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Festa do Pari: tradição e cultura ribeirinha na Barra do Pari, em Cuiabá

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A comunidade Barra do Pari é conhecida pela sua profunda relação dos moradores com o rio. Foto: Divulgação

A Barra do Pari é uma das comunidades mais tradicionais de Cuiabá e remonta a 1880, quando o padre Ernesto Barreto adquiriu uma faixa de terras no alto do rio Cuiabá, dando origem à comunidade e à famosa lenda do Minhocão do Pari.

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A comunidade é conhecida pela sua profunda relação dos moradores com o rio, relação esta que molda tanto sua cultura quanto sua economia da região. O nome do lugar vêm da confluência do Córrego do Pari com o Rio Cuiabá, um ponto estratégico que historicamente sustenta a pesca artesanal, atividade essencial para os moradores.

A Barra do Pari é uma das comunidades mais tradicionais de Cuiabá e remonta a 1880. Foto: Divulgação

Localizada entre os bairros Santa Isabel e Santa Amália, a região preserva um jeito interiorano, marcado pela simplicidade, pela boa gastronomia e por histórias que atravessam gerações. Entre elas está a lenda do “Minhocão do Pari”, um ser mítico que, segundo os moradores mais antigos, habitava as águas do rio e até hoje faz parte do imaginário local.

Além do Minhocão, outras lendas também compõem o repertório cultural da comunidade, como a da sucuri que vivia em uma lagoa próxima e a do negrinho que surgia nas pedras do rio. Esses relatos foram eternizados na música Saranzeiro Velho, do compositor pantaneiro Guapo, reforçando o elo entre memória e cultura popular.

Lenda do ‘Minhocão’

O ‘Minhocão’ era um ser temido por pescadores que acreditavam que ele morava nas profundezas do Rio Cuiabá. Era temido pelos moradores da região porque se tratava, na verdade, de uma cobra gigante que vivia nas profundezas do rio  e virava os barcos em busca de alimentos, muitas vezes devorando os pescadores.

A Lenda do ‘Minhocão’ faz parte do imaginário popular da região da Barra do Pari. Imagem: Reprodução/Prefeitura de Várzea Grande (MT)

Saiba mais: Lenda do ‘Minhocão’, o terror dos pescadores no Rio Cuiabá

Moradores de bairros tradicionais, ainda contam que o Minhocão do Pari só desapareceu da região quando houve uma grande enchente, em 1974. Aos que acreditam na lenda, após a enchente, o minhocão ficou preso debaixo da igreja matriz da capital de Mato Grosso pelos fios de cabelo de Nossa Senhora. Por isso, é proibido reformar ou restaurar a igreja, para não libertá-lo.

A festa

A comunidade da Barra do Pari espera a cada ano mais conhecimento da população cuiabana, como um reduto cultural e histórico da Capital.

Em 2025, a comunidade da Barra do Pari, em Cuiabá, celebrou a tradição e a cultura ribeirinha na primeira edição da “Festa do Pari”, que ocorreu dia 19 de setembro. Com entrada gratuita e aberta ao público, o evento contou com o patrocínio da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT), via emenda parlamentar.

A programação é realizada na praça em frente à Igreja de São Benedito, espaço tradicional para os moradores da região.  O Campo Estrela, tradicional ponto de encontro dos moradores, foi um dos espaços de destaque da Festa, com atividades culturais e esportivas. 

E além das tradições, o evento conta com feira gastronômica com pratos regionais, exposição de artesanato, apresentações culturais e shows musicais.

*Com informações do Governo de Mato Grosso

Virada Cultural Amazônia de Pé mobiliza sociedade para proteger bioma

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Foto: Divulgação/Amazônia de Pé

A 4ª edição da Virada Cultural Amazônia de Pé será realizada de 19 a 21 de setembro, em todo o Brasil, com mobilizações que antecedem em 50 dias a COP 30, em Belém (PA). O movimento busca chamar atenção para a proteção de 50 milhões de hectares de Florestas Públicas Não Destinadas (FPNDs), consideradas essenciais no combate à crise climática.

Leia também: Entenda o que são as florestas públicas não destinadas

As ações vão ocorrer nas cinco regiões do país, unindo artistas, ativistas e sociedade civil organizada sob o lema: “50 dias para a COP, 50 milhões de hectares a serem protegidos”. O movimento também enviará ofícios aos governadores da Amazônia Legal solicitando audiências para apresentar propostas de gestão das florestas.

“Desde o começo do Amazônia de Pé, o nosso grande objetivo é fazer com que na Amazônia, a produção do bioma e dos povos que vivem nela, não fosse um assunto regional, que acabasse por aqui. Que expandisse as fronteiras e fizesse esse chamado de comprometimento coletivo de lutar por esse território”, disse Catarina Nefertari, Gestora de Comunicação e Mobilização da Amazônia de Pé.

Virada Cultural Amazônia de Pé mobiliza sociedade para proteger bioma. Foto: Divulgação/Amazônia de Pé
Virada Cultural Amazônia de Pé mobiliza sociedade para proteger bioma. Foto: Divulgação/Amazônia de Pé

“Proteger a Amazônia é uma das maiores contribuições que o Brasil pode fazer pelo futuro do planeta. Esse território contribui muito para a justiça climática e o balanço climático do mundo”.

