Home Blog Page 26

Sabonetes e velas são usadas como repelentes contra dengue e malária em Humaitá, no Amazonas

0

Com parcerias institucionais, projeto já atendeu cerca de mil pessoas, tendo as populações ribeirinhas como público prioritário. Foto: Divulgação/UFAM

Humaitá (AM) apresenta alto número de notificações de casos de malária e dengue. No ano de 2019, a cidade registrou 1.765 ocorrências de malária e 70 de dengue, o que fez a Secretaria Municipal de Saúde alertar à Universidade Federal do Amazonas (Ufam) para o quantitativo de casos.

Leia também: 1 mosquito e 4 doenças: conheça o Aedes aegypti, o “maldito do Egito”

E foi com a inquietação do que a universidade poderia fazer para prevenção das enfermidades que o professor Renato Abreu Lima, do Instituto de Educação, Agricultura e Ambiente (IEAA/Ufam), iniciou o projeto de extensão ‘Os produtos naturais no combate à doenças tropicais no Amazonas em 2019’. Em razão da pandemia de Covid-19, o projeto foi paralisado e retoma agora suas atividades. 

“O principal objetivo foi justamente o de sensibilizar os moradores, a sociedade em geral, de Humaitá, as escolas, os estudantes, para que a ação de dengue e malária pudesse ser um fator diminutivo. Nos últimos cinco anos nós recebemos notificação da Secretaria Municipal de Saúde pedindo ajuda para poder reduzir os números de casos que estavam crescendo de dengue e de malária no município de Humaitá”, explica o coordenador do projeto, Renato Abreu.

O projeto é vinculado aos cursos de graduação em Ciência – Biologia e Química, Engenharia Ambiental e Agronomia do IEAA e aos programas de pós-graduação de Ciências Ambientais e de Ensino de Ciências e Humanidades. 

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Sabonetes e velas repelentes

A atuação do projeto ocorre por meio de palestras de conscientização em escolas estaduais e municipais, em praças públicas e no Instituto Federal do Amazonas (Ifam). Durante as atividades, os extensionistas distribuem e ensinam como produzir sabonetes e velas repelentes, utilizando óleos essenciais de plantas, em oficinas nas comunidades. 

“São produtos que não poluem tanto o meio ambiente como aqueles produtos industriais convencionais, que são vendidos nas indústrias e nos mercados públicos”, explica o docente.

A equipe do projeto também confecciona folders, cartazes e publicações em mídias digitais que abordam a prevenção das doenças tropicais. O projeto já atendeu cerca de mil pessoas, tanto na zona urbana como na zona rural de Humaitá.

As comunidades ribeirinhas, população mais vulnerável a essas doenças, são um dos principais públicos atendidos pelo projeto. O professor Renato Abreu destaca as comunidades de Praia de Lábrea, Praia do Gado, Maciari, Cassianã, Prego e Laranjeiras. 

Buscando abranger o maior número de pessoas para sensibilização da prevenção contra dengue e malária, o projeto mantém parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com a Secretaria de Estado de Educação do Amazonas (Seduc) e com a Secretaria Municipal de Educação de Humaitá. 

Sabonetes e velas são usadas como repelentes contra dengue e malária em Humaitá, no Amazonas
Foto: Divulgação/UFAM

Conscientizar e prevenir

Renato Abreu Lima aponta que o projeto promove importante impacto social no município por meio da conscientização da população para combater a proliferação dos mosquitos que transmitem a dengue e a malária.

“Fazendo um comparativo com os anos anteriores, a gente percebe que está tendo uma diminuição de casos e isso se deve não somente pela questão da atuação da Ufam, mas também por todas as ações educativas que a Semed, a Seduc e a própria Secretaria de Saúde realizam para a população de Humaitá. Então, somado a esse fator social, acredito que o impacto social é justamente alertar a população para que nós não tenhamos índices grandes da doença que pode levar à morte de um morador da cidade”, afirma o coordenador.

Dengue

A dengue, que integra o grupo das arboviroses, é uma doença ocasionada pelo vírus da  família Flaviviridae e do gênero Orthoflavivirus, sendo conhecido quatro tipos de sorotipo: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. A fêmea do mosquito Aedes aegypti (significa “odioso do Egito”) é vetor da doença e usa água parada para depositar seus ovos. 

Os sintomas mais comuns da dengue são febre alta, dor de cabeça e/ou atrás dos olhos, enjoo, moleza, dor nas articulações e manchas vermelhas pelo corpo. A doença pode progredir para formas graves que estão associadas ao extravasamento grave de plasma, hemorragias severas ou comprometimento grave de órgãos, que podem evoluir para o óbito. Em 2024, a vacina contra a dengue entrou pela primeira vez no Calendário Nacional de Vacinação no Brasil.

Leia também: Como combater a dengue: 11 dicas práticas para evitar a proliferação do Aedes aegypti

Malária

Causa pelo parasita do gênero Plasmodium, a malária é transmitida para humanos pela picada de fêmeas infectadas dos mosquitos Anopheles (mosquito-prego), mais presentes ao amanhecer e ao anoitecer. A doença tem tratamento, mas se não diagnosticada adequadamente pode agravar e levar ao óbito. 

Os sintomas mais comuns são febre alta, calafrios, tremores, suor excessivo e dor de cabeça. O tratamento, após o diagnóstico, é realizado de forma ambulatorial, com medicação distribuída gratuitamente pelo Sistema único de Saúde (SUS).

