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‘Vermelho’: toada do Garantido se tornou cântico de torcida de futebol da Europa

Torcedores do Sport Lisboa e Benfica torcendo para o clube no Estádio da Luz. Foto:  Céline Aussourd/Creative Commons

Considerada uma das toadas mais conhecidas do Boi-bumbá Garantido, a música ‘Vermelho’, composição de Chico da Silva, já atravessou o Oceano Atlântico e se tornou um dos cânticos de torcida de um dos maiores clubes de futebol do mundo: o Sport Lisboa e Benfica.

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Lançada originalmente em 1996, ‘Vermelho’ se tornou, ao longo dos anos, um verdadeiro hino dos torcedores do boi Garantido de Parintins, no Amazonas. Em 1998, a cantora paraense Fafá de Belém, regravou a canção em seu álbum ‘O Canto das Águas’, ampliando significativamente seu alcance nacional.

Mas será que foi Fafá de Belém que fez os torcedores do clube adotarem esse cântico como umas músicas para incentivar o clube durante os jogos? A resposta veio da própria Fafá de Belém, em uma entrevista ao programa Encontro com Fátima Bernardes, da Rede Globo, em junho de 2022.

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Na entrevista, a cantora paraense lembrou que foi convidada para fazer um trabalho em Lisboa (Portugal) no ano de 1997, logo após o falecimento do pai dela. Ela lembra que ao chegar na cidade, os torcedores já cantavam uma versão adaptada da toada do Garantido, com a mesma melodia, com destaque ao refrão: “Meu coração é vermelho/ de vermelho vive o coração/ ê óh!”. A identificação foi imediata.

“Meu pai era a memória mais portuguesa da minha vida, e eu tinha que ir depois da morte dele, dez dias depois, fazer um trabalho em Portugal. E eu não sabia que o ‘Vermelho’ já era cantado pelas torcidas de futebol. Eu chegando lá, quando desci do aeroporto, um motorista me buscou. E em vez de seguir um caminho ele foi por outro. E nesse caminho passamos por um centena de pessoas, torcedores do Benfica, cantando ‘Vermelho. Perguntei ao motorista o que era aquilo e ele então me disse: ‘Sabemos que está em uma imensa dor. Então o glorioso (sinônimo dado pelos torcedores ao clube), veio te abraçar’. De repente eu estava ali no meio daquela multidão, enrolada em uma bandeira, sendo passada de colo em colo”, contou Fafá.

A gravação em disco veio então posteriormente, com toda aquela emoção vivida por Fafá de Belém. Em 1998, com uma gravação feita por ela com a participação de David Assayag, na época levantador de toadas do Garantido.

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Para o apresentador do boi Garantido, Israel Paulain, a toada ganhou mais visibilidade depois que recebeu a interpretação de Fafá de Belém.

“Só gratidão a nossa Fafá de Belém, ao Chico da Silva por ter feito essa obra prima e que hoje se torna um patrimônio de Parintins do Amazonas, do Brasil e do mundo. A toada Vermelho é um marco para o nosso festival de Parintins e que bom que ela é do Boi Garantido”, afirmou o artista ao Portal Amazônia.

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O chamado do ‘Vermelho’

Após a gravação de Fafá de Belém, a música foi ainda mais cantada pela torcida. A canção na versão da artista paraense passou a ser tocada diversas vezes nos jogos do clube, ficando assim eternizada na história de um clube com milhares de torcedores espalhados pelo mundo.

Fafá de Belém, inclusive, com a identificação com o clube feita através da própria artista, chegou a ser chamada várias vezes para conhecer as dependências do clube. Em uma dessas vezes, no ano de 2019, ela chegou a ser recebida pelo time feminino principal e levantar um coro com as jogadores cantando a toada do Boi Garantido.

Bois de Maués: conheça os bumbás do Festival da Ilha de Vera Cruz

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Bois de Maués. Foto: Reprodução/ Facebook dos bumbás

Na comunidade da Ilha de Vera Cruz, em Maués, no Amazonas, a cultura pulsa com força própria. O tradicional Festival Folclórico de Vera Cruz transforma a cidade em um palco de celebração e memória, reunindo moradores e visitantes em torno de apresentações que valorizam a ancestralidade amazônica e o espírito comunitário.

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Inspirado nas lendas, mitos e costumes ribeirinhos, o festival abriga manifestações como o Boi-Bumbá e as tradicionais cirandas.

No centro da festa, destacam-se três bois: Boi Malhado, Boi Brilhante e Boi Garantido do Laguinho, cada um com uma história singular que fortalece a identidade local.

Boi Garantido do Laguinho

Vera Cruz
Boi Garantido do Laguinho. Foto: Reprodução/ Acervo pessoal Boi Garantido do Laguinho

O Boi Garantido do Laguinho possui em sua história fortes influências indígenas e negras, sendo um verdadeiro quilombo amazônico, ainda não oficializado. O boi foi ocupado por famílias negras fugidas das senzalas da região do Grão-Pará e por indígenas Mawé e Munduruku. Desses encontros culturais e espirituais, surgiu um território de resistência, fé e celebração.

Fundado por Dona Bebé em 1984, o Garantido do Laguinho nasceu à luz de uma fogueira em uma noite de São José. Os brincantes do boi atravessavam o rio de canoa, vendendo língua de boi e animando as festas das redondezas.

Desde a sua fundação, o boi se tornou um símbolo de orgulho e resistência, tornando-se o boi mais vitorioso do festival. 

“No Laguinho, o território é vermelho Garantido e não há espaço para outra cor senão o vermelho e branco”, afirmam os organizadores do bumbá.

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Boi Brilhante

Vera Cruz
Boi Brilhante e seus itens oficiais. Foto: Reprodução/ Facebook Boi Brilhante.

Fundado em 20 de junho de 1995, sob a sombra de um cajueiro e nas mãos de comunitários apaixonados pela cultura popular, o Boi Brilhante nasceu como uma brincadeira de terreiro, em uma roda simples e com um desejo coletivo de um compromisso com a identidade local.

Ao longo do tempo, o que começou como informal e despretensioso, transformou-se em uma das agremiações protagonistas do Festival Folclórico de Vera Cruz, evento cultural que movimenta a ilha com arte, tradição e economia. 

Atualmente, o Boi Brilhante carrega o diferencial de ser o único entre os três bois com CNPJ registrado, uma conquista administrativa que o transforma em associação cultural formal. 

“Isso significa responsabilidade. Quem vier depois vai ter que entender que não tá assumindo só um Boi, mas uma entidade com missão cultural”, Declarou Rony Von, presidente do Boi do Brilhante, ao Portal Amazônia.

A gestão do bumbá também inovou ao iniciar a criação de toadas próprias, um marco simbólico e artístico que consolidou a identidade sonora do Boi, já que durante anos o grupo se apresentava com músicas emprestadas de outros festivais. 

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Boi Malhado

Boi Malhado. Foto: Reprodução/ Facebook Boi Bumbá Malhado

Fundado no ano 2000 por um grupo de amigos em uma roda de conversa na casa do senhor ‘Piró’, o Boi Malhado nasceu da necessidade de expandir as opções culturais na Ilha de Vera Cruz. Na época, os bois Brilhante e Garantido do Laguinho já faziam história, mas a comunidade crescia e pedia mais representatividade.

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Entre os fundadores do bumbá estão nomes como Wallace Brasil, Jandir Gundin, Ivone Rolim e Raimundo José. Com as cores amarelo e branco, o Boi Malhado segue ativo e, segundo seus organizadores, “comprometido com a valorização cultural”, preparando-se para o festival, que acontece em agosto, com apresentações que misturam arte e memória. 

“Eu tenho na lembrança dos anos que fomos campeões do festival de 2011, 2018 e 2019, mas ele tem mais títulos. Só que eram outras pessoas que eram responsáveis na época, outros presidentes que já passaram, e esse ano sou professora, trabalho aqui na comunidade e estou lutando para dar continuidade a esse trabalho’’, declarou Ângela Lopes, Presidente do Boi Malhado, ao Portal Amazônia.

