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Bioplásticos com amido de mandioca: uma alternativa sustentável para novas embalagens

Foto: Marcos Santos/USP

Sabe aquele plástico que utilizamos para embalar alimentos? Seu tempo de decomposição é de 400 a 1000 anos. O descarte irregular desse filme é preocupante, pois, além de acentuar a poluição ambiental, também é um problema de saúde pública para quem vive nos arredores de onde ele é descartado.

Como alternativa sustentável, surgem os bioplásticos com propriedades físicas e químicas semelhantes, ou até superiores aos plásticos comuns, por serem renováveis e abundantes. Podendo ser feitos com matérias-primas como a celulose e proteínas naturais, os plásticos biodegradáveis feitos com o amido de mandioca também seriam grandes aliados para uma produção sustentável.

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É o que explica a pesquisa intitulada ‘Filme de Amido de Mandioca Reforçado com Compostos Amazônicos e Vanadato de Bismuto’, conduzida pela aluna de graduação Manuelly Cassila Castro Sousa, vinculada à Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologia (Facet/Campus Abaetetuba) da UFPA.

O relatório compõe o Plano de Trabalho Síntese de Compostos utilizando os Polímeros Naturais da Amazônia, coordenado pela professora e orientadora da pesquisa, Cleidilane Sena Costa.

“Estimativas indicam que já foram produzidos oito bilhões de toneladas de plástico convencional e apenas 9% desse total foram reciclados. Isso prejudica vidas como a minha, de ribeirinhos que veem seus rios poluídos. Então, procuramos uma alternativa econômica, com elementos plastificantes, alguns presentes na natureza, para diminuir os impactos ambientais”, ressalta Manuelly Sousa, autora da pesquisa.

Foto: Alexandre de Moraes/Jornal Beira do Rio

A estudante construiu sua pesquisa em duas etapas: uma com revisão bibliográfica sobre compostos favoráveis para produzir filmes biodegradáveis e outra com testes de aparência e concentração desses elementos.]

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Produzindo e caracterizando o bioplástico no laboratório

Para construir o bioplástico, Manuelly Castro Sousa utilizou o amido de mandioca por ser um polímero natural e apresentar estrutura química passível de modificação, o que permite ajustar suas propriedades físico-químicas e ampliar sua durabilidade.

Para aprimorar a flexibilidade e resistência do filme, ela adicionou o extrato alcoólico da Vismia guianensis (Extrato Alcoólico de Vismia Guianenis, do inglês, Vismia Guianensis Alcoholic Extract), popularmente chamada de “lacre”, uma seiva vegetal amazônica que age como plastificante natural por sua alta eficiência e boa compatibilidade com amido. Para finalizar, Manuelly utilizou o vanadato de bismuto (BiVO₄), composto inorgânico sólido de coloração amarela vívida.

bioplástico de amido de milho
Exemplo de bioplástico feito com amido de milho. Foto: Crystofher Andradeg

Ela dissolveu o pó do amido de mandioca e manteve em agitação constante, à temperatura ambiente, por alguns minutos. Após deixar a solução homogênea, adicionou 0,2% de Vismia guianensis diluída em álcool isopropílico. Em seguida, adicionou glicerol e, por fim, inseriu o vanadato de bismuto, diluído em álcool isopropílico. As diluições servem para evitar aglomerados do composto no produto final.

A mistura esteve em agitação e depois se aumentou a temperatura até atingir 70º C, quando atingiu aspecto gelatinoso. Após isso, a solução foi centrifugada e dispersada, por cisalhamento, em substrato, secando naturalmente. O resultado gerou duas amostras, uma com baixa e outra com alta concentração de vanadato de bismuto, nomeadas como F1 e F2, respectivamente.

“Para caracterizar cada amostra, usamos a Difração de Raio-X (DRX), para analisar a cristalinidade; a Transmitância Óptica, que fornece a quantidade de luz que as amostras transmitem; a Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV), para analisar os detalhes da superfície e espessura do filme; e o Infravermelho por Transformada de Fourier (FTIR, do inglês, Fourier Transform Infrared Spectroscopy), técnica para investigar as interações químicas por meio da absorção da radiação infravermelha”, explicou Manuelly.

A pesquisadora percebeu que a amostra F1 era pouco cristalina, apresentava transparência parcial e com maior interação com o vanadato de bismuto, resultando em maior transmitância e homogeneidade química. Já a F2 era mais cristalina, opaca e porosa, sendo mais rígida. “Essas diferenças ajudam no ajuste das propriedades do bioplástico com a aplicação desejada, sendo a amostra F1 mais promissora para embalagens que demandam mais inspeção visual e a amostra F2 para embalagens protetoras de produtos sensíveis à luz”, finalizou ela.

Polímero: é uma molécula grande (macromolécula), formada pela união de moléculas menores (monômeros). O polímero do amido é formado pelas macromoléculas amilose e amilopectina e por monômeros de glicose. O polímero seria a estrutura química do amido, o que forma a molécula. Eles podem ser naturais (formados por reações naturais), como o amido, que pode ser encontrado em alimentos como o trigo e o polvilho doce (amido de mandioca), ou sintéticos (reações realizadas pelo ser humano), como o policloreto de vinila (PVC), utilizado em tubos e revestimentos.

