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Expedições científicas desvendam mecanismos das chuvas e tempestades na Amazônia

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Foto: Philippe Donn/Pexels

“O que acontece na Amazônia não fica na Amazônia”. Essa frase dita por ambientalistas e pesquisadores se aplica perfeitamente aos complexo sistema de chuvas da região.  

A umidade produzida pela floresta é dispersada pelos rios voadores a outras regiões do País afetando o quadro meteorológico e influi no equilíbrio do clima global. Toda essa dinâmica é possível devido uma rede de outros fenômenos que estão atraindo o interesse de pesquisadores expedições científicas na região

Leia também: Formação de novas partículas acima do topo das árvores contribui com chuvas na Amazônia

Uma das expedições mais recentes, que contou com o apoio do Instituto Soka Amazônia, buscou registrar os super raios na região e foi documentada na série Caça Tempestades – Amazônia, exibida no programa Fantástico da Rede Globo, nos dias 5 e 12 de janeiro.

Da dir. para esq. Dr. Osmar, o jornalista Ernesto Paglia e a cineasta Iara Cardoso: equipe em cena no Instituto Soka Amazônia. Foto: Aline Branca/Divulgação Grupo Storm

A pesquisa contou com a participação de um dos maiores especialistas sobre tempestades no mundo: Osmar Pinto Junior, pesquisador sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). 

A iniciativa contou com a parceria do Instituto Soka Amazônia, dentro do seu eixo de apoio a pesquisas científicas. A sede do Instituto, na Reserva Particular de Patrimônio Natural Daisaku Ikeda, localizada diante do Encontro das Águas, em Manaus (AM), foi um dos locais escolhidos para captação de registros dos raios, devido a alta incidência dessas ocorrências em períodos mais chuvosos.

Tempestades elétricas

O Brasil é campeão na ocorrência de raios no mundo, mas a Amazônia,  maior floresta tropical e berço da maior biodiversidade do planeta, concentra grande incidência de tempestades e altíssimas descargas elétricas.

São 500 mil tempestades por ano, com raios cuja temperatura pode chegar a 10 vezes a da superfície do Sol.  

O que explica a grande atração de descargas elétricas, na região é a própria floresta que funciona como um grande “oceano verde”, como explica o professor  Osmar Pinto Jr.

Como se formam as chuvas na Amazônia

Outra expedição científica internacional, revelou o mecanismo físico-químico completo que gera a formação chuvas na Amazônia.

Publicado da revista Nature no mês de dezembro, o estudo demonstrou detalhes inéditos sobre a geração de aerossóis produtores de nuvens, como fato de isoprenos gerados pelas árvores conseguirem alcançara camadas superiores da atmosfera.

Saiba mais: ‘Máquina de nuvens’: emissões da floresta amazônica e descargas elétricas produzem partículas de chuva

A grande novidade revelada pela pesquisa é o registro do mecanismo físico-químico completo. Até então não se sabia que o isopreno poderia chegar as camadas superiores da atmosfera.

O conhecimento  gerado pelo estudo será incorporado aos modelos climáticos, melhorando a previsão de chuvas, especialmente em regiões tropicais, e fazendo simulações para compreender o funcionamento presente e futuro do planeta.

Mecanismo noite e dia

Nanopartículas de aerossóis combinadas com descargas elétricas e reações químicas em altitudes elevadas, durante à noite e durante o dia, fazem com que o complexo sistema das chuvas amazônicas funcione.

O estudo conclui que o gás isopreno (liberado pela vegetação por meio de seu metabolismo) consegue chegar a camada da atmosfera acima da superfície terrestre próxima da tropopausa durante tempestades noturnas. Uma série de reações químicas desencadeadas com a radiação solar dá origem a uma grande quantidade de aerossóis que acabam por formar as nuvens. Esta produção de partícula é acelerada por reações com óxidos de nitrogênio produzidos por descargas elétricas na alta atmosfera, em nuvens dominadas por cristais de gelo.

Floresta em pé necessária para o clima

Para autores brasileiros do estudo a pesquisa demonstrou como a floresta amazônica tem grande influência no equilíbrio dos ecossistemas. Luiz Augusto Toledo Machado, pesquisador do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF-USP) fez um alerta: “alterações como as provocadas pelas mudanças climáticas ou pelo desflorestamento podem gerar efeitos inesperados e não estudados ainda”.

O professor Paulo Artaxo, coordenador do Centro de Estudos Amazônia Sustentável (Ceas) da USP, e também autor do estudo, ressaltou a importância de se combater o desmatamento. “As emissões de isopreno dependem da floresta em pé. Elas não ocorrem se a vegetação nativa for substituída por pastagem ou cultura de soja. Com o desmatamento, esse mecanismo de produção de partículas é destruído”.

Acesse artigo completo:
Isoprene nitrates drive new particle formation in Amazon’s upper troposphere 

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Instituto Soka, escrito por Dulce Moraes

Proa de navio do século XIX descoberta durante obra em Belém é removida para restauro

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Foto: Cristina Vasconcelos/Iphan

A proa de um navio do século XIX, encontrada em agosto de 2024 durante as obras de construção do Parque Linear da Doca, em Belém (PA), foi removida no dia 17 de janeiro para estudo e restauração.

