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Flona de Tefé: agricultura familiar e turismo de base comunitária fortalecem unidade de conservação

Floresta Nacional (Flona) de Tefé. Foto: Mário Oliveira

Na região do Médio Solimões, no Amazonas, entre rios extensos e florestas preservadas, está a Floresta Nacional (Flona) de Tefé, uma unidade de conservação de uso sustentável que representa não só a riqueza da biodiversidade amazônica, mas também a força das comunidades tradicionais que ali vivem.

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Com 856.126,62 hectares, a Flona foi criada em 1989 e ocupa áreas dos municípios de Tefé (47,3%), Alvarães (36,7%), Carauari (4,5%) e Juruá (11,5%), conforme dados oficiais do Instituto Socioambiental (ISA).

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De acordo com o Instituto, cerca de 359 famílias vivem dentro da floresta, distribuídas em 30 comunidades, totalizando uma população estimada de 2.154 pessoas. A principal forma de acesso à unidade é fluvial, feita exclusivamente pelo município de Tefé (AM), o que reforça o isolamento relativo e a necessidade de estratégias sustentáveis de autonomia.

A agricultura familiar é a principal base econômica da Flona, com destaque para as tradicionais roças de mandioca, cujo produto final, a farinha, é comercializado no município. A produção também inclui pesca artesanal e o extrativismo de produtos como castanha-do-pará, açaí, óleo de copaíba e mel de abelha nativo, atividades que integram o modo de vida das comunidades e garantem a preservação da floresta.

Atrativos da Flona

Entre os atrativos, segundo site oficial da Flona de Tefé, destaca-se a trilha interpretativa, conduzida pelos próprios moradores da região, que compartilham não apenas o conhecimento sobre a biodiversidade local, mas também suas histórias de vida, tradições e técnicas de manejo sustentável.

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A culinária local, baseada em ingredientes nativos e receitas passadas de geração em geração, também faz parte da experiência imersiva da floresta. Do mesmo modo, a vivência na Flona Tefé também promove uma troca de experiências entre visitantes, pesquisadores e comunidades, valorizando saberes ancestrais, fortalecendo práticas extrativistas e o turismo de base comunitária.

Trilha interpretativa nas Flona de Tefé. Foto: Reprodução/ Acervo ICMBio

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Laboratório natural para a ciência

A Floresta Nacional de Tefé também possui elevado potencial para pesquisas científicas. Por estar situada no Corredor Central da Amazônia 1, uma das áreas com menores índices de desmatamento da região, ela serve como espaço de estudos sobre conservação, biodiversidade e sustentabilidade.

Segundo dados do ISA, a unidade abriga a quinta maior diversidade de flora do estado do Amazonas, tornando-se uma referência para estudos botânicos e ecológicos.

Criada dentro do Programa de Povos Agropecuários e Agrominerais da Amazônia, a Flona de Tefé tem como objetivo principal promover a exploração sustentável dos recursos naturais, sempre conciliando proteção ambiental e geração de renda para as populações tradicionais.

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Liminar impede mineração ilegal na Terra Indígena Tenharim do Igarapé Preto, no Amazonas

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Terra Indígena Tenharim do Igarapé Preto, no Amazonas. Foto: Agência GOV

A Advocacia-Geral da União (AGU) obteve, na Justiça Federal do Amazonas, decisão liminar que impede a continuidade da degradação e cobra a reparação ambiental causada pela exploração mineral ilegal na Terra Indígena (TI) do Igarapé Preto, no Amazonas. O Juízo entendeu que “a adoção de medidas cautelares é necessária para estancar o agravamento dos danos ambientais, inibir outras práticas prejudiciais ao meio ambiente na mesma área, bem como assegurar a sua futura recuperação”.

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Pressão sobre os indígenas

A Procuradoria Regional Federal da 1ª Região (PRF1), por meio da atuação do Núcleo de Matéria Ambiental, representando o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), ajuizou Ação Civil Pública (ACP) cobrando a responsabilização civil por danos ambientais decorrentes de mineração ilegal e desmatamento de 1.210 hectares dentro da TI. As atividades ilícitas teriam sido autorizadas por caciques locais, que recebiam percentual da produção, conforme relatos de indígenas presentes no local durante a fiscalização da autarquia ambiental.

Na ação, os procuradores federais esclareceram que a Terra Indígena Tenharim do Igarapé Preto, localizada no município de Novo Aripuanã (AM), abriga três povos indígenas: Isolados do Igarapé Preto, Isolados Kaiduwa e Tenharim.

Balsas de garimpo ilegal são encontradas em áreas protegidas em RO. Foto: Divulgação/PF

De acordo com a ACP, os indígenas vêm sofrendo grande pressão do garimpo. Durante fiscalização ambiental, realizada no âmbito da Operação Warã II, foram encontradas áreas mineradas totalmente degradadas e a terra estéril. Os cursos d’águas próximos foram desviados para que o leito original pudesse ser minerado, extinguindo a existência de qualquer possível forma de vida aquática. No local, teriam sido encontradas também escavadeiras hidráulicas, maquinários pesados, motobombas, mangueiras, mangotes, entre outros equipamentos utilizados na garimpagem.

