Judite Huni Kui – Mestra tradicional e presidenta da associação das produtoras artesãs Kaxinawa de Tarauaca e Jordão e Cacique Ninawa Huni kui – Presidente na Federação do povo Huni kui do Acre – FEPHAC. Foto: Mariana Alves/Iphan
No ano em que a Política de Salvaguarda do Patrimônio Imaterial completa 25 anos, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu o Kene Kuĩ – conjunto de saberes e técnicas envolvidos na produção dos grafismos do povo Huni Kuĩ, originário da Amazônia Ocidental – como patrimônio cultural do Brasil.
O pedido de registro do novo patrimônio foi votado e aprovado por unanimidade, nesta terça-feira (25/03), durante a 107ª Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, órgão colegiado de decisão máxima do Iphan para decisões sobre registros e tombamentos de bens culturais, no auditório do Iphan Sede, em Brasília (DF).
O pedido de registro do Kene Kuĩ no Livro dos Saberes foi feito ao Iphan no ano de 2006, por meio do documento assinado por 127 representantes de comunidades e organizações indígenas do povo Huni Kuĩ (Kaxinawá), como a Associação dos Produtores Kaxinawá da Aldeia Paroá (APROKAP), a Organização dos Povos Indígenas do Rio Envira (OPIRE); a Associação dos Seringueiros, Agricultores e Artesãos Kaxinawá de Nova Olinda (ASPAKNO); a Organização do Povo Huni Kuĩ do Alto Purus (OPIHARP) e a Federação do Povo Huni Kuĩ do Acre (FEPHAC).
“É uma luta de muitos anos e um sonho coletivo realizado. Hoje o Iphan entregou o produto final que é o reconhecimento pelo estado brasileiro da nossa manifestação cultural”, disse o presidente da FEPHAC, Cacique Ninawa Huni Kuĩ.
A indígena, conselheira do conselho consultivo e relatora do processo de registro, Naine Terena de Jesus, destacou que “o contato do povo Huni Kuĩ com os não indígenas, entre os séculos XIX e XX, foi de extrema violência, num processo de tentativa de extermínio físico e cultural, e que o registro de suas práticas e saberes como patrimônio cultural do Brasil nos permite pensar criticamente no processo histórico e sócio-cultural sofrido por eles”.
A relatora disse, ainda, que a busca e escuta ativa do Iphan foi primordial para o sucesso do registro do Kene Kuĩ. “Dar voz não é o fator essencial para a equidade. O fator essencial é a escuta honesta, pois a voz sempre existiu, porém nem sempre foi ouvida, gerando processos de apagamento, muitas vezes proposital”, disse Naine Terena em seu parecer técnico.
Para o superintendente do Iphan no Acre, Stênio Melo, o reconhecimento dos grafismos do povo Huni Kuĩ resgata uma cultura milenar indígena.
“É o primeiro patrimônio imaterial genuinamente acreano. É representado através da tecelagem, da pintura corporal e faz parte da subsistência do povo Huni Kuĩ. É o Iphan dando vida a quem merece ter vida”, disse.
Foto: Reprodução/Acervo Iphan
Antes mesmo do pedido de registro junto ao Iphan, os Huni Kuĩ já haviam realizado pesquisas sobre o Kene Kuĩ com o apoio de organizações indigenistas, produzindo uma vasta documentação financiada por meio de editais de fomento à cultura ao longo dos anos. Ainda assim, havia a demanda pelo reconhecimento e salvaguarda deste patrimônio, que se encontrava em desuso entre os jovens indígenas de algumas aldeias, ao mesmo tempo em que os usos considerados indevidos se expandiram.
Virou patrimônio cultural. E agora?
A partir de agora, o corpo técnico do Iphan e os detentores do bem cultural, juntos, vão desenvolver políticas públicas para a proteção do Kene Kuĩ, como oficinas de salvaguarda, pesquisas de campo e consultas públicas, fortalecendo o desenvolvimento de formas de transmissão.
Kene Kuĩ, grafismos do povo Huni Kuĩ
O povo Huni Kuĩ é originário da Amazônia Ocidental, na fronteira entre o Brasil e o Peru. Atualmente, habitam o estado do Acre e sul do Amazonas. O Kene Kuĩ é um conjunto de conhecimentos técnicos e rituais, materiais e imateriais, que envolvem a produção de padrões gráficos realizados pelo povo Huni Kuĩ. Suas produções envolvem tecelagem, cestaria, pintura corporal, cerâmica, produção de redes e miçangas, entre outros objetos. Mais do que uma manifestação artística, o Kene Kuĩ é considerado uma linguagem visual que incorpora saberes sobre o universo cosmológico, as relações sociais, as práticas rituais e os modos de vida do povo Huni Kuï.
Os grafismos dos Kene possuem uma estética que equilibra simetria e assimetria, figura e fundo, e utiliza padrões geométricos elaborados que narram histórias e refletem uma cosmologia rica e complexa. Tradicionalmente, a produção do Kene é realizada majoritariamente por mulheres, que desempenham o papel de “aïbu keneya” (mestras do desenho), transmitindo os saberes por meio de práticas orais, cânticos e rituais. O aprendizado dos Kene inclui também a observação e a relação com os “yuxibu” (seres da floresta), que inspiram e guiam a criação gráfica.
