A Universidade Federal do Acre (Ufac) conquistou o registro da patente ‘Processo físico de separação dos nibs e dos tegumentos de amêndoas fermentadas e secas de cupuaçu (Theobroma grandiflorum (Willd. ex Spreng.) K. Schum)’.
Desenvolvido em parceria com a Cooperativa Reca, o método permite a separação eficiente dos nibs e tegumentos da fruta, tornando viável a produção de nibs de cupuaçu, produto alimentício de alto valor agregado e matéria-prima para fabricação de cupulate, análogo ao chocolate.
A pesquisa foi conduzida por professores e alunos da Ufac, junto com técnicos e agricultores da cooperativa, referência na agricultura familiar. Além do impacto econômico, a inovação agrega valor à produção local e fortalece práticas sustentáveis no setor.
O processo patenteado utiliza uma combinação de técnicas para a separação dos nibs e tegumentos das amêndoas fermentadas de cupuaçu. A torração ocorre em forno não rotativo a 130°C, seguida por trituração mecânica e peneiração em diferentes malhas.
A inovação está na aplicação do método de floculação em água, que permite separar os nibs das cascas de maneira mais eficiente e com menor custo, garantindo um alto rendimento e qualidade do produto final.
Foto: Reprodução/Ufac
Para o professor Eduardo Pacca Luna Mattar, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN), a remoção do tegumento das amêndoas de cupuaçu sempre foi um desafio para a cadeia produtiva.
“Diferentemente do cacau, esse processo no cupuaçu é mais difícil. Nossa patente criou um método de baixo custo para essa separação, viabilizando a produção dos nibs de forma mais acessível e eficiente”, explicou.
O pedido da patente foi depositado em 1º de agosto de 2023 e publicado pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em 4 de fevereiro de 2025.
A iniciativa contou com apoio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, por meio do Edital nº 01/2020 do Programa de Residência Profissional Agrícola.
A gestão do processo de patente foi conduzida pelo Núcleo de Gestão do Conhecimento e da Tecnologia (NGCTEC), vinculado à Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg). “Levamos a ideia ao NGCTEC e recebemos todo suporte para os trâmites junto ao INPI”, disse Mattar.
Os experimentos foram realizados na Unidade de Tecnologia de Alimentos (UTAL) da Ufac. “Esse é um marco para a universidade”, destacou.
Aplicativo de monitoramento de andada de caranguejo-uçá contribui para preservação da espécie. Foto: Elimarcos Sacramento/Redemar Brasil
Uma ação de benefício para as comunidades pesqueiras no Amapá foi lançada pelo Instituto Redemar em 2025. O ‘Projeto Costamar‘ monitora as andadas reprodutivas do caranguejo-uçáem campo e através de aplicativo digital.
A ação é para a preservação da espécie no local, contribuindo para a pesca sustentável na região. O monitoramento também é feito através de um aplicativo, o ‘Remar Cidadão’, que permite uma colaboração em conjunto para a pesquisa.
Thiago Couto, que é biólogo marinho da Redemar Brasil, explicou ao Grupo Rede Amazônica que a ação além de contribuir para reprodução da espécie, funciona para a previsão do período de defeso sem interromper a cadeia de fonte de renda dos catadores.
“Ele serve para que a gente consiga prever quando que vai ser a andada reprodutiva do caranguejo-uçá e para que período de defeso do caranguejo seja no tempo certo […] Que a gente analisa e pega os dados para que os catadores não passem mais tempo do que o necessário sem pegar caranguejo nem que o caranguejo fique menos tempo necessário protegido da pesca”, contou.
A pesquisa acontece em parceria com a Petrobras, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio), Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) e outras entidades.
Aplicativo ‘Remar Cidadão’
Qualquer pessoa pode utilizar o aplicativo e registrar ocorrências em qualquer ponto do litoral brasileiro, até mesmo offline. O aplicativo pode ser adquirido de forma gratuita para IOS e Android. A ferramenta já foi utilizada com sucesso pra monitoramento de caranguejos no Pará até Bahia.
“O cidadão pode entrar no aplicativo e preencher os dados. Por exemplo: ‘vi uma andada no dia tal’, registra se ela foi forte, se ela foi fraca, se foi de dia ou noite. Todos esses dados, com a ajuda da sociedade como um todo, isso vai ajudar com que a nossa absorção seja mais precisa”, disse o biólogo.
