Avião solidário transporta dois Macacos-barrigudos para projeto de conservação — Foto: Divulgação
Duas fêmeas jovens de macaco-barrigudo (Lagothrix lagotricha cana), espécie típica da Amazônia, foram transportadas de Manaus (AM) para Guarulhos (SP) no dia 15 de maio, pelo programa Avião Solidário da LATAM, em uma ação conjunta com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, de Sorocaba (SP), e a Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB).
Tieta e Sofia, como são chamadas as primatas, chegaram ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama em Manaus no dia 12 de fevereiro, vindas do município de Tefé, no interior do Amazonas.
Avião solidário transporta dois Macacos-barrigudos para projeto de conservação — Foto: Divulgação
Segundo o Ibama, a transferência tem como objetivo contribuir para a conservação dos primatas amazônicos, promover o bem-estar dos indivíduos e fortalecer a diversidade genética da população mantida fora do ambiente natural.
“O manejo e o cuidado com esses animais são fundamentais para garantir não só a saúde deles, mas também a continuidade da espécie em ambientes sob nossa responsabilidade”, explicou o Ibama em nota.
Avião solidário transporta dois Macacos-barrigudos para projeto de conservação — Foto: Divulgação
O transporte aéreo reduziu para cerca de quatro horas um trajeto que, por vias terrestres, levaria mais de dois dias. O tempo de viagem menor garantiu mais segurança e conforto para os animais, que agora passarão a compor um novo grupo social no zoológico de Sorocaba.
Segundo a organização do programa Avião Solidário, desde sua criação, mais de 4,6 mil animais foram transportados gratuitamente no Brasil, além de toneladas de doações e insumos para situações emergenciais.
O Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) é um órgão do Ibama, gerenciado pelo governo federal, que abriga animais resgatados de, por exemplo, incêndio florestal, ou acidentados em ambiente urbano.
Estes centros também recebem animais silvestres por entrega voluntária ou oriundos de apreensão de fiscalização, recuperam e destinam esses animais por meio de soltura ou encaminhamento para empreendimentos de fauna devidamente autorizados.
Programa Avião Solidário
Há mais de dez anos o programa Avião Solidário permite, por meio do transporte gratuito de passageiros e carga, apoiar comunidades do Brasil e de toda América do Sul com relação às necessidades de saúde, cuidados com o meio ambiente e catástrofes naturais. A missão com esse programa é abrir as asas para reduzir distâncias quando for mais necessário.
Brasil ganha zoneamento climático do abacaxi. Foto: Davi Theodoro Junghans
O cultivo de abacaxi em território brasileiro acaba de ganhar um reforço importante: o primeiro Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) da cultura com abrangência nacional. A nova ferramenta, publicada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), orienta produtores de todos os municípios do País sobre as melhores condições de plantio, com base em dados científicos e históricos.
Desenvolvido pela Embrapa, o novo Zarc atualiza e amplia a versão anterior, de 2012, e traz melhorias que prometem aumentar a produtividade e diminuir riscos, especialmente em regiões vulneráveis como o Semiárido.
A nova versão traz três atualizações importantes. Uma delas é a classificação em três níveis de risco (20%, 30% e 40%) associados às fases de desenvolvimento de frutos, desde a floração, passando pela frutificação, até a colheita, sendo 40% o risco máximo aceitável para o cultivo. Com isso, são gerados calendários de plantio que indicam quando e onde a cultura pode ser mais produtiva e ter mais sucesso.
Brasil ganha zoneamento climático do abacaxi. Foto: Davi Theodoro Junghans
“Os riscos são importantes em diferentes períodos de desenvolvimento da cultura. Por isso, resolvemos usar critérios de riscos para quatro fases de crescimento: a fase 1, inicial, que seria a implantação e o desenvolvimento inicial da planta; a 2, do crescimento vegetativo; a 3, de indução floral e início de frutificação; e a fase 4, de desenvolvimento do fruto até a colheita”, detalha o engenheiro-agrônomo Mauricio Coelho, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura (BA), responsável técnico e coordenador do Zarc Abacaxi.
Outra novidade é a categorização das classes de água disponível do solo, variando de 1 a 6, e não mais de 1 a 3. “A variação de 34 a 184 milímetros por metro de profundidade, dependendo da textura do solo, representa melhor os tipos de solos existentes no Brasil. Essas classes de solo têm a ver com o armazenamento de água, essa capacidade afeta muito o risco climático”, ressalta o cientista.
“Quanto menor for essa ‘caixa d’água’, mais acentuado vai ser o risco, a depender do solo. Se houver tendência de acúmulo prolongado de água no solo, também será um dos problemas da cultura é justamente o excesso de água. Áreas com encharcamento não são recomendadas para o cultivo do abacaxi”, esclarece Coelho.
Em relação a temperatura do ar, locais com probabilidades de geadas frequentes e plantios localizados em altitude superior a mil metros também foram considerados de risco climático elevado.
Outro avanço importante da nova versão é que, pela primeira vez, o sistema considera as exigências das principais variedades plantadas no Brasil, que foram divididas em dois grupos: ‘Pérola’, ‘Turiaçu’ e ‘Smooth Cayenne’ (grupo 1, mais rústico) e ‘BRS Imperial’, mais sensível aos estresses ambientais e que requer um cuidado maior no cultivo).
A portaria do Zarc Abacaxi obriga que, no estabelecimento de novas áreas com novas variedades devem ser utilizadas mudas produzidas em viveiros credenciados em conformidade com a Legislação Brasileira sobre Sementes e Mudas (Lei nº 10.711, de 5 de agosto de 2003, e Decreto nº5.153, de 23 de agosto de 2004).
