O Sest Senat participou da TranspoAmazônia 2026, um dos principais eventos do setor de mobilidade da região, que reuniu especialistas, empresários, lideranças e profissionais para discutir temas fundamentais para o futuro do transporte, como inovação, sustentabilidade, logística e qualificação de mão de obra.
A participação do Sest Senat destacou a importância da gestão responsável, da transformação energética e do fortalecimento institucional para um transporte mais eficiente, competitivo e socialmente comprometido. A instituição também levou ao evento debates estratégicos, compartilhamento de conhecimento e soluções voltadas ao fortalecimento de um setor essencial para conectar pessoas, cidades e oportunidades em toda a Amazônia.
Entre as iniciativas apresentadas esteve a CNT Data, plataforma que reúne estudos, pesquisas e indicadores estratégicos sobre o setor de transporte. A ferramenta se consolidou como uma importante fonte de informação para empresários, gestores públicos, pesquisadores, jornalistas, profissionais da área e para todos os interessados em acompanhar a evolução do segmento.
Outro destaque foi o trabalho realizado pelo Instituto de Transporte e Logística (ITL), braço de educação executiva do Sistema Transporte. As inscrições para os cursos de especialização e capacitação oferecidos pela instituição já estão abertas e contribuem para preparar profissionais para os desafios de um mercado em constante transformação, com formações voltadas para temas como inteligência artificial, governança, ESG, compliance e gestão de negócios.
Ao participar da TranspoAmazônia 2026, o Sest Senat reforçou seu compromisso com a inovação, a qualificação profissional e o desenvolvimento regional, demonstrando que investir em conhecimento, capacitação e soluções estratégicas é fundamental para impulsionar o crescimento sustentável da Amazônia e preparar o setor de transporte para os desafios do futuro.
Após dois anos consecutivos de seca severa, a Amazônia recuperou a superfície de água em 2025, ano em que esteve abaixo da média histórica durante apenas dois meses. O bioma, que concentra 61,4% de toda a superfície de água do Brasil, tem como destaque os estados do Pará (+142 mil hectares) e Amazonas (+87 mil hectares) que tiveram os maiores ganhos em relação à média histórica entre 1985 e 2025. Os dados são do MapBiomas, iniciativa multi-institucional que monitora transformações na cobertura e uso da terra no Brasil.
“A recuperação da superfície de água na Amazônia em 2025 é um sinal positivo após dois anos de seca severa. Em 2025, a superfície de água ficou acima da média histórica, associada ao aumento da precipitação em relação ao ano anterior. No entanto, mesmo com essa recuperação, a situação ainda é preocupante no longo prazo, já que na região eventos climáticos extremos estão cada vez mais frequentes, além de sinais de instabilidade no regime hídrico, influenciados tanto pelas mudanças climáticas quanto pelas transformações no uso da terra”, diz Bruno Ferreira, pesquisador da equipe da Amazônia do MapBiomas e do Imazon.
Em 2025, a superfície de água na Amazônia ficou 2,6% acima da média histórica. No entanto, essa melhora não foi uniforme: 20 sub-bacias (37% do total) no bioma ainda apresentam superfície abaixo da média histórica. Esses eventos afetam especialmente as comunidades ribeirinhas, das quais pelo menos 50% estão localizadas até 50 km dos 12 principais rios da Amazônia.
Em 2025, a superfície de água no Pantanal ficou 56% abaixo da média histórica (média histórica de 1,56 milhões de hectares de 1985 a 2025), sendo o único bioma brasileiro em que todos os meses do ano ficaram abaixo da média. Em 2025 o bioma apresentou uma superfície de água anual de 679 mil hectares, 34% acima do registrado em 2024, com 506 mil hectares, quando o bioma registrou uma seca histórica.
Superfície de água por década vem caindo desde 1985
Em 2025, o Brasil apresentou uma superfície de água de 18,2 milhões de hectares — número 5,3% superior aos 17,2 milhões de hectares registrados em 2024, ambos abaixo da média histórica (de 18,5 milhões de hectares). Atualmente, a superfície representa 2% do território nacional em 2025.
A análise por década revela tendência de redução contínua no Brasil:
1985-1994: média de 19,86 milhões de hectares
1995-2004: média de 18,71 milhões de hectares
2005-2014: média de 18,16 milhões de hectares
2015-2024: média de 17,28 milhões de hectares
A última década (2015-2024) apresentou uma redução de 887 mil hectares em relação à década anterior. Entre a primeira década (1985-1994) e a última (2015-2024), a média reduziu em 2,6 milhões de hectares.
