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Indígenas do Amapá participam de assembleia sobre ações emergenciais para segurança alimentar

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Assembleia com indígenas das aldeias Wajãpi no Amapá e representantes do governo do Amapá. Foto: Divulgação/GEA

Uma reunião entre indígenas do Conselho das Aldeias Wajãpi (Apina) e representantes do governo do Amapá foi realizada no dia 23 de junho para discutir ações emergenciais e políticas públicas para a segurança alimentar, além de assistência técnica nas aldeias.

Durante a reunião, foi anunciado o início da emissão do Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF), realizado pelo Instituto de Extensão, Assistência e Desenvolvimento Rural do Amapá (Rurap), além da entrega de 600 sacas de farinha e tapioca como forma de diminuir os impactos da praga da mandioca na região.

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Outra ação importante que foi divulgada durante a reunião, foi a apresentação da Política de Assistência Técnica e Extensão Rural Indígena (ATER Indígena), executada pelo Rurap, que conta com a atuação de cinco Agentes Socioambientais Indígenas (ASAs), capacitados e contratados pelo Governo do Estado para atuar diretamente no enfrentamento à crise nas aldeias. Esses agentes receberam certificados de capacitação durante o evento.

Um caminhão que vai ajudar na logística de comercialização da produção extrativista dos Wajãpi, por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA Indígena), foi anunciado como nova aquisição.

‘Mel’ e ‘Açaí’: nomes foram escolhidos para filhotes de peixe-boi-da-Amazônia

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Campanha escolheu nomes para os filhotes de peixe-boi-da-Amazônia. Foto: Anselmo Affonseca/Arquivo pessoal

Dois filhotes de peixe-boi-da-Amazônia, espécie símbolo e ameaçada da região, ganharam os nomes ‘Mel’ e ‘Açaí’ após votação on-line realizada com o público. Com 48% dos votos, os nomes escolhidos fazem referência a alimentos tradicionais da Amazônia.

A ação teve como objetivo envolver a sociedade na preservação da biodiversidade amazônica e dar visibilidade ao trabalho de conservação da espécie.

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Os filhotes nasceram no Centro de Preservação e Pesquisa de Mamíferos e Quelônios Aquáticos (CPPMQA), localizado próximo à Usina Hidrelétrica de Balbina, em Presidente Figueiredo, no interior do Amazonas. O centro está em atividade desde 1985 e é responsável pela reabilitação e monitoramento de peixes-bois e outras espécies ameaçadas da região.

Leia também: Filhote de peixe-boi nasce em centro de preservação no Amazonas após 5 anos sem registros

A votação ocorreu por meio de um perfil no Instagram (@eletrobrasoficial), onde o público podia escolher entre três duplas de nomes: Morena e Carabá; Amana e Porã; e Mel e Açaí, sendo esta última a mais votada.

Centro de Preservação e Pesquisa

Mantido pela Eletrobras, o CPPMQA faz parte de um programa de conservação ambiental que, em 2024, contou com investimentos de R$ 269 milhões em projetos de proteção a 92 espécies ameaçadas em todo o país.

Atualmente, 46 peixes-bois vivem no CPPMQA, que em 2024 reintroduziu cinco animais na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã, em parceria com a Associação Amigos do Peixe-boi (AMPA). O trabalho é fundamental para a sobrevivência da espécie, que é considerada vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

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Efeitos negativos de queimadas e extração de madeira sobre ecologia da Amazônia perduram por décadas, mostra estudo

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Foto: Reprodução/Greenpeace

É na pequenez das sementes que residem as grandes árvores das florestas de amanhã. E, no caso das árvores mais grandiosas dentre todas – aquelas que compõem as florestas tropicais, como a Amazônica –, este futuro também depende dos animais. Nestes biomas, até 90% das espécies vegetais necessitam das interações com animais para completar seu ciclo de vida. No caso da maior floresta tropical do planeta, a lista de espécies que se alimentam dos seus frutos carnosos inclui de aves a primatas e morcegos, o que torna essas relações ecológicas absolutamente fundamentais para a preservação do bioma.

Estas relações são objeto de estudos atentos por parte dos ecologistas. Mas, no caso da Amazônia, outros importantes fenômenos, como as queimadas constantes e a retirada massiva de árvores, têm ocorrido de forma crescente desde os anos 1990. Estas mudanças tornam mais complexo o quadro da interação entre as espécies, obrigando os estudiosos a mergulharem em pesquisas minuciosas para entender o que, de fato, está ocorrendo no dia a dia da serrapilheira amazônica.

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A bióloga Liana Chesini Rossi dedicou sua pesquisa de doutorado, cursado no Programa de Ecologia e Biodiversidade do Instituto de Biociências da Unesp, Câmpus de Rio Claro, para investigar até que ponto a frequência maior de queimadas e a extração de madeira estão impactando as interações de frugivoria (nas quais animais se alimentam de frutos das plantas e depois dispersam as sementes em suas fezes) na Amazônia. Rossi atualmente é pós-doutoranda no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, e os resultados do estudo foram divulgados em um artigo publicado na revista Oikos.

“É a primeira vez que um estudo produz uma avaliação tão abrangente no campo das interações ecológicas — no caso, frugivoria — para a Amazônia”, explica Rossi. “E é pioneiro em examinar os efeitos, em um prazo mais longo, do fogo sobre essas interações em florestas tropicais”, diz.

A pesquisa também está inserida no Programa de Monitoramento Ecológico de Longa Duração do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), no âmbito do projeto coordenado pela Rede Amazônia Sustentável.

Esperava-se, diz ela, que o estudo constatasse a ocorrência de impactos negativos sobre a biodiversidade em áreas que foram incendiadas ou onde ocorreu alguma extração de madeira. A gravidade dos dados finais, porém, superou as expectativas. “O estudo mostra que, mesmo passados 20 anos, as interações observadas ainda são simplificadas. Envolvem menos espécies, e elas interagem menos entre si”, explica. “Isso é preocupante, porque essas interações são fundamentais para a regeneração e a consequente manutenção da floresta.”

A investigação abrangeu mais de 1.500 horas de observações focais, além de 30 mil horas de monitoramento por armadilhas fotográficas situadas na região da Amazônia brasileira (veja abaixo vídeos capturados nas armadilhas fotográficas).