Diante disso, foram lavrados autos de infração, por extração ilegal de minerais e por impedir a regeneração natural de floresta em área especialmente protegida, com aplicação de multa no valor de R$ 6.050.000,00 a cada um dos infratores – os dois caciques e o ocupante do imóvel. Também foi embargada a área desmatada sem autorização ambiental. Segundo constatado em fiscalizações, embora a área permaneça embargada, segue sendo explorada ilegalmente, o que evidencia a atualidade dos danos e o descumprimento das medidas administrativas.

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Medidas

Além da reparação ambiental, a AGU pleiteou, liminarmente, a proibição dos réus explorarem a área desmatada, a suspensão de financiamentos e incentivos fiscais e a decretação da indisponibilidade de bens móveis e imóveis dos réus no montante de R$ 18,5 milhões, referente ao custo da reparação do dano in natura e ao dano moral coletivo.

Atividade de mineração em terra indígena: Foto: Divulgação/Instituto Socioambiental

Os procuradores federais argumentaram que a responsabilidade por danos ambientais é de natureza objetiva, sendo obrigação do infrator atual ou anterior adotar as medidas necessárias à regeneração ambiental, visando proteger toda a coletividade, em observância do princípio do poluidor-pagador.

Na ação, a AGU afirmou ser indubitável a gravidade do dano ambiental, principalmente considerando tratar-se de terra indígena, o que justificaria a manutenção do embargo imposto pelo Ibama, visando estancar um perigo real e imediato de dano ao direito de reparação da área degradada, impedindo-se dos réus que se aproveitem, ainda mais, do ato ilegal praticado.

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Decisão

O Juízo da 7ª Vara Federal da Seção Judiciária do Amazonas reconheceu o risco e deferiu a tutela de urgência para impedir a degradação. Como a AGU comprovou que os réus estavam descumprindo o embargo administrativo da área desmatada, continuando a explorar a área embargada, o magistrado decretou a proibição dos requeridos de explorar a região, pois “o contumaz desmatamento ilícito e o persistente descumprimento de embargos de área teriam resultado em expressivo dano ambiental, circunstâncias que revelam que os infratores não se deixam acanhar pela fiscalização ambiental”.

Segundo a procuradora federal Rafael Maia Montenegro de Araújo, coordenadora substituta do Núcleo de Meio Ambiente da Equipe de Matéria Finalística da PRF da 1ª Região, a decisão representa um importante marco na proteção da Floresta Amazônica e dos direitos dos povos indígenas. “A atuação da AGU e a resposta da Justiça representam o compromisso do Estado brasileiro com a preservação ambiental e a integridade dos territórios tradicionais. O resultado é fruto de um intenso trabalho coordenado entre órgãos da PGF e do Ibama, que atuaram na identificação, fiscalização e documentação das graves infrações ambientais”, ressaltou. A PRF 1ª Região é unidade da Procuradoria-Geral Federal, órgão da AGU.

Processo de referência: Ação Civil Pública nº 1016500-64.2020.4.01.3200 – Seção Judiciária do Amazonas

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*Com informações da Advocacia Geral da União

Mosca-das-galhas: nova praga causa grandes prejuízos em plantações de mandioca no Tocantins

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Chamada mosca-das-galhas da mandioca. Foto: Daniel Fragoso

Depois da vassoura-de-bruxa na mandioca provocar estado de emergência fitossanitária no Pará e no Amapá em janeiro de 2025, agora, uma outra praga, que até então não causava maiores problemas nas lavouras, tornou-se a principal preocupação dos mandiocultores no Tocantins.

Saiba mais: O que é vassoura-de-bruxa? Veja a importância da produção do cacau no desenvolvimento da Região Norte

A chamada mosca-das-galhas da mandioca (Jatrophobia brasiliensis) está ocorrendo em altas infestações e, em alguns casos, acarretando perdas de até 100% em plantios novos do tubérculo no Tocantins e em outras regiões do país. A Embrapa Pesca e Aquicultura (Palmas-TO) está dando suporte aos extensionistas do Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins (Ruraltins) e produtores da região.

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Chamada mosca-das-galhas da mandioca. Foto: Daniel Fragoso

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O manejo integrado de pragas (MIP) deve ser empregado com estratégia de controle, utilizando os métodos de controle de forma integrada, incluindo, em último caso, a aplicação de defensivos químicos. Pesquisadores e produtores ainda estão realizando experimentos e testes de produtos químicos e biológicos para combater a praga, sobre a qual praticamente não há estudos a respeito.

Cristiano Barros, que planta mandioca no Polo de Fruticultura Irrigada São João, é um dos mandiocultores atingidos. “No final do ano passado, quando fizemos o plantio, ela apareceu, mas achamos que era como todos os anos, algo pontual aqui e ali, sem causar prejuízos. Entraram as festas de fim de ano e não demos muita atenção. Quando fomos ver, ela se instalou de uma maneira que precisamos gradear (passar a máquina, destruindo a plantação) e plantar tudo de novo”, lamenta ele.

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Morte de plantas jovens

Segundo o entomologista Daniel Fragoso, pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, os danos às plantas são causados pelas larvas, que se alimentam dos tecidos internos do vegetal. Quando atacadas, as plantas reagem formando galhas ou verrugas – estruturas que comprometem a fotossíntese e o vigor da planta.

