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De Oiapoque ao Chuí, casal atravessa o Brasil viajando de motorhome

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Casal saiu de Santarém, no Pará, e chegou ao Amapá, o 23º estado brasileiro visitado. Foto: Arquivo pessoal/Rosilene Souza

Um casal que viaja pelo mundo de motorhome chegou a Macapá depois de três dias na estrada. O trajeto começou em Santarém, no Pará, incluiu uma travessia de balsa e passou por uma estrada que atravessa a floresta Amazônica.

A viagem terminou no Amapá, único estado brasileiro sem ligação rodoviária direta com o restante do país.

O sonho começou na adolescência. Aos 17 anos, o marido prometeu a Rosilene Souza, então com 15, que compraria um motorhome para viajar após a aposentadoria. A promessa virou realidade seis anos atrás, com viagens curtas que conciliavam com o trabalho. Hoje, aposentados desde 2023, eles vivem na estrada.

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Depois de visitar o Chuí, no Rio Grande do Sul, o casal decidiu seguir até o extremo norte do Brasil para completar o roteiro.

“Nós estamos conhecendo todos os estados do Brasil. Não estamos só batendo ponto nos lugares turísticos. A gente tenta conhecer a cultura local e viver uma experiência em cada estado. Hoje, podemos dizer que conhecemos o Brasil do Oiapoque ao Chuí”, afirma Rosilene, de 53 anos.

O Amapá é o 23º estado visitado pelo casal. Antes de chegar ao Norte, eles passaram sete meses viajando pela América do Sul, com roteiro por Argentina, Chile, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia e Venezuela. A entrada na Amazônia começou em Roraima, seguida de passagem pelo Amazonas e Santarém, no Pará.

Dificuldades do Motorhome

Segundo o casal, o trecho mais difícil foi entre a travessia do Rio Paru e Monte Dourado, no Pará. Esse caminho faz parte da rota terrestre que liga Macapá a Santarém. Na direção do motorhome, Valmir Nilto, de 55 anos, enfrentou algumas dificuldades.

Motorhome do casal na estrada, em caminho para o Amapá
Motorhome em estrada para chegar até o Amapá — Foto: Reprodução/Rosilene Souza

“Alguns trechos tinham muita lama e areia, além de serem isolados. Como nosso carro não é 4×4, havia risco de ficar atolado. Mas deu tudo certo e seguimos com ajuda de um aplicativo de trilhas off-road”, relata. Na BR-156, outro desafio. O trecho entre Laranjal do Jari e Macapá estava cheio de buracos e exigiu atenção redobrada. Segundo Rosilene, apesar das dificuldades, a chegada ao Amapá marcou a realização de um sonho.

Leia também: Casal percorre a Amazônia a bordo de Kombi inspirada na Máquina de Mistérios de ‘Scooby-Doo’

“O Amapá também era um sonho. Sabíamos da dificuldade para chegar, mas que valeria a pena. Estamos muito felizes. As pessoas têm sido receptivas, estamos amando e recebendo muitas recomendações de lugares e comidas”, diz Rosilene.

Durante a estadia, o casal pretende visitar pontos turísticos, provar pratos típicos e compartilhar a experiência nas redes sociais. A ideia é incentivar outros viajantes a conhecer o Amapá, especialmente quem viaja de motorhome e desiste por causa do custo das balsas.

“Queremos mostrar as belezas do Amapá para que outras pessoas venham. Pela dificuldade logística, muita gente deixa de conhecer o estado”.

*Material publicado originalmente pelo G1 Amapá, com informações de Maria Clara Prudêncio

Brasileiros sem visto terão acesso à Guiana Francesa a partir de agosto; medida beneficia Amapá

Ponte Binacional é a ligação de Oiapoque, no Amapá, com Saint-Georges, no território francês. Foto: Reprodução G1 AP/Rede Amazônica/Arthur Alves

Brasileiros não precisarão mais de visto para entrar na Guiana Francesa a partir de 1º de agosto de 2026. A medida, resultado de acordo entre Brasil e França, beneficia diretamente o Amapá, único estado brasileiro que faz fronteira com o território francês. O fim da exigência de visto estava em discussão há pelo menos 16 anos. O pedido surgiu pelo princípio da reciprocidade, já que turistas franceses não precisam de visto para entrar no Brasil.

“Trata-se de um marco histórico de nossas relações que atende aos anseios das populações tanto do lado do Brasil em especial do estado do Amapá quanto também do lado da Guiana Francesa”, disse o ministro Mauro Vieira, durante a assinatura do documento no dia 1º de julho.

Em Oiapoque, cidade com cerca de 26,6 mil habitantes, a ligação com Saint-Georges é feita pela Ponte Binacional sobre o Rio Oiapoque. A medida deve facilitar viagens, compras e visitas familiares, além de fortalecer o comércio e a integração cultural.

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Brasileirão sem visto poderão entrar na guiana francesa
Ponte Binacional — Foto: Divulgação/Préfecture de la Guyane

Mesmo sem visto, os brasileiros precisam cumprir algumas regras para viagens de até 30 dias. Segundo a Prefeitura da Guiana Francesa, é preciso ter:

  • Passaporte válido por pelo menos três meses após a data de retorno, emitido há menos de 10 anos e com duas páginas em branco.
  • Seguro médico com cobertura mínima de €30 mil durante toda a viagem.
  • Certificado de vacinação contra febre amarela.
  • Garantias financeiras: €32,50 por dia com hospedagem em casa de parente ou €65 por dia com reserva de hotel.

Leia também: Conheça a Guiana Francesa, o país que já teve o presídio mais temido do mundo

Visto obrigatório

A dispensa do visto não vale para viagens comerciais. E em caso de estadias superiores a um mês, o visto de longa duração continua obrigatório e deve ser solicitado pela plataforma France-Visas. Quem entra pela Ponte Binacional, deve se apresentar no posto da Polícia de Fronteiras, aberto todos os dias das 7h às 19h.

Já quem chega por via fluvial em Saint-Georges, também precisa passar pelo mesmo controle. Para entrar com carro na Guiana Francesa, é necessário apresentar carteira de motorista válida, documento do veículo e seguro automotivo

Caso não tenha seguro, é possível contratar um temporário na fronteira. Os valores vão de €95 por 15 dias a €1.525 por um ano.

