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Maior Paçoca do Mundo é de Roraima: iguaria bate novo recorde de 1 tonelada e 547,5 Kg

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Maior Paçoca do Mundo é de Roraima. Foto: Fernando Teixeira/PMBV

Mais um recorde superado! Neste sábado, 7, a Maior Paçoca do Mundo atingiu a impressionante marca de 1 tonelada e 547,5 Kg. A iguaria, símbolo afetivo da culinária roraimense, foi servida para mais de 18 mil pessoas em porções de 200 g, o dobro do tamanho oferecido no ano passado.

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Desde 2015, a paçoca se tornou uma das atrações mais aguardadas da festa, conquistando não apenas os paladares, mas também o reconhecimento mundial — em 2024, entrou para o Guinness World Records (Livro dos Recordes) como a maior paçoca de carne do planeta, com 1 tonelada e 356 kg. Este ano, a meta era superar esse número, alcançada com sucesso graças a um verdadeiro mutirão de preparação.

Maior Paçoca do Mundo é de Roraima
Maior Paçoca do Mundo é de Roraima. Foto: Fernando Teixeira/PMBV

“Essa conquista é de todo o povo de Boa Vista. A paçoca é mais do que um prato típico. Ela representa a nossa identidade, nossas raízes e nossa união. Ver milhares de pessoas reunidas, celebrando a tradição com alegria e orgulho, é a maior recompensa. O recorde é importante, mas o que mais emociona é ver a felicidade no rosto de cada um que participa dessa festa”, disse o prefeito Arthur Henrique.

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O sabor que todo mundo ama

Nilde Oliveira, funcionária pública, garantiu sua paçoca e, para ela, esse momento virou tradição. “Já tem sido algo que, sem dúvida, atravessa gerações, afinal são 10 anos. Faço questão de participar desse momento. A festa está muito linda, segura para curtir com a família e simboliza exatamente isso: união”, afirmou.

Nilde Oliveira, funcionária pública, garantiu sua paçoca. Foto: Fernando Teixeira/PMBV

A autônoma Rosiane Nobre também compareceu com a família. “É a terceira vez que estamos aqui para pegar a paçoca. A gente adora! Viemos primeiro para garantir a paçoca e agora que vamos dar uma volta e curtir o arraial”, contou.

Dona Raimunda Estela, de 85 anos, experimentou a Maior Paçoca do Mundo pela primeira vez. Ela recebeu o potinho das mãos do prefeito Arthur Henrique. “Sempre quis prová-la. Estou muito feliz em estar aqui. A festa está linda! É um momento muito especial, pois lembra o tempo em que eu dançava e pulava nas festas juninas”, afirmou.

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Sobre a preparação

Foram utilizados 2.700 kg de carne fresca, 750 kg de farinha de mandioca, 90 kg de cebola, manteiga e óleo, tudo misturado com dedicação e afeto por dezenas de profissionais. O resultado foi uma explosão única de sabor que une a cultura indígena e nordestina, servido como prato principal da noite.

Maior Paçoca do Mundo é de Roraima. Foto: Fernando Teixeira/PMBV

A paçoca gigante já é patrimônio cultural e imaterial de Boa Vista desde 2022, reforçando seu papel como símbolo do orgulho e identidade regional. E nesta edição de 25 anos do Boa Vista Junina reafirma seu lugar como estrela internacional do arraial. Esta semana a iguaria foi destaque na mídia nacional, ganhando visibilidade em diversos programas por todo Brasil.

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Histórico de Pesos da Maior Paçoca do Mundo

Prefeito de Boa Vista com a maior Paçoca do Mundo. Foto: Fernando Teixeira/PMBV

2015 – 500 kg

2016 – 775 kg

2017 – 856 kg

2018 – 1.023 kg

2019 – 1.050 kg

2022 – 1.131 kg

2023 – 1.264 kg

2024: 1.356 kg

2025 – 1.547,5 kg

*Com informações da Prefeitura de Boa Vista

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Conheça os benefícios da manteiga de murumuru: de hidratação a sustentabilidade

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Manteiga de murumuru. Foto: Reprodução/Beleza Verde

O murumuru (Astrocaryum murumuru), também chamado de Murumuru da Várzea, é uma palmeira espinhosa que pode chegar até 10 metros de altura. Através da extração do óleo das amêndoas dos frutos dessa palmeira, é feita a manteiga de murumuru, capaz de produzir cremes hidratantes, sabonetes e até xampus.

A manteiga é considerada um ‘ouro amazônico’ por sua capacidade multifuncional, nutritiva e emoliente. Sua palmeira é encontrada principalmente nos estados do Acre, Amazonas, Amapá, Pará e Rondônia.

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O óleo extraído das amêndoas da palmeira é rico em ácidos graxos importantes para a hidratação dos cabelos e da pele, além de ser rico em vitaminas A e E, cálcio, fósforo e ferro. 

A manteiga de murumuru se destaca por suas múltiplas funções e também é rica em ácidos graxos como o láurico, mirístico e oleico, além de vitaminas A e E e minerais como cálcio, fósforo e ferro. Além disso, ela hidrata profundamente, nutre e protege, sem agredir ou obstruir os poros da pele.

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Benefícios da manteiga de murumuru

A manteiga de murumuru possui os seguintes benefícios:

  • Trata os fios de cabelo quebradiços, com poder de formar uma barreira de proteção contra a ação de agentes externos;
  • Tem propriedades anti-inflamatórias naturais;
  • Trata acne e psoríase;
  • Cicatriza peles rachadas ou pequenas lesões na pele;
  • Possui benefícios anti-envelhecimento; 
  • É antiviral e antisséptico;
  • Hidrata e nutri a pele;
  • Ameniza eczema;
  • Dá brilho e maciez aos cabelos.

Por ter baixa acidez e alto poder de penetração, a manteiga de murumuru consegue atingir as camadas mais profundas da pele e do couro cabeludo, garantindo uma hidratação prolongada e eficaz. Ao contrário de muitos produtos industrializados, ela não cria uma barreira artificial ou oleosa sobre a pele. Isso a torna ideal para quem busca produtos com formulações mais naturais e menos agressivas.

Sustentabilidade da manteiga de murumuru

Manteiga de Murumuru
Colheita das sementes de Murumuru. Foto: Anderson Águia/Natura/WEG

O extrativismo do murumuru é uma atividade que pode ser feita de forma totalmente sustentável, sem necessidade de desmatamento, e com forte potencial de geração de renda para comunidades tradicionais da Amazônia.

Diversas cooperativas e projetos sociais têm se empenhado em capacitar extrativistas locais para a coleta, processamento e comercialização do murumuru, promovendo o desenvolvimento socioeconômico da região e incentivando a preservação da floresta em pé.

Leia mais: Estudo mostra que óleos de açaí e murumuru são potencialmente eficazes na preservação de madeiras amazônicas

*Com informações do Ministério do Meio Ambiente e Le Fruit Cosméticos.


Estudo aponta que caça de subsistência tem papel importante para segurança alimentar de comunidades tradicionais

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Foto: Miguel Monteiro

Há milênios, comunidades indígenas e tradicionais ao redor do mundo praticam a caça de subsistência como fonte essencial de alimentação. Contudo, a carne de animais silvestres, conhecida popularmente como ‘carne de caça’, ainda é pouco estudada pela ciência em relação aos seus conteúdos nutricionais, o que dificulta a avaliação de sua importância dentro da dieta das populações tradicionais que a consomem.

Em um estudo recém-publicado na revista Ethnobiology and Conservation, pesquisadores do Instituto Mamirauá e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) avaliaram a composição nutricional da carne de 26 espécies de animais, revelando diferenças significativas nos perfis nutricionais entre os tipos de carne e suas partes anatômicas.

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Nutrientes essenciais e segurança alimentar

A pesquisa conduziu uma revisão sistemática de 20 artigos científicos e documentos publicados ao redor do mundo, focando em 10 nutrientes essenciais: ferro, zinco, selênio, manganês, potássio, magnésio e sódio, além de proteína, gordura e ômega-6. Os autores compararam esses conteúdos nutricionais entre músculos e vísceras de diferentes espécies de mamíferos, aves e répteis.

O estudo encontrou que a carne dos músculos de répteis contém 60% mais ferro que a de mamíferos e 400% mais selênio que aves. Já a carne muscular de aves apresenta níveis 200% maiores de potássio e ômega-6 em comparação com mamíferos. A carne dos mamíferos destaca-se pelo alto teor de zinco.

Ao comparar as partes anatômicas, as vísceras mostraram-se mais ricas em minerais, como ferro e zinco, em todas as espécies. Ao mesmo tempo, vísceras de répteis têm 300% mais gordura que as de mamíferos, enquanto as vísceras de mamíferos são ricas em proteínas e ômega-6.

Implicações para a saúde e sustentabilidade

Os resultados da pesquisa destacam o valor nutricional da carne de caça, considerando o seu consumo sustentável por comunidades tradicionais que, muitas vezes, têm pouco acesso a outras fontes de proteína e micronutrientes. As carnes provenientes da caça de subsistência são importantes fontes de ferro, zinco e selênio, por exemplo, nutrientes que frequentemente são encontrados em deficiência dentro de grupos vulneráveis em comunidades tradicionais, como mulheres e crianças, afetadas, especialmente, pelo avanço ilegal do garimpo, exploração de madeira, pesca industrial, caça ilegal e grilagem de terra em seus territórios. A deficiência destes nutrientes pode levar a complicações graves de saúde, como anemia, comprometimento do sistema imunológico e atrasos no crescimento.

“A carne de caça oferece uma fonte muito importante de macronutrientes – como lipídios e proteínas – e de micronutrientes – como ferro e zinco – para populações que, muitas vezes, carecem de alternativas viáveis, e frequentemente sofrem com fome ou falta de micronutrientes” comenta Daniel Tregidgo, pesquisador do Instituto Mamirauá e um dos autores do estudo.

“Aqui na Amazônia, onde a população enfrenta os piores índices de insegurança alimentar e desnutrição do Brasil, já sabemos que o consumo da carne de caça é associado com menos anemia em crianças ribeirinhas, e que pode substituir a proteína na época de escassez de peixes”, acrescenta o pesquisador.

Além disso, o consumo de vísceras, muitas vezes negligenciado, pode maximizar a ingestão de nutrientes, complementando a dieta e promovendo uma maior diversidade nutricional. No entanto, os autores alertam para riscos associados ao consumo excessivo das vísceras, uma vez que elas podem conter concentrações elevadas de metais pesados, sendo aconselhável cautela, especialmente para crianças.

Jacaré-açú (Melanosuchus niger), espécie frequentemente usada para alimentação por populações tradicionais. Foto: Miguel Monteiro

Leia também: Jacaré-açu, o maior e mais temido jacaré da Amazônia

Os pesquisadores enfatizam a necessidade de políticas que equilibrem a conservação da biodiversidade com o direito dessas comunidades tradicionais à segurança alimentar. Restringir o acesso dessas populações à carne de caça de maneira proibitiva pode levar ao aumento dos casos de desnutrição, ao passo que a caça insustentável pode acarretar o declínio populacional de animais silvestres e ao comprometimento da integridade de ecossistemas.

“Nossa revisão mostra como as carnes de caça são ricas nutricionalmente, mas também como os valores nutricionais variam muito entre as espécies. Essas informações são essenciais para desenvolver políticas e práticas para combater a desnutrição nessas comunidades, no contexto de caça sustentável para preservar as populações de animais silvestres tanto para conservação, quanto para saúde humana”, conclui Daniel.

Dessa forma, faz-se necessário a implementação de estruturas de governança que considerem a segurança alimentar e nutricional de comunidades tradicionais e o consumo sustentável de animais silvestres. Abordagens participativas para definir e aplicar regulamentações são essenciais para alcançar cenários ecologicamente sustentáveis e socialmente justos.

O Instituto Mamirauá é referência em projetos participativos que desenvolvem práticas de manejo dos recursos naturais de forma integrada e sustentável. O Instituto foi pioneiro em implementar, em parceria com comunidades tradicionais e órgãos governamentais, o primeiro sistema de manejo sustentável do pirarucu, espécie crucial para a segurança alimentar de populações tradicionais e para o equilíbrio dos ecossistemas amazônicos.

A implementação do manejo gerou um aumento de mais de 600% na população de pirarucus nas áreas manejadas, espécie que sofreu forte declínio populacional devido à pesca comercial. Além disso, o Instituto Mamirauá vem desenvolvendo outras práticas de manejo sustentável, como o manejo de jacarés, de abelhas nativas sem ferrão e o manejo florestal. O Instituto Mamirauá também promoveu a criação das primeiras Reservas de Desenvolvimento Sustentável do país, as Reservas Mamirauá e Amanã, que juntas somam mais de 3 milhões de hectares e têm desempenhado um papel fundamental para o fortalecimento de projetos de manejo participativo e comunitário.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Instituto Mamirauá, escrito por Miguel Monteiro

Quando o encantado veste couro de boi: fé, cultura e resistência no São João do Maranhão

Fé, cultura e resistência no São João são tema de pesquisa da UFMA. Foto: arquivo pessoal

São João do Maranhão é mais do que uma festa: é um território simbólico onde o sagrado e o profano se encontram, se misturam e se tornam indissociáveis. No compasso das matracas, dos pandeirões e dos tambores, pulsa uma espiritualidade que atravessa séculos, expressando a resistência, a memória e a identidade de um povo. 

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Essa dimensão do sagrado no São João maranhense, muitas vezes percebida por quem participa, mas pouco explorada academicamente, é o foco da pesquisa desenvolvida pela professora Marilande Martins Abreu, do Departamento de Sociologia e Antropologia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), que investiga como a religiosidade popular estrutura as manifestações culturais do ciclo junino, com especial atenção para o bumba meu boi.

fé, cultura e resistência no São João do Maranhão
Fé, cultura e resistência no São João são tema de pesquisa da UFMA. Foto: arquivo pessoal

Coordenadora do Grupo de Pesquisa Religião e Cultura Popular – GP Mina, a professora Marilande dedicou-se a investigar uma das expressões mais simbólicas dessa relação entre religiosidade e cultura popular: o boi de encantado, tendo como objeto o estudo de caso do boi de encantado Barbatão, ligado ao Jardim de Encantaria, um antigo terreiro de tambor de mina, localizado no bairro do Anjo da Guarda, em São Luís.

O resultado dessa pesquisa dará origem ao artigo científico intitulado “Tambor de mina e festas populares: o boi de encantado no Terreiro Jardim de Encantaria’, escrito em coautoria com a professora Sariza Caetano, da Universidade Federal do Norte do Tocantins (Ufnt). O texto integrará uma coletânea nacional dedicada aos estudos sobre religiões e manifestações religiosas no Brasil.

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O sagrado que vive no bumba meu boi

O bumba meu boi, patrimônio cultural do Brasil e símbolo máximo da cultura maranhense, é uma manifestação que sintetiza, com poucos elementos, a fusão do sagrado e do profano, da arte e da espiritualidade, da festa e da devoção. Por trás dos bordados dourados, das toadas emocionadas e dos autos dramatizados, existe um tecido invisível que sustenta toda essa tradição: a fé.

Fé, cultura e resistência no São João são tema de pesquisa da UFMA. Foto: arquivo pessoal

No Maranhão, essa manifestação não se resume a folclore nem a celebração estética: ela é, sobretudo, uma prática de devoção. O boi dança, canta, vive e morre em rituais que evocam mitos, crenças e entidades espirituais, tanto do catolicismo popular quanto das religiosidades afro-ameríndias, como o tambor de mina, o terecô e a encantaria.

“Existe uma forte devoção em toda relação dos boieiros com o boi, como existe também uma devoção em relação ao boi que vai passar por alguns ritos. O boi passa por um ciclo ritual: ele é batizado, sai para brincar e despois ‘morre’. Esse ciclo, que se renova anualmente, é marcado por rezas, ladainhas, velas e outros elementos”, detalha.

Não é exagero dizer que ‘o boi é uma oração que dança’. E, dentro desse universo tão amplo, existe um expressão que leva essa conexão com o sagrado a um nível ainda mais profundo: o boi de encantado.

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O boi de encantado

Diferente dos grupos organizados em associações culturais, com estrutura administrativa própria, o boi de encantado nasce dentro dos terreiros. Nessas casas, o boi não é apenas uma personagem ou elemento folclórico. Ele é, na verdade, uma extensão das entidades espirituais que regem o terreiro, um corpo ritual que também dança, canta e se manifesta na matéria.

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Bumba meu boi. Foto: Márcio Vasconcelos

O tema central da pesquisa da professora Marilande é o boi de encantado Barbatão, que pertence ao Terreiro Jardim de Encantaria, liderado por Pai Clemente, e tem como entidade patrona a cabocla Dorinha de Leguá, ligada à linhagem espiritual da família de Leguá, muito conhecida nos cultos de tambor de mina do Maranhão.

“O boi de encantado nasce a partir de uma promessa, pedido ou presente à entidade do terreiro. O boi de Barbatão é ligado à entidade farrista Dorinha de Leguá. Essas entidades, normalmente, descem para brincar, festejar, dançar, beber e confraternizar com os devotos”, explica a pesquisadora.

Esses bois não estão no circuito comercial, nem nos arraias turísticos. Eles existem, primordialmente, dentro da dinâmica espiritual do terreiro. Participam das festas internas, dos rituais, das obrigações, dos pedidos e agradecimentos feitos às entidades. Toda a sua estética — do bordado do boi às roupas dos brincantes — é consagrada, rezada e preparada segundo os fundamentos da religião.

As visitas de campo para fundamentar a pesquisa começaram em 2016 e incluíram a participação em rituais fundamentais, como o batizado e a morte do boi, além de outros momentos de festa e de devoção no terreiro. O trabalho revelou como o bumba meu boi, na condição de expressão estética e cultural, entrelaça-se de forma indissociável com a prática religiosa da encantaria.

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Uma oração coletiva que dança

O São João maranhense, com toda a sua pluralidade de sotaques e cores, tem, na religiosidade, um de seus pilares mais profundos. Isso não se restringe aos bois de encantado. Mesmo os grupos considerados profanos ou comerciais carregam em sua trajetória uma dimensão espiritual evidente. O batizado, as promessas cumpridas em forma de danças e toadas, as rezas antes das apresentações, tudo isso confirma que o boi é, para muitos, uma oração em movimento.

Fé, cultura e resistência no São João são tema de pesquisa da UFMA. Foto: arquivo pessoal

“O papel da religiosidade nas festas juninas são visíveis e presentes. O catolicismo popular é muito forte, além de ser uma festa em homenagem aos santos católicos, a religiosidade popular prevalece. As entidades das religiões de matriz africana também gostam dessas brincadeiras da manifestação da cultura popular e participam”, afirma Marilande.

Nos bois de encantado, essa dimensão não é apenas presente, ela é o próprio fundamento da existência do grupo. O boi, nesse contexto, não é um adereço cultural. Ele é uma entidade, um corpo que dança e canta em nome dos encantados, dos caboclos, dos mestres e mestras espirituais que sustentam as práticas da casa.

Leia também: Pesquisa avalia reflexos do bumba meu boi na formação da identidade infantil no Maranhão

Pesquisa, memória e resistência

O trabalho da professora Marilande tem por objetivo lançar luz sobre esse aspecto muitas vezes invisibilizado da cultura maranhense. O objetivo é justamente sistematizar, registrar e dar visibilidade a essas práticas, que fazem parte da vida das pessoas, dos territórios, das comunidades, mas que muitas vezes não aparecem nos estudos ou nas políticas culturais.

Mais do que documentar, a pesquisa também cumpre um papel político e social. Ao reconhecer o boi de encantado como uma prática legítima, essencial e viva, ela ajuda a fortalecer a luta contra os processos de apagamento histórico e cultural que há séculos tentam silenciar as vozes das populações afro-indígenas.

O desenvolvimento da pesquisa reflete o compromisso da Universidade Federal do Maranhão com a valorização dos saberes tradicionais, das culturas populares e das religiosidades afro- ameríndias que estruturam a identidade maranhense. É papel da Universidade se debruçar sobre esses conhecimentos que são fundamentais para entender o Maranhão. A pesquisa sobre o boi de encantado Barbatão é, na verdade, uma porta de entrada para compreender como a espiritualidade estrutura as práticas culturais no nosso estado.

No final das contas, quando o couro do boi vibra e a toada ecoa, o que se ouve não é apenas música — é um chamado. É o som dos encantados, dos antepassados, da memória coletiva que insiste em não ser esquecida. No Maranhão, quando o encantado veste couro de boi, ele dança não só por si, mas por todos aqueles que carregam no peito a fé, a resistência e a alegria de existir.

*Com informações da Universidade Federal do Maranhão

Museu do Araguaia aposta em tecnologia e inovação em Mato Grosso

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Museu de História Natural do Araguaia. Foto: Acervo MuHNA

O Museu de História Natural do Araguaia (MuHNA), da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), Campus Universitário do Araguaia, comemora sete anos de avanços na divulgação e popularização da ciência.

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Os alunos poderão conhecer o acervo e também as novidades, como o modelo animado em três dimensões (3D) do peixe Pirarucu e o protótipo do jornal mural Resenha, destinado aos estudantes da Educação Básica da região. Além dos monitores que tradicionalmente recebem os visitantes, alguns dos curadores estarão presentes para apresentar as coleções diretamente aos calouros, respondendo dúvidas e explicando as peças.  

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Museu do Araguaia
MuHNA faz 7 anos e integra circuito de ciência estadual com a Seciteci. Foto: Acervo MuHNA

Por meio de uma parceria do MuHNA com Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECITECI). A partir deste ano, o museu passa a integrar o Circuito Itinerante da Ciência de Mato Grosso (MT Ciências), desenvolvido pelo Governo do Estado, ampliando o acesso ao conhecimento em diferentes municípios da região leste mato-grossense.

Desde a inauguração, o MuHNA desenvolve ações de extensão e divulgação científica, especialmente com a realização da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia do Araguaia (SNCT-Araguaia). Com abrangência estadual, o museu leva oficinas, visitas monitoradas e ações itinerantes para estudantes da região.

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Universidade, Comunidade e Conhecimento

Museu de História Natural do Araguaia. Foto: Acervo MuHNA

Em 2024, ano em que o museu foi reaberto, após uma reforma estrutural, e inauguração da exposição Biodiversidade: passado, presente e futuro da vida no planeta, as ações do MuHNA atingiram 32 mil pessoas de todo o estado.

A diretora do museu Márcia Pascotto avalia positivamente os avanços no período e aposta em novas conquistas para o futuro.

“Estamos buscando fortalecer cada vez mais o museu em outros espaços de popularização da ciência, como Praça da ComCiência que já está em andamento e a aprovação do Museu de Ciência Itinerante pela Finep”, afirma. A gestora ressalta que projetos como estes fortalecem os grupos de pesquisa, os programas de pós-graduação e levam a popularização da ciência para fora de Barra do Garças.

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Semeando o Futuro 

Em paralelo às atividades propostas pela universidade, grupos de alunos visitaram o museu. A visita ao MuHNA proporcionou aos estudantes um momento de integração, descoberta e encantamento. “Foi um momento incrível. Hoje comecei a ver tudo que tem aqui no nosso Mato Grosso”, comentou Sara Verônica, caloura do curso de Enfermagem. Ela diz que se encantou com as borboletas e plantas do acervo.

Museu de História Natural do Araguaia. Foto: Acervo MuHNA

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Natural de Diadema (SP), o calouro de Jornalismo Francisco Lucídio se surpreendeu com o acervo. “A última vez que visitei um museu foi a Pinacoteca, em São Paulo. Aqui no MuHNA vi animais que eu nem sabia que existiam no Brasil. Gostei muito da quantidade de espécies expostas. Me chamou a atenção também a parte das rochas, porque gosto de Geologia”, elogia. 

Gabriel Batista, aluno do curso de Engenharia de Alimentos, conta que já  visitou outro museu, mas que o  MuHNA foi a instituição  com mais diversidade. “Tem muitos bichos, muitos insetos. Gosto bastante dos invertebrados, principalmente os aracnídeos”, comenta. O estudante também destacou a experiência com realidade virtual.  “Foi a primeira vez que usei e gostei muito, principalmente por mostrar o nosso Cerrado”, diz.  As visitações contam com a mediação de bolsistas do museu e devem se repetir ao longo da semana.

Acesse o perfil do MuHNA no Instagram.

*Com informações Assessoria de Imprensa e Comunicação do MuHNA

Acre é o estado com a maior proporção de evangélicos do país, aponta Censo 2022

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Número de evangélicos cresce no Acre e estado tem maior proporção entre os estados do Brasil, diz IBGE — Foto: Felipe Freire/Secom

Os dados do Censo Demográfico 2022 sobre religião, divulgados no dia 6 de junho pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam que o Acre é o estado com a maior proporção de evangélicos do país, representando 44,38% da população com 10 anos ou mais — o equivalente a 303.599 pessoas.

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O estudo constatou que o estado acreano passou por uma significativa mudança no perfil religioso da população. Pela primeira vez, inclusive, os evangélicos aparecem como maioria no estado.

Nº de evangélicos cresce no AC e estado tem maior proporção entre os estados do Brasil, diz IBGE — Foto: Marcos Vicentti/Secom

No Censo 2010, o número era de 187.094 praticantes da religião evangélica dentro da faixa etária de 10 anos ou mais. O aumento foi de 62%. Já dentre toda a população, sem exclusão de nenhuma faixa etária, o número era ainda maior: mais de 239 mil.

Já o de católicos com 10 anos ou mais, no Censo 2010 era de 298.270. No novo estudo do IBGE, caiu 10%, totalizando agora 266.329 pessoas em 2022.

O Acre, portanto, segue a tendência nacional de redução da adesão ao catolicismo, embora em patamar ainda mais acentuado, já que a média nacional de católicos é de 56,75%, enquanto na região Norte é de 50,48%.

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Perfis de evangélicos e católicos no Acre

Dentre os 44,38% da população que é evangélica, a maior presença fica entre mulheres (23,71%) do que entre homens (20,67%), com predominância entre pessoas pardas (30,34%), seguido por brancas (9,02%).

O grupo etário com maior número de fiéis evangélicos está entre 30 e 39 anos (mais de 57 mil pessoas), seguido por quem tem 40 a 49 anos (mais de 49 mil) e 50 a 59 anos (mais de 31 mil). A população idosa (60 anos ou mais) evangélica soma mais de 30 mil pessoas.

Nº de evangélicos cresce no AC e estado tem maior proporção entre os estados do Brasil, diz IBGE — Foto: Felipe Freire/Secom

Entre os católicos, o maior público também está na faixa de 30 a 39 anos, com mais de 45 mil pessoas, seguido de 40 a 49 anos (mais de 42 mil) e 10 a 14 anos (mais de 36 mil).

Entre os idosos com 60 anos ou mais, os católicos ainda são maioria frente a outros grupos religiosos — única faixa etária onde isso ocorre. O quantitativo é de mais de 40 mil.

Do total de católicos, 20,14% são homens e 18,79% mulheres. A maioria é parda (26,02%), com menores percentuais entre brancos (8,08%), pretos (3,56%), indígenas (1,17%) e amarelos (0,11%).

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Outros grupos religiosos

Católicos representam 38,93% da população, diz IBGE — Foto: Renato Menezes/g1
  • Espíritas representam apenas 0,55% (3.791 pessoas) no estado;
  • Umbandistas somam 0,24% (1.626 pessoas);
  • As tradições indígenas, apesar da relevância cultural na região, foram declaradas por apenas 0,47% (3.188 pessoas), sendo quase todas de pessoas que se autodeclaram indígenas (0,44%);
  • Outras religiões reúnem 4,09% da população (28.004 pessoas).

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Sem religião: aumento significativo

O número de pessoas que não professam nenhuma religião também cresceu no Acre, atingindo 11,2% da população (76.608 pessoas) — acima da média nacional, que é de 9,28%. Em 2010, o número ultrapassava as 67 mil pessoas, um aumento de 13%.

Além disso, 96 pessoas (0,01%) disseram não saber qual sua religião e 871 (0,13%) preferiram não declarar.

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Por Renato Menezes, g1 AC — Rio Branco

Jovens Yanomami aprendem a usar drones para mapear território e ajudar na fiscalização da floresta

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Jovens Yanomami participaram da oficina na Terra Indígena Tabalascada, no Cantá — Foto: Samantha Rufino/g1 RR

Mapear e ajudar na fiscalização da maior terra indígena do Brasil, a Terra Yanomami. Esta é a nova missão de seis jovens indígenas do povo Yanomami e Y’ekwana que participaram do curso de operação de drones, na Terra Indígena Tabalascada, no Cantá, interior de Roraima.

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Os jovens indígenas têm apostado na tecnologia como uma das alternativas para atuar no monitoramento e proteção do território, ameaçado, principalmente, pelo garimpo ilegal.

A formação foi uma iniciativa da Hutukara Associação Yanomami (HAY), a mais representativa deste povo, que tem como presidente Davi Kopenawa, líder indígena reconhecido nacionalmente pela luta em defesa dos povos e do meio ambiente.

As etapas do curso incluem aulas práticas e teóricas. Para participar, os seis jovens saíram das suas comunidades, em Roraima e no Amazonas. Uma delas foi a jovem Tais Mainaa, da região do Missão Catrimani, em Roraima. Foi a primeira vez que ela saiu da terra indígena, onde nasceu.

Jovens Yanomami
Jovens mulheres Yanomami operam drone durante curso — Foto: Samantha Rufino/g1 RR

“Aprendi a fazer isso, mas quero aprender mais sobre o drone. Estou iniciando agora, mas estou gostando muito de aprender”, disse a jovem, na língua Yanomami.

Esta é a segunda turma a se formar pelo curso. A formação foi realizada pela HAY, com o apoio financeiro da agência oficial de ajuda humanitária da Igreja Católica na Inglaterra e no País de Gales (CAFOD) e a Size of Wales, uma organização de caridade que visa proteger florestas tropicais e conscientizar sobre a importância da proteção do ambiente natural.

Os jovens realizam o monitoramento com fotos georreferenciadas, que incluem dados de localização geográfica, e vídeos. Cidiclei Palimitheli, de 26 anos, da comunidade Palimiú, em Roraima, foi monitor da turma. Ele se formou no primeiro curso e agora auxilia os novos alunos.

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Jovens Yanomami
Tais Mainaa saiu pela primeira vez da Terra Yanomami para aprender a pilotar drone — Foto: Samantha Rufino

Cidiclei é de uma das comunidades mais afetadas por invasores. Em 2021, a região foi atacada a tiros por garimpeiros. O rio Uraricoera, que banha a comunidade, era usado pelos invasores para acessar as áreas de garimpo ilegal.

O cenário mudou após a instalação de um cabo de aço de uma ponta a outra no rio, em fevereiro de 2023, para impedir a entrada dos invasores. Agora, Cidiclei usa o drone para ajudar a fortalecer a vigilância.

“Eu aprendi para pensar no futuro, poder fazer denúncias e mandar para organizações [indígenas]. Aprendi a monitorar com drone e tirar foto, fazer vídeo para poder denunciar os invasores que estão entrando dentro do nosso território”, disse.

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Cidicley Yanomami foi monitor na turma de operadores de drone — Foto: Samantha Rufino/g1 RR

Gestão do território

Além de possíveis ameaças, os drones também podem ser usados para controle das roças das comunidades e mapeamento de áreas de difícil acesso. A Terra Yanomami é formada por vegetação de floresta e por serras.

O engenheiro agrônomo Giofan Erasmo Mandulão é quem ministra as aulas. Além de ensiná-los, o professor cadastra os alunos Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), obrigatório para operar drones no Brasil.

“O uso dessa tecnologia é para eles enxergarem de uma forma diferente, ter um contato diferente com a tecnologia e ver a terra indígena do alto, ter maiores áreas para cobrir de forma que eles consigam enxergar a áreas antes que eles não conseguiam acessar. Eles podem usar essa ferramenta para fazer o monitoramento territorial”, explicou.

Alunos durante oficina de drones — Foto: Ronny Alcântara/Rede Amazônica

As aulas foram ministradas na Terra Indígena Tabalascada, pois a vegetação se assemelha com a encontrada na Terra Yanomami, segundo ele. Mandulão também formou a primeira turma dos operadores.

Para Guilherme Kepropeteri Dias Yanomami, de 36 anos, da Região Ajuricaba no Amazonas, a ferramenta vai auxiliar a comunidade. Ele pretende repassar o que aprendeu para outros indígenas.

“Quando eu subi ele [drone] bem alto, eu consegui ver as margens de tudo que está aqui por perto, a estrada, as serras e o igarapé. A gente consegue localizar a distância das aldeias, podemos registrar, tirar foto. Isso eu vou passar para os parentes, para lideranças e para os jovens que atuam nas escolas”.

Ênio Yanomami, tesoureiro da Hutukara, enxerga as oficinas de drones como uma possibilidade de manter a vigilância do território, independente da presença de forças de segurança no território. A ideia é que futuramente os jovens operadores levem os drones e os mantenham nas comunidades.

Drones usados na oficina — Foto: Samantha Rufino/g1 RR

“Os não-indígenas chegam na comunidade, ajuda um pouquinho, depois vai embora. Então, o nosso objetivo era formar os jovens porque eles são permanentes. Muita gente não confia [nas denúncias] essas imagem são comprovantes para poder denunciar qualquer invasor. Sem essas tecnologias, como que a gente pode mostrar com prova?”.

O curso foi realizado entre os dias 26 a 30 de maio, em Boa Vista e no Cantá.

Terra Yanomami

Com 9,6 milhões de hectares, a Terra Yanomami é o maior território indígena do Brasil em extensão territorial. Localizado no Amazonas e em Roraima, o território abriga 31 mil indígenas, que vivem em 370 comunidades. O povo Yanomami é considerado de recente contato com a população não indígena e se divide em seis subgrupos de línguas da mesma família, designados como: Yanomam, Yanomamɨ, Sanöma, Ninam, Ỹaroamë e Yãnoma.

O território stá em emergência de saúde desde janeiro de 2023, quando o governo federal, a partir da posse de Lula (PT), começou a criar ações para atender os indígenas, como o envio de profissionais de saúde e cestas básicas. Além de enviar forças de segurança a região para frear a atuação de garimpeiros.

Por Samantha Rufino — g1, Boa Vista

Professor de química e fã de arraial cultiva milho no quintal de casa em Boa Vista: ‘É como uma terapia’

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Oliveira Santos de Souza, de 50 anos, é amante do arraial e de um dos alimentos mais tradicionais do festejo, o milho. Desde o começo deste ano, ele tem a própria plantação no quintal de casa — Foto: JG Grana/g1 RR

Quando chega a época da festa junina não podem faltar duas coisas: as tradicionais danças de quadrilha e o milho. Movido pela paixão por arraial e pelo alimento protagonista das comidas típicas do período que o professor de química Oliveira Santos de Souza, de 50 anos, decidiu fazer um milharal no quintal de casa, no bairro Aeroporto, zona Norte de Boa Vista.

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Oliveira é professor de química na rede estadual de ensino, mas, recentemente, tem se dedicado à agricultura nas horas vagas como forma de aliviar a rotina puxada das aulas. Apaixonado por tudo que o período junino representa, ele, que também é ex-dançarino de quadrilha, decidiu plantar milho no quintal de casa.

A ideia é colher até o dia 28 de junho, quando acontece o tradicional arraial da rua onde mora, reunindo os vizinhos para celebrar a data. Eles se reúnem desde 2021 na festa junina.

Professor de química e fã de arraial cultiva milho
Plantar milho se tornou a atividade favorita de Oliveira, ele fala que é como uma terapia — Foto: JG Grana/g1 RR

No ano passado, a ideia de produzir o próprio milho começou a ser “semeada”. Tudo iniciou quando ele ganhou alguns pés de milho de um sobrinho para ajudar na decoração do tradicional arraial da rua. Aos poucos, a ideia foi maturando e germinando — até que um vizinho começou a vender sementes e adubos para plantio. Foi então que, finalmente, a ideia pôde florescer.

Ele conta que usou os conhecimentos de química para fazer o plantio. Escolheu com cuidado a qualidade das sementes, os adubos e o método de cultivo. Depois, preparou o terreno e, no início de abril, plantou as sementes. Além do milho, também está cultivando macaxeira e feijão, e diz que a horta tem sido uma terapia.

“Essa foi a primeira experiência e estou gostando do resultado. É como uma terapia para mim. Se a patroa [esposa] deixar, quero usar o todo o terreno. Tenho planos de plantar também abóbora e batata doce. Porém o milho sempre vai ser o foco”, disse, orgulhoso das espigas que começaram a brotar.

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Tudo começou com um pequeno ornamento na frente de casa, agora é uma plantação no quintal de casa — Foto 1: JG Grana/g1 RR 

Alimento versátil, o milho pode virar pamonha, cuscuz, canjica, pode apenas ser cozido e, dependendo da espécie, até virar pipoca. E são essas várias possibilidades que encantam o professor.

“O milho é fascinante pela diversidade de coisas que dá para fazer, a utilidade é enorme. Eu amo o milho por causa disso, além de ser uma comida típica do arraial, que eu também amo”, destacou.

Animado com o resultado, ele planeja ampliar a plantação futuramente. “Não quero fazer isso para vendas, quero estar aqui plantando e comendo com meus colegas. Quem quiser e pedir sementes, milho e macaxeira pode vir, não tenho problema em dar. A única coisa que quero é plantar.”

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Segundo Oliveira, as espigas de milho já tem 60 dias plantadas, com cerca de 75 dias a 90 já podem ser colhidas — Foto: JG Grana/g1 RR

Ex-quadrilheiro, o professor disse que foi um dos fundadores da quadrilha “Explosão Caipira”. Segundo ele, com mais cinco amigos eles começaram fazendo quadrilhas em festas de igreja e em 2003 fundaram o grupo.

Nos anos de 2007 e 2008, o professor participava ativamente do Boa Vista Junina, mas depois que a filha nasceu em 2009 passou a prestigiar somente por meio das arquibancadas.

Por JG Grana*, g1 RR — Boa Vista

Programa Novas Rotas é implementado no Amapá com foco em turismo sustentável internacional

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Fortaleza de São José. Foto: Max Renê/Prefeitura de Macapá

A Embratur apresentou, no dia 5 de junho, os detalhes do Programa Novas Rotas, que deverá ser implementado no Amapá nos próximos meses. A proposta tem como objetivo promover o estado, colocando-o na rota do turismo internacional por meio de articulação institucional, capacitação técnica e promoção de experiências turísticas.

Em formato virtual, o encontro teve a participação das secretarias de Turismo e de Cultura do estado do Amapá. Dezesseis municípios amapaenses também foram representados na reunião preparatória para a execução do Novas Rotas.

O presidente da Embratur, Marcelo Freixo, destacou que “o Amapá é um tesouro ainda pouco conhecido pelos turistas estrangeiros e isso precisa mudar. A ideia é desenvolver o turismo com um olhar atento à valorização cultural, à conservação ambiental e ao fortalecimento da economia local”, destacou.

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O programa Novas Rotas foi criado pela Embratur como uma estratégia para descentralizar o turismo internacional no Brasil. A proposta é capacitar estados e municípios com potencial turístico ainda pouco explorado, oferecendo suporte técnico em três áreas estratégicas: sustentabilidade, inteligência de dados e inovação tecnológica.

Foto: Renato Vaz/Embratur

Capacitação

O programa prevê ainda uma capacitação presencial, conduzida por equipe técnica da Embratur, com foco em temas como comportamento dos turistas estrangeiros, práticas sustentáveis e análise de dados para identificar mercados emissores. Além disso, será lançada uma plataforma educacional online de ensino à distância, voltada a qualificação de empreendedores e gestores locais.

“Não se trata apenas de promover capitais. O programa foi pensado para incluir também municípios menores com vocação turística. Queremos prepará-los para receber visitantes com autenticidade e qualidade”, explicou Freixo.

Amapá na Sapucaí

Marcelo Freixo destacou ainda o momento de visibilidade que o Amapá viverá em 2026, com o enredo da Estação Primeira de Mangueira no Carnaval do Rio de Janeiro, que homenageará o amapaense Mestre Sacaca, símbolo da Amazônia Negra.

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“O Carnaval é uma das grandes vitrines culturais do mundo. O estado será tema de ensaios, reportagens e debates durante meses. É uma chance única de mostrar ao planeta a verdadeira riqueza do Amapá que consiste em seu povo, sua floresta e sua cultura”, afirmou.

Dados

De janeiro a abril deste ano, o Amapá recebeu 16.882 turistas estrangeiros, um aumento de 54,5% em relação ao mesmo período de 2024. Os principais países emissores foram França, Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Peru.

O encontro desta quinta-feira reuniu representantes do turismo amapaense. Esses gestores foram apontados como peças-chave para a implementação local do programa. Para Freixo, o sucesso do Novas Rotas depende, principalmente, do engajamento dos agentes locais.

“Nosso papel é oferecer ferramentas e suporte. Mas quem transforma o turismo de um território são as pessoas que vivem e conhecem esse lugar. O Amapá está pronto para o mundo, e o mundo precisa conhecer o Amapá”.

Lançado em abril deste ano, o Novas Rotas marca o início de uma série de ações em todo o país, incluindo capacitações em sustentabilidade, dados e inovação, voltadas para gestores públicos, empresários, operadores de turismo e demais atores do setor. “A ideia é mostrar ao mundo que o Brasil é muito mais do que seus cartões-postais tradicionais. Queremos revelar novas paisagens, culturas e experiências, de forma sustentável, inteligente e inovadora”, garante Marcelo Freixo.

*Com informações da Embratur

ACNUR assina acordo para iniciativa de reflorestamento e inclusão de refugiados na Amazônia

Foto: Marina Calderon/ACNUR

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e a ECCON Soluções Ambientais, empresa brasileira de consultoria ambiental e climática, assinaram acordo para estudo de viabilidade de projetos de reflorestamento no estado de Roraima.

Financiado pelo fundo internacional Refugee Environmental Protection (REP), a iniciativa vai identificar projetos com potencial de implementação por meio do mercado de carbono que favoreçam comunidades locais e de refugiados em terras degradadas, promovendo benefícios ambientais e sociais de longo prazo.

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Estado da Amazônia brasileira, Roraima registrou alta de mais de 120% do desmatamento entre 2021 e 2023, impactada por atividades de exploração insustentável da terra. Ao mesmo tempo, a região abriga uma população de mais de 12 mil refugiados e migrantes indígenas da Venezuela, incluindo os povos Warao, Pemon, Kariña, E’ñepa, Wayúu, muitos dos quais enfrentam barreiras para a inclusão econômica e integração local.

A parceria com a ECCON marca uma etapa decisiva para análise dessa iniciativa no Brasil, país posicionado para liderar o avanço de programas de soluções alinhadas com os marcos do Artigo 6.4 do Acordo de Paris, que estabelece um mecanismo internacional para fomentar projetos de redução de emissões com integridade ambiental e geração de créditos de carbono.

“O Brasil está em uma posição única para mostrar como projetos de carbono inclusivos e de alta integridade podem gerar resultados ambientais e sociais”, afirma Siddhartha Sinha, Chefe da Unidade de Financiamento Inovador do ACNUR. “Este estudo testará como a participação de refugiados e indígenas pode ser incorporada desde o início – e oferecerá um exemplo poderoso do tipo de solução climática que a liderança brasileira está reivindicando”, diz.

O estudo vai avaliar a viabilidade técnica, jurídica e social de iniciativas de reflorestamento baseadas em créditos de carbono em áreas que acolhem refugiados, com foco especial na integridade ambiental e nas salvaguardas comunitárias.

O trabalho incluirá o mapeamento de zonas degradadas, a identificação de metodologias viáveis e o engajamento direto com comunidades locais e indígenas para desenvolvimento de abordagens de repartição de benefícios que reflitam o uso tradicional da terra e as práticas culturais.

Yuri Rugai Marinho, sócio-diretor da ECCON Soluções Ambientais, destacou que a atuação com questões climáticas e projetos de carbono é complexa e exige atuação de profissionais e equipes experientes.

“Quando se adicionam os desafios únicos das populações de refugiados e áreas degradadas, a tarefa se torna ainda mais exigente. Não se trata apenas do potencial de carbono, mas de construir soluções que sejam ancoradas localmente, socialmente inclusivas e economicamente viáveis no longo prazo”, afirma Marinho.

Boa Vista, capital de Roraima. Foto: Reprodução/Prefeitura de Boa Vista

Como premissa do projeto, o enfrentamento aos desafios climáticos no Brasil exige analisar as fontes de degradação, as causas das emissões de gases de efeito estufa e os mecanismos disponíveis para promover a restauração e a conservação. O projeto vai além e busca ainda abordar um dos principais causadores do desmatamento: a falta de meios de subsistência sustentáveis.

“A restauração ambiental deve andar de mãos dadas com a inclusão social”, destaca Raquel Trabazo, Representante Adjunta do ACNUR no Brasil. Segundo ela, esta iniciativa abre a oportunidade de elaborar ações de reflorestamento que não apenas restaurem a Amazônia, mas também apoiem os direitos, os meios de subsistência e a dignidade de refugiados, povos indígenas e comunidades locais.

Em complemento, Marinho afirma que “regiões florestais normalmente não proporcionam uma renda digna para as populações locais, o que frequentemente leva ao desmatamento. O financiamento de carbono não é uma solução mágica, mas, se estruturado com integridade, pode mudar a lógica na prática”.

Para Maria Cecília Ferronato, gerente de Projetos da ECCON, essas iniciativas validam a importância do contexto local. “Além de analisar métodos viáveis para a geração de créditos de carbono, buscamos reconhecer e valorizar as realidades locais existentes, como as práticas de subsistência e o conhecimento tradicional e uso comunitário da terra. O objetivo é fortalecer e expandir essas práticas, gerando benefícios reais tanto para as pessoas quanto para o meio ambiente”.

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A assinatura do contrato entre ACNUR e ECCON ocorre no contexto de preparação para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (Conferência das Partes – COP), a ser realizada em Belém (PA), em novembro deste ano.

A COP30 representa um dos principais instrumentos da ONU para promover o diálogo e a tomada de decisões dos países em relação a questões planetárias. Uma das metas centrais deste ano é encontrar maneiras de se garantir ao menos 1,3 trilhão de dólares por ano para questões climáticas.

“A presidência da COP30 busca soluções climáticas práticas. A colaboração entre ACNUR e ECCON é certamente um forte exemplo disso”, destaca Marinho.

*Com informações da ACNUR