipe multiprofissional que tem como objetivo levar saúde as comunidades isoladas, através do chamado ‘Navio Esperança’.
“O navio de assistência hospitalar lançou a Operação Ícaro levando saúde a quem mais precisa. Com isso, profissionais de saúde do navio estão sendo deslocados por caminhonete, lancha e aeronave, garantindo atendimento mesmo nas áreas mais remotas da região”, disse.
Os atendimentos começam a partir de 8h por ordem de chegada. Conforme o comandante, a expectativa é que, assim como em 2024, sejam feitos cerca 1.080 atendimentos na missão até o mês abril. Ao longo da missão, conforme o comandante, os atendimentos devem ficar entre 15 mil a 20 mil na região.
O comandante disse ainda que essa é a primeira vez da ação em Jordão, uma das cidades isoladas do Acre. Segundo ele, parte da equipe ficará na base montada de Cruzeiro do Sul para continuar atendendo as mulheres que queiram fazer o exame de mamografia ou precisem de pequenas cirurgias que devem ser feitas no Hospital da Mulher do Juruá.
No primeiro mês foram atendidos 1.313 ribeirinhos de comunidades isoladas e mais de 56.132 medicamentos distribuídos. A ação ocorre em parceria com o Ministério da Saúde, tendo na equipe médicos, dentistas, farmacêuticos, enfermeiros e técnicos de enfermagem.
“Além dos atendimentos médicos, temos o mais importante, o paciente recebe o remédio para continuar fazendo o seu tratamento. Além de poder fazer raio-X, ser vacinado e as mulheres fazerem a mamografia”, concluiu o comandante.
Veja como será a agenda dos serviços do navio:
Terça, 24 de março – Mâncio Lima;
Quarta, 25 de março – Rodrigues Alves;
Quinta a sábado, 26 a 28 de março – Porto Walter;
Segunda e terça, 30 e 31 de março – Miritizal (à margem do Rio Juruá);
1 a 3 de abril – Marechal Thaumaturgo;
4 de abril – Jordão.
*Por Walace Gomes e Carla Carvalho, da Rede Amazônica AC
A diretoria da Fundação Rede Amazônica (FRAM) realizou, em Roraima, a entrega do caderno de soluções do projeto Amazônia Que Eu Quero ao Governo do Estado e à Prefeitura de Boa Vista, fortalecendo o diálogo com o poder público e a construção de propostas voltadas ao desenvolvimento sustentável da região.
Durante a agenda institucional, a Fundação foi recebida pelo governador de Roraima, Antonio Denarium (PP), e pelo prefeito de Boa Vista, Arthur Henrique (MDB), em encontros que tiveram como foco a apresentação das propostas e o alinhamento de iniciativas estratégicas para o estado.
Participaram da agenda a diretora da Fundação Rede Amazônica, Mariane Cavalcante, a diretora-presidente, Dra. Cláudia Daou Paixão e Silva, e o diretor-executivo da Rede Amazônica em Roraima, Joel Cristian Gomes.
Caderno reúne propostas para políticas públicas
O caderno de soluções do Amazônia Que Eu Quero consolida contribuições construídas a partir da escuta da sociedade e de especialistas, reunindo cerca de 80 propostas voltadas à solução de desafios relacionados à sustentabilidade, à conscientização ambiental e à gestão dos recursos hídricos.
Foto: Divulgação
O material funciona como instrumento de apoio à formulação de políticas públicas, conectando conhecimento técnico às realidades locais e contribuindo para a construção de ações práticas nos estados da região.
Segundo a diretora da Fundação Rede Amazônica, Mariane Cavalcante, a agenda em Roraima também permitiu aprofundar o entendimento sobre as demandas locais.
“A visita a Boa Vista foi uma oportunidade importante de ouvir de perto as demandas da população e compreender melhor as realidades locais. Identificamos um cenário com potencial para o desenvolvimento de iniciativas em educação, sustentabilidade e inclusão, sempre com foco em gerar impacto direto na vida das pessoas e em parceria com instituições locais”.
