A vassourinha-de-botão (Spermacoce verticillata) é uma planta pertencente à família Rubiaceae, amplamente distribuída pelas Américas. No Brasil, essa espécie encontra condições favoráveis de desenvolvimento em todas as regiões, como por exemplo, a região Norte do país.
Conhecida por sua resistência, a vassourinha-de-botão cresce em solos pobres e ácidos, demonstrando grande capacidade de adaptação. Pode atingir cerca de 30 centímetros de altura, possui folhas lisas de cor verde intensa e flores predominantemente brancas.
Com diversos nomes populares – cordão-de-frade, erva-botão, falsa-poaia e poaia-rosário -, a planta tem sido utilizada tradicionalmente na medicina popular devido a suas propriedades terapêuticas.
Segundo o pesquisador Moacir Biondo, a vassourinha-de-botão pode ser empregada no tratamento de hemorroidas e varizes por meio de banhos de assento e infusões. Além disso, é facilmente encontrada, por exemplo, em quintais.
O chá preparado com a planta inteira, utilizando cerca de três a quatro litros de água fervida, pode ser consumido diariamente (de dois a três copos ao dia) para auxiliar nesses problemas circulatórios.
Para alívio de varizes, também é recomendado o uso do chá em banhos para as pernas, garantindo um efeito calmante e anti-inflamatório. Confira:
Malefícios?
De acordo com circular técnica publicada pela Embrapa, a planta também deve ser manejada com cautela. Ela se torna daninha em locais como pastagens nativas, plantações de soja e milho, afetando negativamente no crescimento de outras plantas por competir no consumo de nutrientes e da água no local.
Agentes indígenas encontraram artefatos deixados na mata pelos indígenas isolados de Mamoriá Grande, como cestarias e um pilão. Foto: Daniel Cangussu/Funai
“Eles são curiosos em relação à gente, e a gente é curioso em relação a eles”. É assim que Daniel Cangussu descreve a recente interação com um pequeno grupo indígena que acaba de entrar em contato com o restante da sociedade no coração da Amazônia brasileira. “Ainda não conhecemos a língua deles, mas a comunicação é feita o tempo todo. Compartilhamos comida, a gente pesca para eles, eles nos acompanham nas caçadas”, disse o servidor da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).
O grupo vive há séculos em uma das áreas mais preservadas da floresta amazônica, em uma região conhecida como Mamoriá Grande — nome de um afluente do Rio Purus que atravessa o território. O primeiro contato ocorreu no dia 12 de fevereiro, quando um jovem apareceu em uma comunidade ribeirinha da região, que fica entre os municípios de Tapauá e Lábrea, no sul do Amazonas.
“Ele saiu da mata porque havia perdido o fogo”, disse Cangussu, que coordena a Frente de Proteção Etnoambiental Madeira-Purus da Funai, responsável por proteger os povos indígenas isolados desta área.
Após receberem alimentos e assistência médica, os agentes da Funai ajudaram o homem a retornar ao ponto da floresta de onde ele havia saído. Alguns dias depois, os agentes perceberam que ele ainda estava na mesma área, agora acompanhado pela família: uma mulher e um bebê de cerca de um ano. “Percebemos que eles não só estavam sem fogo, mas estavam em dificuldade”, disse Cangussu.
Segundo ele, essa família faz parte de um grupo maior, cuja existência foi confirmada pela Funai em 2021. Antes do início da estação chuvosa, eles costumam migrar para as áreas mais altas, nas cabeceiras dos rios, onde é mais fácil caçar, pescar e coletar frutas nesta época do ano. Mas por algum motivo essa família ficou para trás, presa nas terras baixas e alagadas onde há menos comida disponível. Diante da precariedade da situação, os agentes da Funai decidiram entrar na floresta para apoiar o grupo.
“Eles tomaram a iniciativa de acampar perto de nós porque estão precisando de apoio”, disse Cangussu. “Estavam um pouco mais magros, aparentemente anêmicos, então uma equipe de saúde está nos acompanhando, fazendo exames e dando vitaminas. E nossa equipe está ajudando com a pesca e a caça”.
Uma família indígena isolada, composta por um casal e um bebê, se perdeu do resto de seu grupo na região de Mamoriá Grande, no Amazonas. Foto: Daniel Cangussu/Funai
Mamoriá Grande está no meio de um mosaico de uma dúzia de unidades de conservação e territórios indígenas, que funcionam como uma barreira ao desmatamento. Não por acaso, há pelo menos outros quatro povos isolados vivendo no sul do Amazonas, segundo Priscilla Oliveira, antropóloga e pesquisadora da organização de defesa dos direitos indígenas Survival International.
“Territórios com uma floresta de pé, saudável e com bastante biodiversidade são os locais ideais para que estes povos possam prosperar”, ela disse à Mongabay.
Por enquanto, as maiores ameaças aos povos indígenas que vivem nessas áreas são caçadores e pescadores ilegais ocasionais. No entanto, derrubadas em grande escala e a especulação fundiária estão cada vez mais próximas, especialmente após a explosão nas taxas de desmatamento registradas durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022). O avanço do Arco de Desmatamento para o norte aumenta o risco de a Amazônia atingir um ponto de não-retorno, quando o bioma se transformaria em um ecossistema mais seco, degradado e com menos biodiversidade, que deixaria de ser considerado uma floresta tropical.
“Somos a última fronteira”, disse Zé Bajaga Apurinã, coordenador da organização indígena local Focimp (Federação das Organização e Comunidades Indígenas do Médio Purus), à Mongabay. “É o nosso cinturão que protege essa região da invasão, porque [os desmatadores] estão entrando com tudo e estamos sendo assediados de todas as maneiras possíveis”.
