Home Blog Page 401

Pesquisa identifica genes do cupuaçu relacionados à resistência à vassoura-de-bruxa

Foto: Ronaldo Rosa

Uma pesquisa da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF) avaliou como o cupuaçuzeiro (Theobroma grandiflorum) reage aos estágios iniciais da infecção por Moniliophthora perniciosa, fungo causador da vassoura-de-bruxa, doença que traz grandes prejuízos tanto para a cultura do cupuaçu como para a do cacau. Foram identificados genes da planta relacionados à sua resistência ou mesmo à sua suscetibilidade ao fungo.

Conduzido pelas pesquisadoras Lucilia Helena Marcellino e Loeni Ludke Falcão, o trabalho é pioneiro no estudo da expressão gênica em grande escala voltado para a cultura do cupuaçu. A pesquisa foi feita a partir do sequenciamento de alta profundidade do transcritoma da planta, particularmente de uma parte que é alvo do ataque do patógeno: as regiões meristemáticas presentes nas pontas dos galhos.

Leia também: Estudo realizado por pesquisadores do Pará e São Paulo sequencia primeiro genoma do cupuaçu

Transcritoma é o conjunto completo de transcritos (RNAs mensageiros, RNAs ribossômicos, RNAs transportadores e os microRNAs) de um dado organismo, órgão, tecido ou linhagem celular. A análise de transcritoma é uma ferramenta poderosa para estudar a expressão gênica, e ao examinar os RNAs mensageiros (mRNAs), os cientistas podem desvendar os mecanismos moleculares que determinam os diferentes processos biológicos em curso.

Os resultados da pesquisa representam um avanço no entendimento da interação entre o cupuaçuzeiro e o fungo causador da vassoura-de-bruxa, abrindo novas perspectivas para o desenvolvimento de tecnologias que impulsionem a produção sustentável de cupuaçu no Brasil. “Diferentemente do cacau, que já conta com um volume considerável de pesquisas, o cupuaçu ainda possui um grande potencial a ser explorado, especialmente no que diz respeito ao desenvolvimento de cultivares resistentes e ao controle de doenças”, assinala Falcão.

Foi o sequenciamento de alta profundidade do transcritoma do cupuaçuzeiro, ao gerar um vasto banco de dados, que permitiu a identificação de genes relacionados à resposta à infecção por M. perniciosa. Foram registrados milhares de genes expressos tanto em plantas suscetíveis como nas resistentes. “Por meio da análise bioinformática desses dados, foi possível identificar genes relacionados à resposta imune da planta, ao metabolismo secundário e ao crescimento”, explica Lucilia Marcellino.

Essa informação detalhada sobre a interação planta-patógeno é fundamental para o desenvolvimento de novas estratégias de controle da doença, como a criação de marcadores moleculares para a seleção de plantas resistentes, a identificação de alvos para o desenvolvimento de fungicidas, bem como a identificação de genes envolvidos na resistência e suscetibilidade à doença.

Em outra frente, Marcellino conta que está em andamento um trabalho em parceria com a Embrapa Agricultura Digital (SP) que visa sintetizar uma molécula capaz de inibir o fungo, ao se ligar a uma proteína presente no microrganismo. A expectativa é de que a tecnologia seja capaz de controlar tanto a M. perniciosa como a M. roreri. Essa última, uma praga quarentenária que já está entrando no Brasil.

“A obtenção de plantas que aliem resistência, boa produção e qualidade de fruto é essencial para o desenvolvimento da cultura. Entretanto, o menor conhecimento a respeito da genética molecular do cupuaçuzeiro é um gargalo para o desenvolvimento de plantas com essas características; daí a importância dessa pesquisa”, declara Marcellino.

Inoculação com patógeno. Foto: Lucilia Marcelino

Por que “vassoura-de-bruxa”?

O foco do trabalho foi entender os processos no início da infecção pela Moniliophthora perniciosa. As pesquisadoras relatam que, nessa fase, o patógeno infecta a área intercelular de certos tecidos, causando crescimento anormal de galhos, devido à sua capacidade de manipular molecular e metabolicamente a planta.

“O fungo provoca o desenvolvimento de galhos laterais, o que resulta em uma estrutura parecida com uma vassoura [daí o nome vassoura de bruxa]. Além disso, a planta é induzida a enviar grandes quantidades de nutrientes para esses galhos, que acabam se tornando muito maiores e mais vigorosos do que os outros”, explica Falcão.

Após aproximadamente 30 a 60 dias de infecção, ocorre uma reação natural e o galho infectado morre, porém não se desprende da árvore. Nesse estágio, a M. perniciosa sai da fase biotrófica e vai para uma fase necrotrófica, na qual as ramificações do fungo (micélio) crescem abundantemente. “Aquele galho bonito e vigoroso, que o fungo fez a planta produzir, se torna alimento para ele por um longo período”, destaca a pesquisadora.

Além disso, segundo ela, nessa situação, o microrganismo permanece com menor concorrência de outros fungos e bactérias do solo (pois o galho não cai da planta), além de conseguir espalhar seus esporos com muito mais facilidade, com a ajuda do vento. Trata-se de uma doença de difícil controle, que demanda o uso de poda fitossanitária, de fungicidas e de plantas com maior resistência.

Foto: Lucilia Marcelino

Participantes do estudo

O estudo contou com a parceria da Embrapa Amazônia Oriental (PA) e outras instituições, como a Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), na Bahia, a Universidade de Brasília (UnB), do Centro francês de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (Cirad) e a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac – Pará).

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Embrapa

Ciranda (dança)

0

Foto: Marcio James/Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas

A ciranda é uma dança coletiva originalmente nordestina, vindo para o norte no período áureo da borracha com os trabalhadores conhecidos como seringueiros, responsáveis por retirar o látex da seringueira (Hevea brasiliensis).