Festival Folclórico da Ilha de Vera Cruz

Vera Cruz
Sinhazinha do Boi Garantido do Laguinho. Foto: Reprodução/ Arquivo pessoal bumbá Garantido do Laguinho

O festival foi institucionalizado a partir dos anos 2000, com o Boi Brilhante sendo um dos dois fundadores ao lado do Boi Garantido do Laguinho. Mais tarde, o Boi Malhado somou-se ao trio de bois que hoje disputam anualmente o coração do público em dois dias intensos de festa, geralmente realizados no mês de agosto.

Apesar da incerteza de datas, que muitas vezes são alteradas conforme a gestão pública, o festival resiste. A edição de 2025, por exemplo, está marcada para os dias 1 e 2 de agosto, com direito a ensaio técnico e a grande noite da disputa.

Além de preservar a memória cultural da comunidade, o festival é motor econômico em uma cidade marcada por múltiplas festas: Carnaval, Divino Espírito Santo, São Pedro, Santo Antônio, Festival de Verão e Festa do Guaraná são apenas alguns dos eventos que fazem de Maués uma terra em constante celebração.

Leia mais: Boi Brilhante: entenda a influência de outros bois e da miscigenação no bumbá

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Visitar a Rihanna? Governo firma acordo para viabilizar voos entre Roraima e Barbados

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Praia de Batts Rock, em Barbados. Foto: Divulgação/BTA/Arquivo

O governo de Roraima firmou um acordo que viabiliza voos com saída de Roraima com destino Barbados, país no Caribe onde nasceu a diva pop Rihanna. As negociações foram discutidas em reunião entre o governador Antonio Denarium (PP) e representantes do país nesta quarta-feira (25) em Boa Vista.

Apesar das conversas, no entanto, ainda não há data definida para quando os voos começam a operar. A ideia é que as viagens passem também pela Guiana, na fronteira com o Brasil.

As datas para os voos de passageiros a partir do Aeroporto de Boa Vista ainda devem ser definidas em reunião com a empresa e os representantes do estado e dos países. A expectativa é que eles já estejam operando em novembro, após o estado receber voos direto de São Paulo (entenda mais abaixo).

No mar do Caribe, Barbados é uma ilha com paisagens paradisíacas, de clima quase idílico e país natal da cantora Rihanna, declarada heroína nacional. Independente do Reino Unido desde 1966, o país se tornou oficialmente uma república em 2021.

“Ficou acordado com a empresa transcaribenha um voo saindo de Boa Vista, Georgetown e Barbados, que vai ampliar as relações diplomáticas, comerciais e turísticas também. Passaremos a atrair turista de todo o mundo que procura Barbados para fazer turismo, fazendo uma extensão aqui para Roraima”, explicou Antonio Denarium ao Grupo Rede Amazônica.

Leia também: 9 fatos curiosos sobre o “Caribe amazônico”: Alter do Chão

Os voos para Barbados vão ter saída de Boa Vista e conexão em Georgetown, capital da Guiana. Segundo o governador, eles devem ser operados pela companhia aérea InterCaribbean e serão tanto comerciais de passageiros quanto de cargas.

A previsão é que os primeiros voos com mercadorias sejam iniciados em julho de 2025. O estado vai exportar produtos produzidos localmente, como frutas, soja, peixes, carne bovina e produtos da área de construção, para Barbados.

A reunião ocorreu no Palácio Senador Hélio Campos, sedo do Executivo estadual em Boa Vista, e reuniu ministros de Barbados, São Vicente e Granadinas, país no Sul do Caribe, e representantes do governo estadual.

De acordo com o ministro das Relações Exteriores de Barbados, Kerrie Symmonds, um voo com saída de Barbados e destino aos Estados Unidos, com quem mantém relações comerciais, dura cerca de 3h, já o voo entre Roraima e o país caribenho dura apenas 1h40. Para ele, há condições de realizar o transporte aéreo entre os dois países em pouco tempo.

“Sem dúvida o estado de Roraima é muito importante. A comitiva chegou aqui em um voo da InterCaribbean que durou 1h40 apenas. Então, se a gente conseguiu fazer isso só chegando aqui dá a prova do que é possível fazer entre o Caribe e o Caricom. Então, essa parte do transporte aéreo é uma das coisas que estamos muito próximos de solucionar”, explicou ele.