Programação da Virada

Em Belém, cidade-sede da COP 30, estão previstas 64 atividades, incluindo oficinas de remédios naturais, cineclubes, rodas de conversa e apresentações culturais. 

A chef indígena Tainá Marajoara lidera um manifesto em defesa da cultura alimentar amazônica, enquanto coletivos como o Chibé promovem debates sobre mudanças climáticas em feiras e espaços públicos.

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No Sudeste e Sul, a programação inclui a Feira Onça, em Magé (RJ), que reúne economia popular e debate climático, e atividades em Porto Alegre (RS), onde o coletivo SOS Floresta do Sabará atua na defesa de áreas de Mata Atlântica remanescentes após as enchentes de 2024.

O movimento também articula o Projeto de Lei de Iniciativa Popular Amazônia de Pé, que já reuniu mais de 300 mil assinaturas físicas e precisa alcançar 1,5 milhão para começar a tramitar no Congresso. A proposta busca dar destinação legal às FPNDs, alvo frequente de desmatamento, queimadas, grilagem e garimpo.

“As áreas destinadas para povos indígenas e quilombolas são as que menos têm incidência de crimes ambientais. Se a gente quer que o Brasil continue caminhando para um desenvolvimento econômico e social, promovendo justiça social, precisa destinar essas florestas para quem sempre as protegeu. E, assim, garantir que esse bem que é de todos fique de pé e continue por gerações promovendo uma vida melhor para todos”, disse Catarina.

Dados recentes do Observatório das Florestas Públicas mostram que, entre janeiro e julho de 2025, 262,5 mil hectares foram desmatados na Amazônia, 25% deles em FPNDs. No mesmo período, 59,7 mil hectares dessas áreas foram atingidos por queimadas – três quartos em terras federais. O Pará concentrou 59% das áreas destruídas pelo fogo.

De acordo com especialistas, as FPNDs podem armazenar até 5 bilhões de toneladas de carbono. Se destruídas, podem liberar 19 bilhões de toneladas de CO₂, o equivalente a 51% das emissões globais estimadas para 2024.

Para a gestora de Comunicação e Mobilização da Amazônia de Pé, engajar a sociedade a proteger a Amazônia é inspirar o ativismo mais amplo em defesa de todos os biomas do país.

“Eu quero a Amazônia de pé, mas eu também quero a Caatinga de pé, o Cerrado de pé. Entender essa interdependência entre os biomas é fundamental. Assim como eles estão super conectados, nós seres humanos também estamos com a natureza. Muitas pessoas que se aproximaram do movimento, conseguiram entender melhor o seu próprio território e conseguiram também se conectar com o seu chão, retomar sua ancestralidade, retomar a sua cultura”, disse Catarina.

*Com informações da Agência Brasil

Comissão de Infraestrutura vota plano de conservação e navegabilidade da Amazônia

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O plano terá ações como dragagem, manejo integrado e sinalização das vias interiores. Foto: Cadu Gomes/VPR

A Comissão de Infraestrutura (CI) do Senado agendou reunião para terça-feira (23), a partir das 9h, para votar sete itens. Entre eles, está o projeto que cria o Plano Rios Livres da Amazônia, com ações para promover a conservação e garantir a navegabilidade dos rios da região (PL 4.199/2024). O presidente da CI é o senador Marcos Rogério (PL-RO).

Leia também: Projeto de lei cria plano para conservação de rios e navegabilidade na Amazônia

Apresentada pelo senador Sérgio Petecão (PSD-AC), a proposta que será votada pela Comissão busca soluções para que o desenvolvimento socioeconômico ocorra junto com a preservação dos recursos hídricos da Amazônia Legal, onde os rios servem fundamentais para a mobilidade e a atividade econômica há centenas de anos.

O plano terá ações como dragagem, manejo integrado e sinalização das vias interiores. Entre as diretrizes estão a cooperação federativa entre União, estados e municípios, a redução da poluição dos rios e o incentivo à educação ambiental e à pesquisa tecnológica para soluções inovadoras no transporte hidroviário. 

A governança, segundo o projeto, será descentralizada, com participação de comitês gestores, comitês de bacias hidrográficas e órgãos públicos federais, estaduais e municipais. O relator é o senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR), cujo voto é favorável ao projeto, sem modificações. O projeto seguirá para análise da Comissão de Meio Ambiente (CMA).

comissão de infraestrutura votará projeto sobre navegabilidade na amazônia
Foto: Adriano Gambarini/WWF Brasil

Comissão também vota ações durante calamidades

Também deve ser votado o PL 124/2022, que impede o corte de água e luz por falta de pagamento durante calamidades públicas. Também anula multas e juros e flexibiliza o pagamento das contas de luz, água e esgoto durante período de calamidade pública causado por desastre natural ou emergência climática. O autor é o deputado Júlio Delgado.

