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3 lugares diferentes para conhecer na Guiana Francesa

Parque Amazônico da Guiana. Foto: Guillaume Feuillet/Parc amazonien de Guyane

A França faz fronteira com o Brasil e também é um país amazônico. Mas calma, isso acontece porque a Guiana Francesa é território da França na América do Sul e faz parte da Amazônia Internacional pois parte de sua área abriga o bioma amazônico.

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O presidente francês Emmanuel Macron anunciou no dia 5 de junho o fim a obrigatoriedade do visto para entrada de brasileiros na Guiana Francesa. Além de uma oportunidade comercial, a isenção também proporciona o aumento no turismo.

Saiba mais: Guiana Francesa passa a ter isenção de visto para brasileiros; autoridades do Amapá comemoram

Confira algumas opções para conhecer no país vizinho:

Centro Espacial de Kourou

O Centro Espacial de Kourou é um dos principais pontos turísticos do país vizinho. Trata-se de um importante centro de lançamentos da Agência Espacial Europeia na América do Sul. Se conseguir de planejar com antecedência é possível até mesmo assistir ao lançamento de um foguete. O local foi escolhido para ser centro espacial estrategicamente por sua localização. É possível acompanhar a agenda do local e se programar para uma visita.

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Foto: Reprodução/centrespatialguyanais

Inselberg Savane Roche Virginie

Inselberg, traduzido literalmente como “montanha-ilha” do alemão, são formações geológicas que se destacam em paisagens planas, devido à sua resistência à erosão. Na Guiana Francesa um dos mais conhecidos é o Inselberg Savane Roche Virginie, de fácil acesso para quem busca caminhada sem muita dificuldade. É necessário contatar guias turísticos.

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Foto: Jacklyn Durrenberger/ONF

Parque Amazônico da Guiana

O Parque Amazônico da Guiana é delimitado por dois grandes rios: o Oiapoque (a leste) e o Maroni (a oeste). Ele abriga uma das áreas de maior biodiversidade do planeta, o que faz dela uma terra de descoberta tanto pela sua flora e fauna como pelas suas culturas indígenas.

Para os interessados em conhecer o parque é preciso ter atenção às regras para entrada, pois são bastante rígidas. É necessário entrar em contato com empresas especializadas em ecoturismo da região para desbravar as terras do parque.

Leia também: Conheça o Parque Amazônico que ocupa 40% da Guiana Francesa

Foto: Guillaume Feuillet/Parque Amazônico da Guiana

Amazônia passa a contar com novo centro de pesquisas para recuperação de áreas desmatadas: Capoeira

Foto: Vinícius Braga

A Amazônia Legal acaba de ganhar um centro inédito dedicado à recuperação de ecossistemas desmatados e degradados. Coordenado pela Embrapa, o Centro Avançado em Pesquisas Socioecológicas para a Recuperação Ambiental da Amazônia, batizado de Capoeira, reúne mais de 100 pesquisadores de 33 instituições do Brasil e do exterior, entre universidades, órgãos governamentais, ONGs, empresas privadas e coletivos locais.

O projeto foi aprovado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) no âmbito do edital Centros Avançados em Áreas Estratégicas para o Desenvolvimento Sustentável da Região Amazônica, o Pró-Amazônia, e contará com investimento de R$ 14 milhões.

O Capoeira terá um hub na sede da Embrapa Amazônia Oriental, em Belém (PA), e deve atuar de forma virtual integrando instituições, laboratórios e grupos de pesquisa em estudos socioeconômicos, ecológicos e bioculturais na região.

“Atualmente, há grupos de pesquisa, redes colaborativas e comunidades locais empenhados na recuperação dos ecossistemas amazônicos. A proposta do Capoeira é ir além da produção de ciência de excelência, buscamos também articular e promover uma transformação positiva na região, substituindo a cultura da destruição pela da restauração”, pontua Joice Ferreira, pesquisadora da Embrapa e coordenadora do centro.

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Desmatamento e degradação

O nome Capoeira é uma referência à vegetação que cresce em uma área que foi anteriormente desmatada, chamada de vegetação secundária. A Amazônia já perdeu 18% (846.000 km²), de acordo com o Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe). Essa área equivale a quase a totalidade do estado de Mato Grosso.

Além do desmatamento, a degradação também é uma ameaça às funções vitais da floresta e vetor das mudanças climáticas, de acordo com os cientistas do Centro. Uma área de pelo menos 370 mil km² da Floresta Amazônica (um pouco maior que a área total da Alemanha, por exemplo) já foi degradada por incêndios florestais, extração madeireira e fragmentação florestal (efeito de borda causado por atividades agropecuárias – foto à direita).

Esses distúrbios geram emissões massivas de gases de efeito estufa, perda de biodiversidade, alteração no regime de chuvas e aumento de doenças e conflitos socioambientais.

Fragmentos de floresta em plantações de soja no município de Belterra. Foto Marizilda Cruppe/Greenpeace

Os pesquisadores vão analisar dados de mais de 100 sítios de estudo em diferentes estados da Amazônia Legal. As áreas correspondem a iniciativas de restauração em locais com florestas secundárias, florestas primárias degradadas, áreas com Sistemas Agroflorestais e restauração de sistemas aquáticos.

Nesses locais, serão avaliados estoques ou incremento de carbono, recuperação da biodiversidade, resultantes do tipo de restauração aplicado. As iniciativas de restauração podem envolver regeneração natural da vegetação; regeneração natural assistida (quando se enriquece a área com plantios de espécies nativas e outras práticas de manejo); e regeneração por meio de plantio total ou semeadura direta, quando a cobertura do solo já é praticamente inexistente.

