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Barco Escola Tree Earth inicia atividades em Manaus e leva educação ambiental, tecnologia espacial e bioeconomia para comunidades ribeirinhas

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Foto: Divulgação

Educação, tecnologia e conservação ambiental estarão reunidas nesta quinta-feira (25) em Manaus. A capital amazonense recebe a aula inaugural do Barco Escola Tree Earth 2026, iniciativa que beneficiará estudantes das Escolas Municipais Santa Luzia e São Luiz de Gonzaga, no bairro Puraquequara, zona leste da cidade.

O projeto levará conhecimentos sobre meio ambiente, tecnologia, bioeconomia e monitoramento territorial a estudantes de comunidades ribeirinhas e escolas localizadas às margens dos rios amazônicos.

A iniciativa nasce da união de instituições comprometidas com o desenvolvimento sustentável da Amazônia, entre elas a Fundação Rede Amazônica, ATEM Distribuidora, IMAGEM Geosistemas, FLEX, Harman JBL, Instituto Dossel da Amazônia, Tree Earth e a Academia Brasileira de Direito do Trabalho (ABDT).

A embarcação funcionará como uma sala de aula flutuante, conectando educação, ciência, tecnologia e conservação ambiental. A proposta é ampliar o acesso de estudantes ribeirinhos a conteúdos e experiências que, muitas vezes, estão concentrados nos grandes centros urbanos.

Durante as atividades, os alunos participarão de ações de plantio de árvores nativas, oficinas de educação ambiental, treinamentos em geotecnologias e demonstrações práticas sobre o uso de satélites no monitoramento da floresta, das mudanças climáticas e da gestão territorial.

“Queremos mostrar aos jovens da Amazônia que eles podem ser protagonistas da conservação da floresta utilizando ciência, inovação e tecnologia. O Barco Escola tem, desde 2024, a missão de levar oportunidades onde elas normalmente não chegam, conectando a realidade amazônica com as profissões e os desafios do futuro”, destaca Vicente Tino, fundador da Tree Earth.

A aula inaugural contará com a participação de especialistas da IMAGEM Geosistemas, referência nacional em sistemas de informação geográfica e inteligência geoespacial. Os estudantes terão contato com conceitos de geoprocessamento, monitoramento por satélites e aplicações práticas dessas tecnologias em áreas como proteção ambiental, planejamento territorial, agricultura e combate ao desmatamento.

Além das atividades tecnológicas, a programação inclui o plantio de espécies arbóreas nativas e a distribuição de brindes educativos aos participantes.

Segundo os organizadores, a expectativa é que o Barco Escola Tree Earth percorra diferentes municípios e comunidades da Amazônia nos próximos anos, consolidando-se como uma plataforma itinerante de educação ambiental, formação tecnológica e promoção da bioeconomia.

Além da capacitação de estudantes e professores, a iniciativa também pretende apoiar ações de reflorestamento, monitoramento ambiental, empreendedorismo sustentável e inclusão digital, fortalecendo o papel da Amazônia como protagonista das soluções globais para os desafios climáticos.

Com o apoio de parceiros institucionais e da iniciativa privada, o Barco Escola representa um novo modelo de integração entre educação, tecnologia e conservação ambiental, navegando pelos rios amazônicos para levar conhecimento, oportunidades e esperança às futuras gerações.

Serviço

Evento: Aula Inaugural do Barco Escola Tree Earth 2026
Data: Quinta-feira –  25 de junho de 2026
Ponto de encontro: Viveiro Tree Earth – Comunidade Puraquequara, Lago do Puraquequara, bairro Puraquequara, zona leste de Manaus (AM)

Programação

Escola Municipal Santa Luzia – Comunidade Puraquequara

  • 8h – Saída do Viveiro Tree Earth (Puraquequara)
  • 8h30 – Chegada à escola
  • 9h – Recepção dos alunos, gestores e professores
  • 9h30 – Plantio de mudas e deslocamento para o Barco Escola
  • 10h – Treinamento sobre Geotecnologias e Satélites com a IMAGEM Geosistemas
  • 12h – Lanche e entrega de brindes
  • 12h30 – Encerramento

Escola Municipal São Luiz de Gonzaga

  • 12h30 – Deslocamento da equipe
  • 13h – Chegada à escola
  • 13h30 – Recepção dos alunos, gestores e professores
  • 14h – Plantio de mudas e atividades no Barco Escola
  • 14h30 – Treinamento sobre Geotecnologias e Satélites
  • 16h30 – Lanche e entrega de brindes
  • 17h – Encerramento

O Barco Escola Tree Earth é uma iniciativa da Tree Earth e do Instituto Dossel da Amazônia, com apoio da Fundação Rede Amazônica, ATEM Distribuidora, IMAGEM Geosistemas, FLEX, Harman JBL, Academia Brasileira de Direito do Trabalho (ABDT) e demais parceiros institucionais.

Vídeo educativo mostra como é a produção leiteira no Acre

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Produção de leite na Amazônia revela potencial. Foto: Reprodução/Youtube-Grupo de Pesquisa “Trópicos” – Brasil

O curta-metragem “Produção de Leite na Amazônia” (4min46), produzido no Acre, visa divulgar uma experiência de destaque na produção de alimentos, com aplicabilidade na região amazônica.

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O filme destaca a propriedade Rey Leche, localizada na Amazônia equatoriana, e aborda a criação de gado semiconfinado com adoção de piquetes rotacionados de amendoim forrageiro (Arachis pintoi).

Também trata do uso de bancos forrageiros com quiebra-barrigo (Trichanthera gigantea), amoreira tropical (Morus alba) e capim-elefante ou capim-napiê (Pennisetum purpureum). A propriedade foi recomendada pela equipe do Instituto Nacional de Pesquisa Agrícola, do Equador, durante uma visita técnica realizada pelo NAV-Juruá.

