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Ópera em Rede retorna em 2025 com ações de inclusão cultural e ambiental

Ópera em Rede retorna em 2025. Foto: Esley Cavalcante/Secom AM

A Fundação Rede Amazônica (FRAM) realiza a segunda edição do Ópera em Rede, reafirmando seu compromisso com a democratização do acesso à música lírica e a valorização da cultura amazônica. O projeto é realizado em parceria com a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado do Amazonas e integra a 26ª edição do Festival Amazonas de Ópera.

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Ópera em Rede
Ópera em Rede retorna em 2025 com ações de inclusão cultural e ambiental. Fotos: Diego Oliveira/Portal Amazônia

“O Festival Amazonas de Ópera é esperado ansiosamente todos os anos por aqueles que amam esse gênero, mas, sobretudo, vem conquistando cada vez mais pessoas. A expectativa é sempre muito alta e eu arrisco dizer que esta edição será ainda mais grandiosa”, destacou Caio André, secretário de Cultura e Economia Criativa do Estado do Amazonas.

Com uma proposta ousada e inclusiva, o Ópera em Rede levará apresentações e ações educativas a estudantes da rede pública, idosos, moradores de periferias urbanas e comunidades ribeirinhas, aproximando a ópera de novos públicos por meio de caravanas culturais, performances em escolas e campanhas digitais interativas.

“O projeto apresenta uma iniciativa valiosa ao ampliar o alcance da ópera para comunidades mais distantes, proporcionando uma experiência imersiva e inclusiva para públicos que, muitas vezes, não têm acesso a esse tipo de expressão artística”, afirmou Mariane Cavalcante, diretora executiva da Fundação Rede Amazônica.

Leia também: Galeria: centenas de jovens em escola de Manaus se encantam com ação sobre ópera

Entre as principais ações do projeto estão:

Ópera em Rede
Ópera em Rede retorna em 2025 com ações de inclusão cultural e ambiental. Fotos: Diego Oliveira/Portal Amazônia

Desafio Ópera em Rede: De 28 de abril a 3 de maio, a Fundação promove um concurso de vídeos no qual a população é desafiada a interpretar trechos de óperas. Os vídeos devem ser enviados pela plataforma “Eu, Amazônia”, com o objetivo de engajar o público jovem. Os participantes concorrerão a prêmios simbólicos.

Ópera nas Escolas: Nos dias 6 e 7 de maio, a Fundação realizará pocket shows nas escolas de tempo integral Dra. Zilda Arns Neumann e CETI Áurea Pinheiro Braga, acompanhados de palestras educativas.

Minha Primeira Ópera: Nos dias 10 e 11 de maio, às 17h, a Fundação Rede Amazônica, em parceria com instituições locais, promoverá caravanas com crianças, adolescentes, jovens e idosos ao Teatro Amazonas, oferecendo a essas pessoas a oportunidade de vivenciar uma ópera pela primeira vez.

Ópera em Rede
Ópera em Rede retorna em 2025 com ações de inclusão cultural e ambiental. Fotos: Diego Oliveira/Portal Amazônia

Transmissão ao Vivo do FAO: Exibição de uma noite do festival pelo Amazon Sat, G1 Amazonas e plataformas digitais, com cobertura dos bastidores e entrevistas exclusivas.

Flashes ao Vivo na Rede Amazônica: Cobertura jornalística ao vivo das ações do projeto e entrevistas com artistas e técnicos no dia da transmissão, que acontecerá em 16 de maio, diretamente do Teatro Amazonas.

Programa Socioambiental: Plantio de mudas em comunidades da zona rural de Manaus, com monitoramento por geolocalização para acompanhar o desenvolvimento das árvores.

Ópera em Rede retorna em 2025 com ações de inclusão cultural e ambiental. Fotos: Diego Oliveira/Portal Amazônia

Campanha Cultura Transforma: Ação educativa que ressalta a cultura como uma importante ferramenta de inclusão social.

Ao unir arte, educação e responsabilidade socioambiental, o Ópera em Rede reforça o papel transformador da cultura na construção de uma sociedade mais justa, sensível e conectada às suas raízes. A iniciativa mostra que a ópera pode — e deve — ser acessível a todos, celebrando a diversidade amazônica e ampliando horizontes por meio da emoção e da beleza que só a música é capaz de proporcionar.

Ópera em Rede

O Ópera em Rede é um projeto que tem como objetivos democratizar o acesso à música lírica e a valorização da cultura amazônica, realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), com o apoio de: Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC-AM), Governo do Amazonas e Amazônica Net.

Catálogo online apresenta a presença indígena na formação do Brasil, do século 16 ao 19; veja

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Catálogo online apresenta a presença indígena na formação do Brasil. Imagem: Reprodução/Fundação Biblioteca Nacional

Projeto Resgate Barão de Rio Branco da Fundação Biblioteca Nacional lançou seu novo catálogo temático dedicado integralmente aos povos indígenas. A ferramenta permite acesso gratuito a milhares de documentos que registram a presença indígena na formação do Brasil, desde o século 16 ao 19.

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O conjunto de documentos traz uma variedade significativa de temas e cada registro flagra instantes da afirmação e da resistência desses povos, diz a Biblioteca Nacional.

A lista de resumos dos documentos do novo catálogo, separado por capitanias hereditárias, vai acompanhada de índices que são preciosas ferramentas para os pesquisadores. Eles podem buscar as fontes históricas do projeto Resgate por nome, por assunto, por local e por etnia.

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Catálogo online
Catálogo online apresenta a presença indígena na formação do Brasil. Imagem: reprodução/Fundação Biblioteca Nacional

O trabalho foi coordenado pela professora do Departamento de História da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e indígena da etnia Tarairiú, da Paraíba, Juciene Ricarte Cardoso, com a participação dos historiadores Josinaldo Sousa de Queiroz, Karina Fabiana da Silva e Letícia dos Santos Ferreira.

Juciene conta que no final da década de 1990, como pesquisadora do Projeto Resgate Barão do Rio Branco, ficou com mais de 20 pesquisadores brasileiros em Lisboa por um ano. Eles trouxeram para o Brasil mais de 200 mil verbetes e mais de 5 milhões de imagens documentais do Arquivo Histórico Ultramarino sobre a história colonial do país entre os séculos 16 ao 19.

