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ICMBio tem 5 meses para montar plano e delimitar áreas em Resex no Acre

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Foto: Juvenal Pereira/WWF-Brasil

Uma ação civil pública do Ministério Público Federal (MPF-AC) determina que o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) faça o georreferenciamento das áreas ocupadas pelas famílias extrativistas na Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes. O órgão federal ajuizou a ação civil com pedido de liminar. Ao Grupo Rede Amazônica, o ICMBio informou que foi notificado e analisa o pedido.

O MPF pede que o ICMBio elabore, no prazo de cinco meses, um plano de delimitação das colocações com participação das associações comunitárias, núcleos de base e moradores, com a previsão do material necessário para a execução das atividades. Em caso de descumprimento, o MPF pede a aplicação de multa diária no valor de R$ 50 mil.

De acordo com o MPF, essas áreas são chamadas “colocações” e caracterizam-se pelo uso coletivo da floresta pelas famílias extrativistas que moram na unidade de conservação.

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Ainda segundo o órgão federal, a ausência de delimitação precisa dos territórios ocupados contribui para conflitos entre moradores, dificulta a responsabilização por infrações ambientais e compromete o cadastramento correto das famílias beneficiárias.

A Resex Chico Mendes abriga cerca de 4.500 famílias e o MPF-AC destaca que o local enfrenta graves problemas de desmatamento, uso irregular da terra e fracionamento indevido das colocações, o que afeta diretamente os objetivos de conservação e sustentabilidade da unidade.

A ação ressalta também que a falta de georreferenciamento impede a aplicação das regras previstas no Plano de Utilização da Resex, como os limites para atividades agropecuárias e o uso sustentável dos recursos naturais.

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Além disso, compromete a fiscalização e dificulta a implementação de políticas públicas, como a recuperação de áreas degradadas e a atribuição de responsabilidade por embargos ambientais.

Após a apresentação do planejamento, o instituto deverá concluir o georreferenciamento no prazo de até 24 meses e disponibilizar todas as informações em banco de dados público pela internet, sob pena de multa de diária de R$ 50 mil.

O órgão federal ressaltou que a delimitação georreferenciada é essencial para a efetiva gestão compartilhada da Resex, prevista em lei e que desde 2017 já havia feito a recomendação ao ICMBio, porém o conselho não foi acatado à época.

Combate pecuária de corte na Resex

Por conta do aumento no desmatamento na Resex, em Rio Branco, agentes do ICMBio deflagraram em abril deste ano, com o apoio da Polícia Federal (PF-AC), a Operação “Boi Fantasma”. A Rede Amazônica Acre acompanhou com exclusividade a ação que tinha como objetivo o combate a pecuária de corte irregular na reserva.

Os agentes detectaram inconsistências na declaração de rebanhos bovinos por imóveis rurais da unidade de conservação no Sistema de Defesa Agropecuária e Florestal (Sisdaf), que regula a criação de gado.

*Com informações da Rede Amazônica AC

Ópera nas escolas: quando a música lírica conquista a juventude; assista

Projeto ‘Ópera em Rede’. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

Aproximar crianças e jovens do universo da ópera, com apresentações culturais e atividades educativas voltadas à valorização da arte, da cultura e da sustentabilidade, é um dos objetivos do projeto ‘Ópera em Rede’, realizado da Fundação Rede Amazônica (FRAM).

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Ópera nas escolas
Projeto ópera das escolas visitou a Escola de Tempo Integral Zilda Arns Neumann. Foto: Divulgação

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A Escola de Tempo Integral Zilda Arns Neumann, localizada em Manaus (AM), foi palco da primeira ação do projeto. Com pocket shows de trechos de óperas famosas e minipalestras explicativas sobre esse estilo musical, os alunos ficaram encantados, muitos dos quais nunca haviam tido contato com esse tipo de espetáculo.

A quadra poliesportiva da escola foi transformada para receber a programação, enquanto na área externa, os estudantes puderam conhecer figurinos utilizados no Festival Amazonas de Ópera (FAO) e aproveitar espaços interativos e “instagramáveis”. Veja como foi:

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Ópera em Rede

O Ópera em Rede é um projeto que tem como objetivos democratizar o acesso à música lírica e a valorização da cultura amazônica, realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), com o apoio de: Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC-AM), Governo do Amazonas e Amazônica Net.

