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Guardiões da Onça: conheça iniciativas que protegem um dos maiores felinos do mundo no Brasil

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Foto: GP Felinos/Instituto Mamirauá

Considerada o maior felino das Américas, a onça-pintada (Panthera onca) desempenha um papel crucial na manutenção da biodiversidade da floresta amazônica.

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A região abriga aproximadamente 90% da população mundial desta espécie, que enfrenta uma crescente ameaça devido à perda de seu habitat, na maioria causada pelo desmatamento e pela degradação ambiental.

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Diante desse cenário alarmante, é essencial que ações eficazes de preservação sejam adotadas para garantir a continuidade da espécie e a saúde do ecossistema amazônico.

O Portal Amazônia encontrou algumas iniciativas dedicadas à proteção da onça-pintada não só na Amazônia, mas em outras regiões do Brasil onde este felino esta presente. Conheça: 

Grupo de Pesquisa Ecologia e Conservação de Felinos na Amazônia (GP Felinos) do Instituto Mamirauá (AM)

O Grupo de Pesquisa Ecologia e Conservação de Felinos na Amazônia, do Instituto Mamirauá, no Amazonas, tem como principal objetivo entender a ecologia de onças-pintadas nas florestas de várzea da Amazônia para amparar ações de conservação da espécie. 

Leia também: Pesquisa monitora comportamento das onças durante período de chuva na Amazônia

As linhas de pesquisa do projeto visam calcular o número de onças que vivem nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã, Amazonas, além de estimar a densidade populacional da espécie.

Foto: GP Felinos/Instituto Mamirauá

Extra: Zoológico do Centro de Instrução de Guerra na Selva (AM)

Ainda no Amazonas, mas localizado em Manaus, o Zoológico do Centro de Instrução de Guerra na Selva atua há 65 anos e é também um projeto de conservação de onça-pintada, considerado o mais antigo do Brasil. O zoológico realiza a reabilitação dos animais após triagem feita pelo Ibama, com o intuito de devolvê-los ao seu habitat.

Instituto Onça-Pintada

Fundado em 2002 pelos biólogos Anah Jácomo e Leandro Silveira, o Instituto Onça-Pintada tem a missão de promover a conservação da onça-pintada e seus habitats naturais visando a conservação da espécie. 

Com diversos projetos, o instituto trabalha, por exemplo, em Maracá (AP) com o projeto ‘Ilha das Onças’, cujo foco é identificar como as onças-pintadas sobrevivem em um ambiente com população tão densa, em um lugar tão confinado, com escassez de água e comida. 

Leia também: Conheça a ‘Ilha das Onças-Pintadas’: região que ajuda na conservação da espécie na Amazônia

Vigente também no Rio Araguaia, com o projeto Corredor da Onça, o maior e mais importante corredor ecológico para a onça-pintada e suas presas naturais, com mais de 3.000 km de extensão, o corredor liga os biomas Amazônia e Cerrado.

Além disso, o IOP conduz pesquisas sobre a onça-pintada no Pantanal há anos, utilizando coleiras GPS para coletar dados sobre seu comportamento, áreas que frequentam e como interagem com o gado. O objetivo é mitigar os conflitos históricos da onça e pecuaristas da região que acontecem há mais de 200 anos.

Saiba mais: Onças pintadas são diferentes na Amazônia e no Pantanal

Foto: Reprodução/Instituto Onça-Pintada

Onçafari

Fundado em 2011 pelo ex-piloto de Fórmula 1 Mário Haberfeld, o Projeto Onçafari foi criado, a princípio no Pantanal, com a missão de conservar a biodiversidade brasileira por meio da proteção de áreas naturais.

Um dos principais propósitos do projeto é a reintrodução de espécies ameaçadas, como foi o caso das onças-pintadas Pandora e Vivara, que com poucos meses de vida foram encaminhadas para o espaço de reintrodução do Onçafari na Amazônia, onde ficaram por dois meses em observação comportamental e treinamento para a caça. 

Na Amazônia, o projeto está presente na Reserva Onçafari 1, localizada em Jacareacanga, no Pará, com 400km de hectares. Com intuito de proteger as margens do Rio São Benedito e criar corredores ecológicos essenciais para a fauna e a flora, esta Reserva não desenvolve atividades de ecoturismo e visitação.

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Própolis de abelha nativa da Amazônia cicatriza feridas e reduz inflamação

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Os produtores têm buscado instalar caixas de abelhas sem ferrão em suas áreas para a polinização dirigida e aumento da produtividade. Foto: Vinícius Braga/Embrapa

Um novo estudo conduzido por cientistas da Embrapa Amazônia Oriental (PA) e da Universidade Federal do Pará (UFPA) identificou propriedades cicatrizantes e anti-inflamatórias em um creme formulado com própolis produzida por abelhas sem ferrão nativas da Amazônia. A substância foi extraída da espécie Scaptotrigona aff. postica, conhecida como abelha-canudo, e testada em cobaias de laboratório com resultados comparáveis aos de pomada cicatrizante disponível no mercado.

Leia também: Meliponicultura: Entenda o universo das abelhas sem ferrão na Amazônia

Além da eficácia na recuperação dos ferimentos, o creme à base de própolis se destacou por apresentar menor resposta inflamatória e uma regeneração dos tecidos com melhor qualidade em comparação a uma pomada comercial. A pesquisa sugere um novo potencial farmacêutico para um bioproduto tradicionalmente usado por populações humanas desde a Antiguidade.

Os resultados foram divulgados no artigo Healing Activity of Propolis of Stingless Bee (Scaptotrigona aff. postica), Reared in Monoculture of Açaí (Euterpe oleracea) publicado na revista científica Molecules. A pesquisa é fruto de um esforço conjunto de instituições científicas da Região Norte para valorizar produtos naturais da biodiversidade amazônica.