“Mesmo com sinais pontuais de recuperação, a situação ainda é preocupante no longo prazo. Ao longo das últimas quatro décadas, observa-se uma tendência de redução da superfície de água no Brasil. Como se trata de um parâmetro naturalmente dinâmico, não podemos olhar apenas para o dado de 2025 de forma isolada”, comenta Juliano Schirmbeck, coordenador técnico do MapBiomas Água.
Mato Grosso do Sul e Mato Grosso lideram o ranking dos estados que em 2025 estiveram com a superfície de água abaixo da média histórica (1985 a 2025), com reduções de 527 mil hectares e 336 mil hectares, respectivamente. Os dois estados englobam a Região Hidrográfica do Paraguai, que perdeu mais da metade (53,8%, que correspondem a 877 mil hectares) em 2025 em relação à média histórica.
O Pará apresentou o maior ganho de superfície de água no país: 142 mil hectares em 2025 acima da média histórica (1985-2025). Goiás foi o segundo estado com maior ganho de superfície de água em 2025. A região teve um aumento de 91 mil hectares. Amazonas aparece em terceiro lugar, com ganho de 87 mil hectares em 2025 em relação à média histórica.
Quase metade dos municípios perderam superfície de água
Em 2025, quase metade (45%, ou 2.511) dos municípios brasileiros esteve com superfície de água abaixo da média histórica.
Os municípios com maior retração em relação à média histórica estão nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, que são influenciados pelas variações que ocorrem no bioma Pantanal. Corumbá (MS) registrou perda de 474 mil hectares e Cáceres (MT) perdeu 189 mil hectares em relação à média histórica.
“A dinâmica das águas no Pantanal mudou; a década de 80 foi marcada por grandes inundações, mas desde 2019 a região enfrenta secas prolongadas. Os períodos secos e úmidos são essenciais na manutenção da biodiversidade no bioma. A Bacia do Alto Paraguai e os estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul refletem essa dinâmica registrada pela variação da água no bioma”, explica Mariana Dias, pesquisadora da equipe do Pantanal do MapBiomas.
Cerrado é o bioma com a maior proporção de superfície de água em hidrelétricas
No Brasil, 76,7% da superfície de água dos corpos hídricos mapeados é natural, enquanto 23,3% são antrópicos. Entre 1985 e 2025, os corpos hídricos antrópicos ganharam 1,7 milhão de hectares, crescimento de 69%. No mesmo período, os corpos hídricos naturais perderam 3,2 milhões de hectares, redução de 19%.
A Amazônia concentra a maior área de superfície de água natural do país: 10 milhões de hectares, superior à área do estado de Pernambuco. Nesse bioma, 92,7% da superfície de água mapeada é natural. O Pantanal apresenta configuração semelhante, com mais de 99% da superfície de água classificada como natural.
Na Mata Atlântica, os corpos hídricos antrópicos somam 1,3 milhão de hectares, o que representa 61,5% da superfície de água mapeada no bioma. Em termos proporcionais, porém, a Caatinga registra a maior participação de corpos hídricos antrópicos: 78% do total.
O Cerrado se destaca por concentrar a maior proporção de superfície de água em hidrelétricas: 55,1% em 2025. Apenas 34,4% da superfície de água no bioma é natural. Já o Pampa, segundo menor bioma do Brasil, apresentou a segunda maior área de superfície de água em reservatórios, com cerca de 181 mil hectares, embora a água natural ainda responda por 88,1% do total mapeado no bioma.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo MapBiomas
“Ao cortar a floresta sem pensar nas consequências, é preciso lembrar que qualquer ação tomada em dois dias com uma escavadeira levará séculos para ser reparada pela natureza”, advertiu Moreno-Mateos sobre a Amazônia durante a Fapesp Week London. Foto: Laura Redondo/Agência FAPESP
O que a Floresta Amazônica e a Groenlândia têm em comum? Na avaliação de Davi Moreno-Mateos, professor da Universidade de Oxford, a resposta está em uma oportunidade científica rara: a chance de observar ecossistemas que se regeneram sem a interferência do homem, após séculos de ocupação. Por essa razão, o pesquisador escolheu a Amazônia como objeto de um estudo que busca compreender o que acontece quando populações locais abandonam áreas cultivadas, permitindo que a floresta se recupere de forma espontânea.
“A Amazônia é o lugar perfeito para obter essa resposta porque há tantas áreas na floresta que foram abandonadas há muito tempo e nunca foram repovoadas, algo difícil de encontrar em um mundo em que a população cresce dramaticamente. Após muitos anos de pesquisa, o único lugar que encontrei um pouco parecido, nesse sentido, foi a Groenlândia”, contou o pesquisador durante a FAPESP Week Londres, realizada entre os dias 2 e 4 de junho na capital britânica.