A professora indígena destaca que, para se chegar ao catálogo atual, foi preciso revisitar os documentos trazidos de Portugal que contemplavam apenas a história dos povos indígenas. 

“Conseguimos criar um catálogo que permitisse o acesso gratuito a milhares de documentos que registram a presença indígena na formação do Brasil. Um conjunto documental que permite a democratização de vários temas sobre a temática indígena e flagra momentos de afirmação, de resistência desses povos”.

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Catálogo online
Arquivo histórico Ultramarino. Imagem: reprodução/Fundação Biblioteca Nacional

Para Juciene, esse material é importante para os pesquisadores indígenas que estão produzindo cada vez mais seus próprios livros sobre a história indígena do Brasil.

“Temos hoje mais de 1,6 milhão indivíduos indígenas, com mais de 300 povos e mais de 200 línguas indígenas que precisam acessar sua memória e sua história. Esses documentos colaboram com informações de sesmarias que proporcionam o enriquecimento dos laudos antropológicos para as titulações de terras indígenas”, disse.

A especialista ressalta que também é possível verificar nessa documentação que cai por terra a ideia de que só houve escravização negra no Brasil.

Além de um acervo de documentos e verbetes, os catálogo possui diversos vídeos com os pesquisadores debatendo sobre os estudos durante todo o decorrer do projeto:

“Toda a documentação mostra que do século 16 ao 19 houve a inserção da mão de obra indígena no mundo do trabalho brasileiro. Eles eram escravizados, mas com os outros nomes como administrados, catequizados”.

Juciene destaca ainda a resistência dos povos indígenas quando eles negavam toda forma de contato e de convivência que nem sempre era pacífica.

“Encontrei documentos em que lideranças kariri convenceram lideranças negras dentro dos engenhos de açúcar a juntos formarem os chamados mocambos, que eram formações de quilombo com homens e mulheres negras e indígenas”.

Segundo a professora, outro tema importante é que essa documentação deixa clara a importância das mulheres indígenas.

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Catálogo online
Arquivo histórico Ultramarino. Imagem: reprodução/Fundação Biblioteca Nacional

“Até mesmo hoje, a historiografia que trata da história dos povos indígenas do Brasil é muito pelo lado masculino onde as mulheres guerreiras não são colocadas em evidência. Essa documentação revela que as mulheres indígenas não eram passivas nesse processo histórico da formação do Brasil. Elas estavam também construindo espaços de lutas e resistências nos contatos inter-étnicos da América portuguesa”.

Para o professor titular do departamento de Antropologia do Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), João Pacheco de Oliveira, o catálogo da Fundação Biblioteca Nacional pode servir de base de teses de mestrado e doutorado nas áreas de história, antropologia e letras.

“E também para pesquisas das próprias comunidades indígenas porque são documentos que reafirmam direitos, lutas que eles realizaram, resistências que praticaram. É um material muito valioso”, disse o antropólogo.

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O Projeto Resgate

Projeto Resgate Barão do Rio Branco é um programa de cooperação arquivística internacional que tem por missão catalogar e reproduzir a documentação histórica manuscrita referente ao Brasil, do período anterior à Independência.

O projeto homenageia José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco, diplomata brasileiro que consolidou as fronteiras do país. O embrião da iniciativa surgiu já no século 19, graças à pesquisa pessoal de muitos diplomatas brasileiros.

Catálogo online
Arquivo histórico Ultramarino. Imagem: reprodução/Fundação Biblioteca Nacional

Grande parte do acervo luso-brasileiro foi disponibilizado digitalmente, entre 2002 e 2006, pelo Centro de Memória Digital da Universidade de Brasília (CMD/UnB), com apoio financeiro da Petrobras.

Desde 2015, os recursos para a manutenção e o incremento do Projeto Resgate Barão do Rio Branco advêm de um Projeto de Cooperação Técnica Internacional com a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), cuja direção está a cargo da presidência da Fundação Biblioteca Nacional.

Até o momento, foram feitos o levantamento e a reprodução de documentos existentes nos arquivos, bibliotecas, museus, centros e instituições culturais de Áustria, Espanha, Holanda, França, Bélgica, Reino Unido e Estados Unidos. Visite o acervo aqui: resgate.bn.br

*Com informações da Agência Brasil

A Manaus que Maria das Graças Mininéa Silveiro deixou para trás

Maria das Graças Mininéa Silveiro. Foto Abrahim BazeAcervo pessoal

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br

Não surpreende que a jovem Maria das Graças Mininéa Silveiro deixou muito para trás em busca de um sonho: estudar educação física. Era a década de cinquenta, porém, levou com ela a essência da cidade de Manaus e da família que ficou para trás, lembranças espalhadas nos sonhos que fizeram parte da sua história. Em todos esses fragmentos ninguém poderá conhecer sua cidade se ao partir não levar consigo suas lembranças.

Levou, sim, lembranças das rodas de conversas ao cair da tarde com vizinhos em frente suas casas, um cenário e um ritual de bons tempos que ficaram para trás.

O Rio de Janeiro nas décadas de quarenta e cinquenta era o destino de muitos amazonenses. A cada partida (e foram muitas) havia um sonho para um longo renascer. Por tudo isso, os contornos que a natureza premiou a cidade maravilhosa, também era inspiração. Os amazonenses por certo tinham uma estranha relação. Mas ela levou em sua memória os artífices dos paralelepípedos trazidos da Europa que revestiam as ruas de Manaus, os passeios de bonde, os domingos no Atlético Rio Negro Clube ou no Parque 10 de Novembro.

De família tradicional, cujo pai era Arthur Mininéa e a mãe Aida Augusta Mininéa com uma prole de nove filhos: Maria Adelaide Yunes, Alípio Mininéa Neto, Maria de Lourdes Mininéa, Sebastião Augusto Mininéa, Thereza Mininéa (esta também imigrou para o Rio de Janeiro), Raymundo Mininéa, Luiz Phelipe Mininéa, Maria Emília Gouvêa e Maria das Graças Mininéa Silveiro.

Aida Augusta Mininéa (mãe) e Arthur Mininéa (pai). Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Maria das Graças Mininéa Silveiro formou-se me Educação Física e deu continuidade no seu sonho tornando-se professora.