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Dominó em braille é lançado por projeto de universidade no Acre

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Fotos: Reprodução/Ufac

O Núcleo Avançado de Empreendedorismo e Tecnologia do Acre (NaveTech-AC), da Universidade Federal do Acre (Ufac), lançou o projeto de dominó em braille com figuras geométricas no Centro de Apoio Pedagógico para Atendimento às Pessoas com Deficiência Visual do Acre, em Rio Branco, com a realização do primeiro campeonato desse jogo.

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A iniciativa foi desenvolvida em um módulo do projeto IOT (Internet das Coisas), ministrado pelo professor Rodrigo S. Sousa, do Instituto Federal do Acre (Ifac) e realizado no NaveTech-AC, coordenado pela professora Catarina Costa e pelo analista de tecnologia da informação Jair Figueirêdo.

A equipe que desenvolveu o jogo foi composta por Ana Maria B. Souza, José N.C. Neto, Luis Pedro M. Plese, Samuel C. Dias, Sérgio Brazil Júnior e Sthefany S. Ferreira.

O dominó em braille é uma adaptação do dominó padrão, consistindo em 24 peças produzidas em impressora 3D, com acrilonitrila butadieno estireno (ABS, na sigla em inglês).

As peças pesam cerca de 13 gramas e, no lugar dos pontinhos pretos cavados, que representam os números de 1 a 6, estão os símbolos em braille, os quais estão dispostos na horizontal, acompanhados de uma figura geométrica com o número de lados correspondente ao numeral representado. Em cada peça existe uma cavidade para indicar a posição de leitura dos símbolos.

*Com informações da Ufac

O Robert e o Papa

Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br

Parecia um gol de final de copa do mundo, só que muito mais forte, pois não havia um dos lados para chorar. Choros havia muitos, mas de emoções incontroláveis. Era como se no último minuto do jogo, os dois times fizessem um gol e os dois lados vencessem. “É penta! É penta! É penta!”, gritou Galvão Bueno, pulando abraçado com Pelé, em uma cena que ficou marcada na história do futebol brasileiro. Agora não era o futebol e nem o Brasil. Era algo bem maior, divino, talvez. E não se limitava a um país. O alcance era os quatro cantos do mundo.

Quando a fumaça branca aparece, pessoas já olhavam fixamente para a chaminé, numa expectativa de que poderia ocorrer a qualquer momento. A fumaça trouxe a explosão. Gente de todos os lados correm a pé, de bicicleta, se arrastando, gritando ou sussurrando consigo mesmo, falando línguas inelegíveis entre si, mas que todos entendiam o sentido. Repórteres de todo o mundo, falando sem parar, também eles emocionados, com suas câmeras e microfones. Homens, mulheres, trans, pessoas brancas, negras, amarelas, pobres, ricas, de direita, de esquerda, de centro, com rótulos e sem rótulos. É um momento histórico e todos sabem disso. Mas é mais do que algo sabido, é sentido. A energia que percorre a praça e invade as telas do mundo é contagiante. Em vários países, igrejas batem os sinos. Breaking news. Habemus Papam! Nasceu um papa.

Robert era um homem comum. Não tão comum, porque era padre e se tornou cardeal. Mas os padres não são pessoas comuns, de carne e osso? Não possuem suas virtudes e defeitos? Não lidam com as suas tentações? Não convivem com os seus anjos e demônios? Robert era um homem comum quando entrou no conclave. De lá, saiu Leão XIV. Pela crença dos católicos, o Espírito Santo o fez Papa. Ou teria o Espírito Santo assentado no corpo de Robert? Quem dirigirá a igreja católica e os seus mais de um bilhão e quatrocentos milhões de fiéis no planeta Terra? Acredita-se que não será Robert, um homem comum, mas Leão XIV, o Papa.

