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Saiba o que fazer quando uma mucura aparecer em sua residência

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Mucura, conhecida como gambá. Foto: Fernanda Felisbino/Instituto Água e Terra

A Prefeitura de Palmas (TO) alerta a população para o aumento da presença de mucuras (conhecidas também como gambás) nas áreas urbanas. Esses animais silvestres, comuns em regiões de mata, têm sido vistos com mais frequência em quintais e vias públicas, especialmente com a mudança de estação, alteração nos habitats naturais e maior procura por alimento.

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Apesar da aparência pouco familiar, o animal não representa risco à população. Quando ameaçado, costuma fugir ou se fingir de morto como mecanismo de defesa. A orientação é para que, ao avistar uma mucura, a população evite qualquer tipo de agressão.

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Saiba o que fazer quando uma mucura aparecer
Apesar da aparência pouco familiar, a mucura não representa risco à população. Foto: divulgação

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Segundo a diretora de Fauna Silvestre da Prefeitura de Palmas, Bruna Almeida, a aproximação do período reprodutivo, que começa em julho, também contribui para esse comportamento.

No entanto, ela esclarece que os animais ainda não estão em busca de parceiros, de alimento e abrigo. “Esse aumento na circulação urbana ocorre principalmente por conta da escassez de recursos em seus habitats naturais”, explica.

Saiba o que fazer quando uma mucura aparecer
Apesar da aparência pouco familiar, a mucura não representa risco à população. Foto: divulgação

Bruna Almeida também orienta que, caso o animal seja encontrado dentro de estabelecimentos, o ideal é acionar a Guarda Metropolitana pelo telefone 153, para que seja feito o manejo correto e seguro.

“Também é importante evitar que animais domésticos interajam com a mucura para prevenir acidentes. E, em caso de dúvidas ou necessidade de informações, a Diretoria de Fauna Silvestre está disponível para atender à população”, ressalta.

Leia também: “Muita água, xixica”: conheça espécie de marsupial que viralizou por conta de áudio

O animal 

Erroneamente com ratos e popularmente conhecidos na Amazônia pelo nome de “Mucura”, esses animais são na verdade uma espécie de gambá. Dependendo da região do país, os gambás também são chamados de Timbú, Saruê, Micurê, Sarigué. Na natureza existem seis espécies diferentes de gambá, mamíferos pertencentes à família Didelphidae. No Brasil são encontradas quatro: Gambá-de-orelha-preta (D. aurita), Gambá-de-orelha-branca (D. albiventris), Gambá-comum (D. marsupialis) e o Gambá-amazônico (D. imperfecta).

Apesar da aparência pouco familiar, a mucura não representa risco à população. Foto: divulgação

O nome originário vem do Tupi-guarani wa–ambá, que significa “mama oca” ou “seio oco”. Isso porque são marsupiais, ou seja, possuem o marsúpio, uma espécie de bolsa onde os filhotes ficam alojados e se alimentam até o final de seu desenvolvimento. Por aqui, as mucuras costumam ser confundidas com roedores, seja pela aparência, seja por possuir hábitos noturnos. Porém o que nem todo mundo sabe é que esses animais tem um importante papel biológico. Além de agirem como espalhadores de sementes, também são controladores de pragas.

Os gambás costumam ter uma dieta variada, que também inclui ovos, frutas, lagartos e aves. Embora possuam hábitos solitários, formam casais durante o período reprodutivo. As fêmeas reproduzem cerca de três vezes ao ano, com um período de gestação curto, que leva de 12 a 13 dias. Uma fêmea gera de 10 a 20 filhotes em cada gestação, mas nem todos os filhotes chegam à bolsa (marsúpio). Devido à disputa pela amamentação somente os que se aderem às tetas conseguem sobreviver.

*Com informações da Prefeitura de Palmas

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‘Raio que o parta’? Estilo arquitetônico é parte da história do patrimônio de Belém

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Foto: Reprodução/Rede Raio que o Parta

A expressão ‘Raio que o parta‘ é do arquiteto carioca Donato de Melo Junior, que não tinha uma resposta técnica para explicar o uso de painéis de azulejos coloridos usados pelas famílias de baixa renda de Belém (PA) para embelezar as fachadas de residências nas áreas de expansão da capital paraense, por volta das décadas de 1940 e 1960. 

É um capítulo do movimento modernista na arquitetura de Belém que a prefeitura, por meio de projeto da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Semcult), em parceria com o Conselho de Arquitetura e Urbanismo e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan/Pará), está buscando popularizar.

O  ‘Raio que o parta’ tem movimento forte em Belém, incluindo um perfil (@rederaioqueoparta) nas plataformas digitais e muitos simpatizantes.

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O coletivo foi criado em 2020 pelas amigas Elis Almeida, Elisa Malcher e Gabrielle Arnour, graduadas em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Pará (UFPA), dando início ao mapeamento e catalogação dos exemplares em Belém e no Pará. O coletivo tem página colaborativa na internet, incluindo uma cartilha e detalhes sobre a importância da preservação.

Para Gabrielle Arnour, que atualmente está no Departamento de Turismo da Semcult, o projeto da prefeitura em ampliar a divulgação do patrimônio histórico, seja da arquitetura, das artes e cultura em geral, é muito importante e joga luz num momento da história que a maioria do público desconhece a influência do modernismo nas criações da arquitetura, abandonando os modelos dos casarios clássicos portugueses e seguindo as tendências criadas pelos painéis do mestre Portinari e do arquiteto paraense Alcyr Meira.

Leia também: Conheça 7 lugares tombados como Patrimônios Históricos da Região Norte

Segundo Jorge Pina, arquiteto do Departamento de Patrimônio Histórico da Semcult, o patrimônio histórico segue o ritmo da evolução social e começou em Belém com influência portuguesa, retratado no quadro de Teodoro Braga sobre a fundação da cidade e estilos diversos como colonial, barroco, neoclássico, eclético e modernista e segue até os dias atuais com o legado da urbanização da COP30.

Foto: Reprodução/Rede Raio que o Parta

Para se obter licenciamento para obras no ambiente do patrimônio histórico é necessário procurar a sede da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, na avenida governador José Malcher, 295, bairro de Nazaré e preencher a documentação necessária.

Os procedimentos estão previstos na lei municipal na Lei nº 7.709, de 18 de maio de 1994, que dispõe a preservação e proteção do Patrimônio Histórico, Artístico, Ambiental e Cultural do Município e estabelece as regras para o licenciamento de obras em bens tombados e no Centro Histórico de Belém, incluindo seu entorno.

#Especial – Quem faz a ópera no Amazonas? Conheça o visagista Eugênio Lima

Foto: Diego Andreoletti/Amazon Sat

No teatro, cada elemento visual carrega uma função essencial para a narrativa. E quando se trata de ópera, a estética ganha camadas ainda mais profundas. O visagismo, arte de criar a imagem de um personagem por meio da maquiagem e do penteado, assume papel central nesse processo.

