Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT) lança luz sobre a situação nutricional de crianças indígenas da etnia Apinajé, que vivem na região norte do estado. O estudo apontou uma preocupante prevalência de anemia infantil: 50% entre as crianças da aldeia Mariazinha e 31% na aldeia São José.
A dissertação, intitulada ‘Vulnerabilidade na Primeira Infância Indígena: Segurança Alimentar e Anemia em Crianças Apinajé’, foi desenvolvida pela mestranda Érika Larissa Poscidônio de Souza, no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Demandas Populares e Dinâmicas Regionais (PPGDire), com orientação da professora doutora Thelma Pontes Borges, e contou com o financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
O estudo avaliou crianças de 6 meses a 5 anos, investigando não apenas os dados biomédicos como a dosagem de hemoglobina, mas também os aspectos culturais, sociais e alimentares que cercam a primeira infância nas comunidades indígenas.
“Mais do que números, a pesquisa busca compreender como os hábitos alimentares, as condições de saúde e as dinâmicas sociais impactam diretamente o desenvolvimento infantil entre os povos indígenas”, explica Érika, que foi acolhida de forma afetuosa pelas comunidades panhĩ durante o trabalho de campo.
Segundo o estudo, a alimentação nas aldeias estudadas tem se baseado cada vez mais em produtos industrializados, comprados em mercados, em detrimento dos alimentos cultivados ou provenientes da caça e pesca — uma mudança associada à perda de território ao longo do tempo e à intensificação do contato com o não indígena.
“A insegurança alimentar, somada ao acesso limitado a políticas de saúde específicas para as crianças indígenas, perpetua um cenário de vulnerabilidade que afeta toda a comunidade”, reforça a pesquisadora.
Foto: Divulgação/UFNT
A iniciativa, além de sua importância científica, teve grande impacto social. Os resultados dos exames foram entregues às lideranças locais e ao Polo Base Indígena (PBI) de Tocantinópolis, contribuindo para a tomada de decisões em saúde.
Além disso, a pesquisadora levou os resultados para somar ao coletivo de evidências sobre o abandono na saúde em audiências públicas realizadas pela Procuradoria da República no Tocantins. O estudo foi aprovado pelos órgãos competentes, incluindo FUNAI, CNPq, DSEI, CONDISI, CEP e CONEP.
Durante a pesquisa, Érika foi batizada por membros da comunidade, recebendo nomes tradicionais Apinajé — um gesto que simboliza o vínculo afetivo e o respeito mútuo entre pesquisadora e comunidade.
De acordo com a UFNT, em breve a dissertação estará disponível para leitura no repositório institucional.
Lindalva Cruz. Foto: Reprodução/’Lindalva Cruz – Vida e obra’, de Irinéia Coêlho
Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br
Somente com a música e com o piano, Lindalva Cruz desafiou a vida enfrentando todo os altos e baixos de uma sociedade genuinamente machista. Mas nada a intimidou. As decepções, as mágoas, foram afogadas nas teclas brancas e pretas do solidário Donner, bem como as inúmeras vitórias.
Assim, desde os nove anos até os noventa anos, ela lutou sempre por uma vida melhor. Amazonense de Manaus, nasceu em 29 de novembro de 1908. Um dado importante de Lindalva Cruz é que ela foi a única pianista compositora de músicas eruditas românticas do Estado do Amazonas, do século XX.
Seu primeiro trabalho profissional foi no cinema mudo. Lindalva, com orgulho, sempre relembrava sua estreia e o encanto de tocar na sessão de Cinema Mudo. Sua estreia foi num domingo de junho, com a plateia do Cinema Alcazar lotada.
Numa cidade carente de outras distrações, o cinema era o mundo revelador para todos, especialmente para ela, na necessária integração com os dramas e comédias projetados na tela.
Lindalva Cruz, aos 14 anos. Ao centro, Nini Jardim e o marido. Foto: Reprodução/’Lindalva Cruz – Vida e obra’, de Irinéia Coêlho
O início da exibição cênica era procedido do toque de uma campainha, a qual era seguida de profundo silêncio. Seu pensamento naquele instante voltava-se rapidamente ao ensaio que havia feito, estando ainda com uniforme do Grupo Escolar Barão do Rio Branco. Naquele momento permitiu que seus dedos corressem comandados pela fé e pelo coração. Eram seus companheiros de palco o flautista Jonathas Madeira e o violinista Armando Teixeira. Lembrava Lindalva de ouvir a voz forte do maestro: ‘Bravo! … Está ótima!’.
Seus avós e sua mãe aquela altura não concordavam com sua situação, mas compartilhavam a vitória, bem como os amigos preocupados com minha pouca idade e, talvez, a falta de experiência. O filme da época chamava-se ‘Vermelho e Preto’, estrelado por Mário Bonnard e Vitoria Lepanto.