Mapeamento de caranguejos
O enfoque do treinamento é a utilização do aplicativo, permitindo que os próprios pescadores possam enviar dados sobre os padrões reprodutivos do caranguejo-uçá. Essa ação contribui diretamente para que o poder público defina os períodos de defeso de forma mais precisa.
Até o momento, as equipes da Estação Ecológica de Maracá-Jipioca e no Parque Nacional do Cabo Orange recebem treinamentos para o trabalho.
Projeto vai percorrer toda a costa do Amapá. Foto: Divulgação/Redemar Brasil
Com o intuito de fomentar a ciência participativa e envolver ativamente pescadores, catadores de caranguejo e trabalhadores de Unidades de Conservação, três oficinas serão realizadas nas comunidades pesqueiras atendidas pelo projeto.
Outro objetivo do projeto é traduzir conhecimento científico em informações de fácil acesso para pescadores, contribuindo para uma melhor compreensão e cooperação entre esses atores.
“A gente acredita que os períodos de andada do caranguejo vão ser diferentes esse ano, não sabemos quando, pode ser que aconteça no verão e no inverno […] Por isso a necessidade de implementar o projeto”, finalizou o pesquisador.
A recente Ação Civil Pública (ACP) proposta pelo Ministério Público Federal (MPF), que busca a erradicação total dos búfalos selvagens da Reserva Biológica do Guaporé, em Rondônia, fronteira com a Bolívia, tem gerado intensos questionamentos sobre sua base científica e as implicações éticas da medida proposta. A ACP sustenta-se quase exclusivamente no estudo realizado por Lidiane França da Silva, em 2021, na Universidade Federal de Rondônia (UNIR), levantando dúvidas sobre a abrangência e a solidez da análise apresentada.
Os búfalos chegaram à região na década de 1950, introduzidos na antiga Fazenda Pau D’Óleo, e hoje somam cerca de 5 mil indivíduos, chamados “Gigantes Gentis” devido à docilidade e à forma harmoniosa com que convivem com a natureza. A ACP propõe medidas drásticas, fala 28 vezes em “erradicação” – que é uma expressão leve para na verdade a matança – especula-se há anos que seria por vários meios, inclusive abate aéreo a tiros, alegando danos ambientais significativos, como compactação do solo, erosão e ameaça às espécies nativas.
Contudo, outros estudos, como os realizados por Eduardo Lage Bisaggio e técnicos do ICMBio, trazem abordagens mais moderadas. Esses trabalhos reconhecem que, após décadas, os búfalos se adaptaram ao ecossistema amazônico, recomendando estratégias de manejo sustentável e controle populacional, em vez da erradicação total sugerida pela ACP.
Outro ponto questionável na ACP é a estimativa, considerada exagerada por especialistas, de que a população de búfalos poderia alcançar rapidamente 50 mil indivíduos, (pulando de 5 mil em seis anos) caso medidas extremas não sejam tomadas imediatamente. Tal previsão não encontra respaldo sólido nos dados e em metodologias pertinentes, ampliando ainda mais as dúvidas sobre a urgência e necessidade das medidas extremas pedidas pelo MPF.
Em recente despacho judicial, o juiz responsável pela ACP destacou que o caso é “complexo” e determinou que o Instituto Chico Mendes (ICMBio) e o Estado de Rondônia se manifestem oficialmente antes de qualquer decisão judicial. Essa determinação abre um importante espaço para que diferentes perspectivas sejam apresentadas, enriquecendo o debate técnico-científico e ético sobre o tema.
Essas manifestações, tanto do ICMBio quanto do Estado de Rondônia, podem trazer novas informações, especialmente sobre alternativas sustentáveis já aplicadas em outras regiões amazônicas, que optaram pelo manejo populacional ao invés do extermínio total. Assim, torna-se evidente que uma visão ampliada do problema, baseada em múltiplas vozes científicas e éticas, será fundamental para evitar uma decisão apressada e potencialmente prejudicial.
Exemplo disso é o recente acordo firmado no Amapá, onde um pecuarista comprometeu-se a retirar 2 mil búfalos do leito assoreado do rio Araguari, sem que houvesse a necessidade de erradicação dos animais. Essa solução negociada demonstra que é possível conciliar a preservação ambiental com o manejo responsável dos búfalos, evitando medidas extremas e garantindo a sustentabilidade do ecossistema.
Nesse contexto, fica evidente a complexidade apontada pelo juiz responsável pela ação, que corretamente decidiu ouvir as partes diretamente envolvidas antes de avançar em qualquer decisão. A ampliação desse diálogo será crucial para uma solução ética, científica e equilibrada, que respeite tanto a vida dos “Gigantes Gentis” quanto a integridade ambiental da Amazônia.
