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Países amazônicos definem estratégia para proteger botos contra crises climáticas

Foto: Reprodução/Fundação Omacha

Transformar perdas graves para a fauna em uma estratégia robusta de preparação para o futuro. Com esse objetivo, especialistas, governos e organizações de seis países amazônicos vêm trabalhando conjuntamente no desenvolvimento de instrumentos para fortalecer a resposta regional aos impactos das mudanças climáticas sobre os ecossistemas aquáticos. Um dos marcos desse processo foi a Oficina Regional SARDI & ASL – Gestão e Adaptação de Protocolos e Instrumentos de Política Pública durante Eventos de Mortalidade Incomum de Golfinhos de Rio, realizada em maio deste ano em Manaus, que contribuiu para a construção do toolkit regional.

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A iniciativa foi conduzida tecnicamente pelo WWF-Brasil, no âmbito da South American River Dolphin Initiative (SARDI), em parceria com o Amazon Sustainable Landscapes (ASL), um programa Global Environmental Fund (GEF) liderado pelo Banco Mundial, contando com o apoio do ICMBio e do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), e reuniu especialistas, governantes e pesquisadores de Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela.

Daniel Sumalavia, consultor do programa de coordenação regional do ASL, ressalta a importância estratégica dessa união institucional: “Espaços de articulação regional como o que estamos desenvolvendo junto ao SARDI são fundamentais, porque os impactos das mudanças climáticas sobre a bacia amazônica afetam toda a região. O encontro realizado em Manaus foi uma demonstração concreta do valor de reunir representantes de diferentes países para compartilhar lições aprendidas e integrar diferentes perspectivas na gestão e conservação dos ecossistemas amazônicos”.

Mariana Frias, analista de conservação do WWF-Brasil e coordenadora da SARDI, reforça que a atuação da organização busca uma abordagem que conecte todos os atores da bacia:

“A solução passa pela difusão ampla do conhecimento, a discussão das melhores abordagens da perspectiva das ciências acadêmica e tradicional, dos saberes e cultura local e das transformações impactantes na paisagem. O papel do WWF-Brasil é assegurar que todas essas perspectivas sejam levadas em consideração e que, além da sociedade civil, órgãos públicos estejam incluídos e ativamente participantes, garantindo a estratégia multissetorial, multi-institucional e multiescalas”.

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O eco de uma tragédia

A urgência do encontro remete aos eventos de 2023, quando a Amazônia enfrentou uma seca histórica e ondas de calor extremas, intensificadas pelo fenômeno El Niño. Nos lagos Tefé e Coari, as águas atingiram a marca fatal de 39,1°C, resultando na morte de pelo menos 330 botos-cor-de-rosa (Inia geoffrensis) e tucuxis (Sotalia fluviatilis).

Para os cientistas, o que ocorreu foi um alerta global: pela primeira vez, o calor extremo da crise climática matou mamíferos aquáticos dessa forma. Ingrid Maria Furlan Oberg, analista ambiental do ICMBio, destaca que o episódio revelou uma combinação fatal de fatores, como o aquecimento da água acima dos limites toleráveis, a seca extrema que isolou animais em áreas rasas e a baixa concentração de oxigênio.

“Em alguns locais, a água ultrapassou o que é suportável para os botos, causando um estresse térmico severo nessas espécies, que são altamente sensíveis a variações ambientais rápidas e funcionam como sentinelas da saúde dos rios”, avalia a especialista.

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Foto: Reprodução/Sea Shepherd Brasil

Naquela crise, a principal hipótese para as mortes foi de que o estresse térmico tenha afetado a capacidade dos animais de regular a temperatura corporal, resultando em colapsos cerebrais. A vulnerabilidade dessas espécies a novos padrões climáticos é um dos pontos focais para o monitoramento futuro.

Para Hilda Chávez, pesquisadora do Instituto Mamirauá, o evento de 2023 foi um divisor de águas na compreensão dos limites de sobrevivência dessas espécies.

“Os golfinhos de rio amazônicos são bem adaptados às condições e variações sazonais da região. No entanto, o cenário de 2023 expôs os botos a mudanças drásticas na termoclina diária, à péssima qualidade do ar e à redução de seu habitat aquático. Essa combinação de fatores interrompeu e alterou seus sinais adaptativos, deixando-os sujeitos a estresse térmico e culminando em uma fatalidade sem precedentes”, explica a pesquisadora.

Estratégia regional para antecipar crises

A construção da estratégia regional reuniu representantes de seis países amazônicos para discutir como fortalecer a preparação e a resposta a eventos extremos que afetam os golfinhos de rio. As discussões concentraram-se em três frentes principais: coordenação institucional para emergências, protocolos técnicos de resposta e monitoramento de indicadores ambientais capazes de antecipar situações de risco.

Entre os avanços debatidos estiveram o fortalecimento de sistemas de alerta precoce, a padronização de procedimentos de campo e o uso de novas ferramentas de monitoramento, incluindo soluções desenvolvidas em parceria com o MapBiomas Água para acompanhar alterações na temperatura da água e na dinâmica dos ambientes aquáticos.

Durante os diálogos, especialistas identificaram desafios comuns em toda a região amazônica, como a dificuldade de atuação em áreas remotas, a necessidade de recursos especializados e a importância de ampliar a integração entre órgãos públicos, cientistas e comunidades locais.

A integração dessas diferentes capacidades é considerada essencial para uma resposta eficiente aos impactos das mudanças climáticas. Para María Jimena Valderrama, médica veterinária e membro da equipe de reabilitação de mamíferos aquáticos da Fundación Omacha, a resposta a eventos extremos depende de uma articulação permanente entre ciência, comunidades e tomadores de decisão.

“A resposta efetiva a eventos extremos exige uma articulação permanente entre ciência, comunidades e tomadores de decisão. O monitoramento científico fornece informações sobre variáveis ambientais e saúde dos animais, enquanto as comunidades locais e indígenas geralmente são as primeiras a detectar mudanças incomuns nos ecossistemas e a reportar eventos de mortalidade ou risco” explica Valderrama.

A definição de quais sinais monitorar deve ser um dos pilares de uma ação regional coordenada. Hilda relata que o Instituto Mamirauá identificou três grupos de indicadores essenciais para antecipar situações de risco: ambientais (temperatura da água, ar e níveis hídricos), biológicos (comportamento e taxas de mortalidade) e sociais.

“Comunidades locais como indicadores: é essencial manter redes de apoio e comunicação com as comunidades ribeirinhas permitindo a expansão de um sistema de alerta precoce em uma região tão vasta quanto a Amazônia”, enfatiza Hilda, reforçando que o olhar das populações tradicionais é o que permite a capilaridade da vigilância ambiental no território.

Iniciativa regional reúne especialistas de seis países amazônicos para estruturar protocolos de emergência e transformar recomendações científicas em instrumentos de política pública. Foto: Giselli Nascimento/Vallie
Iniciativa regional reúne especialistas de seis países amazônicos para estruturar protocolos de emergência e transformar recomendações científicas em instrumentos de política pública. Foto: Giselli Nascimento/Vallie

Compromisso para além das fronteiras amazônicas

Um dos grandes desafios discutidos foi o fato de os grandes sistemas fluviais não reconhecerem limites políticos. A cooperação entre fronteiras é essencial para garantir que os esforços de um país não sejam anulados pela falta de ação no vizinho.