No Festival Amazonas de Ópera (FAO), criado em 1997, essa técnica tem se tornado protagonista, contribuindo diretamente para a imersão do público e a autenticidade das histórias encenadas.

Quem faz a ópera no Amazonas? Conheça o visagista Eugênio Lima
O visagista do Festival Amazonas de Ópera, Eugênio Lima. Foto: Divulgação

Em 2025, o responsável por essa arte no FAO é o amazonense Eugênio Lima, visagista que descobriu sua paixão pela caracterização após uma trajetória que já era ligada à arte e à performance.

“Minha primeira formação foi em dança. A partir daí comecei a me interessar por maquiagem, por estar inserida no processo artístico. Acabei investindo nessa área e me vi trabalhando na caracterização de personagens em espetáculos como concertos de Natal”, relembra.

Leia também: FAO 2025: Como é o processo de criação do figurino em uma ópera?

Da maquiagem à ópera

Bailarino, coreógrafo, maquiador. E visagista. O ponto de virada na carreira de Eugênio aconteceu quando ele foi convidado a assinar sua primeira ópera: ‘Dessana, Dessana’, de Márcio Souza. A partir dali, mergulhou profundamente no universo operístico. “Em 2019, assinei três óperas. Foi quando tive contato com outras áreas como figurino, direção e iluminação”, conta.

Mas afinal, o que é visagismo? Segundo Eugênio, se trata da personificação visual do personagem. “Cada personagem tem uma história, um conteúdo específico, e o visagismo agrega isso. A imagem do personagem – se é bondoso, maldoso, machucado, calvo, se tem um penteado de época – é construída em diálogo com o figurino e a direção. A partir disso, nasce a identidade visual dele”, explica.

Leia também: Galeria: Jovens e adultos se emocionam e se divertem ao assistir ópera pela primeira vez

Bastidores de grandes produções

Com anos de experiência e dezenas de produções no currículo, Eugênio coleciona histórias marcantes. Uma delas aconteceu justamente em sua estreia no FAO, quando precisou assumir a caracterização de várias óperas ao mesmo tempo.

“Eu maquiava quase todos os personagens. Na época, cada um se preparava em seu camarim, então eu circulava por todos com uma logística própria, levando os materiais, montando e desmontando a mala de maquiagem”, lembra.

O visagista do Festival Amazonas de Ópera, Eugênio Lima. Foto: Diego Andreoletti/Amazon Sat

Hoje, o festival conta com um camarim exclusivo para os personagens principais, facilitando o trabalho da equipe de visagismo. Ainda assim, desafios persistem – especialmente os impostos pelo clima amazônico.

“Trabalhar na Amazônia exige pensar em maquiagens com alta durabilidade, oil-free, que resistam até o final do espetáculo”, explica Eugênio. Sua equipe prioriza o conforto dos artistas e a segurança dos produtos utilizados. “Temos que considerar alergias e preferimos produtos veganos, hipoalergênicos. A ideia é que os atores se sintam confortáveis para performar”, completa.

Visagismo é importante para a imersão na história de uma ópera. Foto: Divulgação/Julia Harlley

A busca por excelência inclui testes constantes, pesquisas de produtos e atualização contínua. “Estamos sempre estudando e fazendo cursos para trazer o melhor para a ópera”, afirma o visagista.

Leia também: Festival Amazonas de Ópera 2025: o que são ‘As bodas de Fígaro’?

Mais que um trabalho, uma missão

O FAO não só impulsionou a carreira de Eugênio, como também abriu caminhos para outras descobertas. Hoje, ele lidera uma equipe integrada, capaz de acompanhar todo o processo criativo e técnico de uma produção teatral.

“Descobrimos profissionais incríveis nos bastidores, que geram uma grande repercussão para o conteúdo artístico do Norte, especialmente aqui na Amazônia”, assegura.

Para ele, a ópera se tornou um campo de estudo e evolução, impulsionando-o a buscar sempre por inovação. “Mais do que me descobrir profissionalmente, a ópera me fez entender o valor de estudar cada processo, cada época, cada personagem. Não é só executar – é viver esse momento e crescer com ele, ano após ano, para oferecer sempre o melhor ao público”, conclui.

Ópera em Rede

O Ópera em Rede é um projeto que tem como objetivos democratizar o acesso à música lírica e a valorização da cultura amazônica, realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), com o apoio de: Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC-AM), Governo do Amazonas e Amazônica Net.

“A magia do teatro é muito potente”, afirma cenógrafa do FAO

Foto: Diego Andreoletti/Amazon Sat

Considerada um gênero artístico teatral que consiste em um drama acompanhado de música clássica, a ópera foi criada no final do século XVI e combina vários elementos como: teatro, canto e artes visuais.

E, nas artes visuais, encontra-se um aspecto essencial para a montagem de uma ópera: a cenografia. No Festival Amazonas de Ópera (FAO), considerado um dos maiores da América Latina, cerca de 60 pessoas são responsáveis pela construção cenográfica do espetáculo.

E quem assina a cenografia deste imponente evento, que já faz parte do calendário de programação cultural do Amazonas, é a cenógrafa ítalo-brasileira Giorgia Massetani. Apesar de não ser natural da região amazônica, Giorgia possui relação com a arte local há mais de uma década. 

Trajetória: do universo infantil ao lírico

Formada em Cenografia pela Accademia di Belle Arti di Firenze, na Itália, Massetani se especializou em técnicas plásticas para cenografia teatral. 

O início de sua carreira como cenógrafa foi no teatro infantil, com a companhia Vieni Tela Racconto. Ainda na Itália, trabalhou no ABC Festival.

Seus primeiros contatos com a ópera de fato ocorrem no Musicale Fiorentino, um evento musical que ocorre anualmente em Florença, na Itália; e no Festival Pucciniano de Torre del Lago, dedicado exclusivamente à obra de Giacomo Puccini.

Referências “físicas”

Para a produção de cenários para grandes festivais, como o FAO, Giorgia conta que gosta de mesclar referências de cunho acadêmico, literário e de imagens.

“Eu gosto tanto de procurar e pesquisar no digital, quanto poder ter uma proximidade com uma pesquisa mais bibliográfica, com livros físicos. Para mim, é muito importante ter a possibilidade de fazer pesquisa através de um acervo físico, não somente o digital, que é, sim, interessante, mas também poder ir numa biblioteca, pesquisar na minha própria biblioteca pessoal e poder encontrar as imagens que vão formando os cenários, faz parte do meu processo de pesquisa”, pontua Massetani.

Chegada à Amazônia 

Mas como ela chegou à Amazônia? A vinda de Giorgia para Manaus, como cenógrafa, aconteceu no ano de 2012, quando participou pela primeira vez do Festival Amazonas de Ópera. Na época, ela atuava como assistente de cenografia para o Atelier La Tintona, na Ópera ‘Lulu’.