Vídeo educativo mostra como é a produção de leite no Acre
O filme destaca a propriedade produtora de leite Rey Leche, localizada na Amazônia equatoriana. Foto: Reprodução/Youtube-Grupo de Pesquisa “Trópicos” – Brasil

O Núcleo de Agroecologia do Vale do Juruá (NAV-Juruá), o Programa de Educação Tutorial (PET) de Agronomia e a equipe do projeto Agricultura Tropical e Subtropical, Pecuária e Desenvolvimento Regional: Cooperação entre Brasil e França (Capes/Cofecub, o Comitê Francês de Avaliação da Cooperação Universitária com o Brasil), vinculados ao Centro de Ciências Biológicas e da Natureza da Universidade Federal do Acre (Ufac).

Leia também: Vacas com genética adaptada produzem o triplo da média de leite em Mato Grosso

Produção de leite mostra potencial da região

Alunos do PET-Agronomia, doutorandas do programa de pós-graduação em Produção Vegetal, integrantes do projeto Capes/Cofecub e pesquisadores da Ufac, das Universidades Federais do Paraná e de Viçosa e do Instituto Agrícola de Dijon (França) foram responsáveis pela produção do filme.

O curta foi produzido pelo Núcleo de Agroecologia do Vale do Juruá (NAV-Juruá), o Programa de Educação Tutorial (PET) de Agronomia e a equipe do projeto Agricultura Tropical e Subtropical, Pecuária e Desenvolvimento Regional: Cooperação entre Brasil e França (Capes/Cofecub, o Comitê Francês de Avaliação da Cooperação Universitária com o Brasil), vinculados ao Centro de Ciências Biológicas e da Natureza da Universidade Federal do Acre (Ufac). A produção conta com uma versão em inglês e outra em português. Confira:

“O Amapá pode se tornar referência nacional em inovação amazônica”, afirma Lindomar Ferreira, convidado da Glocal Macapá 2026

Foto: Divulgação

O presidente da Associação Brasileira de Startups (ABStartups), do Tucuju Valley e fundador da Proesc.com, Lindomar Ferreira, será um dos convidados da primeira edição da Glocal Macapá 2026, que acontece nesta sexta-feira (26) e sábado (27), no Parque Residência e na OAB Amapá. Reconhecido como uma das principais lideranças do ecossistema de inovação da região Norte, Lindomar será o mediador do painel “Inovação Tucuju – Ciência, Tecnologia e o Boom do Açaí”, que acontece na sexta-feira (26), das 15h às 15h50.

O debate reunirá representantes do setor produtivo para discutir como ciência, tecnologia e uma das cadeias econômicas mais importantes do estado podem impulsionar o desenvolvimento sustentável do Amapá.

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À frente de iniciativas voltadas ao empreendedorismo e à inovação, Lindomar tem atuado diretamente no fortalecimento do ecossistema amapaense, estimulando a criação de startups, a formação de empreendedores e a conexão entre empresas, universidades e instituições públicas.

Para ele, a realização de eventos como a Glocal Macapá é fundamental para ampliar oportunidades e fortalecer o ambiente de inovação no estado.

“A Glocal Macapá é muito mais do que um evento. Ela é um espaço de conexão entre empreendedores, pesquisadores, investidores, estudantes e instituições que acreditam no potencial da Amazônia como fonte de inovação para o Brasil e para o mundo”, afirma.

Segundo Lindomar, iniciativas como a Glocal contribuem para inspirar novos empreendedores, fortalecer redes de colaboração e ampliar a visibilidade do estado no cenário nacional.

“Eventos como esse ajudam a gerar oportunidades, inspiram novos empreendedores, fortalecem redes de colaboração e mostram que é possível criar negócios inovadores a partir dos desafios e das riquezas da nossa região. Além disso, colocam o Amapá no mapa nacional da inovação, atraindo visibilidade, parcerias e investimentos”, destaca.

Ao analisar o cenário local, o presidente da ABStartups avalia que o Amapá possui condições para se tornar referência nacional em inovação amazônica.

“Eu acredito que o Amapá pode se tornar referência nacional em inovação amazônica. Somos um estado com uma biodiversidade única, uma riqueza cultural extraordinária e enormes oportunidades ligadas à bioeconomia, tecnologia, energia renovável, economia criativa e soluções para a Amazônia”, ressalta.

Lindomar também destaca os avanços registrados pelo ecossistema local nos últimos anos.

“O Amapá já é o 16º estado mais inovador do Brasil. Nos últimos três anos, o número de startups cresceu cerca de 500%, passando de 41 para 224 empreendimentos. Nossa meta é alcançar mil startups nos próximos anos”, afirma.

Apesar dos avanços, ele observa que ainda existem desafios importantes para os empreendedores da região Norte.

“Ainda enfrentamos desafios relacionados ao acesso a capital, financiamento, formação de talentos especializados, conectividade em algumas regiões e à distância dos grandes centros econômicos do país”, explica.

No entanto, Lindomar acredita que o cenário vem evoluindo a partir do fortalecimento das redes locais e das parcerias institucionais.

“Hoje, um empreendedor da Amazônia pode criar uma startup global sem sair da região, desde que tenha acesso a conhecimento, conexões e oportunidades”, pontua.

Para os jovens que desejam empreender, o especialista deixa uma mensagem de incentivo e valorização das potencialidades regionais.

“Se você tem uma ideia, o Amapá tem um dos melhores ecossistemas de inovação para ajudar a colocá-la em prática e transformá-la em um sucesso. Empreender é resolver problemas. As grandes oportunidades do futuro não estão apenas nos grandes centros urbanos. Muitas delas estão aqui, na Amazônia”, destaca.

Ele reforça ainda que grandes negócios podem surgir a partir de soluções desenvolvidas no próprio território amazônico.

“Toda grande empresa começou com uma ideia, uma equipe determinada e muita persistência. O próximo negócio inovador capaz de transformar a Amazônia pode nascer em uma sala de aula, em uma comunidade ou até mesmo na sua casa. O importante é dar o primeiro passo e nunca parar de aprender”, conclui.

"O Amapá pode se tornar referência nacional em inovação amazônica", afirma Lindomar Ferreira, convidado da Glocal Macapá 2026

Painel debaterá ciência, tecnologia e o potencial do açaí

Durante a programação da Glocal Macapá, Lindomar Ferreira mediará o painel “Inovação Tucuju – Ciência, Tecnologia e o Boom do Açaí”, que contará com a participação de Amiraldo Picanço, presidente da AmazonBai; Valda Gonçalves, CEO do Engenho de Açaí; e Wesley Resplande, presidente da Amazon BioFert. O debate abordará os desafios e oportunidades relacionados à inovação e ao fortalecimento de uma das cadeias produtivas mais relevantes para a economia amapaense.

