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Reserva Particular do Patrimônio Natural Dr. Daisaku Ikeda em Manaus ganha guia de aves

Foto: Divulgação/Instituto Soka Amazônia

O Instituto Soka Amazônia lançou o primeiro Guia de Aves da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Dr. Daisaku Ikeda durante o Avistar 2026, considerado o principal encontro de observação de natureza da América Latina. O evento ocorreu em maio, no Jardim Botânico de São Paulo, reunindo pesquisadores, observadores de aves, educadores ambientais e instituições ligadas à conservação da biodiversidade.

A publicação é resultado de uma parceria entre o Instituto Soka Amazônia e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), por meio do projeto de extensão acadêmica ‘Vem Passarinhar Manaus’. A iniciativa tem como objetivo incentivar a ciência cidadã, ampliar o conhecimento sobre a avifauna amazônica e estimular a participação da população em atividades de observação e monitoramento de espécies.

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Nesta primeira edição, o guia reúne informações sobre as 30 espécies de aves mais frequentemente registradas na RPPN Dr. Daisaku Ikeda, área de conservação localizada em Manaus. Além de fotografias e descrições das espécies, o material busca facilitar a identificação das aves por pesquisadores, estudantes, observadores iniciantes e visitantes interessados na biodiversidade regional.

Leia também: Sítio Arqueológico Daisaku Ikeda abriga vestígios que contribuem para entender a história indígena

RPPN Dr. Daisaku Ikeda contará com outras catalogações

Segundo os organizadores, a publicação é apenas o primeiro passo de um projeto mais amplo de catalogação da fauna local. A expectativa é que, até o final de 2026, o guia seja atualizado com cerca de 130 novas espécies registradas na reserva, ampliando significativamente o levantamento da diversidade de aves presentes na área protegida.

O lançamento também destacou a importância da ciência cidadã para a produção de conhecimento científico e para a conservação ambiental. A proposta é envolver cada vez mais pessoas na observação e no registro de espécies, contribuindo para a geração de dados que podem apoiar pesquisas e ações de preservação.

rppn Dr. Daisaku Ikeda no instituto soka amazônia em manaus
RPPN Dr. Daisaku Ikeda, Instituto Soka Amazônia. Foto: Vitor T. K. Raposo

Durante o Avistar 2026, o Instituto Soka Amazônia foi representado pela educadora ambiental Rebeca Soares Braga. Em palestra apresentada durante o encontro, ela detalhou o processo de criação do guia, incluindo as etapas de coleta, organização e curadoria das informações utilizadas na publicação.

Disponibilizado gratuitamente ao público, o guia busca ampliar o acesso ao conhecimento sobre a biodiversidade amazônica e fortalecer iniciativas voltadas à educação ambiental e à conservação das aves da região.

Adquira o guia de aves gratuitamente AQUI.

*Com informações do Instituto Soka Amazônia

A atividade desportiva no período de construção do Luso Sporting Club em Manaus

Caiaques na orla do Educandos, em Manaus. Remadores do Clube do Remo, 1961, registro de Marcel Gautherot. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br

Antes de descrevermos o nosso objeto de pesquisa – Luso Sporting Club – abordaremos um pouco sobre o nascimento da atividade esportiva no Brasil, para que possamos entender o contexto da atividade desportiva no período da construção do Luso.

Não se pode estudar o fenômeno desportivo alheio ao movimento e organização social presente. O desporto é um fenômeno cultural complexo e de grande importância para uma sociedade, capaz de anunciar e denunciar inúmeras manifestações latentes nos diversos grupos sociais.

Garcia descreveu o desporto como:

[…] um processo evolutivo e de modernização das praticas físicas milenares que sempre existiam nas diferentes sociedades. O homem, desde o mais primitivo até, sempre jogou ou correu. Estas mesmas atividades foram depois regulamentadas, dando assim origem ao moderno desporto.²¹

Segundo Garcia, o esporte é um dos fenômenos mais importantes do nosso tempo. Ninguém fica indiferente a essa atividade humana. De acordo com o autor, observamos que o desporto, tal como agora conhecemos, é um fenômeno relativamente recente. Tem pouco mais de um século, sendo originário dos países ricos do norte, especialmente da Inglaterra, França e Estados Unidos. Com efeito, foi principalmente nestes países que as diferentes modalidades desportivas (o futebol), basquete, o atletismo, etc.) apareceram, tendo se espelhado rapidamente por todo o mundo.

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O esporte contemporâneo nasceu, cresceu e tem se desenvolvido no seio da sociedade urbana e industrial es tá sujeito as adaptações particulares da vida politica, econômica e social moderna. Surge pela primeira vez na Inglaterra, no mesmo momento em que se iniciava a Revolução Industrial.

Um dos fatores que estimulavam a prática desportiva em meados do século XIX era sua ligação com a questão da saúde, segundo Foucault:

[…] corresponde a consciência que a burguesia adquiriu ao longo do século XIX da necessidade de controlar as populações para assegurar sua produtividade. O amontoamento de corpos que ocorria nas fábricas e nas cidades, a duração da jornada de trabalho, a poluição, as enfermidades e a falta de saneamento urbano e as condições de moradia foram sendo percebidos como focos de perigo para a saúde da população ou para a saúde da nação. Entretanto, a extrema preocupação com a saúde da população dissimulava outras intenções.²²

Equipe de ciclismo. Henrique, Antonio Rocha, Manoel Reis, Faustiniano Fonseca, João Lemos e Miguel Martins. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Mas, não era apenas a saúde da população trabalhadora que preocupava as autoridades e demandava ações-soluçoes. Era preciso atuar também sobre a saúde dos jovens filhos da burguesia e principalmente, devolver bons hábitos de disciplina e de liderança.

Pois como afirma Sant’Anna:

[…] Como se após seculos de civilizações, o corpo tivesse conquistado uma importância inédita tendo sido totalmente liberados das coações religiosas e moral de um passado recente, para se reconstruído ao saber da moda e dos investimentos nos campos da cosmética, da dietética, das atividades físicas e terapêuticas […]²³

Segundo a autora, dessa forma, não podemos apenas entender a prática esportiva no século XX como apenas uma atividade de disputa ou brincadeira, tão pouco podemos apenas relacioná-la como uma atividade para a aproximação de um grupo, mas a busca pelo embelezamento do próprio corpo através da estética corporal.

A crescente transformação da educação das classes ascendentes, realizada ao longo do século XIX, chamou atenção sobre a necessidade de reforma dessas instituições. O esporte surgiu como estratégia de controle do tempo livre dos adolescentes das classes dominantes, num período curto, converteu-se num elemento central no conteúdo formativo dos currículos dessas escolas. Em pouco tempo campos e quadras foram convertidos em importantes meios educativos ganhando importância sobre disciplinas, como línguas ou cultura clássica.

