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FRAM entrega caderno de soluções e amplia diálogo com prefeitura de Boa Vista e Governo de Roraima

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Foto: Divulgação

A diretoria da Fundação Rede Amazônica (FRAM) realizou, em Roraima, a entrega do caderno de soluções do projeto Amazônia Que Eu Quero ao Governo do Estado e à Prefeitura de Boa Vista, fortalecendo o diálogo com o poder público e a construção de propostas voltadas ao desenvolvimento sustentável da região.

Durante a agenda institucional, a Fundação foi recebida pelo governador de Roraima, Antonio Denarium (PP), e pelo prefeito de Boa Vista, Arthur Henrique (MDB), em encontros que tiveram como foco a apresentação das propostas e o alinhamento de iniciativas estratégicas para o estado.

Participaram da agenda a diretora da Fundação Rede Amazônica, Mariane Cavalcante, a diretora-presidente, Dra. Cláudia Daou Paixão e Silva, e o diretor-executivo da Rede Amazônica em Roraima, Joel Cristian Gomes.

Caderno reúne propostas para políticas públicas

O caderno de soluções do Amazônia Que Eu Quero consolida contribuições construídas a partir da escuta da sociedade e de especialistas, reunindo cerca de 80 propostas voltadas à solução de desafios relacionados à sustentabilidade, à conscientização ambiental e à gestão dos recursos hídricos.

Foto: Divulgação

O material funciona como instrumento de apoio à formulação de políticas públicas, conectando conhecimento técnico às realidades locais e contribuindo para a construção de ações práticas nos estados da região.

Segundo a diretora da Fundação Rede Amazônica, Mariane Cavalcante, a agenda em Roraima também permitiu aprofundar o entendimento sobre as demandas locais.

“A visita a Boa Vista foi uma oportunidade importante de ouvir de perto as demandas da população e compreender melhor as realidades locais. Identificamos um cenário com potencial para o desenvolvimento de iniciativas em educação, sustentabilidade e inclusão, sempre com foco em gerar impacto direto na vida das pessoas e em parceria com instituições locais”.

AMQQ fortalece conexão entre sociedade e gestão pública

O projeto Amazônia Que Eu Quero se consolida como uma iniciativa de escuta e construção coletiva, reunindo contribuições de diferentes setores da sociedade para apoiar decisões estratégicas na região.

A entrega do caderno às lideranças públicas reforça o papel do projeto como ponte entre sociedade e gestão pública, ampliando o potencial de transformação das propostas em políticas públicas e ações efetivas.

“O Caderno de Soluções reúne os anseios de quem vive entre rios e florestas e chama a Amazônia de lar. Ele consolida contribuições debatidas com especialistas que também são moradores da região, unindo conhecimento técnico às experiências do dia a dia. Por isso, é um material diverso e coletivo. Nosso objetivo é que o caderno sirva como base para a formulação de políticas públicas e projetos de lei, para que as propostas apresentadas retornem de forma efetiva à população, em ações concretas e transformadoras”. – Ruthiene Bindá, coordenadora do projeto Amazônia Que Eu Quero

Sobre a Fundação Rede Amazônica

A Fundação Rede Amazônica (FRAM) é o braço institucional do Grupo Rede Amazônica e atua na promoção do desenvolvimento sustentável da região por meio de iniciativas nas áreas de educação, cultura, inovação, empreendedorismo e sustentabilidade. A instituição articula parcerias e mobiliza a sociedade em torno de ações que contribuem para a preservação ambiental, a formação cidadã e o fortalecimento das comunidades amazônicas.

O Amazônia Que Eu Quero é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM) e uma iniciativa do Grupo Rede Amazônica.

Amazonas Óleo, Gás e Energia 2026: exposição e conferência foca em desenvolvimento energético

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Foto: Wellington Mamud

O Amazonas deu início, nesta segunda-feira (23), à terceira edição do Amazonas Óleo, Gás & Energia – Expo & Conferência 2026, consolidando o evento como o principal fórum do setor na Região Norte e um dos primeiros do calendário nacional da área energética neste ano. Com o tema “Amazonas e o Arco Norte do Desenvolvimento Energético”, a abertura reuniu representantes do poder público, iniciativa privada, universidade e delegações internacionais, reforçando o papel estratégico do estado no novo cenário de energia.

A cerimônia de abertura contou com a presença do vice-governador do Amazonas, Tadeu de Souza; do secretário de Estado de Energia, Mineração e Gás, Ronney Peixoto; da diretora superintendente do Sebrae Amazonas, Ananda Carvalho Normando Pessôa;do deputado estadual Sinésio Campos, presidente da Comissão de Geodiversidade, Recursos Hídricos, Minas, Gás, Energia e Saneamento da Assembleia Legislativa do Amazonas; do prefeito de Presidente Figueiredo, Fernando Vieira; além de representantes do Ministério de Minas e Energia, Petrobras, Eneva, Cigás, Transpetro, BBX do Brasil, Mineração Taboca, Potássio do Brasil, IBP, ANP, Fapeam e autoridades internacionais, como o ministro de Serviços Públicos e Aviação da Guiana, Deodat Indar.