Um repórter perguntou uma vez a Pelé se não era um tipo de arrogância se referir a si mesmo na terceira pessoa. A resposta foi de que, ao contrário, arrogância seria se ele se confundisse com o Pelé. Ele era apenas o Edson. O gênio, o rei do futebol era o Pelé. Quem entrava em campo e fazia os gols e as jogadas incomparáveis era o Pelé. Edson tinha a consciência de que era um homem comum, mas sabia da grandiosidade de Pelé, que utilizava seu corpo, especialmente suas pernas.

É o mesmo o que acontece com os artistas quando pintam. Com os escritores quando escrevem. Com os músicos quando compõem. Com as mães quando se tornam mães. Com os pais também, nem sempre quando os filhos nascem, mas quando se tornam pais de verdade. Um presidente de um país ou de uma empresa ocupa uma posição que não é ele. O cargo é temporário. Por mais óbvio que pareça, quantos não misturam sua pessoa com a posição que ocupam?

Acredito que, para cumprir algumas destas missões precisamos, muitas vezes, de mais recursos do que possuímos. É como se fizéssemos uso, temporariamente, de forças e inspirações extras, um poder que vai além de nós mesmos, nos fazendo instrumentos de algo maior. Os japoneses usam a expressão Jishoi (Ji-tempo, Sho-lugar e I-posição) para definir a dualidade entre o que somos e a posição que ocupamos, em um lugar em um determinado tempo.

Pode ser que no caso de um Papa, esta energia maior, seja o que os católicos chamam de Espírito Santo. Podemos chamar de Força Cósmica, Inteligência Superior, Energia Divina, ou simplesmente de Universo. Alguns dirão que é o próprio Supremo Deus atuando. Outros rejeitarão completamente a ideia, atribuindo tudo ao acaso e afirmando que Robert Francis Prevost e Leão XIV são a mesma pessoa.

E você, acredita na diferenciação entre a pessoa e o cargo que ocupa? No seu caso, em que momentos você se sente instrumento de algo além de você mesmo? Ficarei feliz em saber o que você pensa a respeito.

Sobre o autor

Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Você sabia que o Teatro da Instalação já foi uma tabacaria?

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Foto: Reprodução/Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas

O charmoso sobrado de azulejos azuis chama atenção de quem passa pela rua Frei José dos Inocentes, no centro histórico de Manaus (AM). Trata-se do Teatro da Instalação, administrado pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa, desde 2001.

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O local é um dos prédios emblemáticos da Belle Époque e passou a ser um espaço de difusão cultural a partir do dia 6 de maio de 2001, quando recebeu a ‘Ópera dos Três Vinténs’, de Kurt Weill e Bertholt Brecht, no Festival Amazonas de Ópera (FAO). Antes, o prédio abrigava a antiga loja Casa Havaneza.

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Imagem: Reprodução/Blog do Durango

A loja, que tratava inicialmente de uma tabacaria em 1888, era de propriedade dos comerciantes J. Vaz da Costa e Soares. O nome foi uma referência à capital cubana, Havana. Porém, a loja expandiu seguindo a demanda e passou a comercializar roupas e outros itens. Além disso, o casarão já foi drogaria e abrigou a sede do Instituto Superior de Estudos da Amazônia (ISEA).

Atualmente, o espaço que foi transformado em ambiente cultural em 2001, contempla 214 lugares e recebe espetáculos de teatro e de dança, concertos, shows, ensaios cênicos de dança e cinema. Também foi adaptado para ser acessível para deficientes físicos.

Amazonas Band e o maestro Rui Carvalho. Foto: Heloisa Gomes

O Teatro da Instalação é também a base de dois corpos artísticos estatais: Amazonas Band e do Corpo de Dança do Amazonas (CDA). Os ensaios acontecem de segunda à quarta-feira, das 9h às 15h, com o CDA e, das 19h às 22h, com a Amazonas Band.

O Teatro da Instalação está localizado na Rua Frei José dos Inocentes, s/nº, no Centro de Manaus. Para mais informações: dcculturais@cultura.am.gov.br ou (92) 3090-6802

Onça-pintada é classificada como ‘em perigo’ de extinção no Maranhão

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Foto: Reprodução/ICMBio

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais (SEMA) do Maranhão publicou no dia 7 de maio, no Diário Oficial, a ‘Lista Oficial de Espécies da Fauna de Vertebrados Ameaçadas de Extinção do Maranhão‘.

