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Jogo educativo criado em MT desperta conscientização da preservação da Amazônia

Imagem: Reprodução/Amazônia Viva Game

O pesquisador Thiago Rodrigues Itacaramby desenvolveu o jogo eletrônico educativo ‘Amazônia Viva Game’ com objetivo de conscientizar sobre a importância da preservação da floresta amazônica. O jogo foi lançado nesta semana com apoio do Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat) em parceria com o Governo Federal.

O apoio financeiro faz parte da segunda fase do Programa Centelha II, uma iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), para investir em ideias de tecnologia. Em Mato Grosso, o projeto é executado pela Fapemat.

O Amazônia Viva Game surge como uma ferramenta educacional que combina entretenimento, informação científica e questões críticas para o meio ambiente da atualidade, como desmatamento, biodiversidade e sustentabilidade.

Para Thiago, o jogo busca inspirar pessoas, especialmente os jovens, a se tornarem defensores ativos da Amazônia e do meio ambiente

Imagem: Reprodução/Amazônia Viva Game

O jogo tem uma narrativa imersiva, onde os jogadores são transportados para o coração da Floresta Amazônica, assumindo o papel de personagens que vivem e exploram esse ecossistema. Durante a jornada, eles enfrentam desafios e dilemas relacionados à preservação da floresta, que refletem problemas reais enfrentados por esse bioma.

No Amazônia Viva Game, os jogadores também são desafiados a tomar decisões significativas, onde as escolhas que afetam não apenas o curso do jogo, mas também o destino virtual da Amazônia.

Para garantir a precisão e relevância das informações, a ficha técnica do jogo foi validada por uma equipe de ecologistas da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). O game também inclui um banco de dados acessível com informações detalhadas sobre a Amazônia para incentivar os jogadores a explorarem tópicos de seu interesse e aprofundarem seu conhecimento sobre o bioma.

Thiago apontou que o próximo passo do Amazônia Viva Game é captar novos recursos para lançar a versão mobile do jogo nas plataformas Android e iOS. Além disso, está em andamento a tradução do game para o inglês para expandir o alcance internacional e engajar novos públicos na conscientização ambiental.

*Com informações da FAPEMAT

Alunos amazonenses ganham destaque em congresso internacional de sustentabilidade

Foto: Divulgação

Uma pesquisa desenvolvida por alunos do ensino médio do Colégio IDAAM, em Manaus (AM), que endereçou um dos principais problemas urbanos da capital amazonense – a ocupação irregular e degradação ambiental da encosta dos igarapés -, ganhou destaque na 5ª edição do Congresso Internacional de Sustentabilidade (CONINTERS), evento de caráter técnico-científico promovido pelo Instituto Multiprofissional de Ensino (IME).

O congresso, realizado de forma virtual entre os dias 2 e 5 de setembro, reuniu acadêmicos e profissionais da área de sustentabilidade para debater soluções inovadoras e sustentáveis para os desafios ambientais globais. A pesquisa foi desenvolvida pelos estudantes Thaine Maia de Souza, Eduardo Cordeiro da Câmara e Erick de Melo Barbosa, sob orientação da professora Maria Lucimar da Silva.

O estudo investigou a utilização da juta como uma solução para minimizar os processos erosivos e de assoreamento que afetam os cursos d’água da cidade. Os estudantes exploraram a aplicação da juta no contexto dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), propondo alternativas para a recuperação socioambiental das áreas impactadas, com foco em garantir a sustentabilidade urbana e a proteção dos recursos naturais de Manaus. A área analisada foi o igarapé do Mindu, com recorte em seu baixo curso, no entorno da escola, na Avenida Djalma Batista.

O projeto foi desenvolvido em 2021 como parte da quarta fase da Olimpíada Brasileira de Geografia (OBG), ocasião em que foi classificado como o terceiro melhor do Brasil. A participação no CONINTERS representou a primeira vez que o IDAAM integrou um evento internacional voltado para o público acadêmico e profissionais de ensino superior.

A inscrição ao congresso foi realizada pela professora orientadora do estudo, Maria Lucimar da Silva.

Estudo realizado em Roraima visa proteção de belezas naturais da região

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Foto: Divulgação / Ascom/Secult

No vasto bioma amazônico, Roraima se destaca por suas belezas naturais singulares, que vão além das florestas densas, oferecendo uma rica diversidade de serras, rios, montanhas e cachoeiras. Esses elementos não apenas contribuem para a conservação ambiental, mas também se consolidam como importantes atrativos turísticos dentro da economia do Estado.

A Secretaria de Cultura e Turismo, por meio do Departamento de Turismo (Detur), lançou, no dia 5 de setembro, a ‘Pesquisa de Impacto Socioeconômico e Ambiental (PISA) – Recomendação Técnica Sobre Visitação Turística em Áreas Naturais de Roraima’, realizada nos principais atrativos naturais do Estado, sobretudo nas cachoeiras. A publicação pode ser acessada e baixada AQUI.

O estudo

A ação foi feita pelos técnicos do Detur e especialistas nas cachoeiras do Paiva e Barata, além da Pedra da Mão de Deus, na região do Tepequém, no município de Amajari, além da cachoeira Excalibur e a trilha da Serra Grande, no Cantá, e a Rota Apiaú nas cachoeiras do Davi e Evandro, em Mucajaí.

Esse estudo serviu para identificar os principais impactos ambientais sentidos por esses biomas identificando a capacidade de carga turística de cada um desses atrativos. Com isso, é possível determinar o número máximo de visitantes que podem fazer as trilhas ecológicas nesses recursos naturais.

Segundo o diretor do Detur, Bruno Muniz de Brito, isso garante a segurança e a restauração, além de reforçar a resiliência desses locais, com foco na sustentabilidade.

Práticas turísticas sustentáveis e sem prejuízos ao meio ambiente

A capacidade de carga de um destino turístico refere-se ao número máximo de visitantes que um destino pode receber ao mesmo tempo, sem que ocorram impactos negativos significativos ao ambiente, à comunidade local ou à qualidade da experiência turística. Este conceito é essencial no planejamento e na gestão sustentável do turismo, pois visa equilibrar a preservação dos recursos naturais e culturais com a demanda dos turistas.

Existem diferentes dimensões da capacidade de carga, que pode ser a física, que se refere ao espaço físico disponível em um destino, como a quantidade de pessoas que uma praia ou trilha pode acomodar sem superlotação, ou ainda à capacidade ecológica, que é o limite em que o ambiente natural pode absorver a presença e as atividades dos visitantes sem sofrer degradação irreversível, como erosão de solos, destruição de habitats ou poluição de recursos hídricos.

Para o pesquisador Marcos Pastana, que ajudou na elaboração da pesquisa, existem diversos motivos para dar importância a essas pesquisas de capacidade de carga turística, principalmente em ambientes naturais, sendo uma delas a necessidade de preservação desses ecossistemas, que são bem frágeis. 

Com o uso excessivo destes atrativos, esses ambientes podem começar a degradar, a paisagem muda, animais se afastam, a flora é abalada e o próprio pisoteio do solo pode fazer com que ele seja compactado, alterando a naturalidade do lugar.

*Com informações do Governo de Roraima

Trabalho premiado analisa psicologia comunitária em projeto realizado no Pará

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A Rede Latino-Americana de Formação em Psicologia Comunitária anunciou que Nathan Almeida da Silva é o vencedor da edição 2024 do Prêmio ‘Esther Wiesenfeld’. Este prêmio reconhece a trajetória da Dra. Esther Wiesenfeld e destaca contribuições significativas para o campo da Psicologia Comunitária.

O trabalho intitulado ‘Psicologia Comunitária e implicação sociopolítica: inovações metodológicas, conflitos socioambientais e comunidades tradicionais’, conquistou o primeiro lugar na categoria de trabalhos de pós-graduação. O estudo foi reconhecido por sua pertinência e relevância sociopolítica, abordando problemas nos contextos latino-americanos e trazendo inovações metodológicas e conceituais.

As pesquisas com foco na região do Projeto de Assentamento Agroextrativista Lago Grande Curuai (PAE Lago Grande), no estado do Pará, são realizadas em parceria com a Sociedade para a Pesquisa e Proteção do Meio Ambiente (Sapopema), a Universidade de Brasília (UnB) e organizações locais de base e de pesca. Seu trabalho na Amazônia reflete um compromisso com as comunidades tradicionais e os conflitos socioambientais da região.

Foto: Divulgação / Sapopema

Nathan Almeida da Silva é psicólogo formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e atualmente é pesquisador de mestrado no programa Psicossociologia de Comunidades e Ecologia Social (EICOS/IP/UFRJ). Sob a orientação do Prof. Dr. Gustavo Mendes de Melo e coorientação da Dra. Marie-Paule Bonnet, Nathan tem se destacado por sua abordagem crítica e inovadora.

O pesquisador é assistente de pesquisa no Institut de Recherche pour le Développement (IRD) e participa de projetos de extensão universitária voltados para a sustentabilidade socioambiental, como o PSIOP e o Projeto Saberes, financiado pela fundação BNP Paribas.

O Prêmio ‘Esther Wiesenfeld’ 2024 reafirma o compromisso da Rede Latino-Americana de Formação em Psicologia Comunitária em promover e reconhecer trabalhos que têm um impacto significativo nas comunidades e na sociedade como um todo.

*Com informações do Projeto Sapopema

Entenda como funciona a dragagem, técnica utilizada para garantir navegabilidade em rios

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Foto: Divulgação/DNIT

O rio Madeira segue alcançando níveis mínimos nunca vistos. O acúmulo de sedimentos no fundo do rio, atrelado ao baixo nível das águas, afeta a circulação de embarcações que transportam insumos essenciais para Rondônia. Para impedir o isolamento hidroviário, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) adota um método que limpa a rota de circulação: a dragagem.

O Rio Madeira é um dos maiores do mundo e passa por três países: Brasil, Bolívia e Peru. Ele possui quase 1,5 mil quilômetros de extensão em água doce e é o mais longo e importante afluente do rio Amazonas.

A técnica de dragagem é utilizada para desobstruir, remover ou escavar os sedimentos presentes no fundo dos rios e garantir a navegabilidade das embarcações quando os níveis estão muito baixos. Como consequência da seca, a navegação noturna está proibida desde julho no Rio Madeira.

Atualmente, o transporte de combustível entre Rondônia e Amazonas é realizado de forma fluvial: a saída acontece das cidades de Itacoatiara ou Manaus (AM) para Porto Velho (RO). O trajeto, que dura, em média, de 7 a 8 dia, passa a ser de 18 a 20 dias devido á proibição de navegação noturna.

Na quarta-feira (11), o Rio Madeira bateu recordes de mínimas históricas pelo quarto dia consecutivo: chegou a 58 centímetros, o menor nível já registrado desde que o nível do rio começou a ser monitorado, em 1967.

A imensidão de água do Madeira foi substituída por bancos de areias e montanhas de pedras que prejudicam a navegabilidade de ribeirinhos e de embarcações comerciais.

De acordo com (DNIT), responsável pelo serviço de dragagem na região, a técnica tem contribuído para que o Madeira continue sendo uma rota estratégica para transporte de produtos. A equipe trabalha no trecho entre Porto Velho e Manicoré, no Amazonas.

Como funciona?

A técnica de dragagem utilizada no Rio Madeira é a de sucção. A draga é equipada com um bocal de aspiração e tubos de jatos que jogam água nos sedimentos para desprendê-los do fundo do rio, depois o material é aspirado pelo tubo de sucção.

No processo, todos os tipos de solo, desde areia, cascalho até materiais compactos ou solos de materiais duros, como argila, rocha, entre outros, são retirados e depositados em barrancos em até 1 km de distância.

Todo o processo é acompanhado pelo DNIT e pela Marinha do Brasil, além de uma equipe técnica composta por cinco biólogos e especialistas em batimetria, que realizam a medição da profundidade do rio.

Foto: Divulgação/DNIT

Entenda o cenário

Historicamente, outubro e novembro são os meses em que o rio fica mais seco. No entanto, o nível do rio Madeira começou a bater mínimas históricas já no mês de julho; depois disso, o cenário foi se tornando ainda mais crítico. No Dia da Amazônia, dia 5 de setembro, o Madeira ficou abaixo de 1 metro pela 1ª vez na história.

A escassez das águas, segundo o engenheiro hidrólogo e pesquisador em geociências pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), Marcus Suassuna, são causados por dois fatores:

A seca antecipada do rio Madeira, além de colocar Porto Velho em emergência, tem dificultado a navegação e, consequentemente, o escoamento de produtos: o que pode aumentar o preço do combustível no estado, segundo informações do Sindicato dos Petroleiros de Rondônia (Sindipetro).

Mais de 50 comunidades vivem às margens do Rio Madeira, em Porto Velho. A pescadora Raimunda Brasil mora na comunidade Bom Será há 15 anos e tem a pesca como principal fonte de renda. Com a seca extrema, a margem do rio “desapareceu”, assim como o sustento da ribeirinha.

“Não tem peixe, não consigo pescar. Minha principal fonte de renda é o rio, sem ele estamos nos virando para sobreviver”, relata.

*Por Marcos Miranda, da Rede Amazônica RO

Seis novas afrotecas são criadas para fortalecer educação antirracista no Pará

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Foto: Reprodução/Prefeitura de Santarém

Secretários municipais de educação e gestores de escolas públicas de Santarém, Belterra, Monte Alegre, Alenquer e Oriximiná participaram na quarta-feira, 11 de setembro, na Afroteca Willivane Melo, em Santarém (PA), de uma reunião com o coordenador do projeto ‘Kiruku: educação para relações raciais e literatura infantil antirracista nos CEMEIs do município de Santarém (A)’, Luiz Fernando França, na qual foram debatidos os detalhes para a implantação de seis novas afrotecas nas cidades mencionadas.

Saiba mais: Afroteca: iniciativa pioneira incentiva educação antirracista no Pará

Representantes do Ministério Público Federal (MPF) e do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) também estiverem presentes na reunião. Promovida pela equipe do projeto Kiriku (Ufopa/Iced), que coordena todo o processo de implantação das novas unidades, o objetivo foi apresentar o conceito e o método de implementação das afrotecas aos representantes das secretarias de Educação, além de alinhar os procedimentos necessários para o início dos trabalhos de implantação.

Para sediar as novas afrotecas foram contempladas as seguintes escolas da região:

  • Escola Municipal Nossa Senhora do Livramento (Santarém),
  • Escola Municipal Vitalina Mota (Belterra),
  • Escola Municipal Peafu (Monte Alegre),
  • Escola Municipal Martinho Nunes (Alenquer),
  • Escola Municipal de Educação Infantil Criança Esperança (Oriximiná).

Além das seis novas afrotecas, o projeto prevê também a implementação de uma nova afroteca na unidade Tapajós da Ufopa, em Santarém.

Foto: Acervo do projeto

Implantação

O projeto de criação de novas unidades de afrotecas é financiado pelo Ministério da Igualdade Racial (MIR) por meio de parceria com a Ufopa. “Composta por livros, jogos, brinquedos e instrumentos musicais, a afroteca é uma tecnologia educacional antirracista construída para acolher crianças, cuidar, educar e ler em perspectiva afrocentrada”, explicou o coordenador do projeto.

As afrotecas foram desenvolvidas, em 2022 pelo Grupo de Pesquisa em Literatura, História e Cultura Africana, Afro-brasileira, Afro-Amazônica e Quilombola (Afroliq) da Ufopa/Iced, no âmbito do projeto “Kiriku: educação para relações raciais e literatura infantil antirracista nos CEMEIs do município de Santarém (PA)”.

Em Santarém já existem quatro unidades: a Afroteca Willivane Melo, localizada no prédio do Ministério Público do Pará (MPPA); a unidade Amoras, do CEMEI Paulo Freire; a Sankofa, do CEMEI Antônia Correa e Sousa; e a Lelê, do CEMEI Maria Raimunda Pereira de Sousa.

*Com informações da Ufopa

Porto Velho foi o município rondoniense com maior produção de soja em 2023

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Foto: Wesley Pontes

A Pesquisa Agrícola Municipal (PAM), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), demonstra que, em 2023, Porto Velho liderou a produção de soja em Rondônia, ultrapassando os municípios do sul do Estado, tradicionalmente os maiores produtores estaduais. Em 2023, foram produzidas 181 mil toneladas do grão na capital rondoniense, representando um aumento de 62,3% em relação à produção em 2022 (112 mil toneladas). Em todo o Estado, foram produzidas dois milhões de toneladas do produto no ano de 2023.

O chefe da Seção de Pesquisas Agropecuárias em Rondônia, Airton Dalpias, explica que o resultado é soma das duas safras de soja durante o ano de 2023 e que os produtores dos municípios do sul do Estado, em sua maioria, optaram por plantar milho na área que seria destinada à segunda safra de soja. “Estamos observando dados que indicam que não haverá segunda safra de soja em 2024 em nenhum município rondoniense e, assim, o Cone Sul tende a voltar a ser líder em produção do grão”.

No ranking estadual de produção de soja em 2023, após Porto Velho, estão Pimenteiras do Oeste (180 mil toneladas), Vilhena (164 mil toneladas), Corumbiara (160 mil toneladas) e Candeias do Jamari (157 mil toneladas). Juntos, os cinco maiores produtores foram responsáveis por 39,6% da produção estadual.

Também foi mostrado pela Pesquisa que Guajará-Mirim teve produção de soja pela primeira vez em 2023. No município, foram produzidas 15 mil toneladas do produto. Apesar da expansão da soja em Rondônia ano a ano, os municípios de Cacaulândia, Governador Jorge Teixeira, Ministro Andreazza, Monte Negro, Presidente Médici, Teixeirópolis, Urupá e Vale do Paraíso não registraram produção de soja em 2023.

A PAM também demonstrou que Rondônia tem produtividade de soja maior que a média brasileira. Enquanto em todo o Brasil a média foi de 3,4 mil quilogramas por hectare, no estado, foram produzidas, em média, 3,6 mil quilogramas por hectare.

Em relação à área plantada em Rondônia, a PAM aponta que, entre 2022 e 2023, houve um aumento de 20,5%, passando de 489 mil hectares para 589 mil hectares. Em Porto Velho, o aumento de área destinada à soja foi de 68,3%, indo de 31 mil hectares para 52 mil hectares. Chama a atenção, ainda, que Candeias do Jamari quase dobrou o tamanho de área plantada em um ano: 23 mil hectares em 2022 e 45 mil hectares em 2023.

Outras lavouras

A PAM também traz informações sobre produção de arroz. Nos dados da Pesquisa, observa-se uma redução na área plantada no Estado em 10,6% entre 2022 e 2023, passando de 40 mil hectares para quase 36 mil hectares. A produção de arroz diminuiu 6,7%, tendo sido 121 mil toneladas em 2022 e 113 mil em 2023.

Sobre o plantio de mandioca, nota-se uma redução ano a ano. Entre 2018 e 2023, a área plantada em Rondônia diminuiu 27,6% (passando de 24 mil hectares para 17 mil) e a produção em 35,8%, diminuindo de 583 mil toneladas para 374 mil.

Acerca da produção de café, destaque na agricultura rondoniense, Airton Dalpias informa que “os dados estão sendo reavaliados para os anos de 2023 e 2024 pela mudança de tecnologia de captura de informações, que conta com a contribuição de órgãos parceiros para uma correta interpretação da evolução produtiva da lavoura cafeeira em Rondônia”.

Ele completa dizendo que o advento do café clonal é um desafio para o levantamento estatístico devido à dinâmica de crescimento e grandes variações de produtividade, dado aos diferentes tratos culturais implantados pelos produtores.

Antropólogo da etnia Wauja, em MT, rastreia em museus cerâmica produzida por seu povo

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Autaki com panelas de cerâmica wauja, no museu du quai Branly, em Paris. Foto: Leandro Varison

No lugar de onde eu venho, a aldeia Ulupuwene, na Terra Indígena do Xingu [MT], o alimento, os remédios e boa parte dos recursos estão na natureza. A base da nossa alimentação é peixe com beiju, feito com polvilho de mandioca. Por isso, na minha rotina diária na aldeia, eu acordo muito cedo, ora para pescar no rio Batovi, ora para colher mandioca na roça ou para coletar frutas e lenha.

Outra atividade que tem ocupado parte do meu dia, além dos estudos, é a coleta de sapê, que usamos para cobrir a casa que estamos construindo para minha família aqui. Em dezembro do ano passado, um incêndio provocado por um raio destruiu seis casas, incluindo a nossa. Além de itens como rede de dormir, perdi todo o material da minha pesquisa de doutorado.

Minha trajetória de pesquisador é recente. Sou professor de crianças e jovens Wauja desde 2006. Naquele ano, após ter concluído o curso de magistério intercultural da Secretaria de Educação do Estado de Mato Grosso, consegui uma vaga de docente na Escola Estadual Indígena de Educação Básica Piyulaga, também no Xingu e perto de onde eu morava na ocasião. Foi essa experiência que me motivou a tentar ingressar na universidade para aperfeiçoar meu trabalho em sala de aula.

Em 2018 me graduei em ciências da linguagem pela Universidade Federal de Goiás [UFG]. A opção por estudar linguagem tem a ver com a minha história de vida. Eu me alfabetizei tarde, aos 16 anos. Escrever em português, especialmente no formato acadêmico, ainda é um desafio para mim.

Na sequência, fiz mestrado no Programa de Pós-graduação em Antropologia Social da mesma instituição. Em minha pesquisa, que concluí em 2021, analisei o rito de reclusão pubertária, uma tradição dos Wauja e de alguns povos do Alto Xingu. Nessa fase, que pode durar de um a dois anos, os adolescentes são preparados para a vida adulta por meio da educação corporal, além de ensinamentos sobre a cultura do seu povo. No caso das meninas Wauja, que ficam reclusas a partir da primeira menstruação, é nesse momento que elas começam a aprender a arte da cerâmica.

Essa cerâmica inspirou minha pesquisa de doutorado, que realizo desde 2022 no Programa de Pós-graduação em Antropologia Social da Universidade Estadual de Campinas [PPGAS-Unicamp] com bolsa da Capes [Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior]. Meu ingresso se deu por meio de um edital específico para candidatos indígenas que o programa oferece desde 2015. As etapas para entrar na pós-graduação são as mesmas do processo convencional. A diferença é que os candidatos indígenas competem apenas entre si pelas duas vagas disponíveis.

Atualmente, me divido entre a aldeia Ulupuwene e Campinas, onde moro sozinho em um pequeno apartamento perto da Unicamp. Eu gosto das aulas, das trocas com os professores e colegas, mas não me sinto confortável na cidade. Além disso, tenho saudade da minha família, do modo de vida na aldeia e da comida.

Autaki na aldeia Ulupuwene (MT). Foto: Kuwé Karmi Waurá

A produção de formas tradicionais de cerâmica é um saber ancestral dos Wauja. Todos da comunidade participam de sua feitura, primeiramente na coleta do barro e do cauxi, um tipo de esponja de água doce que é misturada ao barro para conferir resistência e facilitar a modelagem das peças. As mulheres modelam e pintam as panelas desde a adolescência, mas os homens só participam desse processo mais velhos, a partir dos 30 anos. A cerâmica é parte da nossa identidade e o conhecimento sobre sua produção tem sido repassado dos anciões para os mais jovens ao longo do tempo.

No entanto, sobretudo a partir dos anos 2000, quando se intensificaram os contatos com os não indígenas, a produção das peças e seu uso cotidiano vêm se alterando. Muitas famílias Wauja passaram, por exemplo, a adotar utensílios de plástico e de alumínio. Percebo também que alguns formatos tradicionais de panelas têm sido modificados para atender às exigências do mercado de artesanato. Meu desafio no doutorado é tentar compreender pelo viés da cerâmica as transformações culturais dos Wauja.

Além da pesquisa de campo nas aldeias waujas no Alto Xingu, tenho visitado museus que abrigam coleções das cerâmicas do meu povo. Especialmente a partir de meados do século XX, por meio de estudos de antropólogos e arqueólogos, bem como de não indígenas interessados em conhecer e colecionar a arte indígena, as cerâmicas waujas se espalharam por museus do Brasil e do exterior.

Um exemplo é o museu du quai Branly, em Paris, especializado em coleções de arte de povos da Ásia, África, Oceania e América. Esse espaço conta com cerca de 175 peças waujas oriundas de duas coletas. Uma do final dos anos 1960 e início dos anos 1970, feita pela antropóloga Vilma Chiara [1927-2020] e pela arqueóloga Niède Guidon. E outra de 2005, realizada pelo museólogo e antropólogo brasileiro Aristóteles Barcelos, professor na University of East Anglia [Reino Unido].

A minha ida e permanência na França entre 2023 e 2024 foi possível devido à Bolsa Guatá, uma iniciativa da embaixada francesa no Brasil que viabiliza viagens internacionais para doutorandos indígenas. Em minha primeira experiência internacional, participei de uma série de conferências e outras atividades, sob a supervisão do antropólogo Emmanuel Mathieu de Vienne, da Universidade Paris Nanterre. Nelas, pude falar sobre a minha pesquisa e sobre a cultura do meu povo em um país com uma tradição acadêmica que influenciou fortemente a antropologia brasileira.

Entre setembro de 2023 e fevereiro deste ano, realizei um levantamento detalhado das peças de cerâmica wauja do acervo do quai Branly. Em parceria com o antropólogo brasileiro e pesquisador científico daquela instituição Leandro Varison, iniciei um projeto de museografia colaborativa com o objetivo de atualizar e, em muitos casos, corrigir os nomes e as descrições desses itens. Trata-se de um trabalho que articula saberes tradicionais e acadêmicos no campo da antropologia. E é algo que espero continuar depois que terminar o doutorado.

Atualmente, sou vinculado à Escola Indígena Municipal Ulupuwene, no Xingu. Porém desde 2022 estou licenciado da sala de aula para me dedicar ao doutorado, que devo terminar em dois anos. Quando me perguntam o que vou fazer após a conclusão da pesquisa, respondo que quero voltar para minha aldeia e mostrar às crianças e adolescentes a importância de preservar nossas histórias e costumes, como é o caso da produção e utilização cotidiana das panelas de cerâmica.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Revista Pesquisa Fapesp. O depoimento de Autaki Waurá foi concedido a Patricia Mariuzzo.

Foz do Amazonas enfrenta ameaças semelhantes ao derramamento de óleo no Nordeste

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O veleiro Witness, do Greenpeace, fez parte da Expedição Costa Amazônica Viva, em março deste ano. Foto: Enrico Marone/Greenpeace

Em agosto de 2019, o litoral do Nordeste brasileiro foi palco de um dos maiores desastres ambientais já registrados na costa do país. Um derramamento de petróleo que, além de destruir ecossistemas e impactar a vida de milhares de pessoas, demonstrou o despreparo e a inação das autoridades diante de uma crise ambiental de tamanha magnitude.

Cinco anos depois, o impacto desse crime ambiental ainda é sentido nas praias, nos recifes de corais, nos manguezais e, sobretudo, nas comunidades que dependem desses ambientes para sobreviver.

Uma Linha do Tempo de descaso

2019

  • Agosto: As primeiras manchas de óleo aparecem nas praias do Nordeste. Comunidades locais e turistas são surpreendidos pela ausência de respostas efetivas por parte do governo local e federal.
  • Setembro a Outubro: O óleo atinge diversos ecossistemas marinhos, como manguezais e recifes de corais. As ações de limpeza e contenção são lideradas por pescadores, voluntários, ONGs e outras iniciativas populares.
  • Novembro: Relatórios revelam a extensão do desastre e a falta de ação coordenada do governo brasileiro.

2020 e além

  • As consequências do derramamento de óleo continuam a afetar o meio ambiente e a saúde pública. As comunidades atingidas enfrentam desafios econômicos e sociais significativos.
  • Vila de pescadores artesanais e de frutos do mar em Barra de Serinhaém, no sul da Bahia, sente os efeitos da queda na venda de pescados, após o vazamento de óleo cru que atingiu o local no segundo semestre de 2019.

Voluntários em ação

A operação de limpeza e contenção do óleo contou com a participação ativa de voluntários que enfrentaram inúmeras dificuldades para minimizar os danos. Entre eles, Rodolfo Rodrigo, voluntário do Greenpeace Brasil, que compartilhou alguns dos desafios vividos durante as operações em Fortaleza:

“Nós observamos três principais dificuldades: a falta de informações por parte do governo, que inclusive chegou a acusar ONGs pelo derramamento de óleo, promovendo desinformação; a ausência de assistência especializada; e a dificuldade de acesso aos inúmeros locais atingidos”, relata Rodolfo. “Muitas das ações que minimizaram os impactos partiram de empresas, ONGs, brigadistas florestais e da própria população, como os pescadores”.

Rodolfo também descreveu momentos emocionantes, como o resgate de animais marinhos afetados pelo óleo. Em um deles, a equipe foi chamada para tentar salvar uma tartaruga coberta com óleo na comunidade do Serviluz, no Ceará. No entanto, devido à falta de assistência especializada, o animal não resistiu.

“Foi um dos momentos mais difíceis para nossa equipe”, lembra Rodolfo. “Ver a vida marinha tão gravemente afetada, com tartarugas cobertas por uma substância que parecia piche ou óleo industrial, foi desolador”.

Agora, uma nova ameaça de crime ambiental surge na Foz do Amazonas, onde projetos de exploração de petróleo colocam em risco centenas de quilômetros de manguezais, regiões costeiras e a vida marinha.

“O desastre no Nordeste deixa claro a necessidade de políticas públicas mais robustas e eficientes para a proteção das zonas costeiras e das questões socioambientais de modo geral. Para que não tenhamos mais cenários apocalípticos como esse do Nordeste oriundo do óleo, vamos continuar defendendo que o desenvolvimento do Brasil deva estar baseado numa matriz energética renovável, na economia circular, no melhor aproveitamento dos recursos naturais e na potencialização das economias e atividades sustentáveis que já existem nos territórios”.

Uma expedição recente conduzida pelo Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (IEPA) analisou a hidrodinâmica da Bacia da Foz do Amazonas. A pesquisa demonstrou que qualquer vazamento de óleo na região pode se espalhar rapidamente por Guiana Francesa, Suriname, Guiana e até águas caribenhas, com impactos irreversíveis às comunidades costeiras e à biodiversidade marinha.

Enquanto isso, comunidades da Guiana Francesa já manifestaram preocupação sobre os impactos potenciais de um derramamento na costa amazônica, destacando a importância da biodiversidade marinha para sua subsistência e renda.

*Com informações do Greenpeace Brasil

Volume de água nas cachoeiras de Presidente Figueiredo é afetado pela seca no Amazonas

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Cachoeira de Iracema na seca em 2024. Foto: Francisco Carioca/Rede Amazônica AM

A forte estiagem que atinge o estado do Amazonas já afeta as cachoeiras de Presidente Figueiredo, conhecidas por seu volume abundante de água. A diminuição do fluxo hídrico preocupa comunidades locais e o setor agrícola, que já enfrenta dificuldades com a falta de água para irrigação. Devido à seca e baixa no nível de água, a Prefeitura de Figueiredo decretou situação de emergência por 120 dias.

O volume de água normal na cachoeira de Iracema, uma das mais atrativas da cidade, costuma ser grande. Quando chove, os pedrais até desaparecem devido ao forte fluxo. Agora, o cenário da cachoeira mudou: o volume de água está menor e mais pedras estão expostas. Até quem não conhece o local percebe a diferença.

O volume de água na corredeira do Urubuí também já está menor, consequência da estiagem que atinge o estado.

Cerca de 4 mil pessoas visitam Presidente Figueiredo todos os fins de semana durante o verão. A redução no volume de água das cachoeiras não afeta o turismo, mas causa prejuízo às comunidades e ao setor agrícola, que fica sem água para irrigação.

Seca no Amazonas

No último dia 28, o governo do Estado declarou situação de emergência ambiental e de saúde pública em todas as 62 cidades do Amazonas devido à seca e queimadas na região. Conforme boletim divulgado pela Defesa Civil do Amazonas nesta quinta-feira, já são mais de 364 mil pessoas afetadas pela estiagem em todo o estado.

O decreto na capital amazonense foi assinado um dia após o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, visitar o Amazonas ao lado de ministros para avaliar a situação da seca no estado. Durante a agenda, Lula anunciou quatro projetos de dragagem nos rios Amazonas e Solimões, e outras medidas para amenizar os impactos da estiagem.

Na capital Manaus, o nível do Rio Negro, em Manaus, atingiu a cota de 16,97 metros de acordo com a medição feita pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), nesta quinta-feira (12). A marca está próxima do limite mínimo considerado seguro à banhistas pelas autoridades, estipulado em 16 metros.

Segundo os dados do SGB, nas últimas 24 horas o Rio Negro baixou 24 centímetros na capital amazonense. Desde o dia 1º de setembro, o nível do rio em Manaus reduziu 2,81 metros, uma média de 25,54 centímetros por dia.

Na mesma data, em 2023, ano da maior seca já enfrentada na história do estado, o Rio Negro marcava 21,19 metros. Nos primeiros doze dias de setembro daquele ano, houve uma redução de 2,41 metros, o equivalente a 21,90 centímetros diariamente.

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*Por Francisco Carioca, da Rede Amazônica AM