“A atualização do Zarc Abacaxi é de grande relevância para o Ministério da Agricultura, pois integra o esforço contínuo de modernização das ferramentas de gestão de riscos agropecuários. Sua atualização reforça o compromisso do Mapa e da Embrapa com a sustentabilidade e a resiliência da produção agrícola nacional”, afirma o engenheiro-agrônomo Hugo Borges Rodrigues, coordenador-geral de risco agropecuário do Departamento de Gestão de Riscos da Secretaria de Política Agrícola do Ministério.
“O principal benefício para o produtor que segue as orientações do Zarc é a redução do risco climático no cultivo, já que a ferramenta indica os períodos mais favoráveis ao plantio com base em critérios técnicos e científicos. Além disso, o cumprimento das recomendações do Zarc é condição para o acesso a importantes políticas públicas de gestão de riscos, como o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) e o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR)”, lembra Rodrigues.
Eduardo Monteiro, pesquisador da Embrapa Agricultura Digital (SP) e coordenador da Rede Zarc Embrapa, destaca as mudanças no novo zoneamento, em especial as ligadas à base de dados meteorológicos.
“Agora são considerados os dados meteorológicos atualizados até 2022, incluindo, portanto, dados bem mais recentes em relação ao zoneamento antigo”, salienta.
A base de dados meteorológicos é composta por séries históricas obtidas a partir das redes de estações terrestres, meteorológicas e pluviométricas convencionais e automáticas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), do sistema HidroWeb, operado pela Agência Nacional de Águas, e aquelas pertencentes ao Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Cptec/Inpe), além de redes estaduais mantidas por instituições ou empresas públicas.
Zoneamento do abacaxi. Foto: Alessandra Vale
O pesquisador Domingo Haroldo Reinhardt, que coordena as pesquisas com abacaxi na região de Itaberaba – principal produtor de abacaxi do estado da Bahia – e faz parte da equipe técnica do Zarc, ratifica as melhorias da ferramenta: “A metodologia foi bastante aprimorada, principalmente quanto aos níveis de capacidade de armazenamento de água, ainda mais para a região semiárida, como é o caso de Itaberaba, onde existem variações grandes dentro do mesmo município. Sem dúvida, o produtor novo deve recorrer ao Zarc, assim como aquele produtor que quer investir em novas áreas de plantio”.
A opinião é compartilhada pelo pesquisador Aristoteles Pires de Matos, líder da Equipe Técnica de Abacaxi da Embrapa Mandioca e Fruticultura com forte atuação na implantação da cultura nos estados do Pará e Tocantins.
“O Zarc é importante para o produtor por uma série de razões. É preciso desmistificar que ele seja apenas uma ferramenta de financiamento, assim como não deve ser encarada como mais uma dificuldade na produção. Por exemplo, sabendo que o ambiente interfere na ocorrência de pragas e doenças, o técnico e o agricultor podem usar a informação do Zarc para dar uma ajustada no seu sistema e ter o monitoramento das pragas e doenças mais bem elaborado”, comenta Matos, também integrante da equipe do Zarc.
Segundo o especialista em geoprocessamento e agrometeorologia da Embrapa Cerrados Balbino Antonio Evangelista, integrante do grupo gestor do Zarc Embrapa, os estudos anteriores referentes ao abacaxi nem sempre utilizavam uma mesma base de dados e conhecimento de solos, clima e do sistema de produção da cultura unificada para todo o País.
“Eles também podiam ser regionalizados e realizados por equipes técnicas de diferentes regiões. Após a liderança da Embrapa, os estudos passaram a melhor representar as características climáticas do País, com continuidade espacial”, conta.
Evangelista participou em 2024, do evento Rota da Fruticultura, realizado pelo Governo do Tocantins — quarto colocado em produção de abacaxi no Brasil — que reuniu produtores, técnicos da Embrapa e de órgãos estaduais ligados à agricultura e demais agentes da cadeia produtiva do estado. “Foi uma excelente oportunidade de compreender o sistema de produção do abacaxi e conhecer as tecnologias empregadas, para assim levantar subsídios para melhor calibrar os nossos modelos de estudos de Zarc e assim, validar e melhor representar a realidade de campo”, ressalta.
Pela primeira vez, o Zarc Abacaxi ganhou uma importante fase: a validação junto a produtores, técnicos e representantes da cadeia produtiva. Duas reuniões foram realizadas via internet com participantes das regiões Norte e Nordeste e da região Centro-Sul, respectivamente.
“Nós trabalhamos em um modelo que vai ser aplicado em todo o País, por isso, ele tem que representar bem as condições do desenvolvimento e dos riscos climáticos em todas as regiões. Precisávamos do feedback dos polos de produção para tentar corrigir alguma falha, se houvesse, antes da publicação das portarias”, explica Coelho.
BRS Imperial – Foto: JUNGHANS, Davi Theodoro
Para Fernando Barreto de Melo, engenheiro-agrônomo e gerente-executivo da Central de Suporte Técnico do Banco do Nordeste, que esteve presente à reunião de validação, o Zarc possui papel muito significativo no desenvolvimento da região.
“Ser produtor rural no Semiárido nordestino requer, além de paixão, muita resiliência, conhecimento técnico e capacidade administrativa, pois os desafios para produzir, principalmente na agricultura de sequeiro, em uma região com histórico de precipitação pluviométrica bastante irregular no espaço e no tempo, são imensos. Para o produtor, o Zarc possibilita menor risco e proporciona maiores possibilidades de sucesso no empreendimento. Para as instituições financeiras, é mais uma ferramenta que se une ao processo de crédito para dar mais segurança”, observa.