A Colômbia e a Venezuela, por exemplo, trouxeram experiências valiosas de resgate com forte participação comunitária. A proposta da iniciativa é que essas lições aprendidas em diferentes rios amazônicos ajudem a fortalecer a adaptação de toda a região às mudanças climáticas.

As discussões abordaram a conectividade regional e a articulação entre redes e iniciativas de conservação na Amazônia, explorando oportunidades de cooperação entre mecanismos de governança como a OTCA, a Aliança Águas Amazônicas e a Convenção de Ramsar. Também foram debatidos caminhos para replicação dos conhecimentos compartilhados, fortalecimento de redes de especialistas e ampliação da coordenação regional para apoiar protocolos e respostas a emergências envolvendo botos de rio.

A experiência da Fundación Omacha em diversos rios da bacia reforça que a crise climática não atinge apenas os cetáceos, mas todo o sistema de manutenção da vida na Amazônia.

“Eventos climáticos extremos estão aumentando tanto em frequência quanto em intensidade. As secas prolongadas reduzem a conectividade entre habitats, diminuem a disponibilidade de alimento e favorecem o isolamento de populações. O que afeta os golfinhos também impacta peixes, tartarugas, peixes-boi e as comunidades humanas que dependem desses sistemas aquáticos”, alerta María Jimena.

Segundo ela, a cooperação entre fronteiras é fundamental, já que os impactos ambientais ignoram limites cartográficos.

Leia também: Entenda a diferença de comportamento entre os botos da Amazônia e se eles são mesmo “implicantes”

Do diálogo à ação regional

Os debates e recomendações construídos ao longo da oficina contribuíram para o desenvolvimento de um toolkit regional voltado à preparação e resposta a eventos extremos que afetam os golfinhos de rio e outros organismos aquáticos da Amazônia. O material reúne orientações práticas para monitoramento, alerta precoce, coordenação institucional e resposta emergencial, incorporando experiências e conhecimentos compartilhados pelos países participantes.

A descrição oficial da ferramenta foi durante o webinar “Uma resposta regional para proteger os golfinhos de rio diante da seca extrema”, nesta quinta-feira (24).

Da pesquisa à política pública

A resposta rápida no evento de 2023, que contou com o apoio logístico e material do WWF-Brasil, revelou a necessidade de protocolos permanentes. Como legado prático dessa crise, o ICMBio e o INPA construíram um Guia para emergências com mamíferos aquáticos amazônicos em situações de seca extrema, visando nortear futuras respostas na região.

“A atuação em equipe e a instalação rápida de um Sistema de Comando de Incidente (SCI) foram fundamentais para o atendimento à emergência e a identificação dos fatores de mortalidade”, considera Ingrid.

Agora, somando também os insights gerados pelos diálogos da oficina, o WWF-Brasil e seus parceiros trabalham na estruturação de recomendações e protocolos técnicos que poderão auxiliar governos e instituições no fortalecimento de políticas públicas nacionais. O objetivo é que esses subsídios sejam úteis para aprimorar a proteção dos habitats e possam, futuramente, embasar discussões estratégicas em fóruns globais, como a Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD), visando uma resposta regional mais resiliente e integrada

Ao analisar os requisitos para uma governança regional resiliente, Sumalavia aponta as prioridades e os desafios para os próximos anos. “A proteção dos golfinhos de rio é um termômetro da nossa capacidade coletiva de adaptação às mudanças climáticas. Uma resposta regional efetiva requer sistemas de monitoramento articulados e protocolos eficazes de atendimento a emergências. Para avançar, será fundamental fortalecer as redes entre atores e instituições, incorporar o conhecimento indígena e local e contar com ferramentas práticas que permitam aos países estarem mais preparados diante de futuros eventos extremos”, enfatiza o especialista.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo WWF-Brasil, escrito por Priscila Pacheco

Estudo mostra avanço de garimpo ilegal de ouro na Terra Indígena Munduruku

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Avanço do garimpo ilegal na terra indígena Munduruku ameaça a floresta e a saúde da população. Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace

Áreas de garimpo ilegal de ouro voltaram a avançar sobre Terras Indígenas (TIs) do povo Munduruku no Pará no último ano, mostra um estudo publicado no dia 21 de setembro. Entre setembro de 2025 a agosto de 2026, foram identificados dez locais com novas atividades ilegais – 9 na TI Munduruku e 1 na TI Sai Cinza. 

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A análise de imagens de satélite e o monitoramento nos territórios detectou a abertura de estradas, a expansão de frentes de garimpo que já existiam e o surgimento de novos locais de exploração. 

As evidências foram reunidas pela EIA (Environmental Investigation Agency), organização especializada na investigação de crimes ambientais, em parceria com três organizações Munduruku: Associação de Mulheres Munduruku Wakoborũn, Associação Da’uk e Movimento Munduruku Ipereğ Ayũ.

A Terra Indígena Munduruku, localizada entre os municípios paraenses de Itaituba e Jacareacanga, no Sudoeste do estado, é uma das áreas protegidas da Amazônia mais afetadas pelo garimpo ilegal de ouro. Entre novembro de 2024 e fevereiro de 2025, o Governo Federal realizou uma série de operações de desintrusão (expulsão de invasores) no território, mas a expansão de atividades ilegais continua, aponta o estudo.

“A escala e a ousadia do garimpo ilegal de ouro no território dos Munduruku são surpreendentes, e os impactos para o povo Munduruku são verdadeiramente devastadores”, declarou Rick Jacobsen, gerente sênior da EIA. 

Conversamos com lideranças Munduruku, mas, por questões de segurança, elas preferiram não se manifestar publicamente sobre o estudo. Em declaração divulgada no lançamento do relatório, a Associação de Mulheres Munduruku Wakoborũn afirmou que o garimpo ilegal de ouro “continua envenenando o território e a vida do nosso povo Munduruku, contaminando nossos alimentos e água com mercúrio tóxico”.

Abertura de estradas e desmatamento ilegal

Uma das áreas de garimpo identificadas está localizada próximo à nascente do rio Crepori, no sul da TI Munduruku. Segundo o estudo, até outubro de 2025 a área era de mata fechada. Dois meses depois, uma estrada de 14km foi aberta, conectando a atividade minerária ao Parque Nacional do Rio Novo. Entre março e julho de 2026, novas expansões do garimpo na área foram detectadas pela EIA e pelos Munduruku, que notificaram as autoridades brasileiras.

Estudo mostra avanço de garimpo ilegal de ouro na Terra Indígena Munduruku
Evolução da área de garimpo ilegal de ouro ao Sul da TI Munduruku entre outubro de 2025 e julho de 2026. Foto: 2026 Planet Labs PBC

Leia também: Garimpo na Amazônia avança 562% e deixa Terras Indígenas mais expostas aos impactos do El Niño, revela IPAM

Em outro local, as operações de garimpo foram interrompidas durante uma fiscalização do governo federal em novembro de 2024, mas retomadas logo após o término da operação. Entre março de 2025 e julho de 2026, cerca de 30 hectares de floresta foram desmatados no local para expansão do garimpo, segundo estimativa da EIA.