Outra estratégia são os Sistemas Agroflorestais (SAFs), que buscam o aumento de árvores nas paisagens, inclusive nas áreas agrícolas, e conciliam as necessidades ecológicas e as demandas econômicas dos agricultores familiares e povos da floresta. Os SAFs, segundo estudos pontuais do grupo da pesquisadora, são as estratégias de recuperação mais estudadas na região (37,88%), seguida pela regeneração natural (30,35%) e plantios florestais (19,55%).

“A maioria desses estudos são pontuais e existem lacunas de conhecimento sobre a restauração em importantes aspectos, como as questões socioeconômicas e culturais. O Centro surge, portanto, como uma iniciativa que visa desenvolver estudos mais integrativos, abordando diferentes aspectos da restauração, sejam eles ecológicos, sociais, culturais, econômicos e outros”, explica Ferreira.

O Capoeira será também um polo de informações sobre cenários e riscos frente às mudanças climáticas, com a produção de mapas de ocorrência e recorrência de extremos de secas, temperaturas e mudanças climáticas, além de identificação de espécies de plantas e polinizadores mais resilientes.

Foto: Ronaldo Rosa

Diferença entre restauração e recuperação

A restauração ecológica é o processo de apoiar a recuperação dos ecossistemas visando retornar ao seu estado original, incluindo as espécies nativas e as funções ecológicas, com o objetivo de resiliência de longo prazo.

A recuperação, por sua vez, visa retornar as funções e processos ecossistêmicos, mesmo que a composição de espécies e a estrutura sejam diferentes da original.

“Laboratórios vivos”

Uma das principais estratégias de atuação do Centro será a criação de “laboratórios vivos” (living labs), que serão espaços de trocas de experiências e conhecimentos baseados no conceito de inovação aberta, nos quais as comunidades locais e pesquisadores conhecem, avaliam e validam experiências de restauração de forma coletiva.

Os laboratórios estão localizados em três territórios amazônicos:

  • 1. região de Santarém, no Oeste do Pará, com destaque para a Floresta Nacional (Flona) do Tapajós, a Reserva Extrativista (Resex) Tapajós-Arapiuns e assentamentos rurais;
  • 2. mosaico do Gurupi, região formada por Unidades de Conservação (UCs) e Terras Indígenas no Pará e Maranhão;
  • e 3. Nordeste Paraense, abrangendo municípios como Bragança, Capitão Poço, Irituia, Paragominas e Tomé-Açu, região de colonização mais antiga do estado.

Esses territórios são considerados importantes espaços de pesquisa e ação devido às intensas transformações socioambientais que ocorreram em suas paisagens ao longo de diferentes períodos, de acordo com os pesquisadores do Centro. “Neles já existem parcerias de longa duração com as comunidades locais, e serão espaços de escuta e co-construção, com foco em ações de recuperação florestal com abordagem biocultural”, acrescenta a pesquisadora Ima Vieira, do Museu Paraense Emílio Goeldi e integrante do Capoeira.

Área degradada. Foto: Ronaldo Rosa

Estratégia para mitigar as mudanças climáticas

A restauração dos ecossistemas amazônicos é considerada urgente, para os cientistas do Capoeira. Apesar dos esforços e compromissos assumidos pelo poder público local, nacional e internacional, iniciativa privada e cooperação da sociedade civil, a restauração dos ecossistemas precisa ganhar escala e integrar a diversidade de atores envolvidos no tema, afirma o grupo.

Para Danielle Celentano, do Instituto Socioambiental (ISA) e integrante do Centro, “a restauração de ecossistemas deve garantir diversidade e inclusão, integrando conhecimento tradicional, ciência e tecnologia — só assim construiremos soluções justas e duradouras”.

O Brasil assumiu o compromisso no Acordo de Paris de recuperar 12 milhões de hectares até 2030, dos quais cerca de 38% devem ocorrer na Amazônia. Essa meta está associada a compromissos internacionais que serão amplamente debatidos durante a Conferência das Nações Unidades sobre as Mudanças Climáticas 2025, que ocorrerá em novembro deste ano, em Belém, capital do Pará.

Os pesquisadores do Capoeira acreditam que a restauração florestal é uma estratégia fundamental para mitigar as mudanças climáticas e certamente será um tema de debate importante na COP 30 entre os países em desenvolvimento. “A maior parte das emissões brasileiras advém dos desmatamentos na Amazônia e mudanças de uso da terra, logo ações que revertam os efeitos dos desmatamentos são fundamentais”, afirma Joice Ferreira.

Cenário da restauração

Um levantamento realizado pela Aliança pela Restauração, consórcio de instituições públicas e privadas, em 2020, foram identificadas 2.773 iniciativas de restauração de paisagens florestais na Amazônia brasileira, somando 113,5 mil hectares.

O maior número de iniciativas na região corresponde a Sistemas Agroflorestais (SAFs) totalizando 1.643 (59%), seguido pelo plantio de mudas com 734 iniciativas (26%). A maioria das iniciativas (79%), segundo o levantamento, são de pequena escala (áreas menores que 5 hectares).

Ferreira ressalta ainda que instrumentos como a Política Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Proveg), a Comissão Nacional (Conaveg) e o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg) e, no nível estadual, o Plano Regional de Recuperação da Vegetação Nativa (PRVN), são importantes para articular e promover ações de recuperação, “mas é preciso um esforço conjunto entre sociedade e poder público para dar escala à restauração”, finaliza.

Instituições envolvidas

O Capoeira é coordenado pela Embrapa Amazônia Oriental e tem a colaboração das outras Unidades da Embrapa – Roraima, Agricultura Digital e Recursos Genéticos e Biotecnologia- e das Universidades Federais dos estados do Amapá; Maranhão; Roraima; Acre; Mato Grosso; Rural da Amazônia, do Pará, do Oeste do Pará, e do Sul e Sudeste do Pará; além das instituições: Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-Bio), Instituto Federal do Mato Grosso (IFMT), Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Instituto Socioambiental (ISA), Instituto Tecnológico Vale (ITV), Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), e The Nature Conservancy (TNC-parceira).]