AMQQ fortalece conexão entre sociedade e gestão pública
O projeto Amazônia Que Eu Quero se consolida como uma iniciativa de escuta e construção coletiva, reunindo contribuições de diferentes setores da sociedade para apoiar decisões estratégicas na região.
A entrega do caderno às lideranças públicas reforça o papel do projeto como ponte entre sociedade e gestão pública, ampliando o potencial de transformação das propostas em políticas públicas e ações efetivas.
“O Caderno de Soluções reúne os anseios de quem vive entre rios e florestas e chama a Amazônia de lar. Ele consolida contribuições debatidas com especialistas que também são moradores da região, unindo conhecimento técnico às experiências do dia a dia. Por isso, é um material diverso e coletivo. Nosso objetivo é que o caderno sirva como base para a formulação de políticas públicas e projetos de lei, para que as propostas apresentadas retornem de forma efetiva à população, em ações concretas e transformadoras”. – Ruthiene Bindá, coordenadora do projeto Amazônia Que Eu Quero
Sobre a Fundação Rede Amazônica
A Fundação Rede Amazônica (FRAM) é o braço institucional do Grupo Rede Amazônica e atua na promoção do desenvolvimento sustentável da região por meio de iniciativas nas áreas de educação, cultura, inovação, empreendedorismo e sustentabilidade. A instituição articula parcerias e mobiliza a sociedade em torno de ações que contribuem para a preservação ambiental, a formação cidadã e o fortalecimento das comunidades amazônicas.
O Amazônia Que Eu Quero é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM) e uma iniciativa do Grupo Rede Amazônica.
O Amazonas deu início, nesta segunda-feira (23), à terceira edição do Amazonas Óleo, Gás & Energia – Expo & Conferência 2026, consolidando o evento como o principal fórum do setor na Região Norte e um dos primeiros do calendário nacional da área energética neste ano. Com o tema “Amazonas e o Arco Norte do Desenvolvimento Energético”, a abertura reuniu representantes do poder público, iniciativa privada, universidade e delegações internacionais, reforçando o papel estratégico do estado no novo cenário de energia.
A cerimônia de abertura contou com a presença do vice-governador do Amazonas, Tadeu de Souza; do secretário de Estado de Energia, Mineração e Gás, Ronney Peixoto; da diretora superintendente do Sebrae Amazonas, Ananda Carvalho Normando Pessôa;do deputado estadual Sinésio Campos, presidente da Comissão de Geodiversidade, Recursos Hídricos, Minas, Gás, Energia e Saneamento da Assembleia Legislativa do Amazonas; do prefeito de Presidente Figueiredo, Fernando Vieira; além de representantes do Ministério de Minas e Energia, Petrobras, Eneva, Cigás, Transpetro, BBX do Brasil, Mineração Taboca, Potássio do Brasil, IBP, ANP, Fapeam e autoridades internacionais, como o ministro de Serviços Públicos e Aviação da Guiana, Deodat Indar.
Ao declarar aberto o evento, o vice-governador destacou o protagonismo do Amazonas no cenário energético e a importância da integração regional. Segundo ele, o Arco Norte representa um novo eixo de desenvolvimento que conecta o estado a países como Guiana e Suriname, ampliando a competitividade e a cooperação internacional.“O que antes parecia distante já é realidade em construção, e o Amazonas está no centro dela”, afirmou.
Na mesma linha, o secretário Ronney Peixoto ressaltou que o estado já vive um novo ciclo econômico impulsionado pelos setores de energia, mineração e tecnologia. De acordo com ele, os investimentos previstos devem gerar impactos significativos nos próximos anos, com estimativa de até R$ 30 bilhões no PIB e a criação de cerca de 30 mil empregos até 2030.
