Home Blog Page 38

Exposição de projeto itinerante apresenta diversidade cultural da Amazônia em Belém

0

Foto: Reinam Teixeira

A diversidade cultural da Amazônia pode ser conferida na ‘Exposição dos Povos da Floresta: Ocupação Artística Contemporânea Mairi’, em cartaz no Museu da Imagem e do Som (MIS) do Pará, em Belém. A atividade integra o Festival dos Povos da Floresta, projeto itinerante e multilinguagens que tem apoio da Lei Rouanet.

Com visitação até 29 de março, a exibição multilinguagem com entrada gratuita reúne produções de artistas de Rondônia, Roraima, Amapá e Pará. Contempla trabalhos em fotografia, cinema, pintura, desenho, grafite, escultura e multimídia que se conectam com a cultura, memória e os saberes tradicionais da Amazônia.

Na capital paraense, a exposição traz um recorte das etapas do Festival promovidas em Porto Velho (RO), Boa Vista (RR) e Macapá (AP), além da ocupação artística local.

“A exposição parte de um processo curatorial por meio de conversas, que buscam representar as muitas vozes da Amazônia. E esse é o espírito do Festival, possibilitar esses encontros e construir uma experiência viva de território, memória e identidade coletiva”, explica a representante do Festival, Fabiana Barbosa Gomes.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O intuito é apresentar narrativas que evidenciam a heterogeneidade cultural da floresta, destacando os processos de reinvenção e resistência, além de valorizar o protagonismo de artistas amazônicos.

As obras convidam o público à reflexão sobre pertencimento, memória, identidade e patrimônio cultural da Amazônia.

“Quando falamos da Amazônia e o que ela representa nos deparamos com um grande desafio que é essa diversidade que se expande entre os territórios. O projeto multilinguagem é um caminho que encontramos para acessar e encontrar essas expressões que muito dizem sobre a Amazônia. Entendendo os diversos formatos de linguagens existentes, na capacidade das obras de se interligar articulando ancestralidade e contemporaneidade”, comenta Lucas Baim, que responde pela curadoria juntamente com Isabela Bastos.

MIS-PA

A Exposição dos Povos da Floresta ocupa o MIS-PA, equipamento museal mais antigo do estado do Pará, que somente em 2022 ganhou sua sede definitiva. Para a diretora do espaço, Indaiá Freire, a mostra tem um sentido especial.

Leia também: Belém lidera turismo na Região Norte em condições para negócios, aponta análise

“O MIS está instalado no Centro Cultural Palacete Faciola, antiga residência de Antônio Faciola, um barão da borracha. Cabe lembrar que os seringueiros eram mantidos em situação análoga à escravidão por seus patrões. Quando o Museu recebe uma exposição que tem como marca os povos ancestrais, da floresta e urbanos periféricos, estamos resignificando esta casa que foi um templo de luxo, resultado da exploração dos territórios, de corpos de indígenas, pretos e caboclos e os convidando a entrar pela ‘sala’ com suas falas artísticas”, salienta.

Exposição dos Povos da Floresta: Ocupação Artística Contemporânea Mairi', em cartaz no Museu da Imagem e do Som (MIS) do Pará, em Belém.
Foto: Divulgação

Itinerância da exposição

O Festival dos Povos da Floresta é um projeto itinerante e multilinguagens que celebra a arte como instrumento de resistência, sustentabilidade e valorização dos saberes tradicionais. Além da exposição Ocupação Artística Contemporânea Mairi, a programação abrange oficinas e shows.

Para a gerente administrativo da Rioterra – Centro de Inovação da Amazônia, criador do projeto, Edvania Brito, o Festival promove conexões reais, dando protagonismo aos povos da Floresta.

“O evento conecta artistas de diversas linguagens e expressões, então como guardiões dos territórios, eles ampliam o acesso à opinião pública, fortalecem a identidade das diferentes culturas Amazônicas e, isso gera engajamento, cria diálogos e narrativas através de suas expressões artísticas. Isso tudo fortalece a identidade e senso de pertencimento regional”, comenta ela.

Idealizado pela Rioterra, o Festival é apresentado pela Petrobras e realizado pelo Ministério da Cultura (MinC) e Governo do Brasil, por meio da Lei Rouanet. Para a atual edição foram captados mais de R$ 4,9 milhões pelo mecanismo de incentivo à cultura.