Nas áreas impactadas há quase 20 anos, constatou-se, em média, uma redução de 16% nas espécies de frugívoros e um declínio de 66% no número de interações de frugivoria. As mudanças na composição da fauna incluem até o desaparecimento de diferentes espécies, como o pássaro cujubi (Aburria cujubi), o primata coatá-de-testa-branca (Ateles marginatus) e a anta (Tapirus terrestris), fato que chamou a atenção dos cientistas.

O foco da pesquisa recaiu sobre quatro classes de floresta: intacta, explorada, explorada e queimada há 17 anos (queimada 17 anos antes da amostragem) e explorada e queimada há 3 anos (contados antes da amostragem). As florestas intactas sustentaram um número significativamente maior de espécies e interações em comparação com as florestas exploradas e queimadas há 17 anos, e resultaram em números semelhantes às florestas apenas exploradas ou exploradas e queimadas há 3 anos (veja arte abaixo).

O esforço de campo da equipe de investigação resultou em um conjunto de dados bastante robusto. No total, foram registradas  4.670interaçõesdefrugivoria, envolvendo 991 associações únicas entre 165 espécies de plantas e 174 espécies frugívoras. A grande maioria das relações ecológicas (86%) se dá em ambiente arbóreo, enquanto apenas 14% foram observadas no solo. Do total de frugívoros, 146 foram identificados como espécies de aves, responsáveis por 3.665 interações (78,5%), enquanto 28 eram espécies de mamíferos, que realizaram 1.005 interações (21,5%).

Do lado vegetal, as espécies mais frequentemente envolvidas em interações com frugívoros foram Coussapoa tessmannii (Urticaceae, 9,7%), seguida por Ficus morfotipo 1 (Moraceae, 8,7%), Brosimum acutifolium (Moraceae, 7,1%) e Miconia pyrifolia (Melastomataceae, 5,3%). Os animais frugívoros mais observados incluíram três espécies de aves: Ceratopipra rubrocapilla (cabeça-vermelha, 8,9%), Ramphastos vitellinus (tucano-de-bico-canal, 5,1%), Ramphastos tucanus (tucano-de-peito-branco, 3,9%) e Pteroglossus bitorquatus (aracari-de-pescoço-vermelho, 3,9%), além de um mamífero, Dasyprocta leporina (cutia-de-rabo-vermelho, 4,3%).

“Além de empobrecer a biodiversidade nas florestas que foram queimadas, a ausência dessas espécies também priva algumas plantas de seus principais dispersores de sementes”, diz o biólogo Marco Aurélio Pizo, investigador principal do estudo e professor do Instituto de Biociências da Unesp de Rio Claro. “Isso pode comprometer a estrutura e a continuidade das populações vegetais a longo prazo.”

Segundo Rossi, apesar de os processos de enfraquecimento ecológico da Amazônia serem familiares aos grupos que estudam a região, alguns dados se mostraram surpreendentes.

“Esperávamos encontrar um forte empobrecimento nas redes de frugivoria naquelas florestas que sofreram queimadas recentes, com um menor número de espécies e menos interações. Isso, no entanto, não se confirmou de forma tão clara quanto imaginávamos”, diz ela. “Porém, observamos mudanças significativas na composição das espécies que habitavam as áreas estudadas e no tipo de interações envolvidas, em especial naquelas áreas que passaram por corte seletivo e queimadas mais recentes.”

Essa percepção sugere que, embora o número total de interações possa parecer semelhante, a identidade das espécies envolvidas e o modo como elas interagem já estejam mudando, o que pode acarretar consequências importantes para o funcionamento ecológico dessas florestas.

Qual o futuro da floresta?

Qualidade, além de quantidade, é fundamental quando se analisa a ecologia das florestas. É por isso que, no caso específico do ambiente amazônico, uma tese apresentada ao mundo nos anos 1990 pelo cientista Carlos Nobre continua sendo evocada, tanto nos meios de comunicação quanto nos congressos e artigos científicos. Esta tese apresentava a possibilidade de que o desmatamento excessivo pudesse comprometer a capacidade da floresta amazônica em regenerar e recompor sua vegetação, alcançando um ponto de não retorno que comprometeria a continuidade do bioma da forma como o conhecemos hoje.

Desde então, a combinação de mudanças climáticas globais e ações antrópicas vem se articulando em uma sinergia cada vez mais robusta a favor da transformação definitiva da floresta e de uma caminhada para o temido ponto de não retorno. O novo estudo permite trazer mais elementos para esse debate, apresentando uma conexão importante e preocupante com a noção do ponto de não retorno, ao revelar que, ainda que a estrutura geral das redes de interações se mantenha, a perda de espécies e de interações pode indicar um empobrecimento funcional dessas florestas. “Embora nosso trabalho não tenha como foco direto os chamados tipping points, os pontos de não retorno, os resultados sugerem que essas florestas podem estar se tornando mais sensíveis a novos distúrbios”, diz Rossi.

A desconexão que ocorre, portanto, entre as plantas e as espécies animais que se alimentam de seus frutos ajuda a fomentar um dos pilares centrais do conceito do ponto de não retorno. Se os níveis de desmatamento e degradação da Amazônia atingirem certos patamares, mostram vários estudos sobre o tema, a floresta perderá a capacidade de se sustentar, independentemente de quaisquer iniciativas posteriores no sentido de mitigar a perda de cobertura vegetal.

Essa degradação ecológica poderia empobrecer a biodiversidade em vastas áreas da floresta tropical, o que traria implicações devastadoras não apenas para a região, mas também para o clima global. Para esboçar um quadro do aspecto que teria essa Amazônia sem a floresta, algumas pessoas recorrem ao termo savana. Mas não é uma descrição lá muito precisa: uma Amazônia sem floresta se mostraria muito mais pobre, tanto em termos de fauna quanto de flora, do que uma savana.

Seca e calor preocupam

Outras descobertas recentes fundamentam a preocupação com a possibilidade de que o ponto de não retorno esteja se aproximando. Uma delas é a constatação de que, nos últimos anos, vem se ampliando a duração da estação seca no sul da Amazônia. É nesta região que está situada boa parte do chamado Arco do Desmatamento, termo cunhado para delimitar um vasto segmento do bioma amazônico onde a devastação avança em ritmo acelerado há décadas.

