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Negócio da floresta: mulheres ribeirinhas criam biojoias e geram renda local

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Negócio da floresta cria biojoias e gera renda para mulheres ribeirinhas. Foto: Instagram Sapopema

“Somos a primeira marca que sai da comunidade do Carão. Eu quero que a marca seja referência da região amazônica”.

É dessa forma que a empreendedora Regina Ramos, uma mulher cabocla ribeirinha, fala da Sapopema Biojoias, um negócio inovador que utiliza matéria-prima da floresta para fabricação de acessórios de moda sustentável, garantindo geração de renda para seu território, principalmente para mulheres artesãs, e contribuindo para a proteção da Amazônia.

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A Sapopema atua na comunidade ribeirinha do Carão, localizada no município de Iranduba (a 27 quilômetros da capital amazonense) – Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Rio Negro, na Região Metropolitana de Manaus.

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mulheres ribeirinhas criam biojoias
Negócio da floresta cria biojoias e gera renda para mulheres ribeirinhas. Foto: Instagram Sapopema

A ideia nasceu em 2017. Na época, Regina sofria com síndrome do pânico e ansiedade generalizada, além de ser mãe solo, enquanto o artesanato ajudava como terapia ocupacional. Ali, ela enxergou a oportunidade de iniciar o próprio negócio: a Sapopema.

“As pessoas [amigos, vizinhos] foram querendo comprar as peças, porque eram diferentes. Isso começou a ser minha fonte de renda”, explica a fundadora, designer e CEO do negócio.

Desde então, a empresa passou a fabricar colares, brincos, pulseiras e outros itens de moda sustentável, duráveis e que representam a essência do ribeirinho e do caboclo. Tudo isso a partir de elementos da floresta, como sementes, fibras naturais, frutos secos e outros elementos, que são extraídos de forma sustentável e sem qualquer agressão ao meio ambiente.

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Negócio da floresta cria biojoias e gera renda para mulheres ribeirinhas. Foto: Instagram Sapopema

Segundo ela, os primeiros momentos foram desafiadores. Mesmo com um variado catálogo de produtos, Regina não tinha sucesso na hora de fidelizar clientes e não conseguia fazer muitas vendas.

Isso não é um cenário isolado, pelo contrário, muitos empreendimentos enfrentam essa realidade. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) aponta que 56,56% das startups brasileiras não possuem faturamento, o que resulta em uma falência precoce logo nos primeiros anos de operação. Há várias razões para isso, mas especialistas apontam que falta equilíbrio entre o produto/serviço oferecido e a demanda do mercado.

Em um determinado momento, Regina cogitou encerrar as atividades da Sapopema e fazer da fabricação de biojoias apenas uma renda extra ou somente uma terapia ocupacional. Mas o aceite recebido pela primeira Chamada de Negócios do “Lab de Impacto”, coordenado pelo Impact Hub, mudou tudo.

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Negócio da floresta cria biojoias e gera renda para mulheres ribeirinhas. Foto: Instagram Sapopema

“Havia muitas portas fechadas enquanto biojoias. Queria migrar para um outro negócio que me desse mais autonomia, queria investir em turismo. Foi quando me inscrevi para o ‘Lab de Impacto’, porque queria migrar para este novo negócio. Quando me fizeram a proposta de continuar a Sapopema, eu fiquei um pouco receosa, mas fiz. Passei a investir mais em marketing, em estratégias de negócio e no processo de reconhecimento da marca. Ainda não terminou, estamos trabalhando nestes pontos”, enfatiza Regina

No decorrer de quatro meses, no Lab de Impacto, a Sapopema foi contemplada com formações especializadas, mentorias, conexões estratégicas com outros atores do mercado e um capital semente de R$ 30 mil para alavancar os resultados.

Ao longo da formação, a empreendedora da floresta viu as oportunidades, antes sem possibilidade, começaram a se abrir. Atualmente, o negócio possui mais de três mil seguidores no Instagram, exporta seus produtos para todo o Brasil e oportuniza renda para outras mulheres artesãs da comunidade. Além disso, o negócio já teve suas peças expostas em feiras e eventos nacionais e internacionais, conquistando quem acredita e valoriza os produtos da floresta.

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Negócio da floresta cria biojoias e gera renda para mulheres ribeirinhas. Foto: Instagram Sapopema

“O valor da Sapopema está na essência originária que cada peça de moda carrega. Eu quero que seja uma marca referência da região amazônica. Meu foco principal é fazer com que seja a voz do Norte através da biojoia, a voz do ribeirinho através da biojoia”, finaliza Regina.

Mais sobre o Lab de Impacto

O Lab de Impacto é um programa de aceleração coordenado pelo Impact Hub Manaus. A iniciativa apoia negócios de impacto socioambiental nos nove estados da Amazônia Legal, oferecendo formação especializada, mentorias, conexões estratégicas e capital semente que varia entre R$ 30 mil e R$ 100 mil.

