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Entenda qual a relação do El Niño com infestação de lagartas em Roraima

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A morte de mais de 7 mil bois e vacas por falta de pasto devido a uma infestação de lagartas está diretamente ligada ao fenômeno El Niño, evento climático que neste ano foi severo em Roraima. É o que explicam especialistas em meio à situação de emergência que 10 dos 15 municípios enfrentam diante das consequências da infestação. O fenômeno El Niño ocorre quando o Oceano Pacífico aquece, o que afeta o clima em todo o país.

O cenário no estado, que neste ano teve recorde de seca e queimadas históricas, também foi impulsionado pelo aquecimento do Oceano Atlântico Norte. Juntos, estes fenômenos resultaram na escassez dos predadores das lagartas que consomem os pastos. É o que explica meteorologista Ramon Alves, da Fundação Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Femarh), que monitora a situação climática no estado.

“Embora não tenhamos tido um super El Niño como o de 2015, as consequências foram mais graves. Registramos recordes de queimadas e baixas precipitações, com aproximadamente quatro meses quase sem chuvas, e quatro ou cinco meses de recorde de queimadas. Essas condições trouxeram consequências graves para o estado, causando desequilíbrio ambiental, e afetando todo o meio ambiente”, explicou.

Em menos de dois meses, 7.139 bois morreram por falta pasto. No interior, as áreas das fazendas viraram cemitérios de animais mortos de fome. A estimativa é que ao menos 54 mil hectares de pasto – o equivalente a 75 mil campos de futebol, tenham sido devastados.

O motivo da morte desse gado é a infestação de lagartas das espécies lagarta-do-cartucho-do-milho (Spodoptera frugiperda) e o curuquerê-dos-capinzais (Mocis latipes). Elas devoram o pasto que serve de alimento para os bois.

Essa superpopulação das lagartas está relacionada ao desequilíbrio ambiental causado pelo El Niño intenso nos primeiros meses do ano em Roraima, conforme o doutor em entomologia agrícola e pesquisador sobre lagartas e mariposas na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Cirano Melville.

Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica

Com seca severa e os focos de calor reflexos do fenômeno climático, a população de predadores naturais das lagartas reduziu e os impactos foram sentido em ao menos 840 propriedades rurais do estado.

“O desequilíbrio ecológico afugenta os predadores naturais das lagartas. Esses predadores naturais incluem bactérias, fungos, vírus, parasitoides, vespas e besouros, que ajudam a controlar as pragas. Em situações de seca e altas temperaturas, a população desses insetos controladores pode ser reduzida em até 60%”.

“Esses controladores biológicos geralmente chegam atrasados, após a reestabilização do equilíbrio ecológico, que pode demorar devido à mortalidade causada pelas condições climáticas desfavoráveis”, explicou o pesquisador.

Para se ter ideia, a cadeia da devastação nos pastos de Roraima ocorreram desta forma: com o início do período chuvoso, o capim começou a brotar novamente e ganhar vida. No entanto, neste mesmo período, surgiram as lagartas e os percevejos que atacaram os brotos que se tornariam alimento para o gado. Com isso, o capim não nasceu – e ainda foi impactado pela ação voraz do mata-pasto, uma espécie de erva daninha.

Clima úmido favoreceu reprodução

Melville explicou ainda que a transição das altas temperaturas do El Niño para o período chuvoso fez com que a umidade do clima também contribuísse para que as lagartas se reproduzissem de uma maneira desenfreada, aumentando a população desses insetos. Esse processo é descrito por ele como desequilíbrio ambiental.

“A umidade e a temperatura elevadas favorecem os insetos. Quando chove, por exemplo, aqui em Roraima, a temperatura baixa um pouco, tornando-se mais amena, o que é ideal para as lagartas. Elas precisam de temperaturas entre 25 e 30 graus para se desenvolverem”.

“A temperatura elevada acelera o metabolismo e o desenvolvimento das lagartas, o que também impacta na reprodução mais rápida desses insetos, encurtando o ciclo de vida deles. Em vez de 55 a 60 dias, o ciclo pode se reduzir para 40 a 45 dias, aumentando o número de ciclos e populações de insetos nesse período favorável.

As plantas que começaram a brotar com o início do período chuvoso, em abril, também são pratos cheios para espécies como a lagarta-do-cartucho-do-milho e o curuquerê-dos-capinzais, as duas que têm atacado os pastos em Roraima.

“Nas áreas de pastagem, após queimadas, as novas brotações de capim se tornam um ambiente perfeito para as lagartas devido ao alto teor de nitrogênio presente nas cinzas. As primeiras folhas que surgem após a queima são ricas em nitrogênio, o que é ideal para a alimentação das lagartas, acelerando ainda mais o desenvolvimento delas”.

Também pesquisador da Embrapa, Daniel Schurt explica que os efeitos do El Niño e do período seco em Roraima, independentemente da intensidade, podem ter soluções se houver a preparação dos produtores antes dos desastres acontecerem.

Ele recomenda que seja ofertado aos produtores capacitações que os preparem para adversidades como secas, cheias e pragas.

“É importante que os agricultores e pecuaristas estejam preparados para essas situações. Recomendamos que se capacitem, busquem informações nos órgãos de pesquisa e extensão, diversifiquem as pastagens, façam rotação de culturas e análises de solo, e conheçam as alternativas de controle, incluindo o uso de inseticidas e o monitoramento constante das pragas”, explicou o pesquisador.

Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica

Regiões impactadas

Nos dados obtidos, Mucajaí, a 60km da capital Boa Vista, é o município com as maiores perdas. No entanto, o problema se estende a Amajari, Alto Alegre, Bonfim, Cantá, Caracaraí, Iracema, Pacaraima, Normandia e Uiramutã.

Diante da situação, com um número crescente de gado que morre a cada dia, o governo decretou situação de emergência. A ideia é oferecer apoio financeiro a produtores rurais das regiões afetadas.

Como a falta de comida impacta o gado

Sem ter pasto para se alimentar diariamente, o gado morre em poucos dias. É o que explica doutor em zootecnia e professor de bovinocultura na Universidade Federal de Roraima (UFRR), Jalison Lopes.

Ele explica um boi consegue sobreviver sem comida por até 20 dias, dependendo do estado nutricional. Sem água, sobrevive até 4 dias, no máximo. As alternativas para enfrentar o problema incluem substituir a pastagem morta por alimentos conservados, como silagem (alimento conservado) ou feno (mistura de plantas secas).

“A ideia seria substituir o pasto pela ração, podendo fornecer milho-grão inteiro junto com núcleo proteico mineral vitamínico. Diversas plantas podem ser usadas para produzir feno, assim como palhadas de culturas. Coprodutos de agroindústria indústria, como a borra de dendê em Roraima, também são opções para substituir a pastagem”, explica o professor.

Reflexos do desequilíbrio ambiental

A reportagem esteve em dois locais que foram severamente afetados pela morte de rebanhos em fazendas por falta de comida: as vilas Samaúma e a Apiaú, município de Mucajaí, no Sul de Roraima. Na região, produtores perderam grande parte do gado. Emocionados, eles relataram o clima de desespero, apreensão e medo.

Historicamente, a criação do estado de Roraima se entrelaça com a da pecuária e, consequentemente, com os impactos ambientais que a atividade engloba, como o desmatamento. No entanto, desta vez, especialistas afirmam que ainda é prematuro associar o desequilíbrio ambiental das lagartas e mortes dos bois com a supressão de vegetação. Até agora, a principal relação é com o El Niño intenso dos últimos meses.

Foi neste cenário que o pecuarista Joaquim Simão Costa, de 55 anos, se viu obrigado a buscar pasto em outras regiões. Para fugir da fome, ele levou o rebanho a pé para uma fazenda alugada de um amigo na região do Truarú, em Boa Vista, distante quase 113 Km da Sumaúma, onde vive, numa viagem de aproximadamente 10 dias.

No trajeto, muitos animais de Joaquim morreram e foram deixados na estrada, outros tiveram a carcaça arrastada pelo caminho. Vídeos mostram ele levando o rebanho pelas ruas para fugir da fome.

Na vila Samaúma, o cenário é de tristeza. Urubus sobrevoam por todas as partes nas ruas e nas estradas. Carcaças de bois e vacas mortos são vistas com facilidade nas margens das vias. As áreas de pastos se tornaram cemitérios dos animais que antes eram o sustento de famílias rurais.

No caminho, com o rebanho fraco e com fome, animais morrem e são abandonados. Rastros de sangue de cascos machucados são deixados na estrada. Tudo isso deixa Joaquim emocionado.

Passar pela situação é um “pesadelo” para ele, mas não há outra solução a não ser levar o gado para outro lugar que não esteja infestado por lagarta.

“É muito triste ver essa situação. Estamos enfrentando uma dificuldade enorme, muita tristeza. A situação está muito feia e difícil. Moro aqui há 40 anos. Nunca tivemos um fenômeno tão desesperador. Está muito difícil, nunca tinha visto algo assim. Fomos pegos de surpresa”.

“Em dez dias o gado foi morrendo de fome na estrada, debilitado, caindo e ficando para trás. É uma tristeza imensa, muito difícil”, contou o pecuarista.

Com o decreto de emergência, o governo também criou o Programa Emergencial de Apoio à Pecuária Familiar, medida que prevê a contratação temporária de pessoas, dispensa de licitação para aquisição de bens e serviços essenciais, além da convocação de voluntários para reforçar as ações de resposta ao desastre.

Para o combate às pragas e recuperação do pasto nas propriedades, o governo, por meio da Agência Desenvolve, anunciou o o repasse de R$ 1.750 aos produtores rurais. O valor será concedido por meio do programa Desenvolve Roraima. O teto máximo que cada produtor deve receber é de 5 hectares, o equivalente R$ 8.750.

*Por Caíque Rodrigues, da Rede Amazônica RR

Aprenda a fazer tambaqui na brasa com vinagrete de milho verde

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Tambaqui na brasa com vinagrete de milho de verde. Foto: Reprodução/Rede Amazônica RO

Nos pratos dos rondonienses não pode faltar ele: o tambaqui. Pensando nisso, o chef Pedro Bagattoli ensina uma receita de tambaqui na brasa e na folha de bananeira com um vinagrete de milho verde.

Ingredientes

Peixe

1 tambaqui inteiro 3 a 4kg
5 folhas de chicória picada
2 pimentas de cheiro
2 limão
4 colheres de sopa de azeite
Sal
3kg sal grosso
Folha de bananeira

Vinagrete de milho verde

1kg milho verde
1 colher de manteiga
3 dentes de alho
3 tomates maduros
1 cebola ( se tiver a roxa melhor )
1/2 maço de cebolinha
1 limão
1/3 xícara de azeite
Sal

Modo de preparo:

Peixe

  • Tempere o tambaqui por dentro com sal, azeite, limão, chicória e pimenta de cheiro, meia hora antes de assar.
  • Sapeque as folhas de bananeira na chapa quente do fogão a lenha ou na chama do fogão a gás, para que ela fique maleável.
  • Faça uma cama de folhas na bancada, coloque uma cama da sal grosso e em seguida coloque o tambaqui.
  • Cubra o tambaqui com mais sal grosso e enrole na folha de bananeira totalmente na crosta de sal.
  • Leve para brasa por aproximadamente 1 hora, retire as folhas de bananeira, a crosta de sal e retire também a pele que vai sair com facilidade.
  • Sirva com o vinagrete de milho verde.

Vinagrete de milho verde

  • Doure o alho na manteiga e refogue o milho verde até ele ficar mole.
  • Deixe esfriar.
  • Com o milho frio, misture o tomate a cebola, cebolinha, e tempere com o azeite, sal e limão.
  • Sirva com o peixe assado.

Plantas não convencionais transformam alimentação escolar em Gurupi, no Tocantins

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Tudo começou em 2022, no curso de Agronomia do Câmpus Gurupi, da Universidade Federal de Tocantins (UFT), quando a professora Susana Cristine Siebeneichler viu uma oportunidade no projeto do Programa Institucional de Inovação Pedagógica (PIP), coordenado pela professora Carmes Ana da Rosa Batistella. O plano era simples: montar uma horta em uma escola municipal. No entanto, a visão de Susana foi além dos vegetais convencionais.

Ela submeteu um projeto sobre plantas alimentícias não convencionais (PANC) na primeira carteira de projetos do Centro de Desenvolvimento Regional Sul (CDR Sul), sob a coordenação da professora Adriana Terra. O projeto foi contemplado, iniciando uma jornada que levaria a ora-pro-nóbis, uma planta rica em vitaminas, proteínas e minerais, para a mesa das crianças de Gurupi.

As professoras Susana e Adriana com o Senhor Jorge em campo explicando com plantar e cultivar ora-pro-nóbis. Foto: Susana Cristine Siebeneichler/Acervo pessoal

Cultivando mais que alimentos

A horta começou a ganhar vida na Escola Agripino de Sousa Galvão, com a ajuda de diversos parceiros. Além da ora-pro-nóbis, a horta abrigou a beldroega, outra PANC. A professora Susana, sempre buscando inovar, teve a ideia de fazer com que as crianças experimentassem pratos preparados com as plantas que elas mesmas ajudaram a cultivar.

Com o apoio da Secretaria Municipal de Educação, foi organizado um dia de degustação na escola. O prato escolhido? Uma deliciosa farofa de ora-pro-nóbis com peixe. O resultado surpreendeu: quase 70% das crianças do turno matutino aprovaram a novidade!

O sucesso da farofa abriu portas para um passo ainda maior: incluir a ora-pro-nóbis no cardápio da merenda escolar de Gurupi. Para garantir um fornecimento sustentável, mudas foram distribuídas a produtores locais, como a associação Micro Jandira e o assentamento Vale Verde, onde o senhor Jorge Cabral e a família de Josué Degmar da Silva já comercializavam alimentos para a merenda escolar.

Diante de tudo que Susana tem feito e presenciado, ela destaca que o impacto deste projeto vai além da alimentação saudável:

“A criação de políticas públicas que garantam a segurança alimentar e nutricional nas escolas fortalece a conexão entre a Universidade e a comunidade. A expectativa é que outras PANC, com seus diversos benefícios nutricionais, possam em breve fazer parte do cardápio escolar.”

Além disso, ela conta que com projetos como este, não só é possível plantar alimentos, mas também semear conhecimento, saúde e inovação na educação das futuras gerações.

Professora Susana junto com a equipe da escola preparando e testando receitas com as plantas. Foto: Susana Cristine Siebeneichler/Acervo pessoal

Agradecimento às parcerias

Susana destaca ainda que “nada disso seria possível” sem o esforço conjunto de várias mãos. A equipe de nutricionistas da Secretaria Municipal de Gurupi (Lucia Isabel Oliveira Santos, Marcos Antônio Ramos de Oliveira, Wanderlei Sousa Silva Júnior e Luana Venâncio da Costa) foi fundamental; além de Raffael Batista Marques, bolsista do projeto; a Direção da Escola Agripino de Sousa Galvão; o financiamento e apoio do CDR Sul e da Fapt.

*Com informações da UFT

Saiba qual história de escritor do Amapá se tornou alegoria do Boi Caprichoso em 2024

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Foto: Daniel Landazuri/g1 AM

A historia contada em um livro do escritor Gian Danton foi interpretada em uma alegoria do Boi-Bumbá que compete anualmente no Festival Folclórico de Parintins, o Boi Caprichoso, tricampeão em 2024. O Amapá se fez presente no segundo dia do festival, com a alegoria que levou o tema ‘Lenda do Chico Patuá: Um herói da resistência popular’.

Gian Danton, autor do livro ‘Cabanagem’, que originalmente conta a história do herói Chico Patuá, contou que descobriu que a sua autoria estava no Festival de Parintins através de um amigo que leu a obra.

“Eu soube por um amigo de Manaus, que na hora me mandou mensagem dizendo: que bacana a homenagem que estão fazendo para o seu livro no Festival de Parintins. Na hora que estava acontecendo a apresentação”, disse Danton.

O autor entrou em contato com a equipe do Boi Caprichoso, que esclareceu e confirmou que a apresentação era uma interpretação da história criada por ele.

O presidente do Conselho de Artes do Boi Caprichoso, Ericky Nakanome informou que foi uma alegria receber uma ligação de Gian e o convidou para ir à Parintins para lançar a pesquisa junto à equipe.

“Para a gente foi uma alegria imensa receber a ligação dele. Eu acredito que seja a primeira vez que isso aconteça. A gente trabalha com uma referência de quase 200 livros. O livro do Gian foi um achado. A obra aparece na bibliografia como uma das principais e temos o desejo de trazer ele (autor) à Parintins até o final do ano, para lançar o livro aqui com a gente”, disse o presidente.

Gian Danton, autor de livros no Amapá. Foto: Gian Danton

Ainda de acordo com o presidente do conselho, a história completa é um tema importante que deve ser apresentado no festival, sendo a luta contra a cabanagem e a exaltação indígena.

“A referência do Chico Patuá aparece na fala de um conselheiro em uma das nossas reuniões. Fomos pesquisar em outros livros de cabanagem e a mais completa obra que falava sobre sua história, sua narrativa, era o livro do Danton”, descreveu.

A partir de um resumo da história, a equipe do Boi Caprichoso deu vida e cores à história do personagem Chico Patuá que seria a apresentação. O presidente Ericky Nakanome contou que a história tinha “a cara do caprichoso”.

Conheça a inspiração: ‘Cabanagem’

O livro ‘Cabanagem’ surgiu da inquietação de Gian Danton, após descobrir que o movimento da cabanagem chegou ao Amapá, até Mazagão e à Ilha de Santana, fato pouco falado historicamente. Mesmo se tratando de uma história fictícia, ele insere fatos da revolta no Grão-Pará na narrativa.

O livro conta sobre as lendas e as mitologias da região, com o foco principal no Chico Patuá, que é o protagonista. Patuá é um cabano que está fugindo da repressão no Pará e vem em direção ao Amapá.

Livro Cabanagem, de Gian Danton. Foto: Gian Danton

Durante a fuga, o protagonista recebe a ajuda de entidades místicas como o Curupira, a Matinta Perêra, a Cobra Grande. Por outro lado, algumas das lendas acabam tomando partido da repressão, o que acaba causando mais uma guerra, mas desta vez entre humanos e entidades sobrenaturais.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

Parque Chico Mendes é 1º da Região Norte a receber selo de sustentabilidade de fundação holandesa de turismo

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O Parque Ambiental Chico Mendes, em Rio Branco (AC), recebeu o selo de sustentabilidade Good Travel Seal, da Fundação Holandesa Green Destinations durante cerimônia no dia 3 de julho. O selo é concedido a empreendimentos de turismo que tenham compromisso ambiental, com o objetivo de incentivar destinos e negócios a viajantes responsáveis.

Certificação foi articulada pelo Fórum Empresarial do Acre através do programa DEL Turismo, que atua em todo o país, além de apoio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Turismo, Tecnologia e Inovação (SDTI).

Desde janeiro, a equipe cuidou de toda a documentação necessária para as diversas etapas do processo de certificação. Foram avaliados 59 critérios entre prevenção contra poluição, resíduos, energia e clima, acessibilidade, entre outros. Em ato simbólico, o certificado foi fixado ao lado do Memorial Chico Mendes, trecho do parque que conta a história do seringalista e ativista ambiental acreano morto em 1988.

O Parque Chico Mendes é o primeiro da Região Norte a receber este selo. A administração do local espera que isso traga visibilidade. Joseline Guimarães, coordenadora do espaço, ressalta que muitos turistas procuram destinos que possuam responsabilidade ambiental e que a conquista do selo vai colocar o parque na rota internacional.

“Nós estamos sempre prontos para receber o turista, preparados da melhor forma possível que nos cabe. E [o certificado] foi montado em frente do Memorial Chico Mendes, que é um ato também mais simbólico ainda. Esse foi um motivo de muita alegria esse ano, a gente ficou muito feliz, é um espaço super agradável. Quem já veio visitar e quem ainda não veio, nós fazemos o convite, porque você vai ter uma experiência muito agradável. É um local totalmente integrado à natureza”, destacou a coordenadora.

Para receber o selo, os empreendimentos precisam cumprir os seguintes passos:

  • Inscrição
  • Relatório
  • Avaliação
  • Auditoria
  • Decisão de comitê
Foto: Aline Nascimento/g1 Acre

Uma das articuladoras da certificação, a coordenadora do Fórum Empresarial, Tíssia Veloso, destacou que a certificação abrange o período de um ano, e que durante esse tempo a ideia é que o parque melhore nos critérios que ainda não são satisfatórios para então obter uma certificação ainda melhor.

“A certificação funciona por um ano, e dentro desse primeiro ano a gente vai melhorar os critérios que a gente não conseguiu atender para, no próximo ano, tentar uma certificação melhor ainda”, ressaltou

O secretário municipal de Turismo, Coronel Ezequiel Bino, destacou o trabalho entre diversas instituições no processo de certificação. Com o apoio do Fórum Empresarial, Bino ressalta que o nome de Chico Mendes atrai olhares internacionais, e espera que o selo traga um maior número de visitantes ao parque.

“Essa instituição leva o nome do Parque Chico Mendes como um destino sustentável. E isso é muito observado pelos nossos turistas, pelos nossos visitantes. Então, a gente acredita que com isso, esse parque, que já é tão visitado por pessoas daqui do mundo, receba ainda mais turistas”, disse.

Parque Ambiental Chico Mendes é o 1º da região norte a receber selo de sustentabilidade

*Por Victor Lebre e Aline Nascimento, da Rede Amazônica AC

Justiça Federal determina área do povo Sabanê do sul de Rondônia

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Área indígena em Rondônia. Foto: Júlio Olivar

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

O juiz federal da 5ª Vara, Dimis da Costa Braga, que responde também pela Vara Federal Cível e Criminal de Vilhena, publicou a sentença delimitando a área indígena do povo Sabanê.

A decisão foi comunicada à Unidade de Monitoramento e Fiscalização das decisões do Sistema Interamericano dos Direitos Humanos no TRF – 1ª Região, nos termos da Resolução 364/2021, bem como, ao CNJ e à Comissão Interamericana dos Direitos Humanos, para acompanhamento do caso.

Segue o documento, na íntegra:

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Especial: 10 curiosidades sobre o Portal Amazônia

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Há mais de 20 anos, a internet parecia algo distante, muito diferente das facilidades conquistadas recentemente. Quem tem mais de 30 anos certamente se lembra dos barulhinhos típicos das conexões discadas e como os sites ainda não eram recheados de imagens devido às suas limitações. O Portal Amazônia nasceu nesta época. 

“Quando a gente chegou aqui era tudo mato!”. Brincadeira à parte, essa é uma frase que pode ter diversos significados para a trajetória do Portal Amazônia, que celebra 23 anos neste 5 de julho. Tanto pelo pioneirismo na internet na região amazônica quanto com a missão de divulgar a realidade da Amazônia e do amazônida.

Para comemorar, reunimos algumas curiosidades sobre o Portal Amazônia para você conhecer:

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O Portal Amazônia é pioneiro na região. Foi lançado em 5 de julho de 2001 e está entre as principais referências sobre o tema Amazônia na internet com 23 anos ininterruptos de trabalho. Mas você sabia que foi lançado em plena quinta-feira, por volta das 2 horas da manhã?

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O primeiro slogan, da campanha de lançamento em 2001, era “a internet ficou verde”.

Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

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A primeira logo e a página principal do Portal Amazônia eram muito diferentes. Na época o uso de imagens era limitado devido a demora no carregamento. Já conhecia?

Imagem: Reprodução/WayBackMachine

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Ainda em 2002, outra novidade foi relacionada ao uso via telefone celular, do serviço SMS (Serviço de mensagem curta ou torpedo), oferecido em parceria com a NBT/TCO: era possível responder enquetes, enviar mensagens e participar de promoções. Os primórdios da interatividade via telefone móvel! 

Mas não era só isso. No início dos anos 2000, os chats eram super populares e é claro que o Portal também tinha o seu, um bate-papo em que os internautas interagiam com entrevistados, principalmente atrações culturais. Hoje temos diversas formas de interação pelas redes sociais. Onde você interage mais com a gente?

Imagem: Reprodução/WayBackMachine

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Parceiros nunca faltaram para o Portal Amazônia. Inclusive, no começo, as parcerias com jornais impressos, como o Jornal do Commércio, rendiam diversas publicações para a internet.

Imagem: Reprodução/Portal Amazônia

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E sim, nós também fazemos parte do Grupo Rede Amazônica, uma rede de televisão aberta, afiliada da TV Globo, com sede na cidade de Manaus, no Amazonas, que também é onde fica a nossa redação jornalística. O Grupo nasceu em 1972 e está presente em cinco Estados: Acre, Amapá, Amazonas, Rondônia e Roraima. Também abriga outros veículos jornalísticos, como g1, o Globo Esporte e a CBN Amazônia.

Imagem: Reprodução/Grupo Rede Amazônica

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Mais uma vez, para quem já passou dos 30 anos, certamente lembra das enciclopédias – grandes coleções de livros impressos com informações das mais diversas sobre tudo. Quase um Google, mas que precisava de um certo esforço para encontrar o que queria. O Portal Amazônia, desde seu começo, investe em um almanaque que cumpre esse papel, focado na Amazônia: o Amazônia de A a Z.

Imagem: Reprodução/WayBackMachine

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Você sabia que já fomos hospedados na Globo.com? E, além disso, o Portal também tinha a TV Portal News, uma sessão em que os vídeos já eram o foco. 

Imagem: Reprodução/WayBackMachine

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O pioneirismo do Portal Amazônia também o levou a realizar transmissões ao vivo. Isso mesmo! Quem lembra do programa Amazônia Interativa, que fez parte da grade do canal Amazon Sat e era transmitido simultaneamente no nosso site? Ainda é possível conferir alguns episódios no nosso canal no Youtube.

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Certamente, em algum momento, você deve ter visto o historiador Abrahim Baze tanto em nossas matérias quanto na telinha do Amazon Sat. Mas a participação do historiador no Portal é um dos legados desses 23 anos, pois ele é nosso colunista desde a estreia, em 2001.

Foto: Reprodução/Amazon Sat

Mesmo após 23 anos, continuamos sendo contadores das histórias dos amazônidas. Fatos marcantes, curiosidades, peculiaridades regionais, lendas e tudo mais que houver para saber sobre a região queremos mostrar para o mundo. Conta pra gente o que mais tem marcado a história do Portal Amazônia para você!

Relembre grandes coberturas que fazem parte da nossa história

City Tour leva turistas a conhecerem histórias e segredos de Rio Branco

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Empresas de turismo e diversos profissionais que atuam como guia turísticos oferecem o serviço de city tour, um passeio com a condução de guia de turismo oficial pelos principais pontos da cidade de Rio Branco, no Acre. O objetivo é proporcionar aos visitantes uma visão abrangente e enriquecedora do destino.

A capital do Acre guarda muitas histórias e segredos em suas ruas e prédios centenários. Para se ter uma ideia, apenas no Centro da capital acreana, pelo menos vinte pontos históricos recontam fatos importantes de Rio Branco e do Acre.

Segundo o secretário de Turismo e Empreendedorismo, Marcelo Messias, o passeio orientado permite que os visitantes conheçam a cidade de Rio Branco com uma imersão na cultura e história. “Rio Branco é uma cidade com muita identidade histórica, e o passeio orientado por profissionais do turismo faz com as riquezas da cidade sejam exaltadas e a economia local seja aquecida”, destacou.

Ao longo dos anos, Rio Branco passou por um rápido crescimento e desenvolvimento, impulsionado pela exploração da borracha e mais tarde por outros setores da economia. A cidade é um importante centro cultural, político e econômico na Amazônia brasileira, preservando sua história e contribuindo para o progresso da região.

Palácio Rio Branco, símbolo da história acreana. Foto: Marcos Vicentti/Secom AC

De acordo com a agente de turismo receptivo e criadora de conteúdo da Agência Destino Acre, Thaly Figueiredo, os clientes interessados pelo serviço de city tour procuram a agência por meio das redes sociais, rede hoteleira e outras empresas agenciadoras do país.

“Nós, enquanto agência receptiva, somos um elo entre o guia e o turista para mostrar o melhor do nosso estado. Temos como parceiros profissionais habilitados que fazem com que essa experiência seja ainda mais rica em nosso estado”, declarou.

Thaly conta que os turistas também gostam de fazer passeios de barco, na capital acreana, conhecer o interior do estado, aldeias indígenas e a gastronomia local. “Essas vivências valorizam a nossa cultura e fazem com que o turista tenha as melhores experiências aqui”, destacou.

Atualmente, algumas empresas e guias de turismo oferecem vários tipos de pacotes de visitação em Rio Branco, que incluem desde a visitação na área urbana, no Centro da capital, o tour ambiental e a visitação que abrange tanto a parte urbana quanto a área ambiental, que é a mais demorada.

Para a turista Conceição Alves, que veio da Paraíba conhecer Rio Branco, fazer o city tour foi surpreendente.

“A viagem foi maravilhosa. Eu não imaginava que tinha tanta coisa bonita para ver no Acre”, disse.

Imagem aérea da Catedral Nossa Senhora de Nazareth. Foto: Arquivo Secom AC

Visitação

O city tour pode começar de diferentes pontos, mas em geral, começa pela Praça da Revolução, no centro de Rio Branco, onde está localizada a estátua de Plácido de Castro, personagem importante na história da Revolução Acreana, despontada por uma série de conflitos de fronteira entre a Bolívia e a Primeira República Brasileira.

Durante o passeio, os turistas podem apreciar a arquitetura e a beleza dos prédios históricos da região central da cidade, como o Quartel da Polícia Militar, o Colégio Estadual Barão do Rio Branco e O Casarão – espaço de festividades nas décadas de 80 e 90.

Visualizada da praça, a Prefeitura de Rio Branco, que já foi hotel e penitenciária, também faz parte do roteiro, assim como o Memorial dos Autonomistas e o Teatro Hélio Melo.

O Palácio Rio Branco, construído na década de 30, referência histórica e política do Acre, o Museu dos Povos Acreanos, inaugurado em 2023, Museu da Borracha e a Catedral Nossa Senhora de Nazareth também fazem parte do roteiro de visitas.

*Com informações da Agência de Notícias do Acre

Conheça as duas espécies de lagartas que têm prejudicado pastos e causado morte de bois em Roraima

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Lagarta-do-cartucho-do-milho (Spodoptera frugiperda) e a curuquerê-dos-capinzais (Mocis latipes). São essas duas espécies de lagartas que têm devastado pastos e deixado rebanhos sem comida em Roraima. Mais de 7 mil bois e vacas morreram de fome, transformando propriedades rurais em cemitérios de carcaças.

Para entender como as duas espécies de insetos agem de maneira tão voraz, o Grupo Rede Amazônica conversou com especialista que explica as características e as diferenças entre elas. Um spoiler: elas comem sem parar tudo que é verde que veem pela frente.

Os 7.139 bois morreram em ao menos 40 dias nas fazendas de vários municípios de Roraima. A estimativa é de que ao menos 54 mil hectares de pasto – o equivalente a 75 mil campos de futebol, tenham sido devastados pelas lagartas.

Um dos motivo da infestação de lagartas é o desequilíbrio ambiental causado pelo El Niño intenso.

Entre os fatores estão:

Estiagem e seca histórica que Roraima enfrentou nos meses de janeiro, fevereiro e março, que destruiu ou enfraqueceu o pasto; Ausência de predadores para cessar a infestação das lagartas logo no início do período chuvoso, em abril.

O doutor em entomologia agrícola pela Universidade Estadual de São Paulo (Uesp), Cirano Melville pesquisa espécies de lagartas na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Ele detalhou as características e os desafios no combate a esse tipo de praga.

Melville explica quais são as fases mais críticas e o período em que ela “come tudo”. Os brotos dos capins são como picanha para elas, disse o especialista.

De acordo com ele, elas possuem quatro fases: fase do ovo (5 dias), lagarta (14 e 22 dias), pupa ou casulo (10 a 11 dias) e a fase adulta, a mariposa (10 a 12 dias), onde o inseto se reproduz e só se alimenta de néctar de flores.

“A fase mais crítica, considerada praga, é a fase de lagarta. Especificamente o quinto estágio de desenvolvimento, onde o inseto se alimenta mais intensamente, consumindo 80% de seu alimento total”, explicou.

Lagarta-do-cartucho-do-milho ou lagarta-militar

Lagarta-do-cartucho-do-milho (Spodoptera frugiperda), estudada por pesquisadores da Embrapa em Roraima — Foto: Caíque Rodrigues/g1 RR
Foto: Caíque Rodrigues/g1 RR

A Lagarta-do-cartucho-do-milho, também conhecida como lagarta-militar, é considerada um pesadelo para os agricultores. Polífaga, ou seja, ela se alimenta de mais de 100 plantas antes de virar uma mariposa. No cardápio dela estão o milho, soja e capim dos pastos, o que a torna uma praga persistente nas áreas de cultivo.

“Com a intensificação da agricultura, quase não há interrupção no ciclo dessa praga, pois sempre há alimento disponível, como milho, soja e braquiária [capim usado para alimentar o gado], permitindo que a praga permaneça nas áreas cultivadas”, disse Melville.

Ele explica que a lagarta é uma das cinco principais pragas do Brasil pela dificuldade de combatê-la com produtos, processos e tecnologias destinados ao controle de ataques e infestações.

Essa espécie tem uma coloração variável, podendo ser verde, amarela, marrom ou preta. Possui o desenho na forma de Y na cabeça e quatro pontos pretos na parte dorsal do último segmento abdominal. Adulto é uma mariposa de cor cinza ou marrom, com uma envergadura de 3 a 4 cm.

O ciclo de vida dessa lagarta é relativamente curto, o que facilita sua rápida disseminação.

“Após eclodir do ovo, a lagarta pode completar sua fase larval em 14 a 22 dias, dependendo das condições ambientais. A fase de pupa dura entre 10 e 14 dias. No total, o ciclo de vida varia de 30 a 60 dias”.

Curuquerê-dos-capinzais (Mocis latipes)

Espécie de curuquerê-dos-capinzais (Mocis latipes), lagarta que está infestando os pastos em Roraima — Foto: Caíque Rodrigues/g1 RR
Foto: Caíque Rodrigues/g1 RR.

O curuquerê-dos-capinzais também é uma praga polífaga. Ela se alimenta de culturas como arroz, batata, cana, couve, milho, maracujá, soja e trigo. Seus danos são observados principalmente nas folhas, que ficam reduzidas e com mordidas formando desenhos.

Esta espécie se movimenta como ‘se medisse em palmos’. A coloração é verde clara, com listras pretas ou amarelas — os desenhos podem variar. Além disso, há pontos pretos distribuídos aleatoriamente de uma extremidade até a outra.

Mas esta não é a única cor que esta espécie pode ter. Em populações elevadas, elas mudam de coloração. O corpo torna-se preto, mantendo as listras brancas e os pontos pretos visíveis nas laterais do corpo.

“Seus danos são principalmente nas folhas, deixando apenas o talo da folha. O ciclo de vida pode ser acelerado por temperatura e umidade, com a fase larval durando 20 a 23 dias e a fase de pupa entre 10 a 14 dias”, explica Melville.

Morfologicamente, essa lagarta é identificada por um ‘Y’ invertido na cabeça e quatro pontos pretos no abdômen. Em populações elevadas, a cor pode mudar para preta, mantendo as listras brancas e os pontos pretos visíveis.

“Uma coisa bem interessante que pode ser dito [sobre essa espécie] se o produtor visualizar lagartas pretas nas pastagens é sinal de que a população está elevada e que o dano às plantas de capim estão ocorrendo em grandes proporções”, disse o professor.

Manejo e como evitar as lagartas

Gado morre de fome e fica fraco por falta de pasto e pela infesteção de lagartas e ervas daninhas em Roraima — Foto: Caíque Rodrigues/g1 RR
 Foto: Caíque Rodrigues/g1 RR.

Para lidar com essas pragas, Melville destaca a importância do Manejo Integrado de Pragas (MIP). Segundo ele, os produtores devem buscar orientação de profissionais, como agrônomos, e adotar práticas integradas que incluem controle biológico, químico e genético. Ela afirmou que o monitoramento contínuo é crucial para a identificação precoce e o controle eficaz dessas pragas. Além disso, é importante estar atento a sinais visuais nas plantações.

“Com a adoção de estratégias eficazes e um monitoramento rigoroso, é possível minimizar os impactos dessas pragas, garantindo a saúde das plantações e a segurança alimentar”. Melville disse que o combate é um esforço contínuo que requer atenção e ação rápida por parte dos agricultores e especialistas.

Reflexos do desequilíbrio ambiental

O Grupo Rede Amazônica esteve em dois locais que foram severamente afetados pela morte de rebanhos em fazendas por falta de comida: as vilas Samaúma e a Apiaú, município de Mucajaí, no Sul de Roraima. Na região, produtores perderam grande parte do gado. Emocionados, eles relataram o clima de desespero, apreensão e medo.

Historicamente, a criação do estado de Roraima se entrelaça com a da pecuária e, consequentemente, com os impactos ambientais que a atividade engloba, como o desmatamento. No entanto, desta vez, especialistas afirmam que ainda é prematuro associar o desequilíbrio ambiental das lagartas e mortes dos bois com a supressão de vegetação. Até agora, a principal relação é com o El Niño intenso dos últimos meses.

Foi neste cenário que o pecuarista Joaquim Simão Costa, de 55 anos, se viu obrigado a buscar pasto em outras regiões. Para fugir da fome, ele levou o rebanho a pé para uma fazenda alugada de um amigo na região do Truarú, em Boa Vista, distante quase 113 Km da Sumaúma, onde vive, numa viagem de aproximadamente 10 dias.

Pecuarista Joaquim Simão Costa, 55 anos, precisou levar a sua criação de gado a pé para outro município por falta de pasto em Roraima — Foto: Caíque Rodrigues/g1 RR
 Foto: Caíque Rodrigues/g1 RR.

No trajeto, muitos animais de Joaquim morreram e foram deixados na estrada, outros tiveram a carcaça arrastada pelo caminho. Vídeos mostram ele levando o rebanho pelas ruas para fugir da fome.

Na vila Samaúma, o cenário é de tristeza. Urubus sobrevoam por todas as partes nas ruas e nas estradas. Carcaças de bois e vacas mortos são vistas com facilidade nas margens das vias. As áreas de pastos se tornaram cemitérios dos animais que antes eram o sustento de famílias rurais.

No caminho, com o rebanho fraco e com fome, animais morrem e são abandonados. Rastros de sangue de cascos machucados são deixados na estrada. Tudo isso deixa Joaquim emocionado. Passar pela situação é um ‘pesadelo’ para ele, mas não há outra solução a não ser levar o gado para outro lugar que não esteja infestado por lagarta.

“É muito triste ver essa situação. Estamos enfrentando uma dificuldade enorme, muita tristeza. A situação está muito feia e difícil. Moro aqui há 40 anos. Nunca tivemos um fenômeno tão desesperador. Está muito difícil, nunca tinha visto algo assim. Fomos pegos de surpresa. Em dez dias o gado foi morrendo de fome na estrada, debilitado, caindo e ficando para trás. É uma tristeza imensa, muito difícil”, contou o pecuarista ao g1.

Com o decreto de emergência, o governo também criou o Programa Emergencial de Apoio à Pecuária Familiar, medida que prevê a contratação temporária de pessoas, dispensa de licitação para aquisição de bens e serviços essenciais, além da convocação de voluntários para reforçar as ações de resposta ao desastre.

Para o combate às pragas e recuperação do pasto nas propriedades, o governo, por meio da Agência Desenvolve, anunciou o repasse de R$ 1.750 aos produtores rurais. O valor será concedido por meio do programa Desenvolve Roraima. O teto máximo que cada produtor deve receber é de 5 hectares, o equivalente R$ 8.750.

*Por Caíque Rodrigues, da Rede Amazônica RR

Rondônia registra, no 1° semestre de 2024, maior número de focos de queimadas dos últimos 8 anos

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Em Rondônia, os focos de queimadas registrados de janeiro a junho de 2024 são maiores do que os detectados em todos os primeiros semestres dos últimos 8 anos, revelou os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Os focos ativos estão relacionados à detecção de incêndios em tempo real através de satélites, de acordo com o Inpe. Conforme os dados do ‘Programa Queimadas’ do Inpe, no primeiro semestre de 2024, o estado registrou 465 focos de queimadas, o que representa um aumento de 50% em relação ao mesmo período de 2023. Além disso, esse é o pior 1° semestre desde 2016.

Leia também: Apesar de menor registro de desmatamento, seca aumenta incêndios na Amazônia em 36%

Em 2024, até o momento, junho apresentou o maior número de focos registrados no estado, com 183 ocorrências: o maior acumulado para o mês dos últimos 5 anos, ficando atrás apenas de 2019, quando foram registrados 170 focos em junho.

Na contramão, janeiro foi o período com o menor número de registros (39 notificações), seguido de fevereiro. Na Amazônia Legal (Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão) foram registrados 22.058 focos de queimadas durante o período de 1° de janeiro a 1° de julho de 2024.

Um foco precisa ter pelo menos 30 metros de extensão por 1 metro de largura para que os chamados satélites de órbita possam detectá-lo. No caso dos satélites geoestacionários, a frente de fogo precisa ter o dobro de tamanho para ser localizada, segundo informações do Inpe.

Como denunciar?

Conforme a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental de Rondônia (Sedam), para realizar uma denúncia de queimadas na zona rural, é necessário entrar em contato com o órgão pelos seguintes meios de comunicação:

Telefone: 0800 666 1150

E-mail: ouvidoria@sedam.ro.gov.br

Plataforma: Fala.BR

WhatsApp da Ouvidoria Ambiental: (69) 98482-8690 (dúvidas e informações).

Já se os focos forem em áreas urbanas o morador deve entrar em contato com a Secretária Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Sema) do município.

Em Porto Velho, a denúncia de queimadas pode ser feita por Whatsapp, através do número (69) 98423-4092. É importante que o morador envie o máximo de provas possíveis, como fotos, vídeos e localização correta para que a equipe chegue a tempo para o flagrante.

Em caso de incêndios, a população deve ligar para 193 (Corpo de Bombeiros).

*Com informações do g1 Rondônia