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Conheça o 1º planetário do Amazonas que simula o universo e fenômenos astronômicos

Planetário do Médio Solimões fica no Instituto de Saúde e Biotecnologia da Universidade Federal do Amazonas (ISB/Ufam), em Coari. Foto: Jefferson Santos

Em Coari, no interior do Amazonas, uma grande semiesfera azul abriga a lua, planetas, estrelas e fenômenos astrológicos. Por lá, os mistérios do universo começaram a ser simulados — ou melhor, explorados — em março deste ano, quando o Planetário do Médio Solimões começou a funcionar.

Instalado no Instituto de Saúde e Biotecnologia da Universidade Federal do Amazonas (ISB/Ufam), o local é o primeiro planetário permanente no Amazonas e o terceiro em toda a Região Norte. O espaço conta com uma cúpula de projeção onde são exibidas simulações do céu, do universo e de eventos astronômicos. O objetivo é proporcionar o acesso da população ao conhecimento científico na Amazônia.

Com capacidade para até 30 pessoas por sessão, o Planetário do Médio Solimões recebeu os primeiros visitantes no dia 10 de março, quando uma turma de estudantes do Ensino Fundamental participou das atividades. Desde então, o espaço vem atraindo os moradores do município. As sessões são guiadas e adaptadas para diferentes públicos. Além das visitas, o planetário também será utilizado em atividades de ensino, pesquisa e extensão, além da formação de professores e realização de eventos científicos.

Leia também: 7 clubes astronômicos na Amazônia Legal para conhecer o Universo

Planetário simula eventos astronômicos do Universo. Vídeo: Jefferson Santos

A criação do espaço nasceu dentro da própria universidade, a partir da iniciativa do professor Jefferson Ferreira dos Santos, coordenador do planetário. Segundo ele, o projeto enfrentou dificuldades no início, principalmente por causa dos custos e da estrutura necessária.

“Sempre quis criar um espaço para ampliar o ensino e a divulgação científica na região, especialmente em Astronomia, que tem um jeito especial de despertar a curiosidade dos estudantes. Tinha um desejo pessoal de ver isso acontecer, mas o planetário só virou realidade graças a todo mundo que embarcou junto nessa história”, revela Santos.

A inauguração oficial do Planetário do Médio Solimões está prevista para o dia 22 de maio. A expectativa é consolidar o local como um centro permanente de educação, ciência e cultura, aproximando a universidade da comunidade e despertando o interesse pelo estudo do universo. “Gerir um espaço como esse significa garantir que ele esteja sempre acessível, ativo e conectado com o que a sociedade precisa”, diz Santos.

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Planetário impressiona

Mesmo com pouco tempo de funcionamento, o planetário já mostra impacto na região. Mais de 500 pessoas visitaram o espaço nas primeiras semanas, incluindo estudantes de diferentes níveis de ensino e profissionais da educação.

Para o coordenador, o equipamento representa uma mudança importante no acesso à ciência no interior do Amazonas.

“Para a nossa comunidade, é um portal de acesso à ciência que, até então, estava distante da realidade do Médio Solimões. A Região Norte ainda carece profundamente de ações que popularizem o conhecimento científico, e este projeto é uma resposta concreta a essa lacuna”, pontua o coordenador.

Planetário do Médio Solimões
Planetário do Médio Solimões já recebeu mais de 500 visitantes. Foto: ISB/Coari

Ele também destaca que muitos visitantes têm a primeira experiência com esse tipo de atividade no local.

“Muita gente que vai visitar o planetário talvez nunca tivesse essa oportunidade de fazer isso em grandes centros urbanos”, finalizou Jefferson.

Para estruturar o atendimento ao público, a equipe coordenadora adotou uma grade semanal que reserva um dia para receber o público externo em geral e outro exclusivamente para visitas de escolas. O espaço também está aberto ao público interno da UFAM, que pode agendar atividades acadêmicas, de pesquisa ou de extensão.

Em breve, será entregue o site http://www.planetarioisb.com.br, ferramenta em estruturação e que permitirá o agendamento online e a disponibilização de ingressos para o público em geral.

*Material publicado originalmente pelo G1 Amazonas, com informações de Juan Gabriel e Patrick Marques.

Levantamento no Pará revela que apenas 20% das residências de comunidades tradicionais têm energia elétrica pública

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Foto: Vandenilson dos Anjos/ Rede Energia e Comunidades

Um inédito levantamento sobre a energia elétrica em comunidades tradicionais do Pará evidencia que, embora a maioria das moradias tenha algum acesso à eletricidade, a oferta é insuficiente para garantir condições adequadas de vida, produção e acesso a serviços públicos.

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Os dados mostram que 77% das moradias utilizam energia elétrica. Porém, esse número esconde desigualdades importantes: apenas 32% das casas estão conectadas à rede elétrica, e só 20% contam com serviço público formal. Essas informações estão disponíveis no estudo ‘Identificação de demandas para subsidiar políticas de bem viver voltadas às comunidades amazônicas‘, lançado no dia 30 de março, por organizações da sociedade civil. Ele busca contribuir com dados para o aprimoramento de políticas públicas voltadas à região.

O documento reúne dados de 24 comunidades em 13 municípios do Pará, incluindo territórios indígenas, quilombolas, reservas extrativistas e outras áreas protegidas. A proposta foi mapear, de forma participativa (moradores locais contribuíram na elaboração e na aplicação dos questionários), demandas reais das populações para subsidiar políticas públicas, especialmente no setor elétrico.