“Aqui no Escritório Estadual do MinC no Pará, temos dialogado intensamente com grupos, movimentos e coletivos culturais e artísticos sobre a importância da profissionalização. Quando falamos em profissionalização, estamos nos referindo à necessidade de que esses coletivos tenham seus CNPJs, seja como associações, cooperativas ou outras formas jurídicas”, destaca a coordenadora Telma Saraiva.

A atuação da Pasta, por meio de sua representação no território, fortalece a execução dessas iniciativas e reconhece a multiplicidade do fazer cultural no Norte brasileiro. Segundo ela, é fundamental que os coletivos também estejam estruturados formalmente para que possam acessar outras fontes de financiamento no futuro, como os mecanismos previstos na legislação de fomento cultural.

“Esta exposição é um exemplo concreto dessa possibilidade: um grupo que, por meio da Lei Rouanet, conseguiu viabilizar e manter sua mostra. Isso demonstra como a formalização pode ampliar as oportunidades de acesso a recursos e fortalecer o trabalho dos fazedores de cultura”, conclui.

*Com informações do Ministério da Cultura

Pesquisa orienta escolha de áreas prioritárias para restauração no Pará

0

A pesquisa ajuda a definir áreas prioritárias em Belém com foco na sustentabilidade. Foto: Janine Valente / Embrapa

Informações geradas pela ciência orientam a implementação do Plano de Recuperação da Vegetação Nativa do Estado do Pará (PRVN-PA), que agora entra em uma fase decisiva: a definição de áreas prioritárias para restauração.

O primeiro workshop sobre o planejamento espacial para a recuperação da vegetação nativa no estado foi realizado nos dias 25 e 26 de fevereiro, em Belém (PA), e reuniu gestores públicos, técnicos e cientistas, na sede da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas).

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

A Embrapa, por meio do centro Capoeira, atua como parceira estratégica desde a concepção do plano, lançado em dezembro de 2023. Agora, a contribuição se concentra na inteligência de dados para definir onde e como a restauração deve ocorrer de forma mais eficiente.

A meta do estado paraense é recuperar 5,6 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030, isso representa uma área maior que o estado do Rio de Janeiro, por exemplo. Essa meta é quase metade do compromisso nacional de 12 milhões de hectares.

Para o analista ambiental Marcelo Awade, da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade, a pesquisa gera dados que ampliam o conhecimento do poder público e aumentam a eficiência da restauração, por exemplo, indicando áreas prioritárias para a biodiversidade, o sequestro de carbono e para mitigação do efeito das mudanças climáticas.

“Esses dados apoiam a formulação de políticas públicas mais eficientes e mais ajustadas às diferentes realidades do estado”, afirmou o técnico.

belém, no pará, faz parte de pesquisa sobre áreas para restauração
Foto: Augusto Miranda/Agência Pará

Por onde começar?

A oficina discutiu variáveis que irão compor o mapa de priorização do estado. A pesquisadora Joice Ferreira, da Embrapa Amazônia Oriental, ressalta que o planejamento espacial funciona como uma ferramenta de precisão para evitar desperdício de recursos e maximizar impactos positivos.

“O planejamento é uma bússola, que vai indicar quais são as áreas onde a restauração vai exigir menos trabalho, onde vai oferecer o maior retorno, áreas onde as pessoas estão mais vulneráveis e onde tem mais previsão de mudança do clima”, destaca a pesquisadora. “A ideia é fornecer embasamento técnico para orientar o governo por onde começar a restauração”, acrescenta.

Entre os critérios avaliados estão vulnerabilidade social, áreas onde a restauração pode reduzir a vulnerabilidade das comunidades locais; risco de incêndio, ou seja, regiões com alto risco podem ter ações postergadas até que haja capacidade de combate eficiente; mudanças climáticas, com análise de projeções de alteração do clima e escassez hídrica; e retorno ambiental, que visa a identificação de locais que oferecem maior ganho ecológico com menor esforço de intervenção.

Imagem colorida mostra área verde no Pará para falar sobre desmatamento
Pesquisa orienta escolha de áreas prioritárias para restauração, no PA. Foto: Pedro Guerreiro/ Agência Pará

Próximos passos da pesquisa

Após a consolidação dos dados deste workshop, os cenários de modelagem serão testados e validados em um novo encontro com um grupo expandido de parceiros. O objetivo final é a publicação do mapa oficial de priorização que norteará as políticas públicas de restauração no Pará.