Foto: Crystofher Andrade

Sobre a pesquisa

A pesquisa intitulada “Filme de Amido de Mandioca Reforçado com Compostos Amazônicos e Vanadato de Bismuto”, de autoria de Manuelly Cassila Castro Sousa (Facet UFPA/Campus Abaetetuba) e orientada pela professora Cleidilane Sena Costa, foi apresentada no Seminário de Iniciação Científica da UFPA (Seminic), em 2025.

Manuelly Cassila Castro Sousa, 21 anos, cursa o 6o semestre de Licenciatura em Física pela UFPA/Campus Abaetetuba. Com interesse nos estudos da produção de filmes finos biodegradáveis e outros polímeros da Amazônia, planeja realizar pós-graduação na mesma área. Fora da pesquisa, a leitura e o violão são suas paixões.

Para quem deseja entrar na pesquisa, ela aconselha a persistência: “Não desista nas primeiras dificuldades. Muita gente vê nossos trabalhos e pensa que é algo internacional, mas fazemos com o pouco que temos aqui. Na pesquisa, às vezes, pensamos: ‘Será que todo esse trabalho vai gerar algum resultado favorável?’ Mas nada é perda de tempo, cada parte é importante ali”, afirma.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal Beira do Rio, da UFPA, escrito por Karina Mendes

Gente do Norte Empresas: saiba quem é Marcelo Forma

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Foto: Reprodução/Amazon Sat

A Bemol é uma empresa tradicional reconhecida pelas transformações e adaptações que tem passado para colaborar com o crescimento do Amazonas e da região Norte. Foi fundada em 1942 pelos irmãos Samuel, Israel e Saul Benchimol.

Agora, na terceira geração, a empresa é liderada pelo diretor-presidente Denis Minev e o vice-presidente e diretor financeiro Marcelo Forma.

Nascido em São Paulo, Forma conta sobre sua trajetória em uma das principais empresas da região e sua experiência em áreas como varejo, e-commerce e serviços financeiros do Grupo Bemol.

Marcelo Forma enfatiza a cultura de inovação da empresa, o apoio ao empreendedorismo local através de iniciativas como o crediário parceiro e o marketplace. Ele também comenta sobre a expansão da Bemol nos estados da Amazônia e o foco em crescimento regional.

“Em quatro estados, temos 37 lojas, 45 farmácias, quatro mercados, 22 loterias, 23 agências da Conta Bemol. E agora um novo experimento, uma novidade: estamos testando uma clínica de saúde Bemol”, revela.

marcelo forma, bemol - gente do norte empresas
Foto: Reprodução/Amazon Sat

Leia também: Gente do Norte Empresas: saiba quem é Ari Silva

Ele destaca ainda, diante de todo este cenário, a alegria que sente em contribuir para o desenvolvimento regional através da Bemol:

“Eu acordo todo dia feliz, animado, sabendo que eu estou contribuindo para o desenvolvimento, primeiro, da região, para o desenvolvimento do setor. A gente diz, aqui na Bemol, que a gente tem um propósito: que ser a empresa mais confiável da Amazônia e estar presente na vida dos nossos clientes todos os dias”.

O empresário é um dos convidados do programa Gente do Norte – Empresas, transmitido pelo Amazon Sat. Assista:

Lacunas no conhecimento científico revelam desafios para estudar a biodiversidade da Amazônia

Arte: Divulgação / INCT-SinBiAm

Apesar de abrigar a maior floresta tropical do planeta, a biodiversidade da Amazônia ainda é pouco conhecida do ponto de vista científico, especialmente em suas áreas mais remotas. Um novo estudo publicado na Proceedings of the Royal Society B mostra que essa lacuna de conhecimento não apenas  se limita a grandes animais ou plantas, mas também afeta grupos menos visíveis e igualmente essenciais.

Moscas sarcosaprófagas. Foto: Divulgação

A pesquisa identifica onde estão e quais fatores direcionam os vazios sobre o conhecimento das moscas sarcosaprófagas, insetos associados à matéria orgânica animal e essenciais para o funcionamento dos ecossistemas.

O estudo revela que o esforço científico dedicado a esse grupo é desigual no território amazônico, concentrando-se principalmente em áreas mais acessíveis, próximas aos grandes rios da região. Regiões remotas, muitas delas com alto valor de conservação, ainda permanecem pouco estudadas.

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Intitulado Accessibility drives research efforts on Amazonian sarcosaprophagous flies, o estudo foi conduzido por Bruna Façanha (Unifap/UFPA), Raquel Carvalho (USP), Rony Almeida (UFS), Filipe França (University of Bristol/UFPA), José Roberto Sousa (Uema), Maria C. Esposito (UFPA) e Leandro Juen (UFPA). Os pesquisadores compilaram e analisaram mais de 8 mil registros de ocorrência de moscas decompositoras das famílias CalliphoridaeMesembrinellidae e Sarcophagidae em toda a Amazônia brasileira.