Já a parte da adaptação ao aparelho mudo foi feita por João Antônio da Silva, seu avô, orientado por um folheto em língua inglesa que acompanhava o filme. Naturalmente ele usou motores de carros para imitar aviões, sirenes no horário de saída das fábricas, tambores, cornetas, pequenos foguetes de pólvora seca e tacos de madeira, que em batidas ritmadas davam a impressão de soldados marchando. Enfim, avô e neta davam sonoridade ao cinema mudo em Manaus.
Lindalva Cruz (ao centro) e suas alunas na Praça Heliodoro Balbi (Praça da Polícia). Manaus, dezembro de 1927. Foto: Reprodução/’Lindalva Cruz – Vida e obra’, de Irinéia Coêlho
Mas os tempos mudaram. O tempo foi passando e certo dia, para surpresa de Lindalva e seu avô, um navio aportou em Manaus trazendo aparelhagem para o cinema sonoro e a partir daí o trabalho de Lindalva e seu avô passou a sofrer a concorrência natural da modernidade.
Meses após a instalação do novo sistema, chegou o momento ansiosamente esperado: a estreia do primeiro filme falado, musicado e colorido.
O veterano Cine Polytheama enfeitou-se para receber o enorme público que aplaudiria a empresa Paramount em grande gala. Foi um maravilhoso desfile de artistas famosos, naturalmente com sucesso retumbante, seguindo-se de novos filmes importante ali exibidos.
Começa o carma das dificuldades da menina Lindalva
Desde que abdicou dos direitos infantis para ajudar no sustento da família, literalmente, Lindalva começou a sentir o peso da responsabilidade numa luta diária de sobrevivência, tudo conseguido com muito sacrifício. Muitas vezes, encontrou quem aliviasse o peso, outras teve que carregá-lo sozinha.
Da esquerda para a direita: Francisca Serejo Ramos, Magnólia Vieira Brasil, Jandira Castro e Lindalva Cruz, diplomadas pelo Instituto Amazonense de Música. Turma de 1934. Foto: Reprodução/’Lindalva Cruz – Vida e obra’, de Irinéia Coêlho
Na Manaus antiga vivida por ela, eram costumeiras as grandes reuniões musicais e naturalmente saraus. Era comum a época fazer pequenas reuniões, onde a música e a poesia reinavam espalhando seus encantos no salão. Uma das mais conhecidas frequentadoras era Ilcia Cardoso, uma jovem muito bonita que destacava-se na sociedade local e que naturalmente amava a arte e dedicava-se com afinco.
Esta jovem teve a oportunidade de viajar por quase toda a Europa tocando piano, violino, violão, compunha, cantava e declamava versos com muita graça e beleza. Seus saraus eram importantes e reuniam músicos, poetas e amigos da arte. Arnaldo Rebello, ainda de calças curtas, começava a despontar no cenário amazônico e em pouco tempo tornava-se um nome respeitadíssimo, cuja liderança era destaque.
Um fato importante e interessante nesta época era que Naíde Silva, mãe do então Presidente Fernando Henrique Cardoso, foi amiga de infância de Lindalva Cruz, tendo estudado piano junto com ela, embora já existisse uma diferença de idade e que naturalmente ajudava Lindalva com seus conselhos a respeito de execuções musicais.
Segundo a própria Lindalva, tratava-se de uma pessoa doce, cuja bondade era enorme. Vale ressaltar que foi Lindalva sua confidente quando ela lhe comunicou que estava namorando o jovem Leônidas, Oficial do Exército do Vigésimo Sétimo Batalhão de Caçadores que havia chegado a Manaus e com quem se casou.
Lindalva Cruz. Foto: Reprodução/’Lindalva Cruz – Vida e obra’, de Irinéia Coêlho
Lindalva, já mais madura, continuou trocando correspondência quando a mesma passou a morar no Rio de Janeiro, cuja visita a seu apartamento fez por várias vezes. Outro fato importante é que com o falecimento de seu esposo Leônidas ocorre uma coincidência: ela passou a morar na mesma rua de Lindalva, Barão de Ipanema, 102, e Lindalva morava no n° 105, em Copacabana, Rio de Janeiro.
O sonho de voar mais alto
Arrojada para os parâmetros machistas da época, Lindalva não se incomodou e resolveu partir em busca de novos conhecimentos. Começava a difícil caminhada. Sentia o desejo de voar mais alto, sonhando com o cume da montanha.
Por insistência das amigas que achavam impossível tal aventura, buscou o que era mais difícil: Instituto Nacional de Música, o que na ideia de sua mais velha amiga a palavra viria ‘é difícil, porém, não impossível’. O diretor da época, Júlio Verner, atendendo o pedido de sua filha apresentou projeto na Câmara dos Intendentes solicitando uma bolsa de estudos para Lindalva. Embora o projeto recebesse forte oposição, foi vencedor.
