Home Blog Page 30

Esporte bretão? Documentário reacende debate sobre origem do futebol e envolvimento do Amazonas

0

Capa do documentário ‘Amazonas: O jogo da bola’ que fala sobre uma possível origem do futebol no Amazonas. Foto: Reprodução/Amazonas: O jogo da bola

Em toda Copa do Mundo de Futebol o esporte passa a ser o centro das atenções. Conhecido como o “esporte bretão” por ter suas regras modernas oficializadas na Inglaterra, em 1863, o futebol também inspira uma reflexão apresentada no documentário amazonense ‘Amazonas: O Jogo da Bola’: será que a história desse esporte começou apenas na Grã-Bretanha?

Dirigido pelo cineasta amazonense Chicão Fill, nome artístico de Francisco Filho, o longa-metragem reúne cerca de dez anos de pesquisas e apresenta documentos, relatos históricos e entrevistas que buscam mostrar a relação da Amazônia com uma das práticas esportivas mais populares do planeta.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp 

A produção parte de um registro feito em 1744, na então Vila de Ega — atual município de Tefé, no Amazonas —, onde o cientista e explorador francês Charles-Marie de La Condamine descreveu indígenas do povo Kambeba praticando um jogo com uma bola produzida a partir do látex extraído da seringueira.

O documentário explica que esse é um dos registros mais antigos conhecidos de um jogo semelhante ao futebol em território brasileiro. Segundo a narrativa da obra, a bola confeccionada com borracha natural chamava a atenção dos europeus pela capacidade de quicar, característica incomum para a época. O relato passou a integrar estudos sobre a história dos jogos com bola e serve como ponto de partida para discutir a participação da Amazônia na trajetória desse esporte.

Embora a história oficial reconheça a Inglaterra como berço do futebol moderno, devido à criação das regras pela Football Association em 1863, o filme não pretende contestar esse marco histórico. A proposta é ampliar o debate sobre práticas semelhantes ao futebol existentes muito antes da codificação do esporte e mostrar que registros históricos encontrados na Amazônia fazem parte dessa discussão.

Leia também: Primeira partida de futebol do Brasil aconteceu na Amazônia; descubra onde

Da floresta à Revolução Industrial

Além dos aspectos históricos, ‘Amazonas: O Jogo da Bola’ estabelece uma conexão entre a floresta amazônica, a borracha e o desenvolvimento do futebol moderno. O filme destaca que o látex extraído da seringueira, utilizado pelos povos indígenas para fabricar bolas elásticas, tornou-se um dos produtos mais importantes do mundo durante a Revolução Industrial.

Com o desenvolvimento do processo de vulcanização, patenteado por Charles Goodyear em 1844, a borracha ganhou resistência e elasticidade, permitindo sua utilização em larga escala pela indústria. Entre os diversos produtos fabricados com esse material estavam as bolas utilizadas em modalidades esportivas, incluindo o futebol.

Dessa forma, o documentário demonstra como a matéria-prima produzida na Amazônia contribuiu para a evolução dos equipamentos esportivos e para a consolidação da modalidade praticada atualmente.

A produção também apresenta a importância histórica de Tefé, município localizado na região do Médio Solimões. Conhecida no período colonial como Vila de Ega, a cidade foi ponto de passagem de naturalistas, exploradores e cientistas europeus interessados em estudar a biodiversidade amazônica e os conhecimentos dos povos indígenas.

Foi nesse cenário que La Condamine registrou, em 1744, o jogo praticado pelos Kambeba com uma bola feita de látex, episódio que se tornou o eixo central do documentário.

Conheça: 5 dicas do que fazer em Tefé, o “coração da Amazônia”

Imagem em Preto e Branco mostra Vila de Eva onde jogo parecido com futebol foi registrado
Foto: Reprodução/Amazonas – O Jogo da Bola

O futebol no Amazonas

Para reconstruir essa trajetória, Chicão Fill reuniu especialistas de diferentes áreas. Entre os entrevistados estão o escritor, jornalista e dramaturgo Márcio Souza; o historiador Gaspar Vieira Neto, autor do livro “Memórias do Esporte Bretão Caboclo”; o jornalista e pesquisador Mário Adolfo; o escritor Tenório Telles; o cronista esportivo Carlos Zamith; além de pesquisadores, professores, ex-jogadores e dirigentes esportivos que contextualizam a formação do futebol no Amazonas e sua relação com a história da região.

Relembre: Pesquisa sobre origem do futebol do Amazonas será publicada em livro

Com aproximadamente 80 minutos de duração, o documentário percorre desde os relatos de La Condamine até a consolidação do futebol amazonense, abordando o surgimento dos clubes locais, a evolução da modalidade no estado e a construção da Arena da Amazônia para a Copa do Mundo de 2014. A obra também foi reconhecida internacionalmente ao conquistar o prêmio de Melhor Documentário no Festival Internacional Art & Tur, em Portugal.

Confira:

Experiência de saúde bucal com indígenas do Acre é premiada em congresso de saúde pública nacional

0

Trabalho premiado foi desenvolvido pela cirurgiã-dentista Tahine Viana para atender a comunidade do povo Kulina/Madjá, em Manoel Urbano, no Acre. Foto: Tahine Viana/Acervo pessoal

Uma experiência desenvolvida no Acre para promover a saúde bucal entre povos indígenas do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Alto Rio Purus recebeu um dos prêmios de destaque no Congresso Nacional do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), considerado o maior congresso de saúde pública do mundo.

O reconhecimento foi concedido ao trabalho “Promoção da Saúde Bucal de Povos Indígenas do DSEI Alto Rio Purus”, apresentado durante o evento realizado nesta semana, em Porto Alegre (RS), que reúne milhares de gestores, profissionais, pesquisadores e representantes de instituições de saúde de todo o país para compartilhar experiências exitosas desenvolvidas no Sistema Único de Saúde (SUS).

