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Estudo mensura valores da Amazônia em pé; 42% das espécies de plantas são utilizadas por comunidades tradicionais

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O trabalho propõe atribuir valor da natureza preservada sem se limitar a valores monetários. Foto: Reprodução/TV Brasil/Agência Brasil

Um estudo de pesquisadores do Instituto Tecnológico Vale (ITV) mostra que 83% das espécies da Floresta Nacional de Carajás, no Pará, precisam ser preservadas para manter sua resiliência, ou seja, sua capacidade de continuar funcionando mesmo com eventuais perdas. Entre as plantas, 42% das espécies são utilizadas por comunidades tradicionais da região, com registros de até quatro usos diferentes por espécie.

A floresta ainda oferece serviços como polinização agrícola — beneficiando 13 das 20 culturas locais, como cacau, maracujá e açaí — e regulação do clima. A floresta resiliente tem capacidade de reduzir em até 0,4 °C a temperatura local e aumentar em 21% a evapotranspiração — processo essencial ao ciclo da água, que abrange tanto a evaporação de água do solo e a transpiração das plantas.

Leia também: Artigo mostra importância de comunidades tradicionais na preservação da biodiversidade

Além disso, o estudo mostra que 60% das espécies são insubstituíveis para a manutenção das funções ecológicas da floresta. A ausência dessas espécies comprometeria de forma irreversível o ambiente, já que nenhuma outra espécie ou tecnologia poderia assumir seus papéis. As conclusões foram publicadas na revista Ecosystem Services na sexta (30), em artigo que apresenta um modelo para avaliar o capital natural com base na importância de cada espécie para a natureza e para as populações humanas.

O artigo é fruto do projeto ‘Capital Natural das Florestas de Carajás’, realizado pelo Instituto Tecnológico Vale entre 2019 e 2023. A iniciativa se baseou em coletas de campo em 14 pontos da floresta. As métricas foram divididas em duas categorias: “natureza para si mesma”, que mensurou as funções ecossistêmicas, ou seja, o papel de cada espécie para a manutenção da floresta; e “natureza para as pessoas”, que analisou os benefícios do ecossistema para as populações humanas. Para as funções, os pesquisadores consideraram elementos como riqueza de espécies, interação entre elas, resiliência, singularidade e presença de espécies ameaçadas. Já os serviços incluíram polinização agrícola, regulação do clima, proteção hídrica, uso por comunidades tradicionais e estoque de carbono.

Flona Carajás. Foto: João Marcos Rosa

Foram registradas no local 467 espécies de animais e 418 de plantas. Destas, 11% das aves e 9% das plantas estão ameaçadas.

O trabalho propõe atribuir valor da natureza preservada sem se limitar a valores monetários, buscando entender quais são os ativos mais importantes do capital natural para manter a floresta viva, saudável e funcionando plenamente.

“Quando você transforma a natureza em dinheiro, você tem uma sustentabilidade fraca, porque você desconsidera que alguns elementos são insubstituíveis”, afirma Tereza Cristina Giannini, pesquisadora do ITV e coautora do artigo.

A polinização agrícola foi o único fator medido em valores monetários, estimado em US$ 4,5 milhões por ano (cerca de R$ 23,3 milhões, na cotação atual) considerando os valores de mercado das culturas produzidas no entorno.

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Segundo a pesquisadora, o modelo permite que tomadores de decisão, como empresas, governos e comunidades locais, compreendam melhor o que está em jogo ao explorar ou proteger áreas naturais. “O valor da floresta é subjetivo e plural. Para um ribeirinho pode ser algo completamente diferente do que para quem está na cidade. Com essa abordagem, se ganha essa nuance do que é de fato valioso para as pessoas em termos da natureza”, frisa Giannini. Complementando o artigo, os resultados do trabalho também estão disponíveis em um livro e em uma série de dez episódios de podcast desenvolvidos pelos pesquisadores do ITV em parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi e a Vale S.A.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori

Cheia em Manaus deve atingir ápice em duas semanas, mas não supera recorde histórico, aponta Serviço Geológico do Brasil

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Impacto da cheia na cidade de Manaus. Foto: Jochen Schongart/INPA

A cheia do Rio Negro em Manaus deve atingir o ápice dentro de duas semanas, mas não há previsão de que o nível da água ultrapasse o recorde histórico de 30,02 metros, registrado em 2021. A projeção consta no 3º Alerta de Cheias da Bacia do Amazonas de 2025, divulgado no dia 30 de maio pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB).

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Além da capital amazonense, o monitoramento hidrológico do SGB abrange os municípios de ManacapuruItacoatiara e Parintins. Segundo o órgão, embora a cheia deste ano seja considerada de grande impacto, o nível do Rio Negro deve permanecer abaixo da cota de inundação severa, fixada em 29 metros. A previsão é de que a cota máxima em Manaus fique em torno de 28,84 metros.

Cheia em Manaus
Registro da cheia no porto de Manaus. Foto: Alberto César Augusto

Em Itacoatiara, o Rio Amazonas já ultrapassou a cota de inundação, mas a probabilidade de atingir os níveis extremos de 2021 é de menos de 1%, conforme destacou a pesquisadora do SGB, Jussara Cury. A expectativa é de que o município atinja o pico da cheia já na próxima semana.

Leia também: Cheia do rio Madeira em 2025 já afeta mais de 8 mil pessoas em Porto Velho

Confira as previsões da SGB para os municípios:

Manaus – Rio Negro

Em 30 de maio, o Rio Negro está com a cota de 28,53 metros. Ele apresenta 35% de chance de alcançar a marca de inundação severa, mas sem passar de 29,16 metros segundo a projeção. A possibilidade atingir a cota máxima registrada na história é de menos de 1%.