Desde então, segue contribuindo para a realização do festival e, em 2025, assina como cenógrafa principal. Além disso, também é coordenadora da Central Técnica do Theatro São Pedro, em São Paulo (SP).

Um dos cenários montados para o espetáculo ‘As bodas de Fígaro’, na 26ª edição do FAO. Foto: Layanna Coelho/Amazon Sat

Trabalho em conjunto

A cenografia da ópera tem o objetivo de criar um ambiente visual e simbólico da narrativa, situar o público que assiste ao espetáculo o tempo e espaço da história, aspectos como a época, localidade e cultura.

Tudo isso é montado por meio de iluminação, elementos móveis, painéis e estruturas cênicas de modo geral que conectam a música com a dramaturgia do FAO.

Giorgia ressalta a importância do trabalho em equipe e como todas as áreas responsáveis pela cenografia precisam estar em harmonia:

“São muitas [pessoas] e importantíssimas. Cada um dos profissionais tem uma função essencial no nosso processo de confecção. Ao todo, são cerca de 60 profissionais. Isso porque temos diferentes áreas que são fundamentais para a confecção do cenário e também que depois elas irão estar num processo da montagem nos dias em que haverá o espetáculo”, explica.

Detalhe do cenário de ‘As bodas de Fígaro’, na 26ª edição do FAO. Foto: Layanna Coelho/Amazon Sat

E acrescenta, pontuando quais são os profissionais que fazem parte dessa construção. 

“São profissionais que estão desde a confecção até a ópera em si. Temos pintores, escultores, aderecistas, tapeceiros, costureiros, que não são somente costureiros da parte da área de figurino, mas na confecção de cortinas, tapeçaria dos objetos cênicos. Temos também pintores, serralheiros e marceneiros. Todos eles são pessoas que, ao longo desses 26 anos, foram sendo capacitados e geraram um profissionalismo muito potente ao Festival”, afirmou.

Os desafios de criação, técnicos e logísticos também existem. Giorgia relata que frequentemente auxilia a equipe na busca de soluções ou para desenvolver alternativas para problemas encontrados em alguma parte do processo.

“Desenvolver, criar e relacionar todos os processos é um trabalho complexo porque somos pessoas todas muito diferentes. Cada uma tem seu processo, então temos que ter muita delicadeza, paciência, para conseguir trabalhar em harmonia. Isso é um desafio muito grande, às vezes não é fácil, porque também tem o cansaço, para que esse espetáculo surja e fique bonito e funcional. Mas a magia do teatro é muito potente, então na maioria das vezes dá muito certo e o Festival acontece da melhor forma possível”, finaliza.

Ópera em Rede

O Ópera em Rede é um projeto que tem como objetivos democratizar o acesso à música lírica e a valorização da cultura amazônica, realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), com o apoio de: Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC-AM), Governo do Amazonas e Amazônica Net.

#Especial – Quem faz a ópera no Amazonas? Conheça a figurinista Melissa Maia

A figurinista do Festival Amazonas de Ópera. Foto: Diego Andreoletti/Amazon Sat

Os figurinos são elementos que auxiliam na construção dos personagens e do contexto histórico da ópera, como por exemplo a época em que se passa a obra ou o status social dos personagens, promovendo uma imersão na narrativa.

Neste ano, o Festival Amazonas de Ópera (FAO) apresenta ‘As bodas de Fígaro’, ópera em quatro atos composta por Mozart, que estreou em 1º de maio de 1786. A ópera-bufa (comédia) se inspira em eventos e locais de Sevilha, na Espanha, e satiriza hábitos da nobreza.

Para representar o que se vestia nessa época na ambientação da história, a responsável por assinar os figurinos do festival é a amazonense Melissa Maia, que atua há 15 anos como figurinista.

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Trajetória

“A minha história com o festival, na verdade, é muito interessante, porque eu cresci no festival. Eu assisto o festival desde 2001, então eu tinha 11 anos e hoje em dia eu trabalho já há 15 anos como figurinista”, revela.

Figurista da ópera
A figurinista do Festival de Ópera, Melissa Maia. Foto: Portal Amazônia

Melissa conta que a primeira ópera que assistiu no festival a fez descobrir que “queria realmente ser figurinista”. E foi assim, desde a infância, que construiu sua carreira, “crescendo ao mesmo tempo” com o FAO. “Para mim é um privilégio poder estar trabalhando aqui”, celebra.

Leia também: “Superou minhas expectativas”: estudante conta como foi assistir uma ópera pela primeira vez; assista

Processo de aprendizado e muito estudo

Para desenvolver os figurinos de uma ópera exige tempo, estudo e muita parceria. Melissa explica que o processo de criação começa com uma profunda pesquisa histórica e dramatúrgica: “A gente faz a decupagem da ópera, lê o libreto, estuda os personagens. Tudo isso em sintonia com o cenário e a direção”.

A ópera no geral exige um cuidado mais especial com tecidos, acabamento e até o contexto. Contudo, na montagem de ‘As bodas de Fígaro’ este ano, Melissa utilizou uma abordagem mais contemporânea, ainda que preservasse o espírito do século XVIII, época da composição original.

Festival de Ópera
Durante o Festival de Ópera. Foto: Layanna Coelho/Amazon Sat

“Nessa montagem a gente tem uma licença poética de ser uma montagem mais contemporânea. Então são roupas mais próximas do dia a dia, mas que eu brinco que a gente tem um perfume do século XVIII, que foi o ano que foi composta essa ópera”, descreve.

Isso trouxe desafios específicos, especialmente na escolha dos tecidos. “Figurino de época costuma ser quente e aqui temos que considerar o clima. Pensamos em tecidos mais leves, mas que ainda entreguem a estética necessária”.

Leia também: Festival Amazonas de Ópera: conheça o trabalho dos cenógrafos do espetáculo

Nos bastidores

O glamour do palco esconde uma coreografia de bastidores igualmente impressionante. Melissa ressalta que o figurino não é obra de uma só pessoa: “Tem produtor, costureiras, camareiras, aderecistas, contrarregras… É uma grande engrenagem”.

Com oito camareiras atuando nesta produção, as trocas rápidas de roupa são cronometradas.

“A gente tem uma equipe que faz toda essa logística de troca. Obviamente temos ensaios para fazer esses testes e ver o que funciona mais. Mas, no geral, tudo depende da equipe e do momento do espetáculo. Tem o stage manager [gerente de palco] que dá o sinal e sabemos quanto tempo a troca terá: dois, cinco minutos. A gente sabe mais ou menos o tempo e faz uma coreografia nos bastidores para organizar essa montagem”, revela.

Leia também: Festival Amazonas de Ópera 2025: o que são ‘As bodas de Fígaro’?