Centro Capoeira

Coordenado pela Embrapa, o Centro Avançado em Pesquisas Socioecológicas para a Recuperação Ambiental – Capoeira – iniciou suas atividades em março deste ano. A iniciativa, que reúne mais de 180 pesquisadores de 33 instituições, é dedicada à recuperação de ecossistemas desmatados e degradados e integra atividades de pesquisa em rede e ações colaborativas entre cientistas, povos e comunidades tradicionais, agricultores familiares e gestores públicos. O centro Capoeira é financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e recebe apoio do Global Centre on Biodiversity for Climate (GCBC), do Reino Unido.  

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Embrapa

Vestígios de antigas civilizações são encontradas em obras da BR-156 no Amapá

0

Primeiros vestígios, encontrados em maio de 2025, apontam supostas peças associadas aos povos antigos que viveram no sul do Amapá. Foto: Divulgação/Dnit

Durante as obras de pavimentação da BR-156, no Amapá, equipes técnicas do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) encontraram peças associadas às antigas civilizações que viveram ao Sul do estado. De acordo com o Programa de Arqueologia, os vestígios estão associados aos grupos associados à tradição Jari, que viveram na região há aproximadamente 1.200 anos.

Segundo o DNIT, os primeiros achados ocorreram em maio de 2025, quando as equipes técnicas encontraram fragmentos de cerâmica decorada, artefatos líticos como lâminas de machado e lascas de pedra, além de objetos associados à produção têxtil, como rodas de fuso, e peças com elementos antropomorfos.

Tais materiais, de acordo com o orgão, também apresentam características atribuídas aos grupos Koriabo, que ocuparam áreas do sul do Amapá e do Pará entre os anos 1000 e 1700 d.C. Os arqueólogos do programa afirmam que Os arqueólogos destacam que a área é rodeada por um sítio arqueológico, identificado como Quintela I, localizado nas proximidades do rio Vila Nova.

Leia também: Arqueólogos identificam vestígios de oficina indígena milenar no Amapá

Área de encontro dos vestígios fica próximo de um sítio arqueológico.
Área de encontro dos vestígios fica próximo de um sítio arqueológico. Foto: Divulgação/Dnit

No local, foram encontrados recipientes cerâmicos inteiros, incluindo exemplares com elementos decorativos associados à tradição marajoara, reconhecida como uma das mais sofisticadas expressões da cerâmica indígena na Amazônia.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Vestígios resgatam história

Vestígios apontam a existência de povos que viveram na região do Sul do Amapá.
Vestígios apontam a existência de povos que viveram na região do Sul do Amapá. Foto: Divulgaão/Dnit

As escavações, conforme o Programa de Arqueologia, visam garantir que mesmo com a pavimentação, haja o resgate de vestígios arqueológicos importantes, contribuindo para a preservação do patrimônio histórico e cultural da região.

A partir desses materiais, é possível entender como as civilizações se organizavam, além de aspectos do modo de vida e da economia. Esse contexto mostra como esses povos influenciaram o desenvolvimento da região e a sociedade atual.

As atividades arqueológicas são realizadas de forma contínua, por meio de monitoramento, resgate e salvamento arqueológico, conforme previsto nas condicionantes do licenciamento ambiental.

Saiba Mais: Amazônia concentra maior número de sítios arqueológicos do Brasil

Obras da BR-156

Obras da BR-156 já conta com três dos cinco lotes já licitados.
Obras da BR-156 já conta com três dos cinco lotes já licitados. Foto: Divulgação/Dnit

A rodovia federal, que passa pela maioria dos municípios do estado, é considerada a mais importante do Amapá. Segundo o DNIT, dos cinco lotes da rodovia, três já foram licitados. Os trabalhos são divididos entre o DNIT e o Exército, conforme a capacidade de operação dos militares:

  • 1º lote: de Laranjal do Jari até o Igarapé Água Branca. Já licitado, com obras em andamento em 60 quilômetros.
  • 2º lote: de Água Branca até a comunidade do Maracá. O edital sai em 29 de dezembro. Obras devem começar no 1º semestre de 2026.
  • 3º lote: vai até a comunidade de Vila Nova. Projeto já aprovado, com licitação prevista para junho de 2026.