Amazônia sofre lacunas na educação ciêntifica
Divulgação / INCT-SinBiAm

As moscas sarcosaprófagas são insetos importantes para a decomposição da matéria orgânica, para a saúde pública e para a ciência forense. A pesquisa investigou como o conhecimento sobre esses insetos está distribuído no espaço e quais fatores explicam os vieses de coleta observados. Para isso, os autores comparam os dados reais com  um modelo nulo, que simula uma “Amazônia idealmente amostrada”, na qual todas as áreas teriam a mesma probabilidade de serem estudadas.

Os resultados revelam um padrão preocupante: cerca de 40% das áreas florestais apresentam probabilidade de conhecimento científico inferior a 10%. Em contraste, regiões mais acessíveis, muitas vezes já degradadas, concentram a maior parte dos registros disponíveis. Esse padrão se repete tanto na análise das famílias quanto na das espécies mais bem representadas nos bancos de dados, indicando que as lacunas de conhecimento não se restringem a um recorte taxonômico, por exemplo.

“Essas moscas respondem rapidamente às mudanças ambientais e prestam serviços ecossistêmicos essenciais, como a decomposição da matéria orgânica. Ignorá-las significa perder informações valiosas sobre a saúde das nossas florestas”, explica a primeira autora do estudo, Bruna Façanha, pesquisadora da UFPA.

Leia também: 5 fatores que ameaçam a biodiversidade da Amazônia

Estudos na Amazônia indicam lacunas científicas

O estudo indica que a acessibilidade é um dos principais fatores que orientam o esforço de pesquisa na Amazônia. Estradas, rios, cidades e a proximidade de centros de pesquisa,  onde estão concentrados os especialistas de diferentes grupos,  facilitam a coleta de dados. Em contraste, regiões isoladas, mesmo quando altamente preservadas, permanecem praticamente desconhecidas para a ciência. Isso indica que a ciência não apenas deixa de alcançar essas áreas, mas também investe de forma desproporcional aonde já é mais fácil de chegar e realizar as coletas de biodiversidade.

O estudo reforça que não basta intensificar o esforço de pesquisa nos mesmos locais. Para reduzir efetivamente as lacunas de conhecimento, é fundamental investir em expedições direcionadas a áreas distantes e historicamente negligenciadas, aliadas a parcerias sólidas com comunidades locais e tradicionais, que conhecem profundamente o território, seus ciclos naturais e suas transformações.

“Para compreender de fato esses organismos, precisamos levar a pesquisa para regiões distantes e ainda pouco conhecidas, onde grande parte da biodiversidade permanece invisível para a ciência. Trata-se de uma ciência feita com e para as pessoas que vivem na Amazônia”, completa Bruna Façanha.

Todos os autores participam de redes científicas como o INCT-SinBiAm, o Capacream e a Rede  Amazônia Oriental (AmOr), iniciativas que integram diferentes projetos, instituições e setores da sociedade para a produção e integração de dados, formação de pesquisadores e geração de conhecimentos para informar a recuperação e conservação da Amazônia.

“A ciência em rede permite somar esforços, compartilhar infraestrutura e conduzir pesquisas mais justas e representativas. Sem parcerias locais, é impossível avançar de forma ética e eficiente na Amazônia”, reforça o professor Leandro Juen, coordenador do INCT-SinBiAm e professor da Universidade Federal do Pará (UFPA).

O artigo completo está disponível aqui.

*Com informações de Universidade Federal do Pará (UFPA)

Do BBB à ciência: conheça plantas encontradas na Amazônia que merecem o pódio

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Plantas como o jambu são essenciais na Amazônia. Foto: Reprodução

Se no programa Big Brother Brasil (BBB) o apelido de “planta” é dado para quem é considerado inútil e não contribui com o jogo, fora do BBB algumas plantas são essenciais para fortalecer a imunidade e ajudar a vencer provas diárias de resistência.

Leia também: Quem são os amazônidas que já participaram do Big Brother Brasil (BBB)

Com orientação da professora Luciana Borges, docente da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), campus Paragominas, conheça algumas plantas que podem estar no pódio do seu dia a dia:

1. Jambu (Spilanthes oleracea L)

As folhas do jambu possuem teores de antioxidante e vitamina C, ajudando a prevenir o envelhecimento precoce. Os antioxidantes ajudam a proteger a pele dos danos oxidativos e a vitamina C favorece a formação de colágeno, que ajuda a manter a saúde da pele. Outras substâncias antioxidantes presentes na planta de jambu são os compostos fenólicos, como flavonóides, fenóis e carotenoides, que podem ajudar a proteger as células contra os danos da oxidação, causados pelos radicais livres no organismo.  

2. Couve (Brassica oleracea)

Hortaliça rica em vários nutrientes benéficos ao organismo, como vitaminas (C e A) e minerais (potássio, cálcio e ferro). O cálcio é importante para a formação dos ossos e manutenção da massa óssea, e ajuda a controlar impulsos nervosos. A vitamina C presente na couve é importante para proteger o organismo de infecções, manter a saúde de ossos, cartilagens e mucosas, facilitando a absorção do ferro. Por ser uma planta rica em potássio, também favorece a regulação da pressão sanguínea.