Com uma programação gratuita, o evento reunirá especialistas, empreendedores, estudantes, investidores e lideranças para debater temas ligados à inovação, tecnologia, sustentabilidade e desenvolvimento regional.

A Glocal Macapá é realizada pela Fundação Rede Amazônica, com idealização e operação da Dream Factory e apoio da Secretaria de Estado da Ciência e Tecnologia do Amapá (Setec/AP), do Governo do Amapá e da Tratalyx.

Serviço

Evento: Glocal Macapá 2026
Data:
nesta sexta-feira (26) e sábado (27)
Locais:
Parque Residência e OAB Amapá – Macapá (AP)
Entrada:
Gratuita

A programação completa está disponível nas redes sociais da Glocal e da Fundação Rede Amazônica: www.instagram.com/glocalexp e www.instagram.com/fundacaoredeamazonica

Glocal Amazônia – Macapá

A Glocal Macapá é realizada pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), com idealização e operação da Dream Factory e apoio da Secretaria de Estado da Ciência e Tecnologia do Amapá (Setec/AP), do Governo do Amapá e da Tratalyx.

Roraima tem menor taxa de analfabetismo da Região Norte em 2025

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Foto: Diane Sampaio/ Prefeitura de Boa Vista

Roraima apresentou a menor taxa de analfabetismo da Região Norte em 2025, com 3,4% entre pessoas de 15 anos ou mais, segundo dados divulgados no dia 19 de junho pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

De acordo com o levantamento, registrou-se um total de 16 mil pessoas analfabetas, o que corresponde a menor taxa histórica. Desse total, 10 mil pessoas têm 60 anos ou mais, o que representa 62,5% de analfabetos do estado. 

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Em comparação regional, Roraima ficou na frente do Amazonas (4,3%) e do Amapá (4,5%), enquanto o Acre registra a taxa mais elevada da região, com 8,9%. 

Os dados fazem parte do módulo Educação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), com série histórica (2016–2025) reponderada a partir dos resultados do Censo Demográfico 2022. 

Imagem aérea de Boa Vista, capital do estado de Roraima
Foto: Juliana Dama/Rede Amazônica RR

Leia também: Primeira escola de Roraima completa 100 anos de tradição e tem até histórias de fantasmas

Comparação histórica de Roraima

Na comparação histórica, em 2016, Roraima contabilizava 21 mil pessoas analfabetas, o equivalente a uma taxa de 6%, evidenciando uma redução significativa ao longo do período analisado. 

O levantamento também mostra diferenças por sexo. Entre a população com 60 anos ou mais, a taxa de analfabetismo das mulheres (15,9%) é menor que a dos homens (18,1%). Já na população com 15 anos ou mais, as mulheres apresentam taxa de 3,1%, inferior à dos homens (3,8%), mantendo a tendência observada nacionalmente. 

No recorte por cor ou raça, cerca de 2,7% dos brancos com 15 anos ou mais eram analfabetos, enquanto entre pretos ou pardos a taxa foi de 3,4%. Entre os idosos (60 anos ou mais), a desigualdade se amplia: a taxa entre pretos ou pardos (17,1%) é quase três vezes superior à observada entre brancos (13,9%). 

*Com informações do G1 Roraima

Lançamento de guia apoia pecuária na gestão de riscos relacionados a atividades ilegais em Terras Indígenas na Amazônia Legal

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Lançamento de guia apoia pecuária na gestão de riscos relacionados a atividades ilegais em Terras Indígenas na Amazônia Legal. Foto: Felipe Betim/Diálogo Chino

A pecuária ilegal em Terras Indígenas ainda representa um desafio para a cadeia da carne bovina na Amazônia Legal. Além dos impactos ambientais, sociais e econômicos para os povos indígenas, essa prática pode gerar riscos jurídicos e de reputação para empresas frigoríficas com operação na região, gerando reflexos em toda a cadeia pecuária.

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Com o objetivo de contribuir com o enfrentamento desse desafio, o Programa Boi na Linha, iniciativa criada em 2019 pelo Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola), desenvolveu o Guia de Gestão de Risco de Pecuária Ilegal em Terras Indígenas na Amazônia Legal, que será lançado no próximo dia 25 de junho, em webinar on line e gratuito, das 14h às 16h, pelo Youtube do Imaflora. 

A publicação reúne recomendações para apoiar frigoríficos na criação e fortalecimento de políticas e procedimentos de devida diligência. “O Guia é voltado à identificação dos riscos e prevenção, mitigação e remediação de impactos relacionados à pecuária ilegal em Terras Indígenas”, analisa Mauricio Forlani, coordenador de Projetos do Imaflora.

Leia também: Programa impulsiona pecuária sustentável no Estado do Pará

Webinar

O lançamento da publicação contará com a participação de representantes do Imaflora e da Tewá 225, consultoria responsável pelos estudos técnicos que subsidiaram a elaboração do material.

Durante o webinar, serão apresentados os principais pontos da publicação, o processo de construção do Guia e reflexões sobre os desafios e oportunidades para a implementação de práticas de gestão de riscos na cadeia da pecuária. O evento também abordará a importância da governança indígena, da sociobioeconomia e da atuação empresarial responsável para a proteção dos territórios indígenas. 

“Será um momento rico para detalharmos os pontos de riscos, como também para a troca de informações entre pessoas e iniciativas que atuam nessa agenda”, enfatiza Mauricio.

Lançamento de guia apoia pecuária na gestão de riscos relacionados a atividades ilegais em Terras Indígenas na Amazônia Legal
Foto: Reprodução/Imaflora

Guia em detalhes

Entre os destaques da publicação, estão recomendações para o monitoramento de fornecedores diretos e indiretos, aprimoramento da rastreabilidade, criação de políticas de gestão de risco, estabelecimento de canais de denúncia e mecanismos de relacionamento com povos indígenas.