Em julho deste ano, uma inspeção por terra realizada por indígenas Munduruku na Aldeia Jardim Kaboro’a identificou 99 equipamentos utilizados em três frentes de garimpo ilegal dentro do território. Segundo o estudo, “lideranças tradicionais foram desobedecidas e ameaçadas” nas áreas onde o maquinário foi encontrado.  

Em relatórios de monitoramento produzidos em março e em agosto deste ano — e também publicados pela EIA —, os indígenas ressaltam a urgência da adoção de medidas concretas para coibir o garimpo ilegal em seus territórios e apontam a ausência de respostas efetivas a denúncias anteriores. 

Visita de comissão da Corte Interamericana de Direitos Humanos

No começo de setembro, uma delegação da Corte Interamericana de Direitos Humanos visitou uma das aldeias da TI Munduruku. O objetivo era verificar se o Brasil está implementando as medidas de proteção estabelecidas em 2022 pelo órgão, que determinou que o Estado brasileiro garantisse o direito à vida, à integridade pessoal e à saúde dos povos indígenas Yanomami, Ye`kwana e Munduruku.

Segundo nota divulgada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), lideranças e comunidades Munduruku denunciaram à delegação a continuidade de atividades ilegais no território, dificuldades no acesso à saúde e à água potável e a contaminação por mercúrio. A organização aponta que nenhuma das obrigações determinadas pela corte em 2022 foi integralmente cumprida.

Registros de julho de 2024 a julho de 2026 analisados pela EIA indicam outra área de expansão de garimpo no território. Foto: 2026 Planet Labs PBC

As evidências da expansão de garimpos ilegais de ouro na TI Munduruku, identificadas no relatório publicado nesta segunda (21), também foram apresentadas à delegação do tribunal interamericano e a autoridades brasileiras. “Ao permitir que esse garimpo continue, o governo brasileiro está deixando de cumprir seus compromissos constitucionais e internacionais de proteger nossos direitos e modo de vida”, declarou a Associação de Mulheres Munduruku Wakoborũn. 

Imagens de satélite recentemente disponibilizadas e analisadas pela EIA mostram que áreas de garimpo ilegal na TI Munduruku continuaram a se expandir inclusive durante a visita da delegação, disse a organização.

Deslocamento das atividades ilegais

À reportagem, a Casa Civil da Presidência da República afirmou que a operação de desintrusão concluída em fevereiro de 2025 no território inutilizou 90 acampamentos, 15 embarcações, 27 máquinas pesadas e 224 motores, além de 96,1 mil litros de óleo diesel. Segundo a pasta, responsável pela coordenação da operação, o prejuízo total estimado às atividades ilícitas foi de R$ 112,3 milhões.

Após a desintrusão, no entanto, as atividades ilegais se deslocaram para outras áreas, de acordo com um estudo publicado em maio deste ano pelo Instituto Mãe Crioula, em parceria com a Universidade do Estado do Pará (Uepa).

Para os autores, a expulsão de garimpeiros produziu efeitos temporários e mostrou a capacidade de adaptação da economia ilegal do ouro. As operações de desintrusão, avaliam, não foram capazes de desmontar as engrenagens do garimpo ilegal em Jacareacanga, um dos principais polos de garimpo ilegal na Amazônia brasileira.

O garimpo ilegal de ouro é responsável por boa parte do desmatamento na região e pela contaminação de rios, sobretudo pelo despejamento de mercúrio no meio ambiente, que contamina peixes, ecossistema e comunidades indígenas. Após o processo de desintrusão, indígenas Munduruku relatam que a falta de assistência à saúde permanece.

A Casa Civil afirmou que a operação de desintrusão “teve sucesso em sufocar as estruturas de suporte ao garimpo e outras atividades ilegais” e que o Ministério dos Povos Indígenas é o órgão responsável pelas ações após a expulsão dos invasores. 

Registros de julho de 2024 a julho de 2026 analisados pela EIA indicam outra área de expansão de garimpo no território. Foto: 2026 Planet Labs PBC

Também procurado, o Ministério dos Povos Indígenas disse que a operação de desintrusão “é apenas uma etapa de um ciclo de medidas, sendo necessária a manutenção e a consolidação das ações para prevenir o retorno ou a reorganização de atividades ilícitas”. O ministério afirmou que acompanha a situação territorial das Terras Indígenas Munduruku e Sai Cinza, em articulação com órgãos de segurança pública, fiscalização e monitoramento. A pasta pontuou, ainda, que as denúncias recebidas são “analisadas e encaminhadas aos órgãos competentes, conforme suas respectivas atribuições”.

A Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas), por sua vez, destacou que “as denúncias apresentadas pelos povos indígenas são fundamentais para o aprimoramento das ações de proteção do território” e que segue atuando para “assegurar a integridade das Terras Indígenas Munduruku e Sai Cinza”.

Já o Ministério da Justiça e Segurança Pública afirmou que a Força Nacional, em apoio à Funai, permaneceu na TI Munduruku e áreas limítrofes até abril deste ano, em meio às ações de “pós-desintrusão”. A pasta disse também que, após novo pedido do Ministério dos Povos Indígenas, as ações foram retomadas na região (Leia os posicionamentos na íntegra aqui).

Madeira ilegal

O garimpo de ouro não é a única atividade ilegal que assola o território Munduruku. 

Em janeiro deste ano, outro relatório publicado pela EIA destacou que madeira extraída ilegalmente na terra indígena era vendida a madeireiras que faziam parte da cadeia de fornecimento de importadores do produto na Europa e Estados Unidos. 

À época, a EIA e a Associação de Mulheres Wakoborũn identificaram que uma operação ilegal de extração de madeira funcionou dentro do território entre 2023 e 2024.

Com base em imagens de satélite, a EIA mapeou cerca de 60 km de estradas abertas no período. As imagens indicam centenas de toras estocadas ao longo das vias e em pontos de carga. O volume da carga foi estimado pela organização em 1,2 mil metros cúbicos de madeira, o suficiente para carregar de 20 a 35 carretas.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Repórter Brasil, escrito por Poliana Dallabrida

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Cafés amazônicos lideram lista de finalistas em competição nacional

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Foto: Divulgação/BSCA

O Brasil caminha para reconhecer, internacionalmente, seus primeiros cafés especiais da espécie canéfora, que incluem as variedades robusta e conilon. No dia 11 de setembro, o júri nacional do ‘The Best of Canephora Brazil 2026‘ selecionou as amostras finalistas do concurso, que serão reavaliadas por consagrados juízes internacionais, entre 24 e 27 de novembro, para definir os melhores canéforas do país na safra 2026/27, que serão os 10 primeiros lotes que alcançarem nota igual ou superior a 83 pontos na escala de 0 a 100 do concurso.

Todos os finalistas são de estados da Região Norte, sendo: 18 de Rondônia, cindo do Amazonas e dois do Acre. Confira aqui a lista completa.

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A inédita competição é realizada pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) e pela Alliance for Coffee Excellence (ACE), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), como ação do projeto “Brazil. The Coffee Nation” (‘Brasil, a nação do café’, em tradução livre).

O resultado do concurso será apresentado em cerimônia de premiação na cidade de Cacoal (RO), em 29 de novembro, mesma data em que será realizado um leilão internacional presencial desses cafés, que terão preço mínimo de abertura de US$ 9 por kg para cada lote, o equivalente a US$ 9 mil por tonelada, valor mais de 150% superior à cotação da Bolsa de Londres (US$ 3.495/t em 11/09), que é a principal plataforma de comercialização dos canéforas no mundo.

O head judge do concurso e conselheiro diretor da BSCA, Silvio Leite, explica que esse inédito trabalho da entidade com os cafés canéforas brasileiros será um divisor de águas, causando uma “explosão” no cenário global.

“Virá uma onde gigantesca de grande impacto no mercado internacional, que trará reconhecimento da qualidade dos cafés conilon e robusta, que respondem por 40% desse comércio mundial. O primeiro passo será regional, aqui no Brasil, e, posteriormente, no mundo todo, pois teremos o posicionamento de cafés canéforas com mais qualidade, especiais, a serem apresentados aos consumidores”, comenta.

Ele explica que as espécies avaliadas no concurso apresentaram “extrema grandeza em termos sensoriais”, sendo lotes limpos, com notas de frutas secas, de tâmaras e compotas. “Não é se comparar aos arábicas, pois os canéforas são únicos. Tivemos cafés com sabores muito marcantes, do começo ao final da xícara. Sabores, esses, que se confirmaram nessa seleção das amostras finalistas e a nossa expectativa é muito grande agora para apresentar esses cafés à comunidade internacional, ao júri internacional, que virá no Brasil em novembro”, destaca.

Leia também: Robusta Amazônico: conheça café produzido dentro de Terra Indígena em Rondônia

Leite completa que demonstrar esse potencial qualitativo dos cafés robusta e conilon do Brasil será a virada de chave no mercado internacional. “Essa é a possibilidade de o país ser novamente precursor na vertente de apresentação de inovação em café. Às vésperas de celebrarmos 300 anos da cafeicultura no Brasil, no ano que vem, seguimos apresentando novidades que ditam o rumo da atividade cafeeira global, desta vez, com os cafés canéforas especiais, com robustas e conilons elegantes, com altíssima qualidade”, conclui.

O diretor executivo da BSCA, Vinicius Estrela, anota que o “The Best of Canpehora” inicia uma fase importante para os tipos brasileiros, sendo um concurso internacional focado em realçar todos os sabores e nuances dos conilons e robustas nacionais, além de externar toda a inovação do setor e a caminhada para essa jornada de excelência que a Associação, junto com parceiros como ApexBrasil, ACE e tantas outras nacionais que representam os robustas amazônicos e os conilons capixabas, propuseram-se a realizar, a redescobrir o Brasil e a apresentar esses cafés de excelência ao mundo.

“Um concurso focado em duas fases, com a primeira nacional, quando provadores brasileiros garimparam esses cafés excepcionais, e a segunda global, com compradores e juízes internacionais, das principais torrefações e importações do mercado dos cafés especiais do mundo, serão apresentados a essas novidades e participarão de um leilão exclusivo desses cafés, que são verdadeiras joias, descobertas exclusivas que o Brasil apresenta ao mundo, por meio do ‘The Best of Canephora’, mais uma iniciativa da BSCA para valorizar os cafés especiais brasileiros”, finaliza.

Cooperativa ajudou a transformar o robusta amazônico em café premiado
Foto: Reprodução/LaCoop Amazônia

Brasil, a nação do café

O “The Best of Canephora Brazil 2026” é mais uma ação do projeto setorial “Brazil. The Coffee Nation”, que é realizado pela BSCA em parceria com a ApexBrasil com foco na promoção comercial dos especiais do Brasil no mercado internacional, com ações estratégicas de visibilidade, qualificação e acesso a novos mercados. A iniciativa constrói uma identidade global para o Brasil como referência, destacando qualidade, diversidade, rastreabilidade e compromisso com a sustentabilidade em observância a rígidas normas de direito social e ambiental.

Entre os objetivos do atual projeto, com vigência até agosto de 2027, estão ampliar a participação internacional dos cafés especiais brasileiros, com atenção às variedades canéfora (robusta e conilon) e arábica de alta qualidade; os produzidos por mulheres e a equidade de gênero na cadeia do café especial do Brasil; certificações de qualidade e sustentabilidade; e qualificação técnica e promoção em feiras internacionais.

Leia também: Conheça a diferença dos cafés Arábica e Robusta e entenda sua distribuição na Amazônia

As iniciativas do “Brazil. The Coffee Nation” possuem a intenção de consolidar o Brasil como líder global em tipos especiais, impulsionar as exportações de crus e industrializados especiais, promover a diversidade da produção nacional, fortalecer a imagem do Brasil como origem confiável e de qualidade e gerar oportunidades para produtores de diferentes perfis.

O projeto atual tem como mercados-alvo:

  • i) Estados Unidos, Japão, China, Coreia do Sul, Emirados Árabes, França, Austrália, entre outros para os cafés crus especiais;
  • e ii) Canadá, Chile, China e EUA para os produtos da indústria de torrefação e moagem.

As empresas do setor (produtora, exportadora, torrefadora ou cooperativa) que ainda não fazem parte do “Brazil. The Coffee Nation” podem se inscrever preenchendo o formulário oficial no site da ApexBrasil (https://shor.by/iUEo) ou obter mais informações diretamente com a BSCA, através dos telefones (35) 3212-4705 / 99824-9845 / 99879-8943 ou do e-mail info@bsca.com.br.

*Com informações da assessoria

Onça-parda é transferida para parque ambiental no Acre para acasalamento e preservação da espécie

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Onça-parda transferida de Rondônia para o Acre se chama Guapo. Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre

Uma onça-parda macho, apelidada de Guapo, foi transferida no dia 21 de setembro para Rio Branco (AC) por equipes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em planejamento estratégico de conservação da espécie. O animal estava em Porto Velho (RO) e foi levado para o Parque Ambiental Chico Mendes, na capital acreana.

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A transferência para Rio Branco tem como objetivo o acasalamento, que deve ocorrer em dois ou três meses, de Guapo com a única onça-parda que vive no Parque Chico Mendes, chamada Sol.

O animal foi resgatado debilitado ainda filhote, em 2023, em uma plantação de soja. Na época, ele foi encaminhado ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) de Porto Velho, onde passou por um processo de recuperação.

Apesar da reabilitação física, ele não aprendeu a caçar e buscar alimento e, por isso, não tem condições de sobreviver sozinho na natureza.

Leia também: Conheça a onça-parda, o segundo maior felino do Brasil

Onça-parda é transferida para parque ambiental no Acre para acasalamento e preservação da espécie
Guapo foi resgatado debilitado ainda filhote, em 2023, em uma plantação de soja. Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre

A onça-parda, também conhecida suçuarana, é uma espécie classificada como vulnerável à extinção devido a ameaças como desmatamento e a expansão agropecuária.

De acordo com o analista ambiental e chefe do Cetas de Porto Velho, Aquilas Mascarenhas, por não ter essas habilidades, a soltura de Guapo à selva poderia colocar em risco a vida dele. Portanto, a alternativa encontrada para esta situação foi a transferência para o Acre, por meio do Programa de Manejo e Conservação.

“Todo animal que chega aqui nos Cetas, a passagem é temporária, não é definitiva. Então, nosso objetivo maior é trabalhar na recuperação do animal e, se possível, devolver para a natureza. Em alguns casos, como é o caso desse espécime, não foi possível fazer esse trabalho de reintrodução, mas a gente trabalha também na destinação para santuários e zoológicos, que é o que vai acontecer agora”, explicou.

Acasalamento de onças-pardas

Antes da viagem para o Acre, Guapo passou por uma intensa triagem, com exames para garantir que estava apto para o transporte.

A ação contou com o apoio da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam) em parceria com o Ibama, responsável pelo transporte do animal, que durou cerca de 6 horas de Porto Velho até a capital acreana.

Animal chegou em Rio Branco dia 21 de setembro, por volta das 23h. Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre

“Tem que ter todo um cuidado na hora do carregamento de transporte e até a destinação final, que é a que a gente vai ter que percorrer em torno de 500 quilômetros até o seu destino, para que o transporte seja o menos traumático possível”, finalizou Aquilas.

*Por Pâmela Celina, Eldérico Silva e Anaely Roberto, da Rede Amazônica Acre

Espanha, 1982: uma vitória em meio à derrota brasileira na Copa do Mundo

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Foto: Reprodução/Memória Globo

Por Dudu Monteiro de Paula

Era 1982. O Brasil tinha um elenco extraordinário na seleção de futebol, o melhor de muitas décadas, e dirigido pelo gênio técnico Telê Santana. Imaginas um time que tinha, além de outros craques, Zico, Sócrates e Júnior. O clima era de muito otimismo em todo o país e no Amazonas não era diferente.

Um grupo muito grande de amazonenses estava confirmado na Copa da Espanha e eu tinha uma credencial especial, pois já pertencia à Associação Internacional da Imprensa Esportiva (AIPS) e, lógico, da Associação Brasileira de Cronistas Esportivos (ABRACE).

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Eu, na TV Aamazonas, pleiteei ir com o Grupo Globo para a Copa na Espanha, mas não consegui porque já estavam com o elenco completo.  Porém, à época, a Federação Amazonense de Futebol era dirigida pelo Dissica, que, ao saber de meu pré-credenciamento, convidou-me para ir até a Espanha pelo jornal A Crítica, e eu aceitei com a autorização da TV Amazonas.

Embarcamos em um grupo grande de pessoas e nos dirigimos a Torremolinos (na Costa del Sol, na região da Andaluzia, na Espanha), onde o Brasil faria a sua estreia contra a Escócia. Ficamos hospedados em um hotel com as duas torcidas (Brasil e Escócia). No primeiro dia foi difícil dormir: os escoceses não paravam de cantar e beber.

No almoço resolvemos dar o troco: juntamos todos os brasileiros e fomos confrontá-los com uma “micro” escola de samba e muitas garrafas de cachaça. Eles, ao beberem a cachaça, chamaram de refrigerante, e em quesito de barulho também fomos derrotados. Eles só pararam de beber e cantar depois da derrota da Escócia para o Brasil. 

Entre os amazonenses, estava o meu amigo Roberto, que tinha feito uma promessa: iria aparecer na transmissão do mundial. Acredite, ele apareceu! Na bagagem, ele levou um cocar indígena e o colocou quando chegou na plateia, marcando a presença e sendo filmado e entrevistado pela mídia internacional. 

Como eu estava credenciado, fui para o local da imprensa e encontrei com outro amigo, o Arnaldo Santos. Quando em vida, ele esteve em todas as Copas do Mundo, convidado pela Coca-Cola por ser funcionário da empresa e jornalista esportivo.

Lembro que usei o que existia de mais moderno na época para transmitiir notícias para o Brasil: um telefone especial que era conectado a um teclado que escrevíamos as mensagens e, se necessário fosse, com fotografia. Eram os primeiros movimentos de um aparelho que depois seria conhecido como TELEX.

O resultado da Copa foi a eliminação do Brasil para a Itália em um jogo dramático no estádio que eu estava presente e junto com a seleção eu também voltei mais cedo para o país. 

Por hoje é só. FUUUUUUIIIIIIII!!!

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Sobre o autor

Eduardo Monteiro de Paula é jornalista formado na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), com pós-graduação na Universidade do Tennesse (USA)/Universidade Anchieta (SP) e Instituto Wanderley Luxemburgo (SP). É diretor da Associação Mundial de Jornalistas Esportivos (AIPS). Recebeu prêmio regional de jornalismo radiofônico pela Academia Amazonense de Artes, Ciências e Letras e Honra ao Mérito por participação em publicação internacional. Foi um dos condutores da Tocha Olímpica na Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Economista lança livro inspirado em casos de feminicídio no Acre

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Lançamento ocorreu durante a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Foto: Reprodução/Ministério Público do Acre

Enquanto analisava 50 casos de feminicídio no Acre para dois estudos do Ministério Público do Estado (MP-AC), a economista Antônia Tavares percebeu que as imagens dos processos começaram a reaparecer durante o sono. O que surgia em sonhos passou a ser registrado em um caderno ao lado da cama e, anos depois, deu origem ao livro ‘Caderno Rosa: 360 noites entre sonhos e insônias’.

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Os registros renderam 12 cadernos e mais de mil páginas de anotações. Desse material, a autora selecionou 169 sonhos que compõem a obra, construída ao longo de um ano de trabalho.

O lançamento ocorreu no dia 9 de setembro, durante a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, com apoio da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (AJEB). Antônia conta que percebeu uma mudança no padrão dos próprios sonhos enquanto estudava as mortes de mulheres.

“Percebi que as imagens que encontrava durante o dia reapareciam à noite de forma simbólica nos meus sonhos. Uma das situações que mais se repetia era a fuga. Eu tentava escapar de alguém ou de alguma coisa. Era da morte, mas, no sonho, a gente não morre. Eu, por exemplo, voava”, disse.

Escritora selecionou 169 relatos e reconstruiu a trajetória de uma vítima de 14 anos assassinada em 2018. Foto: Antônia Tavares/Arquivo pessoal

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Antônia mantinha um caderno ao lado da cama para registrar imagens, palavras e sensações assim que acordava. Segundo ela, muitos textos surgiam prontos durante os sonhos e foram preservados no livro.

Alguns elementos passaram a se repetir ao longo dos registros. “Essa experiência envolveu uma figura sem forma que aparecia em alguns sonhos e que vez ou outra conversava comigo. Com o tempo, aprendi a permanecer consciente durante parte dos sonhos e isso ajudou muito”, afirmou.

Durante o trabalho técnico no MP-AC, Antônia lidava diariamente com documentos, números e informações sobre as vítimas. Nos cadernos, porém, registrava aquilo que os casos despertavam nela.

“O estudo exigia precisão, já os cadernos acolhiam aquilo que os documentos despertavam em mim. Eu via que as mulheres retratadas nos documentos judiciais apareciam principalmente a partir do crime cometido contra elas, mas a história anterior à morte nem sempre estava presente”, explicou.

Da investigação à escrita

O livro também revisita histórias que marcaram a autora durante a pesquisa. Uma delas é a de uma adolescente de 14 anos assassinada em 2018 pelo companheiro em um seringal às margens do Rio Tarauacá, no interior do Acre.

“Esse foi um dos casos que mais me afetaram. Foi o único em que o acusado foi absolvido. A absolvição não encerrou o caso para mim. Ao contrário, lançou-me em suas regiões mais profundas. Por isso criei um outro final para ela: um final em que ela não morre. Pelo menos, não em mim”, conta.

'Imagens reapareciam nos sonhos': Servidora lança livro inspirado em casos de feminicídio no Acre
Foto: Reprodução/Ministério Público do Acre

Os sonhos reunidos no livro abordam temas como medo, fuga, violência, memória, morte e sobrevivência, mas também trazem imagens de nascimento, transformação e renovação.

Embora os sonhos tenham sido registrados em 2021, a publicação só ocorreu agora. A autora diz que precisou de tempo para compreender o material e encontrar coragem para compartilhá-lo. Ela também afirma que recebeu incentivo de amigos para publicar o manuscrito.

“Cada feminicídio que eu lia e estudava me matava um pouco. Escrever o Caderno Rosa de Sonhos me ressuscitou. Espero que o livro possa incentivar outras mulheres a registrar sonhos, memórias, medos e desejos”, diz.

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Sororidade

Antônia também participou dos estudos que subsidiaram a criação do Feminicidômetro do MP-AC, ferramenta que monitora os casos de feminicídio no estado. Segundo ela, os levantamentos permitiram identificar padrões recorrentes nos crimes e resultaram na publicação do estudo Realidades.

A economista afirma que a experiência profissional e a escrita acabaram se tornando partes de um mesmo processo.

“Escrever não é apenas registrar o mundo: também é uma forma de transformá-lo. O Caderno Rosa não é um livro sobre violência ou gênero, mas sobre a escrita e a experiência de registrar sonhos. O sonho é a matéria-prima da minha escrita”, explica.

Ano mais letal da década

Com 14 mulheres assassinadas em decorrência de seu gênero, 2025 ultrapassou o cenário vivenciado em 2021, quando 13 mulheres foram mortas pelo simples fato de serem mulheres.

O crime de feminicídio foi tipificado em lei federal em março de 2015. A partir disso, os casos começaram a ser contabilizados separadamente de outros tipos de homicídio. A lei considera feminicídio quando o assassinato envolve violência doméstica e familiar, e menosprezo ou discriminação à condição de mulher da vítima. As penas variam de 12 a 30 anos de prisão.

Foto: Reprodução/ Instagram-@bibliotecadaanaju

Os casos registrados no Acre neste ano expõem um padrão que se repete mês a mês: mulheres assassinadas por companheiros ou ex-companheiros, muitas vezes diante de filhos e em situações marcadas por histórico de violência.

“As histórias de vida das mulheres são diferentes, mas as de mortes são as mesmas”, disse a professora Alice Bianchini, doutora em Direito Penal, durante palestra com profissionais da imprensa na sede do Ministério Público do Acre (MP-AC) sobre como cobrir casos de feminicídios e evitar a revitimização.

*Por Walace Gomes, da Rede Amazônica Acre.

Prejuízos a pescadores levam MPF a pedir parada de exploração de petróleo na costa do Amapá

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Foto: Divulgação/Petrobras

O Ministério Público Federal (MPF) acionou o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) para pedir a suspensão imediata da licença de perfuração de petróleo concedida à Petrobras na costa do Amapá. O órgão alega que a movimentação de embarcações da empresa causa prejuízos diários a pescadores artesanais e famílias extrativistas do Pará.

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De acordo com o recurso, as comunidades relatam a destruição constante de redes de pesca provocada por grandes navios de apoio, além do afastamento dos peixes devido ao barulho dos motores e do risco permanente de acidentes no mar.

Medidas exigidas pelo MPF

Para que os trabalhos no bloco exploratório sejam retomados, o MPF exige o cumprimento de três medidas principais:

  • Estudo pesqueiro: mapeamento detalhado da produção e da renda real das famílias locais;
  • Compensação: criação de um plano de indenização financeira para os pescadores artesanais;
  • Consulta pública: realização de consulta prévia, livre e informada às comunidades tradicionais da costa paraense, conforme prevê a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Prejuízos a pescadores levam MPF a pedir parada de exploração de petróleo na costa do Amapá
Foto: Reprodução/Agência Brasil

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O MPF também solicitou que a Justiça amplie formalmente a chamada “área de influência” do projeto. O objetivo é incluir todos os municípios do Pará afetados pelo trânsito da frota de apoio logístico da Petrobras.

O que diz a Petrobras?

Em nota, a Petrobras informou que “cumpre rigorosamente a legislação e as exigências dos órgãos competentes no processo de licenciamento ambiental”.

A estatal afirmou que a atividade no bloco FZA-M-59 está em fase de pesquisa exploratória e que estudos prévios não apontaram impactos socioambientais diretos sobre comunidades locais ou terras indígenas.

Foto: Divulgação/Petrobrás

A empresa argumentou ainda que, embora entenda que a consulta prévia não se aplique a este tipo de licenciamento, realizou mais de 80 reuniões e audiências públicas em 22 municípios do Amapá e Pará.

Sobre as reclamações de ruídos trazidas por comunidades indígenas de Oiapoque devido ao sobrevoo de helicópteros e aviões, a Petrobras afirmou ter ajustado as rotas e aumentado a altitude das aeronaves em parceria com o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DCEA), o que teria reduzido significativamente o barulho relatado.

*Por Isadora Pereira e Welliton Lopes, da Rede Amazônica

Manaus bate novo recorde de temperatura e fumaça encobre a cidade pela 6ª vez em 15 dias

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Segundo o Inmet, o calor ocorre pela estiagem, clima equatorial, redução de áreas verdes urbanas e menor umidade do solo, que converte radiação solar em calor. Foto: Aguilar Abecassis/Cedida

Manaus (AM) passou dos 38°C pela primeira vez em 2026, na terça-feira (22). Os termômetros marcaram 38,6°C às 15h, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A temperatura também representa um novo recorde de calor do ano na capital amazonense. A marca supera em 1°C os 37,6°C registrados em 1º de setembro, até então a maior temperatura de 2026.

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Antes disso, Manaus havia registrado 37,3°C no dia 31 de agosto e 37,1°C em 25 de agosto.

Dias mais quentes de 2026 em Manaus (AM)
22 de setembro38,6°C
1º de setembro37,6°C
31 de agosto37,3°C
25 de agosto37,1°C
26 de agosto 36,9°C
11 de agosto36,3°C
10 de agosto36,2°C

Por que está tão quente em Manaus?

O calor intenso ocorre durante o período de estiagem no Amazonas, quando há menor frequência de chuvas e maior incidência de radiação solar.

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Segundo a explicação apresentada pelo Inmet para os períodos de calor intenso em Manaus, a localização da cidade, sob clima equatorial, já favorece temperaturas elevadas e alta incidência de radiação solar.

A transformação do espaço urbano também contribui para a retenção de calor. A redução de áreas verdes, a impermeabilização do solo e a concentração de superfícies como asfalto e concreto dificultam o resfriamento natural da cidade.

Durante o período de estiagem, a menor umidade do solo e da vegetação também altera a forma como a energia solar é utilizada. Com menos água disponível para a evaporação, uma parcela maior dessa energia é convertida em calor, elevando a temperatura próxima à superfície.

Manaus encoberta por fumaça

Além do calor, já nesta quarta-feira (23), por volta das 5h15, o bairro Distrito Industrial I, na Zona Sul, registrou 587,9 µg/m³ de concentração de partículas no ar. Esse valor é mais de três vezes superior aos 160 µg/m³, referência máxima da escala utilizada pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva) para a classificação da qualidade do ar.

Saiba mais: Saiba como monitorar a qualidade do ar na Amazônia em plataformas online

fumaça manaus 2026 foto aguilar abecassis
Foto: Aguilar Abecassis/Cedida

Os dados são do Selva, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Este é o sexto episódio de fumaça e altos índices de poluição registrado na capital amazonense em 15 dias.

Segundo a Prefeitura de Manaus, a fumaça é proveniente de áreas de queimadas em diversas regiões da Amazônia, principalmente nos municípios da Região Metropolitana de Manaus e do leste do Amazonas.

A qualidade do ar é considerada boa quando a concentração de partículas fica entre 0 e 25 µg/m³. A classificação chega a péssima acima de 125 µg/m³, com referência máxima de 160 µg/m³ na escala do Selva.

Qualidade do ar na Região Metropolitana

Manaus bate novo recorde de temperatura e fumaça encobre a cidade pela 6ª vez em 15 dias
Imagem: Reprodução/Selva

Além da capital, cidades da Região Metropolitana de Manaus também registravam níveis elevados de poluição na manhã desta quarta-feira (23). Em sete dos 13 municípios monitorados, os índices estavam acima de 125 µg/m³, faixa considerada péssima pelo Selva. Em Autazes, a concentração chegou a 576,6 µg/m³.

Os municípios com índices acima de 125 µg/m³ eram Manacapuru, Manaquiri, Careiro, Rio Preto da Eva, Iranduba, Autazes e Itacoatiara. Já em Borba, Silves e Careiro da Várzea, os índices variavam entre 77,4 e 109,8 µg/m³, considerados muito ruins.

Orientação de saúde

A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) orientou a população a reduzir a exposição à fumaça, especialmente crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas.

Nos períodos de pior qualidade do ar, devem ser evitados exercícios ao ar livre, principalmente caminhada, corrida e ciclismo. A população deve manter-se hidratada e proteger olhos e nariz. Quando a exposição for inevitável, máscaras adequadas, como a N95, podem ajudar a reduzir a inalação de partículas.

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Tosse, irritação ou dor de garganta, ardência e lacrimejamento dos olhos, coriza, dor de cabeça, chiado no peito, falta de ar e piora de crises de asma são sinais de alerta.

Em casos leves, a orientação é procurar uma unidade básica de saúde. Para sintomas mais graves, deve-se buscar um serviço de pronto atendimento e, em emergências, acionar o Samu pelo 192.

*Com informações de Patrick Marques, Marcela Orquiz e Sabrina Rocha, da Rede Amazônica AM

Brigadas Ecológicas mobilizam indígenas Warao refugiados em Manaus

Moradores, lideranças, voluntários e equipes do Hermanitos e ACNUR participam das ações de cuidado ambiental, educação e melhoria dos espaços comunitários. Foto: Divulgação/Instituto Hermanitos

Mais de 80 indígenas do povo Warao, refugiados da Venezuela, já foram mobilizados pelas Brigadas Ecológicas do Centro de Sustentabilidade do Amazonas, realizadas em diferentes comunidades de Manaus. As atividades reúnem moradores, lideranças e voluntários em ações de cuidado ambiental, educação e melhoria dos espaços comunitários, fortalecendo a participação da população refugiada e migrante na construção de soluções para desafios presentes no cotidiano urbano.

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A primeira ação foi promovida no bairro Tarumã-Açu, onde vivem 14 famílias indígenas Warao, um total de 51 pessoas. Com o apoio de voluntários, os moradores participaram de um mutirão que envolveu limpeza da área externa, coleta de resíduos sólidos, capinação, instalação de uma lixeira comunitária, atividades de educação ambiental com crianças e jovens e um sopão comunitário.

Simplicio Antonio Nunes, liderança Warao que vive em Manaus há 11 anos, destacou a importância das brigadas ecológicas para a saúde e o bem-estar das famílias. “Estamos aqui arrumando agora a nossa casa para que não fiquemos doentes com carapanã e todo caso de enfermidade, como a diarreia e a febre. Agradeço primeiro a Deus e agradeço à instituição Hermanitos, que está ajudando todos nós”, disse.

Brigadas Ecológicas mobilizam indígenas Warao refugiados em Manaus
Brigadas Ecológicas estimulam o protagonismo das comunidades indígenas Warao na identificação de problemas e na construção coletiva de alternativas. Foto: Divulgação/Instituto Hermanitos

“Todo o trabalho parte da escuta comunitária, da construção conjunta de soluções e do empoderamento das pessoas para que sejam protagonistas das transformações em seus territórios. A gestão de resíduos sólidos, tema desta atividade, contribui diretamente para a saúde e o bem-estar das comunidades, além de ajudar a reduzir riscos e aumentar a resiliência face a eventos climáticos extremos”, explicou Juliana Serra, chefe do escritório do ACNUR em Manaus

De acordo com Anderson Mattos, coordenador de projetos e cofundador do Instituto Hermanitos, a atuação do Centro de Sustentabilidade Amazonas parte das demandas apresentadas pelos próprios moradores.

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Brigadas Ecológicas mobilizam indígenas Warao refugiados em Manaus. Foto: Divulgação/Instituto Hermanitos

“A gente sabe que o lixo pode ocasionar doenças e, por meio do Centro de Sustentabilidade, estamos construindo soluções para a comunidade. Então, realizamos um mutirão de limpeza na entrada do Casarão. Também promovemos uma atividade de educação ambiental e um sopão com as mulheres, nessa proposta de resgatar e valorizar a cultura e a tradição por meio da gastronomia e da alimentação. Acreditamos que esse é o caminho para construirmos soluções, colocando a sociedade civil e essa população refugiada, migrante e indígena no centro, valorizando os saberes deles e para que todos possam ter uma vida com dignidade”, afirmou.

