Pelo segundo ano consecutivo, o Amazonas foi o estado que mais registrou mortes de crianças indígenas no Brasil. Em 2024, foram 274 casos, segundo o relatório ‘Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil‘, divulgado nesta segunda-feira (28) pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi).
O Grupo Rede Amazônica procurou o Governo do Amazonas e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) para saber quais medidas estão sendo adotadas diante dos altos índices de violência contra os povos indígenas, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.
Em 2024, o Amazonas registrou 274 mortes de crianças indígenas de até 4 anos, segundo o relatório. O número é o mais alto do país, à frente de Roraima (139 casos) e Mato Grosso (127).
As principais causas das mortes foram pneumonia (103 casos), diarreia (64) e desnutrição (43).
O Amazonas também foi o segundo estado com mais registros de assassinatos de indígenas em 2024, com 45 casos. Roraima lidera esse ranking, com 57 mortes.
O estado também teve o maior número de casos de violência por omissão do poder público, com 75 registros. Em seguida, aparecem Mato Grosso do Sul (42) e Roraima (26).
O deputado estadual Cabo Maciel (PL) promoveu uma série de reuniões voltadas à discussão dos impactos do licenciamento ambiental no sul do Amazonas e dos processos de regularização fundiária, fortalecendo canais de interlocução entre produtores rurais e órgãos do governo estadual.
A primeira etapa do diálogo ocorreu na sede da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), com representantes de Apuí, Humaitá, Lábrea, Manicoré, Canutama, Novo Aripuanã e Boca do Acre.
Os produtores expuseram as dificuldades enfrentadas em campo, especialmente em função de ações fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), muitas vezes realizadas sem a devida regularização dos imóveis. Eles ressaltaram a necessidade de medidas que garantam segurança jurídica e apoio para fortalecer a agricultura sustentável na região.
Em continuidade ao debate, Cabo Maciel acompanhou as lideranças em reunião com o diretor-presidente do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Gustavo Picanço Feitoza, em Manaus. No encontro, realizado no gabinete do instituto, foram tratados temas como a agilidade no licenciamento via Sistema de Licenciamento Ambiental (Sislam), o aprimoramento da fiscalização estadual e o apoio técnico aos pequenos produtores que buscam a formalização de seus imóveis.
Para o deputado, o esforço conjunto reforça o compromisso com um desenvolvimento rural equilibrado e com a justiça social.
“A interlocução com o Ipaam permite acelerar soluções, reduzindo a sobreposição de critérios entre as esferas federal e estadual. Estamos lutando para garantir que o produtor rural não seja penalizado pela falta de estrutura jurídica”, afirmou Cabo Maciel.
Também foi deliberado, durante a reunião, o planejamento de Audiências Públicas na Aleam, com a presença do Ibama, da Força Nacional, de lideranças rurais e de órgãos estaduais, como o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam) e a Secretaria de Estado da Produção Rural (Sepror) para avançar em propostas concretas de apoio técnico, financeiro e jurídico, além da facilitação do licenciamento ambiental.
O parlamentar concluiu a agenda reforçando que seguirá na mobilização institucional pela regularização fundiária e pela defesa do pequeno produtor.
“É dessa forma, ouvindo, debatendo e propondo ações, que viabilizamos um modelo de desenvolvimento sustentável, que respeita as famílias do interior e preserva a nossa floresta”, afirmou Cabo Maciel.
O paleontólogo peruano Rodolfo Salas-Gismondi liderará a equipe. Foto: Cortesia de Daiji Umemoto
Uma equipe científica multidisciplinar, liderada pelo paleontólogo peruano Rodolfo Salas-Gismondi, está se preparando para mais uma “viagem no tempo”. Coletando fósseis de plantas e animais da Formação Pebas (de 20 a 11 milhões de anos) na região de Loreto, no Peru, eles esperam aprender sobre a origem e a evolução da biodiversidade na Amazônia peruana.
E, claro, sobre um parente do “Pebanista yacuruna“, o maior golfinho-de-rio do planeta, ou sobre outros golfinhos que viveram com ele.
“As expectativas são muito altas”, disse o cientista da Universidade Peruana Cayetano Heredia (UPCH), comentando que a área de Pebas já foi explorada por geólogos e pesquisadores de moluscos fósseis, mas por ninguém que trabalhe com fósseis de vertebrados, e muito menos por uma equipe multidisciplinar como será feita nesta ocasião.
Não está descartada a descoberta da família Pebanista yacuruna, cuja descoberta despertou grande interesse na comunidade científica devido ao potencial paleontológico do Peru. Na região sul de Ica, na costa peruana, por exemplo, foi encontrado o fóssil do cetáceo mais pesado da história: o Perecetus colossus.
“O objetivo é buscar não apenas mais restos mortais de Pebanista, mas também outros golfinhos que viveram com ele, cujos nomes ainda não sabemos. Atualmente, existem dois golfinhos no Rio Amazonas; naquela época, suspeitamos que havia mais dois além de Pebanista”, disse o pesquisador.
Para Salas-Gismondi, “esta é uma ótima oportunidade para aprender como era a comunidade de golfinhos. Imagine, três golfinhos tornariam a área incrivelmente interessante [e única], porque quase não há registros fósseis de golfinhos de água doce no mundo”.
“Adoro ter a oportunidade de reconhecer e descobrir novas espécies animais e entender como ocorreu a evolução na Amazônia, como a hiperdiversidade foi gerada”, comentou.