Para verificar se o genoma da castanheiras-do-pará mudou após passar por seleção, cientistas estão utilizando métodos de sequenciamento completo para comparar o DNA de árvores jovens, com cerca de 200 anos, e mais antigas, de 500 anos ou mais. Foto: Leonardo Bergamini/iNaturalist
Enquanto a Groenlândia apresenta vestígios de assentamentos nórdicos abandonados há um período que varia de 650 a 1.050 anos, a Amazônia oferece registros em uma escala muito mais vasta. Escondidas sob a densa vegetação secundária, áreas que aparentam ser florestas primárias são, na verdade, testemunhas silenciosas de uma agricultura pré-colombiana que moldou a paisagem por milênios, explicou Moreno-Mateos.
O solo, frequentemente caracterizado pela “terra preta” – indicativo da fertilidade deixada por assentamentos humanos antigos –, serve como um registro histórico que permite datar quando a região foi ocupada e quando, finalmente, foi abandonada.
Nesses solos, algumas populações de castanheiras-do-pará (Bertholletia excelsa) vêm se recuperando há longos períodos sem intervenção humana, após as sementes terem sido selecionadas e dispersadas por povos indígenas durante milhares de anos, afirmou o pesquisador.
“A castanheira-do-pará é uma espécie que sofreu seleção há pelo menos 11 mil anos, mas que, uma vez abandonada, continua existindo, ainda que com pouquíssima dispersão natural”, disse.
O custo da seleção
A hipótese central do projeto é que a domesticação pelos povos indígenas, ao priorizar características como o tamanho do fruto, pode ter reduzido a resiliência natural dessas plantas.
“Ao selecionar uma espécie para produzir frutos maiores, sua capacidade de adaptação diminui, o que é um risco para enfrentar secas causadas pelas mudanças climáticas, por exemplo”, explicou.
Para verificar se o genoma da espécie mudou após passar por esse tipo de seleção, a equipe vem utilizando métodos de sequenciamento completo para comparar o DNA de árvores jovens (com cerca de 200 anos) e mais antigas (de 500 anos ou mais), que podem atingir 50 metros de altura.
Resultados preliminares indicam que, ao serem “libertadas” da domesticação após o desaparecimento das populações humanas locais, as árvores começaram a apresentar mudanças genéticas que sugerem um retorno a funções mais ligadas à sobrevivência do que à produção massiva de sementes – um fenômeno que o grupo agora mapeia detalhadamente.
“Encontramos mudanças nas assinaturas de seleção entre árvores jovens e antigas. Ao relacionar a idade do local com a diferença em seus genomas, observamos que havia várias populações claramente distintas”, afirmou o pesquisador.
Ocupação em ondas na Amazônia
A integração entre arqueologia e ecologia tem revelado que a ocupação amazônica ocorreu em “ondas”, deixando nas espécies da floresta um legado genético que persiste até hoje. Contudo, a mensagem final de Moreno-Mateos é um alerta sobre a fragilidade do tempo biológico.
Embora a Amazônia seja frequentemente descrita como um sistema resiliente, a pesquisa indica que a recuperação de um ecossistema após o abandono agrícola não ocorre em décadas, mas em escalas de centenas a milhares de anos.
“Ao cortar a floresta sem pensar nas consequências, é preciso lembrar que qualquer ação tomada em dois dias com uma escavadeira levará séculos para ser reparada pela natureza”, advertiu.
O estudo não busca apenas entender o passado da Amazônia, mas identificar populações de castanheiras que, por meio de seu componente genético, demonstram maior resiliência. “O objetivo é que esses indivíduos possam, no futuro, fornecer propágulos [estruturas que se desprendem da planta para dar origem a um novo indivíduo, como sementes ou gemas] essenciais para as estratégias de restauração florestal em um planeta em aquecimento, onde a capacidade de adaptação será o diferencial entre a sobrevivência e o colapso dos biomas”, concluiu Moreno-Mateos.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Fapesp, escrito por Helton Alisson
A publicação busca atingir o público jovem das terras indígenas, na medida em que eles mesmos ajudaram a compor a cartilha. Imagem: Reprodução
O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) lançou, na última semana, uma ferramenta pedagógica em história em quadrinhos que pode ser utilizada como um manifesto e um compêndio de saberes tradicionais: a cartilha ‘Os Povos Indígenas e o Futuro’. Desenvolvida com financiamento da Kindermissionswerk (obra missionária alemã), a publicação foi concebida a partir de oficinas de formação com crianças, jovens e adolescentes indígenas de terras indígenas localizadas no Nordeste brasileiro. Seu objetivo é servir como material de apoio para futuras atividades educativas nos territórios, mas seu alcance é mais amplo.
A cartilha mescla textos, ilustrações e sequências em quadrinhos protagonizadas por personagens como Manu e Dentinho. A narrativa gráfica é usada para mostrar, de forma didática e emocional, como as mudanças climáticas afetam os povos indígenas, incluindo aqueles que vivem em periferias urbanas ao lado das populações mais pobres.
