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Observatório da OTCA lança painel sobre degradação florestal na Amazônia

Área desmatada ilegalmente no Amazonas. Foto: Reprodução/Ibama

O Observatório Regional Amazônico da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (ORA/OTCA) lançou o novo Painel de Degradação Florestal da Amazônia, ampliando o conjunto de ferramentas de monitoramento ambiental disponíveis na plataforma.

A nova interface reúne mapas e gráficos dinâmicos que apresentam a série histórica de dados de degradação florestal dos oito países amazônicos (Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Peru, Guiana, Suriname e Venezuela) entre 1984 e 2024, permitindo análises espaciais e temporais integradas. Há ainda uma análise específica para todas as áreas naturais protegidas e territórios indígenas na Amazônia.

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O módulo de degradação passa a complementar os dados de desmatamento já disponibilizados pelo ORA. “O desmatamento é a remoção total da cobertura de vegetação nativa, já a degradação representa um processo intermediário, de empobrecimento da floresta, sem sua destruição completa, como ocorre, por exemplo, no corte seletivo de árvores”, explica Maycon Castro, Especialista Monitoramento Ambiental do ORA.

“Compreender a degradação é essencial porque ela frequentemente antecede diferentes trajetórias da paisagem. Uma área degradada pode evoluir para o desmatamento, avançar para a regeneração florestal ou permanecer por longos períodos em um estado de pousio”, explica Tarsila Andrade, especialista em geoprocessamento do ORA. 

A degradação florestal é mais difícil de mapear do que o desmatamento, pois, em alguns casos, ocorre com a floresta ainda em pé. Entre seus principais vetores estão os incêndios florestais, intensificados nos últimos anos por cenários de seca na Amazônia, o corte seletivo de madeira e o efeito de borda associado à fragmentação da paisagem.

Estes processos reduzem a capacidade da floresta de prover serviços ecossistêmicos, como regulação climática, conservação da biodiversidade e manutenção do ciclo hidrológico. O acesso a esse tipo de informação é estratégico para subsidiar políticas públicas baseadas em evidências nos países amazônicos.

“Nossas análises sobre áreas degradadas podem inclusive ajudar a separar as atividades ilícitas de corte seletivo, daquelas que através das concessões florestais praticam o corte seletivo”, explica afirma Arnaldo Carneiro, coordenador do ORA.

Leia também: Desmatamento, degradação, exploração: pesquisador aponta quais são as principais ameaças para a Floresta Amazônica

painel ora otca
Imagem: Reprodução/OTCA

Eventos de Perturbação

Os dados que alimentam o painel têm como base o produto Tropical Moist Forests (TMF), desenvolvido pelo Joint Research Centre (JRC) da União Europeia, que utiliza imagens de satélite para monitorar a evolução das florestas tropicais ao longo do tempo. Pela metodologia do TMF, uma área é classificada como floresta degradada quando sofre até três episódios de perda temporária da copa das árvores ao longo do tempo. Esses eventos, que podem ser causados por fogo, exploração de madeira ou outras pressões, duram no máximo cerca de dois anos e meio e precisam estar separados por períodos de recuperação da floresta.

Quando as perturbações se tornam mais frequentes, ou seja, passam de três ocorrências, a área deixa de ser considerada degradada e passa a entrar na conta do desmatamento, a partir do primeiro impacto registrado. Nos anos mais recentes da análise, o sistema adota critérios adicionais para diferenciar degradação e desmatamento, com base na quantidade e na consistência das observações feitas pelos satélites.

“Essas informações permitem enxergar a Amazônia de maneira mais completa, revelando não apenas onde a floresta foi derrubada ou degradada, mas também onde ela está sendo regenerada, pois o universo de áreas que foram desmatadas e abandonadas também é importante. Este mapeamento deve permitir identificar ambas trajetórias: da degradação ao desmatamento e do desmatamento para a regeneração. Isso amplia nossa capacidade de interpretar a história recente da região e fortalece o apoio aos países amazônicos na formulação de políticas baseadas em evidências”, afirma Carneiro.

Painel da ORA/OTCA

O novo painel de Degradação Florestal está reunido na Aba “Deforestation”, em seguida, “Deforestation/Degradation”, na qual o usuário pode optar por analisar os dados de degradação florestal ou desmatamento.

*Com informações da OTCA

Da cozinha ribeirinha ao turismo de base comunitária em Belterra: projeto incentiva bioeconomia

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Pequeno negócio de Belterra (PA) participa de projeto do Sebrae voltado à bioeconomia e passa por transformação estrutural e estratégica unida ao turismo local. Foto: Reprodução/Sebrae

Cores vibrantes da cultura ribeirinha, aromas de peixes típicos do Tapajós e a promessa de chalés ecológicos. A “Casa do Elton”, antes um restaurante simples da Flona do Tapajós, hoje oferece uma imersão completa na bioeconomia e no turismo de base comunitária, fruto de um intensivo programa de capacitação do Sebrae que redefiniu o futuro do empreendimento em Belterra (PA).

Localizado na comunidade de Piquiatuba, dentro da Floresta Nacional do Tapajós, o espaço chefiado por Elton John Vasconcelos ganhou um novo futuro a partir do trabalho de capacitação.