Foto: Cortesia de Daiji Umemoto
Pela primeira vez
A área a ser estudada abrange quase 500 quilômetros ao longo do Rio Amazonas, de Nauta a Pebas, o assentamento mais antigo da Amazônia peruana, que deu nome ao sistema Pebas, que antecedeu o sistema Amazonas, indicou.
“Pela primeira vez, vamos a Pebas e não sabemos o que vamos encontrar, mas esperamos encontrar muitas coisas interessantes, porque a Formação Pebas foi nomeada na cidade de Pebas e arredores. Deve haver afloramentos rochosos em grandes quantidades”, enfatizou.
Ali foram descritas pela primeira vez as típicas rochas pretas e argilas azuis que caracterizam a Formação Pebas, que se distribui por grande parte do território do departamento de Loreto. A Formação Pebas é o cerne da compreensão do sistema Pebas. É uma unidade geológica que representa os sedimentos depositados neste sistema lacustre. Ambos os termos estão ligados à história geológica e à biodiversidade da Amazônia peruana.
“Sem essa formação [os fósseis encontrados], não teríamos evidências da existência desse sistema de pântanos, zonas úmidas e lagos periodicamente invadidos pelo mar do Caribe. Nem saberíamos quem eram os habitantes desse sistema”, enfatizou.
Assim, o sistema Pebas é muito importante porque nos permite entender a riqueza da Amazônia ocidental, que é a mais próxima dos Andes, observou ele, lembrando que a primeira viagem está marcada para 10 a 24 de agosto. A área a ser estudada — de 13 a 11 milhões de anos atrás — corresponde ao início do crescimento dos Andes, o que determinou o fim do sistema Pebas, explicou.
“Será incrivelmente emocionante: desembarcar em cada possível sítio arqueológico fóssil e viajar no tempo; ter a chance de ver coisas que nunca vimos antes; ver o que o Rio Amazonas ou a chuva revelaram. Não temos dúvidas de que seremos capazes de desenterrar coisas incríveis”, disse ele.
Em que consiste o projeto?
Foto: Cortesia de Daiji Umemoto
Esta expedição será possível graças ao projeto de pesquisa ‘Registro Fóssil de Loreto: Arquivos sobre a Origem da Biodiversidade Amazônica’, que será financiado com 500.000 soles (moeda peruana) do Programa Nacional de Pesquisa Científica e Estudos Avançados (ProCiencia), órgão executor do Conselho Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação Tecnológica (Concytec), durante 30 meses de trabalho.
“Iremos em agosto porque o nível do rio baixa nessa época. Esperamos um ano seco, ou pelo menos que o nível baixe o suficiente. Este ano choveu muito, o ano passado foi extremamente seco. Estamos à mercê de condições climáticas imprevisíveis. Quanto mais seco, maior a probabilidade de encontrarmos coisas. Faz parte de como trabalhamos na Amazônia”, disse ele.
O financiamento será usado para:
comprar materiais, ferramentas, armários, equipamentos e suprimentos para trabalho de laboratório;
financiar duas teses de mestrado sobre os fósseis da Formação Pebas;
e cobrir três viagens à Amazônia.
“Ele propõe estudar o registro fóssil de plantas, vertebrados, invertebrados e microfósseis da Formação Pebas, na região de Loreto, considerado o sítio paleontológico mais rico da Amazônia e que tem sido a base científica para a reconstrução do sistema Pebas”, explicou o pesquisador.
O argumento é que a origem de vertebrados e plantas com ancestrais marinhos — golfinhos e peixes-boi, por exemplo, que agora vivem na Amazônia — e não marinhos, como jacarés, preguiças, palmeiras e samambaias, foi forjada na dinâmica ambiental das fases marinhas e secas do sistema Pebas antes do estabelecimento do Rio Amazonas.
Para testar essa hipótese, dados geológicos e paleontológicos serão coletados, e a análise isotópica será usada para caracterizar os ambientes marinhos e não marinhos em cada fase. “Estou focado e obcecado em encontrar novas espécies que existiram nesses ecossistemas megadiversos, como crocodilos terrestres ou pássaros-terroristas; agora acho que elas podem ter existido”, disse ele.
Coleção pioneira
O projeto de pesquisa também permitirá a coleta de fósseis coletados para formar a primeira coleção paleobotânica do interior do país, desta vez, na região de Loreto.
“Será complementado pela coleção botânica de árvores encontradas na Amazônia do Instituto Peruano de Pesquisas da Amazônia (IIAP)”, disse ele.
O paleontólogo esclareceu que a Formação Pebas não contém apenas fósseis de animais vertebrados, mas também fósseis de moluscos, âmbar, organismos dentro do âmbar e folhas, troncos e frutos de milhões de anos atrás.
“Os resultados deste projeto e sua disseminação demonstrarão o valor do registro fóssil para a compreensão dos processos que regem a origem e a evolução da Amazônia peruana. Tentar entender como ela funcionava no passado pode ajudar a prever o que pode acontecer no futuro”, alertou.
Esta primeira expedição tem como primeiro objetivo encontrar seções geológicas que apresentem uma sequência de estratos (vários metros) com diferentes fases, a fim de observar um ciclo completo (do ciclo marinho ao mais terrestre) e caracterizar o ambiente em cada etapa.
Ou seja, “desde o momento em que a incursão marinha avançou e penetrou até que gradualmente secou e deu lugar a ambientes mais terrestres. Passou de sedimentos azuis para pretos”. “Há grandes afloramentos em Pebas, e queremos documentar cada nível, o que estava acontecendo no nível fóssil, no nível ambiental, no nível climático”, explicou o pesquisador.