Detalhes que fazem a diferença

Um dos diferenciais é a atenção aos detalhes técnicos. No Teatro Amazonas, um dos maiores desafios é adaptar o figurino à iluminação intensa e ao calor, segundo a estilista. Ela conta que o figurino de cena precisa ter textura, volume e camadas. “A luz exige acabamento, senão a gente perde toda a riqueza visual”, conta.

Foto: Diego Andreoletti/Amazon Sat

Mesmo com a experiência acumulada, os imprevistos fazem parte da rotina. “Perrengue sempre tem. A ópera é uma obra viva, em constante transformação. Até a pré-estreia, ajustes acontecem. Durante os ensaios, fico na plateia anotando tudo que ainda podemos melhorar”, expõe.

Para Melissa, o figurino mais marcante é sempre o mais recente. “Os figurinos do Conde e da Condessa têm um lugar especial. Me dediquei muito a eles”, revela.

Leia também: Galeria: Jovens e adultos se emocionam e se divertem ao assistir ópera pela primeira vez

Reconhecimento

Antes de assinar como figurinista oficial do festival — o que já faz há cinco anos — Melissa trilhou um caminho longo e dedicado. Ela começou fazendo figuração, depois estágio em figurino, e hoje assina como figurinista. Por isso ela diz que foi “crescendo dentro do próprio festival”.

Seu trabalho no evento a projetou para outros palcos. Um dos pontos altos da carreira foi quando um de seus figurinos apareceu no programa ‘Fantástico’, da TV Globo. Na época, Melissa havia ganhado prêmios, mas ali teve projeção nacional. Depois disso, ela contou que teve novas oportunidades, além de reconhecimento no meio artístico.

Melissa carrega com orgulho o fato de representar sua terra em um festival de alcance internacional. “Ser daqui e conquistar esse espaço é uma realização. Mas também exige constante aperfeiçoamento, porque disputamos com profissionais do Brasil todo e de fora também”, diz.

Ópera em Rede

O Ópera em Rede é um projeto que tem como objetivos democratizar o acesso à música lírica e a valorização da cultura amazônica, realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), com o apoio de: Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC-AM), Governo do Amazonas e Amazônica Net.

#Especial – Quem faz a ópera no Amazonas? Conheça o cantor Josenor Rocha

O cantor de ópera Josenor Rocha. Foto: Layana Coelho/Amazon Sat

Quando o Festival Amazonas de Ópera (FAO) estreou, no ano de 1997, grande parte dos músicos e dos profissionais responsáveis pela realização do evento eram de fora do Amazonas.

Com o decorrer das edições, projeção do festival para o resto do mundo e um intenso processo de capacitação profissional, através, por exemplo, do Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro – uma das primeiras escolas públicas da região Norte do país – em 2025, cerca de 85% da mão de obra do Festival é local.

Uma das áreas mais essenciais na realização da ópera é, claro, a musical. E um dos pioneiros na ópera do Amazonas é o cantor de ópera e decano Josenor Rocha, que há 40 anos faz parte do Coral do Amazonas. 

Hoje, além de ser um dos membros mais antigos do Coral – por isso o termo decano – Rocha é o fundador e atual presidente da Academia Amazonense de Música.

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Paixão pelo canto lírico

Tudo começou a 523 quilômetros de distância da capital amazonense, pois Josenor é natural de Tefé. Ele conta que teve seu primeiro contato com o canto lírico na igreja da cidade, mais especificamente na Paróquia Santa Teresa.

“Quando eu ia à missa, tinha um padre, Antônio Maria Jansen, hoje já falecido, ele era holandês e cantava bastante, tinha uma voz muito bonita, era um cantor lírico. Ele foi para Tefé ainda jovem e eu tinha 6 anos de idade. Ia para a missa com minha família e ficava ouvindo as missas dele e os cânticos. Na minha mente, ainda com 6 anos, pensava, um dia vou cantar que nem esse padre. E ali surgiu minha paixão”, relembra.

Durante o festival de Ópera
Durante o Festival de Ópera. Foto: Layana Coelho/Amazon Sat

Em 1978, Josenor se mudou para Manaus, estudou na então Escola Técnica Federal do Amazonas (ETFAM) e foi descoberto pelo Maestro Nelson Eddy de Menezes no início dos anos 80. “Foi ele quem me convidou para cantar no Teatro Amazonas, depois fui para São Sebastião [São Paulo] e conheci o Frei Fulgêncio, que me mandou para Bolonha, na Itália, estudar canto lírico”, complementa.

Leia também: 7 fatos que somente o Festival Amazonas de Ópera poderia proporcionar para a cultura no estado

Estreia na ópera

Depois dos estudos de canto lírico na Europa, Josenor teve sua estreia em uma ópera na segunda edição do Festival Amazonas de Ópera. 

“Minha estreia mundial no Festival de Ópera foi em 1998, já no segundo festival. Minha primeira ópera foi ‘Alma’, uma ópera extremamente difícil e que depois eu repeti, no ano de 2019 cantei novamente”, conta.

Leia também: “Superou minhas expectativas”: estudante conta como foi assistir uma ópera pela primeira vez; assista

Conexão com o Festival

Outro elo com o FAO é que, em 2025, Josenor interpreta o mesmo personagem que fez há 20 anos: Antônio, o jardineiro, em ‘As bodas de Fígaro’. Ele ressalta a importância da junção do teatro com a música para dar vida a um personagem.

Durante o festival de Ópera
Durante o festival de Ópera. Foto: Layana Coelho/Amazon Sat

“É personagem que tem que ter uma expressividade e tem que ter também uma parte teatral que exige muito. E, como eu sou ator também, minha carteira é registrada como ator, isso facilita muito quando você é um cantor de ópera, porque ser cantor de ópera não é só cantar, é representar. Todo mundo aqui [de ‘As bodas de Fígaro’] fez curso de Teatro. Isso conta muito”, acrescenta.

Dificuldades no caminho

Com emoção, ele também lembra dos momentos de dificuldade e confessa: no início da carreira, pagou diversas vezes para poder cantar.

“A ópera faz parte da minha vida. A música está em mim. Eu tenho 58 anos e são mais de 40 anos que eu faço isso. Sou do coro do teatro e falar disso é difícil porque eu tive que largar muita coisa na minha vida, passei por muitas dificuldades e eu digo: hoje eu sou um cantor de ópera, sou um artista. Mas para chegar a isso eu paguei para cantar. Muitas vezes eu vinha pra cá pro teatro, minha mãe não tinha dinheiro, eu vinha caminhando lá do São Lázaro [bairro de Manaus] a pé para cantar no Teatro Amazonas”, revela.

Ele ressalta a importância da educação no processo de formação artística, com cursos nas universidades estadual e federal do Amazonas, o Liceu Cláudio Santoro e diversas outras ‘portas’ que foram abertas com o decorrer do tempo.

