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Redes comunitárias fornecem sementes do Xingu para restauração ambiental

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Homem carregando saco de sementes. Foto: Reprodução/OTCA

Vera Oliveira, como toda amante da natureza, adora observar e ter contato com as plantas. Moradora de Nova Xavantina, Mato Grosso, essa ex-doméstica de 55 anos, encontrou, na coleta de frutos e sementes, não apenas uma forma de viver em contato com o meio ambiente, como também sua única fonte de renda.

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“Eu me criei na fazenda. Quando a gente era pequenininho, papai sempre ensinava o nome das árvores. Então eu já tinha um conhecimento da natureza e gostava muito de sair andando pelo mato”, conta Vera.

Há quase uma década, Vera começou a trabalhar junto com uma rede de coletores na região do Xingu, que, juntos, fornecem sementes para projetos de restauração florestal.

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Redes comunitárias fornecem sementes
Colheita de sementes em Porto Velho. Foto: Felipe Ribeiro/Prefeitura de Porto Velho

“Faço essas coletas dentro da cidade, na área urbana e área rural também, na beira de estrada. A gente vai até Pindaíba, que é uma cidade mais próxima, até perto de Água Boa, Campinápolis. E a gente coleta também nessas redondezas, nas fazendas”, conta.

Ela é uma das 700 pessoas que coletam para a Rede de Sementes do Xingu (RSX), rede que nasceu em 2004, a partir de uma campanha para restaurar as margens degradadas do rio Xingu, que nasce entre as serras do Roncador e Formosa, no Mato Grosso, e desemboca próximo à foz do rio Amazonas, no estado do Pará. Nesse trajeto, flui pelos biomas do Cerrado e da Amazônia.

“A Rede de Sementes do Xingu surge como resultado da busca por uma solução para cuidar da saúde do rio. O que a gente podia ser feito para cuidar da saúde do Rio? Plantar às margens e nas cabeceiras do rio. E para plantar, era preciso ter sementes”, conta Lia Domingues, da coordenação da rede.

Em 2007, a campanha, coordenada pelo Instituto Socioambiental (ISA), se transformou em uma rede de sementes que, com o passar do tempo, passou a fornecer esse material também para empresas, fazendeiros e instituições interessadas em realizar restaurações florestais.

Leia também: Estudo sobre sementes busca auxiliar restauração da Amazônia e do Cerrado

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Sementes. Foto: Ronaldo Rosa/VALE

A proposta da rede é fornecer insumos para restaurações realizadas a partir da semeadura de uma mistura de sementes de diferentes espécies, técnica conhecida como “muvuca de sementes”. Uma vez coletadas e entregues aos compradores interessados na restauração ambiental, as sementes misturadas são espalhadas pelo terreno a ser restaurado.

“O modelo de plantar com mudas, que é uma técnica possível de restauração ecológica, não apresentava bons resultados aqui na região. Então o pessoal começou a experimentar uma outra técnica, que é a semeadura direta de muvuca de sementes”, conta Lia.

O trabalho é feito ao longo de todo o ano. No início de cada ano, os coletores, que se estruturam em diferentes grupos, informam à coordenação da rede, qual é o potencial de coleta daquele ano, em relação tanto às espécies quanto à quantidade de sementes.

A rede então cria um catálogo de sementes disponíveis, que são repassados aos interessados nas restaurações ambientais. A partir das encomendas feitas pelas empresas, fazendeiros e outras instituições, os coletores passam alguns meses recolhendo as sementes.

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Restauração

Depois da coleta, essas sementes são separadas por espécie e, posteriormente, misturadas em lotes de muvucas, que estão prontas para serem dispersadas no solo.

“Esse plantio imita muito o processo natural do meio ambiente. As espécies nascem quando há um ambiente propício para isso. Não é como a muda que a gente coloca lá e acaba tendo uma grande mortalidade. [Na semeadura por muvuca], a gente joga todos os grupos funcionais de espécies e, conforme encontram o ambiente propício, vão crescendo no seu melhor momento”, explica a engenheira florestal e mestra em Ecologia e Conservação, Aline Ferragutti.

Sementes de açaí. Foto: divulgação

Aline trabalha como analista técnica do Redário, projeto do Instituto Socioambiental que articula 27 redes de sementes dos biomas da Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica, entre elas a RSX.

Ela explica que, como a mistura de sementes inclui espécies com diferentes formas e ciclos de vida, o processo de restauração por meio da muvuca simula uma regeneração que a própria natureza faria, de forma mais demorada, se tivesse oportunidade.

Fazem parte da mistura, por exemplo, espécies sazonais como o feijão-de-porco (Canavalia ensiformis), feijão-guandu (Cajanus cajan), abóbora (Cucurbita sp.), gergelim (Sesamum indicum) e girassol (Helianthus annus). A maioria dessas espécies nem sequer é nativa do Brasil, mas elas germinam mais rápido e servem para impedir a profusão de outras plantas que atrapalham o processo de restauração, como capins invasores africanos.

E, como são espécies de ciclo de vida curto, que dura alguns meses, elas não permanecerão na vegetação permanente. Uma vez finalizado seu ciclo de vida, seu material orgânico ajuda a adubar o solo, contribuindo para a germinação das sementes de espécies nativas, que também integram a muvuca de sementes e que permanecerão no local.

O que acontece em seguida é um processo de sucessão ecológica natural. As plantas que crescem primeiro criam um ambiente para que outras possam germinar e prosperar.

“Além da facilidade na implantação, da possibilidade de inserir espécie de diferentes ciclos de vida, como arbustos e ervas, na restauração e do grande número de plantas estabelecidas por área, uma das vantagens da semeadura é que, diferente do plantio de mudas, as espécies não são plantadas do mesmo tamanho no mesmo momento. Primeiro há a germinação da adubação verde, que fará a cobertura do solo e deixará ele mais rico para o estabelecimento das demais espécies, seguido das pioneiras e secundárias, conforme a sucessão ecológica.”, afirma Aline.

Empresas

Em 2024, as redes comercializaram, com a ajuda do Redário, 18,5 toneladas de sementes de 186 espécies. Mas nem todas as negociações com empresas restauradoras ocorrem através do Redário.

No ano passado, a RSX comercializou, de forma independente, uma quantidade considerável de suas sementes coletadas. No total, a rede forneceu 30 toneladas, ou seja, até mais que o próprio Redário.

Sementes diversas. Foto: Divulgação

Para as empresas, a compra de sementes dessas redes é uma forma eficaz e barata de fazer a restauração de áreas degradadas. Por meio de um projeto do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), chamado de Floresta Viva, a empresa de energia Energisa aproveitou para restaurar 700 hectares de vegetação nativa na região do Xingu.

“A gente tem uma atuação muito forte dentro da Amazônia e a gente direcionou o nosso foco para esse bioma. Apesar de a gente ter um negócio que dialoga muito com a transição energética, a gente sabe que existem impactos. A nossa existência [como pessoa] gera impacto, imagina um negócio. Então a ideia é mitigar aquilo que que está gerando impacto negativo”, afirma a coordenadora de Gestão da Sustentabilidade da empresa, Michelle Almeida.

Renda

Além de fornecer insumo para instituições interessadas na restauração ambiental, as redes de sementes têm um outro lado, a geração de renda para famílias de indígenas, quilombolas, agricultores familiares e até mesmo moradores de cidades, como é o caso da dona Vera, do início da nossa reportagem.

“Tem famílias hoje em dia que têm, na renda das sementes, a maior renda deles. Tem pessoas que conseguiram comprar carros. As indígenas falam muito que hoje elas conseguem usar óculos, porque elas conseguem na cidade comprar os seus óculos para ter conseguir trabalhar e viver melhor”, explica Aline.

Segundo Lia Domingues, a coleta de sementes não apenas gera renda para as comunidades, mas como impacta outras dimensões da vida dessas pessoas.

“A gente está fazendo um levantamento agora com as mulheres de como a rede de sementes cria redes de afeto e de amizade, elas aprendem muitas coisas novas, muitas delas desenvolvem qualidade de liderança, elas viajam, tem uma dimensão espiritual da coleta também, sobretudo dentro das comunidades indígenas. É bom para saúde mental delas”.

Dona Vera conta que hoje a coleta de sementes e frutos garante a segurança financeira de sua família.

“Quando eu parei de trabalhar como doméstica, minha filha achou que a gente ia passar fome. Com as sementes, eu consegui comprar uma bicicleta nova, depois uma moto e um carro. E também arrumei minha casa. Foi aí que minha filha passou a acreditar que a gente não ia mais passar fome”.

*Com informações da Agência Brasil

Empreendedora roraimense transforma cera de abelha em arte, negócio sustentável e até terapia

Artesã Jadiça Iris Alves trabalha com cera de abelha. Foto: Carlos Barroco/Rede Amazônica RR

Há mais de 20 anos, a empreendedora e artesã Jadiça Iris Alves encontrou na cera de abelha italiana uma maneira de empreender em Boa Vista (RR). Pioneira no uso do material, cria peças artesanais, entre elas flores, bijuterias e até licores, para garantir renda própria e até como terapia para encarar o luto da perda do marido. No ateliê, montado em casa, Jadiça mantém o negócio sustentável e inovador, o “Império do Mel”.

A artesã garante o sustento com a cera de abelha e lucra, em média, R$ 1.800 por mês. Os produtos chegam a clientes em Roraima e também em estados do Nordeste, incluindo Pernambuco e Maranhão.

O trabalho começa na cozinha de casa, com a cera sendo aquecida na panela. É o início da produção artesanal que Jadiça realiza há mais de duas décadas. O material vem do favo de mel, por isso é chamado de cera de abelha.

Leia também: Própolis de abelha nativa da Amazônia cicatriza feridas e reduz inflamação

Na panela, a cera é derretida e depois despejada sobre uma tábua para resfriamento. Ao raspar a superfície, surgem as placas de cera prontas para serem moldadas com ferramentas em diferentes formatos.

Arranjos feitos pela artesã Jadiça Iris Alves, em Boa Vista. Foto: Carlos Barroco/Rede Amazônica RR

Jadiça usa as placas para criar pétalas de rosa ou moldes em formato de folha, dependendo da peça que está fazendo. Após os retoques, a peça final vai para as prateleiras, onde estão reunidos outros produtos feitos com a mesma técnica. Há itens de diversos tamanhos e usos, além de licores produzidos a partir do mel de abelha.

“Tem os vasos decorados, tem os arranjos e tem também o licor de mel que eu faço, de sete ervas, gostam muito”, conta, explicando detalhadamente como é o processo criativo das peças.

“Tem que ir para o fogo em banho Maria para poder derreter a cera. Tem que derreter ela porque não pode botar diretamente na panela. Agora para ficar assim tem que aviolar [dar forma ou textura à cera]”, resumiu Jadiça.

Apoio emocional diante do luto

No ateliê, Jadiça produz velas, porta joias, brincos, ímã de geladeiras – uma infinidade de produtos. A cera de abelha, matéria-prima fundamental para os itens, ela adquire numa cooperativa do estado.

O trabalho, além de atrair clientes pela maneira como é feito, também a ajudou emocionalmente quando, há dois anos, o marido Aroldo Batista faleceu. Ele fazia uma cirurgia de ponte de safena no coração e não resistiu.

“Perdi meu marido e minha terapia foi mais o artesanato. É uma terapia muito grande, se não for esse, faço outro tipo de artesanato. Na época da Covid mesmo, na pandemia, trabalhei os dois anos direto em casa com artesanato e isso ajudou muito” , lembrou.

Juntos, o casal teve dois filhos e um casal de netos. O trabalho foi um dois pilares que a sustentou sã: “Ajudou muito, muito, muito”, frisou.

A psicóloga clínica Alessandra Augusto, que é pós-graduada em Terapia Cognitiva Comportamental e em Neuropsicopedagogia, explica que fazer trabalhos artísticos como os de Jadiça pode ser uma ferramenta terapêutica no luto, tendo em vista que proporciona uma maneira criativa e produtiva de lidar com o sofrimento e a perda.

