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Oito filmes para entender como retratam a realidade do povo nortista

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‘Ela mora logo ali’. Foto: Divulgação

Você já parou para pensar em quantas vezes consumiu o cinema produzido no Norte do Brasil? Ou se já teve a oportunidade de prestigiar alguma obra feita na região?

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Apesar da riqueza cultural, o cinema nortista ainda é pouco explorado no audiovisual brasileiro. Para enaltecer as obras regionais, reunimos junto ao diretor paraense San Marcelo, oito produções que colocam a Amazônia como protagonista:

Ela mora logo ali (Rondônia)

De que forma a literatura pode impactar o cotidiano da vida das pessoas? O curta-metragem ‘Ela mora logo ali’ aborda exatamente isso: como a literatura tem o poder de transformar a realidade.

O filme, vencedor de diversos festivais de cinema, conta a história de uma humilde ambulante e mãe atípica, cujo cotidiano muda ao conhecer uma jovem leitora no caminho de volta para casa. A partir desse encontro ela embarca em uma jornada de novas descobertas e desafios para encontrar um bom livro para seu filho. O filme está disponível em plataforma de streaming.

O Território (Rondônia)

Vencedor do Emmy 2023, o filme documental conta a história do povo Uru-eu-wau-wau na luta contra o desmatamento causado por grileiros e posseiros ilegais.A obra foi gravado em Rôndonia e coloca o público no centro do conflito através das rotinas da ativista Neidinha e de Bitaté, um jovem Uru-eu-wau-wau, que arriscam suas vidas para salvar a floresta, utilizando da tecnologia e equipes independentes para expor e revidar os crimes cometidos contra a amazônia brasileira. O documentário na plataforma Disney.

Aqui en la Frontera (Roraima)

Umas das maiores crises imigratórias da América Latina, ganha um novo olhar. O documentário filmado na froteira da Venezuela com o Brasil, conta três distintas histórias de venezuelanos que, de certa forma, são guiados pelo mesmo desejo: o recomeço.

O filme retrata as histórias de Stephanny, que precisa retornar a Venezuela para buscar a filha. A versão de Francis uma mulher trans e líder de um abrigo de refugiados militarizado pelo governo brasileiro. E Argenis que organiza uma ocupação com mais de 300 venezuelanos, sob ordem de despejo. A obra está disponível em plataforma de streaming.

O Barulho da Noite (Tocantins)

Uma dramática história envolve uma família da zona rural de Tocantins. Sônia, uma mãe que se sente invisibilizada e castigada pelas lembranças do passado. Agenor, um pai dedicado e afetuoso. E as filhas Maria luiza e Ritinha. A chegada de Athayde, sobrinho e ajudante da roça de Agenor, irá alterar toda a estrutura familiar.

“O Barulho da Noite”, retrata a perda de ingenuidade e o grito por socorro e está disponível em plataforma de streaming.

Terruá Pará (Pará)

“Terrua Pará”, aborda a diversidade da música paraense. O retrato da riqueza cultural do estado, através dos depoimentos de personagens como Dona onete, Manoel Cordeiro e Pio Lobato. O documentário busca representar o espirito do Pará, as origens e diferentes formas da música no estado. O documentário está disponível na Prime Vídeo.

O barco e o Rio (Amazonas)

As irmãs Vera e Josi, cuidam sozinhas de uma simples embarcação herdada pela família em Manaus. Ambas com diferentes personalidades. Enquanto uma é religiosa e se preocupa com o barco, a outra prefere beber e viver sua sexualidade com os homens do porto. Ao mesmo tempo que viam destinos diferentes para o futuro do barco. O curta-metragem está disponível em plataforma de streaming.

Noites Alienígenas (Acre)

Os jovens Sandra, Paulo e Rivelino, amigos de infância que cresceram na periferia de Rio Branco, acabam se reencontrando devido a uma tragédia em comum.O longa utiliza de elementos fantasiosos para retratar a chegada das facções criminosas do sudeste do Brasil à Amazônia urbana.

O filme retrata os impactos causados na vida dos três amigos, que de maneiras distintas sofrem pelo mesmo motivo: a criminalidade. O filme está disponível no Globoplay.

Zeca Xibelão e Lindolfo Monteverde: os nomes por trás dos currais dos bois Caprichoso e Garantido

Fotos: Reprodução

O Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas, é uma das mais vibrantes expressões culturais do Brasil. Celebrando a disputa entre os bois-bumbás Caprichoso e Garantido, a festa é movida por emoção, tradição e personagens que se tornaram lendas na história da manifestação.

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Entre os nomes que fazem a tradição do boi-bumbá permanecer viva, dois se destacam por terem sido eternizados nos currais das agremiações: Zeca Xibelão, do Caprichoso, e Lindolfo Monteverde, do Garantido.

Quem foi Zeca Xibelão?

Zeca Xibelão
Zeca Xibelão como tuxaua. Foto: Reprodução/Facebook-Boi Caprichoso

Azul e branco de corpo e alma, José Thomaz Monteiro Neto, apelidado de Zeca Xibelão, foi o primeiro tuxaua do boi caprichoso. Com um bailado inconfundível e indumentárias luxuosas e ousadas feitas artesanalmente pelo brincante, Zeca marcou a história do bumbá. 

Em sua indumentária mais famosa havia desenhado a imagem da padroeira de Parintins, Nossa Senhora do Carmo. O apelido ‘Xibelão’, foi dado a ele pelo grande Bispo Dom Arcângelo Cérqua, já que seu rosto possuía um formato arredondado, parecido com a aparência de quem se alimenta de xibé.

Foto: Lucas Silva/Amazonastur

Mesmo católico, Xibelão adotou a identidade tribal na brincadeira, e foi graças a ele que a estética da arte indígena foi introduzida no Festival de Parintins. O elemento foi inicialmente muito criticado pelo boi contrário, mas aos poucos se adaptou e incorporou também em suas apresentações.

De acordo com informações do site oficial do bumbá, o curral do Caprichoso, local onde os ensaios e eventos são realizados, leva seu nome em uma homenagem sugerida pelo ex-presidente do boi, João Andrade, que reconhece a trajetória do primeiro tuxaua da história do boi negro, além do seu mérito como um brincante marcante na história do bumbá. 

Leia mais: Você sabe qual a origem do Festival Folclórico de Parintins?

Quem foi Lindolfo Monteverde?

Lindolfo Monteverde e o Boi Garantido. Foto: Reprodução/ Instagram Garantido

Lindolfo Monteverde era um homem simples do interior amazônico, pescador, plantador de juta e de roça, criou o Boi Garantido desafiando tradições, tornando-se renomado versador e cantador.

Fundando a agremiação a partir de uma promessa feita a São João Batista, Lindolfo prometeu que, se fosse curado de uma doença grave, criaria um boi para alegrar as festas juninas. Curado, cumpriu sua promessa com devoção, dando vida ao Boi Garantido, símbolo da fé de Lindolfo.

Foto: Lucas Silva/Amazonastur

De acordo com informações oficiais do boi de coração vermelho, Monteverde tornou-se um mestre versador e cantador reconhecido não apenas por sua habilidade musical, mas também pela forma como conduzia o boi com autenticidade e sensibilidade.

Faleceu em 27 de julho de 1979, e em sua homenagem, o curral oficial do boi leva seu nome. Além disso, desde 2012, o dia 2 de janeiro também é marcado como o ‘Dia da Tradição’, uma data especial dedicada a celebrar Lindolfo e tudo que ele representa para o Garantido.


Mário Ypiranga e Moacir Andrade inauguram nova forma de pensar antropologia no contexto amazônico, diz pesquisa

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Foto: Divulgação/Ufam

A pesquisa ‘Trajetórias de vida e antropologia em Mário Ypiranga Monteiro e Moacir Andrade‘, coordenada pelo professor titular em Antropologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Sérgio Ivan Gil Braga, inaugura uma nova forma de pensar antropologia no contexto amazônico que está baseada em um conhecimento prático, consubstanciada nas próprias vivências e nas etnografias produzidas.

Esses são os resultados apresentados pelo Grupo de Pesquisa NAURBE – Cidades, culturas populares e patrimônios sobre a pesquisa que aborda o cotidiano amazonense nas produções textuais, fotografias, pinturas e desenhos de dois amazonenses que alcançaram notoriedade a partir de meados do século passado, e os contatos pessoais que mantiveram com outros pesquisadores e escritores.

Mário Ypiranga Monteiro (1909-2004) e Moacir Couto de Andrade (1927-2016) tiveram um proposito que os levou a Antropologia, ao círculo de relações com folcloristas ou antropólogos, os quais tiveram influência em seus trabalhos, ou na forma como condu­ziram suas pesquisas de campo, como também as relações com os seus colaboradores sobre os quais reuniram informa­ções, além de características e estilos de escrita encontrados na produção textual de cada um deles.

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Conhecimento prático

Sérgio Ivan entende que “ainda há muitos caminhos a percorrer, nas trajetórias de vida e antropologia em Mário Ypiranga Monteiro e Moacir Andrade, bem como a outros autores que trabalharam na região. Quando se trata de as­sumir o desafio de escrever sobre o pensamento antropológico da Amazônia, sob o signo do folclore e da cultura popular. Re­conhecemos, que empreendemos os primeiros passos nesse sentido, com vistas a explorar várias perspectivas de estudo e interpretações sobre diferentes temas da cultura amazônica. Com muita satisfação, encontramos em Mário e Moacir, uma antropologia baseada em um conhecimento prático, consubstanciada nas próprias vivências desses autores e nas etnografias que produziram em suas bibliografias”.

De acordo como o coordenador da pesquisa, as elaborações teóricas, no âmbito do folclore e da antropologia, assumiram a feição de um ‘conhecimento prático’, fundamentado na realidade dos autores e nas relações estabelecidas com os seus interlocutores de pesquisa.

Braga acredita que Mário e Moacir podem ser vistos como verdadeiros ‘guardiões’ da cultura local de Manaus e regional, no âmbito do Estado do Amazonas.

“Entendimento esse, nem sem­pre acessível a um público mais amplo, que não raro atribuiu aos ditos ‘folcloristas’, a pecha de um conhecimento saudosis­ta ou ultrapassado”, completou.

Métodos de pesquisa

A natureza da pesquisa priorizou consultas as bibliografias dos autores e fontes primárias envolvendo documentos, correspondências (no caso de Mário Ypiranga), desenhos e pinturas (no caso de Moacir Andrade), originais de livros, artigos publicados em jornais, objetos pessoais (cadernos e cadernetas de campo, no caso de Mário Ypiranga), fotografias, dentre outros. Foi feito fichamento do material pesquisado, com vistas a análise e produção textual dos resultados da pesquisa.

Os equipamentos utilizados foram computadores, impressora, projetor de vídeo, imprescindíveis para o tratamento das informações de pesquisa. O maior investimento na pesquisa, entretanto, foi o potencial humano, que representou mais de dois anos de dedicação quase que diária, envolvendo consultas as bibliografias, fontes primárias, obras artísticas, fichamentos e escritas das produções antropológicas dos autores.

Influência de autores

Foram pesquisados nos autores, vários temas da cultura regional do Amazonas e da cidade de Manaus, envolvendo expressões materiais e imateriais, como festas religiosas e populares, trabalhadores ou artífices em meio urbano ou rural, mitologias amazônicas, cultivos e beneficiamentos de produtos regionais (mandioca, guaraná), artefatos, grupos folclóricos etc.

Leia também: Documentário retrata trajetória antropológica de Mário Ypiranga Monteiro e Moacir Andrade em Manaus

Observa-se a predominância dos estudos de campo, com ênfase na observação participante, resultando em elaboradas etnografias. Há certa influência nos autores da Antropologia Cultural de Franz Boas e, de forma mais explícita, em Mário Ypiranga Monteiro, citações textuais do próprio Boas, como também de Ruth Benedict, antropóloga norte-americana, orientanda de Boas.

Sérgio Ivan observa também em Mário Ypiranga, ideias e citações da antropologia clássica inglesa, com destaque para o antropólogo Bronislaw Malinowski. Por outro lado, Moacir Andrade prioriza para descrição, certas memórias vividas no passado, não raro em seu tempo de criança e adolescência, lançando mão do recurso de narrativas de situações e acontecimentos vários, considerados importantes para este autor, na abordagem dos temas amazônicos.

Desdobramentos da pesquisa

A partir da pesquisa, houve o desdobramento em um vídeo documentário de 6m30s, com a participação de toda a equipe da pesquisa, explicando ao público, os objetivos, procedimentos e resultados alcançados. O título do vídeo é o mesmo atribuído ao projeto de pesquisa: “Trajetórias de vida e Antropologia em Mário Ypiranga Monteiro e Moacir Andrade”.

Além disso, foram produzidos dois livros, um autoral e outro coletânea de textos:

  • Trajetórias de vida e Antropologia em Mário Ypiranga Monteiro e Moacir Andrade (Editora Valer, 2025)
  • Mário Ypiranga Monteiro e Moacir Andrade em perspectiva – organizado por Sérgio Ivan Gil Braga (Editora Valer, 2025)

Os livros serão lançados no dia 4 de julho de 2025, às 17h30, no Salão Verde da Livraria e Editora Valer, localizada no Largo de São Sebastião, Manaus (AM).

A pesquisa recebeu financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) – Programa Humanitas CT&I – Edital nº 005/2022 – Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (SEDECTI) – Governo do Estado do Amazonas.

*Com informações da Ufam

Primeiro Atlas Geográfico Escolar sobre o Amapá é lançado

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Foto: Jorge Júnior/Rede Amazônica AP

Lançado oficialmente nesta segunda-feira (23), primeiro atlas geográfico escolar conta com detalhes sobre o estado do Amapá. Foram impressos 33 mil exemplares que serão distribuídos em escolas públicas e em universidades. A versão digital do atlas está disponível para a consulta por meio do site da Unifap. Confira AQUI.

O trabalho foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Amapá (Unifap), da Universidade do Estado do Amapá (Ueap) e do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa).

“Nós fomos em cada um dos 16 municípios e fizemos uma fotografia de drone. Tentamos contar a história daquele município em que baseia-se a sua economia, a questão das populações tradicionais e as unidades de conservação desses municípios”, disse Orleno Marques, autor do atlas.

Leia também: Amapá lança Atlas que orienta novos investimentos em usinas eólicas e solares

O livro conta com 40 mapas que mostram detalhadamente os aspectos das florestas, rios solos, além de outros aspectos como o econômico e o populacional, bacias hidrográficas e muitos outros.

Foto: Jorge Júnior/Rede Amazônica AP

A publicação é dividida por sessões, incluindo:

  • Cartografia e ensino de geografia: com recursos didáticos, escalas e metodologia de elaboração do atlas;
  • Mapas políticos e divisões regionais: que explica sobra a evolução dos municípios dando um contexto histórico e político;
  • Mapas de regiões naturais: que aborda a geomorfologia, geologia, redes hidrográficas, bacias hidrográficas, zona costeira e outros;
  • Mapas Socioeconômicos: que indicam a população, densidade demográfica, Produto Interno Bruto (PIB), ocorrências minerais, atrações turísticas, faixa de fronteira e outros;
  • Mapas de unidades de conservação e áreas especiais: que mostra regiões protegidas ambientalmente, além de terras indígenas e quilombolas.

“Nós reunimos vários trabalhos de alguns estudantes do programa, fizemos outras pesquisas e construímos esse material que tem informações sobre vários aspectos do estado do Amapá. Para o professor de geografia, de história, ou de outros componentes que tá lá em sala de aula, para que ele tenha o material organizado e atualizado”, disse Tayane Ferreira Melém, autora do atlas.

O atlas traz ilustrações, dados atualizados e uma parte para exercícios. Incluindo um anexo que pode ser trabalhado por professores em sala de aula.

Tayane explicou ainda, que o livro deve funcionar uma uma ferramenta que vai contribuir para agregar conhecimentos aos estudantes.

Foto: Jorge Júnior/Rede Amazônica AP

“Na minha visão ele traz uma luz para o professor que tá lá em sala de aula, porque ele vai ter um material que os alunos vão ter acesso […] Pra ele chegar em sala de aula, pras bibliotecas da rede pública de ensino e esse aluno conseguir manusear esse material, tá ali perto, olhando essas informações sobre o estado do Amapá”, disse.

Segundo a pesquisadora, o livro possui quatro mapas impressos que podem ser utilizados em sala de aula, um QR code para baixar materiais adicionais e um encarte reproduzível.

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O programa de pós-graduação que desenvolve o projeto, conta também com a participação de pesquisadores da Secretaria de Estado da Educação (Seed). Além disso, foi obtida uma emenda junto à professora Marcivânia para realizar a tiragem do material em grande volume.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

Parceria entre pesquisadores e comunidades protege mangues na Amazônia

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Área de manguezal na Reserva Extrativista Marinha de Caeté-Taperaçu monitorada pelo projeto Mangues da Amazônia. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Árvores que chegam a 30 metros de altura – como um edifício de dez andares –, com raízes fixadoras que ultrapassam o tamanho de uma pessoa. Os mangues amazônicos são grandes sumidouros de carbono, superando as métricas até mesmo da floresta amazônica. Esse ecossistema é responsável por retirar da atmosfera três vezes mais gás poluente do que florestas de terra firme.

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É entre Maranhão, Pará e Amapá que está o maior território contínuo de manguezais sob proteção legal de todo o mundo. Os dados superlativos tornam também mais difícil o monitoramento e a fiscalização desses territórios.

No nordeste do Pará, o projeto Mangues da Amazônia trabalha junto às comunidades locais para mapear tanto a vegetação e a fauna quanto as áreas onde há corte de madeira. O projeto também identifica as áreas mais sensíveis e realiza o reflorestamento desses locais.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

“A gente vai na comunidade, mostra o mapa da região e pergunta onde está ocorrendo corte de madeira. Eles indicam no mapa. A gente visita cada um dos lugares para fazer o georreferenciamento. Tudo é checado e validado, e a gente produz mapas, a partir do mapeamento participativo. Esses mapas, a gente entrega para as prefeituras, associações e lideranças”, explica o professor titular da Universidade Federal do Pará (UFPA) e coordenador-geral do projeto Mangues da Amazônia, Marcus Fernandes.

De acordo com o professor, há áreas de corte identificadas onde as pessoas já fabricam ali mesmo as tábuas de madeira.

O projeto atua em quatro reservas extrativistas (resex): Resex Marinha de Tracuateua; Resex Marinha de Caeté-Taperaçu; Resex Araí-Peroba; e Resex Gurupi-Piriá. Elas estão localizadas, respectivamente, em quatro municípios: Tracuateua, Bragança, Augusto Corrêa e Viseu. Sua cobertura chega a uma área de 131 mil hectares – o equivalente a 120 mil campos de futebol.

O professor Marcus Fernandes é o coordenador do Laboratório de Ecologia de Manguezal – Lama, da Universidade Federal do Pará (UFPA) Fernando Frazão/Agência Brasil

A extração de madeira, assim como a captura de caranguejos não é ilegal nesses territórios. Mas, no caso do corte, é preciso informar o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

“É área de uso, mas tudo é controlado. Só que eles dão um truque. Têm que dizer quanto de madeira, qual madeira e onde vai cortar. Eles declaram isso, mas vão em outro lugar e tiram tudo que querem. Não tem fiscalização”, diz Fernandes. “Eles conseguem driblar. Muita gente também quer vender para fazer carvão para as padarias, para as olarias, etc. Então, é um problema, de fato, [a extração de] madeira aqui. Mas não é tão grave quanto é no Nordeste, quanto é no Sudeste”, acrescenta.

Além de mapear as áreas de corte, o projeto também mapeia as espécies que vivem nos mangues. “A gente leva os caranguejeiros para o mesmo processo de mapeamento. A gente vai para os lugares e faz o nosso censo para saber quantos machos, quantas fêmeas, o tamanho e o peso, para saber como é que está e mostrar uma figura do que está acontecendo com aquele lugar”, diz. “Tudo precisa de um diagnóstico”.

Filhote de caranguejo em área de manguezal reflorestada pelo projeto Mangues da Amazônia, na Reserva Extrativista Marinha de Caeté-Taperaçu. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O projeto também realiza o mapeamento genético da vegetação, para ajudar no plantio e recuperação das áreas. “Hoje, já tem todo o mapeamento de onde estão essas árvores. Agora, eu preciso saber qual é a qualidade dos diferentes tipos de mangue, o vermelho, o preto e o branco”, explica.  

“Quanto maior a variabilidade genética, melhor e maior a probabilidade dessa planta que for nascer daquela semente e daquela árvore ter melhor qualidade de vida lá na frente ou ser mais adaptável, mais sensível às mudanças que estão ocorrendo. Então, se eu escolher melhores sementes, eu sou capaz promover uma floresta mais resiliente, mais adaptável às novas mudanças que estão vindo por aí. Essa é a nossa proposta com a genética”, diz Fernandes. 

Mangues na Amazônia

Os manguezais são áreas úmidas que estão entre o mar e a terra firme. As espécies vegetais e animais que ali vivem são resistentes ao fluxo das marés e ao sal. O ecossistema abriga caranguejos, moluscos como ostras e sururus, peixes, aves e até mesmo mamíferos e répteis.

O projeto também realiza o mapeamento genético da vegetação, para ajudar no plantio e recuperação das áreas. “Hoje, já tem todo o mapeamento de onde estão essas árvores. Agora, eu preciso saber qual é a qualidade dos diferentes tipos de mangue, o vermelho, o preto e o branco”, explica.  

O Brasil é o segundo país com maior extensão de manguezal, com 14 mil quilômetros quadrados (km²) ao longo da costa, ficando atrás apenas da Indonésia, com cerca de 30 mil km²; 80% dos manguezais em território brasileiro estão distribuídos em três estados do bioma amazônico: Maranhão (36%), Pará (28%) e Amapá (16%).

Leia também: Pesquisadores usam genética de ponta para reflorestar a maior faixa contínua de manguezal da Amazônia

De toda a extensão amazônica, a maior parte está em 120 unidades de conservação que abrangem 12 mil km², 87% do ecossistema em todo o Brasil. Isso faz com o que o Brasil tenha o maior território contínuo de manguezais sob proteção legal de todo o mundo, de acordo com os dados do ICMBio.

O gestor do projeto Mangues da Amazônia, John Gomes, com mudas de mangue que serão levadas para reflorestamento. Fernando Frazão/Agência Brasil

“Um dos pontos do projeto é trazer o foco para quando você falar de Amazônia, você falar também dos manguezais amazônicos, porque eles ficam invisibilizados”, diz o gestor do projeto Mangues da Amazônia, John Gomes. 

Sumidouros de carbono

Na Amazônia, por conta do maior acesso a recursos hídricos, o mangue na região também acaba se desenvolvendo mais do que nas outras regiões do país, com árvores que chegam a 30 metros de altura. As grandes dimensões dos manguezais amazônicos aumentam também os impactos positivos do ecossistema.

Um deles é a capacidade de retirar gás carbônico da atmosfera e armazená-lo no solo, que, por ser muito úmido e denso, acaba retendo o gás poluente. De acordo com Fernandes, os manguezais da região armazenam 600 toneladas de carbono por cada hectare, de acordo com as medições feitas pelo projeto. “Isso é muita coisa. Então, é mais do que a média mundial”, diz.

mangues na Amazônia
Vista de um braço do Rio Caeté em área de manguezal na Reserva Extrativista Marinha de Caeté-Taperaçu monitorada pelo projeto Mangues da Amazônia. Fernando Frazão/Agência Brasil

Um dos grandes riscos para o manguezal são as mudanças climáticas e a consequente redução de chuvas no local, de acordo com o professor do Instituto de Estudos Costeiros da UFPA Hudson Silva que, no Mangues da Amazônia, é responsável pelo monitoramento das emissões dos gases.

“Se você tem redução nas chuvas, as áreas que se beneficiam dessa condição de alagado para funcionar como sumidouro começam a perder essa função. O solo começa a ser aerado, o oxigênio começa a entrar mais para esse solo, e o processo de decomposição começa a jogar mais gás carbônico para fora”, diz.

Os impactos já são sentidos. Segundo Silva, a taxa de precipitação na região, que chegava a 3 mil milímetros (mm) por ano, atualmente chega a 2 mil mm.

Fernandes complementa que a extinção dos mangues na região pode gerar consequências catastróficas, não apenas locais, mas impactando toda a costa, com avanço do mar e alagamento de regiões costeiras.

“A região amazônica tem um estoque enorme de carbono, então, se a gente corta ou perde esse ambiente, a gente vai jogar isso para fora. É como se você liberasse uma bomba de carbono para o ambiente”, diz. “E tem um efeito nacional absurdo na nossa costa, um efeito que vai ser também para toda a floresta. Se a gente tira o manguezal, tira a proteção costeira”.

Mangues da Amazônia

O Mangues da Amazônia nasce a partir do trabalho de estudo e conservação de manguezais feito no Laboratório de Ecologia de Manguezal (LAMA) da UFPA, em Bragança. O projeto, patrocinado pela Petrobras, está no segundo ciclo de execução. O primeiro foi entre 2021 e 2022, quando foram recuperados 14 hectares de mangue. O segundo ciclo começou em 2024 e segue até 2026, com a meta de reflorestar mais 17 hectares.

Cobra jiboia é vista em área de manguezal reflorestada pelo projeto Mangues da Amazônia na Reserva Extrativista Marinha de Caeté-Taperaçu. Fernando Frazão/Agência Brasil

O projeto é parte do Programa Petrobras Socioambiental, que patrocina 160 projetos em todo o país, com um investimento previsto de R$ 1,5 bilhão até 2029. De acordo com a gerente de Direitos Humanos da Gerência Executiva de Responsabilidade Social da Petrobras, Sue Wolter, o Mangues é um dos projetos com maior retorno, tanto ambiental, quanto social. A cada R$ 1 investido pela Petrobras, o retorno estimado para a sociedade é de R$ 7.

“O objetivo do Programa Petrobras Socioambiental é implantar os projetos buscando transformação social. Levar valor para a sociedade, para os territórios onde a gente está e, ao mesmo tempo, isso é um valor para a companhia. A gente entende que como uma empresa estatal brasileira, a gente tem uma função social e essa função social é ajudar esse processo de transformação de desenvolvimento”, diz.

*​A equipe da Agência Brasil viajou à Bragança entre os dias 11 e 14 de junho para conhecer o projeto Mangues da Amazônia, a convite da Petrobras, patrocinadora do projeto.



Tripas mirins dos bois de Parintins querem seguir tradição; protagonismo pode surgir com a nova geração

Foto: Divulgação

Esbanjando muita fofura e carisma, os tripas mirins tem se tornado cada vez mais presentes em eventos bovinos tanto na capital amazonense, Manaus, como em seu berço de origem, na ilha de Parintins. A garotada que tem mostrado cada vez mais gostar do item 10 do Festival Folclórico, em que uma pessoa traz movimento ao boi, tem mostrado também que “brincar de boi” é algo não só para os adultos, é também coisa de criança.

As crianças que tem aderido a este item tem demonstrado interesse e talento ao se apresentarem com suas mini indumentárias e evoluções performáticas que as destacam como verdadeiros itens mirins.

O Portal Amazônia conversou com alguns desses itens que já tem demonstrado que uma nova geração de tripas, no Caprichoso e no Garantido, tem se dedicado a dar vida aos bois com força e dedicação, e com a vontade de ir mais longe: se tornarem um item oficial e dar vida ao seu boi no Bumbódromo de Parintins.

Leia também: Quanto pesa um boi-bumbá? Saiba como é a preparação dos tripas para dar vida ao item 10 no Festival de Parintins

Tripas mirins do Caprichoso: do DNA ao protagonismo

Nonato Júnior, o Nonatinho, é declarado “fã número 1” do atual tripa do Caprichoso, Alexandre Azevedo. Além de fã ele carrega consigo uma carga genética muito forte: é tataraneto do fundador do Caprichoso, Roque Cid.

O pai de Nonatinho, Raimundo Nonato Matos Cid, conta que a primeira apresentação pública do filho brincando de boi aconteceu em um evento paroquial em Manaus, no bairro São José. “Eu achava que ele não iria aguentar, mas ele foi lá e deu conta do recado, dançou igual o tripa, e de lá pra cá foi só evoluindo. Mandei fazer um boi do tamanho dele para evoluir com mais segurança”, lembra o pai.

O músico Hamilton Azevedo Júnior lembrou a primeira vez que viu Nonatinho. Sem saber que ele era tataraneto de Roque Cid, o músico viu no menino uma capacidade impressionante de trazer movimentos ao boi.

“Lá na igreja do São José onde eu toco, tem o boi mirim com todos os itens. Mas um dia me chamaram pra tocar em uma praça que estava sendo inaugurada lá na comunidade e a mulher que me chamou disse que lá tinha um Caprichoso. Então eu já nem me preocupei em providenciar o boi. Quando eu cheguei lá, eu vi um menino pequeno, na época tinha uns três anos, dançando com um boizinho que era de tala. Eu fiquei impressionado”, destacou Hamilton.

Foto: Nathalie Brasil

Outro tripa do Caprichoso que tem chamado atenção é na verdade uma tripa. Sim, uma menina. Heloiza Zumaeta é a primeira tripa mulher a se apresentar como item mirim do Caprichoso. A mãe até brinca que sonhava em ver sua filha como um outro item – como a sinhazinha ou cunhã-poranga.

“Eu sempre levei ela e o irmão dela pro “bar do boizinho” e ela sempre gostou. Aí eu tive um dia a curiosidade de perguntar: ‘filha que item você gostaria de ser?’ e ela disse ‘mãe eu quero ser tripa, me dá um boi de presente?’. Eu sempre sonhei em ver uma filha cunhã, uma sinhazinha, uma rainha do folclore, algo assim. Mas aí eu encomendei um boizinho de presente no aniversário de nove anos e daí ela seguiu como tripa. Uma cunhada minha até brinca que ela quer ser é protagonista”, contou Cristiane Zumaeta.

Cristiane Zumaeta sempre levou a filha pra brincar de boi como tripa. Foto: Hector Muniz/Portal Amazônia

Tripas mirins do Garantido: admiração e dedicação

E do lado vermelho do Festival de Parintins também tem quem goste de ser “tripinha”. Um desses jovens talentos que sonha em ser tripa do Garantido é o Benjamin Gael, de 8 anos, que tem marcado presença em vários eventos em Manaus como tripa mirim do boi do coração vermelho.

O pai, Carlos André, tem sempre acompanhado o filho. Ele disse que ser tripa mirim foi algo muito natural na vida do Benjamim.

“Desde que ele era muito criança, ele pediu naturalmente de mim e da mãe dele que comprássemos um boizinho. Ele ganhou então um boi Garantido da avó dele, menor, e era algo que ele sempre brincou. Conforme ele foi crescendo o boi foi ficando pequeno. Então como vimos que era algo natural dele e fomos arrumando outros boizinhos conforme ele ia crescendo”, destacou Carlos André.

Carlos André, pai do Benjamim Gael, acompanha o filho em todas as apresentações. Foto: Hector Muniz/Portal Amazônia

Também do lado encarnado, outro torcedor obstinado é o tripa mirim Ângelo Aguiar. Do elenco do bumbá, a admiração é por Batista Silva e Denildo Piçanã. No caso de Ângelo, escolher o boi preferido foi um ato totalmente involuntário. “Eu aprendi as danças com o meu pai, que era tripa do Boi Caprichoso, mas a minha escolha foi pro Garantido”, revela.

Há quase dois anos, a escolha do pequeno artista ganhou rumos profissionais. “Foi no aniversário da madrinha dele, apaixonada pelo Garantido, que ele pegou um boizinho que tinha em casa e evoluiu. O pai dele postou no Instagram, o Hamilton viu e começou a chamá-lo para participar dos eventos”, revela a mãe, Patrícia Santos, que é torcedora do Caprichoso.

E a rivalidade?

Que a rivalidade entre os dois bois de Parintins existe isso é um fato. As provocações, sátiras, entre outras peças de apresentações, fazem parte da disputa. Mas entre as crianças, o músico Hamilton Azevedo Júnior garante que as apresentações os tripas mirins é sadia.

“Em momento algum a gente incentiva a rivalidade, até porque eles são crianças. E é legal ver que eles só querem se divertir. É muito diferente dos adultos”, afirmou o músico.

Leia também: Tupi, Estrelinha e Mineirinho: conheça os bois mirins do Festival Folclórico de Parintins

A produtora de eventos Socorro Andrade, responsável por alguns eventos de apresentação de itens mirins, como os tripas mirins em Manaus, garante que não há rivalidades: “É até lindo de se ver, porque sendo de lados opostos é possível até ver um incentivando o outro”.

Foto: Divulgação

*Por Hector Muniz, do Portal Amazônia

Troféu do Festival de Parintins celebra união dos bois: ‘Sincretismo Cultural’

Troféu Sincretismo Cultural. Foto: Aguilar Abecassis/SEC AM

Além de conquistar o título de campeão do 58º Festival Folclórico de Parintins, o boi vencedor também terá seu nome marcado no troféu Sincretismo Cultural, para celebrar o grande campeão da disputa entre os bois Caprichoso e Garantido.

A peça foi apresentada no dia 21, durante o sorteio da ordem das apresentações do festival. Criado pelo artista parintinense Lucijones Cursino, do CriArt’s Atelier, o troféu foi confeccionado com materiais sustentáveis.

Confira a ordem de apresentação das três noites:

Sexta-feira (27):
Abre
: Garantido; Encerra: Caprichoso

Sábado (28):
Abre
: Caprichoso; Encerra: Garantido

Domingo (29):
Abre
: Caprichoso; Encerra: Garantido

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O design do troféu faz referência ao Bumbódromo de Parintins e aos bois Caprichoso e Garantido, além de estampar as placas com os anos em que cada bumbá conquistou o título do festival, desde 1966.

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Para o secretário de Estado de Cultura e Economia Criativa, Caio André, o troféu é mais uma peça importante que vai abrilhantar o festival.

“Ele traz história de vitória dos bois e, sobretudo, confeccionado com material sustentável que reforça nosso compromisso com nossa floresta, com o meio ambiente, que é algo levado pelos bois para dentro da arena. Tenho certeza que todos os visitantes, turistas e mesmo quem mora e vive o festival aqui de Parintins, vai gostar muito do troféu”, enfatizou.

Parintinense Lucijones Cursino, o criador do troféu Sincretismo Cultural. Foto: Aguilar Abecassis/SEC AM

Segundo Lucijones, a concepção inicial era desenvolver uma escultura no formato da cabeça de um boi. No entanto, ao longo do processo criativo, e com o apoio na criação de Silvio Pinto Júnior, surgiu a ideia de incorporar o Bumbódromo, por ser o palco oficial da disputa entre os bois.

“A primeira ideia que eu tive foi justamente a cabeça do boi, sem a parte do Bumbódromo. Resolvemos incluí-lo porque é ali que acontece a grande disputa, por isso os dois bois estão surgindo de dentro do Bumbódromo”, explicou o artista.

De acordo com ele, o troféu simboliza a união cultural promovida pelo Festival de Parintins. Por esse motivo, recebeu o nome de Sincretismo Cultural.

“O que eu quis transmitir com esse troféu foi essa união de culturas. Chamamos de Sincretismo Cultural justamente por representar a fusão de crenças, raças e ideologias. Essa foi a principal mensagem que buscamos expressar nesse trabalho”, destacou.

Foi de Silvio a ideia de colocar o registro de cada ano da disputa e a marca de cada bumbá vencedor, com pequenas medalhas com os títulos de campeão conquistados ao longo dos anos.

“A ideia partiu justamente por conta da quantidade de títulos que os bois sempre falam. Então, achei que seria uma curiosidade interessante todos saberem, e nada melhor que criar um troféu que pudesse exaltar os bois, por isso, a cabeça do boi na direção da arquibancada de cada galera, no bumbódromo. Foi criado as placas dos anos que cada um foi campeão, assim como quando teve empate e as lives”, explicou Silvio.

Parintinense Lucijones Cursino, o criador do troféu Sincretismo Cultural. Foto: Aguilar Abecassis/SEC AM

Entre os materiais utilizados na elaboração estão componentes recicláveis, como o PVC. “É muito importante para o artista parintinense ter a oportunidade de mostrar seu trabalho. É um privilégio fazer parte do Festival e estar presente na história ao lado dos bois”, finalizou Lucijones.

Exposição

O troféu Sincretismo Cultural ficará em exposição a partir desta segunda-feira (23/06), na abertura das atividades na Estação da Cultura, na Praça da Catedral.

*Com informações da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC AM)

Projeto ‘Parintins para o mundo ver’ conta com transmissão no Amazon Sat; veja a programação

Projeto ‘Parintins para o mundo ver’. Foto: Isabelle Lima/Amazon Sat

O canal Amazon Sat celebra a força da cultura popular com o projeto ‘Parintins Para o Mundo Ver’. Com uma programação especial realizada na ilha da magia, entre os dias 21 e 30 de junho serão exibidos flashes, programetes e programas que mergulham no universo parintinense.

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Projeto 'Parintins para o mundo ver'
Foto: William Marques

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No dia 23 de junho acontece a exibição do programa Ponto Alto, especial em Parintins, às 20h (hora Manaus) mostrando um panorama da cidade com depoimentos de quem entende: seus moradores.

Entre os dias 24 e 30 de junho serão exibidos os programetes que exploram a arte, a cultura, a segurança em torno do evento, serviços disponibilizados pelo Governo na cidade e ainda um dos momentos mais aguardados – além da disputa dos bois Caprichoso e Garantido – a festa dos visitantes.

E tem mais! A programação ganha um brilho diferente e bem animado no dia 28 de junho, 12h30, com a exibição do programa Galeria em uma edição que mostra os bastidores da preparação de Parintins para o 58° Festival Folclórico.

Projeto 'Parintins para o mundo ver'
Foto: William Marques

Além disso, de 26 a 29 de junho, o público poderá acompanhar ao vivo o programa ‘Toada do Milton’, das 14h30 às 18h30 (horário de Manaus). Com apresentação de Milton Cunha, a exibição do programa no Amazon Sat será uma retransmissão do canal da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Diversos quadros serão realizados com o intuito de debater sobre o Festival Folclórico de Parintins como os itens julgados, participação do público, artistas locais e trabalhadores da cultura.

”Vai ser um quadro bem diversificado, onde o Milton vai comandar tudo e a transmissão acontecerá de uma forma diferenciada. Não é a transmissão das noites da arena, é o que acontece na cidade de Parintins durante o dia e que tem um movimento gigante de conexões com o festival”, afirmou o professor do departamento de arte e cultura da UEA, João Fernandes.

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Canais oficiais do Amazon Sat

A cobertura completa da festa em Parintins pode ser acompanhada pelas redes sociais do Amazon Sat e do Portal Amazônia, além dos canais oficiais do Amazon Sat: 

  • Manaus/AM: 44.1
  • Porto Velho/RO: 22.1
  • Rio Branco/AC: 31.1
  • Macapá/AP: 29.1
  • Boa Vista/RR: 23.1
  • Parintins/AM: 46.1

Parintins para o mundo ver

O projeto ‘Parintins para o mundo ver’ é realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), correalizado pela Rede Amazônica e Amazon Sat, com o apoio de Amazônica Net, Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC-AM) e Governo do Amazonas.

Frequência de paz ou frequência de guerra?

Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br

Não sei se você é abalado pelo noticiário da nova guerra. Também não sei se é uma nova guerra ou uma nova fase dela. Alguns dizem que a terceira grande guerra já começou. Convivemos com tantas guerras que, às vezes, elas podem cair em um lugar comum, como se fossem algo normal. Quando se inicia uma guerra? Certamente não é no primeiro bombardeio, mas, se fosse, ele já teria acontecido há algum tempo.

Pessoalmente, o noticiário dos últimos dias tem me tocado. As imagens podem parecer de videogames, mas são cidades reais, habitadas por pessoas de carne e osso. Não consigo deixar de me questionar sobre a irracionalidade de seres humanos que ocupam posições de liderança tão importantes. Quem deu a eles a autoridade de nos colocar em risco? Todo o mundo em risco? Algumas pessoas os colocaram onde estão, mas o risco é de todos. As ações e reações deles são humanas ou animalescas, no seu pior sentido? Quanto vale uma única vida? E milhões ou bilhões de vidas?

Minha mente me traz para o nosso dia a dia. No checkout, em um hotel, eu me sinto agredido e desrespeitado pelo tipo de atendimento. Faço valer os meus direitos? Deixo passar como se nada tivesse acontecido? Em uma ou em outra alternativa, estaria eu alimentando a violência? Por todos os lados, é impressionante a quantidade de conflitos, de discussões e de agressões. A violência é uma característica intrínseca do ser humano?

Mokiti Okada que, dentre outros estudos, pesquisou a saúde humana, afirma que todos nós apresentamos um tipo de febre na área da nuca e do pescoço, decorrente de um processo de purificação gradual de toxinas acumuladas. Essa febre, segundo ele, é imperceptível, mas nos mantém em um estado de constante irritação e propensos ao conflito. Sabemos que a irritação tem poder de irradiação e pode afetar muitas pessoas — nossos cônjuges, filhos, subordinados, pares, clientes e todos com quem convivemos ou influenciamos. Se ocupamos a posição de liderança de um país ou mesmo de uma empresa, podemos gerar danos incalculáveis.

Donald Trump declarou nestes dias que ainda não sabe o que vai decidir. Não sabe se vai atacar o Irã, mas diz que sua paciência está no fim. Como assim? A paz do mundo dependerá de seu estado emocional? Há ainda o primeiro-ministro de Israel e do outro lado, o aiatolá iraniano que ameaça com “danos irreparáveis para os EUA”, caso se envolva no conflito. Até onde eles podem ir, sem colocar em risco todos nós?

Voltando ao atendimento do hotel, ele me irrita, mas me contenho. Em seguida, a cobrança exagerada da tarifa dinâmica do aplicativo me faz sentir extorquido. Em seguida, o assento que havia reservado no voo é arbitrariamente modificado, sem qualquer explicação. Nesse momento, eu já estava em “modo guerra”, pronto a reagir a qualquer nova agressão (qualquer incômodo). Estaria eu, naquele momento, em uma frequência de atração de conflitos? Ou seria a tal febre que me fazia desejar cada vez mais fazer justiça com as próprias mãos?

A reflexão sobre o processo que acontecia em mim mesmo me fez, conscientemente, reagir de uma melhor maneira aos acontecimentos externos, sob os quais tenho uma limitada influência. Não tenho gestão sobre eles, mas posso tentar ter sobre mim mesmo. Nesse caso, parece que deu certo. A consciência me fez sair da frequência dos conflitos e da irritação. Muito rapidamente, tudo mudou e voltei a tratar bem o mundo e a ser mais bem tratado por ele. Sinto que, com isso, contribuo com uma frequência de paz, que também tem poder de irradiação.

Reflito, assim, que, na minha esfera de ação, influencio o todo, para o bem ou para o mal, o que me ensina novas coisas sobre guerras que nunca se encerram ou sobre a terceira grande guerra que nem sabemos se já começou. Antes que alguém diga: como é possível falar em felicidade em um mundo de tantas guerras, grandes e pequenas, me antecipo. É justamente por isso que precisamos construir felicidade conscientemente. O mundo, mais do que nunca, precisa.

E você? Como está lidando com as suas próprias guerras? No que você está influenciando a atmosfera do mundo? Frequência de paz ou frequência de guerra?

Sobre o autor

Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Reflorestamento com mudas cobre solo acima da meta em Mato Grosso, mas diversidade ainda é baixa

Foto: Gabriel Faria

Uma avaliação feita após oito anos de instalação de diferentes estratégias de restauração de reserva legal na Embrapa Agrossilvipastoril, em Sinop (MT), mostrou que em áreas com plantio de mudas a cobertura do solo pelas copas já superou os indicadores determinados pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT) para aferir o êxito na revegetação. Porém, no que diz respeito à quantidade de regenerantes e a diversidade de espécies, o cenário observado ainda é insuficiente.

A Sema-MT estabelece três parâmetros que devem ser alcançados em até 20 anos para avaliação de sucesso na recomposição florestal em áreas com mais de quatro módulos fiscais. O primeiro é a cobertura do solo gerada pela copa das árvores com mais de dois metros de altura, que deve ser superior a 80% com espécies nativas. O segundo é a densidade de regenerantes com o mínimo de 3 mil indivíduos por hectare. O terceiro diz respeito à riqueza da diversidade, com ao menos 20 espécies diferentes entre os indivíduos regenerantes.

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O pesquisador da Embrapa Florestas (PR) Ingo Isernhagen ressalta que a avaliação foi feita faltando 12 anos para o prazo final para atingir os parâmetros. Porém, os dados já são indicadores importantes considerando-se que se trata de uma área experimental.

“Este é o único experimento com esse nível de monitoramento e com essa idade que tenho conhecimento em Mato Grosso. É importante termos esses parâmetros para se pensar em possíveis intervenções para contribuir para o alcance dos indicadores definidos pela Sema. Mas não quer dizer que se deixarmos de mexer não vai acontecer nada”, avalia o pesquisador.

Aprimorando parâmetros ambientais

Tanto a legislação brasileira que trata sobre a proteção da vegetação nativa, conhecida como Novo Código Florestal Brasileiro (Lei Federal nº 12.651/2012), quanto o Decreto Estadual nº 1.491/2018 que aborda os Programas de Regularização Ambiental (PRA) definidos após análise do Cadastro Ambiental Rural (CAR) são recentes. No caso de Mato Grosso, os parâmetros adotados pela Sema se basearam nos poucos estudos existentes até então, alguns deles em outros biomas. Dessa forma, resultados da pesquisa conduzida na Embrapa Agrossilvipastoril podem contribuir para melhorias nos parâmetros adotados.

Experimento de recomposição de reserva legal na Embrapa Agrossilvipastoril, em Sinop. Foto: Gabriel Faria

“Nosso estudo vem somar ao que a Sema vem recebendo de relatórios das áreas já em recuperação. É mais um tijolinho do conhecimento. É um lugar em que conseguimos analisar com mais critérios, de forma mais controlada, o caminhar desse processo de construção no alcance dos indicadores. É salutar que a Sema avalie agora ou daqui a alguns anos e faça alguma adequação que seja necessária”, sugere Isernhagen.

O estudo completo pode ser conferido na publicação “Avaliação de indicadores de monitoramento em experimento de recomposição florestal de Reserva Legal na Amazônia Meridional, médio norte do Mato Grosso”, disponível para download AQUI.

Como foram feitos os experimentos

Os ensaios sobre restauração de reserva legal da Embrapa Agrossilvipastoril foram instalados em 2012 com o objetivo de gerar informações sobre as diferentes técnicas de adequação ambiental para a região médio-norte de Mato Grosso, considerando a possibilidade de uso econômico das áreas com produção de bens madeireiros e não madeireiros.

Foram feitos tratamentos utilizando plantio de mudas, plantio direto de sementes ou semeadura à lanço e ainda a regeneração natural por meio do isolamento da área. Foram usadas espécies nativas com diferentes propósitos, tanto considerando serviços ecossistêmicos quanto produção de frutos, essências e madeira. Conforme permite a lei, em um dos tratamentos com mudas também foi usado o eucalipto, que é uma espécie exótica, sendo uma fonte de renda a médio prazo que poderia compensar gastos com a recuperação da área. Na avaliação feita aos oito anos conforme parâmetros da Sema-MT só os tratamentos com plantio de mudas foram acompanhados.

Retirada de toras de eucalipto plantado em um dos tratamentos com plantio de mudas. Foto: Gabriel Faria

Os diferentes métodos utilizados

Para se definir a área de cobertura do solo pela copa foram usados diferentes métodos, como forma de comparar os resultados de cada um deles. Além do método recomendado pela Sema, com observação a cada metro em uma parcela de 25m x 2m, foi utilizado o densiômetro de copa e quatro aplicativos gratuitos para esse fim: GLAMA Aplication, Canopy Capture, Canopy App e Canopy Cover Free. A leitura do densiômetro é subjetiva, por isso recomenda-se que uma mesma pessoa faça a avaliação de todos os talhões como forma de manter um padrão. Já os aplicativos utilizam a câmera do celular para calcular a área coberta.

“A percepção em campo é que, de forma geral, a aplicação dos métodos de detecção de cobertura de copa arbórea com o uso dos aplicativos, embora rápida, mostrou-se bastante sensível às variações de luminosidade geradas, por exemplo, pela passagem de nuvens e mesmo a movimentação das copas das árvores”, explica Ingo Isernhagen justificando o alto desvio padrão encontrado na leitura dos aplicativos.

Para todos os tratamentos avaliados, o aplicativo GLAMA e o protocolo Sema foram os que apresentaram os maiores valores de cobertura de copa.

Entre os tratamentos avaliados, aquele que teve menor percentual de cobertura de copa foi justamente aquele com eucalipto. Isso ocorreu tanto pela retirada de árvores no primeiro desbaste feito, quanto pela mortalidade de alguns indivíduos devido ao ataque de formigas.

Regenerantes

A avaliação aos oito anos mostrou que a área experimental da Embrapa Agrossilvipastoril ainda está longe de atingir o indicador estipulado pela Sema-MT aos 20 anos no que diz respeito aos regenerantes. O tratamento que teve maior número de regenerantes teve 1.083 indivíduos por hectare, enquanto o que teve menor número só foram encontrados 483 indivíduos em um hectare.

No que diz respeito à riqueza da diversidade, os dois tratamentos com melhor desempenho possuem dez espécies e o pior desempenho possui apenas cinco espécies.

Esses resultados parciais levam à discussão sobre possíveis intervenções na área, como podas de árvores para maior entrada de luz no sub-bosque, plantio de novas mudas ou semeadura.

“Estamos articulando com potenciais parceiros em busca da viabilização de recursos para insumos e mão-de-obra que possibilitem fazer as intervenções para termos cenários com e sem intervenção ao longo do tempo”, explica Diego Alves Antônio, engenheiro florestal e analista da Embrapa.

Há ainda a possibilidade de os oito anos da avaliação serem pouco tempo para a evolução desses indicadores. Isernhagen lembra que nos próximos anos haverá morte de árvores de ciclo mais curto, como embaúbas, abrindo clareiras e que a serrapilheira depositada seguirá melhorando as condições químicas e físicas do solo. Há também a tendência de maior circulação de animais dispersores de sementes com o bosque formado.

“Nosso objetivo é trazer contribuições para os produtores que precisam recuperar suas áreas, quer seja apenas para atingir os parâmetros exigidos pela Sema, quer seja para obter renda com a exploração econômica de madeira, frutos e essências produzidas na área recuperada”, declara Isernhagen.

Além dos três parâmetros determinados pela Sema-MT, também está sendo avaliado no experimento o aporte de carbono no solo. Uma pesquisa futura, realizada pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), irá avaliar o estoque de carbono na biomassa das árvores.

Sub bosque ainda com poucos indivíduos regenerantes. Foto: Gabriel Faria

Restauração em rede

Há décadas a Embrapa imprime esforços visando à restauração de ambientes degradados, que geraram dezenas de projetos para este fim. Em um trabalho recente do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), iniciado em 2024, e intitulado Florestas Produtivas, a Embrapa Florestas tem contribuído por meio dos Sistemas Agroflorestais de Referência e sua viabilidade financeira, que visam à mitigação da fome e mudanças climáticas. Esses sistemas agroflorestais estão sendo adaptados às realidades locais e começaram a ser implantados primeiramente no Bioma Amazônia, em assentamentos no Pará e no Maranhão, e seguirão pelo Cerrado, Mata Atlântica, e demais biomas, integrando ações.

Outra ação importante a ser realizada pela Embrapa para recuperar ecossistemas degradados, aliando conservação ambiental e produção agrícola sustentável consistirá no resgate de projetos bem-sucedidos antigos que foram, no entanto, descontinuados com o passar do tempo. Ambos enfatizam a necessidade de viabilidade econômica e inclusão social, garantindo que as soluções sejam aplicáveis em larga escala. Com a organização desses dados e sua disponibilização em rede, será possível integrar as diversas tecnologias já criadas pela Embrapa.

Leia também: Presença de fauna em área de recuperação comprova papel fundamental do reflorestamento na Amazônia

“Estamos chamando este trabalho de restauração produtiva e vamos começar com três estados, Pará, Maranhão e Mato Grosso, para, justamente, em Unidades de Referência Tecnológica (URTs) restaurar áreas degradadas com viés de produção, e utilizar vários métodos e tecnologias já consagrados, pela Embrapa. Com boa gestão, terão produção elevada, mantendo o solo conservado, água limpa, evitando erosão, que vão agregar mais valor e renda àquela propriedade, com a comercialização dos seus produtos. Estes vão gerar as informações com coeficientes técnicos e indicadores financeiros que gerarão subsídios para auxiliar políticas públicas, e assim para ganhar escala. Esse é o viés social, que envolve mais famílias”, explica Marcelo Arco-Verde, chefe-geral da Embrapa Florestas.

Buscando articular pesquisadores e iniciativas como estas, surgiu há menos de um ano o RestauraBio, uma rede colaborativa dentro da Embrapa, que atua no mapeamento de projetos antigos e na estruturação de novos, como as Unidades de Referência Tecnológica (URTs). “A rede é uma facilitadora, integrando projetos como Florestas Produtivas e o resgate de dados antigos. Sua governança ainda está em construção, mas seu papel é vital para evitar a fragmentação do conhecimento”, frisa Arco-Verde.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Embrapa