A senhora Ana Nunes de Mattos, esposa de Júlio Verner, e suas filhas Ana, Josephina e Isabel, suas íntimas amigas, imediatamente organizaram a Festa de Arte no Ideal Clube, a fim de angariar os recursos necessários para sua viagem. Naturalmente com a colaboração do meio artístico o auditório lotou.
Os olhos de Lindalva brilhavam. O clube mais chique da cidade estava lotado, o prefeito da época tentando ajudar ofereceu um cartão para acompanhar e facilitar a venda dos ingressos e designou um funcionário para receber as importâncias correspondentes.
Foi uma noite inesquecível! Aplausos calorosos e abraços sinceros dos amigos que repetiam emocionados: “Boa Viagem, Lindalva! Boa Viagem!”.
Curso ‘Ivete Freire Ibiapina’ homenageia Lindalva Cruz. Manaus, dezembro de 1996. Foto: Reprodução/’Lindalva Cruz – Vida e obra’, de Irinéia Coêlho
Sobre o autor
Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.
Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com
Em leilão promovido na sede B3 da Bolsa de Valores, em S. Paulo, na quarta-feira, 21, foi deferida concessão para manejo sustentável da Floresta Nacional do Jatuarana, localizada no sul do Amazonas. O resultado contempla a primeira concessão de exploração de floresta da região Norte. O edital outorga direitos de manejo sustentável por 37 anos de uma gleba de mais de 453 mil hectares divididos em quatro lotes, quase 80% dos 570 mil hectares da Flona. O projeto tem potencial para arrecadar até R$32,6 milhões anuais e prevê a exploração com preservação ambiental de recursos como madeira em tora, palmito, açaí, castanha-do-pará e óleo de copaíba. Segundo o diretor-geral do SFB, Garo Batmanian, as empresas vencedoras terão a obrigação de investir R$1,1 milhão por ano em projetos voltados à comunidade local e ao desenvolvimento social da região. A concessão obedece ao disposto na Lei nº 11.284/2006, que regulamenta a Gestão de Florestas Públicas.
O leilão configura passo fundamental para ampliação do uso de instrumentos econômicos aliados à conservação ambiental, desenvolvimento regional e geração de empregos na Amazônia. De acordo com informes do BNDES, o edital estabelece valor mínimo e máximo para o preço da madeira em tora por metro cúbico para cada UMF em leilão. E uma proposta de outorga fixa, caso a empresa interessada apresente valor máximo superior ao definido no edital. O resultado do leilão está assim distribuído: a) Concessão da UMF I, com 176 mil hectares, arrematada pela OC Prime Comércio e Industrialização de Madeiras, com oferta de R$ 244,98 e outorga fixa de R$ 4 milhões; b) A empresa E. Eduardo da Silva Ltda levou a UMF II, com área de 194,5 mil hectares, ao apresentar proposta no valor R$ 193,65 e outorga fixa de R$ 5 milhões, c) A Brasil Tropical Pisos Ltda arrematou a UMF III, com área de 39,2 mil hectares, com oferta de R$ 150,48 e outorga de R$ 2,2 milhões e d) E ainda a UMF IV, com área de 43,5 mil hectares, com oferta de R$ 152,86 e outorga fixa de R$ 2,2 milhões.
Os resultados do leilão elevam em 35% a área total sob concessão florestal da União. Atualmente, o Brasil possui cerca de 1,3 milhão de hectares de florestas públicas federais sob concessão privada, distribuídos em 23 Unidades de Manejo Florestal localizadas em nove Flonas nos estados de Rondônia, Pará, Amapá, Amazonas e Paraná. A meta é alcançar 5 milhões de hectares concedidos até 2027, conforme previsto no Plano Plurianual (PPA). Ainda segundo o Plano Plurianual a Flona do Jatuarana integra a estratégia do Serviço Florestal Brasileiro de ampliar as concessões florestais em bases permanentes e sustentáveis. O manejo florestal, em síntese, assegura plena manutenção das reservas florestais em pé, geram renda e emprego para as populações e contribuem para a formalização da economia local. Além disso, “mantém a diversidade biológica e a oferta dos serviços ambientais, com destaque para o ciclo da água e captura de carbono, importantes para o equilíbrio climático do planeta”, explica o diretor de Planejamento e Relações Institucionais do BNDES, Nelson Barbosa.