*Com informações da Ufam

Alertas de desmatamento no Pará caíram 44% em 5 meses de 2025, aponta Inpe

0

Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real do órgão registrou redução das notificações em municípios do estado paraense. Foto: Vinicius Pinto/Agência Pará

O Pará registrou redução de 44% nos alertas de desmatamento no acumulado entre agosto e dezembro de 2025. Os dados são oficiais, do sistema Sistema de Detecção de Desmatamento  em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). No período, o total de alertas caiu de 784 km², no mesmo intervalo do ano anterior, para 438 km² – o menor valor da série histórica desde 2019 para esse recorte temporal.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O governador Helder Barbalho destacou que o resultado reflete a estratégia contínua de controle ambiental adotada pelo Estado. “Essa redução expressiva mostra que o Pará está no caminho certo ao investir em monitoramento, fiscalização e ações integradas nos territórios mais pressionados”, afirmou.

Leia também: Mais de 90% do desmatamento da Amazônia é para abertura de pastagem, informa MapBiomas

Desmatamento nos municípios

Nos municípios prioritários para ações de prevenção, controle e combate ao desmatamento, a queda foi ainda mais significativa. Entre agosto e dezembro de 2025, esses municípios reduziram os alertas em 54%, passando de 454 km² para 208 km², uma diminuição absoluta de 246 km².

Entre os destaques estão:

  • Altamira, que reduziu os alertas de 58 km² para 12 km² (-79%);
  • Uruará, de 52 km² para 12 km² (-77%);
  • Itaituba, de 47 km² para 12 km² (-75%);
  • Portel, de 55 km² para 22 km² (-59%);
  • Pacajá, que caiu de 42 km² para 16 km² (-62%).
Cidade de Altamira, no Pará, reduziu alertas de desmatamento. Foto: Reprodução/Prefeitura de Altamira
Cidade de Altamira, no Pará, reduziu em 79% os alertas de desmatamento. Foto: Reprodução/Prefeitura de Altamira

Leia também: Desmatamento: modelos mostram que a floresta amazônica mantém microclima no solo

O secretário de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará, Raul Protázio Romão, ressaltou que os resultados confirmam a efetividade do foco territorial adotado pela política ambiental do Estado.

“Os dados mostram que onde o Estado atua de forma integrada, com inteligência, presença em campo e articulação com os municípios, os resultados aparecem. A redução nos municípios prioritários é um indicativo claro de que a estratégia está funcionando”, afirmou.

Na Amazônia Legal, o comportamento foi semelhante. Entre agosto e dezembro de 2025, o acumulado de alertas de desmatamento totalizou 1.191 km², o que representa uma redução de aproximadamente 36% em relação ao mesmo período do Ano PRODES anterior, quando foram registrados 1.869 km².

*Com informações da Agência Pará

Prevenir brincando: FVS-RCP lança Jogos Digitais ‘Xô Dengue’

Foto: Edu Prado/FVS-RCP

Em uma nova ação estratégica contra o Aedes aegypti, a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) lançou o pacote de jogos digitais ‘Xô Dengue!’, uma experiência interativa feita para envolver o público infantojuvenil na luta contra as arboviroses, estimulando o conhecimento e incentivando a prática diária da prevenção como um verdadeiro estilo de vida.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

A iniciativa, que mistura diversão e cuidado com a saúde, foi criada por um grupo de profissionais da Diretoria de Vigilância Ambiental junto com o setor pedagógico da FVS-RCP.

O projeto tem três jogos diferentes: Quiz do Mosquito, Jogo da Memória e Esmague o Mosquito. Ele é feito especialmente para alunos do Ensino Fundamental I e II e já está disponível para celular, pelo aplicativo, e também online no site da FVS-RCP.

Leia também: Dengue, Zika e Chikungunya: como identificar e se prevenir das doenças que aumentam no período chuvoso na Amazônia

Jogo virtual Xô Dengue. Foto: Reprodução/FVS-Rosemary Costa Pinto

A diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, destaca que a Fundação está em constante processo de inovação para alcançar resultados.

“O mundo está em constante transformação, assim como a adaptação desse pequeno mosquito, o que exige que nossas estratégias também evoluam para continuar eficazes no combate às arboviroses. A informação por meio da educação faz parte fundamental desta missão”, completou.

Novas gerações

Segundo o diretor de Vigilância Ambiental (DVA) da FVS, Elder Figueira, a inserção de tecnologias digitais é fundamental para modernizar as estratégias de saúde pública.

“Precisamos falar a língua das novas gerações. Ao utilizarmos jogos, conseguimos levar a mensagem de prevenção para dentro das casas de forma leve, mas eficaz”, destaca.

Jogo virtual Xô Dengue. Foto: Reprodução/FVS-Rosemary Costa Pinto

Leia também: Como combater a dengue: 11 dicas práticas para evitar a proliferação do Aedes aegypti

Um dos idealizadores do projeto, Dê Ângelo Cruz, explica que a ideia é baseada na Aprendizagem Significativa.

“O objetivo é que as crianças, além de se divertirem, aprendam os cuidados básicos, como não deixar água parada e manter os quintais limpos. Queremos que esse aprendizado seja importante para elas, para que se tornem agentes que espalhem a prevenção da Dengue, Zika e Chikungunya dentro de casa”, explica.

Para assegurar a qualidade técnica e pedagógica, o desenvolvimento dos jogos passou por rigorosas etapas de validação. A gerente de Arboviroses da FVS-RCP, Luzia Mustafa, supervisionou o conteúdo, confirmando a precisão das informações biológicas sobre o mosquito.

Paralelamente, a pedagoga órgão Ivanilde Mafra ajustou as dinâmicas dos jogos para atender às necessidades cognitivas dos estudantes.