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A lista apresenta 184 espécies classificadas nas categorias Criticamente em Perigo (CR), Em Perigo (EN) e Vulnerável (VU), conforme anexo da Resolução Consema nº 82, de 5/05/2025, disponibilizado no site da Sema (veja no fim da matéria).

“É um marco histórico para nosso estado, é a primeira vez que o Maranhão publica a lista, um instrumento essencial para proteção da fauna e para orientar o planejamento de ações de conservação da biodiversidade e de gestão das unidades de conservação, mais uma conquista do Governador Carlos Brandão”, ressaltou o secretário do Meio Ambiente, Pedro Chagas.

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A Lista foi elaborada no processo de avaliação participativo que envolveu 93 pesquisadores e 40 instituições de pesquisa. Aparecem na lista espécies como:

  • Tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla),
  • Gato-do-mato pequeno (Leopardus tigrinus),
  • Onça-pintada (Panthera onca),
  • Tubarão lixa (Ginglymostoma cirratum),
  • Boto cinza (Sotalia guianensis),
  • Gavião real (Harpia harpyja),
  • Ararajuba (Guaruba guarouba),
  • Maçarico rasteirinho (Calidris pusilla),
  • e Tartaruga cabeçuda (Caretta caretta).

Com essa relação, as espécies classificadas ficam protegidas de modo integral, incluindo a proibição de captura, transporte, armazenamento, guarda manejo, beneficiamento e comercialização, podendo apenas servir para fins de pesquisa ou para conservação da espécie mediante autorização da Sema.

Para a Superintendente de Biodiversidade e Áreas Protegidas da Sema, Laís Morais Rêgo, a lista de espécies ameaçadas de extinção é um instrumento de gestão de fundamental importância para a Biodiversidade.

“Ela serve como um indutor de outras políticas públicas como educação ambiental, áreas protegidas, licenciamento e monitoramento ambiental, na priorização de ações e de áreas para a conservação da biodiversidade”, destacou.

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A lista poderá ser atualizada a partir de dados de monitoramento ou aporte de conhecimento científico sobre o estado de conservação da espécie, seguindo a metodologia utilizada.

O projeto faz parte do Plano de Ação Territorial de Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção do Território Meio Norte (PAT Meio Norte), no âmbito do Projeto Pró-Espécies: Todos contra a extinção.

A elaboração da lista segue as diretrizes da Lei Complementar nº 140/2011, que determina a cooperação entre União, estados, DF e municípios na proteção do meio ambiente e preservação das florestas, da fauna e da flora, da Portaria MMA Nº 162/2016, que estabelece os procedimentos e publicação das Listas Oficiais de Espécies Ameaçadas de Extinção, e da Instrução Normativa GABIN/ICMBio Nº 9/2020, que disciplina as diretrizes e procedimentos para a avaliação do risco de extinção das espécies da fauna brasileira, a utilização do Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade – SALVE, a política de dados e a publicação dos resultados.

Estudo faz análise científica dos custos financeiros para funcionamento das UBS Fluviais na Amazônia

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UBS Fluvial. Foto: Divulgação/Susam

Inserida há 12 anos na Política nacional de Atenção Primária do Ministério da Saúde, a estratégia de assistência à saúde por meio de Unidade Básica de Saúde Fluvial e suas equipes fluviais e ribeirinhas só existe no Brasil. Baseado nisso, o estudo de Mestrado em Condições de Vida e Situações de Saúde, desenvolvida pelo Laboratório de História, Políticas Públicas e Saúde na Amazônia, realizou uma análise científica sobre os custos financeiros para o funcionamento das Unidades Básicas de Saúde Fluviais (UBSF) na Amazônia, fornecendo subsídios para uma avaliação aprofundada acerca da estratégia visando o fortalecimento da política. 

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A pesquisa, intitulada ‘Custos da Atenção Primária à Saúde em um Contexto Ribeirinho e Rural da Amazônia Brasileira’, foi realizada entre os meses de junho de 2018 e março de 2019, segundo descreve o autor, o administrador e contabilista Cláudio Pontes.