O Centro avançado conta também com o trabalho de pesquisadores e técnicos do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), Universidade Federal de Lavras (UFLA), Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade Federal do Pernambuco (UFPE) e Mombak – parceira.

A nível internacional, também são instituições colaboradoras o Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agrícola para o Desenvolvimento (Cirad) – na França; Universidade Imperial de Londres, Universidade de Lancaster, Universidade Metropolitana de Manchester, Universidade de Oxford – no Reino Unido; e Centro de Pesquisa Climática – nos Estados Unidos.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Embrapa

Queimadas fazem desmatamento crescer 92% na Amazônia em maio, segundo dados do Deter

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Desmatamento em Altamira (PA). Foto: Victor Moriyama/Greenpeace

O desmatamento na Amazônia, em maio de 2025, alcançou 960 km², o que representa uma alta de 92% em relação ao mesmo mês de 2024. O aumento está diretamente ligado às mudanças climáticas e aos incêndios ocorridos nos meses anteriores, mas que só são percebidos algum tempo depois, quando a vegetação seca, de acordo com o ministro em exercício do Meio Ambiente e Mudança, João Paulo Capobianco.

“Esse incêndio florestal de grandes proporções, relacionado a uma alteração climática, não é um desmatamento ocorrido em maio. Ele é uma floresta incendiada a tal ponto que chega agora como uma floresta colapsada”, explica.

Na análise do período acumulado, de agosto de 2024 a maio de 2025, essa alta foi de 9,1% na comparação com os mesmos meses no ano anterior.

Os dados são do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) e foram apresentados nesta sexta-feira (6), pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), em Brasília.

No detalhamento dos dados, 51% do desmatamento decorrem de incêndios florestais, 48% de corte raso e 1% de mineração.

Leia também: 2025 inicia com registro de aumento de 68% no desmatamento da Amazônia

Incêndios

Nos últimos cinco anos, os focos de incêndio em vegetação nativa se mantinham na média de 10%. Em 2024, esse índice subiu para 13,5%. Nos primeiros meses de 2025, 23,7% dos focos de incêndio no país atingiram vegetação nativa.

Segundo Capobianco, o dado nunca foi evidenciado porque, em anos anteriores, o desmatamento decorrente de incêndio florestal representava percentuais muito inferiores.

“Nós estamos incorporando [informações] no próprio Deter, que é um sistema feito para ser em tempo real, porque normalmente esses dados apareciam apenas no Prodes [Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite]”, destaca.

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No Cerrado e no Pantanal, a tendência de queda permaneceu para o mês de maio, com quedas respectivamente de 15% e 65% na comparação entre maio de 2025 e 2024.

No período agregado de agosto de 2024 a maio de 2025, o Cerrado perdeu 4.583 km², representando uma queda de 22% em relação ao mesmo período dos anos anteriores. No Pantanal, de agosto de 2024 a maio de 2025, foram perdidos 267 km², 74% a menos que no mesmo período de anos anteriores.

“Hoje, nós temos a capacidade muito significativa de prever e nos antecipar a desastres. O grande desafio é como vamos organizar as ações, para, com base nessas informações, atuar na prevenção”, diz.

Enfrentamento

O ministro em exercício afirmou, também, que o governo vem trabalhando em um processo de articulação federativa para que o problema seja enfrentado pelo conjunto de atores de todas as instâncias governamentais, iniciativa privada e sociedade organizada.

Capobianco destacou, ainda, ações do governo federal de enfrentamento a incêndios e ao desmatamento, como a aprovação da lei que criou a Política Nacional do Manejo Integrado do Fogo; o investimento de R$ 825 milhões no fortalecimento do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama); e outros R$ 405 milhões para os bombeiros de municípios na Amazônia, além do Programa União com Municípios.

*Com informações da Agência Brasil

Livro busca valorizar plantas medicinais em comunidades quilombolas do Tocantins

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Foto: Reprodução/Livro ‘Saberes Ancestrais e Ciência: Plantas Medicinais dos Quilombos Mumbuca e Prata

O projeto ‘Etnofarmacologia, Etnobotânica e Fitoterapia em Comunidades Tradicionais do Tocantins‘, coordenado pelo pesquisador Raphael Sanzio Pimenta, resultou na publicação de um livro que valoriza os saberes tradicionais e destaca a profunda relação cultural e terapêutica entre as comunidades quilombolas e o uso de plantas medicinais.

Intitulada ‘Saberes Ancestrais e Ciência: Plantas Medicinais dos Quilombos Mumbuca e Prata’, a obra reúne os conhecimentos compartilhados por importantes lideranças comunitárias, em especial pelas mulheres mais velhas, verdadeiras guardiãs da tradição botânica local.

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A publicação evidencia o papel essencial das plantas medicinais nas práticas de cura dos quilombolas, além de promover um diálogo entre o conhecimento científico e os saberes ancestrais. Ao valorizar o conhecimento tradicional, o estudo contribui para a preservação da identidade cultural e para o fortalecimento de práticas sustentáveis de cuidado com a saúde, profundamente enraizadas na vivência com o meio ambiente.

Leia também: Saiba quais plantas que nascem nos quintais podem ser utilizadas para fins medicinais

De acordo com Raphael, durante o projeto também foi realizada uma expedição ao Jalapão, que dará origem a um documentário. Além disso, ocorreram atendimentos de saúde nos dois quilombos, com emissão de laudos e receitas médicas, bem como um trabalho de campo que resultará artigos científicos. O pesquisador destaca a importância do apoio da FAPT durante todo o processo.

“Só conseguimos realizar esse trabalho nos quilombos Mumbuca e Prata graças ao apoio e financiamento da FAPT. O projeto foi aprovado por meio de edital e, com ele, pudemos desenvolver diversas ações relevantes nas comunidades. Entre elas, destaco a parceria com uma estudante quilombola do curso de Biologia da UFT, Mônica Silva Ribeiro, que resultou na publicação desse livro com tiragem de 2 mil exemplares. Toda a renda obtida com as vendas será integralmente revertida para o benefício dos próprios quilombolas. Um aspecto muito especial é que todos os participantes do projeto, que compartilharam suas histórias e conhecimentos sobre plantas medicinais, também assinam como coautores da obra. Esse livro representa uma forma de preservar saberes ancestrais que corriam o risco de se perder, agora materializados por escrito”.

O projeto foi contemplado pelo Edital Saúde FAPT/SES-TO nº 01/2023, voltado ao apoio financeiro de pesquisas que contribuam para a qualificação da atenção à saúde no Tocantins. A iniciativa representa um passo importante no desenvolvimento da Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (CT&IS) no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), com os seguintes objetivos específicos:

  • Propor instrumentos de gestão para a política pública de pesquisa em saúde;
  • Identificar problemas de saúde que demandem soluções baseadas em conhecimento científico e tecnológico;
  • Direcionar os investimentos em CT&IS para qualificar os serviços de saúde;
  • Fortalecer o sistema de saúde e o ecossistema de CT&IS no Tocantins, por meio de ações intersetoriais.

O livro foi financiado pelo Governo do Estado do Tocantins, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Tocantins (FAPT) em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO). Assinam a obra: Raphael Sanzio Pimenta, Mônica Silva Ribeiro, Antoninho Alves de Sousa, Diomar Ribeiro Silva Gomes, Domingas Ribeiro de Sousa, Laurita Batista Barbosa, Lení Francisca de Sousa, Maria Francisca da Silva, Noeci Ribeiro de Sousa, Noemi Ribeiro da Silva, Rosirene Ribeiro Rocha e Juliana Fonseca Moreira da Silva.

*Com informações da FAPT

Fogo e agricultura impulsionam a degradação do solo no sul da Amazônia

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Br-319 fica no sul do Amazonas. Foto: Dnit

Incêndios florestais frequentes e expansão agrícola estão degradando a saúde dos solos do sul da Amazônia, com danos duradouros sobre os estoques de carbono (C) e nitrogênio (N) e sobre a funcionalidade geral do solo dos ecossistemas. É o que mostra um estudo realizado por pesquisadores brasileiros e estrangeiros na Estação de Pesquisa Tanguro, localizada na região de transição entre a Floresta Amazônica e o Cerrado, no Arco do Desmatamento Amazônico.

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“Estamos falando de um fogo que não é natural. No Arco do Desmatamento, as queimadas recordes resultam da combinação da expansão agrícola e pecuária, degradação de florestas nativas vizinhas e secas prolongadas provocadas pelas mudanças climáticas – todas promovidas pela ação humana”, afirma o pesquisador Mário Lucas Medeiros Naval, primeiro autor do estudo.

“Nosso trabalho mostra como essas queimadas sucessivas têm impacto de longo prazo na matéria orgânica e em outros atributos essenciais do solo e como isso se compara à agricultura da região”, comenta.

Leia também: Estudos sobre insetos aquáticos do Amazonas e Pará compõem livro sobre impactos que sofrem com diversos usos do solo

degradação do solo no sul da Amazônia
Trecho da BR-319. Foto: Reprodução/Ascom AGU

O estudo, publicado na revista Catena, analisou os efeitos da conversão da floresta para agricultura e da frequência de queimadas sobre a matéria orgânica do solo, além de diversos indicadores físico-químicos de saúde do solo. Foram comparados quatro cenários: floresta intacta, floresta queimada anualmente, a cada três anos e área convertida para agricultura, sob sistema de plantio direto e com rotação de culturas.

“Nossos resultados mostram uma diminuição nos estoques de carbono no solo de 17% com queimas anuais, 19% com queimas trianuais e 38% com a conversão agrícola”, diz Naval. “Mesmo quando a agricultura adota boas práticas, como rotação de culturas e plantas de cobertura, ainda assim gera perdas mais severas de carbono do solo do que o fogo que incide sobre florestas nativas.”

O pesquisador explica que a área estudada é uma floresta de transição, que se assemelha ao cerradão, com árvores de 20 metros de altura em média. “Ela não é tão alta como a floresta do centro da Amazônia, mas também não é cerrado stricto sensu. E é justamente nessa região que a fronteira agrícola tem avançado com mais força, principalmente com a soja”, afirma.

A pesquisa foi realizada em uma área experimental de 150 hectares, gerenciada pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), dentro da reserva legal de uma propriedade privada, onde há a Estação de Pesquisa Tanguro. “Tivemos acesso a uma área grande, com 50 hectares para cada tipo de tratamento, o que nos permitiu uma amostragem representativa”, destaca o pesquisador.

Leia também: Pesquisa que evidencia práticas antigas de fertilização do solo na Amazônia recebe destaque em evento internacional

degradação do solo no sul da Amazônia
Foto: Puré Juma/Agência Pública

“Um aspecto importante do estudo é que avaliamos os solos nove anos após a última queimada. Mesmo com o tempo de recuperação da floresta, os estoques de carbono e nitrogênio ainda estavam significativamente reduzidos”, acrescenta.

Segundo Naval, as perdas de carbono e nitrogênio comprometem propriedades essenciais, dados os múltiplos benefícios da matéria orgânica para diversos indicadores de saúde do solo. “Por exemplo, nossos resultados evidenciam que, diminuindo os estoques de carbono, grande parte da capacidade de troca catiônica [CTC, uma das formas de mensurar a capacidade de retenção de nutrientes do solo] é perdida”, explica o pesquisador. Assim, o estudo também revelou impactos sobre outros indicadores físicos e químicos, evidenciando uma degradação mais ampla da saúde do solo.

A pesquisa demonstrou que a perda de carbono total – somando o carbono armazenado na biomassa acima do solo e o carbono armazenado no solo – chegou a 33% na queima anual e 48% na queima trianual. “Isso mostra que, do ponto de vista do ecossistema como um todo, as frequências de fogo têm impacto diferenciado, ainda que no solo a diferença estatística entre os dois regimes não tenha sido significativa”, explica.

“Ao contrário do Cerrado, onde o fogo é natural do ecossistema e exerce um papel ecológico, na Amazônia nós estamos falando de um elemento que é exógeno e induzido pela mudança no uso do solo, não de queimadas naturais. Queimar a Floresta Amazônica significa interferir em um ambiente não adaptado ao fogo”, resume Naval.

Leia também: Cientistas avaliam a diversidade de insetos da Amazônia, desde o solo até a copa das árvores

Floresta degradada pela queima no chamado Arco do Desmatamento da Amazônia. Foto: Mário Lucas Medeiros Naval/Cena-USP

Os autores recomendam a adoção de políticas de contenção da fronteira agrícola, prevenção de incêndios florestais e implementação de sistemas agrícolas mais biodiversos, como as agroflorestas. Segundo eles, essas práticas armazenam grandes quantidades de carbono, essenciais para a estabilidade climática global, e preservam a saúde dos solos amazônicos.

“A busca por alternativas ao modelo convencional de produção agrícola é essencial não apenas para a preservação ambiental, ao evitar novas queimadas, mas também para garantir a segurança alimentar da população” esclarece o pesquisador Plínio Barbosa de Camargo, um dos coordenadores do estudo.

Sobre o projeto

O trabalho integra o projeto internacional Amazon PyroCarbon, financiado pela FAPESP e pelo Natural Environment Research Council (NERC) e UK Research and Innovation (UKRI), ambos do Reino Unido. A iniciativa estuda os impactos do fogo em diferentes regiões da Amazônia e é coordenada por Camargo e Ted Feldpausch, da Universidade de Exeter.

“Esse trabalho na Estação de Pesquisa Tanguro é apenas parte de uma iniciativa mais ampla que está mapeando como o fogo afeta os solos amazônicos em vários pontos do bioma”, diz Naval, atualmente mestrando no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena-USP). O financiamento do estudo também contou com bolsa de pós-doutorado fornecida ao segundo autor, Wanderlei Bieluczyk.

O artigo Impacts of repeated forest fires and agriculture on soil organic matter and health in southern Amazonia pode ser acessado aqui

*Com informações da Agência FAPESP

Desenvolvimento baseado em exploração de recursos e em grandes obras aprofundou desigualdades na Amazônia

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Rodovia AP-160, entre os municípios de Laranjal do Jari a Vitória do Jari. Foto: Joyce Batista/Governo do Estado do Amapá

Um artigo publicado nesta sexta (6) na revista Acta Amazonica mostra que o modelo atual de desenvolvimento da Amazônia, centrado na extração de recursos naturais e implementação de grandes projetos – como barragens, estradas ou mineração – intensifica desigualdades sociais, destruição ambiental e conflitos territoriais. Esses projetos ainda trazem impactos duradouros para os ecossistemas e as comunidades locais, com efeitos agravados por mudanças climáticas e políticas permissivas.

Leia também: Acervo completo da revista científica Amazoniana é digitalizado pelo Inpa

Conduzido por cientistas de instituições como Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Universidade Federal do Pará (UFPA) e Universidade da Califórnia (EUA), o artigo baseia-se em literatura acadêmica, relatórios técnicos e dados institucionais para apresentar os principais marcos históricos e políticos da Amazônia desde os anos 1940, considerando as políticas de desenvolvimento de cada época. Parte do conteúdo também foi derivado de levantamentos do Painel Científico para a Amazônia (SPA, na sigla em inglês), composto por 200 pesquisadores de diversos países.

A partir de políticas estatais voltadas à integração territorial e à modernização urbana-industrial, a Amazônia passou a abrigar grandes empreendimentos, como portos e estradas, que favoreceram interesses externos e desconsideraram a diversidade social e ecológica local. Nos anos 1990, com o avanço do neoliberalismo, observou-se o fortalecimento de mercados ilegais como grilagem, garimpo e tráfico de madeira e drogas.

O estudo revela que, diante dessas pressões, as populações locais têm buscado formas de resistência. Sobretudo na década de 80 e 90, movimentos indígenas se articularam com universidades, ONGs, ambientalistas e movimentos internacionais para garantir maior participação na formulação de constituições que contemplassem seus povos e que tivessem ficado de fora da Constituição de 1988. Dentre os resultados dessa luta, destaca-se o reconhecimento de territórios indígenas, quilombolas e de populações tradicionais e maior participação em fóruns de governança ambiental.

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Segundo Philip Fearnside, pesquisador do INPA e um dos autores do artigo, o trabalho ajuda a romper com a visão simplista de que a Amazônia é um “vazio demográfico”. O bioma é descrito como um espaço complexo, feito de redes sociais, econômicas e culturais que foi moldado ativamente por seus habitantes – como ribeirinhos, quilombolas, indígenas e migrantes.

O pesquisador explica que, hoje,a maior parte da população da Amazônia vive em cidades. “Mas apesar desses grandes centros urbanos, existe ao mesmo tempo uma ligação forte com a população que está na área rural, inclusive com migração de população”, explica. “Essa ligação muitas vezes se dá no âmbito familiar, com mulheres e crianças na cidade para terem acesso a escola e saúde e os homens no campo. Há também aumento de ligações comerciais, com transporte de produtos do campo de cada vez mais longe para os mercados urbanos”, completa.