O relator na Comissão, o senador Luis Carlos Heinze (PP-RS), votou favoravelmente à proposta, sem alterações. Ele explica que o projeto beneficiará consumidores diretamente atingidos por calamidade pública com a manutenção do acesso contínuo a serviços essenciais.

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“A suspensão de encargos extraordinários, como as bandeiras tarifárias e a vedação da interrupção do fornecimento por inadimplência, no período de vigência do estado de calamidade, não configuram mera concessão graciosa, mas resposta legislativa adequada a circunstâncias em que a vulnerabilidade econômica se soma à desestruturação social e ambiental. Nesse sentido, a medida legislativa assegura que famílias impactadas possam concentrar seus parcos recursos em necessidades emergenciais, contribuindo para a redução da exclusão social e para a proteção de grupos já expostos a riscos intensificados”, afirma Heinze.

A matéria será votada também pelas Comissões de Assuntos Sociais (CAS) e de Assuntos Econômicos (CAE). 

*Com informações da Agência Senado

Primeiro Teatro Municipal de Macapá promete ampliar acesso à arte e cultura

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Foto: Crystofher Andrade/Rede Amazônica AP

O Teatro Municipal Fernando Canto foi inaugurado, no dia 19 de setembro, no Centro de Macapá (AP). A prefeitura informou que o espaço será usado para desenvolver projetos artísticos e ampliar o acesso da população à cultura e às artes.

A obra custou mais de R$ 15 milhões e tem capacidade para 358 pessoas, mezanino, área de espera, arquibancada e estacionamento.

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O design do teatro remete às ondas do Rio Amazonas, enquanto a fachada, em formato de canoa, celebra as comunidades tradicionais do Amapá. O espaço será dedicado a espetáculos, literatura e outras manifestações culturais amapaenses.

O prefeito de Macapá, Dr. Furlan, celebrou a entrega do primeiro Teatro Municipal da capital amapaense, destacando o impacto cultural da obra.

“É um teatro moderno, privelegia a acústica, e que, com certeza, vai receber toda a nossa cultura macapaense. Os artistas pediam há muitos anos e hoje teve esse pedido atendido. É uma obra de arte no Centro da capital”, afirmou.

Leia também: Dia do Teatro: aprecie histórias de sete teatros da Região Norte

Primeiro Teatro Municipal de Macapá
Foto: Crystofher Andrade/Rede Amazônica AP

Legado do teatro

O novo espaço cultural homenageia o escritor e artista Fernando Canto, referência na literatura e na música amapaense.

Nascido em Óbidos (PA), em 1954, presidiu a Academia Amapaense de Letras, integrou o Conselho Editorial do Senado Federal, foi membro da Academia Artística e Literária de Óbidos e fundou o Grupo Pilão. Ao longo da carreira, publicou mais de 18 obras.

Sônia Canto, viúva de Fernando Canto, se emocionou ao lembrar do legado deixado pelo escritor e professor, agora homenageado com o nome do novo teatro municipal.

“Meu marido era um ser multifacetado e o teatro era uma das grandes paixões dele. É com muita gratidão, satisfação e honra que recebemos essa homenagem. Recebemos essa possibilidade e a oportunidade de colocar o nome dele nesse espaço tão lindo e grandioso”, comentou.

Significado

Para a classe artística local, o novo teatro marca um novo momento para a cena cultural de Macapá. A escritora Mary Paes destacou a importância do espaço para a cultura. Para ela, esses ambientes representam um ponto de encontro da identidade amapaense.

“É como uma casa que abriga toda a arte e a cultura macapaense. Particularmente representa um espaço de acolhimento e prestígio para as nossas artes, espetáculos, literatura e nossas vivências”, comentou.

*Por Crystofher Andrade, estagiário sob supervisão do editor Rafael Aleixo, da Rede Amazônica AP

Fazendeiro é condenado a recuperar área desmatada no Amazonas equivalente a 230 campos de futebol

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Imagem aérea de sobrevoo de monitoramento de desmatamento na Amazônia no município de Lábrea, Amazonas, realizado em 26 de março de 2022. Foto: Reprodução/Greenpeace

A Justiça do Amazonas condenou um fazendeiro por desmatar 166 hectares de floresta, no município de Lábrea, equivalente a cerca de 230 campos de futebol. A decisão, assinada pelo juiz Michael Matos de Araújo, foi publicada no dia 18 de setembro.

A ação foi movida pelo Ministério Público, que comprovou, com base em documentos do Ibama, a derrubada da vegetação em uma fazenda às margens da BR-317.

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O magistrado destacou que a responsabilidade por danos ambientais é integral, ou seja, quem causa a destruição deve reparar os prejuízos independentemente de intenção ou culpa.

Segundo ele, o caso evidenciou dois pontos: a ocorrência do dano ambiental e a ligação direta entre a atividade do fazendeiro e a degradação registrada.

Com a sentença, o fazendeiro deverá interromper a degradação em até 48 horas, sob pena de multa diária de R$ 10 mil, que pode se estender por até cem dias.

Leia também: Condenações por desmatamento ilegal crescem, mas apenas 5% resultam em indenizações pagas na Amazônia

Ele também precisará apresentar, aprovar e executar em 60 dias um plano de recuperação da área degradada, que será acompanhado para garantir a restauração total da floresta. O descumprimento do prazo acarretará multa mensal de 1% sobre o valor da causa.

Além da obrigação de restaurar o meio ambiente, o réu foi condenado a pagar R$ 50 mil por danos morais coletivos, valor que será destinado a projetos ambientais, e R$ 1,7 milhão por danos materiais, calculado com base no tamanho da área destruída.

Mato Grosso faz parceria com O.N.E. Amazon para investimento em projetos sustentáveis no Estado

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Parque Cristalino, em Novo Mundo, Mato Grosso. Foto: Prefeitura de Novo Mundo

O Governo de Mato Grosso formalizará um convênio com a O.N.E. Amazon, no valor de US$ 100 milhões, para financiamento de projetos sustentáveis no Estado, durante a Semana do Clima de Nova Iorque (Climate Week NYC), nos Estados Unidos. A comitiva mato-grossense viajou para os Estados Unidos neste mês de setembro para formalização da parceria.

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Ainda neste mês, a comitiva participa de uma mesa-redonda para anunciar o convênio, voltado à conservação e preservação da Amazônia, nos Parques Estaduais Cristalino I e II. A O.N.E. Amazon é uma organização dedicada a promover investimentos públicos e privados para a preservação e restauração da floresta amazônica, com o banco Goldman Sachs, a AECOM, a NVIDIA, o governo dos Estados Unidos e outros parceiros internacionais.

Mato Grosso
Ponte do estado do Mato Grosso. Foto: Divulgação

Além de recursos para investimentos em projetos pelo Estado, a parceria vai facilitar que produtores e empreendedores financiem projetos que tragam resultados de preservação e recuperação ambiental.

A secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti, terá uma série de reuniões, no contexto da parceria, com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e representantes de empresas, fundos de investimentos, gestores de ativos, empresas de tecnologia, entre outros, para a construção de agendas de trabalho para 2025-2026.

Ponte do estado do Mato Grosso. Foto: Divulgação

No dia 23 de setembro, a secretária também participa de uma agenda com a Subnational Methane Action Coalition (Coligação Subnacional de Ação sobre o Metano, na tradução em português), uma entidade internacional composta por estados e regiões de países para a redução do gás metano, um dos principais causadores das mudanças climáticas no planeta.

No dia 24 de setembro, a comitiva mato-grossense participa de um evento sobre justiça climática nas varas judiciais. Já na quinta-feira (25.9), haverá uma reunião com representantes do Fundo Verde do Clima (GCF, na sigla em inglês), uma iniciativa global de financiamento climático.

Mato Grosso
Reflorestamento no estado de Mato Grosso. Foto: Divulgação

Além de Mauren e a secretária de Comunicação, Laice Souza, também fazem parte da comitiva a secretária-adjunta de Recursos Hídricos da Sema, Lilian Ferreira dos Santos, e servidores da Sema e do Ministério Público do Estado.

Semana do Clima de Nova Iorque

A Semana do Clima de Nova Iorque é um evento que antecede a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), que, neste ano, será realizada em Belém, no Pará, cujo objetivo é reunir líderes empresariais e investidores com representantes de países e estados para atrair recursos financeiros para a defesa do meio ambiente.

*Com informações da Agência Mato Grosso

APA Lago do Amapá, um potencial turístico e gastronômico do Acre

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APA Lago do Amapá, Acre. Foto: Bruno Moraes/Sete

O mercado turístico no Acre tem registrado crescimento significativo nos últimos anos, atraindo cada vez mais visitantes locais, turistas de outros estados e estrangeiros. Dados do Ministério do Turismo, da Embratur e da Polícia Federal apontam que, apenas no primeiro trimestre de 2025, o estado recebeu 5,7 mil turistas internacionais, um aumento de 18,5% em relação ao mesmo período de 2024. A maior parte dos visitantes veio do Peru e da Bolívia, reforçando a posição estratégica do Acre na integração amazônica.

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Esse crescimento é impulsionado pela diversidade de modalidades turísticas oferecidas no estado: ecoturismo, turismo de aventura, turismo de base comunitária e contato com povos tradicionais e originários, além de roteiros que resgatam a história da borracha e da Revolução Acreana. Do Vale do Juruá ao Alto Acre, cada regional apresenta atrativos únicos, compondo a cultura, ambiental e histórico.

Acre
Graças a internet aumentou a procura pelo turismo ambiental e de gastronomia proporcionado pela comunidade. Foto: Pedro Devanir/Secom

Com a demanda em alta, as Secretarias de Estado de Turismo e Empreendedorismo (Sete) e de Meio Ambiente (Sema), iniciou estudos técnicos para fortalecer e reabrir atividades na Área de Proteção Ambiental (APA) Lago do Amapá. Representantes das secretarias se reuniram com a comunidade e a Associação de Moradores e Produtores Rurais da Estrada do Amapá para avaliar o potencial do turismo de base comunitária e do turismo gastronômico da região.

“O objetivo da visita aqui na APA do Amapá é resgatar o turismo nessa área de preservação, gerar receita dentro da comunidade formando condutores, reforçando o setor gastronômico local. O Amapá é conhecido como circuito gastronômico dentro de Rio Branco. Então, a gente quer resgatar esse turismo cultural urbano em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente”, destacou Francismay Costa, turismólogo e técnico administrativo da Sete.

Entre os pontos avaliados estão trilhas ecológicas, passeios de caiaque, observação de aves e resgate histórico-cultural, como a emboscada de Plácido de Castro. A proposta é revitalizar esses atrativos para apresentá-los em feiras e exposições, além de incorporá-los aos roteiros turísticos oferecidos em hotéis e agências.

Iniciativa traz esperança de desenvolvimento aliado à preservação. Foto: Bruno Moraes/Sete

Segundo a presidente da associação local, Aliete Gadelha, a iniciativa traz esperança de desenvolvimento aliado à preservação. “Essa visita e esse trabalho que está sendo iniciado são de fundamental importância. Estamos dentro de uma área de proteção ambiental que abastece Rio Branco e ajuda a regular a temperatura da capital. Com esse olhar diferenciado do governo, vamos resgatar nosso patrimônio histórico e cultural, valorizar espécies nativas como a Passiflora acreana (maracujá nativo), e fortalecer os moradores e produtores rurais que querem abraçar o turismo”, ressaltou.

Turismo gastronômico e cultural

A culinária acreana é reconhecida como um dos atrativos da região. Da tradicional baixaria no café da manhã ao quibe de arroz no lanche da tarde, passando pela galinha caipira no almoço, a gastronomia local reforça a identidade cultural do estado. Na APA do Amapá, a integração entre turismo gastronômico, trilhas, passeios e museu da Revolução Acreana cria uma programação completa para famílias e visitantes em busca de experiências culturais.

Observação de aves

Outro destaque da região é a observação de aves. O Acre possui mais de 700 espécies catalogadas, incluindo raridades como a choca-do-acre e o flautim-rufo, que atraem cientistas, pesquisadores e turistas especializados. Desde 2015, a APA do Amapá recebe grupos de visitantes nacionais e internacionais.

“O Acre é repleto de espécies que só têm aqui. A observação de aves desperta prazer, bem-estar e contribui para o turismo sustentável. Nosso trabalho é preparar a região para receber cada vez melhor esses visitantes”, explicou o biólogo Ricardo Plácido.

Preservação e futuro

Foto: Bruno Moraes/Sete

Para o gestor da APA Lago do Amapá, Samyr Vieira de Farias, a integração entre turismo e preservação ambiental é fundamental. “Temos hoje uma área de 5.200 hectares dentro da cidade de Rio Branco. Esse trabalho junto à comunidade vai garantir conservação, geração de renda e valorização ambiental, transformando a APA em um polo turístico”, destacou.

A Área de Proteção Ambiental Lago do Amapá concentra história, cultura, biodiversidade e gastronomia em um mesmo espaço. Seu potencial turístico, aliado à preservação ambiental e à participação comunitária, reforça a vocação do Acre para transformar suas riquezas naturais em desenvolvimento sustentável, com geração de emprego, renda e qualidade de vida para a população.

*Com informações da Agência Acre

Acre anuncia lançamento de plataforma que mapeia impactos de inundações no estado

Foto: Reprodução/Governo do Acre

Uma plataforma inovadora para o Acre será lançada durante Semana do Clima de Nova York: o Acre Climate. O lançamento previsto para dia 22 de setembro é de uma plataforma digital criada para mapear os impactos das inundações sobre populações vulneráveis no estado do Acre.

O projeto é fruto da parceria entre o governo do Acre, por meio da Secretaria do Meio Ambiente (Sema), e a empresa brasileira Codex, especializada em inteligência de dados e mudanças climáticas. A apresentação será feita no espaço principal do evento, o The Hub Live, localizado no The Glasshouse, em Manhattan (EUA).

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O Acre Climate foi um dos três projetos selecionados globalmente em 2024 pelo Future Fund, mecanismo de financiamento climático coordenado pela Coalizão Under2, que reúne mais de 270 governos subnacionais ao redor do mundo. Além do Acre, foram contempladas propostas do México e da Indonésia.

A vice-governadora do Acre, Mailza Assis, destacou a importância do lançamento da plataforma para que o governo atue de maneira mais eficiente na mitigação das mudanças climáticas:

“O Acre Climate reúne e organiza dados sobre os impactos das enchentes e outros eventos extremos, permitindo que o governo atue com mais rapidez e eficiência, especialmente para proteger as populações mais vulneráveis. Fomos o único estado do Brasil selecionado pela organização internacional para desenvolver essa iniciativa. Isso mostra que o Acre é referência global em resiliência climática”.

A plataforma Acre Climate utiliza tecnologias avançadas de geoprocessamento e dados integrados para monitorar e simular os impactos de enchentes em comunidades ribeirinhas, indígenas e em situação de vulnerabilidade.

A ferramenta será utilizada tanto para consulta pública quanto para apoio técnico a gestores públicos, permitindo respostas mais rápidas e eficazes diante aos eventos extremos.

“O Acre tem enfrentado eventos extremos como secas severas e cheias históricas. A plataforma surge com o propósito de fortalecer a capacidade de compreender os impactos sociais e ambientais das mudanças climáticas e integrar políticas públicas de forma mais eficiente, para antecipar cenários e planejar respostas com base em dados, simulações e análises dinâmicas”, explica o secretário de Meio Ambiente, Leonardo Carvalho. 

Leia também: Chuvas no Acre: monitoramento dos rios inicia com o objetivo de prever inundações

Secretário da Sema AC Leonardo Carvalho destaca que a plataforma busca fortalecer a compreensão dos impactos socioambientais das mudanças climáticas e integrar políticas públicas de forma mais eficiente
Secretário da Sema-AC Leonardo Carvalho destaca que a plataforma busca fortalecer a compreensão dos impactos socioambientais das mudanças climáticas e integrar políticas públicas de forma mais eficiente. Foto: Uêslei Araújo/Sema-AC

Na fase inicial do projeto, sete municípios acreanos já foram incluídos no mapeamento: Assis Brasil, Brasileia, Epitaciolândia, Rio Branco, Xapuri, Porto Walter e Jordão. A plataforma disponibiliza informações detalhadas sobre áreas de risco de inundação, equipamentos públicos vulneráveis, bairros afetados e projeções de impacto territorial.

No lançamento em Nova York, estarão presentes a vice-governadora Mailza Assis,o secretário de Meio Ambiente e o diretor de Negócios da Codex, Venicios Santos, que destaca que o tempo de desenvolvimento foi um dos diferenciais do Climate Acre.

“Projetos climáticos costumam levar de três a cinco anos entre a concepção, a captação e a execução. No nosso caso, conseguimos estruturar tudo em menos de 12 meses”, afirma.

O diretor atribui a agilidade ao modelo inovador de operação do Future Fund, da Coalizão Under 2,  que viabilizou um fluxo mais ágil de financiamento e execução.

“Em um cenário de emergência climática, o tempo é um recurso crítico. Ter uma plataforma pronta e funcionando em menos de um ano faz toda a diferença para a proteção de vidas, fortalecimento da resiliência climática e apoio a comunidades”, completa.

Plataforma Acre Climate

A Acre Climate é baseada no ArcGIS, um dos sistemas de inteligência geoespacial mais utilizados no mundo. A plataforma reúne dados hidrológicos, populacionais e socioeconômicos, com simulações interativas e dashboards com indicadores em tempo real e entra em operação nesta segunda-feira (22).

A plataforma utiliza tecnologias de geoprocessamento para monitorar e simular os impactos das inundações. Os dados da plataforma são provenientes do  Centro Integrado de Geoprocessamento e Monitoramento Ambiental (Cigma), que conta ainda com integração direta com instituições estaduais como Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Urbanismo, Assistência Social e Direitos Humanos, além de órgãos do Governo Federal como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e  Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

*Com informações da Agência Acre

Sairé 2025: os Botos do Amanhã e a infância que dança o futuro de Alter do Chão

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Foto: Rony Aires/Prefeitura de Santarém

A vila de Alter do Chão, em Santarém (PA), viveu um momento de pura poesia ancestral nesta sexta-feira (19). No coração do Sairé 2025, o brilho não veio apenas dos refletores ou dos trajes coloridos, mas dos olhos curiosos e dos passos firmes de dezenas de crianças que assumiram o palco da tradição.

O Boto Tucuxi do Amanhã e o recém-batizado Companhia de Artes Boto Cor de Rosa Mirim encantaram o público com arte, resistência e a esperança viva que brota da infância.

Leia também: Sairé ou Çairé: qual é a grafia certa da famosa festa de Alter do Chão?

Os botos mirins do Sairé

Sob o tema ‘A geração, o futuro ancestral’, o Tucuxi do Amanhã mostrou que o tempo não apaga o que o povo Borari semeia com amor: cultura, pertencimento e luta. Com 65 crianças, o projeto chega ao seu terceiro ano como um sopro de continuidade no corpo e na alma de um povo que resiste para existir.

Foto: Rony Aires/Prefeitura de Santarém

A apresentação foi conduzida por Daniel Costa, apresentador oficial do Boto Tucuxi, que celebrou o trabalho coletivo com emoção.

“Esse é um trabalho realizado aqui em Alter do Chão, com nossas crianças. Com toda certeza é uma felicidade muito grande pra gente que cresceu nesse convívio cultural, hoje, poder fortalecer a nossa cultura repassando um pouco do nosso conhecimento para as nossas crianças. Eles são a geração que irá manter viva a nossa tradição”.

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E manter viva é também transformar. No palco da apresentação infantil do Sairé 2025, a força do Tucuxi ecoou por meio dos seus itens mirins, como a pequena Alice Sofia Mota, estreante na dança: “Dá muito trabalho pra lembrar toda a coreografia, mas a gente consegue lembrar, consegue dar um espetáculo e animar pro nosso boto Tucuxi”.

Entre coreografias, cânticos e rituais, a plateia foi levada a um mergulho na essência Borari — um povo que segue firme na defesa do seu território e da sua identidade, passando o bastão da memória para mãos miúdas, porém seguras.

Em cena, o jovem João Victor, boto-homem do Tucuxi do Amanhã, também deixou seu recado: “A gente sente que tá fazendo parte de uma coisa muito maior. É bonito ver a gente aprendendo e ensinando ao mesmo tempo. Eu danço pelo Tucuxi, mas também pelo meu povo”.

Leia também: Comissão do Senado reconhece Festa do Sairé como manifestação da cultura nacional

apresentação boto tucuxi mirim no sairé 2025
Foto: Rony Aires/Prefeitura de Santarém

Do outro lado da arena, a poesia ganhou novas cores com o Boto Cor de Rosa Mirim, que agora responde pelo nome de Companhia de Artes Boto Rosa Mirim. 

Com 55 crianças, o grupo trouxe o tema ‘Aquarela Cor de Rosa’, uma celebração das cores que pintam a Amazônia, com destaque à mais encantadora delas: o rosa.

O grupo foi formado por pequenas estrelas que brilham com espontaneidade. Patinadores, dançarinos e quadrilheiros se uniram para celebrar a infância amazônica em forma de espetáculo. 

“Esse é um projeto de crianças, feito por e para criança. A gente só cuida da logística e deixa que eles brilhem”, destacou Alan Reis, da comissão do boto Cor de Rosa.

No elenco, Matheus Farah, boto-animal, se apresentou ao lado da irmã Valentina Farah, item “a menina do boto”. Entre uma dança e outra, ele resume a alegria que move o projeto: “É muito legal, né? Tá no Sairé, viver um pouco disso, participar, dançar… deixa a gente feliz, a gente se diverte lá dentro”.

Foto: Rony Aires/Prefeitura de Santarém

Enquanto os filhos dançam, os pais vibram de fora, orgulhosos de ver a cultura sendo vestida em forma de penas, cores e sonhos.

A apresentação dos botos mirins faz parte da programação oficial do Sairé 2025, mas vai além do festival: é ensaio de vida, é construção de pertencimento. Uma semente lançada no chão sagrado de Alter — onde cada criança se torna guardiã do tempo, do tambor, da tradição. Porque no coração da Amazônia, é brincando que se aprende a resistir. E dançando, que se escreve o futuro.

Para a concepção, desenvolvimento e execução dos projetos artísticos ‘Essência Borari’, do Boto Tucuxi, e ‘Catraia – Encantaria do Atravessar’, do Boto Rosa, assim como do Rito Tradicional ‘Sairé 2025 – Cecuiara da Tradição’, contam com o apoio de parceiros públicos e privados por meio de projetos incentivados pela Lei Rouanet, do Governo Federal, via Ministério da Cultura.

Contam ainda com o patrocínio do Ministério do Turismo, Sesc, Equatorial Energia, Banpará, Amstel, Coca-Cola, Vivo, Caixa, Companhia Docas do Pará e Avante Atacadista. Agência oficial: Maná Produções. Apoio: Secretaria de Estado de Cultura do Pará, Assessoria Cultural, Borari Produções. Realização: Prefeitura de Santarém, em acordo de cooperação com o Ministério do Turismo, Sesc, Senac, Governo do Pará, Fundação Cultural do Estado do Pará e Semear – Programa Estadual de Incentivo à Cultura.

*Com informações da Prefeitura de Santarém (PA)

Projeto ATTO completa dez anos da maior torre de monitoramento climático do mundo

Foto: Reprodução/Acervo Inpa

O Projeto Observatório da Torre Alta da Amazônia (ATTO, Amazon Tall Tower Observatory, sigla em inglês) celebrou dez anos de operação da maior torre de pesquisa de monitoramento climático do mundo durante workshop anual do projeto, realizado no Auditório da Ciência do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) em Manaus (AM).

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Fruto de cooperação científica entre Brasil e Alemanha, o ATTO é executado no Brasil pelo Inpa e, na Alemanha, pelos Institutos Max Planck de Biogeoquímica (MPI-BGC) e de Química (MPI-C), com o objetivo de compreender como as florestas da Amazônia central interagem com a atmosfera adjacente e a suas influências sobre o clima.

O coordenador-geral da Coordenação-Geral de Pesquisa, Capacitação e Extensão (CGPE), Jorge Porto, representou a direção do Inpa no workshop e destacou a importância do ATTO para a instituição e para a Amazônia.

“O ATTO é de grande relevância para a instituição. Pela parceria binacional que envolve Brasil e Alemanha e pelo escopo científico voltado às mudanças climáticas, compreender o ciclo hidrológico e o ciclo do carbono, bem como os impactos das emissões de gases na Amazônia e em escala global”, ressalta Porto.

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Histórico e infraestrutura da torre ATTO

Inaugurada em 2015, a torre ATTO tem 325 metros de altura e é uma das torres mais instrumentadas do mundo para estudos da química, física e biologia da atmosfera. Está localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã (RDS Uatumã), no município de São Sebastião do Uatumã, interior do Amazonas.

O sítio de pesquisa do projeto inclui mais duas torres de 80 metros, 18 contêineres equipados com instrumentos no estado da arte para medição de diversas propriedades científicas e laboratórios, acampamentos com dormitórios, banheiros e refeitório. A área do sítio está dentro de uma unidade de conservação com 20 comunidades e aproximadamente 250 famílias.

De acordo com o gerente operacional do projeto ATTO, o tecnologista do Inpa Bruno Takeshi, a implantação da torre na RDS-Uatumã se deu por estudos feitos com dados de sobrevoos e de sensoriamento remoto que registraram uma atmosfera pristina, semelhante à época pré-revolução industrial, no local onde a torre foi instalada.

“Nós tínhamos muito interesse em entender como é o comportamento dinâmico da atmosfera e sua interação com a floresta. E aqui os ciclos biogeoquímicos conseguem ser observados de uma forma extremamente limpa, assim como, em algumas épocas do ano, com alguns efeitos de poluição antropogênica dos dias de hoje na composição atmosférica”, explica Takeshi.

O tecnologista relembra também as dificuldades para implantação de um empreendimento científico desta dimensão na floresta amazônica, como o transporte de equipamentos e da própria torre.

“A torre em si é uma estrutura científica de ponta dentro da Amazônia, e com ela conseguimos não só desmistificar alguns fenômenos que ocorrem aqui localmente, mas também de forma regional e global, vide alguns resultados atuais da torre, onde conseguimos coletar material particulado oriundo do deserto do Saara aqui na Amazônia”, pontua Takeshi, durante o evento que aconteceu de terça a quinta-feira  (16 a 18) desta semana. 

Resultados científicos

projeto atto completa 10 anos
Foto: Igor Souza/Ascom Inpa

O projeto ATTO publicou mais de 140 artigos científicos sobre a interação entre a floresta amazônica e a atmosfera. O coordenador do projeto pelo Inpa, o pesquisador Carlos Alberto Quesada, destaca alguns estudos como os processos de fixação e balanço de carbono, estudos sobre liberação da umidade pelas plantas, formação de nuvens e chuva, dinâmica dos gases de efeito estufa na atmosfera, como gás carbônico e metano. 

“O ATTO ajuda muito a compreender esses processos que a gente tenta entender,  o transporte entre o que está acontecendo aqui no chão na Amazônia e o que está sendo transportado para a alta atmosfera quando atinge uma escala global. Toda essa parte meteorológica também é um componente muito importante nesse projeto”, explica Quesada

Por meio do Programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o projeto aprovou o INCT ATTO-Equilibrium  – conectando sistemas simbióticos na Amazônia que tem como objetivo ampliar a compreensão sobre como a floresta amazônica interage com a atmosfera, contribuindo para a redução de incertezas em previsões climáticas.

“Nós, do lado brasileiro, acabamos de aprovar um INCT, um projeto de muito prestígio. Ele também traz bastante recurso para que a nossa comunidade brasileira possa trabalhar ombro a ombro com a comunidade alemã, para produzirmos juntos, como já fazemos”,  reforça o coordenador.  

A coordenadora do ATTO pela Alemanha, Susan Trumbore, do MPI-BGC, destaca a colaboração científica entre pesquisadores alemães e brasileiros em diferentes áreas.

“Temos diferentes equipes. Por exemplo, a área de micrometeorologia é liderada pelo Brasil, outras áreas são lideradas pela Alemanha, como os estudos sobre gases de efeito estufa. Então, podemos juntar essas áreas onde temos um grupo mais forte em cada lado e fazermos pesquisa de ponta dentro do ATTO”,  destaca.

Interação com as comunidades

Um dos próximos passos destacados pelos coordenadores é sintetizar resultados das pesquisas de forma mais acessível para socializar o conhecimento científico com a sociedade. Iniciativa desta natureza no projeto começou em 2018, a partir da demanda das comunidades locais,  dando origem ao projeto ATTO Escola.

O ATTO Escola leva conteúdos sobre ciência e clima de forma didática para alunos e professores. Entre as ações estão palestras e aulas práticas, coleta de pilhas e baterias para descarte correto, instalação de réguas linimétricas no rio Uatumã para registro das variações, treinamentos anuais para professores e gestores das escolas. O projeto alcançou 150 alunos, capacitou 25 professores e envolveu cinco escolas parceiras.  Materiais didáticos sobre ciência e clima estão disponíveis para download na plataforma de aprendizagem.

Outras ações incluíram a instalação de duas trilhas interpretativas educativas instaladas nas comunidades Maracarana e Bela Vista, em parceria com o grupo de pesquisa Ecologia, Monitoramento e Uso Sustentável de Áreas Úmidas (Grupo Maua), do Inpa.

Também são parceiros a Secretaria Municipal de Educação de Presidente Figueiredo, a Rede Hidrometeorológica Nacional e o grupo CloudRoots da Universidade de Wageningen da Holanda.

*Com informações do INPA