O deputado estadual Sinésio Campos também destacou o avanço do setor no estado, atribuindo o crescimento a decisões estratégicas que permitiram a exploração responsável dos recursos naturais. Segundo ele, o desenvolvimento energético tem ampliado a geração de emprego e renda, além de impulsionar novas cadeias produtivas no Amazonas.
A diretora superintendente do Sebrae Amazonas, Ananda Carvalho, destacou o papel do evento como plataforma de conexão e geração de oportunidades.
“Estamos reunindo, em um só espaço, grandes empresas, pequenos negócios, centros de pesquisa e o poder público para discutir o futuro da energia e, principalmente, gerar oportunidades reais de mercado”, afirmou.
Ela também ressaltou que a expectativa é que a edição de 2026 supere R$ 55 milhões em negócios gerados ao longo dos três dias de programação.
Ananda enfatizou ainda o papel do Sebrae na preparação dos pequenos negócios para o setor, destacando que, ao longo de 21 anos de atuação, a instituição já qualificou mais de 500 empresas e acumulou mais de 40 mil horas de consultorias.
“Nosso objetivo é garantir que esses empreendedores estejam aptos a atender às exigências da indústria e aproveitar as oportunidades que surgem com a expansão do setor energético”, completou.
Foto: Wellington Mamud
Gás natural e transição energética em destaque
Durante a abertura, o diretor do Departamento de Gás Natural do Ministério de Minas e Energia, Marcello Weidt, destacou que o Amazonas já ocupa a posição de segundo maior produtor de gás natural do país, com cerca de 7% da produção nacional. Segundo ele, projetos como Urucu, Azulão e novas áreas exploratórias reforçam o potencial de expansão do estado, contribuindo para a segurança energética e a descarbonização da indústria brasileira.
A presença internacional também reforçou o caráter estratégico do evento. O ministro da Guiana, Deodat Indar, destacou o interesse do país em ampliar parcerias com o Brasil, especialmente na área de gás natural, e trocar experiências sobre produção, transporte e uso energético, dentro de uma agenda alinhada ao desenvolvimento de baixo carbono.
Investimentos, tecnologia e geração de empregos no Amazonas
Representando a Petrobras, o gerente executivo Stênio Jayme destacou a retomada das atividades onshore no Amazonas e os novos investimentos em exploração e produção. A companhia já iniciou a perfuração de novos poços e segue ampliando sua atuação no estado, com foco em geração de valor, eficiência operacional e transição energética.
Segundo dados apresentados, a Petrobras mantém operações relevantes no Amazonas, com milhares de empregos diretos e indiretos, além de forte contribuição tributária. A empresa também reforçou seu compromisso com metas ambientais, redução de emissões e desenvolvimento de soluções de baixo carbono.
Com 52 estandes e participação de empresas, startups, instituições de pesquisa e órgãos públicos, a área de exposição já movimentou o primeiro dia do evento, conectando diferentes atores do setor. Um dos destaques é o espaço dedicado à inovação, com projetos apoiados pela Fapeam e iniciativas com potencial de transformação em novos negócios.
A programação também incorpora práticas sustentáveis, como iniciativas de descarbonização do evento e gestão de resíduos com foco em lixo zero, reforçando o alinhamento com a agenda ESG.
Nos próximos dias, o evento avança para as rodadas de negócios, consideradas um dos momentos mais estratégicos da programação e simpósios técnicos. A expectativa é reunir nove empresas âncoras e cerca de 50 fornecedores, em mais de 100 reuniões, conectando empreendedores de estados como Amazonas, São Paulo, Rio de Janeiro, Pará, Alagoas e Bahia.
Além disso, a programação segue com painéis técnicos, debates sobre transição energética, logística na Amazônia, inovação e integração regional, reunindo especialistas e lideranças para discutir os caminhos do setor.
Registros da atividade de Geofísica no Rio Tapajós. Fotos: Divulgação/Acervo Ufopa
Como prática do curso de Geofísica da Universidade Federal do Oeste do Pará(Ufopa), foi realizada uma atividade de campo no Rio Tapajós, no trecho entre Santarém e Belterra, com foco principal na região belterrense.