O viajante precisa comprovar que tem recursos financeiros mínimos para cada dia de estadia. Essa comprovação pode ser feita com cartão de crédito internacional, extrato bancário ou dinheiro em espécie. Exemplo: uma viagem de 10 dias em hotel exige comprovação de €650, ou cerca de R$ 3.790.

*Material publicado originalmente por Josi Paixão, do G1 AP

El Niño

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O fenômeno El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico. Foto: NOAA

El Niño é um fenômeno climático natural causado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical. Esse aquecimento altera padrões de vento e chuvas em escala global, com efeitos opostos em diferentes regiões do planeta. Os ventos alísios, que são massas de ar quente e úmido, se deslocam do leste para oeste, empurrando água quente e fazendo com que toda uma circulação atmosférica mude ao redor do globo.

Isso faz com que chuvas e monções (ventos sazonais que mudam de direção de acordo com a estação do ano) se desloquem, alterando a temperatura global do planeta. Exemplificando, é como adicionar uma colher de açúcar a uma xícara de café adoçado e a uma xícara de café não adoçado. A colher pode ter o mesmo tamanho para ambas as xícaras, mas em uma delas o café já estava doce. 

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El Niño
Foto: CPTEC/INMET

Com o clima é a mesma coisa: o El Niño aquece o verão no hemisfério Norte, mas ele já estava mais quente por causa do aquecimento climático. Com isso, o calor acumulado muda os padrões de evaporação, umidade e ventos em todo o mundo, ocasionando o aumento da temperatura do planeta.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é o Super El Niño?

Com isso, os impactos do aquecimento sobre o El Niño são inevitáveis. No Brasil, provoca secas e ondas de calor mais intensas nas regiões Norte e Nordeste, enquanto que o Sul tende a registrar maiores chuvas. Já pelo mundo, países como Austrália e do Sudeste Asiático enfrentam secas severas, alem de chuvas volumosas na América do Sul.

Setores como economia e agricultura também sofrem com safras agrícolas alteradas e aumento nos custos de produção de alimentos.

Rondônia está entre os sete estados onde mortes violentas cresceram em 2025, aponta anuário

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Arma de fogo Ilustração. Foto: Reprodução/g1 Rondônia

Rondônia foi um dos sete estados brasileiros que registraram aumento nas Mortes Violentas Intencionais (MVI) em 2025, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Enquanto o Brasil reduziu esse tipo de crime, o estado teve alta de 7,5% em relação a 2024.

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As Mortes Violentas Intencionais reúnem casos de homicídio doloso, feminicídio, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e mortes decorrentes de intervenção policial.

Além de Rondônia, apenas Rio Grande do Norte, Acre, Roraima, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro registraram aumento no indicador entre 2024 e 2025. Veja o ranking abaixo:

Mortes Violentas Intencionais

EstadoVariação
Rio Grande do Norte19,6%
Rondônia7,5%
Acre6,3
Roraima5,8%
Distrito Federal5,8%
Mato Grosso do Sul4,9%
Rio de Janeiro2,1%
Fonte: 20º Anuário de Segurança Pública

Segundo o anuário, o aumento em Rondônia foi influenciado principalmente pelo crescimento das mortes decorrentes de intervenção policial.

Leia também: Amapá, Tocantins e Roraima lideram redução da violência letal na Amazônia Legal, aponta Anuário

Rondônia está entre os sete estados onde mortes violentas cresceram em 2025
Foto: Reprodução/ IBGE

O número de ocorrências desse tipo passou de oito, em 2024, para 47, em 2025, um aumento de 485,6%. Com isso, essas mortes passaram a representar 9,5% de todas as mortes violentas registradas no estado.

Mortes violentas intencionais

Ocorrências20242025
Homicídio doloso433439
Latrocínio1005
Lesão corporal seguida de Morte0602
Policiais vítimas de CVLI01
Morte decorrente de intervenção policial0847
Fonte: 20º Anuário de Segurança Pública

Violência contra a mulher: taxas de morte entre as maiores do Brasil

O anuário também aponta que Rondônia está entre os estados com os piores indicadores de violência contra a mulher. O número de feminicídios cresceu 66% em um ano. Com isso, o estado alcançou uma taxa de 2,9 vítimas por 100 mil mulheres, a segunda maior do país, atrás apenas do Acre, que registrou taxa de 3,2.

Apesar de o Amapá ter registrado o maior crescimento percentual dos casos (347,7%), a taxa no estado ficou em 2,2 vítimas por 100 mil mulheres, abaixo da registrada em Rondônia. Ou seja, proporcionalmente, Rondônia teve mais vítimas de feminicídio do que o Amapá, ficando atrás apenas do Acre.

Foto: iStock/ilustrativa

Leia também: De 1912 a 1970: veja cronologia dos crimes em Rondônia

Em relação ao estupro, Rondônia registrou a segunda maior taxa geral do país, com 97,1 casos por 100 mil habitantes:

  • Quando considerada apenas a população feminina, a taxa sobe para 165,6 casos por 100 mil mulheres, a terceira maior do Brasil.
  • O município de Ariquemes aparece como a segunda cidade brasileira com mais de 100 mil habitantes com a maior taxa de estupro e estupro de vulnerável.

Outro dado que chama atenção é o descumprimento de medidas protetivas de urgência. Rondônia registrou o maior crescimento do país nesse tipo de crime, com alta de 38,2%.

Violência contra crianças e adolescentes

Os indicadores de violência contra crianças e adolescentes também colocam Rondônia entre os estados com os piores resultados do país:

  • O estado registrou a maior taxa de abandono de incapaz, com 102,2 casos por 100 mil habitantes.
  • Nos casos de maus-tratos, Rondônia teve a segunda maior taxa do Brasil, com 197,3 registros por 100 mil habitantes, índice muito acima da média nacional, de 77,4.
  • Além disso, o estado apresentou a maior incidência da Região Norte de lesão corporal em contexto de violência doméstica contra crianças e adolescentes.

Crimes patrimoniais e armas

Em Porto Velho, o roubo e furto de celulares continuam entre os principais desafios na área da segurança pública. A capital ocupa a sexta posição entre as cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes, com taxa de 1.123,2 aparelhos roubados ou furtados por 100 mil habitantes. 

Foto: Daiane Mendonça

Veja abaixo:

Roubo/furto de celular

MunicípioTaxa
São Luís (MA)1517,0
Belém (PA)1487,0
São Paulo (SP)1390,5
Salvador (BA)1195,0
Lauro de Freitas (BA)1144,5
Porto Velho (RO)1123,2
Fonte: 20º Anuário de Segurança Pública
  • No combate aos crimes patrimoniais, Rondônia também aparece como o único estado da Região Norte com taxa de estelionato superior a 1.000 registros por 100 mil habitantes, ocupando a quarta posição nacional.
  • Já na retirada de armas de circulação, o estado lidera o ranking brasileiro, com 130,1 armas apreendidas para cada 100 mil habitantes.
  • O anuário também aponta que Rondônia registrou o maior aumento da Região Norte nas ocorrências de tráfico de drogas, com alta de 41,5%.

*Por Rede Amazônica Rondônia.

Indígenas de recente contato são vistos em rio perto de cidade no AM; especialistas alertam para evitar proximidade

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Indígenas Korubo em embarcação. Foto: Reprodução

Um grupo de indígenas da etnia Korubo, de recente contato com a sociedade, foi visto navegando por um rio no município de Atalaia do Norte, no interior do Amazonas. O avistamento em uma área próxima a comunidades ribeirinhas gerou apreensão entre moradores, mas especialistas alertam que qualquer tentativa de aproximação deve ser evitada para proteger os indígenas e respeitar a política brasileira de não contato com povos isolados e de recente contato.

Em um vídeo gravado por uma moradora, o grupo aparece se deslocando em embarcações enquanto pessoas gritam ao fundo. No relato, ela pede apoio às autoridades responsáveis pela proteção dos povos indígenas.

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“Autoridade, alguém aí da Funai, não sei, de algum desses órgãos, esses indígenas estão parando no nosso porto. Eles chegam aqui aos gritos. Agorinha eles pararam aqui no nosso porto, pararam semana passada, meu irmão falou para eles não vir, e relatos dizem que são Korubo e a gente está com medo deles, porque estão agressivos. Se alguém puder fazer alguma coisa, a gente agradece”, disse a moradora.

Índios isolados no Amazonas (Foto: Gleison Miranda/Funai/Divulgação)

A Rede Amazônica, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) informou que, até o momento, “não há confirmação técnica de ocorrência que indique situação de risco ou deslocamento atípico do grupo Korubo que justifique a alteração dos protocolos de proteção”.

De acordo com o órgão indigenista, o grupo retratado na filmagem habita a região do baixo rio Ituí e do baixo rio Itacoaí e estava a caminho da sede de Atalaia do Norte para visitar parentes. Durante o trajeto pelo rio Itacoaí, os indígenas fizeram uma breve parada na comunidade ribeirinha de Cachoeira para pedir alimentos”, explicou a Funai.

A Funai também esclareceu o motivo dos gritos relatados pela moradora no vídeo:

“Em razão de suas características socioculturais, os Korubo costumam emitir vocalizações específicas ao se aproximarem de determinados locais ou durante suas interações. Para pessoas que desconhecem seus costumes e formas de comunicação, tais manifestações sonoras podem causar estranhamento ou apreensão. Contudo, esse comportamento integra suas práticas culturais e, por si só, não representa situação de agressividade ou ameaça”, explicou a nota da instituição.

O órgão reforçou ainda que existem outros grupos Korubo em isolamento voluntário no Vale do Javari, mas em regiões distantes da mostrada nas imagens, sem qualquer ligação com o episódio. A Funai informou que enviará uma equipe técnica da Frente de Proteção Etnoambiental (FPE-VJ) à comunidade Cachoeira para dialogar com os moradores, prestando esclarecimentos culturais para evitar desinformação e prevenir conflitos.

Grupo é de recente contato e Funai atua no diálogo, diz Observatório

A Rede Amazônica, o Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato (Opi), organização que defende o direito desses povos à autodeterminação e a manter seus modos de vida próprios, esclareceu que os indígenas Korubo vistos no vídeo não pertencem a um grupo totalmente isolado.

(2010.© G.Miranda/FUNAI/Survival)

De acordo com a entidade, trata-se de indígenas de recente contato, que passaram a estabelecer relações com a sociedade a partir da década de 1990. Mais recentemente, esse grupo tem se deslocado com maior frequência entre a Terra Indígena Vale do Javari e a sede do município de Atalaia do Norte , deslocamentos que, muitas vezes, são estimulados pelo próprio poder público municipal.

O Opi ressaltou ainda que as comunidades do entorno precisam compreender que esses povos possuem diferenças culturais e de costumes significativas em relação à sociedade não indígena, mas enfatizou que tais diferenças precisam ser respeitadas e não devem ser interpretadas automaticamente como ameaças.

Ainda segundo a entidade, o vídeo chegou ao conhecimento das autoridades e a Frente de Proteção Etnoambiental do Vale do Javari, unidade da Funai responsável pela proteção dos grupos isolados e de recente contato na região, já está atuando para mediar as relações e o diálogo entre os Korubo e os moradores não indígenas da área.

Especialista reforça política de não contato

Diante do avistamento, o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Henrique dos Santos Pereira, reforçou que esse tipo de situação exige cautela e que a população deve evitar qualquer interação com os indígenas.

“O princípio adotado pelo Brasil e reconhecido internacionalmente é o do não contato, justamente para proteger esses povos de doenças para as quais não possuem imunidade, de conflitos e de interferências em seu modo de vida”, explicou o especialista.

Binan Tuku canta para os Korubo, com Possuelo (ao fundo), no primeiro contato com o grupo de Mayá em 1996 — Foto: Foto: Ricardo Beliel

Henrique dos Santos Pereira alertou ainda que moradores e visitantes não devem oferecer alimentos, tentar fotografar os indígenas de perto ou divulgar a localização exata do grupo.

“Não deve haver oferta de alimentos, fotografias a curta distância ou qualquer tentativa de interação. Também é importante que a localização exata não seja amplamente divulgada, pois isso pode atrair curiosos, pescadores, caçadores ou outros grupos, aumentando os riscos. Sempre que houver avistamentos, a conduta correta é comunicar imediatamente a Funai, que avaliará a situação e adotará as medidas necessárias”, completou.

Quem são os Korubo

Os Korubo pertencem à família linguística Pano e vivem na Terra Indígena Vale do Javari, território com mais de 8,5 milhões de hectares que abriga a maior concentração de povos indígenas isolados e de recente contato do mundo.

Parte do povo Korubo mantém contato com a sociedade brasileira desde a década de 1990. Outros grupos, porém, seguem em isolamento voluntário ou mantêm contato extremamente restrito, dependendo da floresta para sobreviver por meio da caça, da pesca, da coleta e da agricultura de subsistência.

Embora existam registros de conflitos na região, especialistas e organizações socioambientais lembram que os Korubo também foram vítimas de invasões, ataques e outras formas de violência praticadas por não indígenas ao longo das últimas décadas.

O monitoramento da Terra Indígena Vale do Javari é realizado pela Funai em parceria com a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja). O trabalho busca impedir invasões, evitar contatos não autorizados e proteger os povos indígenas que vivem na região.

Por Lucas Macedo, da Rede Amazônica Amazonas

Sistema Navegantes moderniza gestão do transporte aquaviário em Santarém com monitoramento e fiscalização em tempo real

Sistema Navegantes moderniza gestão do transporte aquaviário em Santarém. Foto: Rony Aires/ CCOM

A Prefeitura de Santarém, por meio da Secretaria Municipal de Portos e Transporte Aquaviário (Sempta), colocou em funcionamento o Sistema Navegantes, uma plataforma tecnológica criada para modernizar a gestão do transporte aquaviário e das atividades portuárias no município.

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A ferramenta foi desenvolvida para garantir mais organização, integração e controle das informações relacionadas ao setor hidroviário, permitindo o cadastramento, monitoramento e acompanhamento das embarcações e dos operadores que atuam em Santarém. O sistema fortalece as ações de ordenamento portuário, fiscalização, planejamento e gestão administrativa.

Sistema Navegantes moderniza gestão do transporte aquaviário em Santarém com monitoramento e fiscalização em tempo real
Foto: Reprodução/Prefeitura de Santarém

Em um município onde os rios têm papel essencial na mobilidade, no turismo e na economia, a implantação do Sistema Navegantes representa um avanço para tornar os serviços mais eficientes, seguros e alinhados às necessidades da população.

Para o secretário municipal de Portos e Transporte Aquaviário, João Albuquerque, a tecnologia representa um novo momento para a gestão do setor.

“O Sistema Navegantes é uma ferramenta que veio para transformar a forma como acompanhamos e planejamos o transporte aquaviário em Santarém. Com informações organizadas e acessíveis, conseguimos fortalecer a fiscalização, melhorar o atendimento aos usuários e tomar decisões mais estratégicas para o desenvolvimento do setor. É um avanço que traz mais segurança, eficiência e transparência para todos que dependem dos nossos rios”, destacou.

Entre as funcionalidades da plataforma estão o controle cadastral das embarcações, acompanhamento das atividades realizadas no município e integração de dados que auxiliam no planejamento das ações da secretaria.

Leia também: Governo do Brasil anuncia reforço em ações para evitar impactos de nova seca na navegação da Amazônia

Foto: Reprodução/Prefeitura de Santarém

A agente de fiscalização da Sempta, Suzeane Lima, explica que o sistema vai contribuir diretamente para o trabalho realizado em campo.

“O Sistema Navegantes vai facilitar muito a rotina da fiscalização, porque teremos acesso a informações mais precisas sobre as embarcações e os operadores cadastrados. Isso permite uma atuação mais organizada, preventiva e eficiente, garantindo que o transporte aquaviário seja realizado dentro das normas e com mais segurança para a população”, afirmou.

Para quem vive diariamente a realidade dos rios, a modernização também representa reconhecimento e valorização dos profissionais que fazem do transporte aquaviário uma atividade essencial. 

Foto: Reprodução/Prefeitura de Santarém

É o caso de Brailson de Sousa, que trabalha há anos com embarcações e segue um legado familiar no setor. Atualmente, ele realiza transporte de passageiros para a região da Cachoeira do Aruã.

“A minha vida sempre esteve ligada ao rio. É uma tradição que vem da minha família e que passou de geração para geração. Hoje, ver uma ferramenta como essa chegando para organizar melhor o nosso trabalho é muito importante. O transporte aquaviário precisa de valorização, segurança e organização, porque é por meio dos rios que muitas pessoas chegam aos seus destinos, trabalham e movimentam a economia da nossa região”, ressaltou.

*Por Neysle Magalhães, Prefeitura de Santarém.

Cientistas do Acre encontram quase 400 novos geoglifos na Amazônia

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Pesquisa identificou quase 400 novos geoglifos na Amazônia — Foto: Arquivo/Altino Machado – Rede Amazônica

Cientistas encontraram 396 geoglifos escondidos nas florestas do sul da Amazônia após uma série de sobrevoos que incluiu trajetos a partir de Rio Branco, capital do Acre. A pesquisa usou uma tecnologia de mapeamento 3D a laser capaz de registrar o relevo abaixo da vegetação e revelou estruturas que não apareciam em imagens de satélite.

Os geoglifos são grandes construções feitas com valas e estruturas de terra, geralmente organizadas em formas geométricas. O levantamento abrangeu cerca de 4,8 mil quilômetros quadrados em uma área que inclui o Acre, o sul do Amazonas e regiões da Bolívia e do Peru. O estudo foi publicado na quarta-feira (29) na revista científica Nature e reuniu pesquisadores brasileiros e finlandeses.

Ao g1, o botânico Evandro Ferreira, da Universidade Federal do Acre (Ufac), que coordenou a equipe brasileira do estudo, explicou que apenas 9% das estruturas identificadas já eram conhecidas em áreas abertas.

“A pesquisa encontrou novos geoglifos. Antes do levantamento, apenas 36 estruturas do tipo eram conhecidas na região. Com as novas descobertas, o número de geoglifos mapeados chegou a 432 nessa região mapeada”, contou.

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Mapeamento dos geoglifos

Os cientistas usaram aviões com aparelhos de lidar, uma tecnologia de radar a laser para mapeamento das áreas em três dimensões. Durante os sobrevoos, o equipamento registra informações sobre a vegetação e também alcança o solo. Depois, os dados são processados em computador. Com isso, os pesquisadores conseguem retirar virtualmente a cobertura vegetal e observar apenas a topografia do terreno, o que permite identificar marcas e estruturas escondidas pela floresta.

“Contratamos uma empresa para fazer o serviço com esses equipamentos, que são muito caros. Parte dos sobrevoos saiu de Manoel Urbano, no Acre, em direção a Catuiri, no Amazonas, e seguiu até Lábrea. Também fizemos dez linhas de sobrevoo partindo de Rio Branco, passando por Boca do Acre até chegar a Lábrea. Cada uma dessas linhas cobria uma faixa de aproximadamente 10 quilômetros de largura”, explicou Evandro.

Levantamento abrangeu uma área que inclui o Acre, o sul do Amazonas e regiões da Bolívia e do Peru — Foto: Arquivo/Altino Machado

Antes do uso da tecnologia, a maior parte dos geoglifos era identificada em áreas desmatadas. Sem a cobertura vegetal, as formas das antigas construções ficavam expostas e podiam ser observadas por imagens aéreas e de satélite.

De acordo com Evandro, a pesquisa teve como ponto de partida um estudo publicado em 2023 por um grupo liderado por um pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O trabalho utilizou o lidar em sobrevoos pela Amazônia e apontou que milhares de geoglifos ainda poderiam estar escondidos sob a floresta.

Além disso, o grupo de pesquisadores também publicou, naquele ano, um levantamento que identificou cerca de 1,2 mil geoglifos em áreas já desmatadas. A partir desses resultados, os pesquisadores decidiram ampliar a investigação com o uso da nova tecnologia no sul da Amazônia.

Leia também: A construção dos ‘deuses geométricos’: os geoglifos da Amazônia

Área pesquisada tem cerca de 185 mil quilômetros quadrados e pode abrigar até 30 mil geoglifos — Foto: Arquivo/Altino Machado

Estudo aponta novas descobertas

A quantidade de geoglifos identificada durante os sobrevoos permitiu aos pesquisadores estimar o potencial de novas descobertas em uma área mais ampla do sul da Amazônia. A região analisada se estende por parte do Acre e do sul do Amazonas, alcança o Norte de Rondônia e inclui áreas da Bolívia e do Peru. A delimitação considera a presença de geoglifos e outros dados obtidos em pesquisas arqueológicas.

De acordo com coordenador, a área tem cerca de 185 mil quilômetros quadrados e pode abrigar até 30 mil geoglifos. A estimativa foi feita com base na quantidade de estruturas encontradas durante o levantamento.

“Esse foi o grande achado. Você tem uma quantidade muito grande de geoglifos que, se a floresta for retirada, vai aparecer”, afirmou.
A projeção supera a estimativa apresentada em um estudo publicado em 2023, que apontou a possibilidade de cerca de 10 mil geoglifos ainda desconhecidos em toda a Amazônia.

Evandro Ferreira destacou que a nova estimativa considera apenas uma área de 185 mil quilômetros quadrados, enquanto a Amazônia ocupa mais de 4 milhões de quilômetros quadrados.

Leia também: Geoglifos do Acre podem ser reconhecidos como patrimônio mundial pela Unesco

Geoglifos são grandes construções feitas com valas e estruturas de terra — Foto: Arquivo/Altino Machado
Geoglifos são grandes construções feitas com valas e estruturas de terra — Foto: Arquivo/Altino Machado

Ocupação distante dos rios

Além de ampliar a quantidade estimada de geoglifos, o estudo traz novas informações sobre a forma como os povos antigos ocuparam a Amazônia.

Tradicionalmente, pesquisas arqueológicas associaram a presença humana na região às margens dos grandes rios. De acordo com Evandro, a proximidade com os cursos d’água facilitava o acesso à água, a pesca e outras atividades de subsistência.

”Os geoglifos identificados na área estudada ficam em regiões entre os rios, conhecidas como interflúvios. Esses locais estão mais distantes e apresentam dificuldades para o acesso à água, a caça e o desenvolvimento da agricultura. Então isso prova que o homem conseguiu não apenas ocupar a Amazônia vivendo nas margens dos rios, mas também nos interflúvios”, afirmou.

O pesquisador destacou ainda que a região enfrentava períodos de seca intensa. Por isso, os povos que viviam nesses locais precisavam conhecer as condições da floresta e desenvolver estratégias para garantir alimento e sobrevivência.

Civilização Aquiry

Os pesquisadores associam os geoglifos à civilização Aquiry, que ocupou parte do sul da Amazônia antes da chegada dos europeus. Segundo Ferreira, os primeiros geoglifos começaram a ser construídos entre 600 e 400 anos antes de Cristo. As estruturas mais recentes datam de cerca do ano 900 depois de Cristo, o que indica aproximadamente 1,5 mil anos de ocupação e construção dessas obras na região.

A estimativa sobre o tamanho da população considera a quantidade de pessoas necessária para construir e manter os geoglifos. Para o pesquisador, cada estrutura exigiria o trabalho de pelo menos 300 pessoas e uma organização capaz de garantir a alimentação e a sobrevivência dos grupos durante as obras.

“Provavelmente, algumas se dedicavam exclusivamente a abrir os geoglifos, outras à caça e à pesca para alimentar quem estava trabalhando e outras à agricultura, porque precisavam plantar milho, mandioca, amendoim e outras plantas para que essas pessoas pudessem comer e sobreviver. Então, era uma coisa muito complexa”, explicou.

Com base na quantidade e na idade dos geoglifos, os pesquisadores estimaram que, entre os anos 100 e 300 depois de Cristo, a população associada às estruturas poderia variar entre 1,25 milhão e 3 milhões de pessoas. Evandro ressaltou que a estimativa não representa a quantidade de pessoas que viviam na região ao mesmo tempo, mas considera a ocupação e a construção dos geoglifos ao longo desse período.

“É uma situação impressionante, mas, claro, não eram 3 milhões de pessoas vivendo no mesmo ano. Foi ao longo desse período”, afirmou.

Descobertas e debate sobre preservação

A pesquisa também levanta discussões sobre a preservação dos geoglifos diante da expansão da agricultura mecanizada no sul da Amazônia. As estruturas são protegidas por lei por representarem parte da história e do patrimônio cultural da região. Segundo o pesquisador, danos provocados por atividades agrícolas podem resultar em responsabilização.

A área analisada inclui municípios acreanos onde a agricultura mecanizada avançou nos últimos anos, como Capixaba e Acrelândia, além de regiões próximas a Boca do Acre, no Amazonas. Para o pesquisador, a retirada da floresta pode revelar novas estruturas, mas também aumentar os conflitos entre a preservação do patrimônio arqueológico e o uso econômico das terras.

Segundo o coordenador, a identificação de novas estruturas pode limitar o uso de algumas áreas e influenciar a expansão da agricultura mecanizada na região. “Se o desmatamento se intensificar, novos geoglifos surgirão. Quem quer mecanizar vai encontrar muitos geoglifos, e aí tem toda essa questão de que não pode mexer”, concluiu.

*Com informações de Jhenyfer de Souza, do G1 AC

Rondônia tem a 2ª passagem aérea mais cara do Brasil, aponta Anac

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Estado registra o segundo maior preço da passagem aérea do Brasil. Foto: Divulgação/Airbus

As passagens aéreas com origem ou destino em Rondônia estão entre as mais caras do Brasil. Dados do Anuário do Transporte Aéreo 2025, da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), mostram que o estado registrou a segunda maior tarifa aérea média do país, atrás apenas de Roraima. Além disso, Rondônia teve o maior aumento no preço das passagens em 2025, com alta de 40% em relação ao ano anterior.

Segundo o levantamento, a tarifa aérea média no estado chegou a R$ 1.277 em 2025, enquanto em Roraima o valor médio foi de R$ 1.401. O anuário também aponta que Rondônia possui a maior distância média de voo do país, com 2.906 quilômetros por trecho, fator que ajuda a explicar o custo elevado das viagens.

Outro indicador que cresceu foi o yield, índice que representa o valor pago pelo passageiro por quilômetro voado. Em Rondônia, o rendimento médio foi de R$ 0,446 por quilômetro, crescimento de 30,8% em relação a 2024.

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O que explica as tarifas?

Para o economista Matheus Torrente, colunista da CBN Amazônia, a localização geográfica de Rondônia é um dos principais fatores para o alto custo das passagens.

“A principal razão de Rondônia figurar entre os maiores preços nacionais de passagens aéreas é a nossa distância geográfica. Nosso país é continental e os voos daqui percorrem distâncias muito maiores. Além disso, um dos maiores custos das companhias aéreas é o combustível, que representa quase 30% do custo do voo”, explica.

Segundo ele, a combinação entre voos longos, baixa oferta e custos elevados torna a operação mais cara na região Norte.

“Como a gente não é tão populoso aqui no Norte, principalmente Rondônia e Acre, não existe uma disponibilidade tão grande de voos. Com poucos voos disponíveis, os aviões costumam sair cheios, mas isso também faz com que os preços aumentem”, comenta.

Aeroporto de Porto Velho
Aeroporto Internacional de Porto Velho. Foto: Reprodução/Bom dia Rondônia

O economista também aponta que a infraestrutura aeroportuária influencia o cenário. Outro desafio, segundo Matheus, é a falta de mão de obra especializada e de infraestrutura voltada ao setor aéreo.

“Temos um aeroporto internacional, mas com poucos voos internacionais. Isso reduz o interesse das empresas em ampliar as operações. Além disso, é preciso ter equipes de solo, mecânicos, abastecimento e toda uma estrutura logística para atender as companhias.”

Para ele, medidas como incentivos fiscais sobre combustíveis, investimentos em aeroportos, fortalecimento da aviação regional e ampliação do transporte de cargas poderiam estimular novas operações e aumentar a concorrência.

Leia também: Veja quais são as orientações para levar insumos da Amazônia para outros estados ou países em viagens de avião

Passageiros sentem impacto no bolso

Quem precisa viajar com frequência sente diretamente os efeitos dos preços elevados. O advogado e professor universitário Welison Nunes costuma viajar para Brasília, São Paulo e, eventualmente, para o exterior. Segundo ele, o gasto com passagens varia entre R$ 3.500 e R$ 7.000.

“Uma passagem de Porto Velho para Brasília, dependendo da época da compra, custa entre R$ 3.500 e R$ 3.800.”
Welison afirma que já deixou de fazer viagens por causa do preço das passagens e para tentar economizar, ele compra os bilhetes com antecedência.

“Já deixei de fazer várias viagens em função do valor. Você consegue comprar uma viagem de ida e volta para o exterior e não consegue comprar uma passagem de Porto Velho para Brasília ou para São Paulo pelo mesmo valor”, diz.

Movimentação aérea em Rondônia

Apesar das tarifas elevadas, Rondônia manteve, em 2025, operações em quatro aeroportos, o mesmo número registrado no ano anterior. Ao longo do ano, foram realizadas 2.605 decolagens no estado. A maior parte ocorreu em Porto Velho.

  • Porto Velho: 2.236 decolagens;
  • Ji-Paraná: 166;
  • Vilhena: 102;
  • Cacoal: 101.

O estado também registrou 336.750 passageiros pagos transportados no mercado doméstico. A movimentação ficou distribuída da seguinte forma:

  • Porto Velho: 302.246 passageiros;
  • Ji-Paraná: 11.572;
  • Cacoal: 11.519;
  • Vilhena: 11.413.

No transporte de cargas, houve retração. A quantidade de carga paga e correio embarcados caiu de 803 toneladas, em 2024, para 758 toneladas em 2025.

rondonia tem a segunda passagem aérea mais cara do país
Apesar das tarifas elevadas, Rondônia realizou, em 2025, 2.605 decolagens no estado, o mesmo número em relação ao ano anterior. A maior parte ocorreu em Porto Velho. Foto: Reprodução/Bom dia Rondônia

O que dizem as companhias aéreas?

Em nota, a Azul informou que o preço das passagens é definido por um sistema de tarifas dinâmicas e varia conforme fatores como trecho, época do ano, antecedência da compra, disponibilidade de assentos, oferta e demanda. A companhia também afirmou que fatores externos, como a cotação do dólar, o preço do combustível e conflitos internacionais, influenciam os valores das tarifas.

Como orientação aos passageiros, a empresa recomenda comprar passagens com antecedência, ter flexibilidade de datas e horários e, quando possível, considerar diferentes aeroportos de embarque e desembarque. Segundo a Azul, períodos de maior procura, como férias escolares e feriados, costumam ter passagens mais caras.

O g1 procurou as companhias aéreas Gol e Latam, que também operam voos em Rondônia, para esclarecer os fatores que influenciam os preços das passagens no estado. Até a última atualização desta reportagem, as empresas não havia respondido aos questionamentos.

*Com informações de João Alves, da CBN Amazônia e G1 RO

Parque da Cidade é um convite a diversão no coração de Porto Velho

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Foto: José Carlos/Prefeitura de Porto Velho

As férias escolares ganharam um cenário especial para as estudantes Ingrid Vitória e Verônica Rocha, ambas de 17 anos. Moradoras do bairro Embratel, elas aproveitaram uma tarde no Parque da Cidade para caminhar, conversar e fugir da rotina, em um ambiente cercado por natureza, tranquilidade e segurança.

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Entre uma conversa e outra, as amigas contam que o espaço se tornou um dos lugares preferidos para aproveitar o tempo livre.

“Nas férias a gente sempre procura um lugar tranquilo para passear e conversar. Aqui é bonito, seguro, bem cuidado e dá vontade de ficar. É um lugar que faz bem para a gente.”, afirmam Ingrid Vitória e Verônica Rocha.

Parque da Cidade é um convite a diversão no coração de Porto Velho
Ingrid Vitória e Verônica Rocha aproveitaram a tarde no Parque da Cidade para caminhar e relaxar em meio à natureza. Foto: José Carlos/Prefeitura de Porto Velho

Leia também: 4 parques em Porto Velho para quem procura opções de lazer

Muito além de um cartão-postal, o Parque da Cidade vem se consolidando como um dos principais espaços públicos de convivência de Porto Velho. Com estrutura moderna e acessível, o local reúne atrações para todas as idades, incentivando a prática de atividades físicas, o lazer em família e o contato com a natureza.

Quem visita o parque encontra uma ampla pista de caminhada, lago ornamental com patos, áreas verdes, playground, academia ao ar livre, quadra de vôlei revitalizada, brinquedo de spiribol, redário e diversos espaços destinados ao descanso e à convivência.

O parque também se destaca pelo cuidado com a inclusão. O espaço conta com um jardim sensorial, equipado com pergolado, flores, plantas ornamentais e iluminação artesanal, proporcionando uma experiência voltada às pessoas com deficiência e neurodivergentes. Há ainda o Espaço Acolher, pensado especialmente para atender crianças com necessidades específicas, tornando o ambiente ainda mais acessível para todas as famílias.

Outro diferencial é a iluminação artística instalada em diversos pontos do parque, que transforma o cenário durante a noite e cria uma atmosfera acolhedora para caminhadas, encontros e momentos de contemplação. O espaço ainda oferece internet gratuita e pontos com tomadas para carregamento de celulares, garantindo mais conforto aos visitantes.

Quem também aproveitou um momento em família foi o motoboy Sérgio Felipe, morador do bairro Três Marias. Ao lado da esposa, Bruna Fonseca, e da filha Laura Beatriz, de apenas quatro anos, ele escolheu o parque para passar parte do dia.

Sérgio Felipe ao lado da esposa, Bruna Fonseca, e da filha Laura Beatriz, escolheu o parque da cidade para passar parte do dia. Foto: José Carlos/Prefeitura de Porto Velho

“A gente trabalha muito durante a semana e sempre procura um lugar seguro para trazer nossa filha. Aqui ela brinca à vontade, corre, se diverte e nós conseguimos descansar um pouco. É um espaço muito bonito e agradável.”, conta Sérgio. 

Para Bruna, o ambiente oferece exatamente o que muitas famílias procuram. “É muito bom ver um espaço assim, organizado, limpo e pensado para todas as pessoas. Nossa filha adora o playground e nós aproveitamos para passear juntos. É um lugar que vale a pena visitar.”

O presidente da Empresa de Desenvolvimento Urbano (Emdur), Bruno Holanda, ressalta que o Parque da Cidade foi planejado para oferecer lazer aliado à acessibilidade e ao bem-estar. “Nosso objetivo é manter um espaço vivo, seguro, bem iluminado e acolhedor para toda a população. Cada melhoria realizada busca proporcionar mais conforto, inclusão e qualidade de vida para quem frequenta o parque.”

Parque da cidade reúne atrações para todas as idades, incentivando a prática de atividades físicas, o lazer em família e o contato com a natureza. Foto: José Carlos/Prefeitura de Porto Velho

O prefeito Léo Moraes destaca que investir em espaços públicos de qualidade é investir diretamente nas pessoas. “O Parque da Cidade representa exatamente o que queremos para Porto Velho: um ambiente onde famílias possam criar memórias, jovens possam se encontrar, crianças possam brincar com segurança e todos tenham acesso gratuito ao lazer. É um patrimônio da população e um convite permanente para que moradores e visitantes aproveitem o melhor da nossa cidade.”

*Por Jhon Silva, Prefeitura de Porto Velho.

Saiba quais foram os ‘Super El Niños’ mais fortes da história

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Em 150 anos, foram registrados quatro eventos extremos considerados como ‘Super El Niño’. Foto: Reprodução/NOAA

A possibilidade de um Super El Niño na temporada 2026/2027 ligou o alerta de organizações ambientais, autoridades políticas, entidades e da população mundial acerca dos impactos decorrentes do fenômeno climático, que promete atingir níveis extremos. As projeções meteorológicas apontam que o evento natural responsável pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico será um dos mais intensos das últimas décadas, com temperaturas que podem ultrapassar os 4ºC.

Caso o Super El Niño se consolide, o fenômeno confirmará a intensificação das mudanças climáticas e o aumento do aquecimento global num intervalo curto de pelo menos cinco anos entre El Niños considerados fortes segundo a média histórica do evento natural. De acordo com especialistas, nos últimos 150 anos, foram registrados quatro “Super El Niño” em todo planeta: 1877-78, 1982-83, 1997-98 e 2015-16.

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O Portal Amazônia pesquisou e reuniu alguns fatos sobre os quatro maiores El Niños registrados até aqui. Confira:

Maiores El Niños da história

1877-78

Retrato da Grande Fome durante o Super El Niño 1877 na Índia. Foto: Reprodução/Meteored Brasil

O El Niño de 1877 foi um dos mais intensos já registrados e provocou consequências devastadoras em diversas partes do planeta. O fenômeno ocorreu em uma época em que ainda não existiam satélites, modelos meteorológicos ou sistemas modernos de monitoramento climático, mas seus impactos foram tão severos que muitos pesquisadores consideram o episódio como um dos eventos climáticos mais destrutivos da história moderna.

Na Ásia, países como Índia, China e partes do Sudeste asiático enfrentaram uma sucessão de secas catastróficas, em que a falta de chuva devastou plantações, secou rios e levou milhões de pessoas à fome. Já na África, diversas regiões do continente registraram estiagens severas e mortalidade elevada. Estimativas históricas indicam que dezenas de milhões morreram em consequência direta ou indireta das crises alimentares agravadas pelo clima extremo.

Enquanto isso, o Sul dos Estados Unidos e partes da América do Sul enfrentavam chuvas intensas e enchentes associadas às mudanças na circulação atmosférica do planeta. No Brasil, o impacto mais dramático ocorreu no Nordeste, com a chamada Grande Seca que entrou para a história como uma das maiores tragédias climáticas e humanitárias do país. A estiagem atingiu especialmente Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, destruindo plantações, dizimando rebanhos e levando milhares de famílias à miséria.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é o Super El Niño?

1982-83

Super El Niño de 1982/83
El Niño de 1982 foi devastador em países como o Peru, na América do Sul. Foto: Reprodução/Semana.com

Primeiro monitorado por satélites e boias oceânicas, o El Niño de 1982 foi considerado um dos mais fortes e devastador do século, causando inundações, secas e e prejuízos econômicos em diversos continentes. O episódio surpreendeu a comunidade acadêmica científica num período em que os conhecimentos sobre o tema ainda era limitados, no entanto, ampliou o interesse científico pelo monitoramento climático global.

Seus impactos tiveram potencial destrutivo em vários países como chuvas torrenciais no Peru e Equador, secas severas na Austrália, Indonésia, Filipinas e sul da África, além de incêndios florestais. Já no Brasil, causou a redução significativa das chuvas na Amazônia, aumento expressivo das queimadas, secas em partes do Nordeste e excesso de chuvas em partes do Nordeste.

De acordo com estimativas á época, o prejuízo estimado foi de aproximadamente oito milhões de dólares e teve como saldo negativo cerca de duas mil mortes relacionadas aos desastres.

1997-98

Incêndios florestais na Floresta Amazônica se tornaram frequentes durante o Super El Niño 1997-98. Foto: Reprodução/Earth.com

É considerado por muitos pesquisadores o mais intenso do século XX. O El Niño desta temporada provocou impactos devastadores em diversos países da América do Sul, especialmente no Peru e no Equador, em que os efeitos foram particularmente severos com chuvas torrenciais, enchentes de grandes proporções e deslizamentos de terra. Os desastres foram inevitáveis: rios transbordaram, cidades ficaram isoladas, milhares de moradias foram destruídas e estradas, pontes, sistemas de abastecimento de água e redes elétricas sofreram graves prejuízos.

Na Amazônia, o evento climático culminou no comportamento da Floresta Amazônica, que sofreu com secas prolongadas, redução dos níveis dos rios, aumento das queimadas, mortalidade severa de árvores e diminuição da umidade. Em outras regiões do Brasil, o Sul enfrentou cheias frequentes, o Nordeste registrou secas e o Centro-Oeste ondas de calor.

Estudos à época estivam perdas superiores a US$ 30 bilhões, o que tornou o Super El Niño 1997-98 um dos maiores desastres naturais mais caros do século passado.

2015-16

Super El Niño 2015-16 foi o único do século XXI e o último registrado até então. Na ocasião, o ano de 2015 se tornou o mais quente da história à época. Foto: Reprodução/Brasil Escola

Com intensidade comparável aos eventos anteriores, este El Niño provocou alterações intensas no clima global, que até então já era considerado uma planeta aquecido. A temperatura de 2,6ºC das águas oceânicas tornou o ano de 2015 o mais quente da história à época, o que causou ondas de calor intensas em diversos continentes, além de secas no sul da África, incêndios florestais na Indonésia e problemas alimentares nos países africanos.

A Floresta Amazônica também foi impactada com os efeitos do evento extremo. Secas, estresse hídrico em função da alta emissão de carbono, bacias hidrográficas abaixo do nível normal e aumento recorde de focos de queimadas em vários estados foram alguns dos problemas enfrentados pelo bioma amazônico. Outras regiões brasileiras como o Sul sofreram com episódios de chuva intensa e temperaturas acima da média em grande parte do país.

Super El Niño em 2026?

As projeções divulgadas pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOOA) sinalizam 82% de probabilidade para a formação do Super El Niño entre maio e julho e 96% de chance de que o fenômeno se mantenha entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027. Os modelos indicam que a temperatura da superfície do mar no Pacífico tropical poderá atingir 3,6°C acima da média, superando o recorde de 2,75°C observado durante o forte El Niño de 2015/2016.

*Com informações do MetSul Meteorologia e Greenpeace.