A origem da palavra ‘ciranda’ ainda é discutida. Alguns pesquisadores sugerem que o nome veio do espanhol ‘zaranda’, que representa um objeto utilizado para peneirar farinha.

No Amazonas, a dança que se tornou popular foi criada pelo professor Isidoro Gonçalves e pelo pernambucano Antônio Felício, mestre da primeira roda de ciranda na vila de Nogueira, em Tefé, durante a década de 1980. O enredo da dança homenageava moradores da vila de pescadores, como na música ‘Seu Manelinho’, da Ciranda Flor Matizada (do município de Manacapuru).

Em 1980, a ciranda foi introduzida em Manacapuru, no Colégio Nossa Senhora de Nazaré, pela professora Perpétuo do Socorro de Oliveira. Com a expansão da dança para outro colégio, a Escola Estadual José Seffair, em 1987 ocorreu a primeira disputa entre duas cirandas.

Manacapuru continuou a tradição da ciranda, criando o Festival de Ciranda do município, que em 2025 vai para a 27ª edição. Além disso, a ‘princesa do Solimões’, como é chamada a cidade, possui o Cirandódromo (Arena Parque do Ingá). O local abriga as disputas entre as cirandas Flor Matizada, Tradicional e Guerreiros Mura.

De acordo com o artigo ‘Cirandas do Amazonas: reflexões sobre as identidades culturais dos povos amazônidas‘ – de Jean da Cunha e Patrícia Bassinello – a apresentação da ciranda se baseava no folguedo ‘Auto do Carão’, uma sátira aos costumes europeus adotados pelos moradores na região de Tefé.

“Uma história que retratava a luta de uma vila de pescadores para preservar a ave, que é da família das garças. A dança era dividida em atos, que nada mais eram apresentações de seus personagens através de dança e música. A ciranda era formada por uma grande roda de cirandeiros e seus pares”, apresenta um trecho do artigo.

*Com informações da Aleam e SEC-AM

Tá de férias? Que tal conhecer 7 locais que proporcionam encontros com a natureza na Amazônia?

0

Foto: Divulgação

A Amazônia, maior floresta tropical do mundo, é um dos destinos mais fascinantes para quem busca aventura, contato com a natureza e uma imersão cultural única. Com paisagens que impressionam e encantam, há muitas opções de passeios para quem deseja explorar essa região.

Que tal incluir alguns destes destinos imperdíveis na Amazônia durante as férias?

Horto Florestal (Acre)

Quem visita o Horto Florestal, percebe a diversidade da flora em cada canto. No local, uma equipe de biólogos, agrônomos e técnicos florestais trabalha incansavelmente para produzir mudas de espécies nativas da Amazônia, desde pequenas plantas até grandes árvores silvestres e frutíferas para fazer plantio nos locais necessários da cidade como rotatórias, canteiros, praças públicas.

Além de suas atividades de produção, o Horto Florestal também desempenha um papel fundamental na educação ambiental e na sensibilização da comunidade local. Visitas guiadas, palestras e atividades educativas são oferecidas regularmente, promovendo a conscientização sobre a importância da conservação e incentivando práticas sustentáveis.

O Horto está localizado na Avenida Antônio da Rocha Viana, em Rio Branco (AC), e funciona de segunda a domingo das 5h às 20h.

Foto: Divulgação

Bioparque da Amazônia (Amapá)

O Bioparque da Amazônia – Arinaldo Gomes Barreto é uma das atrações turísticas em Macapá (AP) para quem curte tirolesa, trilhas e esportes aquáticos. A biodiversidade do local reúne mais de 60 espécies de árvores e animais, entre aves, onças, antas e tartarugas.

Aos que adoram esportes, o parque, que possui uma área de 107 hectares, também oferece opções de canoagem, caiaque, stand-up padlle, parede de escalada e até arvorismo.

Às quartas, o ingresso meia para todos, no valor de R$ 5; já de quinta-feira a domingo, os ingressos custam R$ 10 inteira e R$ 5 meia para públicos específicos (crianças de 6 à 12 anos, estudantes e professores de escolas públicas e privada, militares, doadores de sangue e integrantes do CadÚnico). É necessária comprovação.

O Bioparque abre para o público de terça-feira a domingo, no horário das 8h às 17h. Na segunda-feira não há visitas. O espaço fica localizado na Rodovia Juscelino Kubitschek, na Fazendinha, próximo ao parque de exposições do distrito.

Foto: Divulgação

Bosque da Ciência (Amazonas)

O Bosque da Ciência é um espaço dedicado à divulgação cientifica, educação e lazer, que abriga uma vegetação florestal, animais da fauna amazônica de vida livre e atrativos para a visitação turística. Possui uma área de aproximadamente 13 (treze) hectares, e está localizado no perímetro urbano da cidade de Manaus, na Zona Central – Leste. O Bosque foi inaugurado em 1º de abril de 1995, pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA).

No Bosque o visitante vai encontrar um ambiente de tranquilidade e relaxamento, inserido no meio da cidade, onde poderá aprender mais sobre a região amazônica, e vivenciar momentos de contato com a natureza. Ao longo do ano inúmeros eventos são organizados e oferecidos ao público visitante e para saber mais verifique a Programação do Bosque.

Foto: Divulgação

Museu Paraense Emílio Goeldi (Pará)

Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) é um centro pioneiro nos estudos científicos dos sistemas naturais e socioculturais da Amazônia, bem como na divulgação de conhecimento, organização e manutenção de acervos de referência mundial relacionados à região. Investiga o bioma amazônico aglutinando dados das Ciências Humanas, Biológicas, Sociais e da Terra. É um dos mais antigos, maiores e populares museus brasileiros, e estimula a apreciação, apropriação e uso do conhecimento científico.

Instituição de pesquisa fundada em 1866 na cidade de Belém (PA), onde mantém seu campus de pesquisa e o primeiro parque zoobotânico do país, o Museu Goeldi também conta com uma estação científica localizada na Floresta Nacional de Caxiuanã, no Marajó (PA), que funciona como um laboratório avançado sobre o funcionamento das florestas tropicais.