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

A iniciativa foi desenvolvida pela cirurgiã-dentista Tahine Viana, integrante da Equipe Multidisciplinar de Saúde Indígena (EMSI) do Polo Base de Manoel Urbano, no interior do Acre, responsável pelo atendimento ao povo indígena Kulina/Madjá.

O projeto destaca estratégias de promoção da saúde bucal construídas de forma culturalmente sensível, respeitando os costumes, os conhecimentos tradicionais e o modo de vida das comunidades indígenas atendidas.

As ações envolvem prevenção, educação em saúde e fortalecimento do cuidado integral, buscando ampliar o acesso à informação e melhorar a qualidade de vida da população.

Para a profissional, o reconhecimento reforça a importância de desenvolver pesquisas voltadas às especificidades da saúde indígena e de conciliar inovação com respeito às tradições dos povos originários

“Esse trabalho representa a importância de desenvolver pesquisas voltadas para a realidade da saúde indígena, sempre respeitando a cultura, os saberes tradicionais e as particularidades de cada povo. Acredito que a tecnologia, quando utilizada de forma ética e responsável, pode ser uma grande aliada na promoção da saúde e na ampliação do acesso à informação”, afirmou.

Leia também: Região Norte lidera a busca por procedimentos estéticos bucais, aponta pesquisa

Experiência de saúde bucal com indígenas do Acre é premiada em congresso de saúde pública nacional
Foto: Tahine Viana/Acervo pessoal

Troca de experiências do Acre

Além de reconhecer a experiência acreana, a premiação destacou o trabalho realizado pelas equipes de saúde indígena que atuam em regiões de difícil acesso, enfrentando desafios logísticos para garantir atendimento às comunidades.

A cirurgiã-dentista também destacou a oportunidade de apresentar a realidade vivida pelas equipes que atuam em territórios indígenas durante o congresso.

“Participar desse congresso foi uma experiência muito enriquecedora, pela oportunidade de compartilhar conhecimentos e aprender com profissionais de diferentes regiões do país e mostrar um pouco da nossa realidade vivenciada no nosso território. Espero que esse trabalho incentive novas iniciativas e fortaleça ainda mais as ações de promoção da saúde voltadas às comunidades indígenas”, completou.

*Por Renato Menezes, da Rede Amazônica AC

Verão amazônico aumenta risco de acne solar, alerta dermatologista

0

Verão amazônico aumenta riscos para a saúde da pele. O uso diário de protetor solar é essencial, alerta especialista. Foto: Jesiel Braga/PMM

Com a chegada do verão amazônico, o Amapá enfrenta mais riscos para a saúde da pele. Especialistas reforçam a importância da hidratação e da proteção contra o sol. O uso diário de protetor solar é essencial. Ele ajuda a evitar queimaduras e reduz o risco de doenças graves, como o câncer de pele.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

A dermatologista Simone Sá alerta que o sol forte exige atenção. As altas temperaturas favorecem o surgimento de problemas de pele. Entre os problemas mais comuns está a acne solar. O tratamento é prescrito por um profissional e deve começar logo nos primeiros sinais para evitar complicações.

“A acne pode ser classificada em quatro graus. O primeiro aparece como pequenas bolinhas, geralmente na região T do rosto (testa, nariz e queixo). O segundo grau são bolinhas vermelhas com um pouco de líquido branco dentro. O terceiro corresponde às chamadas espinhas carnais, que são lesões maiores, doloridas e nodulares. Já o quarto grau reúne essas espinhas carnais em lesões confluentes na pele do paciente”, explica Simone.

A principal causa da acne solar é a exposição prolongada ao sol, que aumenta a produção de sebo e inflamação. Fatores genéticos e hormonais também influenciam.

“O clima do Amapá favorece o aparecimento da acne. Em ambientes úmidos e quentes, como os nossos, o calor faz com que as glândulas sebáceas produzam mais sebo. Isso aumenta a oleosidade da pele e facilita o surgimento das lesões”, afirma a dermatologista.

Dicas de prevenção:

  1. Use protetor solar todos os dias, mesmo com tempo nublado. Reaplique a cada duas horas ou após nadar e suar. Prefira produtos oil-free.
  2. Evite o sol direto entre 10h e 16h. Procure sombra e use chapéu, roupas leves e óculos escuros.
  3. Mantenha a pele limpa. Lave o rosto duas vezes ao dia com sabonete suave. Não esfregue com força.
  4. Evite cosméticos e hidratantes com óleo, que podem obstruir os poros.

Leia também: Verão amazônico: 11 dicas para fugir do calor da Amazônia

Cuidados na rede pública de saúde

O Centro de Referência em Doenças Tropicais (CRDT) passou a oferecer, há dois meses, pequenas cirurgias para remover lesões de câncer de pele. O objetivo é acelerar o diagnóstico e encaminhar os pacientes para atendimento especializado.

Os procedimentos retiram sinais ou feridas em fase inicial, que podem evoluir para casos mais graves. As cirurgias são realizadas por um dermatologista do CRDT, após encaminhamento feito por clínico geral da Unidade Básica de Saúde (UBS).

A orientação é que a população fique atenta a sinais como feridas que não cicatrizam ou lesões que sangram com facilidade.

Verão amazônico aumenta risco de acne solar, alerta dermatologista
Foto: Rodrigo Abreu/Sesa

Como realizar o agendamento

Para agendar, o paciente deve passar por consulta na UBS e solicitar encaminhamento. Depois, deve ir a uma unidade do Super Fácil para marcar a consulta.

O agendamento é feito pela rede Super Fácil, que informa ao paciente o dia do atendimento no CRDT.

O CRDT atende de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, na Rua Professor Tostes, nº 2212, em Macapá. As triagens dermatológicas acontecem de segunda a quinta-feira.

*Por Mariana Ferreira e Crystofher Andrade, da Rede Amazônica AP

O que fazer no Parque Anauá, em Boa Vista?

0

Parque Anauá. Foto: Gildo Júnior/ Bora de Trip

Os finais de semana em Boa Vista tem um local pronto para a diversão em família e amigos, que desejam realizar um simples piquenique a até aulas de parapente. Neste final de semana convidamos você, família e amigos para participar de um momento de diversão num dos maiores parques públicos de lazer, o nosso Parque Anauá.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Nossa linda Capital Boa Vista, com belas praças, vários locais para visitar, passear, passar uma tarde com amigos e família.

Praça das Águas, praça da Bandeira, praça do São Francisco, praça Germano Augusto Sampaio, Orla Taumanã, Centro Histórico, praça do Ayrton Senna, praça Fábio Paracaty, entre muitos outros pontos de Boa Vista, escolhemos um dos que mais tem sido visitado nos finais de semana, o Parque Anauá, o maior parque de lazer da região norte.

imagem colorida mostra por do sol no Parque Anauá
Foto: Gildo Júnior/ Bora de Trip

A cada final de semana o parque tem recebido um grande número de visitantes, famílias, amigos, colegas de trabalho, membros de igrejas, seja para uma simples confraternização ou para comemorar um aniversário, há também aqueles que levam suas redes para descansar sobre a sobra das árvores e os que vão apenas para curtir o local.

Algumas das atividades que tem sido o ponto alto do parque são os patins e o longboard, que podem ser alugados ali mesmo, tem também o skate, o sleakline, treino de rúgbi, aulas de parapente, brincadeiras com pipas, corridas, pedaladas de bike e bicicross.

Adolescentes em longboards, modalidade de skate, no Parque Anauá. Foto: Gildo Júnior/ Bora de Trip

Além dessas atividades, vemos reuniões, passeios em família, vôlei, piquenique, passeio com animais, cultos ao ar livre, alguns que banham no lago, outros que amam fotografar e vão para aproveitar as belezas e o movimento que tem tido o parque.

Leia também: #Série – Atividades ao ar livre: 5 lugares para fazer atividade física em Boa Vista

Parque Anauá tem em suas dependências um museu, uma galeria de artes, um anfiteatro, uma pista de kart, o forródromo, o lago dos Americanos, um parque aquático, uma pista de aeromodelismo, pista de speedway, o estádio poliesportivo Totozão, uma praça com fontes, escola de música, restaurantes, lanchonetes, o píer sobre o lago dos Americanos, horto municipal, e toda sua área verde ao redor do lago usado pelos visitantes para se confraternizar e brincar.

Ah, vale ressaltar que algumas destas áreas precisam ser consultadas antes sobre seu funcionamento.

O que fazer no Parque Anauá

Pedidos de Casamento

Imagem colorida mostra pedido de casamento no Parque Anauá
O professor Rony Mesquita pediu Camila em casamento no Parque Anauá. Foto: Cedida pelo Casal a Gildo Júnior

Isso mesmo, o parque Anauá já foi palco inúmeras vezes de pedidos de casamentos e casamentos, aí está a prova de um, do qual eu fui padrinho. Alex, pedindo a sua amada Camila em casamento, dentro da área do Parque. Os padrinhos bolaram a ideia, o noivo topou e a noiva caiu direitinho. Pela cena já dá pra ver a reação

Ensaios fotográficos

Parque Anauá é um dos points dentro de Boa Vista, mais utilizados para ensaios fotográficos, por ter vários ambientes para serem utilizados pela fotografia, que vai desde a áreas cobertas com bambuzais, área com um tapete enorme de grama, a cercas, prainhas. 

Imagem em preto e branco e colorida mostra ensaio de casal em gravidez no Parque Anauá
Foto: AG Fotografia cedida a Gildo Júnior

Ah, há também um corredor de árvores que levam a um anfiteatro, alguns bancos bem posicionados, uma fonte linda, um lindo pier e um pôr do sol de encantar o olhar, entre muitas outras áreas a serem exploradas dentro do parque.

Imagem colorida mostra jornalista pousando pra foto em casa de madeira no Parque Anauá
Ensaio com a jornalista Sheneville Araújo. Foto: Gildo Júnior/ Bora de Trip

Piquenique

Sabe quando a turma quer se encontrar, colocar o papo em dia, curtir um ambiente agradável e amplo, celebrar aniversários e/ou até mesmo, só passear, pois é, ali é o lugar. Como tem uma área gigante com grama basta levar a toalha quadriculada, ou de qualquer outra cor, jogar no chão, colocar os comes e bebes, sentar ao redor e curtir.

Foto: Gildo Júnior/ Bora de Trip

Pipa ou Papagaio?

Por ser uma área grande, aberta, que venta muito, e livre de trânsito veloz, o Parque tem também uma grande aceitação dos empinadores de pipa/papagaio, que, além de irem empinar todos os finais de semana, anualmente participam do Festival de Pipas, que já virou tradição em nosso Estado. Eae, você já empinou pipa também pelo parque Anauá?

Foto: Gildo Júnior/ Bora de Trip

Esporte e Diversão

Se você é apaixonado por esportes e/diversão, ali é o lugar. Tem pistas de skate, área para correr, para a prática de corrida de orientação, tem pista de cart e de patins, para andar de bike ou até mesmo de MTB, longboard e de parapente, aeromodelismo, motocross, speedway, entre outras atividades.

Foto: Gildo Júnior/ Bora de Trip

O que levar?

Boné, roupas leves, sandália ou tênis, água para se reidratar, frutas, e não esqueça de levar seu celular ou câmera fotográfica para registrar os momentos com sua turma.

E você, já foi no Parque Anauá?