A iniciativa incluiu mentorias, capacitações técnicas e consultorias em áreas como atendimento, hospitalidade, organização do espaço, identidade visual e gestão.

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Da cozinha ribeirinha ao turismo de base comunitária em Belterra
O empreendedor Elton John Vasconcelos, de Piquiatuba, oferece serviços de gastronomia e de turismo e investe na expansão do negócio. Foto: Reprodução/Sebrae

O negócio também recebeu apoio na construção de identidade e ambientação. O estilista Walter Rodrigues, parceiro do Sebrae por meio da Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal), desenvolveu uniformes exclusivos para a equipe, valorizando a cultura local. As peças foram confeccionadas por mulheres da própria comunidade.

Segundo Newman Costa, coordenadora nacional de Biomas e Bioeconomia do Sebrae que acompanhou a acompanhou de perto o projeto, o espaço passou por uma verdadeira transformação estrutural e estratégica.

“Ele deixou de ser apenas um restaurante e se transformou em um espaço turístico. Entramos com capacitação gastronômica, hospitalidade, valorização do artesanato local e organização do ambiente”, disse Newman Costa, coordenadora nacional de Biomas e Bioeconomia do Sebrae.

“O que antes era um restaurante simples se tornou um modelo de negócio sustentável, integrado à bioeconomia e preparado para receber o mundo. A gente enxergou nele o potencial de mudança. Hoje ele é referência. É um exemplo de como é possível crescer sem perder a identidade”, conclui Newman.

A Casa do Elton planeja oferecer serviços de turismo e de hospedagens em chalés ecológicos. Foto: Reprodução/Sebrae

O negócio avança agora para uma nova etapa. A Casa do Elton em breve vai oferecer serviços de hospedagens em chalés ecológicos no estilo pousada. As obras começaram em fevereiro, com inauguração prevista para abril. Sempre dedicado ao trabalho, Elton está confiante sobre os projetos para crescimento: “Estamos começando com o pé direito e vamos terminar com o pé direito”.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é turismo de base comunitária?

Sobre o projeto que apoia o turismo local

O programa de Bioeconomia do Sebrae, desenvolvido inicialmente no bioma amazônico, ganhou destaque com o lançamento de um livro durante a COP30.

A iniciativa estruturou uma metodologia específica para fortalecer empreendimento da bioeconomia na região, considerando as oportunidades geradas pelo evento e as particularidades do território.

Agora, o projeto avança para Amapá, Acre e Amazonas e inicia a expansão do modelo para outros biomas brasileiros, como Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal, Caatinga e Semiárido. A proposta é replicar a metodologia desenvolvida na Amazônia, adaptando-a às realidades locais para impulsionar a bioeconomia em diferentes regiões do país.

*Com informações do Sebrae

E-book é disponibilizado com soluções para impulsionar nova economia da Amazônia

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E-book é disponibilizado gratuitamente. Foto: Reprodução/FIINSA

O Festival de Investimentos de Impacto e Negócios Sustentáveis da Amazônia (FIINSA) – Edição Especial COP30 consolidou-se como um espaço estratégico para a construção de uma nova economia para a região amazônica. Realizado em Belém (PA), o evento reuniu empreendedores, comunidades tradicionais, investidores, representantes do setor público e organizações da sociedade civil para debater caminhos concretos rumo a uma bioeconomia que gere renda, preserve a floresta e fortaleça os territórios amazônicos. Todo esse conteúdo foi reunido em um E-book gratuito no site: fiinsa.org.br/.

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O E-book reforça como a programação, composta por painéis, rodas de conversa e atividades colaborativas, abordou temas como protagonismo comunitário, sociobioeconomia, investimentos de impacto, inovação orientada pelo território, juventude, cultura, tecnologia, inteligência artificial e os desafios estruturais para que a Amazônia deixe de ser vista como promessa e seja reconhecida como realidade econômica.

FIINSA LANÇA E-BOOK
Grupo que participou da COP30 criou E-book. Foto: Reprodução/FIINSA

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Ao final, as discussões convergiram para um ponto comum: o desenvolvimento para a Amazônia só é sustentável quando nasce da floresta, respeita o tempo dos territórios e valoriza os saberes de quem vive neles.

O documento reúne os principais debates, reflexões e entrevistas exclusivas com participantes desta edição, além da carta “Da Amazônia para o Mundo” – documento cocriado por mais de 430 participantes, com propostas e soluções para uma nova economia amazônica.

Na visão dos organizadores do evento, o ebook amplia o alcance e fortalece o legado dessa edição especial. “Realizar o FIINSA no primeiro dia da COP30, no dia 10 de novembro de 2026, foi uma escolha simbólica e estratégica. Queríamos abrir esse espaço global mostrando que a Amazônia não entra na conversa apenas como tema, mas como território que já constrói respostas, experiências e soluções concretas para os desafios do clima e da economia”, afirmou Marcus Bessa, cofundador do Impact Hub Manaus e um dos organizadores do evento.

Na mesma linha, André Vianna, outro cofundador do evento e diretor técnico do Idesam, destaca que o conteúdo reforça o protagonismo de quem vive nos territórios na construção de uma nova forma de pensar e agir sobre a Amazônia.