*Por Mariana Ferreira, da Rede Amazônica AP

Hortas escolares ao ar livre são transformadas em ‘salas de aula’ em Roraima

0

Projeto Educação Sustentável implementa hortas pedagógicas em escolas estaduais nas zonas urbana e rural do estado. Foto: Francirene Bezerra/Arquivo pessoal

Estimular a alimentação saudável e reforçar o conteúdo ensinado em sala: esses são os objetivos de um projeto que implanta hortas em escolas estaduais de Roraima. Nos espaços, que funcionam como salas de aula ao ar livre, professores ensinam, na prática, temas como ciclos de vida, tipos de solo e cálculos de medida.

A horta pedagógica foi implementada por meio do projeto Educação Sustentável, em 2024. Atualmente, a iniciativa está presente em 30 escolas estaduais da zona urbana e em outras cinco da zona rural indígena do estado.

Leia também: Projeto implanta hortas em escolas de Belterra, no oeste paraense

Projeto Educação Sustentável implementa 'hortas pedagógicas' em escolas estaduais nas zonas urbana e rural do estado.
Projeto de horta em escola de Boa Vista incentiva alimentação saudável e reforça ensino. Foto: Francirene Bezerra/Arquivo pessoal

Segundo a chefe de Educação Ambiental da Secretaria de Estado da Educação e Desporto (Seed), Naiva Lima, o projeto amplia o aprendizado dos estudantes.

“Acreditamos que as hortas que são implantadas nas escolas elas vêm dar tanto suporte para a alimentação escolar quanto suporte também dentro do currículo, porque ele abrange o currículo, não é uma disciplina, são diversos objetivos de conhecimento que estão programados dentro do currículo”, diz Naiva.

Em uma escola no bairro Caimbé, na zona Oeste de Boa Vista, a horta virou um “laboratório vivo” para atividades didáticas. De acordo com a gestora Francirene Bezerra, no espaço, os alunos participam do plantio, da adubação e da colheita, integrando o cultivo ao conteúdo das disciplinas.

Saiba mais: Conheça cinco tipos de hortas caseiras implantadas em comunidades ribeirinhas do Amazonas

“A complementação para a nossa merenda escolar, isso é muito importante também para os alunos estarem vendo a questão da sustentabilidade dentro da escola, e os alunos acompanham esse trabalho vindo junto, gerenciando junto com a Regina, colhendo, fazendo adubo, plantando junto”, explica ela.

Quiabo, pimentão, couve e tomate cultivados em horta escolar em Boa Vista (RR). — Foto: Francirene Bezerra/Arquivo pessoal
Quiabo, pimentão, couve e tomate cultivados em horta escolar em Boa Vista (RR). — Foto: Francirene Bezerra/Arquivo pessoal

Hortas escolares incentivam alimentação saudável

A professora Regina Alves coordena a horta na escola. Com a produção, ela passou a fabricar e vender molho de pimenta feito com o cultivo. O dinheiro arrecadado é destinado à compra de novas sementes para o canteiro.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Além disso, após a colheita, os alunos também veem os alimentos plantados por eles na merenda do dia a dia.

“O que já plantamos aqui foi pimentão, tomate, pimenta de cheiro, pepino, porque a gente usa na escola como complementação da merenda. Para a geração de renda, a gente vende a cebolinha e o cheiro verde para o próprio professor, porque dali a gente compra semente para ajudar”, explica.

A horta tem acompanhamento da Secretaria de Educação, em parceria com a empresa de energia Eneva, que disponibiliza técnicos em agropecuária.

*Por Kailane Souza, da Rede Amazônica RR

Mesmo ameaçados, povos indígenas têm as soluções para impactos da BR-319, afirma pesquisador

0

Foto: Orlando K. Junior

Ao longo de 800 quilômetros, a BR-319 é vista como uma área estratégica para o fortalecimento de atividades econômicas e logísticas entre Manaus (AM) e Porto Velho (RO). Mas para além disso, o antropólogo e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Miguel Aparicio, reitera que a região de influência da rodovia é lar de vários povos e culturas indígenas milenares, que, mesmo ameaçadas por uma possível pavimentação que não consiga manter as devidas salvaguardas ambientais, têm as soluções sustentáveis para os impactos socioambientais.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O pesquisador explica que há, pelo menos, quatro redes indígenas principais:

  • os povos no entorno da Região Metropolitana de Manaus (RMM);
  • os povos Mura e os povos de língua Kagwahiva (respectivamente no baixo e alto rio Madeira);
  • os povos Apurinã e os povos da família linguística Arawá (rio Purus);
  • e os povos na área do estado de Rondônia.