Foto: Yara Ramalho/Rede Amazônica RR

Além dos voos, a comitiva discutiu a ampliação das relações comerciais, turismo e a produção e exportação de alimentos cultivados em Roraima.

“Eu acho que o futuro é extremamente promissor. Com esse voo, com o transporte solucionado isso vai abrir possibilidades até para cidadãos, pessoas que nem pensam em relações internacionais vão sentir, tanto em Barbados quanto aqui em Roraima, o impacto do que a gente está construindo. Podem falar mais inglês, conhecer mais praias, até a gente ter carne com menos custos”, explicou a embaixadora de Barbados, Tonika Sealy-Thompson.

Voo nacionais

No dia 18 de junho, a companhia aérea Latam anunciou um novo voo direto entre a cidade de Guarulhos, em São Paulo, e Boa Vista. A nova rota será operada a partir de outubro de 2025.

De acordo com a companhia, serão dois voos semanais no período de baixa temporada e três durante a alta temporada, com saída do aeroporto de Guarulhos. A estimativa de duração do voo é de 4h35.

A nova rota foi anunciada após o governo de Roraima reduzir a alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o querosene de aviação, no dia 13 de junho. O imposto caiu de 7% para 5%.

O objetivo, segundo o governo, é aumentar o número de voos comerciais para o estado e diminuir o preço das passagens aéreas. A medida prevê percentuais mais baixos para as companhias que aumentarem a frequência de voos para Boa Vista ou oferecerem voos internacionais no estado.

*Por Yara Ramalho, da Rede Amazônica RR

Milton Cunha recebe Título de Cidadão Parintinense

Foto: Kilmer Lima/CMP

Em uma cerimônia marcada por emoção e reconhecimento, a Câmara Municipal de Parintins, no Amazonas, concedeu no dia 23 de junho o ‘Título de Cidadão Parintinense’ ao carnavalesco, cenógrafo, psicólogo, professor universitário e comentarista de carnaval Milton Cunha.

Veja também: Projeto ‘Parintins para o mundo ver’ conta com transmissão do Amazon Sat; veja a programação

A solenidade, de autoria da vice-presidente da Câmara, vereadora Márcia Baranda, foi realizada no plenário da Casa Legislativa e contou com a presença de diversas autoridades locais. 

Participaram do evento o presidente da Câmara, vereador Cabo Linhares, e os vereadores Azamor Pessoa, Babá Tupinambá, Fábio Cardoso, Julvan Medeiros e Marcus Cursino. O prefeito de Parintins, Mateus Assayag; o presidente do Boi Bumbá Caprichoso, Rossy Amoêdo; o presidente do Boi Bumbá Garantido, Fred Góes; e o pró-reitor de Extensão e Assuntos Comunitários da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), professor doutor Darlisom Ferreira, também prestigiaram a homenagem ao artista, que há décadas enaltece o Festival Folclórico de Parintins com seu talento e entusiasmo. 

Natural do Pará, Milton Cunha é reconhecido nacionalmente como uma das vozes mais emblemáticas do Carnaval brasileiro, além de ser um multiartista, pesquisador e figura carismática. Apaixonado pelo Festival de Parintins desde os anos 1970, ele já participou como comentarista oficial nas transmissões televisivas e mantém uma ligação afetiva com a cidade. 

Leia também: Milton Cunha: conheça o paraense com coração de carnavalesco

“Milton é muito mais do que um artista, ele é um verdadeiro embaixador do Festival Folclórico de Parintins no Brasil e no mundo. Esta homenagem é um gesto de gratidão por tudo que ele representa para a nossa história e identidade cultural”, afirmou a vereadora Márcia Baranda.   

Em nome da UEA, o professor doutor Darlisom Ferreira agradeceu à Câmara Municipal de Parintins pela propositura e classificou a homenagem como um momento histórico.

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O prefeito de Parintins, Mateus Assayag, exaltou a importância do homenageado para a cidade, para o Festival Folclórico e para o povo parintinense, agradecendo por tudo o que ele tem feito por essa terra.