A alta concentração de clorofila e magnésio promove o relaxamento da musculatura tensionada, prevenindo enxaqueca e cefaleias. A couve também é rica em antioxidantes, como flavonoides e fenóis, substâncias que podem contribuir para a prevenção de vários tipos de câncer.

3. Hortelã pimenta (Mentha piperita)

Essa é uma das plantas que possui ação medicinal e aromática, por apresentar em sua composição óleo essencial, representado pelo aroma refrescante e um sabor característico. O Hortelã contém antioxidantes e vitaminas que lhe conferem propriedades antibacterianas, antifúngicas e anti-inflamatórias. Além de vitaminas A, B6, C, E, K, ácido fólico e a riboflavina, a planta é rica na substância química mentol, que é excelente descongestionante e expectorante, ajudando a expelir o muco e a diminuir a tosse. Consumir chá de hortelã é uma boa pedida para diminuir a dor de garganta e a tosse seca.

4. Cheiro verde/Coentro (Coriandrum sativum)

É rico em Vitamina A, que auxilia na manutenção da saúde ocular, óssea e nervosa, aumentando a imunidade. É eficaz na prevenção de doenças cardiovasculares e no combate ao envelhecimento. É rico em minerais como potássio, ferro e selênio. Possui magnésio, que auxilia na formação óssea e influencia na quantidade dos hormônios que regulam os níveis de cálcio no sangue. As folhas e sementes de coentro, por serem excelentes fontes de antioxidantes, inibem a ação dos radicais livres. As propriedades antimicrobianas e antibacterianas das folhas e das sementes de coentro também podem ajudar a combater infecções. 

hortas ajudam no cultivo de plantas
Pequenas hortas ajudam no cultivo das plantas. Técnicas diferentes podem contribuir. Foto: Reprodução

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5. Alecrim (Rosmarinus officinalis L.)

As folhas são bastante utilizadas para preparos de chá e infusões. Popularmente, o alecrim tem indicações para os distúrbios circulatórios e distúrbios digestivos, é antisséptico, cicatrizante e tem propriedades digestivas, diuréticas e antidepressivas. O alecrim costuma ser utilizado para auxiliar na digestão dos alimentos e no tratamento de dor de cabeça, depressão e ansiedade. Mas atenção: pessoas com doença prostática, gastroenterites, dermatoses e convulsão precisam consultar um médico antes do consumo e verificar possíveis contraindicações.

6. Boldo (Plectranthus barbatus)

As duas espécies de boldo mais utilizadas são o boldo do Chile ou boldo verdadeiro. Popularmente o boldo é usado para  digestão, prisão de ventre, ação diurética e redução de gases, podendo ser também utilizado como remédio caseiro para o fígado, devido propriedades digestivas e hepáticas.

7. Manjericão (Ocimum baslium L.)

Estudos indicam que é rico em nutrientes como ômega-3, vitaminas A, C e K, sais minerais, cálcio, magnésio, ferro. Desta forma, o manjericão pode reforçar o sistema imunológico, reduzir o estresse, aliviar os sintomas de resfriados e melhorar o sistema digestivo. As propriedades do manjericão incluem sua ação antiespasmódica, digestiva, vermífuga, antibacteriana, fungicida, inseticida, adstringente, cicatrizante, febrífugo, estimulante e anti-inflamatória.

Leia também: Quantos brasileiros possuem os nomes “Brígido” e “Marciele”? Descubra!

*Com informações da UFRA

Safra da castanha-do-pará impulsiona a bioeconomia no oeste paraense

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Foto: Pedro Guerreiro/ Agência Pará

A Floresta Estadual (Flota) Trombetas, localizada entre os municípios de Óbidos e Oriximiná, no oeste paraense, deu início a mais um ciclo produtivo com a abertura oficial da safra da castanha-do-pará. A cerimônia que marcou a liberação dos portões aos extrativistas ocorreu no dia 7 de fevereiro de 2026, na base do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio), no Jamaracaru, reunindo centenas de trabalhadores que dependem da atividade para geração de renda e manutenção de seus modos de vida.

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O evento contou com a presença da assessora de Gestão do Ideflor-Bio, Lena Pinto, do diretor de Gestão e Monitoramento de Unidade de Conservação, Ellivelton Carvalho, e do gerente da Região Administrativa da Calha Norte II, Ronaldson Farias. A abertura da safra simboliza o início das atividades extrativistas em uma das principais unidades de conservação de uso sustentável do estado, onde a exploração dos recursos naturais ocorre de forma planejada e ambientalmente responsável.

Mais de 600 extrativistas cadastrados no Ideflor-Bio estão autorizados a acessar a floresta para a coleta da safra da castanha-do-pará, garantindo a legalidade da atividade e a continuidade de uma prática tradicional que fortalece as comunidades locais. O extrativismo sustentável realizado na Flota Trombetas é reconhecido como um dos pilares da bioeconomia no Pará, ao conciliar conservação ambiental e desenvolvimento socioeconômico.