O resgate do achado arqueológico, coordenado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e pela Secretaria de Estado de Obras Públicas do Pará (Seop), está sendo realizado em três etapas, com retirada de uma parte da peça em cada uma delas. As duas primeiras etapas foram concluídas com sucesso, e a terceira e última está prevista para esta semana. 

Após a conclusão da remoção, o Iphan supervisionará a conservação e a restauração, que serão executadas por uma equipe contratada pelo governo estadual. Esse trabalho será realizado em um laboratório provisório, montado no estacionamento de uma universidade particular, onde a proa está sendo acondicionada. 

A peça, com dimensões de aproximadamente 22m de comprimento, 7m de largura e 2,25m de profundidade, tem passado por uma complexa operação de remoção ao longo de cinco meses. O trabalho envolve uma equipe multidisciplinar composta por 15 profissionais incluindo arqueólogos, arquitetos, conservadores e técnicos, além de mais de 30 pessoas que atuaram no transporte dos fragmentos do local de escavação para a área do laboratório.

A operação está sob responsabilidade da empresa encarregada pela construção do Parque Linear da Doca, localizado no trecho inicial da Avenida Visconde de Sousa Franco. 

Foto: Cristina Vasconcelos/Iphan.
Foto: Cristina Vasconcelos/Iphan

O Iphan acompanha de perto todo o processo, oferecendo fiscalização, orientação e suporte técnico aos pesquisadores e à empresa responsável, assegurando a máxima preservação da peça. Após conclusão do restauro e dos estudos, está prevista uma exposição dos artefatos no Porto Futuro 2, novo espaço de lazer em construção na área portuária de Belém. 

Os estudos iniciais indicam que a peça arqueológica pertence a uma embarcação de ferro, possivelmente ligada ao antigo Igarapé das Almas, e remonta ao comércio fluvial do século XIX na capital paraense.

*Com informações do Iphan

Doutor José Francisco de Araújo Lima, diretor do Atlético Rio Negro Clube

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Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br 

O Doutor José Francisco de Araújo Lima nasceu na Vila de Muaná, na Ilha do Marajó no Estado do Pará, no dia 9 de maio de 1884, e faleceu no Rio de Janeiro no dia 11 de junho de 1945. Foram seus pais o Doutor José Francisco de Araújo Lima e Dona Maria Amélia de Mendonça Lima, sendo seu pai juiz de Direito em Manaus e ela proprietária e regente do Colégio Santa Catarina.

Estudou as primeiras letras em Manaus, seguindo após para o Rio de Janeiro onde se matriculou na Faculdade de Medicina, mantendo-se com uma bolsa de estudo muito limitada, enviada por seus genitores. Em certa ocasião foi obrigado a parar seus estudos no segundo ano, pela suspensão de sua mesada. Com recursos próprios pôde concluir seu curso e, em seguida, regressando a Manaus, tendo dedicado seu tempo a sua clínica e como professor secundário no Ginásio Amazonense Pedro II, como era comum a época mediante concurso público, em 1905.

O professor Agnello Bittencourt, na sua obra ‘Dicionário Amazonense de Biografias – vultos do passado’, assim destaca:

(…) Quando a tradicional casa de ensino festejou seu sesquicentenário de fundação em 1936, todos os lentes foram convidados a dá um resumo de sua biografia. O Doutor Araújo Lima escreveu: Fez o curso primário no Colégio Santa Catarina e o secundário no Ginásio Amazonense Pedro II. Formou-se em Farmácia na Faculdade de Medicina da Bahia, em 1902, doutorando-se em Medicina na Faculdade do Rio de Janeiro, em 19012. Diplomou-se me Medicina Tropical pela Universidade de Paris, entre 1911 e 1912, conquistando o atestado do Curso de Microbiologia do Instituto Pasteur de Paris. Representou oficialmente o Governo do Amazonas, na II Conferencia Brasileira de Educação. Foi Inspetor do Ensino Primário do Estado, entre 1909 e 1910. Exerceu o cargo de Diretor da Instituição Pública do Amazonas de 1 de Janeiro de 1917 à 5 de novembro de 1919. Exerceu o cargo de Prefeito de Manaus de 5 de setembro a novembro de 1924 e de 1 de janeiro de 1926 a 29 de novembro de 1929. Foi eleito Deputado Federal pelo Amazonas em 1 de março de 1930, exercendo este mandato até a dissolução da Câmara dos Deputados em 24 de outubro de 1930. Escreveu as seguintes obras: “Dos culicídios” (tese de concurso e “Ensaios sobre hemolysinas” (tese de doutoramento), “Questão do Ensino Primário”, memória apresentada ao II Congresso Brasileiro de Educação, em 1912, “Capacidade de Testar”, Falsa Demência, em 1912, Só a Educação Transforma os Povos, em 1933, “Amazônia: a Terra e o Homem”, em 1933, (Extraído o Anuário do Ginásio Amazonense Pedro II, número especial comemorativo do cinquentenário de sua fundação, pág. 11 Manaus, 1936).

Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

E continua o professor Agnello Bittencourt:

Conheci o Dr. Araújo Lima desde o seu tempo de rapaz, ainda estudante do ginásio. Em agosto de 1908, encontrei-o no Rio de Janeiro, morando juntos, ele e o seu irmão Benjamin.