Quiz sobre a Dengue. Foto: Reprodução/FVS-Rosemary Costa Pinto

A ferramenta digital “Xô Dengue!” chega em um momento importante, com o início das chuvas e o aumento do risco de novos casos de arboviroses no Estado. Aliando ciência rigorosa a uma abordagem pedagógica, o projeto oferece uma experiência educativa que incentiva crianças e jovens a incorporarem hábitos de prevenção no dia a dia. Dessa forma, eles se tornam agentes multiplicadores, ampliando o combate ao Aedes aegypti e protegendo suas comunidades.

*Com informações da Agência Amazonas

Dois parques do Acre são indicados para turismo de observação de aves no Brasil

0

Fotos: Allan Kenned/Rio Branco Filmes e Alexandre Noronha/Sema

O Parque Estadual Chandless e o Parque Nacional da Serra do Divisor, ambos no interior do Acre, são indicações de destinos ideais no Catálogo de Experiências do Turismo de Observação de Aves no Brasil, um produto consultivo de birdwatching (observação de aves), elaborado pelo Ministério do Turismo (MTur).

Os parques foram indicados para a publicação pela Secretaria de Estado de Turismo e Empreendedorismo (Sete), como locais de prestígio para a prática da atividade que envolve a possibilidade de avistar aves raras e endêmicas. O catálogo pode ser acessado aqui.

Leia também: Parque Estadual Chandless, o paraíso da observação de aves no Acre

Parque Nacional da Serra do Divisor
Parque Estadual Chandless abrange os municípios de Santa Rosa do Purus, Manoel Urbano e Sena Madureira, no interior do Acre. Foto: Alexandre Noronha/Sema

Para o titular da pasta, Marcelo Messias, o turismo de observação de aves é um dos setores que mais tem se destacado no Acre.

“Estamos inseridos na região amazônica, o que por si só já é uma atração turística internacional. Então temos trabalhado para fortalecer tanto o turismo interno quanto a promoção do Acre, além de promovermos capacitações de bem receber, para melhor atender entusiastas que vêm de todos os lugares do mundo para conhecer as espécies da região”, destaca.

Leia também: Confira um guia com as principais dicas para curtir a Serra do Divisor

Parque Nacional da Serra do Divisor
Parque Nacional da Serra do Divisor, na região de Mâncio Lima (AC). Foto: Allan Kenned/Rio Branco Filmes

De acordo com o diretor de Turismo da Sete, Jackson Viana, o Acre é considerado o paraíso das aves entre os praticantes de birdwatching e a Secretaria de Turismo busca fortalecer o segmento.

“Nós participamos de feiras nacionais – como o Avistar Brasil – levando o birdwatching, levando operadores de turismo que trabalham com esse segmento, promovendo atividades também aqui dentro do estado, de visitação a parques ambientais e locais onde existe a prática de observação de aves, bem como no Parque Nacional da Serra do Divisor”, destacou o diretor.

“É um trabalho que nós temos buscado fortalecer e consolidar e que ganha um novo registro e referência nacional ao fazer parte desse catálogo que detalha toda essa riqueza de aves do nosso país e que o Acre tem destaque nesse sentido. Então, para a nossa participação nesse processo, tivemos o cuidado de ajudar a fornecer informações para que agora tenhamos essa referência nacional por meio desse catálogo”, acrescentou Jackson.

Marco histórico na Ornitologia

Tovacuçu-xodó (grallaria eludens)
Tovacuçu-xodó (grallaria eludens) era a única da família que ainda não tinha sido fotografada na natureza. Foto: Ricardo Plácido/Sema

Em janeiro do ano passado, o tovacuçu-xodó (Grallaria eludens) foi registrado por foto pela primeira vez na história, e a floresta acreana foi o cenário da façanha.

ave rara foi fotografada no Parque Estadual Chandless pelo biólogo e especialista em aves da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), Ricardo Plácido.

Também em 2025, foi confirmado o registro de uma nova espécie de inhambu, a sururina-da-serra (Slaty-masked Tinamou), no topo do Parque Nacional da Serra do Divisor.

A ave, localizada entre 300 e 500 metros de altitude, foi fotografada pelo pesquisador Luís Moraes, confirmando suspeitas dos ornitólogos Fernando Igor de Godoy e Ricardo Plácido, que já haviam feito uma gravação do canto da ave, em 2021.

Segundo o biólogo Ricardo Plácido, a observação de aves no Acre pode parecer uma atividade discreta, uma vez que os praticantes chegam de madrugada, passam o dia passarinhando (como é chamada a prática de observação de aves), geralmente na zona rural, e voltam à noite apenas para comer e dormir.

No entanto, de acordo com o profissional, a prática de birdwatching tem uma história de mais de 10 anos no Acre e o reconhecimento do estado no Catálogo de Experiência em Turismo de Observação de Aves no Brasil veio para coroar esse trabalho.

“Na atividade em si, as pessoas querem aproveitar ao máximo a experiência em campo, na natureza, observando e fotografando os pássaros. Por isso que muitas vezes elas passam despercebidas. Mas esse fluxo já vem há mais de dez anos aqui no Acre e as plataformas de registros vêm demonstrando isso. As plataformas vêm tendo uma ascendência de número de registros e de espécies importantes que têm gerado repercussão nacional e induzindo a vinda de mais pessoas ao longo de quase quinze anos”, destacou Ricardo.

Reconhecimento e preservação da natureza

Os registros do tovacuçu-xodó já tinham colocado o Acre em evidência e a confirmação da sururina-da-serra levou o assunto a ser comentado como acontecimento ornitológico do século na Amazônia. Os feitos abriram novos debates sobre o fomento do ecoturismo e da observação de aves, desenvolvendo a economia ao passo que preserva a natureza.