Em uma das cenas, Dentinho perde sua casa em uma enchente. Manu explica que o que antes era “algo natural” agora se tornou extremo por causa da queima de combustíveis fósseis, do acúmulo de gases-estufa e de um estilo de vida consumista concentrado nas mãos de poucos. “O 1% mais rico do planeta emite a mesma quantidade de gases que os 66% mais pobres”, explica.
Colonialismo, capitalismo e colonialidade do poder
Manu e Dentinho: personagens refletem sobre a vida nas periferias urbanas sob os impactos das mudanças climáticas. Imagem: Reprodução
Em capítulos como “A invasão da Abya Yala” (expressão usada por povos originários para se referir à América Latina) e “Consequências atuais do colonialismo-capitalismo”, os autores, Otto Cabral Mendes Filho e Gerson de Souza Arrais Neto, conectam a violência da colonização europeia às estruturas atuais de poder.
O conceito de colonialidade do poder é apresentado: mesmo após as independências, as elites locais mantiveram a concentração de terras, a exploração do trabalho e o racismo como pilares de dominação. Favelas, presídios, jornadas exaustivas e baixos salários são retratados como heranças desse sistema, agora potencializadas pelo neoliberalismo.
Longe de um discurso vitimista, a publicação destaca a resistência ativa dos povos indígenas por mais de 500 anos. São mencionados nomes como Túpac Katari e Dolores Cacuango, além de conquistas recentes;os artigos 231 e 232 da Constituição de 1988 e a derrubada parcial da tese do marco temporal pelo STF em 2025.
A cartilha também mostra a diversidade das lutas atuais: Acampamento Terra Livre (ATL), educação escolar indígena, mobilização de jovens e mulheres indígenas, e a dura realidade dos indígenas em contexto urbano, frequentemente acusados de “não serem mais indígenas”.
Cartilha alerta que natureza é mãe, não mercadoria
Um dos eixos centrais da publicação é a cosmovisão indígena de relação com a natureza, onde cultura e natureza não se separam, ou seja, o que o capitalismo encara como mero recurso, os povos indígenas encaram como ser vivo, sagrado e habitado por seres materiais e não materiais. O povo Xukuru de Ororubá (PE) é citado como exemplo: seus rituais (Toré) acontecem em locais onde ancestrais e seres encantados estão espiritualmente presentes no bioma.
Ilustração da cartilha. Foto: Reprodução/Cimi
A cartilha critica soluções falsamente verdes, como o crédito de carbono, que só servem para manter a lógica do lucro intacta. E não poupa a COP 30 (realizada em Belém, em 2025): para os autores, o evento priorizou planos globais que ignoram saberes locais e não enfrentam o capitalismo.
Para quem busca uma abordagem conciliadora, em que é possível imaginar saídas (sobretudo dos povos indígenas) associadas ao capitalismo ou em uma versão mais moderada deste sistema, o tom será desconfortável
No capítulo final, “Comer é um ato político”, a cartilha defende que a produção de alimentos deve estar sob controle popular, não empresarial. Agricultores indígenas, assentados, pequenos agricultores, quilombolas, quebradeiras de coco e pescadores tradicionais são apresentados como guardiões de ciências práticas, com alta capacidade de produção de alimentos e bens em ritmo cadenciado ao da natureza.
Mas como superar os entraves que ainda não colocam esses povos como protagonistas? Mais do que uma obra educativa, a cartilha é um chamado à ação, e um lembrete de que, como diz a própria publicação: “sem um país livre do capitalismo e da opressão, os povos indígenas nunca terão paz”.
Para quem busca uma abordagem conciliadora, em que é possível imaginar saídas (sobretudo dos povos indígenas) associadas ao capitalismo ou em uma versão mais moderada deste sistema, o tom será desconfortável. A publicação busca tratar das causas da terra. Por outro lado, sua linguagem simples e ilustrada a torna acessível mesmo para adolescentes e jovens com pouca familiaridade com teoria social.
A Central Única das Favelas (CUFA) Amazonas, em parceria com a TV Globo, iniciou a distribuição gratuita de antenas digitais para famílias residentes em comunidades periféricas de Manaus. A iniciativa tem como objetivo ampliar o acesso à informação, ao entretenimento e aos conteúdos de utilidade pública por meio da televisão aberta com sinal digital.
A ação beneficia famílias em situação de vulnerabilidade social, contribuindo para a inclusão digital e garantindo que mais pessoas tenham acesso à programação televisiva com melhor qualidade de imagem e som.
As antenas distribuídas são compatíveis com televisores que possuam receptor digital integrado ou conversor digital instalado. Durante as entregas, as equipes orientam os beneficiários sobre os requisitos necessários para o funcionamento adequado do equipamento.