Sobre o autor
Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.
Pela primeira vez, Rondônia sediará uma edição do ‘Concurso Nacional de Cacau Especial: Sustentabilidade e Qualidade’. A sétima edição do evento de premiação será realizada em dezembro deste ano em Cacoal. As inscrições para o concurso abrem dia 31 de março e seguem até 22 de agosto.
A disputa, que tem como objetivo valorizar os produtores brasileiros e fortalecer a cacauicultura nacional, premiará até 100 mil reais, distribuídos entre os vencedores do primeiro, segundo e terceiro lugares nas categorias Mistura/Blend e Varietal.
Poderão concorrer produtores de cacau de todo o Brasil, desde que os lotes inscritos tenham sido produzidos no país no ano de 2025. O edital e o passo a passo para participar estão disponíveis no site oficial do concurso.
Rondônia na cacauicultura nacional
O estado se destaca na cacauicultura, ocupando a 4ª posição no ranking dos maiores produtores de cacau do Brasil e o 2º maior produtor da Região Norte, com mais de 3 mil produtores.
Em seis edições do concurso, Rondônia já ganhou seis prêmios nas duas categorias da premiação.
O Concurso Nacional de Cacau Especial – Sustentabilidade e Qualidade, em sua 7ª edição, é um marco na valorização do cacau brasileiro e no fortalecimento da cacauicultura nacional.
De acordo com o governo de Rondônia, o evento representa uma jornada de transformação, reconhecimento e impacto social, promovendo a qualidade, a sustentabilidade e a competitividade do cacau brasileiro no cenário internacional.
O II Fórum ESG Amazônia, realizado pelo Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM) e pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA), ganha uma nova edição para abordar questões fundamentais relacionadas ao ESG (Ambiental, Social e Governança) na região amazônica.
O evento, que acontece dia 21 de março em Manaus (AM), tem como tema central ‘CIEAM e SUFRAMA Rumo a COP30’, com o objetivo de iniciar as discussões que devem seguir até a realização do evento, marcado para novembro em Belém (PA).
O evento reúne especialistas para tratar, por exemplo, de sustentabilidade, transição energética, diversidade e inclusão social. Cases de empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM), que já implementaram os critérios social e de governança dentro de suas organizações, fazem parte da programação.
A primeira edição Fórum aconteceu em março de 2024. Foto: Isabelle Lima/Portal Amazônia
Para a coordenadora da Comissão CIEAM de ESG, Régia Moreira, a ideia é introduzir cada vez mais esses pilares, que são tão importantes não apenas para as indústrias, mas para todo ser humano.
“Nós estamos em uma caminhada, em uma trilha de conhecimento, de abordagem, de introdução do ESG nas indústrias. Nesse fórum vamos mostrar alguns painéis de indústrias que já estão utilizando os pilares da sustentabilidade, do social e de governança. A ideia é introduzirmos cada vez mais esses pilares que são tão importantes. O ESG não é apenas para as indústrias, é para todo ser humano. Todos nós precisamos exercer esses três pilares em nossas vidas: a educação ambiental, a inclusão social e a governança”, ressaltou Régia.
O superintendente da Suframa, Bosco Saraiva, destaca a importância das iniciativas voltadas para ESG no desenvolvimento regional.
“A sustentabilidade e as práticas de ESG são fundamentais para garantir que o desenvolvimento econômico ocorra de maneira responsável e que os recursos naturais sejam preservados. É uma temática que está ganhando cada vez mais destaque e espaço na agenda global, então nossa intenção ao realizar este evento de extrema importância, em parceria com o CIEAM, é que as empresas da ZFM possam não apenas disseminar e incorporar boas práticas de gestão, mas também se posicionar como exemplos de desenvolvimento sustentável, contribuindo para a imagem da nossa região nacional e internacionalmente ao promover produtos que sejam fabricados com responsabilidade social e ambiental”, destacou Saraiva
Transmissãoao vivo
O canal Amazon Sat vai transmitir ao vivo três painéis do evento:
10h10 – Palestra: Agenda ESG – Custos ou Oportunidades para a Amazônia Brasileira
11h10 – Palestra: FRAM + Rede Educa: Trilha do Conhecimento em ESG na Amazônia
13h20 – Palestra: Transição Energética: Caminhos para um Futuro
Após o termino, você também poderá conferir tudo que rolou no II Fórum ESG Amazônia, de forma compacta, durante toda programação semanal do Amazon Sat.
Foto: Reprodução/Arquivo Grupo de Percussão da UEA
O Grupo de Percussão da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), desenvolvido na Escola Superior de Artes e Turismo (Esat/UEA), lança seu primeiro álbum musical, contendo oito faixas, em todas as plataformas de streaming. A data de lançamento está programada para o dia 21 de março.
Formado por alunos do curso de Música da universidade e músicos amazonenses convidados, o grupo explora um repertório que abrange desde obras escritas para percussão até arranjos que refletem a diversidade rítmica e tímbrica desse universo sonoro. O primeiro álbum do Grupo de Percussão da UEA foi gravado no Laboratório de Percussão (Laperc), localizado na Esat, consolidando a missão de formar percussionistas versáteis e ampliar o público da música percussiva.
Segundo o professor Tarcísio Braga, além da performance, o grupo incentiva a criação e escrita de arranjos originais, aprimorando a leitura musical, a improvisação e a interpretação em diversos estilos. Sua atuação também se estende ao ambiente de estúdio, proporcionando aos músicos uma imersão na dinâmica de gravação.
Sobre as músicas, o professor comenta que são utilizados instrumentos incomuns e não usuais, como a marimba, instrumento de percussão com teclas de madeira; vibrafone; metalofone. Além desses, também foram usados instrumentos de choro (como violão, pandeiro, bandolim), baixo elétrico, bateria.
Foto: Reprodução/Arquivo Grupo de Percussão da UEA
Sobre o álbum
Braga fala que o repertório vai desde a música clássica, onde as faixas 5, 6 e 7 contém obras de Johann Sebastian Bach; composições dos alunos do curso de Música da UEA, como a faixa ‘Acarí’, de Célio Vulcão.
“A formação também toca standards de jazz, como Blue Bossa ou Afro Blue, que são obras do repertório da música improvisada do jazz, e a gente fez nosso próprio arranjo. Essas partituras estão no nosso site. Temos também peças tradicionais para a formação de grupo de percussão, como o Akadinda, que é uma composição para marimba, toda escrita na partitura, onde são três percussionistas na marimba”, afirma.
Gamelas, colheres, copos, pratos, artigos de decoração e outros objetos fazem parte do tesouro produzido pelo acreano Antônio Geraldo Sobrinho, que há mais de 20 anos utiliza madeira de manejo para criar suas peças. A narrativa de sua história marca o Dia Mundial do Artesão, celebrado em 19 de março.
Aos 60 anos, Antônio possui um ateliê no quintal de sua casa, em Rio Branco, no Acre, de onde sai toda sua produção.
“O artesanato é uma das melhores terapias. Eu gosto muito. O artesanato representa tudo para mim. Às vezes até esqueço de comer, porque estou entretido no trabalho. Ele é um controle psicológico, deixa a gente tranquilo”, destaca.
Sua arte é também sua fonte de ganho: “É a minha única renda. Há momentos em que conseguimos algo melhor, em outros é mais difícil. Já tive encomendas para outros estados, e também há peças minhas em outros países, que não foram encomendadas diretamente comigo, mas são minhas. No Brasil, já enviei peças para São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina”.
“Para mim, tudo é arte”
Antônio conta que, antes de se dedicar profissionalmente ao artesanato, já tinha noção de como era a produção. “A partir de 2000, comecei a produzir as primeiras peças, que não eram tão boas, mas, conforme fui aperfeiçoando, criei outras. Nós produzimos as peças, mas sempre pensando em criar novas”, relata.
Ressalta ainda que toda a madeira usada vem de manejo, de forma legalizada.
“Eu não vou desbravar e derrubar a floresta. Entro em contato com as pessoas que fazem manejo e pego. Tudo é legalizado, e a gente ajuda o meio ambiente a se alegrar com a gente, por manter e cultivar as árvores. Por isso, aproveito qualquer pedaço de madeira, seja tora ou pedaço pequeno. Para mim, tudo é arte”, avalia.
E o artesão gosta de desafios. “Quando me mostram algo que não faço, digo ‘não pergunte se eu faço, pergunte quanto custa’. As pessoas acham engraçado, mas eu digo que a arte já está dentro de mim. Eu nasci para o artesanato, é o meu trabalho”, explica, com risadas.