Foi nesse contexto que o pedido de registro do Kene como patrimônio cultural do Brasil foi discutido e solicitado pelo povo Huni Kuĩ. Foi destacado, no pedido de registro, que o Kene Kuĩ é uma das principais referências identitárias para o povo Huni Kuĩ, havendo a necessidade de se garantir o reconhecimento deste bem cultural enquanto conhecimento tradicional.
Um vídeo publicado nas redes sociais repercutiu em Porto Velho (RO) na segunda-feira (24). As imagens mostram um jacaré-açu caminhando próximo de casas no bairro Panair, em Porto Velho.
Segundo moradores, o animal frequenta a área há pelo menos 7 anos e já recebeu até um nome carinhoso. Dony, como é conhecido, vive em um lago próximo de um restaurante e, curiosamente, atende pelo nome quando é chamado.
Ao Grupo Rede Amazônica, o biólogo Flávio Terassini afirma que trata-se animal adulto. A espécie é considerada “pré-histórica” e está entre os maiores crocodilianos do mundo, perdendo apenas para o crocodilo de água salgada e o do Nilo.
“Esse que apareceu no Madeira é muito comum muito abundante aqui na Amazônia, principalmente ali no lago do Cuniã. Pode chegar facilmente a oitenta anos de vida”, explica.
Mesmo de aparência tranquila e do status de “morador antigo”, é bom lembrar que um jacaré desse porte pode causar perigo. O especialista alerta que, quando estressados e ameaçados, eles podem reagir de forma agressiva.
“Ele pode, sim, atacar seres humanos, principalmente se ele se sentir ameaçado. Eles são rápidos e ágeis principalmente na água”, alerta.
De acordo com o especialista, na natureza, o jacaré-açú está no topo da cadeia alimentar, ou seja, quase nada pode predá-lo. Ele se alimenta principalmente de peixes e pequenos mamíferos, ajudando a manter o equilíbrio dos ecossistemas aquáticos da Amazônia.
Por isso, ao dar de cara com um animal grande como o Dony, é importante seguir a regra de ouro: admirar à distância e deixar que ele siga seu caminho.
Edital busca equipe multiprofissional para compor acervo histórico do monumento. Foto: Reprodução/Secom GEA
Uma Chamada Pública está aberta para quem deseja desenvolver o projeto de preservação da Fortaleza de São José de Macapá, monumento histórico. O objetivo é estimular as pesquisas acadêmicas e científicas na capital e ao mesmo tempo reunir e preservar a história do patrimônio. Veja o edital AQUI.
As submissões podem ser feitas pelos estudantes até o dia 28 de abril, exclusivamente via Sistema de Informação e Gestão de Projetos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Amapá (Fapeap). O valor de R$ 478,4 mil é destinado aos pesquisadores estudantes, além de viagens e outros custos do projeto.
O chamamento busca uma equipe multidisciplinar, que será selecionada para o desenvolvimento do “Projeto de preservação dos bens culturais e gestão do Museu Fortaleza de São José de Macapá”.
O edital contemplará áreas que incluem as áreas de: história, arqueologia, arquitetura, museologia, ciências ambientais e tecnologia da informação para o levantamento de acervos históricos arqueológicos e documentais, digitalização de documentos e artefatos históricos, e popularização do conhecimento gerado.
Esta é uma fase do processo de restauração da Fortaleza e faz parte do plano de ação, contribuindo ainda mais para riqueza do patrimônio.
A aplicação é coordenada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Amapá (Fapeap) e Secretaria de Cultura do Estado (Secult), é destinado a pesquisadores e estudantes vinculados a Instituições de Ensino Superior (IES) ou Instituições de Ciência e Tecnologia (ICT).
“O edital possui o objetivo de juntar uma documentação histórica relacionada à Fortaleza de São José de Macapá para entender o processo histórico pelo qual o Amapá passou, além de qual o papel do monumento no período colonial e durante esses 243 anos […] para que o público tenha acesso a esses documentos de forma sistematizada”, disse o diretor-presidente da Fapeap, Gutemberg Silva.
O historiador Mário Ypriranga Monteiro enriqueceu a época com o lançamento a Historiografia do Amazonas com a obra Roteiro Histórico de Manaus, em dois volumes. Desde o ano de 1932, o pesquisador vinha dedicando-se ao tema. Foi a leitura do livro Ruas de Lisboa, comprada em umas de suas viagens à Europa, que motivou o escritor a debruçar-se ao ofício de investigar a história das ruas, praças e monumentos da nossa cidade.
Já naquela ocasião, residindo à rua Quintino Bocaiúva, entre Dr. Almino e Joaquim Nabuco, deu início ao trabalho somente interrompido quando foi nomeado professor primário em Santo Antônio de Borba. Retornando deu início as suas pesquisas de campo e gabinete.
Em 1945, publicou em fascículos o início do trabalho, com o título História das Ruas de Manaus. Com o lançamento da presente obra à época em dois volumes o autor consolidou seu intenso trabalho de pesquisa e ofereceu a sua cidade uma fonte inesgotável de informações de alamedas, logradouros, avenidas, bairros, becos, bicas, colônias, distritos, esquinas, igarapés, jardins, lagos, monumentos, praças, prédios, rampas, ruas, travessas e vielas. O autor, além de preciosas informações, deixou embalar o seu lado romântico e poético, destacando cada momento, belas poesias, provando desta forma seu eterno amor por Manaus.
A obra fez-se acompanhar de fotos das nomenclaturas e ricas biografias dos referidos patronos, a partir de sua origem até os dias atuais, transformando pequenos arabescos em grandes carpintarias literárias, ao exemplo deste poema:
“[ ] … Chamou-se em vida Eduardo Ribeiro. Mas foi um rio de harto cuadal: palácios, ruas, praças, roteiro. Do pensador que ele foi. Requeiro seu monumento na capital.”
Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal
O escritor Mário Ypiranga Monteiro nasceu em Manaus no dia 23 de janeiro de 1909. Membro titular e ex-presidente da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Histórico Geográfico do Amazonas e que também foi presidente. Começou a escrever ainda aluno do então, Ginásio Amazonense Pedro II, hoje Colégio Estadual, em 1927. Escreveu e criou o Jornal O Estudante o qual dirigiu e mais tarde o 12 de Agosto.
Publicou diversos pontos amazônicos e também poesias, na revista O Malho e Fom-fom do Rio de Janeiro. Daí em diante, não mais parou de produzir, em constante colaboração aos jornais de Manaus. Dedicou-se durante toda sua vida, sobretudo, a história e ao folclore de Manaus.
Em 1930, a 12 de agosto foi líder espiritual da Revolução Estudantil que deu margem a transformação no plano politico do Estado. Professor e sociólogo respeitado, publicou mais de 150 obras. Alguns desses trabalhos tiveram repercussão nacional e internacional com tradução para o alemão, inglês, espanhol e italiano em revistas europeias e americanas.
O Colégio Amazonense D. Pedro II é considerado a instituição pública de ensino mais antiga da capital. Foto: Divulgação/SEC AM
Mário Ypiranga pertenceu a inúmeras instituições culturais e foi detentor de várias honrarias. Foi pesquisador em Ciências Sociais do IMPA, professor de Literatura Portuguesa e Brasileira em duas cadeiras na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Federal do Amazonas.
Com a história marcada pela riqueza das palavras passeou pelo mundo e especialmente entre nós. Não se pode ler ou falar da História do Amazonas sem buscar as obras referenciais do mestre Mário Ypiranga Monteiro.
Historiador, pesquisador, professor e escritor, foi ainda um observador da cidade como ninguém, sempre atento aos seus contrastes e procurou demonstrar e acompanhar o nosso progresso. Viu de forma positivo o aumento das faculdades particulares, o acesso à população à essa educação.
Tornou-se Bacharel em Direito, pela Faculdade de Direito do Amazonas, em 1946. Lecionou Geografia, Historia, Antropologia e Literatura Portuguesa. Sua participação no IMPA foi fundamental, foi membro do Patrimônio Histórico e Artístico do Amazonas. Foi professor honorário do Institut Humaniste, de Paris, França e da Phylo-Bizantine University, de Madrid, Espanha.
Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal
*Matéria publicada no Jornal A Notícia no caderno de Visão. Sexta-feira, 11 de setembro de 1998.
Sobre o autor
Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.
Sítio Arqueológico Tequinho é referência em pesquisas sobre geoglifos. Foto: Uêslei Araújo/Sema AC
Desenhos milenares, “tatuados” na terra, compostos por quadrados, círculos, retângulos e octógonos. O mistério ainda não revelado acompanha a história dos geoglifos, figuras esculpidas no solo há mais de dois mil anos. As estruturas, escavadas na terra e formadas por valetas, representam figuras perfeitas, de diferentes formas, sendo observadas na Amazônia Ocidental e, principalmente, no Acre.
Próximo a Rio Branco, capital do estado, algumas dessas construções, com grande potencial turístico, podem ser encontradas e visitadas. Em todo o estado, já foram identificados mais de mil geoglifos, mas apenas 462 foram registrados, de acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que tombou como patrimônio cultural do Brasil o geoglifo do Sítio Arqueológico Jacó Sá, em 2018.
Edmar Queiroz, filho de Jacó, mora na propriedade onde está localizado o sítio e conta como foi a descoberta.
“Eu cheguei aqui aos 9 anos e hoje estou com 75. São muitas teorias do que são esses geoglifos. Quando nós chegamos, brocamos tudo isso para fazer roçado, plantar milho, macaxeira e arroz. Foi quando eu vi essas valas, mas não fazia nenhum sentido para mim, nem para meu pai. Achamos que era obra da natureza”, relembra.
Queiroz diz ainda que o geoglifo foi descoberto após o professor da Universidade Federal do Acre (Ufac), Alceu Ranzi, sobrevoar a área e ver a estrutura. “No outro dia ele veio de carro pequeno e foi quando entrou aqui e começou a investigar o geoglifo. Depois disso, apareceram várias estruturas”, explica.
Edmar relata também que ele e o pai não perceberam que o solo havia sido retirado e colocado apenas do lado externo das valas, formando a mureta que delimita o sítio. “O barro do geoglifo foi tirado e jogado todo para fora da estrutura, nada para dentro. Ninguém sabe por quem foi feito, mas devia existir um maquinário, porque é como se fosse o seguinte: pegava o barro por dentro e subia para fazer o despejo, porque é mais alto”, detalha.
O proprietário conta que pessoas de diversos países já visitaram aquele sítio arqueológico e afirma que a maioria dos visitantes que recebe vêm por intermédio do Iphan.
Raimundo da Silva, conhecido como “Tequinho”, também é proprietário de uma terra no município de Rio Branco, onde foi encontrado um sítio arqueológico, batizado com o seu apelido.
O proprietário conta que identificou a estrutura após retirar o mato do lugar para plantação. “Depois que broquei, descobrimos que era um geoglifo. Desceu aqui um helicóptero e explicaram o que era. Desde então, muitos alunos vêm visitar e fazer pesquisas, também vêm turistas, e, sempre que posso, indico o local para os visitantes”, conta.
O local se tornou referência em pesquisa e visitas, pela proximidade com a capital e por se localizar em um ramal da Vila Pia, próximo à BR-317. “As portas estão abertas aos visitantes que queiram conhecer”, convida.
Severino Calazans
Aos 103 anos, Severino Calazans é proprietário da área com sítio arqueológico homônimo, também próximo à capital acreana. Morador da localidade há mais de 30 anos, narra que, assim como Edmar, quem explicou que a estrutura em sua propriedade era um geoglifo foi o professor Alceu Ranzi. “Seu” sítio arqueológico é cortado ao meio pela BR-317, o que também o torna de fácil acesso.
Severino conta que diversos turistas visitam o lugar. “Eu atendo direitinho. Toda vida tive respeito. O homem que não respeita não pode ser respeitado. Eles vêm, ficam um pouco e depois vou lá e fecho a porteira. Tenho uma documentação que diz que eu posso chamar qualquer polícia para me ajudar [em caso de desrespeito com a estrutura], mas eu não faço isso, eu falo para terem respeito pelo geoglifo”, relata.
O centenário conta que ainda se questiona como foram feitos e para que serviam os geoglifos. “Será que esse povo habitava aqui? Será que era cemitério? Tem essa dúvida que fica na nossa cabeça, porque a água fica longe daqui. Fica aquela dúvida sobre moradia. Ninguém sabe de nada até hoje”, diz.
Sítio Arqueológico Severino Calazans também recebe visitas de muitos turistas e pesquisadores. Foto: Uêslei Araújo/Sema AC
Tombamento e preservação
O superintendente do Iphan no Acre, Stênio Cordeiro, explica que o Sítio Arqueológico Jacó Sá foi tombado de forma representativa, com o objetivo de preservá-lo.
“A finalidade de preservar é identificar, estudar e ver a ocupação da Amazônia. Ficamos felizes, porque o Iphan também contribui com o potencial enorme para o turismo que o estado tem. O tombamento ajuda com a divulgação do geoglifo, e uma vez divulgado, há mais condições de preservá-lo, porque a sociedade vai nos ajudar a preservar um patrimônio histórico sobre a Amazônia. Outro ponto é que vamos ajudar na geração de trabalho e renda para o público do Acre, que é um estado riquíssimo em termos ambientais”, avalia.
Stenio Cordeiro explica que o geoglifo Jacó Sá foi tombado de forma representativa. Foto: Marcos Rocha/Sete Stênio ressalta ainda que, dos 462 geoglifos registrados, 56 se encontram em Rio Branco. “Temos outros geoglifos que estão sendo descobertos, mas o Iphan ainda não conseguiu catalogar, devido à dificuldade de acesso, porque é dentro da floresta, o que dificulta a chegada da equipe”, informa.
O gestor explica que o Iphan tem trabalhado para que os geoglifos sejam transformados em patrimônio mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). “Quando o turista quer conhecer uma coisa de importância nacional, que é a Amazônia, ele busca os catálogos da Unesco. Estando lá como patrimônio da humanidade, isso favorece a visita aos geoglifos e quem ganha é o estado, com a visita dos turistas”, destaca.
O que dizem os pesquisadores
Arqueóloga do Iphan no Acre, Antônia Barbosa explica que os geoglifos são desenhos que foram escavados no solo, com dimensão real vista apenas do alto. A estudiosa aponta que ainda é necessário mais pesquisas sobre os sítios arqueológicos do estado, pois, dos 462 geoglifos registrados, pouco menos de 20 foram pesquisados. Apesar da pesquisa limitada, com as informações a que os pesquisadores já têm acesso, é possível fazer inferências.
“Podemos dizer que, por exemplo, esses sítios não foram construídos para defesa, nem para habitação. Podemos sugerir e levantar a hipótese que é mais aceita no meio científico, que esses sítios foram construídos para cerimônias, rituais e celebrações. Por isso têm esse formato geométrico e essa forma gigantesca, porque foram feitos para serem vistos do alto, pelos deuses”, ressalta.
Antônia destaca ainda que há pesquisas realizadas com os povos indígenas atuais, que explicaram que não entram em algumas dessas estruturas por considerarem o local sagrado.
O superintendente do Iphan no Acre reforça ainda que os pesquisadores concluíram, por meio de estudos, que as áreas, que foram construídas há mais de 2.500 anos, não eram locais de plantio ou moradia, pois são planos e longe de rios e igarapés. Atualmente, os estudos são realizados para entender como foram feitas as escavações desse tipo de geoglifo, com formas geométricas iguais.
Potencial turístico
Atuando na área há 20 anos, Antônia conta que os sítios arqueológicos no Acre são muito procurados, principalmente por turistas estrangeiros. “Eles vêm visitar esse nosso patrimônio, reconhecem, veem como uma estrutura monumental e ficam se questionando como podem ter construído uma estrutura dessa em meio à floresta”, ressalta.
“Nós temos o grande desafio de fazer com que as pessoas vejam que só estudando o passado é que a gente pode compreender o presente e pensar no futuro”, propõe.
Em outubro, após o lançamento, na plataforma Netflix, da segunda temporada da série Ancient Apocalypse, que aborda a importância dos geoglifos para a história dos povos da Amazônia, a Secretaria de Estado de Turismo e Empreendedorismo (Sete) reuniu palestrantes de diversas instituições em discussões sobre os sítios arqueológicos com potencial turístico e de preservação ambiental.
O secretário da pasta, Marcelo Messias, reforça a importância dos sítios arqueológicos. “Os geoglifos são essenciais para a história da Amazônia e da humanidade e servem como um convite para que possamos vislumbrar o nosso passado, presente e futuro, contribuindo para a forma como vemos e pensamos os nossos modos de vida, cultura e preservação ambiental, além de se revelar como um potencial econômico, por meio do turismo, com a oferta de meios de transporte, alimentação, hospedagem, guias de turismo, acesso ao local e tantas outras possibilidades que enxergamos para os sítios arqueológicos”, destaca.
Localização e possível construção
A arqueóloga do Iphan, que acompanhou a equipe da Sete nas visitas aos geoglifos próximos a Rio Branco, explica a distribuição geográfica dos sítios: “Eles começam numa faixa da Bolívia, vêm pelo estado do Acre, passando por Rondônia e um pouquinho do Amazonas. Então abrangem toda essa parte leste do Acre, em vários formatos, quadrados, círculos, retângulos e muitas vezes formando um composto, associados com outras estruturas”.
A especialista relata que, para construir esses arranjos, foram necessárias várias pessoas, segundo os estudos. “Eles não possuíam técnicas e instrumentos de que dispomos hoje. Acreditamos que utilizaram equipamentos feitos de madeira para poder fazer essas obras gigantescas”, considera.
Sítios arqueológicos com geoglifos abertos à visitação nas proximidades de Rio Branco
Geoglifo Baixa Verde II: o sítio fica a 28 km saindo de Rio Branco, em direção a Boca do Acre, na margem direita da BR-317. A estrutura é composta por um quadrado e tem 120m de lado, com as trincheiras medindo em torno de 14,7m de largura e 1,5m de profundidade.
Geoglifo Severino Calazans: cortado pela BR-317, situa-se 4,5 km após o Baixa Verde II, situado à esquerda, em direção a Boca do Acre. É um quadrado com 230m de lado e trincheira com 12m de largura.
Geoglifo Jacó Sá: um dos mais famosos e reconhecidos mundialmente. Para chegar, basta seguir direto, 8 km ao norte do Sítio Severino Calazans, também na margem esquerda da BR-317. A estrutura é composta por dois quadrados, um deles contendo um círculo.
Geoglifo Tequinho: também famoso internacionalmente, está localizado 11 km à frente do Jaco Sá, próximo à entrada da Vila Pia, à direita, no Ramal do Pelé por 2,5 km. São dois grandes quadrados, com trincheiras triplas.
O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação civil pública, com pedido de urgência, para que a Amazonas Energia e a União sejam condenadas a fornecer energia elétrica às comunidades indígenas de Tiririca, Marajá e Santo Antônio, no município de Novo Airão, no Amazonas.
A ação pede à Justiça Federal que determine à empresa e à União que providenciem, no prazo de 30 dias, a infraestrutura necessária para o fornecimento do serviço público essencial para as comunidades através da ligação à rede convencional ou de sistemas fotovoltaicos. A ação também pede o pagamento de R$ 50 mil para cada comunidade pela demora em fornecer energia às comunidades ribeirinhas.
Segundo o MPF, a ausência de energia elétrica nas comunidades mesmo depois de diversas solicitações de seus moradores e do Ministério Público Federal caracteriza omissão do poder público “com desrespeito aos direitos mais básicos das comunidades envolvidas, que estão sendo totalmente marginalizadas”, diz trecho da ação assinada pela procuradora da República Janaina Mascarenhas.
A procuradora também pontua que, além dos prejuízos comuns por não poderem usar eletrodomésticos, internet e serviços essenciais, as comunidades enfrentam problemas ainda maiores na época de estiagem, pois a população fica isolada com a seca dos rios.
Além disso, o MPF observa que o acesso à energia elétrica é essencial para a melhoria da condição de vida, redução da pobreza e aumento da renda familiar, acesso à educação e aos serviços de saúde, agindo como condutor do desenvolvimento social e econômico das famílias. “Ou seja, a exclusão do acesso à energia elétrica contribui para a estagnação de qualquer possível desenvolvimento das comunidades mais pobres e remotas”.
Realidade local
O município de Novo Airão possuía previsão de universalização de energia elétrica em 2021. O programa, conhecido como Luz Para Todos, tem por finalidade fornecer o atendimento com energia elétrica à população do meio rural e à população residente em regiões remotas da Amazônia Legal que não possuem acesso ao serviço público de distribuição de energia elétrica.
A Amazonas Energia informou sobre a possibilidade de realizar os atendimentos pelo programa, com fontes alternativas, como energia solar fotovoltaica, com previsão para 2025, porém sem definição de cronograma. A concessionária de energia informou então que o processo de liberação de recursos ainda está em fase de tramitação.
Conforme apuração do MPF, a implementação do programa nas comunidades de Novo Airão aguarda a assinatura do contrato de financiamento, que segue pendente pelo Ministério de Minas e Energia, por uma questão burocrática: a troca acionária da concessionária local. “Opções políticas não podem se sobrepor ao direito das comunidades terem acesso à energia elétrica”, reforça a ação.
Nesse sentido, o MPF lembra que o público-alvo do programa é, essencialmente, a população de áreas remotas da Amazônia, por isso, os argumentos no sentido de impossibilidade de fornecimento de energia elétrica por dificuldades logísticas de acesso não se sustentam. “O escopo do programa é, exatamente, atingir essas comunidades, de modo que as dificuldades logísticas são inerentes e já devem ser previamente consideradas pela Administração Pública”, alerta o MPF.
Sobre o caso
Em 2019, o MPF constatou a falta de energia elétrica ao visitar as comunidades no município. A partir disso, um inquérito civil foi instaurado para investigar o caso.
Quase seis anos depois, em 2024, os moradores informaram ao MPF que seguiam sem acesso à energia elétrica, com prejuízos no acesso aos serviços de saúde, educação e nas atividades de subsistência.
Ainda em 2024, durante reunião realizada com representantes comunitários e o MPF, foi informado que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) negou a licença para extensão de rede convencional de energia elétrica na região, justificando que havia um sítio arqueológico na área.
Localizada em Tocantins, na Ilha do Bananal, a Terra Indígena Parque do Araguaia é um dos mais importantes santuários ecológicos e culturais do Brasil.
Segundo o Governo, com cerca de 20 mil km2, a Ilha do Bananal é a maior ilha fluvial do mundo e fica em grande parte do ano submersa, ressurgindo a cada período de seca e trazendo, praticamente intocada, uma riquíssima biodiversidade – resultado do encontro entre a Floresta Amazônica e o Cerrado.
Um patrimônio cultural e ambiental
De acordo com o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2022, aproximadamente 4.503 indígenas habitam a região. Eles pertencem às etnias Avá-Canoeiro, Iny Karajá, Javaé e Tapirapé. Ao todo, são cerca de 15 aldeias, com grupos que preservam suas tradições e modos de vida.
Os Avá-Canoeiros, conhecidos como “Cara-Preta”, se destacam pela postura de isolamento, rejeitando contato com a civilização e até mesmo com outras comunidades indígenas próximas. Os Karajás e Javaés são historicamente protegidos desde a criação do parque em 1959.
A Terra Indígena se sobrepõe ao Parque Nacional do Araguaia (PNA), criado antes mesmo da legislação atual sobre Unidades de Conservação (UC) e Terras Indígenas. Em 2006, 377.317 hectares da área foram delimitados como UC em regime de dupla-afetação, ou seja, áreas destinadas à preservação ambiental e à permanência tradicional dos povos indígenas.
Embora a visitação seja possível, ela requer contato prévio com as comunidades indígenas e o cumprimento das exigências legais. No entanto, o local ainda não está preparado para receber atividades de ecoturismo ou etnoturismo de forma estruturada. Atualmente, a principal atividade de visitação é a pesca, realizada de maneira controlada.
Entender como os processos geológicos e as mudanças no Rio Negro, ao longo dos anos, influenciaram na variedade de peixes miniaturas, espécies adultas que não ultrapassam 2,5 cm de comprimentos, foram a base de uma pesquisa científica apoiada pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), desenvolvida no município de Iranduba (distante 27 km de Manaus).
Realizado por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), o estudo coordenado pelo doutor em Biologia de Água Doce e Pesca Interior, Marcelo Salles Rocha, constatou que em alguns lugares do Rio Negro, como nas depressões tectônicas (que são áreas mais baixas formadas por movimentos da terra), os peixes encontrados são diferentes daqueles que vivem em outros lugares do rio, o que sugere mudanças no rio ao longo do tempo, criando novas áreas para essas espécies de peixes viverem e evoluírem.
O estudo utilizou dados da biologia molecular de peixes e analisou a evolução biológica e geológica da sedimentação nas depressões tectônicas, em Graben (conhecida popularmente como fossa ou vale tectônico), em áreas do Paraná do Ariaú, Cacau Pirêra e Cachoeira do Castanho, no município de Iranduba, além de depósitos de barras fluviais associadas aos canais dos rios Negro e Solimões.
Foto: Marcelo Salles Rocha/Arquivo pessoal
Durante a pesquisa, foi descoberto que nas depressões tectônicas entre os rios Negro e Solimões, os peixes que ali vivem são diferentes dos peixes encontrados nos igarapés do Tupé e Tarumã Mirim, ambos na margem esquerda do Rio Negro. Esses igarapés desenvolveram-se em áreas geológicas mais antigas do Neógeno, e possuem substrato arenoso com extensa cobertura de detritos e folhiço, além de possuírem águas pretas e PH com valores próximos a 5.
Segundo o pesquisador, essas espécies devido ao seu tamanho possuem pouca mobilidade, como por exemplo quando comparadas às espécies grandes e migradoras como jaraqui e piraíba. Por terem baixa mobilidade e tamanho, grandes rios formam uma barreira para sua separação.
“Pelas análises genéticas pode-se estimar o tempo de separação das populações e identificar possíveis cenários passados. Até mesmo hipóteses dos rios atuando na separação das populações, uma vez isoladas pode ocorrer a formação de espécies novas”, disse Marcelo Rocha.
Outra descoberta foi que a espessura dos depósitos argilosos no Graben do Paraná do Ariaú pode ajudar na sua exploração pelas olarias da região, as quais usam a “lavra a céu aberto” para extrair a matéria prima, por meio de cavas rasas, que provocam impacto ambiental pela degradação de áreas superficiais.
Os sedimentos são de suma importância para o desenvolvimento socioeconômico do estado do Amazonas, pois fornecem matéria prima para o Polo Oleiro de Iranduba-Manacapuru, sendo utilizados na fabricação da cerâmica vermelha (principalmente telhas e tijolos).
Durante a Quaresma, período em que muitas pessoas optam por reduzir o consumo de carne vermelha, os peixes ganham destaque nas mesas brasileiras. Seja por tradição ou pela busca por uma alimentação mais leve e saudável, espécies amazônicas e o tradicional bacalhau tornam-se protagonistas dessa época do ano.
Além do sabor inconfundível, eles oferecem benefícios essenciais para a saúde e desempenham um papel importante na cultura gastronômica do país – especialmente no Amazonas, maior consumidor de peixes do Brasil.
Segundo dados da Associação Brasileira de Piscicultura (Peixe BR), o consumo per capita de pescado no Brasil gira em torno de 10 kg por ano – abaixo dos 12 kg recomendados pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), que prevê um crescimento de 30% no consumo mundial de peixes na próxima década.
No Amazonas, estado que se destaca como o maior consumidor de peixes do país, o consumo médio é de 14 kg por pessoa ao ano, número que tende a crescer significativamente durante a Quaresma.
“O Norte do Brasil, e em especial a nossa região amazônica, são grandes apreciadores de peixes. O consumo de pescados na nossa região já é mais de 20% maior que no restante do Brasil no ano todo. E, durante o período da Quaresma, ele cresce ainda mais, tanto por conta da tradição do consumo do bacalhau quanto pela alta na procura de outras espécies, principalmente as da região amazônica, como alternativa ao bacalhau. É um consumo crescente até a Páscoa”, relata Sidnei Dutra, sócio proprietário do Grupo Engenho, que possui uma rede de oito negócios – dois deles restaurantes especializados em peixes: o Sagrado Peixe e o Restaurante Terra&Mar.
Esse aumento no consumo de peixes, especialmente o bacalhau e pescados regionais, reflete outra tendência, que é o incentivo à adoção de hábitos alimentares mais saudáveis não apenas durante a Quaresma, mas durante o ano todo.
Muita gente aproveita essa época do ano para adotar uma alimentação mais leve e nutritiva. E, para esse objetivo, os peixes são um grande aliado. “Esses hábitos começam por uma alimentação balanceada – à qual nutricionistas costumam incluir uma ampla base de carnes brancas, como o pescado”, lembra Sidnei.
E não à toa: os peixes são fontes ricas de proteínas de alta qualidade e ácidos graxos essenciais, como o ômega-3, que contribuem para a saúde do coração, do cérebro e do sistema imunológico. Estudos apontam que o consumo regular de peixes está associado à redução do risco de doenças cardiovasculares, além de auxiliar na prevenção de inflamações e na melhora da função cognitiva.
O bacalhau, por exemplo, é rico em proteínas e pobre em gorduras, sendo uma excelente opção para quem busca uma alimentação equilibrada. Além disso, é uma fonte importante de vitaminas do complexo B e de minerais, como o fósforo e selênio, essenciais para o metabolismo energético e a saúde óssea. Já espécies como o tambaqui, o pirarucu e o filhote são extremamente nutritivas e oferecem altos teores de ômega-3, cálcio e fósforo. O tambaqui, por sua vez, é um dos peixes mais consumidos da Amazônia e tem um equilíbrio ideal entre sabor e benefícios nutricionais.
Gastronomia
Além das qualidades nutricionais, os peixes também são ingredientes versáteis na gastronomia. O bacalhau, por exemplo, é a base de pratos icônicos da culinária portuguesa, como o Bacalhau à Brás e o Bacalhau com Natas, destaques do restaurante Terra&Mar, referência em culinária portuguesa e argentina na cidade.
Peixes amazônicos. Foto: Divulgação
Já os peixes amazônicos brilham em receitas tradicionais, como a Caldeirada de Tambaqui e a moqueca de Pirarucu, ou ainda uma apresentação especial do tambaqui, servido em uma “canoa” para ser compartilhado por até 10 pessoas no prato “Sagrado Peixe”, que leva o nome da mais recente inauguração do Grupo Engenho, restaurante especializado na culinária amazônica. O cardápio reúne os peixes mais apreciados no Amazonas e no Pará, como o pirarucu, a matrinxã e o jaraqui, além do filhote, tradicional no estado do Pará, que também faz parte do menu.
“Nossos restaurantes têm buscado sempre inovar, misturando criatividade e tradição para criar diferentes formas de preparo e de apresentação dos nossos peixes, e isso vem conquistando o paladar -e os olhares – dos clientes. Um dos nossos maiores sucessos é a Sagrada Matrinxã, onde a Matrinxã é assada na crosta de sal, o que garante muito mais suculência e sabor”, revelou Rogério Perdiz, outro sócio proprietário do grupo Engenho.
Localizado na Avenida Mário Ypiranga, 1309, Adrianópolis, zona Centro-Sul de Manaus, o restaurante e padaria Terra & Mar é especializado em culinária portuguesa e argentina e oferece uma experiência completa aos seus clientes, desde o café da manhã até o jantar. Já o restaurante Sagrado Peixe Cozinha Regional funciona das 8h às 21h, oferecendo café da manhã, almoço e café da tarde. O espaço fica ao lado do Vitória Supermercados, na Avenida Cosme Ferreira, bairro Coroado.
Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br
No dia 20 de março, Dia Internacional da Felicidade, o MCI completou 7 anos. Sem fins lucrativos, o propósito do MCI é difundir o movimento de construção consciente de felicidade para pessoas e para empresas.
O objetivo do ser humano por detrás de tudo que faz é ser feliz, já disseram há dois mil anos Aristóteles e outros filósofos, inclusive Mokiti Okada, que tinha como grande ideal a felicidade para todas as pessoas. Ele defendia a ideia de que a missão do ser humano, como espécie, é criar este mundo feliz. Segundo ele, expressões como Paraíso Búdico, Reino dos Céus na Terra e Paraíso Terrestre, dentre outras similares, presentes, em várias crenças religiosas e filosóficas e em várias culturas, têm o mesmo significado: a da criação deste mundo feliz.
Mas como ser feliz em um mundo com tantos sofrimentos, com tantas dificuldades que cada um de nós enfrenta ao longo da vida?
A boa notícia é que ser feliz não significa não ter problemas ou não passar por sofrimentos. Isto vem sendo provado pela psicologia, desde 1998, quando Martin Seligmann assumiu a Associação Americana de Psicologia e criou um movimento que objetivava fazer com que a psicologia não se concentrasse apenas no tratamento de doenças, mas que se voltasse também para a exploração do potencial humano e para a felicidade. Este movimento recebeu o nome de psicologia positiva ou ciência da felicidade e, desde então, vem crescendo com muita rapidez, com a criação de vários centros de pesquisa nas principais universidades nos Estados Unidos, na Europa e em todo o mundo.
Também a neurociência evoluiu bastante neste período o conhecimento sobre o funcionamento do nosso cérebro e dos sistemas neurais, destacando-se a neuroplasticidade que, ao contrário do que se supunha, permite que os neurônios se multipliquem ao longo da vida, se desenvolvam e sejam educados. Além disso, houve um melhor entendimento de como funcionam os hábitos, os sistemas neurais de sobrevivência formado pelo sistema límbico (lute ou corra) e o comandado pelo córtex frontal, que dirige as nossas energias para a exploração de nosso potencial, favorecendo a criatividade, inovação e abertura de novas possibilidades.
O desenvolvimento do coaching em todo o mundo se deu de forma paralela e muito impulsionado por estes estudos. Como técnica, o coaching faz com que a pessoa busque explorar o seu maior potencial, construindo as suas próprias respostas e resgatando o conhecimento que traz dentro de si, o que já era defendido pelos filósofos socráticos. No processo, são enfatizados o autoconhecimento, a autonomia e o exercício de escolhas conscientes.
Assim, todo este conhecimento acumulado pela psicologia, neurociência e coaching, acrescidos a tudo que a filosofia já nos trouxera, nos permite afirmar que, sim, é possível criar felicidade conscientemente a partir do desenvolvimento de modelos mentais e de práticas que nos aproximam da felicidade.
Sabe-se hoje que apenas uma parte da felicidade depende de fatores externos, embora isto contrarie o senso comum. Um carro novo ou ganhar mais dinheiro gera mais felicidade temporariamente, assim como a dor pelas perdas de qualquer espécie. O “termostato da felicidade” logo faz com que nos acostumemos com eles e retornemos à nossa felicidade normal. Cada um de nós possui um nível de felicidade usual (também chamada de basal). A grande pergunta é: como aumentar a felicidade normal de cada um e de todos?
Os acontecimentos externos e a genética são responsáveis por uma parte de nossa felicidade, mas sobre eles nossa gestão é limitada e, em alguns casos, nula. Por outro lado, podemos investir na criação de modelos mentais e ações práticas que promovam a nossa evolução material, emocional e espiritual. É fácil perceber, e os estudos comprovam, por exemplo, que uma pessoa grata, altruísta e resiliente será mais feliz do que uma outra que vive reclamando, é egoísta e desiste diante das primeiras dificuldades.
É para isto que servem os princípios e exercícios de felicidade (em torno de 35) que compõem o Método MCI de Felicidade. Eles estão disponíveis gratuitamente na plataforma mcifelicidade.com.br. Nosso convite é claro. Vamos construir felicidade? Para você, para mim, para todos? O mundo precisa.
Sobre o autor
Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.