Se a arquitetura é o símbolo mais visível de uma sociedade, a fisionomia urbana de Manaus reflete bem o espírito da sociedade que aqui floresceu em fins de 1800 e início de 1900. Na verdade, a arquitetura de Manaus exprime uma atitude emocional e estética do apogeu do período do látex e da burguesia enriquecida pelo processo produtivo.

A cidade que despertou a admiração de tantos estrangeiros imigrantes ou visitantes, nas primeiras décadas de 1900, surgiu como por encantamento. Cidade de suaves colinas, Manaus desdobrava-se em vistas múltiplas para que a cruze nas avenidas e ruas de um lúcido urbanismo.

Plástica, Beleza e Técnica

A Ginástica Rítmica Desportiva surgiu a partir da ginástica natural no século XVIII e da Ginástica Dançada no século 20. Essas duas escolas e outras mais influenciaram no desenvolvimento da Ginástica Rítmica Desportiva em todo o mundo.

“… Em 1953, uma professora búlgara, mas austríaca por casamento, recém chegada da Áustria, chamada Ilona Peuker, introduziu o esporte no Brasil, veio para o Rio de Janeiro e começou a ensinar ginástica nas Faculdades de Educação Física. Formou o primeiro grupo de Ginástica Rítmica Desportiva com alunas da Universidade Federal do Rio de Janeiro na Urca e no Colégio Bennett, lembra Anita Peuker filha e ex-atleta.

Em 1957 o Brasil participou, pela primeira vez de uma competição no exterior, em Zagreb, Iugoslávia, representado pelo Grupo Unidos de Ginásticas, fundado pela professora Ilona Peuker. Na verdade, Gymnaestrada é uma demonstração de GRD. Mas, foi maravilhoso porque nosso país era totalmente desconhecido e, com sua beleza e seus movimentos leves e suaves, a mulher brasileira encantou a todos, conta Anita que também fazia parte do Grupo de Ginastas.

Sob o comando de Ilona Peuker, o Brasil participou de mais três Gymnaestrada: Viena em 61, Brasileia em 69 e Berlim em 75, sendo esta a ultima vez que Ilona dirigiu o Brasil.

A introdutora do GRD no país morreu em fevereiro de 1995, mas, deixou sua marca: primeiro com sua filha Anita e agora com as netas Tatiana e Vivian.

Equipe brasileira e sua técnica, professora Ilona Peuker. Zagreb, julho de 1957. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Recém chegada de Budapeste onde assistiu o Campeonato Mundial, Anita destaca as seleções da Bielorússia, Rússia, Ucrânia, Bulgária, Japão e China como as grandes forcas da GRD na atualidade e o Brasil.

A equipe representada pelo Londrina, do Paraná, teve uma boa participação e mostrou que desnível não é tão grande assim, o nosso maior problema continua sendo melhores condições de treinamento e infraestrutura . Temos boas técnicas e atletas, mas, alem de treinar, elas precisam estudar e às vezes trabalhar. É quase impossível uma dedicação ao esporte sem suporte finaliza Anita.

Revista Esporte por Esporte. Ano 1, N. 4. Junho de 1996. Página 18.

Um sobrevoo no percurso do curso da educação física no Amazonas

Marinho (1943) e Ramos (1982) apontam que no Brasil república começou com o destaque ao projeto de lei elaborado pelo médico amazonense Dr. Jorge de Morais, em 1905, que preocupado com a demanda de pessoal para atender a Educação Física nas escolas, propôs a criação de duas escolas de educação física no país, sendo uma militar e outra civil.

A defesa de Jorge de Moraes sobre a formação de professores baseava-se no fato de que houvesse como pré-requisitos imprescindíveis os ensinos de “anatomia, fisiologia, princípios gerais de higiene e história e evolução da Educação Física como conhecimentos de primeiro plano” (FIGUEIREDO, 2016, p. 32). Novamente em 20 de junho de 1927, mesmo tendo se manifestado em favor da Educação Física em 1905 “volta a ocupar a Tribuna da Câmara dos Deputados ressaltando a importância e a necessidade de torná-la efetiva no Brasil” (MARINHO, 1934, p. 55).

Conforme Ramos (1982), na sequência desses registros foi instituído o Curso Provisório do Centro Militar de Educação Física que passou a vigorar no ano de 1929 no Rio de Janeiro, e logo foi substituído pela Escola de Educação Física do Exército, em 1933, regido pelo decreto nº 1212. O Curso passou a formar Técnicos em Educação Física e Desporto com duração de 2 anos.

Assinala-se nesse período o ingresso dos pioneiros da Educação Física do Amazonas nesse Curso, conforme Nery (1983), os professores Guilherme Nery, Waldir Oliveira e Graça Mininéa que tomaram a decisão de ir ao Rio de Janeiro à procura de formação na área e terminaram contribuindo sistematicamente com o marco histórico da Educação Física no Amazonas no século XX.

Equipe no aeroporto de Dakar. Zagreb, julho de 1957. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Em um sobrevoo no percurso histórico da construção do primeiro Curso de Educação Física implantado no Amazonas, constatou-se sua origem na Universidade do Amazonas-UA em 24 de fevereiro de 1969, instituído pela Resolução N° 04/69-A/ CONSUNI, intitulado “Curso de Educação Física e Técnica Desportiva” tendo como precursor o professor Guilherme Nery (NERY, 1984), cujo objetivo era a formação de professores para atender à Educação Física Escolar.

Inicialmente esteve vinculada à Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, utilizando também espaços do Clube Atlético Rio Negro e Círculo Militar de Manaus para o desenvolvimento das aulas práticas. Na sequência, em 1970, o curso já apresentava a primeira turma com entrada via vestibular na UA, pautado pela resolução nº 04/69 e com apresentação de um currículo mínimo de matérias praticadas em seriados anuais (JEZINI, 1985; PUGA BARBOSA, 1985).

Ainda na década de 1970, houve a extinção da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, e o curso passou a fazer parte do Instituto de Ciências Biológicas-ICB, instituído pela resolução 001/74/CONSUNI, agora com status de Departamento de Educação Física integrando o Instituto de Ciências Biológicas, devido a “inter-relação das disciplinas médicas do currículo do curso com disciplinas do ICB” (BRITO, 2011, p. 203). Pelas suas atividades práticas foi o primeiro curso a seinstalar no Campus Universitário da então Universidade do Amazonas, uma vez que necessitava de instalações específicas como piscina, ginásio poliesportivo e pista de atletismo.