Durante a ação, realizada no período de 9 a 13 de março, foram coletados dados geofísicos com a operação de equipamentos como o sistema de Sísmica de Alta Resolução Monocanal, cedido pela Universidade de Brasília (UnB), e o sistema integrado de Batimetria Multifeixe e Sonar de Varredura Lateral, fornecido pela RuralTech.
Durante a atividade, com 8 horas diárias de navegação, foram coletados dados batimétricos, relacionados às medições de profundidade que mapeiam o relevo submerso do rio, e dados sonográficos, a partir de informações geoacústicas, que permitirão elaborar um modelo 3D da área de estudo e perfis sísmicos, como representações gráficas do subsolo.
A análise preliminar dos dados batimétricos já apontou a presença de depressões, possivelmente associadas com presença de gás, afloramentos de rochas e dois naufrágios.
A análise prévia dos dados identificou que os dois naufrágios correspondem à balsa Rainha Ester e seu empurrador, que naufragaram em 4 de novembro de 2024, após um forte vendaval, ocasionando a morte de duas pessoas.
As imagens geradas pelos métodos geofísicos permitiram determinar com precisão a localização das embarcações. O empurrador foi identificado a, aproximadamente, 4 km da praia do Cajutuba, enquanto a balsa, com cerca de 45 metros de comprimento, foi localizada na região da praia do Pindobal.
Relevância da Geofísica Aquática
A identificação dessas estruturas demonstra a relevância da Geofísica Aquática não apenas para estudos geológicos, mas também para aplicações práticas, como mapeamento de riscos à navegação, monitoramento ambiental e investigações de estruturas submersas.
A atividade de campo foi realizada com o objetivo de oferecer formação completar aos estudantes sobre métodos de Geofísica Aquática aplicados a estudos ambientais, geotécnicos e geológicos.
Além da didática, o levantamento também visou complementar os dados coletados durante uma campanha realizada em 2023, no âmbito de uma colaboração entre a Ufopa, UnB e i IFREMER, da França.
Registros da atividade de Geofísica no Rio Tapajós. Fotos: Acervo do curso
A expedição ocorreu a bordo da embarcação de médio porte Jorge Olinto e contou com a participação de dez estudantes do curso de Geofísica e uma discente do curso de Geologia. A equipe foi acompanhada pelos docentes e pesquisadores Cintia Rocha da Trindade, da Ufopa, e Marco Ianniruberto, da Universidade de Brasília, além do apoio técnico de Perícles Macedo e de quatro tripulantes.
Professor Marco Ianniruberto considerou a campanha um sucesso em duas vertentes. Do ponto de vista da didática, proporcionou aos estudantes a oportunidade de operar equipamentos geofísicos tecnologicamente avançados e vivenciar na prática os métodos de levantamento em ambiente aquático. Do ponto de vista científico, permitiu coletar dados que serão extremamente úteis para o entendimento da evolução da bacia hidrográfica.
De acordo com a docente Cintia Rocha da Trindade, atividades de campo como essa são fundamentais para a formação prática na graduação.
“As experiências adquiridas permitem que os estudantes desenvolvam habilidades técnicas e operacionais essenciais, especialmente em uma área como Geofísica Aquática que emprega cerca de 50% dos geofísicos formados”, disse a professora.
Registros da atividade de Geofísica no Rio Tapajós. Fotos: Acervo do curso
Ela também destacou que atividades como essa envolvem custos elevados e só são viabilizadas por meio de parcerias institucionais, incluindo a colaboração entre universidades, apoio de proprietários de embarcação e empresas parceiras.
A expectativa do curso de Geofísica da Ufopa é que iniciativas desse tipo se tornem cada vez mais frequentes, consolidando a Geofísica como uma ferramenta estratégica para a investigação e compreensão de ambientes complexos como o Rio Tapajós.