  • 🔴 Cota máxima registrada (2021): 30,02m
  • 🟠 Cota de inundação severa: 29,00m
  • 🟡 Cota de inundação: 27,50m
  • ⚪ Cota de alerta: 27,00m
Cheia em Manaus
Rio Negro, em Manaus. Foto: Michel Castro/Rede Amazonica

Manacapuru – Rio Solimões

O Rio Solimões atingiu a marca de 19,34 metros, no dia 29 de maio e, no ápice, deve chegar a 19,67 metros. O SGB projeta que há 65% de chances de ocorrer uma inundação severa e, caso ocorra, o nível máximo a ser atingido seria 19,94 metros. As chances de atingir a cota máxima registrada na história é de menos de 1%.

  • 🔴 Cota máxima registrada (2021): 20,86m
  • 🟠 Cota de inundação severa: 19,60m
  • 🟡 Cota de inundação: 18,20m
  • ⚪ Cota de alerta: 17,70m
Cheia em Manaus
Cheia no Rio Solimões. Foto: Divulgação

Itacoatiara – Rio Amazonas

No município, o Rio Amazonas está na marca de 14,35 metros nesta sexta e já ultrapassou a cota de inundação severa. O órgão apontou que há menos de 1% de chance de se atingir a cota máxima registrada e que no pico da cheia o rio fique na média de 14,45 metros.

  • 🔴 Cota máxima registrada (2021): 15,20m
  • 🟠 Cota de inundação severa: 14,20m
  • 🟡 Cota de inundação: 14,00m
  • ⚪ Cota de alerta: 13,50m
Cheia do Rio Amazonas. Foto: Agência Brasil

No município, o Rio Amazonas está na marca de 14,35 metros nesta sexta e já ultrapassou a cota de inundação severa. O órgão apontou que há menos de 1% de chance de se atingir a cota máxima registrada e que no pico da cheia o rio fique na média de 14,45 metros.

  • 🔴 Cota máxima registrada (2021): 15,20m
  • 🟠 Cota de inundação severa: 14,20m
  • 🟡 Cota de inundação: 14,00m
  • ⚪ Cota de alerta: 13,50m

Leia também: Governo do Acre decreta situação de emergência por conta da cheia dos rios

Situação de emergência

A cheia que atinge o Amazonas avança e já atinge 85.940 famílias, aproximadamente 343.748 mil pessoas impactadas diretamente, segundo a Defesa Civil do estado, durante a divulgação do 3º Alerta de Cheias, nesta sexta. As nove calhas de rios do Amazonas seguem em processo de cheia, com picos variados previstos entre março e julho.

Cheia dos rios. Foto: Governo de Rondônia

De acordo com os decretos municipais, dos 62 municípios amazonenses, 29 estão em situação de emergência, 28 em alerta, três em atenção e dois em normalidade. No dia 27 de maio, o município de Tefé saiu da situação de alerta para situação emergência.

Confira a lista dos 29 municípios que estão em situação de emergência:

  1. Humaitá – Rio Madeira
  2. Apuí – Rio Madeira
  3. Manicoré – Rio Madeira
  4. Boca do Acre – Rio Purus
  5. Guajará – Rio Juruá
  6. Ipixuna – Rio Juruá
  7. Novo Aripuanã – Rio Madeira
  8. Benjamin Constant – Rio Solimões
  9. Borba – Rio Madeira
  10. Tonantins – Rio Amazonas
  11. Itamarati – Rio Juruá
  12. Eirunepé – Rio Juruá
  13. Atalaia do Norte – Rio Solimões
  14. Careiro – Rio Solimões
  15. Santo Antônio do Içá – Rio Solimões
  16. Amaturá – Rio Solimões
  17. Juruá – Rio Solimões
  18. Japurá – Rio Amazonas
  19. São Paulo de Olivença – Rio Solimões
  20. Jutaí – Rio Jutaí
  21. Careiro da Várzea – Rio Solimões
  22. Maraã – Rio Japurá
  23. Anamã – Rio Amazonas
  24. Carauari – Rio Juruá
  25. Fonte Boa – Rio Solimões
  26. Itapiranga – Rio Amazonas
  27. Nova Olinda do Norte – Rio Madeira
  28. Urucurituba – Rio Amazonas
  29. Tefé – Rio Solimões

Além dos municípios em emergência:

  • Três estão em estado de atenção;
  • 29 em alerta;
  • e dois em normalidade.

Leia também: Por que o Norte tem chuvas e cheias enquanto outras regiões enfrentam ondas de calor?

Impactos

A cidade de Anamã, no interior do Amazonas, está com 70% do território alagado pela cheia do Rio Solimões e cerca de 1,7 mil famílias estão sendo afetadas, informou a Defesa Civil Municipal nta terça-feira (27). Anamã é um dos 29 municípios em situação de emergência.

De acordo com a prefeitura, 800 famílias na sede do município já estão sofrendo os impactos causados pelo alto nível do Rio Solimões. Já em 22 comunidades da zona rural, 997 famílias estão sendo afetadas.

“As principais dificuldades são as locomoções. Pra gente sair mesmo de casa fica mais difícil. Para quem tem canoa fica bom, para quem não tem não fica complicado”, relatou o agricultor Leandro Ribeiro.

Por Sabrina Rocha, g1 AM

Belém recebe título de ‘Capital Mundial do Brega’ pela ONU

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Brega é um dos ritmos que se tornaram patrimônio. Foto: Bruna Brandão

Belém (PA) recebeu o título de ‘Capital Mundial do Brega‘, concedido pela Organização das Nações Unidas (ONU) Turismo, nessa sexta-feira (30). O anúncio foi feito durante a reunião do Conselho Executivo da entidade, em Segóvia, na Espanha.