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“O trauma nos cala. E o artesanato e a arte acaba falando, acaba sendo uma forma de você expressar essa fala. Ajuda a transformar essa dor, dando cor, fazendo essa criação. Então, é muito válido nas questões do trauma, para uma ressignificação. Principalmente na separação e no luto”, explicou.

Alessandra ainda acrescentou que esses trabalhos mais manuais funcionam como meditação ativa e ajudam pacientes que estão com estado de ansiedade, além de auxiliar na autoestima.

Jadiça no ateliê com as peças que produz a partir da cera de abelha. Foto: Carlos Barroco/Rede Amazônica RR

“Quando o paciente presencia a obra feita e finalizada se sente mais capaz, consegue entender a força, talento e esforço que tem e isso melhora muito a autoestima”, reforçou a psicóloga.

E trabalhar com a cera, para a Jadiça, é mais que artesanato: é uma maneira como ela consegue explorar a própria criatividade pôr em prática sempre novas ideias. “Penso em criar mais artes com a cera. É muito importante e é uma coisa diferente. É um trabalho inédito”.

Desafios do empreendedorismo feminino

O empreendedorismo feminino ainda enfrenta dificuldades para avançar. Isso porque elas ainda enfrentam desafios situações cotidianas ter jornadas triplas como obrigações diárias, tanto como empreendedoras, como mães, como donas de casa, conforme o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebre) em Roraima. Diante disso, a instituição oferta oferta o projeto “Sebrae Delas”, que é um programa específico para encarar as dificuldades e fazer com que mulheres saiam informalidade.

“É exclusivo para mulheres. Nós incentivamos o empreendedorismo feminino com mulheres já formalizadas e também com mulheres que já empreendem mas ainda não têm seu negócio formalizado. É um projeto que vem pra trazer capacitação, consultorias, acesso ao mercado, feiras e muitas outras soluções do empreendedorismo para essas mulheres”, explicou Kamyla Brasil, Gestora do projeto Sebrae Delas.

*Por Carlos Barroco e Rânia Barros, da Rede Amazônica RR

‘Concerto de Quintal’: documentário de Rondônia é selecionado para festival internacional

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Documentário Concerto de Quintal. Foto: Divulgação

O documentário Concerto de Quintal, produzido em Rondônia, foi um dos selecionados para a 17ª edição do Festival Internacional do Documentário Musical (In-Edit Brasil), que acontece entre os dias 11 e 22 de junho, em São Paulo.

A produção teve sua primeira exibição gratuita no dia 16 de abril, no Mercado Cultural de Porto Velho. O filme nasceu a partir de uma pesquisa aprofundada sobre a música produzida na capital rondoniense, destacando suas influências, transformações e a construção da identidade sonora local ao longo do tempo.

Leia também: Boto, Matinta Perera e Curupira: conheça documentário sobre lendas amazônicas produzido em Rondônia

Ao Grupo Rede Amazônica, o diretor do filme, Juraci Júnior, informou que é a primeira vez que vai participar de um festival. A história se constrói a partir de uma paixão pela memória musical da cidade e do desejo de preservar e valorizar o patrimônio cultural local.

“O que nos motivou a contar a história da música de Porto Velho é o fato de que nós sempre olharmos com muito carinho e afeto para a memória da cidade. E a música tem um papel importantíssimo, ela pauta gerações, ela conta histórias, ela apresenta a cidade no decorrer dos anos, das décadas e de uma maneira artística”, disse.

De acordo com Juraci, o filme se aprofunda graças ao acervo raro guardado pela família do músico Silvio Santos, o Zé Katraca. Silvinho, seu filho, preservou fitas cassete com gravações inéditas, que mostram a riqueza cultural da região. O documentário acompanha Silvinho buscando se reconectar com a memória do pai.

“Ele ganha um corpo mais robusto com o acervo de fitas cassete do Silvinho Santos, filho do Silvio, com composições inéditas e encontros dos anos 80 e 90. O filme parte dessa memória de um filho que busca se reconectar com o pai pela música”.

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Festival In-Edit Brasil

O In-Edit Brasil é um festival internacional de documentários musicais que tem como objetivo valorizar e divulgar produções audiovisuais com a música como tema central. Criado em 2003, em Barcelona (Espanha), o festival chegou ao Brasil em 2009 e, desde então, se consolidou como uma das principais vitrines do gênero no país.

Nesta 17ª edição, o Panorama Brasileiro apresenta estreias e filmes inéditos em cinco mostras diferentes. Entre os destaques, estão documentários sobre artistas como Cazuza, Leci Brandão, Letieres Leite, Julio Reny, Aldo Bueno, Hyldon, Ave Sangria e Azulão. A programação também inclui produções dedicadas a nomes cultuados da música brasileira, como Júpiter Maçã, Cachorro Grande, Maria Alcina e Toquinho.

*Por Amanda Oliveira, da Rede Amazônica RO

Phelippe Daou Júnior: a trajetória de um empresário das comunicações na Amazônia

Phelippe Daou Júnior, CEO do Grupo Rede Amazônica. Foto: Reprodução/LinkedIn

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br

A trajetória do empresário das comunicações Phelippe Daou Júnior é reveladora de seus múltiplos compromissos com a vida e com a Amazônia, ancorado no trabalho por dias melhores trazendo consigo a experiência acumulada nos ensinamentos de seu pai.

Nasceu em São Paulo, Estado de São Paulo, no dia 31 de maio de 1965, é filho do também empresário das comunicações jornalista Phelippe Daou e da senhora Magdalena Arce Daou. Trilhou os primeiros caminhos do conhecimento no Jardim da Infância Adalberto Valle, tendo continuado os estudos no Colégio Militar de Manaus, logo transferindo-se para São Paulo, onde formou-se em Engenharia Eletrônica, pela Escola de Engenharia Mauá, com ênfase na área de Telecomunicações.

Ainda nesta trajetória participou dos cursos em Telefonia, Engenharia de Programas, Sistemas de Comunicação de Dados, Codificação e Tecnologia da Informação e Engenharia de Software.

Sua determinação em busca da conquista do conhecimento já estava presente em sua vida desde a adolescência, destacando-se sempre com boas notas. Assim, graduou-se também, no curso do Programa de Direção Estratégica de Tecnologia da Informação, na Escola de Administração de Empresas, de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas, concluiu MBA em Gestão Financeira e Estratégias Corporativas na mesma Instituição. 

Formatura no Jardim da Infância. Foto: Acervo de família

Phelippe Daou Júnior compreendeu os ensinamentos de seus pais do poder de transformação conquistado através do saber, do triunfo e da vontade de vencer. Sua vida é alicerçada na crença de que o maior patrimônio que poderia legar aos seus filhos é o conhecimento. Jovem e empreendedor defende a convicção de que o homem é o mestre de seu próprio destino, o grande homem olha o mundo e percebe que há nele a presença de algo que o desafia a uma nova missão.

A história da ocupação do espaço amazônico está ligada a certos aspectos e ao crescimento demográfico resultante do “rush” do látex. Foi um período importante no processo econômico e social como expressão de soberania da Amazônia, na produção da goma elástica. Hoje podemos destacar que as comunicações são, sem dúvida, um lugar comum na história econômica do território amazônico. 

Phelippe Daou Junior aos 3 anos de idade. Foto: Acervo de família

Com mais de três décadas de trabalho no Grupo Rede Amazônica, Phelippe Daou Júnior contribuiu efetivamente para a implantação da expansão das emissoras de rádio e televisão pertencente ao Grupo, em especial na ativação da TV Cruzeiro do Sul (AC), da Rádio Amapá FM (AP), da Sucursal de Brasília (DF) e do Amazon Sat em 1992. Participou efetivamente na reestruturação técnica e administrativa da TV Acre em 1995, o mesmo ocorrendo com a TV Roraima em 1996. Sua dedicação e trabalho, na busca de dias melhores foi escolhido para gerenciar a ‘Serviços de Comunicação da Amazônia’ (SCAM), empresa a época responsável pela prestação de serviços de internet, paging e trunking.

É nesse ambiente de efervescência econômica e das comunicações que sai na frente na implantação de uma das maiores ferramentas de comunicação via internet da Amazônia, implantando efetivamente o Portal Amazônia, hoje com milhares de acessos e com grandes nomes de intelectuais que semanalmente postam seus textos no Portal Amazônia.

Também foi o responsável pela reestruturação técnico-administrativa do Centro de Documentação da Amazônia (CEDAM), então departamento que era responsável pela gestão e armazenamento de todo conteúdo produzido pelo Grupo Rede Amazônica, e da antiga Amazon Video Graphics (AVG). 

Phelippe Daou Júnior com a professora no Colégio Adalberto Valle. Foto: Acervo de família

É neste contexto, que o empresário Phelippe Daou Júnior já contribuiu de forma notável e empreendedora como CEO do canal de televisão Amazon Sat, empresa produtora e distribuidora de conteúdos sobre a região amazônica, cuja proposta de valor é ser “A Cara e a Voz da Amazônia e do Amazônida”, bem como hoje ainda é visionário e sonhador.

Phelippe Daou Júnior é um empreendedor preocupado com a ocupação das comunicações da Amazônia e agora encontra-se atuando em quase toda Amazônia legal. 

Phelippe Daou Júnior, Magdalena Arce Daou e Phelippe Daou. Foto: Acervo de família

Phelippe Daou Júnior sempre se destacou pelo seu perfil intelectual multifacetado como administrador no ramo das comunicações.

Atualmente dedica seu tempo efetivamente como CEO do Grupo Rede Amazônica, a maior empresa de comunicação da Amazônia, cuja proposta de valor é defender a Amazônia e os Amazônidas, um legado compromisso defendido e deixado pelo seu pai, o jornalista Phelippe Daou.

Aniversário de 5 anos, Phelippe Daou Júnior e Cláudia Daou. Foto: Acervo de família

Fruto do seu esforço e dedicação à Amazônia, seu trabalho tem merecido a atenção de entidades e instituições dedicadas à cultura, valendo-lhe o reconhecimento, já recebeu, entre tantas, as seguintes homenagens: 

  • Comenda da Ordem do Mérito Comercial da Amazônia no Grau de Oficial.
  • Medalha do Mérito Empresarial – J. G. Araújo.
  • Medalha do Mérito Cultural Péricles de Moraes da Academia Amazonense de Letras.
  • Medalha Amigo da Marinha.
  • Medalha Almirante Tamandaré – Ministério da Marinha.
  • Medalha do Mérito Senador Bernardo Cabral da Associação de Delegados de Polícia do Estado do Amazonas.
  • Medalha Grandes Amazônidas da Associação PanAmazônia.
  • Medalha do Prêmio Samuel Benchimol.
  • Medalha do Mérito dos Lojistas – CDL Manaus.
Phelippe Daou Júnior, aluno Coronel do Colégio Militar de Manaus. Foto: Acervo de família
  • Reconhecimento Honoris Causa – Humanitare das Nações Unidas.
  • Mérito Cultural do Conselho Municipal de Cultura.
  • Mérito Cultural da Assembleia Legislativa do Amazonas.
  • Diploma de Reconhecimento por Serviços Prestados ao Estado do Acre – Governo do Estado do Acre.
  • Mérito Cultural da Câmara Municipal do Macapá.
  • Mérito Cultural da Câmara Municipal de Rondônia.
  • Mérito Cultural na Comunicação Científica, tecnológica e inovadora na Amazônia – INPA.
  • Mérito Cultural FUCAPI.
  • Mérito Ambiental do Instituto Brasileiro de Defesa da Amazônia.
  • Medalha Amigo da Marinha – Comando do 9° Distrito Naval.
  • Moção de Louvor e Reconhecimento da Câmara Municipal de Rio Branco – Acre.
  • Diploma amigo do CMA.
  • Título de Cidadão de Rio Branco – Acre (cidadania Riobranquence).
  • Diploma e Medalha Exército Brasileiro Ação destacada em prol do interesse do Exército Brasileiro.
  • Placa do Reconhecimento Maçônico da Grande Benemérita Loja Simbólica União e Perseverança do Oriente de Rondônia.
  • Placa de Moção de Aplausos pela colaboração, parceria e reconhecimento aos relevantes trabalhos realizados na área de comunicação, bem como em prol da Maçonaria Rondoniense e Universal do Grande Oriente do Brasil – Rondônia.
  • Medalha e Diploma Tiradentes da Polícia Militar do Estado do Amazonas.
  • Grande Loja Maçônica do Estado de Rondônia. Comenda Jorge Teixeira de Oliveira.
  • Diploma amigo do Colégio Militar de Manaus.
  • Diploma da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Amazonas.
  • Título de Cidadão Itacoatiarense, Itacoatiara – Amazonas.
  • Título Notável Saber Concedido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas – CIESA.
  • Certificado de Honra ao Mérito Concedido pela Câmara Municipal de Manaus por Relevantes Serviços Prestados a Cidade.
  • Ordem do Mérito da Jaqueira.
  • Ordem do Mérito do Trabalho Getúlio Vargas – Comenda no Grau de Oficial.
  • Medalha do Centenário da Academia Amazonense de Letras.

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Amazonas: carências e vulnerabilidade de ontem e de hoje

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Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

“O Amazonas enfrenta grandes desafios a partir da necessidade de criação de uma estrutura nos municípios que faça com que quem lá habite tenha orgulho de estar lá, quem esteja lá não sinta a necessidade de migrar para a capital do Estado a fim de poder oferecer a seus filhos ensino médio de qualidade moldado na inclusão digital, infraestrutura de conectividade que, acima de tudo, aproxima as pessoas, muda a realidade e proporciona bem estar. Imagine-se se tivéssemos uma estrutura de conectividade de excelência, em que o cidadão pudesse ter acesso expedito a serviços de telessaúde; em que um adolescente, cursando, no interior, o ensino médio que lhe permitisse acesso a módulos de preparação para o sistema de avaliação da Universidade Estadual ou Federal. Certamente, em tais circunstâncias, o êxodo rural em direção a Manaus não teria a expressão demográfica de hoje, resultando na superpopulação da cidade a pressionar serviços de educação, saúde pública, saneamento básico, infraestrutura viária, transporte, etc”.

Estas preocupações foram manifestadas pelo vice-governador do Amazonas, Tadeu de Souza, em entrevista recente à rádio BandNews, quando esboçou realístico quadro conjuntural político, social e econômico do Estado. Para ele, o grande desafio da classe política é fazer com que haja uma estrutura mínima no interior do Estado, observando: “não se vive sem o arranjo econômico industrial criado há mais de cinco décadas (a Zona Franca de Manaus), que ora demanda diversificação por meio de outros veios, de alternativas complementares e integrantes voltadas ao fortalecimento do interior e da própria economia do Estado”. Se o Amazonas tivesse em operação o Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE), por exemplo, na região do Purus e do Madeira, certamente conseguiríamos diminuir o arco do desmatamento e potencializar as vocações naturais da região por meio de atividades agropecuárias, da piscicultura, da mineração, do turismo ecológico ou do manejo florestal sustentável, ressaltou.

O vice-governador amazonense propõe a definição de regras técnicas a partir da regularização fundiária e da estrutura de fiscalização ambiental que respeite a necessidade de expansão das atividades rurais por meio da legalização das propriedades e de programas de crédito especializado. Enquanto isso, afirma, “devido a essas carências, convivemos com um setor primário bastante limitado dependente de políticas públicas ajustadas à conjuntura que nos ajudaria a sair dessa perplexidade, que é comprar fécula de mandioca do Pará; proteína de peixe de Rondônia e de Roraima ou cheiro verde, numa determinada época vindo do Nordeste”.

Tadeu de Souza observa cotidianamente, por outro lado, “esforço da Secretaria de Meio Ambiente e da Sedecti trabalhando para vencer esses desafios, sem, contudo, contar com espaço fiscal, orçamentário, visto tratar-se de políticas públicas muito dispendiosas”. Enquanto isso, “o Estado consome orçamento com demandas políticas algumas vezes desconectadas da necessidade de melhorar a vida das populações interioranas”. Além do mais, inserida numa realidade latente em todo o país, grave e crescente proliferação de organizações criminosas a contaminar setores estratégicos.

Dos 27 estados da federação, o Amazonas depara-se com uma particularidade importante: faz fronteira com os três únicos países do mundo produtores de drogas, os países andinos, de onde provêm 75% de toda a cocaína e maconha que chega à Europa, à Ásia e aos Estados Unidos por meio das hidrovias amazonenses. Portanto, ressalta, “o arranjo de segurança pública, as forças domésticas, não são suficientes para o efetivo combate do tráfico e assim precisa urgentemente ser socorrido pelo governo Federal por meio de uma estratégia nacional de segurança pública”. Há áreas no Brasil em que o crime nunca antes chegou a dominar, como a área financeira, as fintechs, hoje, porém, seriamente contaminadas por organizações criminosas”, ressalta.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Governo do Peru anuncia criação de área protegida em floresta de Putumayo

Foto: Divulgação/Agência Andina

O Governo peruano emitiu o Decreto Supremo nº 010-2025-MINAM estabelecendo a Área de Conservação Regional (ACR) do Médio Putumayo Algodón, localizada na província de Putumayo, região de Loreto, na Amazônia peruana, no dia 6 de junho. Nesse sentido, o Ministério do Meio Ambiente (MINAM) destacou que a iniciativa foi promovida pelo Governo Regional de Loreto e contou com o apoio técnico do Serviço Nacional de Áreas Naturais Protegidas (Sernanp), refletindo o trabalho colaborativo entre ambos os níveis de governo.

Com esta designação, Loreto adiciona sua quinta área de conservação regional e, junto com Cusco, consolida sua posição como uma das regiões com maior número de ACRs no país, demonstrando um forte compromisso com a proteção da biodiversidade, do conhecimento ancestral e dos meios de subsistência sustentáveis. O processo foi acompanhado de uma consulta prévia realizada entre junho e outubro de 2023, que envolveu 16 comunidades nativas dos povos Bora, Murui-Muinani, Ocaina, Kichwa, Maijuna, Yagua, Kukama e Secoya.

Leia também: Entenda a diferença entre Amazônia Legal, Internacional e Região Norte

O Ministério do Desenvolvimento Nacional e Meio Ambiente (MINAM) destacou que durante a Etapa de Diálogo, realizada em San Antonio del Estrecho, foram alcançados acordos históricos sobre a delimitação, zoneamento e cogestão da área, estabelecendo a inclusão de representantes indígenas no futuro Comitê Gestor.

ACR Médio Putumayo Algodón

Este ACR protege um extenso mosaico de florestas e também serve como um elo estratégico no Corredor de Conservação do Putumayo, uma paisagem transfronteiriça de mais de 3,5 milhões de hectares que conecta áreas protegidas no Peru, Equador e Colômbia.

Este corredor fortalece a resiliência às mudanças climáticas e garante a mobilidade de espécies emblemáticas como a onça-pintada, a ariranha, o peixe-boi da Amazônia e o gavião-real.

Leia também: Portal Amazônia responde: qual a porcentagem que os países da Amazônia Internacional possuem do bioma?

Foto: Divulgação/Agência Andina

O novo zoneamento respeita as atividades tradicionais das comunidades (pesca, caça de subsistência, coleta e silvicultura), que serão regulamentadas por meio de planos de gestão comunitária e monitoramento participativo, garantindo a sustentabilidade dos recursos. Da mesma forma, abre-se a possibilidade de implementar mecanismos de compensação por serviços ecossistêmicos e projetos de bionegócios, aumentando a renda direta das famílias locais.

Por fim, o Ministério do Meio Ambiente e Recursos Naturais (MINAM) indicou que, com esta medida, o Peru caminha para atingir a meta 30×30, que busca conservar pelo menos 30% dos ecossistemas terrestres do planeta até 2030. Loreto, mais uma vez, está na vanguarda.

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Números do ACR Medio Putumayo Algodón:

  • Área protegida: 283.594,76 ha (equivalente ao dobro da área da cidade de Lima)
  • Corredor Putumayo: mais de 3,5 milhões de hectares conectados entre Peru, Equador e Colômbia
  • Fauna em destaque: lobo-de-rio, peixe-boi-da-amazônia, onça-pintada, gavião-real
  • Processo participativo: 9 oficinas informativas e 1 encontro de diálogo com 16 comunidades nativas
  • Loreto e Cusco: regiões líderes em áreas de conservação regional no país.

*Com informações da Agência Andina

Amapá, Pará, Tocantins e Mato Grosso tem potencial para pesquisa de espécies em cavernas

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Caverna na Amazônia. Foto: Felipe Borges

Buscando revelar as espécies que compõe a as riquezas subterrâneas do Brasil, pesquisadores desenvolveram um mapa de áreas prioritárias para realização de inventários de morcegos, peixes e invertebrados restritos aos ambientes cavernícolas. A iniciativa faz parte do Plano de Ação Nacional para Conservação do Patrimônio Espeleológico Brasileiro (PAN Cavernas do Brasil) e está relacionada a um outro trabalho, que identificou quais regiões no país possuem potencial para descoberta de novas cavernas.

Entre os estados da Amazônia citados no estudo estão o Pará, o Amapá, o Tocantins e o Mato Grosso.

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“Neste estudo, foram consideradas as lacunas de inventário biológico, ou seja, as regiões onde a informação sobre a presença de espécies é escassa ou inexistente. Para identificar essas áreas, mapeou-se os locais onde já existem registros e, em seguida, comparou-se esses dados com a área total de estudo e identificamos as regiões que ainda não foram amostradas. Este trabalho partiu de duas fontes de informação principais: as áreas prioritárias para prospecção espeleológica e a lista de espécies ameaçadas contempladas no PAN Cavernas do Brasil”, afirmou o analista ambiental do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas e um dos autores desse projeto, Tiago Silva.

Essa ação também contou com a participação do professor do Departamento de Zoologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Enrico Bernard, e do professor do Centro de Estudos de Biologia Subterrânea da Universidade Federal de Lavras (UFLA),Rodrigo Lopes Ferreira. Acesse o relatório AQUI.

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Resultados atingidos

Entre as informações, foi identificada uma maior concentração de registros de invertebrados no quadrilátero ferrífero em Minas Gerais, estendendo-se na direção norte, passando pela região do vale do rio Peruaçu, até o sudoeste da Bahia. A região de Carajás, no Pará, o Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR) e a região de divisa de São Paulo com Paraná são outros núcleos que se sobressaem.

Foto: Diego Bento

Em relação aos peixes, foi identificada maior ocorrência em três núcleos principais: na região central da Bahia, no sudoeste da Bahia e na região do vale do rio Peruaçu.

Já as regiões que mais se destacam em densidade de pontos de ocorrência de morcegos são: vale do rio Peruaçu, no norte de Minas Gerais, na região central de Minas Gerais e na região do PETAR em São Paulo.

Tiago Silva explica que “de maneira geral observa-se que há uma grande concentração de registros de ocorrência no eixo São Paulo, Minas Gerais e Bahia. Mas, principalmente em Minas Gerais, o que pode ser explicado pelo alto número de cavernas cadastradas (mais de 10mil). O Outro motivo para o resultado é a tendência de concentração de esforço amostral em áreas que têm acesso mais fácil por rodovias e estão mais próximas dos grandes núcleos acadêmicos das regiões sudeste e sul.

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O mapa resultante desta ação deve ser utilizado como balizador para planejamentos de inventários em escala regional. Além disso, é imprescindível que outras camadas com informações geológicas, geomorfológicas e espeleológicas sejam usadas como subsídios a um planejamento de inventários biológicos em ambientes subterrâneo em escala local.

*Com informações do ICMBio

Livro ‘Saudades do Meu Gato Dom’ é reconhecido como referência na literatura do Tocantins

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Livro ‘Saudades do Meu Gato Dom’. Foto: Divulgação

A Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT) teve sua produção acadêmica e literária reconhecida em uma importante ação de valorização cultural promovida pelo Governo do Estado do Tocantins e pela Secretaria da Cultura.

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No fim do mês de maio, as instituições divulgaram, por meio dos canais oficiais no Instagram, uma lista com sete obras consideradas essenciais para conhecer e se apaixonar pela literatura tocantinense. Entre os títulos selecionados está Saudades do Meu Gato Dom, de autoria do professor Francisco Neto Pereira Pinto, docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Linguística e Literatura da UFNT.

O livro do professor Francisco Neto, que já havia alcançado notoriedade nacional ao figurar, em março de 2025, entre os 10 e-books mais vendidos da Amazon na categoria Fantasia para Jovens e Adolescentes, representa o alcance e a relevância da literatura produzida a partir da universidade pública tocantinense.

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Saudades do Meu Gato Dom

Saudades do Meu Gato Dom
Livro ‘Saudades do Meu Gato Dom’. Foto: Divulgação

Saudades do Meu Gato Dom é um conto testemunho baseado em uma história real. Na obra, o autor narra com sensibilidade e profundidade a trajetória de Dom, um gato de rua adotado por sua família. A transformação do animal — de agressivo e desconfiado a afetuoso e companheiro — comove leitores ao retratar temas universais como o amor, a perda e o luto. A narrativa, construída a partir da convivência e da despedida precoce do animal, destaca-se pelo tom emotivo e pela capacidade de tocar leitores de todas as idades.

A seleção da obra pelo Governo do Tocantins como leitura indispensável, além de dar maior visibilidade a obra do professor Francisco Neto, também valoriza o papel da UFNT como protagonista na formação de escritores, pesquisadores, leitores críticos e com a promoção da cultura, da memória e da identidade tocantinense por meio da literatura.

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Lagos Sentinelas da Amazônia: projeto investe no monitoramento e diagnóstico socioambiental

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Foto: Bianca Darski

Uma reunião realizada na sede do Instituto Mamirauá, em Tefé (AM), no dia 21 de maio, marcou a abertura local do projeto ‘Lagos Sentinelas da Amazônia: Centro Transdisciplinar para Compreensão das Dinâmicas Socioambientais e das Águas Amazônicas sob Mudanças Climáticas’. A iniciativa reúne pesquisadores, gestores públicos e comunidades ribeirinhas com o objetivo de compreender e monitorar, de forma colaborativa, os impactos das mudanças climáticas nos lagos da Amazônia Central e possíveis soluções, especialmente para comunidades que vivem no entorno.

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Coordenado pelo pesquisador do Instituto Mamirauá, Ayan Fleischmann, o projeto é financiado pela chamada CNPq/MCTI/FNDCT nº 19/2024 – Pró-Amazônia e conta com a participação de 15 instituições nacionais e internacionais.

A iniciativa nasce diante de um cenário alarmante: secas históricas, como a de 2023, com temperaturas no Lago Tefé superiores a 40°C, e a morte de mais de 300 botos nos lagos Tefé e Coari, além de inúmeros impactos às populações ribeirinhas cujo modo de vida depende de lagos saudáveis. Tais eventos expõem a vulnerabilidade dos ecossistemas aquáticos amazônicos frente às mudanças climáticas.

“O projeto propõe um novo modelo de pesquisa baseado na cooperação entre cientistas e comunidades ribeirinhas, respeitando o conhecimento tradicional e unindo esforços para gerar dados confiáveis sobre os desafios que enfrentamos”, afirma Ayan Fleischmann, líder do Grupo de Pesquisa em Geociências e Dinâmicas Ambientais do Instituto Mamirauá e coordenador geral do projeto Lagos Sentinelas da Amazônia. “Queremos que os lagos se tornem verdadeiros sentinelas da Amazônia, capazes de indicar mudanças ambientais e sociais em tempo real. Para isso, precisamos da ciência aliada ao saber local”, reforça.

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A reunião contou ainda com a participação ativa de diversas instituições locais, reforçando o caráter intersetorial e colaborativo da iniciativa. Estiveram presentes representantes da Defesa Civil de Tefé, das secretarias municipais de Meio Ambiente e Conservação (Semmac), Saúde (Semsa), Produção, Abastecimento e Pesca de Alvarães, e da Secretaria de Inovação, Tecnologia, Ciência e Desenvolvimento Econômico (Sedecti), além de integrantes da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), do Instituto Federal do Amazonas (Ifam), da Fametro Unidade Tefé, da Colônia de Pescadores Z4 e da Associação de Produtores Agroextrativistas da Flona de Tefé e Entorno (APAFE). A diversidade de atores presentes evidencia o compromisso coletivo com a preservação dos recursos hídricos e com o fortalecimento das ações locais frente aos desafios impostos pelas mudanças climáticas.

O envolvimento direto das comunidades é um dos pilares da iniciativa. Adrimar dos Santos Vidal, presidente da Associação de Produtores Agroextrativistas da Floresta Nacional de Tefé e Entorno (APAFE), destacou a relevância prática do projeto para os moradores da região.

“Esse projeto eu acredito que vem buscar melhorias pras comunidades nas questões das mudanças climáticas que vêm acontecendo nesses dois anos aqui na Floresta Nacional de Tefé, na região do lago, que as pessoas utilizam pra vir pra cidade, pra vender sua produção e também comprar seus alimentos pra levar pra comunidade. (…) Às vezes, nem a associação, nem as comunidades têm esse conhecimento de como está a água que elas usam, se está bem tratada ou não”, afirmou. Adrimar também ressaltou a expectativa de que a associação possa contribuir acompanhando os pesquisadores em campo, promovendo melhorias reais para as comunidades e para as futuras gerações.

Monitoramento em cinco lagos estratégicos da Amazônia

Será realizado o diagnóstico socioambiental e o monitoramento das águas de cinco lagos de alta relevância socioeconômica ao longo do Rio Solimões-Amazonas. O monitoramento de cada lago conta com a supervisão de uma instituição local:

  • Lago Tefé (coordenado pela equipe do Instituto Mamirauá)
  • Lago Coari (coordenado pela equipe da UFAM – Coari)
  • Lago Janauacá (coordenado pela equipe do Inpa)
  • Lago de Serpa (coordenado pela equipe da UFAM – Itacoatiara)
  • Lago Grande de Monte Alegre (coordenado pela equipe da UFOPA)

Esses sistemas aquáticos foram escolhidos por representarem diferentes contextos ambientais e de pressões antrópicas ao longo de mais de 1.400 km da Bacia Amazônica. O projeto combina monitoramento remoto via satélite com coletas mensais in loco e oficinas participativas com as comunidades. As ações incluem avaliação da qualidade e da dinâmica das águas, diagnóstico do saneamento básico, identificação de impactos sociais e culturais das mudanças ambientais e cocriação de soluções para os desafios identificados.

Foto: Bianca Darski

Protocolo de monitoramento com engajamento comunitário

Um dos principais resultados esperados é a criação de um Protocolo de Monitoramento Ambiental com Engajamento Comunitário para Lagos Amazônicos. Esse protocolo será construído com base em metodologias participativas e visa a fortalecer a capacidade das comunidades locais em lidar com eventos extremos e mudanças no regime hidrológico.

Além da geração de dados inéditos sobre a qualidade e a dinâmica das águas, o projeto visa fortalecer as instituições científicas locais, promover intercâmbios com universidades estrangeiras e capacitar moradores das comunidades ribeirinhas.

Caio Florindo, professor da Universidade Estadual do Amazonas (UEA), campus Tefé, destacou o potencial de integração entre ciência local e o projeto. “Conversamos sobre as possíveis contribuições que a nossa instituição pode trazer a esse projeto. A universidade tem dois projetos envolvendo qualidade de água, em poços artesianos e no Lago de Tefé. Nossos bolsistas podem ajudar na coleta e análise de parâmetros de caracterização de água do lago e dos poços artesianos, e podemos até ver alguma relação entre essas fontes, porque, provavelmente, estamos embaixo do mesmo aquífero”, explicou. “Isso seria interessante, por isso é muito importante essa colaboração entre instituições de pesquisa em nível local.”

Participam da iniciativa instituições como o Inpa, Ufam, Ufopa, UnB, Instituto Tecnológico Vale, Serviço Geológico do Brasil, universidades internacionais como a University of California Santa Barbara, Bangor University e o Cary Institute, entre outros parceiros.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Instituto Mamirauá

Amazônia deve enfrentar mais secas com previsão de aumento da temperatura média global nos próximos 5 anos

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Foto: Cimone Barros/INPA

A Organização Meteorológica Mundial (WMO, na sigla em inglês) prevê que as temperaturas médias globais se mantenham próximas ou atinjam novos recordes nos próximos cinco anos, ultrapassando as marcas alcançadas em 2024, o ano mais quente já registrado em 175 anos. A atualização climática para o período de 2025 a 2029, publicada no dia 28 de maio, aponta que esses novos patamares devem incrementar os riscos climáticos e impactos nas sociedades, economias e no desenvolvimento sustentável.

De acordo com o relatório da WMO, a temperatura média global próxima à superfície, em média anual, para cada ano entre 2025 e 2029, deverá ser entre 1,2°C e 1,9°C superior comparada a média do período entre 1850 e 1900.

O nível de aquecimento de longo prazo, que considera temperaturas globais de 20 anos, que embasa a meta do Acordo de Paris, permanece abaixo de 1,5oC.

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Segundo o relatório, com 80% de probabilidade, é provável que pelo menos um ano dos próximos cinco anos seja mais quente do que 2024, quando por 11 meses consecutivos a temperatura média global ultrapassou a média de 1,5oC. A probabilidade é ainda maior (86%) de que em um dos próximos cinco anos a temperatura média global ultrapasse novamente a.  Embora com probabilidade de apenas 1%, a WMO afirma que a média de temperatura global de 2oC pode ser ultrapassada até 2029.

A previsão da WMO também indica que há 70% de probabilidade de que o aquecimento médio quinquenal para 2025-2029 seja superior a 1,5°C. Isso representa um aumento de 47% em relação ao relatório do ano passado (para o período de 2024-2028) e de 32% em relação ao relatório de 2023 para o período de 2023-2027.

O aquecimento do Ártico deve continuar a superar a média global. A previsão é de que os próximos cinco invernos prolongados sejam de três a cinco vezes maior do que a média global, podendo atingir 2,4oC, comparado aos últimos 30 anos (1991 a 2020).

Os padrões de precipitação têm grandes variações regionais. Para os períodos de maio a setembro, as previsões sugerem condições mais úmidas no Sahel, na África, por exemplo, e de condições anormais de seca para a Amazônia. Para o sul da Ásia, a previsão aponta que devem continuar as condições anormais de umidade vivenciadas nos últimos anos.

Foto: Michel Mello/Fiocruz Amazônia

A comunidade científica tem reiterado que o aquecimento superior a 1,5oC corre o risco de desencadear impactos muito mais severos e eventos climáticos extremos. Por isso, cada fração de temperatura importa.

De acordo com o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e especialista em projeções climáticas, Gilvan Sampaio, a sinalização de condições mais úmidas no Sahel implica em situação oposta para áreas no leste e no norte da Amazônia. Segundo Sampaio, se também houver aquecimento do oceano Atlântico norte, a situação de seca atinge o sudoeste da Amazônia.

O pesquisador explica que quanto maior a temperatura na superfície, maior será a quantidade de energia na atmosfera para produção de nuvens mais profundas, que são densas, extensas, concentram altas quantidades de vapor d´água e provocam chuvas mais intensas.

“O aumento gradativo da temperatura global significa que os eventos meteorológicos extremos, como chuvas intensas, chuvas volumosas, secas e ondas de calor se tornarão cada vez mais frequentes”, afirma.

A elaboração da síntese de previsões liderada pelo Met Office, que atua como um centro da WMO para o tema, incluiu 220 membros de um conjunto de modelos de 15 institutos, incluindo os centros globais de produção. O relatório também sintetiza as mudanças observadas no clima nos últimos cinco anos.

De acordo com o Relatório Síntese de 2023 do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), entre 2011-2020 a temperatura média global foi cerca de 1,1°C mais quente, comparada ao período de 1850-1900.

Em março de 2025, a WMO confirmou 2024 como o ano mais quente em 175 anos de medições. A média da temperatura na superfície foi de 1,55oC, com uma variação de ± 0,13 °C, comparado à média pré-industrial. As temperaturas recordes foram incrementadas, principalmente, pelo aquecimento global. A concentração de dióxido de carbono na atmosfera foi a mais alta em 800 mil anos.

A íntegra da previsão para 2025-2029 da WMO pode ser acessada AQUI.

*Com informações do MCTI