Negócio da floresta cria biojoias e gera renda para mulheres ribeirinhas. Foto: Instagram Sapopema

Ao longo de três edições, o programa recebeu 319 inscrições de negócios em fase de Piloto ou MVP (Minimum Viable Product). Atualmente, mais de 20 iniciativas seguem ativas com apoio do Lab, atuando em setores como alimentação, piscicultura, gestão de resíduos, turismo e moda sustentável.

O Lab de Impacto é uma realização do Impact Hub Manaus, em parceria com a Bemol, Singulari Consultoria e Plataforma Parceiros pela Amazônia (PPA).

‘Garanchoso’ em Paris: o dia em que Garantido e Caprichoso se uniram para representar o Brasil

Arte gerada por Inteligência Artificial

A rivalidade entre os bois-bumbás de Parintins, Caprichoso e Garantido, sempre foi marcada pela impossibilidade de mistura entre cores, símbolos, e outros detalhes que marcam cada agremiação folclórica. Mas você sabia que em julho de 1998, em uma apresentação em Paris, capital da França, em comemoração aos 500 anos do Brasil, os dois bois se tornaram um? Um só corpo, com apenas um tripa e que ficou popularmente conhecido como “Garanchoso“.

A fim de reunir os dois bois unicamente para a apresentação especial, um boi foi construído com metade do seu corpo com as características do Caprichoso e a outra metade do Garantido. Uma união improvável para a época, mas que tinha o objetivo de apresentar ao mundo em um curto tempo, a existência do Festival Folclórico de Parintins em um evento realizado pela Rede Globo.

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Ao Portal Amazônia, o cantor Tony Medeiros, escolhido para cantar em Paris, no estádio Parque dos Príncipes, palco da final da Copa do Mundo de Futebol Masculina em 1998, conta sobre a trajetória inusitada do boi “Garanchoso”:

“Era Copa do Mundo e nós recebemos um convite naquela época da Globo. Foram contratados eu, Arlindo Júnior e David Assayag, e eu fui representar o nosso festival e o Brasil. E naquela época o Garantido e o Caprichoso foram representados por metade de cada boi, porque era difícil levar os dois bois. Então nós fizemos assim, a construção de um boi: metade era Garantido e metade era Caprichoso, no mesmo boi. Então quando quisesse representar o Caprichoso virava de um lado, e quando quisesse representar o Garantido, mudava de lado”, destacou Tony Medeiros ao Portal Amazônia.

Tony Medeiros destacou ainda que, para a apresentação em Paris, a letra não fazia alusão nem ao Garantido e nem ao Caprichoso. A toada cantada naquela apresentação foi construída unicamente para o evento, em cima da toada ‘Vermelho’, composta por Chico Da Silva. Foi aí que surgiu ‘Coração Brasileiro’, para representar a Amazônia.

“O Aloysio Legey, que era um dos maiores produtores que a Globo tinha na época, me pediu para que fosse feito uma toada que tivesse o título ‘Coração Brasileiro’ para o especial de 500 anos do Brasil. E a toada ‘Vermelho’, do Garantido, era a música que estava fazendo muito sucesso, inclusive antes do sucesso do Carrapicho para o mundo”, destacou Tony.

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Coração Brasileiro

O evento no Parque dos Príncipes foi uma das várias iniciativas realizadas para celebrar os 500 anos do Brasil, reunindo artistas, intelectuais e líderes de diversas partes do mundo para refletir sobre a história e o futuro do país. A apresentação de Tony Medeiros, inclusive, além de permanecer como um marco na promoção da cultura amazonense e brasileira no cenário internacional, trazia em sua letra a mensagem que o evento buscava.

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Ele afirma que essa apresentação também marcou a sua carreira como artista, por dividir o palco com diversas personalidades brasileiras como a artista Daniela Mercury e o futebolista Pelé.

“Lá eu fiquei ao lado de todo mundo, de artistas como o Leonardo, Daniela Mercury, Ivete Sangalo. O Pelé estava lá. Então a gente estava no meio de todas aquelas pessoas que estavam fazendo sucesso naquela época. Pra mim foi uma grande honra”, disse Medeiros.

Garanchoso fez sua participação durante o especial de 500 anos do Brasil. Foto: Reprodução/Rede Globo

Fora do festival de 1998

A ida de Tony Medeiros para apresentação fez com que o Garantido colocasse outro amo do boi em seu lugar, já que a apresentação em Paris e o festival acontecerem em datas próximas. Para substituí-lo, foi convocado o cantor e compositor Emerson Maia, amigo de Tony, como ele lembra: “O Emerson Maia tinha a vontade de ser amo do Garantido pelo menos em um festival e ele conseguiu, o que me deixou muito feliz”.

Desde então, o termo “Garanchoso” passou a fazer parte do “vocabulário”, principalmente se referindo aos novos adeptos da cultura do boi-bumbá parintinense que ainda não escolheram – ou foram escolhidos -, por um dos bois: o azul ou o vermelho.