“O FIINSA evidenciou que a economia da Amazônia deve ser liderada por quem vive na floresta. O ebook sistematiza esse conhecimento coletivo e amplia o diálogo com investidores, formuladores de políticas públicas e a sociedade, em um momento-chave para o futuro do planeta”, ressalta. 

Confira o e-book:

*Com informações do FIINSA e Idesam

Manejo com redução de impacto é capaz de promover recuperação de floresta e estocar carbono

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Diferentemente da exploração ilegal predatória de madeira, o manejo é baseado em análises científicas que permitem a extração de forma planejada e controlada. Foto: Edson Vidal/Esalq-USP

A adoção de técnicas de manejo com redução de impacto na exploração de madeira é capaz de promover a recuperação de florestas tropicais, como a Amazônia, e estocar carbono a longo prazo, mantendo biodiversidade e serviços ecossistêmicos.

Pesquisa publicada no Journal of Environmental Management traz evidências de que essas boas práticas aumentam a biomassa acima do solo, ao contrário da exploração convencional. Reforça, assim, o papel do chamado manejo florestal com exploração de impacto reduzido (MF-EIR) como uma estratégia eficaz para conciliar a produção de madeira, a conservação da floresta e a mitigação das mudanças climáticas.

Leia também: Portal Amazônia responde: como funciona o CO₂ na atmosfera?

A biomassa, ou seja, a matéria orgânica viva ou morta (como plantas, árvores, animais e resíduos), é um indicador-chave para analisar a recuperação florestal e o sequestro de carbono.

O estudo foi realizado entre 1993 e 2023 em uma fazenda próxima ao município de Paragominas, no Estado do Pará, que tem uma área destinada a experimentos científicos, especialmente ligados à silvicultura e ao manejo de florestas tropicais.

Nesse período de 30 anos, os diâmetros das árvores foram medidos 12 vezes em dois sistemas de manejo – MF-EIR e convencional, além de uma parcela de controle não explorada. O estoque de biomassa foi estimado para a floresta toda; para áreas de espécies exploradas; com potencial de exploração e espécies sem valor madeireiro.

De acordo com os resultados, a área manejada com técnicas de impacto reduzido se aproximou das condições estruturais de uma floresta madura e teve balanço positivo de biomassa – ganho médio de 70,68 megagramas por hectare (Mg ha⁻¹). Por outro lado, a parcela de manejo convencional apresentou perda de biomassa, com saldo negativo de 11,35 Mg ha⁻¹, e a de controle ficou praticamente estável.

Ao longo do tempo, incluindo ciclos de corte de madeira, o MF-EIR levou, em média, a estoques máximos de biomassa de 353,42 Mg ha⁻¹, em todos os grupos de espécies analisados, ficando acima das demais áreas avaliadas.

“Esse acompanhamento por 30 anos traz resultados práticos inéditos e reafirma a importância de inserir o manejo florestal em discussões de mitigação das mudanças climáticas. Mostramos que o manejo de impacto reduzido consegue recuperar claramente a biomassa e, consequentemente, o sequestro de carbono. Com isso, os resultados podem ajudar na criação de metodologias para pagamento por serviços ecossistêmicos, como mercado de carbono, vindos dessas áreas e contribuir para a atualização da legislação de manejo sustentável em florestas tropicais”, avalia o coordenador da pesquisa, Edson Vidal.

Ele é do Departamento de Ciências Florestais da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP) e um dos coordenadores do Laboratório de Silvicultura Tropical (Lastrop) da Esalq.

Imagem colorida mostra manejo da floresta tropical e seu clima
Foto: Wikimedia Commons

A legislação

O manejo sustentável é descrito no Código Florestal brasileiro (Lei nº 12.651/2012) como a “administração da vegetação natural para a obtenção de benefícios econômicos, sociais e ambientais, respeitando os mecanismos de sustentação do ecossistema” e considerando a utilização de múltiplas espécies madeireiras ou não e de produtos e subprodutos da flora.

A legislação para a Amazônia prevê ainda planos de manejo, a cada cinco anos, cujos parâmetros técnicos seguem resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), criada em 2009.

Diferentemente da exploração ilegal predatória de madeira, o manejo é baseado em análises científicas que permitem a extração de forma planejada e controlada.

A exploração de impacto reduzido adota técnicas que minimizam danos à floresta, incluindo zoneamento e registro de área, planejamento detalhado de espécies com o mapeamento de todas as árvores comerciais (chamado inventário) e treinamento de pessoal. É necessário também fazer a seleção de árvores ideais para a colheita, corte de lianas e trepadeiras, planejamento de estradas e trilhas, além da minimização de desperdícios e dos danos à floresta remanescente. As árvores manejadas têm corte direcional respeitando um diâmetro mínimo, com planejamento de retirada e ciclos de extração determinados.

No ano passado, outro artigo publicado por um grupo de cientistas liderados por Vidal mostrou que até mesmo a distância entre as árvores de uma determinada espécie em uma região pode fazer diferença no manejo. Isso porque as distâncias mínimas de corte específicas para cada espécie podem favorecer a dispersão do pólen e a viabilidade genética, permitindo a conservação (leia mais AQUI).

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Manejo é alternativa econômica

Vidal destaca que a pesquisa publicada agora evidencia a viabilidade de conciliar o uso econômico da floresta à conservação ambiental, com fundamentação em ciência, planejamento e políticas públicas baseadas em evidências.

De acordo com o Sistema Nacional de Informações Florestais, a produção madeireira no Brasil provém, principalmente, de áreas de plantio – em 2023, 94% da madeira em tora teve origem em áreas plantadas. No mesmo ano, foram comercializados R$ 35,1 bilhões em produtos madeireiros, dos quais R$ 22,2 bilhões foram de madeira em tora.

Para os pesquisadores, ao favorecer a recuperação da biomassa e o sequestro de carbono, a exploração de impacto reduzido se alinha a estratégias econômicas discutidas no mercado, como projetos de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD+) e de Improved Forest Management (IFM).

“Levei para a COP30 resultados que obtivemos e os dados suscitaram discussões interessantes. Conseguimos até mesmo um grupo que se organizou para fazer um evento em maio sobre manejo florestal. Durante a conferência, o foco principal nessa área estava voltado para a restauração de florestas”, conta à Agência FAPESP o pesquisador, que esteve em Belém (PA), em novembro de 2025, participando das discussões da Conferência sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas.

Parcerias

O artigo foi desenvolvido no âmbito do projeto “Indo além do primeiro ciclo de colheita nas florestas tropicais da Amazônia Brasileira”, financiado pela FAPESP e vinculado à Iniciativa Amazônia+10 – programa liderado pelo Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) que envolve Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) de 25 unidades da Federação, incluindo São Paulo.

Segundo Vidal, o próximo passo do estudo será envolver instituições que participam da Iniciativa Amazônia+10 e têm dados de manejo florestal de outros Estados, como Amazonas, Mato Grosso e Rondônia, para comparar os resultados de biomassa de forma mais global. “A partir disso podemos pensar, por exemplo, em qual é a contribuição do manejo florestal para a NDC brasileira”, complementa.

Instrumento-chave para as metas de limitar o aquecimento global, a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) é o compromisso que cada país apresentou no Acordo de Paris para reduzir suas emissões de gases de efeito estufa e se adaptar às mudanças climáticas. As NDCs deveriam ter sido revisadas em 2025 – até o início da COP30, 111 dos 160 países apresentaram as novas metas.

O estudo também recebeu apoio da FAPESP por meio de mais cinco projetos (19/25820-722/09047-923/07753-624/04038-7 e 24/14326-0), incluindo bolsas de Doutorado e Pós-Doutorado para pesquisadores que participam do grupo.

O artigo Impact of different management practices on tree biomass and carbon dynamics 30 years after logging in eastern Amazon pode ser lido em sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0301479725043130.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência FAPESP, escrito por Luciana Constantino

Água da chuva é transformada em potável em escola ribeirinha de Belém

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Sistema de aproveitamento de água pluvial purificada. Foto: João Caio/Agência Pará

A rotina dos 198 alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) São José, na comunidade da ilha Grande, em Belém (PA), ganhou um reforço concreto de saúde, dignidade e sustentabilidade: a unidade é uma das quatro escolas que concluíram a implementação do sistema de aproveitamento de água pluvial purificada para consumo humano, utilizada nos bebedouros e também na cozinha, no preparo da alimentação escolar.

A iniciativa faz parte do programa Água para Todos, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará (Semas). O secretário adjunto de Gestão e Regularidade Ambiental (Sagra), Rodolpho Zahluth Bastos, da Semas, realizou entrega de garrafinhas ecológicas aos estudantes da escola São José, um complemento que fortalece o impacto do programa para ampliar o alcance do projeto para além da área escolar, incentivando que as crianças possam levar para casa.

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Na escola, a água da chuva passa a ser vista como solução baseada na natureza e como resposta prática a uma realidade amazônica: comunidades cercadas por água, mas com dificuldade de acesso à potável.

“O programa Água para Todos nasce de uma condição de realidade amazônica, ribeirinha, onde as pessoas habitam em lugares cercados de água, mas não têm acesso à água potável. Dessa forma o projeto proporciona dignidade de justiça hídrica, de acesso a água de qualidade para as comunidades ribeirinhas”, afirmou Rodolpho Zahluth Bastos.

Além das escolas, a iniciativa também contempla uma Unidade Básica de Saúde (UBS), quatro empreendimentos de sociobiodiversidade de base comunitária e um sistema instalado na comunidade de Santo Amaro, em Benevides, totalizando 10 sistemas de captação, armazenamento e tratamento da chuva já implantados.

Como funciona o sistema de purificação da água

A estrutura instalada na Emef São José conta com três cisternas de cinco mil litros e um reservatório elevado de mil litros, que armazenam a água que será tratada sem nenhum aditivo químico, através de filtros, garantindo abastecimento para os pontos de consumo na cozinha e no bebedouro.

Engenheira civil da Startup Pluvi, Simeia Domingos explicou que o dimensionamento varia conforme a área de captação e a demanda de cada local. No caso da São José, o projeto considera 300 m² de telhado como área de captação e uma reserva total de 15 mil litros, distribuída nas cisternas e no reservatório elevado. Ela detalhou ainda o fluxo de funcionamento: a primeira água, que “lava” o telhado, é separada em um reservatório inicial, e a água seguinte, limpa, segue para as cisternas, depois para o reservatório elevado e, por fim, para o sistema de filtragem e tratamento que a torna própria para beber, chegando aos pontos de consumo na escola.

Água da chuva é transformada em potável em escola ribeirinha de Belém
Foto: João Caio/Agência Pará

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Para Rodolpho, a escolha das escolas como equipamentos prioritários amplia o alcance social da política pública. “A escola, na verdade, traz uma capilaridade para todos os moradores. No momento que a gente atinge as crianças desses moradores da ilha, a gente vai atingir, na verdade, todos eles. Então acho que foi um recorte de política pública essencial… instalar em escolas e não individualmente na casa das pessoas”, destacou.

Ele reforçou ainda que o projeto une segurança hídrica e desenvolvimento sustentável, com impacto direto no cotidiano e na economia local.

“É um projeto de solução baseada na natureza. A partir daí a gente faz um tratamento através de uma tecnologia social e passa a possibilitar que as pessoas tenham segurança hídrica, tanto no consumo humano, mas também na produção dos alimentos dessas escolas”, disse.

Rodolpho também citou a contribuição para empreendimentos comunitários: “As mulheres extrativistas vão utilizar a água potável para a produção dos óleos de andiroba, tem um impacto social enorme e para o fomento da sociobiodiversidade e da bioeconomia”.

Na avaliação da coordenadora da escola, Luciene Rocha, a mudança tem reflexo direto na qualidade de vida dos estudantes e na rotina da unidade. “Os alunos, eles vão estar consumindo, usufruindo uma água mais potável, mais limpa pro seu consumo, tanto de alimentação também… essa água que vai ser consumida desse projeto, com certeza em relação à outra que nós utilizávamos antes, é 100% com certeza renovável”, afirmou.

*Com informações da Semas PA

Pesquisa sobre diagnóstico mais preciso para leishmaniose canina é realizada no Maranhão

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Foto: Divulgação

A Universidade Estadual do Maranhão (Uema), por meio do Curso de Medicina Veterinária vinculado ao Centro de Ciências Agrárias (CCA), desenvolveu o estudo ‘Análise Comparativa do Teste Rápido Imunocromatográfico (Alere Leishimaniose Test Kit) e Imunoenzimático (ELISA) no Diagnóstico da Leishmaniose Visceral Canina’. O objetivo é ampliar a confiabilidade dos resultados e contribuir para o controle da doença no Maranhão.

A leishmaniose, causada pelo protozoário Leishmania infantum, representa um desafio à saúde pública, afetando tanto animais quanto humanos. A doença é transmitida pela picada da fêmea do flebotomíneo, popularmente conhecido como mosquito-palha. O diagnóstico precoce é essencial para orientar tratamentos e medidas de controle em áreas endêmicas.

O estudo foi dividido em dois planos de pesquisa, conduzidos por Maressa Naara Neves Eloi e Maria Clara Santos Bezerra Buna, ambos sob orientação do professor Fábio Henrique Evangelista de Andrade, do Departamento de Patologia (DPAT/Uema).

Pesquisa sobre diagnóstico mais preciso para leishmaniose canina é realizada no Maranhão
Foto: Divulgação

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O primeiro plano, conduzido por Maressa Eloi, analisou 485 amostras sanguíneas de cães do Hospital Veterinário Universitário (HVU/Uema), comparando os resultados do teste rápido com o ELISA. A execução dos testes ocorreu em parceria com o Laboratório de Patologia Veterinária (LaPaVe). Houve divergência em 14 amostras, possivelmente devido a variações na carga parasitária ou diferenças técnicas entre os métodos.

Para Maressa, o processo de pesquisa foi enriquecedor e desafiador. “Melhorar as ferramentas de triagem significa diagnóstico mais rápido, decisões clínicas mais seguras e maior eficiência nas ações de controle”, afirmou, destacando a responsabilidade sanitária e o bem-estar animal envolvidos.

Leishmaniose canina em investigação

O segundo plano, conduzido por Maria Clara, realizou o ELISA como exame padrão confirmatório em 133 amostras de soro do mesmo hospital. Foram 68 amostras reagentes e 65 não reagentes, com 14 discrepâncias em relação ao teste rápido. O estudo demonstrou a alta sensibilidade do teste rápido e a precisão confirmatória do ELISA, reforçando a importância de métodos complementares.

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Maria Clara destacou a experiência: “Realizar um projeto de pesquisa foi uma das experiências mais marcantes da minha trajetória acadêmica. A vivência no laboratório fortaleceu meu senso de responsabilidade ética e me ensinou resiliência, disciplina e paixão pela pesquisa científica”, disse.

O orientador, professor Fábio Henrique, comentou que as pesquisas mostraram divergências entre teste rápido e ELISA, indicando a necessidade de análises complementares. Ele ressaltou que o próximo passo será aplicar técnicas moleculares, como a Reação em Cadeia da Polimerase (PCR), para esclarecer casos inconclusivos e aprimorar o diagnóstico da leishmaniose visceral canina em áreas endêmicas.