A segunda mobilização ocorreu no bairro Cidade de Deus, também em Manaus, reunindo mais de 30 indígenas Warao. No local, também foram realizadas as mesmas atividades de limpeza e educação ambiental. O encontro ainda promoveu troca de saberes, mobilização e fortalecimento dos vínculos comunitários.

A realização das atividades em diferentes territórios amplia a proposta das Brigadas Ecológicas de estimular o protagonismo das comunidades indígenas Warao na identificação de problemas e na construção coletiva de alternativas. Entre os temas trabalhados estão a gestão adequada dos resíduos, o acesso à água, a prevenção de doenças e o fortalecimento da resiliência diante dos impactos das mudanças climáticas.

Próxima ação

A programação das Brigadas Ecológicas terá continuidade ainda neste mês de setembro, com uma nova atividade prevista para acontecer em Manaus. As ações são promovidas pelo Centro de Sustentabilidade Amazonas, iniciativa da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e coordenada pelo Instituto Hermanitos.

Contam com apoio do Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia, das Nações Unidas, Governo do Brasil e Consórcio Amazônia Legal, com financiamento do Governo do Canadá. A chinesa LONGi Green Energy Technology também é apoiadora.

Brigadas Ecológicas mobilizam indígenas Warao refugiados em Manaus. Foto: Divulgação

Sobre o Centro de Sustentabilidade Amazonas

O Centro de Sustentabilidade Amazonas desenvolve ações voltadas à sustentabilidade, adaptação cultural, fortalecimento comunitário e inclusão socioeconômica de refugiados e migrantes em Manaus, com atenção especial às populações indígenas urbanas.

*Com informações da ACNUR Brasil

‘Entrevistas’ debate preservação ambiental no entorno do trecho do meio da BR-319

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Foto: Reprodução/Amazon Sat

A proteção de áreas ambientais no entorno do chamado ‘trecho do meio‘ da BR-319 foi o tema do programa Entrevistas, exibido pelo canal Amazon Sat, uma iniciativa do Grupo Rede Amazônica voltada aos temas discutidos em Brasília que impactam diretamente a Amazônia.

O episódio recebe o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, que aborda sobre o tema, considerado um dos principais desafios impostos pela pavimentação no trecho da rodovia que liga o Amazonas à Rondônia e o restante do Brasil.

Apresentado pelo jornalista Wellinton Lopes, o programa discute quais as medidas ambientais adotadas no entorno da BR-319, especialmente no trecho que compreende 405 quilômetros de extensão, para possibilitar a pavimentação da via, a única terrestre que liga o Amazonas à Rondônia o restante do Brasil.

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Entorno do trecho do meio da BR-319 tem sido alvo de desmatamento por conta dos trabalhos de pavimentação na área. Foto: Reprodução/DNIT

Na ocasião, João Paulo citou as ações desenvolvidas na área de influência da rodovia para fortalecer a segurança ambiental na região. Uma das medidas foi a criação de quatro Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) na área da BR-319, no Sul do Amazonas, totalizando cerca de 669 mil hectares. As RDS criadas são: Tupana Igapó-Açu I (Borba-AM), Tupana Igapó II (Beruri e Tapauá, no AM), Canaã (Careiro e Autazes, no AM) e Mirari (Humaitá-AM).

As reservas protegem a biodiversidade e os modos de vida agroextrativistas das populações locais, em categoria de unidade de conservação que admite o uso sustentável dos recursos pelos moradores.

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“O objetivo é garantir que o entorno da rodovia mantenha as condições naturais que se encontra, recuperar algumas áreas degradadas no sentido de garantir integridade ambiental, de forma também a permitir o uso sustentável. As RDS preveem o uso de recursos, mas garante uma gestão que condiciona esse uso à proteção da floresta. Com essas quatro novas unidades, somando terras indígenas e unidades de conservação do estado, chegamos a 68% do entorno da BR-319 com algum status de proteção”, afirmou o ministro.

João Paulo Capobianco falou sobre as medidas ambientais para proteção ambiental no entorno da BR-319
Ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, abordou sobre a preservação ambiental no entorno do trecho do meio da BR-319. Foto: Reprodução/Amazon Sat

Combate ao desmatamento em torno da BR-319

Ao longo da entrevista, João Paulo Capobianco também afirmou que as ações que vêm sendo feitas no entorno do trecho do meio da BR-319 visam diminuir o desmatamento na região, que tem sido alvo de invasões ilegais após o anúncio de pavimentação na rodovia.

“Quando nós assumimos em 2023, aquela região era uma com maior aumento de desmatamento, um crescimento exponencial desde quando foi anunciado o asfaltamento em 2019. Houve uma corrida para a região e isso sempre acontece quando você anuncia uma obra de infraestrutura na BR-319 sem tomar as medidas adequadas. Isso levou o Governo Federal a elaborar uma ação coordenada envolvendo o Ibama, o ICMBio, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Força Nacional e o governo estadual no sentido de regularizar esse aumento exponencial do desmatamento”, explicou o ministro.

Ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima
Ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco. Foto: Reprodução/Amazon Sat

Já em relação aos municípios, o secretário nacional frisou o programa União com Municípios pela Redução de Desmatamento e Incêndios Florestais, coordenado pelo Fundo Amazônia, que Apoiar a implementação do Programa União com Municípios pela Redução de Desmatamento e Incêndios Florestais, que promove a regularização fundiária, ambiental e assistência técnica e extensão rural em municípios prioritários para ações de prevenção, controle e redução do desmatamento e da degradação florestal no Bioma Amazônia.

“Com isso, nós criamos um ambiente muito positivo porque o município participa deste processo, recebe recursos, equipamentos, treinamentos e com isso ele também organiza melhor a atividade produtiva, que na realidade interessa a todos. O município quer ter economia, gerar emprego e renda, mas ele também quer que seja feita de forma legal, impedindo que haja desmatamento ilegal e as consequências disso. É um programa muito bem sucedido e que está ajustando as operações em campo de forma positiva”, frisou.

Além da BR-319 e do combate ao desmatamento, o ministro do Meio Ambiente e de Mudança do Clima também abordou sobre o cenário do El Niño para 2026, a regularização fundiária e outros temas que envolvem a Amazônia. A entrevista completa você confere aqui:

Entrevistas

O programa Entrevistas, do Amazon Sat, nasce com a proposta de aproximar os amazônidas das decisões tomadas em Brasília que impactam diretamente a região. Produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal, o programa aborda temas ligados à política, justiça, economia e meio ambiente, ouvindo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e formadores de opinião.

Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, que há mais de duas décadas acompanha pautas da Amazônia em Brasília, o programa pretende aprofundar debates e revelar os bastidores das decisões que influenciam a vida de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica. A atração também busca transformar assuntos técnicos e complexos em informações acessíveis ao público.

‘Entrevistas’ tem sempre um episódio inédito às terças-feiras, às 19h30, e conta com reexibições: quartas, às 9h; quintas, às 13h30; sextas, às 17h30; sábados, às 9h30; domingos, às 15h45; e segundas, às 19h30. Todos os horários seguem o fuso de Manaus/AM (GMT-4).