*Com informações da Universidade Federal do Oeste do Pará
Chef acreano ganha destaque nas redes por entregar bolos em barcos. Foto: Reprodução/Instagram-@chef_charlesfigueredo
Equilíbrio, criatividade e um pouco de aventura fazem parte da rotina do confeiteiro acreano Charles Figueiredo, de 37 anos. Para atender os clientes que vivem em áreas de difícil acesso no Acre, Charles encontrou nos barcos e canoas o transporte ideal para levar os bolos decorados.
Natural de Sena Madureira, ele une a vivência ribeirinha com a técnica aprendida em Rio Branco para manter o negócio funcionando entre um município e outro.
Charles é confeiteiro há 15 anos, mas o interesse pela área veio ainda na juventude. Aos 17 anos, ele deu os primeiros passos no ramo ao trabalhar com panificação ainda no interior onde começou em funções inicais e, em pouco tempo, se destacou até assumir a gerência de uma padaria, onde permaneceu por oito anos.
A virada para a confeitaria veio em 2017, quando decidiu mudar de área e passou a trabalhar em uma doceria em Rio Branco.
“Minha primeira experiência começou em 2017. Eu trabalhava em supermercado e conheci uma doceria aqui na capital. Minha paixão começou a partir daí”, relembra.
Porém, o diferencial veio com o tempo. Filho de uma família do interior e acostumado à rotina às margens do Rio Purus, Charles decidiu levar suas receitas para a comunidade onde os pais vivem, no Seringal Pacatuba, também conhecido como Comunidade Santa Amélia, em Sena Madureira.
O jovem conta que viveu no local até os 16 anos e que, inclusive, nasceu de sete meses dentro de uma canoa, história que ajuda a explicar sua forte ligação com a região.
Por lá, onde o acesso é limitado, as entregas precisaram se adaptar à realidade e ganharam um formato incomum.
“Eu nasci no interior de Sena Madureira e sempre vou lá nas férias. Como eu já fazia bolos, tive a ideia de levar para lá também. E o único transporte é a canoa ou o barco. Sempre que vou levo meu material, daí consigo montar esses bolos. É uma aventura bem à parte”, conta.
Entre idas e vindas pelo rio, ele transporta ingredientes, utensílios e encomendas prontas. O trajeto exige cuidado redobrado, mas não diminui a demanda.
Segundo ele, os bolos de aniversário são os que lideram os pedidos, principalmente em celebrações familiares. “São os mais procurados. Eu foco muito nos ingredientes regionais”, explica.
Sabor regional encontrado nos bolos
Essa escolha aparece também nas combinações. Um dos sabores mais marcantes de seus bolos leva cupuaçu e castanha-do-Brasil, que são dois produtos típicos da região acreana.
O preparo começa com uma geleia simples, feita apenas com polpa da fruta, água e açúcar, levada ao fogo baixo até atingir consistência mais encorpada. “O ponto é quando começa a soltar do fundo da panela”, detalha.
Na montagem, a massa recebe uma calda para garantir umidade, antes de ganhar camadas de creme de cupuaçu, geleia e castanha.
Para evitar que o recheio escorra, ele cria uma espécie de barreira com o próprio creme. Depois de montado, o bolo precisa descansar por horas na geladeira antes da finalização.
A cobertura leva merengue suíço, preparado com claras e açúcar aquecidos e depois batidos até formar picos firmes. O acabamento ganha um toque especial com o maçarico e detalhes com a própria geleia.
Entre uma encomenda e outra, o confeiteiro cruza o rio e leva uma história que mistura origem, adaptação e empreendedorismo em meio à realidade ribeirinha em que cresceu. Mais do que vender apenas bolos, Charles aposta na valorização dos sabores acreanos.
“Eu tento trazer algo da nossa região. Uso cupuaçu, castanha, são ingredientes principais nos doces”, completou.