Leia também: Uso profilático do extrato de própolis pode representar solução promissora no tratamento da sepse

Extração do própolis produzido por abelha-canudo. Foto: Vinícius Braga/Embrapa

Participação do açaí na cicatrização

A abelha-canudo vem sendo estudada pela sua eficiência na polinização do açaizeiro. O artigo foi um desdobramento de uma pesquisa que avaliava a frequência desse inseto nativo nas flores de açaí.

“Como ela produz bastante própolis, foi levantada a questão da possível influência do ambiente de açaizeiros na qualidade desse produto”, conta o professor da UFPA Nilton Muto, um dos autores da publicação. 

A própolis é resultado da combinação de substâncias derivadas de resinas vegetais e pólens, coletadas pelas abelhas no ambiente, combinada a cera que elas próprias produzem. Embora não tenha sido determinado pelas análises a origem das substâncias da própolis pesquisada, os autores acreditam que o ambiente de cultivo de açaí onde as colmeias foram instaladas contribuiu para dar uniformidade à sua composição química. “A palmeira do açaí (Euterpe oleracea) é altamente valorizada por suas elevadas concentrações de compostos fenólicos e antocianinas, que possuem significativa capacidade antioxidante”, afirmam os autores. 

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As análises químicas realizadas na própolis da abelha-canudo coletada em ambiente de cultivo de açaí apresentaram uma boa concentração de compostos bioativos. Essas substâncias são reconhecidas por ter um papel importante na promoção e manutenção da saúde humana. A presença de compostos fenólicos, por exemplo, excederam em mais de 20 vezes a quantidade mínima estabelecida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para determinar a qualidade da própolis. Já a classe dos flavonoides superou em quase quatro vezes o índice mínimo estabelecido pela mesma regulamentação.

“Não basta dizer o milagre. É preciso também dar o nome do santo”, brinca o professor ao referir as relações entre a composição da própolis estudada e os resultados que o creme dessa substância obteve na cicatrização dos ferimentos. Na análise macroscópica, a olho nu, tanto o creme à base de própolis da abelha-canudo quanto a pomada de uso comercial tiveram desempenho semelhante, diminuindo o tamanho do ferimento. Ao analisar com microscópio os tecidos, no entanto, os pesquisadores encontraram diferenças significativas. 

“Observamos uma recuperação mais rápida de fibras colágenas tipo 1 e tipo 3 e na redução da inflamação no tratamento envolvendo a própolis”, afirma Muto.

Amostras apresentaram altas concentrações de compostos bioativos, como flavonoides e fenólicos. Foto: Vinícius Braga/Embrapa

Ele explica que essas fibras são importantes porque fornecem suporte ao tecido que está regenerando, enquanto um menor processo inflamatório também facilita a cicatrização. Essas vantagens são atribuídas pelos pesquisadores à presença dos compostos bioativos encontrados na própolis da abelha-canudo. 

Até o momento nenhum creme à base de própolis com origem em cultivo de açaí havia sido descrito. Um biofármaco assim também oferece como benefício menor possibilidade de efeitos colaterais, nível reduzido de resíduos químicos e quantidade mínima de conservantes.

Atividades integradas

As propriedades medicinais da própolis são conhecidas pelas populações humanas desde a Antiguidade. Ela é um bioproduto versátil, com aplicações na farmacologia, medicina, cosmetologia e indústria alimentícia. Para as abelhas, a própolis tem função de proteção da colmeia, cobrindo frestas e isolando o ambiente. Por ter propriedades antimicrobianas, a própolis também protege a colmeia contra doenças. Quando há invasão de algum inseto, e não pode ser retirado depois de morto, elas o cobrem com própolis, para evitar a proliferação de microrganismos.

Diferentemente de outras abelhas nativas da Amazônia, como a uruçu-amarela e a uruçu-cinzenta, a abelha-canudo não inclui barro na formulação de sua própolis. “Isso confere um produto livre de contaminantes que podem ser trazidos pelo solo”, explica o pesquisador da Embrapa Daniel Santiago, um dos autores do artigo. 

Pesquisas anteriores verificaram que a abelha-canudo é uma eficiente polinizadora do açaí, devido ao seu pequeno porte e ao fato de visitar tanto as flores masculinas quanto as femininas. Com a expansão dos cultivos de açaí, os produtores têm buscado instalar caixas de abelhas sem ferrão em suas áreas para a polinização dirigida e aumento da produtividade. Dessa forma, segundo Santiago, a cadeia produtiva do açaí tem incentivado a meliponicultura, como é chamada a criação de abelhas sem ferrão.

“Nesse contexto surge a questão de identificar novos produtos relacionados a essa atividade. E a abelha-canudo tem como característica de seu comportamento uma maior produção de própolis, quando comparada às demais abelhas nativas da região”, explica o pesquisador sobre a motivação do estudo. 

No experimento realizado, foram instaladas caixas com abelhas-canudo em meio a um raio de cerca de 450 metros de plantios de açaí. “Observamos que o voo das abelhas para buscar alimentos era de até 300 metros. Por isso, podemos deduzir que houve uma influência desse ambiente na produção da própolis”, afirma Santiago.

À medida que as pesquisas sobre o sistema de manejo para polinização do açaizeiro como serviço avançam, de acordo com Santiago, as potencialidades de novos produtos são identificadas e isso demanda novos estudos. “No caso do própolis da abelha-canudo, para dar escala a esse produto teríamos de identificar os indivíduos mais aptos para essa atividade e as formas de manejo mais adequadas”, exemplifica o pesquisador.