Silvia Abreu, engenheira-agrônoma da Gerência de Apoio à Produção Vegetal do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam) e coordenadora do Projeto Prioritário do Abacaxi em âmbito estadual, participou da validação do Zarc Abacaxi contribuindo com informações técnico-científicas sobre a cultura, especialmente relacionadas ao manejo e às condições edafoclimáticas ideais para o cultivo no estado, bem como das discussões e ajustes dos resultados, com base na realidade local dos produtores e nas observações de campo.
“Considero o Zarc uma ferramenta fundamental para o planejamento agrícola, que fortalece a segurança alimentar e contribui para a sustentabilidade econômica da atividade. Ele será incorporado às ações de planejamento da produção, elaboração de projetos de crédito rural e capacitação das equipes técnicas, garantindo que a assistência prestada esteja alinhada às condições mais favoráveis ao sucesso das lavouras”, informa.
De acordo com os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estado do Amazonas ocupa o oitavo lugar na produção nacional, com destaque para a variedade Turiaçu Amazonas, produzida em escala comercial.
O Zarc Abacaxi pode ser consultado de duas maneiras. Por meio da plataforma Painel de Indicação de Riscos, no site do Mapa, ou pelo aplicativo Zarc Plantio Certo, para acesso pelos sistemas operacionais Android e iOS, de forma gratuita.
Arte, memória e floresta. A união desses três elementos compõem o documentário ‘DASILVA DASELVA’, dirigido por Anderson Mendes, sobre o legado do artista plástico Da Silva da Selva, nome fundamental da arte amazônica, cuja trajetória é resgatada com lirismo, afeto e rigor histórico. O lançamento ocorre no dia 21 de maio, a partir das 18h30 no Teatro Gebes Medeiros, em Manaus (AM), com entrada gratuita.
Realizado ao longo de um ano de intensa pesquisa, o filme mobilizou arquivos raros, materiais de acervo pessoal, registros em vídeo acumulados ao longo de décadas e depoimentos preciosos — incluindo a voz do próprio artista. Ao reconstruir esse percurso, o documentário se torna também um tributo à floresta, à arte e à força da imaginação amazônica.
“Esse filme nasceu do meu desejo pessoal e afetivo de preservar a memória do meu tio. Mas acima de tudo, de reafirmar a importância de uma arte que brota da terra, que fala com os bichos, com as folhas, com o barro. DASILVA DASELVA é um gesto de amor e reconhecimento”, afirma Anderson Mendes, que além da direção, assina roteiro, montagem e trilha sonora da obra.
A narrativa do documentário ganha corpo com a presença potente do ator Moacy Freitas, que interpreta Da Silva da Selva em cenas dramatizadas inspiradas nos relatos e escritos do próprio artista. “Foi um desafio e uma honra. Da Silva é um ser que não cabe em molduras. Me emocionei muitas vezes no processo, me conectando com sua visão mágica da Amazônia”, diz Moacy.
Foto: DivulgaçãoFoto: Divulgação
A construção visual do filme é outro ponto de destaque. A direção de arte de Keylla Gomes foi essencial para recriar o universo do artista, entre pincéis, penas, pigmentos naturais e referências à floresta. A fotografia, assinada por Alexandre Pinheiro e Marcos Feitoza, valoriza texturas, luzes e detalhes que evocam tanto o gesto artesanal quanto o espírito onírico das obras de Da Silva, juntamente com o trabalho de captação de sons da floresta e mixagem que foi capitaneado pelo produtor audiovisual Adailton Santos.
A produção do documentário ficou a cargo de Francy Jr. e Jorgemar Monteiro, que coordenaram com sensibilidade todas as etapas do projeto, garantindo que a realização respeitasse o ritmo e a profundidade que a memória exige. Ao longo dos meses de pesquisa, a equipe percorreu locais emblemáticos para o artista, ouviu familiares, amigos e especialistas, e traduziu em linguagem cinematográfica um legado que ultrapassa o campo das artes visuais.
Foto: Divulgação
Sobre o homenageado
Sebastião Corrêa da Silva, conhecido como Da Silva da Selva, foi um artista plástico amazonense com mais de 600 obras e 42 exposições realizadas no Brasil e no exterior. Ecologista, escultor e autodidata, desenvolveu diversas técnicas próprias, como o “bico de pena pintado” e o uso de canutilhos.
Apaixonado pela Amazônia, percorreu a floresta em expedições artísticas e dedicou sua obra à representação sensível da fauna, flora e imaginário amazônico. Em vida, doou mais de 500 obras ao acervo da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas.
Sobre o diretor
Anderson Mendes é produtor cultural e cineasta premiado, com trajetória voltada à valorização das memórias e culturas amazônicas. Seus trabalhos, entre a ficção e o documentário, destacam narrativas de identidade, ancestralidade e preservação dos territórios. Em DASILVA DASELVA, além da direção, assina roteiro, montagem e trilha sonora.
O projeto foi realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo, com apoio do Governo do Estado do Amazonas, por meio do Conselho Estadual de Cultura e da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, em parceria com o Ministério da Cultura e Governo Federal.
Produção de figurino da FAO. Foto: Diego Andreoletti/Amazon Sat
Apesar de essencial, a música não é o único elemento que integra uma ópera. Na 26ª edição do Festival Amazonas de Ópera (FAO), componentes como a cenografia, visagismo e o figurino fazem parte da ambientação.
Os figurinos são elementos que auxiliam na construção dos personagens e do contexto histórico da ópera, como por exemplo a época em que se passa a obra ou o status social dos personagens, promovendo uma imersão na narrativa da ópera.
