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COP30: Diagnóstico climático é fundamental para a mitigação e adaptação dos municípios às mudanças no clima

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A COP será realizada entre 10 e 21 de novembro de 2025. Foto: agência pará

O uso da Inteligência Climática aplicada às estratégias de mitigação das mudanças climáticas desponta como uma importante medida para a prevenção dos impactos causados às cidades pelos fenômenos climatológicos intensos. Demonstração disso é que a utilização dessa ferramenta será parte do Programa Cidades Modelos Verdes Resilientes, do governo federal, que dará apoio técnico a 50 municípios brasileiros para desenvolverem duas ações de alto impacto climático.

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“Isto confirma que o uso dos dados e as análises inteligentes e preditivas tornaram-se fundamentais quando se fala em mitigar e prevenir os impactos das mudanças climáticas” destaca Patricia Madeira, CEO da Climatempo, a maior e mais reconhecida empresa de consultoria meteorológica e previsão do tempo da América Latina, em cuja avaliação o uso de dados é um grande escudo na guerra contra o impacto das mudanças climáticas, e ganha relevância ainda maior frente à proximidade da COP30, no País.

A COP30 será um momento decisivo para reforçar o compromisso global com a transição energética e garantir que o Brasil aproveite todo o seu potencial em energias renováveis. A Climatempo, que é referência em meteorologia aplicada, entende que a integração entre previsão climática e planejamento energético será um diferencial competitivo para o País. “Estamos diante de uma oportunidade única de liderar esse processo e demonstrar ao mundo como ciência, tecnologia e inovação podem transformar desafios climáticos em soluções sustentáveis”, ressalta Patricia.

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O evento reunirá líderes internacionais, especialistas e representantes do setor produtivo para discutir como os países, especialmente o Brasil, podem avançar na redução das emissões de gases de efeito estufa e garantir maior resiliência climática por meio de soluções energéticas sustentáveis.

De acordo com a Climatempo, no ritmo atual, ainda que seja possível reduzir as emissões de gases de efeito estufa, o limite de até a 1,5ºC de aumento na temperatura global até 2030 já foi alcançado, e será inevitável que o planeta siga sofrendo ainda por conta das mudanças climáticas. Daí a necessidade de se pensar em alternativas para lidar com o problema.

Isso significa que os municípios vão precisar de um diagnóstico detalhado da situação climática local, além de análises e insights para traçar suas estratégias de mitigação e adaptação dos riscos climáticos, o que justifica a decisão do governo de incluir esta ferramenta de inteligência climática no programa.

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Imagens de Satélite. Fonte: climatempo

Por meio de serviços de inteligência climática, a Climatempo desenvolveu um conjunto de recursos para a realização de um diagnóstico detalhado e preciso da situação climática local. O objetivo é auxiliar os gestores públicos na elaboração de recomendações estratégicas, dando aos municípios as condições que precisam para desenvolver ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas com base no uso de dados.

É o caso, por exemplo, do SMAC (Sistema de Monitoramento e Alerta Climatempo). A ferramenta garante uma análise aprofundada das informações do clima, baseada em dados históricos de qualidade e realizada por meteorologistas especializados da Climatempo.

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Além da transição para fontes limpas, a segurança energética será um dos pilares centrais das discussões durante a COP30. A necessidade de tornar o fornecimento de energia mais estável e resiliente frente a eventos climáticos extremos, como secas prolongadas e tempestades severas, está no radar das autoridades. “O planejamento energético precisará considerar cada vez mais a influência das mudanças climáticas para evitar crises de abastecimento e impactos na economia”, completa Patricia.

Além disso, as áreas de Operação e Manutenção (O&M) nas empresas desempenham um papel fundamental nesse cenário. No curto prazo, serviços de O&M utilizam o SMAC para monitoramento contínuo e emissão de alertas meteorológicos, garantindo uma resposta rápida a eventos climáticos adversos. Já no planejamento de longo prazo, relatórios climáticos e previsões para os próximos meses auxiliam na definição de estratégias mais eficientes para a geração e distribuição de energia.

Sobre a Climatempo

A Climatempo é a maior e mais reconhecida empresa de consultoria meteorológica e previsão do tempo do Brasil e da América Latina, oferecendo soluções personalizadas para diversos setores da economia. Com tecnologia avançada e uma equipe de especialistas altamente qualificada, a empresa fornece previsões precisas e análises climáticas estratégicas para auxiliar na tomada de decisão em segmentos como energia, infraestrutura, agronegócio, setores públicos, entre outros. Para o público em geral, fornece informações sobre o clima por meio do seu website e aplicativos. Juntos, esses canais alcançam, em média, 20 milhões de usuários mensalmente, além de disponibilizar boletins com previsão do tempo para diversos veículos de comunicação, como Globo, BandNews, Record TV, Canal Rural, entre outros.

Comprometida com a inovação, foi a primeira empresa privada a oferecer análises climáticas customizadas no mercado brasileiro e, em 2015, instalou o LABS Climatempo no Parque de Inovação Tecnológica de São José dos Campos (SP), para atuar na pesquisa e no desenvolvimento de soluções para tempo severo, energias renováveis (eólica e solar), hidrologia, comercialização e geração de energia, navegação interior, oceanografia e cidades inteligentes.

Fundada em 1988, a Climatempo foi adquirida, em 2019, pela StormGeo, empresa líder global em serviços de inteligência meteorológica e suporte à decisão, sediada na Noruega, com presença em 26 países e 550 funcionários, e que, desde 2021, integra o grupo Alfa Laval, líder global no fornecimento de produtos nas áreas de transferência de calor, separação e manuseio de fluidos.