Além da distribuição dos equipamentos, os beneficiários participam de um processo de acompanhamento da ação, por meio do preenchimento de um formulário de registro que auxiliará na prestação de contas e na avaliação dos impactos do projeto.
“Nosso compromisso é conectar oportunidades às comunidades. O acesso à informação é um direito fundamental e ações como esta fortalecem a cidadania e a inclusão social das famílias atendidas”, destaca Fabiana Carioca, vice-presidente da CUFA Amazonas.
A distribuição das antenas acontece de forma planejada e direcionada às comunidades previamente selecionadas para esta etapa do projeto.
Passos marcados, figurinos elaborados, cenários impecáveis e muita paixão pela cultura marcam as apresentações no Concurso de Quadrilhas do Boa Vista Junina, mas o evento que reúne milhares de pessoas na Praça Fábio Marques Paracat não para por aí. Na edição de 2026, a festa acontece de 13 a 19 de junho com o tema ‘O Arraial que Cresce Junto com Você’.
Considerado o Maior Arraial da Amazônia, o evento reúne apresentações de 28 quadrilhas juninas, shows com artistas locais e nacionais, convidados especiais, atrações para o público infantil, gastronomia regional, empreendedorismo e, claro, muita cultura popular.
Você sabia que, por exemplo, uma das atrações mais aguardadas é a pesagem da iguaria conhecida como paçoca? A receita regional passa bem longe do doce que comumente é consumido em todo o país, pois é feito de carne, farinha de mandioca e outros temperos que a tornam única e até mesmo recordista cadastrada no Guiness Book.
Além disso, muita música também está prevista para embalar os melhores momentos do evento, com artistas nacionais e quase 40 atrações regionais, que valorizam os artistas roraimenses. Ficou curioso para saber mais sobre a festa? Confira:
Arte é da ilustradora manauara Laura Athayde. Imagem: Laura Athayde
Os intervalos comerciais da TV Globo ganharam o traço, as cores e a identidade da região Norte durante a cobertura da Copa do Mundo2026. A artista, ilustradora e quadrinista amazonense Laura Athayde é a responsável pela criação de uma das novas vinhetas especiais do famoso “plim-plim”, exibidas nacionalmente nos blocos de transição dos jogos da Seleção Brasileira. Assista:
A ilustração, desenvolvida originalmente por Athayde, passou por um processo de animação para ganhar as telas. A proposta conceitual da obra é retratar com fidelidade e orgulho o jeito tipicamente nortista de torcer, celebrar e vivenciar o maior evento de futebol do planeta, levando as particularidades culturais da Amazônia para milhões de telespectadores em todo o país.
A iniciativa da emissora faz parte de uma série de interações artísticas que convidam criadores de diferentes regiões para imprimir suas visões locais sobre a identidade nacional.
Ilustradora buscou mostrar tradições amazônicas
A participação da ilustradora Laura Athayde na principal janela de audiência da televisão brasileira coroa um momento de forte consolidação de sua carreira e, simultaneamente, serve como vitrine para a potência das artes visuais e dos quadrinhos produzidos no Amazonas. Reconhecida por suas narrativas sensíveis e traço marcante, a autora agora expande seu alcance ao conectar a estética regional com o grande público da TV aberta.
“Assim que chegou o convite, eu soube que queria representar uma das minhas memórias mais queridas, que era esse costume de enfeitar a rua para a Copa. Eu fui criada na casa da minha avó, no Centro [de Manaus], e durante a minha infância isso era muito forte. Então, eu comecei a pesquisar sobre essa tradição e acabei conhecendo um pouco mais também sobre as celebrações no interior da Amazônia, em que as famílias e amigos se reúnem de barco para assistir os jogos juntos”, conta Laura.
Para o cenário local, esse destaque reforça a efervescência de uma geração de quadrinistas e ilustradores amazonenses que têm quebrado as barreiras do isolamento geográfico, alcançando postos de destaque em grandes mídias, agências e no mercado editorial de prestígio nacional.
Norte em Quadrinhos
O Norte em Quadrinhos, do qual a ilustradora Laura Athayde faz parte, é uma iniciativa que busca valorizar, profissionalizar, divulgar e fortalecer a produção de quadrinhos da região Norte do Brasil.
Atuando como vitrine para artistas e coletivos, o projeto promove as obras e o reconhecimento da diversidade de narrativas e estilos que vem da Amazônia, conectando criadores locais a leitores em todo o país através de eventos, premiações, profissionalização e muito mais.
Iniciativa da Ufopa trabalha com técnicas de DNA ambiental. Foto: Divulgação/Projeto Clima
Promover a iniciação e a alfabetização científica de jovens por meio da ciência cidadã. Esse é o objetivo do projeto “Ciência, licenciatura e integração para enfrentar as mudanças climáticas na Amazônia (Clima)”, desenvolvido pela Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) junto à comunidade escolar da Escola Estadual Professora Terezinha de Jesus Rodrigues, em Santarém.
Ligado ao Programa Integrado de Ensino, Pesquisa e Extensão (PEEx), o projeto investiga a percepção das comunidades locais sobre as alterações climáticas e avalia os impactos socioambientais na biodiversidade amazônica, utilizando técnicas de DNA ambiental.
O DNA é uma molécula encontrada em todos os seres vivos e funciona como o manual de instruções do corpo. Já o DNA ambiental é o rastro genético que esses organismos deixam espalhado na natureza. Ele é uma mistura de DNAs que se soltaram de seres humanos, animais, plantas e até de seres microscópicos, como as bactérias, e que ficam flutuando ou misturados na água, no solo e no ar de um determinado lugar.
O projeto é coordenado pelo professor Gabriel Iketani Coelho, da licenciatura em Biologia do Instituto de Ciências da Educação (Iced) e do Programa de Pós-Graduação em Recursos Naturais da Amazônia (PGRNA), do Instituto de Engenharia e Geociências (IEG). Segundo ele, o DNA ambiental é encontrado em todos os ambientes e pode ser extraído de amostras de água, de solo ou do ar.
“O Projeto Clima busca aproximar os alunos da Biologia molecular moderna. Após aprenderem como a ciência coleta esses rastros genéticos na água, no solo e até no ar, os alunos foram desafiados a construir seus próprios equipamentos de coleta. A proposta é transformar a criação desses coletores em uma atividade lúdica, desenvolvendo ’brinquedos científicos’ capazes de coletar amostras reais para análise”, disse o professor.
Pelo projeto, de acordo com o docente, os alunos fazem ciência e, consequentemente, são alfabetizados cientificamente, sendo inseridos no universo acadêmico da produção do conhecimento.
Desde o ano passado, o projeto vem sendo desenvolvido com atividades de formação da equipe com relação à metodologia aplicada, chamada Course-based Undergraduate Research Experience (CURE).
Essa metodologia foi adaptada pelo grupo e recebeu o nome de CURE2 (Coursebased Undergraduate Reseach and Extension Experiences) que, traduzido, significa “Curso de graduação baseado em experiências de pesquisa e extensão”, envolvendo as seguintes fases:
Capacitação e troca de saberes: realização de palestras e oficinas intergeracionais sobre método científico, mudanças climáticas e técnicas de biologia molecular;
Formação continuada e pesquisa prática: divisão dos participantes em grupos mistos — integrando alunos do 6.º ano da escola, da graduação (licenciaturas), da pós-graduação e professores da escola e da universidade para o planejamento e execução de experimentos científicos na área de DNA ambiental;
Comunicação e devolutiva social: sistematização dos resultados em relatórios unificados para apresentação a tomadores de decisão, feiras de ciências e divulgação científica para a comunidade local.
Fazendo parte da segunda fase do projeto, atividades na Escola Terezinha Rodrigues resultaram em discussões e ideias para elaboração dos coletores de DNA ambiental. Essas ideias foram concretizadas e impressas em 3D pelos alunos do mestrado, da graduação e do ensino médio (bolsistas PEEx) no Laboratório de Educação e Evolução Prof. Horacio Schneider (Ledevo) da Ufopa. No dia 1.º de junho, esses coletores foram testados na escola.
Próxima ação
Após testes e ajustes nos brinquedos coletores, no dia 29 de junho, haverá uma ação de coleta de amostras na Unidade Tapajós da Ufopa, em atividades que devem envolver todos os estudantes do projeto.
Além do coordenador, a equipe do projeto é composta pela vice-coordenadora, professora Priscila Veiga da Silva, da escola Terezinha de Jesus Rodrigues; 4 alunos do PGRNA e dois egressos; 44 alunos da graduação (Licenciatura em Ciências Biológicas); 3 bolsistas do ensino médio; 34 do ensino fundamental (6.º ano).
Professor Gabriel Iketani informou que o projeto pode ser desenvolvido em parceria com unidades de ensino, a depender de contatos prévios, planejamento e orçamento.
As cores que tomam conta das ruas e passarelas revitalizadas pelo projeto Amapá em Campo carregam a assinatura de artistas locais que encontraram na arte uma forma de valorizar a cultura e fortalecer a identidade amazônica. Entre eles está Nazareno Senn, grafiteiro, tatuador e artista visual que participa da criação das pinturas que estão transformando espaços públicos em diferentes comunidades de Macapá.
A relação de Nazareno com a arte começou ainda na infância. O interesse pelo desenho e pela pintura o acompanhou durante toda a vida e se fortaleceu em 2016, quando ingressou no curso de Artes Visuais da Universidade Federal do Amapá (Unifap).
“Esse amor pela arte começou desde pequeno. A vontade de desenhar, pintar e criar sempre esteve presente na minha vida. Quando entrei na universidade, tive ainda mais certeza de que esse era o caminho que eu queria seguir”, conta.
Natural de Breves, no Pará, Nazareno chegou ao Amapá aos 14 anos de idade. Hoje, aos 44 anos, considera-se amapaense de coração e faz questão de destacar a influência da cultura local em seus trabalhos.
“Quando me perguntam de onde eu sou, digo que sou amapaense. Foi aqui que construí minha trajetória e foi aqui que encontrei inspiração para grande parte da minha produção artística”, afirma.
Antes de se dedicar ao grafite, Nazareno já atuava como tatuador e explorava outras linguagens artísticas. Há cerca de dois anos, recebeu o convite de um amigo para participar de uma pintura com spray. A experiência marcou o início de uma nova fase profissional.
“Quando comecei a grafitar, me encontrei de verdade. É uma prática artística que me faz muito feliz. O grafite permite trabalhar conceitos, cores e mensagens de uma forma muito livre. É um universo à parte”, destaca.
Arte no Amapá em Campo
Em suas obras, o artista busca sempre conectar a arte urbana aos elementos que representam a identidade amazônica. Essa característica também está presente nas pinturas desenvolvidas para o projeto Amapá em Campo.
O convite para integrar a iniciativa surgiu por meio do coordenador de projetos da Fundação Rede Amazônica (FRAM), Matheus Aquino. Ao lado do artista Rogério Nobre, Nazareno participou da criação dos layouts que deram origem às intervenções realizadas nas ruas e passarelas da capital amapaense.
“A proposta era criar artes que conectassem o clima de mundial com os elementos da nossa cultura. A partir dessa ideia, eu e o Rogério desenvolvemos juntos os layouts do projeto, buscando representar símbolos que fazem parte da identidade do Amapá. Quando apresentamos a proposta, ela foi muito bem recebida e seguimos trabalhando para transformar essas ideias em realidade”, explica.
Entre os elementos retratados nas pinturas estão referências culturais e turísticas do estado, como o Marco Zero do Equador, o pirarucu, a caixa do marabaixo, os tocadores e dançarinos da manifestação cultural, símbolos que ajudam a contar a história e a identidade do povo amapaense.
Segundo Nazareno, a receptividade da população tem sido um dos pontos mais marcantes da experiência.
“O retorno dos moradores tem sido muito positivo. Muitas pessoas se identificam com os elementos representados nas pinturas e ficam felizes ao ver a cultura do Amapá retratada nos espaços públicos. Ver a nossa terra representada no chão, com símbolos que fazem parte da nossa história, é algo que encanta quem passa pelos espaços revitalizados”, afirma.
Além do aspecto artístico, o projeto também apresentou desafios logísticos. As pinturas foram realizadas em áreas de grande circulação de pessoas, exigindo planejamento para garantir a segurança dos moradores e a continuidade dos trabalhos.
“Precisamos criar uma estratégia para não atrapalhar quem utiliza as passarelas diariamente. Trabalhamos por etapas, conciliando o fluxo de pessoas com a execução das pinturas. Também enfrentamos o calor intenso e as chuvas, que fazem parte da nossa realidade amazônica, mas tudo isso faz parte do processo”, conta.
Segundo o artista, um dos momentos mais gratificantes tem sido acompanhar a reação da população aos espaços revitalizados.
“Estamos recebendo um retorno muito positivo dos moradores. As pessoas reconhecem os elementos da nossa cultura nas pinturas, identificam o Marco Zero, o pirarucu, a caixa do marabaixo, os dançarinos e os tocadores. Ver esse reconhecimento e perceber que a comunidade se sente representada é uma das maiores recompensas do nosso trabalho”, destaca.
Atualmente, Nazareno e sua equipe seguem atuando nas intervenções que fazem parte do projeto. Depois das pinturas realizadas na Ponte do Apertadinho, no bairro Fazendinha, os trabalhos avançam para novos pontos da cidade, contribuindo para transformar espaços urbanos em ambientes mais acolhedores, coloridos e conectados à identidade cultural da região.
Amapá em Campo
O Amapá em Campo é uma iniciativa da Fundação Rede Amazônica (FRAM), que utiliza o esporte como ferramenta de mobilização social para promover integração comunitária, valorização cultural e conscientização ambiental.
O projeto transforma espaços públicos por meio da arte urbana, da participação popular e de ações sustentáveis, contribuindo para o fortalecimento dos territórios e para a construção de comunidades mais acolhedoras e conectadas com a realidade amazônica.
A palavra bioeconomia ganhou força no debate sobre a Amazônia. Tornou-se presença constante nos discursos políticos, nas conferências climáticas e nas promessas de um novo modelo de desenvolvimento para a região. Na COP de Belém, voltou ao centro das discussões como uma possível resposta ao velho dilema amazônico: conservar a floresta e, ao mesmo tempo, gerar prosperidade para quem nela vive.
Mas existe uma pergunta anterior a qualquer conceito sofisticado ou discurso bem-intencionado: bioeconomia para quem?
Como amazônida, economista, jornalista e alguém que navegou por dois anos os rios da Amazônia — desde a foz do grande rio até a Amazônia peruana e equatoriana, alcançando o rio Napo, próximo aos Andes — aprendi uma lição simples: nenhuma proposta para a região terá sentido se não alcançar os povos da floresta.
Recentemente, durante a gravação dos meus programas na CBN Amazônia e na Rede Amazon Sat, acompanhei em Macapá o encerramento do projeto Nossa Terra, Nossas Aldeias, promovido pelo Instituto Iepé, reunindo experiências de comunidades indígenas do norte do Amapá e do Pará. O encontro trouxe um debate que considero essencial: como transformar a floresta em fonte de renda sem destruir aquilo que a mantém viva?
A coordenadora do Programa Oiapoque do Instituto Iepé, Teresa Harari, apresentou um conceito que merece atenção: a sociobioeconomia. Mais do que comercializar produtos da floresta, trata-se de reconhecer o conhecimento ancestral existente nos territórios indígenas — formas próprias de manejo, respeito aos ciclos naturais e práticas de produção que não enxergam a floresta apenas como ativo econômico.
No caso do açaí, por exemplo, não se trata simplesmente de extração comercial. Há conhecimento tradicional, formas específicas de manejo e uma lógica produtiva que busca manter o equilíbrio do ambiente. Em vez da monocultura e da exploração intensiva, prevalecem a diversidade e o respeito aos tempos da natureza.
Isso não significa romantizar a pobreza ou defender isolamento econômico. Os povos indígenas também querem renda, qualidade de vida, acesso a mercado, educação e oportunidades para seus filhos — e têm toda razão.
A questão central é outra: que modelo de prosperidade queremos construir na Amazônia?
Às margens do rio Arapiuns, no oeste do Pará, durante a expedição que percorreu a Amazônia até os Andes. A convivência com comunidades ribeirinhas revelou que a floresta não é apenas um patrimônio ambiental, mas também um espaço de vida, cultura e produção de conhecimento. Foto: Olimpio Guarani/Acervo pessoal
Durante minha travessia pela bacia amazônica, convivendo com indígenas, quilombolas e ribeirinhos, percebi algo que muitas vezes escapa aos grandes centros de decisão: a floresta nunca foi improdutiva. Seus povos sempre produziram riqueza, ainda que fora da lógica convencional da economia industrial. O problema histórico da Amazônia talvez nunca tenha sido a ausência de riqueza, mas a incapacidade de fazê-la permanecer onde é gerada.
A fala da liderança indígena Mitori Kaxuyana, da Terra Indígena Tumucumaque, ajuda a compreender a dimensão do desafio. Em pleno século XXI, comunidades ainda enfrentam dificuldades de acesso à saúde, educação e assistência pública, muitas vezes dependendo exclusivamente de pequenas aeronaves para conexão com o restante do país.
Essa realidade impõe uma reflexão inevitável: não haverá bioeconomia consistente sem inclusão territorial e infraestrutura mínima para os povos da floresta.
A Amazônia precisa, sim, de alternativas econômicas sustentáveis. Precisa gerar renda, agregar valor aos produtos da sociobiodiversidade e criar oportunidades. Mas seria um erro repetir a velha lógica histórica em que riqueza sai da floresta enquanto seus povos permanecem pobres.
A floresta em pé só fará sentido como projeto econômico se também mantiver de pé a dignidade de quem vive nela. Se indígenas, quilombolas, ribeirinhos e extrativistas não forem protagonistas desse processo, a bioeconomia correrá o risco de se transformar apenas em mais uma palavra bonita nos documentos internacionais — distante da Amazônia real.
Olimpio Guarany é jornalista, documentarista e professor universitário. Realizou expedição histórica, navegando o rio Amazonas, desde a foz até o rio Napo (Peru), por onde atingiu o sopé da cordilheira dos Andes (Equador) no período 2020-2022 refazendo a saga de Pedro Teixeira, o conquistador da Amazônia (1637-1639). A expedição deu origem ao livro ‘A Nova Conquista da Amazônia’. É apresentador do programa Amazônia em Pauta no canal Amazon Sat.