*Por Hector Muniz, do Portal Amazônia

Startup gera renda para ribeirinhos com calçados feitos do látex de seringueiras da Amazônia

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Startup do AP gera renda para ribeirinhos com calçados feitos do látex. Foto: Vanda Pororoca/Arquivo pessoal

Famosa em vários períodos da história e dona de uma seiva riquíssima, a árvore da seringueira é um dos símbolos da Amazônia. Apesar da popularidade, muitos ribeirinhos não sabem realizar o manuseio desta matéria-prima que pode gerar renda para as comunidades.

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Da seiva são produzidos pneus, luvas, preservativos, em geral, produtos derivados da borracha. Pensando nisso, a startup Amazon Pororoca capacitou ribeirinhos do município de Epitaciolândia, no Acre, para a produção de calçados. O valor das vendas retorna para esses trabalhadores.

A indígena Vanda Pororoca, da etnia Galibi Marworno e moradora da Comunidade Ubussutuba, na Ilha da Caviana, no Pará, é responsável pela empresa. Ela afirma que este trabalho é uma “liberdade” para essas comunidades que vivem em lugares classificados por ela como “Amazônia isolada”.

“Sabemos que nos lugares remotos da Amazônia Isolada, até hoje nós vivemos num momento em que as pessoas ainda não têm acesso à educação, médicos, não tem nada. A iniciativa de negócio nem chega perto delas. Então, quando eu chego numa comunidade assim, tem comunidades que eu vou que nunca viram água potável” afirma.

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No Amapá, a Amazon Pororoca apresenta os produtos em exposições e feiras de negócios do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

“Eu começo a colocar na cabeça deles que eles podem ter liberdade, que eles podem ganhar o dinheiro deles e que dá para fazer essa rotatividade do produto na cidade. No primeiro momento, eu trago, mas só que o foco é que elas venham, que eles mesmos possam sair de lá. […] Esse sapato que eu trouxe, que foi lá para o Sebrae, foi um boom. As pessoas bateram foto, empresas de São Paulo também ficaram muito interessadas, então eu gravei, e mostrei para eles, e eles ficaram: nossa, gostaram das nossas coisas, com aquele olhinho brilhando. Isso é meu pagamento!”, disse Vanda.

Foto: Vanda Pororoca/Arquivo pessoal

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Sobre a produção

O trabalho é desenvolvido por nove mulheres e três homens. A produção é realizada num local característico da Amazônia: em uma casa de madeira que é iluminada durante o dia com a luz do sol.

A ideia da Amazon é que esses moradores possam desenvolver produtos de maneira simples, usando os recursos disponíveis na região. O incentivo à bioeconomia é feito em diversas regiões da Amazônia pela startup (veja vídeo da produção mais abaixo).

“Cada comunidade que eu vou tem espinha de peixe. Tudo que eu vejo que dá dinheiro eu pego exemplos e mostro para eles. E tem umas pessoas que já tem o talento natural, que nunca estudou, por exemplo, esse senhor que faz o sapato, ele é analfabeto”, comentou Vanda.

*Por Mariana Ferreira, da Rede Amazônica AP

Círio Musical 2025 anuncia Junho Chu, cantor e missionário católico sul-coreano, como atração internacional

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Foto: Reprodução/Instagram-paroquiagloriafor


A Diretoria da Festa de Nazaré (DFN) divulgou a programação do Círio Musical 2025, que ocorre durante a quinzena nazarena com shows diários na Concha Acústica, da Praça Santuário, no período de 12 a 25 de outubro, a partir das 20h. Diversas atrações católicas que já participam do evento há bastante tempo retornarão este ano, mas há uma novidade: a atração internacional Junho Chu.

O cantor, compositor e missionário católico sul-coreano é conhecido por suas interpretações de músicas religiosas como ‘Oração da Mãe’ e ‘Terra Seca’, além de colaborações com outros artistas católicos. O sul-coreano também utiliza plataformas digitais para compartilhar sua mensagem de fé e esperança, alcançando uma audiência global.

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Entre as atrações nacionais deste ano para a ação durante o Círio de Nazaré estão bandas já consagradas no cenário musical católico, como Anjos de Resgate e Rosa de Saron. Outras atrações confirmadas pela Diretoria da Festa de Nazaré são Eliana Ribeiro, Thiago Brado, Ministério Seráfico, Missionário Shalom, Vida e Cruz, Adoração e Vida, Adriana Arydes, Tony Alyson, Padre Cavalcante, Sementes do Verbo, Dunga (ex- vocalista da Canção Nova) e Flavio Vitor.

O encerramento será com o Padre Francisco Cavalcante e Ministério de Música da Guarda de Nossa Senhora de Nazaré, no dia 25 de outubro.

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Círio Musical

De acordo com a Diretoria da Festa de Nazaré, o Círio Musical ocorre durante as noites da quinzena da Festividade de Nossa Senhora de Nazaré, em Belém. As apresentações são sempre às 20h, na Concha Acústica da Praça Santuário, no bairro de Nazaré.