Segundo Fernanda Mallak, diretora técnica da Tewá 225, a proposta do material é oferecer um caminho prático para que frigoríficos fortaleçam processos relacionados à pecuária ilegal em Terras Indígenas. “O Guia apresenta ferramentas e recomendações que ajudam as empresas na criação de políticas e procedimentos em gestão da cadeia de fornecimento e de riscos, alinhando sua atuação às melhores práticas de devida diligência e responsabilidade corporativa”, observa.

Leia também: Ação conjunta retira criação de gado ilegal em terra indígena no Pará

Mapa de Risco 

O Guia também apresenta um Mapa de Risco de Pecuária Ilegal em Terras Indígenas na Amazônia Legal, desenvolvido para apoiar empresas na identificação de territórios mais expostos a esse tipo de ocorrência e na priorização de tratativas.

Sua elaboração foi feita a partir da análise de referências nacionais e internacionais e de consultas a representantes do setor frigorífico, varejistas, órgãos públicos, setor financeiro, organizações da sociedade civil e entidades dos povos indígenas. 

Foto: Sara Leal/ IPAM

De acordo com Mauricio Forlani, “a gestão de riscos associados à pecuária ilegal em Terras Indígenas deve ser entendida como parte da devida diligência empresarial e da responsabilidade corporativa na prevenção de impactos sobre direitos humanos, meio ambiente e comunidades tradicionais”, conclui.

Guia de Gestão de Risco de Pecuária Ilegal em Terras Indígenas na Amazônia Legal estará disponível no site do Programa Boi na Linha após o webinar que acontece em 25 de junho.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Imaflora

Fernando Seabra, autor de best-sellers sobre inovação, é uma das atrações da Glocal Macapá 2026

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O Investidor-anjo, palestrante internacional e especialista em inovação Fernando Seabra será uma das atrações da primeira edição da Glocal Macapá 2026, que acontece nesta sexta-feira (26) e sábado (27), no Parque Residência e na OAB Amapá. Reconhecido nacionalmente por sua atuação no ecossistema de startups, Seabra participará de workshops, mentorias, palestras e da avaliação de negócios inovadores durante a programação do evento.

Autor dos best-sellers ‘A Mandala da Inovação’ e ‘O Legado Vencedor’, Fernando Seabra é palestrante internacional, duas vezes TEDx Speaker, investidor-anjo e integrante do Board Advisor Pool I.A. da Bossa Invest. Também atua como conselheiro de inovação da Associação Brasileira de Inteligência Artificial (ABRIA) e é considerado o brasileiro que mais participou como mentor e avaliador de reality shows voltados ao empreendedorismo e startups no mundo.

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Para Seabra, participar da primeira edição da Glocal Macapá representa a oportunidade de fortalecer conexões com um ecossistema que já conhece e admira.

“O que mais me motivou foi a oportunidade de reencontrar um ecossistema que já conheço e admiro. O Amapá possui empreendedores com uma característica rara: conhecem profundamente os problemas que desejam resolver. Minha expectativa é contribuir com experiências práticas de inovação e, ao mesmo tempo, aprender com as soluções que estão surgindo na Amazônia”, afirma.

Durante a programação da Glocal, Fernando conduzirá o workshop “Prepare-se para Enfrentar Tubarões”, na sexta-feira (26), além de participar do Pitching: No Tanque com os Tubarões, no sábado (27), atividade em que empreendedores apresentarão seus negócios a especialistas do setor.

Segundo ele, a Amazônia reúne características únicas capazes de posicionar a região como protagonista no cenário nacional e internacional da inovação.

“Vejo um potencial extraordinário. A Amazônia reúne desafios únicos que podem se transformar em oportunidades globais de inovação. Quem vive a realidade local possui conhecimento, contexto e legitimidade para criar soluções escaláveis em áreas como sustentabilidade, bioeconomia, logística, educação e tecnologia”, destaca.

Ao falar sobre os desafios enfrentados por quem está começando a empreender, Seabra ressalta que uma boa ideia, sozinha, não garante o sucesso de um negócio.

“O maior desafio não é ter uma boa ideia, mas validar se ela resolve um problema real. Muitos empreendedores se apaixonam pela solução antes de entender profundamente a dor do cliente. Além disso, execução, acesso a mercado e capacidade de adaptação costumam ser fatores decisivos para o sucesso”, explica.

Para os jovens empreendedores amapaenses, o especialista deixa uma mensagem de incentivo e valorização das potencialidades locais.

“Não tentem copiar o Vale do Silício. Aproveitem a vantagem competitiva que já possuem: conhecer profundamente sua região, sua cultura e seus desafios. Grandes negócios nascem quando transformamos problemas reais em soluções relevantes. A próxima grande inovação brasileira pode surgir justamente da Amazônia”, ressalta.

Leia também: Com convidados nacionais e programação gratuita, Glocal Macapá 2026 acontece nesta sexta e sábado

Ao longo dos dois dias de evento, a Glocal Macapá reunirá especialistas, empreendedores, estudantes, investidores e representantes de diferentes setores em uma programação gratuita voltada à inovação, sustentabilidade, empreendedorismo, tecnologia e desenvolvimento territorial.

A Glocal Macapá é realizada pela Fundação Rede Amazônica, com idealização e operação da Dream Factory e apoio da Secretaria de Estado da Ciência e Tecnologia do Amapá (Setec/AP), do Governo do Amapá e da Tratalyx.

Serviço

Evento: Glocal Macapá 2026
Data: 26 e 27 de junho de 2026
Local: Parque Residência – Macapá (AP)
Entrada: Gratuita

A programação completa está disponível nas redes sociais da Glocal e da Fundação Rede Amazônica: www.instagram.com/glocalexp e www.instagram.com/fundacaoredeamazonica

Glocal Amazônia – Macapá

A Glocal Macapá é realizada pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), com idealização e operação da Dream Factory e apoio da Secretaria de Estado da Ciência e Tecnologia do Amapá (Setec/AP), do Governo do Amapá e da Tratalyx.

Mercado Livre e Dendezeiro lançam coleção que promove a valorização dos nossos biomas e reforça o orgulho de ser brasileiro

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Foto: Divulgação/Mercado Livre

O Mercado Livre, em parceria com a Dendezeiro, lança a Biomas FC, coleção de seis camisas inspirada nos biomas brasileiros que conecta moda, criatividade, sustentabilidade e o universo do futebol, territórios já percorridos pela marca. A coleção chega ao mercado com um compromisso: destinar 100% do lucro obtido com as vendas à rede Origens Brasil, que promove negócios éticos, que valorizam a floresta e seus povos, com garantia de origem e rastreabilidade.

A coleção nasce como uma extensão da atuação do Mercado Livre na agenda de sociobioeconomia, por meio do Biomas a um Clique, programa pioneiro que desde 2020 já apoiou a comercialização de mais de 300 organizações, ampliando o acesso ao mercado, gerando renda e oportunidades nos biomas brasileiros.

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Por meio do ecossistema da empresa, associações, cooperativas, comunidades tradicionais da Rede Origens Brasil e pequenas empresas acessam o mercado consumidor por meio do marketplace, contam com capacitações, benefícios comerciais e logísticos, soluções financeiras e visibilidade para os seus produtos. São mais de 2 mil itens disponíveis na Página do Programa, somando mais de 183 mil itens vendidos, mais de R$ 10 milhões em faturamento para os empreendimentos participantes. Destes empreendimentos, comunidades tradicionais da Origens Brasil participam do programa desde a adesão do Mercado Livre à rede em 2024, aliando sua estratégia de Biomas a um clique, com as ações da rede.

A primeira coleção da linha Mercado Livre Basics, de produção própria do Mercado Livre, segue uma estética streetwear inspirada nas jerseys retrô dos anos 1990 e 2000. Cada peça foi cocriada com um artista brasileiro independente responsável por dar expressão visual a um bioma nacional: André Hulk assina a Amazônia, Emerson Rocha, o Cerrado, Pedro Gutierre, a Mata Atlântica, Luize Santiago, a Caatinga e Thamy, o Pantanal e Lídia Brancher, os Pampas.

As estampas reinterpretam fauna, flora e referências culturais de cada território em linguagem contemporânea, conectando moda, arte e brasilidade. A coleção é limitada e estará disponível a partir de 01 de junho exclusivamente no Mercado Livre, pelo preço de R$ 199,90.

“Valorizar os biomas brasileiros é reconhecer a potência das pessoas, histórias, saberes e sabores que fazem o Brasil ser único” afirma Laura Motta, gerente sênior de Sustentabilidade do Mercado Livre. “Queremos que cada vez mais pessoas se conectem com esse universo, com esses produtos e contribuam para a geração de renda nestes territórios”, completa.

Confira a Coleção Biomas FC no link: https://www.mercadolivre.com.br/biomas.

Foto: Divulgação/Mercado Livre

Sobre o Mercado Livre

Fundado em 1999, o MercadoLibre, Inc. (NASDAQ: MELI) é a empresa líder em e-commerce e tecnologia financeira na América Latina, com operações em 18 países. Oferece um ecossistema completo de soluções para que pessoas e empresas possam comprar, vender, anunciar, obter crédito e seguros, receber pagamentos, enviar dinheiro, poupar e pagar por produtos e serviços, tanto online quanto offline.

O Mercado Livre busca facilitar o acesso ao comércio e aos serviços financeiros na América Latina, um mercado que oferece grandes oportunidades e alto potencial de crescimento. A empresa utiliza tecnologia de ponta para criar soluções intuitivas adaptadas à cultura local, com o propósito de transformar a vida de milhões de pessoas na região. Mais informações em http://investor.mercadolibre.com/

Cadastro que orienta o uso da terra ignora sítios arqueológicos na Amazônia

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Cadastro que orienta o uso da terra ignora sítios arqueológicos na Amazônia. Foto: Sicar/Iphan/Mapbox/OpenStreet

O patrimônio arqueológico da Amazônia Legal está sobreposto a áreas privadas, assentamentos e territórios reivindicados por povos e comunidades tradicionais. Dos mais de 7 mil sítios arqueológicos registrados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) na região, 4.769 (67%) estão em áreas inscritas no Cadastro Ambiental Rural (CAR), sistema autodeclaratório e obrigatório de registro para todos os imóveis rurais do país, segundo análise exclusiva do projeto Amazônia Revelada. Apesar dessa coincidência territorial, a presença desses patrimônios não aparece nas consultas públicas do cadastro.

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A sobreposição não indica, por si só, dano ao patrimônio arqueológico. O cruzamento de dados do Iphan e do CAR revela uma lacuna na forma como o Estado apresenta o território em suas bases públicas. Embora o CAR informe outras sobreposições relevantes para processos de regularização ambiental, os sítios arqueológicos não aparecem como alerta para quem consulta o sistema. Assim, áreas que contêm vestígios arqueológicos circulam em um sistema com efeitos administrativos e econômicos sem que essa informação esteja disponível ao público.

Para especialistas, essa ausência de informação tem implicações que vão além da gestão do patrimônio. “Não sobrepor informações sobre a presença do patrimônio arqueológico com bases de dados ambientais ou do uso econômico do solo resulta no apagamento da presença histórica de povos indígenas e de povos e comunidades tradicionais”, avalia Bruna Rocha, presidente da Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB) e uma das coordenadoras do Amazônia Revelada.

Ela também afirma que essa ausência de informações arqueológicas dificulta “potenciais (e legítimas) reivindicações por reconhecimento desses grupos”.

“Não sobrepor informações sobre a presença do patrimônio arqueológico com bases de dados ambientais ou do uso econômico do solo resulta no apagamento da presença histórica de povos indígenas e de povos e comunidades tradicionais”, esclareceu Bruna Rocha, presidente da Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB).

Assim, a ameaça aos sítios nem sempre está associada apenas a atividades ilegais, e também pode ocorrer devido a projetos autorizados pelo próprio Estado. São grandes obras de infraestrutura submetidas a licenciamento ambiental, abertura de pastagens, agricultura, mineração e até reflorestamento ou recuperação ambiental que, quando realizados sem estudos arqueológicos adequados, podem causar danos ao patrimônio.