Há 13 mil anos, essas e outras populações são responsáveis pela configuração e composição da Amazônia. Tanto que, na avaliação de especialistas, as Terras Indígenas (TIs) são os territórios mais conservados e essenciais na luta contra as mudanças climáticas.

Aparicio alerta que hoje, mesmo sem a trafegabilidade adequada na BR-319, as populações já sofrem com a expansão da pecuária, extração de madeira, grilagem, mineração e outros problemas socioambientais em seus territórios.

Leia também: BR-319: Conheça 5 curiosidades sobre a rodovia que divide opiniões

Efeito ‘espinha de peixe’ na BR-319

Outro efeito preocupante é o “espinha de peixe”, que nasce com a abertura de estradas e ramais ilegais. Segundo um estudo recém-publicado pelo Observatório BR-319 (OBR-319), atualmente existem 45.495 feições lineares, totalizando  18.897 quilômetros de extensão.

“O problema da BR-319, em relação aos povos indígenas, não é a estrada como linha conectiva, mas que a sua consolidação desordenada abra uma ferida mortal na Amazônia. Ou seja, um eventual desmonte das Unidades de Conservação, Terras Indígenas, Reservas de Desenvolvimento Sustentável [RDS] e outros territórios”, afirma Aparicio, que também é o presidente do Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato (Opi).

Obras de pavimentação da BR-319
Foto: Reprodução/DNIT

Com tantas ameaças, muitas etnias decidiram restringir o contato com o restante da sociedade. São os chamados “povos isolados”. O pesquisador pontua que há registros expressivos nas bacias dos rios Purus e Madeira, vivendo uma situação de cerco nos seus territórios e conscientes dos processos em curso na BR-319 e na área de influência.

“Para além da condição de vítima, os povos indígenas estão produzindo soluções sustentáveis há muito tempo. Eu considero que as soluções para os impactos da BR-319 já foram formuladas pelas populações que ocupam a área de influência. Eles já têm as soluções. O que precisamos é ampliar a escala para outras populações”, finaliza.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Observatório BR-319

Revitalização de ciclovias amplia segurança e mobilidade em Boa Vista

0

Pintura segue normas de trânsito e reforça a visibilidade dos ciclistas. Foto: Diane Sampaio/PMBV

Mais visibilidade e conforto para os ciclistas: a Prefeitura de Boa Vista, por meio da Secretaria de Mobilidade Urbana (SMOB) revitalizou mais de 2km da ciclovia na avenida Benjamin Constant, com serviços de pintura dos blocos e da faixa sinalizadora. Mais de 7km de ciclovia já estão de “cara nova” e esse é só o começo dos serviços de manutenção das malhas cicloviárias na capital.

A pintura está de acordo com as normas locais e nacionais de trânsito. Segundo o secretário adjunto de Mobilidade Urbana, Gino Falcão, a sinalização das ciclovias é importante para dar mais visibilidade aos ciclistas e organizar o trânsito.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Revitalização de ciclovias amplia segurança e mobilidade em Boa Vista
Capital roraimense possui mais de 47 km de malha cicloviária. Foto: Diane Sampaio/PMBV

“Essa obra reforça o compromisso da Prefeitura com a mobilidade urbana, pois garante segurança, sinalização adequada e qualidade de vida aos que utilizam a ciclovia. A pintura feita é de qualidade e tem alta durabilidade, o que auxilia na orientação contínua dos ciclistas, além de sinalizar os condutores de veículos automotores em locais em que a ciclovia é compartilhada”, enfatizou.

Atualmente, Boa Vista possui mais de 47 km de malha cicloviária, proporcionando locomoção segura, como o vendedor William Vieira, que aprovou a revitalização.

Leia também: Boa Vista amplia qualidade nutricional da merenda escolar

“Acho que as ciclovias dão mais segurança, é mais tranquilo”, comentou Willian. Foto: Diane Sampaio/PMBV

“A bicicleta é meu principal meio de transporte. Eu faço o trajeto do Centro para o Aparecida quatro vezes por dia. Acho que as ciclovias dão mais segurança, é mais tranquilo. Essa revitalização é positiva, estava meio apagado e agora, com a pintura, dá mais visibilidade”, comentou.

Justiça condena governo de Roraima a construir nova sede para museu

0

Museu Integrado de Roraima após a demolição em maio de 2023. Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR

A Justiça de Roraima determinou que o governo do estado construa uma nova sede para o Museu Integrado de Roraima (MIRR) no prazo de 360 dias. A decisão, de 29 de janeiro de 2026, também condenou o Estado a pagar R$ 50 mil de indenização por danos morais coletivos devido ao abandono do acervo histórico e cultural.