Ao declarar aberto o evento, o vice-governador destacou o protagonismo do Amazonas no cenário energético e a importância da integração regional. Segundo ele, o Arco Norte representa um novo eixo de desenvolvimento que conecta o estado a países como Guiana e Suriname, ampliando a competitividade e a cooperação internacional. “O que antes parecia distante já é realidade em construção, e o Amazonas está no centro dela”, afirmou.

Na mesma linha, o secretário Ronney Peixoto ressaltou que o estado já vive um novo ciclo econômico impulsionado pelos setores de energia, mineração e tecnologia. De acordo com ele, os investimentos previstos devem gerar impactos significativos nos próximos anos, com estimativa de até R$ 30 bilhões no PIB e a criação de cerca de 30 mil empregos até 2030.

O deputado estadual Sinésio Campos também destacou o avanço do setor no estado, atribuindo o crescimento a decisões estratégicas que permitiram a exploração responsável dos recursos naturais. Segundo ele, o desenvolvimento energético tem ampliado a geração de emprego e renda, além de impulsionar novas cadeias produtivas no Amazonas.

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A diretora superintendente do Sebrae Amazonas, Ananda Carvalho, destacou o papel do evento como plataforma de conexão e geração de oportunidades. 

“Estamos reunindo, em um só espaço, grandes empresas, pequenos negócios, centros de pesquisa e o poder público para discutir o futuro da energia e, principalmente, gerar oportunidades reais de mercado”, afirmou.

Ela também ressaltou que a expectativa é que a edição de 2026 supere R$ 55 milhões em negócios gerados ao longo dos três dias de programação.

Ananda enfatizou ainda o papel do Sebrae na preparação dos pequenos negócios para o setor, destacando que, ao longo de 21 anos de atuação, a instituição já qualificou mais de 500 empresas e acumulou mais de 40 mil horas de consultorias. 

“Nosso objetivo é garantir que esses empreendedores estejam aptos a atender às exigências da indústria e aproveitar as oportunidades que surgem com a expansão do setor energético”, completou.

Amazonas Óleo, Gás e Energia 2026: exposição e conferência foca em desenvolvimento energético
Foto: Wellington Mamud

Gás natural e transição energética em destaque

Durante a abertura, o diretor do Departamento de Gás Natural do Ministério de Minas e Energia, Marcello Weidt, destacou que o Amazonas já ocupa a posição de segundo maior produtor de gás natural do país, com cerca de 7% da produção nacional. Segundo ele, projetos como Urucu, Azulão e novas áreas exploratórias reforçam o potencial de expansão do estado, contribuindo para a segurança energética e a descarbonização da indústria brasileira.

A presença internacional também reforçou o caráter estratégico do evento. O ministro da Guiana, Deodat Indar, destacou o interesse do país em ampliar parcerias com o Brasil, especialmente na área de gás natural, e trocar experiências sobre produção, transporte e uso energético, dentro de uma agenda alinhada ao desenvolvimento de baixo carbono.

Investimentos, tecnologia e geração de empregos no Amazonas

Representando a Petrobras, o gerente executivo Stênio Jayme destacou a retomada das atividades onshore no Amazonas e os novos investimentos em exploração e produção. A companhia já iniciou a perfuração de novos poços e segue ampliando sua atuação no estado, com foco em geração de valor, eficiência operacional e transição energética.

Segundo dados apresentados, a Petrobras mantém operações relevantes no Amazonas, com milhares de empregos diretos e indiretos, além de forte contribuição tributária. A empresa também reforçou seu compromisso com metas ambientais, redução de emissões e desenvolvimento de soluções de baixo carbono.

Leia também: Entenda a diferença entre os tipos de fontes de energia na Amazônia

Ambiente para negócios e inovação

Com 52 estandes e participação de empresas, startups, instituições de pesquisa e órgãos públicos, a área de exposição já movimentou o primeiro dia do evento, conectando diferentes atores do setor. Um dos destaques é o espaço dedicado à inovação, com projetos apoiados pela Fapeam e iniciativas com potencial de transformação em novos negócios.

A programação também incorpora práticas sustentáveis, como iniciativas de descarbonização do evento e gestão de resíduos com foco em lixo zero, reforçando o alinhamento com a agenda ESG.

Nos próximos dias, o evento avança para as rodadas de negócios, consideradas um dos momentos mais estratégicos da programação e simpósios técnicos. A expectativa é reunir nove empresas âncoras e cerca de 50 fornecedores, em mais de 100 reuniões, conectando empreendedores de estados como Amazonas, São Paulo, Rio de Janeiro, Pará, Alagoas e Bahia.

Além disso, a programação segue com painéis técnicos, debates sobre transição energética, logística na Amazônia, inovação e integração regional, reunindo especialistas e lideranças para discutir os caminhos do setor.

Estudantes de Geofísica da Ufopa localizam embarcações naufragadas no Rio Tapajós

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Registros da atividade de Geofísica no Rio Tapajós. Fotos: Divulgação/Acervo Ufopa

Como prática do curso de Geofísica da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), foi realizada uma atividade de campo no Rio Tapajós, no trecho entre Santarém e Belterra, com foco principal na região belterrense.