O Museu Paraense Emílio Goeldi está localizado na Avenida Magalhães Barata, 376 – São Braz, em Belém. O espaço funciona de quarta-feira a domingo, das 9h às 13h. Os ingressos custam R$ 3.

Foto: Divulgação/Embratur

Bosque dos Papagaios (Roraima)

Cercada de muito verde e bastante água, Boa Vista convida a curtir mais de perto os diversos cantinhos com natureza. O Parque Ecológico Bosque dos Papagaios é uma das opções para isso. Localizado na Zona Oeste da cidade, no bairro Paraviana, o parque garante ao visitante uma experiência diferente, com seis trilhas, em torno de 5 km (somadas), diversas espécies de árvores e plantas, animais silvestres, como arara, tucano, jabuti, cutia, paca e até uma capivara.

Conforme levantamento feito pela equipe de profissionais do parque, no período de criação do Bosque, são 23 espécies de árvores contabilizadas, dentre elas: caimbé, pimenta de macaco, jenipapo, sucuba e murici.

Para os munícipes, o bosque funciona normalmente de terça-feira a domingo. Durante a semana, das 8h às 18h. Já nos fins de semana, funciona das 8h às 12h e das 14h às 18h.

Não é permitido entrar com animais domésticos, alimentar os animais, entrar com bebida alcoólica, consumir alimentos nas trilhas, fumar e descartar resíduos de forma irregular.

Foto: Katarine Almeida/Semuc PMBV

Parque Natural Raimundo Paraguassu de Oliveira (Rondônia)

O Parque Natural Raimundo Paraguassu de Oliveira popularmente conhecido como Parque Ecológico, localizado na região Norte de Porto Velho (RO), há 15 km do centro da cidade, foi criado na área do antigo Projeto Fundiário Alto Madeira, Gleba Belmont, pelo Decreto Municipal nº 3816, de 27/12/89.

Possui uma área de 390,82 hectares e está localizado no final da Avenida Prefeito Francisco Chiquilito Erse, s/n (antiga Av. Rio Madeira).

Além das muitas atividades de educação ambiental, o local recebe um grande número de visitantes, especialmente nos fins de semana, e está aberto para visitação pública de terça-feira à domingo, de 9h às 17h.

Foto: Divulgação

Parque Cesamar (Tocantins)

O Parque Cesamar é a principal área verde de Palmas (TO) que serve como espaço de convívio, proporcionando melhor qualidade de vida aos palmenses.

Com uma área de 96.770 m² de reserva biológica, contando a área do lago, a área verde do fundo, estacionamento e todo a área de lazer. Localizado no centro da cidade, o parque é um reduto para os amantes de esportes, principalmente praticantes de corrida e caminhada. Também é uma opção para quem deseja fazer um piquenique em meio à natureza.

O local conta com uma pista 2.820 metros de extensão, pistas de skate e bicicross, academias ao ar livre, restaurante, amplo estacionamento, parquinho para crianças, espaço baby, redário, orquidário, pedalinho no lago formado pela bacia do Córrego Brejo Comprido.

O parque fica na Avenida NS-04 coma LO-11, em frente a Quadra Arse 41 na capital do Tocantins. O espaço funciona todos os dias das 5h às 23h.

Foto: Divulgação

Autoridades reforçam cuidados para prevenir doenças típicas do inverno amazônico

0

Com a chegada do inverno amazônico, marcado pela intensidade das chuvas, as autoridades de Rondônia alertam sobre a possível elevação dos índices de doenças típicas deste período. Entre os problemas mais frequentes estão as síndromes respiratórias, doenças virais, infecciosas e arboviroses como dengue, zika e chikungunya.

Leia também: Portal Amazônia responde: O que são doenças tropicais?

Para prevenir o adoecimento e evitar a lotação das unidades que compõem a rede municipal de saúde, as autoridades rondonienses orientam a população sobre os principais cuidados que devem ser adotados.

Combate ao Aedes aegypti

Dengue, zika e chikungunya são arboviroses transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. As doenças podem ser evitadas com medidas simples como manter as caixas d’água tampadas e eliminar a água parada de recipientes diversos. Para isso, é essencial a limpeza periódica dos quintais, evitando o acúmulo de lixo que podem favorecer a proliferação do mosquito Aedes aegypti.

Os sintomas mais comuns da dengue são febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares e nas articulações, dor atrás dos olhos, manchas vermelhas na pele, mal-estar, falta de apetite e fraqueza. O diagnóstico e tratamento da doença pode ser feito em qualquer unidade de saúde.

Síndromes gripais

A gripe é uma infecção do sistema respiratório provocada pelo vírus da influenza e possui grande potencial de transmissão. São quatro tipos de vírus: A, B, C e D. O vírus influenza A é o responsável pelas grandes pandemias. Os principais sintomas são febre, dor de garganta, tosse, dor no corpo e dor de cabeça.

A vacina contra a gripe é a principal forma de prevenir as formas mais graves da doença.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Porto Velho

Prevenção da leptospirose

A leptospirose é uma infecção febril aguda transmitida a partir da exposição direta ou indireta à urina de animais, principalmente de ratos. A doença é potencialmente fatal e tem sua incidência intimamente ligada às condições de higiene doméstica.

O acúmulo de lixo, a falta de limpeza de quintais, o armazenamento inadequado de alimentos e o contato com lama e água de alagações, como transbordamento de esgotos e córregos, são fatores que podem favorecer a propagação da doença.

Os sintomas principais da leptospirose são: febre, dor de cabeça, dores pelo corpo, principalmente nas panturrilhas (batata da perna), podendo também ocorrer vômitos, diarreia e tosse. Nas formas mais graves, geralmente, aparece icterícia (coloração amarelada da pele e dos olhos).