No dia 26 de fevereiro, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) entrou com um recurso contra a decisão. O governo argumenta que os prazos estipulados pela Justiça são de “impossível cumprimento espontâneo”.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Ao Grupo Rede Amazônica, a Secretaria de Cultura e Turismo (Secult) informou que está ciente da decisão e que já possui projetos para construção da nova sede e catalogação técnica do acervo. No entanto, devido à complexidade do trabalho, a secretaria ressaltou que vai pedir à Justiça um prazo mais adequado para cumprir as determinações com segurança e planejamento.

O Museu Integrado de Roraima foi inaugurado em 1985, antes localizado no Parque Anauá, zona Leste de Boa Vista, foi demolido pelo governo em maio de 2023, após 12 anos de abandono. Ficavam expostos no local materiais arqueológicos, peças de arte e até ossos humano e de animais.

Leia também: Único museu de Roraima é demolido após mais de uma década abandonado

A ação civil pública que gerou a condenação foi movida pelo Ministério Público (MP) de Roraima. O juiz Guilherme Versiani Gusmão Fonseca, da 1ª Vara de Fazenda Pública de Boa Vista, concluiu que houve grave omissão do Estado na proteção do patrimônio público.

O problema se agravou após a demolição do antigo prédio que abrigava o museu, segundo a promotoria.

Museu Integrado de Roraima foi demolido pelo Governo de Roraima e funciona em local improvisado no Parque Anauá.
Museu Integrado de Roraima foi demolido pelo Governo de Roraima e funciona em local improvisado no Parque Anauá. Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR

Desde então, as peças históricas ficaram sem local definitivo e, atualmente, estão guardadas em espaço chamado de Parque Tecnológico, que fica no Parque Anauá, local onde ficava a sede demolida.

Durante o processo, o MP apontou negligência na segurança, citando a existência de mais de 40 boletins de ocorrência relatando furtos no local.

Recurso aponta prazos inviáveis para construção do museu e falta de pessoal

No recurso apresentado à Justiça, chamado de embargos de declaração, o estado contesta as exigências do magistrado. A PGE destaca que a construção de um museu exige processos demorados e obrigatórios por lei, como projetos arquitetônicos complexos e licitações.

O governo alega também não ter equipe técnica suficiente no estado, como museólogos e arqueólogos, para fazer o inventário exigido em apenas 90 dias.

Segundo a PGE, o acervo conta com mais de 40 mil itens arqueológicos e 17 mil peças botânicas, o que torna o prazo materialmente impossível.

O recurso aponta ainda uma contradição na sentença. Segundo o Estado, uma inspeção da própria Justiça confirmou que o acervo está guardado hoje em um local com boas condições de conservação, com salas climatizadas e mobiliário adequado. Para o governo, isso não justificaria a urgência de construir um novo prédio em 360 dias.

Por fim, a Procuradoria argumenta que a reconstrução do museu já é uma meta prevista no Plano Plurianual (PPA 2024-2027) e que a Justiça não pode atuar como “administradora”, interferindo no orçamento do Poder Executivo.

Determinações da Justiça

Com a condenação inicial (que agora é alvo do recurso), o governo de Roraima ficava obrigado a:

  • Realizar um estudo técnico e inventário completo de todo o acervo do MIRR em até 90 dias (Essa etapa deve ser acompanhada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional);
  • Identificar, catalogar, verificar o estado de conservação e garantir a guarda correta de todas as peças no mesmo prazo de 90 dias;
  • Apresentar o projeto arquitetônico da nova sede em até 180 dias.
  • Construir a sede própria e reabrir o museu ao público em até 360 dias.
  • Incluir no orçamento anual do Estado os recursos necessários para a manutenção do espaço e do acervo.
  • Informar o IPHAN formalmente sobre todas as medidas adotadas em relação a bens arqueológicos.

*Por João Gabriel Leitão e Nalu Cardoso, da Rede Amazônica RR

Pan-Amazônia lidera missão ao porto peruano de Chancay e Canal do Panamá

0

Foto: Marcos Vicentti/Secom AC

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

Coordenada pela Associação Pan-Amazônia, empresários dos estados do Amazonas, Roraima e Rondônia integraram, no período de 16 a 21 de fevereiro, missão institucional objetivando conhecer projetos estratégicos de infraestrutura econômica na América do Sul, fortalecer relações institucionais e avaliar oportunidades comerciais, logísticas e de investimentos visando desenvolver laços de negócios entre Peru, Panamá e a região Norte do Brasil.