Estudo reforça a integração entre meliponicultura e a cadeia produtiva do açaí na região Norte. Foto: Vinícius Braga/Embrapa

E como a produção de própolis em cada colmeia é pequena, seriam necessários muitos produtores para alcançar as quantidades suficientes para dar viabilidade comercial ao produto. Outro produto da abelha-canudo que vem sendo estudado é o pólen, que elas coletam, processam e transformam num alimento rico em aminoácidos.

O mel, no entanto, ainda não é produzido pela abelha-canudo em quantidade atrativa para a comercialização, mas apresenta diferenciais frente aos méis disponíveis no mercado.

Além de Muto e Santiago, assinam o artigo: Sara R. L. Ferreira, Suzanne A. Teixeira, Gabriella O. Lima, Jhennifer N. R. S. de Castro, Luís E. O. Teixeira, Carlos A. R. Barros, Moisés Hamoy e Veronica R. L. O. Bahia.

Biodiversidade da Amazônia no foco da pesquisa

Os estudos sobre as potencialidades da própolis compõem as linhas de pesquisa com abelhas nativas da Embrapa Amazônia Oriental em parceria com a academia.

No Centro de Valorização de Compostos Bioativos da Amazônia, ligado ao Parque de Ciência e Tecnologia Guamá e à Universidade Federal do Pará (UFPA), alunos e professores investigam as possibilidades de novos produtos a partir da biodiversidade da região, enquanto em propriedades de agricultores e na Embrapa é estudado o manejo de abelhas, nativas e africanizadas, sua relação com a polinização de cultivos e fornecimento de bioprodutos.

A investigação sobre a própolis foi um dos temas trabalhados pelo projeto Agrobio, financiado pelo Fundo Amazônia do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Embrapa

Depois do Papa Francisco, o até logo de Divaldo Franco

Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br

O que o Papa Francisco e Divaldo Franco têm em comum e de diferente? De comum, têm muitos aspectos, uns mais óbvios do que outros. Ambos tiveram uma passagem marcante pela Terra, na última vida, para quem acredita que temos mais do que uma. Os dois foram líderes religiosos e referência para milhares ou milhões de pessoas. Ambos eram agentes poderosos do bem, despertaram gratidão e construíram um legado, que os farão ser lembrados por muito tempo.

Francisco e Divaldo deixaram suas marcas e contribuíram para tornar o mundo melhor. De uma maneira ou de outra, tinham absoluta fé na existência da Grande Força Superior que ambos chamavam de Deus. Para os dois, há um mundo invisível, o espiritual, que é mais importante que o mundo material que ocupamos temporariamente. Um era católico e o outro, espírita. Um argentino e outro brasileiro. Mas que importância há nestas diferenças? E o que outras semelhanças relevantes existem entre eles e deles com cada um de nós?

Creio que uma coisa que se destaca é a consciência da Missão e o desenvolvimento de um Propósito. É possível perceber que ambos tinham um senso de Missão muito forte. Suas escolhas conscientes, somadas ao que se deixaram levar pelo que a vida lhes trouxe, indicam que eles foram capazes de perceber a própria Missão e criar um Propósito relacionado a ela.

Ou seja, eles pareciam saber o que vieram fazer aqui e desenvolveram uma paixão, unindo Missão e Propósito. Quando isto ocorre, ambos se potencializam e nos tornam melhores nas dimensões do Ser e do Fazer, como Francisco e Divaldo. Mas será que isto é porque eles eram pessoas especiais? Estaria isto ao alcance de pessoas comuns como nós?

Os fatos demonstram que sim. Da mesma maneira que a vida e as suas escolhas os conduziram para a jornada que traçaram, nossa história também nos sinaliza caminhos, nos oferece oportunidades e dificuldades, nos comunica em uma linguagem que podemos buscar entender, qual é, afinal, a nossa Missão maior. Cada um de nós tem a sua Missão, assim como o Papa Francisco, Divaldo Franco, Nelson Mandela, Fernanda Montenegro, Maria Betânia, Donas Marias e milhares de João da Silva também a possuem.

Um forte sinalizador de nossa Missão são os nossos dons naturais e especialmente os que pudemos transformar em talentos. Quais nos ajudaram a nos diferenciar e a fazer diferença na vida de outras pessoas? No que já fomos reconhecidos? Quando crianças, quais eram os nossos sonhos? E quais são os nossos sonhos hoje? O que nos faz mais feliz? O que nos torna plenos? Sabemos que são respostas que não encontraremos fora de nós mesmos, mas precisamos de tempo, de vontade e de algum silêncio para fazermos este mergulho e trazer de lá a resposta para a pergunta que, costumo brincar, vale um milhão de dólares: qual é a nossa missão?

Destaco que mais vale a pergunta do que a resposta, que sempre será uma aproximação, algo que compreenderemos melhor com o tempo. Com ele, provavelmente vamos descobrir que a primeira intuição que tivemos não estava longe. De alguma maneira, nosso espírito e nosso subconsciente, por meio de nossas escolhas, nos conduziram para ela, em diversas situações. Na frente, como disse Steve Jobs, seremos capazes de ligar os pontos e perceber a sincronicidade dos acontecimentos.

Mas a Missão poderá ser pesada, se não for complementada com o Propósito. É como um casal, quem sem o amor, a atração e a amizade, restaria apenas o dever que cada um tem com o outro. O Propósito é o que dá o sabor e, alinhado à Missão, o motivo para fazer com vontade o que devemos fazer. Missão e Propósito alinhados nos tornam agentes de Felicidade para outras pessoas, nos aproximando de nossa felicidade também.

A vocação, pode-se dizer, é uma combinação de Missão e Propósito. Vale para Francisco, para Divaldo e para cada um de nós. De minha parte, tenho muito a aprender com os dois.

