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Software criado no Amazonas busca otimizar transição industrial para modelo de manufatura inteligente

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Foto: Reprodução/Pixabay

A Universidade Federal do Amazonas (Ufam), por meio do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção (PPGEP), desenvolveu o Software Maturidade na Indústria 4.0 IFES. Trata-se de uma ferramenta inovadora voltada para a avaliação e o aprimoramento da maturidade digital das indústrias no contexto da Indústria 4.0. O Software foi desenvolvido pelos pesquisadores Sandro Breval Santiago e Stanley Soares de Souza e registrado oficialmente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), sob o número BR512021001482-0.

De acordo com o professor Sandro Breval Santiago, com o avanço da transformação digital e a crescente necessidade de adaptação às novas tecnologias industriais, o Maturidade Ind4.0 IFES surge como uma solução estratégica para empresas que desejam mapear, diagnosticar e otimizar seus processos de transição para um modelo de manufatura inteligente. “É um programa computacional desenvolvido com base em metodologias avançadas para avaliar o grau de maturidade das empresas na adoção de tecnologias da Indústria 4.0”, explicou.

Entre as funcionalidades do Software estão: avaliação de maturidade digital, diagnóstico baseado em indicadores estratégicos, relatórios automatizados e recomendação de melhorias, planejamento da transformação digital. O Maturidade Ind4.0 IFES pode ser adotado por empresas de setores como: manufatura e produção em larga escala, automação industrial e mecatrônica, setor automobilístico e metalúrgicos, indústrias químicas e farmacêuticas, empresas do setor de logística e supply chain, startups e empresas emergentes na área de tecnologia. Além da possibilidade para colaborações com órgãos públicos, associações industriais e instituições de pesquisa, ampliando seu alcance e contribuindo para o avanço da digitalização na indústria nacional.

Como funciona

O Software utiliza uma metodologia sistemática para identificar o estágio atual da empresa na jornada rumo à Indústria 4.0 e mapeia níveis de automação, conectividade e digitalização em diferentes áreas produtivas. Além de apontar lacunas tecnológicas e operacionais, facilitando a formulação de planos de melhoria. É feito um diagnóstico, a partir da análise de dados estruturais e operacionais, utilizando um modelo de maturidade validado cientificamente, juntamente, com uma avaliação de níveis de integração entre equipamentos, processos e sistemas de gestão, possibilitando uma classificação do nível da empresa dentro de categorias de maturidade, desde a fase inicial até um estágio avançado de digitalização.

A partir daí, o Software gera relatórios detalhados sobre o estado atual da indústria e sugestões para adoção de tecnologias emergentes. As recomendações são customizadas conforme a infraestrutura disponível, o orçamento e os objetivos estratégicos da empresa, permitindo a comparação com empresas do mesmo setor, fornecendo insights valiosos para benchmarking e inovação.

O pesquisador, professor Sandro Breval Santiago, explica que todos esses passos permitem apoiar os gestores e engenheiros de produção na elaboração de roadmaps estratégicos para implementação gradual das soluções da Indústria 4.0.

“O Software fornece um plano de ação estruturado, destacando investimentos prioritários em automação, IoT, inteligência artificial e outras tecnologias, além de ajudar a alinhar projetos de digitalização às metas de eficiência operacional e sustentabilidade corporativa”, enfatizou.

Diferencial

Utilizando JavaScript e C#, o software se diferencia por fornecer uma avaliação personalizada, baseada em indicadores-chave de desempenho, possibilitando que gestores e tomadores de decisão adotem medidas concretas para elevar sua competitividade e eficiência no cenário global da manufatura inteligente. O professor Sandro explicou também que a ferramenta proporciona um ambiente de análise robusto e dinâmico, permitindo que empresas de diferentes portes e setores realizem um diagnóstico detalhado sobre sua estrutura digital, operacional e estratégica.

“A experiência foi muito interessante pois conseguimos fazer o link entre a teoria, conceitos e modelagem com a prática aplicando o modelo na IFES. O que podemos perceber é a sua usabilidade e efetividade na demonstração dos resultados coletados. Fizemos o app e executamos na Ufam para fins de estudo de caso”, destacou o docente.

Impactos e Benefícios para a Indústria

O desenvolvimento do Maturidade Ind4.0 IFES representa um avanço significativo para empresas que buscam elevar sua competitividade e adotar práticas inovadoras na produção industrial. A ferramenta tem impactos direto na tomada de decisão baseada em dados, redução de custos e aumento da eficiência, melhoria na qualidade da produção, capacitação e desenvolvimento tecnológico e apoio à sustentabilidade industrial, já que está alinhada à Indústria 4.0, que favorece práticas mais sustentáveis, como redução do consumo de energia, otimização de recursos e menor impacto ambiental.

De acordo com o coordenador do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção (PPGEP), professor Marcelo Albuquerque de Oliveira, pesquisas como essa reafirmam o engajamento do PPGEP com a inovação e o desenvolvimento tecnológico, impulsionando a transformação digital no setor industrial.

“O Maturidade Ind4.0 IFES representa um passo essencial para que empresas brasileiras possam competir em um cenário global cada vez mais digitalizado, preparando-as para os desafios e oportunidades da Indústria 4.0. O projeto reflete a missão da Ufam em promover pesquisas aplicadas, soluções tecnológicas inovadoras e impacto direto na economia e na sociedade. A Universidade segue investindo em parcerias estratégicas e projetos de ponta para consolidar Manaus e a Amazônia como polos de referência em inovação industrial”, enfatizou.

Albuquerque falou ainda que a coordenação e o colegiado do PPGEP reiteram seu compromisso com a pesquisa aplicada, o desenvolvimento tecnológico e a inovação, promovendo soluções que impactam diretamente a sociedade e a indústria.

“Cada projeto desenvolvido no Programa reflete a missão de fomentar avanços científicos, tecnológicos e metodológicos, preparando profissionais qualificados e contribuindo para a transformação de setores estratégicos. O PPGEP/Ufam segue investindo em parcerias estratégicas, colaborações interinstitucionais e projetos inovadores, consolidando sua posição como referência em Engenharia de Produção e inovação tecnológica. As iniciativas do Programa buscam não apenas aprimorar processos e produtos, mas também fortalecer o desenvolvimento econômico e social, alinhando-se às necessidades da Amazônia e do Brasil”, finalizou.

*Com informações da Ufam

Comunidades da Amazônia irão receber polo de soluções energéticas

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Comunidade Três Unidos no estado do Amazonas. Foto: Rodolfo Pongelupe

Promover uma transição energética justa, ampliando o acesso à energia sustentável e eficiente nas comunidades da região amazônica. Estes são os principais objetivos do “Polo de Soluções Energéticas Sustentáveis para a Amazônia”, que será implementado até setembro de 2025 em duas comunidades: a comunidade indígena Três Unidos e a comunidade ribeirinha Tiririca, no Amazonas. A iniciativa é liderada pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e pela Schneider Electric, líder global na transformação digital da gestão de energia e automação. Assinada na Casa G20, no Rio de Janeiro, a parceria terá duração de dez anos.

O novo polo funcionará no Núcleo de Inovação e Educação para o Desenvolvimento Sustentável (Nieds) Assy Manana. Seu enfoque será em promover tecnologias de gestão energética e estratégias inteligentes, sustentáveis, eficientes e acessíveis, priorizando o consumo consciente e justo, além de reduzir desperdícios. A finalidade é apoiar as comunidades locais na transição a um modelo de consumo mais equilibrado, em harmonia com a biodiversidade e o desenvolvimento local e a diminuição das emissões.

“As fontes limpas representam uma abertura de novos horizontes na fomentação da bioeconomia e da educação. A energia é um facilitador capaz de criar condições para o desenvolvimento sustentável e gerar esperança por uma Amazônia próspera, com melhoria de renda e indicadores sociais, mantendo a floresta em pé”, afirma o superintendente geral da FAS, Virgilio Viana.

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“A transição energética justa é um ponto importante quando falamos em promover o desenvolvimento sustentável. Na Schneider Electric, acreditamos que todos devem ter acesso a soluções que tornem o consumo de energia mais inteligente, eficiente e sustentável, especialmente em comunidades com menos acesso à energia, como as da Amazônia”, afirma Rafael Segrera, presidente da Schneider Electric para a América do Sul.

A Schneider Electric e a FAS já colaboram desde 2012 em projetos de fontes renováveis para a Amazônia e agora expandem esse trabalho para oferecer alternativas inovadoras para o uso responsável do recurso gerado na região.

Comunidade indígena Três Unidos, no Amazonas. — Foto: Divulgação/FAS

Foco na educação e no uso consciente e responsável da energia

O Polo de Soluções Energéticas Sustentáveis terá um foco educacional robusto, oferecendo treinamentos e qualificação profissional às comunidades para capacitá-las na implementação e no gerenciamento de sistemas energéticos inteligentes e eficientes. Além disso, o espaço será uma vitrine para práticas de uso responsável da energia e sediará eventos e visitas de campo que promovam a troca de conhecimentos.

“Acreditamos que o acesso à energia é um direito humano básico, assim como o seu uso responsável – e existem soluções para isso. Também neste sentido, a educação é fundamental. Por isso, a Schneider Electric tem como meta treinar um (1) milhão de pessoas em gestão de energia até o fim de 2025 em todo mundo, e a Amazônia faz parte desse universo. Essa capacitação vai além da transferência de conhecimento técnico – ela busca empoderar as comunidades locais para que possam aplicar soluções práticas no dia a dia, contribuindo para sua autonomia energética e melhoria na qualidade de vida”, acrescenta Segrera.

Visando gerar resultados de impacto socioambiental, como a redução do desmatamento e o fortalecimento do posicionamento do Brasil na COP30 rumo à Agenda 2030, o Polo engloba temas transversais como educomunicação, acesso à cultura, conservação da biodiversidade, qualificação profissional e enfrentamento da emergência climática. Com isso, estima-se beneficiar 28 comunidades localizadas na APA Rio Negro e RDS Puranga Conquista, atendendo mais de mil famílias.

Leia também: Conheça 8 povos tradicionais que vivem em Mato Grosso

“Energia, água e comunicação são essenciais para a prosperidade na Amazônia e estão interligadas. O número de pessoas sem acesso à energia na região é significativo, chegando a quase um (1) milhão”, diz a superintendente de Desenvolvimento Sustentável de Comunidades, Valcléia Lima Solidade. “Quando temos empresas como a Schneider Electric empenhadas em implementar soluções energéticas, ficamos felizes em contribuir. Acreditamos que, por meio desse projeto, daremos ainda mais visibilidade à energia limpa para o bem da Amazônia e levaremos dignidade às populações locais.”

A parceria entre a Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e a Schneider Electric foi fortalecida pela Aliança de Empresas Francesas pela Amazônia Viva, firmada em março de 2024 pela FAS e pela Câmara do Comércio França-Brasil. O objetivo dessa aliança é facilitar o engajamento de empresas francesas em projetos de desenvolvimento sustentável na Amazônia.

*Com informações da FAS

Primeira química do Pará: Clara Pandolfo foi pioneira no uso de satélite para mapear áreas degradadas

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Foto: Reprodução/UFPA

Clara Martins Pandolfo: química, ambientalista, professora e pesquisadora, foi a segunda mulher a receber o título honorífico de Professora Emérita da Universidade Federal do Pará (UFPA) e uma das maiores conhecedoras dos problemas ambientais amazônicos, uma cientista que uniu a teoria à prática, atuando decisivamente em questões ligadas ao planejamento do desenvolvimento da região. 

Seu pioneirismo no uso de satélite para mapear áreas degradadas por fazendeiros e madeiros e as medidas adotadas, inicialmente na SPVEA, depois na Sudam, para conter o mau uso da terra lhe valeram o epíteto de “a dona da selva”, como os opositores a chamavam. Era não apenas uma ironia, mas também o reconhecimento da sociedade à importância do trabalho que realizou em defesa da Amazônia.

Clara nasceu em 12 de junho de 1912, exatamente no ano em que a economia da borracha entrou em crise na Amazônia, quando o mercado internacional se voltou à borracha produzida em seringais plantados pelos ingleses na Malásia e no Ceilão. A crise se estendeu por décadas e afetou os negócios do pai, o comerciante Albano Augusto Martins, proprietário da Casa Albano, que viria a se tornar uma das mais tradicionais casas comerciais de Belém. 

Ressentindo-se financeiramente com a crise e as despesas da educação dos filhos, os pais apoiaram a caçula de cinco irmãos, quando, concluído o ensino secundário, em 1926, aos 14 anos de idade, decidiu cursar Química Industrial em uma escola recém-fundada em Belém, a Escola de Química do Pará, então sob responsabilidade da Associação Comercial (ACP), que oferecia ensino gratuito. Por ser de menor idade, a adolescente foi admitida como aluna ouvinte, mas, graças ao seu bom desempenho, no ano seguinte, tornou-se aluna regular. Para Sérgio Pandolfo, filho e biógrafo de Clara, a escolha da mãe foi menos por vocação e mais por contingência financeira. 

A escola era dirigida pelo naturalista francês Paul Le Coint, diretor do Museu Comercial da ACP. Os professores eram igualmente franceses, trazidos da Sorbonne, o que tornava o francês a língua dominante em sala. Clara Martins, ainda sem o sobrenome Pandolfo que receberia do marido Rocco Rafael Pandolfo, venceu a dificuldade linguística e se tornou a primeira mulher formada em Química, na Amazônia, algo que diz muito da sua personalidade nada afeita a seguir o papel de submissão feminina na sociedade das primeiras décadas do século XX. 

Essa característica pode ser medida também por sua efetiva participação na campanha feminista de defesa do direito ao voto das mulheres, liderada por Bertha Lutz no início da década de 1830, no Brasil. Durante todos os quatro anos de curso, Clara se destacou como estagiária de Paul Le Coint. Em 14 de setembro de 1929, graduou-se. Tinha somente 17 anos quando apresentou a tese Contribuição ao estudo químico de plantas medicinais da Amazônia, logo publicada na única edição do Boletim daquela escola. 

Mesmo com o fechamento da Escola de Química do Pará, em 1930, por Getúlio Vargas, Sérgio Pandolfo conta que sua mãe manteve a colaboração com o naturalista francês em pesquisas tecnológicas e análises de matérias-primas regionais. Segundo ele, essa fase teve profunda influência na formação técnico-científica da mãe, “levando-a a adquirir o gosto pelo estudo dos recursos naturais da Amazônia, a que dedicou, desde então, a maior parte de seus esforços no desempenho profissional”. Em 1931, ela tornou-se servidora pública estadual, ao trabalhar como química dos Laboratórios de Bromatologia e de Hipodermia da Diretoria de Saúde Pública do Pará, tornou-se assistente química e, depois, diretora do Laboratório de Biologia da Santa Casa de Misericórdia.

Foto: Reprodução/UFPA

Voz em defesa da Amazônia

Sobre Clara Pandolfo, o jornalista Lúcio Flávio Pinto disse: “A química foi a base científica para voos mais altos e amplos da sua inteligência”. Primeiro, na antiga Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA), em 1953, a convite do superintendente Artur Cesar Ferreira Reis, depois, na Sudam, em que foi diretora-geral do Departamento de Recursos Naturais, cargo que exerceu até a aposentadoria compulsória, em 1990. 

Em relação à atuação, disse o jornalista: “Ao longo de 40 anos a voz da doutora Clara se manteve firme, respeitada e temida. Ela não devia sua posição a nenhum pistolão. Podia exigir que a convencessem através de argumentos. Se não, defenderia sua própria posição”. Lúcio cita, como exemplo, a posição contrária de Clara Pandolfo à disposição do superintendente Elias Sefer de fazer aprovar três projetos agropecuários no Acre, por estarem localizados em área de floresta densa, o que contrariava resolução da própria Sudam.

Durante mais de 25 anos, ela trabalhou como docente dos ensinos secundário e superior, tendo sido professora de vários colégios de Belém, da Escola de Enfermagem e da Escola de Química da UFPA, da qual se aposentou como professora titular. Para além da atividade em sala de aula e laboratórios, Clara Pandolfo teve intensa participação em palestras, seminários e congressos no Brasil e no exterior, e foi autora de uma extensa bibliografia relatando suas pesquisas sobre a Amazônia, região da qual foi uma das maiores conhecedoras. 

Em reconhecimento a este trabalho técnico e científico desenvolvido em defesa da Amazônia e do uso sustentável de seus recursos naturais durante mais de seis décadas, a UFPA concedeu à Clara Martins Pandolfo o título honorífico de Professora Emérita, em sessão do Conselho Superior de Ensino e Pesquisa realizada em 2 de janeiro de 1989, conforme Resolução nº 1.713, assinada pelo reitor, à época, José Seixas Lourenço. 

*Com informações da UFPA

Joaquim Ferreira Marinho: uma história a ser contada

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Dr. Joaquim Ferreira Marinho. 1° administrador da Beneficente Portuguesa, contratado em Portugal exclusivamente para esta função – 1952. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br 

Nascido na cidade do Porto, em Portugal, no dia 7 de fevereiro de 1912, Joaquim Ferreira Marinho foi o primeiro administrador do Hospital Beneficente Portuguesa, assumindo essa função em abril de 1953, exercendo-a por aproximadamente 6 anos, a convite do então Presidente Antônio Reis Páscoa. Contratado que fora por Francisco Vieira da Rocha, Jaime dos Anjos Páscoa e Joaquim Carvalho, que o convidaram quando de uma viagem, dos mesmos, a Portugal, em 1952.

Antigo Alferes da Guarda Miliciana Portuguesa, era formado em Matemática pela Universidade do Porto e foi administrador do Hospital Geral de Santo Antônio no Porto.

Através de relações político-administrativas com os Governos da época, os de Gilberto Mestrinho e Plínio Coelho, conseguiu uma série de convênios com os mesmos, que permitiam a construção do prédio da rua Guilherme Moreira com a Theodoreto Souto e conclusão da ala direta do edifício-sede da Joaquim Nabuco com a construção de novas áreas, em Manaus, no Amazonas.

Uma das lideranças da Comunidade Portuguesa, foi o primeiro português a se tornar advogado pela Faculdade de Direito do Amazonas em dezembro de 1958, com o prêmio de melhor aluno, sendo a ele outorgado o 1º anel simbólico daquela casa. Posteriormente foi professor e diretor da extinta Faculdade de Ciências Econômicas, Diretor da Penitenciária Central do Estado e Procurador Jurídico do Amazonas, tendo optado pela cidadania brasileira para poder exercer tais funções.

Dr. Plínio Ramos Coêlho recebendo o diploma de sócio honorário – 1956. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Casado desde 1942 com Maria Celeste, teve ainda em Portugal, os filhos: José Joaquim, Maria de Fátima, Maria de Lourdes, Francisco e Maria Teresa. E ainda Maria Regina, que já nasceu em terras brasileiras. Todos trabalhando e vivendo na terra que adoraram.

Joaquim Ferreira Marinho era filho de José Joaquim e Albina Ferreira Marinho e faleceu prematuramente em Vizeu, Portugal, em 31 de agosto de 1972, curiosamente no mesmo dia em que sua família chegou a Manaus, 18 anos antes. Fumante inveterado, morreu de edema agudo do pulmão como diriam, oficialmente, os médicos com quem tanto tempo conviveu e que foram grandes companheiros seus de trabalho.

Os homens e as mulheres que lograram êxitos em suas histórias, tiveram como principal atributo a coragem e o espírito empreendedor. Foram sobretudo, seres que acreditaram em seus sonhos e projetos movidos pelo entusiasmo e pelos ideais e, assim, legaram à sociedade uma história de feitos e conquistas.

A maior herança desses espíritos esclarecidos e altivos é o exemplo que deixam para seus descendentes e a comunidade. Este é o caso do imigrante português Joaquim Ferreira Marinho aos seus descendentes e a comunidade, especialmente para os jovens, de que transformar sonhos em realidade não é impossível. A história exemplar de Joaquim Ferreira Marinho é ilustrativa da capacidade de superação e realização do ser humano.

Dr. Joaquim Ferreira Marinho. 1° administrador da Beneficente Portuguesa, contratado em Portugal exclusivamente para esta função – 1952. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

A vida é uma aventura em que os justos e os bons, apesar das provas e desafios, afirmam com a força de seu caráter e com suas ações, as marcas de sua singularidade e da grandeza de suas atitudes. Eis aí o diferencial que distingue as almas nobres daqueles que vivem nas sombras ou se contentam com a pequenez de seus sentimentos. Joaquim Ferreira Marinho faz parte dessa linhagem de homens que construíram uma história baseada na dignidade no compromisso com valores humanos e sociais.

Sua trajetória é reveladora de seus múltiplos compromissos com a vida, com a Sociedade Beneficente do Amazonas e com sua amizade ao Comendador José Cruz, tudo isso é revelador de seus múltiplos com a vida e com a possibilidade de construção de uma sociedade fundada no respeito e nos valores humanos, naturalmente com uma profunda consciência do valor da cidadania escudada na justiça social. Sua existência, enquanto viveu entre nós foi prova do poder de transformação de dedicação ao hospital português. Sua vida vitoriosa foi alicerçada na crença de seus pais de que o maior patrimônio que poderia legar aos seus filhos era o conhecimento e ele assim o fez.

A verdade é que são muitos os portugueses que aqui aportaram e deram seus ossos para Manaus, para reconhecer-se em toda sua extensão, em todo seu significado e em todas suas minúcias, o que tem sido a ação dos portugueses que imigraram para a Amazônia e muito especialmente para Manaus, é fundamentalmente indispensável saber como eles aqui chegaram como se aclimataram e de que forma exerceram sua natural acomodação entre nós.

Cumpre ver como eles aqui trabalharam e continuam trabalhando especialmente seus descendentes concorrendo para o desenvolvimento social e econômico do nosso estado.

A visita do Presidente de Portugal Francisco Igino Craveiro Lopes

Data magna para quantos vivem em Manaus, entregues aos labores de todos os dias, foi a de 22 de junho de 1957, quando e Exmo. Sr. General Francisco Higino Craveiro Lopes, acompanhando de brilhante comitiva e de altas autoridades brasileiras, transpôs os umbrais da Real e Benemérita Sociedade Portuguesa Beneficente do Amazonas, em visita que se tornou histórica.

O senhor Presidente da Assembleia Geral da Beneficente, Comendador Agesilau de Araújo, entrega uma lembrança ao General Craveiro Lopes em nome da Diretoria – 1957. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Ao alvorecer desse dia inesquecível para os portugueses aqui fixados acordou o hospital com vistoso tapete de flores, que tornava ainda mais suntuosa a frontaria do Edifício, cujas janelas ostentavam galhardamente as bandeiras das duas pátrias.

Formaram em derredor da custosa e florida passarela, em uniformes de gala, como guardas de honra, praças dos Bombeiros Voluntários de Manaus e da Polícia Militar do Estado. No portão principal, além do Exmo. Sr. Governador do Estado, secretários, o Ministro das Relações Exteriores e o Embaixador de Portugal, aguardando o ilustre visitante, encontravam-se os Corpos Dirigentes, a Comunidade das Filhas de Sant’Anna, o Corpo Clínico e os escalões de Enfermeiras e demais auxiliares do hospital.

Após os cumprimentos de estilo, liderados pelo Comendador Agesilau de Araújo, Presidente da Assembleia Geral e pelo Sr. Antônio Páscoa, Presidente da Diretoria, foram as insignes autoridades conduzidas até ao Salão Nobre, onde teve início a sessão solene.

FONTE: Informações cedidas pela família para o livro ‘Benefiicente Portuguesa’125 anos de história, 1873-1998: Real e Benemérita Sociedade Portuguesa Beneficente do Amazonas’, escrito por Abrahim Baze.

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Governo do Amazonas, via Sedecti, vai investir na elaboração do Plano de Bioeconomia Estadual

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Secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), Serafim Corrêa. Foto: Reprodução/Sedecti

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

O secretário Serafim Corrêa, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (SEDECTI) anunciou, na última segunda-feira, 17, a assinatura do Termo de Cooperação Técnica com a ONG Fundação Amazônia Sustentável (FAS) abrangendo apoio técnico e de gestão para a elaboração do Plano de Bioeconomia do Amazonas. Liderado em conjunto Sedecti/FAS, contará com “a participação da sociedade civil organizada, coletivos, gestores públicos, gestores privados e especialistas”. O objetivo central do Plano é formular os termos adequados que possibilitem “legislar sobre as práticas de bioeconomia e influenciar melhorias incrementais com o objetivo de aumentar a participação da bioeconomia no PIB e a proteção dos ativos ambientais no Estado do Amazonas”.

A Cláusula Terceira do Acordo define as obrigações das partes, levando em conta que, à Sedecti competirá:

  • I. Coordenar as atividades acordadas entre as partes;
  • II. Арoiar na mobilização de recursos e parceiros para a elaboração do Plano;
  • III. Articular com atores governamentais (municipal, estadual e federal) sobre atividades relevantes para a construção do Plano;
  • IV. Convocar e convidar atores relevantes para contribuir técnica e institucionalmente com a elaboração do Plano;
  • e V. Validar e revisar conteúdo técnico do Plano.

À FAS, “conjuntamente”, caberá, dentre outros pontos:

  • I. Apoiar na coordenação técnica, administrativa e financeira da construção do Plano;
  • II. Liderar atividades de mobilização de recursos e parceiros;
  • III. Арoiar na articulação com atores governamentais (municipal, estadual e federal) para atividades relevantes;
  • IV. Convidar atores relevantes para contribuir técnica e institucionalmente com a elaboração do Plano;
  • V. Apoiar a elaboração de conteúdo técnico e documentos acessórios, por meio de consultorias especializadas ou corpo técnico institucional;
  • e VI. Contratar consultores, prestadores de serviços e demais aquisições alinhadas entre as partes e dentro do objeto deste instrumento, a partir de financiamento específico.

De acordo com o secretário Serafim Corrêa, “a bioeconomia tem se consolidado como um pilar estratégico para o desenvolvimento sustentável da Amazônia, unindo inovação tecnológica e conservação ambiental”. Para ele, o Plano de Bioeconomia do Estado do Amazonas surge como um instrumento fundamental para regulamentar práticas e fomentar melhorias incrementais no setor”. É, portanto, “uma grande alegria para nós avançarmos o processo. Temos desafios significativos, as responsabilidades são grandes, as tarefas são múltiplas e o tempo é curto. No entanto, com o empenho de todos, estamos progredindo consoante orientação do governador Wilson Lima”, destacou Serafim.

Certamente não passa despercebido ao secretário Serafim Corrêa o fato de que a exploração dos recursos da biodiversidade pressupõe a formulação de nova matriz econômica para o Amazonas a partir da integração PIM/Bioeconomia. Processo que exige priorizar a correção da crônica insuficiência de infraestrutura econômica, destacando-se a urgente necessidade de conclusão das obras da Rodovia BR 319, que contam com a aberta e inflexível oposição da ministra do Meio Ambiente, Marina da Silva, e a implantação do Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE).

Em relação à mobilização de recursos, pouco se pode contar com o Fundo Amazônia, mesmo que, desde sua criação tenha recebido mais de R$ 4,1 bilhões em doações, ainda mantém baixa presença na região. Segundo balanço do BNDES, gestor do Fundo, dos R$ 643 milhões recebidos em 2024, apenas 11% foram repassados a projetos. Não esquecendo, por fim, os trabalhos, os ensinamentos e teses consolidadas dos mestres que efetivamente entendem de bioeconomia na região, destacando-se Samuel Benchimol, Bertha Becker, Alfredo Homma, Niro Higuchi, Henrique Pereira, Adalberto Val, legítimos amazonólogos indutores da cosmologia amazônica.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Ribeirinhos estão em situação de risco por erosão e assoreamento de rios na Amazônia

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Mudanças climáticas intensificam eventos como a seca, que agravam o desgaste do solo e o acúmulo de sedimentos. Registro de erosão na comunidade de Coadi. Foto: Paula dos Santos Silva/Acervo pesquisadores

Mais de cinco mil ribeirinhos da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, a cerca de 600 quilômetros da capital amazonense, estão em situação de risco devido à erosão e ao acúmulo de sedimentos nos rios. O número representa cerca de metade da população localizada nesta região amazônica que é banhada pelos rios Amazonas e Japurá. É o que indica estudo liderado pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, em colaboração com as universidades de Brasília (UnB), do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) e de Toulouse, na França, publicado na quinta (20) na revista científica ‘Communications Earth & Environment‘.

Saiba mais: Portal Amazônia responde: o que são as Reservas de Desenvolvimento Sustentável?

A erosão (localmente conhecida como “terras caídas”) está relacionada à remoção de sedimentos por desgaste causado pelas variações no nível da água ao longo do ano – na região estudada, a diferença pode chegar a 11 metros. Já o assoreamento se refere à deposição de sedimentos no leito e nas margens do rio, o que pode alterar seu curso, formando praias. Enquanto terras caídas destroem construções e territórios, a criação de obstáculos para acesso da população ao rio em áreas de formação de grandes praias dificulta a locomoção e o acesso a serviços e alimentos. Os impactos são agravados em períodos de diminuição do nível das águas, como durante a seca prolongada que afetou a Amazônia em 2023 e 2024.

Saiba mais: ‘Barrancas de terras caídas’: conheça o processo de erosão que acontece nas margens dos rios da Amazônia

A partir de informações de satélite, os pesquisadores consideraram os dados de água na superfície relativos ao período de 1986 a 2021 e combinaram os resultados a informações socioeconômicas da região para mapear o risco de 51 comunidades na região da Amazônia Central. Destas, pelo menos quatro estão sob risco muito alto (comunidades de Santa Domícia, Canariá, Boiador e Acapuri de Baixo) e sete estão sob risco considerado alto (Barroso, Porto Braga, Punã, Ingá, São Raimundo do Panauã, Triunfo e Caburini). Entre os fatores que aumentam a vulnerabilidade das comunidades, estão a maior distância até os serviços disponíveis nos centros urbanos, a ausência de estruturas de organização social e a falta de experiências prévias com desastres do tipo.

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Além disso, foi possível mapear, com o uso de satélites, a ocorrência de perigo de terras caídas e formação de praias em 254 comunidades da Reserva Mamirauá. Do total de comunidades analisadas, 18,5% são afetadas por processos de sedimentação, com impactos importantes no transporte fluvial, 26%, pela erosão das margens fluviais, o que gera perdas diretas de áreas nos territórios, enquanto 55,5% estão em uma situação estável. Mais de 80% destas comunidades estão às margens dos rios e apenas 18% vivem em terras altas, mas que também são impactadas pelo desgaste do solo.

Para o pesquisador André Zumak, do Instituto Mamirauá, as condições da região analisada podem impactar na qualidade de vida dos povos tradicionais da região. Além de ficarem isolados devido à baixa do nível dos rios, eles podem sofrer com insegurança alimentar devido aos reflexos das mudanças no solo na produção agropecuária e na pesca, por exemplo.

O pesquisador alerta ainda que, em decorrência das mudanças climáticas, que intensificam eventos como as secas, os estragos podem ser ainda mais graves. “As secas extremas dificultam a mobilidade dessas comunidades que residem ao longo das margens dos rios. A exposição de algumas áreas durante a seca registrada em 2024, por exemplo, proporcionou eventos chamados de terras caídas, com mortes, inclusive. Isto é uma relação direta com as mudanças climáticas, mas são necessários mais estudos para entender melhor esta relação”, diz Zumak.

A pesquisa destaca o trabalho de mapeamento do Serviço Geológico Brasileiro (SGB) na região, mas alerta que ainda é preciso implementar mais estudos e ações preventivas de desastres. Para o pesquisador do Instituto Mamirauá, a investigação pode orientar políticas públicas voltadas para solucionar e mitigar os efeitos destes processos. “As informações geradas com esta investigação, principalmente a metodologia, que pode ser replicada em outras áreas, já podem ser utilizadas pelo SGB e Defesa Civil dos municípios, auxiliando na identificação de áreas de risco em comunidades ao longo dos rios na Amazônia”, conclui.

DOI: https://www.doi.org/10.1038/s43247-025-02058-x 

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori

Saiba o que é a Terra do Meio e sua importância ambiental para a Amazônia 

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Imagem: Reprodução/ICMBio

Terra do meio. Você já ouviu falar dessa região? Localizada na porção central do sul do estado do Pará, a região é um mosaico ambiental, parte de um vasto território de áreas protegidas. Entre os rios Xingu e Iriri, possui cerca de 8 milhões de hectares, área que equivale a dois estados do tamanho do Rio de Janeiro. É uma das maiores áreas preservadas de floresta amazônica na Amazônia Oriental.

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O nome Terra do Meio surgiu exatamente por sua localização. Ela é formada por um complexo de reservas extrativistas (Resex) – do Rio Iriri, Riozinho do Anfrísio e Rio Xingu -, pela Área de Proteção Ambiental Triunfo do Xingu, pela Estação Ecológica da Terra do Meio, pelo Parque Nacional da Serra do Pardo e ainda três terras indígenas (Xipaya, Kuruaya e Cachoeira Seca).

Alvo de exploração

Algo de garimpeiros e ocupações, a Terra do Meio já passou por intensos ciclos de exploração, que marcaram sua história: do extrativismo de látex e castanha à corrida do ouro. A região abriga ribeirinhos e indígenas que tem seus modos de vida ameaçados por conta dessas ações, além do processo de implantação de uma rodovia (BR-163).

De acordo com informações da Câmara dos Deputados, “cerca de 20 mil pessoas distribuídas em 125 comunidades vivem na zona rural de Porto de Móz, sobrevivendo de caça, pesca, agricultura familiar, extrativismo e comércio de produtos florestais. Um grande trecho de floresta entre os municípios de Porto de Móz e Prainha, na margem esquerda do Rio Xingu, tornou-se um campo de batalha entre essas comunidades, que vivem e dependem dos recursos florestais, e empresas madeireiras que ocupam e exploram a área irregularmente”.

Área de proteção de espécies endêmicas

Atualmente, a Terra do Meio abriga diversas espécies ameaçadas de extinção. Segundo o Atlas da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção do ICMBio (2011), algumas dessas espécies ameaçadas são: macaco-aranha (Ateles marginatus); ararajuba (Guarouba guarouba); gato-maracajá (Leopardus wiedii); onça-pintada (Panthera onça); ariranha (Pteronura brasiliensis) e cachorro-do-mato-vinagre ou cachorro-vinagre (Speothos venaticus).

Segundo o Ministério do Meio Ambiente na Estação Ecológica, há espécies de aves que só ocorrem naquela região (endêmicas), como: jacu (Penelope pileata), cujubi (Aburria cujubi), jacamim-das-costas-verdes (Psophia viridis), ariramba-da-mata (Galbula cyanicollis) e barbudo-de-pescoço-ferrugem (Malacoptila rufa).

Mapa gastronômico inédito da culinária de Belém é produzido com foco na COP30

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Foto: Reprodução/Fapespa

A diversidade de cores e sabores de uma culinária única reunida em um roteiro gastronômico inédito. Esse é o objetivo do Projeto ‘Papa Chibé: mapa gastronômico da cidade de Belém‘, que está sendo elaborado pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), para mapear 2.500 estabelecimentos ligados ao setor de bebidas e alimentação da sede da COP30 (conferência mundial sobre mudanças climáticas). A Fundação está cadastrando estabelecimentos da capital que queiram participar da pesquisa.

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“O levantamento iniciou na segunda semana de janeiro e deve seguir até o final de fevereiro. A previsão é que, até abril, possamos divulgar o resultado dos dados coletados durante a pesquisa de campo”, informa Marcio Ponte, diretor de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas e Análise Conjuntural (Diepsac/Fapespa).

A pesquisa iniciou na Estação das Docas, um dos principais pontos turísticos de Belém, onde todos os restaurantes e lanchonetes já foram mapeados. A cada semana, um novo roteiro de visitas a estabelecimentos é montado, e novos empreendimentos são adicionados ao mapa gastronômico.

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Questionário

Para participar da pesquisa, os empreendimentos receberão presencialmente um pesquisador, em data e hora agendados, quando será passado um questionário com perguntas em torno de temas que vão desde a especialidade gastronômica até a localização e número de funcionários.

A análise desses dados será disponibilizada em uma plataforma on-line, com mapas indicando as rotas da culinária belenense. Para esclarecimentos adicionais, os responsáveis por empreendimentos devem entrar em contato pelo e-mail conjuntura.fapespa@gmail.com.

“No ano em que a cidade irá receber a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, a COP 30, o mapa se torna uma estratégia eficaz para apresentar à sociedade paraense e aos visitantes do mundo a importância desse setor, e o quanto ele movimenta a economia local. Por isso, reforçamos o convite para que donos e donas de estabelecimentos ligados ao setor de bebidas e alimentação participem da pesquisa, que é inédita no Estado”, ressalta Marcio Ponte.

Estabelecimentos que têm interesse em participar da pesquisa podem entrar em contato pelo e-mail conjuntura.fapespa@gmail.com, mencionando o “Projeto Belém Papa Chibé” no assunto.

Foto: Reprodução/Fapespa

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Cidade Criativa da Gastronomia

Belém está entre as quatro cidades brasileiras que possuem o título de Cidade Criativa da Gastronomia. O reconhecimento é dado pela Organização das Nações Unidas (ONU), que leva em consideração características como a diversidade culinária e seu desenvolvimento sustentável e modo socialmente justo. A capital integra essa rede de cidades desde 2015, tornando-se referência na gastronomia mundial.

“Belém já é conhecida mundialmente pela sua gastronomia, mas não são só os sabores que nos importam. Importa, para nós, conhecermos quem são as pessoas que trabalham, onde estão, qual é o volume de recursos gerados e o que precisa ser feito para melhorar. É isso que a Fapespa faz de melhor: criar relatórios, levantar e gerar informações indispensáveis para a tomada de decisão. Afinal, é assim que se faz uma boa política. E é nisso que o nosso governador tem pautado toda a sua trajetória, com base na ciência, na informação qualificada para a tomada das melhores decisões para levar o Pará ao topo, como está sendo feito desde 2019”, reforçou Marcel Botelho, diretor-presidente da Fapespa.

*Com informações da Fapespa

Conservação de Florestas Públicas Não Destinadas pode gerar R$ 15 bilhões em receita sustentável

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Foto: Bruno Kelly/Projeto Mil Madeiras Preciosas

Cerca de 50% do desmatamento na Amazônia ocorre em terras públicas, sobretudo nas Florestas Públicas Não Destinadas (FPNDs), áreas ainda sem destinação específica que somam 63 milhões de hectares na Amazônia Legal. No sul do Amazonas, onde as FPNDs cobrem 11,7 milhões de hectares, o desmatamento já alcançou 813 mil hectares até 2023 e pode destruir outros 1,4 milhões de hectares até 2050, é o que revelam estudos publicados hoje, 12 de fevereiro, pela Iniciativa de Legalidade Florestal, do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora).

Saiba mais: Entenda o que são as florestas públicas não destinadas

As consequências econômicas dessa destruição são alarmantes. A análise aponta que o desmatamento nas FPNDs do sul do Amazonas pode gerar um prejuízo acumulado de R$ 15 bilhões em 30 anos. Por outro lado, a conservação e a destinação adequada dessas áreas poderiam criar um modelo econômico sustentável, gerando bilhões de reais em receitas e fortalecendo cadeias produtivas locais.

“Ao analisarmos os impactos econômicos e ambientais, fica claro que conservar essas florestas não é apenas uma questão ambiental, mas também um imperativo econômico. O uso sustentável das FPNDs é muito mais eficiente do que sua conversão para pastagens, por exemplo”, destaca Pedro Gasparinetti, um dos autores dos estudos.

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A BR-319 e o avanço do desmatamento

A rodovia BR-319, que liga Manaus a Porto Velho, é um dos principais vetores do desmatamento no sul do Amazonas. Estima-se que 87% do desmatamento na Amazônia ocorre em áreas próximas a rodovias, e a BR-319 intensifica essa pressão ao facilitar a criação de ramais ilegais, que conectam a estrada a áreas de FPNDs, facilitando a exploração predatória.

De acordo com o estudo, as FPNDs próximas à BR-319 têm enfrentado o avanço do desmatamento e da ocupação ilegal. Mais de 52% das FPNDs federais e 77% das estaduais estão sobrepostas a registros [TC1] no Cadastro Ambiental Rural (CAR), um indício de grilagem de terras e uma prática que vem facilitando a destruição ambiental.

“Se nada for feito, o cenário da BR-319 pode se tornar semelhante ao do arco do desmatamento, onde milhares de hectares foram perdidos para atividades ilegais. É urgente implementar ações de fiscalização, destinação adequada e políticas de bioeconomia na região,” afirma Gasparinetti.

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O desmatamento e seus impactos na região 

Desde 1988, o desmatamento acumulado nas FPNDs do sul do Amazonas já atingiu 813 mil hectares, o equivalente a 7% de toda a área dessas florestas. O estudo do Imaflora aponta que grande parte desse desmatamento está concentrado em áreas próximas à BR-319, onde estão a maioria das FPNDs federais, que são as mais impactadas: pelo menos 14% da área das FPNDs federais já foi desmatada, enquanto nas FPNDs estaduais o índice é de apenas 1%; cerca de 44% do desmatamento total em FPNDs federais e estaduais ocorreu entre 2019 e 2022, período de enfraquecimento das políticas ambientais no país.

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O desmatamento não apenas destrói o patrimônio ambiental, mas também compromete serviços ecossistêmicos essenciais, como o regime de chuvas e a captura de carbono. “As FPNDs no sul do Amazonas estão localizadas na nova fronteira do desmatamento na Amazônia e estão no centro de disputas territoriais, agravadas pela falta de destinação e pelo avanço de atividades ilegais que comprometem não só o equilíbrio ambiental, mas também o desenvolvimento sustentável da região,” aponta Tayane Carvalho, coautora do estudo.

Sobreposição de CAR e grilagem de terras

O Cadastro Ambiental Rural (CAR), que deveria ser um instrumento de regularização ambiental, é frequentemente usado como ferramenta de grilagem nas FPNDs. O estudo aponta que 52% das FPNDs federais no sul do Amazonas estão sobrepostas por registros fraudulentos no CAR; nas FPNDs estaduais, a situação é ainda mais grave: 77% da área total têm sobreposição de CAR.

As áreas com sobreposição de CAR apresentam taxas de desmatamento maiores, indicando uma relação entre grilagem e destruição florestal. “O CAR, quando utilizado de forma fraudulenta, transforma terras públicas em alvos de especulação fundiária, incentivando o desmatamento e dificultando a destinação dessas áreas para conservação e uso sustentável,” explica Júlia Niero, coautora do estudo.

Manejo sustentável: o potencial econômico das FPNDs 

A pesquisa do Imaflora destaca que conservar as FPNDs é economicamente mais vantajoso do que desmatá-las. Além de desempenharem um papel fundamental na regulação do clima global e na conservação da biodiversidade, as florestas públicas não destinadas conservadas podem gerar ganhos significativos por meio de concessões florestais, créditos de carbono e o manejo de produtos não madeireiros.

A pesquisa do Imaflora destaca que conservar as FPNDs é economicamente mais vantajoso do que desmatá-las. Foto: divulgação

Cerca de R$ 6,5 bilhões em 30 anos é o valor que pode ser gerado por concessões florestais de manejo sustentável de madeira e carbono. Produtos florestais não madeireiros, como castanha-da-Brasil e borracha, têm potencial de retorno de R$ 70,00 por hectare/ano, beneficiando diretamente comunidades locais. Aliado aos outros serviços que a floresta em pé proporciona, esse valor aumenta exponencialmente.

Um hectare de FPND conserva 324 toneladas de carbono, o que pode atrair bilhões em investimentos de mercados de carbono. “Em comparação, a pecuária extensiva, que é um dos principais motores do desmatamento na região, gera apenas R$ 500 a R$ 750 por hectare/ano, um valor muito inferior ao que as florestas em pé podem proporcionar”, avalia Marco Lentini, coautor do boletim.

Essas florestas são habitat para uma biodiversidade única, incluindo espécies endêmicas que dependem de blocos contínuos de floresta para sobreviver. “Destinar essas áreas para conservação e uso sustentável é essencial para manter sua capacidade de regular o clima e proteger serviços ecossistêmicos que vão além da Amazônia,” reforça Maryane Andrade.

Soluções práticas 

Os estudos apontam a necessidade de priorizar a criação de Áreas Protegidas, como Unidades de Conservação e Terras Indígenas, além da expansão das concessões florestais em FPNDs previamente avaliadas, tanto para restauração florestal, a fim de recuperar áreas desmatadas, como para a promoção do manejo florestal sustentável, que produz madeira de origem legal. Outras ações importantes envolvem cancelar registros fraudulentos no CAR e combater a grilagem de terras e o desmatamento ilegal; investir em cadeias produtivas sustentáveis, como as de produtos florestais não madeireiros; promover o mercado de carbono; condicionar a pavimentação da rodovia a salvaguardas ambientais e sociais robustas, para evitar a expansão de atividades predatórias e resguardar os direitos das comunidades tradicionais locais.

“A destinação adequada e a proteção das FPNDs requerem uma abordagem integrada, envolvendo governos, setor privado e comunidades locais”, destaca Leonardo Sobral, diretor de Florestas e Restauração do Imaflora. Para ele, as Florestas Públicas Não Destinadas no sul do Amazonas estão em uma encruzilhada: podem se tornar um modelo global de conservação e uso sustentável, ou seguir o caminho de devastação que outras áreas da Amazônia já enfrentaram.

A combinação de destinação estratégica, fiscalização efetiva e promoção de cadeias produtivas sustentáveis é o caminho mais promissor para garantir que essas florestas continuem beneficiando tanto a economia quanto o meio ambiente.

“As FPNDs são uma oportunidade única de reposicionar o Brasil como um líder global em conservação ambiental e bioeconomia. Ignorar seu potencial seria desperdiçar um patrimônio insubstituível,” conclui Sobral.

Os boletins Timberflow nº 17 e nº18 estão disponíveis no site do Imaflora, trazendo análises detalhadas e estratégias práticas para a proteção das FPNDs. BT nº17 BT nº18.

Com perda de 40% de mata ciliar em 55 anos, Rio Acre corre risco de colapso ambiental

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Foto: Reprodução/InfoAmazonia

O rio Acre perdeu 40% de mata ciliar desde que começaram as ocupações das suas margens pela atividade agropecuária extensiva, a partir da década de 1970. É o que aponta um estudo feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) no núcleo que funciona na Universidade Federal do Acre (Ufac).

Entenda: Portal Amazônia responde: o que são matas ciliares?

Historicamente, o desmatamento da mata ciliar causado pela abertura de fazendas para pecuária e agricultura nos arredores do rio Acre fez com que se perdesse 4,5 mil hectares (45 km²) dos 11,6 mil hectares (116 km²) de vegetação nativa em toda extensão. O estudo do Inpa considerou 100 metros de floresta nativa derrubada a partir da margem do rio, a chamada mata ciliar, conforme define o Código Florestal Brasileiro.

No estudo do Inpa, o município de Epitaciolândia, na divisa com Brasiléia, foi a área com maior degradação de floresta. Além disso, foi em Brasiléia onde o rio Acre passou por dois extremos em 2024: uma seca severa e a maior cheia registrada na região.

Com a perda gradual da mata ciliar ao longo dos anos, o reflexo da devastação no rio Acre pode ser o de colapso ambiental, com risco até de apartar o curso d’água em 2032 na região que passa pela capital Rio Branco, estima Evandro Ferreira, engenheiro agrônomo e pesquisador do Inpa na Ufac e um dos responsáveis pelo monitoramento.

Ferreira alerta, ainda, que a crise climática é agravada pelos os impactos do desmatamento desenfreado. Por isso, o rio tende a registrar, cada vez mais, níveis compatíveis com os de seca extrema ou de inundações.

“O desmatamento da mata ciliar faz com que tenhamos o assoreamento do rio, altera o ciclo natural hidrológico da água, a capacidade de água reciclada dentro da bacia é menor, o que amplifica os impactos de uma seca”, explicou.

O rio Acre está entre os rios da Amazônia impactados pela seca, conforme análise exclusiva da InfoAmazonia feita a partir do monitoramento do Serviço Geológico do Brasil (SGB).

Com a perda de quase metade da vegetação nativa desde 1970, o rio Acre ficou mais vulnerável aos eventos climáticos extremos. Em épocas de chuvas, as inundações invadem as cidades e as comunidades ribeirinhas, enquanto volumes baixos de água comprometem a segurança hídrica da população nos períodos de seca. O rio é o responsável por abastecer a população de 416 mil pessoas que vivem na capital.

Rio Acre também registrou seca extrema em 2024. Foto: Divulgação/Alexandre Cruz-Noronha

Análise ampliada revela desmatamento ainda maior

O desmatamento no rio Acre está além da mata ciliar analisada pelo Inpa. Análise exclusiva da InfoAmazonia revela que entre 2008 e 2023, o rio Acre perdeu 141.20 km² de vegetação nativa no limite de até um quilômetro ao redor de sua margem. que entre 2008 e 2023, o rio Acre perdeu 141.20 km² de vegetação nativa no limite de até um quilômetro ao redor de sua margem. Após 2018, houve uma intensificação do desmatamento, reunindo 50% da área desmatada (71,02 km²) nesses 15 anos.

A maior taxa ocorreu em 2021, quando foram desmatados 17,4 km² ao redor do rio, segundo análise da reportagem. O levantamento teve como base as taxas do programa de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), sistema do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

A análise revela uma intensificação na perda de floresta ao redor do rio no período em que a AMACRO começou a ser discutida em 2018, à época sob a gestão de Jair Bolsonaro (PL). Os dados mostram que o auge da devastação ocorreu justamente em 2021, no ano de lançamento da AMACRO pelos governos estaduais, com apoio do governo federal.

A AMACRO é uma região de 45 milhões de hectares na divisa entre Amazonas, Acre e Rondônia, criada a partir de um projeto idealizado para incentivar o agronegócio como modelo de desenvolvimento, mas que ficou conhecida como “fronteira do desmatamento”. Em 13 dos 32 municípios que compõem a região, lavouras e pastos já ocupam uma área maior do que a de floresta.

Leia também: Desenvolvimento sustentável: saiba o que é o projeto AMACRO

Extremos: cheia e seca históricas em Brasiléia

Distante cerca de 240 quilômetros da capital Rio Branco, Brasiléia fica no sudeste do Acre, na fronteira do Brasil com o Peru e a Bolívia. No município, o rio Acre saiu de uma inundação histórica em fevereiro de 2024, quando o nível da água chegou a 15,58 metros, para uma seca extrema em outubro — o nível ficou com apenas 50 cm,  uma redução na vazante 31 vezes menor em oito meses.

À época da enchente, 93 comunidades indígenas foram afetadas e perderam as roças que serviriam de consumo para o ano todo. O Acre enfrentou o maior desastre ambiental da história, segundo o governo local, com 10,7 mil desabrigados devido às cheias dos rios, que afetam 86% dos municípios.

Rio Acre em 2024 quando registrou cheia histórica. Foto: Marcos Vicentti/Secom-AC

Na seca, o cenário não foi diferente. Famílias acreanas foram impactadas e o governo chegou a distribuir água para regiões que tiveram o abastecimento comprometido. 

Os dois extremos registrados em Brasiléia revelam, segundo o pesquisador do Inpa, um reflexo do que o desmatamento de mata ciliar pode causar.

“A bacia do rio Acre tem a sua dinâmica em função da quantidade de chuvas que cai aqui. O desmatamento tem este efeito de alterar o regime de chuvas. Quanto mais desmatamento, menor o período de chuvas e também de você ter menos água disponível para o próprio rio”, pontuou Ferreira, pesquisador do Inpa na Ufac.

O pesquisador enfatiza que as fazendas onde há criação de gado são as principais causadoras do desmatamento da mata ciliar. Nessas propriedades, há o uso da água do rio Acre para os açudes usados pelos rebanhos, além da escavação de canais para abastecer barragens e até igarapés, o que impede o rio de receber água de afluentes menores.  

“Se você pensar na quantidade de água que eles estão armazenando sem dar satisfação a ninguém, pagar um tostão para a sociedade, é um absurdo. Teoricamente, toda essa água era para estar sendo devolvida para o rio Acre”, comentou.

O rio Acre nasce no Peru e tem 1.190 quilômetros de extensão que percorrem ainda a Bolívia e o Brasil – sendo nove municípios do Acre, e deságua no rio Purus, no município de Boca de Acre, no Amazonas. Quando está com o volume de água dentro do normal, o rio é o que define a tríplice fronteira. Em contrapartida, nos períodos mais secos do ano, é possível fazer uma travessia internacional a pé, de tão baixo que fica o volume de água.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela InfoAmazonia, escrito por Fabio Pontes: Esta reportagem é uma parceria com o Varadouro e faz parte da Rede Cidadã InfoAmazonia, iniciativa para criar e distribuir conteúdos socioambientais da Amazônia. Foi produzida na Unidade de Geojornalismo InfoAmazonia, com apoio do Instituto Serrapilheira.