A próxima viagem, prevista para 2026, está prevista para chegar a Letícia, na tríplice fronteira entre Peru e Brasil e Colômbia.
O segundo objetivo da pesquisa é encontrar novos animais que fizeram parte desses ecossistemas e que podem ajudar a responder algumas das perguntas sobre como e quando ocorreu a diversificação em certas espécies de crocodilos, sirênios, golfinhos, etc.
“Estou confiante, ou pelo menos esperançoso, de que conseguiremos, porque cada vez que visitamos novos sítios arqueológicos, encontramos coisas completamente diferentes. Estabelecer idades na Amazônia é muito difícil porque não existem sequências rochosas completas. Agora temos a possibilidade de encontrar sequências mais longas e documentar cada uma delas”, afirmou.
Equipe multidisciplinar
A equipe é formada por quase 20 pesquisadores de três instituições peruanas: a Universidade Peruana Cayetano Heredia (UPCH), o Museu de História Natural (pesquisador Alí Altamirano e o técnico Walter Aguirre do MHN) da Universidade Nacional Mayor de San Marcos (UNMSM) e o Instituto de Pesquisas da Amazônia Peruana, representado pelo botânico Ricardo Zárate.
Além disso, três instituições estrangeiras: o Museu Americano de História Natural, em Nova York, e o Museu Field, em Chicago, ambos nos Estados Unidos; e o laboratório L’Ocean, na Universidade Pierre e Marie Curie, ambos na França.
Foto: Cortesia de Daiji Umemoto
A paleobotânica colombiana Fabiany Herrera, do Museu Field, interessada em estudar o sistema Pebas, “nos ajudará a construir a coleção paleobotânica”, observou o especialista.
Também faz parte da equipe o paleontólogo americano John Flynn, especialista em mamíferos do Museu Americano de História Natural. “Começamos a trabalhar na Formação Pebas em 2004, e ele participou da expedição ao Rio Napo que descobriu o Pebanista yacuruna. Sua instituição contribuirá com recursos”.
Com o paleoclimatologista francês Matthieu Carré, da L’Ocean, estão em andamento planos para conduzir análises de isótopos de vários elementos para explorar, por exemplo, a salinidade e a temperatura da água no passado, umidade, precipitação e outros parâmetros que fazem parte de sua área de especialização.
A geóloga colombiana Diana Ochoa, da UPCH, será responsável por estudar a estratigrafia, para ver que informações os sedimentos podem oferecer sobre paleoambientes (ambientes passados).
Embora não faça parte do projeto ProCiencia, a paleontóloga peruana Julia Tejada, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, integra a equipe de pesquisa como colaboradora. Ela conduzirá estudos de isótopos para entender as teias alimentares — em termos simples, quais espécies se alimentaram de quais.
Da mesma forma, a paleontóloga holandesa Carina Hoorn, que estuda o sistema Pebas, postula que a floresta amazônica deve sua biodiversidade aos Andes e ao sistema Pebas. Ambos participarão com recursos próprios.
Além dos cientistas, duas equipes de documentaristas (Daniel Winitzky, Romina Castagnino e Daiji Umemoto) serão responsáveis por registrar toda a expedição, com o objetivo de divulgar o trabalho na Amazônia e a riqueza paleontológica de Loreto.
Com a contagem regressiva em andamento, a equipe não só está fazendo as malas, como também está cada vez mais ansiosa para documentar as mudanças no meio ambiente e explorar como as comunidades de vertebrados e invertebrados, bem como as plantas, estão mudando. Em suma, eles estão tentando desvendar e entender como esse ecossistema funcionava antes do Rio Amazonas.
“Acredito que temos uma oportunidade única. Agora que estamos indo mais longe [para Pebas], coisas que nunca vimos antes podem aparecer “, afirmou Salas-Gismondi com convicção.
A espécie de planta Piper hispidum se mostrou eficiente na redução da infestação por vermes monogenéticos nas brânquias dos peixes. Foto: Maria José Tupinamba
Óleos essenciais obtidos de plantas cultivadas na Amazônia demonstraram eficácia no combate a parasitas que atacam principalmente as brânquias do tambaqui (Colossoma macropomum), o peixe nativo mais cultivado no Brasil. A descoberta, resultado de pesquisas realizadas pela Embrapa, oferece uma alternativa natural ao uso de produtos químicos tradicionais (quimioterápicos), com potencial para transformar práticas na piscicultura brasileira.
O estudo avaliou a ação de óleos essenciais extraídos de três espécies do gênero Piper: P. callosum, P. hispidum e P. marginatum. As duas primeiras mostraram resultados significativos na redução da infestação por vermes monogenéticos nas brânquias dos peixes, enquanto a terceira espécie não apresentou a mesma eficácia terapêutica.
Coordenado pelo pesquisador Marcos Tavares Dias, da Embrapa Amapá e em parceria com a Universidade Federal do Amapá (Unifap) e a Embrapa Amazônia Ocidental (AM), o estudo foi financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em Edital Universal.
Plantas presentes no bioma Amazônia
As três espécies de plantas – P. callosum, P hispidum e P. marginatum – cujo óleo essencial foi utilizado nesse trabalho, foram cultivadas na Embrapa Amazônia Ocidental em Manaus (AM), sob responsabilidade do pesquisador Francisco Célio Chaves.