O estudo tomou como referência os custos de uma UBSF em funcionamento no município de Tefé, a 523 quilômetros de Manaus. A dissertação foi publicada na  coleção britânica Intechopen, de livros internacionais sobre economia da saúde em conteúdos específicos.

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UBS Fluviais na Amazônia
UBS Fluvial. — Foto: Divulgação/Susam

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Na apresentação, o autor descreve a UBSF como uma estratégia inovadora para levar cuidados de saúde a populações ribeirinhas isoladas na Amazônia. Durante o período analisado, foram realizadas nove viagens, atendendo dez áreas e 30 comunidades, com um custo total de R$ 761.705,87 (US$ 190.426,47). Os principais custos foram com recursos humanos (64,62%), insumos de saúde (17,72%) e combustível (12,11%).

Os recursos estimados apresentam uma realidade de viagens nos períodos de cheia, onde o acesso fluvial até as comunidades é facilitado e expressa que nessa época do ano os repasses federal e municipal somados são considerados suficientes para as viagens das equipes da estratégia saúde da família, embora não se tenha feito estimativas no período da seca onde os leitos dos rios estão mais secos e os custos das expedições aumentam sobremaneira.

O autor recomenda que novas pesquisas sobre custo-efetividade e eficiência do serviço possam ser realizadas para aprimorar o modelo. Como fatores limitantes, ele aponta a falta de controle informatizado e a ausência de comparações com outras UBSFs.

A pesquisa aponta também os desafios enfrentados pelas populações ribeirinhas, entre os quais acesso limitado a serviços de saúde, sendo a principal dificuldade a distância e o tempo necessário para se chegar aos serviços de saúde, levando em média 4,2 horas para alcançar áreas urbanas.

Condições geográficas e climáticas, sobretudo relacionadas à sazonalidade dos rios e às condições climáticas que dificultam o transporte, a logística e o acesso às comunidades; altas taxas de doenças, com prevalência de hipertensão (26% da população adulta) e outras condições de saúde devido à falta de acesso regular a cuidados médicos; desigualdade histórica, uma vez que antes da criação das UBSFs, não havia um modelo institucionalizado de atendimento adequado para essas comunidades, e custos elevados de atendimento para levar serviços de saúde (transporte, combustível e manutenção de equipes).

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UBS Fluviais na Amazônia
UBS Fluvial — Foto: Secretaria de Saúde de Almeirim

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Claudio Pontes explica que esses desafios reforçam a necessidade de estratégias específicas, como as UBSFs, atendendo as demandas únicas dessas populações e reduzindo desigualdades. Além de recursos humanos, insumos de saúde e combustível, outros custos associados às UBSF apontados pelo estudo são alimentação (4,02%), materiais de escritório e TI (0,82%), Manutenção (0,34%), materiais de higiene e limpeza (0,24%) e gás de cozinha (0,13%).

O trabalho teve como orientador o pesquisador em Saúde Pública da Fiocruz Amazônia, Rodrigo Tobias de Sousa Lima. Para Tobias, a principal colaboração do estudo é o fato de ter dado uma contribuição científica inédita no campo da saúde coletiva, do ponto de vista dos custos da Atenção Primária à Saúde, que pode vir a se tornar referência para o Brasil e outros países.

“Com sua formação nas ciências gerenciais, Cláudio Pontes oferece uma contribuição estratégica ao estimar os custos das UBS Fluviais na Amazônia. Sua obra se torna referência indispensável para o planejamento e financiamento da saúde fluvial, além de fomentar e fortalecer uma linha de pesquisa no campo da gestão, do planejamento e das políticas de saúde voltadas à realidade amazônica”, comenta Tobias.

UBS Fluviais na Amazônia
UBS Fluvial. Foto: Mais Médicos

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Diagnóstico

Claudio Pontes e Rodrigo Tobias destacam a importância da pesquisa como referencial de consulta sobre saúde fluvial, uma vez que realizam atualmente uma pesquisa com a finalidade de promover diagnóstico situacional das 54 UBSFs, de um total de 96 cadastradas pelo Ministério da Saúde na Amazônia.

UBS Fluviais na Amazônia
UBS Fluvial. Foto: Mais Médicos

“Esse indicador é essencial para se compreender as condições de financiamento dessa estratégia de Atenção Primária em Saúde em regiões fluviais e ribeirinhas – bem como identificar oportunidades e desafios, incluindo aspectos como a sazonalidade dos rios, navegabilidade e a fixação dos profissionais de saúde, levando-se em conta sempre a garantia ao direito universal à saúde em contextos tão desafiadores”, explica Tobias. A partir do diagnóstico, o MS poderá subsidiar ações da PNAB como reativação de embarcações, ampliação da oferta do serviço e qualificação das equipes de Saúde da Família que atuam na região amazônica.

A pesquisa

A dissertação de Mestrado é do Programa de Pós-Graduação em Condições de Vida e Situações de Saúde (PPGVIDA), desenvolvida pelo Laboratório de História, Políticas Públicas e Saúde na Amazônia (LAHPSA). A pesquisa foi realizada entre os meses de junho de 2018 e março de 2019 pelo administrador e contabilista Cláudio Pontes.

Rondônia reduz desmatamento em mais de 40% entre 2024 e 2025, aponta estudo do Inpe

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Foto: Daiane Mendonça/Secom RO

Rondônia tem se destacado no combate ao desmatamento ao antecipar as ações preventivas do governo do estado. As operações Hileia, coordenadas pela Secretaria de Desenvolvimento Ambiental (Sedam), e Operação Verde Rondônia do Corpo de Bombeiros Militar de Rondônia (CBMRO), atuam nas áreas mais críticas com três meses de antecedência ao período crítico de incêndios florestais. Esse período ocorre geralmente entre agosto de um ano e julho do ano seguinte, devido ao regime de chuvas no bioma.

De acordo com a Coordenadoria de Geociências (Cogeo) da Sedam, os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), através do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter) – que emite alertas para suporte à fiscalização – o estado apresentou reduções expressivas de desmatamento no período entre agosto de 2024 e março de 2025, em comparação com os anos anteriores.

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Segundo o coordenador da Cogeo, Joselânio Ferreira, Rondônia demonstrou uma tendência de queda no desmatamento, com reduções de 69,5% entre agosto de 2023 e março de 2024, e de 43,3% entre agosto de 2024 e março de 2025. Justificou ainda, que, essa janela de análise corresponde ao ‘Ano Prodes’, ano-calendário do desmatamento, que vai de 1º de agosto do ano anterior a 31 de julho do seguinte ano – Programa de Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite -, metodologia amplamente divulgada pelo Inpe. Diferente do calendário civil, permitindo considerar integralmente as variações sazonais no desempenho ambiental.

Nos oito primeiros meses do ano Prodes, o estado de Rondônia liderou na redução na taxa do desmatamento na Amazônia Legal com 43,3%, foi seguido pelo estado do Tocantins com 36,8%. Em primeiro, o estado do Amapá que teve redução de 61,4%. Os únicos estados que tiveram incremento nas taxas para o período foram Acre com 83% e Mato Grosso com 6%.

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O coordenador observou que, ao contrário da simples quantificação em hectares — que evidencia apenas o volume do desmatamento — a análise da taxa de redução oferece um critério comparativo mais justo e sensível às particularidades de cada estado.

Esse indicador considera, tanto a extensão territorial quanto as especificidades ambientais e socioeconômicas locais, refletindo com maior precisão a eficácia das políticas de monitoramento, fiscalização e prevenção adotadas. Em outras palavras, enquanto os valores absolutos indicam “quanto” foi suprimido, a taxa percentual revela “quão bem” cada unidade federativa vem conseguindo conter o desmatamento em seu próprio contexto.

*Com informações do Governo do Estado de Rondônia

Cardeal da Amazônia que participou do conclave exalta escolha de Leão XIV: ‘Um homem missionário’

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Foto: Divulgação

O Cardeal da Amazônia e arcebispo de Manaus, Dom Leonardo Steiner, que participou do conclave, exaltou a escolha de Leão XIV como novo papa. O religioso, que chegou a ser apontado como um dos favoritos ao papado, afirmou que a eleição do cardeal Robert Francis Prevost representa uma igreja missionária e conectada com o mundo. A declaração foi feita nesta sexta-feira (9), um dia após o término do processo de escolha do novo líder da Igreja Católica.

Leia também: Quem é Dom Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus que irá participar do conclave

Prevost foi eleito papa na quinta-feira (8), com ao menos 89 dos 133 votos — número que representa dois terços dos cardeais eleitores. Ele sucede o papa Francisco, que liderou a Igreja Católica desde 2013 e faleceu em abril, e agora assume a Cátedra de São Pedro.

Em vídeo enviado à Rede Amazônica, Dom Leonardo destacou que espera que a igreja no Amazonas esteja em sintonia com o pontificado de Leão XIV e pediu orações dos fiéis pela vida do novo líder da Igreja Católica.

“Temos um novo papa. Nos vai ajudar agora na caminhada da igreja. Com saudades do papa Francisco, agora vamos nos deixar guiar pelo papa Leão XIV: um homem simples, um homem de muita escuta, um missionário. Nós todos queremos que a Arquidiocese de Manaus e do Amazonas acompanhe o papa Leão com nossas orações”, afirmou o cardeal.

Segundo a Arquidiocese de Manaus, Dom Leonardo deve retornar à capital amazonense após o dia 18 de maio, quando participará de uma missa com os cardeais que estiveram no conclave.

Leia também: Arcebispo de Manaus é o primeiro cardeal da Amazônia brasileira nomeado pelo Papa Francisco

Saiba quem é Robert Francis Prevost, o novo Papa Leão XIV

Foto: Reprodução/Vatican News

Nascido em Chicago, nos Estados Unidos, Prevost tem 69 anos e se torna o primeiro papa norte-americano da história da Igreja. É também o primeiro pontífice vindo de um país de maioria protestante.

Apesar da origem norte-americana, Prevost construiu grande parte de sua trajetória religiosa na América Latina, especialmente no Peru. Foi lá que se destacou até alcançar os cargos mais altos da Cúria Romana.

Leia também: HABEMUS PAPAM: Robert Francis Prevost, o Papa Leão XIV, é cidadão do Peru

Ao ser eleito, ocupava duas funções importantes no Vaticano: prefeito do Dicastério para os Bispos — órgão responsável pela nomeação de bispos — e presidente da Comissão Pontifícia para a América Latina.

De perfil discreto e voz tranquila, Prevost costuma evitar os holofotes e entrevistas. No entanto, é visto como um reformista, alinhado à linha de abertura implementada por Francisco. Tem formação sólida em teologia e é considerado um profundo conhecedor da lei canônica, que rege a Igreja Católica.

Entrou para a vida religiosa aos 22 anos. Formou-se em teologia na União Teológica Católica de Chicago e, aos 27, foi enviado a Roma para estudar direito canônico na Universidade de São Tomás de Aquino.

Foi ordenado padre em 1982 e, dois anos depois, iniciou sua atuação missionária no Peru — primeiro em Piura, depois em Trujillo, onde permaneceu por dez anos, inclusive durante o governo autoritário de Alberto Fujimori. Prevost chegou a cobrar desculpas públicas pelas injustiças cometidas no período.

Em 2014, foi nomeado administrador da Diocese de Chiclayo, cargo em que foi ordenado bispo e permaneceu por nove anos. Nesse período, enfrentou a principal crise de sua trajetória: em 2023, três mulheres acusaram Prevost de acobertar casos de abuso sexual cometidos por dois padres no Peru, quando elas ainda eram crianças.

Segundo as denúncias, uma das vítimas telefonou para Prevost em 2020. Dois anos depois, ele recebeu formalmente os relatos e encaminhou o caso ao Vaticano. Um dos padres foi afastado preventivamente e o outro já não exercia mais funções por questões de saúde. A diocese peruana nega qualquer acobertamento e afirma que Prevost seguiu os trâmites exigidos pela legislação da Igreja. O Vaticano ainda não concluiu a investigação.

Durante sua passagem pelo Peru, Prevost também ocupou cargos de destaque na Conferência Episcopal local e foi nomeado para a Congregação do Clero e, depois, para a Congregação para os Bispos. Em 2023, recebeu o título de cardeal — função que ocupou por menos de dois anos antes de se tornar papa, algo raro na Igreja moderna.

Durante a internação de Francisco, Prevost foi o responsável por liderar uma oração pública no Vaticano pela saúde do então pontífice.

Como foi o conclave

O conclave para a eleição do novo papa começou na quarta-feira (7), com a presença de 133 cardeais – sete deles brasileiros. Na primeira rodada da votação, na quartaà tarde, deu fumaça preta.

O mesmo ocorreu após a segunda e a terceira rodadas, na manhã desta quinta. Para a tarde, havia a previsão de uma quarta rodada de votação perto de 12h30 (no horário de Brasília) — a fumaça branca saiu por volta das 13h07 (de Brasília).

*Por Lucas Macedo, da Rede Amazônica AM

Distribuição geográfica: você sabe onde é possível encontrar onça-pintada no Brasil?

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Foto: Reprodução/ICMBIO

A onça-pintada (Panthera onca), também conhecida como onça-preta (quando apresenta melanismo), é o maior felino das Américas e o terceiro maior do mundo, ficando atrás apenas do tigre e do leão. Com até 158 kg e mais de 2 metros de comprimento, esse predador é símbolo de força e equilíbrio ecológico. No entanto, sua presença nas paisagens naturais tem diminuído drasticamente.

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De acordo com dados da WCS Brasil, historicamente, a onça-pintada ocupava uma vasta área que ia do sul dos Estados Unidos até o norte da Argentina. Com o avanço do desmatamento, da expansão agropecuária e da caça ilegal, essa distribuição se reduziu consideravelmente.

Hoje, a espécie é encontrada principalmente na América Central e em boa parte da América do Sul, sendo o Brasil o país com a maior população remanescente.

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Foto: Gustavo Figueirôa/SOS Pantanal

Presença nos biomas brasileiros

Apesar de ainda ocorrer em quase todos os biomas brasileiros, com exceção dos Campos Sulinos, a distribuição da onça-pintada no país é bastante fragmentada. As maiores populações estão concentradas em áreas onde há continuidade de habitat natural, como a Amazônia e o Pantanal.

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Amazônia

É onde se encontra a maior população contínua da espécie. A onça-pintada habita regiões com vegetação nativa preservada, mas sofre pressão na região conhecida como “arco do desmatamento” — que inclui o leste e sul do Pará, oeste do Maranhão, norte do Mato Grosso e Rondônia.

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Pantanal

Cerca de 47% do bioma ainda abriga populações da espécie, em especial fora das áreas mais impactadas pelo assoreamento e alteração hidrológica, como o Leque Aluvial do Rio Taquari. O Pantanal é um dos melhores locais para a observação da onça na natureza.

Cerrado

Foram identificadas 11 subpopulações distribuídas em áreas ainda conservadas. A estimativa é que elas ocupem cerca de 582 mil km². Apesar disso, a fragmentação do habitat é uma ameaça constante.

Caatinga

A presença da onça-pintada nesse bioma semiárido é rara e ameaçada. Existem cerca de cinco subpopulações conhecidas, que juntas ocupam apenas 10% da área da Caatinga.

Mata Atlântica

É um dos biomas mais críticos para a conservação da espécie. As onças-pintadas estão praticamente restritas a unidades de conservação, em uma área estimada em 30 mil km², muito pouco considerando a extensão original da floresta.

Foto: Gustavo Figueirôa/SOS Pantanal

Ameaças e conservação

A principal ameaça à onça-pintada é a perda de habitat, provocada pelo avanço do desmatamento e da agropecuária. Além disso, a caça retaliatória por parte de criadores de gado ainda é comum, especialmente em regiões onde o contato entre fauna silvestre e áreas rurais é frequente.

Diversas instituições, como o ICMBio e ONGs ambientais, desenvolvem ações de monitoramento, manejo e educação ambiental para garantir a sobrevivência da espécie. A criação de corredores ecológicos entre áreas protegidas é uma das estratégias mais eficazes para conectar populações isoladas.