Eae, você já foi no Parque Anauá? Se sim, deixa aí nos comentários como foi a sua visita, e se eu esqueci de colocar algo, manda nos comentários também que já aproveito para acrescentar! Ah, se fez foto, ou pediu alguém em casamento, e até mesmo fez algum registro de foto ou vídeo lá, manda nos comentários para nossa turma curtir seu material também!

Leia também: De paraquedas na Amazônia: “um passeio panorâmico incrível”

Sobre o autor

Gildo Júnior é fotógrafo, videomaker, aventureiro e colecionador de roteiros no Bora de Trip e colunista no Portal Amazônia. Para o servidor público federal, “o mundo é imenso, repleto de lugares para conhecer, de coisas para fazer, de culturas para admirar, comidas para provar e pessoas para conhecer”.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Homens pardos, de baixa escolaridade e em áreas rurais são as principais vítimas de acidentes com cobras no Brasil

0

Homens são as maiores vítimas de acidentes com cobras em áreas rurais. Foto: Reprodução/Instituto Butantan

Homens concentram mais de 77% dos acidentes com jararacas, cascavéis, corais e surucucus registrados no Brasil entre 2010 e 2022. O perfil de maior risco também inclui adultos, pardos, moradores de áreas rurais e pessoas com menor escolaridade. É o que mostra um estudo realizado em parceria entre o Ministério da Saúde, a Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo (SES-SP), a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e o Instituto Butantan e publicado no dia 17 de julho na Revista do SUS (RESS). As conclusões podem orientar ações de prevenção, educação e a alocação de recursos em saúde.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

A equipe examinou mais de 329 mil registros feitos ao longo de 13 anos no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), plataforma do Sistema Único de Saúde (SUS) que reúne informações sobre doenças de notificação compulsória.

Homens são maioria das vítimas

A partir desse conjunto, compilou e analisou dados sobre as vítimas – como idade, raça e escolaridade -, sobre as espécies envolvidas, a distribuição geográfica dos casos e fatores relacionados ao atendimento e aos desfechos, incluindo óbitos.

A maioria dos acidentes ocorreu com homens (77,8%), pardos (58,4%), entre 20 e 59 anos (76,3%), com menor escolaridade (48,0%) e residentes de áreas rurais (63,9%). “O perfil das vítimas sugere que os acidentes com cobras estão associados à exposição ocupacional e a desigualdades sociais”, afirma Gisele Dias de Freitas, pesquisadora da SES-SP e autora do estudo.

Além dos homens serem os mais atingidos, investigação também evidenciou desigualdades regionais, com maior concentração de casos e maior mortalidade no Norte e no Centro-Oeste. Além disso, os registros variaram ao longo do ano, com aumento nos meses mais chuvosos.

Os acidentes com jararacas, cascavéis, corais e surucucus resultaram em 1.514 óbitos, sendo a maioria (74,2%) associada às jararacas e a maior taxa de letalidade anual, às cascavéis (0,1%). Para Freitas, o atraso no atendimento está entre os principais fatores por trás dessas mortes.

“Em regiões remotas, as grandes distâncias, a dependência de transporte fluvial ou terrestre e a limitada disponibilidade de serviços especializados dificultam o acesso rápido à soroterapia”, afirma.

Leia também: Serpentes lideram acidentes com animais peçonhentos no Amazonas em 2025; saiba como prevenir

homens e mulheres ribeirinhos
Homens também sofrem com os acidentes principalmente pela falta de acesso rápido à hospitais. Foto: Alexandre de Moraes

A autora ressalta ainda a influência de fatores culturais e comportamentais, como a busca inicial por tratamentos caseiros ou tradicionais e, em alguns casos, a subestimação da gravidade do acidente.

Mais de 65% das vítimas picadas por jararacas, cascavéis e corais receberam atendimento em até três horas – dentro do intervalo recomendado de até seis horas para reduzir o risco de complicações.

Nos casos envolvendo surucucus, o percentual foi menor: apenas 44,1% foram atendidas no tempo ideal, enquanto 35,4% receberam assistência entre três e 12 horas. “Coincidentemente, esses acidentes ocorrem em regiões mais remotas e de difícil acesso aos serviços de saúde”, ressalta a pesquisadora.

O Brasil ocupa o terceiro lugar mundial em número de acidentes com cobras, ao lado do Vietnã e atrás apenas da Índia e do Sri Lanka. Desde 2019, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou a estratégia global contra o ofidismo, o país segue em busca do objetivo estabelecido pela entidade de reduzir em 50% as mortes e incapacidades causadas por eles até 2030.

Segundo Freitas, é possível avançar significativamente nesse objetivo, sobretudo por conta da rede de vigilância consolidada, do sistema público com soros antivenenos gratuitos e do sistema de notificações que cobre o território nacional. Ainda assim, os desafios permanecem.

“O principal é garantir que o paciente receba atendimento e soroterapia adequados no menor tempo possível, especialmente em áreas rurais e remotas”, afirma.

A autora argumenta que, para isso, o investimento em acesso, educação e pesquisas deve ser contínuo, reforçando que a equipe segue avançando na produção de conhecimentos sobre o tema.

“O objetivo é produzir evidências que apoiem a tomada de decisão dos gestores e contribuam para políticas públicas mais eficientes, especialmente para as populações mais vulneráveis e expostas ao risco”, conclui.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori

Decreto atualiza benefícios fiscais para empresas do Polo Industrial de Manaus; créditos chegam a 100%

0

Decreto atualiza benefícios fiscais para empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM). Foto: Divulgação

O Governo do Amazonas atualizou incentivos fiscais relacionados ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM). As medidas foram publicadas no Diário Oficial do Estado (DOE) de 10 de julho e envolvem benefícios com percentuais que variam de 55% a 100%.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Segundo a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), a publicação não representa a criação de novos incentivos, mas a adequação de benefícios já existentes às regras da legislação estadual atualmente em vigor. Os atos alcançam empresas dos setores de bebidas, eletroeletrônicos, climatização, construção civil, embalagens, iluminação, alimentos e transformação de plásticos.

Os incentivos foram atualizados por meio de decretos assinados pelo governador Roberto Cidade (União Brasil) e têm validade até 31 de dezembro de 2032. De acordo com a Sedecti, os produtos incentivados precisaram migrar para o Decreto nº 47.727, de 5 de julho de 2023, que regulamenta a Política de Incentivos Fiscais e Extrafiscais do Amazonas.

Leia também: Conheça as curiosidades do Pólo Industrial de Manaus

Decreto atualiza benefícios fiscais para empresas do Polo Industrial de Manaus
Decreto atualiza benefícios fiscais para empresas do Polo Industrial de Manaus. Foto: Josney Benevuto/Rede Amazônica

A secretaria informou que o Decreto nº 54.652, publicado em 10 de julho, atualizou o enquadramento de diversos produtos que ainda não haviam sido adequados às regras da legislação vigente, garantindo a manutenção da validade dos benefícios.

Segundo a pasta, o trabalho de revisão continua sendo realizado para identificar e corrigir eventuais desatualizações nos incentivos concedidos pelo estado. As empresas beneficiadas deverão cumprir os projetos técnicos aprovados pelo Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas (Codam) e obter laudo técnico emitido pela Sedecti para usufruir dos benefícios.

Leia também: Com faturamento de R$ 99,6 bi, Polo Industrial de Manaus se destaca nos cinco primeiros meses de 2026

O que é o ICMS

O ICMS é um imposto estadual cobrado sobre a circulação de mercadorias e a prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação. Ele incide sobre a maior parte dos produtos comercializados no país e representa uma das principais fontes de arrecadação dos estados.

No Amazonas, a política de incentivos fiscais é utilizada para estimular a instalação e a expansão de indústrias no Polo Industrial de Manaus. Na prática, o crédito-estímulo reduz o valor do imposto devido pelas empresas, diminuindo custos de produção e aumentando a competitividade dos produtos fabricados no estado.

Decreto atualiza benefícios fiscais para empresas do Polo Industrial de Manaus. Foto: Suframa/Divulgação

Leia também: Polo Industrial de Manaus fatura R$ 37 bilhões no primeiro bimestre de 2026

Os decretos publicados pelo governo estadual atualizam enquadramentos fiscais de empresas de diferentes segmentos industriais instaladas no Polo Industrial de Manaus. Os percentuais de crédito-estímulo variam de 55% a 100%, conforme o tipo de produto e as regras previstas na legislação estadual.

Confira abaixo as empresas contempladas, os produtos enquadrados e os respectivos percentuais de incentivo:

Empresas e percentuais concedidos

EmpresaProdutoCrédito de ICMS
Comercial Pra Café LtdaComposto de resina de polietileno ou polipropileno90,25%
MK BR S.ACaixa acústica para reprodução de áudio digital sem fio55%
Samsung Eletrônica da AmazôniaUnidade condensadora para ar-condicionado split100%
Ball Beverage Can South AmericaResíduos metálicos recicláveis não ferrosos90,25%
Ball Beverage Can South AmericaTampa básica para embalagens90,25%
J Toledo da AmazôniaMotocicletas de 100 cm³ a 450 cm³55%
A Alves de Sousa Indústria e Comércio de MotosMassa plástica55%
Cal-CompSwitch (distribuidor de conexões para rede)100%
Pinheiro & RodriguesGelo em escama75%
Pinheiro & RodriguesPicadinho de peixe congelado100%
Pinheiro & RodriguesHambúrguer de peixe100%
Pinheiro & RodriguesFilé de peixe100%
Pinheiro & RodriguesPeixe eviscerado100%
W da Amazônia Indústria e Comércio de Papéis e FilmesFita plástica para impressão de dados de identificação90,25%
TodaytecPapel para impressão e processos gráficos55%
Norpolim Nordeste PolímerosTampa plástica para embalagem55%
Norpolim Nordeste PolímerosArtigos plásticos para transporte e embalagem55%
Elgin Industrial da AmazôniaUnidade evaporadora para ar-condicionado split100%
Synergy Indústria de Áudio da AmazôniaCaixa acústica55%
Fonte: Diário oficial do Governo do Amazonas

Decretos também atualizaram benefícios de outras empresas

Além do Decreto nº 54.652, que atualizou o enquadramento de 19 produtos, o governo estadual publicou decretos específicos relacionados a outras indústrias instaladas no Amazonas, adequando os benefícios às regras da legislação vigente.

Entre elas está a Ambev S.A., que teve atualizado o enquadramento com crédito-estímulo de 55% para a fabricação de refrigerantes à base de guaraná e de outros sabores. A IE Legacy Partners Brasil Indústria e Comércio foi contemplada com incentivo de 55% para a produção de luminárias com fonte de luz em estado sólido.

Decreto atualiza benefícios fiscais para empresas do Polo Industrial de Manaus. Foto: Divulgação

A KTZ Modular teve atualizado o enquadramento para a fabricação de contêineres e módulos habitacionais, com crédito-estímulo de 55%. Já a KTZ Construções e Estruturas foi contemplada com crédito de 55% para estruturas metálicas e artefatos de cimento destinados à construção civil, percentual que pode chegar a 75% quando os produtos forem comercializados diretamente para empresas do setor.

Outro destaque é a Amazon Green Indústria Comércio e Embalagens de Madeira, que recebeu enquadramento com crédito-estímulo de 90,25% para a fabricação de pallets de madeira. A empresa também obteve diferimento do ICMS, mecanismo que adia o recolhimento do imposto em determinadas operações.

Os atos publicados ainda contemplam a Mystic da Amazônia Indústria de Eletroeletrônicos, com benefício voltado à fabricação de fogões por indução.

*Com informações da Rede Amazônica AM

Projetos buscam fortalecimento de Programa Nacional de Alimentação Escolar no Mato Grosso

0

Projetos propõem mudanças. Foto: Reprodução/ICV

Na alimentação da Escola Estadual Leonardo Crixi Apiaká, na Terra Indígena Apiaká Kayabi, em Mato Grosso, um dos pratos preferidos pelos alunos é o peixe fresco ensopado. Na região, há fartura e diversidade de peixes, mas para que esse produto da cultura alimentar indígena chegasse à escola, foi necessária uma longa negociação.

O diretor da escola, Edilson Crixi Morimá, conta que uma das exigências feitas pelo poder público era que a escola aceitasse apenas uma variedade de peixe e, ainda, que o produto fosse entregue como filé. Após muita conversa para promover o reconhecimento da diversidade e da cultura local, o alimento passou a ser aceito nos pratos dos alunos tal e qual já era consumido na comunidade: de várias espécies e formas de consumo.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Esse é apenas um exemplo das barreiras que os alimentos tradicionais enfrentam para chegar às escolas, evidenciando a necessidade de adequação das políticas públicas de aquisição de alimentos – como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) – à realidade dos territórios.

A superação de barreiras de acesso ao PNAE foi debatida em reunião da Comissão de Alimentos Tradicionais dos Povos (Catrapovos) de Mato Grosso, em Cuiabá (MT), nos dias 29 e 30/6. No encontro, estavam presentes lideranças indígenas, quilombolas, retireiros, ribeirinhos, extrativistas, organizações da sociedade civil e entes públicos.

De acordo com Paulo César Júnior, analista socioambiental do ICV, os espaços de escuta ativa, como os promovidos pela reunião em Cuiabá, são essenciais para promover a visão sobre alimentação tradicional nos territórios.

“A escuta ativa realizada na Catrapovos alimenta diretamente nossos eixos de atuação, em especial o fortalecimento da governança e controle social. É a partir dessa realidade relatada pelas comunidades que o Terra Nutre direcionará suas ações”, explica.

Ele complementa que a compreensão aprofundada da execução do PNAE no Mato Grosso também contribui para as ações do Terra Nutre, que abrange 16 municípios e diversas realidades de produtores e escolas.

Avanços e entraves

No encontro, a Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT) apresentou um avanço institucional expressivo – saltando de 7 para 22 projetos de chamadas públicas do PNAE específicas para os povos e comunidades tradicionais. Mas o acesso ainda precisa ser ampliado para comunidades indígenas, quilombolas, pantaneiras e de Reservas Extrativistas (Resex).

Um dos principais entraves debatidos foi a emissão de notas fiscais. Atualmente, a ausência de códigos específicos na Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz-MT) para produtos da sociobiodiversidade – como a castanha de pequi, o mangarito e o mingau de perereba – faz com que os produtores enquadrarem seus alimentos de maneira uniformizada, o que acaba invisibilizando a diversidade das roças tradicionais.

Sisan 20 anos: cerca de 3,6 milhões de pessoas saíram da situação de fome na Região Norte entre 2022 e 2024 - projetos
Foto: Cláudio Veríssimo/MDS

A burocracia acaba gerando distorções nas escolas: há relatos de instituições de ensino nos territórios que recebem itens ultraprocessados e congelados vindos das cidades, como macarrão com salsicha e suco de caixinha, enquanto os estudantes demandam a comida de sua própria cultura, como peixe local, farinha de mandioca, frango caipira, açaí e cará.

Conforme a antropóloga do ISA Luisa Tui, a complexidade das normas ainda dificulta que a produção local chegue à mesa dos estudantes. “Nosso papel como integrantes da comissão é estruturar planos de trabalho e oficinas, apoiando o poder público e as escolas da região na superação desses desafios”, disse.

Leia também: Alimentação ‘industrializada’ ameaça saúde de ribeirinhos na Amazônia, aponta pesquisa

Para enfrentar o nó tributário, os integrantes da Catrapovos deliberaram pela manutenção do Grupo de Trabalho (GT) sobre nota fiscal e aprovou a realização de uma reunião entre as secretarias de Fazenda de Mato Grosso e do Amazonas, mediada pelo MPF. O objetivo é replicar em Mato Grosso o modelo pioneiro do Amazonas, que criou uma aba específica em seu sistema fiscal para produtos tradicionais.

Além disso, o encontro encaminhou que um novo projeto piloto do PNAE será desenvolvido na Resex Guariba-Roosevelt, aproveitando o potencial da cadeia da castanha. Estão em planejamento oficinas de capacitação sobre regras de emissão de notas fiscais e inscrição estadual para as organizações comunitárias no segundo semestre. Com essas medidas, a expectativa é de mais diversidade, cultura e saúde nos pratos dos alunos.

Presente na reunião em Cuiabá, o diretor Edilson Crixi Morimá relatou que, após muita mobilização, a Escola Estadual Leonardo Crixi Apiaká conta hoje com uma alimentação escolar composta 90% por produtos da própria comunidade. O objetivo, conforme ele, é que esse índice chegue a 100%. No cardápio estão mandioca, farinhas, açaí, patauá e uma grande variedade de peixes!

Também estiveram na reunião representantes da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), Instituto Comida e Cultura (ICC), Centro de Tecnologia Alternativa (CTA), Associação Indígena Tapayuna (AIT), Conexus, Instituto Krehawa, Associação Indígena Khisêtjê (AIK), Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Associação dos Retireiros do Araguaia, Acorquirim Quilombola, Associação Terra Indígena Xingu (Atix), Fase, Xaraiés e as associações dos moradores agroextrativistas da Resex Guariba-Roosevelt (AMORARR e AMARR).

Resolução do FNDE

Membro da Catrapovos Brasil e assessor do Observatório das Economias da Sociobiodiversiade (ÓSocioBio), Márcio Menezes participou do encontro e compartilhou informações sobre a resolução nº 11/2026 do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), publicada em 24/6, que orienta a realização de chamada pública específica para povos indígenas, quilombolas e povos e comunidades tradicionais em todos os municípios do país.

Com a resolução, a participação dos povos tradicionais no PNAE ganha novo impulso, ampliando as possibilidades de inclusão de alimentos produzidos, coletados, beneficiados e conservados de acordo com os sistemas alimentares tradicionais. Na prática, isso significa mais alimentos locais, mais diversidade no cardápio escolar e maior valorização dos saberes, culturas e modos de vida dos PCTs. “Pela primeira vez, o FNDE regulamenta nacionalmente uma experiência que já vinha sendo construída nos territórios por PCTs”, informou.

*Com informações do ICV

MPF aciona Justiça e pede reforço no efetivo da Polícia Federal em Tabatinga, no Amazonas

0

Base da Polícia Federal em Tabatinga, no interior do Amazonas. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM

O Ministério Público Federal (MPF) acionou a Justiça Federal e pediu medidas urgentes para reforçar o efetivo da Delegacia da Polícia Federal em Tabatinga, no Amazonas. Segundo o órgão, a unidade, localizada na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, enfrenta falta de servidores, acúmulo de investigações e risco de paralisação de serviços essenciais.

A ação foi apresentada contra a União e solicita a recomposição emergencial do quadro de funcionários da delegacia. De acordo com o MPF, o número de delegados na unidade caiu de cinco, em 2023, para apenas dois em 2026.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O órgão afirma que a redução de pessoal provocou sobrecarga de trabalho. O número de inquéritos em andamento passou de 95, em 2024, para 141 em março de 2026. Com isso, a média de procedimentos sob responsabilidade de cada delegado aumentou de 19 para mais de 70.

Unidade sem efetivo

De acordo com MPF, número de delegados na unidade da PF em Tabatinga caiu de cinco, em 2023, para apenas dois em 2026. Foto: Reprodução/PF

Segundo o MPF, a falta de servidores também atinge outras funções da delegacia, como escrivães e agentes. A situação tem causado atrasos e interrupções em investigações consideradas importantes.

Entre os casos afetados pela sobrecarga está um inquérito que apura o desaparecimento de crianças indígenas que teriam sido levadas para o exterior.

Na ação, o Ministério Público também questiona a distribuição de efetivo da Polícia Federal. O órgão destaca que, em junho de 2026, foram anunciadas novas delegacias nos municípios de Tefé e Humaitá, no Amazonas, e em Itaituba, no Pará, com a utilização de servidores recém-formados.

Para o MPF, a ampliação da presença da Polícia Federal na região é importante, mas não deve comprometer o funcionamento de unidades já existentes e consideradas estratégicas, como a de Tabatinga, por estar localizada em uma área de fronteira.

Leia também: MPF recomenda criação de plano de ação conjunta para atendimento a migrantes e refugiados em Manaus

Pedidos do MPF

Fachada MPF do Amazonas
Fachada do Ministério Público Federal no Amazonas. Foto: Divulgação/MPF-AM

Entre os pedidos apresentados à Justiça, o MPF solicita que a União apresente, em até 15 dias, um diagnóstico detalhado sobre a situação atual da Delegacia da Polícia Federal em Tabatinga, incluindo o número de servidores em atividade.

O órgão também pede que o efetivo mínimo de cinco delegados seja restabelecido provisoriamente no prazo de até 30 dias.

Além disso, requer a adoção de medidas emergenciais para garantir o funcionamento dos serviços de cartório e dar andamento aos inquéritos que estejam parados há mais de 60 dias. Em caso de descumprimento, o MPF pede a aplicação de multa diária de R$ 5 mil.

Por fim, a ação solicita que a União elabore e execute, em até 180 dias, um plano definitivo para dimensionar o efetivo necessário e assegurar o funcionamento adequado da delegacia na tríplice fronteira.

*Com informações da Rede Amazônica AM

Estudo de novas variedades de cacau no Peru determinará sua resistência ao clima e às pragas

Foto: Reprodução/Agência Andina – Editora Perú

Com a descoberta de quatro novas variedades de cacau, com características genéticas que denotam uma origem puramente peruana, agora existem 14 variedades locais devidamente identificadas, afirmou Danilo Bustamante, pesquisador da Universidade Nacional Toribio Rodríguez de Mendoza, no Amazonas.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Em entrevista à Agência Andina de Notícias, o pesquisador, que promoveu o estudo mencionado, indicou que a identificação dessas novas variedades permitirá o reconhecimento de características que ajudarão a determinar seu nível de adaptação. 

Nesse sentido, conhecer em detalhes essas novas linhagens genéticas permitirá que os círculos acadêmicos determinem com mais precisão a capacidade de cada uma delas de lidar melhor com fatores como seca ou radiação solar. 

Da mesma forma, essa identificação permitirá a definição de características físicas e químicas, como as relacionadas ao sabor, aroma, cor e textura do fruto do cacau, variáveis ​​úteis para a produção de chocolate, por exemplo.

Saiba mais: Descoberta na Amazônia peruana: pesquisa revela quatro novos grupos genéticos de cacau

Estudo de novas variedades de Cacau determinará sua resistência ao clima e às pragas
Foto: Reprodução/Agência Andina – Editora Perú

Os resultados desta pesquisa foram publicados esta semana na revista acadêmica indexada PLOS ONE. A pesquisa começou em 2018, quando Bustamante iniciou a investigação das características genéticas do cacau produzido na região amazônica. Três anos depois, um artigo fruto dessa preocupação relatou a possibilidade preliminar de identificar novas variedades genéticas. 

“O que fizemos em seguida foi coletar amostras em diferentes províncias produtoras de cacau”, diz ele, referindo-se ao trabalho realizado não apenas no Amazonas, mas também em San Martín, Cajamarca, Ayacucho, Cusco e Piura. 

Quatro variedades, quatro regiões

O resultado desse trabalho foi a coleta de mais de 390 amostras que nos permitiram confirmar o que já havia sido anunciado: a existência de quatro novas linhagens genéticas peruanas, localizadas na região do Amazonas e no norte do país.

Especificamente, essas variedades correspondem aos departamentos de Amazonas, Piura, Cusco e Ayacucho, explicou Bustamante.

“Foram feitas comparações genéticas e constatou-se que essas quatro novas linhagens de cacau são exclusivas dessas regiões”, acrescentou. 

Leia também: Dia do Chocolate: cacau amazônico apresenta potencial de retomar protagonismo 

Foto: Reprodução/Agência Andina – Editora Perú

“Conseguimos essa identificação por meio de análise molecular com marcadores genéticos derivados do sequenciamento de DNA das amostras coletadas”, afirmou ele. 

Isso foi comparado com as informações disponíveis no Banco Internacional de Genes do Cacau da Universidade das Índias Ocidentais em Trinidad e Tobago, confirmando a presença de “marcadores específicos que refletem a diversidade”, disse ele.

Leia também: Origem amazônica do cacau é comprovada por meio de DNA e revela forte rede de comércio pré-colombiana

A identificação dessas variantes envolveu atribuir um nome específico a cada uma delas.

Assim, o cacau do Amazonas recebeu o nome de cacau Awajún , em referência ao grupo étnico característico dessa região do país. O cacau de Piura é chamado de cacau Porcelana, enquanto os de Cusco e Ayacucho são Chuncho 1 e Chuncho 2, respectivamente, por virem da área correspondente ao vale dos rios Apurímac, Ene e Mantaro. 

Foto: Reprodução/Agência Andina – Editora Perú

“Agora sabemos que essas quatro novas variedades genéticas que encontramos estão presentes apenas no Peru, pois ainda não foram realizados estudos para confirmar se elas também estão presentes no Equador ou em outros países ”, disse o pesquisador.

Colheitas sob o efeito do El Niño

Bustamante destacou a importância de descobrir novos grupos genéticos de cacau para determinar sua resistência aos efeitos das mudanças climáticas ou fenômenos como o El Niño, e a pragas como o fungo da monilíase. 

Em relação a um evento importante ligado ao fenômeno El Niño, o pesquisador indicou que isso levaria ou a uma intensificação das chuvas nas plantações de cacau ou à ausência dessas chuvas e, portanto, de água para irrigá-las. 

“Isso resultaria em uma perda dos níveis de produção esperados para esta temporada e no consequente aumento do preço do cacau e dos chocolates produzidos com ele”, disse o pesquisador.

Foto: Reprodução/Agência Andina – Editora Perú

Em relação à continuidade do estudo, Bustamante indicou que, após a descoberta das novas variedades genéticas, o objetivo é obter o genoma completo delas.

“Com isso, poderemos identificar os genes que conferem a esse cacau suas características únicas de aroma e sabor”, explicou. 

Isso também pode ajudar a determinar por que cada variedade se adapta às mudanças climáticas ou é imune a certas doenças. Além disso, outros pesquisadores da Universidade Toribio Rodríguez de Mendoza estão conduzindo estudos para determinar a quantidade de metabólitos e antioxidantes presentes nessas variedades de cacau, observou o cientista.

*Com informações da Agência Andina

CUFA Amazonas promove seleção para capacitar representantes da primeira seguradora voltada às favelas

0

Foto: Divulgação/CUFA Amazonas

A Central Única das Favelas (CUFA) Amazonas está com inscrições abertas para selecionar novos representantes da FSeguros, iniciativa voltada à geração de renda, inclusão financeira e ampliação do acesso à proteção familiar nas comunidades.

Fruto da parceria entre a Favela Holding e a MAG Seguros, a Favela Seguros é a primeira seguradora criada com foco nas favelas brasileiras. Além de oferecer produtos acessíveis, o projeto também gera oportunidades de trabalho ao capacitar moradores para atuarem como representantes e corretores de seguros em seus próprios territórios.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Os selecionados terão formação gratuita, poderão trabalhar próximos de casa, construir uma nova profissão e gerar renda, ao mesmo tempo em que levam serviços de proteção para outras famílias da comunidade.

CUFA Amazonas promove seleção para capacitar representantes da primeira seguradora voltada às favelas
Foto: Divulgação/CUFA Amazonas

Leia também: Taça das Favelas: CUFA Amazonas define equipes classificadas

CUFA Amazonas incentiva proteção financeira

Entre as soluções oferecidas aos clientes estão seguro de vida, auxílio funeral e benefícios que garantem mais segurança financeira no dia a dia.

Os clientes ativos também participam de sorteios semanais de R$ 10 mil, pela Loteria Federal, contam com telemedicina 24 horas por dia, disponível por vídeo ou voz para o titular, cônjuge e filhos de até 21 anos, além de cartão alimentação de R$ 250 mensais durante um ano, destinado à família em caso de falecimento do titular do plano.

”O objetivo é ampliar o acesso à proteção financeira em comunidades que historicamente tiveram pouco acesso a esse tipo de serviço, ao mesmo tempo em que fortalece o empreendedorismo local e cria novas oportunidades de geração de renda”, destaca Alexey Ribeiro, presidente da CUFA Amazonas.

Os interessados em se tornar representantes da Favela Seguros podem realizar a inscrição pelo portal oficial da campanha AQUI.

*Com informações da assessoria