No local, é feito o estudo agronômico com essas espécies para sistemas de cultivo, como produção de mudas, plantio, adubação, irrigação, e na fase reprodutiva as plantas são cortadas e levadas à secagem para que os materiais vegetais sejam preparados para destilação e purificação dos óleos essenciais no Laboratório de Plantas Medicinais e Fitoquímica da Embrapa Amazônia Ocidental.
Os óleos obtidos foram enviados para Embrapa Agroindústria de Alimentos, no Rio de Janeiro, onde o pesquisador Humberto Bizzo fez as análises da composição química dos componentes majoritários de cada óleo, por cromatografia gasosa, conforme explica Chaves.
O pesquisador explica que a família Piperaceae está presente na flora do bioma Amazônia e apresenta uma diversidade de moléculas químicas de comprovada atividade biológica. “A partir dessas análises da composição, a gente conhece que substâncias químicas majoritárias que compõem esses óleos essenciais, que passam a ser testados na piscicultura para o controle de doenças parasitárias, ou também são testados no uso em controle de pragas e doenças em vegetais e outros animais”.
Alternativa aos produtos químicos
Foto: Marcos Tavares Dias/Acervo pessoal
Marcos Tavares Dias, os parasitas combatidos — vermes monogenéticos — costumam se fixar nas brânquias dos peixes, comprometendo a respiração e prejudicando a produção da piscicultura. O controle tradicional envolve produtos químicos tais como formalina, organofosforados, albendazol, entre outros produtos. Apesar de eficazes, esses produtos químicos apresentam riscos à saúde dos trabalhadores que os manipulam, além de impactos ambientais e possibilidade de seleção de parasitas resistentes.
“Os óleos essenciais vêm ganhando espaço mundialmente como alternativa mais segura e sustentável”, relata o pesquisador. “O uso contínuo de quimioterápicos pode favorecer a resistência dos parasitas. Já os óleos, além de eficazes, não apresentaram toxicidade para os peixes nas doses testadas e não oferecem riscos à saúde dos trabalhadores, compara o cientista.
Foto:Siglia Souza/Embrapa
Banhos terapêuticos
Nos testes laboratoriais, os peixes foram submetidos a banhos terapêuticos com diferentes concentrações dos óleos. O óleo de P. callosum foi aplicado em banhos de 20 minutos cada, com 24 horas de intervalo entre eles . Já o óleo de P. hispidum foi utilizado em três banhos de uma hora cada, com 48 horas de intervalo entre banhos. Em ambos os casos, houve significativa redução na infestação parasitária nas brânquias dos tambaquis.
As análises, realizadas com microscopia eletrônica de varredura, mostraram que os componentes químicos dos óleos alteram a estrutura da membrana dos parasitas, comprometendo sua fixação nas brânquias e facilitando sua eliminação. A segurança dos tratamentos foi confirmada pela ausência de mortalidade nos peixes durante os experimentos.
O gênero Piper é um dos mais diversos da flora amazônica, com cerca de 400 espécies conhecidas no Brasil. Muitas dessas plantas são tradicionalmente usadas por comunidades da região como remédios naturais, o que reforça seu potencial para inovação na agricultura e na saúde animal.
A pesquisa reforça ainda a importância do manejo preventivo de doenças causadas por monogenéticos em peixes na piscicultura. Práticas como quarentena, controle da densidade dos peixes nos tanques e monitoramento da qualidade da água são essenciais para evitar surtos de doenças e reduzir prejuízos na produção. O controle de parasitas pode representar até 22% dos custos totais de cultivo, o que torna o uso de soluções naturais ainda mais estratégico.
A expectativa dos cientistas é que os resultados sirvam de base para orientar técnicos e piscicultores no uso desses óleos como alternativa aos tratamentos quimioterápicos. A proposta está alinhada aos princípios de uma piscicultura mais sustentável, em sintonia com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente o ODS 8, que promove o crescimento econômico sustentável e trabalho decente.
Apesar dos avanços, os pesquisadores alertam que ainda é necessário enfrentar desafios, como a disponibilidade e o custo da produção dessas plantas medicinais em larga escala. Para que essas alternativas se tornem viáveis na prática, será preciso estabelecer diretrizes de uso sustentável e regulamentação específica para sua aplicação na aquicultura, bem como a validação destes resultados em tanques de piscicultura.
Foto: Jefferson Christofoletti/Acervo pessoal
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Embrapa
Evento acontece no Centro de Convenções Vasco Vasques na terça (30) e quarta-feira (31). Foto: Lucas Silva/Acervo/Amazonastur
Manaus (AM) recebe, na quarta (30) e quinta-feira (31), o DSX 2025 – Digital Summit Experience, maior evento de marketing, vendas, inovação e negócios do Norte do Brasil. O evento acontece no Centro de Convenções Vasco Vasques, a partir das 10h.
A programação oficial reúne mais de 40 palestras, distribuídas em três palcos simultâneos, com temas que abrangem inteligência artificial, marketing digital, liderança, storytelling, comunicação, vendas, varejo, branding, entre outros.
O DSX reúne especialistas reconhecidos nacionalmente e nomes locais que têm transformado o mercado regional.
Além do conteúdo, o evento contará com uma estrutura completa, incluindo praça de alimentação, feira de negócios, espaços para networking e happy hour.
Para Antônio Lima Júnior, CEO do Grupo Digital e idealizador do evento, o DSX representa uma virada de chave para o empreendedorismo na região:
“O DSX nasceu com o propósito muito claro de valorizar o que é nosso, de valorizar os empresários, os profissionais sonhadores e os realizadores que fazem a nossa terra. São dois dias de imersão total, com conteúdo prático de verdade, grandes palestrantes locais e nacionais, em uma atmosfera de conhecimento que inspira evolução”.
Os passaportes para a imersão junto a grandes nomes do marketing nacional estão disponíveis on-line. Grupos de empresas e instituições têm descontos exclusivos que podem chegar a 15%. A compra é exclusiva pelo WhatsApp: (92) 98132-3426.
Programação oficial
30 de julho (quarta-feira)
Plenária
10h – Rafael Liporace | Transformando ideias em ações memoráveis
11h – Carlos Oshiro | Nova Economia
12h – Rodrigo Waughan | Arquitetura do Varejo do Futuro
13h – Nicolas Charão | IA Comercial: Como usar tecnologia para aumentar suas vendas
14h – Marcel Roxo | Neurovendas
15h – Lucas Pimenta | Política é negócio: votos além dos likes
16h – Fernando Miranda | O Futuro do Marketing com IA
17h – Camila Renaux | Tendências que vão definir o marketing até 2030
18h – Alfredo Soares | O Jogo da Máquina de Vendas
19h – Tallis Gomes | Gestão e Cultura
20h – Painel com Alfredo Soares e Tallis Gomes | Gestão e Vendas
Palco 2
10h – Carol Guerra | Branding: a importância para o sucesso do seu negócio
11h – Luis Eduardo Leal | IA aplicada em vendas e marketing
12h – Amanda Maria | Liderança em vendas
13h – Rodrigo Kallas | Smart Cities e Marketing Urbano
14h – Jacqueline Guedes | A Voz que Vende
15h – Suelen Scop | IA e o futuro do trabalho
16h – Rafael Amorim | Estratégias comerciais que funcionam
17h – Fabrício Alva | Saúde com resultado e responsabilidade
Palco 3
10h – Erick Fernandes | A trilha da fortuna das vendas
11h – Flávia Sausmikait | Marketing e Pesquisa
12h – Aimee | Tráfego Pago
13h – Djalma Pinheiro | Case Sushi Ponta Negra
14h – Rodrigo Araújo | Mapa do ROI
15h – Breno Maciel | WhatsApp e Vendas
16h – Afrânio Soares | Pesquisas Eleitorais
17h – Paulo de Lima | IA para Empresários
31 de julho (quinta-feira)
Plenária
10h – Marc Tawil | As 5 Habilidades que a IA não substitui
11h – Cristiano Santos | LinkedIn e Conexões de Valor
12h – Gisele Oshiro | Ansiedade Digital e Produtividade
13h – João Brognoli | A Nova Era dos Negócios Digitais
14h – Ben Ludmer | Storytelling no Processo Criativo
15h – Carolina Lima | Autenticidade e Redes Sociais
16h – André Siqueira | Aquisição de Clientes
17h – Hanah Franklin | Conteúdo Autêntico e Criativo
18h – Rafael Kiso | A Era da Retenção
19h – João Kepler | Smart Money: Estratégias para Escalar Negócios Inovadores
Palco 2
10h – Jessica Nery | Integração de Marketing e Vendas
11h – Magno Rodrigues | Gestão Financeira Eficiente
12h – Diego Cestaro | PDV do Futuro
13h – Bianca Guedes | Conteúdo com Verdade
14h – Ana Eliza Costa | Venda Muito Mais
15h – Jack Serafim | Marketing Político que Funciona
16h – Painel com Alcides Netto, Dois REC, Mariah (Time) | Vídeo no Marketing
17h – Mesa de Debate com Kallas, Vanguarda e Santo Remédio | Dinâmica da Comunicação
Palco 3
10h – Marcus Evangelista | Conteúdo nas Redes Sociais
11h – Mauricio Stellato | Automação para Engajar e Vender
12h – Glauber Gomes | IA na sua Empresa
13h – Alex Mota – Engeco | Marketing de Alto Padrão
14h – Eduardo Lopes | Distribuição de Conteúdo Digital
15h – Gerson Toller | IA no Varejo: Riscos e Oportunidades
Com apresentações gratuitas e ações formativas, o projeto ‘INFÂNCIAS – Nos beiradões do grande rio’ circula pela Amazônia com o espetáculo ‘A Maravilhosa História do Sapo Tarô Bequê‘, que une teatro e tradição oral em uma narrativa baseada na mitologia do povo Tukano, do Alto Rio Negro, no Amazonas.
A peça tem apresentações nos estados do Amazonas, Pará e Roraima, com datas confirmadas em diferentes cidades. No Amazonas, já passou por Itacoatiara (20 de maio) e Parintins (28 de julho) e, em Manaus, a apresentação será no Teatro Amazonas, no dia 3 de setembro, às 20h.
Já no Pará, o espetáculo chega a Santarém no dia 2 de agosto, às 20h, no Auditório Maestro Wilson Fonseca, na UFOPA (Unidade Rondon). E em Roraima, será apresentado em Boa Vista, no dia 19 de agosto, no Teatro Municipal.
O projeto foi contemplado com o Prêmio Myriam Muniz de Teatro 2023, concedido pela Fundação Nacional de Artes – FUNARTE, com apoio do Ministério da Cultura.