A maior parte das comunidades depende de soluções alternativas. A energia solar fotovoltaica está presente em 44% das residências com eletricidade, e o uso de geradores a diesel, os chamados ‘motores de luz’, ainda é comum em 16% dos domicílios. Neste caso, além da maior emissão de gases de efeito estufa (GEE) e da poluição sonora e do ar, o problema é o custo. Para as comunidades, o uso de geradores pode ser até cinco vezes mais caro que a rede elétrica e custar até dez vezes mais que sistemas solares.

Leia também: Comunidades ribeirinhas do Amazonas recebem capacitação sobre energia solar

Levantamento no Pará revela que apenas 20% das residências de comunidades tradicionais têm energia elétrica pública
Foto: Vandenilson dos Anjos/ Rede Energia e Comunidades

O levantamento aponta ainda que 52% das comunidades entrevistadas relatam insatisfação com o fornecimento de energia elétrica, indicando desafios relacionados à qualidade e à continuidade do serviço.

Assim, o estudo mostra que o desafio da universalização da energia elétrica na Amazônia envolve não apenas a ampliação do acesso, mas também a garantia de um fornecimento adequado às necessidades locais. Nesse sentido, o mapeamento socioterritorial contínuo é apontado como ferramenta relevante para qualificar o planejamento público.

A iniciativa parte de uma constatação recorrente entre especialistas e comunidades: ‘onde têm povos da floresta, têm florestas em pé’, destacando o papel dessas populações na conservação ambiental.

Serviços básicos e conectividade

O uso de energia em espaços comunitários está concentrado, sobretudo, em sistemas de abastecimento de água. Mais da metade destes casos dependem de geradores comunitários. Em 66% das situações, os próprios moradores arcam com esse custo.

Nas comunidades analisadas, foram identificadas 34 escolas que atendem cerca de 1.500 alunos, embora cinco localidades não tenham unidades escolares. Apenas 20% das comunidades contam com ensino médio, e nenhuma dispõe de ensino técnico ou profissionalizante. Dessas todas, 72%  têm energia elétrica.

Leia também: Energisa leva energia limpa para comunidades remotas da Amazônia

Foto: Vandenilson dos Anjos/ Rede Energia e Comunidades

Já na área da saúde, 75% das comunidades registraram visitas de agentes de saúde, enquanto sete contam com postos de atendimento. Menos da metade dessas unidades conta com energia elétrica, em alguns casos proveniente de sistemas solares. 

O acesso à internet também aparece de forma significativa: 77% das comunidades estão conectadas, principalmente por meio de tecnologia via satélite. Em muitos casos, a energia solar contribui para viabilizar esse acesso.

Produção e uso da energia

As atividades produtivas mais frequentes nas comunidades são a pesca e a produção de farinha, presentes em 73% dos casos, seguidas por meliponicultura e extrativismo. O estudo indica que a energia elétrica é utilizada nessas atividades, principalmente por meio de geradores e sistemas solares próprios (não de programa público).

A maior parte das comunidades (75%) demanda energia ao longo de todo o ano para sustentar essas atividades. Ainda assim, 67% dos entrevistados avaliam que a oferta atual é insuficiente para atender plenamente às necessidades produtivas.

Leia também: Comunidades quilombolas no Pará contribuem na preservação ambiental e segurança alimentar

Foto: Vandenilson dos Anjos/ Rede Energia e Comunidades

Essas informações produzidas podem subsidiar iniciativas como o Programa Luz para Todos, além de contribuir para o aprimoramento da atuação de instituições como a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Sobre o estudo

Os dados foram coletados entre agosto e novembro de 2024, a partir de entrevistas com lideranças comunitárias dos municípios de: Abaetetuba, Breves, Cachoeira do Arari, Curralinho, Gurupá, Melgaço, Oeiras do Pará, Oriximiná, Ponta de Pedras, Prainha, Santarém, São Miguel do Guamá e Viseu.

Foto: Reprodução/Instituto de Energia e Meio Ambiente

A pesquisa reforça o papel das organizações da sociedade civil na produção de dados e no desenvolvimento de metodologias adaptadas a contextos locais. Em regiões onde há menor disponibilidade de informações sistematizadas, iniciativas desse tipo ajudam a ampliar o conhecimento sobre as condições de vida e as demandas das comunidades.

A expectativa é que os resultados possam contribuir para o aperfeiçoamento de políticas públicas e para o fortalecimento de estratégias voltadas ao desenvolvimento sustentável da Amazônia. Afinal, a universalização do acesso à energia elétrica deve assegurar não apenas a conexão física, mas condições efetivas para o exercício de direitos associados à saúde, educação, saneamento e desenvolvimento produtivo.

Os autores foram a Coordenação das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Pará (Malungu), representada por Maria Helena Cunha dos Santos e Carlene Patrícia Santos Printes Cabral; a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), por Avanilson Ijoraru Dias Aires Karajá; a International Energy Initiative Brasil (IEI Brasil), por Rodolfo Dourado Maia Gomes; o Fundo Mundial para a Natureza – Brasil (WWF-Brasil), por Alessandra Mathyas; o Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), por Fabio Galdino dos Santos e Vinícius Oliveira da Silva; o Projeto Saúde e Alegria (PSA), por Jussara Salgado; a Universidade Estadual de Michigan (Michigan State University), por Rafael Lembi; e o Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC), por Alessandra Cardoso.

*Com informações do Instituto de Energia e Meio Ambiente.