Durante a ação, realizada no período de 9 a 13 de março, foram coletados dados geofísicos com a operação de equipamentos como o sistema de Sísmica de Alta Resolução Monocanal, cedido pela Universidade de Brasília (UnB), e o sistema integrado de Batimetria Multifeixe e Sonar de Varredura Lateral, fornecido pela RuralTech.

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Durante a atividade, com 8 horas diárias de navegação, foram coletados dados batimétricos, relacionados às medições de profundidade que mapeiam o relevo submerso do rio, e dados sonográficos, a partir de informações geoacústicas, que permitirão elaborar um modelo 3D da área de estudo e perfis sísmicos, como representações gráficas do subsolo.

A análise preliminar dos dados batimétricos já apontou a presença de depressões, possivelmente associadas com presença de gás, afloramentos de rochas e dois naufrágios.

A análise prévia dos dados identificou que os dois naufrágios correspondem à balsa Rainha Ester e seu empurrador, que naufragaram em 4 de novembro de 2024, após um forte vendaval, ocasionando a morte de duas pessoas.

As imagens geradas pelos métodos geofísicos permitiram determinar com precisão a localização das embarcações. O empurrador foi identificado a, aproximadamente, 4 km da praia do Cajutuba, enquanto a balsa, com cerca de 45 metros de comprimento, foi localizada na região da praia do Pindobal.

Relevância da Geofísica Aquática

A identificação dessas estruturas demonstra a relevância da Geofísica Aquática não apenas para estudos geológicos, mas também para aplicações práticas, como mapeamento de riscos à navegação, monitoramento ambiental e investigações de estruturas submersas.

A atividade de campo foi realizada com o objetivo de oferecer formação completar aos estudantes sobre métodos de Geofísica Aquática aplicados a estudos ambientais, geotécnicos e geológicos.

Além da didática, o levantamento também visou complementar os dados coletados durante uma campanha realizada em 2023, no âmbito de uma colaboração entre a Ufopa, UnB e i IFREMER, da França.

Leia também: Livro lançado em Santarém conta histórias de naufrágios na Amazônia

Registros da atividade de Geofísica no Rio Tapajós. Fotos: Acervo do curso
Registros da atividade de Geofísica no Rio Tapajós. Fotos: Acervo do curso

A expedição ocorreu a bordo da embarcação de médio porte Jorge Olinto e contou com a participação de dez estudantes do curso de Geofísica e uma discente do curso de Geologia. A equipe foi acompanhada pelos docentes e pesquisadores Cintia Rocha da Trindade, da Ufopa, e Marco Ianniruberto, da Universidade de Brasília, além do apoio técnico de Perícles Macedo e de quatro tripulantes.

Professor Marco Ianniruberto considerou a campanha um sucesso em duas vertentes. Do ponto de vista da didática, proporcionou aos estudantes a oportunidade de operar equipamentos geofísicos tecnologicamente avançados e vivenciar na prática os métodos de levantamento em ambiente aquático. Do ponto de vista científico, permitiu coletar dados que serão extremamente úteis para o entendimento da evolução da bacia hidrográfica.

De acordo com a docente Cintia Rocha da Trindade, atividades de campo como essa são fundamentais para a formação prática na graduação.

“As experiências adquiridas permitem que os estudantes desenvolvam habilidades técnicas e operacionais essenciais, especialmente em uma área como Geofísica Aquática que emprega cerca de 50% dos geofísicos formados”, disse a professora.

Leia também: Afundamento dos navios Jaguaribe e Andirá: um confronto com ribeirinhos em Óbidos

Registros da atividade de Geofísica no Rio Tapajós. Fotos: Acervo do curso

Ela também destacou que atividades como essa envolvem custos elevados e só são viabilizadas por meio de parcerias institucionais, incluindo a colaboração entre universidades, apoio de proprietários de embarcação e empresas parceiras.

A expectativa do curso de Geofísica da Ufopa é que iniciativas desse tipo se tornem cada vez mais frequentes, consolidando a Geofísica como uma ferramenta estratégica para a investigação e compreensão de ambientes complexos como o Rio Tapajós.

*Com informações da Universidade Federal do Oeste do Pará

De barco, confeiteiro navega por rio para entregar bolos em comunidades no Acre

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Chef acreano ganha destaque nas redes por entregar bolos em barcos. Foto: Reprodução/Instagram-@chef_charlesfigueredo

Equilíbrio, criatividade e um pouco de aventura fazem parte da rotina do confeiteiro acreano Charles Figueiredo, de 37 anos. Para atender os clientes que vivem em áreas de difícil acesso no Acre, Charles encontrou nos barcos e canoas o transporte ideal para levar os bolos decorados.

Natural de Sena Madureira, ele une a vivência ribeirinha com a técnica aprendida em Rio Branco para manter o negócio funcionando entre um município e outro.

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Foto: Reprodução/Instagram-@chef_charlesfigueredo

Charles é confeiteiro há 15 anos, mas o interesse pela área veio ainda na juventude. Aos 17 anos, ele deu os primeiros passos no ramo ao trabalhar com panificação ainda no interior onde começou em funções inicais e, em pouco tempo, se destacou até assumir a gerência de uma padaria, onde permaneceu por oito anos.

A virada para a confeitaria veio em 2017, quando decidiu mudar de área e passou a trabalhar em uma doceria em Rio Branco.

“Minha primeira experiência começou em 2017. Eu trabalhava em supermercado e conheci uma doceria aqui na capital. Minha paixão começou a partir daí”, relembra.

Relembre: Confeiteiro viraliza ao decorar bolos em lugares inusitados enquanto viaja pelo Pará

Difícil acesso

Porém, o diferencial veio com o tempo. Filho de uma família do interior e acostumado à rotina às margens do Rio Purus, Charles decidiu levar suas receitas para a comunidade onde os pais vivem, no Seringal Pacatuba, também conhecido como Comunidade Santa Amélia, em Sena Madureira.

O jovem conta que viveu no local até os 16 anos e que, inclusive, nasceu de sete meses dentro de uma canoa, história que ajuda a explicar sua forte ligação com a região.

confeiteiro acreano Charles Figueiredo. Foto: Reprodução/Instagram-@chef_charlesfigueiredo

Por lá, onde o acesso é limitado, as entregas precisaram se adaptar à realidade e ganharam um formato incomum.

“Eu nasci no interior de Sena Madureira e sempre vou lá nas férias. Como eu já fazia bolos, tive a ideia de levar para lá também. E o único transporte é a canoa ou o barco. Sempre que vou levo meu material, daí consigo montar esses bolos. É uma aventura bem à parte”, conta.

Entre idas e vindas pelo rio, ele transporta ingredientes, utensílios e encomendas prontas. O trajeto exige cuidado redobrado, mas não diminui a demanda.

Segundo ele, os bolos de aniversário são os que lideram os pedidos, principalmente em celebrações familiares. “São os mais procurados. Eu foco muito nos ingredientes regionais”, explica.

Sabor regional encontrado nos bolos

Essa escolha aparece também nas combinações. Um dos sabores mais marcantes de seus bolos leva cupuaçu e castanha-do-Brasil, que são dois produtos típicos da região acreana.

chef leva seus produtos de barco para comunidades do Acre
Doçuras do Chef Charles. Foto: Instagram @chef_charlesfigueredo

O preparo começa com uma geleia simples, feita apenas com polpa da fruta, água e açúcar, levada ao fogo baixo até atingir consistência mais encorpada. “O ponto é quando começa a soltar do fundo da panela”, detalha.

Na montagem, a massa recebe uma calda para garantir umidade, antes de ganhar camadas de creme de cupuaçu, geleia e castanha.

Para evitar que o recheio escorra, ele cria uma espécie de barreira com o próprio creme. Depois de montado, o bolo precisa descansar por horas na geladeira antes da finalização.

A cobertura leva merengue suíço, preparado com claras e açúcar aquecidos e depois batidos até formar picos firmes. O acabamento ganha um toque especial com o maçarico e detalhes com a própria geleia.

Entre uma encomenda e outra, o confeiteiro cruza o rio e leva uma história que mistura origem, adaptação e empreendedorismo em meio à realidade ribeirinha em que cresceu. Mais do que vender apenas bolos, Charles aposta na valorização dos sabores acreanos.

“Eu tento trazer algo da nossa região. Uso cupuaçu, castanha, são ingredientes principais nos doces”, completou.

*Por Jhenyfer de Souza e Amanda de Oliveira, da Rede Amazônica AC

‘Terras caídas’: moradores se unem para deslocar casas em Careiro da Várzea, no Amazonas

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Fenômeno ‘terras caídas’ avança no interior do Amazonas. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM

Com a cheia dos rios no Amazonas, a força da água volta a provocar um fenômeno temido por quem vive às margens: as chamadas “terras caídas”. O desmoronamento de barrancos leva pedaços inteiros das encostas, muda o curso das margens e coloca em risco casas e plantações.

Na zona rural do município de Careiro da Várzea, ribeirinhos convivem com o problema todos os anos. Mesmo diante do perigo, muitos não cogitam deixar o local onde construíram suas vidas. Em vez disso, adaptam-se: mudam as casas de lugar.

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Na comunidade da praia da Justina, o avanço do Rio Amazonas já apagou parte da história de famílias inteiras. O agricultor José Guedes conta que, desde 1954, quando seus parentes chegaram à região, cerca de 500 metros do terreno foram levados pela água.

“É difícil. Só pra quem tem coragem. Se for perto de igarapé, é arriscado. Na cheia, a correnteza leva a casa”, relatou.

Segundo a geóloga Iris Celeste Nascimento Bandeira, o fenômeno é inevitável em muitos trechos do rio.

“O Rio Amazonas é o maior do mundo em termos de vazão e velocidade. Ele é altamente potente. Pode ter a vegetação que for, ele vai destruir”, explicou.

Leia também: ‘Barrancas de terras caídas’: conheça o processo de erosão que acontece nas margens dos rios da Amazônia

Casas de madeira e soluções improvisadas

A mudança das casas com o fenômeno das terras caídas é realizada com apoio das comunidades. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM

Na comunidade, praticamente todas as casas são de madeira — o que permite que sejam desmontadas ou até arrastadas inteiras para locais mais seguros.

Diante do avanço do rio, e a possibilidade da ocorrência das terras caídas, os moradores adotam duas estratégias: desmontar e reconstruir as moradias longe da margem ou deslocá-las completas, com a ajuda de trilhos improvisados.

O carpinteiro e pescador Janderson França Guedes, um dos filhos de José, escolheu a segunda opção. Ele passou semanas preparando a estrutura para mover a própria casa.

“A gente fixa os tocos e alinha as madeiras. Geralmente, são cerca de 100 metros de trilho, que levam uma semana pra fazer e a gente puxa em um dia”, contou.

Ele aprendeu a técnica na prática. “A melhor escola que tem é a vida. A primeira casa que eu movi foi a minha, em 2021. De lá pra cá, sigo fazendo isso”, disse.

Trabalho coletivo e tensão causada pelas terras caídas

Desde 2022, esta é a terceira vez que a casa da família é deslocada. Desta vez, a ideia é levá-la cerca de 200 metros para dentro do terreno, longe do alcance do rio. O processo precisa ser feito em etapas, por falta de madeira suficiente.

No dia da mudança, a dona de casa Maria do Carmo Rodrigues, matriarca da família, não escondia a apreensão. “Dormi mais ou menos. A gente fica nervosa, com medo de não dar certo”, disse, emocionada.

A dúvida era se haveria ajuda suficiente. Mas, aos poucos, vizinhos começaram a chegar. “Aqui é uma comunidade unida. Ninguém trabalha por dinheiro, é por amizade”, afirmou o pescador Sebastião Duarte Guedes.

União para vencer a força da natureza

Com quase 30 pessoas, os moradores iniciaram o deslocamento da casa. Para facilitar o movimento, usaram sabão e óleo queimado nos trilhos de madeira.

O terreno irregular, com areia, desníveis e áreas alagadas, dificultou o trabalho. Ainda assim, mulheres e crianças permaneceram dentro da casa durante o trajeto.

“É uma sensação estranha. Parece que a gente está caindo, mas tem que manter a cabeça no lugar”, contou a cabeleireira Maria Luzia.

O deslocamento durou cerca de três horas, com pausas, esforço coletivo e até momentos de descontração, com música e refeições compartilhadas entre os participantes.

Para os moradores, a experiência reforça o espírito comunitário. “Aqui todo mundo se ajuda. A união faz a força”, resumiu o pescador Raimundo José Nunes Guimarães.

*Por Vinicius Assis, da Rede Amazônica AM

Papa Leão XIV responde carta de família amazonense: “Vocês reencontrarão a alegria”

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Família enviou carta ao Papa em busca de conforto. Foto: Divulgação

Num gesto de conforto e solidariedade, o Papa Leão XIV respondeu uma carta enviada por uma família amazonense ao líder da Igreja Católica. A mensagem foi um resposta à Joyce Xavier, mãe do menino Benício, de apenas 6 anos, que morreu após suposto erro médico durante atendimento numa unidade hospitalar. O caso aconteceu em 23 de novembro (2025) e segue na Justiça.

Leia também: HABEMUS PAPAM: Robert Francis Prevost, o Papa Leão XIV, é cidadão do Peru

Ao Grupo Rede Amazônica, Joyce contou que escreveu a carta após iniciativa de uma amiga. Em meio às lágrimas, a mãe relatou no texto a dor da família pelo falecimento de Benício e pediu uma palavra de conforto ao Papa.

“Nosso filho tinha 6 anos de idade, uma criança pura, amorosa, inteligente e saudável. Nos ensine a lidar com essa dor imensurável. Nos dê alguma palavra de participação, de conseguir seguir”.

Resposta do Papa à carta

Em resposta à carta, o Papa Leão XIV expressou solidariedade e proximidade diante da dor da família:

“Estejam certos de sua proximidade e de sua ternura. Ele não está distante do que vocês estão vivendo, pelo contrário, compartilha e carrega isso com vocês. Com Maria, vocês saberão esperar com paz. Hoje há sofrimento, mas com a certeza da fé, um novo dia surgirá e vocês reencontrarão a alegria”.

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O caso

Benício morreu em 23 de novembro de 2025, após receber adrenalina diretamente na veia durante atendimento hospitalar. Segundo a investigação, tanto a dosagem quanto a forma de aplicação não eram indicadas para o paciente. Após o procedimento, ele sofreu seis paradas cardíacas e não resistiu.

Menino Benício - Líder da Igreja Católica responde carta enviada pelos pais do menino Benício, que morreu após suposto erro médico, num gesto de conforto e solidariedade.
Benício, de apenas 6 anos, morreu após suposto erro médico. Foto: Divulgação

A médica Juliana Brasil Santos, responsável pela prescrição, e a técnica de enfermagem Raiza Bentes foram indiciadas por homicídio doloso. A Polícia Civil aguarda laudos para concluir o inquérito.

Em depoimento, a médica reconheceu que errou ao prescrever adrenalina por via intravenosa e afirmou que a medicação deveria ter sido administrada por outra via. Ela disse ter se surpreendido por a equipe de enfermagem não questionar a prescrição.

A defesa da médica alega que o erro ocorreu por falha no sistema de prescrição do Hospital Santa Júlia, que teria alterado automaticamente a via do medicamento durante instabilidades no dia do atendimento.

A técnica de enfermagem afirmou que apenas seguiu a prescrição médica ao aplicar a adrenalina, sem diluição, e que informou a mãe da criança sobre o procedimento. Segundo ela, após a aplicação, Benício apresentou palidez, dor no peito e dificuldade para respirar.

*Com informações da matéria de Karla Melo, da Rede Amazônica AM

‘Condomínio das Corujas’: moradores criam abrigo inusitado em calçada em Ji-Paraná

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‘Condomínio das Corujas’. Foto: Líllyan Gonzaga

Uma iniciativa de moradores transformou uma calçada do bairro Primavera no segundo distrito de Ji-Paraná (RO) em um ‘Condomínio das Corujas‘, após a comunidade construir pequenas casinhas para proteger uma família de corujas que vive no espaço.

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A ideia surgiu durante um mutirão para reconstruir o calçamento em frente à igreja Santa Maria Goretti. Segundo o presidente da Associação de Moradores do bairro, Welder Filgueira, durante a obra, os moradores encontraram um ninho com filhotes de coruja no local onde estavam colocando entulho.

Mas, antes que o buraco fosse fechado, a aposentada Maria José Lima, que mora no bairro há cerca de 30 anos, chamou a atenção dos trabalhadores.

“Eu falei para eles tomarem cuidado com as minhas corujas, para não tampar o buraquinho delas. As bichinhas estavam lá dentro com os filhotinhos”, contou.

Segundo ela, a família de corujas vive na região há cerca de três anos. No início, a moradora diz que tinha medo das aves, mas com o tempo passou a observar o comportamento delas e se acostumou com a presença dos animais.

“Um dia eu vi elas sentadas ali e depois descobri o buraquinho no chão. Quando fui olhar, estavam lá dentro”, lembrou.

condomínio de corujas em ji-paraná, rondônia
Foto: Líllyan Gonzaga

Leia também: Murucututu: “coruja de óculos” é considerada a maior espécie do gênero na Amazônia

Proteção para as corujas

Depois do alerta de Maria José, os moradores decidiram preservar o espaço. A partir daí, surgiu a ideia de construir pequenas estruturas para proteger os animais da chuva e evitar que o ninho fosse destruído. Com o tempo, as casinhas deram origem ao chamado Condomínio das Corujas, nome que acabou sendo pintado no local.

Agora, cerca de oito meses após a criação do espaço, seis corujas vivem na área: um casal e quatro filhotes, e um novo ninho já começou a ser formado. A iniciativa também chamou a atenção de moradores de outras regiões e de pessoas que passam pelo local para ver as aves de perto.

Para Welder Filgueira, iniciativas como essa também ajudam a mudar a imagem do bairro Primavera, que por muitos anos foi associado à violência.

“Nosso objetivo é mostrar que aqui também tem união e gente trabalhando para melhorar o bairro”, disse.

Dessa forma, o “Condomínio das Corujas” é visto pelos moradores como um pequeno patrimônio da comunidade. Eles também pedem que visitantes ajudem a preservar o espaço, evitando jogar lixo ou danificar as estruturas construídas para abrigar as aves.

*Por Líllyan Gonzaga, da Rede Amazônica RO

“A Amazônia periférica também é Brasil real”, afirma fundador da CUFA no Amazonas

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Foto: Divulgação/CUFA Amazonas

Manaus (AM) foi palco do lançamento do livro ‘Humanos’, do fundador da Central Única das Favelas (CUFA), Celso Athayde. Realizado pela CUFA Amazonas, o evento reuniu cerca de 60 pessoas na Livraria Valer, entre autoridades políticas, empresários e lideranças comunitárias, consolidando um importante espaço de diálogo sobre desigualdade, oportunidades e transformação social a partir das periferias amazônicas.

“Dado sozinho não muda nada. O que muda é quando ele vira decisão. O Data Favela rompe com a lógica da política feita de cima pra baixo e começa ouvindo quem vive a realidade”, complementa Celso Athayde.

Leia também: Amazônia Negra: CUFA Amazonas celebra a força ancestral que resiste e transforma o território

A obra, escrita em parceria com Marcus Vinicius Athayde, copresidente do Data Favela e presidente da CUFA Global, apresenta dados de uma ampla pesquisa realizada em 23 estados brasileiros, ouvindo quase 4 mil pessoas.

Reconhecido internacionalmente quando o assunto é favela, empreendedorismo e impacto social, Celso Athayde compartilhará sua trajetória, a atuação da CUFA no Brasil e no mundo, e os bastidores da construção do livro.