A expansão da pecuária é uma das principais fontes de pressão, e tem sido impulsionada pela perspectiva de pavimentação da BR-319. A estrada de 880 quilômetros foi construída na década de 1970 para conectar a capital de Rondônia, Porto Velho, com Manaus, capital do Amazonas. No entanto, um trecho de 400 km da estrada, conhecido como “trecho do meio”, se torna intransitável na maior parte do ano, fazendo com que Manaus dependa fortemente do transporte fluvial para o abastecimento de mercadorias.
O asfaltamento desse trecho resultaria em um aumento de quatro vezes nas taxas de desmatamento ao redor da BR-319, segundo um relatório de pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Quarenta unidades de conservação e 50 territórios indígenas seriam afetados, incluindo os grupos indígenas isolados que vivem na região do Médio Purus.
O ex-presidente Jair Bolsonaro não conseguiu cumprir sua promessa de pavimentar o trecho durante sua administração. Agora, o presidente Lula se comprometeu a terminar a obra apesar das críticas de ambientalistas e associações indígenas, que afirmam que o projeto contradiz a agenda ambiental do governo.
Lucas Ferrante, pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), produziu vários artigos sobre os impactos da pavimentação da BR-319. Segundo ele, o governo federal está colocando em risco uma parte vital da floresta para atender a interesses econômicos de poucos grupos. “Há muita pressão para abrir esses blocos de floresta, tanto para favorecer a exploração de petróleo e gás quanto os grupos do agronegócio, especialmente os pecuaristas”, ele disse à Mongabay.
A pavimentação da BR-319 levaria a Amazônia a mais desmatamento, afetando a produção de chuvas do Brasil e colocando em risco as comunidades indígenas. Foto cedida pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).
Apesar da distância entre a BR-319 e a área de Mamoriá Grande — cerca de 260 quilômetros em linha reta —, Ferrante acredita que a abertura de estradas secundárias floresta adentro pode se tornar uma ameaça para esse e outros povos isolados.
Historicamente, as rodovias oficiais na Amazônia geram dezenas de estradas não oficiais e menores, em um fenômeno conhecido como espinha de peixe; de cima, essas estradas menores podem ser vistas se ramificando da principal, lembrando a espinha de um peixe. Segundo o pesquisador, já existem mais de 6 mil quilômetros de estradas não oficiais nas proximidades da BR-319, seis vezes a extensão da própria rodovia.
“Qualquer abertura e pressão sobre essas áreas é uma ameaça para esses povos indígenas”, disse ele. “Esta é a nova área visada para expansão na Amazônia. O que precisamos fazer é fechar permanentemente esses blocos de floresta”.
As comunidades tradicionais não seriam as únicas vítimas do avanço do desmatamento sobre os últimos maciços florestais da Amazônia. Segundo Ferrante, essa área é o berço dos rios voadores que levam água para outras partes do país, sendo responsáveis por 70% das chuvas no Sul e Sudeste do Brasil.
O avanço de não indígenas sobre essas florestas intocadas também os colocaria em contato com uma variedade desconhecida de vírus e bactérias. Assim como no caso do coronavírus (covid-19), esses microorganismos poderiam se espalhar rapidamente pelo restante do Brasil e até pelo mundo. “Este é um dos maiores reservatórios zoonóticos do planeta”, afirmou Ferrante.
Um processo de demarcação turbulento
A Funai reconhece registros de 114 povos indígenas isolados em todo o Brasil, sendo a maioria na Amazônia. A decisão dessas comunidades de evitar o contato com a sociedade não indígena é uma resposta à violência enfrentada no passado. Durante a ditadura militar no Brasil, mais de 8 mil indígenas foram mortos em massacres, expropriação de suas terras, remoções forçadas de seus territórios, contaminação por doenças infecciosas, prisão, tortura e maus-tratos. A maioria dessas mortes ocorreu durante a construção das grandes rodovias que ligam a Amazônia ao restante do país.
Ainda hoje, o Brasil é o segundo país mais perigoso do mundo para defensores ambientais, incluindo os indígenas. Muitas vezes, os ataques vêm de madeireiros e pecuaristas que invadem seus territórios.
“Aqui no Purus a gente era mais de mil povos e agora somos uns dez”, disse Zé Bajaga Apurinã. “Eles têm medo dos brancos matarem eles, porque já mataram muitos”.
Desde 1987, a Funai segue a política de não contato, respeitando a decisão daqueles que não desejam entrar em contato com a cultura não indígena.
“Não promovemos o contato. Sempre trabalhamos para entender a área de ocupação e então proteger essa área”, disse Marco Aurélio Milken Tosta, Coordenador Geral de Índios Isolados e Recém Contatados da Funai, à Mongabay. “Ao mesmo tempo, estamos sempre preparados caso um grupo busque contato conosco, como no caso de Mamoriá Grande”.
Uma vez confirmada a existência de um grupo, uma das primeiras medidas é a emissão de um termo de proteção que estabelece que apenas pessoas autorizadas pela Funai entrem no território. Isso funciona como uma medida emergencial enquanto o processo de demarcação está em andamento. No entanto, os agentes da Funai foram impedidos de realizar seu trabalho durante a administração do ex-presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro (2019-2022), que era abertamente contra a demarcação de terras para comunidades tradicionais.
“Desde que o grupo foi confirmado em 2021, nós e outras organizações vínhamos pressionando para que o termo de restrição de uso fosse assinado”, disse Oliveira, da Survival International. “Acreditávamos que essa restrição viria assim que Luiz Inácio Lula da Silva assumisse [em janeiro de 2023], mas infelizmente demorou muito mais.”