“A descrição de uma espécie nova de Inhambu depois de quase cerca de 80 anos, mostrou de fato o nosso potencial e isso traz uma reflexão muito grande para que todos os atores, autoridades, tomadores de decisões e a nossa sociedade tenham um olhar de preocupação e de atuação, porque a gente tem, de um lado essa espécie recém descrita vulnerável, mas que a gente pode tornar isso uma oportunidade para atuar como um estado que protege suas espécies e gera benefícios financeiros com a conservação da natureza”, destacou Ricardo.

A sururina-da-serra, classificada como vulnerável, pode ser vista como uma “espécie bandeira” e “guarda-chuva” para a conservação ambiental, destaca o biólogo. “O desafio é esse, tornar a conservação da natureza algo que gere renda para as comunidades locais, para o estado, para a região como todo, e que essa movimentação ajude a proteger a espécie,” explica Plácido.

Sururina-da-serra
Nova espécie, sururina-da-serra (Slaty-masked Tinamou), foi registrada no Parque Nacional da Serra do Divisor. Foto: Luis Morais

Patrimônio natural reconhecido

Localizado no extremo Oeste do Brasil, na fronteira com a Bolívia e o Peru, o Acre abriga mais de 700 espécies de aves, incluindo inúmeros endemismos da Amazônia e do Centro de Endemismo Inambari, o que representa mais de um terço das aves endêmicas do bioma amazônico. Na Serra do Divisor, próxima aos Andes, por exemplo, o estado possui avifaunas endêmicas, exclusivas da região, como a sururina-da-serra.

Leia também: Parque Nacional da Serra do Divisor: ecoturismo atrai turistas do mundo todo ao Acre

Com patrimônio natural rico, o biólogo Ricardo Plácido celebra o reconhecimento nacional e internacional, mas aponta a necessidade de ser reconhecido e valorizado localmente. “A gente precisa que a sociedade local reconheça a potência em biodiversidade que o Acre é, e adquirir esse pertencimento, que tenha orgulho, honra com o seu patrimônio natural, porque o Acre, de fato, ele é destaque internacionalmente por causa disso”, finaliza.

Acre
Diversidade biológica do Acre é destacada e comentada no mundo inteiro, segundo biólogo Ricardo Plácido. Foto: Marcos Vicentti/Secom

Como chegar

No Catálogo de Experiências de Observação de Aves, foi indicado o Parque Estadual Chandless, que abrange os municípios de Manoel Urbano, Sena Madureira e Santa Rosa do Purus, no interior do Acre. O acesso pode ser feito por via fluvial, pelo rio Purus, partindo de Manoel Urbano, cidade a 228 km da capital Rio Branco, onde está o Aeroporto Internacional de Rio Branco (RBR), ou por avião de pequeno porte de empresas de táxi aéreo. Mais informações podem ser encontradas na página do Instagram: @pechandless.

O Parque Nacional da Serra do Divisor, que abrange os municípios de Cruzeiro do Sul e Mâncio Lima e fica na região de fronteira com a Bolívia e o Peru, também foi indicado para a prática de observação de aves. Para chegar ao local, é recomendado o Aeroporto Internacional de Cruzeiro do Sul.

Do porto da cidade, segue-se viagem fluvial de dois dias para as pousadas localizadas no parque. Alternativamente, é possível dirigir 42 km por terra até Mâncio Lima e continuar a viagem por via fluvial, que dura cerca de oito a nove horas. Saiba mais aqui.

Acesse o miniguia de aves da região aqui.

*Com informações da Agência de Notícias do Acre

Monitoramento ambiental do Governo do Tocantins aponta queda no desmatamento em 2025

0

A queda do desmatamento foi expressiva, com redução de 21,6% em 2025 na comparação com 2024. Foto: Fernando Alves/Governo do Tocantins

O Governo do Tocantins alcançou, em 2025, avanços significativos na agenda ambiental, com redução das taxas de desmatamento e da área queimada em comparação a 2024. No que se refere à área queimada, a redução foi de cerca de 34% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já as taxas de desmatamento também apresentaram queda expressiva, com redução de 21,6% na comparação com o ano passado.

Os dados foram apontados pelo Centro de Informações Geográficas em Gestão do Meio Ambiente (Cigma), com base em informações do MapBiomas e do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter/Inpe).

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Lançada em junho de 2025 pelo Governo do Tocantins, a plataforma ampliou o acesso a dados ambientais, permitindo o acompanhamento das informações por meio de painéis e mapas interativos, além de subsidiar técnicos e gestores na tomada de decisões mais rápidas e precisas.

Para o secretário de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Marcello Lelis, os resultados refletem o fortalecimento das ações de fiscalização, prevenção, educação ambiental e da atuação integrada entre as instituições, consolidando uma política pública voltada à proteção dos recursos naturais e ao uso sustentável do território.

Marcello Lelis destaca que, entre os fatores que contribuíram para esse cenário positivo, estão as ações desenvolvidas no âmbito do programa Foco no Fogo, que promoveu atividades educativas e preventivas em 60 municípios, atingindo cerca de 20 mil pessoas com a mobilização em comunidades rurais, escolas e diferentes órgãos, por meio do trabalho integrado do Comitê do Fogo.

Iniciativas como o projeto Praia Consciente também tiveram papel relevante ao incentivar práticas sustentáveis e a preservação ambiental em áreas de grande uso público.

“O Governo do Tocantins investiu fortemente em prevenção, monitoramento e combate, com ações como o Plano Integrado de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais, o fortalecimento do Foco no Fogo nos municípios mais críticos e o lançamento do Cigma, que nos permite tomar decisões a partir de dados e evidências. Esse conjunto de iniciativas reforça nosso compromisso com a proteção ambiental, a segurança das comunidades e o enfrentamento aos eventos climáticos extremos”, avaliou o secretário.