“O Amazonas hoje é o celeiro da ópera no Brasil, ouso dizia na América do Sul, porque o festival de ópera é conhecido mundialmente. E nós estamos, inclusive, fazendo um fórum também, eu gostaria que fosse um fórum de ópera que estamos programando, porque a gente não quer só ficar no festival de ópera, os cantores de ópera precisam também ter, não só o festival, mas criar outros meios onde eles possam também aparecer, porque você tem que aparecer, o artista tem que aparecer, tem que ser visto. Como diz aquele ditado: “quem não é visto não é lembrado””, finalizou.

Ópera em Rede

O Ópera em Rede é um projeto que tem como objetivos democratizar o acesso à música lírica e a valorização da cultura amazônica, realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), com o apoio de: Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC-AM), Governo do Amazonas e Amazônica Net.

Roraima está entre os estados mais dependentes de fontes poluentes para geração de energia, diz estudo

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Um estudo divulgado pela Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE) revelou que Roraima é um dos estados com maior dependência de fontes poluentes para geração de energia elétrica no Brasil. Hoje, cerca de 89% da energia gerada no estado vem de termelétricas movidas a diesel — uma matriz cara, poluente e instável.

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Roraima é o único estado do país que ainda não está conectado ao Sistema Interligado Nacional (SIN), e a expectativa é que essa conexão ocorra até 2026, com a conclusão do Linhão de Tucuruí. Para especialistas ouvidos no relatório, essa mudança deve marcar um novo capítulo na história energética do estado.

Os 715 km do Linhão de Tucuruí são apontados como o fim do isolamento elétrico e dos constantes blecautes. A energia de Roraima vem, em sua maioria, de termelétricas. As obras começaram em 2022 e devem ser entregues em setembro deste ano.

Saiba mais: Portal Amazônia responde: o que é o Linhão de Tucuruí?

Roraima está entre os estados mais dependentes de fontes poluentes
Linhão de Tucuruí em Roraima. Foto: Divulgação/PAC

Leia também: Sem consulta à população afetada, Ibama autoriza construção de linhão entre Pará e Amazonas

O levantamento chama atenção para dados dos estados ao Norte do Brasil: cerca de 1 milhão de pessoas na Amazônia Legal ainda não têm acesso formal à eletricidade, e outros 2,7 milhões enfrentam instabilidade e alto custo no consumo de energia.

A FNCE realizou o seminário Clima, sociedade e energia: oportunidades e desafios da transição energética no Brasil da COP30. O evento reuniu autoridades, especialistas e sociedade civil para o debate de temas críticos relacionados à transição energética brasileira. A diretora executiva da COP30, Ana Toni, participou do evento.

“Está mais do que na hora de a sociedade brasileira se concentrar no tema da energia. Já enfrentamos o desmatamento como principal fonte de emissão e amadurecemos esse debate. Agora, precisamos discutir que tipo de transição energética queremos como país”, disse Ana Toni durante a abertura do seminário.

Leia também: Funai anuncia a retomada do licenciamento ambiental do Linhão de Roraima

Roraima está entre os estados mais dependentes de fontes poluentes
Diretora executiva da COP30, Ana Toni, participou do evento. — Foto: Reprodução

O evento trouxe à tona os paradoxos do setor, como o fato de o país possuir uma das matrizes mais renováveis do mundo, mas ainda enfrentar problemas estruturais como desperdício de energia, altos custos operacionais e dependência do carvão mineral em algumas regiões.

Entre os destaques, o painel sobre descarbonização dos sistemas isolados apresentou diagnósticos atualizados sobre comunidades que pagam as tarifas mais caras por um serviço instável, como ocorre na região Norte.

Representantes de entidades como WWFIdec e o Fórum de Energias Renováveis de Roraima debateram soluções para garantir justiça energética e inclusão social. Já o painel sobre o fim do carvão trouxe propostas de transição justa, levando em conta os impactos socioeconômicos nas regiões que ainda dependem dessa fonte.

Leia também: Biomassa do cavaco de acácia vira alternativa energética em Roraima

Custo alto, energia instável

A energia elétrica em Roraima também está entre as mais caras. Segundo o estudo, o custo médio de geração no estado é um dos mais altos do país. Em algumas comunidades remotas, o gasto com combustível para manter geradores a diesel chega a R$ 900 por mês por família — e o fornecimento é limitado a poucas horas por dia.

A Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), fundo subsidiado por todos os brasileiros, arcou com mais de R$ 11 bilhões para manter a energia nos sistemas isolados em 2024, dos quais uma parte significativa é direcionada a Roraima.

Interligação é a chave

O estudo destaca que a interligação de Roraima ao SIN deve reduzir drasticamente os custos com energia, além de ampliar o uso de fontes renováveis, como hidrelétricas, solares e eólicas. O impacto também será sentido nas contas de luz de todo o país, já que diminuirá a necessidade de subsídios para manter o fornecimento no estado.

Ainda assim, a transição deve considerar o cenário das comunidades mais afastadas, onde a chegada da rede elétrica convencional é inviável. Nesses casos, a recomendação é o investimento em sistemas off-grid, com geração solar associada a baterias e sistemas de armazenamento.

A projeção é que a interligação reduzirá custos com térmicas fósseis e subsídios da CCC, além de trazer maior eficiência econômica e sustentabilidade ao setor elétrico brasileiro. Conforme a projeção no gráfico abaixo.

Roraima está entre os estados mais dependentes de fontes poluentes

Isolamento energético

Durante anos, Roraima dependeu da energia fornecida pela Venezuela. No entanto, o país parou de enviar energia ao estado em março de 2019 e, desde então, o trabalho é feito por quatro termelétricas da Roraima Energia.

Roraima está entre os estados mais dependentes de fontes poluentes
Estrada que dá acesso a reserva indígena Waimiri-Atroari — Foto: Valéria Oliveira/G1 RR/Arquivo

O parque térmico do estado é formado pelas usinas termelétricas de Monte Cristo, na zona Rural de Boa Vista, Jardim Floresta e Distrito, ambas na zona Oeste, e Novo Paraíso, em Caracaraí, região Sul do estado.

Atualmente, duas turbinas da Usina Termoelétrica Jaguatirica II já estão em operação e ajudam a reduzir o consumo da usina termelétrica do Monte Cristo, que funciona a óleo diesel.

Sem a energia importada, o custo para fornecimento elétrico estado é de R$ 8 bilhões por ano, conta que é dividida entre todos os consumidores de energia elétrica do país. E, para reverter esta situação, a solução é construção do Linhão de Tucuruí.