Antes de se formar em Medicina, ainda residindo em Manaus, foi nomeado inspetor escolar. No desempenho do cargo, patenteou profundos conhecimentos da Pedagogia e Psicologia aplicada ao ensino primário. Escreveu um alentado volume dividido em duas partes, intitulado “Questões do Ensino Primário”. A primeira foi publicada no Diário Oficial do Estado: a segunda perdeu-se em um incêndio, à época, nas oficinas desse diário.

Entrou para o Ginásio Amazonense em 1905 tendo conquistado a cátedra de Historia Natural, mediante memorável concurso em que sua inteligência e cultura mais uma vez se afirmaram brilhante.

Certa ocasião, eu, professor de Geografia do estabelecimento, passava pela porta do salão de sua aula, versando sobre célula vegetal. Fui convidado para entrar, assistindo o resto da explanação. Ao final não pude saber o que mais admirar, se o desenho da célula a giz, no quadro-negro, se a didática do assunto.

Em outras oportunidades, no mesmo ginásio, e, bancas de concurso para provimento de docentes, vi-o examinando os candidatos; não mais era uma revelação de inteligência, mas sim, uma reafirmação de cultura generalizada.

Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

O Doutor Araújo Lima foi um importante membro da Academia Amazonense de Letras, em um período muito importante cuja amizade manifestava a época ao Presidente Doutor Adriano Jorge. Foi no quadriênio do Governo do Doutor Ephigenio de Salles, entre o período de 1926 a 1929, que esteve a frente da Prefeitura Municipal de Manaus.

Como se não bastassem a clínica e a dedicação ao ensino ele logo foi atraído pela politica em consequência de sua convivência com nomes importantes da política da época e naturalmente o amor que devotava ao Amazonas. Elegeu-se Deputado Federal no Pleito de 1° de março de 1930, com brilhante discurso que marcou época.

A partir daí a Câmara dos Deputados fora absorvida, cujo golpe estendeu-se por todos os outros legislativos do Brasil, além dessa violência sofreu ainda em Manaus o confisco de seus vencimentos como Professor do Ginásio Amazonense, que a esta altura estava em atraso o que correspondia 12 contos de reis e naturalmente passou por outros fatos desagradáveis.

O Doutor José Francisco de Araújo Lima casou-se com a senhora Branca Machado e Silva, filha do Barão de Machado e Silva, ilustre varão da elite amazonense. Fruto deste casamento trouxeram ao mundo três filhos: Doutor Cláudio de Araújo Lima, Doutor Ruy de Araújo Lima e dona Maria Amelia de Araújo Lima.

Na senda do progresso moral

Texto do Doutor Araújo Lima retirado da revista Rio Negrino quando foi Prefeito de Manaus no período de 1926 a 1929:

(…) O Club Rio Negro vem fazendo uma carreira ascencionalmente evolutiva, atravez das phases sucessivas por que tem traçado, na vida social amazonense, uma trajectoria victoriosa e edificante.

Do athletismo como objectivo máximo – Athletico Rio Negro Club é seu nome de baptismo – vae se encaminhando, progressivamente, às cogitações da cultura do espirito e da moral, alçando-se triumphalmente ás altas espheras do pensamento e do ideal.

Si athletismo, na sua significação cruamente gymnastica, é condemnada na era presente; si costuma ser presente; si costuma ser condemnado precisamente pelos arautos da educação physica; nem de longe se pretenda proscrever da educação da mocidade os exercicios physicos racionais e scientificos, bem comprehendidos e interpretados sabiamente no sentido moderno e avançado da cultura humana.

Banidos os excessos, os abusos, os desatinos, os exclusivismos, restarão as bellas escolas de saude e de força, que os clubs sportivos devem ter a preoccupação de realizar.

Mas a funcção social de em club, na sua objectivação nobre, na sua finalidade essencial, não é, não poderá jamais ser a de se constituir um agente de provocação e de rivalidade nas competições meramente sportivas, no seio de uma sociedade de gente culta e progressista.

Reclame-se-lhe uma actuação persuasiva, influidora de iniciativas elegantes e avançadas, tendentes ao aperfeiçoamento moral do meio, assim na sua representação mundana como na esphera mental.

Far-se-á então sob intuitos apparentemente recreativos, obra de assistencia humanitaria e de phylantropia.

E o Rio Negro já vae, em tangivel realidade, fazendo-a com o seu combate ao jogo e ao alcoolismo.

Centro de sport e de mundanismo, irradiará, pela pratica dessa acção benemerita, uma força de prestigio moral, de autoridade insobrepujavel no nosso meio social.

Excercerá uma acção praticamente moralisadora sobre os costumes, ao mesmo passo que recreará a sociedade, fomentando a alegria, que é um elemento de sanear os espiritos e educará physicamente os moços, desenvolvendo-lhes o vigor sadio, com o objectivo duplo que os integra na saude do espirito e na eurhythmia da vida sã.

Araújo Lima

Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Ave rara é fotografada pela primeira vez no Parque Estadual Chandless, no Acre

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Tovacuçu-xodó (Grallaria eludens) foi registrado em fotografia pela primeira vez na história. Foto: Ricardo Plácido/Sema

“Lado dorsal marrom, lado ventral branco com estrias pretas do peito até o crisso”, essas são as características da ave rara conhecida popularmente como “fantasma da Amazônia”, o tovacuçu-xodó (Grallaria eludens), que foi registrada por foto pela primeira vez na história no Acre.

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O feito inédito foi realizado pelo biólogo e especialista em aves da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), Ricardo Plácido, no dia 9 de janeiro no habitat do pássaro, o Parque Estadual Chandless, unidade de conservação gerida pela Sema, situada entre os municípios de Manoel Urbano, Sena Madureira e Santa Rosa do Purus.

Leia também: Parque Estadual Chandless, o paraíso da observação de aves no Acre

Até então, não havia nenhuma imagem do pássaro misterioso, uma das espécies menos conhecidas do mundo, fato que tem atraído pesquisadores e biólogos de vários lugares do mundo ao Acre, em expedições guiadas no Parque Chandless, curiosos em conhecer o majestoso canto da ave fantasmagórica.

Com o registro, Ricardo Plácido se tornou o primeiro a fotografar o tovacuçu-xodó e a disponibilizar o registro no site Wiki Aves – A Enciclopédia das Aves do Brasil. O biólogo relata como se deu a captura das primeiras imagens:

O secretário de Estado de Meio Ambiente, Leonardo Carvalho, destaca a importância das unidades de conservação como instrumento de conhecimento e manutenção da biodiversidade: “As primeiras imagens dessa espécie misteriosa e pouco conhecida no mundo vem reforçar o importante papel da Sema na proteção do patrimônio natural do estado e da biodiversidade de nossas áreas protegidas e também abre espaço para a consolidação da observação de aves no Acre”.

‘Fantasma da Amazônia’

O pássaro, considerado pela comunidade ornitóloga (especialista em aves) como um “fantasma amazônico” é uma das aves pouco conhecidas e estudadas do mundo inteiro. Ela foi descrita para ciência em 1969, no leste do Peru, e os primeiros registros documentados por gravações foram feitos por volta da década de 1990 e anos 2000, também no país.

Em 2015, em Manoel Urbano, cidade do interior do Acre, o pesquisador Fernando Godoy documentou a existência no Brasil, todavia sem qualquer registro das características da ave “enigmática”.

A saga pela descoberta contou com o valioso conhecimento da comunidade que reside no Chandless. Foi graças ao conhecimento dos ribeirinhos Pedro Vasquez e Cristiano Valente que foi possível gravar dois vídeos de 30 segundos e duas fotos.

Ribeirinhos Pedro Vasquez e Cristiano Valente auxiliaram Ricardo na descoberta. Foto: Ricardo Plácido/Sema

Além de todo o aparato com câmera fotográfica, lentes de zoom óptico, binóculos e disfarce de selva, após quatro horas no terceiro dia de busca, dois passos cuidadosos e discretos foi o que possibilitou Ricardo fazer os registros da ave: “Eu não estava conseguindo fazer o registro. As imagens estavam ficando sem foco e ela estava muito escondida. Então, adotamos uma estratégia diferente, com o Vasquez indo por outra direção. Eu falei pra ele: ‘dá dois passinhos pra lá’, e assim ele fez. Foi quando o tovacuçu-xodó afastou mais um pouquinho e consegui fazer o registro”, destacou.

Observação de aves raras amplia potencial turístico do Acre

O Acre tem se tornado um dos roteiros mais procurados da Amazônia para a prática da observação de aves, atividade conhecida em inglês como birdwatching ou birding, um segmento do ecoturismo relacionado à contemplação e fotografia de aves na natureza.

Os observadores de aves (em inglês- birdwatchers ou birders) tornaram-se o maior grupo de observadores da vida silvestre do planeta, sendo o que mais cresce setorialmente no mundo.

Leia também: Experiência turística de observação de aves no Acre é pré-selecionada em projeto da Embratur

O secretário de Estado de Turismo e Empreendedorismo do Acre, Marcelo Messias, destaca que a conquista é muito importante para a ciência, mas também para o turismo no estado, que tem espécies endêmicas, como o tovacuçu-xodó.

O Ministério do Turismo, Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) e Polícia Federal (PF) divulgaram dados que revelam que o Acre recebeu 19,8 mil turistas internacionais, registrando um aumento de 15,4% em comparação com 2023. Somente em dezembro, 1.714 estrangeiros visitaram o Acre.

O estudo não detalha destinos nem períodos do ano, mas o ministério destacou o Parque Nacional da Serra do Divisor como um dos principais atrativos do estado.

O biólogo da Sema, Ricardo Plácido, destaca que o Acre é conhecido como um dos estados que abriga diversas espécies ainda desconhecidas ou pouco desbravadas, que ainda não têm registros fotográficos documentados no Brasil.

Ricardo passou quatro horas para conseguir fazer dois registros em vídeo e duas fotos. Foto: Bruno Moraes/Sete

“A maioria dessas espécies ‘especiais’ são endêmicas, raras e de beleza exuberante. O Acre vem se destacando ao longo dos últimos anos como rota que está em evidência para o resto do Brasil e do mundo”, explicou.

O especialista destaca, ainda, que o Acre é um dos roteiros mais cobiçados da Amazônia quando se trata de birdwatching e que os observadores de vida selvagem movimentam diversos setores do turismo por onde passam. “Muitas pessoas vêm falando do Acre e buscando visitar o estado para observar aves. Essa demanda vem crescendo exponencialmente ano a ano”, diz.

Aves endêmicas

O Acre é um território que abriga milhares de espécies diferentes de animais e plantas. Dentre esses animais, as aves ganham notoriedade pela beleza, canto e, em alguns casos, a raridade.

No estado, já foram encontradas mais de 700 espécies e, entre elas, cerca de 35 são endêmicas, que são aves nativas, restritas à região do sudoeste da Amazônia, englobando todo o território acreano.

Parque Chandless

O Parque Estadual Chandless possui 695 mil hectares de área protegida, o equivalente a 4% de todo o território acreano. A unidade de conservação, gerida pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), conta com o importante apoio financeiro do programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa). O parque abriga uma das mais ricas biodiversidades da Amazônia Ocidental com mais de 1.300 espécies, entre aves, mamíferos, insetos e plantas, segundo dados do plano de manejo.

*Com informações da Agência Acre

Sala de Crise da Região Norte encerra atividades com volta à normalidade dos níveis da maioria dos rios da região

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Rio Xingu (PA). Foto: Rui Faquini/ANA

A Sala de Crise da Região Norte teve suas atividades encerradas na 19ª reunião do grupo em 17 de janeiro, uma vez que os órgãos participantes mostraram que quase todos os rios da região já voltaram à condição de normalidade e alguns apresentam perspectiva de inundação nos próximos meses. Criada em 3 de agosto de 2023 pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), a Sala foi instalada com o intuito de acompanhar os possíveis impactos do fenômeno El Niño e os efeitos da seca no Norte. 

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Em seu período de funcionamento, que contou com 19 reuniões, a Sala de Crise funcionou como um centro de monitoramento e debate sobre os efeitos das secas na Região Norte, promovendo o compartilhamento de informações entre diversos órgãos e instituições.  

As reuniões tiveram como objetivo analisar as condições da região e os impactos da seca sobre os recursos hídricos. A seca severa afetou diversos rios amazônicos e, com a atuação da Sala de Crise, foi possível emitir as declarações de situação de escassez hídrica dos rios Madeira, Acre e Purus, Tapajós e Xingu.

A Sala de Crise da Região Norte contou com a participação de representantes de salas de situação e órgãos estaduais de Defesa Civil e diversas instituições federais como o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), o Serviço Geológico do Brasil (SGB), o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM). 

Com a melhoria desse cenário dos recursos hídricos do Norte e as perspectivas favoráveis, a Sala de Crise da Região Norte foi encerrada e, a partir de agora, a situação específica da bacia hidrográfica do rio Tocantins será acompanhada por meio da Sala de Acompanhamento do Sistema Hídrico do Rio Tocantins, que teve sua última reunião em 21 de janeiro. Já os impactos do período de estiagem nos rios de Roraima serão monitorados pela Sala de Situação do estado em colaboração com a Sala de Situação da ANA. 

Para acompanhar as transmissões das reuniões da Sala de Crise, os interessados podem acessar as gravações no canal da ANA no YouTube. As apresentações realizadas nesses encontros podem ser acessadas AQUI

Atuação em eventos hidrológicos críticos 

Segundo a Lei nº 9.984/2000, que criou a ANA, cabe à agência reguladora planejar e promover ações destinadas a prevenir ou minimizar os efeitos de secas e inundações. Essa atuação acontece no contexto do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SINGREH) e em articulação com a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC) – que integra a estrutura do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) e é o órgão central do Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil – em apoio aos estados, Distrito Federal e municípios. 

*Com informações da ANA

“Olhe com olhos de mosquito”, sugere pesquisadora sobre extinguir criadouros de Aedes aegypti

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Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

No controle da dengue, o segredo pode estar no olhar. É o que orienta Denise Valle, bióloga e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

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De acordo com a pesquisadora, locais que parecem inofensivos, como um prato de vaso de planta, uma caixa d’água com tampa mal encaixada ou ralos pouco utilizados, podem ser berçários ideais para o mosquito. 

“A fêmea não busca locais óbvios ou burocráticos. Ela procura ambientes protegidos, escuros e úmidos, onde seus ovos possam se desenvolver com segurança”, explica Denise. Por isso, inspecionar esses espaços, semanalmente, é fundamental para evitar que os ovos se transformem em mosquitos adultos. 

Leia também: Entenda porque os casos de dengue aumentam no verão

Criadouros escondidos exigem atenção 

Denise destaca que muitos criadouros não convencionais passam despercebidos no dia a dia, como vasos sanitários de banheiros pouco utilizados ou rachaduras em lajes e quintais, que acumulam água da chuva.

Nem sempre é descuido

A pesquisadora destaca que, em muitas situações, os criadouros não são resultado de negligência, mas de dificuldades socioeconômicas.

“Nem todo mundo consegue manter lajes e quintais nivelados ou evitar rachaduras, porque isso exige recursos que muitas famílias não têm. O mesmo vale para quem guarda recicláveis em casa para vender. Nesse contexto, o controle semanal do mosquito precisa ser uma responsabilidade compartilhada entre a população, o poder público e as autoridades de saúde”, afirma Denise. 

Treinar o olhar é essencial 

Segundo a pesquisadora, o principal passo no controle da dengue é mudar a forma como enxergamos o ambiente ao nosso redor.

“O que para nós pode ser apenas uma tampa de caixa d’água mal ajustada ou uma pequena depressão no piso, para o mosquito é o local perfeito para se multiplicar. Treinar o olhar para identificar esses criadouros não convencionais é fundamental. A rotina de inspeção semanal é simples, mas extremamente eficaz para reduzir o risco de transmissão”, orienta Denise. 

A especialista ressalta ainda que, embora a população desempenhe um papel fundamental, o sucesso no controle da dengue depende de esforços conjuntos.

*Com informações do Ministério da Saúde

Hospedagem na floresta: conheça hotéis de selva para se hospedar na Amazônia

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Foto: Divulgação/Pakaas Palafitas Lodge

Se você está em busca de uma experiência autêntica na Amazônia, os “hotéis de selva” na região amazônica oferecem uma oportunidade única de conexão com a natureza. Situados em meio à maior floresta tropical do mundo, esses estabelecimentos combinam conforto e aventura, permitindo que visitantes explorem a biodiversidade e a cultura local de maneira sustentável. A seguir, conheça algumas opções:

Manati Lodge (Amazonas)

Já pensou em entrar em contato com a natureza sem perder o conforto? Em Manacapuru, no Amazonas, o Manati Lodge leva os hóspedes para uma experiência ribeirinha. O hotel está situado em uma área que sofre anualmente o regime das cheias dos rios e sua área fica totalmente alagada durante alguns meses do ano, por isso as casas precisam ser construídas sobre palafitas. Com o Manati Lodge não foi diferente, exemplo disso, são os chalés que foram construídos à seis metros de altura.

Endereço: Lago do Acajatuba, S/N – Manacapuru
Telefone: (92) 99525-6792
Email: reservas@manatilodge.com

Foto: Divulgação/Manati Lodge

Cristalino Lodge (Mato Grosso)

O Cristalino Lodge está comprometido em ajudar os visitantes a terem uma experiência rica, autêntica e singular na Amazônia. Localizado nas proximidades do rio Cristalino, dentro de uma enorme reserva florestal com 11.399 hectares, o hotel foi cuidadosamente desenhado para se integrar, harmoniosamente, com o entorno para que os visitantes possam vivenciar a floresta como em nenhum outro lugar do planeta.

O principal ponto de acesso ao Cristalino Lodge é o aeroporto de Alta Floresta, no Mato Grosso, com voos diários das principais capitais do Brasil. A partir daí, um breve traslado de 90 minutos leva você até o Cristalino Lodge.

Telefone: (11) 93432-2121
Email: camila.zambrano@cristalinolodge.com.br

Foto: Divulgação/Cristalino Lodge

Pakaas Palafitas Lodge (Rondônia)

O Pakaas Palafitas Lodge é um hotel de selva localizado em Guajará Mirim, Rondônia, bem na fronteira com a Bolívia e em frente ao encontro dos Rios Mamoré e Pacaás Novos, cercado pela floresta.

Suas 28 cabanas estão a 4 metros de altura do solo e são interligadas por passarelas elevadas, proporcionando interação com a natureza local. Externamente as cabanas parecem rústicas casas de ribeirinhos, mas internamente têm 36 metros quadrados e mais até 30 m2 de varandas, além de todo conforto de um hotel de luxo com decoração regional.

As passarelas mantêm o hóspede ao nível da copa das árvores e ligam também as cabanas ao Complexo Central, onde há um restaurante panorâmico para até 300 pessoas, além de uma piscina suspensa que se projeta sobre o encontro das águas dos rios. Há ainda ‘ecobar’, recepção, salas de TV e de jogos. Na área da recepção e piscina há internet Wi-Fi.

Endereço: Ramal Olho D’Água, acesso no km 12 (a partir da rotatória da av. 15 de Novembro com av. Duque de Caxias) – Guajará-Mirim
Telefone: (69) 99209-7179

Foto: Divulgação/Pakaas Palafitas Lodge

Pousada Itapará (Roraima)

Curte pescar? A Pousada Itapará é o lugar ideal. Com mais de 100 lagos para explorar, o hóspede pode praticar a pesca esportiva e contemplar a beleza da natureza amazônica. A pousada conta com a própria pista de pouso (SWEO 1330) para aviões de porte médio.

Os quartos foram projetados para garantir conforto e acessibilidade a pessoas com deficiência, com espaços amplos e recursos adaptados, como rampas de acesso.

Endereço: A Pousada Itapará opera exclusivamente no Rio Itapará no sul de Roraima
Telefone: (48) 99982-4057
Email: contato@itapara.com.br

Foto: Divulgação/Pousada Itapará

Ecoraguaia Jungle (Tocantins)

O Ecoaraguaia está localizado em um ecótono, ou seja, uma região entre dois ou mais biomas fronteiriços (Cerrado, Pantanal e Amazônia). Essas áreas são ricas em espécies, sejam elas provenientes dos biomas que o formam ou espécie únicas (endêmicas) surgidas nela mesma.

O Ecoraguaia fica às margens do Rio do Coco, no coração do Tocantins, e é vizinho ao Parque Estadual do Cantão. Os hóspedes contam com uma programação que contempla desde de belezas naturais até a gastronomia local.

Endereço: Rodovia To, 80 – Km 239, Caseara – TO
Telefone: (11) 99187-6028

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E aí? Que outros locais poderiam estar nesta lista?

HQ sobre aventura amazônica vence prêmio de melhor ‘webcomic’ em festival no Rio de Janeiro

Imagem: Reprodução/ICMBio

A história em quadrinhos (HQ) ‘Tainá e os Guardiões da Floresta Amazônica: no escurinho de caverna‘ foi vencedora do prêmio Melhor Webcomic no Rio Web Fest, um festival de web séries que acontece anualmente no Rio de Janeiro e é considerado o maior do mundo.

Realizada em parceria entre o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (ICMBio/Cecav) e a Sincrocine Produções Cinematográficas, a HQ conta a história dessa turma, com participação especial do personagem Mauro, o Morcego, descobrindo as curiosidades sobre as cavernas e os ambientes cársticos do Brasil.  

O projeto é inspirado na série de TV ‘Tainá e os Guardiões da Amazônia’, uma produção audiovisual adaptada da trilogia de sucesso do cinema brasileiro, que tem como protagonista a indígena Tainá, que, junto de seus amigos, protege a Floresta Amazônica.

O objetivo desse trabalho é promover a educação ambiental para as crianças, estimulando a conscientização e sensibilização sobre os problemas ambientais, buscando o aumento do interesse em relação ao cuidado com o meio ambiente. 

Educação Ambiental: pilar essencial diante das mudanças climáticas aceleradas 

Segundo estudos globais da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), embora 95% dos professores de ensino fundamental e médio entrevistados acreditam que o ensino da mudança climática é importante, menos de 30% têm recursos suficientes para ensiná-lo.  

Além disso, 70% dos jovens afirmaram ter dificuldades para explicar o que é mudança climática. Diante desse cenário, iniciativas que buscam promover o conhecimento, a conservação e a disseminação de informações tornam-se importantes ferramentas para o desenvolvimento de jovens e crianças e para a construção de um futuro mais consciente, preparado para lidar com uma nova realidade ambiental e para fazer uso caminhar rumo a uma utilização de recursos naturais de forma mais sustentável.

Segunda edição terá como cenário o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu 

Potencial turístico, histórico e arqueológico, laboratório natural de diversas pesquisas científicas, que trazem respostas e que alertam sobre a necessidade de novos rumos. O Vale do Peruaçu, localizado no norte de Minas Gerais, enfrenta um longo período de seca, que já dura mais de 40 anos. Segundo pesquisadores, a região é uma das que mais aquecem em todo o planeta, com alta na temperatura média de 2.5ºC, que está acima da média global, de 1.5ºC.  

Na segunda edição da história em quadrinhos, Tainá e os guardiões da Floresta Amazônia embarcarão rumo à região, mais precisamente ao Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, candidato à Lista do Patrimônio Mundial Natural pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A nova aventura pretende mostrar as belezas e a relevância dessa unidade de conservação federal tão importante e rica em biodiversidade. 

Acesse o material:

*Com informações do ICMBio

Estudante amapaense é uma das representantes do Brasil na maior feira estudantil dos EUA

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Foto: Israel Cardoso/GEA

A estudante amapaense Ana Clara Rodrigues, de 16 anos, será uma das representantes brasileiras na International Science and Engineering Fair (Isef), a maior feira estudantil do mundo, que acontece em maio, nos Estados Unidos. O projeto que será apresentado por ela já obteve mais de 15 premiações em oito feiras de todo o país.

O projeto ‘K+: análise da farinha do processamento da carcaça do caranguejo-uçá, como uso orgânico para fertilizantes na sojicultura’ foi desenvolvido visando o seu uso sustentável por produtores e moradores de zonas rurais e áreas isoladas que fazem uso do crustáceo para venda ou alimentação.

Saiba mais: Estudante amapaense cria fertilizante com carcaça de caranguejo

A ideia surgiu a partir de um programa estudantil da Escola Estadual Irmã Santina Rioli, onde Ana Clara estudou até 2023. Atualmente aluna da Escola Estadual Alexandre Vaz Tavares, a estudante prosseguiu sua pesquisa, tendo seu projeto reconhecido pela originalidade e importância científica e social.

Foto: Israel Cardoso/GEA

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Para o orientador do projeto, professor Aldeni Melo, o alcance da pesquisa mostra o potencial científico dos alunos e das escolas da educação pública amapaense. Junto com a Secretaria de Estado da Educação (Seed), há uma proposta para levar o programa para outras escolas, ampliando a chance de descobrir novos talentos.

“Desenvolvo esse trabalho com os alunos desde 2012, antes sem acreditar muito, mas seguindo pela curiosidade. Ao todo, já conquistamos mais de 500 prêmios e 81 alunos já conseguiram bolsas científicas através dele. Então, é um reflexo do trabalho que está dando certo e a rede está abraçando essa proposta”, afirma Aldeni.

*Com informações da Agência Amapá

Cadeia da castanha no Acre não remunera serviço socioambiental, ao contrário da borracha

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Extrativista conversa com professor Raimundo Maciel, da Ufac, diante de árvore de seringueira, em visita de pesquisadores à Resex Chico Mendes em setembro de 2024. Foto: Reprodução/GT Socioeconomia

Um consumidor paga, no varejo em São Paulo, algo em torno de R$ 100 pelo quilo da castanha-do-brasil (chamada também de castanha-do-pará). O valor pode levar a pensar que coletar castanha seja um ótimo negócio. Acontece que, no Acre, um dos estados amazônicos de onde a planta é nativa, o quilo da castanha in natura é vendido pelos extrativistas por volta de R$ 4,50, quase 22 vezes menos do que chega para o consumidor no Sudeste.

O preço é um contraste com outro produto amazônico que, pelo menos na Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes, alcançou um valor sustentável tanto do ponto de vista social e ambiental quanto econômico, como aponta um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Acre (Ufac), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDAF).

“O valor pago pelo quilo da borracha nativa na Resex, de R$ 24, é quase oito vezes superior ao preço de mercado, graças a um convênio com uma empresa que compra toda a produção e paga pelo serviço socioambiental que os extrativistas prestam, mantendo a floresta de pé”, conta Lucas Ferreira Lima, pesquisador colaborador no Instituto de Economia (IE) da Unicamp e um dos coautores do estudo.

O trabalho integra projeto apoiado pela FAPESP no âmbito da iniciativa Amazônia+10 e que conta também com apoio da Fapespa (Pará) e Fapac (Acre) (leia mais em: agencia.fapesp.br/41824).

Produtividade e renda

Em um estudo anterior, os pesquisadores avaliaram a sustentabilidade ambiental e socioeconômica da Resex Chico Mendes.

Seguindo a chamada Análise de Decisão Multicritério (MCDA, na sigla em inglês), que envolveu entrevistas e conferências, os pesquisadores chegaram ao Índice Multicritério de Sustentabilidade (IMS). A análise classifica a Resex como sustentável, ainda que em diferentes graus, nas cinco dimensões avaliadas: governança, agronômico, ambiental, econômico e social.

Os indicadores sociais e econômicos foram os que apresentaram os maiores pontos de atenção, pois estão próximos a uma escala considerada moderadamente sustentável. Por isso, os pesquisadores buscam alternativas para as famílias, como a valoração socioambiental da castanha e da borracha e o uso de Sistemas Agroflorestais (SAFs).

Neste segundo, podem ser produzidas frutas, legumes e hortaliças juntamente com espécies florestais, como o mogno e a castanha, mantendo a floresta de pé. A atividade tem-se mostrado mais rentável do que a criação extensiva de gado. Os pesquisadores agora vão avaliar a sustentabilidade dessa prática e se ela pode ser uma alternativa ao gado de corte na região.

“A produtividade e a renda obtidas com a criação de gado são pequenas na Resex. Basicamente, vendem-se novilhos para serem engordados no estado vizinho de Rondônia. O gado é tido como uma reserva de valor, uma poupança, algo que se pode vender rápido para levantar dinheiro para alguma emergência”, contextualiza Lima.

A Resex Chico Mendes foi criada em março de 1990, pouco mais de um ano após o assassinato do líder seringalista. A unidade de conservação federal de uso sustentável tem uma área de pouco mais de 970 mil hectares, distribuídos entre Xapuri e outros seis municípios do Acre. Atualmente, vivem na Resex cerca de 2 mil famílias.

A criação da Resex garante tanto a posse da terra pelas populações tradicionais quanto a conservação dos recursos e serviços ecossistêmicos, por meio do fortalecimento das atividades extrativistas tradicionais e a geração de renda adequada.

Nos últimos 28 anos, as famílias são acompanhadas por um projeto de pesquisa, atualmente capitaneado pelo Centro de Ciências Jurídicas e Sociais Aplicadas (CCJSA) da Ufac. O projeto ASPF (Análise Socioeconômica de Produção Familiar Rural do Estado do Acre) é coordenado por Raimundo Cláudio Gomes Maciel, professor na instituição e primeiro autor do estudo.escala

Desde 2006 em escala experimental, e desde 2018 em larga , toda a produção de borracha nativa da Resex é vendida para a empresa Veja, que faz o solado de seus tênis com o produto comprado dos extrativistas. No Brasil, a companhia francesa chegou em 2014 com a marca Vert, mas em 2024 passou a usar o mesmo nome utilizado nos mais de cem países em que atua.

Mais do que o preço de mercado, de aproximadamente R$ 3 por quilo, os seringueiros recebem subsídios municipais, um estadual e outro federal, além de R$ 10,50 da empresa como Pagamento por Serviços Socioambientais (PSSA). O cálculo foi feito pela primeira vez pelo grupo da Ufac em 2019 e atualizado em 2023.

“Não adianta querer manter as pessoas no território e a floresta de pé sem incentivos. O preço de mercado não garante, sozinho, a vida digna das pessoas. O pagamento por serviços socioambientais é algo que tem se mostrado interessante, mas é preciso uma política pública consistente para garantir a conservação da natureza e a dignidade das pessoas”, encerra Romeiro.

O estudo ‘A valoração e o pagamento por serviços socioambientais na Reserva Extrativista Chico Mendes‘ pode ser lido em PDF em: https://www.eco.unicamp.br/images/arquivos/artigos/TD/TD464_2.pdf.

O artigo ‘Índice Multicritério de Sustentabilidade (IMS) na Reserva Extrativista Chico Mendes, Acre – Brasil’ está disponível no mesmo formato em: https://www.eco.unicamp.br/images/arquivos/artigos/TD/TD457.pdf.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência FAPESP, escrito por André Julião