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Bioeconomia

Durante a solenidade, a assessora de Gestão do Instituto destacou a importância do modelo adotado na unidade.

“São mais de 600 extrativistas trabalhando de forma legal, gerando renda, fortalecendo comunidades e protegendo a Amazônia. Isso é bioeconomia na prática”, afirmou Lena Pinto, ressaltando que a expectativa é de que mais de R$ 2 milhões sejam arrecadados com a coleta da castanha nesta safra.

A atividade extrativista é permitida na Flota Trombetas por se tratar de uma unidade de conservação de uso sustentável, onde o manejo de produtos da biodiversidade ocorre mediante regras claras e acompanhamento técnico. Segundo Lena Pinto, a abertura da safra representa uma oportunidade estratégica para o Pará.

Leia também: Qual o termo certo: castanha do Pará, do Brasil ou da Amazônia?

safra da castanha
Safra da castanha-do-pará impulsiona a bioeconomia no oeste paraense. Foto: Pedro Guerreiro/Agência Pará

“Essa é uma oportunidade ímpar para a geração de renda e o fortalecimento da bioeconomia no estado, ao mesmo tempo em que reforça a necessidade de um trabalho responsável, que preserve o meio ambiente e respeite as comunidades tradicionais”, destacou.

Oportunidade

Para os extrativistas, a abertura da safra representa mais do que o início do trabalho: é um marco simbólico e econômico. A extrativista Raquel da Silva Sampaio destacou a importância do momento.

“O coração está a mil. Como costumamos dizer, o nosso ano novo começa hoje, com essa abertura, porque a partir de agora a gente vai começar a ter renda na nossa mesa. Somos muito gratos à parceria com o Ideflor-Bio, que nos últimos anos tem sido maravilhosa”, afirmou.

A presidente da Associação Mista Agrícola Extrativista dos Moradores da Comunidade Jaramacaru e Região (Acaje), Cidiane Sampaio, afirmou que os extrativistas estão preparados e otimistas para mais um ciclo de produção sustentável.

Com décadas de atuação na floresta, o extrativista Cornélio Ferreira de Oliveira também ressaltou o significado da cerimônia.

Extrativista Cornélio Ferreira de Oliveira. Foto: Pablo Allves / Ascom Ideflor-Bio

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“Estou aqui desde 1984 fazendo esse trabalho. Esse momento da abertura dos portões é sempre muito esperado. Estamos felizes com essa parceria com o Ideflor-Bio, porque agora as coisas seguem mais organizadas”, disse, ao destacar os avanços na gestão da atividade extrativista.

Passo a passo

A coleta safra da castanha-do-pará ocorre após a queda dos frutos da castanheira (Bertholletia excelsa), conhecidos como ouriços, fenômeno que se concentra entre os meses de dezembro e janeiro. O processo envolve a coleta dos ouriços no interior da floresta, a quebra manual, a retirada das amêndoas, a secagem e o ensacamento, etapas fundamentais para garantir a qualidade do produto destinado à comercialização.

De acordo com o gerente da Região Administrativa da Calha Norte II, Ronaldson Farias, a expectativa para este ano é positiva. A previsão é de que cerca de quatro mil sacos de castanha sejam extraídos da unidade na safra, com planejamento baseado na atualização do cadastro dos extrativistas e no apoio da Polícia Ambiental para o monitoramento da entrada na floresta, assegurando um manejo seguro e eficiente.

Parceria

O trabalho conjunto entre o Ideflor-Bio, a 1ª Companhia Independente de Polícia Ambiental (CIPAmb), associações comunitárias, como a Acaje, e as prefeituras de Óbidos e Oriximiná tem sido fundamental para assegurar que a atividade ocorra de forma ordenada. O controle realizado na Base do Jamaracaru contribui para a conservação da floresta e para a transparência do processo extrativista.

Leia também: Lei aprovada na ALEAM transforma Castanha-do-Pará em Castanha-da-Amazônia

Safra da castanha-do-pará impulsiona a bioeconomia no oeste paraense. Foto: Pablo Allves / Ascom Ideflor-Bio

O diretor de Gestão e Monitoramento de Unidades de Conservação, Ellivelton Carvalho, ressalta que, além do extrativismo, a Flota Trombetas também exerce um papel estratégico na pesquisa científica, ao abrigar estudos voltados à biodiversidade amazônica e às cadeias produtivas sustentáveis. 

“A preservação da área permite avanços no conhecimento científico e gera benefícios diretos às populações locais, que dependem dos recursos naturais para sua subsistência. O extrativismo sustentável da castanha-do-pará na Flota Trombetas se consolida, assim, como exemplo de desenvolvimento responsável, capaz de gerar renda e proteger a Amazônia para as atuais e futuras gerações”, conclui o diretor.

*Com informações da Agência Pará

Projeto prevê pagar 500 famílias por conservar Terra do Meio, no Pará

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Foto: Lucas Maciel/Semas PA

A Secretaria de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas) do Pará iniciou a implementação de um projeto de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) voltado a 500 famílias indígenas e ribeirinhas da região da Terra do Meio, no sudoeste do estado. A proposta prevê repasse financeiro a moradores que desenvolvem ações de conservação da floresta em territórios coletivos.

A iniciativa conta com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com investimento estimado em US$ 3,5 milhões, o equivalente a cerca de R$ 18,45 milhões. Uma oficina técnica realizada em Belém reuniu representantes do governo federal e de instituições parceiras para discutir formatos de execução, critérios de pagamento e experiências já adotadas em outras regiões do país e no exterior.

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Segundo a secretaria, o encontro teve como objetivo alinhar aspectos técnicos do projeto e debater estratégias para viabilizar o pagamento às comunidades participantes, associando conservação ambiental e geração de renda.

Projeto piloto

A proposta é que o projeto piloto na Terra do Meio seja implementado com base em dados técnicos, lições aprendidas e especialmente pelas demandas das comunidades tradicionais do bloco de áreas protegidas da Terra do Meio.

O objetivo é reconhecer o papel dessas populações na preservação da floresta e fomentar modelos sustentáveis de desenvolvimento nos territórios coletivos.

Leia também: Saiba o que é a Terra do Meio e sua importância ambiental para a Amazônia 

Segundo a diretora de Bioeconomia da Semas, Mariana Oliveira, “a oficina tem como objetivo discutir aspectos técnicos para implementação do projeto piloto de PSA em territórios coletivos no Estado do Pará e reúne atores estratégicos que trazem à mesa experiências e lições aprendidas como referência. A partir de um piloto, o Estado busca testar e estruturar um modelo baseado em evidências e na realidade do território. Esse é um caminho que integra uma estratégia estadual mais ampla de PSA e que também contribui para fortalecer e tornar a bioeconomia ainda mais potente”.

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Foto: Lucas Maciel/Semas PA

De acordo com a coordenadora geral da Secretaria Extraordinária de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Nazaré Soares, “os Estados estão em diferentes momentos na construção de suas políticas de pagamento por serviços ambientais. Alguns estão aprimorando, outros começando. A Semas, do Pará, é uma secretaria que vem avançando bastante, já implementando projetos-piloto e aperfeiçoando suas políticas”.

Para a secretária-adjunta de Bioeconomia da Semas, Camille Bemerguy, a ação representa um avanço estruturante na política ambiental do Estado.

“A iniciativa reforça a estratégia do Estado de consolidar instrumentos econômicos, reconhecendo o papel de comunidades e povos tradicionais na conservação da floresta, ao mesmo tempo em que promovem desenvolvimento sustentável. Ao estruturar mecanismos baseados na bioeconomia e na valorização dos serviços ecossistêmicos, a ação contribui para o fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis, para a inclusão socioeconômica dos territórios e para a ampliação da efetividade das políticas públicas ambientais”, completou.

*Com informações da Agência Pará

Documentário revela protagonismo feminino na expedição Roncador-Xingu

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Cláudio de Mello Sander, sobrinho de Alda Vanique, e as duas sobrinhas netas, Isabella Smith Sander e Débora Smith Sander, visitam Nova Xavantina. Foto: Reprodução/Prefeitura Municipal de Nova Xavantina

Com previsão de ser lançado em março deste ano, o documentário de curta-metragem ‘Memórias de Alda‘ destaca o protagonismo feminino na Expedição Roncador-Xingu, lançada pelo governo Getúlio Vargas como parte da ‘Marcha para o Oeste’ entre 1943 e 1961.

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Esposa do coronel Flaviano de Mattos Vanique, figura central nos anos iniciais da expedição, Alda Vanique ganha na obra relevância histórica até então pouco retratada num contexto marcado por profundas transformações sociais, políticas e territoriais. As narrativas oficiais estão sob a ótica do marido e dos irmãos Villas-Bôas, que assumiram depois a expedição e acabaram virando referência no trabalho indigenista brasileiro.

Dirigido por Fátima Rodrigues, o documentário é uma proposta pública aprovada no Edital nº 15/2023/SECEL-MT e financiada com recursos da Lei Paulo Gustavo, por meio da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT). A produção conta com apoio institucional do Núcleo de Produção Digital da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Campus Araguaia. O curta é produzido no município de Barra do Garças.  

Documentário reúne histórias

Documentário revela protagonismo feminino na expedição Roncador-Xingu
Foto: Reprodução

A obra evidencia a história de uma jovem mulher da alta sociedade gaúcha, de vida social intensa, que, em 1946, deixou o Rio Grande do Sul para viver no interior de Mato Grosso, no município de Nova Xavantina, ao lado do marido.

A narrativa destaca os desafios enfrentados por Alda em um contexto cultural profundamente distinto daquele em que foi criada. A história da protagonista permanece viva na memória dos moradores, onde integra a narrativa da criação do município. Alda é lembrada no imaginário popular como a “primeira-dama” da cidade. 

O documentário também apresenta a trajetória de Diacui, indígena do povo Kalapalo, que, em 1952, casou-se com o sertanista Ayres Cunha. As histórias de Alda e Diacui se entrelaçam ao longo do documentário e revelam perspectivas distintas femininas em meio à tragédia pessoal, à conquista territorial e ao contexto histórico da Marcha para o Oeste, no eixo Sul-Sudeste-Centro-Oeste do país.

Leia também: Romantização de abusos: Diacuí, primeira indígena a casar oficialmente com um homem branco no Brasil

Produtores do curta realizaram entrevistas com moradores e historiadores de Barra do Garças, Nova Xavantina e Cuiabá, em Mato Grosso, além de Rio de Janeiro (RJ) e Porto Alegre (RS). Entre os entrevistados está Cláudio de Mello Sander, sobrinho de Alda Vanique, que esteve em visita ao município de Nova Xavantina em dezembro do último ano.

Meses após a morte da esposa, em 1946, o coronel Vanique deixou a liderança da expedição, que teve a condução repassada aos irmãos Villas-Bôas. Outras cidades também foram criadas em pontos de entroncamento para servir de base à expedição. É neste contexto que, em 1961, foi instituído o Parque Nacional do Xingu. 

Para a diretora Fátima Rodrigues, contar a história de Alda e de Diacui é resgatar narrativas femininas sem visibilidade na história oficial do país.

“Alda tem uma relevância histórica ainda pouco retratada. A história da Expedição Roncador-Xingu quase sempre foi contada sob a ótica do coronel Vanique ou dos irmãos Villas-Bôas. Hoje, temos a oportunidade de apresentar a perspectiva dessas mulheres”, destaca. 

*Com informações do Governo de Mato Grosso

‘Quebra-pedra’: planta encontrada na Amazônia pode integrar lista de fitoterápicos do SUS

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Planta ‘quebra-pedra’ (Phyllanthus niruri). Foto: Reprodução/Horto Didático de Plantas Medicinais do HU-CCS (UFSC)

Dos quintais à medicina. Conhecidas por suas características curativas, muitas plantas comuns na Amazônia já tem a comprovação científica que a sabedoria popular reconhece e utiliza há tempos. Recentemente o Sistema Único de Saúde (SUS) anunciou que vai incluir a planta ‘quebra-pedra‘ (Phyllanthus niruri) na lista de medicamentos fitoterápicos para o tratamento de cálculos renais.

O remédio com a quebra-pedra está sendo desenvolvido por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Mas que planta é essa?

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Originária das regiões tropicais e subtropicais das Américas, a quebra-pedra ocorre em todo o Brasil.

“É uma planta anual muito encontrada em regiões quentes, úmidas e ensolaradas, como é típico aqui da Amazônia. É muito comum encontrá-la em solos arenosos e lugares inusitados como fendas de calçadas e muros”, explica a professora Márcia Aviz, docente da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra).

Por que ela se chama quebra-pedra?

De acordo com a professora a planta tem o nome de “quebra-pedra” por conta da eficácia no tratamento de pedras nos rins. “Ela ganhou destaque por auxiliar na prevenção e eliminação de pedras nos rins e na vesícula. O que explica o nome e o uso principal, além de ser um potente diurético natural”, explica a professora. 

Planta quebra-pedra
Foto: Reprodução/Horto Didático de Plantas Medicinais do HU-CCS (UFSC)

A quebra-pedra também possui uma série de compostos fenólicos que atuam no combate a inflamação e bactérias, pode auxiliar no controle de açúcar no sangue e favorecer no bom funcionamento do sistema urinário. Segundo a professora, o uso da quebra-pedra está fortemente ligado aos saberes ancestrais e a medicina popular brasileira transmitidos por séculos pela oralidade, conhecimentos que passam por gerações e fazem parte do cotidiano de comunidades tradicionais. 

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A professora, que ministra as disciplinas de plantas medicinais e aromáticas no curso de Agronomia, no campus Belém, diz que os estudos com plantas medicinais valorizam os saberes ancestrais e são responsáveis também pela preservação da floresta, potencializando novas pesquisas sobre o uso de ervas e a promoção da qualidade de vida. 

Para Marcia Aviz, essa inclusão e um marco para comunidades tradicionais, por destacar para a população os valores que a medicina popular possui.

“É apresentar a sociedade em geral os benefícios e o potencial que as plantas medicinais possuem. Muitos de nós, em algum momento da vida, já ouvimos nossos avós falarem ‘tenho um remedinho natural para isso’, que geralmente eram os chás, as infusões, os unguentos, as pomadas”.

*Com informações da Ufra

Sairé é tema de exposição no Museu de Arte Sacra de São Paulo

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Exposição sobre o Sairé leva cultura amazônica ao Museu de Arte Sacra. Foto: Divulgação

A exposição ‘Sairé – Celebração, louvor e disputa dos Botos’, do fotógrafo, documentarista e cineasta paraense Alexandre Baena, foi aberta no dia 7 de fevereiro no Museu de Arte Sacra de São Paulo (MAS-SP). Após uma viagem itinerante pelo país, a mostra retorna ao eixo nacional em uma edição especial, consolidando-se como uma vitrine da cultura amazônica.

