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Litoral do Amapá: como é a bacia da foz do Rio Amazonas, alvo de disputa entre Ibama e Petrobras

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Esta biodiversidade está no centro das discussões sobre a exploração de petróleo no extremo norte do Brasil, a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, na bacia da Foz do Amazonas

Com recifes de corais ainda pouco estudados e com o maior cinturão de manguezais do mundo – que se estende pela costa da Amazônia e representa 80% da cobertura do país –, a bacia da foz do Rio Amazonas é considerada uma região de grande relevância biológica.

Esta biodiversidade está no centro das discussões sobre a exploração de petróleo no extremo norte do Brasil, a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, na bacia da Foz do Amazonas.

Em maio de 2023, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) negou licença para a Petrobras iniciar a exploração petrolífera na região.

O órgão informou que o plano da Petrobras para a área não apresenta garantias para atendimentos à fauna em possíveis acidentes com o derramamento de óleo, e que viu lacunas na previsão de impactos da atividade em três terras indígenas em Oiapoque.

Biodiversidade costeira que pode ser impactada pela exploração de petróleo no Amapá — Foto: Parque Nacional do Cabo Orange/Divulgação

A Petrobras declarou que atendeu a todos os requisitos do Ibama no processo de licenciamento e que a área em que pretende perfurar o poço está a 175 km costa do Amapá e a mais de 500 km da foz do Rio Amazonas.

O Ministério de Minas e Energia declarou que recebeu a decisão do Ibama com naturalidade e respeito, e que o poço, de pesquisa, serviria para reconhecimento do subsolo e das potencialidades da região.

Na primeira manifestação sobre o assunto, o Presidente Lula (PT) disse achar difícil haver algum problema para a Amazônia, mas que ainda avaliaria o caso.

“Se explorar esse petróleo tiver problemas para a Amazônia, certamente não será explorado. Mas eu acho difícil, porque é 530 km de distância da Amazônia. Mas eu só posso saber quando eu chegar lá [no Brasil]”

declarou o presidente pouco antes de deixar o Japão, onde estava para a participar da cúpula do G7 .

Corais da Amazônia 

Em 2016, recifes de corais foram descobertos na costa do Amapá em meio ao anúncio de exploração de petróleo na região. Os “corais da Amazônia”, de acordo com a organização não-governamental (ONG) internacional Greenpeace, são formações únicas e seriam diretamente ameaçadas pela atividade petrolífera.

Os corais foram citados pela primeira vez em maio de 2016 por um estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que explorou a costa Leste do Amapá, na fronteira com a Guiana Francesa.

De acordo com a pesquisa, os recifes são formados por corais, esponjas e rodolitos (algas calcárias). 

Diante do estudo, os pesquisadores fizeram em janeiro de 2017 a primeira expedição que, ao longo de 16 dias, mapeou e identificou as novas descobertas.

O ecossistema ainda pouco conhecido fica a 100 quilômetros do litoral, próximo ao encontro das águas do Rio Amazonas e do Oceano Atlântico. Ele desperta grande curiosidade sobre como acontece a adaptação da vida marítima na mistura de água doce e salgada.

Inicialmente, foi estimado que os recifes teriam pelo menos 9.500 quilômetros quadrados, mas após a expedição, os cientistas estimam que eles podem ter até 56 mil quilômetros quadrados, em uma área que vai da Guiana Francesa, passa pelo Amapá e Pará e chega ao Maranhão.

Para o Greenpeace, os recifes estão ameaçados pelo fato de estarem localizados próximos ao bloco a ser explorado na bacia da foz do Amazonas.

“O Greenpeace apoiou expedições científicas em 2017 e 2018, que já indicavam a inviabilidade ambiental para essa exploração. Inclusive, esse termo é usado no parecer do Ibama, que respeita o princípio da precaução, de se evitar qualquer intervenção o meio ambiente sem as garantias de que não vai ter impacto”

disse Marcelo Laterman, porta-voz de Oceanos do Greenpeace Brasil.

Em 2018, uma petrolífera francesa que tentava explorar a mesma área teve a licença negada pelo Ibama.

Também em 2018, um projeto de lei para tornar os corais da Amazônia uma área de preservação permanente começou a tramitar na Câmara dos Deputados, mas a proposta foi rejeitada em dezembro de 2021 pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara.

Em meio à discussão sobre a possível liberação da exploração de petróleo na área próximas aos corais, ONGs, universidades e moradores da região temem as consequências de impactos ambientais ao ecossistema. 

Corais da Amazônia — Foto: Greenpeace/Divulgação

Manguezais da Amazônia

Distribuídos pelos estados do Amapá, Pará e Maranhão, os manguezais da Amazônia correspondem a mais de 80% dos manguezais do Brasil e possui o maior cinturão ininterrupto do mundo.

De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Amapá é o terceiro maior estado do Brasil com uma área de 226 mil hectares de mangues, atrás do Pará (aproximadamente 390 mil hectares) e do Maranhão (505 mil hectares). O dado, segundo o instituto, consolida a importância da costa norte para a conservação da vegetação.

O mangue é um ambiente de transição entre o mar e o continente, entre a água salgada e a doce, entre os biomas terrestre e marinho, nas regiões tropicais e subtropicais.

Na Amazônia, o ecossistema gera verdadeiras florestas com árvores de grande porte. O solo se forma a partir de uma grande quantidade de matéria orgânica em decomposição que serve de alimento e habitat para diversas espécies de crustáceos e peixes.

No Amapá, ocorre entre o Oceano Atlântico e o Rio Amazonas, onde existem as áreas de várzea, protegidas pelos manguezais.

“Ele surge com o objetivo de proteger o próprio continente de impactos possíveis, como de um tsunami, por exemplo, ou de grandes ondas. Ele também é um berçário de espécies aquáticas, onde peixes, crustáceos e camarões usam para reprodução. O mesmo peixe que a gente consome no mercado, é o mesmo peixe que um dia viveu no mangue”

destacou Paulo Silvestro, analista ambiental do ICMBio.

A maior parte dos mangues amapaenses está localizada no Parque Nacional do Cabo Orange. 

Parque Nacional do Cabo Orange

Com uma área de aproximadamente 657.318 mil hectares, o Parque Nacional do Cabo Orange está localizado nos municípios de Calçoene e Oiapoque, no Norte do Amapá, região também conhecida como Litoral Equatorial Amazônico.

As espécies florestais mais comuns na região são as árvores mangue-branco, mangue-vermelho e o negro.

O local abriga vários animais que estão ameaçados de extinção, entre eles gato-do-mato, cuxiú-preto, tartaruga-verde, tamanduá-bandeira, onça-pintada, peixe-boi marinho e peixe-boi-da-Amazônia.

Um protagonista desta região é o peixe-boi chamado “Victor Maracá”. Ele foi resgatado e após viver por seis anos em uma piscina foi devolvido à natureza num rio na Aldeia do Manga, em Oiapoque.

Segundo o ICMBio, uma das visões que mais impressiona os visitantes é a grande concentração de aves, que utilizam a área para construção de ninhos nos mangues.

De acordo com o biólogo analista do ICMBio, o Amapá recebe anualmente algumas espécies de aves que fogem do inverno de países como o Canadá e os Estados Unidos e que passam o verão nesse ponto específico no Norte do Brasil.

“Tem animais que viajam milhares de quilômetros do Canadá e do Alasca (EUA) e vêm pra cá. O maçarico-rasteirinho, maçarico-de-perna-amarela. Do grande e do pequeno, vêm ficar aqui durante o inverno de lá, que tem muita neve e não tem comida”, 

comentou Silvestro.

Outros protagonistas dessa área são os caranguejos-uça, crustáceos predominantes na região. A espécie se alimenta de folhas em decomposição, sementes e frutos de mangue.

A carne do caranguejo-uça é bastante apreciada na culinária, por isso é definido anualmente o período de defeso durante a época reprodutiva da espécie.

Conhecida como “andada”, essa fase acontece no início do ano, quando os caranguejos saem das tocas e andam aos montes pelos manguezais, em busca de acasalamento e para a liberação de ovos.

Esta área que compõe o Parque Nacional do Cabo Orange é apenas um recorte da rica biodiversidade existente na costa do Amapá.

Outras duas unidades de conservação litorâneas também guardam as riquezas do extremo norte do Brasil: a Reserva Biológica do Lago Piratuba e a Estação Ecológica Maracá-Jipioca, que abriga a “Ilha das Onças-Pintadas”, uma das regiões mais remotas do estado com acesso pelo município de Amapá. 

Parque Nacional do Cabo Orange (PNCO), no Amapá — Foto: Marcus Cunha/ICMBio

Terras indígenas 

Povos Indígenas temem a exploração de petróleo na costa do Amapá por acreditarem que a atividade deve provocar impactos ambientais em pelo menos quatro etnias que ficam ao norte do estado.

Renata Lod, vice coordenadora do Conselho de Caciques dos Povos Indígenas do Oiapoque (CCPIO), detalhou que os povos Karipuna, Galibi Marworno, Galibi Kali’ na e Palikur-Arukwayene vivem em 3 Terras Indígenas demarcadas e homologadas (TI Uaçá, TI Jumina e TI Galibi).

Ao todo, são cerca de 13 mil indígenas vivendo em 56 comunidades dentro de uma área contínua de 518.454 hectares, organizada em 5 regiões: BR-156, Rio Oiapoque, Rio Uaçá, Rio Urukawá e Rio Curipi.

A vice coordenadora disse que as comunidades receberam com satisfação o resultado do parecer do ibama.

“Ele apenas afirma aquilo que a gente vem tentando dialogar com a Petrobras todo esse tempo porque nós estamos tentando um diálogo para que o nosso protocolo de consulta seja respeitado, mas também para que a gente mostre os danos que isso pode trazer. Nós estamos vivendo as questões das mudanças climáticas e nós povos indígenas estamos vivendo na pele toda essa situação”

disse.

Outra preocupação é a movimentação de aeronaves na região. Segundo Lod, o barulho pode causar transtornos nas aldeias, que não estão acostumadas com sobrevoos.

“A questão das aeronaves que passavam quase que diariamente em cima das nossas aldeias trazendo consequências tanto para as nossas crianças que se assustavam, quanto para a caça. Isso assustava as caças, tanto pássaros, quanto animais terrestres […] os nossos territórios vai sendo impactados com isso”, completou.

*escrito por Núbia Pacheco 

Carnaval de ontem e de hoje

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À época da Província do Amazonas esses acontecimentos de rua eram feitos por brincadeiras como o Entrudo e o Zé Pereira, além dos foliões mascarados que invadiam o Centro antigo de Manaus, quando da época da festa popular.

Segundo a professora e historiadora Mary Del Priore, o carnaval não tem sua origem no Brasil. Sua origem se perde no tempo, tanto que as religiões históricas nascidas às margens do Mediterrâneo tiveram que criar um espaço para tais festividades no seu calendário. O Cristianismo associou o carnaval à quaresma, que antecede à Páscoa, ao Judaísmo, à festa de Purim, em homenagem a Rainha Éster. Já o Islã situou as mascaradas no início móvel do seu ano lunar. Ainda segundo a historiadora, as três festas seguem firmemente inscritas no tempo religioso, mas aparecem, em diferentes graus, como fragmentos ou parênteses pagãos.

Em tempos mais remotos do carnaval, na longínqua Babilônia e na Roma Antiga, foi no calendário cristão que brotaram suas raízes mais evidentes.

“[ ]… Ao longo da idade média, os festejos com mascaradas eram mais definidos pelas estações do ano que por datas exatas. Entre o natal e o carnaval multiplicavam-se as quermesses. O período de matanças de porcos, para o preparo de embutidos a consumir na semana gorda, permitia aos jovens tingir o rosto com cinzas, encapuzar-se, vestir-se com sacos, roupas de mulher ou suas roupas ao avesso. Assim vestidos, assustavam outras pessoas, entravam em casas, comiam, bebiam e beijavam as moças, que tentavam reconhecê-lo. Na quarta-feira de cinzas, um manequim figurando o carnaval fazia sua entrada no vilarejo seguido de um grande cortejo de mascarados. Ao fim do dia, era queimado num muro próximo à Igreja, juntamente com as mascaras e acompanhado de lamentos que anunciavam a chegada da quaresma.

O carnaval seguiu os navegadores europeus pelo resto do mundo. Ao longo do tempo, carnavais rurais e urbanos se complementaram, com duração variável. Eles apostaram no papel maior ou menor das máscaras ligadas à Quaresma, ritos agrários, como se vê no México, ou nos Andes, no Mardi Gras de Nova Órleans ou no Carnaval das Irmandades Haitianas, em que as máscaras de vodu se confundem com as de carnaval.”

Fonte: Mary Del Priore é professora de pós-graduação na USP e autora do livro Festas e utopias no Brasil colonial. São Paulo: Brasiliense, 2003.

Avenida Eduardo Ribeiro, 1913. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Afirma-se também que o carnaval é considerado umas das festas mais animadas e representativas. Tem sua origem no entrudo português, cujo hábito era jogar nas outras pessoas água, ovos e farinha. O entrudo, em Portugal, acontecia em um período anterior à Quaresma, com significado ligado à liberdade. Chega ao Brasil, no século XVII, influenciado também por outros países europeus como a Itália e a França, tinham características de desfiles, onde os brincantes usavam máscaras e fantasias, não podemos esquecer os personagens como a Colombina, o Pierrô e Rei Momo, estes incorporados ao carnaval brasileiro, no Brasil, especialmente nas grandes capitais, no final do século XIX, começam a aparecer os primeiros blocos carnavalescos, cordões e os famosos corsos. Estes últimos, tornaram-se mais populares no começo do século XIX. As pessoas fantasiavam-se, decoravam seus carros ou, a maioria, a pé desfilavam pelas ruas das cidades.

O carnaval, em Manaus, teve seu período áureo, nos anos quarenta, cinquenta, sessenta e setenta, com bailes tradicionais nos principais clubes sociais, como Atlético Rio Negro Clube, Ideal Clube, Luso Sporting Clube, Nacional Futebol Clube, Barés Clube, Sheik Clube, Olímpico Cube, Internacional, América, Sulamerica, São Raimundo, Ipiranga e tantos outros.

Avenida Eduardo Ribeiro, 1915. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Segundo o pesquisador e escritor Geraldo Xavier dos Anjos, as reminiscências do carnaval do passado são recheadas de fatos interessantes. Tais manifestações do carnaval que transcorriam nos principais clubes da cidade e de uma forma mais popular nas ruas de Manaus.

O pesquisador nos revela, ainda, que à época da Província do Amazonas esses acontecimentos de rua eram feitos por brincadeiras como o Entrudo e o Zé Pereira, além dos foliões mascarados que invadiam o centro antigo de Manaus, quando da época da festa popular.

Por sua vez, o Entrudo era uma prática proibida, por promover sujeira e imundície. O Entrudo foi uma manifestação introduzida no Brasil pelos colonizadores portugueses da Ilha de Açores.

A prática consistia em jogar nas pessoas água de lama, tinta e tudo que fosse mal cheiroso, até água podre e urina. Tal comportamento provocou a proibição por meio de uma portaria da Câmara Municipal de Manaus publicada no código de postura do município. O fiscal do primeiro distrito desta cidade faz publicar a bem dos interesses o seguinte artigo.

Ideal Clube. Família Tadros e família Sabbá. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

”[ ] … Artigo 82 – é proibido andar-se pelas ruas e lugares públicos e jogar entrudo ou alguma coisa sobre os transeuntes. Pena de dez mil reis de multa ou três dias de prisão.

Artigo 1. Permite-se as mascaradas danças carnavalescas de modo que não ofendam a moral e tranquilidade publica e não contenham alusão às autoridades ou a religião.

Artigo 2. Pelas ruas, praças e estradas da cidade não transitarão pessoas mascaradas depois do toque da Ave-Maria, salvo as que tiverem para isso licença da autoridade policial. Os infratores incorrerão na multa de cinco mil reis, ou dois dias de prisão.

Manaus, 28 de janeiro de 1874.

Pedro Mendes Gonçalves Pinto

“[ ]” Publicado no jornal da Barra do Rio Negro, O Estrela do Amazonas encontra-se o convite da Sociedade Recreativa Amazonense para o primeiro baile carnavalesco de que se tem notícia, da época 28 de janeiro de 1854. A Diretoria da Sociedade Recreativa Amazonense faz saber aos seus sócios que a partida carnavalesca correspondente ao mês terá lugar no dia 1 de fevereiro próximo vindouro na casa de residência do excelentíssimo senhor Capitão Gabriel Antonio Ribeiro Guimarães.

Os sócios que desejarem cartões para convidados deverão fazer os seus pedidos até o dia 31.

Barra, 24 de janeiro de 1854.

O Secretário

João Antonio Pará

Neste mesmo jornal, no dia 24 de fevereiro de 1855, temos a seguinte notícia: Na noite do dia 20 do corrente alguns dos principais negociantes desta capital ofereceram na casa da residência do Senhor Doutor Antonio José Moreira um baile de carnaval para homenagear excelentíssimo senhor Conselheiro Herculano Ferreira Penna. A ocorrência foi brilhante e, ainda nesta Capital não houve um baile em que se dançassem treze quadrilhas como nesta: o serviço foi muito bem feito.

Fonte: Carnavalesca – exposição de arte e memória do carnaval amazonense. 08 de fevereiro de 1991. Pesquisa e texto de José Geraldo Xavier dos Anjos.

João Bosco Fonseca (Arroz) e Antônio Lima de Souza (Mococa). Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Afirma-se, hoje, que o carnaval é uma festa do povo, vale relembrar os grandes desfiles na Avenida Eduardo Ribeiro, que, para os mais velhos, o local é sempre relembrado e naturalmente o preferido da velha guarda.

Em Manaus, quando os desfiles ocorriam na Avenida Eduardo Ribeiro, eram ostentadas elegantes fantasias, algumas com máscaras que desfilavam em carros alegóricos que desciam e subiam a partir do porto de Manaus até o Instituto de Educação. Tinha seu início muito cedo ,normalmente, às 16h. Os veículos da época de capotas arriadas com bonitas jovens a desfilar, o que permitia a população a tirar serpentinas e confetes e, quando em vez o lança-perfume. Tempo de boas memórias, o carro alegórico era sempre esperado com muita curiosidade pela população que se colocava nas calçadas daquela bela avenida, muito bem arborizadas pelos benjaminzeiros. Era uma avenida mesclada de comércio e residências, ainda me recordo das famílias sentadas a porta a apreciar o desfile, especialmente a família da Madame Verdade, responsável pela produção de muitas cabeças que haveriam de desfilar no Atlético Rio Negro Clube e no Ideal Clube.

Na década de quarenta, tínhamos os famosos carros alegóricos a cada ano muito bem produzidos da fábrica de cerveja Miranda Corrêa, destacando a sua saborosa cerveja XPTO, os caminhões muito bem ornamentados da empresa do Comendador Joaquim Gonçalves de Araújo, jogando para o povo os famosos saltos de borracha Coroa. A fábrica de guaraná Andrade participava oferecendo seu delicioso guaraná Andrade, o Luso Sporting Clube também participava do desfile sempre na tentativa de superar a União Esportiva Portuguesa, pois o Luso Sporting Clube era frequentado pelos portugueses mais pobres e a União Esportiva Portuguesa que era frequentado por uma camada de portugueses mais ricos. Importante ressaltar que os sócios do Luso Sporting Clube não podiam frequentar a União Esportiva Portuguesa, em contra partida os sócios do Luso Sporting Clube também não recebiam os sócios da Esportiva União Portuguesa. O Atlético Rio Negro Clube fazia o seu baile de Black-tie e o Ideal Clube seu principal concorrente com finos bailes com desfiles de belas fantasias. O Nacional Futebol Clube tinha seu baile máximo infantil, também com desfiles de fantasia.

Avenida Eduardo Ribeiro, 1913. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Mas é na Avenida Eduardo Ribeiro que tínhamos o grupo da Mocidade que, segundo escritor Carlos Zamite, apresentava, no último dia de desfile, o seu carro alegórico que era construído em sigilo, cujo tema era discutido na loja dos irmãos Tetenge, também na Eduardo Ribeiro. Este grupo carnavalesco que chamava Mocidade desfilou durante 25 anos tendo saído pela primeira vez em 1953 com o tema Branca de Neve e os Sete Anões. Foram muitos os temas apresentado por eles: Cangaceiros, Ciganos, Lavadeiras, Ali Maria, TV não era, o Circo e tantos outros. O último desfile de Mocidade foi em 1978.

Vamos relembrar o famoso baile Black-tie do Atlético Rio Negro Clube que iniciava às 22h com um grande sereno, era aglomeração de pessoas na porta do clube para observar a entrada das belas fantasias da alta sociedade amazonense que haveriam de desfilar. Este baile tinha o seu término às 05:30 da manhã e desfile continuava pela Avenida Epaminondas, passando por trás da Santa Casa de Misericórdia, descia Avenida Eduardo Ribeiro, subia Avenida sete de setembro e chegava no seu ponto máximo de encerramento na famosa Praça da Polícia, assim, eram os anos de glórias da elite do carnaval amazonense. A sociedade amazonense envelheceu, porém, a partir dos anos setenta começam a surgir as primeiras bandas, de certa forma com um crescimento vertiginoso permitindo ao brincante se fazer presente de uma forma muito simples. Esse fenômeno se proliferou e, hoje, é uma verdadeira febre, podemos destacar duas Bandas, a do Bar do Armando e a da Rádio Difusora, porém, há inúmeras delas. 

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Pesquisadora explora relação entre urbanização e vulnerabilidade socioambiental na orla do rio Tocantins em Marabá

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O estudo chama a atenção para o fato de que o modelo de desenvolvimento proposto pelo Estado não se equilibra com a infraestrutura necessária para atender toda população, em especial as que vivem às margens dos rios e igarapés.

Desde de 2006, a coordenadora e professora do Mestrado em Dinâmicas Territoriais e Sociedade na Amazônia (PDTSA) da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), professora Andréa Hentz, estuda a qualidade das águas do rio Tocantins. Recentemente, a pesquisadora publicou os resultados da análise sobre a relação entre urbanização e vulnerabilidade socioambiental na orla do rio Tocantins, em Marabá (PA), realizada entre janeiro de 2022 a janeiro de 2023.

As atividades da pesquisa ocorrem no âmbito do projeto ‘Estado e Políticas Sociais na Amazônia’ (PROCAD_AM e PDPG Amazônia Legal), que têm como objetivo analisar as políticas desenvolvimentistas praticadas pelo Estado, em escala nacional e regional, e seus impactos ambientais, culturais e sociais, como a degradação do rio Tocantins e os impactos para os moradores do núcleo da Velha Marabá, área pioneira que deu origem à cidade.

De acordo com a pesquisadora, há décadas prevalecem nas fronteiras amazônicas dinâmicas de ocupação do espaço baseadas em formas agressivas de exploração do ambiente.

“As relações historicamente estabelecidas entre sociedade e natureza nessas áreas revelam a predominância de uma visão moderna que geralmente reduz os elementos naturais existentes a uma condição de ´recursos´ e de disputa pela posse e uso destes, tendo em vista os diferentes interesses que orientam os diversos atores locais”, explica.

Foto: Reprodução/Unifesspa

O estudo de Hentz chama a atenção para o fato de que o modelo de desenvolvimento proposto pelo Estado, que eleva a concentração industrial e populacional urbana, não se equilibra com a infraestrutura necessária para atender toda população, em especial as que vivem às margens dos rios e igarapés, que no contexto do desenvolvimento urbano não são contempladas com políticas públicas que proporcionem melhorias de vida.

A dinâmica de ocupação e estruturação do território de Marabá é retratada, no relatório produzido pela pesquisadora, como resultado de um conjunto de decisões políticas que estimularam a vinda de mão de obra para atuar na região, formando concentração populacional, que combinada à fragilidade em termos de infraestrutura urbana no entorno da orla do rio Tocantins, contribuiu para reforçar os aspectos de vulnerabilidade da região. A figura abaixo demonstra a delimitação da orla da cidade e os bairros limítrofes do Bairro Velha Marabá:

Foto: Reprodução/Unifesspa

Pesquisa com moradores da orla 

O estudo professora Andréa Hentz mergulhou também na análise de uma pesquisa realizada em amostras de água do Tocantins, no período de 2016 a 2020. O levantamento ouviu 170 famílias ribeirinhas, observando que 55,70% dos entrevistados moradores da orla do Rio Tocantins em Marabá utilizavam, no período pesquisado, chafariz público para consumo da água para beber, 22,60% utilizavam poço artesiano, 17,90% compravam água mineral e apenas 3,80% possuíam água encanada.

Foi observado, também, que entre 2016 a 2020, o número de residências atendidas pelo sistema de abastecimento de água cresceu levemente. Paralelamente, a integração aos sistemas de esgotamento sanitário cresceu significativamente de 2018 para 2020 (67,19%). “Mesmo com o alto percentual registrado, quantitativamente ainda está muito abaixo da demanda da cidade”, diz.

Em relação ao saneamento básico, foi observado que os entrevistados reconhecem que, para melhorar a qualidade da água, deve haver investimentos no setor, pois a maioria (32,18%) apontou para o tratamento de esgoto. Já 27,80% acham que é preciso mais fiscalização; a necessidade de mais conscientização da população foi apontada por 21,30 % e a gestão ambiental foi o motivo atribuído por 18,62% dos moradores entrevistados. “Os dados demonstram que a percepção da população está alinhada a situações que, de fato, podem comprometer a qualidade da água e o bem-estar da população”, analisa a pesquisadora.

Foto: Reprodução/Unifesspa

Qualidade das águas do Rio Tocantins

Durante todo o ano de 2022, nos meses de enchente e no veraneio, Andréa Hentz coordenou trabalho de coletas de amostras de água. Depois de analisadas, o estudo revelou que 81,11% das 480 amostras analisadas, continham a presença de coliformes – evidenciando que a água pode oferecer riscos ao consumo humano.

Andréa lembra que, atualmente, no Brasil, os padrões de potabilidade que normatizam a qualidade da água para consumo humano vêm por meio da Portaria nº 2.914 do CONAMA. “Essa portaria define como água potável destinada ao consumo humano aquela cujos parâmetros microbiológicos, físicos, químicos e radioativos atendam aos padrões e não ofereçam riscos à saúde, dispondo sobre os procedimentos de controle e de vigilância da qualidade da água para o consumo, assim como os padrões de potabilidade”, explica.

O estudo mostra que, em relação a Escherichia coli ou coliforme termotolerantes, os valores máximos permitidos em cada amostra de água são referentes 103 unidades formadoras de colônia de bactérias, ou total ausência em cada 100 mL de água coletada. Os valores de coliformes termotolerantes encontrados no inverno de 2022 nos diversos pontos de coleta ficaram entre 1,9 x 102 e 4,8 x 1013 UFC/mL.

No verão de 2022, os valores obtidos variaram entre 3,8 x 102 e 5,2 x 1010 UFC/mL. Os coliformes totais na época da cheia apresentaram valores que corresponderam a uma mínima e máxima de 1,5 x 102 e 5,2 x 1013 UFC/100 mL, respectivamente. Na seca foram encontrados valores variando entre 1,5 x 102 e 4,3 x 1010 UFC/100 mL.

Foto: Reprodução/Unifesspa

Ainda segundo a professora, “esses dados corroboram com pesquisas realizadas desde 2006 e revelam que a contaminação das águas do rio Tocantins, às margens da orla de Marabá, não é recente, reafirmando a necessidade da efetivação e aplicação da legislação em relação à educação ambiental e melhorias relacionadas ao saneamento básico”.

Outro dado importante publicado no estudo demonstra que, por mais tenha havido investimentos públicos em melhorias da infraestrutura urbana da região, incluindo a própria orla, com importantes locais estruturados para Andrea7 1atividades físicas e esportivas, a utilização do rio Tocantins como opção de lazer ainda é um fator de destaque para a população entrevistada, pois 47% o utilizam para essa finalidade.

Por outro lado, a relação com o rio por parte de quase todos os entrevistados vai além do lazer, pois ao somar o percentual de respostas, 75% dos entrevistados utilizam-no para banho rotineiramente, lazer ou quando estão trabalhando nele. O rio ainda assume a primeira opção de banho quando falta água nas residências desses moradores.

A análise deixa evidente que o processo de urbanização provoca consequências no âmbito social e ambiental. “A urbanização da Amazônia, consolidada a partir da década de 1960, continua se acentuando até os dias atuais, enquanto a dinâmica das cidades se contrapõe à gestão e são pressionadas pelo cumprimento de legislações urbanísticas e ambientais tanto na condição nacional, estadual, como municipal”, concluiu a pesquisadora.

Inverno amazônico na verdade é verão; entenda por quê

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O “inverno amazônico” nada mais é que uma expressão que se popularizou, mas do ponto de vista científico o período entre dezembro e maio é verão.

Chega o fim do ano e as chuvas se intensificam em Estados como o Pará e o Amazonas. O céu mais nublado e a temperatura mais branda indicam características de que o período conhecido como ‘Inverno amazônico’ está chegando. Mas, afinal, é inverno mesmo? 

Segundo o meteorologista e professor na Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), Hildo Giuseppe, não, não é inverno. O “inverno amazônico” nada mais é que uma expressão que se popularizou, mas do ponto de vista científico estamos no verão.

O professor conta que no hemisfério sul do planeta, o período que vai de dezembro a maio é considerado verão, por conta da radiação solar mais intensa, por isso chove mais. “Aqui na região temos muitos rios, e quando há muita energia solar, evapora muita água, formando assim nuvens que vão condensar e precipitar. E assim fica nesse ciclo, precipita, cai a chuva, evapora e forma a nuvem novamente, o que é comum nesse período, justamente pela maior incidência de radiação solar”, explica.

Foto Ricardo Amanajás/Agência Pará

Segundo Giuseppe, é muito comum se falar de “inverno amazônico” justamente pela maior formação de nuvens e maior quantidade de chuvas. Do ponto de vista climatológico, não existe uma variação nas estações do ano, ou seja, elas têm uma data para começar e terminar.

“Nós, climatologistas, não gostamos do termo ‘inverno amazônico’ porque já é definido o verão na climatologia, mas quando se trata de demonstrar como é a variabilidade dos diversos climas ao redor do globo, existem especificações provenientes de cada município e cada região, e no caso da região amazônica, é muito comum se falar de inverno amazônico. É uma questão mesmo de nomenclatura para adaptar esse conceito com relação ao padrão local, mas, corretamente, estamos durante o verão no hemisfério sul. De acordo com o movimento de translação da terra, movimento que o planeta faz ao redor do sol, existem períodos que estamos mais próximos da estrela, e a terra recebe maior radiação solar, o que configura o chamado verão climatológico, que é o período que estamos começando a passar agora”, 

esclarece o meteorologista.

Hildo Giuseppe diz ainda que o período em que as chuvas são mais intensas costuma ocorrer de dezembro até maio, meses que concentram a maior quantidade de chuva, mas na região amazônica até em outros períodos é comum chover mais que em outras regiões do país.

“Nesse período […] há uma maior concentração das chuvas de dezembro até por volta de maio, o que em porcentagem representa que em torno de 65% a 70% das chuvas do ano se concentram nesses meses, e o resto é distribuído ao longo do ano. Mesmo nos períodos mais “secos”, ainda ocorre uma quantidade significativa de chuvas”, diz. Segundo ele, isso ocorre em função da formação que a região tem – a formação das florestas.

E pode até parecer que as chuvas começam a ficar intensas um pouco antes do previsto, como no mês de novembro, quando começa a chover mais. Segundo o professor, é o chamado período de transição. “Não é atípico, espera-se que nesse mês de novembro, que antecede o início do verão no hemisfério sul, já comece ocorrer o que chamamos de mês de transição na meteorologia, ou seja, um mês que já começa a se preparar para a entrada de novos sistemas atmosféricos nessa região, e provocar, justamente o aumento da incidência de chuvas nesse período”, diz.

E se você sente que fica mais quente depois que chove, aquela sensação comum de de que o clima fica mais abafado, saiba que isso é comum, especialmente em capitais, região onde existe uma grande quantidade de edificações.

“Isso faz com que ocorra uma espécie de tampão, ou seja, aquele vapor que deveria ser transportado de forma mais rápida para as altas camadas da atmosfera, acaba se aprisionando em uma grande parte. Isso causa uma sensação maior de calor, que a gente chama de aprisionamento, bem parecido com o efeito estufa, onde esse calor não se dissipa de forma rápida e causa essa sensação de abafamento”, 

explica o professor.

Clima e tempo

Existe uma diferença entre clima e tempo, e isso está ligado diretamente à previsão feita diariamente e ao conhecimento do clima de uma região. “Quando você monta uma estação pra fazer um monitoramento, e ele ocorre de forma instantânea a gente chama de tempo, aí sai os informativos de tempo nos jornais, a conhecida previsão do tempo, para a população se preparar. Já quando a gente fala em relação a sazonalidade, o clima, a gente fala com referência a vários anos, aí vem a climatologia, que segundo a Organização Mundial de Meteorologia leva em torno de 30 anos para avaliar. Então durante esse tempo que vai se conhecer as condições de clima de uma região”, explica o professor.

E já conhecendo o clima da região metropolitana de Belém e amazônica, o professor alerta que é bom se preparar para as chuvas que já começaram, e para os transtornos típicos que elas causam.

“O alerta que o Instituto Nacional de Meteorologia vem fazendo, atualiza a cada previsão, e segundo as análises feitas diariamente, existe a possibilidade de chuvas além do padrão tido como normal, ficar um pouquinho acima. A ideia é que a população se prepare, principalmente para os transtornos que ocorrem durante o período de maior quantidade de chuvas”, finaliza.

Cosmonauta russo surpreende com registro da extensão do rio Amazonas; veja as fotos

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Oleg Artemiev já havia registrado o Bailique, no Amapá, e compartilhou mais de seus cliques da Amazônia feitos da Estação Espacial Internacional.

O cosmonauta russo Oleg Artemiev ficou popular na Amazônia depois de compartilhar uma filmagem do espaço em que registrou o momento de sua passagem pela região ao som de ‘Mas que nada’, de Jorge Ben Jor, como trilha sonora. O vídeo, publicado na rede social dele, chamou a atenção dos brasileiros com imagens do Arquipélago do Bailique, no Amapá.

Leia também: Cosmonauta russo filma e divulga imagens do Arquipélago do Bailique, no Amapá

O fato ocorreu em agosto, mas o cosmonauta voltou a surpreender os internautas nesta quinta-feira (17) ao mostrar seus novos registros da Amazônia: fotos do rio Amazonas visto da Estação Espacial Internacional (ISS) – sigla em inglês -, inclusive do encontro com o rio Japurá, no Estado do Amazonas.

Foto: Reprodução/Instagram-olegmks

Na publicação, que conta com nove imagens, Oleg escreveu: “O rio Amazonas parece absolutamente incrível da ISS. AMAZON! Concorda?”. 

Saiba para quê serve e quais os benefícios do cumaru, a baunilha da Amazônia

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Diversos estudos apontam que o potencial da planta engloba frutos, sementes, flores e tronco, o que colabora para sua fama internacional. 

O cumaru (Dipteryx odorata) é uma planta exclusiva da floresta pluvial Amazônica – do Acre até o Maranhão – e suas sementes são muito populares na gastronomia. Tanto, que ganharam fama por serem conhecidas como a “baunilha brasileira”.

E apesar de seu nome já ser bem conhecido, ainda possui diversos outros, conforme o Laboratório de Produtos Florestais:

Baru, Camaru-ferro, Cambaru, Cambaru-ferro, Catinga-de-boi, Champagne, Champanha, Combari, Coração-de-negro, Cumari, Cumaru-amarelo, Cumaru-da-folha-grande, Cumaru-de-cheiro, Cumaru-do-amazonas, Cumaru-escuro, Cumaru-ferro, Cumaru-rosa, Cumaru-roxo, Cumaru-verdadeiro, Cumarurana, Cumaruzeiro, Cumbari, Cumbaru, Cumbaru-ferro, Cumbaru-roxo, Emburama-brava, Fava-tonca, Fava tonka, Tonka beans, Faveira-tonca, Ipê-cumaru, Kumbaru, Muimapajé, Muirapapé, Muirapayé, Paru, Sacupembinha, Sapucaia, Sucupira e Sucupiramirim.

Sementes secas de cumaru. Foto: Fred Beneson/’Espécies Nativas da Flora Brasileira de Valor Econômico Atual ou Potencial – Plantas para o Futuro – Região Norte’

Potência

Foto: Reprodução/LPF

Diversos estudos apontam que o potencial da planta engloba frutos, sementes, flores e tronco. As sementes, com cheiro adocicado, são muito apreciadas em sobremesas, deixando-as perfumadas. E é justamente seu rendimento na gastronomia que a diferencia da baunilha comum: uma fava sua pode aromatizar mais ou menos dois litros de cremes ou de leite, o que corresponde a duas favas de baunilha. Por isso, pode substituir a baunilha em receitas que levam leite, como pudins, bolos, tortas e, além de outras receitas, até mesmo cerveja.


Esse é um dos fatores que colaboraram para sua fama internacional. “A comercialização de sementes de cumaru nos municípios de Santarém e Alenquer, Estado do Pará, ocorre a mais de 30 anos, com média anual de 5700kg, sendo essa semente destinada ao mercado brasileiro, bem como Japão, Estados Unidos e Europa”, destaca a publicação ‘Espécies Nativas da Flora Brasileira de Valor Econômico Atual ou Potencial – Plantas para o Futuro – Região Norte’, do Ministério do Meio Ambiente.

Mas seu perfume não fica somente nas receitas, pois também é possível encontrá-lo em óleos essenciais, perfumes e cosméticos.  A espécie está entre as principais da Amazônia utilizadas na indústria cosmética, sobretudo a semente, a qual fornece um extrato com odor agradável e adocicado. Além de seu perfume, a cumarina (anidrido cumarínico, princípio ativo dessa planta – essência aromática usada como narcótico e estimulante, obtido a partir das sementes) também funciona como fixadora de essências e é largamente utilizada com este propósito na perfumaria. “Alguns exemplos de perfumes reconhecidos que utilizam a cumarina ou o extrato de cumaru são ‘Dune’ de Christian Dior, ‘Armand Basi’ e ‘Pela Luz dos Olhos Teus’ da Avon, e o desodorante ‘Frescor Ekos Cumaru’, da Natura“, destaca a publicação.

“As sementes de cumaru, conhecidas como fava tonka na Europa, foram amplamente procuradas como fonte de cumarina e o Pará alcançou em 1913 uma exportação de 42.298kg, quando a mesma foi procurada para aromatizar tabaco nos Estados Unidos, porém sua importância comercial decaiu consideravelmente, após a descoberta da cumarina sintética”, informam os autores.

Outro potencial das sementes de D. odorata, que possuem entre 34% e 40% de um óleo amarelo claro que contém ácidos graxos como o ácido linoleico, entre outros componentes importantes para a saúde, também envolve medicamentos. É descrito o uso do fruto na medicina tradicional, sendo eficaz no alívio da dor de ouvido e no tratamento da pneumonia.

Também ganha destaque na medicina tradicional como um tonificante natural para o coração, ajuda a aliviar os sintomas da asma, consegue facilitar o fluxo menstrual – diminui a cólica, entre outras funções, mas é preciso frisar que pode ser tóxica se consumida em grandes quantidade e seu consumo deve ser orientado por médicos.

“Araújo et al. (2004) ressaltam que a cumarina possui um grande potencial de produção e mercado consumidor e que projetos e empresas incentivam a fabricação de produtos com matérias-primas da Amazônia, apoiando o desenvolvimento sustentável da região, mas um dos maiores obstáculos de produção de cumarina encontra-se no manuseio e cuidados com a saúde do trabalhador na fábrica de extração, uma vez que a cumarina não pode ser ingerida ou inalada”, esclarecem.

Vale destacar ainda, que a madeira da árvore de cumaru é explorada comercialmente devido a qualidade dos móveis obtidos a partir dessa matéria-prima e também nas construções navais e civil

Conservação da espécie 

De acordo com os autores, o plantio de D. odorata “é importante e deve ser estimulado, uma vez que, apesar de não ser uma espécie ameaçada em extinção, em florestas naturais a densidade de plantas não ultrapassa três indivíduos por hectare (Rêgo, 2014)”.

A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia desenvolveu marcadores moleculares para espécies nativas e, em torno de 23 espécies, já possuem marcadores SSR desenvolvidos, tanto para caracterização quanto para estudo de genética de populações, incluindo a espécie D. odorata, que possui grande potencial econômico, uma vez que essa espécie possui tantas aplicações. “Dessa forma, estudos de viabilidade produtiva, assim como de conservação da espécie são importantes para o desenvolvimento regional”, afirmam.

“Pastore-Junior e Borges (1998) destacam que um estudo mais aprofundado do mercado de cumaru pode ajudar a entender como é possível estimular a demanda e agregar valor ao produto regional, com preços de mercado competitivos frente aos substitutivos já existentes no mercado”, concluem.

5 receitas amazônicas para fazer no Dia dos Namorados

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A Amazônia oferece infinitas possibilidades de uso para os “ingredientes” da floresta. Seus frutos, legumes e até flores tem sido explorados por chefs de cozinha que, a cada ano, criam novas formas de incorporar tais ingredientes ou até mesmo perpetuam receitas até mesmo com releituras. E a data mais romântica do calendário, o Dia dos Namorados, 12 de junho, pode ser um dia para aprender a cozinhar essas delícias juntos ou surpreender o par.

O Portal Amazônia selecionou algumas opções simples para fazer na data. Confira:

Receita de Churros de Queijo Coalho

Que tal começar com um aperitivo feito com queijo coalho ensinado pelo chef Beto Sodré?

Veja a receita completa:  Churros de queijo coalho

Foto: Divulgação

Carbonara Macuxi

Uma sugestão para o prato principal é o Carbonara Macuxi. O chef Jorge Augusto Cardoso garante que é fácil de fazer e fica pronto em meia hora.

Veja a receita completa: Carbonara Macuxi
Foto: Divulgação

Caldo Erotizante de cabeça de piranha

Essa receita é bem mais elaborada. O caldo da cabeça da piranha é um alimento tido como afrodisíaco porque as cabeças das piranhas tem uma grande quantidade de fósforo, elemento estimulante da libido. Segundo a cultura ribeirinha quem come fica pronto para o amor.

Veja a receita completa: Caldo da cabeça da piranha

Foto: Divulgação

Pudim de açaí

Açaí é sem dúvidas um dos frutos preferidos dos amazônidas. Então que tal combiná-lo com uma sobremesa queridinha dos brasileiros? A sugestão é o pudim de açaí.

Veja a receita completa: Pudim de açaí

Foto: Reprodução/Twitter-Rodrigo Hilbert

Amor-perfeito

O biscoito artesanal Amor-perfeito é apreciado há mais de 100 anos no Tocantins. A receita é bem simples e perfeita para os casais celebrarem o amor.

Veja a receita completa: Amor-perfeito

Foto: Emerson Silva/Governo do Tocantins

A importância da leitura no contexto familiar

Foto: Sabrina Eickhoff via Pixabay

O ambiente familiar e as experiências que a criança vive em seu dia a dia têm grande influência no seu desenvolvimento. Isso é verdade também no que diz respeito à leitura: o hábito de ler em família ajuda no desempenho escolar durante a infância, contribuindo para a aprendizagem ao longo da vida.

Crianças que são incentivadas a ler em casa chegam à escola com um repertório vocabular mais rico, são mais sociáveis e mais criativas.

 Por meio da leitura, a criança desenvolve a curiosidade e inicia um mundo de novas descobertas, como: sons, cores e sabores, além de habilidades cognitivas e sociais. Por isso a importância de introduzir livros no cotidiano já nos primeiros anos de vida. A criança viaja no mundo da imaginação e se sente parte da história.

A criança que adquire o hábito da leitura em casa, geralmente, é mais participativa, tem mais facilidade de se colocar no lugar do outro, demonstra uma imaginação fértil e mais facilidade em partilhar objetos, espaços e conhecimentos. Em geral, a criança que não teve a mesma vivência pode ter mais dificuldade em se expor e apresentar um comportamento mais tímido.

Os pais devem incentivar o contato dos filhos com os livros desde muito cedo. Devem ler para os filhos em vários momentos. Podem deixar os filhos manusearem os livros de plástico na hora do banho, enquanto lêem uma história, como também criar o momento da leitura antes da criança dormir. Assim, os pais cultivarão o hábito da leitura diariamente.

É importante a criança ter uma estante com seus livros para que ela possa escolher qual livro deseja ler. Mesmo que a criança ainda não seja alfabetizada, os pais podem fazer a leitura mostrando as ilustrações do livro e incentivando a interação com a história.

A leitura em família é prazerosa por ser estabelecida através dos laços afetivos, além de não ter a obrigatoriedade que muitas vezes a escola estabelece. Em casa a leitura é inserida dentro de um contexto do brincar, que está ligado diretamente ao prazer. Outro fator importante é quando os pais se colocam no papel de contadores de histórias, trazendo a vivência para a criança de forma lúdica. A troca afetiva, nesses momentos, serão eternizados na memória e no coração da criança até a vida adulta.

Em casa, o hábito da leitura se constrói de forma natural e efetiva. Esta vivência, em família, é fundamental para despertar o gosto pela leitura. O resultado é que, iniciando a vida escolar, esta criança terá mais intimidade com as letras, sons, formas, cores e todas as possibilidades de descoberta que um livro oferece. Sua imaginação e criatividade já foram estimuladas. Também terá mais facilidade em lidar com a diversidade e a pluralidade cultural do ambiente escolar.

O hábito da leitura é encorajador e tem o poder de abrir horizontes e levar as crianças a desbravar o mundo e suas inúmeras possibilidades. A família tem um papel fundamental nesse processo.

Sobre a autora

Ana Cecília Marques é Pedagoga, Mestra em Educação (Universidade Federal do Amazonas) e Neuropsicopedagoga (Faculdade Martha Falcão). Atua como Docente no Ensino Superior e Consultora Educacional.

*O conteúdo é de responsabilidade da colunista 

​’Acreanês’: conheça algumas das expressões mais usadas pelos acreanos

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Viver no Acre tem suas particularidades. Muitos imigrantes nordestinos buscaram na região o sonho de uma vida melhor. Com eles, trouxeram também um pouco da cultura de outros Estados. E dessa mistura de crenças, hábitos e tradições, começou a surgir um vocabulário próprio: o “acreanês”.

Veja se você entende: “Bom mesmo seria que eu ‘xiringasse’ uma ‘ruma’ de palavras que não faz sentido algum para quem não mora aqui no Estado. Aí depois, já que ninguém entendeu nada ‘mermo’, o bom seria ir para um ‘piseiro’ e ‘espocar’ de vez o meu vocabulário”.

E olha que esses são apenas alguns dos termos mais comuns e tem muito mais como esses espalhados pelas conversas por aí.  Mas vamos traduzir o que foi dito:

Mas, afinal, qual é a importância e a origem dessas palavras típicas de cada região? Definidas como fenômeno linguístico, elas são empregadas em determinados grupos sociais. No caso das gírias típicas de Estados, o único diferencial é que o grau de aceitação ganhou uma amplitude ainda maior.

O especialista em lexicologia (ciência que estuda uma grande quantidade de palavras de um determinado idioma sobre diversos aspectos), Alexandre Melo, explica que esses termos são importantes porque marcam uma determinada região. Alguns se tornam tão presentes, que acabam incorporados ao vocabulário e até passam a ser encontrados em dicionários da língua portuguesa.

“Existe o vocabulário regional, que não necessariamente é uma gíria porque ela ganha força e permanece no vocabulário. Aí falamos que esse é um vocabulário regional e existem as gírias que são mais ou menos temporárias. Então nós temos as palavras próprias do Acre e, portanto, uma característica, um perfil léxico do povo acreano”, esclarece o professor. 

Caroço de açaí é testado como fonte de energia renovável no Pará

Estudo tem como objetivo transformar o resíduo da fruta em combustível para ser usado em escala industrial.

A Hydro está investindo para usar nas caldeiras da Alunorte uma energia renovável com ampla oferta no Pará: o caroço do açaí. Em parceria com a Faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade Federal do Pará (UFPA), tem sido avaliada da viabilidade técnica-econômica do uso desse resíduo como combustível nas caldeiras da Alunorte, refinaria de alumina, localizada em Barcarena (PA). 

O Pará lidera a produção e a exportação mundial da polpa da fruta e alcançou a produção de cerca de 1,1 milhão de toneladas em 2019, segundo a Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento do Pará (Sedap). Com duração de um ano e investimento de cerca de R$ 500 mil, a pesquisa analisará os requisitos técnicos e logísticos para uso do caroço em escala industrial, além de estudar o aspecto social e ambiental do uso do caroço do açaí como um combustível renovável. 

Para produção da polpa do açaí, o caroço é descartado e, caso os resultados da pesquisa sejam positivos, esta será a primeira aplicação deste resíduo em escala industrial. O caroço da fruta já é reaproveitado atualmente em menor escala em outros setores. O uso do caroço em uma refinaria de alumina pode representar uma nova possibilidade para o seu ciclo econômico. 

Foto: Divulgação

Ao todo, 11 pesquisadores estarão envolvidos diretamente neste estudo e haverá também uma análise para entender os desafios da cadeia de suprimento e da sazonalidade do produto. O trabalho integrado entre diferentes grupos é necessário em virtude da complexidade da cadeia produtiva do açaí no Pará, e da necessidade de destinação apropriada do resíduo dessa produção, que não possui um processo de destinação padronizado de ponta a ponta.

Caso o estudo comprove a viabilidade da utilização do caroço do açaí como fonte de energia alternativa, abre-se a possibilidade de dar uma destinação ao resíduo, que pode vir a se tornar um subproduto dentro da sua cadeia produtiva.

“É um trabalho em simbiose da indústria do açaí e da indústria de alumínio, com a possibilidade de usar o resíduo da produção da polpa da fruta para atender à demanda por fontes renováveis de energia na nossa refinaria. A viabilidade desse estudo, se provada, traz a importante solução para a destinação do resíduo do açaí, mas também gera outros benefícios como potencial de redução de emissões na operação e impacto positivo no desenvolvimento do território onde a Hydro atua”, afirma o gerente executivo de Projetos de Energias Renováveis da Hydro, Sergio Ferreira.

“O caroço de açaí é 90% em massa do fruto de açaí. Isso significa que em 2019 foi descartado um milhão de toneladas de caroço, o que permite gerar continuamente durante um ano 160 MW de eletricidade. Atualmente esse resíduo é um passivo ambiental, que poderá ser convertido num biocombustível renovável com valor agregado e capaz de promover uma nova atividade econômica: a produção de bio-eletricidade”, informou o professor titular da UFPA-FEM, Manoel Nogueira.

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Convênio de pesquisas

A utilização de rejeitos industriais já é pauta de pesquisas realizadas pela Hydro dentro do convênio com a UFPA, como os estudos de 2020 da produção de cimento e de agregado sintético, ambas com o resíduo oriundo do refino da bauxita, gerado na Alunorte; e de 2021, o estudo da viabilidade do uso do rejeito do minério da mina de bauxita da Hydro, em Paragominas (PA), para a produção de telhas, tijolos, materiais refratários, cimento de baixo carbono e até um plástico biodegradável.

Há também outros três projetos de inovação no combate à Covid-19 que estão em andamento: produção de respiradores de baixo custo, estudos de efeitos psicológicos durante a pandemia e uso da ciência de dados para criar modelos epidemiológicos.