O termo de restrição foi assinado em dezembro de 2024, protegendo uma área de 259.783 hectares, quase o dobro do tamanho do município do Rio de Janeiro. Nesse meio tempo, a Funai criou um grupo de trabalho para começar a identificar e demarcar o território, para que a Terra Indígena Mamoriá Grande possa ser oficialmente criada.
No entanto, esse processo pode levar décadas.
“Até conseguirmos a regularização efetiva da terra indígena, é um processo relativamente longo, complexo, e sujeito a muitas pressões”, disse Tosta, da Funai. “Isso nos preocupa muito porque, até que a área seja efetivamente estabelecida como terra indígena, o grupo está vulnerável, ainda mais dentro do contexto político atual.”
O primeiro obstáculo para o grupo de Mamoriá Grande veio do Congresso Nacional, onde os senadores Dr. Hiran e Omar Aziz apresentaram um projeto de lei para suspender o termo de restrição da Funai, argumentando que isso poderia trazer “impactos socioeconômicos” para as comunidades locais.
Eles também afirmaram que o termo contradiz o marco temporal, uma lei controversa aprovada pela bancada ruralista no Congresso, que estabeleceu uma data de corte para a constituição de territórios indígenas. Embora tenha sido considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em 2023, a legislação foi aprovada pelo parlamentares poucos dias depois, em um embate legal que levou à paralisia de muitos processos de demarcação.
A Mongabay tentou falar com os senadores Aziz e Dr. Hiran, mas eles não responderam até o momento da publicação (em 28 de março de 2025).
A proteção do grupo Mamoriá Grande também enfrenta a resistência de alguns moradores da Reserva Extrativista Médio Purus, uma unidade de conservação de 600 mil hectares habitada por cerca de 1.500 famílias ribeirinhas. De acordo com a Funai, 20% da área indígena se sobrepõe à reserva.
“A comunidade não pode mais entrar na mata para cortar seringa, para tirar castanha, para pescar, caçar, para fazer nada. Até impedir aluno de ir pra escola estão impedindo”, afirmou José Maria Carneiro de Oliveira, ex-presidente da Associação dos Trabalhadores Agroextrativistas do Médio Purus (ATAMP), em uma ligação telefônica com a Mongabay.
Diante dessas reclamações, Tosta respondeu que a Funai está trabalhando de perto com as comunidades locais e com o ICMBio, órgão responsável pelas unidades de conservação do Brasil. “A gente não faz trabalho nenhum sem parceria com as comunidades. A gente precisa dessa atuação conjunta”, disse. “Estamos trabalhando para tentar buscar um equilíbrio e fazer o trabalho que precisa ser feito de proteção da área destes indígenas”.
No dia 9 de março, a Funai realizou uma reunião na comunidade Bela Rosa, a mais afetada pela ordem de restrição, para tentar atender às suas demandas e fazer acordos sobre o andamento dos trabalhos.
Os próximos passos da Funai na área de Mamoriá Grande dependerão do comportamento do grupo indígena, disse Daniel Cangussu. “Se o rio secar e eles voltarem para seus parentes — perfeito. Continuaremos a proteger o território. Se no futuro eles permanecerem na área e seus parentes é que descerem [para se juntar a eles] no verão, teremos um grupo maior para proteger”.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Mongabay, escrito por Fernanda Wenzel
O Serviço Nacional Florestal e de Vida Selvagem (Serfor) no Peru informou que está priorizando a implementação do processo de zoneamento florestal, uma ferramenta fundamental para o manejo sustentável das florestas, seus recursos florestais e a vida selvagem, em nove departamentos.
Ele argumentou que, por meio desse processo, diferentes áreas florestais podem ser identificadas e categorizadas de acordo com seu uso potencial, garantindo a conservação florestal e otimizando atividades produtivas compatíveis com a sustentabilidade ambiental.
Quais são as regiões prioritárias?
O Serfor indicou que, por meio da Diretoria de Cadastro, Zoneamento Florestal e Planejamento, foram identificados os seguintes departamentos para esta fase:
Ele explicou que essa priorização se baseia no uso de critérios relacionados à presença de florestas e à pressão que existe sobre os ecossistemas florestais. Após esse processo, 18 departamentos no Peru agora mostram progresso em seus processos de manejo florestal.
Segundo o Serfor, há uma grande demanda de usuários que necessitam de acesso aos recursos florestais por meio da criação de unidades de manejo florestal e da outorga de títulos habilitantes (concessões madeireiras, concessões não madeireiras, entre outras), conforme estabelecido na Lei 29.763, Lei de Florestas e Fauna Bravia.
Foto: Divulgação/Agência Andina
Como parte desse processo, o Serfor elaborou um plano de trabalho que inclui a coordenação com os governos regionais para fortalecer suas capacidades em gestão florestal, coletando e preparando os estudos técnicos necessários para o zoneamento florestal; bem como promover a participação de atores locais para garantir uma abordagem inclusiva e sustentável. Em seguida, poderão ser determinadas as categorias de zoneamento a serem estabelecidas, de acordo com a regulamentação vigente.
Assim, a proposta é viável se for considerado que os governos regionais possuem portarias declarando como de interesse a implementação do zoneamento florestal e formaram equipes técnicas para implementá-lo. Além disso, cada departamento terá um roteiro para implementar seu processo.
Esta intervenção, afirma o serviço, não só contribuirá para o zoneamento florestal em todo o Peru, mas também melhorará a gestão e o uso sustentável dos recursos florestais e selvagens. Isso reduzirá a perda e o uso indevido de florestas, promovendo a produtividade do setor florestal e a recuperação econômica para famílias em departamentos priorizados.