A honraria concedida durante a 123ª reunião do Conselho Executivo da ONU Turismo, em Segóvia, Espanha, destaca a riqueza cultural da cidade que já é reconhecida internacionalmente por sua gastronomia.

“Foi uma honra receber este reconhecimento durante um evento tão qualificado como a reunião do Conselho Executivo da ONU Turismo, entidade das Nações Unida para o turismo. Títulos como este reforçam a vocação do estado para a atividade turística e confirmam o sentimento de orgulhos que nós paraenses sentimos em relação a nossa riqueza cultural”, destacou o ministro.

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A honraria foi entregue ao ministro Celso Sabino, atual presidente do Conselho Executivo da ONU Turismo, pelo secretário-geral da entidade, Zurab Pololikashvili. Em vídeo gravado para as redes sociais, Zurab mencionou ainda  o prefeito da cidade de Belém, Igor Normando.

Celso Sabino esteve em Segóvia para presidir a reunião do Conselho Executivo da ONU Turismo, que elegeu a primeira mulher a assumir a secretaria-geral do órgão, Shaikha Nasser Al Nowais, candidata dos Emirados Árabes Unidos.

O mercado Ver-o-Peso é um dos locais que promovem a música paraense. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

História

A relação de Belém com o brega se confunde com a própria expansão do estilo musical. Nas periferias da cidade, o ritmo é mais que música: é resistência, lazer, memória e pertencimento.

Do romantismo tradicional ao tecnobrega moderno, o brega paraense evoluiu ao longo das décadas, incorporando batidas eletrônicas, influências caribenhas e experimentações sonoras, com as quais a cidade já viu brilhar fora de suas fronteiras nomes como Pinduca, Wanderley Andrade, Joelma, Gaby Amarantos, Felipe Cordeiro e muitos outros que demonstram a capacidade do brega em se renovar, mas sem perder suas raízes paraenses.

Leia também: Conheça 14 ritmos musicais que fazem sucesso na Amazônia

Estrela da aparelhagem

Ao longo dos anos o brega também se uniu à cultura das aparelhagens – verdadeiros paredões de som que movimentam multidões em festas ao ar livre pelos bairros de Belém e pelo interior do Pará.

Esses eventos reúnem milhares de pessoas e fazem parte do cotidiano de Belém, onde o brega é trilha sonora para amores, encontros e celebrações da vida.

*Com informações do Ministério do Turismo

Chefs ensinam seis formas de saborear a Ventrecha de Pirarucu

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Ventrecha de Pirarucu. Foto: Ricardo D’Angelo

A Ventrecha de Pirarucu, corte nobre do maior peixe de escamas de água doce do mundo, é um prato pouco comum nos restaurantes que oferecem receitas com peixes típicos da região amazônica.

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Por conta disso, durante a experiência gastronômica “Seis Vezes Pirarucu”, realizada no restaurante Moquém do Banzeiro, na zona Centro-Sul de Manaus. O evento reuniu renomados chefs brasileiros em uma celebração dos sabores amazônicos e do manejo sustentável de pesca promovido pelas comunidades do Médio Juruá e outras áreas de pesca no Amazonas.

A experiência foi conduzida por três chefs de referência: a cozinheira da Amazônia Débora Shornik, à frente do restaurante Caxiri; a chef executiva e consultora Priscila de Deus do Chez de Deus (SP); e o chef Felipe Schaedler, anfitrião do Moquém do Banzeiro. Cada um apresentou duas criações exclusivas utilizando a Ventrecha, parte valorizada do Pirarucu, conhecida por sua textura delicada e sabor marcante. Excelente para receitas com assado. 

Leia também: Aprenda a preparar ventrecha de pirarucu e arroz de tucupi com jambu

Chef Débora Shornik, chef Felipe Schaedler e a chef Priscila de Deus ensinam formas de saborear a Ventrecha de Pirarucu. Foto: Ricardo D’Angelo

Formas de preparo:

Débora Shornik:

  • Barriga na lata: Ventrecha confitada na banha de porco, vinagrete de feijão manteiguinha, mousseline de banana pacovã com puxuri e chaya crispy.
  • Isca no cone: Cubos de Ventrecha frita e belisquete de macaxeira com molho de tucumã acevichado.
Ventrecha de Pirarucu
Ventrecha de Pirarucu. Foto: Ricardo D’Angelo

Priscila de Deus:

  • Ventrecha na brasa: Ventrecha na brasa, molho Thai com especiarias amazônicas e cuscuz de uarini com castanhas-do-Pará.
  • Pirarucu na prancha: Pirarucu com manteiga de beef tallow, arroz caldoso de yanomami defumado ao molho de tucupi, emulsão de jambu e vinagrete de pupunha.
Ventrecha de Pirarucu
Ventrecha de Pirarucu. Foto: Ricardo D’Angelo

Felipe Schaedler:

  • Pirarucu empanado: Pirarucu empanado com tapioca e fonduta de queijo grana.
  • Pirarucu confit: Pirarucu confit, mel de jandaíra, tomate curado e brotos.

Todos os pratos podem ser harmonizados com os vinhos de sua preferência.

Leia também: ‘Bacalhau da Amazônia’: aprenda a preparar o pirarucu seco, técnica tradicional usada por ribeirinhos

Manejo sustentável e protagonismo comunitário

Mais do que uma experiência gastronômica, o Seis Vezes Pirarucu foi um momento de valorização do modelo sustentável de pesca manejada, promovido pelas comunidades ribeirinhas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Médio Juruá e da área de Acordo de Pesca de Carauari, no sudoeste do Amazonas.

A comercialização do pirarucu selvagem de manejo sustentável é feita por meio da marca coletiva Gosto da Amazônia, cuja gestão é realizada pela ASPROC, organização que há mais de três décadas atua na defesa dos direitos e na promoção da qualidade de vida dos povos extrativistas da região.

Pirarucu. Foto: Jefferson Christofoletti/Embrapa

A coordenadora comercial da ASPROC, Ana Alice Britto, ressaltou que a trajetória da associação é marcada pela superação e pela busca contínua pela valorização do extrativismo sustentável. “No início, nossa luta era contra a miséria e pela liberdade. Depois de 30 anos, seguimos firmes, agora pela valorização do homem e da mulher extrativista, preservando os recursos naturais e fortalecendo cadeias produtivas como a do pirarucu.

As comunidades ribeirinhas da Amazônia têm mostrado que é possível viver de forma digna da floresta. A marca Gosto da Amazônia é fruto desse esforço coletivo, que alia sustentabilidade, geração de renda e valorização do extrativismo comunitário”, destaca a gestora.

O modelo de pesca manejada do Pirarucu, regulamentado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), garante um produto natural, livre de aditivos químicos, com alto valor nutricional, rico em ômega 3 e sustentável. Entre os benefícios estão a recuperação dos estoques pesqueiros, a geração de renda para as comunidades e a proteção do território amazônico.

Pesca do pirarucu. Foto: acervo Idam

Durante a experiência gastronômica, a chef Débora Shornik, Priscila de Deus e Felipe Schaedler falaram sobre suas impressões, emoções e aprendizados sobre a Amazônia.

“Nem só de lombo é feito o pirarucu, a gente veio muito para falar sobre a importância da ventrecha, que é o prato que a gente mais vende nos nossos restaurantes hoje e começamos essa jornada de fazer esse jantar há uns três meses, é uma alegria muito grande poder estar com essas duas gigantes da gastronomia aqui comigo”, disse o chef Felipe Schaedler, anfitrião do Restaurante Moquém do Banzeiro.

A chef Débora, do Caxiri Manaus deixou um convite para todos os colegas chefs de cozinha, “eu acho que a gente tem que se desafiar como cozinheiros, quero convidar os colegas daqui de Manaus e de fora para que a gente assuma esse lugar de embaixadores e que essa ferramenta que é a gastronomia ela é capaz sim de manter a floresta em pé, e aos consumidores, que se abram e ajudem a gente a preservar a floresta a partir do consumo dos insumos que a gente consome e não consome e vamos cozinhar muito pirarucu, à ventrecha”. 

“Sempre me emociono ao falar sobre o manejo sustentável do pirarucu. Tive a honra de conhecer esse trabalho de perto durante uma expedição em 2022, e foi uma experiência muito impactante. Imagine alguém que vem da capital, onde tudo parece tão distante, fazer uma viagem de aproximadamente 36 horas para conhecer a origem desse produto.

Estávamos ali, chefs de várias regiões, com o mesmo propósito: entender e valorizar a origem do pirarucu. Foi profundamente tocante perceber o quanto nós, chefs, temos a responsabilidade de levar essa mensagem adiante — a de cuidar do que é nosso. Os ribeirinhos cumprem essa missão todos os dias, e nós precisamos defendê-los, falando sobre o produto deles e protegendo quem cuida da nossa floresta”, destacou Débora.

Leia também: Livro virtual e gratuito reúne 30 receitas com pirarucu de manejo sustentável da Amazônia

Valorização do território amazônico

A iniciativa reforça a importância da valorização da sociobiodiversidade amazônica, conectando o trabalho das comunidades tradicionais com chefs de renome e consumidores em diferentes partes do Brasil.

“A proposta é mostrar que o Pirarucu de manejo é muito mais que um ingrediente de excelência, ele representa uma cadeia produtiva justa, que respeita o meio ambiente e transforma vidas na Amazônia”, destacou Quilvilene Cunha, manejadora de pirarucu. 

Pirarucu manejado. Foto: divulgação

Leia também: Aprenda como preparar moqueca acreana com pirarucu e banana da terra

A manejadora Quilvilene Cunha, da comunidade São Raimundo, destacou a importância do manejo do pirarucu para a conservação ambiental e a organização comunitária:

“O manejo do pirarucu é a alternativa que mais preserva o meio ambiente no nosso território e fortalece os arranjos das organizações comunitárias — tanto na vivência quanto na forma como se planejam e se organizam para monitorar os ambientes. A própria comunidade protagoniza todo esse processo de vigilância e preservação até o momento da captura. É um trabalho coletivo que gera resultados coletivos”, afirmou Quilvilene.

Ela também ressaltou os benefícios sociais e econômicos trazidos pelo manejo, especialmente para as mulheres. “Outras cadeias produtivas também fortalecem o território e promovem qualidade de vida, mas o pirarucu faz uma diferença concreta na vida das famílias, começando dentro de casa, com infraestrutura, eletrodomésticos e até o acesso à energia solar, como aconteceu na minha comunidade. Outro aspecto fundamental é a valorização e o reconhecimento das mulheres, que atuam e recebem igualmente os homens nesse processo”, completou.  

Seis Vezes Pirarucu foi uma realização conjunta de instituições que acreditam no potencial da gastronomia como ferramenta de transformação social, ambiental e cultural.

Búfalo albino raro é criado com mamadeira de leite de vaca em Rondônia: conheça o Zangão

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Búfalo albino é atração em feira agropecuária de Rondônia. Foto: Agaminon Sales/Rede Amazônica RO

Com mais de uma tonelada, pelagem parcialmente branca e temperamento dócil, Zangão, búfalo que nasceu em uma propriedade rural de Rondônia, tem uma característica rara: é albino. O Grupo Rede Amazônica conversou com especialistas que explicam a causa genética que dá essa característica ao animal.