O esporte foi defendido como argumento na formação de caráter dos futuros dirigentes sociais.²4

No Brasil, segundo Costa:

O turfe foi o primeiro esporte (no sentido moderno) a realmente se estabelece no Brasil, sendo também o que apresentou primeiramente uma organização mais estruturada e uma forte inserção social, manifesta inclusive em sua presença na imprensa da época, na influência de grande publico aos hipódromos (desde os mais populares até a família real e depois presidencial) e no impacto que tinha nas estruturas cotidianas da cidade. O turfe foi a primeiro esporte estabelecido ate mesmo por ser mais aceito devido a seu caráter aristocrático e social.²5

O remo também foi um dos esportes de primeiro momento no Rio de Janeiro do século XIX, mas segundo Betti, somente se estabeleceu realmente a partir de uma outra forte mudança nos padrões culturais da cidade, seguida de mudanças em torno do esporte.²6 Segundo o autor o remo passou a ser aceito quando o padrão de estética e saúde mudam, passando a permitir diversão para os homens, praticamente nus para época. Teve relação com os primeiros ventos de preocupações higiênicas e de saneamento.

Nos leva ao entendimento segundo o autor que, o campo esportivo ainda demoraria a se estabelecer efetivamente, pois necessitava de condições mais adequadas na estrutura de produção, social e cultural em construção, principalmente com o surgimento e ascensão de uma classe media brasileira. Nos primeiros momento uma série de atividades foram realizadas, buscando copiar as atividades europeias, chamadas de sport. Primeiro tipo seriam as manifestações esportivas bem desenvolvidas e organizadas. Nesse grupo destacariam o turfe e posteriormente as regatas (remo).

Outra prática que começava a se estabelecer no campo esportivo foi as corridas de velocípedes marcariam os primeiros momentos do ciclismo. As chamadas corridas atléticas ou corridas a pé davam origem ao atletismo brasileiro. A natação dava passos ainda tímidos. O futebol era desconhecido na cidade, embora algumas escolas já estivessem a estimular sua prática.

Time de futebol de 1918. Jacob Levy, Alcides de Mello, Gentil de Souza Ramos, Adelino Santos, Sophocles Oliveira, Felipe de Castro, Luiz Augusto Santos, Tácio Moura (capitão geral), Leopoldo Mello (capitão do time), Deusdet (Dedé), Orlando Maia e Oswaldo Santos. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Algumas das praticas segundo o autor ainda existem como em outros países, mas não mais no Brasil, como as touradas.

No modo de entender, ainda não constituindo efetivamente um campo, o uso do termo sport, denuncia um campo em formação, de alguma forma estabelece limites de participação para a população. Para que o campo esportivo viesse a realmente se estabelecer em terras brasileiras, os organizadores teriam que promover significativas mudanças de rotas em seus planos originais. Se o campo esportivo era sinal de distinção e negócios, ele somente seria se conseguisse manter as portas abertas. Este aspecto financeiro tornou-se obstáculo no início e determinou o fim de muitos clubes.

Precisaria de público para consumir o espetáculo. Assim não houve alternativa: os clubes deveriam ser abertos ao grande público. Mais do que isso o grande publico deveria entender o mínimo do que estava sendo realizado. Isso é conhecer algo, mas só o suficiente para consumir o espetáculo. E como afirma Bourdieu:

[…] sem dúvida é pela separação estabelecida entre os profissionais, virtuosos de uma técnica esotérica e os leigos reduzidos ao papel de simples consumidores e que tendem a se tornar uma estrutura profunda de consciência coletiva que ele o esporte exerce seus defeitos mais decisivos: não é apenas no domínio do esporte que os homens comuns são reduzidos aos papéis de torcedores […] dedicados a uma participação imaginaria […]²9

Assim, um publico maior passa a ter acesso aos esportes, a linguagem e aos termos. Como os individuais não são passivos perante os processos sociais, começam a elaborar desdobramentos dessa linguagem.

Enfim, o que nos mostra o autor é que ser sócio dos clubes significava prestigio social e abriria inúmeras portas para o status.

Normalmente os atletas eram escolhidos entre as camadas populares da sociedade assim como hoje. Como o atleta ocupara lugar de algum destaque na sociedade, os organizadores defendiam que era uma forma dos meninos pobres terem acesso a condições melhores, como mostra uma publicação do Jornal Esporte: Um joquey é considerado personagem de certa importância, com os grandes ordenados que recebe, depois de 10 ou 12 anos de trabalho, retirar-se a vida privada com uma fortuna.³²

Equipe de Remo do Luso Sport Club. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Segundo o autor, esses personagens somente tinham acesso aos esportes se demonstrassem algum tipo de talento esportivo, como os jóqueis negros e pobres. Desde as origens, então, o esporte brasileiros também é marcado pelo divórcio entre pratica e consumo.

Também porque os aspectos ligados a estética, os aspectos higiênicos ligados a saúde, a necessidade de distinção e a possibilidade de realizar negócios no interior do campo, não faziam parte dos parâmetros e da realidade das camadas populares. Por fim lhes faltava tempo livre necessário.

Logo, segundo Costa para as camadas populares, as praticas esportivas eram fundamentalmente uma forma de diversão em uma cidade tão carente dessas possibilidades em disseminar um determinado sentido para o esporte.

No meu entender, isso pode ser observado no que se refere ao esporte no final do século XIX. Alguns clubes naquele período vieram a falir, muito em função das restrições impostas pelos nobres da cidade. Esses clubes mais populares organizados por pequenos comerciantes e militares de baixa patente, começaram a rivalizar com os grandes clubes, devido aos preços mais baixos de entradas e apostas.³5

Podemos perceber como um determinado objeto social o esporte tem sentido diferenciado e diferentes representações entre diversos grupos no interior de uma sociedade.

No caso do esporte no século XIX, existe a representação social geral que perpassa todos os grupos: era encarado como forma de diversão. Mas, os diversos grupos adendos a esse, um caráter diferenciado. Para os organizadores, mais do que diversão, era uma forma de status, distinção e de negócios diretos e indiretos. Já para a imprensa interessava mais o negócio do que o sinal de status e distinção. Para as mulheres, estava ligado as suas possibilidades de emancipação, enquanto para os negros pouco significava, a não ser para os mais habilidosos, usados como jóqueis e gozando de um status relativo. Já as camadas populares o encaravam como forma de diversão e distração.

Se a atividade esportiva nasceu para a sociabilidade e cuidado físico da elite, aos poucos esta atividade se popularizou. E dentre elas o futebol foi e é o mais popular dos esportes. Característica tal, foi que motivou a fundação do Luso Sporting Club.

Fontes

²¹ Garcia, Rui. A Amazônia entre o desporto e a cultura. Manaus: Valer, 2002.

²² FOCAULT, M. Microfisica do poder. Rio de Janeiro: Graal, 1993, p. 78.

²³ SANT’ANNA, Denise Bermuzede, Corpo, História e Cidadania. In: Anais do XIX Simposio Nacional da ANPUH: História e Cidadania, Vol, São Paulo: Humanites/FFLCH – USP, ANPUH, 1998, p.172.

²4 Esse assunto poder ser melhor analisado em: BORDIEU, Mário Gonzalez. Desporto e classes sociais. Material de Sociologia do Esporte. Curitiba: Editora Vida Turfista, 1961, p.108.

²5 COSTA, Cássio. O futebol de outrora. Rio de Janeiro: Editora Vida Turfista, 1961, p. 108.

²9 BORDIEU, Mário Gonzalez. Desporto e classes sociais. Material de Sociologia do Esporte. Curitiba: Editora La Piqueta, 1993, p.124.

³² JORNAL O Esporte de 28 de março de 1895. p. 1. Acervo particular.

³5 Informações retiradas do Jornal Diário do Rio de Janeiro de 17 de setembro de 1876.

Leia também: A presença portuguesa na colonização da Amazônia

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

“A riqueza gerada pelo desenvolvimento pode ajudar a proteger o meio ambiente”, diz Aldo Rebelo

Arte: Reprodução/Amazon Sat

O pré-candidato à Presidência da República pelo Democracia Cristã (DC), Aldo Rebelo, afirmou que a Amazônia possui potencial para ampliar significativamente a geração de energia elétrica no Brasil por meio de hidrelétricas. A declaração foi dada durante conversa com o jornalista Welliton Lopes, no programa ‘Entrevistas‘, do canal Amazon Sat.

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Ao comentar o tema, Aldo Rebelo criticou a paralisação de projetos energéticos na região e afirmou que o país impõe obstáculos ao próprio desenvolvimento enquanto outras nações seguem investindo em grandes obras de infraestrutura.

“Segundo a Eletrobras, a Amazônia pode dobrar a geração de energia elétrica do Brasil por meio das hidrelétricas. Mas está tudo paralisado, enquanto a China constrói a maior hidrelétrica do mundo em rios que nem se comparam aos rios da Amazônia”, declarou.

Durante a entrevista, Aldo Rebelo defendeu que o Brasil adote uma política que combine desenvolvimento econômico e proteção ambiental, sem impedir o aproveitamento das riquezas naturais da região.

“Tem que remover esses obstáculos e criar uma via rápida para o desenvolvimento, com controle ambiental, como o mundo inteiro faz. Nenhum país sacrificou o próprio desenvolvimento em nome do meio ambiente. O que fizeram foi combinar desenvolvimento com preservação ambiental”, afirmou.

Leia também: “Fundo Amazônia foi criado para interditar a Amazônia”, afirma Aldo Rebelo

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Aldo Rebelo é um dos convidados do programa Entrevistas. Foto: Reprodução/ Amazon Sat

Geração de riqueza pode fortalecer meio ambiente, segundo Aldo Rebelo

Segundo o ex-ministro, a geração de riqueza pode fortalecer as ações de proteção ambiental e melhorar a qualidade de vida da população amazônica.

“Quando você gera recursos, consegue proteger melhor o meio ambiente, fiscalizar mais, contratar guardas e investir em saneamento básico. A riqueza gerada pelo desenvolvimento pode ajudar a preservar a Amazônia”, concluiu. Assista:

A entrevista completa já está disponível no canal do Amazon Sat no Youtube: assista o programa completo AQUI.

‘Entrevistas’

O programa Entrevistas, do Amazon Sat, nasce com a proposta de aproximar os amazônidas das decisões tomadas em Brasília que impactam diretamente a região. Produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal, o programa aborda temas ligados à política, justiça, economia e meio ambiente, ouvindo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e formadores de opinião.

Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, que há mais de duas décadas acompanha pautas da Amazônia em Brasília, o programa pretende aprofundar debates e revelar os bastidores das decisões que influenciam a vida de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica. A atração também busca transformar assuntos técnicos e complexos em informações acessíveis ao público.

‘Entrevistas’ tem sempre um episódio inédito às terças-feiras, às 19h30, e conta com reexibições:

quartas, às 9h;
quintas, às 13h30;
sextas, às 17h30;
sábados, às 9h30;
domingos, às 15h45;
e segundas, às 19h30.

Todos os horários seguem o fuso de Manaus/AM (GMT -4).

Fotografia de parto feita por amazonense é única da região Norte em exposição em Paris

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Especializada em registrar nascimentos, fotógrafa Anne Lucy viu sua foto estampada durante exposição internacional realizada no país francês. Fotos: Divulgação e Reprodução/Instagram-Annelucyfotografia

Uma fotografia feita pela amazonense Anne Lucy durante um parto ganhou espaço em uma exposição internacional realizada em Paris, na França. A imagem integrou a mostra “LOVE”, que reuniu artistas de diferentes países entre os dias 26 e 28 de maio para refletir sobre amor, intimidade e relações humanas.

Natural de Maraã, no interior do Amazonas, e radicada em Manaus, Anne foi a única brasileira convidada para participar da exposição. A obra apresentada retrata um momento real de nascimento e busca mostrar sentimentos como amor, força, vulnerabilidade e transformação. A fotógrafa construiu a carreira registrando partos e momentos marcantes na vida de famílias. Para ela, o nascimento representa uma das experiências humanas mais profundas e verdadeiras.

Leia também: Fotografia de boto ‘sorrindo’ na Amazônia conquista premiação mundial

Fotógrafa amazonense Anne Lucy. Foto: Divulgação

“Acredito que o meu trabalho dialoga com essa proposta porque fotografo o amor em seu estado mais cru, visceral e verdadeiro. O nascimento talvez seja um dos últimos lugares onde ainda não conseguimos performar completamente. Ali não existe personagem, filtro ou controle. Existe entrega total”, afirmou.

A imagem exposta em Paris mostra mais do que a chegada de um bebê ao mundo. Segundo a fotógrafa, o registro também fala sobre mudanças e recomeços vividos pelas mulheres durante a maternidade.

fotografia amazonense
Foto integrou mostra internacional de fotografia em Paris. Foto: Divulgação

“O que mais me emociona nessa fotografia é que ela não mostra apenas um parto. Ela mostra transformação. Existe uma mulher deixando de ser quem era para nascer junto com o próprio filho”, disse.

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Fotografia com olhar amazônico

Anne Lucy destaca que suas raízes amazônicas influenciam a forma como enxerga e registra essas histórias. “Existe algo muito presente no olhar amazônico: uma relação intensa com o humano, com o sensível e com aquilo que pulsa. Crescer no Amazonas me ensinou a observar textura, silêncio, calor, profundidade e presença”, afirmou.

A participação na mostra internacional representa mais um passo na trajetória da fotógrafa, que já recebeu reconhecimento fora do país por seus registros de nascimento. Agora, ela pretende ampliar sua produção artística e levar esse olhar para novos projetos. A fotógrafa também revelou o desejo de realizar uma exposição no Brasil inspirada nas histórias e emoções que acompanha por trás das lentes.

*Material publicado originalmente pelo G1 Amazonas.

Estudo aponta Uiramutã, em Roraima, como o pior em qualidade de vida do Brasil

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Pelo terceiro ano seguido, Uiramutã ocupa a última colocação do ranking do IPS que avalia a qualidade de vida. Foto: Ronny Alcântara/Rede Amazônica RR

“Deixe nada além de pegadas, tire nada além de fotos, leve nada além de saudades”, diz a placa na entrada de Uiramutã, em Roraima, sobre as riquezas naturais do município. É o mesmo lugar que, segundo o Índice de Progresso Social (IPS), do instituto Imazon, tem a pior qualidade de vida do país.

O IPS mede a qualidade de vida nos municípios com base em 57 indicadores sociais e ambientais reunidos em três áreas: Necessidades Básicas, Bem-Estar e Oportunidades. A nota vai de 0 a 100 e mostra como a população vive, e não somente o quanto a cidade produz ou recebe em investimentos. O Uiramutã tirou 42,44 e ficou no último lugar do país pelo terceiro ano seguido.

Saiba mais: Ranking mostra quais municípios da Amazônia Legal tem melhor e pior desempenho de qualidade de vida

O título incomoda os habitantes da cidade, sendo 96,6% autodeclarados como indígenas, que destacam o patrimônio cultural e ambiental do território marcado por um abandono estrutural histórico. O Grupo Rede Amazônica foi até a sede do município entender a realidade e o que significa qualidade de vida em Uiramutã.

Uiramutã, um local isolado

O desafio de viver no Uiramutã começa no trajeto. O município fica na tríplice fronteira do Brasil com a Guiana e a Venezuela, distante mais de 300 km de Boa Vista. Até a sede, a viagem dura mais de seis horas – cinco delas por estradas de terra precárias. Caminhonetes e veículos altos são recomendados para o percurso.

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O acesso ao Uiramutã parte da BR-174, único trecho asfaltado, e segue pela BR-433. No período de chuvas em Roraima, a estrada de terra fica tomada por lama, buracos e atoleiros. O trajeto piora na RR-171, rodovia estadual que corta a região de serras, onde fica a sede do município. Esse isolamento cobra um preço alto de quem vive na sede do município.

acesso precário em Uiramutã
Acesso ao Uiramutã passa por duas estradas precárias de terra, a BR-433 e a RR-171, que pioram com as chuvas. Foto: João Gabriel Leitão/Rede Amazônica RR

No dia da visita, em 22 de maio, o litro da gasolina custava R$ 9,40 e o do diesel, R$ 9,50. É o combustível mais caro do estado. O comerciante Eduardo Lima, de 24 anos, avalia que a estrada é o grande gargalo da economia local.

“A estrada nunca mudou. Já aconteceu de ficarmos sem mercadoria por conta de alguma ponte que caiu ou quebrou alguma coisa. Os representantes públicos podem fazer alguma coisa, mas não fazem”, diz Eduardo.

Leia também: Conheça Uiramutã, o município com maior proporção de indígenas do país

A vulnerabilidade descrita por ele reflete a atual crise do município. No último dia 28 de maio, a prefeitura de Uiramutã decretou estado de emergência após o transbordamento de rios e igarapés deixar mais de 8,7 mil pessoas (cerca de 56% da população local) isoladas e sem qualquer acesso terrestre.

Agora, pelo menos 16 comunidades indígenas do município enfrentam escassez de água potável, perdas agrícolas e paralisação de serviços essenciais. O temporal afetou 10 dos 15 municípios de Roraima e mobilizou uma força-tarefa do governo estadual.

“Melhor lugar de se viver”

Embora o IPS tenha avaliado serviços essenciais, como saúde, saneamento e segurança, a régua de qualidade de vida parece não fazer sentido para quem vive a tranquilidade do Uiramutã, apesar das dificuldades.

Nas ruas da vila, o sentimento de pertencimento é forte. Morando há três anos na cidade, Valdinar dos Santos, 62, reforça que as falhas apontadas pelo estudo não anulam o apego de quem escolheu a região como casa.

“Não tem como dizer que o Uiramutã é o pior lugar de se viver. Na minha opinião, é o melhor”, contesta.

Valdinar dos Santos, de 62 anos, mora em Uiramutã há quase três décadas. Foto: João Gabriel Leitão/Rede Amazônica RR

A sensação de tranquilidade descrita pelos moradores da sede do município, no entanto, esconde uma vulnerabilidade que reflete nos indicadores. O município lidera os registros de violência sexual contra crianças e adolescentes indígenas na Amazônia Legal.

Um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta uma taxa de 443,5 casos por 100 mil habitantes, número muito acima da média regional, de 141,3. O levantamento foi divulgado em 2025, com dados coletados entre 2021 e 2023.

O Conselho Tutelar aponta que a violência no município ocorre, em grande parte, no ambiente intrafamiliar e em comunidades de difícil acesso. As estradas precárias atrasam o resgate das vítimas e o trabalho de acompanhamento feito pelos únicos cinco conselheiros da cidade e órgãos especializados.

Falta de água e torneiras secas

Moradores de alguns bairros da sede do Uiramutã (RR) sofrem diariamente com má distribuição de água na vila. Foto: João Gabriel Leitão/Rede Amazônica RR

Ao caminhar pela sede do município, é possível ver obras em andamento, novas calçadas, casas e comércios em construção. A sede possui sinal de telefonia e internet móvel. No entanto, o crescimento esbarra, por exemplo, na falta de saneamento básico e água tratada.

A vila possui oito bairros, com casas de alvenaria e de barro, além de ruas com e sem asfalto. No bairro Baixada, um dos mais novos, a falta de energia elétrica e a escassez de água viraram rotina. Moradores relatam passar até cinco dias sem uma gota nas torneiras e improvisam caixas d’água no chão.

O vendedor Wilisson Cubilian, de 34 anos, que vive na Baixada com a esposa e dois filhos, estava sem água havia três dias durante a visita. Ele contou que a população aguarda há oito anos pela perfuração de um novo poço artesiano.

“A gente não tem mais nada a fazer, só esperar a solução deles e do governo. A gente está na serra e tem água nos arredores todinhos, mas aqui é difícil. A gente não paga água, mas precisa”, pontua o pai de família.

O professor Robson Nascimento, de 46 anos, precisou pagar R$ 50 a caminhões particulares, que extraem água de poços artesianos e vendem em galões de mil litros, para encher um reservatório improvisado em casa.

“A gente liga para o responsável da Caer, e ele fala que a gente não paga água, então é por isso que sofre com isso. Eu, pelo menos, ainda posso comprar uma caixa d’água. Mas imagina as famílias mais humildes?”, questiona.

O vereador Rômulo Lima (PDT), que também mora na região da Baixada, afirma que as demandas foram repassadas ao governo do estado e à prefeitura. “É bastante complicada a situação. Principalmente no período de verão a gente tem muita dificuldade com a água nas comunidades indígenas, e mesmo no período de chuva falta água. Principalmente tratada”, explica.

O acesso à água foi avaliado no IPS, no quesito de Necessidades Humanas Básicas, que mede se a cidade atende às necessidades essenciais de sobrevivência da população. O Uiramutã ficou com a menor nota do país no quesito. Responsável pelo fornecimento de água, a Companhia de Águas e Esgotos de Roraima (Caer) informou que ampliou o sistema de abastecimento do município nos últimos anos com a construção de cinco poços artesianos, um reservatório e quatro mil metros de rede de distribuição.

Para atender aos bairros Baixada e São Francisco, a companhia concluiu a licitação para perfurar mais dois poços e prevê a construção de um novo reservatório de 50 mil litros.

Serviços públicos sobrecarregados

Sede do Conselho Tutelar do Uiramutã (RR), que opera com apenas cinco conselheiros tutelares. Foto: João Gabriel Leitão/Rede Amazônica RR

O tamanho do território e o isolamento logístico sufocam os servidores, que se desdobram para atender as centenas de comunidades isoladas e para entregar serviços essenciais como saúde e proteção social.

Em uma das unidades básicas de saúde, a José Júlio, a farmácia estava abastecida e visitas domiciliares eram realizadas por equipes multiprofissionais, segundo a diretora Luana de Carvalho. Contudo, atendimentos mais complexos exigem viagens exaustivas até Boa Vista. “O desafio mesmo é enfrentar a estrada”, resume a diretora.

Na área de assistência social e proteção às crianças, o cenário revela ainda mais sobrecarga. O município conta com cinco conselheiros tutelares para cobrir todo o território. Um deles é Fábio de Souza. Ele conta que as dificuldades logísticas para alcançar comunidades isoladas atrasam resgates e acompanhamentos.

“Às vezes, na comunidade indígena, não é só uma criança dentro do grupo familiar, às vezes são várias. Tanto ela como essas outras crianças têm que ser acompanhadas”, lamenta.

A rede de apoio a vítimas praticamente não existe. O Centro de Referência de Assistência Social (Cras) funciona com apenas uma assistente social e não conta com psicólogo, assim como o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas).

A assistente social do Cras, Karlleide Pinho, de 38 anos, conta que a falta de profissionais afeta campanhas preventivas. “As maiores dificuldades que temos são por conta da parte geográfica, e também em relação a profissionais virem para cá”, relata.

Segundo ela, dois psicólogos e dois assistentes sociais aprovados em um processo seletivo realizado no ano passado desistiram de atuar no município.

O que diz a prefeitura

Serviço público tem dificuldade em acessar todas as 200 comunidades indígenas do Uiramutã (RR). Foto: João Gabriel Leitão/Rede Amazônica RR

Uiramutã não é um município com características comuns. Grande parte dos 13.751 habitantes vive nas 222 comunidades espalhadas pelo território, de mais de 8 mil km², inserido na Terra Indígena Raposa Serra do Sol.

A prefeitura, no entanto, pondera que medir o progresso social de comunidades indígenas com os mesmos critérios de áreas urbanizadas pode gerar distorções. A chefe de gabinete do prefeito Tuxaua Benísio (Rede), Eliane Cavalcante, de 40 anos, reconhece os problemas de saneamento e infraestrutura, mas defende que o modo de vida tradicional das comunidades indígenas tem formas próprias de compreender bem-estar e qualidade de vida.

“Se a gente for a uma comunidade indígena, não necessariamente não ter sinal de internet ou não ter água encanada significa que seja um lugar ruim de se viver. É um modo cultural. Não é só porque não tem sinal de internet nas comunidades [que a qualidade de vida é ruim], as pessoas foram criadas assim. É um município longe, com suas diversidades, suas especificidades. Mas não é um lugar ruim de se viver. Discordo dessa ideia totalmente”, defende Eliane.

Segundo a chefe de gabinete, no dia da visita, o prefeito estava ausente. Ela informou que a prefeitura busca parcerias para melhorar o cenário do município, mas a gestão lida com a falta de recursos e barreiras ambientais.

A prefeitura de Uiramutã também defende que a oferta de serviços às comunidades indígenas também depende das decisões tomadas pelos próprios povos em cada localidade. Segundo o município, a implementação de serviços passa por assembleias comunitárias em que os moradores decidem coletivamente quais estruturas e atendimentos desejam receber.

Além disso, a logística da região dificulta a oferta dos serviços. Eliane afirmou que o abastecimento de água é responsabilidade do governo estadual, por meio da Caer, enquanto o município atua na abertura de poços artesianos e busca recursos. Sobre as estradas, destacou que obras em áreas indígenas dependem de aprovações ambientais e das comunidades. “Há uma burocracia muito grande”, resume.

A responsabilidade pelas rodovias federais, como a BR-433, é do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), enquanto as estaduais, são de responsabilidade da Secretaria de Infraestrutura (Seinf). Em nota, o Dnit informou que realiza obras de melhoria na pista da BR-433 para facilitar o tráfego, mas ressaltou que não há contrato vigente para asfaltamento do trecho.

Já a Seinf comunicou que a manutenção da RR-171 começa após o período chuvoso e que abriu processo para estudo de viabilidade de pavimentação da rodovia.

Cultura não pode justificar abandono, alerta antropóloga

A antropóloga Lêda Leitão Martins pondera que indicadores nacionais de qualidade de vida podem, em algum aspecto, não refletir completamente o que significa “viver bem” para povos indígenas, já que comunidades tradicionais possuem outras formas de compreender bem-estar, desenvolvimento e qualidade de vida.

“Acho que agentes públicos, políticos usam um discurso cultural pra mascarar violências por parte do Estado brasileiro, ou de agentes do Estado ou de parte de políticas públicas que não são implementadas ou são implementadas de uma forma que traz mais prejuízos do que benefícios”, diz.

Ela alerta ainda que diferenças culturais não podem ser usadas para justificar ausência de políticas públicas e abandono estrutural dos responsáveis, como é o caso de Uiramutã. “Autonomia e respeito pela questão cultural não significam dizer: ‘Os indígenas têm direito à sua cultura, então têm que ficar como sempre viveram e nada pode ser mudado’. Os povos indígenas têm uma capacidade enorme de absorver novas tecnologias, de criar uma inteligência e uma sensibilidade para lidar com conhecimentos novos sem perder quem são.”

*Por João Gabriel Leitão, da Rede Amazônica RR

Pré-candidato à presidência, Aldo Rebelo defende intensificação do combate ao crime organizado na fronteira da Amazônia

Arte: Reprodução/Amazon Sat

O pré-candidato à Presidência da República pelo Democracia Cristã (DC), Aldo Rebelo, afirmou durante conversa com o jornalista Welliton Lopes, no programa ‘Entrevistas‘, do canal Amazon Sat, que o avanço do crime organizado na Amazônia precisa ser enfrentado com ações integradas entre forças de segurança e investimentos em desenvolvimento econômico na região.

Ao comentar o tema, Rebelo relembrou o período em que esteve à frente do Ministério da Defesa e destacou operações realizadas nas áreas de fronteira com apoio das Forças Armadas e órgãos de segurança pública. Segundo ele, a criminalidade chegava a ser reduzida durante as ações, mas voltava a crescer após o encerramento das operações.

“Eu fui ministro da Defesa e nós tínhamos uma operação na Amazônia, na fronteira, que reunia Marinha, Exército, Aeronáutica, polícias militares, polícias civis, Receita Federal e Polícia Federal. A criminalidade era reduzida a zero. Claro que, quando a operação cessava, a criminalidade voltava”, afirmou.

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Durante a entrevista, Aldo Rebelo também relatou experiências pessoais em viagens pelos rios amazônicos e afirmou que áreas antes consideradas tranquilas passaram a ser dominadas pelo crime organizado.

“Conheço bem a Amazônia. Conheço de navegar pelo rio Juruá, pelo rio Solimões, pelo rio Negro, pelo Tapajós e pelo Xingu. Há vinte ou trinta anos, esses locais eram tranquilos. Hoje, muitos desses rios estão dominados pelo crime organizado”, declarou.

O ex-ministro ainda citou relatos de agentes das Forças Armadas e autoridades policiais sobre a presença de armamento pesado nas rotas fluviais da região: “Recebi o relato de um oficial do Exército que subia o rio para entregar vacinas e remédios aos ribeirinhos quando se deparou com uma lancha do crime organizado equipada com uma metralhadora ‘.50’ na proa”.

Leia também: Aldo Rebelo destaca propostas para a Amazônia: “região rica e bloqueada”

Pré-candidato à presidência, Aldo Rebelo defende intensificação do combate ao crime organizado na fronteira da Amazônia
Aldo Rebelo é um dos convidados do programa Entrevistas. Foto: Reprodução/ Amazon Sat

Combate à criminalidade exige ações conjuntas, segundo Aldo Rebelo

Segundo Aldo Rebelo, o enfrentamento à criminalidade exige estrutura, logística e atuação coordenada do Estado brasileiro.

“Se você não tiver um Estado agindo de forma articulada, com a logística das Forças Armadas, equipando as polícias com armas, lanchas e helicópteros, como vai enfrentar o crime organizado?”, questionou.

Ao final, Rebelo defendeu que o combate ao crime também deve vir acompanhado de oportunidades para a população jovem da Amazônia.

“Uma parte da juventude entra para o crime organizado porque não tem perspectiva econômica. Muitas vezes, não pode plantar, produzir ou trabalhar. O crime oferece essa alternativa. É preciso combinar repressão ao crime com uma política de desenvolvimento que ofereça oportunidades para os jovens, principalmente nas áreas de fronteira”, concluiu. Assista:

A entrevista completa já está disponível no canal do Amazon Sat no Youtube: assista o programa completo AQUI.

‘Entrevistas’

O programa Entrevistas, do Amazon Sat, nasce com a proposta de aproximar os amazônidas das decisões tomadas em Brasília que impactam diretamente a região. Produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal, o programa aborda temas ligados à política, justiça, economia e meio ambiente, ouvindo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e formadores de opinião.

Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, que há mais de duas décadas acompanha pautas da Amazônia em Brasília, o programa pretende aprofundar debates e revelar os bastidores das decisões que influenciam a vida de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica. A atração também busca transformar assuntos técnicos e complexos em informações acessíveis ao público.

‘Entrevistas’ tem sempre um episódio inédito às terças-feiras, às 19h30, e conta com reexibições:

quartas, às 9h;
quintas, às 13h30;
sextas, às 17h30;
sábados, às 9h30;
domingos, às 15h45;
e segundas, às 19h30.

Todos os horários seguem o fuso de Manaus/AM (GMT -4).

SGB aponta que nível dos rios amazônicos não ultrapassará cota de inundação severa em 2026

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Depois de atingir a cota de inundação, que é de 29 metros, nível do Rio Negro chegou a 27,80 metros nesta sexta, 29 de maio. Foto: Reprodução/Arquivo/Rede Amazônica AM

A cheia dos rios no Amazonas já dá sinais de enfraquecimento e os níveis monitorados pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) devem permanecer abaixo da cota de inundação severa em 2026. A projeção foi apresentada no dia 29 de maio, durante o 3º Alerta de Cheias da Bacia do Amazonas.

O monitoramento considera os rios:

  • em Manaus, no rio Negro;
  • Manacapuru, no rio Solimões;
  • e Itacoatiara e Parintins, no rio Amazonas.

Segundo o órgão, os dados atuais já apontam início gradual da vazante em parte da bacia amazônica.

Em Manaus, a previsão é que o rio Negro alcance 28,20 metros, abaixo da cota de inundação severa, que é de 29 metros. Nesta sexta-feira, o nível do rio estava em 27,80 metros. Já em Manacapuru, a estimativa é que o rio Solimões alcance 18,98 metros. A cota de inundação severa no município é de 19,60 metros. Atualmente, o nível está em 18,57 metros.

No município de Itacoatiara, o rio Amazonas marcou 13,52 metros nesta sexta-feira e deve chegar a 13,63 metros nos próximos dias. Em Parintins, a previsão é de 8,17 metros, abaixo da cota de inundação severa, que é de 9,30 metros.

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O Alerta de Cheias do Amazonas foi divulgado em três etapas ao longo do ano, com previsões dos níveis dos rios feitas cerca de 75, 45 e 15 dias antes do pico da cheia, que normalmente ocorre em junho.
O 3º Alerta de Cheias da Bacia do Amazonas de 2026 foi apresentado nesta sexta-feira (29) em Manaus. — Foto: Jadson Lima/g1 Amazonas

Início da vazante dos rios

De acordo com o gerente de Hidrologia do SGB, André Martinelli, os dados mostram que o processo de enchente está próximo do fim em parte da bacia amazônica, especialmente nos rios já citados.

“Já há indícios de término do processo de enchente e início do processo de vazante. Em Tabatinga o rio está parado há quatro dias, com cota de 11,73 metros. Parintins também, que já é no outro extremo, na parte baixa da bacia, também está parado há três dias na cota de 8,09 metros, e Itacoatiara também já está oscilando. Então, isso é um demonstrativo de que o processo de enchente está findando”, disse.

Leia também: Cheias e secas extremas ficaram mais intensas no Amazonas a partir de 2005, aponta estudo

O órgão também apresentou projeções para o período de vazante e seca na região, levando em consideração as condições climáticas atuais. O Alerta de Cheias do Amazonas foi divulgado em três etapas ao longo do ano, com previsões dos níveis dos rios feitas cerca de 75, 45 e 15 dias antes do pico da cheia, que normalmente ocorre em junho.

*Por Jadson Lima, da Rede Amazônica AM

Para Aldo Rebelo é preciso remover obstáculos na produção de petróleo pelo Amapá

Arte: Reprodução/Amazon Sat

O pré-candidato à Presidência da República pelo Democracia Cristã (DC), Aldo Rebelo, afirmou em conversa com o jornalista Welliton Lopes, no programa ‘Entrevistas‘, do canal Amazon Sat, que a exploração de petróleo no Amapá poderia representar uma transformação econômica para a Amazônia e criticou o que considera entraves ao desenvolvimento da região.

Ao comentar o tema, Aldo Rebelo comparou o potencial petrolífero do Amapá ao da Guiana, país vizinho que ampliou sua economia após o crescimento da exploração de petróleo nos últimos anos.

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“A Guiana hoje é chamada de novo petroestado do mundo. Eles extraem cerca de 920 mil barris de petróleo por dia. Com o barril a 100 dólares, isso representa uma receita de aproximadamente 92 milhões de dólares por dia e mais de 30 bilhões de dólares por ano”, afirmou.

Segundo o político, além da arrecadação, a atividade petrolífera também atrai investimentos industriais e fortalece a economia local. “A Guiana atrai investimentos por causa do petróleo barato. Tem brasileiros indo para lá fabricar ureia e fertilizantes”, disse.

Leia também: “A Amazônia precisa ser explicada para o mundo”, afirma Aldo Rebelo

Para Aldo Rebelo é preciso remover obstáculos na produção de petróleo pelo Amapá
Aldo Rebelo é um dos convidados do programa Entrevistas. Foto: Reprodução/ Amazon Sat

Aldo afirma que Amapá tem potencial

Durante a entrevista, o ex-ministro afirmou que o Amapá possui potencial ainda maior de exploração e defendeu que a atividade poderia gerar empregos, infraestrutura e recursos para investimentos públicos na Amazônia.

“O Amapá, segundo as projeções, tem muito mais petróleo do que a Guiana. Poderia estar extraindo hoje um milhão de barris por dia. Isso representaria uma receita anual bilionária, capaz de financiar saneamento básico, formar engenheiros e técnicos e desenvolver toda a cadeia produtiva do petróleo na Amazônia”, declarou.

Aldo Rebelo também criticou a paralisação de projetos de exploração na região e afirmou que parte da população amazônica vive sem alternativas econômicas. Assista:

A entrevista completa já está disponível no canal do Amazon Sat no Youtube: assista o programa completo AQUI.

‘Entrevistas’

O programa Entrevistas, do Amazon Sat, nasce com a proposta de aproximar os amazônidas das decisões tomadas em Brasília que impactam diretamente a região. Produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal, o programa aborda temas ligados à política, justiça, economia e meio ambiente, ouvindo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e formadores de opinião.

Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, que há mais de duas décadas acompanha pautas da Amazônia em Brasília, o programa pretende aprofundar debates e revelar os bastidores das decisões que influenciam a vida de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica. A atração também busca transformar assuntos técnicos e complexos em informações acessíveis ao público.

‘Entrevistas’ tem sempre um episódio inédito às terças-feiras, às 19h30, e conta com reexibições:

quartas, às 9h;
quintas, às 13h30;
sextas, às 17h30;
sábados, às 9h30;
domingos, às 15h45;
e segundas, às 19h30.
Todos os horários seguem o fuso de Manaus/AM (GMT -4).

Copham aprova parecer técnico favorável ao registro do ‘Gambá’ como Patrimônio Cultural do Amazonas

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Foto: Gabi Vitim/SEC AM

A cultura amazonense deu mais um passo no fortalecimento e reconhecimento de suas manifestações tradicionais. O Conselho de Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Amazonas (Copham) aprovou, por unanimidade, no dia 28 de maio, durante a 48ª Sessão Plenária Ordinária, o parecer técnico favorável ao processo de registro da expressão cultural ‘Gambá’ como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Estado do Amazonas.

Gambá é uma tradicional expressão cultural e ritmo da Amazônia e consiste em uma celebração que mistura batuques, cantigas, danças e ritos religioso

Leia também: Conheça o Tambor de Gambá, símbolo da identidade musical de Maués

Vinculado ao Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, o Copham é o órgão responsável por deliberar sobre o tombamento e o registro de bens materiais e imateriais, atuando na preservação e valorização do patrimônio cultural amazonense.

Foto: Gabi Vitim/SEC AM

A sessão foi realizada no Palacete Provincial, reunindo mestres e mestras da cultura popular, pesquisadores, representantes de instituições culturais, agentes públicos e integrantes da sociedade civil.

Na ocasião, também foi realizada a entrega simbólica da certificação que reconhece o Gambá como Patrimônio Cultural do Amazonas, marcando um avanço significativo para a preservação e valorização da cultura popular amazônica.

Reconhecimento do ‘Gambá’

A condução dos trabalhos foi realizada pelo presidente do Copham e secretário de Estado de Cultura e Economia Criativa, Caio André, que destacou a importância do reconhecimento para a valorização das manifestações ancestrais amazônicas e para o fortalecimento das políticas públicas de patrimônio cultural no Estado.

“É mais um reconhecimento de uma cultura ancestral. Esse primeiro passo abre caminho para uma série de outros reconhecimentos que ainda precisam ser feitos em relação às manifestações culturais do Amazonas, que é riquíssimo e precisa desse olhar de fortalecimento e preservação”, afirmou Caio André.

Foto: Gabi Vitim/SEC AM

Durante a plenária, o relator da Câmara de Patrimônio Artístico e Imaterial do Copham, Rafael Nascimento de Azevedo, realizou a leitura do parecer técnico, destacando que o processo teve início em 2011, a partir de estudos conduzidos pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa, com apoio da Gerência de Patrimônio Imaterial e de pesquisadores ligados ao tema. 

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Segundo ele, a retomada do processo ganhou força nos últimos anos a partir da mobilização dos próprios mestres e mestras da cultura tradicional. “O reconhecimento não é apenas um ato simbólico. Ele representa o início de políticas públicas permanentes de salvaguarda, valorização e continuidade dessa manifestação cultural”, destacou o relator.

O parecer técnico ressaltou que o Gambá se caracteriza pela relação indissociável entre música, dança, oralidade, espiritualidade e práticas coletivas de sociabilidade, estando profundamente ligado às comunidades ribeirinhas e às tradições populares do interior do Amazonas.

O documento também enfatizou que o reconhecimento representa um avanço histórico para a política cultural amazonense, ao ampliar o olhar do patrimônio estadual para manifestações culturais imateriais situadas fora da capital e ligadas às matrizes indígenas, negras e caboclas da formação social do Amazonas.

Tambor de gambá
Foto: Adriano Sarmento

Votação unânime

Com parecer favorável do relator, os demais conselheiros realizaram a votação e acompanharam, por unanimidade, o voto apresentado durante a sessão.

Entre os encaminhamentos aprovados pelo conselho, está o início imediato das ações de salvaguarda, incluindo levantamento audiovisual e etnográfico da manifestação, mapeamento de mestres e grupos tradicionais, apoio à transmissão de saberes e construção participativa de um plano de preservação cultural.

A resolução aprovada estabelece ainda que o registro provisório do Gambá possui efeito administrativo de proteção e orientação das ações de salvaguarda, garantindo o desenvolvimento de medidas de identificação, documentação, valorização, promoção e proteção da manifestação cultural.

Representando o Ministério da Cultura no Amazonas, Ruan Octávio ressaltou o compromisso das instituições culturais na difusão da expressão cultural amazonense.

“O Gambá encanta, envolve e carrega ancestralidade. O compromisso agora é continuar levando o Gambá para o mundo inteiro”, afirmou.

Legado e representatividade

A sessão também foi marcada por momentos de forte emoção protagonizados pelos mestres da cultura popular. Em discurso carregado de memória e ancestralidade, o representante do Ponto de Cultura Pavulagi, mestre Ismael destacou que o reconhecimento representa a validação histórica de uma tradição mantida viva por gerações de comunidades amazônicas.

Segundo ele, o Gambá vai muito além da música ou da dança, sendo uma expressão profunda da identidade cultural do povo ribeirinho e caboclo do Amazonas. 

“O ato dá visibilidade, notoriedade e legalidade para um movimento que já existe há muito tempo. Gambá não é só instrumento, não é só ritmo, não é apenas uma roda de dança. Gambá é vida, é memória, é ancestralidade. É o remar da canoa, é o amanhecer do rio, é o rezar, é o viver na floresta. É a história do povo amazônico sendo transmitida de geração em geração”, afirmou. 

O mestre também ressaltou o papel dos guardiões da tradição e classificou a aprovação como um passo fundamental para garantir a continuidade cultural da manifestação. “Hoje o Estado reconhece que esses mestres existem, resistem e mantêm viva essa herança cultural”, declarou.

Com a aprovação unânime do parecer, o Copham reconhece oficialmente o Gambá como referência cultural de relevante interesse para o Estado do Amazonas, consolidando um marco histórico para a preservação da cultura popular amazônica.

*Com informações da Agência Amazonas

Casa Azul: antigo centro de repressão no Pará ganha projeto de espaço de memória

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Foto: Divulgação/ Unifesspa

A transformação da antiga Casa Azul, em Marabá (PA), em um espaço dedicado à preservação da memória ganhou destaque durante o ‘Seminário Casa Azul: um lugar de memória para o Brasil’. No dia 27 de março, pesquisadores, estudantes, representantes de instituições públicas, autoridades e integrantes de movimentos sociais visitaram o imóvel que, durante o regime militar, foi apontado como local de prisões, torturas e violações de direitos humanos na região.

Sob um céu encoberto, os participantes percorreram as dependências do prédio em uma atividade que simbolizou o resgate de uma parte da história marcada pela repressão e pelo silêncio. Mais do que uma visita técnica, o encontro representou um ato de reconhecimento da memória coletiva e de valorização da verdade histórica sobre os acontecimentos ocorridos durante a ditadura militar.

Saiba mais: Casa Azul: o passado sombrio escondido às margens da Transamazônica

A ação integrou a programação do seminário promovido pela Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), em parceria com instituições públicas e movimentos sociais. A iniciativa discute a criação de um espaço permanente de memória no local, com o objetivo de preservar relatos, documentos e experiências ligadas ao período autoritário no país.

A proposta busca transformar a Casa Azul em um ambiente voltado à educação, à pesquisa e à reflexão sobre os direitos humanos, contribuindo para que episódios de violência política não sejam esquecidos e possam ser compreendidos pelas futuras gerações. O projeto também reforça o papel da memória como instrumento de construção da cidadania e de fortalecimento da democracia.

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Memória viva: a posição da universidade

Durante a visita à Casa Azul, o reitor da Unifesspa, Francisco Ribeiro da Costa, enfatizou o papel institucional da universidade na preservação da memória histórica — especialmente em um território onde o passado ainda reverbera no presente:

“É nossa missão ajudar a preservar essa memória para as futuras gerações, para que o passado não volte a acontecer”.

Foto: Divulgação/ Unifesspa

A fala, proferida no próprio espaço marcado pela violência de Estado, desloca a universidade de uma posição apenas observadora para uma atuação implicada — ética e politicamente — na defesa da democracia.

Ao reconhecer que ainda há medo e silêncio entre aqueles que viveram esse período, o reitor apontou para um desafio central: transformar memória em política pública e em compromisso coletivo.

Foto: Divulgação/ Unifesspa

Pesquisa, território e enfrentamento do apagamento

A construção desse movimento tem forte base acadêmica. O seminário é resultado de anos de pesquisa desenvolvida na Unifesspa, com destaque para o trabalho do professor Janailson Macêdo Luiz, docente da Faculdade de História e dos programas de pós-graduação da instituição.

Pesquisador dedicado aos estudos sobre a ditadura militar na Amazônia, a Guerrilha do Araguaia e as relações entre memória, território e violência de Estado, Janailson tem atuado na articulação entre produção de conhecimento e ação pública.

Durante a visita, ele destacou que a Casa Azul ocupa um lugar singular:

“Aqui ainda existe um espaço físico que serve como referência. É um lugar de memória que aponta para as violações que aconteceram também nos arredores”.

Ao chamar atenção para práticas de tortura realizadas ao ar livre — envolvendo camponeses, indígenas e militantes —, o pesquisador amplia a compreensão da ditadura para além dos grandes centros urbanos, evidenciando sua dimensão amazônica, historicamente invisibilizada.

Mais do que interpretar o passado, sua atuação aponta para um horizonte: transformar a Casa Azul em um espaço de memória institucionalizado.

Universidade e responsabilidade histórica

Realizado na Câmara Municipal de Marabá, o seminário reuniu diferentes instituições em torno de um objetivo comum: transformar a Casa Azul em um espaço permanente de memória, verdade e justiça.

A atuação da Unifesspa, longe de ser pontual, se insere em um projeto institucional mais amplo. O Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) define como missão da universidade contribuir para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva. Neste contexto, memória não é tema periférico — é eixo estruturante.

Em sua fala, o reitor Francisco Ribeiro da Costa foi direto: “Não há democracia sólida sem o reconhecimento das violações do passado.” E acrescentou: “Temos a responsabilidade de não deixar essa memória desaparecer.”

A universidade, assim, se afirma não apenas como produtora de conhecimento, mas como agente público implicado na defesa da democracia.

Memória é justiça — e também conflito

As falas ao longo do seminário convergiram para um ponto incontornável: memória não é consenso — é disputa. Representantes da OAB, da Comissão Pastoral da Terra, de movimentos sociais e de órgãos governamentais lembraram que a região do Araguaia permanece marcada por conflitos fundiários, desigualdade e violência — heranças que não podem ser dissociadas do período ditatorial.

“A memória é uma forma de reparação”, afirmou um dos participantes.

Mas também é mais do que isso: é enfrentamento. Enfrentamento às narrativas que tentam relativizar a ditadura. Enfrentamento à desinformação que circula, sobretudo entre jovens. Enfrentamento à tentativa persistente de transformar violência de Estado em “versão alternativa” da história.

1964–2026: o passado que não passou

Foto: Divulgação/ Unifesspa

Realizado no contexto dos 62 anos do golpe de 1964, o seminário impõe uma reflexão que vai além da efeméride. O golpe não é apenas um evento encerrado no tempo. Seus efeitos atravessam o presente. Persistem nos desaparecidos que nunca foram encontrados; nas famílias que nunca tiveram respostas; nas estruturas de violência que se reconfiguram; e, sobretudo, nas tentativas recorrentes de reescrever — ou apagar — o que aconteceu.

Quando setores da sociedade ainda pedem a volta da ditadura, não se trata de desconhecimento isolado. Trata-se de uma disputa ativa pela memória. É nesse ponto que iniciativas como a da Casa Azul ganham densidade política. Preservar esse espaço é afirmar que não há neutralidade possível diante da violência histórica. É reconhecer que a democracia exige memória — e não silêncio.

Casa Azul: do trauma ao compromisso

Entre os principais encaminhamentos do seminário está a proposta de consolidação da Casa Azul como um lugar de memória institucionalizado, com possibilidade de tombamento e criação de um memorial.

Mais do que um gesto simbólico, trata-se de uma política de futuro. Como destacou um dos representantes do Ministério dos Direitos Humanos: “Essa é uma obra de muitas gerações.” Nesse processo, a Unifesspa se projeta como protagonista — articulando pesquisa, extensão e compromisso público com os direitos humanos.

Para que nunca mais

Ao final do dia, a imagem que permanece não é apenas a do prédio, nem a do céu nublado. É a de um espaço que começa a ser reocupado — não pelo silêncio, mas pela palavra. Lembrar, aqui, não é um exercício contemplativo. É um ato político. Porque, em um país onde o passado ainda é disputado, a memória é uma forma de resistência. E resistir, neste caso, é garantir que nunca mais se repita.

*Com informações da Unifesspa