E você? O que você tem em comum com Francisco e com Divaldo?

Sobre o autor

Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Pint of Science em Tefé promove palestras acessíveis e gratuitas sobre ciência na Amazônia

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Foto: Divulgação/Instituto Mamirauá

O município de Tefé, no interior do Amazonas, recebe até o dia 21 de maio a quarta edição local do festival internacional Pint of Science, que leva ciência para fora dos espaços acadêmicos e convida o público a debater temas atuais em ambientes descontraídos. Em Tefé, o evento gratuito é realizado no Restaurante Sabor D’Ksa, sempre a partir das 19h, com entrada gratuita.

O nome Pint of Science faz referência ao ambiente descontraído (a palavra “pint” vem do inglês e significa “caneca” ou “medida de volume usada para bebidas”) onde os encontros acontecem, em bares, cafés ou restaurantes, convidando o público a “brindar” a ciência enquanto conversa diretamente com pesquisadores sobre temas atuais. A ideia é aproximar a produção científica da população de forma acessível, informal e interativa.

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Este ano, o tema nacional do evento, em parceria com o Instituto Clima e Sociedade, é ‘Tempo de mudanças’. A proposta é refletir sobre transformações sociais, ambientais e científicas em curso no mundo.

A realização local do evento conta com a parceria entre a Prefeitura de Tefé, através da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação e Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

“Este evento é de grande importância para a cidade, porque é muito difícil fazer com que as pesquisas que estão sendo feitas cheguem à sociedade. Além disso, a ideia do evento em propor um ambiente descontraído, atrai a sociedade, que muitas das vezes, não domina a linguagem técnica que as pesquisas trazem. Esse é justamente um dos principais papeis da Prefeitura de Tefé, através da secretaria, de divulgar e aplicar o que está sendo estudado para a população e trazer um retorno social”, afirma o Secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação em Tefé, Naldo de Souza Oliveira.

Foto: Divulgação/Instituto Mamirauá

“O Pint of Science em Tefé possui grande valor para o Instituto Mamirauá, pois valoriza e contribui para a divulgação da ciência produzida no coração da Amazônia. Realizar pesquisa na região é um desafio, mas também uma grande honra, especialmente quando os temas estão diretamente ligados à realidade local”, destaca a bióloga Anaís Prestes, pequisadora do Instituto Mamirauá e coordenadora local e apoio ao público do Pint of Science em Tefé.

Leia também: 5 dicas do que fazer em Tefé, o “coração da Amazônia”

“Promover espaços descontraídos de troca de saberes é fundamental, ao mesmo tempo em que compartilhamos informações científicas, também temos a oportunidade de ouvir outros pontos de vista, aprender e incorporar conhecimentos e diferentes perspectivas locais”, avalia.

Programação

Em Tefé, a programação começou nesta segunda-feira (19), com temas ligados à educação e relações de gênero. A mestranda em Educação Elisabeth Lopes Faustino, da Universidade Estadual do Amazonas (UEA), faloi sobre ‘Mulheres Negras e Educação Antirracista no quilombo São Francisco, em Alvarães-AM’, seguida pela socióloga e pesquisadora Tharyn Machado Teixeira, do Instituto Mamirauá, com a palestra ‘Mulheres da Amazônia: os sentidos das relações de gênero no médio Solimões.

Na terça-feira (20), o foco é a sociobiodiversidade e a produção de mel na região. O agrônomo José Victor Sousa de Souza, do Instituto Mamirauá, abordará o manejo de abelhas sem ferrão na Amazônia, e Francisco Dárcio Falcão, da Associação de Produtores Agroextrativistas da Flona de Tefé e Entorno (APAFE), falará sobre os desafios e oportunidades da produção de mel com essas espécies nativas.

Encerrando a programação, na quarta-feira (21), a bióloga e pesquisadora Jéssica Yelle, do Instituto Mamirauá, discutirá os impactos das doenças transmitidas por carrapatos na saúde pública. A noite termina com a participação de Neurismar de Oliveira, Mirlene da Silva Salvador e Reicikely Cardoso, membros do Conselho Municipal de Saúde, que apresentarão a experiência do protagonismo social nas UBS de Tefé.

Tefé é uma das poucas cidades do interior da Amazônia a integrar o circuito do Pint of Science, que em 2025 ocorrerá em 27 países. O Brasil lidera o número de cidades participantes, com 169 municípios — ultrapassando até mesmo o Reino Unido, onde o festival foi criado em 2013.

Com uma década de existência no Brasil, o evento já é um dos maiores movimentos de divulgação científica do país. Desde sua chegada por meio do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, o Pint of Science cresceu com o apoio de uma rede de mais de dois mil voluntários, que se mobilizam para tornar a ciência acessível e próxima das comunidades.

*Com informações do Instituto Mamirauá

Energia solar pode reduzir em 44% custo da eletricidade na Amazônia, aponta análise

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Vila Limeira, no Amazonas, usa energia solar. Foto: Jenifer Veloso/Charles Stewart Mott Foundation

Um estudo divulgado em maio aponta que a energia solar com baterias pode reduzir o custo da eletricidade em comunidades da Amazônia Legal. De acordo com o levantamento, a redução pode chegar a 44%. A análise mostra que esses resultados podem ser alcançados ao substituir os atuais geradores a diesel por sistemas solares com baterias.

O levantamento ‘Descarbonização dos Sistemas Isolados na Amazônia’ (veja o arquivo no final da matéria) foi encomendado pela Frente Nacional dos Consumidores de Energia, que congrega diversas organizações de todos os segmentos de consumo de energia no Brasil.

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Ele indica que, em áreas remotas da Amazônia, famílias chegam a gastar até R$ 900 por mês para ter eletricidade com geradores a diesel, que operam apenas de 6 a 8 horas por dia.

Experiências identificadas no Estudo mostram que sistemas solares independentes e de pequena escala, mais eficientes e com menores custos operacionais, podem ser uma solução viável para a descarbonização da energia na região amazônica. 

Ainda segundo a análise, embora exija um investimento inicial mais elevado, a energia solar torna-se economicamente mais vantajosa por dispensar gastos recorrentes com combustível; e oferecer retorno contínuo após a instalação.

Leia também: “Precisamos garantir que essa energia seja sustentável”, diz especialista sobre transição energética na Amazônia

O uso combinado de baterias permite que os consumidores tenham energia elétrica disponível 24 horas por dia. O estudo reforça que, além do impacto positivo para o meio ambiente e a economia no bolso, a ausência de fornecimento contínuo de energia impede que adultos trabalhem em casa; que jovens e crianças estudem à noite; que alimentos sejam refrigerados adequadamente ou que pequenos negócios prosperem.

Atualmente, cerca de 4 milhões de brasileiros vivem sem acesso de qualidade à energia elétrica – 2,7 milhões deles residentes nos chamados SISOL, que são Sistemas Isolados fora da malha do Sistema Interligado Nacional. Nessas regiões, o fornecimento é feito quase exclusivamente por geradores a diesel.

*Com informações da Rádio Agência Nacional e Frente Nacional dos Consumidores de Energia

Pesquisa aprimora tecnologia para a reprodução de peixes em Itacoatiara

Foto: Daiane Oliveira Medeiros/Arquivo pessoal

Aprimorar a reprodução de peixes nativos em Sistema de Recirculação de Águas (RAS) na Região do médio e baixo Amazonas é o objetivo de uma pesquisa científica realizada em Itacoatiara, no Amazonas, com foco em empreendedorismo e sustentabilidade.

Desenvolvida por pesquisadores do Instituto Federal do Amazonas (Ifam) e coordenada pela mestre em Administração, Daiane Oliveira Medeiros, a pesquisa implantou o primeiro polo de empreendedorismo feminino voltado à produção de alevinos em Itacoatiara (distante a 176 km de Manaus), através do estudo ‘Manutenção e reprodução de tambaqui em sistemas de recirculação de água: capacitação, pesquisa, empreendedorismo feminino e transferência de tecnologia’, realizado no âmbito do Programa Mulheres das Águas – Edital nº 007/2022.

O estudo capacitou mulheres ribeirinhas por meio de um laboratório de reprodução de peixes de baixo custo. Além disso, a pesquisa, que conta com o apoio do Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), desenvolveu protocolos reprodutivos para o tambaqui e contribuiu para o desenvolvimento tecnológico da região com o fornecimento de pós-larvas e juvenis dos tambaquis no Campus do Ifam.

Leia também: Pesquisa aumenta em mais de duas vezes o ganho de peso de tambaqui em tanque-rede

“O apoio da Fapeam foi essencial para a estruturação física e técnica do projeto. Sem esse investimento, não teria sido possível realizar as formações, adquirir os equipamentos, financiar bolsas e executar as ações de pesquisa e extensão. A Fundação é um exemplo claro de como o fomento público pode transformar realidades locais”, explicou Daiane Oliveira.

Capacitação e empreendedorismo

Para o desenvolvimento da pesquisa, foi realizada a aquaponia – que é um sistema de produção agroalimentar que combina a criação de peixes com o cultivo de plantas em água. O estudo foi executado em tanques circulares de 11 mil litros com sistemas de filtragem biológica, bombas, sistemas de aeração, sensores multiparâmetros de qualidade da água. Além do mais, os pesquisadores também usaram incubadoras, equipamentos para indução hormonal e kits para análises hematológicas.

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O projeto estimulou o empreendedorismo feminino e criou oportunidade de renda para as comunidades ribeirinhas, além de incluir as mulheres em áreas técnicas da piscicultura, onde quase não há a presença feminina. As comunidades receberam capacitações e oficinas práticas com distribuição de alevinos.

A expectativa a longo prazo é que as comunidades virem referência regional em produção sustentável de peixes, com a produção de alevinos e na formação de novos empreendedores na aquicultura familiar. Além da experiência poder ser replicada em outras localidades da Amazônia.

O estudo possibilitou a elaboração de materiais didáticos, apresentação em eventos e produções de artigos científicos.

*Com informações da Fapeam

#Especial – Quem faz a ópera no Amazonas Conheça o coralista Márcio Cruz

O coralista da ópera, Márcio Cruz. Foto: Layanna Coelho/Amazon Sat

Um coro, na música, é um conjunto de cantores que se apresentam divididos em tipos de voz – sopranos, contraltos, tenores, baixos – para criar uma harmonia. Os coros podem cantar música clássica ou popular, com ou sem a presença de instrumentos musicais.

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Diferente do que se pode imaginar, nem todos que cantam em um coral cantam em ópera. No entanto, tradicionalmente, o Festival Amazonas de Ópera (FAO) conta com a participação de membros do Coral do Amazonas, como o coralista Márcio da Cruz.

O coralista da ópera
O coralista da ópera, Márcio Cruz. Foto: Portal Amazônia

Há pelo menos 25 anos, Márcio faz parte do Coral, que foi criado em 1997 (no mesmo ano do primeiro FAO), para atender ao Programa de Música Erudita e Artes da Secretaria de Cultura. 

Ele participou de vários projetos de capacitação e fez parte das primeiras turmas do Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro, uma das primeiras escolas de artes públicas da Região Norte.

“Minha relação com a música aqui na cidade se deu lá no antigo Centro Cultural Cláudio Santoro, hoje Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro, no início dos anos 2000, quando eu já fazia parte de alguns coros na cidade, coros da UTAM, hoje UEA, e Coral da Nilton Lins. Aí eu fui para o Cláudio Santoro e eu fiz parte do Coral Jovem, que até hoje existe, e do Coral Jovem também fiz parte do Coral de Câmara”, recordou.

Leia também: Festival Amazonas de Ópera 2025: o que são ‘As bodas de Fígaro’?

Contato com a Ópera

Enquanto se profissionalizava como músico, Márcio conta que teve seu primeiro contato com a ópera ainda no início dos anos 2000:

“Em 2001 foi quando eu tive minha primeira experiência com o Coral Jovem. Uma ópera que foi a Flauta Mágica, isso há 24 anos. Depois, no ano seguinte, em 2002, foi quando nós tivemos Cavalleria Rusticana [ópera] e também o Coral Jovem mais uma vez participou. E durante esse tempo, nesse período, eu fui fazendo os concursos para o Coral do Amazonas. Eu fiz por três vezes. Consegui na terceira e desde então, são 20 anos como membro do Coral”.

O coralista da ópera
Foto: Layanna Coelho/Amazon Sat

Como toda a trajetória tem seu início, ele lembra do período entre 2005 a 2009, em que precisava atravessar de balsa, de madrugada, para voltar para o município de Iranduba, onde morava.

“Na época não existia a ponte, era só balsa. E imagina, você sair daqui 23h, 23h30, quase meia noite e tem que voltar para o Iranduba. Eu tinha família aqui em Manaus, mas eu morava lá. E saía toda noite, às vezes correndo daqui para o São Raimundo. E foram quatro anos assim, foi quando eu vim para Manaus, me estabeleci e conheci minha esposa”, acrescentou.

Leia também: Galeria: Jovens e adultos se emocionam e se divertem ao assistir ópera pela primeira vez

O FAO para o músico

Foto: Layanna Coelho/Amazon Sat

O coralista comenta, sob seu ponto de vista, a importância do festival para qualquer músico amazonense: “O Festival Amazonas de Ópera, hoje, é o sonho de qualquer cantor, qualquer coralista nessa cidade, fazer o teste, fazer o concurso, entrar no Coral do Amazonas, esse é o sonho de todo cantor, para um dia estar no palco do Teatro Amazonas, especificamente no Festival Amazonas de Ópera, que, quer queira, quer não, é o nosso maior cartaz, não só em Manaus, não só no Amazonas, mas também no Brasil e no mundo, agora sendo levado para outros países através da direção do FAO”, ressaltou. 

Além de construir sua carreira na música, a música proporcionou o encontro com sua esposa, pianista manauara. 

O coralista da ópera, Márcio Cruz. Foto: Portal Amazônia

“A música já mudou destinos de nações, a música já mudou vidas de pessoas. Então a música, para mim, faz parte da minha vida. Eu sou casado com uma pianista, que é nascida aqui na cidade, viveu desde criança dentro desse teatro também. Sua tia tinha escola de piano, Ivete Ibiapina, e nós nos conhecemos justamente na ópera, ou seja, a minha vida também privada particular, ela respira todo esse mundo da ópera, todo esse mundo da música”, fala o músico de maneira saudosista. 

Por fim, anuncia que a música tem um papel importantíssimo na sua vida – profissional e pessoal – devido a uma linguagem única que a mesma transmite.

“A música da minha vida, seja ela no teatro ou fora, para mim, faz parte da minha vida. Eu tenho as minhas playlists no meu telefone, vivo escutando, onde eu estiver é fone de ouvido e escutando porque o ser humano respira música. Música é uma linguagem única, é indescritível o que a música é para mim, é só vivendo”, finalizou.

Ópera em Rede

O Ópera em Rede é um projeto que tem como objetivos democratizar o acesso à música lírica e a valorização da cultura amazônica, realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), com o apoio de: Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC-AM), Governo do Amazonas e Amazônica Net.

‘Surpresa muito grande’, diz filho de Sacaca após anúncio do enredo da Mangueira para o carnaval 2026

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José Raimundo da Silva Costa, filho de Sacaca de 67 anos e conhecido como ‘Dô Sacaca’. Foto: Divulgação/Raimundo Costa

O Amapá vai ser representando no carnaval de 2026 do Rio de Janeiro pela Estação Primeira de Mangueira por meio da história de Raimundo dos Santos Souza, o ‘Mestre Sacaca’. A família do curandeiro, conhecido como ‘doutor da floresta’, disse que foi pega de surpresa com a homenagem.

A escola de samba carioca apresentou o novo enredo: “Mestre Sacaca do encanto Tucuju – o Guardião da Amazônia Negra”.

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José Raimundo da Silva Costa, filho de Sacaca de 67 anos e conhecido como ‘Dô Sacaca’, disse que não esperava pela homenagem e não suspeitou que aconteceria. Raimundo e a família receberam a notícia através de uma ligação de vídeo de um representante da Mangueira.

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Sacaca e a família — Foto: Divulgação/Raimundo Costa

“O povo carnavalesco da Mangueira veio aqui, mas a gente conversou com eles durante um bom tempo sem saber o que, na verdade, seria. Eles estavam informando que era algo sobre a COP30. Então, atendi muito bem e depois fiquei sabendo que era o pessoal da Mangueira que estava aqui para fazer essa ponte para levar o nome do estado para apresentar para o mundo, na escola de samba que na minha opinião é a maior de todas”, disse Dô Sacaca.

O filho de Sacaca contou ainda que a família estava reunida no momento em que receberam a notícia. A reação foi de felicidade e gratidão, por ter a história da família contada em grande escala.

“Estava reunido com a minha irmã, com meu filho e minha mãe. Foi uma surpresa muito grande […] isso é muito bom para a família e para o estado. É muito importante porque a partir disso a história vai passar a ter um novo olhar. É o mundo todo que fica de olho no carnaval do Rio de Janeiro, então o mundo todo vai ter conhecimento dessa história”, contou.

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Em memória de Sacaca

Raimundo dos Santos Souza, conhecido como ‘Mestre Sacaca’ completaria 100 anos em 2026. O filho, também Raimundo, contou que o pai faleceu há cerca de 30 anos, e que a visibilidade da história mantém a importância de manter a memória de Sacaca viva nas próximas gerações.

Raimundo Costa, filho de sacaca conhecido como ‘Dô Sacaca’ — Foto: Divulgação/Raimundo Costa

“É muito importante para as novas gerações conhecerem quem é essa pessoa que tanto se fala e que muitos jovens não tiveram oportunidade de conhecer. Portanto, eles não têm muito conhecimento. A partir disso aí, a história dele vai ficar. Os jovens vão passar a conhecer melhor quem era o Sacaca”, disse.

Sacaca morreu em 1999 aos 73 anos e hoje dá nome ao Museu Sacaca, no Centro de Macapá. Local repleto de histórias ribeirinhas e indígenas, diferentes plantas e remédios criados com o conhecimento de Sacaca.

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Temática inédita na Mangueira

A escola contou que busca por diferentes histórias brasileiras, e desta vez conta a de Sacaca, um grande representante da Amazônia como um todo. A Mangueira destacou os conhecimentos no tratamento de doenças e do cuidado comunitário por meio de garrafadas, chás, unguentos e simpatias.

Parte da exposição ‘Céu Aberto’ no Museu Sacaca — Foto: GEA/Divulgação

“Ele dedicou a vida à defesa da floresta e das tradições, práticas e culturas afro-indígenas. Por essa razão, a Mangueira, contadora de diferentes histórias brasileiras, celebra essa figura que é uma das caras do nosso país diverso e de dimensões continentais”, disse a escola de samba.

“Estamos falando de algo inédito na historiografia da Mangueira: tratar de costumes afro-indígenas. Mesmo no Brasil, muitas vezes ainda predomina uma visão monolítica sobre a Amazônia, com muitas narrativas e personagens ainda inexplorados ou sem ter a devida atenção”, descreveu Sidnei França, carnavalesco da Mangueira.

Após a morte, Sacaca recebeu a mais alta condecoração da Divine Académie Française des Arts Lettres et Culture. A homenagem póstuma foi concedida em 2018 à família em uma cerimônia no Rio de Janeiro.

Sacaca era conhecido como doutor da floresta — Foto: Divulgação/Raimundo Costa

Sobre a escola

A Mangueira é marcada pela ancestralidade, com batuques, cantos, com uma mistura que representa a essência do brasileiro, com nações africanas, indígenas, brancos: afro-brasileiras, além de ter uma imersão na Candomblé e na Umbanda.

Mangueira em 2025 — Foto: reprodução JN

Considerada segunda maior campeã do carnaval no Rio de Janeiro, Mangueira coleciona 20 títulos. A escola fica atrás somente do Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela que possui 22 títulos.

Em 2025, Mangueira levou para a avenida, o enredo ‘À Flor da Terra – No Rio da Negritude entre Dores e Paixões’, contando sobre a herança dos povos ‘Bantus’, e a influência da cultura e vivência dos cariocas.

Ao final dos desfiles no ano passado, a escola terminou em 6º lugar, última posição do grupo especial, com 269,4 pontos.

Museu de Arte Sacra de Mato Grosso preserva mais de 300 peças históricas e conta com tour virtual

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Museu de Arte Sacra de Mato Grosso. Foto: João Felipe/ Secel-MT

Museus são ambientes que protegem fragmentos da história da humanidade. Desde peças cerâmicas à livros de única publicação, no mundo todo é possível encontrar museus dedicados aos mais diversos temas. Os museus de arte sacra, com teor religioso, são um exemplo da trajetória de fé dos seres humanos. Um deles está em Mato Grosso, estado que compõe a Amazônia Legal.

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O Museu de Arte Sacra de Mato Grosso, fundado em 10 de março de 1980, dentro do Seminário da Conceição, “tem uma rica história preservando peças do século XVIII, remanescentes da Antiga Catedral do Senhor Bom Jesus e da Igreja de Nossa Senhora do Rosário”, segundo informações do site oficial.

De acordo com informações do museu, “em meados do mesmo ano, devido uma forte chuva, parte das instalações do seminário desmoronou, danificando as peças e forçando o acervo a ser transferido para a Fundação Cultural do Mato Grosso, na praça da república. Em 1984 voltou a ocupar o espaço inicial, contudo em 1992, o museu e o seminário fecharam devido a problemas nas instalações, reabrindo somente no ano de 2008 com uma reinauguração depois de um processo de restauração do espaço”.

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Acervo 

O museu abriga elementos da arquitetura clássica, medieval, renascentista, barroca e neoclássica, com um acervo composto por mais de 300 peças entre de alfaias, pratarias, imagens, paramentos, retábulos (estrutura que fica por trás ou acima do altar) e indumentárias dos séculos XVII, XVIII, XIX e XX.

A maior parte das obras tem origem nas antigas igrejas da região, como a Catedral do Senhor Bom Jesus, demolida nos anos 1960, e outras capelas históricas que passaram por processos de renovação e descarte de acervos.

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Um dos destaques do acervo é a reconstituição do quarto de Dom Francisco de Aquino Corrêa, arcebispo de Cuiabá no início do século XX, considerado uma das figuras mais importantes da história da Igreja Católica em Mato Grosso. Seus pertences pessoais, livros, móveis e vestimentas ajudam a contar a história da influência religiosa sobre a formação cultural da capital mato-grossense.

Além disso, o museu também abriga o sino de Nossa Senhora do Despacho, a Tacheira do Sino Pascal, uma cruz trevolada, uma pintura da chegada do bom senhor do Jesus de Cuiabá, crucifixos, livros, cruzes, pinturas e muitas obras relacionadas aos ritos e celebrações da igreja. 

Atividades promovidas pelo museu

O Museu de Arte Sacra também se destaca por suas atividades educativas. Visitas guiadas, oficinas, palestras e exposições permanentes e temporárias fazem parte de sua programação, aproximando a comunidade do patrimônio histórico e incentivando o olhar crítico e sensível sobre a cultura religiosa. 

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Além disso, o site oficial do museu apresenta uma visita virtual. Confira AQUI.

Conheça algumas obras expostas

Pintura da chegada da imagem de Senhor Bom Jesus do Cuiabá

Obra pintada por Fausto Furlan, pintor e cenógrafo, nascido em 1927 em Oderzzo (Itália).

Chegada da imagem de senhor bom Jesus do Cuiabá. Foto: Reprodução/ Museu de Arte Sacra de Mato Grosso

Imagem de São José

A imagem pertencia à antiga Catedral do Bom Jesus de Cuiabá. Escultura é de São José, descendente da casa real de Davi, esposo da Virgem Maria e pai adotivo de Jesus Cristo. Na Bíblia é apresentado como um homem justo que dedicou sua vida aos cuidados de Jesus e Maria.

Foto: Reprodução/ Museu de Arte Sacra de Mato Grosso

Exposição Retábulos da antiga Catedral Senhor Bom Jesus de Cuiabá

Quatro retábulos dos século XVIII e XIX, remanescentes da Antiga Catedral do Senhor Bom Jesus de Cuiabá, demolida em 25 de setembro de 1968.

Foto: Ricardo P. Macedo

Exposição Papa João Paulo II

O Papa João Paulo II, durante seu pontificado, um dos mais longos da história católica, proferiu mais de 20 mil discursos, fez mais de 100 viagens pastorais internacionais, além de ter sido assistido por mais de 18 milhões de pessoas nas audiências gerais. 

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Foto: Ricardo P. Macedo

Exposição Ilustre morador: Dom Francisco de Aquino Corrêa

A exposição está montada nos cômodos que foram utilizados como aposentos de Dom Aquino Corrêa, durante o período em que ele fez do Seminário Nossa Senhora da Conceição sua residência e contém mobílias, pinturas, vestuário litúrgico e objetos que pertenceram a Dom Aquino.

Foto: Ricardo P. Macedo 


Cinema na Escola: ‘Pipoca em Cena’ retorna com oficinas criativas para alunos de Manaus

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Foto: Divulgação/FRAM

Democratizar o acesso à produção audiovisual, incentivar a expressão artística e promover o protagonismo juvenil por meio do cinema. Essa é a proposta do projeto “Pipoca em Cena”, uma iniciativa da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com patrocínio via Lei Rouanet, que realiza oficinas de curtas-metragens em escolas públicas situadas em áreas socialmente vulneráveis.

“O impacto do Pipoca é enorme. A ideia é levar educação por meio da arte. Só o fato de essas crianças e adolescentes terem a oportunidade de retratar a própria realidade e comunidade, sob a perspectiva de quem realmente vive aqui, já faz toda a diferença”, destacou Mariane Cavalcante, diretora executiva da Fundação Rede Amazônica.

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Nesta edição, as atividades ocorrem de 19 a 23 de maio, na Escola Estadual Profª Eliana de Freitas Morais – CMPM 7, localizada no bairro Lago Azul, zona Norte de Manaus. As oficinas são realizadas nos turnos da manhã e da tarde, com participação de alunos do ensino fundamental e médio. O encerramento será marcado pela exibição pública dos filmes produzidos, no dia 30 de maio, reunindo familiares, professores e a comunidade escolar.

“Esses jovens estão trazendo cenas, por meio da curta-metragem, com histórias reais que impactam e deixam uma mensagem para a sociedade. Então, mais do que fazer arte e cultura, eles estão cumprindo um papel social, com filmes muito criativos, de ótima qualidade, e tudo pensado por eles mesmos”, afirmou Keylla Gomes, arte-educadora.

A proposta é que os próprios alunos atuem como roteiristas, diretores e atores de suas histórias, refletindo suas vivências e realidades locais. Os curtas-metragens terão como tema central o meio ambiente.

“A Amazônia é o coração do Brasil, e nós somos conhecidos por nossas florestas. Sentir que as pessoas estão destruindo o que temos de mais importante no nosso estado é muito doloroso. Por meio do curta, eu espero conseguir mostrar tudo isso”, declarou Eloah Gomes, estudante participante.

Com um time multidisciplinar à frente da produção, o projeto é conduzido por profissionais das áreas de audiovisual, produção cultural e comunicação, proporcionando aos estudantes uma vivência completa do universo cinematográfico.

“Durante esses dias, eles irão aprender todos os processos de produção audiovisual utilizando os celulares — desde a criação da ideia, passando pela escrita do roteiro. A partir daí, seguem para a fase de produção do filme, desenvolvendo figurino e realizando as gravações. Depois, ensinaremos a edição e, por fim, o material será exibido para toda a escola”, explicou Anderson Mendes, coordenador da oficina.

Além da formação técnica, o Pipoca em Cena também está comprometido com a acessibilidade e inclusão, promovendo conteúdos comunicacionais adaptados às diferentes realidades dos participantes, reforçando o papel da cultura como ferramenta de transformação social.