Acampamento Terra Livre termina com pedido para acelerar demarcações  

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Acampamento Terra Livre teve participação de 7 mil indígenas de todas as regiões. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Realizado anualmente em Brasília, o Acampamento Terra Livre se consolidou como a maior mobilização dos povos indígenas do país, reunindo milhares de lideranças para discutir direitos, políticas públicas e a proteção dos territórios tradicionais. Organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, o evento também funciona como um espaço de pressão política sobre os Três Poderes, diante de pautas consideradas prioritárias para as comunidades originárias.

O coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Dinamam Tuxá, avalia que o Acampamento Terra Livre, que se encerrou no sábado (11), em Brasília, cumpriu o dever de cobrar os Três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) pela garantia dos direitos aos povos originários no país.

Imagem colorida mostra três jovens indígenas do Amazonas no Acampamento Terra Livre 2026
Acampamento Terra Livre. Foto: Allex Mendonça/ Idesam

“O acampamento é um momento de cobrança para as instituições do Estado brasileiro”, afirmou.

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O evento teve a participação de mais de sete mil indígenas de todas as regiões. Em entrevista à reportagem, ele avalia que o eixo principal de cobranças é a necessidade de acelerar as demarcações de territórios.

Ameaças

“Durante toda a semana, inclusive nas marchas, a mensagem direcionada para o Congresso Nacional é de alerta para as principais ameaças que estão tramitando na Câmara e no Senado”, disse. 

Leia também: Portal Amazônia responde: O que é Acampamento Terra Livre?

Acampamento Terra Livre. Foto: Guilherme Cavalli

Ele voltou a manifestar repúdio à implementação do marco temporal (PEC 48) e que foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). 

A proposta  já foi aprovada no Senado para ser incluída na Constituição. O tema aguarda análise da Câmara. Outra ameaça é o projeto de lei 6050, que tramita no Senado. “Tem o objetivo único e exclusivo de abrir as terras indígenas para grandes empreendimentos”, afirmou Tuxá.

Frustração

A liderança indígena disse que, ao Poder Executivo, foi reconhecido que nos últimos três anos, foram demarcados 20 territórios, mas que deve haver mais rapidez.

”Esperávamos que o governo atuasse de uma forma mais ambiciosa em termos de números de terras demarcadas, de terras protegidas, e de números de desintrusão das terras indígenas”, afirmou. 

Os indígenas também manifestaram, nesta semana, ao Supremo Tribunal Federal (STF) contrariedade ao projeto de construção da Ferrovia Ferrogrão. A votação foi adiada na Corte. Para viabilizar a ferrovia, seria necessário alterar os limites do Parque Nacional do Jamanxim (PA).

Para Tuxá, os indígenas voltam aos seus territórios com uma mistura de sentimentos.

“Houve algumas entregas simplórias, como é o caso de grupos de trabalho constituídos. Esperávamos mais e que houvesse demarcações de terra, homologações e portarias declaratórias”, lamentou.

*Por Luiz Cláudio Ferreira – da Agência Brasil

Comodare revoluciona móveis em Manaus com pagamento na entrega

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O mercado de decoração e mobiliário em Manaus acaba de dar um salto em confiança e inovação. A Comodare, marca que já se tornou sinônimo de solidez na capital amazonense, anunciou a expansão de suas operações com a inauguração de seu novo Outlet, agora em um espaço muito maior e mais moderno no bairro Nova Esperança.

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A mudança estratégica da unidade Planalto para a nova sede não é apenas uma troca de endereço, mas um marco na trajetória da empresa que completa quase uma década de atuação. Com três lojas físicas (Nova Cidade, Japiim e Nova Esperança), a Comodare se destaca por um modelo de negócio raramente visto no setor: o pagamento é realizado apenas no ato da entrega e assegurado em contrato.

Segurança jurídica e credibilidade

Em um setor onde o consumidor muitas vezes lida com incertezas sobre prazos e qualidade, a Comodare inverte a lógica do mercado. Ao estabelecer que o cliente só paga quando o móvel chega à sua residência, a empresa atesta, por conta própria, a eficiência de sua logística e a qualidade de seu acabamento.

Essa confiança é amparada por números expressivos: são mais de 200 mil clientes atendidos ao longo de 10 anos. Para garantir a precisão de cada peça, a empresa investe em maquinários de última geração, o que permite entregar desde móveis básicos para pronta-entrega até projetos planejados sofisticados com acabamento industrial.

Leia também: Pesquisadora do Amazonas investiga utilização de alternativas ecológicas e sustentáveis para substituição do plástico

Do básico ao planejado: Soluções completas

Seja para quem está recebendo as chaves do primeiro apartamento este ano ou para empresas que buscam renovar seu layout corporativo, o portfólio da Comodare impressiona pela versatilidade. A marca atende demandas de:

Produtos da Comodare
Comodare revoluciona móveis em Manaus. Foto: Divulgação
  • Móveis Planejados: Projetos personalizados para cozinhas, closets e home office com projeto 3D gratuito.
  • Mobiliário Residencial: Mesas de jantar, roupeiros de alto padrão, painés de tv, racks, armário de cozinha, armários para banheiro, kits para escritórioe muito mais.
  • Ambientes Corporativos: Soluções sob medida para otimização de espaços de trabalho.

Inauguração com condições de “Outlet”

A abertura da nova loja no Nova Esperança traz consigo uma agressiva política de preços. Durante este mês de inauguração, todo o estoque — tanto o padrão quanto os pedidos de planejados — poderá ser parcelado em até 18 vezes sem juros.

Além do parcelamento estendido, a empresa preparou uma ação de marketing exclusiva para os leitores: quem comparecer a qualquer uma das três unidades e informar que viu esta matéria, garante automaticamente um desconto de 5% nas compras no cartão ou 10% de desconto para pagamentos via PIX.