Para Marcello Lelis, os resultados refletem o fortalecimento das ações de fiscalização, prevenção, educação ambiental e da atuação integrada entre as instituições. Foto: Marcel de Paula/Governo do Tocantins

Área queimada

Entre janeiro e novembro de 2025, foram queimados 1.834,6 mil hectares no Tocantins. Em 2024, no mesmo período, o fogo atingiu 2.775,7 mil hectares de cobertura vegetal. De acordo com a categorização, 72,6% da área queimada refere-se a incêndios florestais; 13,4%, a queimas não autorizadas; e 12,7%, à queima prescrita.

A queima prescrita é uma técnica de manejo do fogo que, quando aplicada de forma controlada e planejada, contribui para a redução do material combustível acumulado, diminuindo a intensidade e a propagação de incêndios florestais.

Focos de queimadas

O Governo do Tocantins também reduziu o número de focos de queimadas, registrando queda de 33,1% em comparação ao ano anterior. Foram contabilizados 11.529 focos acumulados entre janeiro e dezembro de 2025, contra 17.244 focos no mesmo período de 2024. Desse total, 61,6% correspondem a incêndios florestais; 24,7%, a queimas não autorizadas; e 7,8%, a queimas prescritas.

Leia também: Tocantins registra queda de 28,7% na área queimada

Desmatamento em Tocantins

Entre janeiro e dezembro de 2025, foram desmatados 113,8 mil hectares no Tocantins, contra 145,3 mil hectares em 2024. Do total registrado em 2025, 67,9% correspondem a desmatamento autorizado, enquanto que 26% das ocorrências do desmatamento não foram autorizadas, evidenciando redução da ilegalidade em relação ao ano anterior (2024) que registrou 28,9%; e 6,1% de desmatamento autorizado com deslocamento, quando a supressão ocorreu em área diferente daquela descrita na guia de autorização.

Plataforma Cigma

Segundo o coordenador do Cigma e professor da Universidade Federal do Tocantins (UFT), Marcos Giongo, ao longo de 2025, o Centro realizou mais de 467 atendimentos, de diversas demandas relacionadas à elaboração de relatórios, notas técnicas e soluções tecnológicas voltadas à gestão territorial e ambiental do Estado do Tocantins.

tocantins
Ao longo de 2025, o Cigma realizou mais de 467 atendimentos diversos relacionados à elaboração de relatórios, notas técnicas e soluções tecnológicas voltadas à gestão territorial e ambiental do estado. Foto: Semarh/Governo do Tocantins

“A estrutura do Cigma reúne uma equipe multidisciplinar e tecnologia avançada, integrando bases de dados estratégicas e ambientais por meio de mapas interativos e análises geoespaciais, o que garante mais eficiência institucional”, destacou. O portal pode ser acessado por meio do endereço https://cigma.to.gov.br/.

Durante o período, também foram emitidos mais de 160 documentos técnicos, abordando temas fundamentais como clima, fogo, queimadas, desmatamento e uso do solo, fortalecendo a gestão pública e o apoio à tomada de decisões governamentais.

*Com informações do Governo de Tocantins

Corrida Phelippe Daou conta com percursos de 3km e 7km e premiação em dinheiro em Roraima

0

Corrida de rua ilustrativa, na cidade de Manaus (AM). Foto: Divulgação/Acervo Prefeitura de Manaus

A primeira edição da Corrida Phelippe Daou será realizada no dia 31 de janeiro, em Boa Vista (RR), com premiação em dinheiro para os três primeiros colocados. O maior valor será destinado à equipe com o maior número de atletas.

Os interessados podem se inscrever até o dia 25, pela internet. O valor do kit para os atletas é de R$ 85.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

As provas terão início às 17h, com largada e chegada na sede da Rede Amazônica, localizada na avenida João Pereira de Melo, nº 444, bairro Centro. O evento contará com dois percursos, de 3 km e 7 km, que seguirão pela avenida Getúlio Vargas.

Premiação

7km geral:

  • 1º lugar: troféu + R$ 300
  • 2° lugar: troféu + R$ 200
  • 3° lugar: troféu + R$ 100
  • 4º e 5º lugar: troféu

7km PCD:

  • 1º lugar: troféu + R$ 150

7km idoso:

  • 1º lugar: troféu + R$ 150

Equipe com maior número de inscritos:

  • 1º lugar: troféu + R$ 500

Leia também: #Série – Atividades ao ar livre: 5 lugares para fazer atividade física em Boa Vista

vista aérea de boa vista, onde vai acontecer a corrida phelippe daou
Boa vista pelo olhar aéreo. Foto: Divulgação / Governo de Roraima

Como participar

Para se inscrever, basta clicar aqui, selecionar o kit completo — que inclui camiseta oficial e número de peito com chip de cronometragem —, além de escolher a distância (3 km ou 7 km) e a categoria (público geral, idoso ou PCD). A prova de 7 km terá tempo limite de 1h30min.

A entrega dos kits ocorrerá nos dias 29 e 30. As informações detalhadas sobre local e horários serão divulgadas nas redes sociais da Rede Amazônica.

Corrida Phelippe Daou

A Corrida Phelippe Daou em Roraima é promovida pela Rede Amazônica e organizada pela Norte Run Eventos. A primeira edição do evento batizado em homenagem ao jornalista e fundador da Rede Amazônica, Phelippe Daou, ocorreu em 2021, em Manaus.

*Contém informações do Grupo Rede Amazônica de Roraima

Projeto de extensão divulga parques de Manaus e promove valorização de áreas verdes

0

Parques como o dos Bilhares e o do Senador Jefferson Peres já foram divulgados pelo grupo. Foto: Chico Batata

Manaus (AM) possui diversos parques e áreas verdes que fazem parte da paisagem urbana. Buscando promover o conhecimento e a valorização desses espaços pela população, o Projeto Atividade Curricular de Extensão (Pace) Parques Urbanos atuou na divulgação desses espaços ao longo de 2025. O Pace é uma ação de extensão do Grupo de Pesquisa Arborização Urbana e suas Aplicações da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), conhecido como Árvores do Asfalto.

Segundo a coordenadora do projeto, Yêda Arruda, professora do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Ufam, o Pace buscou valorizar os parques e as áreas verdes, inseridos na capital amazonense, como espaço de lazer e de cultura, além de promover a conscientização ambiental.

“O objetivo desse projeto de extensão é divulgar os parques urbanos da cidade de Manaus com intuito de promover a preservação ambiental e a qualidade de vida para os manauaras. O propósito também é de integrar o manauara aos espaços verdes como um local de prática de exercício, de socialização e valorização da flora local”, explica a coordenadora.

Leia também: #Série – Atividades ao ar livre: 12 lugares para fazer atividade física em Manaus

Parques nas redes

Para realizar a divulgação dos parques de Manaus, os extensionistas inicialmente realizaram um levantamento para identificação dos espaços que são devidamente reconhecidos por lei nos documentos disponibilizados pela prefeitura da cidade. A equipe identificou 12 locais ao todo.

Em seguida, os estudantes integrantes do projeto participaram de uma oficina de audiovisual visando a produção de vídeos curtos e acessíveis para serem divulgados no perfil do Instagram do Árvores do Asfalto (@arvoresdoasfalto).

Após o treinamento, os alunos, organizados em duplas, realizaram a gravação dos vídeos nos parques e depois a edição do material.

“Esses vídeos foram validados, na parte técnica de imagem e de vídeo, pelo professor Lúcio Cavalcanti, e, na parte de conteúdo, por mim e pela professora Ângela Mendes, para que depois fossem disponibilizados na rede social”, complementa Yêda Arruda.

Em 2025, o Pace Parques Urbanos divulgou quatro vídeos no perfil do Árvores do Asfalto. Foram apresentados o Parque dos Bilhares, o Parque Senador Jefferson Peres, o Parque Municipal do Mindu e o Parque Cidade da Criança. Os vídeos abordam o histórico de cada parque, formas de acesso, atividades desenvolvidas no ambiente e espécies da flora que podem ser encontradas nos locais.

Além de divulgar os parques, Yêda Arruda acredita que o Pace contribui para a ressignificação desses espaços na cidade:

“São áreas onde os manauaras podem adquirir mais conhecimento, tanto histórico quanto da questão do ambiente natural, da nossa região, para que com isso promova a consciência ambiental para o uso racional dos ambientes sociais, permitindo que assim se tenha uma ideia de preservação e conservação do nosso ambiente natural. É uma forma de ressignificar os espaços verdes nas áreas urbanas da cidade de Manaus”, avalia.  

Equipe 

O Pace Parque Urbanos conta com uma equipe interdisciplinar de professores, colaboradores externos e estudantes. A vice-coordenação do projeto é exercida pela servidora técnico-administrativa em educação Brenna Cavalcanti, da Faculdade de Educação da Ufam.

Colaboram também com o Pace a professora Ângela Mendes, da Faculdade de Ciências Agrárias da Ufam, e Lúcio Cavalcanti, analista de comunicação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Atuam no Pace 10 discentes. Os estudantes são vinculados aos cursos de Engenharia Florestal e Arquitetura da Ufam. Há também alunos voluntários da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e da Faculdade Martha Falcão.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Projeto divulga parques de Manaus nas redes sociais e promove valorização de áreas verdes
Projeto realiza gravações nos parques. Foto: Reprodução/Ufam

Árvores do Asfalto

O Grupo de Pesquisa Árvores do Asfalto, ao qual o Pace está vinculado, foi credenciado em 2019 na Ufam e no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). No entanto, Yêda Arruda explica que o seu trabalho com arborização iniciou em 2010 quando atuou como professora substituta na UEA.

“Lá eu orientei os primeiros alunos de iniciação científica, num trabalho de inventário e qualificação das praças das cidades de Manaus. Em 2011, quando eu passei a integrar o quadro de professora efetiva da Universidade Federal do Amazonas, no Departamento de Biologia, eu dei continuidade aos trabalhos de arborização. Esse trabalho foi crescendo, foi tomando um volume com o tema de arborização urbana e comecei a trabalhar com outros colegas e professores tanto da Ufam como de outras instituições”, explica a professora.

O Árvores do Asfalto possui duas linhas de pesquisa: “Saúde humana e qualidade de vida” e “Silvicultura urbana”. O grupo desenvolve trabalhos de avaliação de questões técnicas de arborização e estudam a indicação de espécies nativas do bioma amazônico para o plantio em logradouros.

Continuidade do projeto

Segundo a coordenadora, a equipe vai solicitar a continuidade do projeto Pace para o desenvolvimento da segunda etapa do projeto, em que serão divulgados os demais parques de Manaus identificados pelos extensionistas.

*Com informações da Ufam

Cultura ribeirinha é reconhecida como patrimônio vivo do Pará

0

Foto: Cíntia Matos

A Lei nº 11.325, publicada no Diário Oficial do Pará no dia 14 de janeiro, institui a Política Estadual de Valorização da Cultura Ribeirinha e Paraense. A nova legislação tem origem em Projeto de Lei de autoria do deputado Carlos Bordalo, foi sancionada pelo governador Helder Barbalho e representa um marco ao reconhecer, de forma institucional, as expressões culturais ribeirinhas como parte essencial da identidade histórica, social e cultural do Pará.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O Pará abriga uma das maiores populações ribeirinhas da Amazônia, distribuídas em comunidades que mantêm modos de vida profundamente relacionados aos rios, florestas e ilhas, elementos fundamentais na formação do território e da identidade paraense.