Este processo também promove o desenvolvimento do setor florestal e de vida selvagem, aumentando sua contribuição para o desenvolvimento socioeconômico do país e gerando maiores benefícios para os peruanos. Da mesma forma, contribui para conferir personalidade jurídica às atividades produtivas desenvolvidas, tornando bens e serviços mais competitivos nos mercados nacional e internacional.
Entre as 42 Unidades de Conservação (UCs) localizadas na área de influência da rodovia BR-319, que corta o Amazonas e Rondônia, 40% apresentaram desmatamento no ano de 2024. Ao todo, foram 962 hectares (ha) desmatados, uma área equivalente a 1.347 campos de futebol. O destaque foi para a Reserva Extrativista (Resex) Jaci-Paraná (RO), situada entre os municípios de Porto Velho, Nova Mamoré e Buritis, que registrou 880 ha desmatados no ano passado.
Os dados são da ‘Retrospectiva 2024: Desmatamento e focos de calor na área de influência da rodovia BR-319’, publicação anual do Observatório BR-319, que este ano trouxe dados e análise do cenário em 13 municípios, 42 Unidades de Conservação e 69 Terras Indígenas, no período de 2010 a 2024.
Nos últimos 14 anos, as UCs estaduais com maior desmatamento foram a Floresta Estadual (FES) Tapauá (AM), e a Resex Jaci-Paraná. Já no âmbito federal, as UCs com piores índices de desmatamento foram a Floresta Nacional (Flona) do Bom Futuro (RO) e Parque Nacional (Parna) Mapinguari (AM e RO).
Em ambas, os maiores picos de desmatamento foram em 2021, quando a Flona do Bom Futuro registrou 1.257 ha e a Parna Mapinguari, 1.175 ha. No âmbito municipal, a Área de Proteção Ambiental (APA) Tarumã-Ponta Negra (AM) foi a que registrou o maior desmatamento, com pico de 71,45 ha em 2014.
A FES Tapauá, que figura entre as UCs com maior desmatamento na BR-319, apresentou desmatamento zero em 2024, quando comparado ao ano de 2023. No entanto, a Flona do Bom Futuro e o Parna Mapinguari apresentaram aumentos de 664,08% e 166,90%, respectivamente, no comparativo com o desmatamento do ano anterior.
Focos de calor
O ano de 2024, considerado o mais quente da história, também teve seus impactos nas Unidades de Conservação sob influência da BR-319. O levantamento revelou que 80% das UCs monitoradas apresentaram focos de calor, totalizando 1.230 focos detectados no ano passado.
O Parna Mapinguari foi a UC com mais focos de calor em 2024, com registro de 235 focos, seguido do Parna dos Campos Amazônicos, com 234 focos de calor. No caso dos Campos Amazônicos, a UC registrou um aumento de 157% no número de focos de calor em comparação a 2023. Outra UC que apresentou um crescimento expressivo foi a Flona do Bom Futuro, com aumento de 81,3% no número de focos de calor quando comparado ao ano anterior.
Dentro da série histórica, a Resex Jaci-Paraná apresentou uma média de 44 focos de calor por ano. O número caiu 70,7% em relação a 2023, somando 120 focos. No âmbito municipal, a APA Tarumã-Ponta Negra e a Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Tupé foram as que mais apresentaram focos de calor nos últimos 14 anos.
Segundo a publicação do Observatório BR-319, a retrospectiva evidencia que “embora o desmatamento tenha apresentado sinais de redução nos últimos anos, os focos de calor e a degradação ambiental continuam a representar graves ameaças à Amazônia”.
O documento destaca que a área de influência da rodovia requer atenção especial do poder público e da sociedade civil, considerando sua importância ecológica e as ameaças antrópicas que ela sofre, como o desmatamento, invasão e grilagem de terras, queimadas, aberturas de pastos e ramais, por exemplo.
“A adoção de políticas públicas integradas, o fortalecimento da governança ambiental e o engajamento das comunidades locais são essenciais para reverter esse cenário e garantir um futuro sustentável para a região do Interflúvio Madeira-Purus”, aponta a publicação.
Melanastera olgae na planta Guatteria punctata (Annonaceae), em Sinop, MT.Foto: Reprodução/Embrapa
Uma recente pesquisa da Embrapa, em colaboração com cientistas internacionais, revelou 60 novas espécies de psilídeos em diferentes biomas do Brasil, incluindo a Amazônia, a Mata Atlântica e o Cerrado. O estudo, publicado na revista Zootaxa, amplia significativamente o conhecimento sobre essa família de insetos e reforça a importância de medidas de conservação.
Os psilídeos, também chamados de “piolhos-de-planta saltadores”, desempenham funções essenciais nos ecossistemas. Algumas espécies são utilizadas no controle biológico de plantas invasoras, enquanto outras podem ser indicadoras de qualidade ambiental ou até mesmo entrar na lista de insetos ameaçados de extinção. Com a descrição dessas novas espécies, o Brasil passa a ser um dos principais centros de diversidade do grupo na América do Sul.
O estudo, conduzido ao longo de mais de uma década, analisou amostras coletadas em aproximadamente 50 parques nacionais, estaduais e municipais. Os pesquisadores percorreram 15 estados brasileiros entre 2011 e 2021, utilizando técnicas avançadas de identificação, como sequenciamento genético e análise detalhada da morfologia dos insetos. Após uso de sequenciamento de DNA (barcoding), a equipe identificou uma nova espécie de Klyveria e 59 novas espécies de Melanastera, demonstrando que a biodiversidade desses insetos é muito maior do que se imaginava.