Atendendo a dispositivos legais do momento, o curso, realizou as reestruturações curriculares, orientada à época pela Resolução 015/74/CONSUNI, onde foi fixado o curriculum pleno e uma revisão curricular das disciplinas em 120 créditos, divididos em: currículo mínimo, complementares, obrigatórias e complementares optativas, e, para conclusão do curso, no mínimo 3 e no máximo 5 anos. Outra alteração curricular ocorreu em 6 de agosto pela Resolução nº 030/76/CONSUNI, constando a necessidade de adequações às novas mudanças curriculares da área, sendo prescrito que nesse sentido,

O reconhecimento do Curso de Educação Física da Universidade do Amazonas foi concedido pelo Presidente da República em 1 de agosto de 1977 com o decreto nº 80.055/77. Somente em 1981, através da resolução nº 013/81, o CONSEP trouxe novas alterações na Resolução 030/76/CONSUNI, que em seu art. 2º, referia-se às disciplinas obrigatórias, e pelo novo parecer, estas foram significativamente ampliadas.

Logo no início da década de 1990, conforme a normatização da resolução 010//91/CONSEP, foi fixado para o Currículo em Licenciatura Plena do Curso, 3.285 horas/aulas, definido por 170 créditos a serem concluídos com no mínimo 8 e no máximo 14 períodos. As informações em Puga Barbosa et al (2005) destacam que o início de uma nova era para o curso aconteceu em 3 de julho de1993, através da Resolução 004/93/CONSUNI, quando criou a Faculdade de Educação Física-FEF

Confraternização de brasileiras e filandeses. Zagreb, julho de 1957. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

O último registro até aqui merecedor de destaque do Curso veio com a Resolução 006/2007/CONDEP, tornando a FEF em Faculdade de Educação Física e Fisioterapia-FEFF, ofertando atualmentequatro cursos de graduação: Licenciatura em Educação Física, Bacharelado em Educação Física nas linhas de Treinamento Esportivo e Promoção da Saúde e Lazer e Bacharelado em Fisioterapia.

A unidade acadêmica da FEFF se organizou no que diz respeito ao ensino e à extensão. Criaram-se os programas voltados para a Terceira Idade-PIFPS-(U3IA) e o de Pessoas com Necessidades Especiais-PROAMDE, sendo estes pioneiros no Estado e referência de excelência (NINA, 2018). Além de outros como desporto e atividades comunitárias, ginástica e dança. Os espaços físicos existentes foram redimensionados e novos espaços precisaram ser construídos devido à demanda na oferta de vagas e o atrelamento do Curso de Fisioterapia e dos Programas de extensão entre outras demandas da FEFF-UFAM.

Texto retirado da tese de doutorado “A produção do conhecimento em educação física gerado pelas dissertações e teses de docentes da FEFF-UFAM: 1981 a 2014”. Sheila Moura do Amaral. Manaus – AM, 2019. (pág. 49, 77, 78,79).

Amazonas ganha 36 professores de Educação Física

Foi esta a chamada de capa do jornal A Notícia publicado em 27 de janeiro de 1973. Os formandos da época foram:

“… Tereza Torres, Maria Auxiliadora T. Luiz, Maria Auxiliadora Espinoza, Fátima Conceição Mota, Maria Eloy Neves Araújo, Rossicler Marques, Léia da Silva Correa, Guiomar Castro Pinto, Marília R. de Omena, Artemis Soares, Neide do Vale Miranda, Naila T. de Oliveira, Rosehelene Fontoura, Maria Madalena Neta, Kay V. de Queiroz, Izabel de Oliveira, Tereza Gaston, Maria Auxiliadora Câmara, Orfila Fortes, Namir Dantas Pio, Maria Luiza Mininéa, Marivalda Maquiné, Maria Ocimar T. de Sena, João F. de Oliveira, José Alberto Alves Barbosa, João de Oliveira, Valverde Barbosa de Araújo, José da Costa Cordeiro, Raimundo Nonato Santana, Antonio Petrucio Filho, Dimas Henrique de Souza, Reinaldo Tompson, Luis Geraldo P. Teixeira, Luiz Carlos Mestrinho e Roberto Lima Mesquita.

O jornal A Noticia da época ainda destacou as homenagens, de honra ao mérito, Emílio Garrastazu Médici Presidente da Republica, engenheiro João Valter de Andrade Governador do Estado, General Argus Lima Comandante Militar da Amazônia, Doutor Frank Abrahim Lima Prefeito Municipal, professor doutor José Maria Cabral Secretário de Educação e Cultura, Dom João de Souza Lima, Arcebisbo Metropolitano, Coronel Jorge Teixeira de Oliveira Comandante do Colégio Militar.

Homenagem Especial

Professor Doutor – Aderson Pereira Dutra Magnífico Reitor, Professor Doutor – Raymundo Abdon Said Diretor da Faculdade de Filosofia, Professor – João de Oliveira Coordenador do Curso de Educação Física.

Honra ao Mérito

Professor – Guilherme Pinto Nery, Professor – Iráclito Chaves Garcia, Professor Doutor – Jauary Guimarães de Souza Marinho, Professor – José Maria de Castro Araújo, Professor – Valdir de Oliveira.

Homenagem aos Mestres

Ana Luiza dos Anjos Silva, Arlindo Ruben Smith Frota, Elizabeth Maria Santana Honda, Francisco Marcelino Malheiros, Freida de Souza Bitencourt, Guilherme Pinto Nery, Hélio Bettero, Iracema Chaves Garcia, João de Oliveira, José Bernardes Sobrinho, José Carlos Vaques Rodrigues, José Maria de Castro Araújo, João Chrysóstomo de Oliveira, José Maria Teixeira, Juarez Gonçalves de Góes, Juarez Klinger do Areal Souto, Kleide Campostrini, Maria Ida Barreto, Marlene Lopes Furtado, Nilton Silveira Corrêa, Octávio Hamilton Botelho Mourão, Paulo Emílio Frossard Jorge, Saint Clair Abel Fontoura, Simei Ribeiro Billio, Raul Iguaguara de Miranda e Waldir Oliveira.

Homenagem aosAdministrativos

Dra. Aury Goés da Silva Matheus, Almir Gomes, Adelton Damasceno Passos, Arnaldo Santana Rosa Filho, Célia Pinheiro Costa, Edilson Erasmo Frota, João da Silva Elias, Lizete Alves Pimentel, Maria da Graças Fernandes da Rocha, Maria de Lurdes Nascimento, Sidney Mafra Tavares, Walmik Rodrigues da Costa, Walter Oliveira, Marlene Bandeira Gomes.

Homenagem In Memorian

Augusto Francisco Monteiro.

Publicação do Jornal A Notícia. Manaus, 27 de janeiro de 1973. Acervo de Maria Luiza Maués Mininéa.

As brasileiras brilharam em Zagreb

Afirmaram Bismark certa vez, que o importante não é escrever a história, é indispensavelmente fazê-la. Os homens e mulheres que buscaram caminhos na busca de seus sonhos e concluíram por ter êxito em suas histórias tiveram como principais atributos a coragem e o espírito para suas possíveis aventuras. Maria das Graças Mininéa, que bem mais tarde casou-se com o General Mário Vergueiro Silveiro, acreditou nos seus sonhos e projetos do curso de Educação Física, que na época, ainda não era uma realidade em Manaus. No entanto, e, sobretudo, ela acreditou no seu sonho e no seu projeto de vida, principalmente movida pelos seus ideais.

Chiquinha Patrony, Sônia Nogueira e Maria das Graças. Zagreb, 1957. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

A maior herança desses espíritos esclarecidos é o exemplo que ela deixou para toda sua família, muito especialmente para seus parentes mais jovens, até porque casou-se, mas não trouxe filhos ao mundo.

Seu amor pelo esporte e pela Educação Física foi sem dúvida a ilustrativa capacidade de superação e realização como desportiva, esposa e professora. Ela venceu a cidade grande desconhecida, a cidade maravilhosa superou seus próprios limites e construiu uma história edificante e vitoriosa. Deixou Manaus, sua terra natal, movida pelo desejo de conquista e de esperanças e ali fincou o seu nome na história do esporte nacional.

Fez de sua liderança e carisma a sala de aula, fato que a credenciou junto a seus pares da época o respeito e admiração de todos. Como narra o jornal da época Correio da Manhã publicado no Rio de Janeiro, sexta-feira, 16 de agosto de 1957.

Fontes

Revista Esporte por Esporte. Ano 1. N. 4. Junho de 1996. Pagina 18.

Texto retirado da tese de doutorado “A Produção do Conhecimento em Educação Física Gerado Pelas Dissertações e Teses de Docentes da FEFF-UFAM: 1981 a 2014”. Sheila Moura do Amaral. Manaus-AM, 2019 (pagina 49, 77, 78, 79).

Publicação do Jornal A Noticia. Manaus, 27 de janeiro de 1973. Acervo de Maria Luiza Maués Mininéa.

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

5 impactos positivos do ecoturismo que mostram como viajar pode preservar o planeta

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Atividade ao ar livre, subido ao Monte Roraima. Foto: Reprodução/Governo de Roraima

Com práticas de baixo impacto e forte engajamento comunitário, o ecoturismo se consolida como uma alternativa concreta diante da crise ambiental global. Em um cenário marcado pelo consumo excessivo e pela degradação dos recursos naturais, é urgente repensar as formas de viajar.

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Segundo dados de 2023 do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC), o setor é responsável por cerca de 8% das emissões globais de gases do efeito estufa. No entanto, quando planejadas com responsabilidade, as atividades turísticas podem se tornar aliadas da preservação. É nesse contexto que as experiências sustentáveis em áreas naturais ganham protagonismo.

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impactos positivos do ecoturismo

“O ecoturismo, quando feito com responsabilidade e com envolvimento das comunidades locais, pode gerar renda sem destruir os ecossistemas. Ele transforma visitantes em aliados da conservação”, afirma Lucas Ribeiro, fundador do PlanetaEXO, plataforma global voltada à valorização do turismo consciente.

Confira abaixo cinco impactos positivos do ecoturismo:

Leia também: Ecoturismo na Amazônia: conheça lugares para se conectar à natureza

1. Conservação da biodiversidade:

impactos positivos do ecoturismo
Rio Croa. Foto: Agência Acre/divulgação

O ecoturismo estimula a preservação de áreas naturais ao gerar valor econômico associado à conservação. Destinos que antes enfrentavam desmatamento, caça e mineração ilegal passam a ver na proteção da biodiversidade uma fonte de renda contínua e legítima.

Leia também: Pesquisa destaca potencial das libélulas para impulsionar ecoturismo de base comunitária na Amazônia

2. Fortalecimento das comunidades locais:

impactos positivos do ecoturismo
Produção de panela de barro, confeccionada na Comunidade Raposa I. Foto: Cadu de Castro

Ao empregar guias, artesãos, pequenos produtores e donos de hospedagens familiares, o ecoturismo distribui renda de forma descentralizada. “Esse modelo ajuda a manter as pessoas no território, com dignidade e protagonismo”, explica Lucas Ribeiro.

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3. Educação ambiental:

Viagens de ecoturismo proporcionam experiências de aprendizado direto com a natureza e com os saberes locais. Visitantes conhecem de perto os desafios ambientais de cada região e voltam para casa mais conscientes do seu papel como cidadãos.

4. Estímulo à economia circular:

A lógica do “consumir local” é central no ecoturismo. Alimentação, transporte e produtos típicos são priorizados, fortalecendo cadeias curtas de produção e reduzindo a pegada de carbono associada à viagem.

