O visagismo é um fator importante na ópera. Foto: Diego Andreoletti/Amazon Sat
Enquanto o público se encanta com as vozes potentes e os cenários grandiosos de uma ópera, longe dos holofotes, um outro espetáculo acontece nos bastidores. É lá, entre pincéis, pós e sprays, que o visagismo entra em cena — a arte de traduzir, por meio de penteados e maquiagem, a essência dos personagens.
Sirene de viatura da PM. Foto: Jorge Júnior/Rede AmazônicaAP
Os estados do Amapá, Bahia e Pernambuco lideram o ranking de pessoas que perderam a vida em decorrência de homicídios em 2023, comparado com 2022. Esse dado apresenta níveis superiores a 35 mortes por 100 habitantes e foi divulgado nesta segunda-feira (12), pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
Apesar do dado, país registrou a menor taxa de homicídios por 100 mil habitantes dos últimos 11 anos em 2023. Esse número representa uma redução de 2,3% na taxa de homicídio em comparação com o ano de 2022. Ao todo, 45.747 pessoas perderam a vida em decorrência de homicídios em 2023.
Ainda segundo o estudo, as maiores taxas de homicídios se concentram no Norte e Nordeste. A Bahia apresentou a maior taxa de homicídios do Brasil em 2023, com 43,7 mortes por 100 mil habitantes, seguida por Amapá (39,7), Pernambuco (37,3), Amazonas (36,0) e Ceará (34,8).
O Amapá fechou o ano de 2023 com 516 homicídios. Outro dado divulgado no Atlas é que o estado tem a menor taxa de mortes no trânsito com 87, atingindo o percentual de 9,7 mortes por 100 mil habitantes.
“O tema da violência nos transportes é tratado como um grave problema de saúde pública, com níveis de mortalidade comparáveis aos homicídios intencionais”, aponta o relatório.
Veja o número de assassinatos por 100 mil habitantes em cada estado da Região Norte:
A presença indígena nos territórios amazônicos, observada no manejo de plantas, é um legado que evidencia antigas práticas de policultura agroflorestal e que contribui para a fertilidade dos solos e a biodiversidade das florestas.
Investigar a relação de territorialidade ancestral nessas regiões busca não só compreender o passado indígena na Amazônia, mas também valorizar esse legado nas comunidades que se originaram do processo de colonização.
Esse foi o estudo realizado pela arqueóloga de origem ribeirinha e professora da Universidade Federal do Pará (UFPA), Daiana Travassos Alves, no seu projeto de pesquisa ‘Manejo de plantas nas terras pretas do Baixo Tapajós‘. A professora foi uma de quatro pesquisadores premiados na categoria Impacto Social da Brazil Conference at Harvard & MIT, realizada no mês de abril, nos Estados Unidos.
Desenvolvida em diálogo com os comunitários da Floresta Nacional (Flona) do Tapajós, localizada na região oeste do Pará, entre o rio Tapajós e a rodovia BR-163 (Santarém-Cuiabá), a pesquisa premiada focou na arqueobotânica, área da Arqueologia que investiga restos de plantas em sítios arqueológicos para compreender as relações entre pessoas e plantas e que tem crescido nos últimos 20 anos na Amazônia.
“Os resultados das pesquisas arqueobotânicas vêm mudando a forma como compreendemos o passado indígena na Amazônia, e as evidências de antigas práticas de policultura agroflorestal que identifiquei em meu estudo foram bem recebidas e incorporadas nas discussões arqueológicas”, explica a pesquisadora.
Foto: Daiana Travassos Alves/Acervo pessoal
Segundo ela, as atividades devolutivas do estudo para a comunidade incluíram, a pedidos das lideranças comunitárias, a produção de banners a serem empregados pelos guias turísticos nas trilhas da Flona e de calendários, entregues aos moradores e em oficinas de capacitação dos professores nas escolas para incorporar os resultados do trabalho em sala de aula.
“Já para os alunos, concentramos na introdução do que é Arqueologia e quais temas são investigados, focando no legado indígena na floresta, que foi o principal resultado da minha pesquisa”, completa Daiana Alves.
Como desdobramento desta pesquisa, seu atual Projeto ‘Florestas Culturais e Territorialidades na Amazônia Oriental Pré-Colonial’ recebeu financiamento do CNPq e é desenvolvido em colaboração com os pesquisadores Helena Pinto Lima (PPGDS/MPEG) e Pedro José Tótora da Glória (PPGA/UFPA).
Premiação
A Brazil Conference at Harvard & MIT é um evento anual, realizado desde 2015, que reúne líderes acadêmicos, cientistas, formuladores de políticas públicas e representantes da sociedade civil para debater desafios e oportunidades estratégicas para o Brasil. Desde sua criação, a conferência consolidou-se como um dos mais relevantes espaços de articulação e intercâmbio de ideias inovadoras, promovendo visibilidade internacional para projetos de impacto. “Espero que esta premiação possa impactar para incentivar o turismo eco arqueológico na Flona Tapajós, o que, com certeza, irá beneficiar as comunidades locais”, deseja Daiana Alves.
Foto: Divulgação
Para a arqueóloga, que, há quase duas décadas, atua divulgando suas pesquisas em jornais científicos de alto impacto como a revista Nature, a participação no evento dá notabilidade não apenas para a comunidade científica, mas também para um público mais amplo que é alcançado pelos canais de transmissões na internet. “Foi uma oportunidade de divulgar a pesquisa arqueológica em um meio científico mais abrangente e de dialogar com esses pesquisadores interessados em comunicação científica fora da academia”, afirma.
O Brazil Conference at Harvard & MIT é organizado por estudantes brasileiros nas Universidades de Harvard e do Massachusetts Institute of Technology (MIT), em Boston, EUA. O prêmio é uma forma de divulgar, no cenário mundial, os estudos de excelência para a ciência brasileira e destacar o impacto positivo do investimento público em pesquisa.
Para os organizadores, “a divulgação dessa conquista contribuirá para valorizar a pesquisa nacional, especialmente aquela voltada para as realidades e saberes da Amazônia, e inspirar novas gerações de cientistas comprometidos com abordagens colaborativas e socialmente relevantes”.
Trabalho reconhecido
Graduada em História, mestre em Arqueologia/Antropologia pela UFPA e doutora em Arqueologia pela Universidade de Exeter (Reino Unido), Daiana Travassos Alves também lidera o Tapera – grupo de pesquisa em Arqueologia amazônica e é editora-chefe do periódico Amazônica – Revista de Antropologia. Sua pesquisa se concentra nos usos da terra pré-colombianos, nas práticas alimentares e nas mudanças sociais na Amazônia antiga, integrando abordagens de Arqueologia e Paleoetnobotânica.
Um aspecto particularmente relevante de seu trabalho é o estudo do Sítio Sambaqui Jacarequara, na Ilha de Trambioca (Barcarena/PA), um marcador territorial com 2.700 anos de antiguidade. As escavações neste sítio são realizadas em formato de sítio-escola, com todas as etapas definidas em diálogo com os moradores locais, que participam ativamente das atividades – especialmente as crianças. Esta abordagem colaborativa não apenas revela a história milenar da região por meio dos vestígios de fauna e flora encontrados, mas também fortalece os laços entre a pesquisa científica e as comunidades tradicionais.
“O trabalho da Dra. Daiana exemplifica um fazer arqueológico sensível e respeitoso, que reconhece os sítios arqueológicos como territórios vivos das comunidades atuais, portadores de uma história profunda. Sua premiação, portanto, não apenas honra sua excelência como pesquisadora, mas também é um reconhecimento do valor do conhecimento tradicional e do envolvimento comunitário na produção científica”, reforça o time do Programa de Pesquisadores da Brazil Conference at Harvard & MIT.
O folclore brasileiro consiste em lendas, costumes e personagens folclóricos da cultura nacional como resultado de histórias e mitos do imaginário popular. Com manifestações folclóricas em todas as regiões e com influências portuguesas, indígenas e africanas, o Brasil é reconhecido como um país rico em folclore.
Alguns exemplos dessas manifestações são os mitos, lendas, brincadeiras, danças, festas, comidas típicas e costumes que são transmitidos de geração para geração. E a Amazônia é uma região riquíssima nesses quesitos.
Observando essa riqueza nacional, o artista Eduardo José, de Olinda, Pernambuco, criou figurinos para os Ensaios da Anitta 2026 que trazem uma nova interpretação das lendas, misturando tradição e inovação na moda.
Os ensaios da Anitta são uma série de shows ao vivo realizados pela cantora no período do pré-carnaval por diversas cidades brasileiras e cada edição possui uma temática própria, que inclui cenografia, figurinos e a estética do evento.
Alguns dos figurinos criados por Eduardo para os ensaios foram inspirados em personagens como o Boitatá, a Iara, os bois Caprichoso e Garantido, e a Caipora, figuras de grande destaque no folclore amazônico.
“Acredito profundamente na valorização da nossa cultura. O folclore é uma expressão riquíssima da identidade do nosso povo, com lendas, personagens, músicas e tradições de várias regiões do Brasil. Trazer isso para um palco tão poderoso como o da Anitta é dar voz à nossa história”, declarou o artista ao Portal Amazônia.
Para a produção dos desenhos além da influência das lendas folclóricas, Eduardo também utilizou de inspiração presenças marcantes do seu dia a dia e da sua vida, como o Carnaval de Olinda e a série de TV Castelo Rá Tim Bum. Mas a Amazônia não poderia ser deixada de fora.
“A roupa dos bois, por exemplo, foi inspirada em um figurino usado pela rainha de bateria da Sombatuki, bateria de carnaval da qual faço parte aqui em Olinda. Já a Caipora foi criada com base na personagem do Castelo Rá-Tim-Bum, que marcou a infância de toda uma geração, inclusive a minha”, afirmou Eduardo.
Na lenda desenhada pelo artista, o boitatá é representado por uma cobra de fogo que mora no fundo do rio e é a guardiã da fauna e da flora.
Iara
A lenda da Iara, que serviu de inspiração para Eduardo, conta a história de uma sereia, também conhecida como mãe D’ água, que habita os rios da amazônia e atrai homens para o fundo do rio com seu belo canto encantado.
Caipora
Na lenda representada pelo artista, Caipora é uma indígena que reside no interior da floresta amazônica e protege animais alvo de caçadores.
Bois Caprichoso e Garantido
Com repercussão nacional, a inclusão dos bois-bumbás do Festival Folclórico de Parintins é quase um bônus para a sequência artística de Eduardo.
Em suas publicações na rede X, onde o trabalho tem ganhado visibilidade, ele busca as referências do folclore e narra a história de pai Francisco e mãe Catirina, que matam o melhor boi da fazenda por um desejo de grávida de Catirina, contudo o boi sobrevive graças aos rituais do pajé e uma festa celebrando a vida do boi é realizada.
Bastidores na produção do visagismo no FAO. Fotos: Diego Andreoletti/Amazon Sat
Enquanto o público se encanta com as vozes potentes e os cenários grandiosos de uma ópera, longe dos holofotes, um outro espetáculo acontece nos bastidores. É lá, entre pincéis, pós e sprays, que o visagismo entra em cena — a arte de traduzir, por meio de penteados e maquiagem, a essência dos personagens.
No Festival Amazonas de Ópera (FAO) essa missão está nas mãos do visagista Eugênio Lima, que desde 2018 atua na caracterização dos artistas. Confira alguns dos momentos nos bastidores da ópera:
Atriz do Festival Amazonas de Ópera. Foto: Diego Andreoletti/Amazon Sat
Enquanto o público se encanta com as vozes potentes e os cenários grandiosos do Festival Amazonas de Ópera (FAO), longe dos holofotes, um outro espetáculo acontece nos bastidores. É lá, entre pincéis, pós e sprays, que o visagismo entra em cena — a arte de traduzir, por meio de penteados e maquiagem, a essência dos personagens.
No Festival Amazonas de Ópera essa missão está nas mãos do visagista Eugênio Lima, que desde 2018 atua na caracterização dos artistas. “Cada ópera tem suas especificidades. A gente estuda tudo com base no figurino e nas orientações da direção. O visagismo tem que estar muito alinhado com a proposta estética do espetáculo”, explica Eugênio.
Visagista Eugênio Lima nos bestidores do Festival Amazonas de Ópera. Foto: Diego Andreoletti/Amazon Sat
A partir daí, surge um trabalho minucioso: entender que imagem cada personagem deve transmitir, respeitando sua individualidade e contexto narrativo.
Um dos maiores desafios desta edição, segundo Eugênio, foi dar vida aos personagens de ‘As Bodas de Fígaro’, de Mozart, uma das primeiras óperas apresentadas no festival. “A história se passa em um lugar ensolarado, no campo. Precisávamos criar a aparência de um bronzeado, mas respeitando a tonalidade de pele de cada artista, sem jamais recorrer a recursos que pudessem ser interpretados como blackface. É um cuidado ético e estético”, assegura.
Festival Amazonas de Ópera. Foto: Diego Andreoletti/Amazon Sat
Esse compromisso com a autenticidade e o respeito também se reflete na escolha dos materiais: maquiagens hipoalergênicas, oil free e resistentes ao suor são essenciais para enfrentar o calor de Manaus e as luzes intensas do palco.
Camarim em ritmo acelerado
A preparação dos artistas começa cedo. Segundo o visagista, a equipe recebe, com um dia de antecedência, a ordem do dia (OD) — um cronograma com horários e demandas específicas de cada personagem. “Chegamos por volta das 15h30 para organizar tudo. Às 16h já começamos a preparar quem tem caracterizações mais demoradas”, conta Eugênio sobre a preparação para este ano.
A mágica acontece no camarim do Teatro Amazonas. Foto: Diego Andreoletti/Amazon Sat
Ele menciona alguns casos específicos, como o de uma cantora que precisa fazer babyliss em todo o cabelo, ou o do cantor Murilo, que a cada duas récitas precisa raspar completamente a cabeça para compor seu personagem. “É um trabalho de entrega mesmo. Tudo é feito com muito cuidado para que a caracterização esteja impecável do início ao fim”, explica o visagista.
Durante os atos, a equipe permanece alerta. “Descemos ao camarim no segundo ato para conferir tudo. Às vezes, é preciso secar o suor, retocar a maquiagem ou ajustar perucas”, revela.
Apesar do ritmo intenso, Eugênio diz que até agora não houve emergências graves nesta edição. “Já tivemos situações em que uma lace [tipo de peruca que usa uma tela para simular o couro cabeludo de forma mais natural] soltou, mas conseguimos resolver na hora, sem que o público percebesse”, diz.
Festival Amazonas de Ópera. Foto: Diego Andreoletti/Amazon Sat
Ao todo, a equipe de visagismo conta com cerca de 16 profissionais, entre maquiadores e cabeleireiros. Eugênio conduz a execução do trabalho com afinco, mas também com gratidão.
“Ver o resultado no palco, perceber que a construção visual dos personagens funcionou, é a maior recompensa. É saber que a soma de todos os detalhes colaborou para aquele momento mágico”, afirma.
Para Eugênio, o FAO representa não apenas um palco de criação, mas também de transformação pessoal: “Já trabalhei nos bastidores sem assinar nada. Hoje, assino óperas com grandes nomes e isso me levou a outros lugares. Agora, quero investir mais em estudos no exterior para trazer novas técnicas para cá. A ideia é essa: formar mais construtores dessa arte que, muitas vezes, passa despercebida”.
Canteiro de mudas em fazenda especializada na produção de castanha-do-Brasil, na Amazônia. Foto: Andressa Barroso
A COP30 – 30ª edição da Conferência das Partes, reunião anual organizada pelas Nações Unidas (ONU) para definir e implementar ações globais de enfrentamento da crise climática – está sendo aguardada com forte expectativa. Agendada para novembro de 2025, deverá ocorrer em Belém, capital do Pará, em plena Amazônia brasileira. É esse componente altamente simbólico que explica o especial interesse suscitado pelo evento. Muitas iniciativas positivas já estão em curso e a construção de uma agenda para a implementação da bioeconomia faz parte do processo.
Estudo recente investigou a governança da política pública em bioeconomia no Estado do Amazonas, analisando sua estrutura e arranjos de implementação. O objetivo foi compreender como uma política pública na área se relaciona com os esforços locais e identificar formas de aprimorar a sua efetividade. Conduzido por Vanessa Cuzziol Pinsky, pesquisadora da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (FEA-USP), o trabalho foi supervisionado por Jacques Marcovitch, professor emérito da USP, e teve a participação do pesquisador Adalberto Luis Val, atualmente sediado no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Os resultados forampublicados na Revista de Administração Contemporânea.
Projeto de Bioeconomia. Foto: Sant Film Studios/IDESAM
“O objetivo principal da pesquisa foi entender se e como o sistema de governança da política pública em bioeconomia no Estado do Amazonas se integra com esforços efetivos de implementação. Nosso modelo foi o da governança experimentalista para formulação e implementação de políticas públicas, abordagem bem-sucedida na União Europeia para lidar com a complexidade e a diversidade de seus Estados-Membros, por meio de uma coordenação de políticas sem impor regras rígidas em áreas como mudanças climáticas, regulação financeira e direitos sociais”, diz Pinsky.
A pesquisadora explica que o conceito de “governança experimentalista” traduz a ideia de um processo mais flexível, envolvendo atores públicos e privados em diferentes níveis, por meio de uma abordagem de aprendizado contínuo baseada na prática, adaptação e participação descentralizada. “A intenção é criar uma dinâmica que facilite a formulação de regras e a definição de arranjos de implementação capazes de garantir que a política nacional se traduza em práticas e resultados concretos nos níveis subnacional e local, beneficiando o desenvolvimento socioeconômico com a conservação ambiental dos territórios”, afirma.
Em um sistema desse tipo, as lições aprendidas ao longo do processo possibilitam melhorar a elaboração de regras e metas, considerando os desafios, as experiências bem-sucedidas e os erros a serem evitados. Isso demanda uma estrutura de governança participativa e multinível, além de articulação com as políticas setoriais já existentes, de forma a contemplar os interesses econômicos muitas vezes divergentes dos diferentes atores. Além disso, é necessário estabelecer um sistema de revisão por pares dos resultados e dos impactos, subsidiando a revisão dos planos e metas. “É fundamental que tudo isso deságue na formulação de uma agenda de Estado e não de governo, pois muitas iniciativas excelentes acabam sendo descontinuadas cada vez que um grupo governante é substituído por outro”, enfatiza o professor Marcovitch.
Produtos para Bioeconomia. Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa
Entre as recomendações do estudo, destacam-se a criação de um sistema de métricas e metas, com indicadores de resultado e impacto, a definição de mecanismos de financiamento sustentável e a institucionalização da bioeconomia como política transversal de longo prazo. Essas medidas visam garantir a perenidade das iniciativas e atrair investimentos para a região. “A bioeconomia se apresenta como uma alternativa viável para aliar desenvolvimento socioeconômico e conservação ambiental na Amazônia, mas seu sucesso depende de um sistema de governança eficaz, participativo e resistente a mudanças políticas”, argumenta Marcovitch.
Pinsky conta que o conceito de “redes de conhecimento produtivo” em lugar de “cadeias produtivas” guiou a pesquisa. Esse conceito foi proposto pela Secretaria de Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado do Amazonas (Sedecti). As redes de conhecimento produtivo consideram que o uso sustentável dos recursos naturais, a coleta e o cultivo por agricultores familiares e povos tradicionais são pilares estruturantes das cadeias produtivas nos territórios. Tal modelo prioriza a conservação ou regeneração dos ecossistemas em harmonia com o modo de vida das comunidades locais, os saberes tradicionais e as práticas de produção familiar em pequena escala, muitas vezes organizadas em associações e cooperativas.
“A valorização do conhecimento tradicional, o envolvimento efetivo e o protagonismo dos povos indígenas e das comunidades locais são indispensáveis para o fomento da política em bioeconomia. Melhorar a qualidade e agregar valor aos produtos da sociobiodiversidade, considerando o uso sustentável da floresta, a geração de emprego e renda e bem-estar das comunidades, são bases estruturantes para a formulação de políticas de desenvolvimento regional na Amazônia”, afirma a pesquisadora.
Produtos para Bioeconomia. Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa
O estudo agrupa em cinco pilares suas contribuições para o aprimoramento do sistema de governança da política pública em bioeconomia: desenvolvimento de uma bioeconomia inclusiva, que considere a diversidade e os desafios locais na definição da estratégia; governança experimentalista, com um sistema flexível e eficiente baseado em metas e métricas e a revisão por pares dos resultados; institucionalização da bioeconomia como política de Estado e não de governo; inovação e modelo de hélice quíntupla, envolvendo governo, sociedade, indústria, academia e meio ambiente; estratégias de baixo para cima e de cima para baixo na formulação de políticas, reduzindo a burocracia, incentivando a inovação por meio da experimentação e identificando bases sólidas para o desenvolvimento das regras.
“A bioeconomia é uma abordagem socioeconômica promissora que concilia a conservação ambiental com a geração de emprego e renda, reduzindo a pobreza e a desigualdade. A articulação de uma política nacional com coordenação na esfera estadual e implementação no nível local é estratégica para fomentar o desenvolvimento de uma bioeconomia circular, regenerativa, de baixo carbono e inclusiva, centrada no bem-estar humano e na conservação dos ecossistemas”, resume Marcovitch.
O Highly Ranked Scholars compila os autores mais produtivos (em número de publicações), cujos trabalhos têm profundo impacto (em número de citações) e a mais alta qualidade (Índice-H). O ranking analisa mais de 30 milhões de perfis acadêmicos, que abrange mais de 200 milhões de publicações acadêmicas registradas em mais de 350 mil especialidades, 177 disciplinas e 14 áreas. Os dados usados baseiam-se na atividade dos últimos cinco anos, ponderando cada publicação e citação pelo número de autores e excluindo autocitações.
“O interessante deste índice é que ele exclui a autocitação, ou seja, ele só conta citações das publicações que não sou eu que faço, por isso ele é um índice interessante e está sendo bem aceito pela comunidade científica”, declara Bogoni que atua no curso de Ciências Biológicas do câmpus de Cáceres, no Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais (PPGCA) e no Programa de Pós-Graduação da Rede em Biodiversidade e Biotecnologia da Amazônia Legal (Bionorte).
Pesquisas com mamíferos. Foto: Reprodução/Agência Andina
O biólogo explica que sua pesquisa trabalha com muitos aspectos da biodiversidade ao longo dos três biomas do Estado de Mato Grosso e também na Mata Atlântica. “O único bioma que eu não trabalhei presencialmente ainda foi a Caatinga”, conta o professor. “Minha pesquisa está mais voltada para esta parte de inventários de fauna, padrões de diversidade, composição de espécies, de conflito humano-fauna, mas que, na maioria das vezes, tento também colocar uma aplicabilidade, algo prático em relação ao manejo de paisagens, de fauna e tudo mais”, diz Bogoni.
O pesquisador possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade do Contestado (UnC), em Santa Catarina, e mestrado e doutorado em Ecologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), além de três pós-doutorados: pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), pela Universidade de São Paulo (USP) e pela Universidade de East Anglia, no Reino Unido, bem como especialização em Data Science e Analytics pela USP e em Biologia da Conservação da Natureza pela Universidade de Passo Fundo (UPF), no Rio Grande do Sul.
Não é a primeira vez que o pesquisador tem seu trabalho reconhecido: ele conquistou o segundo lugar da segunda edição do Prêmio MapBiomas, em 2020, e o segundo lugar no Prêmio Darrel Posey da Sociedade Brasileira de Etnobiologia e Etnoecologia, em 2016.
Professor visitante na Unemat, atua no Laboratório de Mastozoologia com o professor Manoel Santos Filho, já tendo atuado em diversas universidades, como a britânica Universidade de East Anglia, federais como as de Mato Grosso do Sul (UFMS), de Minas Gerais (UFMG), da Paraíba (UFPB), e de Santa Catarina (UFSC); estaduais como as do Rio de Janeiro (Uerj) e de São Paulo (USP); e particulares como as do Contestado (UnC), de Passo Fundo (UPF) e do Sul de Santa Catarina (UniSul), bem como no Instituto Espaço Silvestre (IES) e na Sociedade Brasileira de Mastozoologia (SBMZ).
A pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Unemat, Áurea Ignácio, explica que, para o fortalecimento e consolidação dos programas de pós-graduação, a Universidade contrata professores visitantes como uma estratégia de aumento e fortalecimento. “O professor Juliano Bogoni possui forte expertise em publicações de circulação internacional e orienta alunos de mestrado e doutorado em dois dos nossos programas, o que garantiu este excelente resultado, inserindo a Unemat no cenário mundial de fortes publicações na área de mamíferos”, enfatiza a pró-reitora.
A ScholarGPS contabilizou 52 publicações do pesquisador da Unemat, com 1.125 citações e um Índice-H de 18. Na classificação do ranking, o pesquisador é categorizado na área de Ciências da Vida e na disciplina de Ciências Ambientais. A plataforma também cataloga as principais especialidades de cada pesquisador, atribuindo a Bogoni especialidade em mamíferos, biodiversidade, biologia da conservação, florestas, habitats e Mata Atlântica.
Espécie da família dos cervídeos, popularmente conhecidos como veados. Foto: Divulgação/ICMBio
Em todo o mundo, foram classificados somente 24 pesquisadores de 12 países: oito dos Estados Unidos, quatro da Itália, dois do Reino Unido e dois do Brasil, com Argentina, Austrália, Áustria, China, Colômbia, Japão, Rússia e Suíça tendo classificado um pesquisador cada.
A outra pesquisadora brasileira é Katia Maria Paschoaletto Micchi de Barros Ferraz, da Universidade de São Paulo, que conquistou a 10ª colocação.
O Ministério Público de Rondônia (MP-RO) entrou na Justiça, na segunda-feira (12), para tentar suspender uma lei que “perdoa” multas por crimes ambientais e regulariza a situação de pessoas que vivem ou trabalham irregularmente na Reserva Extrativista (Resex) Jaci-Paraná.
“A atuação do MP é em defesa da coletividade e da proteção do meio ambiente, principalmente daquela unidade de preservação ambiental, que é patrimônio público. Logo, ela não pode ser utilizada para favorecer determinados grupos, principalmente invasores, que já vêm registrando muitos danos ambientais da RESEX ao longo dos anos”, aponta a promotora Dra. Edna Capeli.
A norma foi criada pelo deputado Dr. Luis do Hospital (MDB), chegou a ser vetada pelo governador Coronel Marcos Rocha, mas a Assembleia Legislativa derrubou o veto e aprovou a medida por conta própria. Ela está em validade desde o fim de abril.
O Ministério Público argumenta que a lei é inconstitucional, fere princípios da Constituição e enfraquece a proteção ambiental no país. Segundo o MP, a norma também vai contra a Lei Federal nº 9.985/2000, que diz que reservas extrativistas devem ser usadas apenas por populações tradicionais, proibindo ocupações irregulares e atividades econômicas com fins comerciais.
Ainda segundo a ADI, a lei aprovada cria um cenário de impunidade ao permitir, na prática, o perdão de multas por crimes ambientais e o cancelamento de processos judiciais relacionados à ocupação irregular da reserva, o que pode gerar insegurança jurídica.
O pedido de medida cautelar foi encaminhado ao Tribunal Pleno do Tribunal de Justiça de Rondônia (TJ-RO), que irá decidir, inicialmente, sobre a suspensão imediata da lei. Em seguida, o mérito da ação será julgado, com possibilidade de declaração definitiva de inconstitucionalidade da norma.
Outro ponto destacado pelo MP-RO é que a nova lei, ao autorizar a regularização das ocupações dentro da reserva, não estabelece critérios claros ou mecanismos para a recuperação das áreas já degradadas.
“A norma ignora a necessidade de restaurar o meio ambiente local, não especificando como ou quando serão implementadas ações para recompor a vegetação nativa ou compensar os danos ambientais causados nas últimas décadas”, afirma o Ministério Público.
Outro problema identificado pelo órgão é a ameaça para as comunidades tradicionais que vivem regularmente dentro da Resex, uma vez que o programa foi criado sem ouvir essas pessoas.
O MP ressalta ainda que a ausência de diretrizes para resolver disputas de uso da terra, somada à fragilização dos instrumentos de fiscalização e punição, cria cenário de insegurança jurídica, capaz de estimular novas invasões e de dificultar a convivência pacífica na unidade de conservação.
Com base nos argumentos, o órgão pede que a norma seja declarada inconstitucional.
Criada em 1996, com cerca de 200 mil hectares, localizada entre os municípios de Porto Velho e Nova Mamoré, a Resex Jaci-Paraná é classificada como unidade de uso sustentável, ou seja, permite a presença humana, mas com regras voltadas à conservação.
Foi pensada para proteger comunidades tradicionais e o modo de vida baseado na extração de produtos da floresta, como látex, castanha e açaí.
Dados de monitoramento ambiental citados pelo MP apontam que, entre 2012 e 2022, a extensão de áreas ocupadas por atividades agropecuárias na reserva aumentou 239%, enquanto a área de floresta foi reduzida em mais de dois terços.
*Por Agaminon Sales e Jaíne Quele Cruz, da Rede Amazônica RO
Ação faz parte do projeto Ópera em Rede. Fotos da galeria: Isabelle Lima/Portal Amazônia
O brilho dos lustres, a imponência da arquitetura e o som vibrante das vozes no palco marcaram o segundo encontro de cerca de 500 pessoas com o universo da ópera. Realizada no dia 12 de maio, a iniciativa ‘Minha Primeira Ópera‘ proporcionou a “estreia” de muitos manauaras no Teatro Amazonas, com a apresentação de dois atos do clássico ‘As Bodas de Fígaro’, de Mozart.
A ação integra o projeto ‘Ópera em Rede’, realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), e tem como protagonistas adolescentes e idosos atendidos pela Adra Brasil no Amazonas, além de moradores da comunidade do Puraquequara — região periférica de Manaus.
“Ópera é uma grande fofoca embasada”, brincou o estudante Joaquim Ruan, ao tentar explicar, com bom humor, sua percepção do enredo do espetáculo ‘As Bodas de Fígaro’. “Mas é muito legal. Eu gostei porque une duas coisas que amo: teatro e música”, afirmou.