“Ao mesmo tempo em que enfrentamos os desafios sociais, também precisamos enxergar a região amazônica como uma potência global. A Amazônia não pode ser vista apenas pelos seus problemas, mas, sobretudo, pela sua capacidade de gerar formas de vida sustentáveis para quem já vive nesses territórios”, pontua Celso.

Livro Humanos foi escrito por Celso Athayde, em parceria com o filho Marcus Vinicius Athayde, copresidente do Data Favela e presidente da CUFA Global. Foto: Divulgação//CUFA Amazonas

”É nosso papel dar visibilidade a essa potência para quem está fora da região, mostrando a força, a criatividade e as soluções que nascem dentro das periferias e comunidades amazônicas. Temos exemplos concretos de projetos que já acontecem na Amazônia e nas favelas, mas também realizamos ações de grande impacto. Um marco importante foi a construção do Hospital para o povo indígena Yanomami, em Roraima, essa iniciativa que demonstra nosso compromisso com o desenvolvimento da região”, destaca Marcus Vinícius Athayde, presidente da CUFA Global.

O livro propõe um olhar mais humano sobre realidades marcadas pela desigualdade social. A pesquisa revela que a maioria dos entrevistados é jovem, preta e possui família. Metade tem até 26 anos e 80% até 36. Quase metade aponta a falta de dinheiro com principal motivo para o ingresso no crime. Quando questionados sobre o que fariam diferente, a resposta mais recorrente foi ter investido nos estudos. Além disso, 84% afirmam que não desejam que seus filhos sigam o mesmo caminho.

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“Trazer esse lançamento para Manaus é reconhecer que a favela não tem um CEP único no Brasil. Aqui ela é ribeirinha, é palafita, é marcada pelo rio e pelo abandono histórico. Mas a essência é a mesma: gente que sobrevive, cria, empreende e sonha mesmo quando tudo é contra”, afirma Celso Athayde.

O encontro reafirmou o compromisso da CUFA Amazonas em articular conhecimento, pesquisa e mobilização social como ferramentas para impulsionar políticas públicas eficazes, atrair investimentos e ampliar oportunidades reais para a juventude periférica do estado.

Evento de lançamento reuniu cerca de 60 pessoas, entre autoridades políticas, empresários e lideranças comunitárias. Foto: Divulgação/CUFA Amazonas

“É muito importante quando olham para a favela com mais humanidade. Nossa realidade é difícil, falta oportunidade, mas também tem trabalho, fé e sonho. A gente quer ser visto além dos problemas,” afirma Maria Cristina Pereira, moradora da favela Cidade de Deus.

CUFA Amazonas

A Central Única das Favelas (CUFA) é uma organização social reconhecida nacional e internacionalmente por sua atuação em favelas e comunidades, promovendo inclusão social por meio da cultura, educação, esporte e empreendedorismo.

No Amazonas, a CUFA atua em diversos territórios, fortalecendo a identidade negra e periférica e promovendo iniciativas que conectam ancestralidade e inovação.

FVS-RCP explica como prevenir a leishmaniose e reduzir riscos no Amazonas

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Foto: Divulgação/ FVS-RCP

Conhecer a leishmaniose e adotar cuidados no dia a dia são passos importantes para reduzir o risco de transmissão da doença no Amazonas. Com esse entendimento, a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) reforça orientações à população sobre prevenção e reconhecimento dos sinais da doença.

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No estado, as condições ambientais favorecem a presença de diversos insetos que podem transmitir doenças. Entre eles conhecido como o mosquito-palha, responsável pela transmissão da leishmaniose.

Diante desse cenário, a informação em saúde se torna uma aliada importante para orientar a população sobre como evitar o contato com o inseto e adotar medidas de proteção.

A diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, destaca que ampliar o acesso a informações claras contribui para fortalecer a prevenção.

Leia também: Áreas de pecuária na Amazônia apresentam maior incidência de leishmaniose cutânea, mostra estudo

“Quando a informação chega de forma acessível à população, ela ajuda a orientar práticas simples de proteção no cotidiano e aproxima ainda mais a vigilância em saúde das comunidades”, afirmou.

mosquito transmissor da leishmaniose
Foto: Divulgação

De acordo com a gerente de Vigilância de Doenças Transmissíveis da FVS-RCP, Lilian Furtado, falar sobre a doença e suas formas de prevenção também contribui para ampliar o conhecimento sobre as estratégias de vigilância e controle.

“Promover espaços de diálogo sobre a leishmaniose é fundamental para compartilhar informações atualizadas e fortalecer as ações de prevenção e enfrentamento da doença”, explicou.

O que é a leishmaniose

A forma mais registrada no Amazonas é a Leishmaniose Tegumentar, que provoca feridas na pele. Essas lesões costumam apresentar bordas elevadas e fundo avermelhado ou com crostas, aparecendo principalmente em áreas expostas do corpo, como braços, pernas, rosto e orelhas.

Na maioria das vezes, as feridas causam pouca ou nenhuma dor, mas podem demorar para cicatrizar e aumentar de tamanho com o passar do tempo. Os sintomas podem surgir semanas ou até meses após a picada do inseto transmissor.

Pessoas que vivem ou trabalham em áreas rurais, regiões de mata ou locais próximos a estradas estão mais expostas ao risco. A ausência de medidas de proteção contra insetos também aumenta a possibilidade de contato com o mosquito-palha.

Como se prevenir

Algumas atitudes no dia a dia ajudam a reduzir a presença do inseto transmissor e a proteger a população:

  • Manter quintais, terrenos e abrigos de animais limpos;
  • Evitar locais que favoreçam a reprodução do inseto;
  • Instalar telas de proteção em portas e janelas e, quando possível, utilizar mosquiteiros;
  • Usar repelentes apropriados;
  • Em áreas com maior presença do inseto, optar por roupas que cubram a maior parte do corpo.

FVS-RCP esclarece que caso apareça alguma lesão suspeita na pele, a orientação é procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. A leishmaniose tem tratamento disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) e a identificação precoce contribui para melhores resultados no cuidado.

*Com informações da FVS-RCP  

Em Boa Vista, canto das aves reduz estresse e melhora bem-estar

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Entre as espécies de aves mais comuns no bosque estão o sabiá, caraxué, joão-pinto, aracuã e papa-capim, que ajudam a compor a sonoridade natural do ambiente. Foto: Andrezza Mariot/PMBV

Entre árvores altas e trilhas com sombras, o som que domina o Bosque dos Papagaios, localizado no bairro Paraviana, não vem da cidade, mas da natureza. O canto dos pássaros transforma o espaço em um ponto privilegiado para observação de aves, uma prática que, além de aproximar a população da biodiversidade amazônica, também traz benefícios comprovados para a saúde mental.

O último levantamento feito no Parque Ecológico Bosque dos Papagaios apontou a existência de 52 espécies de aves em vida livre no local, dependendo da época do ano, além dos animais que ficam no mantenedouro de fauna silvestre. De acordo com o gerente do bosque, Francisco Ibiapina, os exemplares mais comuns são o sabiá, caraxué, joão-pinto, aracuã, papa-capim, dentre outros.

“Aqui é um corredor para observação de pássaros, pois aves migratórias e raras passam pelo parque constantemente, devido às frutas e sementes das árvores do boque. Somos procurados por fotógrafos de vida selvagem e grupos de observação, além da população em geral. Tem visitante que vem todo dia aqui para descansar a mente e depois voltar para a rotina”, disse.

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Gerente do bosque afirma que aves chamam atenção dos visitantes. Foto: Andrezza Mariot/PMBV

Melodia que cura

Em um mundo cada vez mais digital e urbano, experiências sensoriais naturais, como ouvir pássaros, oferecem uma oportunidade simples de reduzir estresse e melhorar a saúde mental. Um estudo publicado na revista Scientific Reports e citado pela National Geographic relaciona o som do canto dos pássaros à redução dos níveis de depressão e ansiedade na mente humana.

Durante o estudo, os pesquisadores solicitaram aos participantes que registrassem, ao longo de duas semanas, informações sobre o ambiente em que estavam e como se sentiam durante o dia. Os resultados mostraram que, nos momentos em que as pessoas relataram ter ouvido o canto de pássaros, houve uma melhora no bem-estar mental, por horas, mesmo após o contato com as aves.

Espécies de aves podem ser vistas e ouvidas no bosque. Foto: Andrezza Mariot/PMBV
Espécies de aves podem ser vistas e ouvidas no bosque. Foto: Andrezza Mariot/PMBV

Saúde mental e natureza

Ferramenta acessível de cuidado emocional, a natureza potencializa os efeitos positivos estudados pela ciência. Para a psicóloga e Referência Técnica de Saúde Mental de Boa Vista, Gilvânia Matos, o contato com os sons do habitat natural tem enfeito psicológico imediato, sem contar que esse hábito pode ser adotado com tranquilidade e de forma gratuita na capital.

“Vivemos uma vida no modo automático, então essa conexão com a natureza faz com que a gente desacelere e consiga centrar-se. O canto dos pássaros e a conexão com a natureza diminui ruídos urbanos, reduzindo a ansiedade e pensamentos autodestrutivos, além de estimular a liberação de neurotransmissores no cérebro, como serotonina e dopamina, responsáveis pela sensação de bem-estar”, destacou.

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Espaço conta com cerca de 50 espécies de aves em vida livre. Foto: Andrezza Mariot/PMBV

Refúgio que acolhe

Ciente dos benefícios, a Prefeitura de Boa Vista mantém e apoia ambientes urbanos, preservando a vida constante de todo o ecossistema. Morando em Boa Vista há mais de 20 anos, o advogado Kennedy Cavalcante visita o Parque Ecológico com frequência, acompanhado da esposa e neta, já que sente forte conexão com a natureza quando está no local.

“Vir ao bosque, definitivamente, melhora meu dia. O canto dos pássaros, inclusive dos que estão em observação aqui, como as araras, papagaios e tucanos, é fascinante. Sempre percebo também os animais que ficam na copa das árvores. Tudo isso traz uma paz muito grande para a nossa cabeça. A natureza, realmente, quando a gente se conecta com ela, traz benefícios”, destacou.