Produzindo diversas categorias de peças, Antônio cita algumas das madeiras com as quais trabalha: “Uso cumaru-ferro, cerejeira, cedro, aroeira e teca. Na minha casa, plantei cerejeira, mas é para ajudar a manter a floresta e o meio ambiente. Esse trabalho, para mim, é tudo. Mesmo que eu tivesse outro emprego, ainda assim dedicaria algumas horas ao artesanato”.
Antônio também cuida da renovação do seu portfólio: “Graças a Deus, a cada ano, tenho uma peça diferente. A peça que eu produzia antes, faço menos, e invisto na próxima. Não trabalho por esporte, trabalho com artesanato porque gosto”.
Em Rio Branco, o artesão tem peças expostas para comercialização na Casa do Artesanato Acreano (atualmente com funcionamento suspenso devido à cheia do Rio Acre), na Rua Eduardo Assmar, em frente ao Calçadão da Gameleira, mas também recebe encomendas por WhatsApp pelos números (68) 984165232 e (68) 992056468 ou Instagram @antoniogeraldoac.
Fotos: Bruno Moraes/Sete
Arte, economia, turismo e patrimônio
O titular da Secretaria de Estado de Turismo e Empreendedorismo (Sete), Marcelo Messias, destaca a atuação dos artesãos locais, que contam a história e preservam a identidade da população do Acre.
“Neste dia, ressaltamos a importância de cada mão talentosa que transforma matérias-primas em verdadeiras obras de arte, que leva o nome do nosso estado para o Brasil e o mundo. O artesanato não é só arte, é economia, turismo e patrimônio. Na Sete, valorizamos esse trabalho com incentivo, capacitação e oportunidade de negócios. A cada peça produzida, temos um pouco da nossa história sendo contada e nossa essência preservada”, ressalta.
Para promover cada vez mais o artesanato, o governo do Acre, por meio da Sete, realiza capacitações, caravanas de cadastramento nos municípios e oportunidade de negócios com participações nas feiras nacionais e internacionais, que levam o nome e a riqueza deste trabalho manual que representa o Acre para diversos lugares do mundo.
Além disso, a Casa do Artesanato Acreano, reúne peças de artesãos dos mais variados segmentos como biojoias, cerâmicas, palha e produtos feitos por indígenas.
A coordenadora do Artesanato Acreano na Sete, Risoleta Queiroz, afirma que o objetivo da data é valorizar os profissionais do setor, destacar o trabalho na sociedade e promover a autonomia e a economia local.
“O artesanato brasileiro é diverso, com características diferenciadas de norte a sul. A produção artesanal é influenciada pelas comunidades locais e pela matéria-prima disponível na região. O trabalho artesanal é uma fonte de renda para muitas famílias e os conhecimentos para a produção artesanal são passados de geração em geração”, diz.
Risoleta lembra ainda que o artesanato acompanha a história da espécie humana ao longo dos anos: “Sofreu mudanças, novos olhares e hoje é uma ferramenta artística que conserva culturas e muito significado, para além da produção de um objeto decorativo ou de um adereço para o corpo. O papel do artesão na sociedade não é somente de mão de obra, mas de produção artística importante para o mundo”.
As cheias dos rios amazônicos têm impactado diversas regiões do Acre, exigindo uma atuação intensa do Corpo de Bombeiros Militar do Acre (CBMAC) e da Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil (Cepdec).
Segundo dados levantados pelo posto de comando do CBMAC em Rio Branco, já foram registrados 1.040 chamados, resultando em 151 ocorrências atendidas e quase 500 pessoas resgatadas. A operação conta com o apoio de voluntários da sociedade civil, somando um efetivo de 95 pessoas.
Em Rio Branco, o nível do Rio Acre apresentou elevação durante a medição das 9h deste domingo (16), marcando 15,82m. O Riozinho do Rola, um afluente importante, apresentou na leitura das 6h ainda de 16 de março um aumento de 32 cm, já ultrapassou a cota de transbordamento desde a última medição da sexta-feira (14), que marcou 15,33m e subiu para 16,36m.
O comandante-geral do CBMAC, coronel Charles Santos, aponta que a bacia do Rio Acre tem se comportado de forma variável desde Assis Brasil até a capital, onde há uma estabilidade momentânea. “O governo do Acre está atento ao comportamento dos rios para garantir a segurança de todos nesse momento de urgência”, garantiu o coronel Santos.
Nos demais municípios do Acre, a situação varia. Em Cruzeiro do Sul, o nível do rio continua aumentando, especialmente devido ao volume de água vindo do Rio Moa. A cota de transbordo da região é de 13m e na medição das 6h de 16 de março marcava 13,45m. Frente a isso, autoridades locais avaliam decretar situação de emergência.
Foto: Pedro Devani/SecomAC
Em Tarauacá, a marcação do rio é de 9,87m e apesar do transbordamento, todos os bairros estão sendo monitorados e ainda não houve necessidade da retirada de vítimas até o domingo. Feijó e Sena Madureira estão em situação estável, sem a necessidade de ações emergenciais até o momento. Xapuri e Brasiléia permanecem em estado de alerta mas sem riscos iminentes.
Já em Porto Acre, as autoridades estão realizando constantes vistorias, verificando a necessidade de translado de comunidades isoladas pelo aumento do rio. Novas inspeções serão feitas para acompanhar a evolução da situação.
A Defesa Civil estadual segue vigilante, monitorando as condições dos municípios afetados e mantendo contato direto com as autoridades locais para coordenar ações de resposta. O apoio da sociedade e a pronta atuação das equipes de resgate são essenciais para minimizar os impactos das cheias e garantir a segurança da população acreana.
Cerimônia, realizada entre agosto e setembro, reúne várias etnias indígenas do Alto Xingu (MT). Foto: Alaor Filho/Fotos Públicas
A cerimônia do Kuarup, ritual indígena realizado no Parque Indígena do Xingu (MT), foi reconhecida como uma manifestação da cultura nacional. A Lei 15.113, que garante esse reconhecimento, foi publicada no dia 18 de março, no Diário Oficial da União.
“A cerimônia é marcada por uma alternância poética entre momentos de profundo luto e celebração da vida, refletindo a filosofia indígena de que a continuidade da existência e a convivência harmoniosa em comunidade são essenciais após a perda de um ente querido. O rito culmina com o simbólico lançamento dos troncos na água, que representa a despedida, a transformação e a transcendência”, explicou Wellington Fagundes no relatório.
Foto: Reprodução
Kuarup
O Kuarup ocorre entre os meses de agosto e setembro. A cerimônia reúne diversas etnias indígenas do Alto Xingu, no estado de Mato Grosso.
No ritual, são abordados temas como a morte e o luto, ao mesmo tempo em que se homenageia a memória de entes queridos.
O documentário ‘Como matar um rio‘, gravado em comunidades ribeirinhas ao longo do rio Madeira, em Porto Velho (RO), retratará a beleza das paisagens da região em contraste com as queimadas e a extrema seca de 2024.
Segundo a produção, a obra parte de uma visão poética do cotidiano para revelar a dura realidade dos povos ribeirinhos na luta por água e comida durante a crise climática.
A produção faz parte do projeto ‘Vozes do Madeira’ e foi viabilizada com recursos da Lei Paulo Gustavo, por meio do Edital 001/2024. As gravações destacam a riqueza e a beleza cultural dessas localidades, ao mesmo tempo em que discutem a preservação da floresta e da biodiversidade.
Dirigido por Chicão Santos, o trabalho envolveu uma equipe de cerca de 10 pessoas, incluindo tradutores de Libras. A produção levou quase 12 meses, com duas visitas aos distritos: a primeira, em junho, quando o rio estava mais cheio, e a segunda, em setembro, durante a seca severa.
A narrativa se divide em dois momentos:
O primeiro apresenta um olhar poético sobre a cultura e as festividades dos ribeirinhos, em um período em que o rio ainda estava cheio.
O segundo retrata a seca extrema enfrentada pelas comunidades e os desafios para sobreviver em meio à fumaça e à escassez de água.
“A equipe enfrentou grandes dificuldades, pois a navegabilidade estava comprometida e a captação de imagens foi prejudicada pela fumaça. No rio, já não havia mais jacarés, estava tudo seco”, relata o diretor Chicão.
Ambas as partes exploram a relação do povo com o rio Madeira, buscando sensibilizar a sociedade sobre a importância da preservação ambiental e do apoio ao desenvolvimento sustentável dessas comunidades.
De acordo com o diretor, o principal objetivo, após a conclusão das gravações, era mostrar todas as camadas de ser e viver ribeirinho, além de dar visibilidade e instigar discussões sobre sustentabilidade e conservação ambiental.
O documentário estreia no dia 21 de março, às 19h, e será exibido gratuitamente no Cinema da Floresta, localizado na Rua Franklin Tavares, no bairro Pedrinhas, em Porto Velho.
*Por Gabriely Tavares, estagiária sob supervisão de Marcos Miranda, da Rede Amazônica RO