“Certamente, temos assistido à destruição de sítios arqueológicos autorizada pelo Estado brasileiro”, diz Rocha. Segundo a arqueóloga, algumas atividades que implicam derrubada de árvores e revolvimento do solo podem ser dispensadas de pesquisa arqueológica prévia durante o licenciamento, como ocorre em determinados casos de agricultura mecanizada. A ausência do alerta no CAR, portanto, é um sintoma: muitas vezes, os registros arqueológicos são excluídos, invisibilizados, do contexto do território.

Leia também: Vestígios arqueológicos com mais de 3 mil anos são encontrados em Parintins

Esse cenário se torna ainda mais complexo no contexto amazônico, já que os vestígios da presença milenar dos povos indígenas não podem ser compreendidos apenas como “pontos no mapa”. As condições de umidade, a acidez dos solos e a dinâmica das águas da região dificultam a conservação de materiais orgânicos, como ossos, fibras e madeiras. Na Amazônia, a história humana costuma se manifestar por meio de manchas de terra preta, fragmentos cerâmicos, gravuras rupestres, geoglifos e paisagens que revelam transformações ocorridas ao longo de milhares de anos.

Imóveis privados são maioria

Entre os sítios arqueológicos que apresentam sobreposição com registros do CAR, 4.046 (85%) coincidem com imóveis rurais privados, categoria que inclui minifúndios, posses e latifúndios. Outros 783 (16%) se sobrepõem aos assentamentos da reforma agrária, enquanto 405 (8%) incidem sobre territórios de povos e comunidades tradicionais. A soma ultrapassa 100% porque um mesmo sítio pode estar sobreposto a mais de uma categoria fundiária.

Segundo Thiago Trindade, coordenador da Coordenação de Gestão da Informação e Inovação (CGINF) do Centro Nacional de Arqueologia (CNA), quando um sítio arqueológico incide sobre áreas privadas, a verificação e a fiscalização em campo dependem também de condições de autorização e acesso no local, mas nem sempre isso é simples.

“Quando você chega na porteira e diz: ‘eu sou técnico do Iphan e tenho permissão para verificar um sítio arqueológico’, [e a pessoa responde:] ‘não, você não vai entrar’. O que você vai fazer? Pular a cerca? Boa parte das vezes em que a pessoa se recusa a permitir a entrada, a gente simplesmente não entra. Em casos muito excepcionais, a gente traz a Polícia Federal para acompanhar, mas é raro e muito difícil”, explica.

A forma de cadastro varia conforme a categoria: imóveis rurais privados são autodeclarados pelos proprietários; já os registros de assentamentos e de territórios de povos e comunidades tradicionais são realizados pelo poder público. O CAR, além de ser requisito para programas de regularização ambiental, como o Programa de Regularização Ambiental (PRA), criado para adequar imóveis rurais às exigências do Código Florestal, também pode influenciar o acesso a crédito, incentivos fiscais e outros benefícios.

A análise mostra também que a maior parte dos cadastros sobrepostos a sítios arqueológicos possui status considerado válido pelo sistema. Entre os sítios arqueológicos com sobreposição ao CAR, 3.929 (82%) coincidem com áreas com pelo menos um cadastro ativo. Isso não representa a aprovação definitiva da inscrição, mas indica que os declarantes superaram a etapa inicial de validação, condição necessária para avançar em procedimentos ligados à regularização ambiental e ao acesso a benefícios econômicos.

Leia também: Amazônia concentra maior número de sítios arqueológicos do Brasil

Cadastro que orienta o uso da terra ignora sítios arqueológicos na Amazônia
Gráfico: InfoAmazonia. Fonte: SICAR

Esses dados mostram que a ausência da camada arqueológica no CAR não é apenas uma questão técnica. Ela mantém os sítios fora de um sistema estratégico para a gestão do território. A ocupação milenar fica dissociada das políticas que regulam o uso ambiental e econômico da Amazônia. 

Dessa forma, a floresta pode ser vista como uma fronteira econômica, uma área de preservação ou zona de conflito, mas não como uma paisagem que também foi moldada por séculos de ocupação humana. Ao mesmo tempo, os órgãos responsáveis pela proteção e fiscalização desse patrimônio histórico enfrentam limitações estruturais — a gestão opera com recursos técnicos e humanos escassos, e com uma capacidade reduzida para monitorar áreas ameaçadas. 

Trindade também lembra que, antes de 2015, o Brasil contava com apenas 20 arqueólogos no Iphan para acompanhar os processos em todo o país. Com o aumento das demandas geradas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e a expansão das obras de infraestrutura, cerca de 80 profissionais temporários foram contratados e, depois, incorporados definitivamente ao quadro técnico do órgão em 2018.

Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação mostram que o Iphan segue com um número baixo de profissionais ainda em 2026: pouco mais de 100 arqueólogos, distribuídos entre a Coordenação-Geral de Licenciamento Ambiental (CGLic), o Centro Nacional de Arqueologia (CNA) e as 27 superintendências estaduais. Na Amazônia Legal, a estrutura técnica é ainda mais reduzida diante da extensão territorial e das pressões ambientais e fundiárias.

O Amazonas, maior estado do país em área, conta com apenas dois servidores para analisar projetos, realizar fiscalizações, avaliar relatórios e acompanhar o cadastramento de sítios arqueológicos. Pará, Maranhão e Mato Grosso têm três arqueólogos cada. Acre, Amapá, Rondônia, Roraima e Tocantins contam com apenas um profissional por estado.

“Muitas vezes, as equipes precisam responder a processos de licenciamento, fiscalização, relatórios e cadastros, enquanto a evolução de normativas, termos de referência e instrumentos tecnológicos ficam paralisados pelas demandas urgentes que chegam”, explica Trindade.

O coordenador explica que uma integração entre as bases ambientais e arqueológicas teria algumas dificuldades técnicas. Isso porque cada alerta de sobreposição poderia exigir uma manifestação técnica do órgão. Não bastaria só informar que há um sítio em determinada área, mas avaliar se ele já foi estudado ou se possui condicionantes associadas a processos anteriores de licenciamento. Segundo Trindade, parte dessas informações ainda não está sistematizada nos cadastros públicos do Iphan e pode estar dispersa em processos antigos, relatórios técnicos, ou depender de uma checagem direta na área do sítio arqueológico.

Sítios arqueológicos sobrepostos ao Car. Gráfico: InfoAmazonia. Fonte: Sicar

Há, ainda, uma nova dificuldade. Com as recentes regras do licenciamento ambiental, atualizadas pela Lei nº 15.190/2025, obras e atividades enquadradas em modalidades simplificadas — como a Licença por Adesão e Compromisso (baseada na declaração do empreendedor) — tendem a se apoiar mais em consultas a bases de dados oficiais antes que órgãos especializados, como o Iphan, sejam acionados.

Áreas com sítios podem ficar fora de avaliação prévia

Na prática, áreas com sítios ainda não registrados oficialmente nos sistemas de patrimônio cultural, processo que depende de diversas etapas técnicas e da atuação de diferentes profissionais, podem ficar fora da avaliação prévia, mesmo quando o empreendimento tem potencial para afetar o patrimônio arqueológico. 

Mas, no caso da arqueologia, a ausência de registro em uma base oficial não significa ausência de patrimônio. Muitos sítios e vestígios só são identificados quando há prospecção em campo, geralmente durante os estudos do próprio licenciamento. O risco é que a consulta automatizada às bases incompletas seja interpretada como prova de inexistência de patrimônio arqueológico, e, com isso, da própria presença humana associada a essas áreas. Enquanto a dimensão humana da floresta permanecer fora da leitura ambiental do território, o mito da “terra sem gente” na Amazônia continuará encontrando novas formas de existir.

A reportagem do InfoAmazônia procurou a assessoria de imprensa do Serviço Florestal Brasileiro, órgão responsável pelo Sicar, para comentar sobre as sobreposições do CAR e a possibilidade de integração entre bases ambientais e arqueológicas, mas não recebeu uma resposta até esta publicação.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo InfoAmazônia, escrito por Lisiane Müller

Com convidados nacionais e programação gratuita, Glocal Macapá 2026 acontece nesta sexta e sábado

Arte: Divulgação

Macapá (AP) recebe, nesta sexta-feira (26) e sábado (27), a primeira edição da Glocal Macapá 2026, iniciativa que chega ao estado para conectar inovação, empreendedorismo, cultura, tecnologia e desenvolvimento sustentável em uma programação gratuita e aberta ao público. O evento será realizado no Parque Residência e reunirá especialistas, empreendedores, estudantes, investidores, lideranças e representantes de diferentes setores da sociedade.

A proposta da Glocal – nome que vem da expressão “pensar global, agir local” – é democratizar a sustentabilidade, impulsionar projetos e negócios de impacto, fortalecer o protagonismo das juventudes, ampliar a visibilidade internacional da Amazônia e mostrar que desenvolvimento econômico e floresta em pé podem caminhar juntos. A programação foi construída a partir de temas estratégicos para o futuro da região, como ciência, tecnologia e inovação, economia da natureza, juventude, educação, identidade afro-indígena e posicionamento global do território.

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Ao longo dos dois dias, o público terá acesso a painéis, mentorias, oficinas, experiências de realidade virtual, apresentações culturais e uma feira voltada ao ecossistema de inovação amazônico. O evento contará ainda com a participação de convidados de destaque nacional, entre eles a acreana Gleici Damasceno, campeã do Big Brother Brasil 18, além do investidor e mentor de startups Fernando Seabra, referência nacional em inovação e empreendedorismo.

“Realizar a primeira edição da Glocal Amazônia no Amapá é importante porque aproxima o estado de uma agenda nacional voltada à sustentabilidade, inovação e desenvolvimento territorial. O evento fortalece conexões entre poder público, iniciativa privada e sociedade civil, valoriza as potencialidades locais e estimula soluções para os desafios da Amazônia”, destaca Matheus Aquino, coordenador de projetos da Fundação Rede Amazônica.

Na sexta-feira (26), a programação será dedicada aos diálogos sobre inovação, tecnologia, empreendedorismo e futuro do trabalho. O dia começa, das 9h às 12h30, com o workshop “Prepare-se para Enfrentar Tubarões”, conduzido por Fernando Seabra.

A partir das 14h, o Palco Glocal recebe debates sobre temas estratégicos para o desenvolvimento regional. A abertura contará com o painel “Amapá 2050 – Amazofuturismo e a construção de novos caminhos”, que terá a participação do governador do Amapá, Clécio Luís, além de representantes de instituições de ensino, inovação e desenvolvimento regional.

Na sequência, o público acompanhará os painéis “Inovação Tucuju – Ciência, Tecnologia e o boom do açaí”, “Amazôn.IA – Inteligência Artificial aplicada na região Amazônica” e “Profissões que Não Existem – Futuro do trabalho em tempos de inovação digital”. Encerrando a programação do dia, Fernando Seabra apresenta a keynote especial sobre inovação e futuro.

No espaço Glocal LAB, das 16h às 20h, o público poderá participar de oficinas e experiências tecnológicas, incluindo exibição de filmes em realidade virtual, atividades sobre inteligência artificial, modelagem 3D aplicada à biodiversidade amazônica e comunicação digital para pequenos negócios.

A programação comunitária também marca presença na sexta-feira, no Residencial Vila dos Oliveiras, com exposição escolar do Kit Solar Castanheiro, oficina de geração de energia solar com a Poraquê Energia e apresentação de circo de rua.

Já no sábado (27), a programação segue com novas oportunidades de aprendizado, integração comunitária e valorização da cultura amazônica. No Palco Glocal, das 10h às 13h, acontece o Pitching: No Tanque com os Tubarões, novamente com participação de Fernando Seabra. O vencedor ganhará como prêmio a participação do evento nacional Startup Summit 2026, programado para 26, 27 e 28 de agosto, em Santa Catarina, incluindo passaporte completo para os 3 dias de evento, além de transporte e hospedagem.

No Residencial Vila dos Oliveiras, serão realizadas oficinas de moda artesanal e saboaria amazônica, promovidas pelo projeto Zwanga. O Parque Residência também receberá a Vila Glocal, com feira de startups, impressão 3D, pintura corporal indígena, experiências em realidade virtual, oficinas de robótica e atividades circenses.

Entre as atrações culturais, o público poderá acompanhar apresentações de slam de poesia, roda de capoeira, break dance e a manifestação cultural Marabaixo Raízes da Favela.

Encerrando a programação, o Palco Fest, a partir das 19h, reunirá atrações musicais regionais, entre elas Letícia Auolly, Ariel Moura, Salomão Monteiro, Amazônia Fusion, Jhimmy Feiches e Bell Brandão.

Realizada no Parque Residência, a Glocal Macapá pretende consolidar um ambiente de encontro entre inovação, conhecimento, cultura e desenvolvimento sustentável, reforçando o potencial da Amazônia como território de soluções para os desafios do presente e do futuro.

Serviço

Evento: Glocal Macapá 2026
Data: 26 e 27 de junho de 2026
Local: Parque Residência – Macapá (AP)
Entrada: Gratuita

A programação completa está disponível nas redes sociais da Glocal e da Fundação Rede Amazônica: www.instagram.com/glocalexp e www.instagram.com/fundacaoredeamazonica

Glocal Amazônia – Macapá

A Glocal Macapá é realizada pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), com idealização e operação da Dream Factory e apoio da Secretaria de Estado da Ciência e Tecnologia do Amapá (Setec/AP), do Governo do Amapá e da Tratalyx.

Quando a Amazônia vai a leilão

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Foto: Olimpio Guarany/Acervo pessoal

Por Olímpio Guarany

O caso da Ponta do Cururu, em Alter do Chão, reacende uma antiga discussão sobre pertencimento, memória e o valor das paisagens amazônicas.

O sol começa a descer sobre o Tapajós.

As águas transparentes refletem tons de ouro e cobre. As areias brancas da Ponta do Cururu recebem visitantes de todas as partes do Brasil e do mundo. Ao amanhecer, gaivotas cruzam o horizonte. Ao entardecer, o rio oferece um dos espetáculos mais belos da Amazônia.

Ali, diante daquela paisagem que parece eterna, ninguém imagina que um dia alguém pudesse colocar um preço em tudo aquilo.

Mas foi exatamente isso que aconteceu.

A notícia do leilão da Ponta do Cururu provocou reações imediatas e levou o Ministério Público Federal a atuar para suspender o procedimento. Os aspectos jurídicos seguirão seu curso e caberá às instituições esclarecer a legalidade da operação.

Mas existe uma questão maior.

Quem pode vender uma paisagem?

Não me refiro apenas à terra.

Refiro-me à memória, à identidade e ao sentimento de pertencimento que um lugar desperta em um povo.

Por do Sol em Alter do Chão, Ponta do Cururu, Amazônia
Foto: Olimpio Guarany/ Acervo cedido ao Portal Amazônia

A discussão surge justamente quando Santarém celebra seus 365 anos de história. Uma cidade moldada pelo encontro entre rios, florestas, culturas e povos que aprenderam a viver em íntima relação com as águas da Amazônia.

Muito antes da chegada dos colonizadores e dos missionários europeus, os Boraris já habitavam aquela região. O Tapajós já seguia seu curso majestoso em direção ao Amazonas. As praias apareciam durante a vazante. O pôr do sol já iluminava as águas cristalinas que hoje encantam visitantes do mundo inteiro.

A história daquele lugar não começou com uma escritura.

Por isso, quando a Ponta do Cururu é transformada em ativo financeiro, o desconforto vai muito além de uma disputa imobiliária.

Ao longo dos séculos, diferentes interesses disputaram a Amazônia. Mudaram os personagens, os discursos e os instrumentos de controle. Mas a pergunta continua a mesma:

Quem decide o destino da Amazônia?

Essa reflexão se torna ainda mais necessária num momento em que quase tudo parece receber uma etiqueta de preço. A floresta vale pela madeira. O subsolo vale pelo minério. Os rios valem pela energia. O carbono ganha valor nos mercados internacionais.

Agora, até as paisagens parecem entrar nessa lógica.

Mas nem tudo pode ser medido em hectares ou milhões de reais.

Depois de navegar por milhares de quilômetros nos rios amazônicos, aprendi que existem lugares cuja importância ultrapassa qualquer avaliação financeira.

A Ponta do Cururu é um deles.

Gaivotas na Ponta do Cururu, no Pará. Foto: Olimpio Guarany/Acervo pessoal

Ela faz parte do imaginário amazônico, da memória dos povos que viveram e vivem às margens do Tapajós e da história de Santarém e da própria região amazônica.

Por isso, defender lugares como esse não é um gesto contra o desenvolvimento nem uma recusa ao progresso.

É afirmar que existem patrimônios que precisam ser compreendidos para além da lógica do mercado, porque carregam história, cultura, ancestralidade e significado.

Ao longo dos séculos, muitos tentaram controlar a Amazônia. Mudaram os interesses, os métodos e os argumentos. Mas a floresta, os rios e os povos amazônicos continuam lembrando que existe uma dimensão do território que não cabe em escrituras, contratos ou avaliações financeiras.

O Tapajós continuará correndo depois dos processos judiciais, dos contratos e dos leilões.

Continuará refletindo o céu azul da Amazônia e testemunhando a passagem das gerações.

A questão é saber se nós seremos capazes de compreender o valor daquilo que recebemos como herança.

Porque algumas paisagens são grandes demais para pertencer apenas a um proprietário.

Elas pertencem à memória coletiva de um povo.

E quando uma paisagem da Amazônia vai a leilão, o que está em disputa não é apenas uma área de terra.

É a forma como enxergamos a própria Amazônia.

Leia também: Bioeconomia: a floresta precisa gerar riqueza — mas para quem?

Sobre o autor

Olimpio Guarany é jornalista, documentarista e professor universitário. Realizou expedição histórica, navegando o rio Amazonas, desde a foz até o rio Napo (Peru), por onde atingiu o sopé da cordilheira dos Andes (Equador) no período 2020-2022 refazendo a saga de Pedro Teixeira, o conquistador da Amazônia (1637-1639). A expedição deu origem ao livro ‘A Nova Conquista da Amazônia’. É apresentador do programa Amazônia em Pauta no canal Amazon Sat.

*O conteúdo é responsabilidade do colunista