Os psilídeos são insetos da superfamília Psylloidea (Hemiptera). Dividem-se em sete famílias (Aphalaridae, Calophyidae, Carsidaridae, Liviidae, Mastigimatidae, Psyllidae e Triozidae), com mais de 4000 espécies descritas no mundo. Estes insetos são, muitas vezes, confundidos com pulgões, mas distinguem-se destes pelas patas posteriores fortes e adaptadas para saltar; usualmente com 10 segmentos nas antenas (três a seis segmentos, nos pulgões); maior esclerotização do exoesqueleto (estrutura de proteção externa contra choques físicos e desidratação presente nos insetos e demais artrópodes que confere sustentação aos músculos e órgãos). No caso dos psilídeos, estes têm mais quitina no exoesqueleto do que os pulgões, o que os tornam mais resistentes.
Algumas espécies são pragas nativas como por exemplo o psilídeo da erva-mate (Gyropsylla spegazziniana), foto à esquerda, uma das principais pragas dessa cultura. Outras são pragas exóticas, que foram acidentalmente introduzidas no País nas últimas duas décadas, como exemplo podem ser citadas: Diaphorina citri, Ctenarytaina spatulata, Ctenarytaina eucalypti, Blastopsylla occidentalis e Glycaspis brimblecombei.
A descoberta dessas novas espécies evidencia o potencial inexplorado da biodiversidade brasileira e ressalta a necessidade urgente de investimentos em pesquisa e conservação.
“Cada nova espécie descoberta é uma peça fundamental para entendermos os ecossistemas e protegermos nosso patrimônio natural”, destaca Dalva Queiroz, pesquisadora da Embrapa Florestas (PR) e coautora do estudo e coordenadora do projeto que gerou a base de dados utilizada neste estudo.
Foto: Reprodução/Embrapa
A pesquisa também chama atenção para a ameaça crescente aos biomas brasileiros. A Amazônia já perdeu mais de 14% de sua cobertura florestal, enquanto o Cerrado enfrenta um ritmo acelerado de conversão para uso agrícola.
“Ambientes em risco podem abrigar um número ainda maior de espécies desconhecidas. Mapear e descrever essa diversidade é fundamental para que possamos entendê-la e conservá-la”, defende a pesquisadora.
Nesse sentido, ela relata que os avanços científicos gerados por essa pesquisa são relevantes não apenas para a entomologia, mas também para a conservação da fauna brasileira. A catalogação e o monitoramento de novas espécies são passos fundamentais para a elaboração de estratégias de proteção ambiental. “Ao expandirmos nossa compreensão sobre a biodiversidade, também fortalecemos os argumentos para sua preservação”, conclui Queiroz.
Insetos importantes
A importância dos psilídeos vai além da biodiversidade. Alguns deles são pragas agrícolas, podendo impactar lavouras comerciais. “O conhecimento sobre esses insetos é essencial para o manejo agrícola e a proteção de cultivos”, explica Queiroz. O estudo também sugere que certas espécies podem ser utilizadas no combate a plantas invasoras, contribuindo para a segurança alimentar e a saúde dos ecossistemas.
“Os psilídeos são pouco conhecidos do grande público, mas desempenham papéis importantes no equilíbrio ecológico, pois interagem com inúmeras plantas e podem, em alguns casos, atuar como pragas agrícolas ou vetores de patógenos”, conta a cientista.
Descrever as espécies nativas é o primeiro passo para conhecer a biodiversidade deste grupo embasando o monitoramento e o manejo das espécies pragas. “Alguns desses descritos têm uma importância muito grande, por exemplo, temos a espécie Melanastera smithi que está sendo testada para o controle biológico de Miconia calvescens, uma planta invasora no Havaí e outras ilhas na Oceania”, exemplifica Queiroz.
Formação de novas coleções
Foto: Reprodução/Embrapa
A pesquisa resultou na criação de três coleções científicas de psilídeos no Brasil: uma no Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP), outra na Embrapa Amazônia Ocidental, em Manaus (AM) e a terceira no Museu de Zoologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Essas coleções vão auxiliar futuras pesquisas e garantir a preservação do material biológico.
Com a descrição de 60 novas espécies, os cientistas reforçam que este é apenas o começo. Estima-se que ainda existam centenas de espécies de psilídeos a serem descobertas no Brasil. A continuidade de estudos na área será essencial para a preservação da fauna e para o aprofundamento do conhecimento sobre esses insetos tão pequenos, mas de grande impacto para os ecossistemas.
Os cientistas estimam o número de espécies brasileiras em mais de mil. “Ao descrever 60 novas espécies de psilídeos, este estudo mostra apenas a ponta do iceberg”, declara Daniel Burckhardt, um dos autores do trabalho.
“Cada espécie descoberta é um lembrete da complexidade e fragilidade dos nossos ecossistemas. A conservação dessas áreas é crucial, pois muitas espécies podem desaparecer antes mesmo de serem conhecidas pela ciência”, alerta o cientista.
Autores
O estudo publicado na revista Zootaxa é parte de um projeto iniciado em 2012, fruto de uma parceria entre a Embrapa e o Naturhistorisches Museum Basel (NHMB), da Suíça. O artigo é assinado pelos pesquisadores: Liliya Š. Serbina, Igor Malenovský, Dalva L. Queiroz e Daniel Burckhardt.
Foto: Reprodução/Embrapa
Que nome dar a uma nova espécie?
Quando uma nova espécie é encontrada e descrita, é preciso nomeá-la. Este nome deve ser em latim ou grego e pode ser uma referência a uma característica do inseto, à planta hospedeira do inseto, ao local, ao coletor, ou ainda uma homenagem a alguém. A primeira autora, Liliya Serbina, conta que, como se tratavam de muitas espécies, teve bastante trabalho para escolher os nomes e precisou usar todas essas estratégias.