Por Caíque Rodrigues, g1 RR — Boa Vista

#Especial – Quem faz a ópera no Amazonas? Conheça o maestro Luiz Fernando Malheiro

O responsável pela ópera no Amazonas Foto: Diego Andreoletti/Amazon Sat

Criado em 1997, o Festival Amazonas de Ópera (FAO) surgiu para impulsionar a cultura na Amazônia ao promover o teatro e a música clássica na região. Em 2025, na sua 26ª edição, o Festival Amazonas de Ópera mostra que se consolidou como um dos maiores festivais de ópera da América Latina.

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Um dos responsáveis pela projeção do festival para o mundo também é o responsável por conduzir a orquestra: o maestro. De origem italiana, a palavra maestro significa “mestre” ou “professor”. 

Com mais de 40 anos de experiência com óperas pelo mundo todo, Luiz Fernando Malheiro é modesto ao se referir a si mesmo como maestro: “aqui a gente usa o termo maestro, mas no resto do mundo, ‘maestro’ quer dizer professor. Não me sinto professor”.

Malheiro recebeu título de Cidadão Amazonense pela ALEAM. Foto: Marcio James/SEC-AM

Natural de São Paulo, Malheiro é um dos mais importantes nomes do Festival Amazonas de Ópera. Residente há mais de 20 anos da cidade de Manaus (AM) – o que inclusive lhe concedeu o título de Cidadão Amazonense pela Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM) – é diretor artístico e regente da Orquestra Amazonas Filarmônica, além de atuar na produção e execução de grandes espetáculos da música clássica.

Contudo, sua história com a música iniciou anos antes de vir parar na “Paris dos Trópicos”.

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A trajetória do maestro

Luiz Malheiro conta que seu primeiro contato com a ópera foi ainda na infância.

“Eu comecei a conhecer ópera quando eu tinha 12 anos, quando um primo do meu pai, que nem gostava de ópera me levou ao teatro para assistir uma ópera e dali pra frente eu fiquei fanático. Depois eu fui para a Europa estudar, consegui uma bolsa de estudos para Polônia, fui estudar na Academia de Música de Cracóvia”, relata.

Depois da Polônia, passou três anos na Itália e retornou ao Brasil. “Tive chances de ficar lá trabalhando, mas não adianta: Brasil é Brasil e eu não tive vontade de ficar morando fora”, acrescentou.

Estreou como Regente no Theatro Municipal de São Paulo em 1983 e, em 1993, quando retornou ao Brasil, continuou lá até 1997.

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O primeiro contato com Manaus

Em 1997, Malheiro regeu uma ópera em Sófia, na capital da Bulgária. A ópera era ‘Fosca’, de Carlos Gomes. Essa produção veio para o Brasil e, mais especificamente para o Teatro Amazonas. O ano de 1998 representou a primeira vez que o maestro regeu na capital amazonense. 

“Quando eu entrei aqui [Teatro Amazonas] fiquei completamente maravilhado e pensei “Meu Deus! Que legal seria reger aqui mais frequentemente!”. Mal sabia eu, que viria para cá anos depois e ficaria até hoje. Isso foi em 1998 e o Festival Amazonas de Ópera havia sido fundado em 97. E a Orquestra Amazonas Filarmônica também foi criada em 1997”, comenta de maneira saudosista.

Em 1992, o maestro foi convidado por Robério Braga, então secretário de cultura do estado, para ser diretor artístico do FAO. 

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Evolução do Festival

Malheiro pontua que houve uma evolução muito significativa do Festival e até a maneira como se consolidou mundo afora. Segundo ele, o FAO começou com “uma coisa um tanto quanto exótica”, mas se consolidou no calendário de eventos do estado como um dos principais eventos culturais devido a qualidade do que é produzido na região.

Regendo a ópera
Maestro e um dos responsáveis pela ópera, Luiz Fernando Malheiro. Foto: Michael Dantas/SEC AM

“Hoje, na sua 26º edição, ele é o maior festival de ópera da américa latina, é reconhecido no mundo todo como um evento super importante culturalmente pela qualidade do que é feito aqui. Nós temos a melhor orquestra de ópera do país, coral profissional e nós trazemos cantores excelentes, maestros, diretores de cena”, afirma.

O regente separa a história do Festival em dois momentos: antes e depois de 2005. Para ele, nesse ano, ocorreu o que para ele foi o momento mais marcante para a história do festival:

“O momento mais marcante até hoje foi em 2005 quando a gente fez o ciclo completo do Anel do Nibelungo de Richard Wagner, que é um ciclo de quatro óperas com mais de 16 horas de música. Poucos teatros fazem e no Brasil nunca tinha sido feito e nós fizemos aqui em 2005, atraindo público do mundo inteiro. Wagner é um compositor que desperta um certo fanatismo e tem grupos de apaixonados por Wagner no mundo todo, na Alemanha, Estados Unidos, Áustria e vários grupos desses vieram ao Brasil assistir esse ciclo. Nós fomos capa do The New York Times por causa desse ciclo. E esse ciclo do anel pra mim foi o grande divisor de águas”, relembra. A matéria pode ser lida AQUI mediante inscrição no site do jornal internacional.

Capacitação local 

Outro ponto ressaltado pelo maestro foi a capacitação, ao longo dos anos, de músicos e profissionais que “fazem o Festival acontecer”. Atualmente, cerca de 85% de quem trabalha no FAO é amazonense, tanto no aspecto artístico – músicos, cantores, diretores – quando do lado da cenotécnica, costureiras, figurino, maquiagem, visagismo e iluminação.

“Quando a Filarmônica foi criada, vieram muitos músicos do exterior, do leste europeu pra formar essa orquestra, porque o governo entendeu que precisava ter essa orquestra de nível internacional. E esse pessoal que veio, começou a dar aula imediatamente. Então, quando a orquestra foi formada, tínhamos apenas dois músicos amazonenses. Hoje temos mais de 20. Jovens que começaram a estudar e que se profissionalizaram, todos fizeram universidade e aprenderam com esses músicos professores que vieram da Europa. Muitos até tocam em outras orquestras pelo Brasil e mundo afora”, pontua.

O Festival Amazonas de Ópera, em 2019, começou com ‘Ernani’, de Verdi, com a Orquestra Experimental da Amazonas Filarmônica. Foto: Michael Dantas/SEC AM

Segundo ele, em 2025 foi o primeiro ano que não houve a necessidade de trazer cenotécnicos: “Estamos usando a turma do Jander Lobato, que é quem ‘faz’ Parintins, o carnaval, que constrói aqueles maravilhosos carros alegóricos”.

Relação com Parintins

Para ele, o Festival Amazonas de Ópera e o Festival de Parintins são dois eixos culturais de extrema importância para o Brasil, de maneiras diferentes. O Boi-bumbá, para ele, representa a figura do folclore; e a ópera, a música erudita. Malheiro afirma com convicção que esses dois eventos projetaram o Amazonas internacionalmente de maneira positiva.

Ele acrescenta que isso também ocasiona em uma promoção do turismo, pelo fato das pessoas buscarem conhecer o estado também com outros interesses: por passeios, pela culinária, pela natureza. E conclui: “não há outro lugar melhor para reger que o Amazonas”.

“Eu continuo regendo em outros teatros, não só no mundo, mas no Brasil, como Rio e São Paulo. E eu digo com a maior clareza: jamais teríamos feito o que fizemos aqui em qualquer outro teatro brasileiro. Os funcionários do teatro, os técnicos, os maquinistas, os cenógrafos, o pessoal que trabalha na CTP [Central Técnica de Produção], todos vestem a camisa do festival, não tem hora, não tem sindicato, todo mundo se entrega, veste a camisa e trabalha com amor. É fácil você andar pelos bastidores e ver o pessoal cantarolando os temas da ópera e isso é muito diferente do que acontece nos outros teatros brasileiros. Essa energia que vem da natureza, eu acredito, essa energia do amazonense é muito importante e continua sendo um diferencial para o Festival ter se tornado o que se tornou”, finalizou.

Ópera em Rede

O Ópera em Rede é um projeto que tem como objetivos democratizar o acesso à música lírica e a valorização da cultura amazônica, realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), com o apoio de: Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC-AM), Governo do Amazonas e Amazônica Net.

PIM: drama da absorção de mão-de-obra técnica local

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Imagem: Thomas1311 via Pixabay

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

Discutindo a questão da absorção de engenheiros e outros profissionais pelo PIM durante reunião da Câmara da Indústria, no CIEAM, levantei a questão do aproveitamento da mão de obra técnica formada pela Universidade e ICTs. Esboça-se, penso eu, grave contradição do discurso oficial, da própria universidade e das entidades de classe acerca da necessidade de mais investimentos na formação de mão de obra de alta qualificação com vistas ao suprimento da demanda de nosso parque fabril. A Universidade, em tese, produz esses profissionais, que, entretanto, não conseguem emprego, ou quando são chamados para uma entrevista esbarram na exigência de pelo menos três anos de experiência. Ora, como o jovem que saiu da Universidade, e se encontra em processo de formação complementar por meio de estágios pode atender a esse pré-requisito?

De acordo com análise do economista Gustavo Igrejas, secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), “nem o governo do Estado nem a Suframa têm dados concretos tabulados por não haver obrigatoriedade das empresas em informar a respeito aos órgãos gestores da política de incentivos”. De todo modo, acrescenta, “a maioria dos bons engenheiros tanto mecânicos quanto elétricos saem da faculdade já empregados”. Na Fundação Matias Machline, especializada em ensino técnico de nível médio nas áreas de robótica, mecânica e eletrônica, citou como exemplo, “90% dos alunos da Fundação, muito bem formados, já saem empregados”.

Ocorre, segundo Igrejas, que grande parte dos técnicos formados pelas universidades não têm plena noção de suas áreas. Portanto, “engenheiros eletrônicos egressos da faculdade sem conhecer os fundamentos de uma placa de circuito impresso multicamadas, cinco camadas, o que é um sistema SMD, um flyback, um radial, um canhões de elétrons, estes, de fato, estão fora do mercado”. Entretanto, ao que afirma “os que concluem o curso com nível razoável de qualificação têm praticamente seus empregos garantidos. Alguns, não conseguem, exatamente por falta de qualificação”. Uma questão bastante controversa, admite, a ser avaliada pela universidade de forma consistente e ajustada ao chão de fábrica.

Segundo o professor aposentado de engenharia da UFAM, Vladimir Paixão e Silva, “uma boa política seria a de que as empresas contratantes investissem também na formação dessa mão de obra, como ocorria nos velhos tempos da Petrobras e Eletrobras”. Além disso, “as universidades deveriam fazer uma pesquisa de mercado para saber qual o tipo de profissional que está sendo demandado e ter flexibilidade para adequar sua grade curricular, de formas a atender a essas necessidades. É uma utopia pensar que só a Universidade pode resolver essa questão”, afirmou.

Para o engenheiro Roberto Garcia, “nossa garotada deveria ser formada pela academia, desde o início, em empreendedorismo e só entrar na faculdade com um diploma de técnico em alguma área com a qual demonstra afinidade e atratividade de mercado. A partir de uma boa base técnica, o passo seguinte seria aprofundar estes conhecimentos e buscar ofertas de estágio buscando implementar e vivenciar estes ensinamentos na realidade empresarial. Uma solução ganha-ganha, empresas e novos talentos sendo preparados para o mercado. Infelizmente nossos formandos saem da faculdade sem estas competências”.

De acordo com o presidente do Centro das Indústrias do Amazonas (Cieam), Lúcio Flávio Oliveira, a entidade está profundamente envolvida com a questão. Tanto que vem firmando parcerias efetivamente comprometidas com a aproximação e integração da academia à indústria visando a alocação da mão de obra técnica produzida em Manaus. Nesse sentido, promoveu reunião conjunta no Auditório da Suframa quando foram apresentadas as necessidades de engenheiros e técnicos qualificados do PIM e discutidas não só a formação, mas, e sobretudo, a qualificação desses profissionais”.

A questão está aberta.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Grande Benemérita Loja Simbólica Amazonas n°2: Francisco Públio Ribeiro Bittencourt, fundador e 1° Venerável Mestre

Grande Benemérita Loja Simbólica Amazonas n.°2: Francisco Públio Ribeiro Bittencourt, fundador e 1.° Venerável Mestre

Foto: Paulo Pereira/Acervo pessoal

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br

Francisco Públio Ribeiro Bittencourt nasceu na cidade de Belém do Pará, em 12 de fevereiro de 1848. Muito criança ainda, veio para Manaus, no Amazonas, na companhia do seu genitor José Ferreira Ribeiro Bittencourt – o qual era maçom – e, como Oficial do Exército, assinou o auto de instalação da Província do Amazonas. Adquiriu uma boa cultura, dedicando-se ao magistério, política, jornalismo e serviço público.

Foi Secretário dos Negócios do Interior, no regime provincial, preocupando-se seriamente com o problema da instrução pública.

Afeiçoou-se muito ao ensino, adquirindo a necessária experiência para avaliar o alcance do desenvolvimento intelectual.

Por isso mesmo, podia afirmar com a sua notável autoridade:

A escola é qual fecho luminoso, radiante acesso no meio das trevas para iluminar a inteligência embrionária da criança, aclarando-lhe o caminho que conduz ao conhecimento das faculdades da alma: é o início do aperfeiçoamento da espécie que conduz a criatura ao vasto acertamento da ciência; daí o incomparável progresso dos países manifestado em todos os ramos da atividade humana.

O derramamento da instrução no espírito das camadas populares que se levantaram constitui o mais alevantado de quantos benefícios e serviços os governos prodigalizam aos governados e traduz a soma de patriotismo que anima aos primeiros.

Abrir escolas importa em fechar as portas do crime, do vício da superstição do fanatismo e de tantos outros adversários do adiantamento moral da sociedade.

O homem instruído, salvo aberrações isoladas é um ente útil a comunhão nacional, ao contrário do selvagem: aquele compenetra-se dos seus deveres cívicos e sociais: compreende e aceita, sem relutância, os encargos que o país impõe aos bons cidadãos; auxilia e encaminha o governo, na administração, prestando assim assinalado serviço ao estado. Este, desconhecendo por completo a razão e o fim de sua existência, vive materialmente na mais densa treva da ignorância.

Ao passo que o primeiro conhece suas prerrogativas, como cidadão de um país livre e bem construído, conhece que deve cooperar para o progresso moral, material e intelectual do estado, disseminando a instrução, elevando, pelo aperfeiçoamento, o valor das artes, das indústrias, etc.; o segundo, que a máquina automática, não passa de inconsciente e perigoso instrumento nas mãos de perversos e ambiciosos: são verdadeiros inimigos do sossego público, das instituições nacionais e o flagelo dos governos.

O homem instruído encontra o desforço da injustiça na Lei, esse apanágio sublime dos povos constituídos em nação: o ignorante desconhecendo tal meio de reparação, só encontra o desforço pessoal no crime.

É enorme a diferença entre a criatura que sabe aproveitar a inteligência, o raciocínio, esse dom com que o bondoso Nazareno distinguiu a criatura do irracional e do rústico, cuja vida é toda material.

Foto: Paulo Pereira/Acervo pessoal

Em 1888, era designado para exercer o cargo de Provedor da Santa Casa de Misericórdia.

Em 20 de julho de 1900, numa circular com o timbre da Secretaria de Negócios do Interior, já no regime republicano, convidava a Maçonaria Amazonense para assistir a solenidade de posse do Governador e Vice-Governador do Estado, para o quatriênio de 1900 a 1904, Coronel Silvério José Nery e Monsenhor Francisco Benedito da Fonseca Coutinho, cujo ato terá lograr no dia 23 do corrente mês, a uma hora da tarde, no Paço do Congresso dos Senhores Representantes do estado.

Iniciou-se na Loja Esperança e Porvir, em 21 de julho de 1873.

Foto: Paulo Pereira/Acervo pessoal

No dia 4 de março de 1877, participou da fundação da Loja Amazonas, sendo eleito seu primeiro Venerável Mestre, havendo exercido esse em diversos períodos de administração maçônica. Também tomou parte na fundação da Loja Conciliação Amazonense, a 30 de novembro de 1894; e na Loja Rio Negro, a 5 de novembro de 1896, dessa Oficina recebendo o título de Remido.

Possuía o título de Membro Honorário da Soberana Assembleia Geral do Grande Oriente do Brasil e fora Membro Instalador do Consistório de Sublimes Príncipes de Real Sagrado do Amazonas, a 1° de setembro de 1900.

Era o Venerável da Loja Amazonas, quando essa oficina se regularizou com bastante solenidade, a 29 de julho de 1877, por intermédio de uma ilustre comissão integrada pelos Maçons Padre Eutíquio Pereira da Rocha, Padre Torquato Antônio de Souza, Gabriel Antônio Ribeiro Guimarães, Bernardo José de Bessa e Silvério José Nery.

Ao assumir a Venerança, ainda da Loja Amazonas, a 28 de março de 1881, em breve discurso cheio de erudição e verdade, produziu belos corolários sobre os fins gerais da Maçonaria e demonstrou o quanto podem a vontade e esforços reunidos, valioso auxílio que esperava ter dos Obreiros ativos da Oficina a fim de dotá-la com uma estabilidade segura e desenvolver seus meios, vencendo os obstáculos que se têm anteposto a sua prosperidade, manifestando-se profundamente agradecido à Oficina pela sua eleição ao posto de Venerável, honrosa confiança a que estava a corresponder.

Recebeu, nessa sua gestão a 21 de julho de 1882, uma comunicação do muito poderoso Irmão Conselheiro Dr. Saldanha Marinho, dando conhecimento à Oficina de que tinha resignado o Grão-mestrado da Ordem, os motivos que a isso o conduziram, a forma circunstanciada porque efetuou essa resignação agradecendo finalmente a esta Loja a confiança que nele sempre depositou.

Quando, nesse mesmo ano, entregou o primeiro Malhete ao seu sucessor, o irmão Jônatas de Freitas Pedrosa, pode, sob os mais vivos aplausos, prestar contas de sua gestão e agradecer o apoio que seus irmãos sempre lhe dispensaram.

Ao retornar à Venerança, em 1884, presidiu a sessão magna extraordinária, realizada em 29 de março, que tinha o objetivo humanitário de solenizar a entrega de cartas de alforria a escravos residentes na Província do Amazonas.

A festa fora abrilhantada pela presença do maçom Theodoreto Carlos de Faria Souto, então Presidente da Província, que via naquelas cartas o contentamento e a liberdade dos beneficiados, não parando aí a luta a favor da abolição, pois a Loja Amazonas, sob o Comandamento do irmão Francisco Públio Ribeiro Bittencourt desencadearia uma inolvidável campanha, que somente terminaria com a extinção da escravatura, a 10 de julho de 1884.

Foi Venerável da Loja Rio Negro, no princípio deste século, sempre presente aos encargos que lhe eram atribuídos, assistindo ou presidindo aos trabalhos maçônicos com a serenidade dos grandes construtores sociais.

A 19 de dezembro de 1913, discutia matéria em pauta na Assembleia Geral do Grande Oriente Estadual do Amazonas, representando, nesse Alto Corpo, a Loja Arkbal, no período de 1913 a 1914.

Pertenceu a Associação Beneficente do Asilo de Mendicidade de Manaus.

Como cidadão, foi o homem que nunca se desviou do caminho do dever, palmilhando-o estritamente com a devoção dos sacerdotes do bem, que marcham serenos, indiferentes ao turbilhão dos egoísmos, alheios ao tumultuar das terrenas paixões.

Um outro registro encomiástico define muito bem a sua existência: No seu passado está a verdadeira epopeia de sua legenda de honestidade: ele honra e enaltece qualquer homem público. Não se encontra em todo o seu percurso uma falha imperceptível que de leve o desdobre, um declive sinuoso e vago que não seja em linha reta de integridade cívica condizendo perfeitamente com as suas abnegações patrióticas.

Como Obreiro da Arte Real, começou muito cedo a peregrinar pelos salutares caminhos da grandeza espiritual, dando à Ordem Maçônica, durante toda a sua existência, os mais belos e ouros exemplos de comportamento fraternal.

Faleceu em 5 de abril de 1921.

Fonte: VALLE, Rodolpho. Efeméride Maçônica. Impressa Oficial. Manaus, 1975.

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista