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Projeto de diagnóstico participativo para gestão estratégica na BR-319 é desenvolvido pela Ufam

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Foto: Divulgação/Ufam

A Universidade Federal do Amazonas (Ufam), por meio do projeto “Territórios Inteligentes e Sustentáveis: Gestão Municipal Estratégica na BR-319”, ligado a Pró-Reitoria de Inovação Tecnológica (Protec/Ufam), Centro de Ciências Ambientais da Ufam (CCA/Ufam), Centro de Educação a Distância (CED/Ufam) e o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), nos próximos 12 meses, trabalha na gestão estratégica e no planejamento territorial na área de influência da BR 319, que liga os estados do Amazonas (AM) a Rondônia (RO).

A iniciativa prevê capacitação de gestores e lideranças, diagnóstico participativo e elaboração de projetos com soluções voltadas para 16 municípios situados na região da rodovia, a partir de metodologias voltadas para cidades inteligentes adaptadas ao contexto amazônico.

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Entre as metas do Projeto estão a formação de, no mínimo, 150 gestores, incluindo servidores, lideranças, conselheiros, comunidades e órgãos que atuam no território, em cursos livres de extensão, além de 20 profissionais em especialização lato sensu, com carga horária de 360 horas, oferecida pela Ufam. A proposta considera esses atores como participantes fundamentais no processo de discussão e planejamento das políticas públicas da região.

Ufam desenvolve projeto de diagnóstico participativo, capacitação de gestores e elaboração de projetos para municípios da BR-319
Foto: Divulgação/Ufam

Leia também: ‘Gente da 319’: projeto inicia mapeamento para enfrentar desafios fundiários na BR-319

Também estão previstas oficinas presenciais de diagnóstico nos municípios-polo, oficinas para elaboração de projetos e também voltadas à capacitação em captação de recursos. O trabalho abrange ainda a elaboração de projetos de soluções inteligentes para os municípios participantes, de Notas Técnicas com prognósticos regionais para entrega para a Secretaria Extraordinária para a Transformação do Estado (SETE) do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).

Segundo a coordenadora do “Territórios Inteligentes e Sustentáveis da BR319” e diretora do Departamento de Empreendedorismo e Habitat de Inovação da Protec, professora Angélica Corrêa, a proposta amplia a capacidade de gestores, lideranças e comunidades para participar da elaboração de políticas públicas por meio de diagnóstico e capacitação.

“Este projeto oferece um curso de especialização destinado prioritariamente a Gestores públicos municipais (prefeituras, secretarias e seus técnicos), lideranças e afins. As oficinas temáticas propostas serão a consolidação de algumas áreas da especialização e poderão ser mais abrangentes quanto ao público. Posteriormente, haverá uma avaliação classificatória para adequar ao número de vagas disponível e nosso planejamento é iniciar em outubro de 2026”, detalhou a coordenadora.

Foto: Ascom AGU

A professora falou ainda que o Projeto já está buscando apoio e adesão das prefeituras, para em seguida, comunicar os meios de inscrição e acompanhamento das ações ao longo do tempo. “A ideia é apoiar o planejamento da área do entorno da BR 319, a partir da integração entre dados, conhecimento acadêmico e saberes das comunidades”, enfatizou.

De acordo com o diretor do CCA/Ufam, professor André Mendonça, a proposta também incorpora diagnóstico a partir de metodologias desenvolvidas para cidades inteligentes com foco em inovação, sustentabilidade, infraestrutura, saúde e bem-estar. “A metodologia do diagnóstico é participativa e foi adaptada às características dos municípios do Amazonas, que incluem áreas urbanas, comunidades, assentamentos e outras formas de ocupação territorial. O diagnóstico procura entender o que precisamos avançar para termos territórios mais inteligentes e sustentáveis na região “, completou.

Como surgiu?

O projeto “Territórios Inteligentes e Sustentáveis: Gestão Municipal Estratégica na BR-319” surgiu a partir de uma demanda do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), que procurou a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) para desenvolver uma iniciativa voltada ao fortalecimento da gestão municipal estratégica na região da BR-319. A partir dessa articulação, a Pró-Reitoria de Inovação Tecnológica (Protec/Ufam) foi demandada para coordenar as ações relacionadas ao projeto.

A atuação do projeto, no âmbito da Ufam, foi construída com base na experiência de pesquisadores da Instituição nos territórios e de ações de formação de gestores realizadas em parceria com a Escola de Contas Públicas do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE/AM), além da participação da Universidade em projetos voltados à adaptação climática e ao desenvolvimento de cidades mais inteligentes. Segundo o professor André Mendonça, durante essas atividades foram identificadas demandas relacionadas à capacitação para a melhoria dos processos administrativos, ao planejamento municipal e ao fortalecimento das estratégias de gestão pública nos municípios envolvidos.

“Entre os desafios identificados está a necessidade de conciliar as regras e atividades permitidas nas áreas protegidas com os interesses das cadeias produtivas, como proteger a produção e o modo de vida local e o território de ameaças, além da necessidade de aprofundar o conhecimento sobre a gestão territorial e a adequação da administração municipal às políticas públicas brasileiras”, destacou o diretor.

Foto: DNIT

As ações também contemplam o uso inteligente de dados e ferramentas para subsidiar decisões relacionadas à infraestrutura, mobilidade, saúde, educação, saneamento, monitoramento ambiental e outras áreas da administração pública.

“É fundamental que a administração municipal, técnicos e lideranças participem ativamente da construção de políticas públicas baseadas em suas próprias capacidades. Acreditamos que, quanto mais bem informados e capacitados aqueles que atuam em prol do município, mais eficazmente poderão trabalhar os desafios que a BR 319 impõe”, finalizou o diretor do CCA.

*Com informações da Ufam

Sobrevivência de povos isolados na Amazônia depende de Estado brasileiro adotar novas estratégias, defendem pesquisadores

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Rio Amazonas. Foto: Gabriel de Oliveira

Em junho de 2022, as mortes do indigenista da FUNAI Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips projetaram a Terra Indígena do Vale do Javari, no Oeste do Amazonas, para o noticiário global. A dupla foi vítima de uma emboscada enquanto navegava de barco no rio Itacoaí a caminho de Atalaia do Norte (AM). O mandante do crime, Rubén Dario da Silva Villar, buscava proteger seus esquemas ilícitos de pesca e garimpo ilegal na floresta amazônica – atividades comuns na região, mas que colocam em risco a sobrevivência das comunidades indígenas.

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Quatro anos se passaram e o Vale do Javari continua na mira de criminosos, cujas atividades ilegais ameaçam a soberania territorial e a continuidade cultural dos povos que vivem na região. Apesar da repercussão internacional das mortes de Pereira e Phillips, muitos outros indigenistas seguem atuando em defesa para a sobrevivência dos povos nativos da Amazônia e correndo risco de vida, sem que isso chame muita atenção.

Leia também: Terras Indígenas do Vale do Javari estão cercadas pelo crime organizado, aponta levantamento

Para trazer mais visibilidade a esta questão, a revista Nature Sustainability trouxe um artigo, assinado por 66 pesquisadores de mais de 50 instituições, chamando a atenção para a importância de proteger a área do entorno das terras indígenas, por razões que extrapolam a demarcação territorial.

Representando a Unesp, participaram da elaboração do texto os pesquisadores Michel Eustáquio Dantas Chaves, geógrafo e professor do Departamento de Engenharia de Biossistemas da Faculdade de Ciências e Engenharia, câmpus de Tupã, e Rodrigo Lilla Manzione, engenheiro agrônomo e professor do Departamento de Geografia e Planejamento da Faculdade de Ciências, Tecnologia e Educação, câmpus de Ourinhos.

Chaves explica que a escolha do Vale do Javari como foco do artigo se deveu a sua característica de fronteira trinacional, confrontando Brasil, Peru e Colômbia. As densas florestas que ocupam a região dificultam o acesso para ações de fiscalização e de policiamento efetivo. Por outro lado, as terras indígenas ali situadas possuem recursos de interesse econômico, e em suas fronteiras já ocorre a extração de madeira para o comércio ilegal e a retirada de ouro do solo.

Leia também: Quem são e como vivem os povos indígenas isolados do Brasil ‑ e por que é importante protegê‑los

É justamente a proteção dessas fronteiras que o grupo de pesquisadores procura tematizar no artigo. Eles ponderam que, no caso das unidades de conservação ambiental em território brasileiro, a legislação prevê a existência de zonas de amortecimento ao seu redor, que atuam como escudos ecológicos oferecendo uma camada extra de proteção à biodiversidade que reside no seu interior.

No entanto, no caso das terras indígenas demarcadas, como as do Vale do Javari, não existe uma área de proteção equivalente. Essa ausência favorece a aproximação das atividades ilícitas aos povos originários.

O artigo analisa o impacto dessas atividades sobre o ambiente, combinando dados do desmatamento na região coletados pelo Programa de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (PRODES), feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), e dados de cobertura florestal e mudanças de uso da terra registrados na plataforma MapBiomas.

Os resultados mostram que a faixa de 200 km de extensão ao redor do Vale do Javari, que poderia servir como zona de amortecimento, experimentou uma perda de área florestal 187,5 vezes maior do que a registrada no interior do território demarcado, demonstrando a importância de ações de preservação no entorno.

“No artigo, fizemos um chamado à ação para a proteção concreta de terras indígenas e povos originários em isolamento voluntário porque os próprios indígenas não têm como buscar essa atenção”, diz Chaves.

“E muitas pessoas que estão no entorno dessas terras não pensam em conservação, mas sim em desmatamento, rotas para escoamento de produtos ilícitos e da produção agropecuária. Inclusive com rodovias cortando as terras indígenas. Por exemplo, há projetos para transformar a região de confluência entre Amazonas, Acre e Rondônia em uma zona de desenvolvimento agropecuário”, relata Chaves. “É por isso que devemos pensar na criação de zonas de amortecimento para terras indígenas, a fim de que haja efetiva proteção”, completa.

O desafio da sobrevivência dos povos isolados

A Terra Indígena do Vale do Javari abriga cinco povos que mantêm contato com a sociedade ao redor: Marubo, Mayoruna, Matis, Kanamari e Kulina. Também vivem ali dois povos classificados como de contato recente, Korubo e Tsohóm-Djapá, e pelo menos 14 grupos que se mantêm em isolamento voluntário. Isso torna a região a maior concentração de povos isolados e de contato recente do país.

Chaves explica que os modos de vida dos indígenas que vivem em isolamento sequer estão totalmente documentados. “Então, qualquer abertura de clareira na floresta, queimada ou poluição do ar com fumaça ou da água com mercúrio, por exemplo, já é um ataque a esse estilo de vida”, conta o professor.

“E naquela região tem um problema muito grave, que é o narcotráfico. O narcotráfico não respeita nada. Com tantas pressões e ameaças, o isolamento dos povos originários está cada vez menos respeitado; as pessoas, por meio de diversas atividades, estão tendo acesso a eles.”

Leia também: Brasil tem 119 povos indígenas vivendo isolados, aponta publicação do Cimi

Sobrevivência de povos isolados na Amazônia depende de Estado brasileiro adotar novas estratégias rapidamente, dizem pesquisadores
Sobrevivência de povos isolados na Amazônia depende de Estado brasileiro . Foto: Gleison Miranda/Funai

Manzione cita o exemplo do Parque Indígena do Xingu. O território onde vivem os povos indígenas no parque é demarcado. Porém, as terras onde ficam as nascentes da bacia hidrográfica seguiram desprotegidas e estão agora cobertas por plantações de soja. Além disso, foi erguida naquela região a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, que exigiu até a alteração do curso do rio Xingu, o que promoveu um fortíssimo impacto sobre a pesca e a cultura local.

Atividades ilícitas explodem na Amazônia

Os pesquisadores explicam que, até o momento, não há iniciativas para qualquer plano de ordenamento territorial para a região, menos ainda um que envolva os três países que compartilham suas fronteiras. “Acaba virando uma terra sem lei procurada por pessoas que são, muitas vezes, sem terra. E aqueles cuja terra é preservada por lei talvez nem saibam que a área que ocupam deveria estar protegida externamente”, explica Chaves.

O geógrafo pondera que, por se tratar de uma área de fronteira, as soluções não dependem unicamente do Brasil. É necessária uma articulação transnacional, envolvendo o rastreamento do dinheiro e das exportações para cortar o problema pela raiz. O problema apontado pelo professor, no entanto, é que tais atividades, na maioria das vezes, não estão associadas ao mercado legal, mas sim a um comércio clandestino que abastece outros países.

Um relatório divulgado no início de 2026 pela organização Environmental Investigation Agency (EIA) mostrou que hotéis de luxo da Europa e dos Estados Unidos estavam importando madeira de áreas protegidas no Pará para a construção de decks, por exemplo.

Manzione aponta outro agravante: “quanto mais tempo leva para que se tome alguma iniciativa, mais essas atividades se consolidam. Há gerações de pessoas que vivem do corte de madeira e que só sabem fazer isso. Mesmo que se elimine a cadeia e congele recursos, vai permanecer um contingente populacional morando na região há décadas que vive disso.”

Uma forma de mitigar o problema, segundo Manzione, é abordando o aspecto financeiro. Tornar a atividade cara e rastrear o caminho dos produtos, a ponto de cessar o funcionamento da cadeia. Além disso, é preciso utilizar os dados de satélite para monitorar mudanças na floresta amazônica e identificar as principais zonas de risco. Essa segunda tática, porém, está ameaçada. 

Sobrevivência de povos isolados na Amazônia depende de Estado brasileiro. Foto: Gleison Miranda/Funai

“Há um projeto de lei que foi aprovado a toque de caixa. Trata-se do PL 2564/25, que proíbe a aplicação de embargos e punições ambientais baseados exclusivamente em imagens de satélite ou ferramentas de detecção remota. Não se pode mais autuar crimes ambientais, como o desmatamento, utilizando apenas imagens de satélite; é preciso mandar alguém diretamente até essas áreas, que muitas vezes são inacessíveis”, alerta Manzione.

O projeto de lei foi aprovado pela Câmara dos Deputados em março de 2026 e deve ainda passar pelo Senado. Ainda pode ser vetado, mas desperta preocupação entre as lideranças ambientalistas pelo retrocesso que pode ocasionar. Para Manzione, a decisão caminha na contramão de uma política de Estado de anos de desenvolvimento brasileiro, ofuscando o trabalho de sensoriamento remoto com base em imagens de satélite, com programas próprios, realizado por profissionais do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e envolvendo órgãos oficiais como o INPE, entre outros.

O risco das mudanças climáticas

Outro ponto abordado no artigo pelos pesquisadores é a questão das mudanças climáticas. A região do oeste da Amazônia tem grande importância para a geração de chuvas que, posteriormente, abastecem a agricultura e a pecuária do Centro-Sul do país. Logo, possíveis impactos em termos de avanço do desmatamento podem representar menos umidade na atmosfera e queda nas precipitações.

A atividade ilegal pode afetar, com o passar do tempo, o setor regularizado da agropecuária do país, que é responsável, na atualidade, por uma parcela significativa da renda nacional. “Se não houver a defesa da conservação da floresta, aliada às atividades de monitoramento, e se as leis ambientais não conversarem com as leis para a agropecuária, estaremos perdendo nos contextos ambiental, social e econômico”, explica Chaves.

Só assim, diz o pesquisador, pode-se construir uma via de desenvolvimento sustentável, em que a preservação ambiental anda lado a lado com a questão econômica. “Não há mais espaço para a dicotomia entre conservar e produzir. Nosso artigo chama a atenção justamente para isso, ao correlacionar o lado social dessa crise humanitária dos indígenas aos aspectos ambiental e econômico, dentro de um contexto de mudanças climáticas. Por isso, esperamos que a publicação contribua com discussões e ações que levem a sociedade a colher resultados efetivos, do ponto de vista da sustentabilidade.”

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal da USP, escrito por Carolina Fioratti

Boletim de Monitoramento Ambiental da Amazônia é lançado pela OTCA

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Foto: Divulgação/Biotec Amazônia

A Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) lançou a primeira edição do Boletim de Monitoramento Ambiental da Amazônia, publicação periódica produzida com o apoio técnico do Observatório Regional Amazônico (ORA). Disponível em português, espanhol e inglês, o boletim apresenta uma visão integrada das condições ambientais da região e destaca tendências que exigem acompanhamento nos próximos meses.

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O boletim reúne informações sobre precipitação, temperatura, focos de calor e áreas queimadas na Amazônia. Os dados são processados e analisados regionalmente pelo ORA a partir de fontes reconhecidas, como ERA5/ECMWF-C3S, Aqua-T/NASA/INPE e MODIS/MCD64A1.
A iniciativa contribui para o cumprimento dos compromissos estabelecidos nas Declarações de Belém e de Bogotá, que reconhecem a importância da produção e do intercâmbio de informações científicas para fortalecer a cooperação entre os Países Membros da OTCA.

Em sua mensagem de abertura, o secretário-geral da OTCA, Martín von Hildebrand, ressalta que o monitoramento contínuo do El Niño e a integração de dados confiáveis são fundamentais para antecipar impactos e fortalecer a preparação e a resposta coordenada dos países amazônicos.

“A Amazônia fala por meio dos dados. Nossa responsabilidade é transformá-los em ações coordenadas para construir um futuro sustentável para a região”, afirma o secretário-geral.

Chuvas permaneceram próximas da normalidade em grande parte da região

A primeira edição do boletim, publicada em agosto e referente a julho de 2026, mostra que aproximadamente 75% da área da Bacia Amazônica apresentou precipitações dentro da normalidade climatológica. Cerca de 18,8% registraram chuvas abaixo do esperado e 6,2%, acima da média.

Os menores volumes de precipitação ocorreram no sudeste da Bacia Amazônica, principalmente nas sub-bacias dos rios Juruena, Teles Pires e Xingu. Nas regiões norte e noroeste, os maiores acumulados foram observados nas sub-bacias dos rios Napo, Trombetas, Içá, Negro e Branco.

Leia também: Nova ferramenta monitora Amazônia em tempo quase real e reforça proteção ambiental

OTCA lança Boletim de Monitoramento Ambiental da Amazônia
OTCA lança Boletim de Monitoramento Ambiental da Amazônia. Foto: Reprodução/OTCA

Embora tenham predominado condições próximas da normalidade, o boletim identifica a ampliação de uma área com anomalias negativas de precipitação. Os déficits mais acentuados foram registrados nas sub-bacias de Uatumã-Nhamundá, Negro, Branco e Trombetas.
A situação da sub-bacia do rio Negro merece atenção especial, pois apresentou tendência seca em fevereiro, abril e julho. A persistência desse quadro pode afetar as vazões dos rios e a umidade do solo, além de ampliar as condições favoráveis à ocorrência de incêndios florestais durante o período seco.

Em julho, a precipitação média na Bacia Amazônica foi de aproximadamente 90 milímetros, cerca de 10 milímetros abaixo da média climatológica do período.

Temperaturas acima da média avançaram sobre a Bacia Amazônica

A temperatura média observada em julho foi de aproximadamente 24,68 °C, o que representa uma anomalia positiva de 1,18 °C em relação à média histórica.

 OTCA lança Boletim de Monitoramento Ambiental da Amazônia. Foto: Divulgação/InfoEscola

Os mapas dos últimos três meses mostram que as faixas de temperatura entre 26 °C e 30 °C avançaram principalmente pelas regiões central, norte e leste da Bacia Amazônica, com aumento expressivo no eixo entre Santarém e Manaus. As temperaturas mais baixas permaneceram concentradas no oeste da região, sobretudo nas áreas de maior altitude próximas à Cordilheira dos Andes.

Focos de calor diminuíram em julho, mas cresceram no acumulado do ano

Em julho de 2026, foram registrados 2.757 focos de calor na Amazônia, redução de 38,5% em comparação com julho de 2025. Desse total, 364 ocorreram em Áreas Naturais Protegidas e 542 em Territórios Indígenas.

Apesar da redução mensal, o acumulado do ano apresentou comportamento diferente. Entre janeiro e julho de 2026, foram identificados 19.991 focos de calor, aumento de 12% em relação ao mesmo período de 2025. Desses registros, 2.524 ocorreram em Áreas Naturais Protegidas e 2.340 em Territórios Indígenas.

As formações florestais concentraram o maior número de focos no período, com 7.412 registros, equivalentes a 37% do total. Em seguida aparecem as pastagens, com 4.926 focos, e as formações campestres, com 3.102.

Área queimada aumentou entre janeiro e maio

Os dados disponíveis sobre área queimada abrangem o período de janeiro a maio de 2026. Nesses cinco meses, a Amazônia registrou 6.254 km² de área queimada, aumento de 38,8% em relação ao mesmo período de 2025.

OTCA lança Boletim de Monitoramento Ambiental da Amazônia. Foto: Reprodução/CBM-AC

Desse total, 850 km² ocorreram em Territórios Indígenas e 720 km² em Áreas Naturais Protegidas. Somente em maio, foram queimados 888 km², volume 48,2% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. As formações campestres concentraram a maior extensão afetada pelo fogo entre janeiro e maio, seguidas pelas pastagens, pela agricultura, pelas áreas inundáveis e pelas formações florestais.

Informação regional para apoiar decisões 

O Boletim de Monitoramento Ambiental da Amazônia foi desenvolvido para ampliar o acesso a informações sobre os oito Países Membros e apoiar a identificação de tendências, riscos e áreas que demandam atenção.

Ao reunir dados de diferentes fontes e apresentá-los em uma perspectiva regional, a publicação busca apoiar a tomada de decisão, ações de prevenção e respostas coordenadas.

*Com informações da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA)

Super El Niño: Coalizão Brasil aponta quatro medidas para preparar agricultura para extremos climáticos

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Super El Niño. Foto: Reprodução/Nasa

A possibilidade de ocorrência de um Super El Niño no fim deste ano aumenta a preocupação com os impactos de eventos climáticos extremos sobre a agricultura brasileira. Dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) estimam em 95% as chances de o fenômeno ocorrer de forma muito intensa no último trimestre do ano, período que coincide com o início do plantio de diversas culturas no Centro-Oeste, uma das principais regiões produtoras do país. 

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O cenário reforça a importância de preparar a produção para secas, excesso de chuvas e outros eventos extremos não apenas com respostas emergenciais, mas também com medidas estruturantes. Entre elas estão a restauração da vegetação nativa, o fortalecimento do seguro rural, a ampliação do acesso ao crédito e da assistência técnica. 

“Temos defendido que o país precisa avançar em soluções que reduzam os riscos para a produção e deem mais segurança ao produtor diante de um clima cada vez mais instável”, afirma Rodrigo Castro, membro do Conselho Estratégico da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, rede formada por mais de 400 empresas e organizações da sociedade civil. “Temos conhecimento, tecnologia e instrumentos de política pública para isso, mas é preciso fazer essas soluções chegarem ao campo de forma integrada e ganharem escala.”

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é o Super El Niño?

Super El Niño: Coalizão Brasil aponta quatro medidas para preparar agricultura para extremos climáticos. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O seguro rural é um desses instrumentos. A ampliação de sua cobertura é fundamental para reduzir a vulnerabilidade financeira dos produtores diante de perdas provocadas por eventos extremos e consequentemente quebras severas de safra como aquelas potencialmente provocadas pelo Super El Niño deste ano, contribuindo para preservar sua capacidade de produção nos ciclos seguintes. 

“O Super El Niño chama a atenção para um problema que vai além de um fenômeno específico. Precisamos estar mais preparados para eventos extremos, combinando instrumentos de proteção financeira com outros que tornem a própria produção menos vulnerável. O Brasil tem capacidade técnica e científica para transformar esse desafio em avanço estruturante de forma mais permanente, e não apenas em resposta emergencial”, acrescenta Castro, que também é diretor de País da Fundação Solidaridad.

Quatro caminhos para reduzir os riscos para a produção

1. Tornar o  seguro rural mais robusto

Ampliar o alcance do seguro rural contribui para reduzir os impactos financeiros de eventos extremos e de quebras severas de safra. O instrumento oferece maior proteção ao produtor e ajuda a preservar sua capacidade de continuar produzindo nos ciclos seguintes. 

2. Melhorar o acesso ao crédito para adaptação

O financiamento deve facilitar investimentos em tecnologias e práticas que reduzam a exposição da produção aos riscos climáticos. Em um cenário de juros elevados, aumento dos custos de produção e endividamento de parte dos produtores, instrumentos adequados de crédito são importantes para permitir a modernização das propriedades e a adoção dessas soluções. 

3. Fortalecer a assistência técnica 

A ampliação dos serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) é fundamental para fazer com que conhecimento, tecnologias e políticas públicas cheguem ao produtor. O fortalecimento da assistência técnica, especialmente para pequenos e médios produtores, ajuda a ampliar a adoção de práticas mais adequadas às diferentes condições climáticas e produtivas do país e a acelerar a transição para sistemas produtivos mais resilientes.

4. Acelerar a restauração da vegetação nativa

Recuperar a vegetação nativa, em especial em áreas degradadas e conservar os remanescentes, contribui para a conservação do solo, da água e dos serviços ecossistêmicos dos quais a produção agropecuária depende. A restauração deve integrar uma estratégia de longo prazo onde a conservação dos ativos ambientais amplie a segurança produtiva da propriedade.

Super El Niño: Coalizão Brasil aponta quatro medidas para preparar agricultura para extremos climáticos
Super El Niño: Coalizão Brasil aponta quatro medidas para preparar agricultura para extremos climáticos. Foto: Juan Doblas

Sobre a Coalizão

A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura é um movimento composto por mais de 400 organizações, entre entidades do agronegócio, empresas, organizações da sociedade civil, setor financeiro e academia. A rede atua por meio de debates, análises de políticas públicas, articulação entre diferentes setores e promoção de iniciativas que contribuam para a conservação ambiental e o desenvolvimento socioeconômico do Brasil.

*Com informações da assessoria

Greenpeace Brasil divulga ter identificado Permissão de Lavra Garimpeira usada para “lavar” ouro extraído ilegalmente na Amazônia

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Foto: Bruno Kelly/Greenpeace Brasil

O Greenpeace Brasil identificou mais um caso de Permissão de Lavra Garimpeira (PLG) “fantasma”, usada para lavar ouro extraído ilegalmente na Amazônia. Trata-se da PLG 851561/2011, da Cooperativa dos Garimpeiros da Amazônia (COOGAM), no Alto Tapajós, em Jacareacanga, no Pará.

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A Permissão de Lavra Garimpeira declarou a retirada de 4,5 kg de ouro, comprados pela F.D’Gold Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda, o que movimentou R$ 2,81 milhões em negociações em junho de 2026. A investigação do Greenpeace Brasil, porém, revela que não houve atividade garimpeira na área permitida. 

Por meio da análise de imagens de satélite e radar, bem como sobrevoo de validação realizado em 27 de julho, o Greenpeace Brasil constatou que nenhuma das 5 dragas licenciadas para a extração de ouro esteve dentro dos limites estabelecidos para a atividade. Porém, ao contrário do que fora licenciado, a organização identificou que as dragas licenciadas estavam minerando fora dos limites autorizados pela Agência Nacional de Mineração e licenciado pela Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (SEMAS/PA).

Greenpeace Brasil identifica mais uma Permissão de Lavra Garimpeira usada para “lavar” ouro extraído ilegalmente na Amazônia
Terra Indígena Munduruku – 27.06.2026 – Dragas de garimpo ilegal são vistas no rio Tapajós dentro da Terra indígena Munduruku. Foto: Bruno Kelly/GreenPeace

Leia também: Relatório aponta que garimpo ilegal não diminui e afeta drasticamente ecossistema amazônico

Durante o sobrevoo, também foi possível identificar a formação dos chamados “arrotos de draga” ao longo do curso do rio Tapajós, bancos de areia formados pelo acúmulo de sedimentos e rejeitos da operação das dragas de rio. Em geral, eles alteram o curso natural do rio e dificultam a navegação. É nesses bancos de areia que se concentra o mercúrio usado no processo de amalgamação do ouro.

“Em junho, o Greenpeace Brasil publicou um relatório com uma investigação que identificou 98 PLGs com graves irregularidades. Agora, já são 99. É urgente que a Agência Nacional de Mineração identifique e cancele imediatamente essas PLGs Fantasmas. Quantas mais precisaremos identificar?”, afirma o coordenador da Frente de Povos Indígenas do Greenpeace Brasil, Danicley Aguiar. 

Sobreposição à Terra Indígena Munduruku

À esquerda, a Ilha do Cururu, na Terra Indígena Munduruku (PA). À direita, a localização da Permissão de Lavra Garimpeira 851561/2011, em imagem extraída do D.A.R.T., ferramenta de anotação e reconhecimento de dragas. Fonte: Greenpeace Brasil

Além da Permissão de Lavra Garimpeira 851561/2011, a COOGAM conseguiu as licenças para outras duas PLGs nos limites da Terra Indígena Munduruku. O conjunto gera impactos sobre a dinâmica social e política do povo Munduruku, especialmente nas quase trinta aldeias que estão próximas dessas permissões. Indígenas relatam poluição sonora, aliciamento de aldeias e comprometimento do abastecimento público de água, relatos que foram ignorados no processo de licenciamento da atividade.

Há ainda um problema de origem no próprio ato de outorga. A Ilha do Cururu, sobreposta pelo polígono da Permissão de Lavra Garimpeira, é descrita como parte integrante da Terra Indígena Munduruku, conforme prevê o Decreto de 25 de fevereiro de 2004. Por isso, o Greenpeace Brasil sustenta que a outorga viola o parágrafo 7º do artigo 231 da Constituição Federal.

“O caso reitera a necessidade de a Agência Nacional de Mineração instituir uma força-tarefa capaz de identificar e cancelar de imediato as PLGs fantasmas que seguem servindo para inserir no mercado formal o ouro roubado de Terras Indígenas e Unidades de Conservação da Amazônia”, alerta Aguiar.

Metodologia

A análise integrou dados das licenças de operação emitidas pela SEMAS/PA, o histórico de arrecadação da CFEM, a estimativa do valor total das operações comerciais e o histórico de eventos processuais da ANM. A esses dados somaram-se o enquadramento socioambiental das poligonais de lavra garimpeira e os alertas de presença de dragas gerados pelo Papa Alpha, sistema de monitoramento remoto do Greenpeace Brasil.

Na esteira do relatório sobre lavagem de ouro

Esta nova denúncia nasce da investigação apresentada no relatório “Lavagem de ouro na Amazônia: anatomia de uma fraude”, divulgado pelo Greenpeace Brasil em 1º de junho de 2026. O documento mostrou como a Permissão de Lavra Garimpeira, instrumento que atesta a procedência do ouro, vem sendo usada para dar aparência legal ao metal extraído de áreas protegidas, aproveitando falhas na fiscalização da ANM e a dispensa de pesquisa mineral prévia.

O relatório analisou 187 processos minerários registrados entre 2018 e março de 2026 e identificou 98 PLGs com irregularidades, responsáveis pela comercialização declarada de 25,3 toneladas de ouro no período, o equivalente a cerca de R$ 18,4 bilhões em valores atualizados do ouro 24k na primeira quinzena de maio de 2026. 

Terra Indídena Munduruku – 27.06.2026 – Dragas de garimpo ilegal são vistas no rio Tapajós na Terra Indígena Munduruku. Foto: Bruno Kelly/GreenPeace.

A pesquisa descreve duas táticas principais de fraude: nos garimpos fantasmas, a área declara toneladas de produção, enquanto imagens de satélite e sobrevoos mostram floresta intacta ou atividade mínima, incompatível com o volume informado. Nos garimpos em escala industrial, várias PLGs concedidas no mesmo recorte territorial são exploradas como uma única operação, o que permite escapar do licenciamento ambiental mais rigoroso e das regras da mineração industrial.

Entre as recomendações do relatório estão a exigência de pesquisa mineral prévia antes da concessão de PLGs, com base no artigo 6º da Lei 7.805/89, e a identificação e o cancelamento imediato das PLGs que recolheram CFEM sem apresentar evidências claras de exploração. O Greenpeace Brasil também cobra transparência total sobre a Permissão de Lavra Garimpeira e uma fiscalização mais robusta da ANM.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Greenpeace Brasil

Empreendimentos em áreas com geoglifos precisam de anuência do Iphan no Acre

Proprietários e empreendedores serão responsáveis pela conservação temporária das áreas com geoglifos. Eles deverão contratar estudos arqueológicos especializados quando exigido no licenciamento ambiental. Foto: Diego Gurgel

O Conselho Estadual de Meio Ambiente e Florestas (Cemaf) aprovou novas regras para proteger sítios arqueológicos no Acre, incluindo os geoglifos. A resolução exige anuência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para o licenciamento ambiental de empreendimentos nessas áreas e restringe atividades como abertura de ramais, desmatamento e construção de imóveis.

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Publicada no dia 20 de agosto no Diário Oficial do Estado (DOE), a norma define responsabilidades para proprietários, empreendedores e órgãos públicos envolvidos em projetos que possam afetar patrimônios arqueológicos.

A principal mudança é que empreendedores deverão apresentar, durante o processo de licenciamento ambiental, manifestação do Iphan sobre a existência de bens arqueológicos ou de interesse cultural na área que será impactada pelo empreendimento.

O que são os geoglifos?

Os geoglifos são estruturas geométricas escavadas na terra, em diversos formatos que podem ser datados em até três mil anos. O Acre é pioneiro e referência quando o assunto é geoglifos. Em março de 2024, o primeiro geoglifo tombado no estado teve o reconhecimento homologado pelo Ministério da Cultura. Ao todo, o Acre tem registrado mais de mil geoglifos, sendo o estado com o maior número.

geoglifos no acre
Foto: Altino Machado

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A resolução também determina que, caso sejam identificados vestígios arqueológicos ainda não cadastrados, o Iphan, a Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM) e o empreendedor deverão ser comunicados para adoção das medidas necessárias de proteção e acompanhamento.

Atividades proibidas

A resolução estabelece restrições para áreas onde existam sítios arqueológicos, proibindo atividades que possam causar danos às estruturas ou alterações no terreno. Entre elas estão

  • Abertura de ramais ou estradas;
  • Gradeamento mecânico ou com animais;
  • Plantio de culturas agrícolas ou florestais;
  • Utilização de defensivos agrícolas e produtos químicos para correção do solo;
  • Desmatamento;
  • Instalação de redes elétricas;
  • Construção de residências e estruturas de apoio à produção rural;
  • Construção de açudes e barragens;
  • Exploração de jazidas minerais;
  • Atividades que provoquem movimentação ou remoção de terra;
  • Instalação de equipamentos de esporte e lazer;
  • Instalação de cercas ou estruturas permanentes que possam danificar o sítio;
  • Exploração turística sem preparação prévia e pesquisas científicas.

Também fica proibido utilizar as escavações arqueológicas como bebedouros ou banheiras para animais, além do trânsito de manadas sobre essas áreas durante a troca de pastagem.

A norma orienta que a atividade pecuária seja evitada em áreas com sítios arqueológicos, mas admite sua permanência desde que sejam observadas as condições previstas na resolução.

Proprietários ou ocupantes de áreas notificadas pelo Iphan passam a ser responsáveis pela conservação provisória dos sítios arqueológicos.

Já os empreendedores deverão contratar estudos arqueológicos especializados sempre que houver exigência durante o licenciamento ambiental. A regra também se aplica a atividades desenvolvidas por beneficiários de projetos de reforma agrária.

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Legislação

Com a constatação de prejuízos causados aos sítios arqueológicos no Acre, o Ministério Público Federal (MPF) fez um acordo com o Iphan para reparar os danos que acabaram alterando as estruturas originais dos monumentos em março desse ano.

Conforme à medida, as intervenções ocorreram nos geoglifos Missões e Nakahara 73, em Senador Guiomard, interior do Acre, onde os proprietários das terras fizeram a preparação do solo para iniciar uma plantação de soja no local.

Em outubro de 2025, a Justiça Federal suspendeu a resolução nº 2/2022 do Cemaf e a portaria 211/2024 do Imac que dispensavam o licenciamento ambiental para atividades agropecuárias em áreas rurais consolidadas.

À época, o Imac e a Sema informaram ao Grupo Rede Amazônica que iriam cumprir com a decisão judicial. A decisão foi emitida após o MPF, apontar risco de danos irreversíveis aos patrimônios históricos, como as áreas de geoglifos e terras indígenas (TI).

*Por Walace Gomes, da Rede Amazônica AC

De encantarias da floresta a vocábulos próprios, cultura seringueira sofre apagamento e dificuldade de preservação

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‘Encantarias da floresta: A devoção à Santa Raimunda’ é um dos legados presentes da cultura seringueira. Foto: Divulgação/Prefeitura de Assis Brasil

Marcos Fernando, conhecido como Marcos Poeta, cineasta, jornalista e radialista, nasceu na região entre Brasiléia e Epitaciolândia, municípios do estado do Acre. Sua família foi contemporânea do ativista ambiental brasileiro Chico Mendes e morou na Reserva Extrativista (Resex), que leva o nome do líder seringueiro assassinado em 22 de dezembro de 1988. 

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Territórios protegidos por lei e cedidos a populações tradicionais, as Resex unem comunidade e preservação, ao longo de mais de 90 territórios por todo o Brasil. A coleta de frutos da mata, borracha, óleos, sementes e derivados é a característica que move essas áreas de conservação, destinadas a proteger os meios de vida, a cultura das populações tradicionais das florestas e as próprias comunidades que vivem nelas, como os seringueiros. 

Poeta é cineasta e sua família, vinda do nordeste, o criou desde os seis anos nesse território de fronteira, ouvindo os “canto da macucaua, do gogó-de-sol, da aracuã pássaros nativos da reserva onde cresceu, cujo tamanho ultrapassa o milhão de hectares de floresta amazônica.

“Essa questão da Resex [um possível apagamento da cultura seringueira] me preocupa profundamente, porque ela é um patrimônio nosso que, além do valor simbólico, tem um valor estratégico na luta pela preservação da Amazônia e pela dignidade dos povos da floresta”, afirma. 

A urgência de preservação das reservas tem preocupado comunidades como a de Marcos, que veem uma ameaça crescente de eliminação dos saberes da cultura seringueira da região,  nascida da junção da cosmovisão indígena e de migrantes nordestinos que foram ao Acre em busca de novas oportunidades durante os ciclos da borracha, no final do século XIX. 

O seringueiro acordava cedo, se embrenhava pelos varadouros —estradas no meio da mata que os ligavam às seringueiras. Usava a poronga na cabeça, iluminando o caminho, assim como uma cabrita — espécie de faca de risca — para cortar a árvore do látex. Ele voltava para sua casa, no meio do seringal, e de tarde, coletava o que havia saído do corte feito mais cedo para, então, fazer a defumação e produzir a borracha.

Para além disso, os seringueiros têm uma linguagem própria, muito por conta do isolamento geográfico dos seringais para com outros territórios do Estado. Vocábulos colocação, aviamento, macheteiro nascem nessas vivências. O boné na cabeça, as calças e camisas surradas também compõem a vestimenta dessas pessoas. A prática extrativista também influenciou a criação de uma religiosidade típica, que une a cultura popular nordestina e a celebração dos seres encantados da floresta, como o Mapinguari, a Matinta Pereira e o Curupira. 

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De encantarias da floresta a vocábulos próprios, cultura seringueira sofre apagamento e dificuldade de preservação
A Reserva Extrativista Chico Mendes, localizada no Acre, foi considerada a área protegida mais ameaçada e pressionada pelo desmatamento na Amazônia no segundo semestre de 2025, segundo dados do relatório de Ameaça e Pressão em Áreas Protegidas. Foto: Arquivo Comitê Chico Mendes

“Os encantos foram uma companhia com que eu cresci junto. Eu enxergo como uma forma de respeito, porque eu acredito e respeito muito toda essa cultura. Onde não tem floresta, não tem encanto. Eu enxergo como algo sobrenatural, que é real e que está ali para proteger a floresta, como o próprio espírito da mata”, conta Laiane Santos, técnica agrícola, moradora da comunidade São Raimundo Nonato, km 59, em Brasiléia, no sul do Acre.

A mistura de referências criou, ao longo das décadas, uma religiosidade tradicional típica do seringal, que além de uma ter uma dimensão cultural, também influenciou a capacidade de organização política e sindicalista destes territórios, outra característica ligada ao universo seringueiro. Entretanto, após realizar uma pesquisa dentro da Resex para um filme que está produzindo, Poeta, que já produziu um documentário sobre a liderança seringueira Wilson Pinheiro, se deparou com uma transformação que lhe saltou os olhos.

“Eu me deparei com uma igreja, um templo protestante em frente à sede da associação [de moradores]. De forma imponente, construída em um prédio em alvenaria. Tomei um susto. Não que a presença de uma igreja em si seja um problema, mas tomei um susto pelo o que representa essa presença”.

A (falta de) memória dos seringais

O fato notado através das imagens de Marcos Poeta expressa uma tensão histórica  de apagamento das práticas culturais dos seringueiros e de outras comunidades presentes nas reservas. Ao longo dos anos, especialmente após a morte de Chico Mendes, a agropecuária e a igreja da Teologia da Prosperidade adentraram com mais força espaços como a Reserva Extrativista. Poeta correlaciona este período com o enfraquecimento político  da militância no território, além da crescente presença do agronegócio dentro dessas regiões. 

A mudança de cenário nas últimas décadas impacta, diretamente, a geração mais jovem, que já não conviveu com a cultura seringueira da forma como se conhecia antes. Para Rachel Dourado, turismóloga, pesquisadora e doutora em Geografia pela Universidade Federal do Acre (Ufac), a oralidade é essencial neste processo, já que ela afirma que algumas práticas tradicionais deixaram de ser transmitidas às novas gerações e esta ausência da contação de histórias impacta a memória e o vínculo dos povos da floresta.

“Sim, há um processo de sobreposição cultural que acaba tentando apagar essas memórias, mas elas continuam resistindo”, comenta. Os mais velhos do território comentam sobre a dificuldade de transmitir a história e a memória seringueira às novas gerações. 

Quem fala mais é Osmarino Rodrigues, seringueiro desde jovem e liderança comunitária, e um dos fundadores do Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Brasiléia (STTR), berço da militância sindical acreana. Segundo ele, a predominância de apenas uma religião no território afetou a multiplicidade e transmissão de saberes seringueiros.  

Laiane Santos lembra que seu avô era um dos poucos que contava essas histórias da mata, não deixando seus tios caçarem todos os dias, por exemplo, caso ainda tivessem carne em casa, em respeito à floresta, mesmo ouvindo que isso fosse considerado “coisa do diabo” na época. “Hoje poucos jovens têm acesso a essas histórias. A gente tem um problema muito grande, que é a perda da nossa identidade, porque os mais velhos não contavam esses causos”, relembra a técnica agrícola.

Rodrigues reclama como o crescimento da religiosidade interfere na transmissão de saberes seringueiros e “desarma” as comunidades extrativistas contra fenômenos de apagamento. Para ele, existe uma “tribulação” acontecendo na Resex Chico Mendes, sendo essa um exemplo de como a memória e a história seringueira vêm se perdendo. 

Encantarias, rogai por nós

“A Santa Raimunda é uma mulher linda”, descreve Rachel Dourado. Santa Raimunda, assim como outros encantados das matas são cultuados e  guiam as comunidades dentro das Resexs. Segundo Marcos Poeta, as encantarias da floresta são expressões de conhecimento que, diante da destruição da floresta, também são ameaçadas. Como evocar uma entidade da mata, sem a mata? Toda essa construção histórica, um patrimônio civilizatório do território, se perde com o apagamento cultural dos saberes seringueiros e com a própria destruição das reservas

“As histórias da floresta são histórias principalmente de sobrevivência e de esperança. A floresta  tem mistérios e encantarias que são bem maiores do que a nossa ignorância e a nossa pretensão humana”, ressalta Poeta. 

Osmarino deixa claro que essas histórias ajudaram os seringueiros a criarem sua própria cultura e, por conseguinte, sobreviverem na rotina tão próxima da mata, dos rios, da floresta como um todo. Do lobisomem ao boto, da caipora ao caboclo da mata, todas essas narrativas estão presentes no cerne da vida seringueira. Este estilo de vida foi tema de pesquisa de Rachel Dourado. Em uma de suas andanças pelo seringal Bom Sucesso, no município de Assis Brasil, no Acre, ela encontrou aquela que seria tema de seu livro Espaço de peregrinação: devoção nas estradas da seringa, lançado neste ano.

“Quando conheci a Santa Raimunda, que é a alma do Bom Sucesso, fiquei intrigada porque vi alguns elementos que já tinha percebido lá em São João do Guarani, e como esses elementos faziam parte daquela relação de ser moradora da floresta e precisar disso para criar os vínculos comunitários”, relembra.

Leia também: Museu do Seringal: curiosidades sobre o local que mantém viva a história da exploração da borracha na Amazônia

A procissão em homenagem à Santa Raimunda acontece anualmente por dentro da mata, reafirmando a relação entre a cultura e a preservação do meio ambiente. Foto: Divulgação/Prefeitura de Assis Brasil

 A figura de São João do Guarani é cultuada em uma festa tradicional realizada anualmente no município de Xapuri, também no Acre, onde se celebra um santo não oficial da Igreja Católica, considerado pelos seringueiros e moradores locais como uma “alma milagrosa” e um protetor da floresta.

Para a pesquisadora, essa fé na floresta cria vínculos comunitários que perpassam o tempo e o espaço. Guiando pensamentos e comportamentos de solidariedade intrínsecos à vivência na Amazônia, algo que Poeta descreve como: “São povos que se preocupam com os outros, pessoas que querem dar o seu melhor. Porque a gente compreende que você não sobrevive, você não melhora a qualidade de vida, se melhorar só para você. Se for bom só para mim, é ruim para todo mundo. Tem que ser bom para a humanidade”

Mas afinal, quem foi a Santa Raimunda? Provavelmente de etnia Manchineri, povo indígena de língua Aruaqui que vive na região da tríplice fronteira entre Brasil, Bolívia e Peru, conta-se que ela viveu no Alto Iaco no início do século XX durante o primeiro ciclo da borracha, período marcado pela exploração sob regime de semiescravidão. 

Atuava como parteira e também na extração do látex — trabalho invisibilizado pelos patrões, que registravam e reconheciam apenas os homens. Grávida de nove meses e responsável por recolher o leite das seringueiras, Raimunda foi agredida pelo marido. Em seguida, durante a ronda de coleta, entrou em trabalho de parto na mata, mas não resistiu e faleceu encostada a uma árvore.

Ao ser encontrada já sem vida, a impossibilidade física de mover seu corpo foi interpretada como um sinal da tradição indígena de pertencimento à terra, o que levou ao seu sepultamento no próprio local. Décadas depois, tornaram-se comuns os relatos sobre um perfume misterioso na área, criando a crença de uma permanência de sua alma na memória popular. Dourado relata que:

“As mulheres dos seringais olham na Raimunda a presença de uma mulher que, mesmo oprimida pelo capitalismo e mesmo oprimida pelo machismo, se reconstrói morta”.

Uma prosperidade que esvazia

Osmarino Rodrigues conta que, após a morte de Chico Mendes, uma outra cultura ganhou forma nesses seringais, tomando de assalto as crenças e a cultura que residia lá. Para a liderança comunitária, este apagamento ameaça a perpetuação de saberes e figuras do território, como a Santa Raimunda e diversos outros que ele afirma perceber que não são mais tão presentes no cotidiano da juventude, por exemplo: “É uma situação complicada hoje a que nós estamos vivendo. Muita gente está falando de fé, mas é uma fé esperando Deus resolver essa opressão. E isso não vai ser resolvido por Deus. Tem que ser resolvido por nós”, diz. 

O seringueiro fala da persistência de continuar acreditando que um projeto de reforma agrária para a Floresta Amazônica, como o das Reservas Extrativistas, uma gestão territorial baseada no uso sustentável e coletivo dos recursos naturais. Este “varadouro” passa pela juventude que, segundo ele, precisa se apropriar dessa cultura para não entregar “o nosso potencial, que é essa grande floresta, para o grande capital.”

“Hoje nós estamos vendo uma juventude se levantando, mas também estamos vendo o tráfico se apropriando de uma grande leva de jovens. Precisamos ter atitude, ação para fazer esse enfrentamento”, diz.

Institucionalizadas oficialmente pelo governo federal na década de 1990 e consolidadas no Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), as Resex desempenham um duplo papel estratégico: garantem a permanência e a dignidade das comunidades na floresta e barram o avanço da grilagem e do desmatamento ilegal. Segundo Osmarino, o afastamento dos mais novos e o esvaziamento dos saberes está ligado a uma presença hegemônica de templos religiosos ligados ao agronegócio.

Nessa disputa, entram duas teorias religiosas, a Teologia da Libertação e a Teologia da Prosperidade. Duas visões teológicas e ideológicas antagônicas que disputam a relação do homem com a natureza na Amazônia. De um lado, a ética associada ao espírito do capitalismo baseia-se na individualidade, no interesse pessoal e em uma perspectiva economicista. Em contraposição, a Teologia da Libertação orienta-se pelo serviço social, pela coletividade e pelo pertencimento mútuo entre o ser humano e o meio ambiente.  Historicamente ligada às Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) da Igreja Católica, essa corrente comunitária desempenhou papel decisivo na formação e no fortalecimento do movimento seringueiro. 

Embora o líder ambientalista Chico Mendes tenha recebido contribuição fundamental do educador Euclides Távora, foi no amparo da Teologia da Libertação que ele expandiu sua visão de mundo e encontrou sustentação política quando rejeitado por outras instituições. 

O que se revela no respeito que este povo tem com a floresta e com sua comunidade, o que é permeado por toda uma devoção popular. As mudanças trazidas pela juventude, como o ingresso nas universidades, não deveria significar uma desconexão com a cultura do território. 

“Preservar a cultura e preservar a floresta estão associadas. Quando a gente escuta uma história de um encantado, que se você derrubar a árvore ele vai te bater, é uma forma que a gente tem de regular o convívio”, explica Dourado.

A historiadora relembra uma história contada a ela, ilustrando esta afirmação. Em meio a pesquisa que deu origem ao seu livro, ela estava na fronteira do Acre e Peru, na cidade de Inãpari, uma senhora relatou ter recorrido à oração para Santa Raimunda, do Acre, após ser diagnosticada com câncer de colo de útero. As encantarias estão presentes na cultura amazônida e seringueira, mesmo depois de tantas transformações históricas e sociais. 

A organização política e cultural do seringueiros é histórica e atravessa gerações. Foto: Arquivo Comitê Chico Mendes

O passado da cultura seringueira 

A inventividade dos seringueiros era também uma forma de resistência. Olhando para trás, é possível entender de onde vem a formação dessa cultura, muito associada aos movimentos políticos encabeçados pelos trabalhadores. 

Na década de 1870, após uma seca severa no Nordeste, milhares de homens abandonaram suas famílias em prol de um sonho: enriquecer com a extração do látex da borracha, nos seringais do Acre. Este foi o primeiro ciclo da borracha registrado. Até que, em 1899, a Primeira República do Acre foi proclamada pelo jornalista espanhol Luis Gálvez Rodríguez de Arias, o Gálvez, que virou até série escrita pela novelista, vencedora do Emmy e acreana, Glória Perez. 

Este período foi marcado pelo conflito de interesses entre a burguesia de Manaus, que desejava capturar a arrecadação de impostos sobre a exportação do látex e os seringueiros, que eram cada vez mais subjugados. Em 1900, o número de migrantes para a Amazônia chegou a ser de 15.773, segundo a Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA).

Neste imbróglio, os seringueiros se juntaram em uma força armamentista que, como está nos livros de história, enfrentou reviravoltas e vai-e-vens entre Brasil e Bolívia. Com o conhecimento dos rios e varadouros e recrutados por Plácido de Castro, eles surpreenderam as guarnições bolivianas e venceram a guerra, conseguindo consolidar a independência acreana em 6 de agosto de 1902, até sua consolidação enquanto território brasileiro em 15 de junho de 1962. Contudo, os seringueiros, usados como massa de manobra durante esta guerra não tiveram o mesmo “feliz para sempre” que os livros gostam de dar para esta história.

Enquanto os patrões seringalistas, responsáveis pelo regime de semiescravidão que lideraram o movimento, foram patenteados e contemplados com indenizações e pensões do governo federal, os seringueiros da base foram desmobilizados sem receber títulos de propriedade ou reparações financeiras. Essa massa de trabalhadores permaneceu submetida ao regime de endividamento dos barracões, mantendo a estrutura de exploração no Acre Federal. Uma repressão que ficou ainda mais evidenciada pelo assassinato de Plácido de Castro em um seringal, o Benfica, em 11 de agosto de 1908. 

Leia também: ‘Empate’: conheça a estratégia utilizada pelos seringueiros do Acre para impedir o desmatamento

“Eu era muito jovem na época, mas lembro perfeitamente que a gente já sabia o que queria: uma luta acirrada pela defesa do território, resolver o conflito fundiário, a grilagem de terra e os enfrentamentos. Nesses conflitos, a gente viu muitos seringueiros, muitas seringueiras, mulheres e homens fazendo as suas orações baseadas no movimento”, relembra Osmarino Rodrigues.

O Pai Nosso do Seringueiro, que troca os versos da oração cristã para a realidade dos seringueiros e sua relação com a seringueira, é um exemplo dessa atualização e subversão de práticas impostas. 

Com o alto índice de analfabetismo dos seringueiros, a oração e os cantos, como o Hino do Seringueiro, valorizavam e incluíam estes trabalhadores, por meio da cultura. A organização e o senso de comunidade influenciou uma organização política, como o 1º Encontro Nacional Encontro dos Seringueiros, em Brasília, em 1985, que fez nascer a Aliança dos Povos da Floresta, uma união histórica de mais de 100 representantes de trabalhadores extrativistas (seringueiros, castanheiros e pescadores) e indígenas dos estados do Acre, Rondônia, Amazonas, Pará e Amapá, liderados por Chico Mendes. Cultura, política e o meio ambiente sempre estiveram unidos na história e memória da movimentação seringueira. 

A resistência dos seringueiros também se dava na criação de modos pacíficos de enfrentamento. Entre as décadas de 70 e 80, os conflitos de terra nestas regiões aumentaram consideravelmente, levando à criação dos Empates, cordões humanos formados por homens, mulheres e criança, feitos para proteger as árvores da motosserra e para reivindicar um diálogo com a comunidade. 

Para Osmarino, as práticas culturais dos dos seringueiros e o senso de coletividade sempre foram essenciais para que a luta continuasse. Entretanto, a fé, sem mobilização social não era nada, para ele, o que é uma preocupação atual, já que acredita que hoje se pregue uma religiosidade desconectada das questões sociais.  “Se nós não tivéssemos adquirido uma certa consciência de classe, só a fé não teria resolvido esse problema”, declara.

O coletivo Coletivo Varadouro, organização fundada em 2023, forma uma nova geração de ambientalistas no estado. Foto: Glauber Maia

Pertencer para proteger

Em um cenário de degradação socioambiental e cultural, Marcos Poeta aponta que a substituição da perspectiva comunitária por uma política de “terra arrasada” coloca em risco a sustentabilidade da região e a própria sobrevivência das comunidades tradicionais. “As coisas na história não acontecem por acaso, elas são construídas historicamente”, completa.

A preocupação de lideranças e organizações tem sido, justamente, essa: não permitir que se esqueça a história de resistência da região. Neste sentido, organizações semelhantes à Aliança dos Povos da Floresta persistem na proteção de  linguagens e memórias, evitando que a cultura exploratória destrua e consuma o que já existe nestes espaços. 

“Para mim, o fato de os saberes não serem transmitidos impacta diretamente na vida da juventude, porque a gente perde a identidade. Na verdade, não é só a história, é uma perda de identidade. Aquilo que não é contado é esquecido; o que é esquecido é morto. Acaba que a juventude, por não ter uma cultura própria, vai se apropriando e se perdendo nas culturas do agro, do sertanejo”, reflete Laiane Santos sobre essa resistência em permanecer lutando pela manutenção de saberes seringueiros. Além da questão da memória, tornou-se comum a saída da juventude do território e o seu não-retorno. 

Em 2026, o Comitê Chico Mendes organiza o Festival Jovens do Futuro, que neste ano busca falar justamente sobre o pertencimento enquanto ferramenta de defesa. Já o Coletivo Varadouro, organização fundada em 2023 por jovens extrativistas, dedicado à mobilização social por meio de oficinas nas reservas extrativistas, ganhou espaço internacional em conferências climáticas como a de Bonn e a COP30, em Belém, levando essas pautas para os espaços de tomada de decisão.

A manutenção dos saberes seringueiros é fundamental, segundo os entrevistados, para armar as populações que pertencem aos territórios de reserva contra as ameaças que, com o passar do tempo, se atualizam, mas sempre permanecem.“A [Santa] Raimunda faz essa ponte, e ela e todos os santos populares que estão dentro da Resex Chico Mendes fazem essa conexão com o que foi o passado, com a luta para permanecer, com a conquista do território e com a necessidade de vínculos comunitários para continuar existindo ali”, complementa Rachel Dourado.

A santa é conhecida por seus milagres. Foto: Divulgação/Prefeitura de Assis Brasil

Atualmente, o território enfrenta uma série de tensões. Em 2021, 89,5 km² (8.958 hectares) foram desmatados na Resex Chico Mendes, o que simbolizou uma onda crescente de destruição ambiental na década de 2020, processo acelerado pelo descaso institucional com o monitoramento e pela pressão partidária sobre a terra, resultando em, por exemplo, mais de mil focos de incêndio na área de 970.570 hectares, que abrange sete municípios no Acre. 

Rachel Dourado destaca que a manutenção da mata em pé exige o acesso contínuo a direitos fundamentais, como saúde, educação e segurança alimentar, fortalecendo a identidade de quem transita entre o campo e a cidade. “A gente tem esses guardiões da floresta que sempre estiveram lá, e acho que isso é muito importante para a gente se fortalecer enquanto comunidade, voltar a se sentir pertencente a esse lugar”, afirma.

Projetos que conectam os jovens à recepção de visitantes urbanos e ao turismo comunitário, como a empresa Destino Acre e o trabalho de ecoturismo feito na casa do seu Raimundão Mendes atraem gente de todo o mundo, têm se mostrado caminhos promissores de geração de renda. 

“Um intercâmbio para a gente poder levar algumas pessoas da reserva para fazer uma determinada ação nas escolas dos municípios, nas faculdades, nos bairros, e trazer estudantes e jovens sindicalistas para dentro da reserva, para dentro do movimento camponês”, pensa Rodrigues sobre possíveis caminhos para conexão entre gerações. 

Para o seringueiro Marcos Poeta, a resposta para preservação do território está justamente no fortalecimento do sentimento de pertencimento dentro destas famílias que ainda moram neste território. Ele diz que “se você pertence a algo, você não quer destruir”. A solidariedade e o saberes da oralidade fazem parte do cerne das comunidades que estão e pertencem à Amazônia.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Nonada Jornalismo, escrito por Victor Manoel

Casal do Acre cria jogo inspirado na fauna brasileira para estimular aprendizado pelo celular

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Interface do jogo foi desenvolvida por Giuliano, enquanto Risoleta ficou responsável pela escolha dos animais e pela construção da temática. Foto: Divulgação

Ensinar em forma de brincadeira enquanto estimula o raciocínio lógico. Esta é a missão do jogo ‘Olha o Bichim‘, criado pela servidora pública Risoleta Miranda e o marido dela, o analista de sistemas Giuliano Cardoso. O jogo, disponível para smartphones, combina a mecânica do clássico 2048 com animais da fauna brasileira.

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A interface do jogo foi desenvolvida por Giuliano, enquanto Risoleta ficou responsável pela escolha dos animais e pela construção da temática. O jogo está disponível gratuitamente para Android e iOS e pode ser jogado on-line e até off-line.

Risoleta explica que a ideia surgiu quando o esposo decidiu desenvolver uma versão do quebra-cabeça 2048 e a convidou a definir a ambientação. O jogo é direcionado ao público infantil, mas, segundo a co-criadora, todas as faixas etárias podem se divertir.

“Pensei em moldar a temática do jogo de uma forma que forneça o prazer de jogar com o prazer em aprender. Sempre caminho no Parque Ipê e vi uma criança encantada ao ver as capivaras, ela falou: ‘olha mãe, o bichinho’. Isso ficou martelando na minha cabeça”, explica.

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A escolha também levou em consideração o contato cada vez mais frequente das crianças com dispositivos eletrônicos.

Para Risoleta, embora o uso excessivo de telas seja uma preocupação para pais e educadores, a proposta foi pensar em uma alternativa para quando a criança estiver no celular.

“Se for para usar a tela, moderada ou moderadamente, que seja com algo que estimule áreas que são da nossa cultura e interesse em preservar. A primeira escolha, instintivamente veio: Tem que ter capivara! A capivara é a rainha do momento!”, afirma.

Matemática e coordenação

A diferença entre o aplicativo criado pelos acreanos e o jogo que o inspirou está na representação: os números são associados a animais. Risoleta destaca que a escolha permite que a dinâmica seja compreendida até por crianças que não dominam matemática.

“Como sei que hoje em dia crianças não alfabetizadas também gostam de consumir jogos, então, os animais foram escolhidos para serem o aspecto duplo do número no tabuleiro: quem sabe somar, joga somando. Quem não sabe somar, joga unindo, juntando os desenhos iguais”, diz.

Além do raciocínio matemático, os movimentos exigem precisão. Segundo ela, a sensibilidade dos comandos faz com que um movimento errado possa comprometer toda a sequência da partida. Além disso, a dinâmica também exige planejamento.

Espécies ameaçadas

Outro critério utilizado na escolha dos personagens foi a possibilidade de apresentar animais que não fazem parte do cotidiano de muitas crianças.

O peixe-boi, por exemplo, foi incluído por enfrentar risco de extinção e por ser uma espécie que dificilmente é observada pessoalmente por crianças. Com isso, a plataforma busca despertar a consciência ambiental dos jogadores.

“No nosso jogo, ele [peixe-boi] aparece em uma etapa mais avançada da progressão, como um animal considerado até especial. O lobo-guará também foi escolhido por ser uma espécie que ainda é meio desconhecida por parte da população, tudo foi bem pensado para ser lúdico”, pontua.

Possibilidades de uso

Além da proposta de entretenimento, os criadores começaram a perceber possibilidades de utilização do jogo em atividades escolares. Segundo Risoleta, alguns amigos professores conheceram o projeto, gostaram da proposta e passaram a recomendá-lo aos alunos.

Em uma aula de matemática, por exemplo, o professor pode utilizar o jogo como uma introdução a conteúdos como progressão geométrica, potenciação e raiz quadrada.

“Na biologia, os animais podem servir como ponto de partida para discutir mamíferos, répteis, anfíbios e outras classificações e nas aulas de geografia, os estudantes podem ser estimulados a identificar a qual bioma brasileiro pertence cada espécie”, acrescenta.

Risoleta argumenta ainda que o jogo pode ser uma proposta de raciocínio lógico, nas quais o desafio passa a ser encontrar estratégias para avançar no tabuleiro. “Tudo depende do contexto e da didática”, complementa.

*Por Walace Gomes, da Rede Amazônica Acre

Focos de calor no Amapá sobem 400% no início da estiagem, aponta meteorologista

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Focos de calor no Amapá sobem 400% no início da estiagem, aponta meteorologista. Foto: Rafael Aleixo/Arquivo Rede Amazônica AP

O Amapá registrou um aumento de 400% nos focos de calor neste início de agosto em comparação com o mesmo período do ano passado. Para tentar conter o avanço do fogo, o governo estadual e a Defesa Civil reforçaram as campanhas de conscientização.

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Segundo o meteorologista do Iepa, Jeferson Vilhena, o salto percentual expressivo reflete a transição para a época seca.

“A gente começou a enviar os boletins de focos de calor e de incêndio logo no início do mês de agosto. A gente percebe um aumento bastante significativo com relação ao mesmo período do ano passado, cerca de 400% de focos a mais. Entretanto, a gente ainda está no início da estiagem”, afirmou Vilhena.

Na prática, o estado saltou de cerca de 20 para mais de 100 focos de calor identificados. Desse total, entre quatro e cinco já foram confirmados como incêndios por imagens de satélite.

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Focos de calor no Amapá sobem 400% no início da estiagem, aponta meteorologista
Foto: John Pacheco/Rede Amazônica AP

Prevenção ajuda a amenizar número de focos de calor

“Nós estamos ainda computando bastante chuvas e esse número de 400% a mais ele se dá justamente porque logo no início do mês são muito poucos focos durante o ano”, explicou o meteorologista.

O monitoramento é liderado pelo Núcleo de Meteorologia e Recursos Hídricos do Iepa (NHMET), em parceria com a Sala de Situação da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema).

O levantamento reúne dados do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/Inpe) para o mapeamento das queimadas.

As ações de prevenção contam com o apoio do Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas do Amapá (PPCDAP). As informações são repassadas aos órgãos de fiscalização e resgate para orientar o combate direto em campo.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica Amapá

Minerais críticos e estratégicos, o Brasil sem domínio nem estratégia para exploração industrial no curto prazo

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Terras raras são minerais que compõem um grupo de 17 elementos químicos encontrados na natureza. Foto: Amarildo Gomes

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

Segundo o IPEA, minerais críticos e estratégicos são aqueles essenciais para a soberania, a economia, a segurança alimentar e a transição energética, cuja oferta pode estar sujeita a riscos de abastecimento, seja por concentração geográfica da produção, dependência externa, instabilidade geopolítica ou limitações tecnológicas. É importante destacar que o conceito de minerais críticos e estratégicos varia de acordo com cada país. Particularmente, os elementos Terras Raras são o conjunto de 17 elementos químicos presentes na tabela periódica, sendo 15 deles da família dos lantanídeos mais escândio e ítrio. Ocorrem em minerais como monazita, xenotima, bastnasita, argilas iônicas, dentre outros.

Quanto aos minerais estratégicos, o IPEA define como “aqueles essenciais para o desenvolvimento econômico dos países e que tenham importância pela sua aplicação em produtos e processos de alta tecnologia, defesa e transição energética”. O suprimento de minerais críticos pode envolver riscos por diferentes questões, como limitações de reservas e produção que afetem a economia do país. A relação de minerais críticos ou estratégicos varia para cada país.

Para o Brasil, por exemplo, pode-se considerar críticos insumos minerais na produção de fertilizantes amplamente utilizados na agricultura, que é um setor chave na nossa economia. Devido às suas propriedades magnéticas, ópticas e elétricas terras raras são essenciais na fabricação de produtos de tecnologias avançadas tais como ímãs de alta performance, baterias, catalisadores, notebooks e smartphones. São fundamentais em diversos sistemas e equipamentos militares como mísseis, drones, submarinos nucleares, caças supersônicos, radares e sistemas de orientação de armas guiadas, blindagens avançadas.

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Terras raras são minerais que compõem um grupo de 17 elementos químicos encontrados na natureza. Foto: Yara Ramalho/Rede Amazônica RR

Minerais críticos e estratégicos apresentam alto risco de escassez e/ou dependência externa devido às cadeias de suprimentos serem vulneráveis a interrupções devido a fatores como restrições associadas a risco político estrangeiro, crescimento abrupto da demanda, conflito militar, comportamento anticompetitivo ou protecionista e outros riscos ao longo da cadeia de suprimentos.

Além de seus usos tradicionais relacionados à mineração, suas aplicações estão diretamente ligadas à transição energética, à digitalização, à defesa e à indústria de alta tecnologia (lítio, cobalto, grafita, terras raras, níquel, nióbio); baterias de íon-lítio (lítio, níquel, cobalto, grafita, manganês), veículos elétricos (lítio, terras raras, cobre, níquel, alumínio), turbinas eólicas (terras raras como neodímio e disprósio para ímãs permanentes), painéis solares fotovoltaicos (silício, prata, índio, telúrio); smartphones, computadores e tablets (terras raras, tântalo, lítio, estanho), semicondutores e chips (gálio, germânio, silício), data centers e infraestrutura de internet (cobre, níquel, grafita, satélites e equipamentos espaciais (terras raras, lítio, berílio), blindagens e ligas especiais (níquel, manganês), redes elétricas e transmissão (cobre, alumínio), robótica e automação industrial (titânio, alumínio), equipamentos médicos de alta precisão, fertilizantes (potássio, fósforo), micronutrientes agrícolas (zinco, manganês).

De acordo com estudo do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), as terras raras não são apenas um recurso mineral; mas um dos fundamentos materiais da economia do século XXI. O Brasil possui a segunda maior dotação geológica do mineral, atrás da China, incluindo depósitos estratégicos de terras raras pesadas associados a argilas de adsorção iônica, e está entre os poucos países com potencial para contribuir de forma relevante para a diversificação das cadeias globais de suprimento de minerais críticos.

Leia também: Terras Raras, o novo petróleo, elemento fundamental à inserção do Brasil no mundo da alta tecnologia do século XXI

Brasil tem grande potencial de minerais, inclusive do grupo de Terras Raras.
Brasil tem grande potencial de terras raras. Foto: Reprodução/Minera Jr.

Entretanto, participa com parcela reduzida da produção global e praticamente não possui presença nos segmentos de maior valor agregado da cadeia, como separação química, refino, metalurgia, ligas especiais e ímãs permanentes. O contexto internacional, saliente-se, a propósito, é marcado pela crescente competição por minerais críticos essenciais para a transição energética, defesa, tecnologias digitais, inteligência artificial e segurança econômica.

Não obstante suas privilegiados reservas, incluindo depósitos estratégicos de terras raras associados a argilas de adsorção iônica, o Brasil participa com parcela reduzida da produção global e praticamente não possui presença nos segmentos de maior valor agregado da cadeia, como separação química, refino, metalurgia, ligas especiais e ímãs permanentes. O contexto internacional é marcado pela crescente competição por minerais críticos essenciais para a transição energética, defesa, tecnologias digitais, inteligência artificial e segurança econômica.

Nesse cenário, a consolidação de capacidades nacionais ao longo da cadeia produtiva de terras raras passa a representar não apenas uma oportunidade econômica, mas também um tema de relevância estratégica para o desenvolvimento nacional. A maioria dos estudos técnicos são conclusivos: a questão central para o Brasil não é a disponibilidade de recursos, mas a definição dos elos da cadeia nos quais o país pretende construir vantagens competitivas e as capacidades tecnológicas, industriais e institucionais necessárias para capturar valor econômico e estratégico.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista.