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Com dois anos de safra interrompida, cacau silvestre renasce na Reserva Chico Mendes

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Cacau silvestre renasce da Reserva Chico Mendes. Foto: divulgação

Depois de dois anos seguidos sem safra, por conta de uma grande alagação e uma seca extrema, famílias extrativistas da Reserva Extrativista Chico Mendes, em Sena Madureira (AC), voltaram a colher e beneficiar cacau silvestre da Amazônia. A retomada da produção em 2025 marca também a chegada dos primeiros frutos plantados em áreas de floresta restaurada — um sinal de resiliência ecológica e comunitária, fruto de trabalho contínuo com apoio técnico da SOS Amazônia e do fundo LIRA / IPÊ (Instituto de Pesquisas Ecológicas).

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O cacau silvestre é um fruto nativo da Amazônia, encontrado em áreas de várzea e valorizado por seu aroma e sabor únicos. Suas amêndoas são fermentadas e secas artesanalmente pelas comunidades e vendidas a empresas que reconhecem o valor da floresta em pé e do trabalho tradicional. Uma dessas parceiras é a Luisa Abram Chocolates, que disponibilizou um técnico para acompanhar e orientar as etapas de quebra, fermentação e beneficiamento.

“A gente sabia que o cacau estava lá, mas a floresta precisava de tempo. Quando vi que os frutos tinham voltado, fui atrás, mobilizei os vizinhos e pedi apoio para retomar tudo de novo. Inclusive, o técnico da Luisa Abram veio dar um curso na comunidade para nos ensinar a fermentar corretamente cada lote de amêndoas. Agora está acontecendo de verdade. Meu plano é continuar todo ano. Quem quiser parcerias ou quiser vir conhecer nossa área, nosso portão está aberto, porque eu não vou desistir desse projeto”, conta Seu Caru, liderança da AMOPRESEMA (Associação dos Moradores e Produtores da Reserva Chico Mendes) e pai do presidente da associação.

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Cacau silvestre renasce da Reserva Chico Mendes. Foto: divulgação

Além dos frutos que crescem espontaneamente na floresta, parte da colheita de 2024 vem de sistemas agroflorestais implantados há quatro anos com mudas de cacau nativo e outras espécies, como banana, açaí e castanheira. As áreas foram restauradas com apoio técnico e fazem parte de uma estratégia de longo prazo para conciliar recuperação ambiental e renda local.

 “A floresta respondeu. E o mais importante é que a comunidade também respondeu — com conhecimento, com vontade, com organização. Essa safra é pequena, mas cheia de significado”, afirma Adair Duarte, gerente do Programa de Restauração da Paisagem Florestal da SOS Amazônia.

O projeto Nossabio – Territórios Conservados atua em cinco Unidades de Conservação no Acre e Rondônia, beneficiando cerca de 315 famílias. Com apoio do LIRA/IPÊ, a iniciativa promove o uso sustentável dos recursos naturais, oferece capacitações, estrutura núcleos de beneficiamento e fortalece a governança comunitária.

“O cacau é um símbolo potente: ele exige manejo paciente, cuidado técnico e conexão com o tempo da floresta. Ver os frutos voltando — inclusive nas áreas restauradas — mostra que o investimento feito está dando retorno social, ambiental e econômico”, avalia Fabiana Prado, gerente do LIRA/IPÊ.

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Cacau silvestre renasce da Reserva Chico Mendes. Foto: divulgação

O beneficiamento das amêndoas segue padrões técnicos definidos em cartilha da SOS Amazônia. As etapas vão desde a colheita, quebra e fermentação até a secagem em barcaças e o transporte por barco e estrada até os pontos de venda. Todo o processo é manual e envolve o conhecimento acumulado por gerações. A produção também se alinha ao movimento de valorização de ingredientes nativos da Amazônia no mercado brasileiro e internacional.

“A floresta voltou a dar frutos, mas isso não acontece por acaso. O que sustenta esse processo é a continuidade: anos de apoio técnico, presença de parceiros e, principalmente, a vontade das famílias de seguir em frente, mesmo diante dos impactos das mudanças climáticas”, diz Neluce Soares, coordenadora do LIRA/IPÊ.

A expectativa é que, nos próximos anos, mais famílias possam colher frutos das áreas restauradas e ampliar a escala da produção. A parceria com empresas como a Luisa Abram, que pagam acima do valor de mercado e atuam diretamente com as comunidades, contribui para garantir uma relação comercial justa e duradoura.

“O LIRA/IPÊ aposta em cadeias da sociobiodiversidade porque elas conectam conservação, conhecimento tradicional e desenvolvimento. O que estamos vendo no Acre é o resultado concreto dessa aposta — e isso precisa ser valorizado, replicado e protegido”, reforça Fabiana

‘Sexta-feira Santa’: aprenda a fazer tambaqui na brasa com vinagrete de milho verde

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Tambaqui na brasa com vinagrete de milho de verde — Foto: Rede Amazônica

A “Sexta-feira Santa”, data na qual os cristãos católicos recordam o dia da morte e crucificação de Jesus Cristo, é celebrando como forma de penitência, pois muitos fiéis não consomem carne de animais de sangue quente, como o boi, o porco e o frango, e optam pelo peixe.

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Pensando em te ajudar no cardápio, o chef Pedro Bagattoli ensina uma receita de um tambaqui na brasa e na folha de bananeira com um vinagrete de milho verde. Confira:

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Ingredientes

Peixe

  • 1 tambaqui inteiro 3 a 4kg
  • 5 folhas de chicória picada
  • 2 pimentas de cheiro
  • 2 limão
  • 4 colheres de sopa de azeite
  • Sal
  • 3kg sal grosso
  • Folha de bananeira

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Vinagrete de milho verde

  • 1kg milho verde
  • 1 colher de manteiga
  • 3 dentes de alho
  • 3 tomates maduros
  • 1 cebola ( se tiver a roxa melhor )
  • 1/2 maço de cebolinha
  • 1 limão
  • 1/3 xícara de azeite
  • Sal

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Modo de preparo:

Peixe

  1. Tempere o tambaqui por dentro com sal, azeite, limão, chicória e pimenta de cheiro, meia hora antes de assar.
  2. Sapeque as folhas de bananeira na chapa quente do fogão a lenha ou na chama do fogão a gás, para que ela fique maleável.
  3. Faça uma cama de folhas na bancada, coloque uma cama da sal grosso e em seguida coloque o tambaqui.
  4. Cubra o tambaqui com mais sal grosso e enrole na folha de bananeira totalmente na crosta de sal.
  5. Leve para brasa por aproximadamente 1 hora, retire as folhas de bananeira, a crosta de sal e retire também a pele que vai sair com facilidade.
  6. Sirva com o vinagrete de milho verde.

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Vinagrete de milho verde

  1. Doure o alho na manteiga e refogue o milho verde até ele ficar mole.
  2. Deixe esfriar.
  3. Com o milho frio, misture o tomate a cebola, cebolinha, e tempere com o azeite, sal e limão.
  4. Sirva com o peixe assado.

Casa Azul: o passado sombrio escondido às margens da Transamazônica

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A Casa Azul também foi utilizada para fins de repressão, sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e um presídio militar. Foto: Reprodução/Denise Costa

Durante a década de 1970, auge da ditadura militar, o imóvel foi utilizado como centro clandestino de detenção, tortura e execução de presos políticos. Guerrilheiros que atuavam na região do Araguaia e camponeses suspeitos de envolvimento com a resistência foram levados à força para o local, onde enfrentaram interrogatórios brutais e condições desumanas. Para mascarar sua verdadeira função, a Casa Azul abrigava, oficialmente, o extinto Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), numa tentativa de manter a fachada institucional.

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Segundo o livro Direito à Memória e à Verdade, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, investigações conduzidas pelo Ministério Público Federal em 2001 identificaram quatro bases militares clandestinas na região sul e sudeste do Pará. Em Marabá, além da Casa Azul, também foram utilizados para fins de repressão a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e um presídio militar. Em São Domingos do Araguaia, o presídio da Bacaba era responsável pela triagem de camponeses suspeitos — muitos dos quais acabavam sendo levados para a Casa Azul.

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Em Marabá, além da Casa Azul, também foram utilizados para fins de repressão a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e um presídio militar. Foto: Reprodução/Agência Pará

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Além de serem brutalmente torturadas, algumas vítimas eram forçadas a colaborar com os militares, ajudando, sob ameaça, na rotina da Casa Azul. Os relatos, ainda hoje, são dolorosos e muitas vezes silenciados pelo medo e pela ausência de justiça plena.

A existência da Casa Azul permanece como um lembrete de que, por trás de prédios comuns e nomes inofensivos, se pode esconder uma história de sofrimento e resistência. Em tempos de negacionismo e revisionismo histórico, manter viva a memória desses lugares é um dever de todos que acreditam nos direitos humanos, na democracia e na verdade.

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Desintrusão da Terra Indígena Arariboia gera R$ 956 mil em infrações

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Terra Indígena Arariboia. Foto: Secom/Divulgação

A operação realizada pelo governo federal para desintrusão da Terra Indígena Arabóia, no Maranhão, gerou R$ 956 mil em autos de infração, a retirada de cercas ilegais e a elaboração de 66 notificações para regularização de criadores de gado que atuam na região.

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Ao todo, foram 382 ações realizadas nesta semana. As medidas são coordenadas pela Casa Civil da Presidência da República e envolvem uma força-tarefa de órgãos federais.

A operação começou em fevereiro deste ano e cumpre uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) para retirada de não indígenas do território, que é ocupado pelos povos Guajajara e Awá.

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Além da Casa Civil, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Ministério dos Povos Indígenas participam da operação. 

O plano apresentado pelo governo federal para desocupação da Terra Indígena Arabóia foi aprovado no ano passado pelo STF. 

A discussão chegou ao Supremo por meio de uma ação apresentada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) para obrigar a adoção de medidas para desocupação dos territórios durante o governo de Jair Bolsonaro.

*Com informações da Agência Brasil

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Pesquisa sobre qualidade da água em Manacapuru é selecionada para apresentação em congresso nos EUA

O estudante Matheus Nogueira, do 5º período da Afya, Faculdade de Ciências Médicas de Manacapuru, teve sua pesquisa acadêmica com o tema: “Qualidade da água e saúde intestinal: avaliação do acesso à água tratada e da prevalência de endoparasitoses em Manacapuru, interior da região amazônica”, selecionada para apresentação na 9ª edição do Congresso Mundial sobre Doenças Infecciosas. O evento acontece em outubro, em Orlando, na Flórida, reunindo especialistas de diversas partes do mundo.

O estudo desenvolvido por Matheus integra o programa de Iniciação Científica da Afya Manacapuru e tem como objetivo investigar a relação entre o acesso e o consumo de água não tratada e a infecção por parasitoses na população do município.

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O estudante Matheus Nogueira realizou a pesquisa. Foto: Divulgação

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A pesquisa teve início em setembro de 2024, no Laboratório Central de Análises Clínicas de Manacapuru (LACEN), onde Matheus realizou entrevistas com pacientes, coletando dados e amostras fecais para análise laboratorial.

A investigação busca não apenas compreender a relação entre o consumo de água não tratada e infecções, mas também contribuir com informações que possam auxiliar em ações de conscientização e políticas de saúde pública. A pesquisa ainda está em andamento e pode ser conferida no link.

Sobre a seleção para um evento tão importante dentro da área científica, Matheus Nogueira afirma que sempre teve interesse por experiências acadêmicas internacionais.

“Movido pela relevância científica do tema, me dediquei à busca por congressos globais na área de doenças infecciosas e encontrei o World Congress on Infectious Diseases como uma oportunidade ideal”, conta.

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O estudante Matheus Nogueira realizou a pesquisa. Foto: Divulgação

Para garantir a participação no evento, o estudante da Afya submeteu um resumo detalhado da pesquisa, que passou por uma avaliação criteriosa de uma banca científica, analisando aspectos como relevância, originalidade, rigor metodológico e contribuição para a área.

Durante o congresso, Matheus apresentará sua pesquisa em uma exposição oral de 20 minutos. Esta será a primeira vez que ele apresentará os resultados do estudo e sua estreia em um congresso internacional.

“É um marco desafiador na minha trajetória acadêmica, que só foi possível graças ao apoio de tantas pessoas queridas. Sou muito grato à minha família, amigos, à Faculdade Afya Manacapuru e à equipe de pesquisa, sob a orientação das professoras Ádrya Souza e Dra. Nadielle Castro”, destacou.

O evento em Orlando reunirá pesquisadores e especialistas de diversas partes do mundo para debater os avanços no estudo das doenças infecciosas. 

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Conheça a história de Valentina Marques: a atriz do interior do Amazonas que virou protagonista de filme da Globo

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Foto: Divulgação

Entre os rios e a imensidão da floresta amazônica, a jovem atriz Valentina Marques percorre a BR-174 desde os seis anos de idade em busca de seu lugar nos palcos e nas telas. Pelo sonho de ser atriz, ela e a família viajam toda semana mais de 100 quilômetros de Presidente Figueiredo a Manaus, no Amazonas, para a menina se aperfeiçoar no teatro. Agora, aos 13 anos, Valentina coleciona premiações e comemora a estreia como protagonista de um filme da TV Globo.

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O rosto dela ainda carrega traços infantis, mas a trajetória já tem a consistência de uma veterana. Natural da Paraíba, Valentina cresceu no Amazonas, terra escolhida pelos pais para viver. Ela começou sua trajetória de estudos na Casa de Artes Trilhares, em Manaus, e rapidamente passou a ser um nome conhecido nos bastidores dos festivais locais.

Participou de montagens como A Paixão de Cristo e Auto de Natal e conquistou prêmios nacionais que deram maior visibilidade ao seu talento. Em 2021, venceu o Festival Nacional de Monólogos. No ano seguinte, levou o Prêmio Jorge Fernando, ambos como melhor atriz. Em 2024, foi homenageada no Festival de Cinema Galo da Serra como Artista Destaque do Ano.

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Atriz Valentina Marques. Foto: Divulgação

No audiovisual, a virada de Valentina Marques veio com a série Cangaço Novo, da Amazon Prime Video, onde interpretou a versão jovem da personagem Dinorah. A crítica elogiou. O público percebeu o talento da jovem amazonense de coração.

A estreia como protagonista de um filme da TV Globo, exibido na Tela Quente e já disponível no Globoplay, é um novo capítulo na trajetória da jovem atriz, que almeja participar de novelas e de outros filmes.

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“Minha paixão pelo teatro, pelas artes, e por interpretar nasceram comigo e, a cada novo personagem, me sinto desafiada e realizada. Continuo me dedicando muito, estudando bastante porque quero estar preparada para desafios ainda maiores, como trabalhar em novelas”, disse.

Fora das câmeras, Valentina também é modelo, apresentadora e repórter mirim. Cita Maísa e Larissa Manoela como suas maiores inspirações. Na escola, a jovem também é das mais dedicadas. Adquiriu fluência no Inglês, com certificado Cambridge, pensando em viajar ainda mais longe.

“A arte é o que me realiza e eu entendi, com a ajuda dos meus pais, que a gente precisa estudar muito para chegar aonde a gente quer. Então, eu me dedico ainda mais, porque é o que eu amo e é também uma forma de estar preparada para agarrar as oportunidades”, disse.

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Dois dias em baixa frequência

Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br

Não saberia dizer exatamente quando começou. Talvez tenha sido em uma reunião em que saí incomodado e com uma sensação ruim. Eu me senti, de certa forma, agredido, embora não diretamente. Respondi, de maneira também indireta, mas não da forma que eu gostaria. Talvez a fala da pessoa não fosse para mim e, aí, uma posição mais contundente não faria sentido. Me questionei se estaria certo, mas não poderia ter certeza. Nutri, porém, um sentimento ruim com a situação, alimentado ainda por outros argumentos que me vinham à mente. Sim, talvez tenha sido este o momento em que algum tipo de gatilho foi disparado. 

Comecei a ficar um tanto irritado e mais sensível a certos incômodos. Não fui bem atendido na padaria, por exemplo. A fila estava longa, o tratamento não foi cortês e, excessivamente lento, me fazendo desperdiçar um precioso tempo. 

No trânsito, cada fila que eu pegava era a que andava mais devagar. Tinha sempre alguém sem pressa, andando como se estivesse passeando, em pleno dia de semana. Alguns mais espertos furavam a fila, passando à frente do carro lento, deixando quem estava na sequência, ainda mais atrás. Inaceitável uma coisa dessas, pensava. 

O noticiário, particularmente, parecia ainda mais duro. Mais um caso de feminicídio, um outro acidente gerado por ingestão de bebida alcoólica, um novo escândalo de corrupção, casos de violência policial e as catastróficas previsões dos efeitos da guerra das tarifas internacionais. Os fatos não eram novos, mas naquele momento, pareciam tornar o mundo ainda mais perigoso.  

Meu smartphone simplesmente, do nada, apagou. Tinha um pouco mais de um ano de uso e não era possível que tivesse acontecido isso. Como ficar sem o celular? Alguns contatos importantes seriam feitos naquele dia. Os bancos, particular e da empresa, cartões, tudo estava lá dentro. Por onde começar? O contato com a assistência técnica revelou que a garantia havia se expirado há 35 dias. Mesmo pagando pelo conserto, seria preciso enviar pelo correio o aparelho, aguardar a avaliação e os procedimentos poderiam durar até 10 dias. Numa assistência local, talvez um pouco menos. Seria preciso comprar um novo aparelho, mesmo que mais simples, para uso imediato. 

O novo aparelho, mais simples nos recursos, para mim era mais complexo no uso, não conversando com o anterior, por ser de outra marca e adotar um outro sistema, com diferentes processos, botões e símbolos, que precisariam ser aprendidos. Fui ficando mais agitado e cada pequena dificuldade com o aparelho parecia um enorme problema.  

Neste estado de ânimo, discuti com a minha mulher, que não estava me ajudando suficientemente a lidar com a situação. Ela que tinha mais jeito do que eu para entender a lógica do novo aparelho, também estava perdendo a paciência com a minha impaciência. 

Notícias da família e de amigos não eram animadoras e até o ritmo do trabalho não parecia o mesmo. As coisas andavam de maneira truncada, exigindo mais esforço e mais tempo. A equipe, custando a responder. Os resultados, aparentemente bons, não geravam a mesma sensação de gratificação. As coisas a fazer pareciam mais volumosas e difíceis de serem conciliadas.  

Foi quando percebi o que estava acontecendo. Pode ter sido na tal reunião acima, ou não, mas, em algum momento, eu caí em uma armadilha e permiti baixar a frequência de minha mente e de meus atos. Nada de relevante havia mudado na minha vida, mas o nível de felicidade sim. 

Não sei se você entende o que quero dizer, mas vivemos todos em uma determinada frequência, que influencia os acontecimentos externos e, mesmo independentemente deles, determina o nosso nível de felicidade normal. A neurociência, a psicologia positiva e pensadores como Platão, Carl Jung e Mokiti Okada, dentre outros, nos ensinam isso.  

Foram dois dias de baixa frequência que me valeram um reforço de aprendizado. Ter percebido o que estava acontecendo me possibilitou adotar um novo posicionamento e retornar a minha frequência normal. Vale para todos nós. Nossos pensamentos e ações conscientes, ou não, podem nos aproximar ou afastar da felicidade. 

E você, como anda a sua frequência nestes dias? O que você pode fazer para elevá-la ainda mais?

Sobre o autor

Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Garimpo Legal do Ouro na Amazônia: Recomendações para um Adequado Controle dos Impactos Socioambientais

Garimpo: venda de ouro exigirá nota fiscal eletrônica – Foto: reprodução

Apesar de legalizado, o garimpo de ouro na Amazônia provoca impactos socioambientais semelhantes aos da atividade ilegal, como desmatamento, contaminação por mercúrio, conflitos com povos tradicionais e trabalho escravo. É o que aponta um novo estudo do Climate Policy Initiative (CPI/PUC-Rio) e do Amazônia 2030, que alerta para falhas na regulação e na fiscalização da atividade, hoje cada vez mais dominada por empreendimentos de grande porte.

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De acordo com o estudo dos pesquisadores Gabriel Cozendey, analista legal sênior do CPI/PUC-Rio, e Joana Chiavari, diretora de pesquisa da instituição, mostra que o garimpo legal tem crescido de forma acelerada na Amazônia Legal: entre 2016 e 2023, 82% das áreas com permissão para garimpo de ouro no Brasil foram concedidas na região, totalizando 630 mil hectares, o equivalente a quatro vezes o território da cidade de São Paulo.

O Pará e o Mato Grosso concentram a maior parte dessas permissões. No Pará, o problema se agrava: o licenciamento ambiental da atividade ocorre de forma simplificada e descentralizada para os municípios, com pouca transparência e baixo controle — mesmo sendo o garimpo classificado, por lei, como atividade de alto impacto.

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Garimpo: Ouro extraído da Amazônia. Imagem: reprodução

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Outro achado relevante do estudo é o protagonismo das cooperativas de garimpeiros, que hoje operam áreas 178% maiores do que aquelas exploradas por pessoas físicas e pequenas firmas somadas, e mais que o dobro da média da mineração industrial. Essa mudança de escala transforma o garimpo em um verdadeiro empreendimento empresarial, sem que as regras ambientais e de controle tenham acompanhado essa evolução.

Além de desmatamento e contaminação por mercúrio, o estudo também destaca problemas como trabalho escravo, conflitos com povos tradicionais, evasão de divisas e lavagem de ouro, que continuam presentes mesmo em operações legais.

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Recomendações

Para enfrentar os impactos do garimpo legal na Amazônia, os autores propõem uma série de medidas urgentes. A principal delas é a exigência de pesquisa prévia obrigatória — hoje aplicada apenas à mineração industrial — também para atividades de garimpagem, sobretudo quando operadas por cooperativas. Essa etapa garantiria maior controle ambiental e ajudaria a combater a lavagem de ouro.

O estudo também recomenda o arquivamento de projetos de lei que tramitam no Congresso e que, ao flexibilizar ainda mais o garimpo, podem aprofundar as distorções já existentes. Além disso, destaca a importância de os estados — especialmente o Pará — reforçarem o licenciamento ambiental com mais rigor técnico, transparência e capacidade institucional, para evitar que a atividade siga sendo um dos principais vetores de degradação socioambiental na região.

“Há um descompasso profundo entre a realidade do garimpo hoje e a forma como o Estado o regula. Sem mudanças estruturais, o garimpo legal continuará sendo um vetor de degradação na Amazônia”, afirmam os autores.

Leia o estudo Garimpo Legal do Ouro na Amazônia: Recomendações para um Adequado Controle dos Impactos Socioambientais AQUI.

*O conteúdo foi escrito originalmente por https://amazonia2030.org.br/

Pesquisa mostra potencial biotecnológico da folha de pau-de-balsa como substituto do mercúrio na mineração

Folha de pau-de-balsa como substituto do mercúrio na mineração. Foto: Arquivo pessoal da pesquisadora Marta Regina Silva Pereira

Mostrar o potencial biotecnológico da folha da árvore de pau-de-balsa (Ochroma pyramidale) como substituto do mercúrio na mineração de ouro é objetivo da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), desenvolvido por pesquisadores da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

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O estudo aponta a eficácia do extrato aquoso das folhas de Ochroma pyramidale, conhecida popularmente como pau-de-balsa, com eficiência em torno de 80% no processo de separação de ouro de outros minerais em concentrados de sedimentos, tornando-o eficiente para substituir o uso de mercúrio na mineração artesanal e de pequena escala.

A pesquisa demostrou que o uso do extrato é eficiente, simples, mais barato e ecologicamente correto do que os métodos tradicionais. Além disso, o manejo do extrato vegetal em substituição do mercúrio pode contribuir significativamente para a saúde e segurança das comunidades envolvidas na atividade, além de proteger o meio ambiente da contaminação química causada pelo mercúrio. O projeto foi desenvolvido em colaboração com a UEA, com a Universidade Federal de Rondônia (UFRO), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Instituto Militar de Engenharia.

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Foto: Arquivo pessoal da pesquisadora MartFolha de pau-de-balsa como substituto do mercúrio na mineração. Foto: Arquivo pessoal da pesquisadora Marta Regina Silva Pereira

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Reflorestamento

O estudo buscou ainda promover reflorestamento e práticas agroecológicas para recuperar áreas degradadas e fortalecer a soberania alimentar das comunidades ribeirinhas do município de Manicoré (distante a 332 km de Manaus). No decorrer da pesquisa foram realizadas ações de educação ambiental e assessoria técnica para 490 famílias das associações agroextrativistas na região do Médio Madeira.  Ao todo, o projeto implantou 14 viveiros florestais, contribuindo para o reflorestamento e a recuperação de áreas degradadas.

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Apoio

Para a coordenadora do projeto, o apoio da Fapeam foi fundamental por incentivar a colaboração científica e crucial para explorar o potencial biotecnológico da espécie.

“Sem o apoio da Fapeam, o alcance social e ambiental da pesquisa seria bem mais limitado. O financiamento permitiu que o projeto impactasse diretamente 490 famílias, com a criação de viveiros comunitários e a conscientização sobre práticas sustentáveis. Com o fomento da Fundação tivemos a integração entre diversas instituições de ensino e pesquisa unindo conhecimento técnico e científico em prol do sucesso do projeto”, explicou Marta Regina .

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Pap-Intec/Mineração

O Pap-Intec/Mineração Sustentável teve como objetivo fomentar projetos de ciência, tecnologia e/ou inovação que apontassem soluções para a redução dos impactos ambientais decorrentes do extrativismo mineral e oferecessem alternativas viáveis em substituição ao uso do mercúrio na cadeia de extração do ouro.

Além disso, o programa visou a programação  de atividades voltadas à temática educação ambiental e inclusão social, para dar continuidade aos processos de formação e capacitação científica e tecnológica, com ênfase na população ligada direta ou indiretamente à cadeia de produção mineral.

A iniciativa é uma parceria entre a Fapeam e a Fundação Rondônia de Amparo ao Desenvolvimento das Ações Científicas, Tecnológicas e à Pesquisa do Estado de Rondônia (Fapero), e buscou estimular a pesquisa colaborativa entre pesquisadores doutores do Amazonas e de Rondônia

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A pesquisa

A pesquisa será realizada no âmbito do Programa de Apoio à Pesquisa de Inovação Tecnológica – Redes de Pesquisa em Mineração Sustentável (PAP-INTEC/Mineração), edital nº 002/2022, coordenada pela Doutora em Botânica e professora da UEA, Marta Regina Silva Pereira, intitulado de ‘Potencial biotecnológico de ochroma pyramidale (cav. Ex lam.) Urb. (malvaceae)’,

*Com informações da FAPEAM

Pesquisa vai analisar influência das abelhas sem ferrão no aumento da produção de açaí na Amazônia

As abelhas têm o papel fundamental na polinização de alimentos — Foto: Jesiel Braga/PMM

Pesquisadores vão mapear, ao longo de três anos, organismos como insetos e fungos importantes nas cadeias produtivas do açaí e de oleoginosas na região da foz do rio Amazonas, em áreas do Amapá, do Pará e parte da Guiana Francesa. No total, 40 pesquisadores de instituições brasileiras e uma alemã vão participar do trabalho, que iniciou este mês.

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Em uma das frentes do estudo, serão trabalhadas a identificação e a criação de abelhas sem ferrão dentro dos açaizais, como forma de aumentar a produção do açaí, além de ter o mel como subproduto. De acordo com outra pesquisa da Embrapa, a meliponicultora pode aumentar a produtividade dos açaizais entre 30% e 70%.

No Brasil, há cerca de 1.500 espécies diferentes, das quais 300 são meliponini, ou seja, naturalmente sem ferrão ou com ferrão atrofiado.

O projeto é coordenado pela Embrapa Amapá e tem financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Entre as instituições participantes estão o Jardim Botânico do Rio de Janeiro e a Universidade de Bonn, na Alemanha.

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Açaí coletado no Arquipélago do Bailique, no Amapá — Foto: Rafael Aleixo/g1

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O trabalho terá ainda a participação das comunidades locais, que participarão das atividades técnicas.

“A importância do projeto está relacionada com o fato de que iremos estudar organismos incógnitos (epífitas, fungos e insetos), pequenos, pouco conhecidos, normalmente ignorados, mas que são importantes nas cadeias produtivas do açaí e das oleaginosas da floresta de várzea e, consequentemente, para as famílias e comunidades ribeirinhas”, descreveu Marcelino Guedes, pesquisador da Embrapa Amapá e coordenador do projeto.

Guedes explicou que um dos insetos que a serem analisados será o barbeiro, que possui mais de 150 espécies diferentes e que podem transmitir a doença de chagas junto com o açaí. Na mira dos cientistas também estão os insetos brocadores de sementes, que prejudicam a produção do óleo de andiroba e pracaxi.

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Sobre a pesquisa

Pesquisadores da Embrapa Amapá durante pesquisa de campo na Amazônia — Foto: Marcelino Guedes/Arquivo Pessoal

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O projeto “Revelando os incógnitos: epífitas, insetos e fungos associados à flora arbórea de várzea na Amazônia Oriental” foi uma das 24 propostas aprovadas de 191 que concorreram na chamada do programa “Expedições Científicas – Iniciativa Amazônia + 10”.

A iniciativa lidera pela Embrapa Amapá tem a participação de instituições como as universidades Estadual (Ueap) e Federal do Amapá (Unifap), além do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas (Iepa), Embrapa Amazônia Oriental (PA) e Embrapa Agrobiologia (RJ).

Por Rafael Aleixo, g1 AP — Macapá

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