Carlos Nobre, um dos maiores climatologistas brasileiros, e que se dedica a estudar a resiliência amazônica há 30 anos, prevê um futuro complicado caso a tendência se mantenha. “Atualmente, a estação seca em algumas regiões da Amazônia aumentou em até cinco semanas. Se esse prolongamento continuar, a floresta não sobreviverá a secas que durem mais de seis meses”, diz ele.

Os dados científicos recentes, gerados a partir de pesquisas conduzidas em diversas áreas do bioma, delineiam um cenário ainda mais perigoso, porque a combinação de desmatamento e aquecimento global exacerba os problemas.

Até hoje, por volta de 18% da área da floresta já foram devastados por completo. Quando se somam também os terrenos degradados, chega-se ao percentual de 20% da área do bioma com alterações. Estudos multidisciplinares mostram que, se o desmatamento alcançar 25% da área e o aquecimento global ultrapassar a média global em 2 °C, grande parte da floresta entrará em um ciclo de autodestruição. Se tais condições se concretizarem, as projeções apontam que o ponto de não retorno será alcançado em 25 anos.

As pesquisas sugerem que os efeitos extremamente danosos não se restringirão apenas à Amazônia: devem espalhar-se por toda a América do Sul, como um efeito dominó — em especial, por meio da interrupção do fenômeno conhecido como “rios voadores”, os fluxos de vapor d’água que circulam da Amazônia para outras regiões do continente.

Leia também: Portal Amazônia responde: O que são os rios voadores?

A floresta, nas regiões onde ainda está preservada em sua exuberância original, funciona como uma bomba d’água ativa, que exala umidade para a atmosfera. Esses grandes canais aéreos de vapor são responsáveis por levar umidade para o Cerrado e a Mata Atlântica. A área de influência da Amazônia chega ao Sudeste do Brasil e a partes da Argentina, do Paraguai e do Uruguai.

E sem essa umidade do norte do país, os demais biomas do continente se tornarão certamente mais secos, enfrentando estações com prolongada ausência de chuvas e temperaturas mais altas. Essas alterações colocariam sob ameaça não apenas a biodiversidade do país, mas também sua agricultura. Todo o agronegócio brasileiro, concentrado no Cerrado, estaria, portanto, sob risco.

As mudanças climáticas em curso em todo o planeta – e, no caso específico da Amazônia, o efeito antrópico cada vez mais presente – geram sinergias potencialmente maléficas para todo o ecossistema, como sustentam os autores do artigo publicado na Oikos.

“De um lado, encontramos uma alta diversidade de espécies de plantas, espécies frugívoras e suas interações entre todas as áreas de estudo, bem como dentro e entre as classes florestais, principalmente impulsionada pela substituição de espécies. Mas as florestas exploradas e queimadas há 17 anos apresentaram a composição de interações mais distinta em comparação com as florestas intactas. Nosso estudo fornece evidências inéditas de que distúrbios antrópicos, especialmente a extração seletiva de madeira e os incêndios florestais, afetam negativamente as interações de frugivoria nas florestas amazônicas. Esses efeitos podem persistir por anos após os eventos iniciais de distúrbio e podem ser agravados devido ao aumento previsto dos incêndios florestais impulsionado pelas mudanças climáticas”, afirma Rossi.

O fato de algumas das relações entre animais e vegetais analisadas por Rossi e seus colaboradores envolverem espécies ameaçadas de extinção é outro sinal de alerta importante. O estudo flagrou interações, por exemplo, com a Lepidothrix iris (uiraçu-de-coroa-azul), classificada como Vulnerável pela ONG União Internacional para a Conservação da Natureza — que monitora o risco de extinção de espécies —, encontrada em florestas Intactas e Exploradas. Além disso, as espécies Aburria cujubi (jacupiranga, Vulnerável), Penelope pileata (jacuguaçu-de-coroa-branca, Vulnerável) e Ateles marginatus (macaco-aranha-de-cara-branca, Em Perigo) foram observadas em florestas Intactas, Exploradas e Exploradas e queimadas há três anos (IUCN, 2024).

A corrida contra o tempo para que as ações antrópicas contra o meio ambiente não se tornem irreversíveis dentro do contexto amazônico se impõe cada vez mais. “Menos interações resultam em uma diminuição no processo de dispersão de sementes, levando a uma regeneração florestal mais lenta, o que pode aumentar a suscetibilidade da floresta ao fogo e agravar ainda mais a perda de interações. Os dados reforçam que o tempo de recuperação dessas áreas pode ser maior do que se imaginava. Esse cenário é preocupante, especialmente diante das previsões de continuidade ou intensificação de distúrbios recorrentes, como queimadas e extração seletiva de madeira”, diz Rossi.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal da Unesp, escrito por Eduardo Geraque

Abaetetuba, no Pará, já confirmou 276 casos de Doença de Chagas em 2025

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Foto: Divulgação/Fiocruz

De janeiro a abril deste ano, o serviço especializado em Doenças de Chagas de Abaetetuba, no Pará, já confirmou 276 casos da forma crônica da doença, aquela que não apresenta sintomas imediatos. Outros 272 casos estão em investigação.

Leia também: Mudanças climáticas podem ampliar área de risco da Doença de Chagas na Amazônia

Profissionais de saúde apontam a ligação direta entre o clima, o desmatamento e a exposição da população aos barbeiros, vetores da doença. Fagner Carvalho é médico com especialização em infectologia, professor da Afya Faculdade de Ciências Médicas de Abaetetuba e coordenador do serviço especializado em Doença de Chagas no município. Ele comenta a situação.

“Porque a Doença de Chagas é causada por um parasita, transmitida principalmente pelo barbeiro, que é um inseto que vive nas áreas silvestres, mas pode se aproximar das casas, especialmente quando o ambiente natural que ele vive ele é derrubado. E as mudanças climáticas, o aumento da temperatura, o desmatamento e alterações, com o clima da chuva, faz com que esses insetos se espalhem mais facilmente para os locais onde antes não tinham áreas para sobreviver, as áreas urbanas. Então, a gente tá tendo um aumento muito grande do parasita convivendo em área urbana. Além disso, as enchentes, as queimadas, elas desorganizam todo o ambiente”.

Além do aumento de vetores, o consumo de alimentos contaminados como açaí mal higienizado também contribui para a transmissão da doença.

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De acordo com o médico infectologista Fagner Carvalho, a maioria dos casos registrados na Amazônia atualmente tem origem nesse tipo de contaminação, agravada pelo modo de produção em áreas ambientalmente fragilizadas. Ele comenta as ações de combate do vetor.

“Em casos relacionados há um aumento do consumo de açaí que é associado à transmissão oral. Mas vale lembrar que nem sempre é só a transmissão oral que vai fazer a transmissão do parasita. E como é que a gente trabalha aqui no município? Abaetetuba, depois do projeto Integra Chagas, está em andamento, um projeto coordenado pela Fiocruz do Rio de Janeiro, onde foi feito a testagem rápida dos pacientes para Doença de Chagas crônicas, observou um aumento muito grande dos pacientes que positivaram, mesmo estando sem sintomas. E, através disso, a secretaria criou um serviço de Doença de Chagas dentro do SUS, no município de Abaetetuba e um serviço que vai integrar três principais grandes áreas. Primeiro, nós atendemos os pacientes que são diagnosticados, confirmados, acompanhando os exames desses pacientes com eletrocardiograma; depois nós trabalhamos junto com a atenção básica, apoiando os profissionais médicos que estão na atenção básica, ajudando o diagnóstico, capacitando esses profissionais; e também a gente atua junto com a vigilância epidemiológica para investigar os casos onde há surto de doença de chagas agudas, principalmente nas zonas rurais, nas zonas ribeirinhas”.

Para discutir os impactos das mudanças climáticas na saúde da população amazônica, especialistas, jornalistas e representantes da sociedade civil se reuniram este mês em Belém no evento Saúde e Clima na Amazônia: histórias reais, soluções urgentes. A proposta foi construir soluções que promovam a união entre saúde pública, segurança alimentar e preservação ambiental.

*Com informações da Rádio Agência Nacional

A fé em São João que deu vida aos bois Caprichoso e Garantido em Parintins

Catedral de Nossa Senhora do Carmo, em Parintins, também abriga a imagem de São João Batista. Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Muito antes de encantarem multidões no Bumbódromo de Parintins e se tornarem ícones da cultura popular brasileira, os bois Caprichoso e Garantido nasceram movidos por fé e promessas feitas a São João Batista — o segundo dos três santos juninos, ao lado de Santo Antônio e São Pedro.

Há 58 anos, esses dois bois realizam o maior espetáculo folclórico a céu aberto do Brasil: o Festival Folclórico de Parintins, que neste ano acontecerá nos dias 27, 28 e 29 de junho, reunindo milhares de pessoas no município amazonense em celebração à cultura e às tradições amazônicas.

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Foi no ano de 1913 que a história começou a ser escrita. Em lados opostos da ilha, os dois bois surgiram quase simultaneamente, ambos ligados à religiosidade popular e à devoção que marca o mês de junho na região amazônica.

Leia também: Zeca Xibelão e Lindolfo Monteverde: os nomes por trás dos currais dos bois Caprichoso e Garantido

A origem do Garantido ❤️

Na Baixa do São José, o vermelho do Garantido começou a pulsar com força quando Lindolfo Monteverde, seu criador, enfrentou uma grave doença.

Movido pela fé, ele fez uma promessa a São João Batista: se fosse curado, construiria um boi para alegrar o povo nas festas do santo. A cura veio, a promessa foi cumprida — e assim nasceu o Boi Garantido, com seu coração vermelho vibrando a cada batida de tambor e cada toada.

​”Minha vó, a dona Alexandrina, conhecida como Xanda, não sabia mais o que fazer e pediu para o meu pai fazer essa promessa para ficar curado. Três dias depois o milagre aconteceu”, contou a filha de Lindolfo, Maria do Carmo Monteverde.

Maria do Carmo Monteverde, guardiã da memória e das histórias do Boi Garantido. Foto: Matheus Castro/Rede Amazônica AM

Desde então, o Garantido carrega não só o brilho do folclore, mas também o peso simbólico de uma fé que se renova a cada junho. No dia 24, data dedicada a São João Batista, a comunidade da Baixa mantém viva uma das tradições mais comoventes da festa: a ladainha ao santo, entoada com velas, fé e emoção diante da fogueira acesa.

É nesse clima sagrado que os brincantes aguardam, na madrugada, o cortejo do boi pelas ruas, numa celebração que mistura religiosidade, memória e resistência cultural.

“A ladainha é uma tradição trazida pelo meu pai. Quando ele ficou curado prometeu para São João fazer essa homenagem e antigamente vinham as famílias da Baixa para a oração e depois o Boi Garantido saía pelas casas e visitava as casas. Até hoje fazemos isso”, concluiu Maria do Carmo Monteverde.

A promessa do Caprichoso ⭐

No mesmo ano, do outro lado da cidade, em uma área conhecida como Urubuzal, no então chamado “Reduto do Esconde”, outra promessa a São João dava origem a um boi.

Os irmãos Roque, Antônio e Beatriz Cid, vindos do Crato, no Ceará, sonhavam com dias melhores na Amazônia. Em Manaus, Roque se encantou com um boi chamado Caprichoso que viu na Praça 14 de Janeiro. A imagem e a alegria daquele boi não lhe saíram da cabeça.

Ao chegar a Parintins, e sem que ainda tivessem prosperado na nova terra, os irmãos decidiram que retornariam às origens. Mas antes, como um último gesto de fé, prometeram a São João Batista que, se conseguissem se estabelecer, criariam um boi como aquele que tanto os encantou.

“O Roque sempre foi um apaixonado pela cultura popular. Ele prometeu que se ele e a família conseguissem se estabelecer, eles iam criar um boi para homenagear São João, e conseguiram. Hoje tá aí o Caprichoso, que é o nosso arauto da cultura”, contou Karina Cid, uma das descendentes de Roque Cid.

Promessas feitas a São João Batista deram origem a dois dos maiores ícones da cultura amazônica. Foto: Matheus Castro/Rede Amazônica AM

No dia 20 de outubro de 1913, a promessa foi cumprida: nasceu o Boi Caprichoso, construído com as próprias mãos e muita devoção no local onde hoje fica a Travessa Sá Peixoto.

“Hoje o Caprichoso não é mais da família Cid. Ele é do povo. Nasceu aqui, mas ganhou o mundo e tudo isso como uma promessa para São João”, declarou.

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Fé que pulsa no ritmo dos tambores

Mais de um século depois, a fé que deu origem aos bois continua viva nas manifestações culturais e religiosas do povo de Parintins. Caprichoso e Garantido não são apenas símbolos folclóricos — são frutos da fé popular, das promessas cumpridas e do poder transformador das tradições juninas.

Em cada ladainha, em cada Boi de Rua, em cada fogueira acesa, em cada promessa renovada no coração dos brincantes, está presente a essência que fez nascer esses dois gigantes da cultura amazônica: a fé em São João Batista, o santo padroeiro dos bois de Parintins.

*Por Matheus Castro, da Rede Amazônica AM

Saiba como se inscrever para visita guiada ao Bumbódromo no Festival de Parintins

Foto: Aguilar Abecassis/Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa

O palco do tradicional duelo entre os bois Caprichoso e Garantido, o Bumbódromo, estará aberto para visitação ao público durante o 58º Festival Folclórico de Parintins 2025. A iniciativa do Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, ocorrerá entre os dias 25 e 29 de junho, com agendamento prévio e vagas limitadas.

Leia também: Fachada do Bumbódromo de Parintins ganha mais cores e vida há quatro anos; conheça as pinturas

O link para agendamento será aberto no dia anterior de cada visitação, sendo fechado após o preenchimento das vagas e reabrindo no dia seguinte, sempre às 9h.

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Os interessados poderão realizar o agendamento a partir desta terça-feira (24/06), no Portal Cultura do AM. A visitação será dividida em grupos de 40 pessoas cada, nos horários das 9h às 9h40; 9h40 às 10h20; 10h20 às 11h; e 11h às 11h40. 

Além de conhecer o Bumbódromo, o público também será contemplado com a apresentação teatral ‘Parintins, Folclore em Festa!’, com os alunos do Núcleo de Teatro do Liceu de Artes e Ofícios Claudio Santoro de Parintins. A encenação será realizada no hall do centro cultural, integrando o roteiro de visitação.

Leia também: Bumbódromo: conheça a arena que sedia a disputa dos bumbás Garantido e Caprichoso no Amazonas

Os visitantes também vão poder conhecer:

  • o hall de de entrada, onde acontece a exposição 60 anos Festival de Parintins e estandes dos bumbás Caprichoso e Garantido; ⁠
  • Camarote Tapiri (sétimo andar), vista aérea da Arena do Bumbódromo;
  • corredores internos do Bumbódromo, acesso às salas de produção, camarins dos itens individuais, e salas de atendimento ao elenco dos bumbás;
  • Arena do Bumbódromo, visualização e identificação dos lados azul e vermelho e posicionamento de jurados;
  • e área externa (frente do Bumbódromo) – arte em relevo de paisagens de contos, lendas e cotidiano ribeirinho esculpidos no muro do prédio feitas por artistas da Associação dos Artistas plásticos de Parintins (AAPP).

De acordo com o diretor-geral do Circuito da Cultura 2025, Tiago Rocha, para agendar a visita, é necessário que o turista preencha um formulário com nome completo, CPF, data de nascimento e dependentes. São esperadas 160 pessoas por dia durante o período de visitação.

“Para cada horário serão disponibilizadas 40 vagas, todos assistem o espetáculo e em seguida serão divididas em quatro grupos de 10 pessoas para seguir o roteiro”, explicou o diretor-geral do Circuito da Cultura 2025, Tiago Rocha.

Também responsável pela direção e roteiro da peça teatral, Tiago Rocha destaca que a experiência proporciona uma imersão cultural, aproximando turistas e torcedores da magia que envolve o maior festival folclórico do Norte do país.

*Com informações da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa

Verão Amazônico: Orquestra Villa-Lobos de Porto Velho emociona público com repertório que mistura cinema, pop e música brasileira

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Orquestra Villa-Lobos de Porto Velho se apresentou neste sábado (21) no Teatro Palácio das Artes. Foto: Divulgação

A noite de sábado (21) foi marcada pela temporada 2025 do Concerto Verão Amazônico, da Orquestra Villa Lobos de Porto Velho. A apresentação foi realizada no Teatro Estadual Palácio das Artes, na capital de Rondônia, e lotou o auditório, levando ao público uma mistura cultural de música erudita e popular.

O repertório trouxe sucessos que atravessam gerações e estilos: de trilhas de filmes como O Rei Leão e Indiana Jones, passando por Beatles, Queen e A-ha, até chegar aos clássicos brasileiros de Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Dominguinhos e Luiz Gonzaga.

Para o maestro Marcelo Yamazaki, a apresentação é fruto de anos de dedicação e estudos da turma que compõe a escola de música.

“Não é fácil fazer música erudita em Porto Velho. Tem momentos que dá vontade de desistir. Mas, só de ver os frutos desse trabalho, ver essas crianças que iniciaram como alunos do instituto e hoje estão tocando na Orquestra Villa-Lobos, ver as pessoas gostando e aplaudindo tanto, é muita emoção”, destacou.

Diversidade de pessoas e gostos musicais representados no concerto Verão Amazônico. Foto: Divulgação

Marina Prestes Carvalho, produtora cultural e uma das responsáveis pelo projeto, celebrou o sucesso que a orquestra tem gerado na cena musical local.

“Fazer parte dessa história, pra mim, que sou da terra, é motivo de muita gratidão. A gente trouxe a música orquestral para Porto Velho e é emocionante ver esse sonho se realizando”, afirmou.

Na plateia, quem assistia também se emocionou. A enfermeira Jaciara Aguiar contou que assistir ao filho, músico da orquestra, foi um momento inesquecível para a família.

“Foi uma experiência única. Na nossa casa, todos nós somos envolvidos com a música e o nosso filho toca na orquestra. Então, nos sentimos emocionados vendo que ele está percorrendo esse caminho da música, que é algo cultural e enriquecedor para o conhecimento dele”, disse.

Entre os músicos da orquestra, o sentimento era de alegria e orgulho por fazer parte de algo tão significativo.

“A música é uma ferramenta muito forte para conectar não só com as pessoas, mas com a alma delas e trazer um pouco de alegria e cor para o nosso mundo”, comentou o músico Caio Abrantes.

Para Davi Salomão, músico da orquestra, cada apresentação é uma oportunidade de aprendizado e emoção. “Fazer parte da orquestra me deixa emocionado, porque é algo que vai ficar marcado para o resto da minha vida como músico. Eu consigo adquirir grandes experiências com isso”, disse.

A violinista Linda Félix destacou que, mesmo com a experiência de outras apresentações, o momento no palco continua sendo especial a cada nova performance. “Todas as vezes eu me emociono vendo que tanta gente gosta do nosso trabalho”, relatou.

Desmatamento na Amazônia ajuda a provocar casos de oropouche em outras regiões

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Foto: Divulgação/Fiocruz

Dois estudos recentes, ambos com colaboração de pesquisadores da Fiocruz, revelam como o vírus oropouche, historicamente associado à Amazônia, chegou ao Sudeste do Brasil. Os artigos detalham a introdução do arbovírus no Espírito Santo e no Rio de Janeiro desde o início de 2024. Fatores como desmatamento e mudanças climáticas são apontados como propulsores da circulação do patógeno, que, segundo análises genômicas, originou novas sublinhagens fora da Amazônia.

Transmitido principalmente pelo maruim (Culicoides paraensis), o oropouche provoca sintomas semelhantes aos da dengue e da chikungunya, como febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares e nas articulações.

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“A nova linhagem do oropouche chegou ao Sudeste no início de 2024 e, em dois meses, já havia muitos casos. O vírus encontrou um nicho ecológico favorável e se espalhou rapidamente, criando ainda outras sublinhagens”, explica o chefe do Laboratório de Arbovírus e Hemorrágicos do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e coautor dos dois estudos, Felipe Naveca.

As investigações contaram com a participação de profissionais da Fiocruz Amazônia, do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) e de outras instituições de pesquisa.

Dispersão acelerada no Espírito Santo

No Espírito Santo, o artigo ‘Emergência do Vírus Oropouche no Estado do Espírito Santo, Brasil, 2024’, publicado na revista Emerging Infectious Diseases, analisou 339 casos confirmados de oropouche notificados entre março e junho de 2024. Os pesquisadores se basearam em dados de vigilância epidemiológica coletados pelo Ministério da Saúde, por meio dos sistemas e-SUS Notifica e Gerenciador de Ambiente Laboratorial (GAL).

Distribuídas em 17 municípios capixabas, a maioria das ocorrências foi observada em regiões de cultivo de café, cacau, pimenta e coco. Esses ambientes, segundo Naveca, são ideais para a proliferação do maruim.

“Essa associação com culturas como banana e cacau faz sentido, porque são locais com muita matéria orgânica em decomposição e umidade — condições favoráveis à proliferação do maruim”, comenta.

A análise genômica revelou que os casos capixabas estão ligados à linhagem conhecida como OROVBR-2015–2024, originado na Amazônia, que foi descrita no artigo Surtos humanos de um novo vírus Oropouche recombinante na região amazônica brasileira, coordenado por Naveca. Os dados mostram que essa versão do vírus é resultado de um rearranjo genético, ou seja, ela herdou parte do material genético de outros vírus que circularam recentemente na Amazônia, formando uma nova combinação de segmentos genômicos.

As novas pesquisas também identificaram múltiplas introduções independentes do vírus no Espírito Santo, vindas de diferentes regiões da Amazônia, o que reforça o potencial de expansão da arbovirose para outras áreas do Sudeste. Outro aspecto que chamou a atenção dos cientistas foi a velocidade de transmissão. Em cerca de onze semanas, o oropouche atingiu um número de casos semelhante ao de arboviroses já estabelecidas no estado, como dengue e chikungunya.

O artigo estima que cada pessoa infectada pode transmitir o vírus pelo vetor para outros três indivíduos, em média. “A transmissibilidade estimada, é semelhante às dinâmicas observadas em arbovírus urbanos e silvestres que circulam em populações que tiveram pouco ou nenhum contato com o vírus”, observa.

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Na prática, esses dados indicam que o oropouche encontrou no Espírito Santo um ambiente com grande quantidade de pessoas vulneráveis, o que favoreceu a rápida disseminação. Para os pesquisadores, a alta taxa de transmissão, somada à falta de imunidade coletiva, representa um sinal de alerta para o risco de novos surtos em outras regiões que ainda não enfrentaram a circulação do vírus.

O estudo ainda destaca que o perfil dos infectados foi majoritariamente de homens adultos, especialmente aqueles com mais de 20 anos. Esse perfil, segundo Naveca, é compatível com a rotina de trabalhadores das propriedades rurais, que estão mais expostos ao vetor. “A predominância masculina pode refletir a exposição ocupacional em atividades agrícolas rurais, aumentando o contato com o vetor”, comenta.

‘Intercâmbio viral’ entre Rio e Espírito Santo

No estado do Rio de Janeiro, o estudo Transmissão sustentada do vírus Oropouche na Mata Atlântica do Rio de Janeiro: evidências genômicas ao longo de um período de dois anos, disponível em formato de preprint na plataforma medRxiv, analisou a disseminação do oropouche no estado a partir de dados de vigilância epidemiológica. Os pesquisadores utilizaram informações do Painel Epidemiológico do Ministério da Saúde, que registrou mais de 1,5 mil casos confirmados entre janeiro de 2024 e maio de 2025.

Ainda em andamento, a pesquisa já foi capaz de indicar que o epicentro da transmissão foi o município de Piraí, no Sul Fluminense. De lá, o vírus se espalhou para a Região Metropolitana e o Norte Fluminense, atingindo principalmente municípios pequenos localizados em áreas de Mata Atlântica.

As análises genômicas identificaram uma sublinhagem chamada OROVRJ/ES, presente tanto no Rio de Janeiro quanto no Espírito Santo. A descoberta reforça o cenário de intercâmbio viral entre os dois estados, indicando que o vírus não apenas chegou ao Sudeste, mas também passou a circular de forma local nas duas regiões.

“A linhagem OROVBR-2015–2024 saiu da Amazônia e se espalhou por diferentes regiões do Brasil, estabelecendo surtos fora das áreas tradicionais. No Espírito Santo e no Rio de Janeiro, observamos sublinhagens específicas que mostram como o vírus se adaptou e circulou localmente”, destaca Naveca.

Além de mapear as rotas de disseminação, o estudo calculou a velocidade média de propagação do vírus no Estado do Rio. Segundo os pesquisadores, a sublinagem OROVRJ/ES se espalhou a uma taxa média de 0,3 km por dia, com picos de até 0,5 km/dia no início de 2024, caindo para cerca de 0,1 km/dia ao longo de 2025.

A maioria dos deslocamentos ocorreu em distâncias muito curtas, considerando o trajeto entre os locais de transmissão identificados nas análises genômicas. O texto explica que metade dos eventos de dispersão do vírus aconteceu em menos de 2 km, enquanto outros 30% ocorreram entre 2 e 10 quilômetros. Na prática, esse padrão de dispersão ajuda a explicar por que os casos se concentraram em pequenos municípios no entorno da Mata Atlântica, onde a proximidade entre comunidades e áreas de vegetação preservada favoreceu a transmissão local do vírus.

Mudanças climáticas e importância da vigilância genômica

Naveca reforça que fatores como mudanças climáticas e degradação ambiental estão diretamente ligados à expansão do oropouche para áreas fora da Amazônia. “Desmatamento e alterações no regime de chuvas intensificaram a abundância de vetores na Amazônia e criaram zonas de dispersão, como o sul do Amazonas, Acre e norte de Rondônia — que se tornaram áreas com alta concentração de casos e intensa transmissão viral”, explica Naveca.

Segundo o pesquisador, embora o Espírito Santo tenha registrado queda nos casos recentemente, é possível que, no futuro, o vírus se torne recorrente em estados como ES, RJ e MG. Isso porque o oropouche pode circular silenciosamente em animais e voltar a infectar humanos quando houver vetores suficientes.

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“Nós temos uma população sem imunidade prévia. Se houver condições ecológicas favoráveis e vetores abundantes, o vírus pode se estabelecer de forma permanente fora da Amazônia”, alerta. Os resultados reforçam a importância da vigilância genômica no monitoramento de arboviroses emergentes.

Segundo o pesquisador, a inclusão do oropouche nos protocolos de diagnóstico foi fundamental para a identificação dos casos no Sudeste. “Se não houvesse teste específico para oropouche, esses casos passariam como suspeitos de infecção por dengue”, salienta o especialista.

Além do IOC, participaram do estudo no Espírito Santo pesquisadores da Fiocruz Amazônia (ILMD/Fiocruz), da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e da Secretaria da Saúde do Espírito Santo. Para a pesquisa no Rio de Janeiro, profissionais da Universidade Federal Fluminense (UFF), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) atuaram ao lado do IOC/Fiocruz.

*Com informações da Fiocruz

Belém possui 389 áreas com riscos de inundação e erosão, aponta relatório

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Além dos riscos, pesquisadores também apontaram soluções. Foto: Júlia Marques

A cidade de Belém (PA) possui 301 setores de risco de inundação e 88 áreas com risco de erosão na região das ilhas do Combu, Cotijuba, Mosqueiro e Outeiro. Esses são alguns dos resultados que serão apresentados durante o III Encontro sobre o Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR) de Belém, coordenado pela Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra).

Após 15 meses de trabalho, os resultados finais do plano foram apresentados em audiência pública, neste mês. Foram convidadas lideranças comunitárias que participaram das etapas do plano, além de instituições como a Defesa Civil e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma). 

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Plano mapeou 37 bairros de Belém e apresenta resultados finais. Foto: Bruno Chaves/Ascom Ufra

O PMRR de Belém integra os 20 PMRRs que estão sendo desenvolvidos em todo o Brasil, com coordenação geral do Ministério das Cidades, Secretaria Nacional de Periferias, Departamento de Mitigação e Prevenção de Riscos em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz, Defesa Civil e universidades de todo o Brasil.

Em Belém o projeto é coordenado pela Ufra, a partir da professora Milena Andrade e uma equipe interdisciplinar de nove pessoas que compõem o Grupo de Pesquisa e Extensão em Desastres e Geotecnologia na Amazônia (Geodesastres). 

“Além de Belém, também esta sendo feito um PMRR em Manaus, são os primeiros da região Norte. Esse é mais um instrumento que auxilia no planejamento e no ordenamento territorial e traz apontamentos concretos sobre quais são as áreas prioritárias, devido o grau de risco que elas apresentam. É um plano que pode ajudar a criar uma cultura de prevenção e uma cidade melhor para todos. Mesmo antes das mudanças climáticas isso já era urgente, pois historicamente Belém tem problemas com inundação e erosão costeira. É um instrumento que a prefeitura pode usar não só pra planejar, mas para efetivamente agir e tentar reduzir o risco nessas áreas”, explica a professora Milena Andrade. 

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Professora Milena Andrade coordena o PMRR Belém. Foto: Vanessa Monteiro/Ascom Ufra

Durante a audiência serão apresentados os números de setores de riscos mapeados; número de ameaças e vulnerabilidades indicados pela população durante o mapeamento participativo; Indicativos de propostas de intervenção estrutural de engenharia e as respectivas precificações; além de indicação de medidas não estruturais, voltadas à prevenção e educação para redução de riscos.

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Além do mapeamento, também foram produzidas cartilhas, folders e até um glossário como produtos do PMRR Belém. Foto: Vanessa Monteiro/Ascom Ufra

No local, o público também terá acesso a folders, cartilhas e um glossário voltados à prevenção de riscos, que podem ser utilizados como material educativo em escolas. 

Mapeamento 

Em Belém foram mapeadas duas ameaças principais, que foram as ameaças de inundação e erosão costeira. 

“São processos distintos, já que a inundação está relacionada ao transbordamento dos rios e a erosão costeira está relacionada à áreas específicas das ilhas onde você encontra habitações que estão perto de áreas que podem colapsar”, explica a coordenadora. 

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Mapeamento ocorreu de forma participativa com a comunidade. Foto: Bruno Chaves/Ascom Ufra

As áreas mapeadas pelo PMRR foram classificadas em graus de risco médio, alto e muito alto risco. Dos 37 bairros mapeados na cidade, cinco são considerados prioritários para ações de intervenção de obras do setor público: Tapanã; Curió-utinga; Paracuri; Terra firme e São João do Outeiro (bairro da ilha de Outeiro).

“Nós colocamos esses bairros como prioritários diante do número de setores de riscos que eles apresentaram, considerados muito alto e alto, o grau de complexidade das obras que precisam ser realizadas, o custo da intervenção por edificação, número de edificações e o custo total”, explica a coordenadora do plano, professora Milene Andrade. 

“Quando falamos de riscos, nessa área geohidrológica, existem dois fatores: um evento com potencial de causar danos e edificações de baixo padrão construtivo localizadas onde esse evento pode causar danos. Isso está vinculado à questão de ordenamento territorial, da forma como a cidade foi constituída. Nós temos 14 bacias hidrográficas, a maioria delas foi aterrada, são áreas baixas, de 0 a 4 metros de altitude. E a infraestrutura em algumas dessas áreas é mais precária, são áreas de vulnerabilidade socioeconômica”, explica a professora. 

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E as costumeiras chuvas da região, especialmente no chamado “inverno amazônico”, são um fator que precisa ser considerado em um plano de riscos. “Na cidade, há muita precipitação, ou seja, chove bastante e há marés altas no primeiro trimestre. A tendência da água é escorrer para o seu rio principal, mas se essa área está aterrada ou impermeabilizada então a possibilidade de ocorrer inundação é muito alta se não forem tomadas medidas preventivas. Essa combinação de fatores é que leva a que as áreas de risco sejam constituídas”, explica Milena Andrade.  

Sugestões

Pelo menos 31 dos bairros mapeados receberam proposições de medidas estruturais que podem ser feitas de forma preventiva, para evitar que os desastres ocorram.

“Os seis bairros que não foram contemplados apresentam apenas setores de risco médio. Os setores de risco alto e muito alto foram os primeiros critérios para indicar as medidas estruturais”, destaca a coordenadora.

As sugestões são apontamentos que vão desde de micro e macro drenagem, até limpeza, canalização, dragagem e recomposição vegetal. O plano também indica uma sugestão sobre a precificação do custo dessas obras, com base com base no Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (SINAPI), da Caixa Econômica Federal. 

Segundo a professora, além da construção de novas infra estruturas, é importante manter o que já existe e que impede as inundações. “É o tipo de intervenção que a gente propõe, a manutenção de estruturas que já existem, como a macrodrenagem. O processo de limpeza periódica dessas estruturas precisa estar na agenda do município, porque elas foram criadas para essa finalidade”, diz.  

O documento será encaminhado para a Defesa Civil do município, para servir como mais um instrumento para prevenção de riscos e captação de recursos para obras. 

*Com informações da UFRA

Fachada do Bumbódromo de Parintins ganha mais cores e vida há quatro anos; conheça as pinturas

Foto: Eduardo Melo/Liceu Parintins

Inaugurado em 1988, o Centro Cultural de Parintins, no município amazonense, mais conhecido como Bumbódromo, tem sido o espaço de grandes apresentações dos bois-bumbás Caprichoso e Garantido. E com toda arte que envolve o festival folclórico mundialmente conhecido, a arena da disputa dos bumbás também ganhou mais cores e vida.

Isso porque, desde 2022, uma gigantesca pintura marca a fachada, tornando o local ainda mais importante para a cultura local.

2022: ‘Vitória da Cultura Popular’

Fachada do Bumbódromo de Parintins
Foto: Divulgação/SEC AM

Apenas duas pinturas já fizeram parte da ação de incentivo aos artistas. A primeira foi na revitalização realizada pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, e recebeu a assinatura da dupla de artistas parintinenses Curumiz (Alziney Pereira e Emerson Freitas).

Os preparativos eram para o 55º Festival e transformaram os quase 30 metros de altura em uma obra de arte a céu aberto.

Unindo os bumbás à natureza, a obra intitulada ‘Vitória da Cultura Popular’ precisou de 138 litros de tinta líquida e em spray, 12 rolos e pincéis e diversos andaimes. À época, os Alziney comentou que a ação era um ato de “orgulho cultural inexplicável”.

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O trabalho envolveu a participação de cerca de 90 profissionais. A obra foi finalizada às vésperas da edição de 2022 do festival e permaneceu como parte do cenário artístico do Bumbódromo.

2023: Arte em nova fachada do bumbódromo

Em junho de 2023, a arena dos bois recebeu uma nova obra no contexto de reforma completa, que envolveu teto, arquibancadas, geradores e mais investimentos de R$ 3,2 milhões do Governo do Amazonas. A fachada principal continuou com a arte feito pelos Curumiz, mas o artista Pito Silva produziu o mural ‘Brasil, futuro ancestral’, localizado na entrada pela Avenida Paraíba.

Com 97 metros de extensão, o mural retratou a ancestralidade dos povos indígenas, figuras como um curumim e uma cunhatã da etnia Sateré‑Mawé, além de um indígena idoso no centro. A obra visou preservar a memória cultural e ficou exposta durante o 56º Festival de Parintins.

Governador Wilson Lima em foto com equipe que participou da pintura “Brasil, futuro Ancestral”. Foto: Alex Pazuello/ Secom

2024: ‘Patrimônio em Festa’

Com o sucesso da ação, o Governo do Estado abriu um espaço ainda maior para a arte popular e a valorização dos artistas parintinenses com o lançamento do edital inédito do ‘Mural Bumbódromo 2024’, durante o 57º Festival Folclórico de Parintins.

Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Segundo o regulamento, os artistas participantes deveriam ser nascidos em Parintins e o trabalho selecionado seria usado como referência para criação da marca oficial do festival folclórico naquele ano.

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O artista parintinense Pito Silva foi o selecionado e sua criação, ‘Patrimônio em Festa’, escolhida para estampar a fachada em 2024/2025. A arte foi escolhida entre 11 propostas inscritas no edital lançado pelo Governo do estado.

Governador Wilson Lima cumprimentou Pito Silva durante anúncio no Teatro Amazonas, em Manaus, da arte da fachada escolhida para o Bumbódromo em 2024. Foto: Alex Pazuello/Secom AM

A produção, realizada com recursos do Governo do Amazonas, por meio de edital da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, foi selecionada com base em critérios como criatividade, originalidade e capacidade de representar os elementos do festival, consolidando o mural como símbolo visual da festa que atrai visitantes do Brasil e do exterior, como explicou o governador na época do anúncio.

Após o fim do 58º Festival de Parintins a expectativa é para o lançamento de um novo edital.

Galeria a céu aberto

Mais de 2 mil metros de muros espalhados pela cidade já foram coloridos por artistas de Parintins, para o projeto também da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa batizado como ‘Parintins – Galeria Cidade Aberta’. A ação visa abranger artistas visuais que não estão na cadeia produtiva dos bois.

Fachada do Bumdódromo antes do primeira arte, em 2019. Foto: Reprodução/Arquivo Secom AM

Parintins para o mundo ver

O projeto ‘Parintins para o mundo ver’ é realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), correalizado pela Rede Amazônica e Amazon Sat, com o apoio de Amazônica Net, Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC-AM) e Governo do Amazonas.

*Por Hector Muniz, do Portal Amazônia