5. Reconexão com o planeta:

Mais do que um estilo de viagem, o ecoturismo convida a uma mudança de mentalidade: sair do modo consumo e entrar em um ritmo mais atento, mais sensível aos ritmos da terra. Em tempos de urgência ambiental, essa atitude se torna um gesto político.

impactos positivos do ecoturismo
Parque dos Igarapés — Foto: Redes Sociais

Em biomas sob forte pressão, como a Amazônia e o Pantanal, essas abordagens têm se mostrado uma alternativa concreta frente ao avanço de atividades predatórias como o desmatamento, a mineração e o turismo desordenado. Mais do que um passeio em meio à natureza, esse tipo de turismo convida à reconexão: com o ambiente, com os modos de vida tradicionais e, sobretudo, com os limites do planeta. “Em tempos de emergência climática, escassez hídrica e degradação acelerada dos ecossistemas, essa reconexão deixou de ser uma escolha individual. É uma necessidade coletiva, urgente e inadiável”, finaliza Lucas.

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Mas o que é ecoturismo?

Ecoturismo é um segmento da atividade turística que utiliza, de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista por meio da interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações.

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O turismo ecológico ou ecoturismo une natureza, preservação e turismo. O método agrada quem gosta de estar em sintonia com a floresta e seus recursos naturais.

*Com informações do PlanetaEXO


Como as parteiras tradicionais da Amazônia protegem saberes milenares?

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Foto: Pilar Olivares

Na Amazônia, parteiras tradicionais são guardiãs de saberes milenares. Em comunidades ribeirinhas, indígenas e quilombolas, essas mulheres — e também alguns homens — não apenas realizam partos, mas integram a rede de cuidados de suas comunidades, transmitindo conhecimentos por gerações. Em áreas remotas da Amazônia, essa atividade é essencial.

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Reconhecidas pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde, as parteiras tradicionais são parte fundamental da saúde comunitária, embora ainda enfrentem desafios para serem plenamente valorizadas e integradas ao Sistema Único de Saúde (SUS), com remuneração e o devido reconhecimento de sua atividade.

ua atuação vai além dos partos: inclui a promoção da saúde, encaminhamento a serviços de referência em casos de risco e o apoio afetivo e espiritual às gestantes. Em 2024, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu a prática das parteiras como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.

Maria Cecília Gomes, coordenadora do Programa de Qualidade de Vida do Instituto Mamirauá, chama a atenção para os desafios da atividade:

“São mais de 1.000 mulheres somente no Amazonas realizando um trabalho essencial de saúde pública, complexo e exaustivo, em áreas remotas, sem ganhar remuneração”.

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Foto: Pilar Olivares

Há mais de 20 anos, o Instituto Mamirauá atua para fortalecer essa tradição vital no Médio Solimões. Somente no Amazonas, mais de 1.100 parteiras tradicionais já foram identificadas e cadastradas.

Em parceria com a Associação de Parteiras Tradicionais do Estado do Amazonas – Algodão Roxo (APTAM) e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz Amazônia), o Instituto desenvolve ações de educação não formal, associativismo, pesquisa científica e valorização.

Entre as iniciativas, estão a realização de oficinas de capacitação, a articulação com agentes comunitários de saúde e a distribuição de lanternas movidas a energia solar (doação da Fundação Schneider Electric), facilitando o trabalho das parteiras em regiões sem acesso à energia elétrica. No contexto das políticas públicas, o Instituto Mamirauá apoia no fortalecimento da representação política da Associação.

Em 2019, uma pesquisa do Instituto Mamirauá com a colaboração de parteiras identificou 53 espécies de plantas medicinais usadas por estas profissionais, entre elas o algodão-roxo — planta símbolo da APTAM —, reconhecida por suas propriedades no combate a infecções e hemorragias pós-parto.

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Neste ano, a comemoração do Dia das Parteiras se estende: no próximo 16 de maio, uma roda de conversa reunirá parteiras tradicionais, a Prefeitura, outros parceiros e o Instituto Mamirauá em Tefé, promovendo atividades de troca de saberes, vacinação e práticas integrativas de saúde. Celebrar o Dia das Parteiras é também reafirmar o compromisso com o reconhecimento, a valorização e o fortalecimento dos saberes que sustentam a vida na Amazônia.

Para saber mais, acesse as seguintes publicações:

*Com informações do Instituto Mamirauá

Maior felino das Américas, ótima nadadora e de família? Descubra 6 curiosidades sobre a onça-pintada

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Foto: Rogério Cunha/ICMBio

Ela é conhecida por muitos nomes: jaguar, onça-preta, jaguaretê, yaguareté. Mas, independentemente do título, a onça-pintada (Panthera onca) é um ícone da biodiversidade sul-americana e uma das grandes representantes da fauna brasileira. Presente na Amazônia, ela também habita outros biomas como o Pantanal, Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga.

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Para entender mais sobre esse felino enigmático, o Portal Amazônia conversou com o biólogo Rogério Fonseca, que revelou curiosidades surpreendentes sobre a vida e os hábitos dessa verdadeira diva da floresta.

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Onde vive a onça-pintada?

Segundo o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap), cerca de 50% da população mundial de onças-pintadas vive no Brasil. No entanto, a destruição do habitat e a caça ilegal colocam a espécie em risco. “Ela é encontrada em diversos biomas brasileiros, mas está especialmente ameaçada na Mata Atlântica e na Caatinga”, explica Rogério.

Na Amazônia, seu habitat mais preservado, a onça-pintada desempenha um papel fundamental no equilíbrio ecológico, atuando como predador de topo na cadeia alimentar.

Foto: Divulgação/ICMBIO

Topo do pódio animal

A onça-pintada é o maior carnívoro da América do Sul e o terceiro maior felino do mundo, atrás apenas do tigre e do leão. Ela é também o único representante do gênero Panthera nas Américas — o mesmo dos leões, leopardos e tigres.

Desde os tempos pré-colombianos, a onça é símbolo de força e poder para diversas culturas indígenas. “Ela exerce uma função ecológica importantíssima, controlando populações de outras espécies e mantendo o equilíbrio dos ecossistemas”, destaca o biólogo.

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Mãe dedicada

Apesar da fama de solitária, a onça-pintada possui vínculos sociais, especialmente entre mães e filhotes. “A fêmea cuida intensamente da cria por até dois anos. Durante esse tempo, ensina o filhote a caçar, reconhecer o território e identificar ameaças — como machos dominantes que podem representar perigo”, explica Rogério.

A ninhada geralmente tem um ou dois filhotes, e a reprodução pode ocorrer ao longo de todo o ano, desde que as condições ambientais e hormonais da fêmea estejam favoráveis.