Neste ano, o FAO apresenta ‘As bodas de Fígaro’, ópera em quatro atos composta por Mozart, com estreia em 1º de maio de 1786 e que satiriza hábitos da nobreza. A ópera-bufa (comédia) se inspira em eventos e locais de Sevilha, na Espanha.
A responsável por assinar os figurinos do festival, conhecido internacionalmente e apreciado por fãs e críticos de ópera, é a amazonense Melissa Maia, que atua há 15 anos como figurinista. Confira alguns momentos do processo de organização dos figurinos:
Criação e troca de figurinos do FAO. Foto: Diego Andreoletti/Amazon Sat
Apesar de essencial, a música não é o único elemento que integra uma ópera. Na 26ª edição do Festival Amazonas de Ópera (FAO), componentes como a cenografia, visagismo e os figurinos fazem parte da ambientação.
Os figurinos são elementos que auxiliam na construção dos personagens e do contexto histórico da ópera, como por exemplo a época em que se passa a obra ou o status social dos personagens, promovendo uma imersão na narrativa da ópera.
Criação e troca de figurinos do FAO. Festival de Ópera. Foto: Michael Dantas
Neste ano, o FAO apresenta ‘As bodas de Fígaro’, ópera em quatro atos composta por Mozart, com estreia em 1º de maio de 1786 e que satiriza hábitos da nobreza. A ópera-bufa (comédia) se inspira em eventos e locais de Sevilha, na Espanha.
A responsável por assinar os figurinos do festival, conhecido internacionalmente e apreciado por fãs e críticos de ópera, é a amazonense Melissa Maia, que atua há 15 anos como figurinista.
Melissa Maia é a responsável pelos figurinos do FAO. Foto: Diego Andreoletti/Amazon Sat
A história de Melissa é conectada com o festival, pois, segundo ela, foi assistir uma ópera no FAO que a motivou a se tornar figurinista.“Eu assisto o festival desde 2001, então eu tinha 11 anos e hoje em dia eu trabalho já há 15 anos como figurinista. A primeira ópera que eu assisti no Festival Amazonas de Ópera fez-me descobrir que eu realmente queria ser figurinista. Então a minha carreira e o festival cresceram ao mesmo tempo. Para mim, é um privilégio poder estar trabalhando nesse evento tão importante”, pontua.
Desenvolver os figurinos de uma ópera exige tempo, estudo e muita parceria. Melissa explica que o processo de criação começa com uma profunda pesquisa histórica e dramatúrgica: “A gente faz a decupagem da ópera, lê o libreto, estuda os personagens. Tudo isso em sintonia com o cenário e a direção”.
Os figurinos do FAO. Foto: Marcio James
A ópera no geral exige um cuidado mais especial com tecidos, acabamento e até o contexto. Contudo, nessa montagem, Melissa utilizou uma abordagem mais contemporânea, ainda que preservasse o espírito do século XVIII, época da composição original.
“É como se fosse uma versão moderna com um perfume de época”, descreve. Isso trouxe desafios específicos, especialmente na escolha dos tecidos. “Figurino de época costuma ser quente e aqui temos que considerar o clima. Pensamos em tecidos mais leves, mas que ainda entreguem a estética necessária”.
O glamour do palco esconde uma coreografia de bastidores igualmente impressionante. Melissa ressalta que o figurino não é obra de uma só pessoa: “Tem produtor, costureiras, camareiras, aderecistas, contrarregras… É uma grande engrenagem”.
Os figurinos do FAO.Foto: Diego Andreoletti/Amazon Sat
Com oito camareiras atuando nesta produção, as trocas rápidas de roupa são cronometradas. “A gente tem uma equipe que faz toda essa logística de troca. Obviamente temos ensaios para fazer esses testes e ver o que funciona mais. Mas, no geral, tudo depende da equipe e do momento do espetáculo. Tem o stage manager [gerente de palco] que dá o sinal e sabemos quanto tempo a troca terá: dois, cinco minutos. A gente sabe mais ou menos o tempo e faz uma coreografia nos bastidores para organizar essa montagem”, revela.
Texturas, luzes e adaptações
Um dos diferenciais é a atenção aos detalhes técnicos. No Teatro Amazonas, um dos maiores desafios é adaptar o figurino à iluminação intensa e ao calor, segundo a estilista. Ela conta que o figurino de cena precisa ter textura, volume e camadas. “A luz exige acabamento, senão a gente perde toda a riqueza visual”, conta.
Os figurinos do FAO.Foto: Divulgação
Mesmo com a experiência acumulada, os imprevistos fazem parte da rotina. “Perrengue sempre tem. A ópera é uma obra viva, em constante transformação. Até a pré-estreia, ajustes acontecem. Durante os ensaios, fico na plateia anotando tudo que ainda podemos melhorar”, expõe.
Para Melissa, o figurino mais marcante é sempre o mais recente. “Os figurinos do Conde e da Condessa têm um lugar especial. Me dediquei muito a eles”, revela.
São Marcos atrai turistas em meio à floresta. Foto: Katrine Cardoso/Ascom Semtur
A comunidade São Marcos, às margens do rio Arapiuns, tem se destacado no turismo de base comunitária em Santarém por integrar natureza, cultura e infraestrutura. Passeios de canoa, igarapés de águas cristalinas, culinária regional e visita ao meliponário são algumas das experiências oferecidas ao longo do ano, com o diferencial de contar com energia solar e acesso à internet via Wi-Fi.
São Marcos se revela durante a cheia, os passeios de canoa pelos igapós revelam cenários exuberantes, com árvores nativas como jarazeiros, buritis e carapanaúbas. O percurso inclui uma trilha de aproximadamente 600 metros até o “Garapé do Índio”, uma nascente de águas cristalinas e preservadas, proporcionando um contato único com o ambiente natural.
Na época da seca, as trilhas se estendem por São Marcos, tornando o percurso mais longo e desafiador. Além disso, a região está cercada por praias paradisíacas como Caracaraí e Ponta Grande — ideais para a tradicional piracaia, com águas calmas e paisagens deslumbrantes.
A programação inclui ainda vivências culturais, como a visita à casa de farinha, o artesanato produzido com palha de tucumã e madeira entalhada, além do meliponário com abelhas sem ferrão. No restaurante comunitário, os visitantes saboreiam pratos típicos como peixes assados, fritos ou cozidos e a tradicional galinhada. Após o almoço, o redário coletivo convida ao descanso à sombra das árvores.
Um dos pontos fortes da localidade é o fornecimento de energia solar e o acesso à internet, que permitem que os turistas permaneçam conectados durante a estadia, compartilhem suas experiências em tempo real e realizem pagamentos digitais — facilitando a logística e ampliando as oportunidades para os moradores.
Com apenas 13 famílias — 38 adultos e 11 crianças —, a comunidade se destaca pela organização, hospitalidade e pelo fluxo constante de visitantes. Entre janeiro e maio deste ano, mesmo fora da alta temporada, cerca de 200 turistas já passaram por lá, reforçando seu potencial como destino durante todo o ano.
Para os moradores, o apoio da Prefeitura é fundamental para impulsionar o turismo de base comunitária.
“Estamos em busca de visibilidade. Já trabalhamos há 10 anos aqui, e esse apoio do governo é muito importante. Esse alinhamento com a Prefeitura vai fortalecer ainda mais o nosso turismo. Hoje vocês puderam vivenciar nossas atrações e analisar conosco as potencialidades. Estamos felizes e aguardamos as capacitações da Secretaria de Turismo, que vão agregar muito ao nosso trabalho”, afirmou Carpegiane Duarte, liderança local.
O secretário municipal de Turismo, Emanuel Júlio Leite, também destacou o impacto da visita. “Fiquei encantado com o passeio. Aqui você escuta o som da floresta, o canto dos pássaros, o barulho do vento… Isso renova qualquer energia. Já estamos alinhando melhorias para preparar a comunidade para a alta temporada, mas São Marcos tem atrativos o ano inteiro. Tem muita coisa boa acontecendo”, concluiu.
Desmatamento no Brasil caiu 32,4% em 2024. Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Cinco dos seis biomas brasileiros tiveram redução no desmatamento em 2024, segundo o Mapbiomas. A exceção foi a Mata Atlântica, que se manteve praticamente estável em relação a 2023.
Na comparação com o ano anterior, a redução em 2024 foi de 32,4% na área desmatada e 26,9% sobre os alertas de desmatamento.Ao todo, foram desmatados em 2024 no Brasil 1.242.079 hectares e foram registrados 60.983 alertas no território nacional. Os dados consolidados foram apresentados no Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD).
Desmatamento no Brasil caiu 32,4%. Foto: Fernando Sette
Na comparação entre os dois anos, o Pantanal e o Pampa foram os biomas que apresentaram a maior redução das áreas de desmatamento. O Cerrado aparece em terceiro lugar, seguido da Amazônia e da Caatinga. A Mata Atlântica teve um crescimento de 2%.
Desmatamento registrado em 2024, na comparação com 2023:
Pantanal – redução de 58,6%
Pampa – redução de 42,1%
Cerrado – redução de 41,2%
Amazônia – redução de 16,8%
Caatinga – redução de 13,4%
Mata Atlântica – crescimento de 2%
Em 2024, mais de 89% da área desmatada no país integram a Amazônia ou o Cerrado. As formações savânicas foram as áreas mais desmatadas e responderam por 52,4% de todo o desmatamento no país. As formações florestais representaram outros 43,7%.
Desmatamento no Brasil caiu 32,4%. Amanda Lelis/Instituto Mamirauá
Segundo Tasso Azevedo, coordenador geral do Mapbiomas, um dos dados monitorados pela instituição é a perda de vegetação nativa por causa de eventos extremos climáticos, e esse foi o motivo de a Mata Atlântica não ter acompanhado a diminuição do desmatamento observada nos demais biomas.
“Se não tivesse os desmatamentos que foram computados por conta dos eventos extremos, o desmatamento teria sido 20% menor”, explica.
Em 2024, por dia, a área média desmatada foi de 3.403 hectares e 141,8 hectares por hora. Dia 21 de junho, quando 3.542 hectares de vegetação nativa foram desmatados em 24 horas, foi o dia que registrou maior desmatamento no ano passado. No Cerrado, o ritmo da perda foi mais intenso: 1.786 hectares ao dia.
Na avaliação dos pesquisadores, esse resultado pode refletir três mudanças observadas nesse período.
“Nesses últimos anos, foram construídos planos de enfrentamento ao desmatamento para todos os biomas, o que não havia antes. Outra questão é que aumentou a participação dos estados nas ações em relação ao desmatamento, em termo de atuarem mais nos embargos e autuações feitas pelo Ibama. O terceiro fator é a questão do crédito rural. Houve um aumento do uso desses dados para a concessão de crédito rural”, explica Tasso.
Desmatamento no Brasil caiu 32,4%. Foto: Reprodução/TV Brasil
Apesar das reduções, em 2024, pelo segundo ano consecutivo, o Cerrado foi o bioma que registrou maior área desmatada no país com a subtração de mais de 652 mil hectares de vegetação nativa.
“Essa mudança ocorreu pela primeira vez em 2023. A gente sempre teve historicamente o desmatamento concentrado em regiões da Amazônia. Esse ano, os dois biomas tiveram uma redução, mas ainda manteve o padrão anterior, porque o desmatamento do Cerrado foi maior que o da Amazônia”, alerta Marcos Rosa, coordenador técnico do Mapbiomas.
A Amacro (pólo agropecuário nos estados do Amazonas, Acre e Rondônia) teve, pelo segundo ano consecutivo, queda no desmatamento. Foram registrados 5.753 alertas em 89.826 hectares no ano de 2024, o que representa uma redução de 13% em relação a 2023.
No outro extremo, a região do Matopiba (estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) foi onde ocorreu 42% do total de perda de vegetação nativa do país, e também é onde o Cerrado mais foi desmatado, representando 75% da perda de vegetação nativa no bioma.
Os quatro estados do Matopiba e o Pará foram os que mais desmataram em 2024, representando 65% da área total no Brasil.
Os estados que tiveram maior participação no desmatamento no país em 2024 foram o Maranhão, Pará e Tocantins. Eles representaram respectivamente 17,6%, 12,6% e 12,3% do total de perda de vegetação no país.
Na comparação entre os anos de 2023 e 2024, os estados de Goiás, Paraná e Espírito Santo reduziram o desmatamento em mais de 60%. Já os estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Acre foram os que apontaram maior crescimento.
No último ano, as terras indígenas tiveram uma redução de 24% na perda de vegetação nativa por desmatamento. Foram atingidos 15.938 hectares, o que equivale a 1,3% do total desmatado no país. A Terra Indígena Porquinhos dos Canela-Apãnjekra (MA) se manteve no topo da lista da que mais desmatou, tendo perdido, em 2024, 6.208 hectares, o que representa um aumento de 125% em relação a 2023. Apenas 33% das terras indígenas brasileiras tiveram algum evento de desmatamento ano passado.
Nas Unidades de Conservação (UCs), a perda de vegetação nativa alcançou 57.930 hectares, 42,5% a menos que em 2023. A Área de Proteção Ambiental Triunfo do Xingu (PA), no bioma Amazônia, foi a que teve maior área desmatada no país, com 6.413 hectares.
A partir de dados obtidos nos estados, o Relatório Anual do Desmatamento traz ainda dados sobre autorização para supressão de vegetação a partir da análise de dados disponibilizados em portais de transparência ou após provocação dos órgãos ambientais das unidades federativas.
Desmatamento no Brasil caiu 32,4%. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Em 2024, 43% da área desmatada teve alguma autorização para desmatar, sendo o Cerrado o bioma que mais teve esse tipo de liberação, com 66% da vegetação nativa suprimida ocorreu com autorização. Na Amazônia, esse percentual é de 14%.
Segundo Marcondes Coelho, pesquisador do Instituto Centro de Vida (ICV) e colaborador do Mapbiomas, o estado do Maranhão, além de ter sido o de maior participação em percentual no desmatamento do país, também foi o que menos apresentou informações para transparência sobre as ações de fiscalização e também sobre as autorizações para desmatamento.
“Depois de várias tentativas, chegamos a receber duas bases de dados, mas as informações de autorização, por exemplo, tinham restrição e nós não pudemos usar, então, o estado do Maranhão segue com essa dificuldade de dar transparência a essas informações ambientais para o controle do desmatamento”, diz.
Em uma análise mais ampla sobre a série histórica do Relatório Anual do Desmatamento, iniciada em 2019, os pesquisadores verificaram que o Brasil já desmatou 9.880.551 de hectares nesses seis anos, sendo que 67% desse total foram de vegetação nativa na Amazônia Legal.
De acordo com o Mapbiomas, o desmatamento por pressão da agropecuária responde por mais de 97% de toda a perda de vegetação nativa no Brasil nos últimos seis anos.
A crescente expansão de atividades humanas sobre ambientes naturais tem intensificado as interações negativas entre comunidades rurais e onças-pintadas em toda a América Latina. Diante desse desafio, um estudo inovador — que contou com a participação de 30 autores de 22 instituições — analisou a eficácia de diferentes estratégias para evitar a predação de animais domésticos por onças-pintadas ao longo de toda a distribuição geográfica do felino, que vai do norte do México até o norte da Argentina.
O levantamento inclui informações de 248 propriedades rurais de diferentes portes, desde pequenas propriedades familiares até grandes fazendas de pecuária extensiva.
A predação de animais domésticos é intensificada em regiões onde as onças perderam seu habitat natural e há menor disponibilidade de presas naturais para caçarem. Este cenário acaba aproximando as onças-pintadas de propriedades rurais e rebanhos de animais domésticos, aumentando o risco de predação e, consequentemente, o abate de onças por moradores locais.
O abate de onças pode ser influenciado pela percepção de riscos à comunidade local, assim como por prejuízos econômicos gerados pelos animais domésticos predados.
“As percepções, atitudes e ações em relação às onças-pintadas podem variar bastante entre os países onde ocorrem, devido a diferenças nas políticas públicas e contextos locais. Estudar também as dimensões humanas do conflito e coexistência com as onças-pintadas é crucial para entender esses fatores e, com isso, apoiar abordagens mais eficazes que aliem conservação e justiça social”, ressaltou Wezddy Del Toro-Orozco, coautora do estudo, e pesquisadora do Grupo de Pesquisa em Ecologia e Conservação de Felinos na Amazônia do Instituto Mamirauá.
A perda e fragmentação de habitat, em conjunto com menor disponibilidade de presas naturais e a caça retaliatória, podem levar à extinção local das onças, que no total já perderam mais de 50% de seu habitat natural. O estudo, no entanto, demonstra que é possível reverter esse cenário através de uma combinação de métodos preventivos, tecnologia e engajamento comunitário.
Utilizando dados provenientes de 11 países, incluindo ecossistemas tão diversos quanto o deserto de Sonora, no México, e as florestas alagadas da Reserva Mamirauá, no Amazonas, o estudo determinou que todas as regiões obtiveram sucesso ao utilizar diferentes estratégias anti-predação.
Em alguns casos, a combinação de cercas elétricas, manejo mais adequado dos animais domésticos e proibição da caça de animais silvestres resultou em 100% de redução na predação por onças-pintadas, efetivamente reduzindo a zero o número de animais domésticos predados. Além disso, em 88% dos casos analisados, os benefícios econômicos oriundos das estratégias anti-predação excederam os investimentos necessários para sua implementação.
Para regiões de difícil acesso e rebanhos pequenos, como a Reserva Mamirauá, a pesquisa sugere que melhorar o manejo dos animais domésticos e promover atividades de educação com comunidades locais são a melhor maneira de reduzir a predação por onças. O estudo pontua também que esse processo deve ser colaborativo, alinhando as intervenções propostas às práticas locais, aumentando a relevância da estratégia e promovendo a coexistência entre as comunidades e onças-pintadas.
Criação de gado em pequena escala na Reserva Mamirauá. Crédito: Miguel Monteiro
“É importante lembrar que o trabalho interdisciplinar, a colaboração e as abordagens participativas com as populações locais não são apenas necessárias e justas — são fundamentais se quisermos alcançar uma conservação verdadeiramente equitativa. É fundamental integrar saberes tradicionais e científicos, e o objetivo deve ser sempre a coprodução de soluções de conservação que beneficiem tanto os felinos quanto as pessoas, promovendo um futuro em que a coexistência entre humanos e felinos possa prosperar”, enfatizou Wezddy Del Toro-Orozco.
Segundo Wezddy Del Toro-Orozco, “o estudo é um esforço inédito em escala continental sobre práticas de manejo que buscam promover a coexistência entre humanos e onças”. Sobre a relevância da pesquisa, ela destaca, “diante dos fatos recentes envolvendo o trágico ataque fatal de uma onça a um ser humano, o discurso público vem sendo dominado por narrativas de medo, retaliação e remoção, o que pode ter consequências graves para a conservação das onças e de outros grandes carnívoros”.
“Nesse contexto, nosso artigo é extremamente pertinente por oferecer alternativas baseadas em ciência, testadas em campo, que ajudam a prevenir conflitos e proteger tanto as pessoas quanto os animais”, acrescenta a pesquisadora.
O estudo ressalta que não existe uma solução única, mas sim um conjunto de abordagens que devem ser adaptadas a cada contexto local para diminuir os riscos de predação de onças a animais domésticos. O que todas têm em comum, porém, é a capacidade de transformar um cenário de conflito em uma oportunidade de coexistência.
Com a implementação dessas estratégias, já é possível observar resultados positivos em diversas regiões, provando que comunidades humanas e grandes predadores podem, sim, compartilhar o mesmo território de forma harmoniosa.
*Com informações do Instituto Mamirauá. Texto escrito por Miguel Monteiro
O Projeto Floresta+ Amazônia é uma iniciativa piloto implementada em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e financiado pelo Fundo Verde para o Clima (GCF), com recursos oriundos de resultados obtidos pelo Brasil na Redução de Emissões de Gases de Efeito Estufa decorrentes do Desmatamento e da Degradação florestal (REDD+).
Agricultores que conservaram a floresta começam a receber pelo Projeto Floresta+ Amazônia. Foto: Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Os beneficiados são agricultores e agricultoras familiares que detêm área de até quatro módulos fiscais e foram elegíveis para receber a primeira parcela do pagamento como provedores de serviços ambientais. Os valores variam entre R$ 1,5 mil e R$ 28 mil, dependendo do tamanho, localização do imóvel rural e da área de vegetação nativa preservada. São quase 12 mil hectares de floresta conservada.
Este primeiro lote de pagamentos é destinado a provedores de serviços ambientais que estavam inscritos até janeiro de 2025. Novos lotes de pagamentos estão previstos para os próximos meses considerando novas adesões, que podem ser feitas em fluxo contínuo até dezembro deste ano, por meio do site do projeto ou durante os mutirões presenciais.
Com esse primeiro lote de pagamentos, o Floresta+ avança em um dos seus principais objetivos: apoiar agricultores e agricultoras familiares, proprietários e proprietárias ou possuidores e possuidoras de pequenos imóveis rurais na Amazônia Legal. Por meio de incentivos econômicos, eles são incentivados a se engajarem em frentes estratégicas de conservação da floresta, mantendo o que se chama de remanescentes de vegetação nativa. Por esse motivo, os beneficiários do projeto são chamados de “provedores de serviços ambientais”.
O recurso beneficia agricultores como a jovem Rayana Xavier Pantoja, de 24 anos, e seu pai Raimundo Pantoja, de Oeiras, na ilha do Marajó (PA). Rayana diz que o PSA mudou a vida da família. “O projeto ajudou bastante. A gente não esperava. Foi um motivo para não desistir de produzir e conservar”, conta Rayana. A família possui propriedade em ilhas no arquipélago, onde cultiva açaí, macaxeira, frutas e óleos, como andiroba.
Com o primeiro recurso do PSA, ano passado, arrumaram as estruturas para fazer farinha, melhorar a extração de açaí, criar animais, além de outras melhorias. “Receber esse recurso é muito gratificante. Vale muito a pena”, disse Rayana. “A gente vem lutando há muitos anos para manter a floresta em pé porque tem muita riqueza, muita caça, e abraçamos essa causa. Com esse dinheiro, não precisamos mais atacar a natureza”, conta Raimundo, reforçando que, com o novo pagamento, fará outra limpeza geral na área e melhoramentos para estruturar um criadouro de peixes.
As inscrições e os pagamentos anuais são realizados durante a vigência da chamada pública, que vai até 31 de dezembro deste ano. Quem não receber neste lote, ainda poderá ser beneficiado nas próximas etapas. Os agricultores e agricultoras interessados ainda podem se inscrever nos mutirões presenciais nos municípios ou pelo site do projeto. Para mais informações sobre o projeto, clique aqui.
Pará é destaque
Agricultores que conservaram a floresta começam. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O Pará é o estado com o maior número de provedores de serviços ambientais: 141 agricultores e agricultoras familiares e quase 6 mil hectares de floresta mantida em pé. Em seguida, vem os estados do Amazonas, com 32 agricultores familiares e quase 3 mil hectares conservados. Outros estados, como Acre, Amapá e Maranhão também têm provedores elegíveis. Atualmente, os imóveis rurais estão localizados em 36 municípios dos cinco estados. Para se tornar um provedor de serviços ambientais, além de aceitar o termo de adesão, o agricultor ou agricultora precisa ter o Cadastro Ambiental Rural (CAR). Além de ser o principal instrumento para consulta e identificação das áreas elegíveis para participar da chamada pública, o CAR é uma porta de entrada para o PSA pelo Floresta+.
O assessor técnico do Projeto, Pedro Bernardino, explica que o compromisso em conservar a vegetação nativa é monitorado por meio de imagens de satélite, além de consulta a sistemas de alerta de desmatamento e bases oficiais de embargos ambientais. “O compromisso com o cuidado e a conservação dos RVN nos pequenos imóveis rurais é incentivado por meio do PSA, reforçando a importância do cumprimento da legislação ambiental”, afirmou Bernardino. Ele também ressalta que aqueles que mantiverem áreas preservadas seguirão recebendo o PSA nas demais etapas de desembolso.
Conta bancária
O PSA é feito diretamente na conta bancária informada pelo beneficiário no ato da inscrição à chamada pública. O beneficiário recebe ainda uma comunicação prévia do Banco da Amazônia (Basa) sobre o pagamento. “É importante que o agricultor ou agricultora saiba que não há intermediários e nem descontos e que qualquer dúvida pode ser respondida pelas equipes do próprio projeto pelo WhatsApp, e-mail ou nos canais da Ouvidoria, que estão informados no site do projeto’’, completou Pedro Bernardino.
Mulheres fortalecidas
As ações que envolvem PSA fazem parte da modalidade Conservação do Floresta+ Amazônia que, além de apoiar quem protege a floresta, mantém algumas prioridades estratégicas. Uma delas é o fortalecimento da presença das mulheres. Neste primeiro lote de pagamentos, estão sendo contempladas 84 mulheres (39%) e 134 homens (61%). Os números de participação feminina estão alinhados e representam o compromisso do Floresta+ com a equidade de gênero e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030, das Organizações das Nações Unidas (ONU).
Cidades
Outra meta é alcançar as cidades que fazem parte da lista de municípios prioritários do Programa União Municípios, do MMA. A iniciativa faz parte do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm). No total, são 81 municípios prioritários, definidos pela Portaria nº 1.202 de 2024 do MMA, que representam 78% do desmatamento na Amazônia Legal. Neste primeiro lote de pagamento, mais de R$ 50 mil são destinados para agricultores desses municípios.
100 municípios
Desde 2024, as equipes locais do Projeto Floresta+ nos estados realizam ações conjuntas para atendimentos presenciais e online em parcerias com as secretarias estaduais de meio ambiente e agricultura familiar e órgãos ambientais locais. Ao todo, mutirões com esses parceiros já passaram por cerca de 100 municípios amazônicos oferecendo serviços de orientação e inscrição ao Floresta+, bem como validação ou regularização do CAR.
*Com informações da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
A Amazônia Continental, também chamada de Amazônia Internacional ou Pan-Amazônia, compreende toda a área que corresponde ao bioma amazônico no norte da América do Sul, abrangendo uma área total de 7 milhões de km2.
Apesar de a floresta amazônica não ser exclusiva do Brasil, compreende uma área de 60% do país, e está presente em mais oito países da América do Sul: Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa.
“Um dos critérios para a sua delimitação é o bioma amazônico internacional e por isso contempla os nove países, pois são os países em que o bioma amazônico está circunscrito. Por isso essa ‘Amazônia internacional’ é um dos recortes da Amazônia”, explicou o doutor em Geografia pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Deivison Molinari, ao Portal Amazônia.
Além disso, a Amazônia Internacional abrange a maior bacia hidrográfica do mundo, formada pelo rio Amazonas e seus afluentes, possuindo um clima quente e úmido, com períodos chuvosos que chegam a durar seis meses.
Diferenças entre Amazônia Continental e Amazônia Legal
A Amazônia Continental se refere à área que corresponde à floresta amazônica em toda a América do Sul (presente nos nove países que possuem o bioma)
Já a Amazônia Legal refere-se à área da floresta localizada apenas no Brasil, abrangendo nove estados: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, parte do Mato Grosso e parte do Maranhão.