*Com informações da climatempo

Papa Francisco já foi presenteado com obra de artista plástica rondoniense

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Papa Francisco é presenteado com obra de artista plástica rondoniense — Foto: Edina Costa

A morte do Papa Francisco trouxe à memória um momento muito especial na vida da artista plástica Edina Costa. A rondoniense teve a honra de ver uma de suas obras sendo entregue ao líder da Igreja Católica.

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A entrega do quadro foi feita em junho de 2022 pelo bispo Dom Benedito Araújo, de Guajará-Mirim (RO). Edina contou que se emocionou muito ao saber que sua pintura foi parar nas mãos do papa e que aquele gesto fez ela pensar sobre como a arte pode marcar a vida das pessoas.

“Estava nas mãos do papa uma pintura feita por mim. Chorei de emoção, me ajoelhei e agradeci a Deus por ter me proporcionado um momento tão abençoado. Que nem nos meus melhores sonhos eu havia sonhado”, lembrou ela.

Papa Francisco é presenteado com obra de artista plástica rondoniense — Foto: Edina Costa

Segundo a artista, a pintura retrata o papa sobre a Catedral Nossa Senhora dos Seringueiros, em Guajará-Mirim (RO), sua cidade natal. Na obra, o pontífice segura uma pomba pousada em uma das mãos, representando proteção e esperança para a comunidade.

Ao pintar a imagem do papa, Edina contou que teve a sensação de estar espalhando pelo mundo as mensagens de amor e solidariedade que ele sempre defendeu. Hoje, ela se sente ainda mais grata por ter vivido um momento tão especial.

“Ao reproduzir sua imagem em uma pintura, senti que estava não apenas capturando sua essência, mas também transmitindo suas mensagens de amor e solidariedade ao mundo”, disse.

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Morte de papa

Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco, morreu aos 88 anos às 2h35 pelo horário de Brasília, 7h35 pelo horário local, desta segunda-feira (21). O pontífice ocupou o cargo máximo da Igreja Católica por 12 anos.

Francisco se recuperava de uma pneumonia nos dois pulmões, quadro que o manteve internado por cerca de 40 dias. Há um mês, ele teve alta e estava sob cuidados médicos. O papa chegou a aparecer publicamente no domingo (20) de Páscoa para abençoar milhares de pessoas na Praça de São Pedro.

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Edna Costa

Residente em Nova Mamoré, município na fronteira do Brasil com a Bolívia, Edina é autodidata. Desde 2010, ela produz as pinturas em óleo sobre tela que já a levaram a diversas mostras de destaque regional, ao Museu Nacional da República, em Brasília (DF) e o famoso Museu do Louvre, em Paris (França).

Artista plástica Edina Costa de Rondônia expôs em Paris, França. Foto: Divulgação

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Trajetória

A história de Edina Costa com a arte iniciou aos 26 anos. Por causa das dificuldades financeiras e por almejar mudar de vida, ela começou a fazer pequenos artesanatos para complementar a renda da família.

Foi quando surgiu a vontade de pintar. Como não tinha dinheiro para comprar os materiais de pintura, ganhou de presente quatro cores de tinta e uns pincéis. Sua primeira tela foi pintada em um “fundo de gaveta”.

Os pincéis não saíram mais das mãos de Edina e foram eles que a fizeram ser convidada para uma exposição na capital de Rondônia. Daí em diante os convites não pararam mais.

Suas obras são inspiradas na vida e nas belezas da Amazônia, com forte presença de expressões e olhares dos povos indígenas, da fauna e flora. Seu principal desejo é retratar de forma sensível o respeito à natureza e despertar o observador para necessidade da preservação.

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Por Mateus Santos, Amanda Oliveira, g1 RO

Quem é Dom Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus que irá participar do conclave

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Dom Leonardo Ulrich Steiner. Foto: https://diocesedecrato.org/

Anunciado pelo Papa Francisco como novo cardeal da Igreja Católica no dia 29 de maio de 2022, o arcebispo de Manaus, Dom Leonardo Steiner, é o primeiro cardeal da Amazônia brasileira. Durante o anúncio feito no Vaticano, além de Steiner, o papa também nomeou o arcebispo de Brasília, Dom Paulo César.

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Dom Leonardo Ulrich Steiner tomou posse como arcebispo de Manaus em janeiro de 2020. Ele assumiu o cargo ocupado por Dom Sergio Castriani desde 2013. Até então, Steiner atuava como chefe da igreja local como bispo auxiliar de Brasília.

Além disso, Dom Leonardo já foi duas vezes secretário-geral da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Dom Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, durante uma celebração de missa. — Foto: Reuters

O novo cardeal nasceu em 6 de novembro de 1950 em Forquilhinha, Estado de Santa Catarina, na diocese de Criciúma (Brasil). Fez sua profissão religiosa na Ordem dos Frades Menores em 2 de agosto de 1976 e foi ordenado sacerdote em 21 de janeiro de 1978.

Estudou Filosofia e Teologia nos Franciscanos de Petrópolis; é bacharel em Filosofia e Pedagogia pela Faculdade Salesiana de Lorena. Obteve a licenciatura e o doutorado em Filosofia na Pontifícia Universidade Antonianum de Roma.

Seu lema episcopal é ‘Verbum caro factum” que quer dizer “Verbo feito carne”.

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Título de Cidadão de Manaus 

O arcebispo metropolitano de Manaus, cardeal Dom Leonardo Steiner recebeu no dia 26 de junho de 2024, o “Título de Cidadão de Manaus”, em sessão solene no plenário Adriano Jorge, na Câmara Municipal de Manaus (CMM). 

Por meio do decreto legislativo 632 de 2024 e como reconhecimento pelo relevante serviços prestados à sociedade manauara, Dom Leonardo Steiner recebeu a placa de Cidadão de Manaus.

‘Se eu não estivesse na Amazônia, não seria cardeal’, foi com essas palavras que Dom Leonardo Steiner, arcebispo metropolitano de Manaus começou o discurso de agradecimento por receber o título de Cidadão de Manaus.

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Dom Leonardo recebe título de cidadão amazonense. Foto: Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM).

“A nossa cidade é viva, não é um lugar geográfico. O lugar nos diz, nos constrói, nos oferece um pensamento distinto. No morar ‘obramos’, pois no fazer obra, ‘moramos’, pois construir já é, em si mesmo morar e viver. Morar é pertencer e pertencer é ser. Sei que não advêm de um título, mas o título pode despertar para melhor morar, trabalhar, construir, participar, transformar. Receber o título responsabiliza o ‘morar’, por isso, o ‘pertencer’. Pelo morar, construir e trabalhar.

O poeta da liberdade amazonense nos oferece esse modo de ‘obrar’. Que o Pão encontre na boca o abraço de uma canção construída com o trabalho. Que a fome fatigada de um suor que corre o rosto, que o pão do dia não chegue sabendo do trave de luta e o troféu da humilhação. Que seja a benção da flor festivamente polida porque deu ajuda ao chão. Mais do que flor seja fruto que maduro se oferece sempre ao alcance da mão, da minha e da tua, construímos juntos.

A cidade apoliteia acontece no ‘obrar’ de muitas mãos. Tocar ao alcance da mão o ‘Pão da cultura’, da educação, da saúde, da justiça, do lazer, da arte da paz, da partilha do pão ‘Pao’. As estrelas, na escuridão da noite iluminam nosso sentido de pertencimento, de orientação na imensidão do firmamento. E nos situam no centro e vão revelando nossa imensidão no sentido de habitar no mundo. Quem vive no interior já olhou para o céu e viveu essa experiência. Na cidade, luzes artificiais podem ofuscar o olhar ascendente, levando ao esquecer o nosso morar e construir, até podem nos desterrar. Mas, porque morarmos e no morar operamos na imensidão da fé, nos oferece a suavidade e a força do reino de onde ‘Somos todos irmãos e irmãs’ como os mesmos direito e deveres. E que nos foi dado o iluminar, não com luzes artificias, mas com a luzes de Belém. Grato por oficialmente poder dizer que sou manauara. Obrigado”, concluiu Dom Leonardo Steiner, arcebispo metropolitano de Manaus.

Leia também: Papa recebeu carta sobre proteção das florestas e dos povos originários das mãos do Cacique Raoni; relembre

O primeiro cardeal da Amazônia

Dom Leonardo Steiner com o Papa Francisco. Foto: Vatican News

A atenção de Francisco pela Amazônia foi tão grande que, em agosto de 2022, ele nomeou o arcebispo de Manaus, dom Leonardo Steiner, como o primeiro cardeal da Amazônia Brasileira.

Na época, logo após o anúncio, Steiner afirmou que o papa estava preocupado com o desmatamento, com as ameaças às culturas indígenas e com a poluição dos rios causada pelo uso de mercúrio em garimpos ilegais na região.

“A nomeação de um cardeal da Amazônia mostra o desejo do papa de aproximar a Igreja da Amazônia”, disse Steiner.

*Com informações do g1 Amazonas e Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM)

O dia em que três mulheres indígenas se encontraram com Papa Francisco

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Papa Francisco recebe mulheres indígenas da Amazônia. Foto: Vatican News

O Papa Francisco teve diversos encontros significativos com povos indígenas durante o seu pontificado, demonstrando um compromisso com continuo com causas e culturas menos favorecidas.

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Nos últimos anos em vida, o Papa demonstrou preocupação com a Amazônia. Além de ter escrito diversos documentos que falam sobre o bioma e a sua importância para a preservação do planeta, ele também convocou um sínodo para debater a evangelização na região. 

Em audiência histórica para a Igreja na Amazônia, a maior autoridade religiosa se encontrou com três mulheres indígenas, reconhecidas no Peru, pela sua liderança eclesial e sociocultural.

Patricia Gualinga e Ir. Laura Vicuña, vice-presidentas da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA) e Yesica Patiachi, vice-presidenta da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM) foram recebidas em audiência pelo Papa Francisco em 1º de junho de 2023.

As três indígenas amazônicas enviaram uma carta, entregue pessoalmente ao “vovô Francisco” pelo cardeal Pedro Barreto, presidente da CEAMA. Nela pediam um diálogo presencial entre as três representantes indígenas e o Papa, para fortalecer os caminhos de comunhão e unidade.

Três dias depois, a Prefeitura da Casa Pontifícia enviou à Ir. Laura, Patricia e Yesica confirmando que seriam recebidas pelo Papa Francisco.

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Mas quem são essas mulheres 

Papa Francisco recebe mulheres indígenas da Amazônia. Foto: Vatican News

Yesica Patiachi

Escritora, pesquisadora, pintora e educadora do povo Harakbut, Yesica Patiachi Tayori nasceu na comunidade indígena de San José del Karene, no Departamento de Madre de Dios, no Peru.

Formada em Educação pelo Instituto Superior Pedagógico Público de Puerto Maldonado. Em 2015 o Ministério da Educação publicou seu livro “Relatos Orales Harakbut” e em 2019 “El gallinazo y el jaguar”. Ambos são textos bilíngues, em harakbut e espanhol, sendo as primeiras publicações escritas nesta língua por uma mulher indígena do mesmo povo, e traduzidas para o espanhol por ela mesma.

Participou da elaboração de livros de trabalho em Harakbut para o Ministério da Educação para estudantes que falam esta língua. Esteve como especialista em Educação Intercultural Bilíngue (EIB) na Diretoria Regional de Educação do Departamento de Madre de Dios, e Coordenadora Regional de Qualidade da Gestão Escolar do Ministério da Educação.

Em janeiro de 2018, durante a visita do Papa Francisco à cidade de Puerto Maldonado, realizou o discurso, em nome dos povos indígenas, falando da dura realidade socioambiental que enfrenta a Amazônia e seus povos. Em outubro de 2019 participou ativamente do Sínodo Amazônico como auditora.

Atualmente trabalha como professora do ensino médio, em Puerto Maldonado, e é uma das vice-presidentas da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM).

Ir. Laura Vicuña

Laura Vicuña Pereira Manso, indígena do povo Kariri, nasceu em Porto Velho, Rodônia. É filha de pais migrantes e vem de um significativo processo de autoafirmação de sua identidade indígena. Religiosa da Congregação das Irmãs Catequistas Franciscanas, é formada em antropologia, especialista em psicologia social e mestre em linguística indígena.

Irmã Laura. Foto: Vatican News

Atuou pastoralmente junto a diversas comunidades da Amazônia brasileira e peruana. Atualmente atua no Conselho Indigenista Missionário (CIMI), na defesa da Amazônia, dos seus povos e da casa comum, especialmente com o povo Karipuna. Participou do Sínodo da Amazônia em 2019 e é vice-presidenta da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA).

Esteve em diversos espaços da ONU em Nova York e Genebra, Fórum Permanente dos Povos Indígenas, para incidir diretamente e denunciar a violação dos direitos indígenas e da Amazônia.

Contribuiu com relatórios antropológicos para a identificação étnica e demarcação territorial dos povos Guarasugwe e Cassupá. Realizou estudo linguístico junto a sábios e avós indígenas das línguas Sabanê, Kwazá e Guarasugwe e publicou vários artigos sobre a Amazônia e o Serviço da Mulher na Amazônia.

Patricia Gualinga

Patricia Gualinga Montalvo, do povo Kichwa de Sarayaku, na Amazônia equatoriana, é uma renomada defensora dos direitos humanos e da casa comum.

Ao longo de sua vida, Patricia se dedicou, seguindo o exemplo de seus pais e sábios, a proteger sua comunidade das violações de direitos humanos causadas principalmente pela exploração de petróleo e pela militarização.

Em 2012, foi testemunha perante a Corte Interamericana de Direitos Humanos em um caso histórico apresentado em 2002 sobre os impactos da exploração de petróleo em sua comunidade, que terminou com a decisão do tribunal em favor do povo de Sarayaku.

Participante de vários espaços nacionais e internacionais de incidência, recebeu importantes reconhecimentos internacionais, incluindo em 2019, o Prêmio Brote Activismo Medioambiental, na Espanha; em outubro de 2021, o prêmio de coragem e liderança ALNOBA, nos EUA; em dezembro de 2021, o Prêmio Al Moumin de Direitos Humanos; e, recentemente, em 2022, o Prêmio Olof Palme de Direitos Humanos, por sua liderança na luta pela melhoria das condições de vida dos povos indígenas.

Atualmente, apoia e lidera o coletivo “Mulheres Amazônicas”, dedicado à proteção do meio ambiente, dos povos indígenas, das mulheres e direito à terra. Participou ativamente do Sínodo da Amazônia, em 2019, e é uma das vice-presidentas da CEAMA – Conferência Eclesial da Amazônia.

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Caminhos de comunhão e novos caminhos

Este encontro, para elas e quem representam, foi um passo significativo, incluindo mulheres e leigos rumo aos novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral nas comunidades eclesiais amazônicas.

“Sem dúvida, nós mulheres estamos presentes em inúmeras comunidades, estimulando e motivando as pessoas para que não percam a fé e o sentido da vida. Mas o serviço que prestamos à Igreja não é reconhecido, gerando tensões que poderiam ser superadas com o reconhecimento de novos ministérios para as mulheres de acordo com a urgência da realidade sociopastoral da Igreja na Amazônia”.

De um belo processo de escuta pessoal e coletiva, as mulheres levaram consigo uma carta de partilha e clamores que os povos indígenas e a Igreja amazônica vivenciaram nos últimos anos ao semear a semente por uma Igreja sinodal e ministerial, e na defesa da vida dos povos e seus territórios.

Como CEAMA e REPAM celebramos este encontro, que continuará fortalecendo as raízes semeadas pelo Sínodo da Amazônia, por uma Igreja em saída, samaritana e servidora, como o Papa pediu.

*Com informações do Vatican News

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Relembre quando Papa Francisco usou vestes litúrgicas feitas por amazonense

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Papa Francisco usou vestes litúrgicas feitas por amazonense. Foto: Vatican News

Papa Francisco usou, em outubro de 2023, uma veste litúrgica feita por um amazonense durante uma Missa no Vaticano. Segundo a Igreja, as vestes foram feitas por Juan Gabriel Albuquerque Ramos, que é natural de Manaus, e foram usadas pelo pontífice durante o encerramento do Sínodo.

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O cardeal e arcebispo de Manaus, dom Leonardo Steiner, foi um dos participantes do encontro, que discutiu os rumos da igreja para o futuro. 

Os tons mais claros de verde nas vestes do Papa foram associados às folhas mais jovens das árvores, enquanto os tons mais escuros lembraram as folhas mais antigas. Esse detalhe simbólico buscou criar uma harmonia visual nos paramentos, celebrando a variedade presente na Amazônia.

Saiba mais: Quem é Dom Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus que irá participar do conclave

Papa Francisco usou vestes litúrgicas feitas por amazonense. Foto: Vatican News

“Sua inspiração e criatividade na concepção das vestes refletiram a essência do sínodo dos bispos, que, ao longo do seu caminho sinodal, trouxe à tona diferentes perspectivas e expressões da mesma fé, promovendo um diálogo e a sinergia entre os membros da igreja“.

Leia também: Papa recebeu carta sobre proteção das florestas e dos povos originários das mãos do Cacique Raoni; relembre

Juan Gabriel

O responsável por esse projeto foi o artista brasileiro Juan Gabriel Albuquerque Ramos, natural de Manaus. Sua inspiração e criatividade na concepção das vestes refletiram a essência do Sínodo dos Bispos, que, ao longo de seu caminho sinodal, trouxe à tona diferentes perspectivas e expressões da mesma fé, promovendo o diálogo e a sinergia entre os membros da Igreja.

Papa Francisco usou vestes litúrgicas feitas por amazonense. Foto: Vatican News

Papa e a Amazônia

Nos últimos anos, o Papa demonstrou preocupação com a Amazônia. Além de ter escrito diversos documentos que falam sobre o bioma e a sua importância para a preservação do planeta, também convocou um sínodo para debater a evangelização na região. O encontro aconteceu em 2019 e contou com a participação de bispos e representantes de toda a Pan-Amazônia. 

*Com informações do g1 AM e Vatican News

Rondônia e o Papa Francisco: uma conexão especial

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Papa Francisco recebe das mãos do arcebispo de Porto Velho, dom Roque, uma obra de arte produzida em Rondônia. Foto: divulgação

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

A morte do Papa Francisco trouxe tristeza para o mundo todo. Duas palavras resumem seu legado: tolerância e compaixão. Ele deixou sua marca não apenas na Igreja Católica, mas também em corações ao redor do mundo.

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Rondônia tem uma conexão especial com o Papa Francisco. Ele recebeu em Roma o livro “O Papa Francisco e o Meio-Ambiente”, do escritor católico José Dettoni, ex-reitor da UNIR e membro da Academia Rondoniense de Letras. A obra foi entregue pelo arcebispo de Porto Velho, Dom Roque Paloschi.

Além disso, uma pintura a óleo sobre tela da artista Edna Costa, retratando a Catedral de Nossa Senhora do Seringueiro, de Guajará-Mirim, foi entregue ao Papa Francisco, em outra ocasião, por Dom Roque Paloschi.

Papa Francisco recebe das mãos do arcebispo de Porto Velho, dom Roque, uma obra de arte produzida em Rondônia. Foto: divulgação

Leia também: Papa recebeu carta sobre proteção das florestas e dos povos originários das mãos do Cacique Raoni; relembre

O Papa dava importância à região e às suas causas. Ele foi um defensor incansável da questão ambiental e dos direitos dos povos indígenas. Sua empatia e diálogo foram notáveis, inclusive com outras religiões. Francisco sempre enfatizou que todas as formas de opressão e fundamentalismo fazem mal à humanidade. “O diálogo é a ponte que nos conduz à paz e a Deus”, afirmou.

De Manaus: Dom Leonardo Steiner pode ser um dos possíveis substitutos do Papa; entenda

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Arcebispo de Manaus, Dom Leonardo Steiner. Foto: Alberto Pizzoli/AFP

O cardeal e arcebispo de Manaus, Dom Leonardo Steiner, está na lista do Vaticano para participar do Conclave, que é a eleição que definirá o novo pontífice. Com a morte do Papa Francisco, nesta segunda (21), o processo deve começar em até 20 dias.

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Pelas regras da Igreja Católica, apenas cardeais com menos de 80 anos podem votar. Entre os oito cardeais brasileiros, sete atendem a esse critério. Confira a lista:

  • Leonardo Ulrich Steiner, arcebispo de Manaus, 74 anos.
  • Sérgio da Rocha, Primaz do Brasil e arcebispo de Salvador, 65 anos.
  • Jaime Spengler, presidente da CNBB e arcebispo de Porto Alegre, 64 anos.
  • Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, 75 anos.
  • Orani Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, 74 anos.
  • Paulo Cezar Costa, arcebispo de Brasília, 57 anos.
  • João Braz de Aviz, arcebispo emérito de Brasília, 77 anos.
Arcebispo de Manaus está entre os são brasileiros que vão participar do Conclave. — Foto: Caíque Rodrigues/g1 RR

O único cardeal brasileiro que não poderá participar do Conclave é Raymundo Damasceno, arcebispo emérito de Aparecida, de 87 anos. Ainda assim, ele será convidado a integrar o Colégio dos Cardeais, que discutirá assuntos inadiáveis da Igreja até a escolha do novo papa.

No total, segundo o Vaticano, 138 cardeais estão aptos a participar da votação.

Segundo o padre Amarildo Luciano, pároco do Santuário Nossa Senhora Aparecida, em Manaus, a igreja passa a viver o período de Sé Vacante, quando o trono de São Pedro está vago.

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“Primeiramente temos aa constatação da morte, depois o governo da igreja passa a ser executado pelo cardeal Camerlengo, que atualmente é o cardeal Farrell, e é ele quem vai conduzir o funeral e convocar o próximo conclave”, explicou.

Arcebispo de Manaus, Dom Leonardo Steiner. Foto: divulgação

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Como funciona o Conclave

A palavra “conclave” vem do latim cum clavis e significa “fechado à chave”. É por meio dele que a Igreja Católica elege o novo papa.

Durante os dias de eleição, cardeais do mundo todo ficam fechados dentro do Vaticano, em uma área conhecida como “zona de Conclave”. Eles também fazem um juramento de segredo absoluto sobre o processo.

Todos os cardeais que participam da eleição ficam impedidos de utilizar qualquer meio de comunicação com o exterior. Ou seja, eles não podem usar telefones, ler jornais ou conversar com pessoas de fora do Vaticano. Essas medidas foram adotadas para evitar que a votação seja influenciada.

As votações acontecem dentro da famosa Capela Sistina. Para ser eleito, um cardeal precisa receber dois terços dos votos que — são secretos e queimados após a contagem.

Para Francisco e Cardeais: Foto/Vatican News

Ao todo, até quatro votações podem ser realizadas diariamente, sendo duas pela manhã e duas à tarde. Se, depois do terceiro dia de conclave, a Igreja continuar sem papa, uma pausa de 24 horas é feita para orações. Outra pausa pode ser convocada após mais sete votações sem um eleito.

Caso haja 34 votações sem consenso, os dois mais votados da última rodada disputarão uma espécie de “segundo turno”. Ainda assim, será necessário atingir dois terços dos votos para que um deles seja eleito.

Quando um cardeal é eleito, a Igreja questiona se ele aceita o cargo de papa. Se ele concordar, o religioso também precisa escolher um nome. Em seguida, ele é levado para um ambiente conhecido como “Sala das Lágrimas”, onde veste as vestes papais.

Por fim, o novo papa é anunciado à multidão que aguarda na Praça de São Pedro. O pontífice é apresentado diretamente da sacada da Basílica, onde é proclamada a famosa frase “Habemus Papam” (“Temos um Papa”).

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Por g1 AM

Papa recebeu carta sobre proteção das florestas e dos povos originários das mãos do Cacique Raoni; relembre

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Papa recebeu a carta das mãos do Cacique Raoni. Foto: Reprodução/Vaticano

Um encontro movimentou o Vaticano no dia 16 de maio de 2024. O Cacique Raoni, umas das lideranças indígenas mais importantes do Brasil, entregou para o Papa Francisco uma carta com o pedido de ajuda no trabalho de conscientizar os políticos brasileiros sobre a importância da preservação do meio ambiente e dos povos originários.

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Na época, o líder indígena foi para a sede da igreja católica para participar do seminário “Da crise climática à resiliência climática”, promovido pelas Pontifícias Academias das Ciências e das Ciências Sociais e realizado de 14 a 17 de maio na Casina Pio IV.

Em seu discurso, o Papa sublinhou que “os dados sobre as mudanças climáticas pioram a cada ano e portanto, é urgente proteger as pessoas e a natureza”. Francisco parabenizou “as duas Academias por liderarem este esforço e produzirem um protocolo de resiliência universal. As populações mais pobres, que pouco têm a ver com as emissões poluentes, precisarão receber maior apoio e proteção”.

Saiba mais: Portal Amazônia responde: quem é o Cacique Raoni?

O abraço de Francisco a Raoni. Foto: Reprodução/Vaticano

Os pobres são os que mais sofrem com as mudanças climáticas

“A destruição do ambiente é uma ofensa a Deus, um pecado que não é apenas pessoal, mas também estrutural, que coloca seriamente em perigo todos os seres humanos, especialmente os mais vulneráveis, e ameaça desencadear um conflito entre gerações”, disse o Papa, que perguntou: “Estamos trabalhando em prol de uma cultura da vida ou de uma cultura da morte?”

Francisco recebeu em audiência o cacique brasileiro, Raoni Metuktire, no Vaticano / Foto: VaticanMedia

Estamos diante de desafios sistêmicos distintos, mas interligados: as mudanças climáticas, a perda da biodiversidade, a degradação ambiental, as desigualdades globais, a insegurança alimentar e uma ameaça à dignidade das populações envolvidas. Se não forem abordados de forma coletiva e urgente, esses problemas representam ameaças existenciais para a humanidade, para outros seres vivos e os ecossistemas.

“Mas que seja claro: são os pobres da Terra que mais sofrem, apesar de serem os que menos contribuem para o problema. As nações mais ricas, cerca de um bilhão de pessoas, produzem mais da metade dos poluentes que retêm o calor. Contrariamente, os três bilhões de pessoas mais pobres contribuem com menos de 10%, mas arcam com 75% das perdas resultantes. Os 46 países menos desenvolvidos, em sua maioria africanos, são responsáveis por apenas 1% das emissões globais de CO2. Ao invés disso, as nações do G20 são responsáveis por 80% dessas emissões”.

Saiba mais: Cacique Raoni

Cacique Raoni

Cacique Raoni, como é conhecido, talvez seja o líder indígena mais famoso do país. Nascido em 1930, no Mato Grosso, na vila Krajmopyjakare, hoje conhecida como Kapôt, ele pertence ao povo Kayapó e aprendeu português com os irmãos Villas-Bôas. Raoni conquistou fama internacional por sua luta pela preservação da Amazônia. A marca registrada é o adorno em forma de disco que usa no lábio inferior.

Cacique Raoni. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

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Na Internet, são comuns imagens dele ao lado de personalidades internacionais como o cantor Sting e o ex-presidente francês Jacques Chirac. O cacique também é figura comum em protestos e mobilizações indígenas em todo o Brasil, seja em pequenos municípios ou na capital federal. Seu nome já foi cotado mais de uma vez para candidato ao prêmio Nobel da Paz, mas a iniciativa ainda não se concretizou.

Uma das características culturais que chama bastante atenção quando se observa o cacique é um grande alargador em sua boca, cuja simbologia representa um guerreiro disposto a morrer pela sua tribo. O cacique também costuma usar um cocar de penas amarelas.

No site do Instituto Raoni, que reúne informações sobre sua história, descrevem: “Teve forte atuação na Assembleia Constituinte em 1987 e 1988 junto ao movimento indígena, a qual resultou na inclusão dos direitos fundamentais dos povos indígenas na Constituição Federal de 1988. Em 1989, conseguiu mobilizar a imprensa mundial para a cobertura do “Primeiro Encontro dos Povos Indígenas do Xingu”, em Altamira (PA), contra a construção do Complexo Hidrelétrico do Xingu (que incluía a usina Kararaô, que retornaria anos depois como Usina Hidrelétrica de Belo Monte), resultando no abandono do projeto”. 

*Com informações do Vatican News

Cercado por fazendas, povo Rikbaktsa luta para manter modo de vida

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Terra Indígena Erikpatsa, do Povo Rikbaktsa. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

“A gente nunca irá deixar de ser indígena”. É com essa frase que o cacique Ademir Rikbakta, da aldeia Beira Rio, da Terra Indígena (TI) Erikpatsa, fala sobre a importância da preservação da cultura do povo Rikbaktsa.

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“A gente conversa muito com a comunidade. Aprendi assim com meu pai. A gente conversa muito na língua. Temos dança tradicional e a chicha é nossa bebida. Nunca vamos deixar de fazer cultura. Hoje, estou com meu povo lutando”.

A luta da qual fala o cacique Ademir Rikbakta fica clara quando se sobrevoa a região. Os trechos de Floresta Amazônica disputam espaço com as fazendas de cultivo de soja e milho e de criação de gado. A Terra Indígena, cercada por lavoura, sente os impactos de ter cada vez menos caça e menos peixes nos rios, além de contar menos polinizadores para manter as plantas da região.

Os Rikbaktsa, de acordo com o Instituto Socioambiental (ISA), vivem na bacia do Rio Juruena, no noroeste do Mato Grosso, nas TI Erikpatsa, Japuíra e Escondido. São 34 aldeias distribuídas pelos territórios, e o povo tem um histórico de luta em defesa de suas terras: até 1962, os Rikbaktsa resistiram contra os seringueiros que avançavam na região para a extrair borracha. 

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Terra Indígena Erikpatsa, do Povo Rikbaktsa. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Na década de 1960, os jesuítas, financiados pelos seringueiros, foram os responsáveis pela chamada “pacificação” do povo. O processo levou à dificuldade do ensino da língua materna, uma vez que as crianças, em internatos, eram punidas ao falarem o próprio idioma e obrigadas a se comunicar em português. Com isso, a língua Rikbaktsa passou a ser a segunda mais falada, principalmente entre a população mais jovem. A dita pacificação também levou ao adoecimento e morte de 75% da população e à perda de território.

Hoje, a população voltou a crescer, mas as disputas fundiárias na região permanecem, de acordo com o ISA, principalmente contra madeireiros e garimpeiros.

“O que a gente tem aqui dentro da nossa comunidade é cultura. A nossa cultura é o povo”, diz o cacique Ademir Rikbakta. “É isso que a gente quer passar também para essas novas gerações, esses ensinamentos. Desde os anciãos até hoje, a gente veio aprendendo também”.

Terra Indígena Erikpatsa, do Povo Rikbaktsa. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A esposa do cacique, Angélica Zokdo, também luta pela resistência da cultura. “Eu, como mãe, sempre eu falo: vocês têm que aprender a fazer. A gente, como mãe, está ensinando a essas crianças que estão vindo agora também, para, depois, eles mostrarem [a cultura], como a gente está mostrando. No dia em que a gente não estiver mais, vai ficar para eles”, diz.

Os Rikbaktsa dividem-se em clãs, sendo os principais Makwaraktsa, que significa arara amarela, e Hazobiktsa, ou arara cabeçuda, que é vermelha. Cada clã e sub grupo da etnia tem a sua pintura corporal específica, com pinturas, artesanato, dança e música.

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Avanço das lavouras

Embora a busca seja por manter os costumes, os indígenas não encontram mais no território tudo que precisam para sobreviver. Na aldeia Pé De Mutum, na TI Japuíra, o cacique Francisco Rikbaktsa chamou atenção para o avanço das lavouras.

Terra Indígena Erikpatsa, do Povo Rikbaktsa. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

“A gente era grande e tinha fartura de peixe e carne de animais. Vocês estão vendo que as coisas estão diminuindo para nós. Nosso costume é comer esses alimentos tradicionais. Hoje, estamos cercados. Em volta, é lavoura, e tem a questão de contaminação da água por agrotóxico. Vocês estão vendo, estão pisando aqui dentro da nossa aldeia, dentro da área indígena. Eu falo isso para vocês, porque a gente também sofre que nem um de vocês”, discursou para os visitantes. 

Na aldeia Barranco Vermelho, na TI Erikpatsa, Lauro Ruwai Rikbakta foi um dos responsáveis pela refeição servida à reportagem, com caça e peixes. Ele contou que está cada vez mais difícil encontrar os animais.

“A gente fez o impossível. Esta aqui é anta, e este aqui é peixe”, disse, apontando para cada um dos alimentos servidos. “Aqui perto, começaram a plantar milho e soja. Então, o animal vai para o lugar mais fácil de buscar alimento para ele, em vez de estar aqui dentro do mato”.

A caça, que era encontrada com uma caminhada de um quilômetro (km), agora está a cerca de 15 km. Para encontrar alguns animais específicos, é preciso andar ainda mais, cerca de 60 km. Os alimentos colhidos também estão mais escassos. “A nossa roça [plantação] é a cidade, eu vou falar a verdade”.

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Terra Indígena Erikpatsa, do Povo Rikbaktsa. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Cultura na educação

Nas aldeias, o desafio é fazer com que os mais jovens se interessem pelas tradições e conheçam a cultura da qual fazem parte. Uma das estratégias é incorporar o ensino nas escolas do território. Pelo menos uma vez por semana, os estudantes têm aulas sobre práticas culturais, aprendem a língua rikbaktsa, as danças e os costumes.

O professor Givanildo Bismy, da Escola Estadual Myhyinymykyta, em Barranco Vermelho, está terminando o mestrado, no qual estuda literatura indígena. Ele busca trazer para as salas de aula esses ensinamentos.

“É transformar para que as crianças possam ter o conhecimento das histórias. Isso é uma coisa muito importante para nós. A gente já começa a fluir, já começa a ser o protagonista da nossa própria história, do próprio nosso povo. Nós, indígenas, do próprio povo, estamos escrevendo a nossa história, que não tem ninguém que escreveu assim. E a gente começou agora”, diz o professor.

Uma das dificuldades para o ensino da cultura é justamente a falta de materiais específicos. “A gente tem muito pouco esse material próprio que é do nosso povo Rikbaktsa. A gente recebe os materiais de fora, que às vezes não servem para nosso povo. Não é de acordo com o que a gente quer”, diz a professora Gesilene Aikdopa, da mesma escola.  

Na Escola EstaduaI Indígena Pé de Mutum, o professor André Apyton, responsável pelo ensino da língua, diz que a falta de materiais impacta no ensino. Até mesmo porque, lá, os alunos não conseguem praticar em casa, pois muitas famílias têm o português como primeiro idioma.

“A ideia é que eles aprendam com as famílias a fala na língua materna e, na escola, eles aprenderiam mais a escrita. Mas isso não vem acontecendo. As famílias não falam. Só os mais idosos que têm domínio da língua. Aí, em casa, geralmente os pais também já não falam mais”, diz.

Retorno para a comunidade

Para Gesilene Aikdopa, a intenção do ensino da cultura não é manter os jovens nas aldeias necessariamente, mas que eles conheçam, defendam o povo e possam, caso sigam os estudos fora, voltar e trazer os conhecimentos para a comunidade.

“Da mesma forma que eles cresceram, nasceram aqui, a gente tenta formá-los em cada profissão para que eles defendam a gente também. Porque têm muitos vindo para a aldeia tirar coisas nossas. Então, a gente também forma para trazer retorno para a comunidade”.

Cumprir essa expectativa é o sonho de Rogerderson Natsitsabui, da aldeia Pé de Mutum. Hoje, aos 30 anos, ele segue na aldeia participando de projetos e se aprimorando, com o sonho de cursar direito para advogar pelo próprio povo.

“Eu acredito que, futuramente, eu vou, se Deus quiser, ingressar numa faculdade. Para mim, isso é um avanço, mas eu nunca vou deixar o que eu aprendi aqui”, diz. “Meu foco, desde quando eu comecei a participar de mobilizações, sempre foi direito. Eu nunca desisti disso”.

Assim como diz o cacique Ademir Rikbakta, para Rogerderson Natsitsabui, algumas coisas podem mudar, mas ele nunca deixará de ser indígena.

“No mundo afora, têm pessoas que têm uma visão dos povos indígenas em que, se eu estou com um iPhone meu, eu perdi a minha cultura, eu não falo mais a minha língua materna. A gente precisa mostrar [que não é assim], levar [nossa cultura] daqui para fora, mostrar quem somos. Isso eu acredito que nos fortalece”.

*Com informações da Agência Brasil



Expedição científica é feita na Reserva Biológica do Parazinho no Arquipélago do Bailique para conservação

Expedição científica em Macapá — Foto: Divulgação/Sema

A primeira expedição científica multidisciplinar de 2025 foi feita na Reserva Biológica do Parazinho (Rebio), localizada na Foz do Rio Amazonas, no arquipélago do Bailique, distrito de Macapá, neste mês de abril. O material e informações coletados durante a passagem vão servir para o plano de estratégias de conservação da região.

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Euryandro Costa, que é coordenador de Gestão de Unidades de Conservação e Biodiversidade da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), disse que o local é restrito à pesquisas e ao turismo ecológico, sendo única unidade de proteção integral sob gestão estadual na foz.

“A Rebio do Parazinho é uma das áreas mais sensíveis e estratégicas para a conservação da biodiversidade costeira no estado […] ela tem um papel fundamental na manutenção dos processos ecológicos naturais e na proteção de espécies da fauna e flora. Portanto, o conhecimento gerado pelas expedições científicas é essencial para fundamentar decisões de gestão mais eficazes, que assegurem a integridade ecológica da reserva”, disse.

Saiba mais: Arquipélago do Bailique

Estiveram presentes pesquisadores e técnicos da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), Instituto de Pesquisas do Amapá (Iepa) e Universidade do Estado do Amapá (UEAP), que realizaram procedimentos como:

  • Atuação nas frentes de monitoramento territorial;
  • Qualidade da água;
  • Ictioplâncton;
  • Fitoplâncton;
  • Fauna;
  • Vegetação;
  • Lixo antropogênico fluviomarinho.
Expedição científica em Macapá — Foto: Divulgação/Sema

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Sobre a Reserva:

A Reserva Biológica do Parazinho é uma das importantes áreas de proteção integral da região amazônica, desempenhando um papel fundamental para a conversação da biodiversidade da foz do maior rio Amazonas. Esta é a sexta jornada realizada contando com as de 2024 e a primeira de 2025.

Expedição científica em Macapá — Foto: Divulgação/Sema

A reserva criada em 1985 está sob jurisdição legal da Sema, ela abrange um sistema costeiro no sudeste do Amapá, que inclui diversos processos devido aos sedimentos espalhados na extensão e demais além dos atmosféricos, oceanográficos e amazônicos.

“As equipes que trabalham nas pesquisas, são profissionais especializados e altamente capacitados que enriquecem o trabalho de elaboração de planos e programas voltados para a reserva. Além disso, o trabalho desenvolvido em conjunto entre as instituições norteiam iniciativas promissoras no campo de pesquisas e na proteção do bioma desta importante área costeira”, contou a secretária de Estado do Meio Ambiente, Taísa Mendonça.

Por Isadora Pereira, g1 AP — Macapá

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