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A onça-pintada possui vínculos sociais, especialmente entre mães e filhotes. Foto: Rubens Fraulini/Divulgação/Refúgio Bela Vista

Mordida imbatível

A onça-pintada possui a mordida mais forte entre todos os felinos do planeta. Essa força extraordinária permite que ela perfure o crânio de suas presas — como os jacarés, comuns na Amazônia. “Ela ataca a parte de trás do pescoço e faz uma compressão cervical poderosa. Isso permite quebrar a base do crânio ou a espinha dorsal da presa com um único golpe”, explica o especialista.

Essa técnica de caça mostra como a onça é altamente adaptada a seu ambiente e às presas disponíveis.

https://www.youtube.com/watch?v=D1PicodlH0o

Nadadora de elite

Se o apelido de “diva” não bastasse, a onça-pintada também poderia ser chamada de “Michael Phelps da Amazônia”. Isso porque é uma exímia nadadora, sendo frequentemente avistada atravessando rios, igarapés e áreas alagadas. Essa habilidade ajuda na caça, na locomoção e até na regulação da temperatura corporal.

Caçadora da noite

A onça-pintada é predominantemente noturna, com maior atividade ao entardecer e à noite. No entanto, pode mudar seu comportamento de acordo com o padrão das presas. Entre seus alvos principais estão queixadas, catetos, antas e capivaras.

Portal Amazônia responde: a onça-pintada mia?

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Onça-pintada, o maior felino das Américas. Foto: Divulgação/Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS)

Considerada o maior felino das Américas, a onça-pintada (Panthera onca) desempenha um papel ecológico fundamental nos biomas que habita. No Brasil, está presente em diversos biomas, como a Amazônia e o Pantanal.

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Entre tantas características únicas desse animal, uma dúvida que surge é se, por ser um felino, ela mia como os gatos domésticos.

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Explicação

A resposta rápida é: não. Embora seja da mesma família dos gatos domésticos (Felis catus), a onça-pintada não emite miados. Suas vocalizações são diferentes, adaptadas ao seu porte, comportamento e ambiente.

O som mais característico da onça é o “esturro”, uma vocalização grave, rítmica e pulsada, semelhante a uma série de roncos. Esse som é usado principalmente para comunicação territorial e reprodutiva, e pode ser ouvido a longas distâncias.

No artigo Panthera onca, publicado na revista Mammalian Species, Kevin L. Seymour explica que a estrutura do aparelho vocal da onça é adaptada para produzir sons profundos, graças a um osso hióide parcialmente ossificado, o que a aproxima de outros grandes felinos, como o leão e o tigre — embora a onça não emita rugidos tão estrondosos quanto esses animais.

Como funciona a vocalização da onça?

Na floresta amazônica, o comportamento vocal da onça apresenta algumas particularidades. O ambiente de vegetação densa interfere diretamente na forma como o som se propaga. No estudo ‘Uso do espaço e movimento de um predador neotropical de topo: a onça-pintada ameaçada de extinção’, publicado na PLOS One, um grupo de cientistas brasileiros acompanhou onças-pintadas usando coleiras com GPS e observou que os animais vocalizam com menos frequência e com menor intensidade sonora na Amazônia.

O motivo está nas condições acústicas da floresta: o som grave, emitido em volumes moderados, consegue se propagar melhor entre as árvores e obstáculos naturais. Além disso, a menor densidade de indivíduos em áreas preservadas da Amazônia reduz a necessidade de vocalizações constantes para evitar encontros entre onças.

Além do esturro, a onça emite grunhidos, sopros, bufos e ronronados, usados em situações como o cuidado com filhotes ou encontros entre indivíduos. Contudo, vale ressaltar que nenhum desses sons se assemelha ao miado de um gato doméstico.

Leia também: Conheça como diferentes formas de comunicação são utilizadas por alguns grupos de animais amazônicos

Diferenças em relação à onça do Cerrado

Em comparação das onças-pintadas da Amazônia com as que vivem no Cerrado — um bioma mais aberto e seco — vocalizam com mais frequência e volume. Esse comportamento é adaptativo: em áreas de savana, as vocalizações ajudam a manter distâncias entre indivíduos e evitar conflitos.

O ambiente menos denso facilita a propagação do som, permitindo que vocalizações mais potentes cubram áreas maiores. Assim, a comunicação vocal no Cerrado é mais ativa do que na Amazônia.

Curiosidades na vocalização da onça

  • O esturro é individual: estudos indicam que cada onça-pintada possui variações únicas em seu esturro, o que pode permitir o reconhecimento entre indivíduos.
  • Uso em pesquisas: Uma pesquisa mostrou que gravações das vocalizações têm sido usadas para monitorar populações de onças na floresta amazônica de forma não invasiva
  • Conservação e vocalização: alterações no habitat, como o desmatamento, podem afetar a comunicação entre indivíduos, com impactos diretos na reprodução e sobrevivência da espécie.

‘Fenômeno genético?’: Galinha com características de duas espécies nasce em sítio de Rondônia

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‘Galinhola’: Ave com aparência incomum e acredita ser resultado de cruzamento entre galinha e galinha-d’angola em RO — Foto: Reprodução/redes sociais

Uma família da zona rural de Jaru (RO) se surpreendeu ao presenciar o nascimento de uma ave com traços de galinha e galinha-d’angola. O animal, apelidado de “galinhola”, chamou a atenção por sua aparência incomum.

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Apesar da semelhança entre as aves, pesquisadores afirmam que não se trata de um cruzamento entre diferentes espécies, mas sim de aves de diferentes raças.

A professora aposentada Terezinha Barbosa, dona da propriedade, contou que a galinhola se parecia com uma galinha no início, mas, com o passar do tempo, foi se modificando e mudando a penugem, tornando-se uma ave única. O animal tem cerca de seis meses.

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‘Galinhola’: Ave com aparência incomum e acredita ser resultado de cruzamento entre galinha e galinha-d’angola em RO — Foto: Reprodução/redes sociais

Genética permite cruzamento?

Para entender se seria possível uma ave gerada a partir do cruzamento entre uma galinha (Gallus-gallus) e uma e uma galinha-d’angola (Numida-meleagris), o professor e pesquisador da Universidade Federal de Rondônia (Unir), Elvino Ferreira, analisou as imagens do animal.

Segundo o especialista, o cruzamento entre as aves não é possível do ponto de vista genético:

“As duas aves possuem quantidades diferentes de cromossomos — a galinha tem 78 e a galinha-d’angola, 76. Essa diferença impede o pareamento correto durante a formação do embrião, tornando o desenvolvimento inviável”, explicou Elvino.

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Arte explicativa sobre genética da galinha e galinha-dangola — Foto: Reprodução/redes sociais

Além da diferença genética, o professor destacou que o comportamento reprodutivo e o tamanho das aves também dificultam o acasalamento.

“Aspectos comportamentais também devem ser considerados, especialmente no tocante à corte, ou seja, ao comportamento reprodutivo entre essas espécies”, afirma a análise.

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Outras possibilidades

De acordo com Elvino, a aparência incomum da “galinhola” pode ser resultado de cruzamentos entre diferentes raças de galinhas caipiras, como:

  • Rhode Island Red
  • Welsummer
  • Indio Gigante (linhagens Asil ou Shano)

Essas raças possuem o mesmo número de cromossomos e apresentam grande variedade de tamanhos, formas e colorações, podendo gerar animais com características únicas, mas geneticamente compatíveis.

Outra possibilidade considerada pelo pesquisador é o cruzamento entre a galinha comum e aves nativas, como os jacus. Algumas espécies como Penelope obscura, Penelope purpurascens e Ortalis canicollis também têm 78 cromossomos, o que torna o cruzamento possível do ponto de vista genético, embora bastante raro.

*Por Mateus Santos, g1 RO

Balneário no Acre se transforma em atração turística “dupla” ao se tornar ponto de pesca

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Foto: Carla Carvalho/Rede Amazônica AC

O balneário Igarapé Preto, conhecido ponto turístico de Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, é um dos destinos favoritos de quem busca lazer, contato com a natureza e se refrescar do calor da cidade. O local é um dos mais visitados no município e os banhistas estão aproveitando o momento no espaço para pescar peixes e já preparar o tira-gosto.

O balneário fortalece o turismo ecológico e a economia local no Vale do Juruá, nos feriados e fins de semana, e recebe, além dos moradores da cidade, turistas de várias regiões que aproveitam a tranquilidade das águas escuras. Nos últimos dias, o que tem chamado atenção é um hábito que vem ganhando força entre os frequentadores: pescar o próprio peixe, assar e saborear ali mesmo.

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O pedreiro Gevaldo Andrade comentou que quando sai de casa já vai levando sua tarrafa, que é uma rede circular utilizada para capturar peixes. “É almoço aí, tem que dar uma pescadazinha. O pessoal fala que está dando uma piabazinha, viemos tomar um banho e já trouxemos a tarrafa também” (sic), explicou.

A dona de casa Rosane Nascimento também confirmou que não vai ao Igarapé Preto apenas para tomar banho.

“Não é só tomar sol não. É pescar piaba e comer. A gente não estraga não, nós tratamos tudinho, eu e as minhas vizinhas, aí a gente frita e come lá na beira da rua. Tô tirando o gosto com a cervejinha”, confessou.

Foto: Carla Carvalho/Rede Amazônica AC

O eletricista Francisco Bonfim atestou que o peixe como tira-gosto com uma cerveja é o que ele busca ao frequentar o ponto turístico.

“Um banhozinho legal, uma cervejinha que é de lei né, pra refrescar. Um dos pontos que eu mais gosto é pescar, pescando pra mim tá bom demais e pegando melhor ainda”, disse.

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Os métodos para pescar são os mais variados. Não importa se é com anzol ou tarrafa, cada pescador escolhe a forma que mais se identifica. Alguns, inclusive, já estão aderindo à uma nova modalidade: a pesca usando apenas uma garrafa plástica.

A autônoma Ednarlene Silva vai principalmente ao balneário para pescar. “A maioria pega na tarrafa. Eu pesco de caniço [cana fina e comprida usada para pescar]. Pesco de linhazinha, de litro, pegando no litro”, alegou ela.

*Por Carla Carvalho, da Rede Amazônica AC

Há 160 anos nascia Rondon

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Cândido Rondon, militar pacifista indicado três vezes ao Prêmio Nobel. Foto: Arquivo Nacional

Em 5 de maio de 1865, há exatos 160 anos, nasceu Cândido Mariano da Silva Rondon, um homem que não se contentou em desenhar mapas, mas em reinventar destinos. Com passos firmes, atravessou selvas, conectou vozes e ofereceu ao Brasil não apenas território, mas identidade.

Não era um conquistador, era um semeador. Ele fez brotar diálogo em um Brasil cujos governadores contratavam “bugreiros” para limpar áreas. Cada fio telegráfico que estendeu não foi apenas um avanço técnico—foi um elo entre mundos, uma ponte sobre o abismo da incompreensão. Sob sua liderança, cientistas penetraram a imensidão amazônica e revelaram segredos ocultos em suas entranhas: etnografia, mineralogia, ciências naturais… Cada descoberta era um novo alicerce da civilização.

Inspirado pelo positivismo do filosófico francês Auguste Comte (1798-1857), Rondon acreditava que o progresso verdadeiro era aquele que respeitava e incluía.

“Viver para os outros é não somente a lei do dever, mas também a lei da felicidade”, disse Comte—e Rondon, em sua trajetória, tornou este preceito um caminho concreto. No início do século XX, enquanto revoluções se impunham pela força, ele ergueu uma civilização pelas mãos da ciência e pela alma da humanidade.

Rondônia carrega seu nome, mas seu legado pulsa muito além de qualquer fronteira. Ele não apenas desbravou terras—desbravou consciências. Trouxe aos povos originários a dignidade da comunicação, aos estudiosos o convite à investigação, ao Brasil a lição de que um país se faz não apenas com ferro e fogo, mas com conhecimento e respeito.

Rondon não foi apenas um construtor de estradas, mas de sonhos. Traçou caminhos sem apagar rastros, uniu sem subjugar, avançou sem ferir. E hoje, ao olharmos para a vastidão amazônica, vemos nele mais do que um nome inscrito em um estado—vemos o testemunho de que a verdadeira grandeza não está em tomar, mas em oferecer.

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista