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Entenda a mudança nas cabines dos jurados do Festival de Parintins

Foto: Chico Batata/TJAM

Mudanças nas posições das cabines dos jurados são uma das principais novidades para o Festival Folclórico de Parintins 2026. Agora localizadas na parte central da arquibancada, as novas cabines devem alterar a forma como os avaliadores acompanham o espetáculo, sem modificar a tradição da interação entre os itens e as galeras.

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Em 2026, o tradicional Festival acontece nos dias 26, 27 e 28 de junho. A festa popular celebra a cultura amazônica e a rivalidade centenária entre os bois-bumbás Caprichoso e Garantido.

A centralização das cabines dos jurados no Festival Folclórico de Parintins tem gerado dúvidas entre torcedores e visitantes às vésperas do início da disputa entre Caprichoso e Garantido. Afinal, o que muda no julgamento? Os itens vão deixar de se apresentar para as galeras? E por que a decisão foi tomada? O presidente da Comissão Julgadora do festival, Wanderley Pantoja, esclareceu as essas questões.

Leia também: Entenda como funciona a escolha dos jurados e o julgamento dos itens dos bois no Festival Folclórico de Parintins

O que gerou a mudança?

Segundo Pantoja, a mudança foi definida em comum acordo entre as agremiações folclóricas e a Comissão Organizadora do evento, após dificuldades apontadas pelos próprios jurados em edições anteriores, especialmente na avaliação dos itens musicais.

“A decisão levou em consideração relatos de jurados que participaram de edições anteriores e apontaram algumas dificuldades relacionadas à localização das cabines laterais, especialmente quanto à avaliação dos itens musicais, como Batucada e Marujada, em razão das condições acústicas e da posição em relação às apresentações”, afirmou.

Neste ano, serão instaladas nove cabines destinadas aos jurados e uma cabine exclusiva para o presidente da Comissão Julgadora, todas posicionadas na parte central do Bumbódromo, abaixo das arquibancadas especiais. Nos últimos anos, os avaliadores acompanhavam o espetáculo em cabines localizadas nas laterais da arena.

Após decisão dos bois, Festival de Parintins centraliza cabines dos jurados no Bumbódromo — Foto: Foto: Lucas Macedo/g1 Amazonas
Área central do bumbódromo. Foto: Lucas Macedo/Rede Amazônica AM

O que muda nas apresentações?

Apesar da alteração na posição dos jurados, a dinâmica geral do espetáculo será mantida, segundo a comissão, não mudando nada nas apresentações em relação a edições anteriores.

Os itens individuais do Bloco B, como cunhã-poranga, sinhazinha da fazenda, porta-estandarte e rainha do folclore, continuarão interagindo com o público das arquibancadas laterais, além de se apresentarem diante da Comissão Julgadora.

“Quanto à evolução dos itens, a dinâmica geral das apresentações permanece a mesma. No entanto, houve entendimento entre as partes envolvidas de que os itens individuais do Bloco B deverão realizar suas apresentações também voltadas para as duas galeras, valorizando o público presente nas arquibancadas laterais e mantendo a interação tradicional que caracteriza o Festival Folclórico de Parintins”, disse.

Embora essa adequação ainda não tenha sido formalmente incorporada ao regulamento, Wanderley afirmou que há consenso sobre a necessidade de contemplar tanto os jurados quanto as torcidas.

Segurança e melhores condições de trabalho aos jurados

Segundo o presidente da Comissão Julgadora, a mudança também busca oferecer mais segurança, conforto e melhores condições para que os avaliadores desempenhem suas funções.

“A centralização das cabines contribui para melhores condições de trabalho aos jurados. Nas edições anteriores, as cabines laterais estavam localizadas em áreas próximas a camarotes, o que ocasionava situações de assédio, abordagens indevidas e dificuldades operacionais”, explicou.

Ele também citou problemas relacionados à estrutura de apoio oferecida aos jurados: “Também havia problemas relacionados à estrutura de apoio, como acesso a banheiros e deslocamento dos jurados durante as apresentações”.

Para Wanderley Pantoja, a nova configuração deve fortalecer a qualidade e a credibilidade do julgamento.

“Dessa forma, a nova configuração busca oferecer maior segurança, conforto, imparcialidade e melhores condições técnicas para o desenvolvimento dos trabalhos da Comissão Julgadora, preservando a qualidade do julgamento e contribuindo para a transparência do resultado final do Festival”, concluiu.

*Por Patrick Marques, da Rede Amazônica AM

Quatro novas espécies de mariposas encontradas no Amazonas são descritas em homenagem a orixás

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Minúsculas mariposas amarronzadas, conhecidas como Eois russearia. Foto: Reprodução/Instagram-@universocooperartivo27

O que se acreditava ser uma única espécie de mariposa, descrita em 1818, se mostrou um complexo de espécies, com oito delas encontradas no Brasil. Os resultados se deram a partir de um trabalho que integrou técnicas moleculares, dados de morfologia e identificação das plantas hospedeiras de populações da Amazônia, Mata Atlântica e Pantanal.

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O estudo foi publicado na revista Scientific Reports por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade de São Paulo (USP).

“O trabalho mostra como a integração de diferentes técnicas é importante na descrição de espécies, apontando como métodos de última geração são bem-vindos, mas não necessariamente suficientes, para trazer uma nova espécie à luz da ciência”, conta Simeão de Souza Moraes, coordenador do estudo e pesquisador do Instituto de Biologia da Unicamp.

De acordo com o coordenador, o processo de escolha dos nomes traz um caráter anticolonial e anti-imperialista ao nomear as novas espécies usando referências da cultura afro-brasileira, que contraria uma prática bastante recorrente no processo de nomenclatura de utilizar nomes para organismos da fauna neotropical com referência à cultura do Norte Global, como deuses gregos e romanos.

As minúsculas mariposas amarronzadas, com cerca de dois centímetros da ponta de uma asa a outra, eram todas conhecidas como Eois russearia. O que era uma espécie, na verdade, representa um complexo de várias espécies, sendo oito delas com distribuição no Brasil. Sete receberam nomes em homenagem a orixás do candomblé e da umbanda e uma em tributo a uma coautora do trabalho, que faleceu antes de o estudo ser publicado.

Leia também: Você sabia que a maior mariposa do mundo é encontrada na Amazônia?

As novas oito espécies de mariposas, cada uma representada por uma letra, antes eram classificadas como apenas uma, Eois russearia. Semelhanças morfológicas impossibilitam classificação precisa a olho nu. Foto: Georgette Paola Ancajima/IB-Unicamp
As novas oito espécies de mariposas, cada uma representada por uma letra, antes eram classificadas como apenas uma, Eois russearia. Semelhanças morfológicas impossibilitam classificação precisa a olho nu. Foto: Georgette Paola Ancajima/IB-Unicamp

Eois iemanja e E. ibeji ocorrem às margens do rio Mogi Guaçu, no município de mesmo nome, em São Paulo, na transição entre Cerrado e Mata Atlântica. E. nanan e E. iogunede ocorrem no Pantanal, tendo os espécimes usados na descrição sido coletados no município de Aquidauana (MS).

Na Amazônia, nos arredores de Manaus (AM), foram descritas E. oxumareE. orumilaE. iroco e E. stantonae, esta última em homenagem a Mariana Alves Stanton, pesquisadora do Instituto de Química da USP que trabalhava no estudo quando faleceu, em 2024.

As novas descrições ajudam a entender melhor a diversidade de lepidópteros (borboletas e mariposas) do Brasil e as interações ecológicas desses insetos com as plantas do gênero Piper, que podem envolver o sequestro de compostos secundários, moléculas naturais presentes nas plantas e com potencial para prospecções biotecnológicas.

Sequências do gene COI (usado para diferenciar espécies), depositadas em bancos de dados públicos e usadas como referência para o estudo, apontam a possibilidade de haver outras três espécies no complexo. No entanto, não houve possibilidade de acesso aos indivíduos sequenciados para estudos morfológicos ou informações de planta hospedeira.

O trabalho integra o projeto apoiado pela FAPESP na modalidade Jovem Pesquisador e outro no âmbito do Programa BIOTA.

Diferentes espécies de mariposas

Em um trabalho anterior, o grupo de Moraes havia descrito outras três espécies de mariposas do mesmo gênero, nomeadas também em homenagem a orixás. E. oyaE. ewa e E. oxum resultaram da separação do que era conhecido como uma espécie, E. pallidicosta.

As descrições são desdobramento de um estudo de 2020 que verificou que o número de espécies do gênero Eois estava subestimado e podia ser até 176% maior do que o conhecido até então.

Assim como os outros complexos de espécies estudados anteriormente, o descrito agora tem muitas semelhanças morfológicas entre si, dificultando a diferenciação a olho nu, mesmo para especialistas. Para complicar, há três espécies na mesma área da Amazônia, na Reserva Florestal Adolpho Ducke, em Manaus (AM), duas na mesma localidade de transição entre Mata Atlântica e Cerrado, em Mogi Guaçu (SP), e duas no Pantanal, em Aquidauana (MS).

Leia também: Cientistas batizam nova espécie de mariposa em homenagem ao Papa Leão XIV

(a) Male habitus (b) Male habitu (c) Male genitalia (d) Male genitalia (e) Male genitalia. Foto: Reprodução/Artigo

Mais do que diferenças genéticas, no entanto, duas informações não tão usadas em descrições de espécies foram fundamentais para cravar a distinção. Uma foi a morfologia da genitália feminina, um atributo historicamente subestimado em trabalhos de descrição de borboletas e mariposas. Outra foi o registro das plantas hospedeiras usadas pelas lagartas para alimentação.

Alguns insetos – certas borboletas e mariposas entre eles – são conhecidos por interações com plantas específicas, muitas vezes relacionadas com o sequestro de compostos secundários. No caso do gênero estudado agora, Eois, ele é conhecido por depositar ovos nas plantas do gênero Piper, que inclui a pimenta-do-reino, e suas larvas se alimentarem das folhas dessas plantas.

A equipe contou com um botânico, que identificou as espécies de pimenta usadas pelas mariposas. O grupo observou, então, que espécies diferentes de mariposa interagem com espécies diferentes de Piper de forma exclusiva. Outra diferenciação foi possível dissecando a genitália das fêmeas, uma vez que a dos machos é muito parecida entre as espécies. Um viés histórico na identificação de espécies é justamente analisar apenas a genitália masculina.

No caso das mariposas, os machos apresentam a genitália com estrutura mais endurecida, enquanto a das fêmeas é mais membranosa e, por isso, danificada mais facilmente no processo de dissecção.

“Quando se analisa o órgão sexual feminino das mariposas, a diferença é muito grande. Ainda que não houvesse ferramentas moleculares, seria possível diferenciar as espécies com bastante precisão combinando a morfologia da genitália feminina e o registro da planta hospedeira das lagartas”, diz Moraes.

Foto: Divulgação / Unicamp

O trabalho mostra ainda um padrão de diversidade diferente do que se costuma encontrar para o grupo de mariposas a que Eois pertence (Larentiinae). Mais diverso em regiões temperadas, de média latitude, nos trópicos a sua diversidade tem sido mais estudada nos Andes, que apresenta condições climáticas semelhantes àquelas das regiões temperadas.

A diversidade de espécies para regiões de baixas altitudes nos trópicos, como as áreas de Mata Atlântica, Amazônia e Pantanal (onde foram descritas duas ou mais espécies em cada), revela um novo padrão.

“Nossos resultados demonstram que regiões baixas também abrigam uma significativa diversidade de espécies, provavelmente por causa de interações altamente especializadas entre larvas e suas plantas hospedeiras que criam pressões seletivas diferentes mesmo em curtas distâncias geográficas”, encerra o pesquisador.

O trabalho teve apoio da FAPESP ainda por meio de bolsas (23/13856-215/26823-921/13396-624/18838-5 e 24/01515-9).

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência FAPESP, escrito por André Julião

Amazonas tem área protegida maior que o Uruguai, mas enfrenta desafio de fiscalização

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Populações tradicionais vivem em algumas Unidades de Conservação do Amazonas. Foto: Divulgação/FAS

O Amazonas possui uma área protegida por Unidades de Conservação maior que países inteiros. Somente as 42 áreas administradas pelo governo estadual somam cerca de 19 milhões de hectares de floresta preservada, um território maior que o Uruguai e superior à soma dos estados do Ceará e de Santa Catarina. 

O tamanho desse território transforma o estado em um dos principais exemplos de conservação ambiental do país, mas também revela um dos maiores desafios: como fiscalizar e garantir a presença do poder público em áreas tão extensas e de difícil acesso. 

As Unidades de Conservação são áreas protegidas por lei para preservar a natureza e seus recursos. No Amazonas, elas incluem diferentes categorias, como Áreas de Proteção Ambiental (APAs), Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS), Reservas Extrativistas (Resex), Parques Estaduais, Monumentos Naturais e Florestas Estaduais.

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Cada tipo de unidade tem regras próprias. Algumas permitem a presença de moradores e o uso controlado dos recursos naturais, enquanto outras têm normas mais restritivas para garantir a preservação da biodiversidade. 

Segundo dados do Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 260 mil pessoas vivem dentro de Unidades de Conservação no Amazonas. Do total, cerca de 96% estão em áreas de Uso Sustentável, como RDS e Resex, onde a conservação da floresta ocorre junto com a moradia e o sustento de comunidades tradicionais.

Leia também: Amazônia registra menor índice de desmatamento em unidades de conservação desde 2008

Amazonas, o “país” da floresta

Os 19 milhões de hectares administrados pelo governo estadual fazem parte de uma rede ainda maior de proteção. Somadas às unidades estaduais, existem outras 41 áreas sob gestão federal e nove municipais. 

Esse território funciona como uma barreira contra o avanço do desmatamento ilegal, do garimpo e da ocupação irregular de terras, principalmente em regiões mais vulneráveis do estado. 

À Rede Amazônica, o secretário de Estado do Meio Ambiente do Amazonas, Eduardo Taveira, afirmou que a distância entre as unidades é um dos principais obstáculos para manter uma gestão permanente dessas áreas. 

“Gerenciar 19 milhões de hectares territorialmente grandes e geograficamente distantes é um dos nossos principais desafios. Nossa estratégia tem sido fortalecer a gestão comunitária, apoiar associações locais e integrar políticas públicas com outras áreas, como Educação e Saúde”, afirmou.

Segundo Taveira, existem unidades próximas de Manaus, com acesso em poucas horas de lancha, mas também áreas onde o deslocamento leva dias e envolve custos elevados de logística. 

Ele cita como exemplo reservas como a RDS do Cujubim e a RDS do Rio Gregório, onde o transporte pode exigir operações aéreas e terrestres com valores superiores a R$ 12 mil por pessoa em agendas que partem da capital. 

Além da distância, o secretário aponta a falta de recursos financeiros e os impactos das crises climáticas como desafios para a gestão ambiental.

Segundo ele, investimentos em conservação disputam espaço com áreas como saúde e educação e, por isso, o estado busca recursos externos para ações de monitoramento e proteção de áreas ameaçadas pelo desmatamento, principalmente no sul do Amazonas. 

“Os recursos necessários para dar conta de todas essas políticas públicas, diante do tamanho do desafio do Amazonas, são muito escassos. Por isso, recursos de cooperação internacional são fundamentais para manter a gestão das unidades de conservação e as estratégias de prevenção e combate ao desmatamento”, afirmou

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Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace

Quem vive nas áreas de proteção

Nas unidades de Uso Sustentável, a preservação da floresta acontece junto com a permanência das comunidades tradicionais. 

Diferente de áreas de proteção integral, como Parques Nacionais e Estações Ecológicas, onde a presença humana é limitada, reservas como as RDS e Resex permitem que famílias vivam e desenvolvam atividades econômicas de baixo impacto. 

É o caso de comunidades que trabalham com manejo sustentável do pirarucu, coleta da castanha-do-amazonas, cultivo da mandioca e turismo de base comunitária. 

Apesar da importância dessas populações para a conservação, moradores enfrentam desafios diários, como isolamento geográfico e dificuldade de acesso a serviços básicos, como energia elétrica, internet, água potável e educação. 

Para o doutor em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia Antonio Norte, um dos principais problemas é garantir segurança jurídica para quem vive nessas regiões 

“As Reservas de Desenvolvimento Sustentável e as Reservas Extrativistas foram criadas justamente para conciliar conservação ambiental e permanência das populações tradicionais. Mas ainda existem dificuldades relacionadas à regularização fundiária e à formalização dos direitos dessas comunidades”, explicou.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que são as Reservas de Desenvolvimento Sustentável?

Fiscalização e pressão sobre a floresta

Mesmo com uma das maiores áreas protegidas do Brasil, as Unidades de Conservação continuam sob pressão. Especialistas alertam que áreas localizadas próximas a estradas e fronteiras agrícolas, principalmente APAs e reservas, sofrem com o avanço de atividades ilegais.

O desafio não está apenas em criar áreas protegidas, mas em garantir estrutura para acompanhar um território maior que muitos países.  Antonio Norte esclarece que existe uma diferença entre a proteção prevista na legislação e a capacidade prática de monitorar uma área tão extensa. 

“Existe uma diferença significativa entre a proteção prevista na legislação e a capacidade operacional do Estado para monitorar territórios tão extensos e de difícil acesso. O desafio envolve recursos humanos, logística, tecnologia, orçamento e presença institucional permanente”, completou.

*Por Lucas Macedo, da Rede Amazônica AM

Projeto literário busca resgatar histórias de personagens que ajudaram a construir o Acre

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Cada pessoa pode escrever apenas um material que conte a história do personagem para o Projeto Literário. Na foto o Mercado Público de Rio Branco na década de 40 do século XX. Foto: Reprodução/Acervo Digital Deptº de Patrimônio Histórico e Cultural – FEM

Personagens, comunidades e grupos sociais que contribuíram para a construção da história do Acre, mas que permanecem pouco conhecidos da população, podem ter suas trajetórias registradas na Antologia Acreana ‘Vozes Esquecidas’, projeto que vai reunir relatos e produções literárias sobre os chamados heróis anônimos do estado.

As inscrições podem ser feitas até 15 de agosto, por meio de formulário eletrônico disponibilizado pela organização ou pelo endereço informado nos canais oficiais da Associação das Jornalistas e Escritoras do Brasil (Ajeb).

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A iniciativa é da Academia Acreana de Letras (AAL), com a Ajeb – Coordenação Acre e a Sociedade Literária Acreana (SLA).

A participação é destinada a autores brasileiros, acreanos ou residentes no estado, com idade mínima de 18 anos. O lançamento da obra está previsto para novembro deste ano.

Leia também: ‘Vem pro Acre’: série de vídeos mostra destinos turísticos no estado

Os participantes deverão encaminhar:

  • Ficha de inscrição;
  • Texto completo;
  • Minibiografia;
  • Fotografia do autor em boa resolução;
  • Fotografias complementares, quando houver;
  • Comprovante de pagamento da taxa de adesão.

A taxa de adesão é de R$ 300. Segundo o edital, o valor será destinado aos custos de revisão, preparação editorial, projeto gráfico, diagramação, impressão, registro ISBN e demais despesas relacionadas à produção da obra.

Cada participante receberá dois exemplares impressos da antologia. Exemplares adicionais poderão ser adquiridos separadamente.

rio braco no acre - projeto cultural
Projeto busca valorizar personalidades acreanas. Foto: Divulgação

Além disso, a publicação busca preservar memórias e valorizar histórias de pessoas e comunidades que contribuíram para o desenvolvimento histórico, cultural, social e humano do estado.

Os textos devem abordar o tema ‘Vozes Esquecidas’ e podem ser inscritos nos gêneros crônica, conto, relato literário, texto memorialístico, poema ou prosa poética.

Cada participante poderá inscrever apenas um texto inédito, escrito em língua portuguesa. Os autores selecionados terão espaço para publicação do trabalho, além de fotografia e minibiografia na coletânea.

Os textos passarão por curadoria editorial para verificação do cumprimento das normas do chamamento, adequação ao tema e observância de critérios éticos e legais.

Prazos para participar do projeto

  • Inscrições: de 15 de junho a 15 de agosto de 2026;
  • Revisão editorial e diagramação: agosto e setembro de 2026;
  • Impressão gráfica: outubro de 2026;
  • Lançamento da obra: novembro de 2026.

*Por Jhenyfer de Souza, da Rede Amazônica AC

MDS e ICMBio lançam Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) com foco em Unidades de Conservação federais

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Foto: João Stangherlin/ICMBio

A mudança do clima impacta diretamente as populações que vivem em Unidades de Conservação (UCs), o que repercute diretamente na segurança alimentar e nutricional dessas populações. Por outro lado, essas famílias de povos e comunidades tradicionais cumprem importante papel na conservação dos recursos naturais, dos conhecimentos tradicionais e da sociobiodiversidade nesses territórios.

Consolidado como política pública relevante para o combate à fome e promoção da segurança alimentar, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) passa a ser uma alternativa estratégica viável para as famílias agricultoras que vivem em UCs federais, que são geridas pelos Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). 

Resultado da parceria entre o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e ICMBio, foi oficialmente lançado, na última quinta-feira (14/05), em Cachoeira, município da Bahia, o PAA em Unidades de Conservação. 

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O PAA UC tem como objetivo ampliar e garantir a participação de povos e comunidades tradicionais residentes nestas UCs no programa, promovendo a inclusão por meio da aquisição de produtos in natura, perecíveis e não perecíveis, respeitando os hábitos alimentares locais. O foco está na modalidade Compra e Doação Simultânea (CDS), que permite a aquisição de alimentos diretamente das comunidades. Nessa modalidade, cada agricultor ou agricultora familiar apto pode acessar até R$ 15 mil por ano. 

A iniciativa foi construída a partir de amplo diálogo, realizado entre os órgãos envolvidos desde o ano passado. Na Região Nordeste, os primeiros estados contemplados são Bahia e Maranhão. Que somados ao Acre, Amazonas e Pará, na região Norte, totalizam o montante de R$ 13,1 milhões em recursos do MDS, distribuídos entre os cinco estados. Ao todo, serão atendidas 42 Unidades de Conservação federais, localizadas em 53 municípios. Segundo dados do MDS, estão aptas a participarem do PAA UC como fornecedoras de alimentos nesses territórios mais de 2 mil famílias agricultoras. 

Ao ser implementado nas UCs, o PAA consolida-se como estratégia estruturante para a promoção do desenvolvimento socioambiental sustentável e de inclusão produtiva. Para a secretária nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério, Lilian Rahal, além de reconhecer o papel destas populações na conservação dos recursos naturais e da sociobiodiversidade, o Programa voltado às unidades reconhece os modos de vida e valoriza os conhecimentos tradicionais e a produção de alimentos saudáveis, ligados à cultura alimentar local. 

“Ganham as famílias que produzem, ganham também as famílias que recebem alimentos e o país como um todo, que, ao sair do Mapa da Fome, segue dando passos importantes rumo à promoção do direito de toda pessoa a se alimentar de forma adequada e saudável”, completou a secretária. 

No evento de lançamento, o presidente do ICMBio, Mauro Pires, lembrou que o PAA foi criado no primeiro governo Lula, testado no segundo governo e retomado com aperfeiçoamentos no atual governo.

“O resultado, entre outros, foi, mais uma vez, a contribuição para retirar o Brasil do Mapa da Fome. Temos nossos desafios, mas estamos num momento muito importante de nos fortalecer e seguir avançando”, disse. 

Leia também: Saiba o que são as Unidades de Conservação (UCs) e a importância delas para a Amazônia

Simbolismos no lançamento do PAA UC em Cachoeira (BA) 

No que se refere às Unidades de Conservação da região Nordeste, foram priorizadas nesse primeiro momento as unidades costeiras e marinhas. A escolha da Reserva Extrativista (Resex) Marinha Baía do Iguape como local de lançamento teve por inspiração a diversidade de povos e comunidades tradicionais residentes na região e seu entorno, como pescadores artesanais, quilombolas, povos e comunidades de terreiros.

Esta é a UC com maior presença de população tradicional do Brasil, possui cerca de nove mil famílias, segundo dados do último Levantamento de Famílias (SisFamílias) realizado pelo ICMBio em 2025. O território abrange três municípios: Cacheira, São Félix e Maragogipe, com 100 comunidades, sendo estas 65 comunidades rurais e 35 localidades urbanas e periurbanas. 
 
A maior parte das famílias quilombolas da unidade são chefiadas por mulheres, que residem no entorno da Baía do Iguape e desenvolvem atividades ligadas primariamente à mariscagem de ostras e sururus – ocupação essencialmente feminina – e secundariamente à pesca de siris, camarões e peixes, e constituem-se enquanto a região de maior produção de marisco da Bahia. Também são famílias agricultoras e extrativistas, dedicam-se a produção agrícola familiar e ao extrativismo vegetal na Mata Atlântica do interior e entorno da Resex. 
 
Parte do território tem uma produção relevante e considerável para comercialização e parte do território vive em situação de vulnerabilidade e INSAN grave. Os dados do recente Levantamento Socioeconômico de Famílias (2025), identificou 367 famílias em situação de extrema vulnerabilidade e insegurança alimentar, distribuídas nos três municípios da Resex. 

Benefícios

O PAA em Unidades de Conservação fortalece a resiliência ambiental dos territórios, ao incentivar práticas produtivas tradicionais e sustentáveis que tem no Programa a garantia de escoamento da sua produção. Ou seja, promove geração de renda com conservação ambiental, compatível com os objetivos dos planos de manejo e com a missão do ICMBio: cuidar da natureza com as pessoas.

Para mais, ao garantir a inclusão de públicos prioritários, como agricultores familiares, extrativistas, pescadores artesanais, quebradeiras de coco de babaçu, entre outros, o Programa contribui para a permanência desses povos e comunidades em seus territórios e promove um modelo de desenvolvimento com justiça social e ambiental: conservação da natureza integrada à soberania e segurança alimentar e nutricional. 

Leia também: Ofício da quebradeira de babaçu vira Manifestação da Cultura Nacional

MDS e ICMBio lançam Programa de Aquisição de Alimentos  (PAA) com foco em Unidades de Conservação federais
Foto: Divulgação

Sobre o PAA 

O Programa de Aquisição de Alimentos é uma política pública do Governo do Brasil, com foco na promoção da segurança alimentar e nutricional junto a pessoas em situação de vulnerabilidade, enquanto fortalece a atividade produtiva. O programa adquire alimentos produzidos pela agricultura familiar e os doa à rede socioassistencial, à rede pública e filantrópica de ensino e a outras instituições, com prioridade para unidades recebedoras situadas nos próprios territórios. 

Retomado em 2023, o Programa é liderado pelo MDS e executado em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), por meio da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), governos estaduais e municipais. A ação coordenada entre entes do governo federal, estados e municípios reforça a importância do pacto federativo na direção de promover a segurança alimentar no país. 

*Com informações do ICMBio

Âmbar é a nova distribuidora de energia no Amazonas

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Foto: Divulgação/Âmbar Energia

A Âmbar Energia assumiu oficialmente, em 10 de abril, a distribuição de energia elétrica no Amazonas. Com a nova gestão, a empresa afirma que irá concentrar investimentos em três frentes estratégicas: modernização da rede de distribuição, aumento da eficiência operacional e reequilíbrio econômico-financeiro da concessionária.

A proposta é melhorar a qualidade dos serviços prestados à população e garantir maior estabilidade no fornecimento de energia em Manaus e nos municípios do interior.

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Presente há mais de dez anos no setor elétrico brasileiro, a Âmbar Energia está entre as maiores geradoras de eletricidade do país. Atualmente, a companhia opera 59 usinas, sendo 12 delas localizadas no Amazonas.

Foto: Divulgação/Âmbar Energia

A empresa faz parte da J&F, um dos maiores conglomerados industriais do mundo, que é organizada em unidades de negócios nos segmentos de alimentos, mineração, celulose, higiene e cosméticos, com presença em mais de 20 países e mais de 300 mil colaboradores ao redor do mundo.

Segundo o presidente da Âmbar Energia, João Pilla, a experiência adquirida pelo grupo na administração de operações complexas será aplicada na nova fase da distribuidora.

“Vamos atuar com respeito à população amazonense e trabalhar continuamente para melhorar a qualidade do serviço, tanto na capital quanto no interior do estado”, declarou.

Arquiteto Vilanova Artigas deixou três marcas permanentes na paisagem urbana do Amapá 

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Foto: Divulgação

Pouca gente sabe, mas um dos maiores nomes da arquitetura brasileira do século XX, o arquiteto João Batista Vilanova Artigas, referência do modernismo e do brutalismo arquitetônico, deixou sua assinatura em três importantes prédios públicos do Amapá. Militante do Partido Comunista Brasileiro, perseguido pela Ditadura Militar e afastado da docência em 1969, Artigas foi responsável pelos projetos do atual prédio do Comando da Polícia Militar, da Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinf) e da Escola Estadual Tiradentes.

A história ganha contornos ainda mais curiosos porque esses projetos foram adquiridos durante o governo do general Ivanhoé Gonçalves Martins, militar identificado com a linha dura do regime. O encontro entre um governador conservador e um arquiteto comunista revela uma das muitas contradições da história brasileira.

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Segundo o livro ‘As histórias da História do Amapá’, foi como “como se o general, cujo cerne ideológico o colocava como adversário institucional do comunismo, tivesse reconhecido a urgência humanista de uma causa maior: a construção de um Estado que pudesse acolher seus cidadãos”.

Leia também: Projeto apresenta perspectivas sustentáveis para a arquitetura amazônica

Projetos do arquiteto são patrimônio coletivo

Arquiteto Vilanova Artigas deixou três marcas permanentes na paisagem urbana do Amapá 

As três edificações permanecem como importantes exemplares da arquitetura moderna na Amazônia. O prédio da Polícia Militar é considerado o mais preservado, enquanto a Escola Tiradentes sofreu alterações ao longo do tempo, com a substituição de elementos previstos no projeto original. Já a sede da Seinf ainda conserva boa parte de suas características arquitetônicas, embora pouco reconhecida como patrimônio cultural.

A obra destaca ainda que pesquisas acadêmicas apontam a necessidade de valorização desse legado. Mais do que construções em concreto, ferro e vidro, os edifícios representam um encontro improvável entre visões políticas opostas e demonstram que a arquitetura pode ultrapassar disputas ideológicas para se transformar em patrimônio coletivo.

Essa e muitas outras curiosidades estão reunidas em As histórias da História do Amapá, obra que busca recuperar episódios esquecidos e personagens que ficaram à margem da historiografia tradicional.

Como destaca o senador Randolfe Rodrigues no prefácio, trata-se de um livro que “reconstitui a memória coletiva de um povo a partir daquilo que a história oficial deixou à margem”.

A proposta dialoga com a própria apresentação da obra ao leitor. Na orelha do livro, o autor é apresentado como um pesquisador dedicado à preservação da memória histórica e cultural do estado, reunindo relatos, personagens e acontecimentos que ajudam a compreender a formação social, política e cultural do Amapá.

*Com informações da assessoria

Amazon On 2026 realiza discussões sobre tecnologia e desenvolvimento sustentável da Amazônia; inscrições abertas

Foto: Reprodução/ Amazon On

Já estão abertas as inscrições para o Amazon On 2026, evento que se consolidou como um dos principais palcos de debate sobre o futuro da região amazônica. Nos dias 5 e 6 de agosto, o Centro de Convenções Vasco Vasques, em Manaus (AM), será o ponto de encontro para especialistas, empresas e a sociedade discutirem inovação, conectividade, transição energética e bioeconomia. As inscrições são 100% gratuitas e podem ser feitas pelo site oficial.

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Em sua terceira edição, o Amazon On reúne os principais players dos setores de tecnologia, telecomunicações, energia e sustentabilidade. O objetivo é discutir o cenário atual e apresentar soluções práticas voltadas ao desenvolvimento sustentável da Amazônia, com foco na inclusão digital e na preservação da biodiversidade regional.

Programação de alto impacto

A agenda deste ano contará com oito painéis temáticos desenhados para abordar os desafios urgentes e as oportunidades de mercado para a floresta. Entre os destaques, estão debates sobre soberania, infraestrutura e as vozes locais.

Leia também: Amazon On 2026 debaterá conectividade, transição energética e políticas públicas em Manaus

Confira a lista completa de painéis do Amazon On:

  • Transição energética na Amazônia: descarbonização, Energias da Floresta e outros cases;
  • Tecnologia & inovação a serviço da floresta;
  • Expansão da conectividade do lado da demanda: percepções, ações e subsídios eficazes;
  • Soberania e sustentabilidade na Amazônia a partir da infraestrutura de telecomunicações e energia;
  • Estratégia para Expansão da Conectividade Digital na Amazônia;
  • Da Amazônia para o Mundo;
  • Transição energética da Amazônia;
  • Vozes da Amazônia: necessidades, barreiras, soluções e transformações.

*Com informações da assessoria

Projeto Kunhã_Eté lança mentoria para fortalecer protagonismo de mulheres indígenas no cinema amazônico

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Foto: Vicent Carelli

A valorização das narrativas indígenas produzidas por mulheres ganha um novo impulso com o projeto Kunhã_Eté, idealizado pela pesquisadora, produtora cultural e doutoranda em Estudos Culturais, Fabienne Priscila. A iniciativa promove o lançamento da Mentoria para Mulheres Indígenas Produtoras de Cinema, neste 22 de junho, às 18h30, no Palácio da Justiça, em Manaus (AM), reunindo profissionais do audiovisual e pesquisadoras para debater os desafios e as oportunidades da presença feminina indígena na produção cinematográfica.

A programação de lançamento contará com a palestra “Mulheres Amazônicas na Produção Audiovisual”, com participação das convidadas Bitta Catão e Jocê Mendes. O evento marca o início de uma ação formativa gratuita voltada especialmente para jovens, produtoras iniciantes e mulheres oriundas de povos e comunidades tradicionais.

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O projeto nasce a partir das reflexões desenvolvidas por Fabienne Priscila em sua pesquisa de doutorado pela Universidade de Aveiro, em Portugal. A tese investiga as representações das mulheres indígenas, desde os mitos de origem e ritos de passagem até as formas contemporâneas de empoderamento feminino e protagonismo no cinema.

Segundo a pesquisadora, o estudo busca ampliar a visibilidade das mulheres indígenas e contribuir para a construção de narrativas mais plurais e inclusivas no audiovisual.

“Historicamente, as representações das mulheres indígenas foram construídas a partir de olhares externos. Nossa pesquisa procura compreender como essas mulheres estão ressignificando suas identidades e ocupando espaços de protagonismo por meio da produção audiovisual. O cinema tem se mostrado uma ferramenta importante de visibilidade, resistência e afirmação cultural”, destaca Fabienne.

Projeto Kunhã_Eté lança mentoria para fortalecer protagonismo de mulheres indígenas no cinema amazônico
A pesquisador Fabiene Priscila conduz o projeto. Foto: Arquivo

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Projeto aposta em formação para fortalecimento

Além da pesquisa acadêmica, o Kunhã_Eté aposta na formação como estratégia de fortalecimento da presença feminina indígena no setor audiovisual. A mentoria será realizada em formato online, com carga horária total de 12 horas, distribuídas em quatro encontros ao longo do mês de julho.

As atividades serão conduzidas por Fabienne Priscila, Ana Lígia Pimentel e Flávia Abtibol, profissionais com atuação na produção cultural e audiovisual amazônico.

Entre os temas abordados estão a produção audiovisual independente, estratégias de distribuição e circulação de obras, captação de recursos por meio de editais culturais e uma introdução ao cinema indígena e feminino, contemplando aspectos históricos, estéticos e de representatividade.

Além da mentoria, o projeto prevê, ainda, um mapeamento inédito da produção audiovisual de cineastas indígenas da Amazônia brasileira. O levantamento resultará na publicação de um catálogo impresso e digital reunindo obras, trajetórias e contribuições dessas realizadoras para a cultura contemporânea.

De acordo com a pesquisadora, a expectativa é que os resultados do projeto contribuam não apenas para o fortalecimento das mulheres indígenas no campo artístico, mas também para subsidiar políticas públicas e iniciativas voltadas à promoção da diversidade cultural e da igualdade de gênero.

*Com informações da assessoria

Pesquisa identifica fatores climáticos e sociais associados aos acidentes ofídicos no Pará

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Jorge Emanuel Cordeiro Rocha (ao centro), primeiro autor do artigo, ao lado dos professores Ana Carla Gomes e Joacir Stolarz-de-Oliveira (à direita), durante sua defesa de mestrado no PPGRNA. Foto: Divulgação/ FVS-RCP Amazonas

Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) foi publicada na revista científica Tropical Medicine & International Health, uma das principais publicações internacionais da área de medicina tropical e saúde global. A pesquisa investigou como fatores climáticos e sociais influenciam a incidência de acidentes ofídicos no estado do Pará, que registra o maior número absoluto de casos desse tipo de agravo no Brasil.

Intitulado “Climatic and Social Drivers of Snakebite Incidence in Pará State, Brazilian Amazon”, o artigo analisou dados epidemiológicos, ambientais e socioeconômicos referentes ao período de 2007 a 2023. O objetivo foi compreender de que forma variáveis como precipitação, níveis dos rios, fenômenos climáticos de grande escala e indicadores sociais estão relacionadas à distribuição temporal e espacial dos acidentes com serpentes na Amazônia.

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O primeiro autor do trabalho é o pesquisador Jorge Emanuel Cordeiro Rocha, egresso do Programa de Pós-Graduação em Recursos Naturais da Amazônia (PPGRNA), do Instituto de Engenharia e Geociências (IEG) da Ufopa.

O estudo foi realizado sob orientação da professora doutora Ana Carla dos Santos Gomes, do IEG, e coorientação do professor doutor Joacir Stolarz-de-Oliveira, do Instituto de Ciências da Educação (Iced). Também assina a publicação o pesquisador Samuel Campos Gomides, do Campus Oriximiná da Ufopa.

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Principais resultados da pesquisa

Jorge Emanuel Cordeiro Rocha (ao centro), primeiro autor do artigo, ao lado dos professores Ana Carla Gomes e Joacir Stolarz-de-Oliveira (à direita), durante sua defesa de mestrado no PPGRNA. Foto: Divulgação

A pesquisa identificou que os acidentes ofídicos estão fortemente associados a indicadores de vulnerabilidade social, sendo mais frequentes em municípios com maior percentual de população rural, maiores taxas de analfabetismo e menores condições de saneamento básico. Os resultados também evidenciaram a influência de fatores ambientais, especialmente os regimes de chuva e as variações dos níveis dos rios, sobre a dinâmica dos acidentes.

Ao todo, foram analisados mais de 87 mil casos registrados no estado do Pará ao longo de 17 anos. O estudo revelou ainda que os acidentes apresentam um padrão sazonal bem definido, com maior incidência durante o primeiro semestre do ano, período que coincide com a estação mais chuvosa em grande parte da Amazônia.

Segundo a professora Ana Carla Gomes, os resultados do estudo oferecem subsídios importantes para o planejamento de ações de prevenção e vigilância em saúde, especialmente em municípios com alta incidência de acidentes.

“A pesquisa contribui para aprimorar a distribuição de soros antiofídicos, fortalecer ações de educação em saúde e qualificar a assistência às populações mais vulneráveis da Amazônia. Além disso, evidencia a importância de considerar fatores ambientais e sociais na formulação de políticas públicas voltadas ao enfrentamento desse problema de saúde pública”, afirma.

Para a docente, a publicação também representa mais uma contribuição do PPGRNA e do IEG para a produção de conhecimento científico voltado aos desafios socioambientais da Amazônia: “O trabalho evidencia o papel da pós-graduação da Ufopa na formação de pesquisadores capazes de desenvolver estudos de relevância regional e internacional, fortalecendo a inserção da universidade em redes globais de pesquisa”.

Fonte

*Com informações da Ufopa