Círio Musical atrai muitos jovens. Foto: Ícaro Farias/Ascom Basílica Santuário

A programação todos os anos reúne milhares de pessoas, principalmente o público jovem. Na primeira edição do Círio Musical, em 2004, a programação durou apenas três dias e contou com a presença de três artistas católicos nacionais. Desde 2006, o evento acontece durante toda a quadra nazarena e leva multidões ao espaço da Praça Santuário. O Círio Musical 2025 tem patrocínio do Banco da Amazônia e Estácio.

Programação

12/10 – Anjos de Resgate
13/10 – Eliana Ribeiro
14/10 – Semente do Verbo e Vida e Cruz
15/10 – Dunga
16/10 – Ministério Seráfico
17/10 – Junho Chu
18/10 – Thiago Brado
19/10 – Flávio Vitor
20/10 – Missionário Shalom
21/10 – Rosa de Saron
22/10 – Adoração e Vida
23/10 – Tony Alysson
24/10 – Adriana Arydes
25/10 – Padre Cavalcante e Ministério de Música da Guarda de Nossa Senhora de Nazaré

*Com informações da Diretoria da Festa de Nazaré

Declínio de animais dispersores de sementes dificulta combate às mudanças climáticas

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Cutias ajudam na dispersão das sementes de castanha-da-amazônia. Foto: Leornado Merçon, fotógrafo de natureza e conservação, voluntário do Instituto Últimos Refúgios

Grande parte das árvores da Amazônia (90%), da Mata Atlântica (90%) e do Cerrado (60%) depende dos animais para espalhar suas sementes, garantir sua reprodução e manter a floresta em pé. São aves, mamíferos, peixes e até uma espécie de anfíbio que desempenham um papel crucial para a diversidade das florestas em todo o mundo. No entanto, esse processo tem se desintegrado à medida que populações de animais dispersores de sementes vêm diminuindo drasticamente.

A perda de animais frugívoros (cuja dieta alimentar é composta principalmente de frutos) provoca outro efeito: altera a composição das florestas, enfraquecendo sua capacidade de absorver dióxido de carbono e, assim, reduzindo seu papel no enfrentamento das mudanças climáticas.

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Mas grandes esforços globais para proteger e recuperar ecossistemas continuam subestimando os animais dispersores de sementes nas estratégias de conservação da biodiversidade e recuperação florestal.

“Muito se comenta hoje sobre créditos de carbono e restauração da floresta, mas quem ‘planta’ o carbono? É o tucano, a cutia, a anta, a jacutinga. Para se ter uma copaíba, por exemplo, a floresta precisa ter tucanos e macacos para dispersarem suas sementes. Portanto, precisamos incluir os animais frugívoros na equação da restauração, pois já há ciência suficiente para se quantificar quanto do carbono florestal é plantado pelos animais”, diz Mauro Galetti, um dos diretores do Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima (CBioClima) – um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da FAPESP sediado no Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (IB-Unesp), em Rio Claro.

Galetti e pesquisadores dos Estados Unidos, Suíça, Panamá, Alemanha, Espanha e Portugal publicaram um artigo na Nature Reviews Biodiversity alertando sobre as consequências da perda de dispersores de sementes nas mudanças no clima. O papel dos animais frugívoros é tão central na manutenção da biodiversidade das plantas que, segundo os pesquisadores, os esforços de restauração e proteção de ecossistemas correm o risco de não atingir as metas se o declínio dos dispersores de sementes não for mitigado.

Um estudo recente, publicado na revista Science por alguns dos pesquisadores que assinam o alerta, mostrou que a perda de aves e mamíferos em todo o mundo resulta na redução de 60% da propagação de sementes.

Avançamos muito para resolver esses problemas da perda de dispersores de sementes e, apesar de o Brasil ser o país com mais estudos científicos sobre dispersão de sementes, é preciso se aprofundar no problema e entender, por exemplo, que plantas e ecossistemas estão mais vulneráveis a essa perda. Além disso, é claro, precisamos identificar quais estratégias restauram melhor a dispersão de sementes”, diz o pesquisador.

Heróis desconhecidos

Ao comer um fruto, o animal dispersor é “contaminado” pela semente que passa pelo tubo digestório e recebe um tratamento químico (por ação do suco gástrico) ou mecânico – no caso das aves, por exemplo, a moela amassa a semente –, o que permite a entrada de água na semente e a deixa pronta para germinar onde quer que o animal a deposite posteriormente, ao defecar.

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“Portanto as sementes consumidas por animais vão germinar mais, mais rápido e vão se estabelecer em lugares mais seguros para crescer. E se não tiver um animal para ‘machucar’ a semente e levá-la para longe da planta-mãe, ela não vai germinar e, mesmo que germine perto da planta-mãe, provavelmente vai morrer porque haverá competição entre elas”, conta Galetti.

Mas é importante ressaltar que não há um padrão: em cada lugar do mundo, em cada espécie de árvore e de animal vertebrado essa interação é diferente.

“A castanha-do-pará, por exemplo, só tem um dispersor: a cutia. Se a cutia for extinta localmente, o serviço de dispersão de sementes da castanha-do-pará sucumbe. Dependemos então de um serviço ecológico fundamental da cutia”, afirma Galetti.

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Sementes consumidas por animais germinam mais e mais rápido, além de se estabelecer em lugares mais seguros para crescer. Foto: Mauro Galetti

Enquanto na Mata Atlântica aves, morcegos, macacos e antas são os principais dispersores de sementes, na Amazônia e no Pantanal os peixes desempenham um papel crucial. “Os pacus e tambaquis, por exemplo, percorrem grandes distâncias e comem grandes quantidades de frutos, o que os torna superdispersores de diferentes espécies nas matas ciliares”, conta o pesquisador.

Serviços ecossistêmicos

Assim como abelhas e outros polinizadores, o papel dos animais frugívoros é essencial para a reprodução de plantas. Mas, embora ambos os serviços estejam ameaçados por fatores como mudanças no uso da terra e exploração direta, cada grupo responde de maneira diferente aos impactos. Enquanto os polinizadores sofrem mais com pesticidas, os dispersores de sementes são mais afetados pela perda de hábitats e pela caça.

Outra diferença é que o declínio dos polinizadores tem recebido mais atenção pública e política, já que sua ausência afeta diretamente a produção de alimentos. Já os impactos da perda de dispersores de sementes são mais difíceis de medir, influenciando a biodiversidade e o armazenamento de carbono ao longo do tempo.

“Ambos são importantes e devem ser levados em conta nos projetos de restauração e conservação. Porém, o declínio dos polinizadores é mais facilmente medido no curto prazo, ele gera impactos econômicos imediatos como a perda de produtividade das lavouras, enquanto os efeitos da perda de dispersores de sementes ocorrem de forma lenta e ampla, comprometendo a funcionalidade e a resiliência dos ecossistemas”, explica Galetti à Agência FAPESP.

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O cientista afirma que os custos econômicos do declínio dos dispersores de sementes – como perda de armazenamento de carbono, redução do fornecimento de produtos florestais e declínio da resiliência natural a eventos ambientais extremos – ainda não foram quantificados globalmente. “A restauração não consiste em apenas plantar árvores, é preciso considerar quem vai manter o futuro dessa floresta, que são os animais dispersores. Há alguns anos acreditava-se que ao plantar a floresta esses animais iriam até ela. Mas não é assim que acontece. É muito mais complexo ter uma floresta restaurada funcionando”, conta.

No artigo, os pesquisadores destacam que novas sínteses e modelos de dados estão captando mudanças funcionais em grande escala e ajudando a revelar impactos de longo prazo, como a recuperação prejudicada de incêndios florestais e a degradação de hábitats para animais.

“Enfrentar o declínio dos dispersores de sementes é fundamental para preservar a biodiversidade animal, garantir a conectividade das florestas e o equilíbrio das comunidades vegetais”, afirma Galetti.

O artigo Drivers and impacts of global seed disperser decline pode ser lido em: www.nature.com/articles/s44358-025-00053-w.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência FAPESP, escrito por Maria Fernanda Ziegler

Rota Belém-Bragança é reconhecida como destino turístico

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Foto: Reprodução/Setur PA

O Brasil passou a ter oficialmente mais um destino turístico estruturado por lei. Com o reconhecimento do Governo Federal, a estruturação, a gestão e a promoção da Rota Turística Histórica Belém-Bragança, integrada por 13 cidades do estado do Pará, passa a receber mais apoio dos programas oficiais da União destinados ao fortalecimento da regionalização do Turismo. O passeio rodoviário na rota já é considerado patrimônio cultural e imaterial dos paraenses.

Leia também: O que fazer em Bragança, no Pará?

Pontes, casarios centenários, ruínas, paisagens naturais, vivências em comunidades rurais e gastronomia regional formam a rota turística e mostram a história e o impacto socioeconômico da Estrada de Ferro de Bragança, que funcionou entre 1884 e 1964, nos áureos tempos do Ciclo da Borracha.

O Ministro do Turismo, Celso Sabino, considerou o reconhecimento da rota um marco estratégico para o desenvolvimento econômico e social da Amazônia Atlântica:

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“Se quer conhecer essa belíssima região do nosso país, no estado do Pará, com gastronomia, história, cultura viva, uma cidade com quase 400 anos, que é a cidade de Bragança, saiba que todo esse trecho, hoje, passa a receber ainda uma atenção mais especial”.

*Com informações da Rádio Agência Nacional

INOVACIDADE 2025: Boa Vista recebe prêmio nacional por projeto de segurança pública com tecnologia de ponta

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A cidade foi premiada na categoria “Integração Tecnológica para a Segurança” e “Gestão Inteligente de Municípios Brasileiros”. Foto: Jonathas Oliviera/PMBV

Boa Vista foi uma das vencedoras do Prêmio InovaCidade 2025 no congresso Smart City Business América, ocorrido no Expo Center Norte, São Paulo. A cidade foi premiada na categoria “Integração Tecnológica para a Segurança” e “Gestão Inteligente de Municípios Brasileiros”, graças ao sistema de monitoramento de câmeras, projeto que aplica alta tecnologia à segurança pública e à gestão urbana.

Quem representou o município e subiu ao palco para receber a premiação foi o secretário municipal de Segurança e Ordem Pública, Cláudio Galvão dos Santos. O projeto vencedor é resultado de uma parceria entre a Prefeitura de Boa Vista e a empresa Tecno-IT, responsável pela implantação de uma rede óptica de alta capacidade interligando órgãos públicos, câmeras e sistemas inteligentes de monitoramento.

“Essa premiação demonstra o quanto o município de Boa Vista, na gestão do prefeito Arthur Henrique, vem avançando na questão do monitoramento voltado à segurança pública”, disse o secretário.

Quem representou o município e recebeu a premiação, foi o secretário municipal de Segurança e Ordem Pública, Cláudio Galvão. Foto: Divulgação/PMBV

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Monitoramento em tempo real com 90 câmeras de alta resolução

A estrutura inclui mais de 64 quilômetros de fibra óptica e uma central integrada que conecta equipamentos e dispositivos em tempo real. Foram instaladas 90 câmeras de alta resolução, com leitura de placas, reconhecimento facial e recursos analíticos, todas operadas por um software central (HikCentral) e suportadas por servidores com capacidade de armazenamento de 192 terabytes.

Segundo Lúcio Guimarães, gerente de Processos da Secretaria Municipal de Segurança, a tecnologia aplicada transforma a forma como a cidade gerencia segurança pública e outros serviços urbanos. “Conseguimos monitorar, controlar e analisar tudo a partir de uma central única. Isso garante respostas mais rápidas e mais eficiência na gestão”, explicou.

São mais de 64 quilômetros de fibra óptica e uma central integrada que conecta equipamentos e dispositivos em tempo real em Boa Vista. Foto: Tony Will/PMBV

Equipe capacitada e gestão autônoma

O projeto também envolveu capacitação técnica da equipe local, garantindo que os servidores da Prefeitura tenham autonomia para operar e manter os sistemas. A Tecno-IT, responsável pela execução do serviço, foi quem sugeriu a inscrição do case no Prêmio InovaCidade 2025.

Validação de novos clones aponta caminhos para produção de cafés especiais em Mato Grosso

O Coffea canephora é uma espécie de café originária da África Central. No Brasil, é cultivado principalmente nas variedades Conilon e Robusta. Foto: Danielle Helena Müller/Acervo pessoal

Pesquisadores tem realizado estudo em que validam 50 clones de Coffea canephora (robusta amazônico) em duas regiões de Mato Grosso. O estudo, por meio do Edital FAPEMAT 012/2023- Agricultura Familiar, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), busca identificar cultivares de café adaptadas ao clima e solo do estado, com boa produtividade e qualidade de bebida, visando fomentar a cafeicultura local de forma mais eficiente.

O Coffea canephora é uma espécie de café originária da África Central. No Brasil, é cultivado principalmente nas variedades Conilon e Robusta. O nome “Robusta Amazônico” refere-se a híbridos desenvolvidos pela Embrapa a partir do cruzamento dessas duas variedades, adaptados à região amazônica.

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O projeto é conduzido em parceria entre a Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Extensão e Assistência Técnica (Empaer), Secretaria de Estado Agricultura Familiar (SEAF) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa/RO).

Dez clones desenvolvidos pela Embrapa e quarenta selecionados a partir de cruzamentos naturais são avaliados. As análises estão sendo realizadas em campos experimentais da Empaer, nos municípios de Tangará da Serra e Sinop.

Os resultados da primeira safra comercial (2023) permitiram a análise de três aspectos principais, produtividade, ciclo de maturação e qualidade da bebida. No ciclo de maturação, os clones variam entre ciclos precoces (a partir de 228 dias) e tardios (até 324 dias). O AS10 apresentou o menor ciclo, enquanto o OP130 foi o mais lento para maturar. Essa diversidade pode ajudar os produtores a escalonar a colheita, distribuindo melhor o trabalho nas lavouras.

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Em relação a qualidade da bebida, a análise sensorial do café, feita pelo Centro de Cafés Especiais do Espírito Santo (CECAFES), dividiu os clones em quatro grupos. Onze clones alcançaram notas entre 81 e 82 pontos na escala da avaliação, sendo considerados como bebida fina, com alto potencial para o mercado de cafés especiais. Entre eles, destacam-se os clones AS2, AS12, BG180, R152, Clone 25, Clone 01 e BRS2314.

Outros noves clones alcançaram nota 80 e também entraram na categoria de bebida fina. Vinte e quatro clones ficaram próximos do padrão exigido, com notas entre 78 e 79, enquanto seis apresentaram qualidade sensorial inferior.