Como resultado, acontece a paralização do crescimento, perda da produtividade e, em casos severos, morte de plantas jovens. “Trata-se de pequenas moscas de coloração amarela que depositam ovos nas folhas, onde as larvas eclodem e começam a se alimentar do tecido foliar. A planta reage e forma as galhas ou verrugas”, explica ele.

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Chamada mosca-das-galhas da mandioca. Foto: Daniel Fragoso

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Algumas hipóteses estão sendo levantadas para justificar o surto. Entre elas, o maior uso de inseticidas para o combate à mosca branca na safra passada, que poderia ter reduzido a população de  parasitoides, que são agentes de controle biológico da mosca-das-galhas  da mosca-das-galhas da mandioca neste ano.

Com a troca de informações entre pesquisadores da Embrapa e produtores, estão sendo realizados estudos e análises sobre formas mais eficazes de combate à praga. “A identificação precoce e o monitoramento são essenciais para o manejo”, destaca Fragoso.

No contexto do manejo integrado de pragas (MIP), recomenda-se o plantio no período seco em áreas que possuem sistemas de irrigação; uso de cultivares resistentes (Maniçobeira, Jari e Santa Bárbara) nas bordaduras, eliminação de restos culturais, catação e destruição das folhas com alta infestação, rotação de culturas e práticas que favoreçam o controle biológico natural por inimigos naturais, como parasitóides.

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Chamada mosca-das-galhas da mandioca. Foto: Daniel Fragoso

“Em casos de alta infestação, o controle químico é necessário, com critério técnico e rotatividade de ingredientes ativos, para evitar o desenvolvimento de resistência aos produtos usados”, ressalta Fragoso. “O manejo integrado de pragas visa o equilíbrio entre técnicas e medidas eficazes de controle, garantindo a produtividade com sustentabilidade nos sistemas produtivos”.

*Com informações da Embrapa Pesca e Aquicultura

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Murumuru: semente utilizada como cosmético pode ser utilizada na construção civil

Murumuru é utilizada na indústria de cosmético. Foto: site beleza verde

Amplamente encontrado em terrenos alagados na região amazônica, o murumuruzeiro tem ganhado importante destaque, principalmente por seu potencial econômico. O óleo extraído das amêndoas de seu fruto transforma-se em uma gordura semissólida, denominada manteiga de murumuru, e muito utilizada na indústria de cosméticos para fabricação de sabonetes, cremes e xampus, por exemplo.

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Engana-se, entretanto, quem imagina que suas aplicações restringem-se a formulações ligadas ao mundo da beleza. É o que aponta uma pesquisa realizada na Universidade Federal do Pará que testou as cinzas da casca do murumuru como componente de concreto estrutural.

Murumuru
Murumuru. Ilustração: Gabriela Cardoso

Graduado em Engenharia Civil, Milleno Ramos de Souza foi quem conduziu o estudo que contou com orientação do professor Marcelo Rassy Teixeira e coorientação da professora Luciana de Nazaré Pinheiro Cordeiro. A pesquisa buscava uma solução voltada a minimizar o impacto ambiental decorrente da grande utilização do cimento no setor construtivo civil.

“O cimento hoje é o segundo elemento mais utilizado no mundo, fica atrás apenas da água. Popular na construção civil, é utilizado em larga escala, no entanto sua produção acarreta uma grande poluição ambiental, em virtude de a queima para sua fabricação lançar muito CO2 na atmosfera”, destaca o autor da dissertação Estudo da potencialidade da cinza da casca do murumuru, um resíduo agroindustrial amazônico como filler ao concreto estrutural.

Murumuru
Murumuru. Foto: Wikipedia/reprodução

Apresentada no Programa de Pós-Graduação em Infraestrutura e Desenvolvimento Energético da UFPA (PPGINDE), vinculado ao Núcleo de Desenvolvimento Amazônico em Engenharia (NDAE), a pesquisa teve como objetivo analisar as características e o comportamento que o resíduo do fruto teria quando misturado ao concreto estrutural. A escolha do murumuru como base para o estudo levou em consideração o fato de o processo de extração da polpa nas cooperativas deixar uma quantidade considerável de resíduos advindos da casca do fruto.

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Produto tem melhor elasticidade e pouca penetração de água

Para o estudo, inicialmente foi feita uma coleta dos resíduos pré-triturados em uma cooperativa. O material foi queimado a 200ºC, moído e peneirado até passar por uma malha de 75 µm, atingindo, assim, o tamanho filler – um pó bastante fino, comumente utilizado como material de enchimento em concretos e argamassas.

 Após a obtenção das cinzas, seguiram-se os experimentos físicos e químicos para obtenção do concreto, o que incluiu um processo de substituição do cimento em diferentes percentuais. Nesta etapa, foram feitas análises de resistência à compressão; resistência à tração; módulo de elasticidade; absorção de água; entre outros experimentos.

Murumuru
Murumuru. Foto: Reprodução

Os resultados foram satisfatórios. O uso do murumuru foi capaz de deixar o concreto mais leve e resistente. A percentagem melhor avaliada foi a de 6% do resíduo do murumuru em relação ao cimento. “Obtiveram-se resultados com ganho em incremento, resistência à compressão e à tração no concreto, além de um melhor módulo de elasticidade e pouca penetração de água, graças ao efeito filler gerado pelo resíduo no concreto estrutural”, ressalta Milleno de Souza.