*Com informações da UEMA

‘Estratégia Amazônia 2050’ propõe planejamento de longo prazo para a região

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Foto: Sérgio Vale/ALE-AC

Após a cerimônia de posse realizada no dia de fevereiro, o novo presidente do parlamento amazônico, deputado Afonso Fernandes (SL), deu início a primeira reunião ordinária do ano. Na ocasião, foi apresentado pelo secretário Marcos Brandão, a Estratégia Amazônia 2050. Brandão destacou que não é possível pensar o futuro do Brasil sem um planejamento estruturado e integrado para a Amazônia.

Segundo ele, a iniciativa nasce da necessidade de ir além da pauta ambiental, reconhecendo que a região é composta por pessoas que enfrentam desafios sociais e econômicos e que precisam de soluções duradouras.

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O documento foi construído com a participação dos nove estados que integram a Amazônia Legal, envolvendo órgãos de planejamento e comitês técnicos estaduais, tendo como base a Estratégia Brasil 2050 e diretrizes nacionais e internacionais, consolidando um mapa estratégico voltado ao desenvolvimento sustentável e à construção de políticas públicas perenes para as futuras gerações.

Leia também: Entenda a diferença entre Amazônia Legal, Internacional e Região Norte

floresta na amazônia
Floresta Amazônica. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Parceria técnica com o GTA fortalece agenda hídrica da Amazônia

Afonso Fernandes também anunciou na ocasião anunciou a formalização de uma parceria técnica com o Grupo Técnico da Agenda Azul da Amazônia Legal (GTA), instância de articulação interestadual que reúne representantes dos nove estados da região com foco na gestão dos recursos hídricos.

Segundo ele, o acordo visa fortalecer a cooperação técnica, promover a integração entre políticas estaduais, nacionais e compromissos globais, além de consolidar estratégias conjuntas para a gestão das águas na Amazônia.

Durante o ato, foi convidada ao plenário a coordenadora do grupo no Acre, Maria Antônia Zabala de Almeida Nobre, para a assinatura do convênio que oficializa a parceria.

O presidente do Parlamento Amazônico, falou da importância da parceria técnica firmada e destacou a necessidade de planejamento preventivo diante dos desafios ambientais da região.

“Nós não podemos estar focados apenas nos problemas que já temos, que não são poucos, mas precisamos desenvolver um trabalho em que possamos prever e agir para que outros problemas não aconteçam. Aqui na Amazônia já começamos a enfrentar problemas hídricos, e é fundamental fazer um trabalho preventivo para evitar dificuldades futuras”, afirmou.

*Com informações da ALE-AC

Aplicativo é criado para enfrentamento da diabetes em comunidade indígena no Maranhão

Aplicativo combina ciência e tecnologia. Foto: Divulgação/Fapema

Com cerca de 2.900 indígenas da etnia Canela, a Aldeia Escalvado, localizada no município de Fernando Falcão (MA), a aproximadamente 550 quilômetros de São Luís, passou a contar com um reforço tecnológico no enfrentamento à diabetes. O aplicativo Demedia Diabetes vem sendo utilizado por Agentes Indígenas de Saúde (AIS) no monitoramento de pacientes diagnosticados com a doença.

O projeto conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema) por meio do edital Maraintech, voltado ao incentivo de soluções inovadoras com impacto regional.

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A plataforma permite a inserção de dados clínicos e comportamentais, integrando informações da atenção primária à terciária. O sistema combina perfil social, histórico de saúde e indicadores de risco para identificar precocemente possíveis complicações e sugerir estratégias personalizadas de autocuidado, em apoio ao tratamento médico.

O presidente da Fapema, Nordman Wall, destacou a importância estratégica da iniciativa. “Este projeto demonstra como o investimento em inovação pode transformar realidades e fortalecer o cuidado em territórios que historicamente enfrentam barreiras de acesso à saúde”, declarou.

Segundo Misael Canela, Agente Indígena de Saúde da aldeia, a ferramenta tem otimizado o acompanhamento dos pacientes.

“O aplicativo facilita nosso trabalho no dia a dia. Conseguimos acompanhar melhor não apenas um paciente, mas toda a comunidade”, afirma.

A diretora da empresa Demed Tecnologia em Saúde, Márcia Ferraresi, explica que o projeto entra agora em uma nova etapa e está preparando a implementação de inteligência artificial com tradução do aplicativo para o dialeto Canela. A medida busca ampliar o acesso às informações e fortalecer a conscientização dentro da comunidade.

Prevenção como estratégia central

Especialistas envolvidos no projeto do aplicativo reforçam que o foco está na prevenção e no diagnóstico precoce. Walter Jander de Andrade, bolsista do CNPq no Programa de Recursos Humanos em Áreas Estratégicas (RHAE-CNPq) da Demedia Indígena, destaca que o monitoramento contínuo pode reduzir complicações e custos futuros no tratamento da doença.

“O uso da ferramenta permite identificar a doença no início e organizar melhor os dados para gestão dos recursos e do tratamento necessário”, explica.

A enfermeira Caroline Natiele, que atua na Aldeia Escalvado, observa que a prevenção em territórios indígenas envolve desafios culturais específicos. “É preciso ir além de palestras. A participação ativa dos agentes indígenas de saúde é fundamental para evitar o agravamento da doença”, ressalta.

Aplicativo é criado para enfrentamento da diabetes em comunidade indígena no Maranhão
O aplicativo ajuda na prevenção da doença. Foto: Divulgação/Fapema

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Combate ao preconceito e impactos na saúde bucal

Além do acompanhamento clínico, a comunidade também desenvolve ações de conscientização. A estudante Wani Canela lidera um projeto voltado ao combate ao preconceito contra pessoas com diabetes. Segundo ela, ainda há desinformação dentro da aldeia, incluindo a crença de que a doença seria contagiosa. “Falar sobre o preconceito é importante porque ninguém deve ser julgado por uma condição de saúde”, afirma Wani Canela.

A dentista Ana Paula Nascimento da Silva alerta ainda para os impactos da diabetes na saúde bucal. Pacientes podem apresentar maior inflamação e sangramento gengival, além do risco de perda dentária em casos não controlados.

Aplicativo representa tecnologia como ferramenta de política pública

Com a ampliação do projeto, a Demed Tecnologia em Saúde busca consolidar a plataforma como ferramenta estratégica para apoiar políticas públicas voltadas ao cuidado de doenças crônicas em comunidades indígenas. A expectativa é que a tecnologia contribua para decisões mais assertivas na gestão da saúde e amplie o acesso à prevenção em territórios tradicionalmente marcados por barreiras estruturais e geográficas.

A iniciativa da Demed Saúde iniciou em 2022, quando foi aprovada nos programas Inova Amazônia e Startup Nordeste Maranhão, realizados em parceria entre Sebrae e a FAPEMA.

A empresa também submeteu o projeto ao programa INOVA SUS, do Ministério da Saúde, com o objetivo de aprimorar a ferramenta e viabilizar a escalabilidade do protagonismo do paciente com a sua inserção no Sistema Único de Saúde (SUS), em atendimento às prioridades da Estratégia de Saúde Digital (ESD-28) publicada pelo Ministério da Saúde.

O projeto do aplicativo da Demedia Diabetes foi vencedora do Prêmio Fapema 2025 na categoria Empreendedorismo. A categoria, criada especialmente nesta edição especial do prêmio, que completou 20 anos, destacou iniciativas que transformam conhecimento científico em soluções inovadoras com impacto direto na sociedade.

*Com informações da Fapema

Fundação Rede Amazônica lança documentário ‘Macapá, um Território de Memória Viva’

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Foto: Divulgação

A Fundação Rede Amazônica (FRAM) lança o documentário “Macapá, um Território de Memória Viva”, produção que integra o projeto Macapá Para o Mundo Ver e apresenta um retrato sensível e contemporâneo da identidade cultural da capital amapaense. A obra estreia no Amazon Sat e também está disponível no YouTube, ampliando o alcance da produção e garantindo acesso multiplataforma ao público.

Com 30 minutos de duração, o filme percorre espaços simbólicos de Macapá — como o rio Amazonas, a Fortaleza de São José, a orla e a comunidade do Curiaú — evidenciando como a memória coletiva permanece viva na música, no artesanato, no marabaixo e nas práticas que moldam a cultura tucuju.

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A narrativa reúne personagens que preservam e reinventam saberes ancestrais, entre eles Silvia Marques, Fábio Sacaca, Zé Miguel, Rosângela Costa, Elísia Congó e Maria Celestina. Por meio dessas vozes, o documentário reafirma a cultura como elemento estruturante da identidade local.

documentário macapá para o mundo ver da FRAM
Foto: Divulgação

Para Anderson Mendes, gerente de conteúdos da Fundação Rede Amazônica, a exibição reafirma o compromisso institucional com a valorização cultural da cidade.

“Exibir Macapá, um Território de Memória Viva reafirma o compromisso da Fundação Rede Amazônica com a valorização da nossa cultura e das histórias que formam a identidade da cidade. Este documentário é um convite à escuta e ao reconhecimento das pessoas que mantêm viva a memória de Macapá todos os dias. Ao dar visibilidade a esses territórios e saberes, fortalecemos o acesso à cultura e contribuímos para que a cidade se veja, se reconheça e se orgulhe de sua história.”

O diretor do documentário, Ronaldo Brito, destaca o caráter afetivo da obra:

“Produzir um documentário sobre Macapá é motivo de orgulho, porque retrata a cidade onde nasci e construí minha trajetória. A obra permite que amapaenses e visitantes conheçam mais profundamente nossa cultura e nossos costumes. Ao reunir artistas, quilombolas e mestres da tradição, o filme inspira as novas gerações a dar continuidade ao nosso jeito tucuju de ser”.

Leia também: Macapá para o mundo ver: projeto valoriza cultura, cidadania e identidade da cidade

Exibições no Amazon Sat

O documentário será exibido no Amazon Sat nos seguintes dias e horários (horário de Macapá):

28 de fevereiro (sábado) – 19h30
01 de março (domingo) – 12h30
02 de março (segunda-feira) – 8h45
04 de março (quarta-feira) – 13h

Acesso online

O documentário está disponível no canal oficial da Fundação Rede Amazônica no YouTube:

O projeto Macapá Para o Mundo Ver é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio da Tratalyx e Prefeitura de Macapá.