Fotos: Danielle Helena Müller/Acervo pessoal

Transferência de tecnologia e impactos na agricultura familiar

A pesquisa também gerou impacto direto na difusão de tecnologia, com a realização em maio de 2024 do “Dia de Campo”, em Sinop, onde reuniu 193 pessoas, entre agricultores, técnicos e pesquisadores. No evento foram apresentados resultados em quatro estações temáticas, facilitando o acesso à informação por parte dos produtores familiares.

A Empaer produziu cerca de 20 mil mudas dos clones avaliados em 2023. Em 2024, foram 10 mil mudas, fomentando a ampliação da cafeicultura nos municípios envolvidos.

Leia também: Robusta Amazônico: conheça café produzido dentro de Terra Indígena em Rondônia

Projeção para o setor

Segundos dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produtividade média do café em Mato Grosso foi 22,6 sacas/ha em 2023 e em 2014 era de 8,2 sacas /ha. Se comparado a produtividade de 2014 a 2023, houve aumento de mais de 180%. Esse ganho é devido, entre outros aspectos, ao cultivo de variedades clonais de robustas amazônicos, fato que demonstra que a produtividade ainda irá aumentar, em função do uso de clones mais adaptados ao clima e solo mato-grossense.

A coordenadora do projeto de pesquisa, doutora Danielle Helena Müller, sugere “que o uso dos clones validados pode ampliar ainda mais essa média, ao promover cultivares mais adaptadas ao estado, além da produtividade, a diversidade observada nos clones robustas amazônicos cultivados em Mato Grosso, tem despertado interesse de especialistas em cafés especiais. As condições locais, como clima e solo, parecem contribuir para características sensoriais únicas, não encontradas em outras regiões produtoras”.

Próximos passos

“Com a safra de 2023, foram realizadas análises estatísticas e sensoriais preliminares. É importante ressaltar que esses resultados iniciais serão consolidados com os dados das safras de 2024 e 2025. Os resultados consolidados serão apresentados em 2026, durante um novo Dia de Campo. Portanto, o estudo segue acompanhando o desempenho dos clones nas próximas safras, com o objetivo de estabelecer uma nova base produtiva para a cafeicultura no estado”, destacou a pesquisadora.

*Com informações da Fapemat

Pela primeira vez, queimadas autorizadas e não autorizadas conseguem ser diferenciadas em Tocantins

Foco de queimada controlado. Foto: Fernando Alves/Governo do Tocantins 

Graças à inovação implantada em 2025 pelo Centro de Inteligência Geográfica e Gestão Ambiental (Cigma), órgão vinculado à Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMARH), pela primeira vez, o Governo do Tocantins passou a classificar de forma sistemática os focos de queimadas e incêndios florestais com base na natureza da queima: prescrita, controlada ou não autorizada.

A nova metodologia cruza dados geoespaciais, autorizações emitidas por órgãos competentes e registros de campo, permitindo uma leitura mais precisa e contextualizada dos focos registrados.

“A medida representa um avanço na governança ambiental do fogo, diferenciando com clareza o uso legal e estratégico do fogo — utilizado, por exemplo, para manejo em unidades de conservação — das ocorrências irregulares ou não autorizadas”, explica o secretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Marcello Lelis.

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A iniciativa vem junto com outro resultado: de janeiro a maio deste ano, o estado registrou uma redução de 24,9% no número de focos, quando comparado ao mesmo período de 2024. Isto, apesar de o Estado apresentar, historicamente, uma tendência natural de aumento dos focos de calor a partir de março — especialmente por conta das condições climáticas favoráveis à propagação do fogo.

Foram registrados um total de 1.392 focos de queimadas este ano, de acordo com dados do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) contra 1.854 focos do ano passado.

O secretário do Meio Ambiente destaca que esse resultado positivo é reflexo direto de uma série de ações de planejamento, monitoramento e prevenção promovidas pelo Governo do Tocantins, por meio da Semarh, e em colaboração com outras instituições estaduais e federais. “O governo seguirá investindo em inovação, capacitação e monitoramento, promovendo uma gestão ambiental moderna e eficiente”, ressaltou.

  • O secretário ressalta ainda que o Estado tem adotado práticas de manejo integrado do fogo (MIF), com destaque para as ações de:
  • Queima prescrita – conduzida de forma técnica e autorizada dentro de unidades de conservação, como estratégia preventiva para a redução de incêndios florestais de grande porte;
  • Queima controlada – realizada por proprietários rurais que solicitam autorização prévia ao Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins),

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Cigma

De acordo com a análise do CIGMA, no período de janeiro a maio de 2025, cerca de 27,6% dos focos de queimadas registrados no Tocantins ocorreram de forma autorizada. Desses, aproximadamente 23,1% foram identificados como queima controlada e 4,5% como queima prescrita.

Segundo o coordenador do Cigma e professor da Universidade Federal do Tocantins (UFT), Marcos Giongo, esses dados mostram que uma parcela importante dos registros está associada a atividades regulares devidamente autorizadas e fiscalizadas.

Com inovação implantada em 2025 pelo Cigma-Semarh, o governo do Tocantins passou a classificar os focos de queimadas e incêndios florestais com natureza prescrita, controlada ou não autorizada. Foto: Ana Alice/Governo do Tocantins

“Quando se observa especificamente o mês de maio, que concentrou o maior número de focos do ano até agora, essa proporção aumenta ainda mais: 34,6% dos focos ocorreram em áreas onde havia autorização para queima controlada ou onde estavam sendo conduzidas práticas de manejo do fogo, especialmente nas unidades de conservação”, explicou.

O coordenador destaca ainda que ao sistematizar e classificar os tipos de ocorrência, o CIGMA amplia a transparência das ações do poder público e oferece dados mais precisos para subsidiar a tomada de decisão, o planejamento de ações emergenciais e a formulação de políticas públicas”.

“É importante destacar ainda que parte significativa dos focos registrados neste primeiro semestre ocorreu em áreas sob gestão ou atuação direta de órgãos públicos estaduais e federais, como parte de programas de prevenção, manejo e controle”.

Isso significa que boa parte das ocorrências está diretamente associada a ações organizadas, planejadas e integradas, com objetivos ambientais claramente definidos, ressalta.

Essas intervenções, segundo o professor Giongo, são fundamentais para evitar que incêndios de grande porte se alastrem durante os meses mais críticos, geralmente entre julho e setembro, quando as temperaturas são mais elevadas e a umidade do ar atinge níveis críticos. Giongo complementa que o trabalho técnico e estratégico do Cigma tem se mostrado essencial para essa nova abordagem na gestão do fogo no Tocantins.

“A capacidade de diferenciar tecnicamente os tipos de queima, utilizando geotecnologias e bases de dados atualizadas, coloca o Estado em posição de vanguarda no Brasil no que diz respeito à qualificação das informações ambientais. A experiência tocantinense demonstra que é possível combinar prevenção, tecnologia, conservação ambiental e produção rural em uma abordagem integrada, colaborativa e baseada em evidências”, afirmou.

*Com informações do Governo do Tocantins

Curro Velho: o matadouro que se tornou ‘nascedouro’ em Belém

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Curro Velho, em Belém, é espaço de formação artística. Foto: Bruno Cecim/Agência Pará

O Núcleo de Oficinas Curro Velho, em Belém (PA), por mais de três décadas tem sido uma referência na formação cultural e intelectual de muitos jovens. Hoje é um ambiente em que a iniciação artística busca transformar realidades, como a sua própria. Isso porque o local, de estrutura arquitetônica com influências neoclássicas, antes era destinado a ser um matadouro (daí a palavra ‘curro’, referente a curral, onde se confina o gado) e hoje é um ambiente educacional.

Situado no bairro do Telégrafo, às margens da Baía de Guajará, o prédio é de meados do século XIX (1861) e foi construído para abrigar o primeiro matadouro de Belém. Em 1991 foi restaurado e adaptado para sediar a então Fundação Curro Velho, fundada pelo ex-governador Hélio Gueiros (1925-2011) e, posteriormente, tornou-se o Núcleo de Oficinas Curro Velho, para formação e qualificação em educação não formal.

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Assim, de acordo com o informações do Núcleo, hoje o local é “uma incubadora de talentos artísticos, um ‘nascedouro’, enfim, para grande parte da classe artística de Belém nas mais diversas linguagens”, pois mantém um ciclo de oficinas de iniciação em arte e ofício em diferentes linguagens – artes visuais, música, artes cênicas e cursos de capacitação no Núcleo de Práticas de Ofício e Produção -, qualificando jovens e adultos para oportunidades de emprego e renda.

Jovens e adultos são atendidos pelo Núcleo de Oficinas Curro Velho. Foto: Bruno Cecim/Agência Pará

Artesanato, reciclagem, customização, reaproveitamento são algumas atividades oferecidas pelo Curro Velho em oficinas. Mas uma de suas marcas mais conhecidas é a Escola de Samba Crias do Curro Velho, que celebra o encontro da comunidade com os resultados obtidos no decorrer das oficinas.

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Dados do núcleo informam que o ensino é voltado prioritariamente para um público de estudantes de escola pública, populações de baixa renda e comunidades tradicionais (quilombolas, indígenas, e ribeirinhas), alcançando um atendimento médio de 12.500 pessoas por ano.

É por conta desse conjunto de ações que, rotineiramente, realiza espetáculos cênicos e musicais, exposições, palestras, rodas de conversa e debates.

O Curro Velho está localizado na Rua Professor Nelson Ribeiro, n° 287, no bairro Telégrafo. Conta com salas, teatro, anfiteatro, biblioteca e o Núcleo de Práticas de Ofício e Produção para a realização de oficinas, cursos, espetáculos e programações diversas.

As vagas e cursos disponíveis são divulgadas periodicamente pelo Curro Velho ou pela Fundação Cultural do Pará com as orientações para inscrições. Para mais informações: (91) 3251-2986/ 3251-2987.

*Com informações da Fundação Cultural do Estado do Pará