Além disso, a pesquisa apresentou uma solução para duas problemáticas ambientais, a primeira, em relação à produção de cimento, que lança para a atmosfera uma quantidade considerável de CO2; e a segunda, ligada à destinação final, no setor agrícola, dos resíduos do murumuru, os quais, em sua maioria, são queimados a céu aberto ou depositados em aterros sanitários.

“Com este trabalho, mostramos que diversos resíduos podem ser estudados no setor da construção civil, como incremento ao concreto, por exemplo. Pesquisas, nesse sentido, podem apontar inúmeros benefícios para a indústria da construção civil, como aumento da resistência e melhora na durabilidade do concreto, quanto contribuir com soluções ambientais, já que você vai retirar parte desse cimento e substituí-lo por uma cinza de resíduo vegetal. Este é um estudo bastante valoroso para o melhoramento da ciência, afinal a incentiva em estudos que mostram um resíduo regional da Amazônia sendo utilizado”, defende o pesquisador.

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Sobre a pesquisa

A dissertação Estudo da potencialidade da cinza da casca do murumuru, um resíduo agroindustrial amazônico como filler ao concreto estrutural foi defendida por Milleno Ramos de Souza, em 2022, no Programa de Pós-Graduação em Infraestrutura e Desenvolvimento Energético (PPGINDE/NDAE/Campus Tucuruí), da Universidade Federal do Pará.

CV Lattes: Orientação: Marcelo Rassy Teixeira, coorientação: Luciana de Nazaré Pinheiro Cordeiro.

*Fonte: Beira do Rio edição 174 – Março, Abril e Maio

Boa Vista Junina 2025 – Arquibancadas montadas na praça Fábio Paracat terão capacidade para receber mais de 5 mil pessoas

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A estrutura contará com um espaço maior e uma cenografia temática especial, inspirada em cordéis, no sertão nordestino e na arte da xilogravura. Foto: Jonathas Oliveira/PMBV

A estrutura do Maior Arraial da Amazônia já começou a ser montada na Praça Fábio Marques Paracat. E neste ano, as arquibancadas vão receber mais de 5 mil pessoas por noite para assistirem os espetáculos das quadrilhas. A festa acontece de 3 a 8 de junho e virá com o tema “Boa Vista Junina 25 anos – Dançar quadrilha com a família é pura tradição”, reforçando a identidade cultural construída e celebrada ao longo de gerações.

A estrutura contará com um espaço maior e uma cenografia temática especial, inspirada em cordéis, no sertão nordestino e na arte da xilogravura. Além disso, o evento terá a tradicional praça de alimentação com comidas típicas de São João, além de espaços dedicados a empreendedores locais, contando também com a feirinha de turismo e uma área gastronômica diversificada.

O evento terá a tradicional praça de alimentação, além de espaços dedicados a empreendedores locais. Foto: Jonathas Oliveira/PMBV

“Toda a infraestrutura do Boa Vista Junina foi planejada para ampliar a grandiosidade do evento, garantir mais conforto ao público, aumentar a capacidade de atendimento e, ao mesmo tempo, oferecer uma estrutura de qualidade à cidade e aos artistas envolvidos”, destacou Dyego Monnzaho, presidente da Fundação de Educação, Turismo, Esporte e Cultura (FETEC).

“Toda a infraestrutura do Boa Vista Junina foi planejada para ampliar a grandiosidade do evento”, disse o presidente da Fetec, Dyego Monnzaho. Foto: Jonathas Oliveira/PMBV

Este ano, o Boa Vista Junina contará com a participação de 28 grupos de quadrilhas, sendo 12 do Grupo Especial, 12 de Acesso e 4 Emergentes, que prometem encantar o público com espetáculos coreografados que exaltam o espírito nordestino e a força identitária do povo roraimense.

Barco autônomo com inteligência artificial vai monitorar qualidade da água no Xingu, na área da Usina Belo Monte

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O barco autônomo movido a energia solar. Foto: Divulgação Norte Energia

Um barco autônomo movido a energia solar vai monitorar, em tempo real, a qualidade da água do rio Xingu na área de influência da Usina Hidrelétrica Belo Monte, no Pará. O projeto quer revolucionar a forma como são realizadas as coletas e análises de dados ambientais em locais de difícil acesso, como é o caso da região amazônica.

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A solução, que já está em fase de testes, é fruto de um projeto de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação (PDI) da Norte Energia, concessionária da usina, desenvolvido em parceria com a Fundação CERTI, USSV Tecnologia Autônoma e o Instituto CERTI Amazônia (ICA) e regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).

Equipada com uma sonda multiparamétrica, o barco navega em modo autônomo por um trajeto pré-definido pelos operadores, monitorando a qualidade da água em diversos pontos estratégicos do rio. Os dados coletados são transmitidos em tempo real via satélite para um software com Inteligência Artificial capaz de fazer uma predição da qualidade da água.  

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Barco autônomo com inteligência artificial vai monitorar qualidade da água no Xingu
O barco autônomo movido a energia solar. Foto: Divulgação Norte Energia

Uma das principais vantagens do barco é evitar o deslocamento de equipes em grandes áreas, como é o caso dos reservatórios das hidrelétricas. “O uso da embarcação autônoma permite que áreas de difícil acesso possam ser monitoradas com frequência, independentemente da condição climática, preservando os técnicos de exposição a riscos e reduzindo custos operacionais”, destaca Lorenzo Cardoso de Souza, CEO da USSV Tecnologia Autônoma, empresa responsável pelo desenvolvimento do barco.

O protótipo foi equipado com três baterias de litium, carregadas por 12 placas solares, de 100W cada, que dispensam o uso de combustíveis fósseis tão comuns nas embarcações amazônicas. A energia armazenada nas baterias garante uma autonomia de 20 horas de navegação, podendo alcançar uma área de monitoramento de 500 km². 

A Norte Energia investiu quase R$ 4 milhões na inovação que poderá, futuramente, ser replicada em monitoramentos de outras hidrelétricas instaladas em grandes rios da Amazônia. “O projeto inova ao aliar princípios da gestão de recursos hídricos, da ciência e da sustentabilidade. Com a utilização de equipamentos de última geração, a visualização dos dados em tempo real possibilitará o melhor acompanhamento da boa saúde dos reservatórios. O processo de transição energética também foi considerado, com a redução do uso de combustíveis fósseis para acessar as áreas monitoradas”, destaca Roberto Silva, gerente de Meios Físico e Biótico da Norte Energia.

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Inteligência artificial na análise de dados

O projeto contará ainda com módulos em nuvem para o armazenamento e processamento dos dados coletados. Com o uso de inteligência artificial (IA), indicadores-chave sobre a qualidade da água poderão ser previstos apenas com os dados adquiridos pela embarcação, sem a necessidade de análises laboratoriais adicionais. 

O barco autônomo movido a energia solar. Foto: Divulgação Norte Energia

“Com uma sonda capaz de analisar múltiplos parâmetros, o sistema monitora variáveis importantes como temperatura, turbidez, pH e oxigênio dissolvido, proporcionando informações mais precisas, seguras e em tempo real sobre a qualidade da água”, explica Marcelo Pedroso Curtarelli, coordenador de projetos do Centro de Economia Verde da CERTI, desenvolvedor do sistema de processamento dos dados.

A embarcação está atualmente em fase de testes e entrará em operação assistida no reservatório intermediário de Belo Monte no segundo semestre deste ano. 

Usina Hidrelétrica Belo Monte

Usina Hidrelétrica Belo Monte. Foto: UHE Belo Monte

A principal fonte geradora de energia elétrica, no Brasil, são as hidrelétricas. De todo o território nacional, o estado do Pará é um dos maiores produtores dessa fonte de energia e possui duas das principais hidrelétricas do país: Tucuruí e Belo Monte.

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Rondônia se destaca entre os estados com maior crescimento da produção agrícola do país

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Conab aponta que o estado de Rondônia teve 29,4% de crescimento. Foto: Governo de RO

Rondônia se destaca entre os estados com melhor desempenho no 8º Levantamento da Safra de Grãos 2024/25 divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que aponta um novo recorde nacional na produção agrícola.

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O país deve alcançar 332,9 milhões de toneladas, com destaque para a soja, milho e arroz. O governo de Rondônia comemora os resultados positivos apontados pelo relatório que são um reflexo direto dos investimentos contínuos em tecnologia, infraestrutura e apoio ao produtor rural.

O relatório da Conab aponta que os estados de Rondônia e Mato Grosso do Sul tiveram 29,4% de crescimento na safra de grãos, o maior do país e bem maior que a média nacional que foi de 14%. Rondônia registrou 4.153,4 toneladas em 2023/2024 e 5.373,5 toneladas na safra 2024/2025. Veja no arquivo abaixo:

Leia também: Porto Velho foi o município rondoniense com maior produção de soja em 2023

O governador de Rondônia, Marcos Rocha ressaltou o papel estratégico do estado no crescimento da produção nacional. “Estamos colhendo os frutos de um trabalho sério e comprometido com o desenvolvimento do agronegócio. O governo do estado tem investido na melhoria de estradas, no fortalecimento da assistência técnica e no estímulo à agricultura familiar e empresarial. Esses resultados mostram que estamos no caminho certo, fazendo a diferença na vida de quem produz e de quem consome”, pontuou.

A colheita da soja no Brasil alcançou 97,7% da área cultivada na primeira semana de maio, e a safra 2024/25 continua confirmando-se como a maior já colhida na história do país. Entre os destaques está a produtividade da soja em Rondônia, que atingiu patamares históricos, acompanhando o desempenho nacional que prevê 168,3 milhões de toneladas.

Leia também: Produção de grãos em Rondônia na safra 2023/2024 está estimada em mais de 4 milhões de toneladas

Rondônia se destaca
Conab aponta que o estado de Rondônia teve 29,4% de crescimento. Foto: Governo de RO

O relatório aponta que as condições climáticas favoráveis e o profissionalismo dos produtores rurais, aliados a políticas públicas eficientes, têm elevado a competitividade do setor. No milho, o Estado também contribui para a estimativa nacional de 126,9 milhões de toneladas, resultado impulsionado pelo bom planejamento e gestão das lavouras.

Investimentos

O secretário de Estado da Agricultura, Luiz Paulo, reforça que o governo do estado tem atuado para garantir condições favoráveis ao produtor rural no campo. “Programas de crédito rural, incentivo à mecanização, capacitação de técnicos e agricultores e políticas de escoamento da produção têm sido fundamentais para alcançar esse desempenho. O apoio ao produtor rural é prioridade para esta gestão”, destacou.

Referência

Com esses avanços, Rondônia consolida sua posição como referência no agronegócio brasileiro. Os números da Conab não apenas confirmam o bom momento do setor, mas também reforçam a importância de políticas públicas consistentes, voltadas ao crescimento sustentável da produção agrícola. O governo de Rondônia segue comprometido em apoiar o campo, gerando emprego, renda e alimento de qualidade para o Brasil e o mundo.

Acompanhe a safra brasileira de grãos abaixo:

Uso da tafenoquina reduz tempo de tratamento da malária vivax, e Rondônia é pioneira na implantação

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O medicamento para malária vivax, reduz de 7, para apenas 3 dias o tempo de tratamento. Foto: Governo de RO

Rondônia reafirma seu protagonismo no enfrentamento à malária com a retomada da implantação da tafenoquina. O medicamento é um avanço no tratamento da malária vivax, reduzindo de 7 para apenas 3 dias o tempo de tratamento, com mais eficácia e segurança.

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A iniciativa é conduzida pela Agência Estadual de Vigilância em Saúde de Rondônia (Agevisa/RO), com apoio do Ministério da Saúde (MS), do Centro de Medicina Tropical de Rondônia (Cepem) e das secretarias municipais de saúde. Após capacitações anteriores realizadas em 2024 nos municípios de Porto Velho, Guajará-Mirim, Candeias do Jamari e Nova Mamoré, o estado retoma agora, em maio de 2025, a segunda fase da implantação com um novo ciclo de formações e oficinas práticas.

tratamento da malária vivax
O medicamento para malária vivax, reduz de 7, para apenas 3 dias o tempo de tratamento. Foto: Governo de RO

Entre os dias 19 e 22 de maio, estão sendo realizadas reuniões técnicas e oficinas nos municípios de Itapuã do Oeste, Machadinho d’Oeste, Ariquemes e Alto Paraíso, envolvendo equipes municipais de saúde. O gerente da Gerência Técnica de Vigilância em Saúde Ambiental (GTVAM), Pedro Magalhães, explicou que a programação contempla orientações clínicas sobre o uso da tafenoquina e a aplicação do teste rápido da enzima G6PD, essencial para garantir a segurança do paciente antes do início do tratamento. O fornecimento do medicamento e dos biossensores utilizados no teste G6PD é feito pelo Ministério da Saúde e distribuído pela Agevisa/RO aos municípios contemplados.

O governador de Rondônia, Marcos Rocha, ressaltou o comprometimento do estado com a inovação e a saúde pública. “Rondônia tem dado exemplo de inovação e compromisso com a saúde da população. A adoção da tafenoquina é um avanço significativo no tratamento da malária e representa um ganho direto para a qualidade de vida dos rondonienses.”

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Tratamento

tratamento da malária vivax
Arte de tratamento contra a malária. Imagem: Governo de RO

A tafenoquina é utilizada no tratamento de casos novos de malária vivax e deve ser administrada após a realização do teste de G6PD, que detecta a deficiência da enzima Glicose-6-Fosfato Desidrogenase. Essa condição, presente em parte da população, pode provocar reações adversas ao medicamento. O teste, que é simples e rápido, com resultado em cerca de 15 minutos, determina se o paciente pode ou não receber o tratamento com segurança.

O diretor-geral da Agevisa/RO, Gilvander Gregório de Lima, enfatizou a importância da inovação terapêutica aliada à segurança clínica. “A tafenoquina oferece tratamento rápido e eficaz, com uma dose única associada à cloroquina, proporcionando maior adesão e resultado para o paciente. Mas o mais importante é a segurança: por isso o teste de G6PD é indispensável antes da administração.”

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Retomada e implantação

O coordenador estadual da Malária da Agevisa/RO, Valdir França, destacou o esforço conjunto para viabilizar a retomada da implantação do medicamento.

“Desde julho de 2024 iniciamos a implantação em Porto Velho. Em dezembro, implantamos nos municípios de Guajará-Mirim, Nova Mamoré, Candeias e no Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) da Casa de Apoio à Saúde Indígena (Casai) de Guajará Mirim. Esse processo é fruto de um estudo clínico iniciado em 2018, que foi desenvolvido por três anos em Porto Velho e Manaus, e agora colhemos os resultados com a aplicação prática nas regiões endêmicas.”

A retomada da implantação da tafenoquina consolida Rondônia como estado referência no controle da malária, promovendo saúde com eficácia, inovação e segurança para a população.

Durante a oficina em Itapuã do Oeste, a técnica do Cepem, médica Mariana Vasconcelos, iniciou a capacitação com uma contextualização histórica do uso do medicamento pelo exército americano e reforçou a necessidade do teste prévio de G6PD. Ela ressaltou que a G6PD é uma enzima presente no organismo, e que antes de usar a tafenoquina, é fundamental realizar o teste. O teste garante a segurança do paciente e permite uma cura radical da malária vivax.

Grupo determina proporção ideal de nutrientes na dieta do tambaqui, o que pode baixar o custo da ração

Experimento mostrou que a formulação ideal tem 260 g/kg de proteína digestível e 180 g/kg de amido. foto: Gabriela Carli

Estudo conduzido no campus de Dracena da Universidade Estadual Paulista (Unesp) demonstrou que juvenis de tambaqui (Colossoma macropomum) conseguem utilizar carboidratos como fonte de energia, poupando o uso de proteína – o ingrediente mais caro das rações para peixes.

Os resultados, publicados no Journal of Animal Physiology and Animal Nutrition, indicam que a formulação ideal para aliar desempenho zootécnico e metabolismo animal de forma mais sustentável é a dieta com 260 gramas por quilo (g/kg) de proteína digestível e 180 g/kg de amido.

O estudo faz parte de um projeto apoiado pela FAPESP e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). É coordenado por Leonardo Takahashi, professor da Faculdade de Ciências Agrárias e Tecnológicas (FCAT-Unesp), e envolve pesquisadores do Centro de Aquicultura (Caunesp). O grupo avaliou seis dietas formuladas com diferentes proporções de proteína e carboidrato.

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“A nutrição é um dos principais desafios na produção de peixes, pois a alimentação corresponde a mais de 70% dos gastos totais e a proteína é um fator que encarece muito a ração”, explica Gabriela Carli, primeira autora do artigo, que realizou a pesquisa durante seu mestrado no Programa de Pós-Graduação em Aquicultura do Caunesp.

Além da aplicação direta na formulação de rações, o estudo contribui para desfazer a ideia, ainda presente em parte da literatura, de que peixes são intolerantes ao carboidrato. “Muitos dos estudos clássicos foram feitos com peixes de clima temperado, como salmões e trutas. Mas os nossos peixes nativos, como o tambaqui, têm um metabolismo diferente e precisam ser estudados com base em sua ecologia e dieta natural”, explica Takahashi.

O tambaqui é um peixe da região amazônica que se alimenta de frutos e sementes que caem na beira do rio, além de outros organismos vivos menores, por isso é considerado onívoro. “Isso sugere que a espécie possui mecanismos fisiológicos para a utilização de alimentos ricos em carboidratos”, considera Takahashi.

Leia também: Pesquisa aumenta em mais de duas vezes o ganho de peso de tambaqui em tanque-rede

Em trabalho anterior (2022), os cientistas avaliaram a resposta metabólica do tambaqui à glicose e à frutose. Os resultados mostraram que o tambaqui aproveita de forma eficiente a glicose e frutose presentes em sua dieta na natureza.

“Com isso, vimos que o tambaqui é metabolicamente bem adaptado ao consumo de carboidratos, o que nos deu base para pensar numa formulação com maior teor de amido”, comenta Takahashi. “Esse estudo foi essencial para entender o funcionamento bioquímico do tambaqui e definir uma dieta mais eficiente no novo trabalho”, completa o pesquisador.

Efeito poupador de proteína

“Nós trabalhamos com a hipótese de que o tambaqui, sendo um peixe onívoro da bacia amazônica, naturalmente exposto a frutos e sementes, teria um metabolismo capaz de aproveitar bem os carboidratos como fonte de energia”, explica Takahashi. “Ao confirmarmos isso, conseguimos formular uma dieta com menos proteína e mais carboidrato, sem prejuízo ao desempenho zootécnico”, relata.

O conceito de “efeito poupador de proteína” busca justamente substituir parte da proteína utilizada como fonte de energia por fontes mais baratas, como carboidratos ou lipídios. Com isso, a proteína passa a ser usada prioritariamente para o crescimento dos peixes – sua principal função biológica – e não como combustível energético.

As dietas testadas foram formuladas de forma isoenergética, ou seja, com a mesma quantidade de energia digestível, respeitando as exigências nutricionais conhecidas para o tambaqui. Foram combinados três níveis de proteína digestível (230, 260 e 290 gramas por quilograma) e dois níveis de amido (180 e 280 gramas por quilograma), totalizando seis dietas experimentais.

A formulação teve como referência os parâmetros estabelecidos por estudos anteriores. As fontes proteicas incluíram farelo de soja, farinha de peixe e glúten de milho; o amido de milho foi utilizado como principal fonte de carboidrato, e, o óleo de soja, como fonte lipídica.

O grupo avaliou seis dietas formuladas com diferentes proporções de proteína e carboidrato. Foto: Gabriela Carli

“Os ingredientes proteicos são os que têm maior impacto no custo da ração”, afirma Takahashi. “Se o peixe for capaz de usar carboidrato como fonte de energia, conseguimos reduzir a inclusão de proteína, baratear a dieta e, ao mesmo tempo, minimizar a excreção de compostos nitrogenados, como a amônia, que são tóxicos e prejudiciais tanto ao peixe quanto ao ambiente”, comenta o pesquisador.

A excreção de amônia é uma preocupação importante na piscicultura intensiva, pois seu acúmulo pode comprometer a qualidade da água e provocar mortalidade nos viveiros. A menor presença de resíduos nitrogenados, associada ao uso eficiente de nutrientes, contribui para tornar a produção mais sustentável.

O estudo também abre caminho para o uso de ingredientes locais, especialmente na região Norte, onde a produção de tambaqui é concentrada, mas os custos com ração são elevados devido à necessidade de transporte de insumos vindos do Sul e Centro-Oeste. “A continuação desse trabalho é justamente testar ingredientes vegetais disponíveis regionalmente, como resíduos de indústrias de polpa de frutas da Amazônia”, adianta Takahashi.

Carli reforça a importância prática da pesquisa: “A ração representa mais de 70% do custo de produção do peixe. Reduzir esse valor sem comprometer o crescimento do animal tem impacto direto para os produtores, especialmente os de menor escala, que muitas vezes enfrentam dificuldades para adquirir ração adequada”.

A pesquisa foi realizada com juvenis, fase em que o peixe apresenta maior exigência nutricional e o custo da alimentação é mais elevado. “Essa fase permite também maior controle experimental e reflete uma etapa crítica do ciclo produtivo”, acrescenta Takahashi.

O artigo The Protein/Carbohydrate Ratio in the Diet Affects Zootechnical Performance and the Regulation of Intermediary Metabolism in Juveniles Tambaqui (Colossoma macropomum) pode ser lido em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/jpn.14060.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Fapesp, com informações da Assessoria de Comunicação do Programa de Pós-Graduação em Aquicultura da Unesp Jaboticabal.

Relatório aponta que garimpo ilegal não diminui e afeta drasticamente ecossistema amazônico

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Foto: Fábio NAscimento/Greenpeace

O Greenpeace Brasil divulgou o novo relatório Ouro Tóxico – Como a exploração ilegal de ouro na Amazônia alimenta a destruição ambiental, as violações dos direitos indígenas e um comércio global obscuro’ no último mês de abril. A publicação mostra de forma detalhada o panorama atual do garimpo criminoso realizado na floresta amazônica, tal como suas influências ambientais e as comunidades tradicionais locais.

Histórico no País, o garimpo na Amazônia existe desde o período colonial. Entretanto, seus impactos têm se intensificado cada vez mais. Júlia Castro, doutoranda em Antropologia na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP com o tema mineração industrial, comenta o contexto atual da ação criminosa.

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“A gente tem uma expansão descontrolada da atividade. Ele começa a avançar sobre áreas protegidas, contamina rios com mercúrio, devasta a floresta, que é um dos grandes causadores das mudanças no clima. Acho importante ressaltar isso, o deflorestamento intensivo que ele provoca e os conflitos violentos com os povos indígenas e comunidades tradicionais com quem o garimpo entra em contato”.

Mudanças

Com o passar dos anos, a atividade garimpeira e suas técnicas evoluíram. Segundo Júlia, a prática requer um investimento elevado para a exploração do ouro. A necessidade de maquinário pesado, tecnologia de ponta e logística sofisticada requerem um elevado montante de capital.

Além disso, a relação entre os patrões e seus empregados também foi alterada. Baseada em promessas falaciosas e a busca pela prosperidade, os garimpeiros são subordinados em relação a seus chefes. Na maioria das vezes, os trabalhadores são explorados das mais diversas formas.

Tendo em vista a evolução desse negócio obscuro, dados de monitoramento do Greenpeace Brasil de 2023 a 2024 demonstraram que a atividade garimpeira não diminuiu, apenas mudou de uma terra indígena para outra.

Enquanto houve uma redução nas terras Yanomami (-7%), Munduruku (-57%) e Kayapó (-31%), a terra indígena Sararé teve um aumento de 93% na atividade garimpeira amazônica.

Leia também: Garimpo Legal do Ouro na Amazônia: Recomendações para um Adequado Controle dos Impactos Socioambientais

“O problema se agravou nos últimos anos, principalmente no último governo (de 2018 a 2022), com um discurso que abertamente apoiava a atividade. Isso provocou um enfraquecimento da fiscalização e um aumento recorde do garimpo ilegal”, afirma Júlia.

Fiscalização

Para a redução dos impactos do garimpo ilegal, a fiscalização das normas constitucionais por parte dos órgãos governamentais é fundamental, de acordo com a doutoranda. A Constituição Federal define que as jazidas minerais são da União, portanto, exige autorização ou concessão para exploração.

Entretanto, as agências responsáveis por esse controle encontram-se enfraquecidas, como a Agência Nacional da Mineração (ANM). Além disso, a Constituição prevê que as terras indígenas são inalienáveis e indisponíveis para exploração. A única condição para a exploração mineral nessas terras é mediante autorização do Congresso.

As leis nacionais são claras quanto à restrição da exploração de jazidas de ouro e terras indígenas. Entretanto, a fiscalização frágil realizada pelos órgãos públicos agrava ainda mais a problemática. “Outro elemento muito importante também é o fato de ocorrer uma lavagem do ouro ilegal no mercado formal, com a produção de documentos falsos. Isso alimenta essa cadeia e dificulta o controle”, complementa Júlia.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal da USP, escrito por Breno Marino sob supervisão de Paulo Capuzzo