O Idesam lançou, no dia 2 de julho, o Manual de Interação com as Comunidades, documento criado para fortalecer as práticas de relacionamento e atuação em campo junto a comunidades tradicionais, ribeirinhas, indígenas e produtores locais.
A ferramenta reúne aprendizados construídos pelo Instituto ao longo das duas décadas de atuação nos territórios e apresenta orientações para apoiar as equipes de campo em processos baseados no diálogo, respeito aos direitos das comunidades, transparência e construção conjunta de soluções.
Para André Vianna, diretor técnico do Idesam, o manual representa um passo importante para organizar, compartilhar e fortalecer a experiência acumulada pelo Instituto nos territórios amazônicos.
“O manual, além de institucionalizar as ações do Idesam e apoiar a capacitação e nivelamento da equipe, nos permite divulgar nossas experiências e, assim, colaborarmos com avanços da agenda para a Amazônia brasileira”.
A iniciativa começou em agosto de 2025, a partir de um movimento interno de gestão do conhecimento das iniciativas estratégicas do Idesam.
A construção envolveu entrevistas com lideranças e equipes da organização, análise de documentos institucionais e momentos de escuta e validação com associações comunitárias. Foto: Reprodução/Arquivo Idesam
Escuta ativa ajudou na construção do manual
O processo contou com a parceria da Mirá Sustentabilidade e do escritório jurídico RottaMoro, que contribuíram para a consolidação das diretrizes metodológicas e jurídicas do documento.
Para Luciana Pacheco, fundadora da Mirá Sustentabilidade, a construção do manual partiu da escuta e da valorização da experiência acumulada pelo Idesam nos territórios.
“Partimos da escuta ativa para construir o Manual de Interação com as Comunidades, refletindo o trabalho realizado há mais de 20 anos pelo Idesam nos territórios. O processo envolveu documentos institucionais, conversas com colaboradores, produtores locais e lideranças comunitárias, sempre com a preocupação de traduzir a metodologia do Instituto em linguagem simples e valorizar o papel das comunidades”, afirma.
Segundo Paulo Simonetti, o manual contará com duas versões: uma interna, com orientações detalhadas para apoiar as atividades das equipes do Instituto, e uma versão pública, disponível em português e inglês, para ampliar o acesso aos aprendizados construídos ao longo do processo.
“Desde agosto do ano passado começamos um movimento interno de gestão do conhecimento de todas as iniciativas estratégicas do Idesam para a consolidação de um Manual de Interação com as comunidades. Foi uma longa jornada de entrevistas com lideranças, análise de documentos e facilitação com diversas associações comunitárias para validação. Agradeço enormemente o apoio de todos que contribuíram de alguma forma nessa agenda”, destaca Paulo.
Para Fernanda Rotta, sócia da RottaMoro, a contribuição da consultoria teve como objetivo consolidar práticas já desenvolvidas pelo Idesam e incorporar aspectos jurídicos importantes para fortalecer a atuação institucional.
“O Manual é extremamente importante para fortalecer e formalizar os processos institucionais do Idesam, ao mesmo tempo em que garante uma relação de cuidado e respeito aos direitos das comunidades, promovendo maior segurança jurídica como ponto de partida na prática das atividades pelas partes envolvidas”, afirma.
Além de orientar as equipes do Idesam, o documento busca contribuir para relações mais seguras e colaborativas entre organizações, comunidades e parceiros envolvidos em iniciativas de sociobioeconomia na Amazônia.
A versão pública do Manual de Interação com as Comunidades estará disponível no site do Idesam, CLIQUE AQUI.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Idesam, escrito por Fabíola Abess
Foguete Hanbit-NANO, o primeiro foguete comercial lançado no Brasil. Foto: Divulgação/Innospace
Após oito meses, o Brasil voltou a movimentar o mercado mundial de lançamentos espaciais com o anúncio de um contrato para o lançamento do segundo foguete comercial no país. A empresa sul-coreana Innospace fechou acordo com a ALADA (Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil S.A.) para realizar, no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, o voo de teste do SEBIT, foguete suborbital multiuso desenvolvido para missões científicas e de verificação tecnológica.
Anunciado no dia 6 de julho, o contrato entre a empresa sul-coreana e a estatal brasileira prevê o lançamento do foguete SEBIT para o segundo semestre de 2026. O acordo visa ampliar o uso comercial da base de Alcântara, uma das principais do Brasil, por empresas privadas do setor espacial.
Conheça três curiosidades sobre este acordo que promete colocar o Brasil novamente na rota do mercado global dos lançamentos espaciais:
O que é o SEBIT?
O SEBIT é um foguete suborbital multipropósito desenvolvido para apoiar testes de carga útil, verificação tecnológica e missões de pesquisa para clientes. Seu voo acontece próximo à fronteira do espaço, ou seja, sem entrar em órbita terrestre e foi projetado para uma ampla gama de aplicações, incluindo simulação de ambientes de microgravidade, pesquisa científica, testes funcionais de componentes espaciais e demonstrações tecnológicas em condições de voo em alta altitude e alta velocidade.
Desenvolvido pela Innospace, foguete SEBIT possui motor híbrido de três toneladas e sistema telemétrico que permite monitoramento preciso do voo. Foto: Divulgação/Innospace
Movido por um motor híbrido classe três toneladas, o SEBIT está equipado com um sistema integrado de telemetria que permite monitoramento preciso do voo transmitindo e analisando dados de posição do veículo e status da carga útil em tempo real durante todo o voo. O nome SEBIT significa “luz precisa e delicada” em coreano, e traduz a importância do foguete como um veículo compacto otimizado para missões de teste e verificação.
“O SEBIT é um foguete suborbital focado em missão, desenvolvido para atender à crescente demanda por pesquisa científica e demonstração de tecnologia espacial em setores como biotecnologia, medicina, materiais avançados e orientação, navegação e controle”, disse Soojong Kim, fundador e CEO da Innospace.
Conheça a ALADA
Sede administrativa da ALADA funciona no Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão. Foto: Divulgação/ALADA
Criada pelo governo brasileiro em 2025, a Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil S.A. (ALADA) é uma empresa pública federal, subsidiária da NAV Brasil, estatal vinculada ao Ministério da Defesa. A formalização da subsidiária visa a atuação em projetos aeroespaciais, exploração econômica na infraestrutura e navegação aeroespaciais do país, desenvolvimento na comercialização de tecnologias do setor e apoio na cooperação entre o governo brasileiro, empresas nacionais e companhias estrangeiras.
A assinatura entre a estatal brasileira e a Innospace para o lançamento do SEBIT representa a continuação do uso comercial do Centro de Lançamento de Alcântara, que tem sido uma das principais e promissoras bases espaciais do Brasil e vista como estrutura estratégica para operações comerciais por parte da empresa sul-coreana.
“Este acordo sobre o local de lançamento representa um passo significativo rumo à comercialização do nosso serviço suborbital. Por meio do primeiro voo de teste do SEBIT, a INNOSPACE continuará a avançar seus padrões de serviço como plataforma suborbital de teste e verificação, oferecendo oportunidades de voo personalizadas para clientes nos setores espacial, de defesa, P&D e industriais avançados”, complementa Kim.
Segundo voo comercial do Brasil
Previsto para a segunda metade deste ano, o lançamento do foguete SEBIT, se realizado, será o segundo voo comercial feito no Brasil. Em 22 de dezembro de 2025, a empresa Innospace realizou a decolagem do Hanbit-NANO direto da base do Centro Espacial de Alcântara, no Maranhão. A missão, considerada um marco histórico para o país, durou apenas 30 segundos devido uma falha no veículo espacial que culminou na interrupção do voo. Ninguém ficou ferido.
Chamada de Operação Spaceward, a missão foi coordenada de forma conjunta pela Força Aérea Brasileira (FAB) e a Agência Espacial Brasileira (AEB) e tinha o objetivo de levar ao espaço oito cargas, sendo cinco satélites e três dispositivos para pesquisas desenvolvidas por instituições do Brasil e da China.
Primeiro foguete comercial lançado no Brasil, o Hanbit-NANO decolou em dezembro de 2025 e marcou o nome do Brasil no cenário espacial. Foto: Divulgação/MCTI
Em junho deste ano, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu o relatório final que apontou as causas do incidente envolvendo o Hanbit-NANO. De acordo com o órgão, após comportamento normal ao deixar o solo, houve vazamento de gases de combustão na parte frontal do veículo, o que provocou a ruptura da estrutura e perda do veículo lançador após 33 segundos da decolagem. Os danos materiais do acidente ficaram restritos à área de segurança prevista para a operação.
Apesar o fim precoce da operação, a missão foi considerada bem sucedida e demonstrou confiança para futuras missões no território brasileiro.
Tacaranguejo da chef Fran Santos. Foto: Reprodução/Amazon Sat
A temporada 2026 do programa Sabores da Amazônia, do canal Amazon Sat, explora muito mais que ingredientes e receitas. Agora, o programa se aprofunda na trajetória dos chefs e ensina, com mais detalhes e alguns segredos, as receitas selecionadas.
A chef Fran Santos é uma das convidadas que mostra como é gratificante apresentar para as pessoas de fora o sabor da culinária amazônica e paraense.
“A culinária amazônica, para mim, é uma paixão desde criança, em todos os sentidos. Eu sempre digo que, na Amazônia, nós temos os melhores temperos, nós temos os melhores peixes, as melhores hortaliças. Então, isso para mim, hoje, é o centro de tudo”, declarou a chef.
Chef Fran Santos n programa Sabores da Amazônia. Foto: Reprodução/Amazon Sat
Aqueça uma panela com um fio de óleo. Adicione o alho e deixe dourar levemente.
Coloque as patinhas de caranguejo na panela já quente, e tempere com uma pequena quantidade de sal. Refogue rapidamente até que as patinhas fiquem douradas e firmes.
Dica da chef: coloque as patinhas apenas na panela quente. Assim, a carne permanece presa ao osso e não se desmancha durante o preparo.
2. Prepare a base do tacacá
Mantenha o tucupi previamente temperado e fervendo.
Em uma cuia média (aproximadamente 500 ml), coloque o tucupi e acrescente duas conchas de goma. Adicione o jambu cozido na quantidade desejada e complete com mais tucupi quente.
3. Monte e sirva o tacaranguejo
Disponha as patinhas de caranguejo sobre o tacacá já montado. Organize-as de forma que fiquem parcialmente mergulhadas no tucupi. Acrescente a quantidade desejada de patinhas.