Leia também: ‘O Rio que Somos’: documentário mostra cotidiano dos ribeirinhos da Amazônia e do Pantanal

Territórios ribeirinhos

De acordo com dados do Instituto Peabiru, na Região Metropolitana de Belém o território conhecido como Belém Ribeirinha compreende mais de 50 ilhas, localizadas nos rios Guamá e Pará, abrangendo áreas de sete municípios: Acará, Barcarena, Belém, Ananindeua, Marituba, Santa Bárbara e Benevides. Somente em Belém, cerca de 40% do território municipal é formado por ilhas.

Essas áreas são habitadas por mais de 6 mil famílias ribeirinhas, muitas delas fortemente vinculadas a práticas tradicionais como pesca, agricultura, extrativismo e manifestações culturais próprias.

Apesar da riqueza cultural e ambiental, essas comunidades ainda enfrentam desafios históricos no acesso a serviços públicos, como transporte fluvial regular e políticas estruturantes.

ribeirinho amazônico em canoa no rio em área de várzea
Foto: Miguel Monteiro/Instituto Mamirauá

Objetivos da lei

A Lei nº 11.325, de 13 de janeiro de 2025, tem como objetivo assegurar a proteção, promoção e valorização dos saberes, práticas e expressões culturais das comunidades ribeirinhas e das demais manifestações da cultura paraense. A política busca garantir que o conhecimento ancestral dos povos das águas e da floresta seja preservado, reconhecido e transmitido às futuras gerações.

A iniciativa também reconhece o papel estratégico dessas comunidades na preservação ambiental e na manutenção de modos de vida sustentáveis, integrando cultura, território e meio ambiente.

Princípios

A Política Estadual de Valorização da Cultura Ribeirinha e Paraense será orientada por princípios como:

  • Valorização da diversidade cultural e dos povos tradicionais;
  • Respeito às práticas sociais, religiosas, econômicas e culturais;
  • Participação efetiva das comunidades na construção e execução das políticas culturais;
  • Descentralização das ações culturais, fortalecendo os territórios onde a cultura é produzida;
  • Integração dos saberes tradicionais aos processos educacionais;
  • Articulação com políticas de preservação ambiental e sustentabilidade.

Ações estruturantes

Para garantir a efetivação da política, o Poder Executivo poderá desenvolver ações como:

  • Registro, documentação e salvaguarda das tradições ribeirinhas, incluindo festas, rituais, culinária, artesanato e práticas religiosas;
  • Proteção de patrimônios materiais e imateriais, sítios históricos, arquitetônicos e culturais;
  • Apoio à realização de festivais, feiras, exposições e eventos culturais;
  • Implementação de oficinas, cursos e atividades formativas voltadas aos saberes tradicionais e à economia cultural local.

Parcerias e governança

A lei autoriza a celebração de parcerias com universidades, instituições culturais, organizações da sociedade civil, entidades privadas e centros de pesquisa, ampliando o alcance das ações e fortalecendo a execução da política pública em diferentes territórios do estado.

Leia também: Influenciadores ribeirinhos: conheça sete vozes da Amazônia que conquistam as redes sociais

Cultura e inclusão social

Além de seu valor simbólico e identitário, a política reconhece a cultura como vetor de desenvolvimento econômico e inclusão social. A valorização de artistas, artesãos e iniciativas culturais ribeirinhas pode impulsionar a economia criativa, fortalecer o turismo de base comunitária e gerar renda, promovendo desenvolvimento sustentável em territórios historicamente vulnerabilizados.

Atualmente, apenas cerca de um terço das famílias ribeirinhas dessas áreas está incluída em assentamentos agroextrativistas reconhecidos, o que reforça a necessidade de políticas públicas integradas, territorializadas e permanentes, conforme aponta o Instituto Peabiru.

Para o deputado Carlos Bordalo, a sanção da Lei nº 11.325 representa um avanço significativo na construção de políticas públicas culturais voltadas aos povos tradicionais do Pará. Preservar a cultura ribeirinha é garantir a continuidade da nossa história, fortalecer a identidade paraense e reconhecer os modos de vida que sustentam o estado”, destacou o parlamentar.

*Com informações da Assembleia Legislativa do Estado do Pará

Websérie ‘Eu Sou Tepequém’ reúne histórias contadas por quem vive na serra roraimense

0

A websérie documental ‘Eu Sou Tepequém’ é da produtora Embuá. Foto: Rodrigo Rodrigues

A produtora Embuá lança a websérie documental ‘Eu Sou Tepequém’ sob o olhar dos próprios moradores da região. O material é composto por cinco episódios que narram a história da serra a partir do olhar de quem vive no território.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Eles que conduzem o público por cachoeiras, trilhas, culinária, festas, desafios e memórias de um dos destinos mais procurados por turistas no extremo Norte do país.

Localizada no município de Amajari, ao Norte do estado, a Serra do Tepequém apresenta atrações como cachoeiras, um platô que chega a quase 1.022 m de altura e um clima ameno durante a noite, proporcionado pelas serras.

imagem colorida ilustrativa sobre a Websérie 'Eu Sou Tepequém'
Foto: Reprodução/Serviço Geológico do Brasil

Leia também: 5 lugares encantadores para conhecer em Roraima

Segundo a diretora da websérie, Tayná Frota, as filmagens ocorreram em fevereiro de 2025 e duraram cerca de dez dias. Ao longo do ano, a equipe se dedicou às etapas de edição e trilha sonora.

A direção é assinada por Tayná Frota, Nathalia Piro e Larissa Saldanha, com roteiro de Larissa Saldanha, produção de Embuá e fotografia de José Miguel Zamora. A coordenação local ficou a cargo do Camping Picuá.

“Foram dez dias subindo ladeiras com equipamentos de som, acordando todos os dias às cinco e meia da manhã para registrar o nascer do sol e captar as melhores imagens possíveis. Agora, nesta semana, estamos finalizando o trabalho para entregá-lo ao público”, afirmou.

O evento contará com apresentações musicais de artistas como Euterpe, Eliakim Rufino, Leka Denz e Aleff Mendes, que integram tanto a trilha sonora da produção quanto o cotidiano cultural do Tepequém. A programação inclui ainda um show da banda Guy Bras Ven.

Exibição da websérie

A exibição de estreia da websérie é nesta sexta-feira (16) a partir das 20h, na praça Valdenilson Magalhães Viana, na Serra do Tepequém, interior de Roraima. O evento é aberto ao público.

  • 20h10 – episódio 1
  • 20h45 – espisódio 2
  • 21h20 – espisódio 3
  • 21h55 – espisódio 4
  • 22h30 – espisódio 5

“Quem apresenta o Tepequém são seus próprios moradores: guias, artistas, artesãos, empreendedores do turismo e pessoas que ajudam a construir a história da vila no dia a dia. Não há atores — tudo é real, vivido e contado por quem chama a serra de casa”, destacou a diretora.

A websérie será lançada futuramente no Youtube. O público também poderá conferir coleção “Só Tem no Tepequém”, que reúne peças autorais inspiradas na natureza, na história, feitas por artesãos locais.

*Com informações da matéria publicada pela Rede Amazônica RR

Pescador de Rondônia fisga peixe-elétrico de dois metros, o maior já registrado no Brasil

0

O pescador rondoniense Anderson Guedes conseguiu capturar o maior poraquê já registrado no Brasil, segundo a BGFA Recordes. Foto: Anderson Guedes

O pescador rondoniense Anderson Guedes conseguiu capturar o maior poraquê já registrado no Brasil, segundo a BGFA Recordes. A pescaria aconteceu na fronteira do Brasil com a Guiana Francesa.

Os poraquês (Electrophorus electricus) são os peixes-elétricos conhecidos pelo tamanho (podem chegar a até 2,5 metros) e principalmente pela capacidade de emitir descargas elétricas de até 860 volts, capazes de paralisar presas e causar dores fortes em humanos.

Leia também: Poraquês vivem em “condomínios” submersos nas margens dos igarapés do rio Preto, no Amazonas

A captura do peixe foi feita em fevereiro de 2025, mas o vídeo só foi nesta semana. Nas imagens, Guedes se “luta” com o peixe para tirá-lo da água depois de levar um choque.

Anderson contou que pescava com o objetivo de capturar uma traíra quando foi atingido por uma forte descarga elétrica. No início, acreditou ter sido atacado por uma arraia — espécie comum na região onde estava pescando —, mas na verdade tratava-se de um poraquê.

“O peixe-elétrico acompanhou a isca e eu não vi, porque estava sozinho. Ele veio pelo canto e passou raspando, aí deu um choque nas minhas pernas. Doeu demais, demais, demais”, relatou.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

peixe eletrico rondonia Anderson Guedes
Foto: Anderson Guedes

Quando viu o tamanho do animal, Guedes resolveu enfrentar o desafio de capturá-lo, mesmo sabendo da fama do poraquê como um peixe perigoso. De acordo com seu relato, a captura levou aproximadamente 30 minutos, período em que precisou agir com cautela constante para evitar novas descargas elétricas.

Depois de retirar o animal com o auxílio de um alicate de plástico, Guedes mediu o poraquê e verificou que ele tinha dois metros de comprimento — marca que o coloca como o maior exemplar da espécie já registrado no Brasil.

“Eu fiz questão de medir, porque na literatura a gente encontra registros de peixe-elétrico de até um metro e meio. Esse tinha dois metros. Então é um recorde brasileiro. A maioria das pessoas corta a linha ou mata o peixe, mas esse a gente soltou”, contou.

O recorde foi homologado pela BGFA Recordes, entidade responsável pela validação de recordes de pesca no Brasil.

Leia também: Nova espécie de peixe-elétrico é registrada no Amazonas: Microsternarchus javieri

É possível morrer com o choque de um peixe elétrico?

De acordo com o biólogo Flávio Terassini, mortes causadas por peixe-elétrico não são comuns, mas podem ocorrer em situações específicas. O maior risco acontece quando a pessoa está completamente dentro da água no momento da descarga.

“A eletricidade se dissipa pela água e atinge a musculatura da pessoa, causando uma paralisia temporária. Com isso, ela não consegue nadar e pode acabar se afogando”, explicou.

Ao Grupo Rede Amazônica, a coordenadora do Laboratório de Ictiologia e Pesca da Universidade Federal de Rondônia (Unir), Dra. Carolina Doria, explicou que a descarga elétrica do poraquê, isoladamente, não costuma ser letal. No entanto, ressaltou que fatores como a profundidade da água, o tempo de exposição e as condições físicas da vítima podem tornar a situação perigosa.

“Tem vários fatores que contribuem para que a pessoa morra e o local é um deles, como em lugares lodosos [lamacentos], mas o que mata é essa soma de fatores. É necessário alertar, senão daqui a pouco, o pessoal tá aí matando poraquê”, relata.

*Por Mateus Santos, da Rede Amazônica RO