Por exemplo, uma espécie foi denominada em homenagem à mãe dela (Olga) (Melanastera olgae). Outra para o marido (Michal) (Melanastera michali), e outra aos filhos da terceira autora, Flávia (Klyveria flaviae) e Francis (Melanastera francisi) e uma também ao professor Marliton Barreto (Melanastera barretoi).
Projeto iniciou em 2012
Realizado em parceria entre a Embrapa e o Naturhistorisches Museum Basel (NHMB), Suíça, o projeto coordenado pela pesquisadora Dalva Luiz de Queiroz visa ao avanço do conhecimento sobre os psilídeos no Brasil, País com uma fauna ainda pouco explorada. O trabalho envolve coletas, identificação e descrição de novas espécies de psilídeos. Alguns desses insetos causam grandes prejuízos agrícolas e florestais, principalmente devido à transmissão de doenças bacterianas como o HLB dos citros, a principal enfermidade da cultura. Os dados obtidos são essenciais para o controle dessas pragas e sua gestão no setor agrícola e florestal.
Os impactos desse trabalho são significativos para a defesa fitossanitária, especialmente no monitoramento e no manejo de espécies que afetam a produtividade das florestas plantadas e nativas. Por meio da colaboração entre as instituições parceiras, o projeto também promoveu o treinamento de estudantes, profissionais na área de taxonomia de psilídeos, e de agentes da vigilância sanitária. As informações geradas contribuíram para o planejamento estratégico e o aprimoramento das práticas de manejo, fornecendo maior eficiência no controle de pragas.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Embrapa
Anta no Bosque dos Papagaios. Foto: Andrezza Mariot/SEMUC/PMBV
No Parque Ecológico Bosque dos Papagaios, bairro Paraviana, em Boa Vista (RR), em meio às árvores e os pássaros coloridos, vive uma anta dócil e tranquila. Apesar da agitação das aves, que não param de tagarelar, o animal segue calmo, mastigando folhas, frutas, verduras e legumes que fazem parte da alimentação diária.
Moradora desde 2023, quando foi resgatada, a anta tem pelagem escura, focinho alongado e flexível, semelhante a uma pequena tromba. De acordo com o diretor do Parque Ecológico, Luciano Ibiapina, por se tratar de um animal extremamente dócil, ela não tem condições de ser reintegrada à natureza.
“Essa anta era criada em cativeiro no município de Cantá e foi resgatada pelo Cetas [Centro de Triagem de Animais Silvestres]. Como se trata de um animal selvagem, os visitantes precisam respeitar o espaço dela, não podem tocá-la, nem alimentá-la. Aqui no bosque, ela tem uma vida tranquila”, disse.
Anta no Bosque dos Papagaios. Foto: Andrezza Mariot/SEMUC/PMBV
Animal chama atenção de visitantes
Com 5 anos, apesar de ter porte robusto e patas fortes, a anta é um animal geralmente tímido e de hábitos noturnos. Jhonata Kauan, de 17 anos, tem ido ao Bosque dos Papagaios com frequência para fazer a trilha e admirar os animais que vivem no local, sem contar que garante muitas fotos dos moradores do parque.
“Esta é a terceira vez que eu venho ao bosque. Gosto de observar os animais mais de perto. É bom saber que tem lugares como esse que aceitam animais e ajudam o meio ambiente. Dentre todos os bichos daqui, a anta me chama atenção, pois tem grande porte, sem contar que é bem bonitinha”, contou.
Anta no Bosque dos Papagaios. Foto: Andrezza Mariot/SEMUC/PMBV
Funcionamento do Bosque dos Papagaios
Com exceção das segundas-feiras, feriados e pontos facultativos, o horário de funcionamento do bosque é das 8h às 18h. Aos fins de semana, é das 8h às 12h e das 14h às 18h. Vale ressaltar que no local não é permitido a entrada de animais domésticos e consumo de alimentos e bebidas alcoólicas nas trilhas, dentre outros.
Você sabia que algumas das histórias mais inacreditáveis sobre a Amazônia são, na verdade, verdadeiras? Em alusão ao Dia da Mentira, celebrado em 1º de abril, a equipe do Portal Amazônia preparou um quiz especial para desafiar seus conhecimentos sobre curiosidades da maior floresta tropical do mundo.
Mitos e fatos surpreendentes fazem parte do universo amazônico. Mas será que você consegue distinguir o que é verdade e o que não é? Teste seus conhecimentos e descubra:
Memes que circulam na internet questionam a existência do estado do Acre. Foto: Reprodução
O popular Dia da Mentira, “comemorado” no dia 1º de abril, faz com que as pessoas “preguem uma peça” em familiares e amigos. O Acre, inclusive, já foi — e ainda é — alvo de muitas mentiras.
Fora do estado, mentiras sobre a própria existência do estado mais ocidental do Brasil sempre foram muito populares entre os brasileiros. Entre as que se tornaram populares estão:
A clássica “o Acre não existe”;
O Acre tem dinossauros;
O Acre não tem internet;
O Acre é tão distante que leva dias para chegar;
O Acre foi trocado por cavalo.
Mas, e aí, é verdade ou mentira? Veja mais abaixo a explicação para cada uma dessas histórias:
O Acre não existe
Essa é, provavelmente, a mentira mais famosa envolvendo o Acre. Muitas pessoas, principalmente de fora da região Norte do Brasil, fazem essa brincadeira, dizendo que o Acre é um “estado fictício”, uma espécie de “lenda urbana”.
Isso surgiu devido à localização do estado, além do fato de que o Acre demorou a ser amplamente integrado ao resto do Brasil. O Acre é um estado legítimo, com cultura, história e uma população vibrante. O Grupo Rede Amazônica fez uma reportagem que explica algumas das razões pelas quais a piada surgiu.
“O Acre, durante muito tempo, ficou geograficamente isolado. Quando surgiu o [território do] Acre, propriamente dito, a partir do Tratado de Petrópolis, em 1903, até 1960, quando surgiu a BR-364, voos de aviões a partir da década de 1940, principalmente de 1950 para cá, o Acre era totalmente isolado. Então, aí vem esse isolamento histórico, geográfico. Levou-se a essa coisa da inexistência do Acre”, comentou o historiador Airton Chaves da Silva, da Universidade Federal do Acre.
Essa também é uma das maiores fantasias relacionadas ao Acre. A ideia é que, por ser uma região de floresta densa e difícil de explorar por completo, o Acre seria um lugar onde dinossauros teriam sobrevivido à extinção e estariam vivendo secretamente.
Essa história é, claro, completamente infundada. Os dinossauros foram extintos há cerca de 65 milhões de anos e não existem mais vestígios de dinossauros vivos em qualquer parte do mundo.
Mas o Laboratório de Paleontologia da Universidade Federal do Acre (Ufac) possui um acervo com mais de 6 mil peças de fósseis de animais que viveram entre 5 e 8 milhões de anos na região amazônica. Entre as peças mais famosas estão o crânio de um Purussauro – um réptil pré-histórico –, o fóssil de um Jabuti Gigante e o de um “super-jacaré”.
Dinossauro não tem. Por enquanto, só o fisiculturista Ramon Dino e o personagem fictício Dino do Acre.
O Acre não tem internet
Apesar de o Acre ter sido uma das últimas regiões do Brasil a se integrar ao resto do país em termos de comunicação e infraestrutura, o estado tem sim acesso à internet, transporte e outros serviços básicos.
Claro, existem desafios devido à sua localização geográfica, mas é longe de ser um “deserto digital” como algumas pessoas costumam pensar.
O Acre é tão distante que leva dias para chegar
Embora o Acre seja, de fato, o estado mais ocidental do Brasil, a ideia de que é necessário “dias” para chegar lá é completamente infundada. Com a construção de rodovias e melhorias na infraestrutura, é possível chegar ao Acre em poucas horas de voo, inclusive a partir de grandes centros urbanos, como São Paulo e a própria capital Brasília.
Mesmo que o estado tenha suas peculiaridades geográficas, isso não significa que o estado esteja isolado. Com a comunicação via internet, transporte aéreo frequente e até viações rodoviárias que conectam o estado a outras partes do Brasil, o Acre está bem integrado com o resto do país.
Isto está ligado também a questões históricas de que criminosos eram mandados ao Acre como forma de punição.
“No início da história, pessoas eram enviadas para o Acre como forma de punição. Alguma situação de guerra, de conflito que tinha aqui no país, presos políticos, as cadeias estavam cheias, então pegavam essas pessoas e enviavam para o Acre. Essa questão foi representada, foi noticiada nos jornais, tinham charges políticas que falavam de isso, de uma ideia de vir pro Acre como uma punição”, diz a pesquisa da jornalista Giselle Lucena, da Ufac.
O Acre foi trocado por cavalo
Segundo o historiador Marcos Vinicius Neves, a história tem um fundo de verdade, mas o resultado é mentira, já que o Acre foi anexado como território brasileiro somente com a assinatura do Tratado de Petrópolis, em 1903. A história do cavalo vem de antes.
Na época, o Brasil vivia a guerra do Paraguai, quando coube a Mariano Melgarejo, presidente da Bolívia, conhecido como El Loco Melgarejo, negociar as questões fronteiriças com o cônsul brasileiro Regino Correa.
“El loco era um ditador sanguinário e era apaixonado por cavalos de raça. O cônsul brasileiro, muito esperto que era, aproveitou esse ponto fraco e, para adquirir a maior vantagem possível pro Brasil, condecorou o presidente da Bolívia com duas medalhas brasileiras e presenteou Mariano com um cavalo de raça puro sangue inglês”, conta Neves.
Envaidecido com o presente, o presidente boliviano propôs que os dois países não brigassem ainda por terras desconhecidas e, sendo assim, apontando no mapa, doou “dois dedos de terra” para o governo brasileiro. Assim, assinam o Tratado de Ayacucho, em 1867.
De fato existiu um presente, que não era uma negociação. Só que, segundo Neves, esse ‘regalo’ gerou boa vontade do presidente da Bolívia, que presenteou o Brasil com um triângulo enorme de terras. Porém, as terras ao norte da linha oblíqua Cunha Gomes nunca fizeram parte do território acreano.
Entre os registros que justificam a criação do Dia da Mentira estão um do século 16, quando o Papa Gregório 13 criou um novo calendário que mudou a data do ano novo de março para janeiro. A mudança teve resistência de parte da população francesa.
Para zombar dos “revoltados” com o novo calendário, pessoas convidaram “os inconformados” para festas inexistentes em 1º de abril, marcando uma tradição de zombaria.
Outra história faz menção à criação da tradição no Brasil. Em 1° de abril de 1828, o jornal “A Mentira” publicou em sua capa a falsa notícia da morte de Dom Pedro I.
A preguiça-de-bentinho (Bradypus tridactylos), também conhecida como preguiça-de-três-dedos, é uma das espécies mais conhecidas da fauna amazônica. Sempre lembrada por sua movimentação lenta e seu estilo de vida solitário, essa espécie é um exemplo vivo da adaptação dos animais ao ambiente florestal amazônico.
Com um comprimento médio de 60 centímetros, incluindo a cauda, e pesando cerca de 5 quilos, a preguiça-de-bentinho passa a maior parte do tempo nas copas das árvores, onde encontra alimento e abrigo.
Apesar de sua aparente letargia, a preguiça-de-bentinho é bem adaptada ao seu hábitat. Seu metabolismo extremamente lento permite que sobreviva com uma dieta pobre em energia, composta basicamente de folhas. Essa alimentação, aliada a uma digestão que pode durar dias, faz com que o animal desça ao solo apenas uma ou duas vezes por semana para urinar e defecar.
Sua rotina também inclui longos períodos de sono. Estudos apontam que a espécie dorme em média 14 horas por dia, se mantendo ativa tanto durante o dia quanto à noite. Quando se movimenta, geralmente o faz no período noturno, aproveitando as temperaturas mais amenas da floresta.
A preguiça-de-bentinho possui uma pelagem marrom-acinzentada, com uma mancha amarelada na testa e na garganta. Essa coloração, aliada à presença de algas em seus pelos, permite que o animal se camufle entre a vegetação, dificultando sua detecção por predadores como onças e aves de rapina.
Quando ameaçada, a estratégia principal é, claro, manter-se imóvel, confiando na sua camuflagem para evitar ataques. Seus predadores podem ser de sucuris à onças-pintadas.
Onde vive a espécie?
De acordo com informações do ICMBio, é uma espécie que pode ser encontrada no Amapá, Amazonas, Pará e Roraima (Brasil), além da Guiana Francesa, Guiana, Suriname e Venezuela.
Apesar das ameaças causadas pelo desmatamento e pela perda de hábitat, a preguiça-de-bentinho ainda é considerada abundante em áreas protegidas, como a Reserva Biológica Adolpho Ducke (AM), o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque (PA) e o Parque Nacional do Viruá (RR).
Um grupo de estudantes da Escola Estadual Nossa Senhora de Nazaré, em Manacapuru (AM), está na vanguarda de uma inovação que pode mudar a forma como doenças transmitidas por mosquitos são combatidas. O projeto, intitulado ‘Inovação Amazônica: Repelente Sustentável que promete revolucionar a luta contra mosquitos’, sugere um modo sustentável para lidar com os transmissores da dengue e da malária.
Sob a coordenação de Alessandro dos Santos Couto e com a participação dos bolsistas Felipe de Souza Gomes, Lauane Marcele Araújo de Oliveira e Neldilene Lima da Cruz, o projeto de prototipagem de um repelente à base do óleo da semente da seringueiraestá alinhado com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e as diretrizes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Ciência e tecnologia contra o mosquito
O projeto é realizado com apoio do Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), via Programa Ciência na Escola (PCE). O texto é compartilhado da edição especial da Revista PCE 20 anos. Leia AQUI.
Contemplado no edital nº 004/2022, que se destaca na área de Ciências Exatas e da Terra, propôs uma solução criativa para um problema antigo: a proliferação de doenças como dengue e malária. Utilizando um processo de extração que envolve secagem, moagem, cozimento, destilação e condensação, os alunos conseguiram isolar o óleo essencial da semente da seringueira. Este óleo é então misturado com uma base neutra alcoólica para criar um repelente eficaz, capaz de formar uma barreira protetora contra mosquitos
Um impacto socioeconômico e ambiental positivo
Além de seu potencial científico, o repelente natural oferece benefícios econômicos e sociais significativos. Ele representa uma alternativa sustentável e acessível aos repelentes convencionais, podendo ser produzido localmente e contribuir para a economia da região amazônica.
Ambientalmente, o projeto contribui para a redução das doenças sazonais e promove o uso consciente dos recursos naturais, reutilizando as sementes da seringueira para um propósito nobre.
Desafios e conquistas
Os desafios enfrentados durante a prototipagem incluíram a falta de equipamentos adequados para a extração do óleo, mas a perseverança e a inovação permitiram superar essas barreiras, segundo informou o professor. O apoio do Programa foi crucial, incentivando os alunos a desenvolverem suas habilidades e a aplicarem o conhecimento científico em soluções práticas.
“O Programa Ciência na Escola tem uma grande importância de divulgar projetos e incentivar professores e alunos da rede pública de ensino do interior a mostrar seus potenciais na execução de projetos de grande relevância como o Repelente do óleo da semente da seringueira”, declarou Alessandro.
O futuro do repelente amazônico
Os próximos passos para o repelente incluem aprimorar a prototipagem e garantir a eficácia e segurança do produto em larga escala. A equipe espera que o repelente não só alivie os impactos econômicos e sociais da pandemia, mas também se torne uma ferramenta valiosa no aprendizado dos alunos, inspirando-os a buscar carreiras que valorizem a ciência e a tecnologia.
Alessandro explicou que foram produzidas prototipagens de baixa, média e alta fidelidade de repelentes a base do óleo da semente da seringueira, possibilitando preparar um produto natural sustentável de baixo custo e que poderá gerar renda a famílias que trabalhem na coleta das sementes.
“Esperamos que a pesquisa contribua como uma forma alternativa de amenização dos impactos provocados pela pandemia no setor econômico e social com base nos manufaturados e amenize os efeitos sazonais das doenças provocadas por mosquitos como os da dengue e malária”, enfatizou o professor.
A expectativa é de que o projeto seja útil também para o aprendizado dos alunos, contribuindo nos cursos de extensão e em suas vidas profissionais.
Perspectiva de um jovem cientista
Felipe de Souza Gomes, um dos alunos participantes, relatou que a experiência foi extremamente gratificante. Aprendendo técnicas como a destilação simples e o uso de estufas, ele adquiriu habilidades práticas que serão valiosas em sua futura carreira acadêmica ou profissional.
Para Felipe, o projeto não foi apenas uma oportunidade de aprendizado, mas também uma chance de contribuir para o bem-estar de sua comunidade. “Foi muito gratificante, primeiro ano sendo bolsista Júnior, adquiri vários conhecimentos e habilidades”, comentou.