As atividades se iniciaram em Lima, capital peruana, onde a delegação foi recebida pela ministra do Comércio Exterior e Turismo do Peru, Teresa Mera, em reunião com a presença do vice-ministro de Comércio Exterior e Turismo e representantes de diversos órgãos governamentais e empresas privadas ligados à estrutura portuária e modais de transporte que operam desde a Ásia dando suporte à corrente de comércio estabelecida com países sul-americanos.

Foram realizadas apresentações técnicas abordando a infraestrutura logística peruana, o papel estratégico do país como eixo de conexão Ásia–América do Sul, o potencial de integração comercial Peru/ Brasil e as oportunidades específicas para a região Norte brasileira relativamente ao estratégico corredor bioceânico Oeste amazônico/porto de Chancay.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

De acordo com o diretor executivo da Associação Pan-Amazônia, Belisário Arce, esta nova rota para a Ásia objetiva impactar significativamente a redução de custos de transporte e potencializar o crescimento das exportações do Norte e Centro-Oeste brasileiro, especialmente no tocante à produção de grãos dos estados do Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima.

Fatores que levaram a Associação a organizar e cumprir a agenda de trabalho nos dois países amigos, salientando-se os arrojados Porto de Chancay e o Canal do Panamá. Reunidos com o Embaixador do Brasil em Lima, Clemente Baena Soares, os empresários da Pan-Amazônia levantaram queixas reais, destacadamente sobre a burocracia excessiva e os entraves alfandegários que tanto prejudicam o fluxo de mercadorias na região. A integração física já existe, mas os “trâmites de papéis” precisam acelerar, salienta Arce.

A missão seguiu para a Cidade do Panamá e as Eclusas de Água Clara, onde se localiza o famoso Canal, que, em suma, compreende uma hidrovia artificial de 82 km edificada sobre o istmo do Panamá conectando os oceanos Atlântico e Pacífico. Um marco da engenharia mundial ao encurtar drasticamente viagens marítimas e, desta forma, eliminar o perigoso contorno do Cabo Horn, o ponto mais meridional do continente Sul-americano.

Crucial para o comércio global, a estrutura permite economizar tempo e custos, sendo uma das rotas mais importantes para o transporte de mercadorias entre a Ásia, as Américas e a Europa. Sua importância destaca-se, sobretudo, por ser vital ao comércio internacional, por onde passa cerca de 4% a 6% do comércio marítimo mundial; reduzir a longa e perigosa rota do Cabo Horn economizando milhares de milhas, tornando-se, enfim, cadeias de suprimentos fundamentais às rotas Ásia-Costa Leste dos EUA, Europa-América do Sul mais eficientes.

A delegação da Associação Pan-Amazônia em visita a Lima e Panamá City estava assim constituída:

  • Belisário Arce – Fundador e Diretor Executivo da Associação;
  • David Israel – empresário do setor de turismo;
  • João Luiz Oliva Pinto e esposa Antonia Oliva, empresários do setor de logística de transporte;
  • Adelso Neves – do setor de logística, transporte de carga terrestre e fluvial;
  • Diretor presidente da Fogás, Jaime Benchimol e esposa, Anne Benchimol;
  • Osiris M. Araújo da Silva, economista, do setor de agronegócios;
  • Adélio Barofaldi, CEO do grupo Rovema, de Rondônia, que atua nos setores de geração de energía, agronegócio, indústria, logística e transporte;
  • Germano Andrade – advogado tributarista;
  • Felipe Castro – produtor e transportador de soja em Roraima;
  • Phelippe Daou Júnior, CEO da Rede Amazônica, e sua esposa, Flávia Piva.

Leia também: Agro paraguaio impulsionado por capital brasileiro

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Turismo de Base Comunitária: Barcarena abre nova temporada para visitas em roteiros turísticos

0

Com a oferta de experiência imersiva, o projeto TBC Barcarena envolve agricultura familiar a conservação da floresta amazônica no Pará. Foto: Franklin Salvador

Já imaginou viver uma experiência imersiva e verdadeiramente amazônica em Barcarena, no Pará? É isso que o projeto Turismo de Base Comunitária em Barcarena (TBC Barcarena) oferece em uma série de roteiros turísticos abertos ao público.