Estrutura e Atendimento na Comodare

A nova unidade no Nova Esperança foi projetada para oferecer uma experiência de compra superior, contando com estacionamento próprio e showrooms ambientados que facilitam a visualização dos projetos. A ideia é que o cliente sinta a textura dos materiais e a robustez do mobiliário antes mesmo de fechar o negócio.

Com a consolidação de suas três unidades, a Comodare reafirma seu compromisso com o desenvolvimento de Manaus, unindo o que há de mais moderno em tecnologia fabril com o respeito absoluto ao bolso e à tranquilidade do consumidor amazonense.

Terra indígena do povo Apiaká, de Mato Grosso, tem plano de gestão territorial validado

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Lideranças Apiaká e parceiros durante a validação do Plano de Gestão – Foto: Marina Arruda/OPAN

O povo indígena Apiaká do Pontal e Isolados, do Mato Grosso, deu um passo concreto em prol do seu reconhecimento. Isso porque o grupo recebeu a validação do Plano de Gestão Territorial e Ambiental da Terra Indígena (TI) Apiaká do Pontal e Isolados. A entrega do documento foi feita por representantes da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), além de lideranças indígenas do território Apiaká.

“Um marco histórico para nós, Apiaká, porque é um projeto que foi pensado por nós e estamos concluindo agora, validando todas as propostas que foram colocadas”, comentou Robertinho Morimã, cacique da aldeia Matrinxã, que faz parte da região tradicional. A TI Apiaká do Pontal e Isolados foi reconhecida pelo Estado brasileiro em setembro de 2024, mas a demarcação ainda não foi realizada. A conclusão do PGTA é um marco histórico e pode contribuir para a garantia de direitos e o avanço de pautas importantes, como a própria regularização fundiária do território tradicional do povo.

Leia também: Terra Indígena Apiaká do Pontal, em Mato Grosso, avança na construção do Plano de Gestão Territorial e Ambiental

Encontro na aldeia Pontal para validação do PGTA da TI Apiaká do Pontal e Isolados – Foto: Marina Arruda-OPAN

“Os Apiaká já tem praticamente 300 anos de contato e essa é a primeira terra indígena exclusivamente Apiaká, então esse PGTA tem uma importância muito grande”, contextualiza  Rinaldo Arruda, antropólogo e indigenista responsável pela facilitação do processo de elaboração do PGTA. 

Validação

Composto por pactuações, acordos internos e instrumentos de gestão (etnomapeamento e etnozoneamento), o PGTA é um documento elaborado pelo povo que pensa a gestão do território em aspectos sociais e ambientais. É um instrumento de luta política e autonomia que reúne as principais diretrizes no que diz respeito à história, organização social e política, cultura, educação, saúde, geração de renda, vigilância, monitoramento e soberania alimentar.

A construção do PGTA se deu a partir de um ciclo de oficinas, iniciado no fim de 2024, para tratar das questões levantadas pelos Apiaká relacionadas aos seguintes eixos temáticos: “Território e Ambiente”; “Organização Social e Governança”; “Economia; Saúde e Segurança Alimentar”; e “Educação e Cultura”. Puxados pelas principais lideranças, os encontros foram realizados em diferentes aldeias para que o debate se estabelecesse em todo o território e até entre os vizinhos, no caso os ribeirinhos da comunidade da Barra de São Manoel e os Munduruku, que estiveram presentes em todas as etapas e assinaram um termo de uso em consenso junto aos Apiaká. 

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“O objetivo de convidar os vizinhos é para que, ao estabelecer as regras de convivência e de vida dentro do território Apiaká, os vizinhos também participassem da elaboração e as incorporassem. Em vez de estabelecer regras proibitivas, trabalharam no sentido de estabelecer um diálogo construtivo, positivo, foi quase uma construção conjunta. Essa capacidade de diálogo propositivo é um aprendizado que vou levar comigo”, comenta Rinaldo, que também foi o responsável por organizar o texto do documento a partir das discussões coletivas.

Povo indígena Apiaká
O PGTA da TI Apiaká do Pontal e Isolados foi elaborado e validado pelos Apiaká – Foto Marina Arruda-OPAN

Agora, após a validação pelos Apiaká, o documento será impresso e publicado ainda este ano. Mas o trabalho não se encerra na publicação, afinal o PGTA é documento vivo, um plano de vida coletivo que serve como bússola para o presente e mapa para um futuro sustentável do território, portanto muitas ações já estão sendo implementadas e outras ainda serão. 

“Não é simplesmente concluir o PGTA, mas dar continuidade ao que está previsto no papel. Temos que montar pontos de vigilância, dar condições para que nossos vigilantes façam esse monitoramento e outras atividades que protegem o território. Temos o desafio e o compromisso de manter o PGTA sempre ativo”, ressalta Raimundo Paigo, liderança Apiaká da aldeia Pontal. 

Projeto Berço das Águas

A elaboração do PGTA da TI Apiaká do Pontal e Isolados é um dos eixos estruturantes do projeto Berço das Águas, realizado pela Operação Amazônia Nativa (OPAN) junto aos povos Rikbaktsa e Apiaká, com patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental. Aliás, durante a validação do PGTA, também esteve presente Marcos Costa Monteiro, profissional de comunicação da Petrobras que acompanha a realização de projetos socioambientais apoiados pela estatal.

Esta é a quarta edição do projeto, que tem apoiado, desde 2011, a gestão territorial de povos na bacia do rio Juruena. Além da continuidade das ações em curso, estão previstas atividades de monitoramento e proteção dos territórios, manejo sustentável de recursos naturais, fortalecimento das organizações indígenas e das cadeias de valor da sociobiodiversidade.

Produtor do Amapá transforma caroço de açaí em carvão

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Foto: Reprodução/Rede Amazônica

Um carvão produzido a partir do caroço de açaí está sendo fabricado no Amapá com base no reaproveitamento do resíduo do fruto, comum na região. A proposta é transformar o material descartado em combustível e reduzir a emissão de fumaça em relação ao carvão tradicional.

A ideia surgiu após o empreendedor Edson Marques presenciar um incêndio em um monte de caroços descartados irregularmente e percebeu que o material demorava a queimar.

“Essa demora na queima chamou a atenção porque choveu e, mesmo assim, o fogo não apagou. Então a gente colocou o carvão de açaí em uma máquina e deu firmeza no material”, afirmou.

Leia também: Pesquisadores no Amazonas transformam caroço de tucumã em chocolate que não derrete

Carvão biosustentável é feito com resíduos de açaí. Foto: Reprodução/Rede Amazônica

Do caroço ao carvão

Com isso, Edson resolveu utilizar o material para a produção de carvão. O processo de produção começa quando os caroços chegam à fábrica e passam por carbonização. Em seguida, o material é triturado até virar pó.

Depois disso, o material é misturado a elementos orgânicos, como água, areia e resíduos de mandioca, formando uma liga natural que dá consistência ao produto e levado para secagem.

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O filho de Edson, Alex Pascoal, também atua na produção do carvão junto com o pai. Segundo ele, o material contribui para a redução da emissão de gases poluentes durante o processo de fabricação.

“Esse carvão é sustentável. Por conta da secagem do material, 80% da fumaça durante a produção é reduzida. Então a gente evita o desmatamento e gases poluentes, transformando um produto que pode ser reaproveitado”, conta.

O empreendimento agora busca expandir a produção e levar o carvão de açaí para outros mercados, inclusive fora do país.

O material é misturado a elementos orgânicos, como água, areia e resíduos de mandioca. — Foto: Reprodução/Rede Amazônica
O material é misturado a elementos orgânicos, como água, areia e resíduos de mandioca. — Foto: Reprodução/Rede Amazônica

*Material publicado originalmente pelo g1 Amapá e Rede Amazônica, com informações de Crystofher Andrade e Mariana Braga

Pesquisador do IPAM revela que proteção de espécies migratórias exige ações de escala internacional

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Pesquisador revela que proteção de espécies migratórias exige ações de escala internacional. Foto: Arquivo/Carlos Durigan

Pesquisador do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), Carlos Durigan é geógrafo pela Unesp (Universidade Estadual Paulista) e mestre em Ecologia pelo INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia). Há mais de 30 anos, atua com projetos socioambientais no bioma Amazônia.

Em entrevista à newsletter Um Grau e Meio, Durigan fala sobre os desafios para a proteção das espécies migratórias. Saiba mais sobre o tema na coluna assinada pelo pesquisador no JOTA.

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O que caracteriza uma espécie migratória?

Uma espécie é considerada migratória quando realiza deslocamentos periódicos, previsíveis e regulares entre diferentes áreas ao longo de seu ciclo de vida, geralmente associados à alimentação, reprodução ou resposta a variações ambientais. No âmbito da Convenção sobre Espécies Migratórias, são consideradas migratórias aquelas cujas populações cruzam uma ou mais fronteiras nacionais, o que torna sua conservação dependente de cooperação internacional.

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Quais as principais espécies do Brasil?

O Brasil abriga uma grande diversidade de espécies migratórias, com destaque para peixes, aves e mamíferos aquáticos. Entre alguns exemplos de destaque, considerando inclusive o grau de ameaça, temos a dourada (Brachyplatystoma rousseauxii), bagre migrador que percorre grandes distâncias ao longo da bacia amazônica.

Entre as aves, destacam-se o maçarico-de-bico-torto (Numenius hudsonicus), incluso no Anexo 1 da CMS na COP15, e a águia-pescadora (Pandion haliaetus) – Anexo 2 desde1979, que conectam hemisférios.

Entre espécies de maior preocupação global incluídas no Apêndice I da Convenção sobre Espécies Migratórias, destacam-se o albatroz-de-tristão (Diomedea dabbenena), altamente ameaçado por captura incidental, e a tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea), que utiliza a costa brasileira em suas rotas migratórias e ainda o tubarão-azul (Prionace glauca), altamente ameaçado pela pesca predatória no litoral brasileiro.

Leia também: Ministério do Meio Ambiente defende debates globais sobre proteção de espécies migratórias

Já entre os mamíferos marinhos, a baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae) migra até o litoral brasileiro para reprodução e está inclusa no Anexo 1 desde 1979.

Maçarico-de-bico-torto é uma espécie de ave migratória que sofre ameaças segundo análise do pesquiador Carlos Durigan. Foto: Bettina Arrigoni/ Creative Commons

A única espécie de mamífero terrestre brasileiro que está inclusa nos anexos 1 e 2 é a onça-pitada (Panthera onca), em função de suas populações estarem ameaçadas em várias regiões ao longo de todo o continente americano e dependem de conectividade entre habitats para sobreviver. Além disso, seus deslocamentos entre países exigem cooperação internacional para garantir corredores ecológicos e a conservação da espécie.

De que maneira estes animais estão ameaçados?

As principais ameaças incluem a perda e fragmentação de habitats, sobrepesca, caça ilegal e diferentes formas de contaminação (agrotóxicos, esgoto, plástico). Esses impactos são agravados pelas mudanças climáticas, que alteram regimes hidrológicos, intensificam secas e incêndios e afetam especialmente áreas úmidas, rios e zonas costeiras — ambientes críticos para grande parte das espécies migratórias que ocorrem no Brasil.

Como superar os desafios para sua proteção?

A conservação de espécies migratórias exige ações coordenadas em escala internacional, como promovido pela COP15 da CMS. No Brasil, é fundamental fortalecer unidades de conservação e terras indígenas, ampliar a conectividade entre paisagens e avançar na proteção de áreas fora desses territórios, o que inclui a destinação de terras públicas para finalidades que incluam a sua proteção. Destaca-se ainda o papel central de povos indígenas e comunidades tradicionais, bem como a necessidade de reduzir pressões como desmatamento, contaminação e emissões que intensificam a crise climática.

*O texto foi publicado originalmente no site do Ipam

Do campo à mesa: Mara Frios revoluciona abastecimento no Amazonas

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Fachada do Centro de Distribuição Mara Frios. Foto: Divulgação

O mercado de alimentação no Amazonas atingiu um novo patamar de excelência e segurança alimentar. À frente dessa transformação está a Mara Frios e Carnes, uma empresa que há 23 anos deixou de ser apenas um ponto de venda para se tornar um hub logístico e produtivo vital para o estado. Com uma operação que movimenta quase 4 mil toneladas de produtos por mês, a marca consolidou-se como o “braço direito” tanto das famílias manauaras quanto dos milhares de empreendedores que movimentam a economia regional.

A engrenagem por trás desse sucesso é monumental: um Centro de Distribuição (CD) moderno, equipado com o que há de mais avançado em tecnologia de armazenamento, e uma frota própria de 28 caminhões refrigerados. Essa estrutura garante que a “quebra de temperatura” — o grande desafio da logística na região norte — seja inexistente, assegurando que o produto chegue ao consumidor com o frescor original de fábrica.

O Calendário da Economia: Terça da Carne e Fim de Semana Food

A Mara Frios tornou-se o destino obrigatório de quem busca o melhor custo-benefício em Manaus tanto no dia a dia com ofertas diárias e também através de um calendário estratégico de ofertas:

• Terça da Carne: Já consolidada no calendário do consumidor amazonense, todas as terças-feiras as 12 lojas oferecem cortes selecionados com os melhores preços da cidade, garantindo proteína de qualidade na mesa das famílias.

• Fim de Semana Foods: Pensando no setor de gastronomia e no lazer das famílias, os finais de semana são marcados por ofertas imperdíveis na linha de alimentos processados e insumos, ideais para o estoque de quem empreende ou para o churrasco de domingo.

Leia também: Do açaí ao cará, comidas amazônicas são chave para educação sobre alimentação saudável na região, propõe livro

Real Lat: A ciência por trás dos melhores frios

O grande diferencial que coloca a Mara Frios em uma categoria isolada é a sua linha de produção e representação exclusiva. A Real Lat, marca carro-chefe do grupo, é sinônimo de tecnologia aplicada à gastronomia. Operando com equipamentos de última geração, a marca oferece uma curadoria de laticínios e embutidos que é referência no mercado:

• Queijos Premium: Mussarela e queijo Prato com maturação controlada e derretimento perfeito, embalados com sistema de última geração, fatias perfeitas e interfolhadas para dar mais praticidade.

• Linha de Embutidos: Presuntos selecionados, o exclusivo Délice de Peru, mortadelas de alta qualidade e o indispensável bacon.

• Praticidade para o Empreendedor: A calabresa fatiada Real Lat é hoje um item obrigatório em pizzarias de Manaus, otimizando o tempo de produção e garantindo padronização.

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Real Pães: O segredo das melhores lanchonetes

Complementando a cadeia de suprimentos, a linha Real Pães (também com representação exclusiva pela Mara Frios) domina o setor de panificação industrial. Reconhecida pela maciez e sabor, a marca fornece

os melhores pães de hambúrguer, pães de forma e o tradicional pão de kikão (hot dog), essenciais para padarias, hamburguerias e lanchonetes que não abrem mão de qualidade para fidelizar seus clientes.

Além disso, a Mara Frios detém a exclusividade de outras gigantes como Real Lat, Real Pães e Massas, Rezende, Hábito e Star Frites, oferecendo um mix completo que une as melhores marcas globais ao atendimento personalizado local.

Essa exclusividade garante ao microempreendedor e às famílias amazonenses acesso direto a produtos de alto padrão com preços de fábrica. Além dessas representações, a rede trabalha com as melhores marcas do mercado global, oferecendo um mix completo que atende desde o churrasco de domingo até a operação pesada de pizzarias, hamburguerias, docerias, mercadinhos, autônomos e muito mais.

Impacto Social e Expansão: O Marco de 2026

Para sustentar esse crescimento, a Mara Frios gera mais de 400 empregos diretos, formando uma rede de profissionais capacitados que operam desde o fatiamento preciso até a gestão logística. Esse capital humano é o coração das 12 unidades espalhadas estrategicamente por Manaus.

Atualmente, o grupo vive um momento histórico de renovação: 7 lojas já foram reinauguradas com padrão “Premium”, oferecendo ambientes totalmente climatizados, modernos e confortáveis. A meta da diretoria é audaciosa: até dezembro de 2026, todas as 12 unidades estarão padronizadas, reafirmando o compromisso de oferecer a melhor experiência de compra do Amazonas.

Onde encontrar Mara Frios e como acompanhar

Seja para o atacado ou varejo, a Mara Frios está presente em todas as zonas de Manaus:

  • Zonas Norte e Leste: Fuxico, Zumbi, Cidade Nova, Manôa e Nova Cidade.
  • Zonas Sul e Oeste: Educandos, Nova Esperança, Alvorada, Cachoeirinha e Compensa (Av. Brasil e Ponte).
  • Eixo de Conexão: Torquato Tapajós.

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Akil Khalil Ayoub Bazzi

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Da direita para esquerda, Jandira Sena Bazzi e Akil Khalil Ayoub Bazzi. Foto: Acervo pessoal/Abrahim Baze

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br

Ao chegarem em Manaus esses imigrantes adotaram estratégias semelhantes de inserção na economia do município, em especial no comércio da cidade, estabelecendo-se em setores da economia, em que cujos recursos de investimentos eram limitados, o que consequentemente tornavam-se difíceis suas entradas neste meio naquela época.

Esses imigrantes se localizavam em espaços de alugueis baratos, conjugando moradia e comércio o que tratava-se de uma solução única e conveniente. Foi assim em todo Brasil e, em Manaus também era comum particularmente no Bairro dos Remédios. Com o fim do século XIX, nas primeiras décadas do século XX, milhares de homens e mulheres de nacionalidade árabe proveniente de diversas regiões do Oriente Médio em particular do Líbano, Síria e Palestina num período mais moderno, onde essas chegadas e adaptação constituíram um importante momento de nossa história.

Foi o caso de meu pai Akil Khalil Ayoub Bazzi, nascido na cidade de Bent-Jbeil, Líbano, no dia 4 de junho de 1905, filho de Khalil H. Bazzi e Noga Bazzi. Aporta no Brasil, em Belém no estado do Pará, em 10 de janeiro de 1928, permanecendo por um período e embarcando a Manaus em 29 de maio de 1929, ele trouxe consigo seu filho Amim Ayoub Bazzi.

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Aqui chegando instala-se na Rua Pedro Botelho em uma pequena estância. Na casa em frente residia seu patrício Abrahim Menassa que, a essa altura já transitava os caminhos da prosperidade na cidade e, ajuda meu pai a iniciar sua vida como comerciante sendo camelô, ajudando financeiramente e tornando-se bons amigos. Com o passar do tempo, meu pai amealhando alguns recursos, abre seu comércio com a venda de tecidos e derivados, na Rua Joaquim Nabuco, esquina com Sete de Setembro. Destacando-se assim, a grande importância de Abrahim Menassa com amizade e apoio ao meu pai.

Já em Manaus conheceu a jovem Jandira Sena Bazzi com quem casou-se e trouxe ao mundo os filhos: Nilo Sena Bazzi, Ali Sena Bazzi e Abrahim Sena Baze. Lembro-me com frequência que às 15 horas da tarde eu e minha mãe atravessávamos a rua para fazer um pequeno lanche na casa de dona Alice Menassa, esposa de Abrahim Menassa. Foi um período grandioso em nossa cidade. Ah! Manaus, quanta saudade daquelas tardes alegres na casa dos Menassa. Perdoe-me a pretensão de querer ver-te na sedução do teu passado. Também te vejo nem por isso menos querida em estamparia de chita, a seduzir a sonolência da cidade velha, com a frivolidade do teu comércio pujante.

É de fato a volta de uma Manaus a luz de lamparinas e lampiões perdendo seu brilho para o sol que acabara de nascer, reduzindo o frenesi de suor na pele morena de tuas meninas moças com forte lembrança da Grã-finagem que ali se reunia para jogar conversa fora. As duas famílias amigas preservaram os retratos, guardaram suas ruínas, recolheram os pedaços e a partir deles foi possível reconstruir o seu passado. Abrahim Menassa, Alice Menassa, Akil Khalil Ayoub Bazzi e Jandira Sena Bazzi, partiram para outra vida, mas, deixaram fotografado na mente daqueles que os conheceram, retratos variados, a lembrança da beleza dos tempos de antanho.

Sonhar e acreditar, dessas duas qualidades resultam as realizações sociais de um homem e os afazeres do espírito humano, fatores indispensáveis para a perpetuação das aspirações enobrecedoras e a construção de possibilidades efetivas para a existência humana. Na verdade Akil Khalil Ayoub Bazzi forjou novos padrões, valores e atitudes sobre a vida, a sociedade em que viveu muito especialmente com a família. Esses caminhos que se descortinam resultaram de seu entusiasmo da fé e da crença do seu trabalho, cuja, mão amiga foi de Abrahim Menassa.

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Ao ser humano foi dado o desafio de navegar as agitadas águas do tempo. Viver é vencer as provações que a existência nos impõem cotidianamente e cumprir com altivez e dignidade a travessia, inclusive ajudando seus irmãos também a atravessar. Afinal, o que é a vida se não vencer as distâncias e os limites. E depois? – Depois retornar a fonte originaria onde a correnteza da vida brota e onde reinam os mistérios da providência divina. Compreender este milagre e esse enigma é condição indispensável para uma existência enriquecedora e feliz, especialmente para aqueles que passaram entre nós procurando fazer o bem.

Foi em um momento muito especial o lançamento da exposição fotográfica de Jacques Menassa em que tive oportunidade de fazer um discurso, retratando uma parte de minha infância, com meus pais e da família Menassa. Naquela ocasião acontecia a exposição do nobre amigo e intelectual Jacques Menassa.

Família Menassa. Manaus, 1940. Ibrahim Menassa, à direita, veio de Ghosta, no Líbano, para Manaus, em 1926. À esquerda estão sua esposa Alice Sanches, brasileira, e as filhas Adelaide e Alice.
Família Menassa. Manaus, 1940. Ibrahim Menassa, à direita, veio de Ghosta, no Líbano, para Manaus, em 1926. À esquerda estão sua esposa Alice Sanches, brasileira, e as filhas Adelaide e Alice. Foto: Bibliaspa

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

MPF cancela matrícula de estudante que se passou por indígena em Rondônia; entenda

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Candidato apresentou autodeclaração de indígena para cursar Direito na Unir, mas foi reprovado pela banca avaliadora. Foto: Divulgação/UNIR

Um estudante que se declarou indígena para ingressar em vaga reservada na Universidade Federal de Rondônia (Unir) teve sua matrícula cancelada por uma decisão judicial. O caso começou em 2024, quando o candidato apresentou autodeclaração de indígena, mas foi reprovado pela banca de heteroidentificação. Na época, ele recorreu à Justiça e conseguiu uma decisão liminar para estudar Direito na Unir.

O Ministério Público Federal (MPF) foi comunicado pelos indígenas karitianas sobre a situação e passou a atuar no caso. Em sua manifestação no processo, o MPF conseguiu comprovar que o aluno não é indígena, portanto não pode ocupar vaga da cota étnica. O procurador da República que atua no caso, Leonardo Caberlon, ressalta que não basta se autodeclarar, é necessário ser reconhecido pela comunidade, direito – reconhecido pela Constituição Federal – que deriva da autodeterminação dos povos indígenas.

Leia também: Povos e comunidades tradicionais reivindicam criação de cota na Universidade Federal do Pará

Fraude em cota indígena

No documento enviado ao MPF, lideranças do povo Karitiana informaram que o estudante não foi reconhecido pelos anciãos e lideranças tradicionais, bem como nunca teve vínculos históricos, culturais ou familiares com aquele povo. O documento também expôs que o estudante enganou alguns karitianas e conseguiu assinaturas em uma falsa declaração de reconhecimento de pertencimento étnico e de vínculo com a comunidade.

Indígenas no auditório da Unir
Povos originários no auditório da Unir. Foto: Divulgação/Unir

Segundo o documento, o estudante se aproximou de karitianas dizendo que era membro do povo Parintintin e que não teria tempo para ir buscar assinaturas de seu povo em Humaitá (AM). Acreditando no estudante, alguns karitianas assinaram a declaração. Mas a banca de heteroidentificação da Unir, que é composta por indígenas, desconfiou da validade do documento e entrou em contato com quem assinou a declaração, descobrindo a verdade.

A desconfiança sobre a declaração apresentada pelo estudante surgiu porque, durante a entrevista da banca de heteroidentificação, o candidato não demonstrou ter parentesco e sociabilidade com os karitianas, além de não conhecer os elementos culturais do povo, suas tradições, suas lutas sociais e históricas. O estudante sequer sabia a localização geográfica da aldeia Karitiana.

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‘Índio de papel’

A pedido do povo Karitiana e do MPF, a antropóloga Andréa Carvalho Mendes de Oliveira Castro elaborou um laudo antropológico sobre o caso. A pesquisadora estuda e acompanha há muitos anos aquele povo, tendo registrado parentescos dos karitianas dos últimos 130 anos.

Para a antropóloga, critérios puramente documentais para a verificação de pertencimento a grupos étnicos são perigosos porque passaria a existir “índio de papel”, revelando um racismo estrutural. “Dizer-se indígena sem ser reconhecido como tal está sob a ótica da apropriação cultural, isto é, apropriação indevida de uma identidade, causando prejuízos às lutas reais dos povos indígenas. Não existe um sentimento de pertencimento que seja válido, legítimo e legal sem o reconhecimento do grupo ao qual se diz pertencer”, acrescentou.

No laudo antropológico, ela narra que até 2018, cerca de 80% dos estudantes autodeclarados indígenas matriculados na Unir não conseguiam comprovar pertencimento a um grupo indígena e por isso não conseguiam obter a bolsa permanência, benefício a que teriam direito se houvesse a comprovação. Até 2019 a Unir admitia como critério exclusivo a autodeclaração. Em 2023, os movimentos sociais fizeram uma proposta de resolução para que a Unir instituísse as bancas de heteroidentificação, que tiveram início em 2024.

Segundo a antropóloga, a alegação do estudante de que seu avô era indígena e que seu pai havia sido tirado da aldeia com apenas um ano de idade, perdendo o convívio com seus parentes biológicos, não tem fundamento. Isso porque nem o pai e nem o avô do estudante aparecem em nenhuma árvore genealógica dos karitianas.

Também não há como existir um karitiana desconhecido, pois a etnia habita uma única aldeia com pouco mais de 300 indígenas, sendo que todos se conhecem, mesmo os que não residem na aldeia, e há tradicionalmente a manutenção dos vínculos de parentesco.

Indígenas da etnia Parintintin. Foto: Reprodução/Amazon Sat

Pertencimento

Na manifestação do MPF à Justiça Federal, foram juntados o documento dos karitianas e o laudo antropológico. A Unir também se manifestou na ação, relatando que as cotas indígenas não levam em conta as características fenotípicas, mas consideram o vínculo, a vivência e o pertencimento.

Segundo o MPF, há diversas denúncias de ocupação irregular das vagas destinadas às cotas indígenas na Unir. Os casos estão sendo apurados por meio de:

Ação civil (nº 1006869-73.2024.4.01.4100);

Inquérito civil sobre fraudes às cotas indígenas (nº 1.31.000.001171/2021-67)