A parceria do BNDES com o SFB prevê a estruturação de mais cinco florestas nacionais (Flonas) no estado do Amazonas: Pau Rosa, Iquiri, Balata Tufari e Gleba Castanho, juntamente com a Flona Jatuarana, além de mais 12 a serem selecionadas e definidas. A Flona Balata Tufari, por exemplo, encontra-se no interflúvio dos rios Madeira e Purus, próxima aos municípios de Humaitá, Tapauá, Lábrea e Canutama. A Flona Iquiri tem a maior área de manejo, no município de Lábrea. A Flona Pau-Rosa é localizada nos municípios de Maués e Nova Olinda do Norte. A Flona Jatuarana está localizada em Apuí. Segundo Robson Vieira, chefe da Unidade Regional Purus Madeira – UR-PM, do SFB, em Porto Velho, 18 contratos, abrangendo mais de um milhão de hectares, encontram-se sob regime de concessão, manejados por 40 anos.
Sobre o autor
Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).
Madeira virá do manejo sustentável das Florestais Nacionais (Flonas) de Jamari e Jacundá, em Rondônia. Foto: Martim Garcia/Acervo MMA
O Fundo Clima, gerido pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), vai disponibilizar R$ 43,3 milhões para implantação de unidade de secagem de madeira de espécies nativas proveniente de manejo florestal sustentável em Itapuã do Oeste (RO). O financiamento foi aprovado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) à Madeflona Industrial Madeireira Ltda.
A madeira virá do manejo sustentável das Florestais Nacionais (Flonas) de Jamari e Jacundá, em uma área total de 141 mil hectares, que estão concedidas à Madeflona. A nova planta terá estufas a vapor com controle de temperatura e umidade, sistema conhecido como kiln drying, que agregam maior valor à madeira produzida pela empresa.
As pranchas tratadas por esse processo, inédito na região Norte, têm maior resistência à deformação e ao empenamento, menor número de manchas e variações na coloração da madeira, e maior aderência a vernizes, tintas e outros acabamentos.
A estimativa é que as pranchas submetidas ao método kiln drying de secagem alcancem um preço 21% maior do que o das pranchas desumidificadas pelo processo convencional e equivalente 8,23 vezes o preço das toras in natura. Ao mesmo tempo, o custo de secagem, hoje feita em plantas de terceiros, será 72,1% menor.
“O fruto da redução do desmatamento nos últimos dois anos está sendo transformado em agricultura sustentável, pecuária sustentável, restauração, preservação, manejo e segurança alimentar”, pontuou a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva. “Chegou a hora de transformar dinheiro em preservação, restauração e uso sustentável da floresta para que possamos continuar sendo prósperos e diverso”.
Segundo o presidente do BNDES, Aloízio Mercadante, o aumento acelerado da temperatura global e a persistência das emissões de gases do efeito estufa tornam urgente a restauração e conservação das florestas. “Com uma tecnologia inovadora, esse projeto evidencia a viabilidade econômica do manejo florestal sustentável, que gera emprego e renda para a população local, promovendo um modelo de desenvolvimento mais justo e duradouro, em linha com as políticas públicas do governo do presidente Lula para a Amazônia”, ponderou.
Para o CEO da Madeflona, Evandro José Muhlbauer, o projeto representa um importante marco para a empresa. “O apoio do BNDES e do MMA nos concede a oportunidade de concretizar nosso compromisso com a inovação tecnológica aliada à sustentabilidade”, avaliou.
“As modernizações que serão implementadas permitem a utilização de tecnologias de baixo carbono e maior eficiência na produção sustentável. Esse apoio do Fundo Clima permite a consecução firme e duradoura de nosso projeto, no propósito de construir um futuro protegendo e valorizando o que a natureza nos premiou por meio de nossas florestas”.
Instalações
A nova unidade será implantada em terreno de 64 mil metros quadrados, onde serão instaladas 20 câmaras para a secagem de 20 mil metros cúbicos de pranchas por ano, com aquecimento gradual, ventilação controlada e sensores para ajuste automático, garantindo umidade ideal entre 8% e 12%.
Além de reduzir custos e proporcionar ganhos de valor agregado, durabilidade, resistência e qualidade da madeira produzida, o projeto diminui custos de transporte e consumo de óleo diesel. Também possibilita o aproveitamento de cerca de 5 mil metros cúbicos de biomassa por ano, reduzindo impactos ambientais.
Porto do futuro em Belém. Foto: Carlos Tavares/Agencia Pará
Os portos públicos do Norte do Brasil registraram, em março de 2025, um salto na movimentação de praticamente 7%, na comparação com o mesmo período do ano passado. O resultado foi impulsionado pelo aumento nas cargas gerais, que ultrapassaram 200% de crescimento.
Os dados foram divulgados pelo Ministério de Portos e Aeroportos. De acordo com a Pasta, o destaque foi para a exportação de soja, com mais de 2 milhões de toneladas movimentadas.
Movimentação dos portos cresce quase 7% na Região Norte. Foto: Divulgação
Na avaliação do ministro Silvio Costa Filho, esse desempenho positivo está relacionado à política de investimentos no setor, que tem contribuído para melhorias na logística e no aumento da capacidade dos portos brasileiros.
“Estamos falando de investimentos bilionários, voltados à modernização e ao futuro do setor portuário nacional. São obras estruturantes, que aumentam a eficiência dos terminais, atraem novos negócios e tornam nossos portos cada vez mais competitivos no cenário global. É a maior carteira de investimentos da história do setor e ela está abrindo caminho para um novo ciclo de crescimento sustentável da nossa economia”, destaca.
Mercado de peixe junto a terminal de soja da Cargill em Santarém (PA), próximo ao encontro dos rios Amazonas e Tapajós. Foto: Thaís Borges/Mongabay
Portos do Arco Norte
O secretário Nacional de Portos, Alex Ávila, afirma que o crescimento expressivo nas movimentações portuárias na região se deve, sobretudo, à participação dos portos do Arco Norte, que têm papel fundamental no escoamento da safra agrícola.
“Já vínhamos sinalizando essa tendência, principalmente no que se refere às cargas de graneis vegetais, e estamos vendo a concretização de uma transformação logística. Até o fim desta década, os portos das regiões Norte e Nordeste devem responder por quase 50% do escoamento de graneis vegetais do país — um cenário condizente com o fato de que essas regiões já produzem quase metade da nossa safra”, pontua.
Escoamento da safra agrícola nos portos. Foto: Wesley Pontes
O Arco Norte compreende um plano estratégico que inclui portos ou estações de transbordo de alguns estados, como Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Maranhão. A área é considerada essencial para escoamento dos grãos, principalmente os produzidos no Centro-Oeste.
O levantamento mostra que, no estado do Amapá, por exemplo, o desempenho portuário contou com um avanço de 47,33% nas movimentações em março deste ano, em relação ao mesmo mês de 2024. O resultado foi puxado, entre outros fatores, pelo fluxo de graneis sólidos. Esse tipo de carga responde por 51,34% do total movimentado. Na unidade da federação, o destaque vai para o Porto de Santana, que teve o melhor desempenho.
Já no Pará, foi registrado um aumento de 2,76%. O salto foi impulsionado, principalmente, pelas cargas gerais, que contaram com expressiva elevação de 271,32%. Os portos de Santarém e Vila do Conde foram os protagonistas desse avanço. Enquanto o primeiro movimentou 1,7 milhão de toneladas, o segundo somou 1,4 milhão de toneladas no período analisado.
Foto: Reprodução/Acervo rede INCT-SinBiAm e PPBio Amazônia Oriental
Silenciosa e perigosa, a Doença de Chagas é uma infecção crônica causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, transmitido principalmente por insetos conhecidos como barbeiros. Embora muitas pessoas permaneçam sem sintomas por anos, cerca de 30% dos infectados desenvolvem complicações graves, como insuficiência cardíaca e arritmias. No Brasil, a doença segue como um grave problema de saúde pública, afetando milhares de pessoas, principalmente em regiões com moradias precárias.
Além do impacto na saúde individual, os prejuízos sociais e econômicos são significativos: a doença reduz a qualidade de vida, afasta trabalhadores de suas atividades, gera custos ao sistema de saúde e compromete o desenvolvimento de comunidades vulneráveis. Com os avanços no controle do vetor, novos desafios como as mudanças climáticas representam uma ameaça concreta, podendo reverter conquistas e ampliar a área de risco no país.
Segundo um estudo publicado na revista científica Medical and Veterinary Entomology, as mudanças climáticas podem provocar o deslocamento de insetos transmissores da Doença de Chagas, como os barbeiros, para novas áreas da Amazônia hoje consideradas de baixo risco. O estudo analisou mais de 11 mil registros únicos de ocorrência de 55 espécies de barbeiros.
Para prever como esses vetores podem se deslocar futuramente, os cientistas utilizaram modelagem de nicho ecológico, técnica que cruza dados de ocorrência com variáveis ambientais como clima, vegetação e relevo. A partir disso, o modelo estima onde os insetos vivem atualmente e onde poderão se estabelecer até 2080, com base em diferentes cenários de aquecimento global.
As projeções revelam uma tendência de expansão dos barbeiros para áreas da Amazônia, especialmente em cenários climáticos mais extremos, aumentando o risco para regiões já vulneráveis e com infraestrutura de saúde limitada.
“Essas projeções são um alerta claro. O avanço dos vetores para novas regiões pode surpreender os sistemas de saúde despreparados, afetando populações já marcadas por desigualdades e condições precárias de moradia”, afirma Leandro Schlemmer Brasil, autor principal do estudo.
Foto: Divulgação/Governo do Tocantins
Para o professor Leandro Juen (UFPA), coautor do artigo, os dados reforçam a urgência de estratégias integradas: “É fundamental unir vigilância em saúde, políticas ambientais e ações adaptativas às mudanças climáticas. Este estudo mostra como a ciência pode antecipar riscos e orientar políticas públicas eficazes”.
A pesquisa também sugere caminhos para a prevenção, como o fortalecimento da vigilância entomológica, campanhas educativas e melhorias nas condições de moradia em áreas de risco. Como contribuição principal, o estudo oferece um modelo que pode ser adaptado para outras doenças transmitidas por vetores, como malária, dengue e leishmaniose.
A pesquisa reforça a importância de integrar dados ambientais, históricos e de biodiversidade para compreender e antecipar riscos à saúde pública em um cenário de mudanças climáticas.
O trabalho integra duas grandes redes de pesquisa: o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia – Síntese em Biodiversidade Amazônica (INCT-SinBiAm) e o PPBio Amazônia Oriental, que reúnem especialistas de diferentes áreas e instituições para ampliar a produção científica sobre biodiversidade e saúde pública na região.
Essas redes têm papel essencial na geração de dados robustos, com abrangência territorial e integração entre diferentes instituições e áreas do conhecimento. Além da Universidade Federal do Pará e da Universidade Federal do Mato Grosso, participam do estudo pesquisadores de instituições como o Instituto Evandro Chagas, Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) e Universidade de Bristol.
Se você é brasileiro, é bem possível que já tenha ouvido falar do bairro do Jaçanã, na zona norte de São Paulo — eternizado na clássica canção ‘Trem das Onze’, de Adoniran Barbosa. Mas poucos sabem que, antes de dar nome a um bairro e à música, Jaçanã é, na verdade, o nome de uma ave de hábitos tão curiosos quanto seu próprio nome.
Conhecida também como aguapeaçoca, cafezinho, casaca-de-couro, marrequinha, menininho-do-banhado, piaçoca, entre outros apelidos regionais, essa ave é uma velha conhecida dos brejos, banhados e margens de rios do Brasil e de outros países da América do Sul.
Nativa da América do Sul, a Jacana jacana (Linnaeus, 1766) tem um apelido internacional: em regiões da África e da Austrália, espécies semelhantes são conhecidas como ‘Jesus bird‘ — literalmente, “ave de Jesus”, pela incrível capacidade de caminhar sobre as águas, que ela também possui.
Na verdade, ela não realiza nenhum milagre, mas conta com uma adaptação surpreendente: seus pés enormes, com dedos longos e unhas desproporcionais, que permitem distribuir seu peso sobre plantas aquáticas, como a vitória-régia. E assim, desliza por cima das águas como se estivesse sobre o chão.
O visual da jaçanã é facilmente reconhecível. Mede cerca de 23 centímetros, com corpo de plumagem negra e manto castanho, além de um vistoso bico amarelo com escudo frontal vermelho. As penas das asas se destacam por um tom verde-amarelado, e nos ombros surge um esporão vermelho, usado em disputas territoriais.
Filhote de jaçanã. Foto: Divulgação/Agência Ambiental Pick-upau
Os filhotes, no entanto, parecem pertencer a outra espécie. Nascem com o ventre branco, as costas marrom-acinzentadas e uma faixa branca que percorre desde os olhos até a nuca.
A jaçanã também surpreende no comportamento. Ao contrário de muitas espécies, a fêmea é maior e domina o território. Em alguns casos, ela forma verdadeiros haréns de machos, cada um responsável por cuidar dos ovos e dos filhotes.
Sim, é isso mesmo: a mãe põe os ovos e sai em busca de novos parceiros, enquanto o pai assume sozinho a incubação por 28 dias e a criação dos filhotes.
O ninho é uma frágil estrutura flutuante, feita de talos de plantas, e a vida das crias começa com aventura: assim que nascem, já saem caminhando sobre a vegetação aquática, como seus pais.
Mas nem tudo é paz. Fêmeas rivais são implacáveis. Se encontram ovos de outra, não hesitam em destruí-los para abrir espaço para seus próprios descendentes. E o mais curioso: o macho, vítima dessa sabotagem, logo esquece a perda e, muitas vezes, aceita a nova parceira sem cerimônia.
Logo, apesar de sociáveis em alguns períodos, as jaçanãs são bastante territoriais. Quando se sentem ameaçadas, principalmente as fêmeas, abrem as asas, revelando as penas amarelas e os esporões, enquanto soltam um chamado agudo que soa como uma risada fina e prolongada. Em situações mais tensas, chegam até às vias de fato, trocando bicadas e esporadas com as intrusas.
É uma espécie de ampla distribuição nas Américas e são reconhecidas seis subespécies:
Jacana jacana jacana (Linnaeus, 1766) – do Sudeste da Colômbia até as Guianas, Brasil, Uruguai e Norte da Argentina;
Jacana jacana hypomelaena (G. R. Gray, 1846) – do Centro e Oeste do Panamá até o Norte da Colômbia;
Jacana jacana melanopygia (P. L. Sclater, 1857) – do Oeste da Colômbia até o Oeste da Venezuela;
Jacana jacana intermedia (P. L. Sclater, 1857) – na Venezuela;
Jacana jacana scapularis (Chapman, 1922) – em terras baixas do Oeste do Equador e no Noroeste do Peru;
e Jacana jacana peruviana (Zimmer, 1930) – do Nordeste do Peru e na região adjacente no Noroeste do Brasil.
O povo indígena Makurap promoveu, entre os dias 7 e 13 de maio, um encontro cultural histórico na Aldeia Barranco Alto, localizada na Terra Indígena Rio Branco, em Alta Floresta D’Oeste (RO). O evento marcou o início das gravações do curta documental ‘Ki Mõyen – Nossa Língua Makurap’, iniciativa que visa registrar e fortalecer a riqueza da língua e da cultura Makurap por meio da linguagem audiovisual.
O projeto é resultado da parceria entre a Universidade Federal de Rondônia (UNIR), por meio do Departamento de Educação Intercultural Indígena (Deinter), a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), a Associação Indígena Awandá, o Coletivo Lakapoy, a produtora Elaborado Filmes e diversas instituições apoiadoras, como a FUNAI, Forest Trends e a Prefeitura de Alta Floresta D’Oeste. O curta conta ainda com financiamento da Lei Paulo Gustavo (Edital n° 01/2024-SEJUCEL).
Segundo a pesquisadora Roseline Mezacasa, professora do Deinter/UNIR, que atua junto ao povo Makurap desde 2013, o documentário nasceu de demandas da própria comunidade e tem como objetivo registrar a luta pela preservação do idioma e da cultura, além de evidenciar o protagonismo de professores indígenas, lideranças e jovens.
“O estado de Rondônia abriga mais de 30 povos indígenas e é considerado o mais diverso linguisticamente do Brasil. No entanto, essa riqueza cultural ainda é pouco reconhecida fora dos territórios indígenas. O projeto visa preencher essa lacuna, promovendo maior visibilidade às línguas nativas”, afirma a professora.
Foto: Divulgação/UNIRFoto: Divulgação/UNIR
Valorização cultural
Durante o encontro – que reuniu membros das Terras Indígenas Rio Branco e Rio Guaporé – rituais tradicionais, cantos sagrados e histórias ancestrais foram compartilhados por anciãos e anciãs Makurap.
Muitas dessas lideranças retornaram pela primeira vez ao território ancestral desde que foram removidos por órgãos indigenistas nos anos 1970, explicou a professora Roseline. E essa volta simbólica foi considerada um marco espiritual e cultural para a comunidade, fortalecendo o elo com a terra e reafirmando o compromisso coletivo com a preservação da língua Makurap.
Além do valor cultural, a produção tem caráter formativo e educativo. O projeto envolve professores indígenas, lideranças e jovens Makurap, que participam ativamente da equipe técnica do filme, adquirindo experiência profissional, fortalecendo redes locais de comunicação e ampliando suas oportunidades de geração de renda.
O curta também se articula com políticas públicas como o Inventário Nacional da Diversidade Linguística (IPHAN), a Década Internacional das Línguas Indígenas (UNESCO) e a Lei 11.645/2008, que determina o ensino da história e da cultura indígena nas escolas brasileiras, além de dialogar com as Diretrizes Curriculares da Educação Escolar Indígena.
Com previsão de lançamento para novembro de 2025, ‘Ki Mõyen – Nossa Língua Makurap’ será exibido em escolas, universidades e festivais culturais de Rondônia, Paraíba, Santa Catarina e até em instituições internacionais. A proposta é contribuir para a valorização da diversidade linguística e fortalecer relações interculturais no Brasil e no mundo.
Reitoria da Ufam, em Manaus. Foto: Reprodução/Rede AmazônicaAM
A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) informou que celebra a formação da primeira turma de mestrandos indígenas do Programa de Pós-Graduação em Sociedade e Cultura na Amazônia (PPGSCA), no município de São Gabriel da Cachoeira (SGC). No total, 16 pesquisadores indígenas, representantes de seis etnias distintas do Alto Rio Negro, concluem sua formação acadêmica levando os saberes tradicionais de seus povos para os espaços da ciência, da educação e da formulação de políticas públicas.
Esta conquista é celebrada no ‘II Seminário de Direitos Humanos, Estado e Cidadania: Formação Indígena e Desafios da/para Cidadania’, que ocorre entre os dias 26 e 30 de maio, reunindo lideranças indígenas, autoridades governamentais, representantes acadêmicos, militares e de órgãos federais.
O evento reconhece e valoriza o protagonismo dos povos originários na produção de conhecimento, reafirmando que o território também é espaço de ciência, resistência e futuro.
A Mesa de Abertura contará com a presença de Joênia Wapichana, presidenta da FUNAI e primeira mulher indígena eleita deputada federal no Brasil, além de Dadá Baniwa, coordenadora regional da FUNAI no Rio Negro.
Também participam o prefeito de São Gabriel da Cachoeira, Egmar Saldanha, representantes das Forças Armadas, do Ministério da Educação, da FOIRN e da CAPES, além de acadêmicos e cientistas indígenas reconhecidos internacionalmente, como Prof. Dr. Altair Seabra de Farias (Kambeba), o Prof. Dr. João Paulo Barreto (Tukano) e Prof. Dr. Silvio Sanches Barreto (Bará), os últimos vinculados ao BRAZIL-LAB de Princeton University, nos Estados Unidos.
O seminário também conta com a presença do Prof. Dr. Pedro Diaz Peralta, pesquisador internacional da Universidad Complutense de Madrid, especialista em saúde pública e em políticas de proteção dos conhecimentos tradicionais, que introduziu no Brasil os debates sobre o Protocolo de Nagoya, fundamental para assegurar os direitos dos povos sobre seus saberes relacionados a plantas medicinais, práticas de cuidado e biodiversidade, temas que estão diretamente presentes em diversas dissertações desta turma de mestrandos indígenas.
A universidade também destaca a autorização federal para a implantação do novo campus da Ufam em São Gabriel da Cachoeira. O novo campus representará, segundo a instituição de ensino, “uma mudança estrutural na educação superior da região, promovendo acesso, desenvolvimento, inclusão e soberania intelectual para os povos do Alto Rio Negro e de toda a Amazônia”.
O projeto Amazônia 2030 reúne diversos pesquisadores com o objetivo de produzir um plano de desenvolvimento sustentável para a Amazônia, para que “a região tenha condições de alcançar um patamar maior de desenvolvimento econômico e humano e atingir o uso sustentável dos recursos naturais em 2030”.
Trata-se de uma iniciativa conjunta do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e do Centro de Empreendedorismo da Amazônia, ambos situados em Belém (PA), com a Climate Policy Initiative (CPI) e o Departamento de Economia da PUC-Rio, localizados no Rio de Janeiro (RJ).
Iniciado em 2020, o projeto realiza coletas e sintetização de informações produzidas sobre a região para que as recomendações feitas a partir das análises “possam ser adotadas por tomadores de decisão privados (como empresários, empreendedores, investidores e bancos), tomadores de decisão públicos (como dos poderes Executivo e Legislativo, assim como órgãos das esferas municipal, estadual e federal) e agentes de cooperação e investimento internacional”.
Neste contexto, o grupo publicou no fim de abril o estudo ‘Fatos da Amazônia – 2025‘, que define como “um retrato abrangente e atualizado da Amazônia Legal“.
A Amazônia Legal é definida pela área que corresponde ao território total dos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins (estados da região Norte), Mato Grosso (região Centro-Oeste) e parte da área oeste do estado do Maranhão (região Nordeste).
Amazônia Legal em 2023. Imagem: Reprodução/Fatos da Amazônia 2025
A publicação mostra as informações mais atuais sobre a região, seu potencial e características que podem ajudar seu desenvolvimento sustentável.
Entre elas está o destaque para a “divisão” da região em ‘cinco Amazônias’: macrozonas com base na cobertura vegetal. O conceito divide a Amazônia Legal desta forma:
florestal: ocupa 39% do território da Amazônia Legal e corresponde às áreas mais conservadas;
florestal sob pressão: abrange 29% da região e corresponde aos municípios com extensa cobertura florestal, mas que sofrem com desmatamento crescente, extração ilegal de madeira, garimpo de ouro e grilagem de terras;
desmatada: municípios que somam 11% da área da região, onde a maior parte das áreas desmatadas está subutilizada ou abandonada;
não florestal (Cerrado e Pantanal): corresponde a 21% da Amazônia Legal, coberta principalmente pela vegetação de cerrado (inclui também campinaranas e campos naturais), com cobertura florestal inferior a 50%, onde concentram-se no Mato Grosso, Tocantins e Roraima;
e urbana: onde a maioria da população (76%) reside.
As cinco Amazônias. Imagem: Reprodução/Fatos da Amazônia 2025
A proposta desta forma de leitura, baseada na cobertura vegetal, é para levar em consideração sua diversidade e complexidade, e como os diferentes níveis de conservação e uso da terra tem transformado a vida da população que habita essa região do país.