Em uma taça ou recipiente separado, coloque uma porção generosa de camarão cozido, e adicione um pouco de tucupi para acompanhar.
Finalização
Sirva o tacaranguejo bem quente, com a cuia contendo tucupi, goma, jambu e as patinhas de caranguejo, acompanhado da taça de camarão.
Tacaranguejo da chef Fran Santos. Foto: Reprodução/Amazon Sat
De acordo com a chef, o tacaranguejo é uma explosão de sabor: “Tem o toque do tucupi, o perfume das ervas, aquele tempero amazônico que não pode faltar. E o melhor, é fácil de preparar, conquista qualquer paladar”.
Pesquisadora da Ufam apresentou o estudo sobre o genoma da bactéria em uma conferência na Itália. Foto: Reprodução/Ufam
A pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Agronomia Tropical da Universidade Federal do Amazonas (PPGATR/UFAM), Milena Dantas Ribeiro, sequenciou e caracterizou pela primeira vez o genoma da subespécie pauca da bactéria Xylella fastidiosa isolada de citros no Amazonas. Dois trabalhos resultantes dessa pesquisa inédita foram apresentados na 5ª Conferência Europeia sobre Xylella fastidiosa, realizada pela European Food Safety Authority (EFSA) na cidade italiana Mola di Bari, entre os dias 23 e 25 de junho de 2026.
Um livro de resumos reúne os trabalhos “Primeiro genoma de Xylella fastidiosa isolada de citros no Amazonas, Brasil” e “Posicionamento filogenômico e classificação em subespécie de um isolado de Xylella fastidiosa do Amazonas, Brasil”, em tradução livre. A autora é engenheira agrônoma (2018) e mestre em Agronomia Tropical (2022), ambas as formações também realizadas na Ufam.
“Atualmente o meu foco de investigação está na diversidade genética e evolução de Xylella fastidiosa no Amazonas. O interesse surgiu ainda durante o mestrado, quando realizei um experimento no município de Rio Preto da Eva (AM), onde trabalhamos com copas (parte que produz os frutos) e porta-enxertos (raízes) de cítricos. Naquele momento, observamos a ocorrência da Clorose Variegada dos Citros (CVC), causada por essa bactéria. Os sintomas dessa doença também eram observados em outros pomares da região”, contextualiza a pesquisadora.
O evento reuniu cerca de 400 especialistas e cientistas de diversos países com o objetivo de discutir avanços científicos voltados ao manejo de Xylella fastidiosa, uma bactéria que afeta culturas de importância agrícola mundial, como as oliveiras, os citros e o café.
Ela é considerada um patógeno de grande relevância fitossanitária, e isso significa que tanto a ocorrência quanto a disseminação exigem atenção dos órgãos de vigilância, devido ao potencial de causar impactos econômicos significativos na agricultura.
Pesquisadora da Ufam apresenta estudo inédito sobre genoma de bactéria. Foto: Reprodução/Ufam
Relevância científica e comercial
A participação proporcionou à pesquisadora a oportunidade de partilhar os resultados da investigação desenvolvida em solo amazônico. “O estudo do genoma identificou que o isolado pertence à subespécie pauca, associada a doenças em culturas de importância econômica, como citros e café”, sintetizou a autora.
Além de estabelecer redes de colaboração científica, o encontro proporciona o debate sobre metodologias de manejo fitossanitário, que é conjunto de estratégias e práticas agrícolas aplicadas de modo integrado para prevenir, monitorar e controlar pragas, doenças e as chamadas plantas daninhas.
Durante a conferência, foram apresentados dois trabalhos já citados, frutos de pesquisa de doutorado de Milena Ribeiro. Em linhas gerais, a tese aborda a presença de Xylella fastidiosa em plantas de citros no Amazonas, sua caracterização genômica (processo que consiste em mapear e compreender o genoma de um organismo), a identificação de subespécies e, ainda, as análises comparativas da bactéria com os genomas encontrados em outras regiões do Brasil e do mundo.
Os principais destaques no evento internacional são sequenciamento e a caracterização do primeiro genoma de Xylella fastidiosa no Amazonas. Embora a presença da bactéria já seja conhecida no estado, ainda havia escassez de dados genéticos sobre esse patógeno. O sequenciamento, inédito, é um marco científico nessa área, fornecendo novos dados sobre a composição genética do isolado amazônico e a sua relação evolutiva com outras regiões.
As análises genéticas revelaram que o isolado da Amazônia pertence à subespécie pauca, causadora da Clorose Variegada dos Citros (CVC), conhecida como ‘amarelinho’. “Essa doença provoca obstrução nos vasos do xilema da planta, impedindo o transporte de água e nutrientes e resultando em sintomas como a coloração amarelada e a redução do tamanho das laranjas”, explica Milena Ribeiro.
No Brasil, a subespécie pauca também é associada a enfermidades em culturas de alto impacto econômico e expansão no Amazonas, como o café. Nesse contexto, descoberta da doutoranda é um alerta estratégico para o cenário socioeconômico local, dada a expansão da cafeicultura no estado. “Com o mapeamento genético em mãos, órgãos de monitoramento e de vigilância fitossanitária passam a dispor de um embasamento científico capaz de estruturar planos de prevenção e manejo de doenças, protegendo a produção agrícola regional”, comemora ela.
Suporte à ciência
O trabalho foi desenvolvido no âmbito do PPGATR, integrando as atividades do Laboratório de Genômica de Fitopatógenos Quarentenários (LAFIQ) e do Laboratório de Microbiologia e Fitopatologia, ambos vinculados à Faculdade de Ciências Agrárias (FCA). A pesquisa é realizada sob a orientação das professoras Ana Francisca Tibúrcia Amorim Ferreira e Ferreira e Jânia Lília da Silva Bentes Lima, além de ser coorientada pelo pesquisador Gilvan Ferreira da Silva, que é vinculado à Embrapa Amazônia Ocidental.
A conquista é também o resultado da articulação interinstitucional que envolveu o Centro de Citricultura Sylvio Moreira do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), este representado pelo pesquisador Helvécio Della Coletta Filho, referência nacional no estudo da bactéria Xylella fastidiosa.
Para viabilizar as passagens ao evento na Itália, a doutoranda recebeu apoio da Ufam, por meio da Pró-Reitoria de Assistência Estudantil (Proae) e da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propesp). Houve ainda financiamento de agências de fomento como a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).
*Com informações da Universidade Federal do Amazonas
Em 1954, o psicólogo Leon Festinger se infiltrou em uma seita que acreditava no fim do mundo. Quando a profecia falhou, os mais fervorosos não abandonaram a crença; criaram justificativas fantasiosas: a fé do grupo era tão grande que salvou a humanidade. Festinger chamou isso de dissonância cognitiva — o desconforto de ver a realidade contradizer suas convicções. Para aliviar a dor, o cérebro distorce os fatos antes de admitir o erro.
No Brasil, poucos fenômenos expõem essa dinâmica com tanta clareza quanto o bolsonarismo. E nenhum lugar sofre mais com suas consequências do que a Amazônia.
O bolsonarismo se construiu sobre pilares que se anulam. Discurso de família e moral cristã convive com comportamentos que os violam. Combate à corrupção esbarra em rachadinhas. Liberalismo econômico cede a intervencionismo. Mas é na pauta ambiental que a dissonância atinge seu ponto mais crítico.
O discurso sempre foi claro: a Amazônia é um entrave, e sua proteção seria um “impedimento” ao agronegócio. As políticas de seu governo refletiram isso — o desmatamento aumentou 73% durante sua gestão, com média anual de 11.396 km², contra 7.145 km² no período anterior. Em janeiro de 2025, a devastação na Amazônia Legal cresceu 68%, atingindo 133 km². Diante desses números, a narrativa não se abala. Para o adepto, aceitar que o ídolo contribuiu para a destruição seria admitir que apoiou a devastação de terras indígenas, o garimpo ilegal e a morte de povos originários. O custo psicológico é insuportável.
Para evitar o colapso, o cérebro aciona válvulas de escape. A atribuição externa joga a culpa no governo Lula, na mídia ou no STF — o erro nunca é interno. A deslegitimação da fonte descarta dados do INPE e do Imazon como “mentira comunista”. A reinterpretação seletiva transforma desmatamento em “necessidade”, grilagem em “regularização” e garimpo em “geração de emprego”. A comparação descendente minimiza o erro: “Sim, desmatou, mas olha o que o Lula fez.”
Há ainda o efeito custo afundado: o bolsonarista radical investiu tempo, relações familiares e identidade nessa crença. Admitir que a política ambiental foi um desastre seria admitir que brigou com parentes e construiu sua vida em torno de uma farsa. É mais fácil dobrar a aposta, radicalizar e criar teorias da conspiração.
Enquanto essa ginástica mental acontece nos centros urbanos, a Amazônia paga o preço. Terras indígenas como a Yanomami viram a devastação avançar. A fiscalização foi esvaziada. O discurso de ódio contra defensores da floresta foi normalizado. A dissonância, aqui, não é apenas um fenômeno individual — tornou-se uma política pública tóxica, que permite a destruição impune e acelerada.
A dissonância é uma escolha confortável, mas a Amazônia não oferece conforto. Enquanto o apoiador se esconde em justificativas, o garimpo avança e o mercúrio envenena o futuro. Ele sabe disso — e por isso nega com tanta violência. Porém, a dissonância não apaga um hectare de floresta nem ressuscita um peixe. A verdade, aqui, tem cheiro de fumaça e cor de rio barrento. A floresta não negocia com a psicologia, e contra a realidade não há desculpa que segure.
Olimpio Guarany é jornalista, documentarista e professor universitário. Realizou expedição histórica, navegando o rio Amazonas, desde a foz até o rio Napo (Peru), por onde atingiu o sopé da cordilheira dos Andes (Equador) no período 2020-2022 refazendo a saga de Pedro Teixeira, o conquistador da Amazônia (1637-1639). A expedição deu origem ao livro ‘A Nova Conquista da Amazônia’. É apresentador do programa Amazônia em Pauta no canal Amazon Sat.
A revisão do Zoneamento Socioeconômico e Ecológico (ZSEE) de Mato Grosso deu um novo passo ao adotar a Base Hidrográfica Ottocodificada (BHO) como referência para o ordenamento territorial do estado. Agora, uma Nota Técnica Conjunta elaborada por pesquisadores e instituições socioambientais reforça a importância dessa escolha, destacando sua consistência científica e seu potencial para fortalecer a gestão integrada dos recursos naturais.
O documento foi divulgado nesta sexta-feira (26) pelo Instituto Centro de Vida (ICV), em parceria com pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), da Universidade de Brasília (UnB) e do Instituto Socioambiental (ISA), com apoio do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) e do projeto ‘Rumo a uma Gestão Participativa da Água na Bacia do Rio Tapajós’.
Atualmente, o ZSEE está em processo de revisão técnica conduzido pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). O instrumento orienta o ordenamento territorial do estado ao definir zonas e subzonas e indicar os usos e atividades mais adequados para cada região, considerando suas potencialidades e restrições. Seu objetivo é conciliar desenvolvimento socioeconômico, conservação ambiental e uso sustentável dos recursos naturais.
Como parte desse processo, a equipe técnica da UFV adotou as ottobacias de nível 6, derivadas da metodologia de Base Hidrográfica Ottocodificada (BHO), como unidade territorial de referência para a delimitação das Unidades Socioeconômicas e Ecológicas (USEEs). Segundo a nota técnica, essa escolha representa um avanço metodológico para o ordenamento territorial de Mato Grosso.
A Base Hidrográfica Ottocodificada (BHO) constitui o principal conjunto de dados hidrográficos de referência do país e integra informações geográficas sobre trechos de drenagem, áreas de contribuição hidrográfica, cursos d’água, pontos de drenagem, barragens e massas d’água.
Na prática, essa metodologia permite que toda a área de contribuição de um rio, desde sua nascente até a foz, seja considerada na definição das zonas e subzonas do zoneamento. Dessa forma, o planejamento territorial passa a refletir a dinâmica natural das bacias hidrográficas, permitindo análises mais integradas sobre os recursos hídricos e sua relação com os aspectos ambientais, sociais e econômicos do território.
“A adoção da Base Hidrográfica Ottocodificada como unidade de referência para o planejamento territorial facilita a divisão do espaço geográfico de modo a valorizar a integração de aspectos físicos, bióticos e socioeconômicos. Isso se dá em função da bacia hidrográfica por si só constituir um sistema ambiental integrado.” Explicou o analista de geotecnologias do Instituto Centro de Vida (ICV), Lucas Araújo.
Nota reforça papel das bacias hidrográficas no planejamento social
Além dos aspectos técnicos, a nota destaca que a utilização das bacias hidrográficas como unidade de planejamento fortalece a governança participativa e arranjos colaborativos de atores fundamentais para a gestão territorial.
Rio Guaporé, na época das chuvas. Foto: Margi Moss
Essa abordagem também tem orientado outras ações promovidas pelo Instituto Centro de Vida ao longo de 2026. Em fevereiro, a instituição e parceiros realizaram, em Cuiabá-MT, o Seminário Bacias Hidrográficas e Ordenamento Territorial.
Em junho, promoveu em conjunto com o Comitê de Bacia Hidrográfica do Baixo Teles Pires, no município de Alta Floresta, o 1º Encontro Águas da Bacia do Teles Pires, reunindo representantes do poder público, comitês de bacias hidrográficas, universidades, povos indígenas, comunidades tradicionais e organizações da sociedade civil, para debater gestão integrada dos recursos hídricos, segurança hídrica e os desafios impostos pelas mudanças climáticas.
Para Lucas Araújo, a adesão de diversos segmentos da sociedade nesses eventos demonstra o interesse comum pela gestão da água, que possui ligação direta com o ordenamento territorial e o uso e a ocupação das bacias, “confirmando o papel da área de contribuição hidrográfica como elemento integrador na gestão e no planejamento do território”.
A nota técnica, elaborada no âmbito do projeto “Zoneamento para o Presente e para o Futuro: por uma proposta de ZSEE/MT que preserve vidas”, apoiado pelo Banco de Projetos e Entidades do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), conclui que a adoção da Base Hidrográfica Ottocodificada (BHO) fortalece a revisão do Zoneamento Socioeconômico e Ecológico de Mato Grosso ao oferecer uma base metodológica consistente para integrar critérios físicos, bióticos e socioeconômicos no planejamento territorial.
“Os relatórios técnicos da Universidade Federal de Viçosa demonstram que o uso do nível 6 das ottobacias é metodologicamente adequado e assegura consistência entre a base hidrográfica nacional e o zoneamento estadual”, destacam os autores.
Pesquisadores fazendo colheita de sementes de pau-rosa a partir de método criado localmente. Foto: Divulgação/IIAP
O Instituto Peruano de Pesquisa da Amazônia (IIAP), uma entidade do Ministério do Meio Ambiente no Peru, consolidou no Centro de Pesquisa Jenaro Herrera o principal banco vivo de pau-rosa (Aniba rosaeodora) no país, graças a 36 anos de pesquisa sobre uma das espécies florestais mais valiosas e ameaçadas da Amazônia.
As plantações, compostas por árvores de 36, 30 e 7 anos, tornaram-se a principal fonte de sementes para programas de reflorestamento, conservação e pesquisa científica voltados para a recuperação dessa espécie em diferentes regiões amazônicas.
Uma das principais contribuições dessa pesquisa foi fortalecer o conhecimento sobre o uso sustentável do pau-rosa sem a necessidade de cortar a árvore. As avaliações realizadas pelo IIAP em Pucallpa mostraram que plantas com um ano de idade já contêm óleo essencial.
O pau-rosa é uma das espécies florestais mais valiosas e ameaçadas da Amazônia. Foto: Edson Barcelos
Da mesma forma, embora esse composto possa ser obtido em qualquer idade, a partir dos cinco anos eles se tornam referência para a primeira poda, já que a planta atinge dimensões adequadas para um manejo sustentável. Essa abordagem abre a possibilidade de gerar renda sem recorrer à redução de exemplares.
A pesquisa também levou ao desenvolvimento de um protocolo de propagação vegetativa usando estacas, uma tecnologia que facilita a produção de novas plantas para projetos de restauração e sistemas agroflorestais. Da mesma forma, os estudos mostraram que algumas árvores produzem mais de 1.200 sementes por temporada, informações que permitirão a seleção de exemplares com maior potencial para fortalecer a recuperação da espécie e expandir seu cultivo de forma sustentável.
Pau-rosa possui valor ambiental
Além de seu valor econômico, o pau-rosa desempenha um papel importante no equilíbrio das florestas amazônicas. Seus frutos servem como alimento para aves como tucanos, que dispersam suas sementes e promovem a regeneração natural, enquanto sua sombra, raízes e folheiras ajudam a preservar a umidade e a fertilidade do solo.
Atualmente, o IIAP transfere sementes, mudas e assistência técnica para comunidades amazônicas para promover uma cadeia de produção que combina conservação, pesquisa e desenvolvimento sustentável.
O senador da República pelo estado do Acre, Sérgio Petecão (PSD), afirmou, em relação ao alto custo do preço de passagens aéreas na Amazônia, que os amazônidas pagam um “preço caro” por preservar as florestas. O parlamentar explica que, por não abrir estradas que ligam os estados da Amazônia ao restante do Brasil, as pessoas que vivem na Amazônia tem pagado preços altos em passagens aéreas.
“Nós pagamos um preço caro por preservar as nossas florestas. Nós temos muitas família que moram ao longo dos rios, dos igarapés, que não tem oportunidade nenhuma. E um cara que tá doente em Cruzeiro do Sul, por exemplo, como é que ele vai pagar uma passagem aérea? Nós temos a BR-364 que essa época está intrafegável, quando estamos no inverno amazônico. Então não temos que fazer uma conta, é algo tão simples. Chega a nos irritar porque não estamos falando de uma coisa que surgiu nessa semana e que tá todo mundo estudando. Isso é o básico. As pessoas querem ter o direito de ir e vir que a nossa constituição já garante isso”, afirma.
O parlamentar é um dos convidados do programa Entrevistas, do canal Amazon Sat. O programa reuniu ainda o professor de Sistemas de Transporte da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Augusto Rocha, e o deputado federal pelo Amazonas Sidney Leite (PSD).
“Nós ficamos sempre em último lugar”, afirma Sidney Leite
O deputado federal Sidney Leite também aproveitou o momento e criticou a atenção do executivo para com assuntos relacionados a Amazônia. Para Leite, quando se fala em Amazônia é algo de orgulho mas ao seu ver o poder público sempre deixa os assuntos da região no que ele classificou como “em último lugar”.
“Todo mundo enche a boca para falar de Amazônia. Mas na hora de cuidar e de garantir investimentos a história é outra. Nós ficamos sempre em último lugar, inclusive em pesquisas. Porque a pesquisa no Brasil, cerca de 80% é financiada pelo poder público e nós estamos lá no final da fila. Nós temos grandes desafios na Amazônia mas enquanto o governo central não olhar e não enfrentar essa desigualdade, respeitando inclusive o custo amazônico, da logística, pelas dificuldades e pela distância, nós vamos continuar padecendo”, declarou. Assista:
A entrevista completa já está disponível no canal do Amazon Sat no Youtube: assista o programa completo AQUI.
‘Entrevistas’
O programa Entrevistas, do Amazon Sat, nasce com a proposta de aproximar os amazônidas das decisões tomadas em Brasília que impactam diretamente a região. Produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal, o programa aborda temas ligados à política, justiça, economia e meio ambiente, ouvindo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e formadores de opinião.
Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, que há mais de duas décadas acompanha pautas da Amazônia em Brasília, o programa pretende aprofundar debates e revelar os bastidores das decisões que influenciam a vida de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica. A atração também busca transformar assuntos técnicos e complexos em informações acessíveis ao público.
‘Entrevistas’ tem sempre um episódio inédito às terças-feiras, às 19h30, e conta com reexibições:
quartas, às 9h; quintas, às 13h30; sextas, às 17h30; sábados, às 9h30; domingos, às 15h45; e segundas, às 19h30.
Todos os horários seguem o fuso de Manaus/AM (GMT -4).
O deputado federal Sidney Leite (PSD-AM) afirmou que os aeródromos de cidades na Amazônia precisam de mais infraestrutura. A afirmação vem diante de uma pauta sobre um conjunto de projetos de leis de parlamentares de estados da Amazônia que desenvolveram um único texto que propõe a mudança da legislação sobre a concessão de tráfego aéreo a fim de aumentar a quantidade de voos e diminuir o custo das passagens aéreas na região Amazônica.
O parlamentar foi um dos que contribuíram ao debate no programa Entrevistas, do canal Amazon Sat. Além de Sidney Leite, também participou o senador Sérgio Petecão (PSD-ACRE) e o professor de sistemas de transporte da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) Augusto Rocha.
“A gente carece muito de infraestrutura portuária. Vou dar um exemplo: O estado do Amazonas é o maior estado da Federação e tirando Manaus nós só temos três aeroportos com balizamento noturno. Isso é um absurdo! Porque isso inviabiliza e só permite operar dez, onze horas, durante o dia. Tem que poder operar vinte e quatro horas. E esse aeroportos não funcionam integralmente a noite, tem toda uma burocracia, dependendo da concessionária, que administra esse aeroporto, de autorizar ou não. Até recentemente esse foi um pleito da bancada do norte”, disse Leite.
“Você pega por exemplo a cidade de Cruzeiro do Sul, no estado do senador Petecão, que é uma cidade importante, tendo um aeroporto importante para toda a região da calha do Juruá, onde não se conseguia pousar por instrumento. Então há uma necessidade urgente de ampliar os investimentos nos aeródromos, em toda a região, para tirar a nossa população do isolamento”, completou.
Sugestão de mudança de gestão
Sidney Leite afirmou ainda que também tem um projeto de lei que autoriza a mudança da gestão dos aeroportos pelos estados da Federação, para as prefeituras. Segundo o parlamentar isso facilitaria a gestão de aeroportos de cidades do interior.
“A gestão desses aeroportos está sobre a competência do estado. Mas os estados não vivem o cotidiano da população na grande maioria dos municípios da Amazônia. E esse projeto permite que o município que tiver interesse possa fazer a gestão. Porque muitos desses aeroportos são deficitários”.
Ainda segundo o deputado federal, cidades do Amazonas tem sofrido com uma gestão mais afínqua nos seus aeroportos. Ele cita cidades como Parintins e Carauari como municípios que tem sofrido danos econômicos por conta da falta de infraestrutura aeroportuária.
“O Governo Federal através do Ministério de Portos e Aeroportos lançou um programa que até agora não vimos o resultado, infelizmente. Nós tinhamos aprovado aqui um PL de uma concessão patrocinada para a gente resolver gargalos e isso influencia diretamente na economia. Por exemplo, o município de Parintins no Baixo Amazonas, estamos prejudicados quanto ao Festival de Parintins porque o aeroporto de lá não tem condições de receber grandes aeronaves”, exemplificou. Assista:
A entrevista completa já está disponível no canal do Amazon Sat no Youtube: assista o programa completo AQUI.
‘Entrevistas’
O programa Entrevistas, do Amazon Sat, nasce com a proposta de aproximar os amazônidas das decisões tomadas em Brasília que impactam diretamente a região. Produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal, o programa aborda temas ligados à política, justiça, economia e meio ambiente, ouvindo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e formadores de opinião.
Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, que há mais de duas décadas acompanha pautas da Amazônia em Brasília, o programa pretende aprofundar debates e revelar os bastidores das decisões que influenciam a vida de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica. A atração também busca transformar assuntos técnicos e complexos em informações acessíveis ao público.
‘Entrevistas’ tem sempre um episódio inédito às terças-feiras, às 19h30, e conta com reexibições:
quartas, às 9h; quintas, às 13h30; sextas, às 17h30; sábados, às 9h30; domingos, às 15h45; e segundas, às 19h30.
Todos os horários seguem o fuso de Manaus/AM (GMT -4).
Documento foi feito em conjunto com diversos órgãos e entidades para recomendar ações, prevenções e medidas sobre eventuais impactos do El Niño. Foto: Divulgação Ascom/Cemaden
Em atuação conjunta, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (CEMADEN), o Serviço Geológico do Brasil (SGB) e a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC) lançaram o primeiro boletim mensal do Painel El Niño 2026-2027.
Boletim El Niño
O objetivo do documento é apresentar o monitoramento e previsões sobre o fenômeno El Niño em 2026 e 2027, bem como informar sobre possíveis impactos.
Em junho de 2026 foi confirmada a configuração do El Niño. Os modelos indicam probabilidade acima de 90% de permanência do fenômeno até, pelo menos o início de 2027, com alta probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte, quando as anomalias/desvios de temperatura da superfície do mar (TSM) no Oceano Pacífico Equatorial ficam acima de 2,0°C, entre a primavera e o verão de 2026.
Com isso, a previsão climática para o trimestre julho-agosto-setembro de 2026 indica, de forma geral, chuvas acima da média em áreas da Região Sul do Sul e, chuvas abaixo da média no centro-norte do País.
Diante desse cenário, a colheita do milho segunda safra, algodão e cana-de-açúcar na Região Centro-Oeste e as culturas de inverno na Região Sul podem ser beneficiadas. Por outro lado, o aumento das temperaturas pode afetar as pastagens e a preparação da próxima safra na Região Centro-Oeste. Ainda, as condições indicam alta probabilidade de temperaturas acima de média no segundo semestre que, podem aumentar os eventos de onda de calor e a ocorrência de incêndios florestais.
No dia 11 de junho de 2026, a agência norte-americana NOAA decretou o estabelecimento de condições de El Niño no Pacífico equatorial. Observa-se, no oceano Pacífico equatorial (Figura 1) um progressivo aquecimento com a ocorrência de anomalias positivas da TSM (superiores a 0,5 °C), nas últimas semanas.
Destaca-se o aquecimento nas regiões Niño 1+2 (nas proximidades da costa oeste da América do Sul) com desvios superiores a 2°C, e nas regiões Niño 3 e Niño 4 (na porção central e oeste do Pacífico equatorial), com desvios superiores a 1,0°C. A circulação atmosférica observada sobre Pacífico equatorial com anomalias de ventos de oeste em baixos níveis e de leste em altos e a diminuição da radiação de onda longa emitida no pacífico central também são condizentes com condições de El Niño.
Prognóstico Climático Sazonal
A previsão elaborada pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC)/Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e pela Fundação Cearense de Meteorologia (FUNCEME) para o trimestre julho-agosto-setembro de 2026 indica maior probabilidade de que a precipitação fique abaixo da média em boa parte do centro-norte do Brasil com destaque para a maior parte do Nordeste e pontos do oeste e sul da Região Norte.
Por outro lado, na maior parte da Região Sul, é maior a probabilidade de que os acumulados de chuva no próximo trimestre se concentrem acima da faixa normal de precipitação.
A respeito da temperatura, na maior parte do Brasil, é maior a probabilidade de que as temperaturas fiquem acima da normal climatológica no próximo trimestre o que indica maior potencial para episódios de ondas de calor na faixa central do país. Além disso, a combinação de temperaturas acima da média e precipitações abaixo da média em áreas do Centro-Oeste, Norte e Nordeste aumenta o potencial para queimadas nos próximos meses.
Mapa de Previsão climática sazonal. Fonte: CPTEC-INPE, INMET e FUNCEME
Panorama dos Recursos Hídricos – Monitor de Secas
Observando as cinco regiões geopolíticas acompanhadas pelo Monitor de Secas, o Sudeste teve, em maio, o quadro mais severo do fenômeno no País com seca grave em 2% da região.
Situação dos Sistemas Hídricos e Reservatórios Prioritários
As análises apresentadas nesta seção abrangem as regiões com maior suscetibilidade aos impactos do fenômeno El Niño, considerando sua influência sobre os padrões de precipitação e disponibilidade hídrica nas principais bacias hidrográficas do país.
Dessa forma, serão abordadas as Regiões Sul, Norte e Nordeste, com destaque para os rios Madeira, Tocantins, Xingu e São Francisco, cujas dinâmicas hidrológicas apresentam maior sensibilidade às anomalias climáticas associadas ao evento
Análise e Previsão das Bacias Hidrológicas Monitoradas
A figura abaixo mostra a condição, no final de junho de 2026, dos níveis dos rios no Brasil em relação às médias históricas por meio de percentis: cores quentes (ou frias) representam quanto o rio está abaixo (ou acima) da média para esta época do ano.
Nível dos rios – junho de 2026 (fonte SGB)
Potenciais impactos na agricultura
As previsões climáticas para o trimestre julho-agosto-setembro (JAS) de 2026 indicam a persistência de um El Niño forte, com impactos distintos sobre as regiões produtoras do Brasil:
Região Norte: previsão de chuvas abaixo da média e temperaturas acima do normal, aumentam a evaporação, reduzindo a umidade do solo e elevando o risco de deficiência hídrica, com possíveis prejuízos às pastagens, culturas perenes e agricultura familiar.
Região Nordeste: cenário de menores volumes de chuva e temperaturas acima da média, podem favorecer a colheita do feijão de terceira safra em áreas mais avançadas, comprometendo os cultivos em desenvolvimento e reduzindo a disponibilidade hídrica para pastagens e pecuária.
Região Centro-Oeste: condições favoráveis à colheita do milho segunda safra, algodão e cana-de-açúcar. Contudo, o aumento das temperaturas pode intensificar a deficiência hídrica no final do período seco, afetando pastagens, recursos hídricos para a pecuária e a preparação da próxima safra.
Região Sudeste: chuvas próximas à média tendem a beneficiar as culturas de inverno. Para o café, o cenário favorece a colheita e futuras floradas, desde que as chuvas retornem adequadamente após o período seco. As temperaturas mais elevadas exigem atenção ao aumento de doenças e à aceleração do ciclo das culturas.
Região Sul: previsão de chuvas acima da média, podem favorecer as culturas de inverno. Entretanto, o excesso de umidade poderá aumentar a incidência de doenças fúngicas. Por outro lado, a maior nebulosidade e as temperaturas mais elevadas reduzem o risco de geadas tardias.
De acordo com o Índice Integrado de Seca (IIS-3) de maio de 2026, do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), as condições de seca moderada e severa concentram-se no oeste do Tocantins, no centro-sul do Pará, no norte do Amazonas, no leste do Mato Grosso, no sul de Goiás e no oeste de Minas Gerais.
Entre abril e maio de 2026, 66 municípios registraram transição para a condição de seca severa, com maior incidência nos estados de Minas Gerais e Goiás, que concentraram mais da metade dessas ocorrências.
Em relação às condições de seca em áreas indígenas, a análise de maio de 2026 mostra uma pequena redução no número total de territórios classificados em nível de seca severa em relação ao mês anterior. Entretanto, observa-se a persistência de déficit hídrico nos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI).
Recomendações e demais orientações
Diante dos prognósticos que indicam a possível intensificação do fenômeno El Niño em 2026/2027, a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), em articulação com os órgãos federais de monitoramento e com o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sinpdec), vem adotando medidas antecipatórias de preparação, coordenação e fortalecimento da capacidade de resposta dos entes federativos, tanto aos municípios monitorados como à população.