A pesquisa propõe que as experiências locais sejam valorizadas na formulação de políticas públicas. Os autores defendem alternativas que conciliem justiça ambiental e conservação, com base em saberes tradicionais e participação ativa das comunidades. A expectativa é que o trabalho ajude a repensar o modelo vigente de desenvolvimento, evitando que a Amazônia atinja pontos de não retorno ecológico e social.

DOI: http://dx.doi.org/10.1590/1809-4392202203060

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori

Portal Amazônia responde: o que é concessão florestal?

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Extração de madeira. Foto: Reprodução/ Serviço Florestal Brasileiro

Dentro da lei de gestão de florestas, a concessão florestal fornece às pessoas jurídicas, empresas, cooperativas e associações de comunidades locais permissão para realizar o manejo sustentável na extração de produtos madeireiros e não madeireiros.

Além disso, a concessão florestal está normatizada dentro do Sistema Nacional de Unidade de Conservação, o SNUC, previsto na Lei 9.985 de 2000, que estabelece o regramento para a criação de unidades de conservação em duas modalidades:

  • Unidades de Conservação de Proteção Integral, que não podem ser habitadas por pessoas
  • e Unidades de Conservação de uso sustentável que podem ser ocupadas por comunidades. 

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“A concessão florestal é uma modalidade de gestão das florestas públicas, federais ou estaduais, que aí a união ou o Estado exercem sobre empresas ou madeireiras para que elas possam explorar de forma sustentável aquela área, mediante o plano de manejo florestal sustentável”, explicou o doutor em Geografia pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Deivison Molinari, ao Portal Amazônia.

De acordo com o professor, a área concedida é manejada em um sistema de rodízio, o que permite a produção contínua e sustentável de madeira, e que ao apresentar o plano de manejo sustentável, a empresa determina como vai ser feita a exploração daquela área. 

Leia também: Projeto busca viabilizar manejo florestal sustentável com ajuda da tecnologia

Regras necessárias para obter concessão florestal 

De acordo com Molinari, para se obter a concessão florestal, a unidade de conservação e a empresa que deseja explorar a unidade, têm que ser cadastradas no sistema de cadeia de custódia das concessões florestais e no Sistema Florestal Brasileiro. “Sendo tudo isso monitorado pelo Serviço Florestal Brasileiro”, frisa o doutor em geografia.

O sistema de cadeia de custódia das concessões florestais estabelece o controle da produção e da saída dos produtos madeireiros explorados nas áreas sob regime de concessão florestal, em Florestas Públicas da União.

Etapas no processo de concessão 

O processo possui nove etapas, conforme a legislação:

  • Definição das áreas de florestas que podem ser concedidas;
  • Estudos técnicos;
  • Elaboração do Edital de Licitação;
  • Consulta Pública;
  • Concorrência;
  • Assinatura do Contrato de Concessão Florestal;
  • Gestão Administrativa e Financeira dos Contratos de Concessão Florestal;
  • Monitoramento Técnico das Concessões Florestais;
  • Repasse de Recursos.

O processo de concessão começa com a definição das áreas que podem ser utilizadas, conforme o Plano Plurianual de Outorga Florestal. Depois, são realizados estudos técnicos para avaliar as condições ambientais, econômicas e sociais da região. Com base nesses dados, é elaborado o edital de licitação, que inclui critérios de preço e metas socioambientais. Na sequência, acontece a consulta pública, quando a população local pode participar de audiências para opinar sobre a proposta.

Leia também: Pesquisa considera manejo florestal sustentável como alternativa viável para conservação

A fase seguinte é a concorrência, em que empresas, cooperativas e associações legalmente constituídas disputam o direito à concessão. Os vencedores assinam contratos válidos por 40 anos, sem possibilidade de renovação. Por fim, parte dos recursos arrecadados é destinada ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal (FNDF) e aos estados e municípios onde se localizam as florestas concedidas.

Atividades econômicas permitidas pela concessão 

Transporte de madeira. Foto: Reprodução/ Serviço Florestal Brasileiro

O professor enfatiza que a concessão florestal permite ao concessionário apenas o direito de praticar o manejo florestal sustentável, ou seja, extrair produtos madeireiros que compreendem a madeira propriamente dita e o material lenhoso residual (porção de galhos, raízes e troncos de árvores); não madeireiros, que compreendem produtos vegetais de natureza não lenhosa, incluindo folhas, raízes, cascas, frutos, sementes, gomas, óleos, látex e resinas; além de oferecer serviços de turismo, como hospedagem, atividades esportivas, visitação e observação da natureza e esportes de aventura. 

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*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Guiana Francesa passa a ter isenção de visto para brasileiros; autoridades do Amapá comemoram

Ponte binacional na divisa entre o Brasil e a Guiana Francesa, em Oiapoque. Foto: Maksuel Martins/GEA

O presidente francês Emmanuel Macron anunciou nesta quinta-feira (5), em Paris, o fim a obrigatoriedade do visto para entrada de brasileiros na Guiana Francesa. No Amapá, único estado brasileiro que faz fronteira com o território ultramarino francês, autoridades celebraram a decisão.

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Estiveram presentes durante o anúncio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP). A medida que estabelece o fim do visto para brasileiros estava em debate há pelo menos 16 anos.

“Muito feliz de fazer parte desta luta desde 2007 e de estar aqui em Paris, ao lado do Presidente Lula, comemorando essa conquista […] Uma demanda antiga do povo do Amapá em que, com trabalho e compromisso, transformamos em conquista”, disse Randolfe.

Durante o discurso, o presidente Macron destacou que a relação entre dois países amazônicos deve ser mais estreita e que a nova medida se trata de um acordo muito aguardado.

“Nós nunca consideramos que o Oiapoque devia nos separar antes, pelo contrário. Em março de 2024 já consolidamos essa parceria em monitoramento da biodiversidade do clima com o instituto conjunto. E essa fronteira, a fronteira mais longa da França com outro país, é a fronteira sobre a qual decidimos reforçar e intensificar o trabalho de cooperação para proteger a floresta e lutar contra o garimpo ilegal e o tráfico de seres humanos”, disse o presidente francês.

Medida foi estabelecida com articulação entre autoridades brasileiras e francesas. Foto: Divulgação

O pedido para a isenção de visto do Amapá surgiu a partir do princípio da reciprocidade, visto que não é exigido o visto para turistas franceses no Brasil. E para que brasileiros obtivessem o visto, era necessário o deslocamento até a embaixada francesa, em Brasília.

Senador pelo Amapá e presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), também comemorou o anúncio. “Sem dúvidas, hoje é um dia único para os amapaenses. Nossa luta terminou. Acabou esse negócio de o amapaense ter que ir a Brasília tirar o visto para, então, entrar na Guiana”, disse Alcolumbre.

A fronteira do Amapá com a Guiana Francesa possui uma população estimada em 32 mil habitantes, sendo 26,6 mil pessoas só em Oiapoque, no extremo norte do Amapá, e aproximadamente 3 mil em Saint Georges, ambos limitados pelo Rio Oiapoque e interligados pela Ponte Binacional.

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A Guiana Francesa é um departamento ultramarino da França com uma população total estimada em 296.711 e tem como principais atividades econômicas a agricultura, o turismo e a pesca.

Para tratar das relações transfronteiriças, foi criada a Comissão Mista Transfronteiriça (CMT) como parte do Acordo de Cooperação Mista, assinado em maio de 1996 e ratificado com o Plano de Ação da Parceria Estratégica, registrado e divulgado em fevereiro de 2008.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

Pesquisa testa potencial de resíduos agroindustriais amazônicos para bioeconomia

A pesquisa leva em consideração aspectos da inovação, a valorização da biodiversidade amazônica e a sustentabilidade. Foto: Flávio Augusto/Arquivo pessoal

Transformar resíduos agroindustriais da Amazônia, como sementes de açaí, cascas de tucumã, bem como folhas e coroas de abacaxi, em compostos químicos de alto valor agregado foi o objetivo de uma pesquisa realizada no Amazonas.

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O projeto ‘Desenvolvimento de compostos de alto valor agregado a partir de resíduos agroindustriais amazônicos’ foi realizado com apoio do Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), via Programa de Apoio à Ciência, Tecnologia e Inovação em Áreas Prioritárias para o Estado do Amazonas – CT&I ÁREAS PRIORITÁRIAS, edital n° 010/2021.

A ideia é que compostos orgânicos como o ácido levulínico, furfural e hidroximetilfurfural possam contribuir para o desenvolvimento de produtos em diversas áreas industriais, incluindo biocombustíveis, fármacos, cosméticos e embalagens sustentáveis, atividades que podem beneficiar a região amazônica no contexto da Bioeconomia.

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A ideia é que compostos orgânicos como o ácido levulínico, furfural e hidroximetilfurfural possam contribuir para o desenvolvimento de produtos em diversas áreas industriais. Foto: Flávio Augusto/Arquivo pessoal

O estudo foi coordenado pelo pesquisador Flávio Augusto de Freitas, doutor em Ciências (Química), gerente do Núcleo de Materiais e Energia do Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA) e professor colaborador do Programa de Pós-Graduação em Química da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). A pesquisa leva em consideração aspectos da inovação, a valorização da biodiversidade amazônica e a sustentabilidade.

O foco do estudo está também na diminuição dos impactos ambientais e na conservação da biodiversidade. Flávio Augusto afirma que os resíduos agroindustriais costumam ser descartados de maneira inadequada, poluindo aquíferos e, quando queimados, causando impactos severos no efeito estufa. Ele explica que o projeto contribui também para a melhora da saúde pública, já que muitas pessoas vivem em comunidades próximas às plantações e centros industriais.

De acordo com o coordenador, a aplicação correta dos resíduos agroindustriais como matéria-prima se encaixa no modelo da chamada Economia Circular, pois incentiva a redução do desperdício de insumos. Além disso, os compostos químicos analisados apresentam um alto potencial de serem absorvidos pelas indústrias que fazem parte do Polo Industrial de Manaus (PIM).

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Metodologia

Folhas e coroas de abacaxi, matérias-primas que fazem parte da pesquisa, foram adquiridas em feiras da região metropolitana de Manaus e no município de Tefé (distante a 523 quilômetros da capital).

“A escolha desses pontos permitiu uma representatividade regional e o uso de resíduos reais, comumente gerados por pequenos produtores e feirantes locais”, relatou.

As diferentes etapas do estudo incluíram a caracterização de teores lignocelulósicos, além do pré-tratamento e análise dos resíduos coletados. As matérias-primas lignocelulósicas reúnem materiais de origem vegetal, que são compostos principalmente por três polímeros estruturais: celulose, hemicelulose e lignina.

A pesquisa foi conduzida em uma parceria do CBA com a Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Foto: Flávio Augusto/Arquivo pessoal

“São abundantes em resíduos agrícolas, como palhas, bagaços, cascas e sementes, e representam uma alternativa sustentável por serem renováveis, não concorrentes com alimentos e altamente disponíveis na Amazônia”, descreveu Flávio Augusto.

A pesquisa foi conduzida em uma parceria do CBA com a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), em Manaus. A expectativa é que o projeto auxilie no aperfeiçoamento de mão de obra altamente qualificada e no desenvolvimento de novas tecnologias, gerando emprego e renda.

O projeto aponta a necessidade de uma conscientização social e acadêmica sobre a geração, uso e monetização de resíduos agroindustriais. O pesquisador informa que esses insumos passam a ganhar um outro valor à medida em que deixam de ser considerados lixo. Incentivando cadeias produtivas sustentáveis com base técnica, surge a oportunidade de substituir insumos fósseis por alternativas renováveis.

“A longo prazo, este projeto pavimenta o caminho para o desenvolvimento de biorrefinarias na Amazônia, capazes de transformar resíduos em bioprodutos industriais. Isso pode impulsionar a criação de startups locais, reduzir a dependência de petróleo e atrair investimentos em tecnologias limpas”, afirmou.

*Com informações da Fapeam

Presença de fauna em área de recuperação comprova papel fundamental do reflorestamento na Amazônia

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A onça-pintada, carnívoro, é animal topo de cadeia alimentar e sua presença é um dos indícios que demonstram a restauração ecológica de fauna |Crédito: Monitoramento Salobo Metais

Um trabalho de monitoramento de fauna realizado no sudeste do Pará, numa área em processo de recuperação com espécies nativas, entre elas a castanheira, documentou a presença de diversos animais silvestres. As câmeras registraram anta e seu filhotinho, cachorro-do-mato, tamanduá-bandeira e também a onça, entre outras 30 espécies, em mais de 700 horas de gravação, andando pela jovem floresta de apenas oito anos.

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Os registros comprovam a importância de ações de reflorestamento para o reestabelecimento das funções ecológicas, garantindo o retorno da fauna e, ao mesmo tempo, o renascer da abundância de uma espécie símbolo no Pará, a castanheira, que já está em seu segundo ano de floração na área.

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Presença de fauna em área de recuperação de castanheiras
Em um dos registros, uma anta e seu filhotinho passeiam na área de plantio com espécies nativas. O animal tem grande importância na disseminação de sementes, que ajuda na recuperação florestal | Crédito: Monitoramento Salobo Metais

A área onde o monitoramento foi realizado integra o projeto de recuperação com castanheiras iniciado em 2015, que hoje já conta com 635 hectares recuperados. A meta é alcançar 1.000 hectares até 2030, incorporando outras espécies ameaçadas de extinção da região. A iniciativa conta com parcerias técnico-científicas com o ICMBio, Museu Paraense Emílio Goeldi, Embrapa Amazônia Oriental e Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA). 

O projeto de monitoramento da fauna tem como principal objetivo avaliar a presença de animais silvestres nas áreas de recuperação com plantio de diversas espécies nativas, promovido pela Vale Metais Básicos, por meio da Salobo Metais, e entender como a fauna contribui para a regeneração da natureza. Embora o plantio dessas espécies nativas seja uma condicionante ambiental, o projeto de monitoramento de fauna é uma iniciativa voluntária da empresa, voltada para avaliar a efetividade da recuperação e o papel da fauna no processo de regeneração da vegetação nativa. 

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Presença de fauna em área de recuperação de castanheiras
O projeto de conservação da castanheira da empresa do grupo Vale Metais Básicos alcançou mais de 650 hectares, desde o início do plantio iniciado em 2015. São mais de 30 mil mudas plantadas | Crédito: Ricardo Teles

O monitoramento foi realizado ao longo do ano de 2024 tanto no período seco quanto no chuvoso, utilizando câmeras fotográficas digitais e registros indiretos, como pegadas, tocas e fezes de animais. 

Stella Malcher, doutora em Biologia, atua na gerência de Meio Ambiente da Vale Metais Básicos, explica que o monitoramento e a verificação da presença de fauna são um indicador muito positivo para uma área em recuperação. “Temos a identificação de mais de 30 espécies de animais silvestres, com destaque para as espécies carnívoras, incluindo a onça-pintada, predador de topo da cadeia alimentar, além de espécies de aves e répteis, que também têm papel essencial na manutenção dos ciclos ecológicos.

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Além das câmeras trap de monitoramento, as equipes identificaram pegadas, tocas e fezes indicando a presença de animais silvestres nas áreas de recuperação de castanheiras | Crédito: Monitoramento Salobo Metais

A presença de dispersores de sementes, como a anta, também é um indicador importante de recuperação da área, já que são fundamentais para a regeneração da vegetação, pois transportam e promovem a germinação de espécies nativas em diferentes pontos da área em recuperação, sinalizando o avanço na reestruturação do ecossistema”, comemora. 

Os resultados ressaltam o papel essencial da fauna no processo de restauração de áreas degradadas, especialmente na região de Carajás. “As iniciativas de restauração ecológica no setor de mineração podem mitigar impactos ambientais, criando habitats funcionais e contribuindo para a conservação da biodiversidade na Amazônia”, destaca a coordenadora de Meio Ambiente da Vale Metais Básicos, Schweyka de Holanda. 

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A onça-pintada, carnívoro, é animal topo de cadeia alimentar e sua presença é um dos indícios que demonstram a restauração ecológica |Crédito: Monitoramento Salobo Metais

A restauração florestal promove ainda outras interações benéficas para o meio ambiente, como a preservação da qualidade da água e do solo, e ainda, a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas. Interações que beneficiam a sociedade como um todo como a regulação do clima. Além disso, a presença ativa da fauna contribui para a continuidade do ciclo natural da floresta, consolidando a importância de estratégias que aliem restauração ambiental à conservação da biodiversidade. 

“Com iniciativas como essa, a Vale Metais Básicos reforça seu compromisso em gerar valor e construir um legado, transformando áreas antes degradadas em ambientes vivos e resilientes”, reforça a gerente de Meio Ambiente da Vale Metais Básicos, Juliana Ficagna.