“Milton Cunha realiza um trabalho maravilhoso, fantástico, não apenas por Parintins, mas pela cultura popular, pela arte, pelo talento. Milton é uma magia que encanta a todos. Além da arte e da cultura que você ajuda a divulgar diariamente, o Festival passou a ter outras dimensões com sua contribuição. Você é um formador de opinião e leva a nossa arte, o nosso povo, a nossa identidade mundo afora. Muito obrigado por tudo, e parabéns por se tornar cidadão parintinense”, declarou o prefeito. 

Confira: Milton Cunha comanda programa em parceria com a UEA no Festival de Parintins 2025

Com sua emoção contagiante, Milton Cunha compartilhou sua trajetória com Parintins, desde a primeira vez que pisou na cidade. Falou sobre a importância dos bois, do Festival Folclórico e de seu encantamento profundo por esse evento e por essa terra.

“Os bois expressam a sabedoria do nosso povo. Agradeço às autoridades, mas, acima de tudo, agradeço aos bois, que nos concedem o direito de sonhar. Crianças que dançam, que sonham, que celebram sua cultura e sua identidade no mundo. Parintins é uma cidade mais feliz. Encantado, Parintins! Encantado de ser parintintin!”, declarou o mais novo cidadão parintinense. 

Doutor em Letras e especialista em festas populares, Milton Cunha também atua como pesquisador do Festival Folclórico de Parintins, produzindo conteúdo acadêmico e artístico sobre o evento. Ele se tornou “Embaixador Cultural” de Parintins, contribuindo para levar o festival ao imaginário do Brasil urbano e midiático. 

O título entregue a Milton Cunha simboliza o reconhecimento do povo de Parintins ao seu papel fundamental na valorização e divulgação do festival, considerado um dos maiores espetáculos culturais do Brasil.

*Com informações da Câmara Municipal de Parintins

Pito Silva, o artista parintinense responsável pelo Mural do Bumbódromo em 2025

Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Pito Silva é um artista parintinense que ganhou destaque no Festival Folclórico, no Amazonas. O amor pela arte (dança e artes visuais) o levou à um dos postos que começam a criar um novo objetivo para os artistas locais: ser o autor do projeto do Mural do Bumbódromo.

Saiba mais: Fachada do Bumbódromo de Parintins ganha mais cores e vida há quatro anos; conheça as pinturas

Por meio de edital em 2024, iniciativa do Governo do Amazonas, realizado pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa, em parceria com a Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), o inédito convocatório selecionou o trabalho de Pito como referência para criação da marca oficial do festival.

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Pito Silva
Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Pitico

Pito Silva nasceu em fevereiro de 1988 na cidade de Parintins, no Amazonas, e é graduado em Artes Visuais pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Nasceu em uma família de artistas, iniciando sua trajetória aos dois anos.

“A minha relação com a arte vem de berço. Venho de uma família de artistas. Meu irmão mais velho é dançarino e também artista visual. Eu cresci ali, na casa da minha mãe, vendo a sala dela ser ao mesmo tempo o atelier de pintura dele como sala de ensaio com o seu grupo. Me deixei influenciar pela arte. […] Porém nunca imaginei que seria a minha profissão”, conta o artista.

Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Foi assim, que ele cresceu no mundo das artes, e também mostrou seu talento, sendo reconhecido como Pito Silva por onde vá. O que muitos não sabe é que Glebson Oliveira da Silva, seu nome real, escolheu como nome artístico aquele que o faz levar no coração o amor da família.

“Ele [o nome Pito] é um agrado que tenho desde criança. Minha mãe conta que não sabe exatamente de onde vem, mas era ‘pitico’. A medida que fui crescendo ficou Pito”, revela.

O artista também desenvolve ações paralelas entre a pintura e a dança, em ambos os segmentos artísticos realiza trabalhos de curadoria, palestras, oficinas e coreografias.

Leia também: Projeto ‘Parintins para o mundo ver’ conta com transmissão no Amazon Sat; veja a programação

Reconhecimento

Completamente conectado e imerso na cultura amazônica, Pito conta que viu no edital do Governo do estado, uma oportunidade de levar seu trabalho mais longe.

“Pra mim, participar desse edital, falo por mim, creio que no início deu uma insegurança, um frio na barriga. Foi um desafio muito grande”, confessa.

Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Com treinamento e segurança técnica, Pito afirma que todo o processo após ter ‘Patrimônio em festa’ – tema de seu trabalho inscrito – selecionado pelo edital, mostrou que o incentivo à arte e à cultura tem sido cada vez mais priorizado.

“O mural, assim como me projetou, abriu portas para novos lugares, vai dar oportunidade para novos talentos de Parintins”, assegura.

Pito Silva venceu o edital aberto para elaborar a identidade visual do 57º Festival de Parintins, que seguiu até a 58ª edição. Ele também assina as obras que ficam na parte de trás do Bumbódromo, na entrada do centro cultural pela avenida Paraíba, sendo o cenário para a Praça dos Bois.

A arte estampa um menino e uma menina da etnia Sateré-Mawé, e no centro, um indígena ancião, resgatando a ancestralidade dos povos originários.

Leia também: Ilha da Magia: confira 7 curiosidades sobre Parintins

Parintins para o mundo ver

O projeto ‘Parintins para o mundo ver’ é realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), correalizado pela Rede Amazônica e Amazon Sat, com o apoio de Amazônica Net, Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC-AM) e Governo do Amazonas.

Instrumentoteca: Liceu Cláudio Santoro incentiva novos artistas da música em Parintins

A instrumentoteca fica no Liceu Cláudio Santoro. Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

O Centro Cultural de Parintins, mais conhecido como Bumbódromo é um local de estímulo artístico que se tornou, em pouco mais de uma década, uma ferramenta importante para incentivar novos talentos na ilha tupinambarana.

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Caprichoso e Garantido brigam na arena, mas em volta de toda a produção dos bois estão diversos artistas que passaram a contar com uma formação focada em auxiliar a profissionalização com a instalação do Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro, a primeira unidade mantida pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, fora da capital Manaus.  

Leia também: Fábrica de talentos: centro cultural em Parintins estimula o crescimento de artistas

No bumbódromo de Parintins funciona a instrumentoteca
No bumbódromo de Parintins funciona a instrumentoteca do Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro. Foto: Governo do Amazonas

Leia também: Saiba como é e o que mostra uma visita mediada pelo Bumbódromo de Parintins; vídeo

Segundo o turismólogo do Liceu em Parintins, Jair Almeida, o local, quando foi construído, “foi visualizado junto com o Centro Cultural de Parintins e, dentro do mesmo espaço, tem a escola de arte e o Centro”.

Assim, o Centro conta com salas de visita como como os Memoriais dos bois, cinema, biblioteca e ainda as salas que auxiliam o liceu, como a instrumentoteca. “É nela que os instrumentos musicais cedidos aos alunos ficam guardados”, explica Almeida, sobre a origem do termo em referência à uma “biblioteca” de instrumentos.

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Os instrumentos são fornecidos pelo Governo do estado gratuitamente para uso exclusivo dos alunos. “Os alunos não precisam ter o instrumento. Se tiverem um particular, ajuda para estudar em casa, mas o liceu fornece para as duas aulas – teórica e prática – e dois dias de sala de estudo, como um reforço”, comenta.

Leia também: X-Pio: o sanduíche que virou tradição em Parintins e conquista gerações

Foto: acervo Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro

Leia também: 3 cursos no Liceu de Parintins que incentivam artistas no Festival Folclórico

Assim, a instrumentoteca se transforma em um ambiente que, além de proporcionar conhecimento, incentiva novos artistas da música em Parintins.

Entre os cursos de música disponibilizados estão teclado, violão, banda musical, musicalização, flauta, teoria, entre outros.

Veja mais: Instrumentoteca é uma das ferramentas que formam e incentivam novos talentos de Parintins; FOTOS

Parintins para o mundo ver

O projeto ‘Parintins para o mundo ver’ é realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), correalizado pela Rede Amazônica e Amazon Sat, com o apoio de Amazônica Net, Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC-AM) e Governo do Amazonas.

3 itens que só podem ser encontrados nos Memoriais dos bois-bumbás em Parintins

Itens que só podem ser encontrados nos Memoriais dos bois. Arte: Jorel Carter

Os Memoriais dos Bois-bumbás de Parintins, Caprichoso e Garantido, foram instalados há pouco mais de uma década, quando a primeira unidade do Liceu de Artes e Ofícios Claudio Santoro fora da capital, Manaus, foi criada pelo Governo do Estado do Amazonas.

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No museu dentro do Centro Cultural, no Bumbódromo, que conta a história dos bois, muitos objetos e acervo histórico podem ser conferidos pelos visitantes. Confira alguns dos mais curiosos:

3 itens que só podem ser encontrados nos Memoriais dos bois-bumbás
3 itens que só podem ser encontrados nos Memoriais dos bois-bumbás em Parintins. Arte: Jorel Carter

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Parintins para o mundo ver

O projeto ‘Parintins para o mundo ver’ é realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), correalizado pela Rede Amazônica e Amazon Sat, com o apoio de Amazônica Net, Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC-AM) e Governo do Amazonas.

Leia também: Saiba quem são os itens individuais de Caprichoso e Garantido que disputam o 58º Festival de Parintins

Pito Silva: a trajetória de um artista parintinense que ganhou destaque no Festival Folclórico; Assista o vídeo

Pito é o autor do projeto do Mural do Bumbódromo. Foto: Secom/AM

Pito Silva é um artista parintinense que ganhou destaque no Festival Folclórico, no Amazonas. O amor pela arte (dança e artes visuais) o levou à um dos postos que começam a criar um novo objetivo para os artistas parintinenses: ser o autor do projeto do Mural do Bumbódromo.

Saiba mais: Fachada do Bumbódromo de Parintins ganha mais cores e vida há quatro anos; conheça as pinturas

Pito é o autor do projeto do Mural do Bumbódromo
Pito é o autor do projeto do Mural do Bumbódromo. Foto: Secom/AM

Por meio de edital em 2024, iniciativa do Governo do Amazonas, realizado pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa, em parceria com a Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), o inédito convocatório selecionou o trabalho de Pito como referência para criação da marca oficial do festival.

Conheça a trajetória de Pito Silva:

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Parintins para o mundo ver

O projeto ‘Parintins para o mundo ver’ é realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), correalizado pela Rede Amazônica e Amazon Sat, com o apoio de Amazônica Net, Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC-AM) e Governo do Amazonas.

Instrumentoteca é uma das ferramentas que formam e incentivam novos talentos de Parintins; FOTOS

Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

O Centro Cultural de Parintins, mais conhecido como Bumbódromo, é um local de estímulo artístico que se tornou, em pouco mais de uma década, uma ferramenta importante para incentivar novos talentos na ilha tupinambarana.

Caprichoso e Garantido brigam na arena, mas em volta de toda a produção dos bois estão diversos artistas que passaram a contar com uma formação focada em auxiliar a profissionalização com a instalação do Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro, a primeira unidade mantida pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, fora da capital Manaus.  

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Entre os cursos de música disponibilizados estão teclado, violão, banda musical, musicalização, flauta, teoria, entre outros.

Confira como é o espaço que ajuda a formar as novas gerações de músicos no Amazonas e também para o próprio Festival de Parintins:

Coleção de instrumentos usados nas aulas do Liceu fica guardada na Instrumentoteca. Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia
Normalmente a sala também pode receber visitas. Foto: Acervo Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro/Cedida Foto: Acervo Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro/Cedida
Além dos instrumentos musicais, equipamentos de audiovisual também ficam guardados no local. Foto: Acervo Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro/Cedida
Foto: Acervo Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro/Cedida
Foto: Acervo Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro/Cedida
Foto: Acervo Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro/Cedida
Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia
Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia
Foto: Diego Andreoletti/Amazon Sat
Durante o período do Festival, além de abrigar outros diversos equipamentos, o local fica fechado para as visitas. Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Parintins para o mundo ver

O projeto ‘Parintins para o mundo ver’ é realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), correalizado pela Rede Amazônica e Amazon Sat, com o apoio de Amazônica Net, Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC-AM) e Governo do Amazonas.

Ladainha do Garantido: entenda como a fé se tornou tradição no São João em Parintins

Foto: Aguilar Abecassis/Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa

Uma apresentação que já dura mais de oito décadas. A Ladainha (nome que se dá a uma reza cantada) do boi-bumbá Garantido, de Parintins (AM) é uma tradição se repete todos os anos, no dia de São João Batista, para cumprir a promessa feita por Lindolfo Monteverde ao santo de levar um boi para brincar na rua caso fosse curado de uma enfermidade ainda na juventude.

Leia também: Zeca Xibelão e Lindolfo Monteverde: os nomes por trás dos currais dos bois Caprichoso e Garantido

Mais do que um simples cântico, a ladainha representa a união entre religiosidade popular e resistência cultural, sendo uma manifestação que mistura fé, tradição e identidade cabocla. Sua origem remonta às raízes profundas da cultura ribeirinha amazônica e guarda vínculos estreitos com o sincretismo religioso e os rituais de devoção característicos do povo da região.

A palavra “ladainha” tem origem no termo latino “litania” e está historicamente ligada à tradição católica como um tipo de oração repetitiva, na qual se invocam santos e se pede proteção divina. Essa prática foi assimilada ao universo cultural do boi-bumbá na região amazônica durante o século XX, período em que os primeiros bois surgiam em apresentações nos quintais e nas comunidades, geralmente associadas a celebrações religiosas em homenagem a santos, com destaque para São João Batista, o mais venerado entre os santos juninos no Brasil.

Em Parintins, a fé popular sempre caminhou junto com as manifestações do boi, e a ladainha tornou-se uma parte fundamental desse ritual.

Leia também: A fé em São João que deu vida aos bois Caprichoso e Garantido em Parintins

No contexto do Boi Garantido, a tradição da ladainha teve início com Lindolfo Monteverde, fundador do boi vermelho e branco. Homem humilde e profundamente religioso, especialmente devoto de São João, Lindolfo costumava abrir as apresentações de seu boi com orações e cantos de caráter litúrgico, buscando proteção espiritual para o espetáculo e agradecendo pelas bênçãos recebidas, como a saúde dos brincantes e o êxito das celebrações.

Com o passar do tempo, esse momento passou a ser conhecido como a “Ladainha do Garantido” e foi consolidado como um dos marcos simbólicos do início oficial das apresentações do boi, como se lembra a filha de Lindolfo Monteverde, Maria Monteverde:

“A malária era uma doença que matava muitas crianças em Parintins, então quando meu pai adoeceu, minha avó falou para que ele se apegasse a algum santo. E ele escolheu São João Batista para se apegar e como três dias já se viu melhoras nele”.

A ladainha é entoada tradicionalmente nos ensaios gerais e no início das apresentações no Festival Folclórico de Parintins. Ela representa um momento de recolhimento e respeito, em que os brincantes, torcedores e a galera vermelha e branca se unem em oração. Mas no dia 24 de junho, dia de São João, os torcedores do Boi Garantido se reúnem no curral do Garantido, na Rua Lindolfo Monteverde, em Parintins, e de lá seguem por diversas ruas da cidade.

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Recepção na ladainha do Garantido

Para saber para onde o boi deve seguir, pessoas enfeitam suas casas e acendem fogueiras. Esses são os sinais para que o Tripa que comanda o Boi Garantido durante a Ladainha saiba onde deve ir.

O conteúdo da ladainha pode variar de uma edição para outra, mas, em geral, inclui invocações a São João e a outros santos populares, com súplicas por iluminação, proteção e coragem para enfrentar a disputa cultural que está por vir. Frequentemente, os versos também expressam gratidão por conquistas anteriores e formulam desejos de sucesso nas batalhas futuras, tanto no plano simbólico quanto no concreto.

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A ladainha é vista como um dos momentos mais aguardados pelos torcedores do bumbá vermelho e branco. Apesar da evolução do festival e do uso crescente de tecnologias cênicas avançadas, essa tradição se mantém viva como um símbolo de fé e pertencimento. É nessa hora que o Garantido reafirma suas raízes, fincadas na Baixa do São José e nos corações de todos os que amam o boi do coração na testa.

Trata-se de um gesto de resistência cultural, uma conexão com o sagrado e uma homenagem ao legado de Lindolfo Monteverde, nascida da religiosidade de um povo humilde e que traduz a essência de uma tradição que atravessa o tempo.

*Por Hector Muniz, do Portal Amazônia.