Barezão: sete curiosidades sobre o Campeonato Amazonense de Futebol

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Troféu do Barezão 2026. Foto: João Normando/FAF

Que o futebol é uma paixão brasileira, todo mundo já sabe. No Amazonas o esporte também tem destaque com times, estádio e, claro, competições. Entre elas, uma das mais tradicionais e emblemáticas é ‘Barezão’, como ficou conhecido o Campeonato Amazonense de Futebol.

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Mas você sabe a história do campeonato? Ou qual clube é o maior campeão até agora? Confira uma lista de curiosidades sobre o Barezão:

1. Estadual centenário

Na sua 110ª edição, o Campeonato Amazonense de Futebol é considerado um dos mais antigos do futebol brasileiro, com início no ano de 1914. Estaduais como o Mineiro e o Gaúcho, por exemplo, tiveram suas partidas bem depois do Barezão.

Leia também: Da crise da borracha aos tempos atuais: Barezão completa 100 edições

Registro de uma partida disputada no primeiro campeonato amazonense, em 1914. Foto: Blog História do Futebol

2. Dezenas de campeões

Até aqui, o Barezão já foi conquistado por 20 clubes diferentes em toda a sua história. O maior vencedor é o Nacional com 43 títulos, seguindo bem distantemente pelo Atlético Rio Negro Clube, com 16 troféus.

Seguem na lista: São Raimundo e Fast (7 títulos), América e Manaus (6 títulos), Peñarol e Olímpico (3 títulos), Amazonas, Sul América, Portuguesa, Auto Esporte, Cruzeiro e Manaós Athletic (2 títulos) e Holanda, Rodoviária, Princesa do Solimões, Santos, Manaós Sporting e Grêmio Coariense com 1 título.

Nacional FC é o maior campeão estadual de futebol.
Maior campeão do Barezão, Nacional conquistou o seu último título no ano de 2015. Foto: Facebook-Almanaque Campeão

3. Porque Barezão?

A competição recebe esse nome em homenagem a tribo indígena Baré, nativa da região amazônica e que habitou a região do Alto e Médio Rio Negro, no noroeste do estado do Amazonas. Foram os primeiros habitantes da região que hoje é a capital Manaus.

Tribo indígena Baré, nativa da região amazônica. Foto: Reprodução/Associação Comercial do Amazonas

4. Times capital x interior

Desde 1980, o estadual começou a receber os times de outros municípios além de Manaus. O primeiro clube campeão fora da capital foi o Grêmio Atlético Coariense, de Coari, no ano de 2005. O último campeão foi o Peñarol, de Itacoatiara, em 2020.

Peñarol, de Itacoatiara, foi o último time oriundo do interior que foi campeão do Barezão. Foto: Mauro Neto/Faar

5. Clubes novatos

Dos oito times que disputam o Barezão 2026, cinco deles foram criados a menos de 20 anos: Parintins em 2021, Manauara em 2020, Amazonas e Itacoatiara em 2019 e o Manaus no ano de 2013.

RDE Parintins Futebol Clube, é o time mais novato do Barezão 2026, fundado no ano de 2021. Foto: Instagram-Parintins Futebol Club

6. Celeiro de talentos

O Barezão já revelou grandes jogadores para o futebol brasileiro, bem como também foi o destino de nomes famosos da bola fora do Amazonas.

Craques como Dadá Maravilha e Jairzinho, campeões da Copa do Mundo de 1970, jogaram o estadual amazonense, além de outras estrelas nacionais como Toninho Cerezo, Paulo Isidoro e Campos.

Talentos amazonenses também saíram do futebol baré para o mundo do futebol como Berg, Gilmar Popoca, Lima, Campos, França, entre outros, inclusive para a Seleção Brasileira.

Dadá Maravilha, campeão do mundo em 1970, e França, conhecido jogador nacional, disputaram o Barezão. Fotos: Nacional FC e SPFC

7. Rei do futebol baré

O treinador Aderbal Lana, de 79 anos, é considerado o rei do futebol amazonense. Conhecido como o mais antigo treinador em atividade no Brasil, Lana é o maior campeão do estado com 10 títulos.

Saiba mais: Treinador de futebol mais velho em atividade no Brasil e vencedor de 10 títulos do Campeonato Amazonense: Aderbal Lana

Lenda do futebol amazonense, Aderbal Lana comandou a maioria dos clubes amazonenses e conquistou 11 Estaduais. Foto: Reprodução-Instagram Amor.10am

Transmissão inédita

A bola do Barezão agora vai rolar na tela da Rede Amazônica. No dia 23 de fevereiro, o grupo fechou acordo para a transmissão do Campeonato Amazonense de Futebol na TV aberta até 2031. O contrato prevê, inclusive, algumas partidas da atual edição, que se encontra na fase do returno.

Será a primeira vez que a Rede Amazônica transmitirá os jogos do Campeonato Amazonense de Futebol. No entanto, o canal Amazon Sat, outro canal do grupo, chegou a transmitir partidas do regional nos anos 2000.

Já na edição atual do Barezão, a Rede Amazônica terá os direitos de transmissão de um jogo das quartas de final e um da semifinal. A final do segundo turno e uma eventual decisão geral também serão exibidas na programação da emissora.

Grupo Rede Amazônica vai transmitir o Barezão até 2031.
Grupo Rede Amazônica fechou contrato para transmitir os jogos do Barezão até 2031. Foto: Kassio Junio/GE AM