A exposição apresenta ao público o universo do Sairé, tradicional manifestação cultural e religiosa realizada anualmente na vila de Alter do Chão, no município de Santarém (PA). Por meio de imagens sensíveis e narrativas visuais potentes, a mostra evidencia o rito de louvor à Santíssima Trindade, que reúne elementos da fé católica e das tradições indígenas Borari, além do momento profano marcado pela emblemática disputa entre os botos Tucuxi e Cor-de-Rosa, símbolos de identidade, pertencimento e ancestralidade amazônica.

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Durante a cerimônia de abertura, o público acompanhou uma apresentação especial do rito religioso do Sairé, conduzida por uma comitiva da Corte do Sairé, com cânticos, orações e símbolos sagrados que expressam a fusão entre a religiosidade cristã e os saberes indígenas.

O evento contou ainda com a participação das agremiações dos botos Tucuxi e Cor-de-Rosa, que levaram ao museu elementos cênicos, personagens e narrativas representativas da emoção, da fé e da riqueza cultural da vila de Alter do Chão, em um momento de celebração conjunta com a Festa do Divino.

Sairé é tema de exposição no Museu de Arte Sacra de São Paulo
Foto: Divulgação

Sobre a proposta da mostra, o artista explica que “o rito religioso tem a presença forte dos povos tradicionais, como ribeirinhos, quilombolas e indígenas Borari. São traços expressivos que vão desde a colocação dos mastros até as rezas e os cantos de louvor. Já na disputa dos botos, surgem os elementos sobrenaturais, as indumentárias, as cores vibrantes e a presença dos povos tradicionais, evidentes em cada cena apresentada nas telas”.

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Para a Prefeitura de Santarém, a realização da exposição reforça o reconhecimento do Sairé como patrimônio cultural imaterial da Amazônia e do Brasil, uma manifestação com mais de 300 anos de história que preserva valores religiosos, culturais e ambientais dos povos tradicionais.

A iniciativa reafirma o compromisso com a valorização da identidade santarena, o fortalecimento da cultura amazônica e a projeção de Santarém no cenário cultural nacional, levando ao público de todo o país um recorte autêntico, simbólico e profundamente representativo da Amazônia Paraense.

Sairé é tema de exposição no Museu de Arte Sacra de São Paulo
Foto: Divulgação

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Presente na abertura, Rayza Reis, coordenadora de Comunicação da Prefeitura de Santarém, destacou a importância da comunicação no fortalecimento da cultura.

“A comunicação pública tem um papel fundamental nesse processo: não apenas divulgar, mas traduzir com responsabilidade, respeitando os símbolos, os ritos e os significados que fazem parte dessa manifestação. Levar o Sairé para além das fronteiras de Santarém é ampliar vozes, fortalecer a cultura amazônica e garantir que o mundo conheça essa expressão em sua essência, sem descaracterização”, ressaltou.

Para Osmar Vieira, coordenador do Sairé, levar a manifestação para outros territórios tem um significado especial.

“Temos o privilégio de participar desta exposição aqui em São Paulo. É um prazer e uma alegria trazer a nossa fé ao povo paulista e mostrar que o Sairé está nos quatro cantos”, concluiu.

*Com informações da Prefeitura de Santarém

SIAGAS: sistema reúne base nacional de dados sobre poços e águas subterrâneas

O SGB disponibiliza gratuitamente informações atualizadas sobre poços e recursos hídricos subterrâneos em todo o país. Imagem: Reprodução/SIAGAS

O Sistema de Informações de Águas Subterrâneas (SIAGAS) centraliza e disponibiliza dados atualizados no Brasil. Desenvolvido e mantido pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), o SIAGAS reúne uma base nacional de informações de poços, além de ferramentas para consultas, pesquisas, extração de dados e geração de relatórios.

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Resultado do mapeamento e das pesquisas hidrogeológicas realizadas em todo o território nacional, o SIAGAS permite a gestão adequada da informação hidrogeológica e sua integração com outros sistemas de recursos hídricos e meio ambiente, sendo recomendado pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH) como base nacional compartilhada para armazenamento, intercâmbio e difusão de informações sobre águas subterrâneas.

Imagem colorida mostra mapa do SIAGAS: sistema que reúne base nacional de dados sobre poços e águas subterrâneas do SGB
Imagem: Reprodução/SIAGAS

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Plataforma reúne dados de poços, rios e rodovias com foco em pesquisa

O Sistema é destinado a estudantes, pesquisadores, gestores públicos, profissionais que atuam com recursos hídricos e meio ambiente, perfuradores de poços e usuários de água subterrânea, além do público em geral interessado no tema. As informações podem ser acessadas por diferentes mídias e níveis de detalhamento, de acordo com o perfil do usuário.

Entre as funcionalidades disponíveis, o SIAGAS Web permite a realização de pesquisas simples e avançadas na base de dados, a produção de relatórios personalizados, o download de informações sobre poços cadastrados, acesso a dados da Rede Integrada de Monitoramento das Águas Subterrâneas (RIMAS) e a visualização de pontos d’água em mapas temáticos e imagens de satélite.

Por meio do SIAGAS é possível encontrar informações essenciais para estudos hidrogeológicos, planejamento do uso da água e apoio à gestão sustentável dos recursos hídricos subterrâneos.

*Com informações do SGB