A nova temporada iniciou em 7 de fevereiro, composta por 18 atrativos, divididos em oito roteiros diferentes, que oferecem experiências gastronômicas, trilhas, apresentações culturais, banhos de cheiro, contação de histórias e muito mais, sempre com a comunidade à frente da imersão amazônica.

Leia também: Sítio-escola reúne artefatos de povos antigos de Barcarena durante pesquisa de campo

Com uma distância de 2 horas de Belém, a cidade possui uma beleza natural encantadora, rica cultura gastronômica e comunidades abertas para receber visitantes que procuram adentrar na Amazônia ribeirinha, quilombola e urbana.

A agricultora Natalina Coutinho recebe visitantes em seu sítio, onde há uma trilha encantadora e frutos deliciosos, os quais Natalina usa para a produção de geléias saborosas. 

“O Turismo de Base Comunitária significa encantar o público com aquilo que a gente tem de forma natural e agradável, mostrando a sustentabilidade do nosso município e da nossa região. Isso é muito importante pois agrega valor ao nosso trabalho, na nossa comunidade e a toda uma sociedade em conjunto”, explica a agricultora.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O TBC Barcarena é realizado pelo Fundo Hydro e Mitsui Bussan no Brasil, e executado pelo Instituto Peabiru. Foto: Franklin Salvador
O TBC Barcarena é realizado pelo Fundo Hydro e Mitsui Bussan no Brasil, e executado pelo Instituto Peabiru. Foto: Franklin Salvador

Barcarena investe no turismo

Joyce Ferreira, turismóloga e coordenadora do projeto, explica que o Turismo de Base Comunitária é resultado de um trabalho coletivo:

“A gente mostra para a comunidade que o turismo de base comunitária é feito por eles, e como isso pode agregar na valorização da cultura, do patrimônio e dos seus atrativos”.

Os roteiros acontecerão no primeiro e no último sábado de cada mês até maio. Para mais informações, como valores, entre em contato pelo e-mail barcarenatbc@gmail.com ou telefone (91) 99210-6054. Você pode também manifestar interesse respondendo ao formulário online.

*Com informações do Instituto Peabiru

Cartilha reúne resultados do manejo sustentável do pirarucu no Amazonas

Foto: Adriano Gambarini/OPAN

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) entregou cerca de 700 cartilhas com apresentação dos resultados do Programa de Manejo Sustentável de Pirarucu, desde 1999, às comunidades participantes do programa de manejo no Estado do Amazonas.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

cartilha, distribuída pela Coordenação de Uso Sustentável da Fauna e da Biodiversidade (Cofap), do Instituto, traz informações sobre a formação, a importância e os resultados do manejo, com base nas experiências da Superintendência do Ibama no estado do Amazonas, que apoia e monitora as iniciativas de manejo.

As cartilhas foram distribuídas às secretarias municipais de educação que atendem as escolas envolvidas nos projetos de educação ambiental do programa, incentivando a participação comunitária.

Leia também: Com manejo sustentável, pirarucu recupera estoque natural na região do Médio Solimões

pirarucu-e-pescado-na-comunidade-sao-raimundo-do-jaraua-no-amazonas-embrapa prêmio cartilha
Foto: Reprodução/Embrapa

Cartilha reforça importância do manejo

manejo do pirarucu (Arapaima gigas) se consolidou no Amazonas como um importante processo de gestão compartilhada dos recursos naturais para a conservação da espécie. Os lagos onde pode ocorrer o manejo estão inseridos em unidades de conservação federais e estaduais, terras indígenas e áreas de acordo de pesca, beneficiando as comunidades ribeirinhas amazonenses.

A iniciativa reforça o impacto positivo na conservação da espécie e na melhoria da economia local, evitando as invasões de pescadores irregulares aos ambientes aquáticos e protegendo a biodiversidade da região Amazônica.

Em 2025, o Ibama implementou o Programa Arapaima por meio da Portaria nº 22/2025, com o intuito de incentivar e avaliar a viabilidade de expandir o programa para outros estados da bacia hidrográfica do rio Amazonas, reconhecendo o potencial dessas regiões para a conservação e o uso responsável da espécie.

Acesse a Cartilha ’26 Anos do Manejo de Pirarucu no Estado do Amazonas: Aprendizados e Desafios de um Modelo de Gestão Compartilhada’ AQUI.

*Com informações do Ibama