A leptospirose pode levar a óbito em pouco tempo se não for diagnosticada precocemente. Pessoas com sintomas devem procurar atendimento médico imediatamente nas unidades de pronto atendimento, as UPAs.

Doenças diarreicas agudas

Também conhecidas como DDAs, as doenças diarreicas agudas são infecções gastrointestinais causadas por vírus, bactérias e parasitas, que provocam diarreia, vômitos, dores abdominais e, em alguns casos, febre. A transmissão ocorre principalmente por meio da ingestão de água e alimentos contaminados, contato com pessoas doentes e até objetos contaminados.

Nos primeiros meses de 2025, o país registrou surtos de DDAs em diversos estados, resultado de aglomerações e consumo de alimentos fora de casa, o que aumenta o risco de contaminações.

Para evitar danos à saúde, as autoridades recomendam atenção com a qualidade da água, dando prioridade às tratadas, fervidas ou mineral. Com relação aos alimentos, é importante mantê-los refrigerados, especialmente durante passeios; evitar carnes malpassadas e alimentos de procedência duvidosa ou fora do prazo de validade.

A higiene pessoal é outro importante fator de contaminação e prevenção. É fundamental manter a lavagem frequente das mãos, especialmente antes de manipular alimentos, após utilizar banheiros ou trocar fraldas.

Se possível, evitar locais com grandes concentrações de pessoas e procurar uma unidade de saúde em caso de sintomas.

Foto: Leandro Morais

Tétano

O aumento das chuvas pode ocasionar alagamento de ruas e quintais, favorecendo o aumento da ocorrência de tétano, infecção grave causada pela bactéria Clostridium tetani encontrada em diferentes ambientes como na pele, fezes, terra, galhos, plantas baixas, água suja e poeira.

A principal forma de prevenção do tétano é a vacinação, que é gratuita e está disponível nas unidades de saúde do município. Pessoas que necessitam entrar em ambientes alagados devem utilizar os equipamentos de proteção individual, como botas, luvas, capacetes, entre outras.

De acordo com o Ministério da Saúde, se o tétano não for tratado corretamente pode ocasionar problemas de saúde como complicações respiratórias, renais, infecciosas e, inclusive, levar a óbito.

Animais peçonhentos

O período chuvoso também favorece o aparecimento de animais peçonhentos que procuram lugares secos para se abrigar. São considerados animais peçonhentos aqueles que possuem glândulas de veneno, a exemplo de: serpentes, aranhas, escorpiões, centopeias, abelhas, vespas e marimbondos.

Roberto Nakaoka, coordenador do Programa de Acidentes com Animais Peçonhentos da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), explica que em áreas mais alagadas, próximas a rios e córregos, as chances de haver incidentes são maiores. Por isso, algumas recomendações podem ser adotadas pela população para ajudar a diminuir os riscos.

Manter a casa e quintais limpos, evitando o acúmulo de lixo e entulhos, vedar buracos e frestas em paredes, assoalhos, forros, meias-canas e rodapé, sacudir roupas pessoais, de cama ou sapatos antes de usá-los, usar calçados fechados, perneiras ou botas de cano alto estão entre as medidas de prevenção.

Em caso de acidentes, a primeira orientação é lavar o local da picada com água e sabão, não fazer torniquete, não colocar produtos sobre o ferimento e buscar atendimento médico.

*Com informações da Semusa Porto Velho

Ananás

0

Foto: Reprodução/Prefeitura de Ananás

Fundada em 1963, Ananás é um município de Tocantins e foi inicialmente povoado por fazendeiros que procuravam as altas regiões para a criação de gado. Segundo um dos primeiros moradores, o senhor José Honorato, conhecido por José Pardim, ele comprou um lote na localidade e chamou-o de Fazenda Ananás, em homenagem ao fruto típico da região.

Foto: Daniel Caballero

Ananás é um tipo de abacaxi, porém maior e mais cítrico, e diferente do abacaxi que é cultivado em regiões abertas, o ananás necessita de cuidados especiais no seu plantio.

Com a oportunidade de criação de gado, os pecuaristas foram para a região com suas famílias. A povoação aconteceu de fato no período entre 1953 a 1958, quando algumas pessoas fugiam de conflitos, e outras, em grande parte maranhenses, procuravam terras para exploração do babaçu e para implantar lavouras (roça de toco).

Atualmente, o município possui apenas 10.325 habitantes (IBGE) e uma extensão territorial de 1.581,058 km², sendo acessado por meio terrestre, situado a 520 km de Palmas e a 1.326 km de Brasília.

*Com informações da Prefeitura de Ananás e IBGE

Obras de infovia sob as águas do rio Solimões para levar internet à região amazônica são iniciadas

Uma plataforma acoplada a dois rebocadores está implantando os cabos de fibra ótica sob as águas do rio Solimões. Foto: Layo Stambassi/MCom

O Governo Federal iniciou no dia 21 de janeiro as obras de instalação da Infovia 02, que vai levar internet de fibra óptica a cerca de 370 mil habitantes de 13 cidades da região amazônica. Com investimento de R$ 268 milhões, serão lançados 1,1 mil km de cabos subfluviais, num dos maiores projetos de conectividade do mundo. 

Uma plataforma acoplada a dois rebocadores está implantando os cabos sob as águas do rio Solimões, com quase uma centena de profissionais trabalhando. A embarcação sai de Tefé e vai até Benjamin Constant (AM), com previsão de chegada em 18 de fevereiro.

Cidades e estruturas

A operação vai passar ainda por:

  • Alvarães,
  • Uarini,
  • Fonte Boa,
  • Jutaí,
  • Tonantins,
  • Santo Antônio do Içá,
  • Amaturá,
  • São Paulo de Olivença,
  • Belém do Solimões
  • e Tabatinga.

A Infovia contempla também a cidade de Atalaia do Norte (AM), mas com conexão via terrestre a partir de Benjamin Constant. 

A Infovia 02 irá conectar 85 escolas públicas, 13 hospitais e oito centros de pesquisa, além de possibilitar que operadoras ofereçam pacotes de internet mais acessíveis.

Além disso, cada local terá uma praça pública equipada com wi-fi, ampliando o acesso à internet para toda a comunidade.

Redes metropolitanas

Quando o lançamento for finalizado, a infraestrutura subfluvial será conectada a redes metropolitanas nas cidades, que levarão conexão de alta velocidade para escolas públicas, unidades de saúde, tribunais e organizações das Forças Armadas, batalhões de policiamento, centros de pesquisa, agência fluvial e cerca de 12 mil indígenas distribuídos em 30 aldeias, todas localizadas em Belém do Solimões.

Operação

Um grande aparato foi montado para garantir o sucesso da operação. A plataforma conta com cozinha, refeitório, academia, ambulatório, alojamento, lavanderia, barcos de apoio e segurança feita pelo Exército. Estão embarcados diversos profissionais, como engenheiros, geólogos, geofísicos, comandantes da embarcação, operadores, chefes de cozinha, técnicos ambientais e arqueólogos.

Sustentabilidade

A plataforma é montada para operar de forma ininterrupta, incluindo as madrugadas. A iniciativa também tem um caráter de sustentabilidade, pois a instalação da rede de internet submersa nos rios evita que árvores sejam cortadas pelos métodos mais comuns de cabeamento, seja por via aérea em postes ou subterrânea por enterramento.

Leilão

A implantação está sendo feita pela Entidade Administradora de Faixa (EAF), entidade não governamental e sem fins lucrativos criada por determinação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), vinculada ao Ministério das Comunicações, a partir do leilão do 5G para ações de conectividade.

Acordo internacional

A infovia integra um acordo internacional assinado em abril do ano passado entre Juscelino Filho e o ministro de Tecnologias da Informação e Comunicações da Colômbia, Mauricio Lizcano, para estender a infraestrutura até a cidade colombiana de Leticia.

O acordo prevê a criação de um grupo de trabalho entre a Secretaria de Telecomunicações do Ministério das Comunicações do Brasil e o Vice-Ministério de Conectividade do Ministério de Tecnologias da Informação e Comunicações da Colômbia.

Norte Conectado

A iniciativa integra o programa Norte Conectado, que tem como finalidade expandir a infraestrutura de comunicações na região amazônica, por meio da implantação de 12 mil km de cabos de fibra ótica submersos em rios. 

O investimento é de R$ 1,3 bilhão, com 10 milhões de pessoas beneficiadas e 59 municípios atendidos no Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima.

Estrutura

Cada infovia é feita de cabos compostos por 24 pares de fibra óptica. Cada par possui capacidade de até 20Tb por segundo, ou seja, pode transmitir simultaneamente o equivalente a 200 mil vídeos de streaming em HD com altíssima qualidade. Os cabos foram feitos para durarem pelos menos 25 anos submersos nos rios.

28 infovias

A Infovia 02 é a quinta a ser viabilizada pelo governo brasileiro. A primeira foi a Infovia 00, que saiu de Macapá (AP) e passou pelas cidades paraenses de Almeirim, Monte Alegre, Santarém e Alenquer. A Infovia 01 ligou Manaus (AM) a nove municípios, sendo quatro no Amazonas (Parintins, Urucurituba, Itacoatiara e Autazes) e cinco no Pará (Curuá, Óbidos, Oriximiná, Juruti e Terra Santa). 

Já a Infovia 03, entregue no ano passado, interligou Belém (PA) a Macapá, levando cabos de fibra óptica aos municípios paraenses de São Sebastião da Boa Vista, Curralinho, Bagre e Breves. Num segundo momento, foram interligadas também as cidades de Ponta de Pedras (PA) e Afuá (PA). 

A parte fluvial da Infovia 04 foi implantada em novembro de 2024. É composta por um total de 647 quilômetros de cabos de fibra ótica, sendo 515 km subaquáticos. Essa Infovia conectou Boa Vista (RR) a Vila de Moura, distrito de Barcelos (AM), passando por outros municípios de difícil acesso, como Santa Maria do Boiaçu, distrito de Rorainópolis (RR), e Caracaraí (RR). A conexão entre Caracaraí a Boa Vista, de 132 km, está sendo feita por terra. 

No total, serão viabilizadas 28 infovias. O objetivo é ampliar a capacidade de tráfego de dados e a disponibilidade de banda larga em municípios de difícil acesso. As “estradas digitais” contam com investimento total de R$ 1,9 bilhão via Novo PAC.

*Com informações da Secretaria de Comunicação da Presidência

O pioneiro no combate ao racismo científico na Amazônia

0

O poeta João do Monte. Foto: Acervo pessoal

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

Filho de uma tradicional família cearense, João do Monte escrevia poemas em jornais de Fortaleza e de Sobral desde 1910, quando ainda era adolescente. À parte dos versos, era um polemista e se dizia “mestiço”. Uma raridade na sociedade vigente na época, com espaços reduzidos a pessoas que não fossem brancas. A escravidão havia terminado, oficialmente, há pouco mais de duas décadas.

Sua inquietude era explícita, pois embora tivesse facilidades para conseguir empregos em jornais de prestígio e atuar como professor, ele não parava em lugar algum, e deixava dívidas de empréstimos pelos caminhos que percorria.

Parecia estar em busca de algo que nem ele mesmo sabia o que era, com rebeldia e algum tormento psicológico.

Em Porto Velho – uma cidade nova, fundada em 1914 –, onde viveu por quase três anos, até 1920, combatia, ao lado do também poeta Mendonça Lima, que era médico e dono de cinema no povoado de Abunã, as teses de eugenia defendidas por intelectuais locais.

As ideias que Monte rejeitava tinham raízes no século XIX e foram usadas para justificar a colonização, a escravidão e a exploração de povos não europeus. No Brasil, o racismo científico foi uma ferramenta utilizada para legitimar políticas de branqueamento e marginalizar a população negra, mesmo após a abolição da escravidão.

O racista mais veemente era o presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas, Alfredo da Mata (1870/1954), médico baiano morador em Manaus, onde chegou como funcionário da empresa de navegação estatal Lloyd Brasileiro. O político tinha muita credibilidade como médico e publicou livros importantes neste segmento. Porém, era defensor de ideais de supremacia branca. E além de deputado estadual e federal, foi eleito ao Senado em 1935 bradando esse tema potencializado, posteriormente, por Adolph Hitler.

No final do século XIX e início do século XX, o governo dos Estados Unidos adotou medidas legislativas em vários estados como meio de promover o “melhoramento racial”. O parlamentar amazonense Alfredo da Mata elogiou: “O povo norte-americano, um povo de técnicos sempre ávidos por progresso material e social, impregnado de ciência desde as escolas até a imprensa e conhecedor de métodos biológicos de cultura e criação, é o povo que habita a terra prometida da eugenia. Não pormenorizarei, mas esta ciência faz parte dos programas escolares e universitários dos Estados Unidos.”

O político Alfredo da Mata. Foto: Acervo pessoal

Formado no Rio de Janeiro, o advogado Raif Costa da Cunha Lima atuava em Porto Velho, onde foi versais entre 1920 e 1923 – e mais tarde foi promotor de justiça no Acre, nas décadas 1920,30 e 40 – comungava da “teoria científica da eugenia” propagada por Alfredo da Mata, junto com “mestres” como o capitão Alencarliense de Castro, militar que integrou a Comissão Rondon e que àquela altura vivia em Porto Velho. Alencaliense era engenheiro e o autor do monumento dos cem anos da Independência do Brasil, presente até hoje no centro histórico da capital rondoniense.

Raif se ofendeu, e deixou isso explícito e textualmente dito, por não ter sido chamado de “doutor” pelo poeta João do Monte em um artigo no jornal “Alto Madeira”, criticando-o pelas posições racistas.

O advogado tratou de desqualifiá-lo academicamente – “João é dono de um cérebro simples”, assim o definiu – e pela “falta de profundidade de seus argumentos” a favor da mestiçagem, “além dos incontáveis erros ortográficos que comete na escrita sofrível ao defender o que não sabe”.

A eugenia é, em síntese, a hipótese da reprodução de indivíduos com características consideradas superiores ou desejáveis, para uma purificação “natural” da raça brasileira, por meio do embranquecimento da população.

João do Monte era atacado pelos detratores que, ao revidá-lo com argumentos, apontavam erros de português em sua escrita, sem entrar no mérito de suas teorias. Ele se atinha a contestar os que defendiam o racismo e deixava claro: “Nestes últimos quatro séculos, onde mais intenso se tornou o intercâmbio espiritual e material dos povos, a terra brasileira, recebendo no seu seio o contingente de dois povos diferenciados em cultura, para cruzarem-se entre si, juntamente com a população autóctone, os indígenas americanos, vem sedimentando os alicerces de uma nacionalidade distinta”.

E mais, João continuava: “Ninguém poderá esquecer a série imensa de vultos, resultante da mestiçagem brasileira, cuja capacidade de ação é poderosa e definida nas mais claras manifestações do pensamento. Luiz Gama, Cruz e Sousa, Natividade Saldanha, Silva Alvarenga, André Rebouças, Lírio de Castro, José do Patrocínio e tantos outros, mestiços de brancos com negros, atestam a sua inconcussa superioridade. Carlos Gomes, Franklin Távora, Romualdo de Seixas, Diogo Feijó, João Lisboa, para não falar em outros, mestiços de brancos com indígenas”.

O crítico de literatura João da Ribeira, do jornal “O Imparcial” de Manaus, descreveu o autor cearense como “um raro littéraire”. Como poeta, João do Monte deixou vários versos memoráveis.

Quem foi

Em 1914, João do Monte fundou seu próprio jornal, o pequeno “Resedá”, em Camocim, no litoral do Ceará. No entanto, o semanário foi logo fechado. Em 1916, o jovem talentoso passou a trabalhar como redator no “Diário do Estado”, em Fortaleza, e, posteriormente, como repórter no “Jornal do Commercio”, em Manaus, para onde se mudou naquele mesmo ano.

Ainda em 1916, ele partiu para o Acre, onde atuou como revisor da Imprensa Oficial do Estado. Pouco tempo depois, foi frequentemente mencionado como assistente e colaborador do jornal “Alto Madeira”, em Porto Velho, entre 1917 e 1920.

Com tanta movimentação, fica claro que ele era um aventureiro, então com cerca de 25 anos, quanto muito.

O poeta João do Monte. Foto: Acervo pessoal

Foi uma figura emblemática da boemia. Conhecido por suas risadas debochadas, era presença constante nas cafeterias e no palco do teatrinho do Cine Phênix, onde declamava poemas junto a outros agitadores culturais da cena de Porto Velho, especialmente seu amigo e chefe no jornal “Alto Madeira”, João Soares Braga, o Português.

Monte também atuou como ator na comédia “Dois Estudantes no Prego”. Segundo a crítica publicada no jornal, ele “apresentou perfeita dicção e muito chiste”.

Infelizmente, pouco mais se sabe sobre ele, exceto que era constantemente referido como “amigo de todos”, “festejado poeta”, “o mais engraçado” e promotor de “seratas”, segundo anunciava a imprensa naqueles tempos de “Belle Époque” tropical na Amazônia. Ele gostava de dançar e curtir a vida de maneira desprendida e despretensiosa, e isso é o que mais se dizia.

Era morador do bairro Favela, reduto de operários e pessoas pobres, e dava aulas de alfabetização na Escola Municipal “Sátiro Dias”. Em 1919, criou com Anthistenes Nogueira Pinto – tabelião e também seu colega professor na escola Sátiro – o colégio Externato Madeirense, instalado à avenida Osório. Este educandário teve vida efêmera, pois em 1920 Monte mudou-se para Fortaleza (CE), sua terra natal.

Em 9 de junho de 1921 o jornal “Alto Madeira” noticiou a morte, sem falar da idade e das causas:

“JOÃO DO MONTE – Pereceu a bordo de um dos vapores do Lloyd o jovem poeta João do Monte, nome muito conhecido aqui, onde passou alguns anos de sua vida de boêmio, de eterno despreocupado com as incógnitas do futuro.
Era um moço que cultivava as musas com inspiração, mas que, nada deixou de duradouro, devido a sua organização infensa ao estudo acérrido, aproveitoso elemento indispensável ao bom êxito nas lutas da inteligência.
Olhando o mundo pelo lado cômico, morreu poeta que ria de tudo e de todos. Foi assim a sua existência, aproveitando a expressão de Forjaz Sampaio, ‘uma eterna corda de risos’.”

Meses depois, um desmentido: ele estaria vivo e trabalhando em um jornal no Rio de Janeiro. E o mistério continuou. No entanto, em 1928, o jornal “O Ceará” publicou, em 25 de dezembro, o poema “Natal”, referindo-se ao autor João do Monte como “saudoso e malogrado poeta”; foi uma homenagem póstuma de uma vida curta e atordoada.

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

5ª Conferência Indígena da Ayahuasca reúne lideranças para proteção de saberes tradicionais no Acre

0

Foto: Reprodução/Site oficial

A Aldeia Sagrada do povo Yawanawá, localizada em Tarauacá, no Acre, será palco da 5ª Conferência Indígena da Ayahuasca, um encontro que reúne lideranças espirituais indígenas de cerca de 30 povos, entre os dias 25 a 30 de janeiro. O objetivo do evento é debater temas cruciais como o uso, transporte, difusão e proteção dos conhecimentos, saberes tradicionais e recursos genéticos relacionados à ayahuasca, bebida sagrada utilizada há séculos por mais de 100 povos da bacia amazônica.

Promovida pelo Instituto Yorenka Tasorentsi, Instituto Nixiwaka e Cooperativa Yawanawa (Coopyawa), a conferência é um evento fechado, exclusivo para convidados. Contudo, ao final dos debates, será publicada uma carta oficial com as recomendações e reflexões dos povos indígenas, reafirmando o protagonismo dessas comunidades na preservação e uso consciente da ayahuasca.

Ayahuasca

Feita a partir do cipó Banisteriopsis caapi e das folhas da Psychotria viridis, a ayahuasca é uma bebida utilizada em práticas espirituais e medicinais pelos povos indígenas da Amazônia. Mais do que uma substância, ela é vista como um canal de conexão com a espiritualidade e com os ensinamentos ancestrais.

Nas últimas décadas, o uso da ayahuasca despertou o interesse de diversos setores acadêmicos e internacionais. Esse interesse, porém, nem sempre tem considerado os direitos, o protagonismo e os saberes tradicionais dos povos indígenas, criando tensões em relação ao respeito à sua cultura e à proteção dos conhecimentos tradicionais.

Leia também: Pesquisas revelam benefícios do uso de Ayahuasca em tratamentos terapêuticos

Foto: Divulgação

Histórico

O marco para a criação de um espaço de diálogo exclusivo dos povos indígenas foi a ausência de representantes dessas comunidades na I Conferência Mundial de Ayahuasca, realizada na Espanha, em 2014. Na edição seguinte, indígenas foram convidados, mas relataram a necessidade de um evento próprio que refletisse suas visões e prioridades.

Assim, em 2017, aconteceu a primeira Conferência Indígena da Ayahuasca, que resultou em uma carta inaugural de recomendações. O documento ressaltava que, embora pesquisadores acadêmicos tenham legitimidade em seus campos, os povos indígenas são os verdadeiros conhecedores espirituais da ayahuasca e devem ser os protagonistas nas discussões sobre seu uso e preservação.

Desde então, as conferências têm sido um espaço de intercâmbio entre lideranças indígenas, onde são debatidos temas como o acesso, a exploração comercial, o transporte da ayahuasca e a proteção dos recursos genéticos.

Relevância

A edição de 2025 ganha ainda mais importância devido ao crescente interesse global pela ayahuasca, tanto para fins terapêuticos quanto recreativos, e os desafios associados à sua comercialização e difusão. O evento busca fortalecer o protagonismo indígena nas discussões, assegurando que as práticas e saberes espirituais ligados à bebida sejam respeitados e protegidos contra apropriações inadequadas.

Para financiar o evento, o Instituto Yorenka Tasorentsi captou recursos com parceiros alinhados às causas indígenas. Esse modelo de financiamento assegura que as conferências sejam organizadas de forma independente e com foco nas prioridades das comunidades indígenas.

Ao término da conferência, a carta oficial com as principais recomendações será disponibilizada no site oficial do evento. O documento é um instrumento de grande relevância, servindo tanto como registro histórico quanto como ferramenta de advocacy para a proteção da ayahuasca e dos direitos dos povos indígenas.

A quinta Conferência Indígena da Ayahuasca reafirma a importância de respeitar e ouvir as vozes dos verdadeiros guardiões dos saberes ancestrais. Em um mundo cada vez mais globalizado, preservar as tradições e garantir o protagonismo dos povos originários é um passo essencial para a construção de um futuro mais justo e sustentável.

É importante citar que o termo Ayahuasca não substitui as terminologias apresentadas por cada povo participante, tais como Kamarãpi, Uni, Huni, Dispãnī hew, Tsĩbu, Yage, Gaapi, Caapi, Hayakwaska, entre outras. No entanto, desde a primeira Conferência foi acordada a utilização deste termo de forma genérica, compreendendo todas as demais nomenclaturas.

Para conhecer mais sobre a conferência, acesse o site oficial.

Conheça 8 projetos que apoiam a conservação da Amazônia

Pirarucu manejado. Foto: Reprodução/Arquivo Idam

A Amazônia, maior floresta tropical do mundo e que desempenha um papel crucial no equilíbrio do ecossistema e na preservação das espécies, seja da fauna ou da flora, permanece sob ameaça. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o desmatamento na região atingiu 4.315 quilômetros quadrados de agosto de 2023 a julho de 2024.

Além disso, a floresta enfrentou em 2024 o maior número de incêndios florestais em 17 anos, com 137.538 focos de calor registrados até dezembro, concentrando 50,6% das queimadas no país. Diante desses dados alarmantes, alguns projetos de conservação trabalham incansavelmente para proteger o que muitos chamam de “os pulmões da Terra”.

Leia também: Retrospectiva 2024: Projetos da Fundação Rede Amazônica levam cultura, educação e sustentabilidade a toda a região Norte

Lucas Ribeiro, fundador e CEO do PlanetaEXO, plataforma dedicada a oferecer experiências turísticas com foco em impacto positivo e apoio a comunidades locais, destaca:

Com uma área total de 6,74 milhões de quilômetros quadrados, sendo mais de 62% (ou 4,2 milhões de quilômetros quadrados) no território brasileiro, a Amazônia abriga milhões de animais e plantas, além de ser responsável por até 16% da água doce que chega aos oceanos por meio da Bacia Amazônica, considerado o maior sistema hidrográfico do planeta. Ela também captura e armazena grandes quantidades de dióxido de carbono (CO2), ajudando a mitigar os efeitos das mudanças climáticas.

As consequências deste desmatamento descontrolado são graves: aumento das temperaturas, secas prolongadas, rios mais baixos, morte de animais, má qualidade do ar e perda de casas e fontes de renda para as pessoas que dependem da floresta para sobreviver. Conheça projetos que atuam diretamente na região amazônica:

 Artesão e peças de artesanato de madeira da FAM. Foto: Divulgação

1. Programa de Empreendedorismo e Negócios Sustentáveis da Amazônia (Pensa)

A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) combate a vulnerabilidade social com o Programa de Empreendedorismo e Negócios Sustentáveis da Amazônia (Pensa). Em 2023, o programa apoiou mais de 583 comunidades em 16 Unidades de Conservação (UC), com 62 empreendimentos sustentáveis e 323 pessoas adquirindo novas habilidades. A renda média das famílias beneficiadas aumentou em 19%, enquanto a receita total dos empreendimentos turísticos de base comunitária arrecadou R$ 5 milhões.

2. Fundação Almerinda Malaquias (FAM)

Com sede em Novo Airão, Amazonas, a Fundação Almerinda Malaquias (FAM) promove geração de renda, educação ambiental e ecoturismo. Em 2024, a FAM ajudou 190 pessoas matriculadas na escola, 45 famílias na geração de renda e atendeu dez comunidades ribeirinhas em educação e financiamento.

3. Instituto Mamirauá

Trabalhando para mitigar os efeitos das secas severas, o Instituto Mamirauá, com sede em Tefé, oferece suporte educacional às comunidades locais, desenvolve métodos para melhorar o acesso à água potável e ajuda a reduzir os impactos das mudanças climáticas na Amazônia.

4. Expedição Boto da Amazônia

Desde 2021, a Sea Shepherd lidera o projeto Expedição Boto da Amazônia, monitorando e protegendo os golfinhos cor-de-rosa da região. O projeto implementa estudos de longo prazo sobre a população desses animais e busca preservá-los.

Boto-vermelho sendo capturado para pesquisa no lago da RDS Amanã. Foto: Adriano Gambarini

5. Brigada de Incêndios Florestais de Alter do Chão

Fundada em 2019, a Brigada de Alter do Chão, no Pará, previne e combate incêndios florestais. A organização também realiza mutirões e ações de educação ambiental para controlar a propagação do fogo e evitar desastres.

6. Expedicionários da Saúde (EDS)

Os Expedicionários da Saúde, posicionados em Campinas, São Paulo, levam assistência médica a grupos indígenas que vivem em áreas isoladas da Floresta Amazônica. Desde 2003, realizaram mais de 10.486 cirurgias e 76.333 consultas, além de doar mais de 8.000 óculos graduados.

7. Mulheres Empreendedoras da Floresta

O projeto, promovido pelo Projeto Saúde e Alegria (PSA), capacita mulheres da Amazônia para criar e expandir negócios próprios. Desde 2024, o programa tem sido referência em empoderamento feminino em cidades como Santarém, Belterra e Mojuí dos Campos.

8. Programa Carbono Neutro (PCN)

Gerido pelo Idesam, o Programa Carbono Neutro permite que pessoas e empresas compensem emissões de carbono por meio do reflorestamento de áreas degradadas na Reserva Biológica do Uatumã, em Presidente Figueiredo, Amazonas.

Praias de Manaus recebem monitoramento da qualidade da água; entenda como funciona

0

Foto: Divulgação

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Mudanças do Clima (Semmasclima) de Manaus (AM), utiliza uma embarcação para as atividades de monitoramento da balneabilidade – o qual avalia a capacidade que um local tem de possibilitar o banho, atividades esportivas e de recreação em suas águas.

Ao todo, são 11 locais monitorados, periodicamente, pela gestão ambiental municipal: Prainha (Ponta Negra), orla do anfiteatro (dois pontos na Ponta Negra), escola de remo (Ponta Negra), praia Dourada (Tarumã-Açu), praia da Lua (dois pontos), praia do Arrombado, praia do Tupé (dois pontos).   

Como funciona

A qualidade da água para banho, atividades esportivas e de recreação é determinada a partir da quantidade de bactérias do grupo coliforme, presentes na água.

Após os últimos estudos, os índices de balneabilidade serão divulgados no site da Prefeitura de Manaus, a partir do início de março. 

*Com informações da Prefeitura de Manaus