Foto: Bruno Lopes
O sapo que quer virar gente
Inspirado na oralidade tradicional, o espetáculo conta a trajetória do personagem Tarô Bequê, um sapo que deseja virar gente. A transformação acontece pelas mãos do Pai do Mato, Cainhamé, que também cria sua companheira, a Moça Juruti da folha do tajá. Mas a união só será aceita quando ela puder cozinhar, e para isso, Tarô Bequê precisa conseguir o fogo, enfrentando o temido feiticeiro Urubu-Rei, guardião desse elemento sagrado.
A narrativa atinge o ápice quando Tarô Bequê encontra sua própria tragédia na maloca dos mortos, revivendo umas das mais exploradas sequências da literatura universal: a jornada de Orfeu aos infernos em busca de Eurídice.
Ele falha na tentativa de resgatar sua amada. “Mesquinho, talvez, mas humano, demasiadamente humano. Terminava ali seu aprendizado de como é duro ser um homem”, diz o ator e diretor Douglas Rodrigues, diretor geral do espetáculo.
Ao final da peça, a metáfora ressoa: “O sapo que vira homem; o homem que não suporta a dor de existir e volta a ser sapo, rastejando-se pela eternidade”.
O protagonista Tarô Bequê é descrito como “um dos personagens mais conhecidos da dramaturgia Amazônica”. “A peça surge do mergulho feito por Márcio Souza nas narrativas da etnia Tukano, levando ao palco todo conhecimento ancestral dos povos tradicionais”, afirma Douglas.
Foto: Bruno Lopes
A temática do espetáculo é abordada como urgente e necessária. “Uma cultura que foi silenciada, quase extinta. Hoje, com os novos movimentos sociais, busca reconhecimento e protagonismo”, afirma Douglas, membro da Associação dos Artistas Cênicos do Amazonas – Arte&Fato, responsável pela montagem e circulação da obra.
Rodrigues ressalta que, desde sua fundação em 1999, antes mesmo das políticas afirmativas, a Cia. reconhece no território amazônico e nas suas populações a motivação da sua criação. “Isso se reflete tanto na escrita dramatúrgica, ou inserindo na equipe criativa, quanto no desejo constante de expandir os diálogos e estimular a equidade no mercado cultural”.
A Arte&Fato também se destaca, segundo o diretor, por uma abordagem não estereotipada: “É uma Cia. reconhecida pela investigação aos povos da floresta, de forma técnica, fugindo sempre do exótico já explícito nas colonizações”.
O processo de criação está vinculado à proposta de interiorização do teatro. “O projeto, no Amazonas, parte de Manaus e faz escalas no Aldeamento Indígena Sateré Mawé, situado às margens do Rio Tarumã-Açu, além de passar por Itacoatiara e Parintins. No Pará, a navegação segue pelo Rio Tapajós até Santarém, e, finalmente, ancora em Boa Vista, capital de Roraima”, lembra Douglas.
Foto: Bruno Lopes
Além das encenações, o projeto oferece oficinas, workshops, distribuição da coletânea dramatúrgica “O outro entre nós” (publicada pelo coletivo AACA/Arte & Fato), e atividades formativas voltadas ao público infanto-juvenil.
Tais ações fazem parte de uma estratégia de democratização do acesso à cultura e se alinham ao enfoque político-artístico do Programa de Difusão Cultural da edição presente da Bolsa Funarte de Teatro Myriam Muniz, em 25 anos de atividades no território amazônico.
Passeio de bonde em Manaus, na década de 1930. Foto: Reprodução/Instituto Durango Duarte
Por quase seis décadas, os bondes de Manaus (AM) – Manáos Tramways – foram mais que um simples meio de transporte: representaram um marco da modernização urbana na capital amazonense. Implantado no fim do século XIX, o sistema foi pioneiro na adoção do bonde elétrico no Brasil, colocando Manaus entre as primeiras cidades do país a oferecer esse tipo de serviço público, ao lado de Campos e do Rio de Janeiro.
De acordo com o historiador Abrahim Baze, o impulso para essa modernização veio com o governo do urbanista Eduardo Ribeiro, que, vislumbrando uma cidade alinhada aos padrões europeus, promulgou em 1895 a Lei nº 124, autorizando a concorrência pública para a instalação dos bondes.
O vencedor foi o engenheiro inglês Frank Hirst Habbletwhite, que assinou um contrato para a construção de 20 quilômetros de trilhos, com subvenções escalonadas nos primeiros quinze anos.
Mapa de Manaus do livro ‘História do Transporte Urbano no Brasil’. Foto: Acervo ‘The Tramways of Brazil a 130 year survey by Allen Morrison’
A Manaus Railway Company foi a primeira a operar o sistema, promovendo uma inauguração experimental em 1896. Os dados do período informavam que a cidade já contava com 16 km de linhas, 35 bondes, sendo 10 destinados a passageiros, e mais de 170 mil pessoas transportadas em um único ano. A tarifa? Apenas 250 réis (moeda da época). A inauguração oficial ocorreu em 1º de agosto de 1899 e mantinha dezenas de viagens diárias.
Em 1902, o Estado assumiu o controle do sistema, repassando-o depois a diferentes administrações até a criação, em 1908, da Manaus Tramways and Light Company Limited, de capital inglês. A nova concessionária, que também cuidava da iluminação pública, deu continuidade aos serviços a partir de 1909.
Decadência
O declínio do sistema começou a partir da Primeira Guerra Mundial (1914–1918), quando o conflito dificultou a importação de peças e materiais essenciais para a manutenção dos bondes.
Assim, com baixa lucratividade, os investimentos foram encerrando e o sistema passou a se deteriorar lentamente.
Bonde na então Avenida Eduardo Ribeiro. Foto: Reprodução/Instituto Durango Duarte
Em 1950, já com as usinas de energia elétrica defasadas e os bondes em condições precárias, a Manaus Tramways foi encampada pelo governo estadual. A crise energética que se seguiu obrigou a suspensão dos serviços, mergulhando Manaus em um apagão literal e simbólico.
Uma tentativa de reativação ocorreu em 1956, com a criação da Companhia Elétrica de Manaus (CEM), que colocou nove bondes em operação. A frota, porém, era insuficiente, e não havia recursos para expansão. Em meio a disputas judiciais com a antiga empresa inglesa, os trilhos do passado foram definitivamente desativados em 28 de fevereiro de 1957.
Novo fôlego?
O prefeito de Manaus, David Almeida, anunciou em novembro do ano passado um projeto em que os bondinhos devem voltar a circular no Centro de Manaus. A estação inicial, de acordo com a prefeitura, seria o prédio histórico da BoothLine. A proposta, segundo Almeida, é para dar incentivar o turismo no Centro Histórico, que já conta com outros pontos revitalizados e criados pensando em atrair o público da capital e de fora.
O 7º Festival Provincial do Cacau – Atalaya 2025 reuniu mais de 300 agricultores, 40 organizações de produtores e 15 instituições públicas e privadas para um evento abrangente. Foto: Reprodução/Agência Andina
No VII Festival Provincial do Cacau – Atalaya 2025, dez comunidades indígenas parceiras do Programa Florestal do Ministério do Meio Ambiente (MINAM), no Peru, promoveram a comercialização do cacau amazônico em suas diversas formas: sabugo, feijão, pasta e chocolate.
Entre as comunidades participantes, o Centro Selva Tzipani foi reconhecido com o terceiro lugar pelos melhores grãos de cacau da região, destacando a qualidade do seu produto e o trabalho comunitário que promove o desenvolvimento sustentável.
Durante a feira, realizada de 17 a 19 de julho, também participaram as comunidades nativas de Puija, Santa Clara – Raymondi, Bajo Aruya, Capajeriato, Nuevo Italia, Nuevo Paraiso, Centro Selva Tzipani, Inkare, Sapani e a Associação PUB de Criadores de Gado de Cebu, expondo, vendendo e promovendo produtos derivados do cacau amazônico, em um dia que reafirma o compromisso da conservação florestal com o desenvolvimento da região de Ucayali.
O festival reuniu mais de 300 agricultores, 40 organizações de produtores e 15 instituições públicas e privadas para um evento abrangente que proporcionou uma oportunidade importante para fortalecer a cadeia de valor do cacau nos níveis regional, nacional e internacional.
Durante o evento, os integrantes do Programa Florestal do Minam tiveram a oportunidade de se conectar com potenciais compradores nacionais e internacionais, destacando seus conhecimentos sobre sua origem, rastreabilidade e conformidade com as salvaguardas socioambientais — elementos-chave que garantem um produto de qualidade e livre de desmatamento.
Foto: Reprodução/Agência Andina
As dez comunidades participantes estão entre as 151 comunidades beneficiadas pelos planos de negócios sustentáveis promovidos pelo Programa Florestal, em parceria com o Fundo de Investimento Florestal (FIP – Peru).
Esta intervenção destinou mais de R$ 70 milhões (convertido da moeda local) entre 2024 e 2025, com o apoio do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), contribuindo assim para a conservação de aproximadamente um milhão de hectares de florestas amazônicas e o desenvolvimento econômico de mais de 3.800 pessoas.
Em Atalaya, mais de 50 comunidades e pequenos usuários florestais recebem apoio para implementar planos de negócios, comprometidos em conservar mais de 400.000 hectares de floresta, principalmente por meio da produção de cacau.
Mulheres que produzem artesanato foram foco da pesquisa registrada no artigo científico. Foto: Reprodução/Governo do Amapá
Com o título ‘Memórias das lutas de mulheres do campo no Amapá’, o artigo científico da estudante do curso de História da Universidade Federal do Amapá (Unifap), Cecília Maíra Lima, de 23 anos, foi selecionado para publicação na revista da Associação Nacional dos Pós-graduandos (ANPG).
A ANPG é a entidade máxima de representação dos pós-graduandos no Brasil. A associação atua na defesa dos direitos dos estudantes de mestrado e doutorado.
O trabalho é fruto da iniciação científica da jovem do 8º período de graduação com orientação da professora Ana Cristina Maues. A ideia do tema surgiu a partir de um projeto da Unifap que uniu geografia, sociologia e história, intitulado de ‘Mapeamento da Violência de Gênero’.
A pesquisa detalha sobre a prática ancestral da produção de artesanato como forma de resistência e empoderamento de mulheres, reforçando que essa prática ajuda a sustentar famílias tradicionais de regiões mais afastadas da capital amapaense.
Cecília Maíra Lima teve o artigo científico selecionado para publicação nacional. Foto: Cecília Maíra Lima/Acervo pessoal
A estudante explica que, por meio da obra, buscou retratar a Amazônia amapaense pelo olhar das mulheres.
“Na construção da Universidade Popular é indispensável olhar para as populações historicamente subalternizadas, e são essas que justamente eu coloco no centro das minhas pesquisas. E como mulher amazônica que sou, eu carrego orgulho e a responsabilidade de levar a voz do meu povo, das nossas vivências e saberes para os espaços de decisão e construção coletiva, para disputar assim o presente e construir o futuro”, afirmou Cecília.