Leia também: Tartarugas com albinismo lutam pela sobrevivência na Amazônia

Zangão é exibido na 12ª Rondônia Rural Show, uma das maiores feiras agropecuárias da Região Norte. Um cartaz ao seu lado conta que no ano de 2017, em uma fazenda de Presidente Médici (RO), nasceu um búfalo diferente de todos: preto com manchas brancas. Rejeitado pela mãe, ele foi criado pelo dono da propriedade, André Bispo, com mamadeira de leite de vaca e muito carinho.

“Eu estava andando no pasto, olhando o gado, e aí eu achei ele abandonado. Aí a mãe dele era novilha de primeira cria, criou e foi embora, deixou para trás”, relembra André.

Zangão, búfalo albino. Foto: Agaminon Sales/Rede Amazônica RO

O animal é fruto de uma cruzamento entre duas raças: mediterrâneo e murrah. Além das partes despigmentadas no corpo, ele possui olhos brancos que são sensíveis à luz.

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Possíveis causas e efeitos

De acordo com Maria Cecília Florisbal, pesquisadora doutora em Medicina Veterinária com ênfase em produção de bubalinos e bovinos, é possível (mas raro) encontrar búfalos com albinismo total ou parcial.

“No albinismo total, o animal é todo branco, sem pigmentação, incluído os olhos. No albinismo parcial, o animal pode apresentar apenas os olhos brancos, sem pigmentação, ou ser malhado como o da foto”, explica.

Essa condição é causada por uma mutação no gene da tirosinase, que é uma enzima essencial para produzir melanina, o pigmento que dá cor à pele, aos olhos e aos pelos.

“A ocorrência desse defeito genético, deve-se a um gene recessivo autossômico. Isso significa que os pais têm que possuir esse gene. Os pais podem ser de pelagem preta, mas portadores desse gene ou serem albinos, ou ainda um albino e o outro preto, mas portador desse gene defeituoso”, explica.

Leia também: Albinismo na Amazônia: “filtro solar e barreiras físicas são indispensáveis”, afirma especialista

Maria reforça que nesse casos é importante evitar a consanguinidade, um fator importante no aparecimento de doenças congênitas. Animais como o Zangão não devem ser utilizados para reprodução, já que podem transmitir o gene defeituoso para os descendentes.

Luciana Gatto Brito, pesquisadora da Empraba, médica veterinária e zootecnista, a ausência ou redução de melanina em búfalos albinos pode levar a uma série de problemas de saúde, tais como:

  • Sensibilidade à luz
  • Problemas de visão
  • Sistema imunológico comprometido
  • Estresse térmico

Por conta desses problemas, os animais precisam de cuidados especiais.

  • É crucial fornecer sombra adequada, como árvores, galpões ou toldos, especialmente durante as horas de pico de sol.
  • A aplicação de hidratantes veterinários específicos para animais pode ser necessária, especialmente em climas secos.
  • Búfalos albinos podem ser mais suscetíveis a parasitas externos, como carrapatos e moscas, devido à pele mais sensível.
  • É importante realizar exames oftalmológicos regulares para monitorar a saúde dos olhos e detectar precocemente qualquer problema.
  • O manejo deve ser calmo e cuidadoso, evitando situações que possam causar ansiedade.
  • Uma dieta balanceada e rica em nutrientes é fundamental para manter a saúde geral do animal e fortalecer sua pele e sistema imunológico.

Rondônia Rural Show

A 12ª edição da Rondônia Rural Show Internacional (RRSI), um dos maiores eventos de agronegócio da região Norte, começou na segunda-feira (26) e segue até 31 de maio, em Ji-Paraná (RO), na região central do estado.

11ª Rondônia Rural Show Internacional. Foto: Reprodução/Arquivo Rede Amazônica RO

O tema desta edição é “Do campo ao futuro”. Mais de 650 expositores do estado e de diversas partes do Brasil vão apresentar inovações tecnológicas e as principais tendências do agronegócio.

A feira, realizada anualmente desde 2012, promove o desenvolvimento sustentável e tecnológico da agropecuária, aproximando agricultores, empresários e o público em geral. De acordo com o governo de Rondônia, ela é reconhecida nacional e internacionalmente por impulsionar a economia agropecuária do estado, atraindo milhares de visitantes, produtores e investidores.

*Por Agaminon Sales e Jaíne Quele Cruz, da Rede Amazônica RO

Povo Yawanawá realiza maior exposição de artesanato de sua história no Acre

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Exposição de artesanato reuniu mulheres de todas as aldeias Yawanawá. Foto: Marcos Santos/Secom AC

A Aldeia Mutum, uma das cerca de 17 aldeias que se estendem ao longo do Rio Gregório, no município de Tarauacá (AC), vive um período de marcos históricos. No dia 27 de maio foi realizado o Primeiro Encontro das Mulheres Yawanawá, um momento de afirmação da identidade da mulher indígena. Já no dia 28, o território sediou a maior exposição de artesanato da história da etnia.

“Esse é dos momentos muito especiais, que fala do trabalho, da arte, da proteção, da identidade, da beleza, da cultura, da tradição do nosso povo. Essa exposição aqui conta a história de um trabalho de homens e mulheres”, celebrou a cacique Maria Júlia Yawanawá.

Leia também: No coração da floresta, a sagrada aldeia do povo Yawanawá

O governo do Acre esteve presente no evento, por meio da Secretaria Extraordinária de Povos Indígenas (Sepi), oferecendo apoio e valorização à arte indígena. “Hoje é um momento dedicado à exposição e à história. Estamos aqui, mais uma vez presentes, valorizando e demonstrando o apoio do governo, que foi muito importante para a realização do evento”, destacou a diretora da pasta, Nedina Yawanawá.

Mulheres de todas as aldeias do Povo Yawanawá estiveram no local, expondo sua arte em formato de pinturas de quadros, vestimentas e adereços como anéis, colares, brincos, tornozeleiras e outros.

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“Quando pensamos em produzir, pensamos em nos embelezar, nos sentir bonitas. Não é de qualquer forma que produzimos, precisamos estar em paz, com o coração tranquilo, porque se erramos uma pedrinha dessa, não adianta, tem que ser tudo perfeito. Nossas combinações de cores vão surgindo no coração e na mente, vamos recebendo novas inspirações espontaneamente”, explicou a cacique da Aldeia Mushuinu, Janete Yawanawá.

Arte yawanawá atrai público do mundo inteiro. Foto: Marcos Santos/Secom AC

Artesanato como fonte de renda

Além de beleza e espiritualidade, o artesanato, apreciado por visitantes de todo o Brasil e de outros países, tornou-se uma importante fonte de renda para as mulheres yawanawá, tornando-as capazes de ter mais liberdade e estabilidade financeira, podendo suprir suas necessidades pessoais.

Eliete Yawanawá relata que o artesanato mudou a sua realidade: “Agora somos modernos, somos chiques; hoje temos melhores roupas, antes não tínhamos nem shampoo. O artesanato é uma fonte de renda, porque antes dependíamos só dos nossos maridos ou das aposentadorias dos nossos pais ou avôs”.

A carioca Bia Saldanha, que mora em Rio Branco, disse que já considera a Aldeia Mutum como ‘sua casa’ e admira o trabalho das artesãs: “Quando eu vi a primeira vez uma pulseira feita pelas yawanawá, era amarela, minha cor favorita. Eu ganhei de presente e aquele foi o melhor presente. Isso foi lá em 2010”.

Território sediou a maior exposição de artesanato da história da etnia. Foto: Diego Silva/Secom AC

Leia também: Mariri Yawanawa: a celebração da vida na floresta do Acre

Apreciando as peças produzidas, Bia Saldanha também destacou o quanto fica feliz com a trajetória das yawanawá.

“Essa abundância, essa riqueza que está no mundo da espiritualidade e que essas mulheres fizeram com que se tornasse uma fonte de renda, não foi feita da noite para o dia; essa organização das mulheres como uma rede de produção é incrível”, avaliou.

As miçangas utilizadas pelas mulheres yawanawá em sua produção são importadas da República Tcheca, para a confecção dos adereços cuja comercialização ajuda a aquecer a economia do estado.

*Com informações da Agência Acre

Peixe amazônico põe ovos fora d’água e se reproduz em estações chuvosas

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Foto: Reprodução/Aquario Amazônico da UFPA

Peixes da espécie Copella arnoldi, conhecidos como tetra splash, apresentam maior atividade reprodutiva durante a estação chuvosa, segundo estudo publicado na revista Neotropical Ichthyology. Com comportamento raro entre os peixes, esses animais depositam seus ovos fora d’água, em folhas acima do nível dos rios. A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade Federal do Pará (UFPA) e contribui para o manejo sustentável da espécie, muito usada como peixe ornamental.

O estudo avaliou 171 indivíduos capturados no rio Taiassuí, no nordeste do Pará, entre agosto de 2016 e junho de 2017. Os pesquisadores analisaram o desenvolvimento dos órgãos reprodutivos e observaram que machos e fêmeas atingem a maturidade sexual a partir de 18 mm de comprimento corporal, com 100% deles capazes de se produzir aos 21 mm. Esse parâmetro é essencial para orientar políticas de captura que preservem a reprodução da espécie. 

“Esse dado pode ser usado para a elaboração de políticas ou planos de captura que garantam que apenas indivíduos sexualmente maduros sejam capturados para o comércio de peixes ornamentais, o que evitaria a captura de juvenis e a manutenção de um bom tamanho populacional”, explica Rafael Farias, autor do estudo.

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A análise dos índices gonadossomáticos (relação entre o peso das gônadas — ovários ou testículos — e o peso corporal) revelou dois picos reprodutivos ao longo do ano: em dezembro, início da estação chuvosa, e em abril, quando as chuvas atingem seu auge. É nesse período que os peixes depositam os ovos em folhagens acima do nível do rio. Copella arnoldi é a única espécie neotropical de água doce conhecida por realizar saltos de desova. 

Outras duas espécies semelhantes também botam ovos fora d’água, mas apenas sobre superfícies sólidas próximas à margem — pedras, troncos ou folhas estáticas expostas fora do rio. A sincronia com o período úmido parece reduzir o risco de desidratação dos ovos, que ficam expostos ao ar atmosférico durante seu desenvolvimento

Para evitar a perda de umidade, os machos salpicam água sobre os ovos aproximadamente a cada minuto. Com o aumento da umidade ambiental, esse intervalo pode ser ampliado, tornando o esforço dos machos menor.

A pesquisa também estimou que as fêmeas produzem cerca de 148 oócitos (células germinativas) por ciclo, dos quais 47 são maduros e prontos para fertilização. Esse padrão sugere desova em lotes parciais, o que pode indicar maior capacidade de resposta a mudanças ambientais.

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Farias também alerta que a dependência da umidade ambiental torna a espécie vulnerável às mudanças climáticas.

“Caso as mudanças climáticas ocasionem maior estiagem, estações chuvosas mais curtas ou menos intensas, é provável que os ovos fiquem mais suscetíveis à desidratação”, afirma. 

Segundo ele, isso exigiria maior esforço dos machos na hidratação dos ovos, aumentando sua exposição a predadores e comprometendo o sucesso reprodutivo.  “Não sei dizer se isso significaria a extinção da espécie, mas é certo que aquelas com nicho ecológico muito restrito são as primeiras a sofrer com as mudanças climáticas”, argumenta.

Os próximos passos da pesquisa devem incluir a análise da influência da qualidade ambiental sobre a reprodução da espécie. “Desse modo, poderíamos verificar como essa espécie se comporta em ambientes íntegros ou degradados”, afirma o pesquisador.

DOI: https://doi.org/10.1590/1982-0224-2024-0054

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori

Grupo brasileiro apresenta ‘Amazônia’ em audição do America’s Got Talent e ganha “botão de ouro”

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Grupo brasileiro antecipou o projeto ‘Amazônia, segundo consultor. Foto: Reprodução/Instagram-agtauditions

A competição de talentos norte-americana America’s Got Talent (AGT) chega a sua 20ª temporada em 2025. Na primeira fase, os jurados conferem audições dos mais diversos tipos, como canto, comédia, mágica, acrobacias, variedades, dança. E foi a dança – com um toque tecnológico – que ganhou destaque nesta fase, em maio, com a apresentação do grupo brasileiro LightWire, que ‘levou’ a Amazônia para o palco estadunidense.

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A franquia global foi criada por Simon Cowell, um dos jurados, e que realizou o sonho de muitos artistas que participam do programa. Foi ele que apertou o ‘botão de ouro’ para levar o grupo brasileiro direto para a fase ao vivo da competição. Esse recurso é usado quando um dos jurados acredita que aquele número vale “passar na frente” e ir direto para a final. Eles foram os primeiros a receber o “golden buzzer” nesta temporada.

E a Amazônia?

Em seu site oficial, o grupo explica que as performances artísticas buscam ser imersivas, usando tecnologia de ​figurinos luminosos, com fibra ótica e ​LED, sincronizados com vídeo e coreografia. O real e o virtual se fundem, e foi assim que criaram a experiência ‘Amazônia’. Elementos da região integram a apresentação, como a onça-pintada, detalhes da floresta, macacos, cobras e os povos originários.

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O consultor Gilmar de Almeida, pai de Daniel Almeida e Felipe de Almeida (sócios da LightWire), comentou em uma rede social que “a crescente notoriedade da LightWire resultou no convite para se apresentar no America’s Got Talent em Los Angeles, um prestigiado palco mundial. Este convite nos impulsionou a reavaliar nossa estratégia, adiando o espetáculo da Lei Rouanet e antecipando o projeto ‘Amazônia'”.

Em sua avaliação, Cowell comentou suas impressões antes de apertar o botão: “Você nunca sabe sabe quando está fazendo um novo ano [do programa] se vai ver algo melhor do que já tenha visto antes. E honestamente este foi um dos mais bonitos e espetaculares atos que eu vi em todos os Got Talents. Foi tão emocionante e eu não sei porque vocês estavam tão nervosos, pois vocês sempre vão ter um desses…”. Foi então que o jurado os escolheu para ir direto para as apresentações ao vivo.

Depois disso, os representantes do grupo afirmaram que estavam emocionados porque “a Amazônia é muito importante, a Amazônia é o pulmão do mundo, é importante para todos”.

Assista:

O apresentador atual é Terry Crews (As branquelas) e a formação atual de jurados é composta por Cowell, Howie Mandel, Mel B e Sofía Vergara. O vencedor recebe um grande prêmio em dinheiro (pago principalmente ao longo de um período de tempo) e, desde a terceira temporada, a chance de ser a atração principal de um show na Las Vegas Strip, nos EUA.

Belém Papa-Chibé: mapa gastronômico inédito é lançado com panorama de oito distritos

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Lançamento do projeto Belém Papa Chibé. Foto: Pedro Guerreiro/Agência Pará

A tradicional bebida indígena da Amazônia, que carrega no sabor a ancestralidade e as memórias do povo paraense, dá nome ao estudo inédito de mapeamento do cenário gastronômico da capital do Pará: o projeto Belém Papa-Chibé.

O site com os resultados da pesquisa foi lançado no dia 29 de maio na Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), apresentando um roteiro que celebra as cores, os sabores e as tradições da cozinha paraense — elementos que fazem de Belém um destino singular para os apreciadores da boa gastronomia.

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O levantamento é fruto do trabalho da Diretoria de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas e Análise Conjuntural (Diepsac) da Fapespa, que ao longo de três meses visitou 2.400 estabelecimentos ligados ao setor de bebidas e alimentação, distribuídos em 71 bairros, oito distritos administrativos e duas ilhas da cidade que será sede da COP30 (Conferência Mundial sobre Mudanças Climáticas).

A plataforma digital apresenta um mapa interativo que permite traçar rotas pelos oito distritos e reúne informações essenciais sobre as praças de alimentação da capital, como pratos típicos, estilos de cozinha, tipos de comida, especialidades e experiências gastronômicas disponíveis.

“Belém é uma das poucas cidades do mundo com o título da ONU de Cidade Criativa da Gastronomia. Por isso, merecia um estudo como esse. O projeto apresenta uma amostragem extensa, com uma pesquisa socioeconômica completa sobre cerca de 2.400 empreendimentos da cidade. Nosso mapeamento confirma a diversidade do setor, mostrando que Belém não oferece apenas pratos típicos, mas também cozinha internacional, italiana, japonesa, francesa, além de lanches e churrascos”, explica Márcio Ponte, diretor da Diepsac.

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Lançamento ocorreu dia 29 de maio. Foto: Pedro Guerreiro/Agência Pará

Diversidade nos distritos

O projeto Belém Papa Chibé foi concebido para documentar e valorizar a diversidade culinária da capital paraense. O estudo também realiza um diagnóstico detalhado do perfil socioeconômico dos empreendimentos, identificando obstáculos administrativos, burocráticos e financeiros que impactam o desenvolvimento do setor. Os dados traçam o panorama gastronômico dos oito distritos administrativos: Belém, Bengui, Entroncamento, Guamá, Icoaraci, Mosqueiro, Outeiro e Sacramenta.

  • Em Belém, predomina a culinária regional, com destaque para o tacacá, vatapá e maniçoba.
  • No Bengui, as churrascarias lideram.
  • O Entroncamento apresenta forte presença da cozinha japonesa e regional.
  • No Guamá, predominam churrascarias e pratos típicos.
  • Icoaraci tem forte concentração de churrascarias.
  • Mosqueiro é marcado por sabores praianos como açaí com peixe frito e camarão.
  • Em Outeiro, a cultura pesqueira é expressiva, com destaque para o açaí com peixe frito.
  • Sacramenta reúne mais estabelecimentos focados em peixe frito e churrasco.

Perfil e impacto do setor

A pesquisa revela que a maioria dos estabelecimentos gastronômicos da cidade funciona em imóveis alugados e tem até cinco anos de existência — sinalizando um setor jovem, dinâmico, mas vulnerável a desafios relacionados à sustentabilidade dos negócios. Em Belém, 77,5% dos empreendimentos estão formalizados, enquanto 22,5% atuam na informalidade.

Cerca de 88,8% dos estabelecimentos têm como atividade principal a comercialização de refeições. Entre eles, o tradicional prato feito — composto por arroz, feijão e proteína — representa 35% do total. Em seguida, destaca-se a culinária regional com o emblemático açaí com peixe frito (14%) e os clássicos tacacá, vatapá e maniçoba, que juntos representam quase 12% do setor.

Do ponto de vista socioeconômico, o impacto do setor gastronômico é expressivo: emprega aproximadamente 51 mil pessoas, majoritariamente em regime formal e com qualificação na manipulação de alimentos. O faturamento médio dos estabelecimentos gira em torno de R$ 40 mil, com uma margem média de lucro estimada em 17,3%.

Durante o lançamento da plataforma, também foi anunciada a expansão da pesquisa. “Nosso objetivo é ampliar ao máximo o escopo do estudo gastronômico no estado, estendendo o mapeamento para outros municípios da região metropolitana de Belém e cidades como Santarém, outro importante polo gastronômico do Pará”, disse Márcio Ponte.

O mapa gastronômico e os dados do projeto podem ser acessados pelo site da Fapespa. Estabelecimentos de Belém interessados em fazer parte da pesquisa ainda podem participar, preenchendo um formulário disponível no site Belém Papa Chibé, onde devem ser fornecidas informações sobre o empreendimento.

*Com informações da Fapespa

Mandioca açucarada é alternativa para a produção de bioetanol, revela pesquisa

Foto: Reprodução/Arquivo Fapeam

O uso e a produção de biocombustíveis, como o etanol, promovem a autonomia energética, o que é especialmente importante em áreas isoladas, onde o acesso a recursos energéticos pode ser limitado. Em pesquisa, apoiada pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), investigou-se a viabilidade da produção de bioetanol, através da hidrólise e fermentação das raízes de mandioca açucarada.

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Amparada pelo Programa de Apoio à Ciência, Tecnologia e Inovação em Áreas Prioritárias para o Estado do Amazonas – CT&I Áreas Prioritárias, Edital N° 010/2021, o estudo intitulado ‘Mandioca açucarada, uma alternativa para a produção de bioetanol no estado do Amazonas’, analisou que a quantidade de amido presente no bagaço, após extração do caldo, permite uma maior liberação de açúcares, o que torna o processo fermentativo mais eficiente e vantajoso.

Segundo a coordenadora do estudo e doutora em Engenharia de Recursos Naturais da Amazônia, Leiliane do Socorro Sodré de Souza, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), a mandioca foi escolhida devido à motivação do grupo de pesquisa em desenvolver bioprodutos a partir de biomassa vegetal presente no estado.

“A produção de biocombustíveis é uma possibilidade interessante para comunidades isoladas. E, como a mandioca é uma espécie que vários produtores têm experiência com cultivo e, mesmo que a mandioca açucarada tenha algumas características diferentes, a mandioca amilácea e açucarada são similares no cultivo, e assim esta foi escolhida para a pesquisa”, afirmou.

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A mandioca açucarada apresenta em sua composição em torno de 85% de água e o restante da composição divide-se em açúcares, proteína, amido e fibras.

Bioetanol

Sobre a investigação da viabilidade da produção de bioetanol através da hidrólise, um fenômeno químico no qual uma molécula é quebrada em moléculas menores na presença de água, e da fermentação das raízes de mandioca açucarada, Leiliane Souza explica mais sobre o processo:

“Foi utilizado o caldo extraído da raiz, que já contém açúcares, e o bagaço restante foi analisado e ao observarmos que o mesmo apresenta mais de 50% de amido, foi aplicado o processo de hidrólise para a quebra desse amido em moléculas menores, os açúcares. Com mais açúcar, favorecemos o processo de fermentação, no qual o etanol é liberado”, afirmou a pesquisadora.

Foto: Reprodução/Arquivo Fapeam

No processo, após prensar as raízes, foram obtidas duas porções, uma fase líquida (caldo) e uma fase sólida (bagaço), essa última foi levada para análise, por apresentar um teor significativo de amido, observou-se que o uso das enzimas permitiria aumentar a contração de açúcares.

Durante a pesquisa, no processo de fermentação com a levedura Saccharomyces cerevisiae a concentração de etanol obtida foi de 14,33 g/L em 72 horas de processo, sendo possível obter 0,29 g de etanol/g de biomassa. Esses resultados podem ser melhorados com ajustes na concentração de açúcares e no tipo de microrganismo.

Outro benefício apontado pela pesquisadora sobre a utilização dessas fontes alternativas de energia foi a respeito da redução das emissões de gases de efeito estufa. Os biocombustíveis, que usam fontes renováveis, têm um ciclo de carbono mais equilibrado em comparação com os combustíveis fósseis, contribuindo para a mitigação das mudanças climáticas.

*Com informações da Fapeam