A conquista para a seleção da publicação veio por etapas: a primeira fase foi o envio do trabalho para o evento; após isso, a segunda etapa foi a apresentação para a banca avaliadora da ANPG, na Universidade Federal de Goiás (UFG). O trabalho foi premiado entre os três apresentados.
Ao falar da conquista, Cecília destaca a importância da revista no meio acadêmico. Segundo ela, a publicação do trabalho reforça a importância da universidade pública: “Eu me sinto profundamente honrada em representar o extremo Norte do Brasil em um espaço tão significativo”.
Com celulares na mão e histórias reais na cabeça, moradores do bairro Santo Antônio em Manaus (AM) produzem curtas sobre meio ambiente, ancestralidade e futuro possível. Entre os dias 21 e 26 de julho, a Paróquia da Igreja de Santo Antônio, no bairro Santo Antônio, Zona Oeste da capital amazonense, foi palco da segunda e última oficina do Projeto Cine ODS, idealizado e coordenado pelo cineasta Anderson Mendes.
A ação reuniu 20 participantes, entre jovens, mulheres e idosos, que criaram cinco curtas-metragens com forte apelo social e ambiental, a partir de histórias reais da comunidade. Os filmes — “Monstro”, “O lixo invisível”, “E se o futuro te ligar?”, “O canto que parou” e “A cor do mundo que queremos” — abordam a relação humana com o lixo, a urgência das mudanças climáticas e a importância do engajamento coletivo em prol do meio ambiente.
Durante 20 horas de atividades, os participantes vivenciaram todas as etapas de uma produção cinematográfica, incluindo roteiro, produção, arte, figurino, técnicas de teatro, gravação, operação de câmera e edição — tudo realizado com o uso de celulares.
“É com muita alegria que encerramos o ciclo de oficinas do Cine ODS com a certeza de que o cinema pode ser ferramenta de transformação social. Em cada curta, vemos não apenas o aprendizado técnico, mas a expressão de vozes que por vezes não têm espaço. Foram dias intensos, criativos e emocionantes. O projeto cumpriu seu objetivo de estimular o pensamento crítico, a educação ambiental e a participação ativa da comunidade”, destacou o coordenador Anderson Mendes.
Um dos grandes destaques desta edição foi Ismael Tariano Moreira, escritor e produtor cultural indígena de 66 anos, que dirigiu seu primeiro curta-metragem — “O canto que parou” — todo falado na língua Tukano. “Fazer esse filme foi um ato de resistência e memória. Foi a primeira vez que usei o audiovisual para contar uma história do meu povo. Fiquei muito feliz por ter esse espaço. A língua é a alma da cultura, e poder ouvi-la no cinema é muito importante”, declarou Ismael.
Já a jovem Bárbara Sophia, de apenas 14 anos, escreveu e dirigiu o curta “E se o futuro te ligar?”, que mistura ficção e crítica ambiental.
“Eu aprendi muito durante essa semana. Nunca imaginei que poderia escrever um roteiro, dirigir e ver minha ideia virar um filme. Agora eu sei que posso contar histórias que fazem pensar, e quero continuar”, afirmou entusiasmada.
Foto: Divulgação
A mostra de encerramento, realizada no dia 26 de julho, foi um momento especial. Reuniu moradores da comunidade, familiares, alunos e convidados para a exibição dos curtas produzidos na oficina, com presença e comentários dos cineastas Jorgemar Monteiro e do diretor de fotografia Alexandre Pinheiro. “Fiquei impressionado com a sensibilidade dos roteiros e a força das atuações. Tem muito potencial artístico aqui”, elogiou Jorgemar Monteiro.
“Esses filmes revelam uma estética própria, marcada por afeto, crítica social e conexão com o território. Isso é cinema de verdade”, completou Alexandre Pinheiro.
Além dos filmes da oficina, o público assistiu também a produções amazônicas contemporâneas, como “DASILVA DASELVA” (de Anderson Mendes), “Solo verde – Um faroeste caboclo” (da Branca3 Filmes) e “Fantasmas na Floresta” (de Manoel Castro Júnior).
Todos os participantes receberam certificados ao final da mostra, celebrando o encerramento de um ciclo que despertou novos olhares para o audiovisual e para os desafios socioambientais do presente. A equipe de educadores foi formada por profissionais com décadas de experiência no audiovisual e nas artes: “Trabalhar com os alunos foi muito inspirador. Vi jovens se descobrindo como artistas, comunicadores e cidadãos conscientes”, destacou a psicóloga e atriz Keylla Gomes.
“A oficina foi um espaço de troca de saberes. Histórias locais, de mulheres e povos originários, foram valorizadas e transformadas em obras de impacto”, reforçou a historiadora e produtora cultural Francy Junior.
“A comunicação popular tem um poder imenso. Fico feliz de ter contribuído para que essas vozes chegassem mais longe”, pontuou o jornalista e radialista Adailton Santos.
Os nove filmes produzidos nas duas oficinas do Cine ODS já estão disponíveis:
CINE ODS é um projeto contemplado pela Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, por meio do Conselho Municipal de Cultura – CONCULTURA, Manauscult, Prefeitura de Manaus, Ministério da Cultura e Governo Federal. Conta com apoio institucional da comunidade São Paulo Apóstolo, Paróquia Santo Antônio / Arquidiocese, Fundação Rede Amazônica, Movimento das Mulheres Negras da Floresta – Dandara, Ykamiabas Produções, Mk Produções, Branca3 Filmes e Feitoza Mídias.