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Desmatamento na Amazônia ajuda a provocar casos de oropouche em outras regiões

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Foto: Divulgação/Fiocruz

Dois estudos recentes, ambos com colaboração de pesquisadores da Fiocruz, revelam como o vírus oropouche, historicamente associado à Amazônia, chegou ao Sudeste do Brasil. Os artigos detalham a introdução do arbovírus no Espírito Santo e no Rio de Janeiro desde o início de 2024. Fatores como desmatamento e mudanças climáticas são apontados como propulsores da circulação do patógeno, que, segundo análises genômicas, originou novas sublinhagens fora da Amazônia.

Transmitido principalmente pelo maruim (Culicoides paraensis), o oropouche provoca sintomas semelhantes aos da dengue e da chikungunya, como febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares e nas articulações.

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“A nova linhagem do oropouche chegou ao Sudeste no início de 2024 e, em dois meses, já havia muitos casos. O vírus encontrou um nicho ecológico favorável e se espalhou rapidamente, criando ainda outras sublinhagens”, explica o chefe do Laboratório de Arbovírus e Hemorrágicos do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e coautor dos dois estudos, Felipe Naveca.

As investigações contaram com a participação de profissionais da Fiocruz Amazônia, do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) e de outras instituições de pesquisa.

Dispersão acelerada no Espírito Santo

No Espírito Santo, o artigo ‘Emergência do Vírus Oropouche no Estado do Espírito Santo, Brasil, 2024’, publicado na revista Emerging Infectious Diseases, analisou 339 casos confirmados de oropouche notificados entre março e junho de 2024. Os pesquisadores se basearam em dados de vigilância epidemiológica coletados pelo Ministério da Saúde, por meio dos sistemas e-SUS Notifica e Gerenciador de Ambiente Laboratorial (GAL).

Distribuídas em 17 municípios capixabas, a maioria das ocorrências foi observada em regiões de cultivo de café, cacau, pimenta e coco. Esses ambientes, segundo Naveca, são ideais para a proliferação do maruim.

“Essa associação com culturas como banana e cacau faz sentido, porque são locais com muita matéria orgânica em decomposição e umidade — condições favoráveis à proliferação do maruim”, comenta.

A análise genômica revelou que os casos capixabas estão ligados à linhagem conhecida como OROVBR-2015–2024, originado na Amazônia, que foi descrita no artigo Surtos humanos de um novo vírus Oropouche recombinante na região amazônica brasileira, coordenado por Naveca. Os dados mostram que essa versão do vírus é resultado de um rearranjo genético, ou seja, ela herdou parte do material genético de outros vírus que circularam recentemente na Amazônia, formando uma nova combinação de segmentos genômicos.

As novas pesquisas também identificaram múltiplas introduções independentes do vírus no Espírito Santo, vindas de diferentes regiões da Amazônia, o que reforça o potencial de expansão da arbovirose para outras áreas do Sudeste. Outro aspecto que chamou a atenção dos cientistas foi a velocidade de transmissão. Em cerca de onze semanas, o oropouche atingiu um número de casos semelhante ao de arboviroses já estabelecidas no estado, como dengue e chikungunya.

O artigo estima que cada pessoa infectada pode transmitir o vírus pelo vetor para outros três indivíduos, em média. “A transmissibilidade estimada, é semelhante às dinâmicas observadas em arbovírus urbanos e silvestres que circulam em populações que tiveram pouco ou nenhum contato com o vírus”, observa.

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Na prática, esses dados indicam que o oropouche encontrou no Espírito Santo um ambiente com grande quantidade de pessoas vulneráveis, o que favoreceu a rápida disseminação. Para os pesquisadores, a alta taxa de transmissão, somada à falta de imunidade coletiva, representa um sinal de alerta para o risco de novos surtos em outras regiões que ainda não enfrentaram a circulação do vírus.

O estudo ainda destaca que o perfil dos infectados foi majoritariamente de homens adultos, especialmente aqueles com mais de 20 anos. Esse perfil, segundo Naveca, é compatível com a rotina de trabalhadores das propriedades rurais, que estão mais expostos ao vetor. “A predominância masculina pode refletir a exposição ocupacional em atividades agrícolas rurais, aumentando o contato com o vetor”, comenta.

‘Intercâmbio viral’ entre Rio e Espírito Santo

No estado do Rio de Janeiro, o estudo Transmissão sustentada do vírus Oropouche na Mata Atlântica do Rio de Janeiro: evidências genômicas ao longo de um período de dois anos, disponível em formato de preprint na plataforma medRxiv, analisou a disseminação do oropouche no estado a partir de dados de vigilância epidemiológica. Os pesquisadores utilizaram informações do Painel Epidemiológico do Ministério da Saúde, que registrou mais de 1,5 mil casos confirmados entre janeiro de 2024 e maio de 2025.

Ainda em andamento, a pesquisa já foi capaz de indicar que o epicentro da transmissão foi o município de Piraí, no Sul Fluminense. De lá, o vírus se espalhou para a Região Metropolitana e o Norte Fluminense, atingindo principalmente municípios pequenos localizados em áreas de Mata Atlântica.

As análises genômicas identificaram uma sublinhagem chamada OROVRJ/ES, presente tanto no Rio de Janeiro quanto no Espírito Santo. A descoberta reforça o cenário de intercâmbio viral entre os dois estados, indicando que o vírus não apenas chegou ao Sudeste, mas também passou a circular de forma local nas duas regiões.

“A linhagem OROVBR-2015–2024 saiu da Amazônia e se espalhou por diferentes regiões do Brasil, estabelecendo surtos fora das áreas tradicionais. No Espírito Santo e no Rio de Janeiro, observamos sublinhagens específicas que mostram como o vírus se adaptou e circulou localmente”, destaca Naveca.

Além de mapear as rotas de disseminação, o estudo calculou a velocidade média de propagação do vírus no Estado do Rio. Segundo os pesquisadores, a sublinagem OROVRJ/ES se espalhou a uma taxa média de 0,3 km por dia, com picos de até 0,5 km/dia no início de 2024, caindo para cerca de 0,1 km/dia ao longo de 2025.

A maioria dos deslocamentos ocorreu em distâncias muito curtas, considerando o trajeto entre os locais de transmissão identificados nas análises genômicas. O texto explica que metade dos eventos de dispersão do vírus aconteceu em menos de 2 km, enquanto outros 30% ocorreram entre 2 e 10 quilômetros. Na prática, esse padrão de dispersão ajuda a explicar por que os casos se concentraram em pequenos municípios no entorno da Mata Atlântica, onde a proximidade entre comunidades e áreas de vegetação preservada favoreceu a transmissão local do vírus.

Mudanças climáticas e importância da vigilância genômica

Naveca reforça que fatores como mudanças climáticas e degradação ambiental estão diretamente ligados à expansão do oropouche para áreas fora da Amazônia. “Desmatamento e alterações no regime de chuvas intensificaram a abundância de vetores na Amazônia e criaram zonas de dispersão, como o sul do Amazonas, Acre e norte de Rondônia — que se tornaram áreas com alta concentração de casos e intensa transmissão viral”, explica Naveca.

Segundo o pesquisador, embora o Espírito Santo tenha registrado queda nos casos recentemente, é possível que, no futuro, o vírus se torne recorrente em estados como ES, RJ e MG. Isso porque o oropouche pode circular silenciosamente em animais e voltar a infectar humanos quando houver vetores suficientes.

Leia também: Professor da UFMA explica o que é e os principais cuidados contra a febre do oropouche

“Nós temos uma população sem imunidade prévia. Se houver condições ecológicas favoráveis e vetores abundantes, o vírus pode se estabelecer de forma permanente fora da Amazônia”, alerta. Os resultados reforçam a importância da vigilância genômica no monitoramento de arboviroses emergentes.

Segundo o pesquisador, a inclusão do oropouche nos protocolos de diagnóstico foi fundamental para a identificação dos casos no Sudeste. “Se não houvesse teste específico para oropouche, esses casos passariam como suspeitos de infecção por dengue”, salienta o especialista.

Além do IOC, participaram do estudo no Espírito Santo pesquisadores da Fiocruz Amazônia (ILMD/Fiocruz), da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e da Secretaria da Saúde do Espírito Santo. Para a pesquisa no Rio de Janeiro, profissionais da Universidade Federal Fluminense (UFF), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) atuaram ao lado do IOC/Fiocruz.

*Com informações da Fiocruz

Belém possui 389 áreas com riscos de inundação e erosão, aponta relatório

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Além dos riscos, pesquisadores também apontaram soluções. Foto: Júlia Marques

A cidade de Belém (PA) possui 301 setores de risco de inundação e 88 áreas com risco de erosão na região das ilhas do Combu, Cotijuba, Mosqueiro e Outeiro. Esses são alguns dos resultados que serão apresentados durante o III Encontro sobre o Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR) de Belém, coordenado pela Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra).

Após 15 meses de trabalho, os resultados finais do plano foram apresentados em audiência pública, neste mês. Foram convidadas lideranças comunitárias que participaram das etapas do plano, além de instituições como a Defesa Civil e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma). 

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Plano mapeou 37 bairros de Belém e apresenta resultados finais. Foto: Bruno Chaves/Ascom Ufra

O PMRR de Belém integra os 20 PMRRs que estão sendo desenvolvidos em todo o Brasil, com coordenação geral do Ministério das Cidades, Secretaria Nacional de Periferias, Departamento de Mitigação e Prevenção de Riscos em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz, Defesa Civil e universidades de todo o Brasil.

Em Belém o projeto é coordenado pela Ufra, a partir da professora Milena Andrade e uma equipe interdisciplinar de nove pessoas que compõem o Grupo de Pesquisa e Extensão em Desastres e Geotecnologia na Amazônia (Geodesastres). 

“Além de Belém, também esta sendo feito um PMRR em Manaus, são os primeiros da região Norte. Esse é mais um instrumento que auxilia no planejamento e no ordenamento territorial e traz apontamentos concretos sobre quais são as áreas prioritárias, devido o grau de risco que elas apresentam. É um plano que pode ajudar a criar uma cultura de prevenção e uma cidade melhor para todos. Mesmo antes das mudanças climáticas isso já era urgente, pois historicamente Belém tem problemas com inundação e erosão costeira. É um instrumento que a prefeitura pode usar não só pra planejar, mas para efetivamente agir e tentar reduzir o risco nessas áreas”, explica a professora Milena Andrade. 

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Professora Milena Andrade coordena o PMRR Belém. Foto: Vanessa Monteiro/Ascom Ufra

Durante a audiência serão apresentados os números de setores de riscos mapeados; número de ameaças e vulnerabilidades indicados pela população durante o mapeamento participativo; Indicativos de propostas de intervenção estrutural de engenharia e as respectivas precificações; além de indicação de medidas não estruturais, voltadas à prevenção e educação para redução de riscos.

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Além do mapeamento, também foram produzidas cartilhas, folders e até um glossário como produtos do PMRR Belém. Foto: Vanessa Monteiro/Ascom Ufra

No local, o público também terá acesso a folders, cartilhas e um glossário voltados à prevenção de riscos, que podem ser utilizados como material educativo em escolas. 

Mapeamento 

Em Belém foram mapeadas duas ameaças principais, que foram as ameaças de inundação e erosão costeira. 

“São processos distintos, já que a inundação está relacionada ao transbordamento dos rios e a erosão costeira está relacionada à áreas específicas das ilhas onde você encontra habitações que estão perto de áreas que podem colapsar”, explica a coordenadora. 

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Mapeamento ocorreu de forma participativa com a comunidade. Foto: Bruno Chaves/Ascom Ufra

As áreas mapeadas pelo PMRR foram classificadas em graus de risco médio, alto e muito alto risco. Dos 37 bairros mapeados na cidade, cinco são considerados prioritários para ações de intervenção de obras do setor público: Tapanã; Curió-utinga; Paracuri; Terra firme e São João do Outeiro (bairro da ilha de Outeiro).

“Nós colocamos esses bairros como prioritários diante do número de setores de riscos que eles apresentaram, considerados muito alto e alto, o grau de complexidade das obras que precisam ser realizadas, o custo da intervenção por edificação, número de edificações e o custo total”, explica a coordenadora do plano, professora Milene Andrade. 

“Quando falamos de riscos, nessa área geohidrológica, existem dois fatores: um evento com potencial de causar danos e edificações de baixo padrão construtivo localizadas onde esse evento pode causar danos. Isso está vinculado à questão de ordenamento territorial, da forma como a cidade foi constituída. Nós temos 14 bacias hidrográficas, a maioria delas foi aterrada, são áreas baixas, de 0 a 4 metros de altitude. E a infraestrutura em algumas dessas áreas é mais precária, são áreas de vulnerabilidade socioeconômica”, explica a professora. 

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E as costumeiras chuvas da região, especialmente no chamado “inverno amazônico”, são um fator que precisa ser considerado em um plano de riscos. “Na cidade, há muita precipitação, ou seja, chove bastante e há marés altas no primeiro trimestre. A tendência da água é escorrer para o seu rio principal, mas se essa área está aterrada ou impermeabilizada então a possibilidade de ocorrer inundação é muito alta se não forem tomadas medidas preventivas. Essa combinação de fatores é que leva a que as áreas de risco sejam constituídas”, explica Milena Andrade.  

Sugestões

Pelo menos 31 dos bairros mapeados receberam proposições de medidas estruturais que podem ser feitas de forma preventiva, para evitar que os desastres ocorram.

“Os seis bairros que não foram contemplados apresentam apenas setores de risco médio. Os setores de risco alto e muito alto foram os primeiros critérios para indicar as medidas estruturais”, destaca a coordenadora.

As sugestões são apontamentos que vão desde de micro e macro drenagem, até limpeza, canalização, dragagem e recomposição vegetal. O plano também indica uma sugestão sobre a precificação do custo dessas obras, com base com base no Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (SINAPI), da Caixa Econômica Federal. 

Segundo a professora, além da construção de novas infra estruturas, é importante manter o que já existe e que impede as inundações. “É o tipo de intervenção que a gente propõe, a manutenção de estruturas que já existem, como a macrodrenagem. O processo de limpeza periódica dessas estruturas precisa estar na agenda do município, porque elas foram criadas para essa finalidade”, diz.  

O documento será encaminhado para a Defesa Civil do município, para servir como mais um instrumento para prevenção de riscos e captação de recursos para obras. 

*Com informações da UFRA

Fachada do Bumbódromo de Parintins ganha mais cores e vida há quatro anos; conheça as pinturas

Foto: Eduardo Melo/Liceu Parintins

Inaugurado em 1988, o Centro Cultural de Parintins, no município amazonense, mais conhecido como Bumbódromo, tem sido o espaço de grandes apresentações dos bois-bumbás Caprichoso e Garantido. E com toda arte que envolve o festival folclórico mundialmente conhecido, a arena da disputa dos bumbás também ganhou mais cores e vida.

Isso porque, desde 2022, uma gigantesca pintura marca a fachada, tornando o local ainda mais importante para a cultura local.

2022: ‘Vitória da Cultura Popular’

Fachada do Bumbódromo de Parintins
Foto: Divulgação/SEC AM

Apenas duas pinturas já fizeram parte da ação de incentivo aos artistas. A primeira foi na revitalização realizada pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, e recebeu a assinatura da dupla de artistas parintinenses Curumiz (Alziney Pereira e Emerson Freitas).

Os preparativos eram para o 55º Festival e transformaram os quase 30 metros de altura em uma obra de arte a céu aberto.

Unindo os bumbás à natureza, a obra intitulada ‘Vitória da Cultura Popular’ precisou de 138 litros de tinta líquida e em spray, 12 rolos e pincéis e diversos andaimes. À época, os Alziney comentou que a ação era um ato de “orgulho cultural inexplicável”.

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O trabalho envolveu a participação de cerca de 90 profissionais. A obra foi finalizada às vésperas da edição de 2022 do festival e permaneceu como parte do cenário artístico do Bumbódromo.

2023: Arte em nova fachada do bumbódromo

Em junho de 2023, a arena dos bois recebeu uma nova obra no contexto de reforma completa, que envolveu teto, arquibancadas, geradores e mais investimentos de R$ 3,2 milhões do Governo do Amazonas. A fachada principal continuou com a arte feito pelos Curumiz, mas o artista Pito Silva produziu o mural ‘Brasil, futuro ancestral’, localizado na entrada pela Avenida Paraíba.

Com 97 metros de extensão, o mural retratou a ancestralidade dos povos indígenas, figuras como um curumim e uma cunhatã da etnia Sateré‑Mawé, além de um indígena idoso no centro. A obra visou preservar a memória cultural e ficou exposta durante o 56º Festival de Parintins.

Governador Wilson Lima em foto com equipe que participou da pintura “Brasil, futuro Ancestral”. Foto: Alex Pazuello/ Secom

2024: ‘Patrimônio em Festa’

Com o sucesso da ação, o Governo do Estado abriu um espaço ainda maior para a arte popular e a valorização dos artistas parintinenses com o lançamento do edital inédito do ‘Mural Bumbódromo 2024’, durante o 57º Festival Folclórico de Parintins.

Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Segundo o regulamento, os artistas participantes deveriam ser nascidos em Parintins e o trabalho selecionado seria usado como referência para criação da marca oficial do festival folclórico naquele ano.

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O artista parintinense Pito Silva foi o selecionado e sua criação, ‘Patrimônio em Festa’, escolhida para estampar a fachada em 2024/2025. A arte foi escolhida entre 11 propostas inscritas no edital lançado pelo Governo do estado.

Governador Wilson Lima cumprimentou Pito Silva durante anúncio no Teatro Amazonas, em Manaus, da arte da fachada escolhida para o Bumbódromo em 2024. Foto: Alex Pazuello/Secom AM

A produção, realizada com recursos do Governo do Amazonas, por meio de edital da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, foi selecionada com base em critérios como criatividade, originalidade e capacidade de representar os elementos do festival, consolidando o mural como símbolo visual da festa que atrai visitantes do Brasil e do exterior, como explicou o governador na época do anúncio.

Após o fim do 58º Festival de Parintins a expectativa é para o lançamento de um novo edital.

Galeria a céu aberto

Mais de 2 mil metros de muros espalhados pela cidade já foram coloridos por artistas de Parintins, para o projeto também da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa batizado como ‘Parintins – Galeria Cidade Aberta’. A ação visa abranger artistas visuais que não estão na cadeia produtiva dos bois.

Fachada do Bumdódromo antes do primeira arte, em 2019. Foto: Reprodução/Arquivo Secom AM

Parintins para o mundo ver

O projeto ‘Parintins para o mundo ver’ é realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), correalizado pela Rede Amazônica e Amazon Sat, com o apoio de Amazônica Net, Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC-AM) e Governo do Amazonas.

*Por Hector Muniz, do Portal Amazônia

Pesquisa no Pará utiliza mandioca e caroço de açaí na produção de embalagens sustentáveis

Foto: Divulgação

Pela primeira vez realizada na Amazônia, a COP 30 – conferência que reunirá países signatários da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC) – encontrará em Belém um cenário promissor na busca por soluções sustentáveis. Uma dessas iniciativas é o Projeto ‘Bioembalagens da Amazônia‘, desenvolvido pelo Laboratório de Biossoluções e Bioplásticos da Amazônia (Laba), da Universidade Federal do Pará (UFPA), com apoio do Governo do Estado, por meio da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) e Universidade do Estado do Pará (Uepa).

A partir de dois elementos essenciais na gastronomia paraense – a mandioca e o açaí -, pesquisadores trabalham para reduzir o impacto ambiental causado por resíduos plásticos, que degradam principalmente os oceanos, utilizando os recursos naturais da região.

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O Projeto, que também conta com o apoio do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), e intervenção da Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (Fadesp), visa substituir embalagens derivadas de petróleo por alternativas biodegradáveis, produzidas a partir de amido de mandioca e resíduo do caroço de açaí — matérias-primas abundantes no Pará.

Bioeconomia

“O objetivo é criar protótipos de embalagens sustentáveis, alinhados a políticas públicas de inovação tecnológica e sustentabilidade, reduzindo o descarte inadequado de plásticos convencionais. Além disso, valorizamos recursos naturais locais e fortalecemos a bioeconomia regional”, explica o coordenador da pesquisa, professor José de Arimateia Rodrigues.

Foto: Divulgação

O açaí foi escolhido como base devido à sua relevância socioeconômica — o Pará é o maior produtor nacional do fruto, que integra o cardápio diário da maioria da população. Já a mandioca, além de expressiva na agricultura local e também obrigatória na alimentação (principalmente na forma de farinha), é amplamente estudada como matéria-prima para bioplásticos.

O desenvolvimento das embalagens envolve análises físico-químicas, produção de filmes biodegradáveis, testes tecnológicos e criação de protótipos para aplicação industrial.

A pesquisa realizada no Pará busca solução para um problema global. Conforme o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), os plásticos representam 85% dos resíduos encontrados nos oceanos. Até 2040, esse volume pode chegar a 37 milhões de toneladas por ano. No Brasil, mais de 3 milhões de toneladas de plástico têm potencial para poluir o meio ambiente anualmente, e a foz dos rios amazônicos é uma das áreas mais críticas.

Estudos da UFPA apontam que 98% dos peixes analisados na Amazônia possuem partículas plásticas em seus organismos. “Esse projeto contribui diretamente para enfrentar essa realidade, promovendo o uso sustentável de resíduos agroindustriais e fortalecendo cadeias produtivas locais”, destaca José de Arimateia Rodrigues.

Leia também: Portal Amazônia responde: qual a diferença entre economia verde e bioeconomia?

Conhecimento científico

O projeto também está integrado aos marcos estratégicos do Governo do Pará voltados ao desenvolvimento sustentável, como a Política Estadual sobre Mudanças Climáticas (PEMC), o Plano Estadual Amazônia Agora (PEAA) e a Estratégia Estadual de Bioeconomia (PlanBio). Além disso, atende a diversos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU, como o ODS 12 (Consumo e produção responsáveis), ODS 13 (Ação contra a mudança global do clima), ODS 14 (Vida na água) e ODS 15 (Vida terrestre).

Foto: Divulgação

“O conhecimento científico pode ser a base para políticas públicas mais sustentáveis e para um futuro climático mais seguro. Nosso projeto mostra que a Amazônia é também um centro de inovação e soluções sustentáveis, contribuindo diretamente para os debates que antecedem a COP 30”, afirma o coordenador.

Além de contribuir para a preservação ambiental e inovação científica, a iniciativa tem um papel importante na formação de profissionais qualificados. Já participaram do projeto 13 estudantes de graduação, três de mestrado, dois de doutorado e três de pós-doutorado, consolidando o “Bioembalagens da Amazônia” como um polo de excelência acadêmica e científica na região.

*Com informações da Agência Pará

Projeto da Aldeia Sagrada Yawanawa é destaque na Bienal de Arquitetura, em Veneza

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Pavilhão do Brasil na Bienal de Arquitetura valoriza o saber ancestral. Foto: Divulgação

Um conjunto arquitetônico que celebra os saberes tradicionais e a sustentabilidade da floresta amazônica está entre os destaques da 19ª Exposição Internacional de Arquitetura, a Biennale Architettura, em Veneza (Itália). O projeto foi desenvolvido na Aldeia Sagrada Yawanawá, no Alto Rio Gregório, fruto da parceria entre o cacique Biraci Yawanawá e o escritório Rosenbaum Arquitetura.

As construções, o Centro Cerimonial (Shuhu), a Casa Modelo e a Universidade dos Saberes Ancestrais, foram selecionadas para a mostra, que é realizada entre 10 de maio e 23 de novembro, por representarem uma arquitetura situada, colaborativa e atenta à emergência climática.

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A curadoria da Bienal, conduzida por Carlo Ratti, traz o tema “Intelligens. Natural. Artificial. Collective”, destacando práticas arquitetônicas que unem tecnologia, natureza e coletividade.

Construídas com madeira nativa e técnicas sustentáveis, as edificações foram erguidas por uma equipe multidisciplinar com intensa participação da comunidade Yawanawá e construtores ribeirinhos. O processo de construção enfrentou desafios logísticos extremos, como o transporte de um trator desmontado rio acima, em plena floresta.

Edificação carrega em sua estrutura a identidade do povo Yawanawa, sendo composta por áreas abertas de convivência e harmonia. Foto: Cedida

A participação indígena é um fator decisivo da criação arquitetônica, como destaca o cacique Biraci: “Tudo que construímos vem da nossa ancestralidade. Somos um povo conectado às novas tecnologias, mas com as nossas raízes no chão. Cuidamos da natureza à nossa volta e não dá pra fazer isso sozinho, por isso precisamos de alianças e parcerias. Com novos instrumentos, podemos fortalecer cada vez mais o nosso trabalho de preservação da natureza”.

Leia também: No coração da floresta, a sagrada aldeia do povo Yawanawá

A diretora de Povos Indígenas da Secretaria Extraordinária de Povos Indígenas do Estado (Sepi), Nedina Yawanawa, destaca a relevância do projeto como símbolo de fortalecimento da identidade dos povos originários: “Essas edificações não são apenas estruturas físicas. Elas carregam a essência da nossa ancestralidade, dos saberes antigos, do modo de ser e viver do povo Yawanawá. Desde o início, o planejamento feito pelo cacique foi conduzido com muito cuidado”.

Ela também exalta: “O arquiteto Marcelo Rosenbaum compreendeu com sensibilidade e respeito o que o cacique quis transmitir. Ele materializa uma visão que ultrapassa o físico e atinge o simbólico. Cada linha da arquitetura carrega uma mensagem, uma cosmovisão. Isso é o que queremos levar ao mundo: mostrar que temos uma forma própria de ver, sentir e viver, e que isso também tem valor, tem beleza, tem poder”.

Arquitetura com raízes na ancestralidade

Shuhu localizado no meio da propriedade compreende as principais atividades sociais da Aldeia Sagrada. Foto: Cedida

Com 1.265 metros quadrados, a Universidade dos Saberes Ancestrais é a maior dos três edifícios. Seu desenho em formato de “Y”, proposto pelo cacique, simboliza a união entre diferentes caminhos do conhecimento. O espaço abriga 12 salas de aula, refeitório para 250 pessoas, uma cozinha industrial e área para 150 redes.

A Casa Modelo foi pensada para oferecer conforto térmico e integração com o ambiente. Possui sala e cozinha integradas, quatro quartos, dois banheiros e um pátio central, favorecendo a ventilação cruzada. Já o Shuhu, o Centro Cerimonial, é dedicado a rituais e práticas espirituais. Sua imponente cobertura circular tem 41 metros de diâmetro e 33 metros de vão livre, totalizando 1.150 metros quadrados.

Para Marcelo Rosenbaum, o projeto representa uma nova forma de pensar e fazer arquitetura: “A gente não chega com uma ideia pronta. Nossa função é reconhecer o conhecimento ancestral e integrar esses conhecimentos em um espaço construído com respeito e sentido”.

“Esse projeto é um exemplo de como o encontro de conhecimentos pode responder a problemas globais. Ao lado do povo Yawanawá, aprendemos que a floresta não é um lugar a ser conquistado, mas um lugar com o qual devemos dialogar”, conclui Marcelo Rosenbaum.

Trabalho de Rosenbaum na Aldeia Sagrada é resultado de uma relação de 14 anos com a comunidade Yawanawá, especialmente com o cacique e sua família. Foto: Cedida

*Com informações da Agência Acre

Oito filmes para entender como retratam a realidade do povo nortista

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‘Ela mora logo ali’. Foto: Divulgação

Você já parou para pensar em quantas vezes consumiu o cinema produzido no Norte do Brasil? Ou se já teve a oportunidade de prestigiar alguma obra feita na região?

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Apesar da riqueza cultural, o cinema nortista ainda é pouco explorado no audiovisual brasileiro. Para enaltecer as obras regionais, reunimos junto ao diretor paraense San Marcelo, oito produções que colocam a Amazônia como protagonista:

Ela mora logo ali (Rondônia)

De que forma a literatura pode impactar o cotidiano da vida das pessoas? O curta-metragem ‘Ela mora logo ali’ aborda exatamente isso: como a literatura tem o poder de transformar a realidade.

O filme, vencedor de diversos festivais de cinema, conta a história de uma humilde ambulante e mãe atípica, cujo cotidiano muda ao conhecer uma jovem leitora no caminho de volta para casa. A partir desse encontro ela embarca em uma jornada de novas descobertas e desafios para encontrar um bom livro para seu filho. O filme está disponível em plataforma de streaming.

O Território (Rondônia)

Vencedor do Emmy 2023, o filme documental conta a história do povo Uru-eu-wau-wau na luta contra o desmatamento causado por grileiros e posseiros ilegais.A obra foi gravado em Rôndonia e coloca o público no centro do conflito através das rotinas da ativista Neidinha e de Bitaté, um jovem Uru-eu-wau-wau, que arriscam suas vidas para salvar a floresta, utilizando da tecnologia e equipes independentes para expor e revidar os crimes cometidos contra a amazônia brasileira. O documentário na plataforma Disney.

Aqui en la Frontera (Roraima)

Umas das maiores crises imigratórias da América Latina, ganha um novo olhar. O documentário filmado na froteira da Venezuela com o Brasil, conta três distintas histórias de venezuelanos que, de certa forma, são guiados pelo mesmo desejo: o recomeço.

O filme retrata as histórias de Stephanny, que precisa retornar a Venezuela para buscar a filha. A versão de Francis uma mulher trans e líder de um abrigo de refugiados militarizado pelo governo brasileiro. E Argenis que organiza uma ocupação com mais de 300 venezuelanos, sob ordem de despejo. A obra está disponível em plataforma de streaming.

O Barulho da Noite (Tocantins)

Uma dramática história envolve uma família da zona rural de Tocantins. Sônia, uma mãe que se sente invisibilizada e castigada pelas lembranças do passado. Agenor, um pai dedicado e afetuoso. E as filhas Maria luiza e Ritinha. A chegada de Athayde, sobrinho e ajudante da roça de Agenor, irá alterar toda a estrutura familiar.

“O Barulho da Noite”, retrata a perda de ingenuidade e o grito por socorro e está disponível em plataforma de streaming.

Terruá Pará (Pará)

“Terrua Pará”, aborda a diversidade da música paraense. O retrato da riqueza cultural do estado, através dos depoimentos de personagens como Dona onete, Manoel Cordeiro e Pio Lobato. O documentário busca representar o espirito do Pará, as origens e diferentes formas da música no estado. O documentário está disponível na Prime Vídeo.

O barco e o Rio (Amazonas)

As irmãs Vera e Josi, cuidam sozinhas de uma simples embarcação herdada pela família em Manaus. Ambas com diferentes personalidades. Enquanto uma é religiosa e se preocupa com o barco, a outra prefere beber e viver sua sexualidade com os homens do porto. Ao mesmo tempo que viam destinos diferentes para o futuro do barco. O curta-metragem está disponível em plataforma de streaming.

Noites Alienígenas (Acre)

Os jovens Sandra, Paulo e Rivelino, amigos de infância que cresceram na periferia de Rio Branco, acabam se reencontrando devido a uma tragédia em comum.O longa utiliza de elementos fantasiosos para retratar a chegada das facções criminosas do sudeste do Brasil à Amazônia urbana.

O filme retrata os impactos causados na vida dos três amigos, que de maneiras distintas sofrem pelo mesmo motivo: a criminalidade. O filme está disponível no Globoplay.

Zeca Xibelão e Lindolfo Monteverde: os nomes por trás dos currais dos bois Caprichoso e Garantido

Fotos: Reprodução

O Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas, é uma das mais vibrantes expressões culturais do Brasil. Celebrando a disputa entre os bois-bumbás Caprichoso e Garantido, a festa é movida por emoção, tradição e personagens que se tornaram lendas na história da manifestação.

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Entre os nomes que fazem a tradição do boi-bumbá permanecer viva, dois se destacam por terem sido eternizados nos currais das agremiações: Zeca Xibelão, do Caprichoso, e Lindolfo Monteverde, do Garantido.

Quem foi Zeca Xibelão?

Zeca Xibelão
Zeca Xibelão como tuxaua. Foto: Reprodução/Facebook-Boi Caprichoso

Azul e branco de corpo e alma, José Thomaz Monteiro Neto, apelidado de Zeca Xibelão, foi o primeiro tuxaua do boi caprichoso. Com um bailado inconfundível e indumentárias luxuosas e ousadas feitas artesanalmente pelo brincante, Zeca marcou a história do bumbá. 

Em sua indumentária mais famosa havia desenhado a imagem da padroeira de Parintins, Nossa Senhora do Carmo. O apelido ‘Xibelão’, foi dado a ele pelo grande Bispo Dom Arcângelo Cérqua, já que seu rosto possuía um formato arredondado, parecido com a aparência de quem se alimenta de xibé.

Foto: Lucas Silva/Amazonastur

Mesmo católico, Xibelão adotou a identidade tribal na brincadeira, e foi graças a ele que a estética da arte indígena foi introduzida no Festival de Parintins. O elemento foi inicialmente muito criticado pelo boi contrário, mas aos poucos se adaptou e incorporou também em suas apresentações.

De acordo com informações do site oficial do bumbá, o curral do Caprichoso, local onde os ensaios e eventos são realizados, leva seu nome em uma homenagem sugerida pelo ex-presidente do boi, João Andrade, que reconhece a trajetória do primeiro tuxaua da história do boi negro, além do seu mérito como um brincante marcante na história do bumbá. 

Leia mais: Você sabe qual a origem do Festival Folclórico de Parintins?

Quem foi Lindolfo Monteverde?

Lindolfo Monteverde e o Boi Garantido. Foto: Reprodução/ Instagram Garantido

Lindolfo Monteverde era um homem simples do interior amazônico, pescador, plantador de juta e de roça, criou o Boi Garantido desafiando tradições, tornando-se renomado versador e cantador.

Fundando a agremiação a partir de uma promessa feita a São João Batista, Lindolfo prometeu que, se fosse curado de uma doença grave, criaria um boi para alegrar as festas juninas. Curado, cumpriu sua promessa com devoção, dando vida ao Boi Garantido, símbolo da fé de Lindolfo.

Foto: Lucas Silva/Amazonastur

De acordo com informações oficiais do boi de coração vermelho, Monteverde tornou-se um mestre versador e cantador reconhecido não apenas por sua habilidade musical, mas também pela forma como conduzia o boi com autenticidade e sensibilidade.

Faleceu em 27 de julho de 1979, e em sua homenagem, o curral oficial do boi leva seu nome. Além disso, desde 2012, o dia 2 de janeiro também é marcado como o ‘Dia da Tradição’, uma data especial dedicada a celebrar Lindolfo e tudo que ele representa para o Garantido.


Mário Ypiranga e Moacir Andrade inauguram nova forma de pensar antropologia no contexto amazônico, diz pesquisa

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Foto: Divulgação/Ufam

A pesquisa ‘Trajetórias de vida e antropologia em Mário Ypiranga Monteiro e Moacir Andrade‘, coordenada pelo professor titular em Antropologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Sérgio Ivan Gil Braga, inaugura uma nova forma de pensar antropologia no contexto amazônico que está baseada em um conhecimento prático, consubstanciada nas próprias vivências e nas etnografias produzidas.

Esses são os resultados apresentados pelo Grupo de Pesquisa NAURBE – Cidades, culturas populares e patrimônios sobre a pesquisa que aborda o cotidiano amazonense nas produções textuais, fotografias, pinturas e desenhos de dois amazonenses que alcançaram notoriedade a partir de meados do século passado, e os contatos pessoais que mantiveram com outros pesquisadores e escritores.

Mário Ypiranga Monteiro (1909-2004) e Moacir Couto de Andrade (1927-2016) tiveram um proposito que os levou a Antropologia, ao círculo de relações com folcloristas ou antropólogos, os quais tiveram influência em seus trabalhos, ou na forma como condu­ziram suas pesquisas de campo, como também as relações com os seus colaboradores sobre os quais reuniram informa­ções, além de características e estilos de escrita encontrados na produção textual de cada um deles.

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Conhecimento prático

Sérgio Ivan entende que “ainda há muitos caminhos a percorrer, nas trajetórias de vida e antropologia em Mário Ypiranga Monteiro e Moacir Andrade, bem como a outros autores que trabalharam na região. Quando se trata de as­sumir o desafio de escrever sobre o pensamento antropológico da Amazônia, sob o signo do folclore e da cultura popular. Re­conhecemos, que empreendemos os primeiros passos nesse sentido, com vistas a explorar várias perspectivas de estudo e interpretações sobre diferentes temas da cultura amazônica. Com muita satisfação, encontramos em Mário e Moacir, uma antropologia baseada em um conhecimento prático, consubstanciada nas próprias vivências desses autores e nas etnografias que produziram em suas bibliografias”.

De acordo como o coordenador da pesquisa, as elaborações teóricas, no âmbito do folclore e da antropologia, assumiram a feição de um ‘conhecimento prático’, fundamentado na realidade dos autores e nas relações estabelecidas com os seus interlocutores de pesquisa.

Braga acredita que Mário e Moacir podem ser vistos como verdadeiros ‘guardiões’ da cultura local de Manaus e regional, no âmbito do Estado do Amazonas.

“Entendimento esse, nem sem­pre acessível a um público mais amplo, que não raro atribuiu aos ditos ‘folcloristas’, a pecha de um conhecimento saudosis­ta ou ultrapassado”, completou.

Métodos de pesquisa

A natureza da pesquisa priorizou consultas as bibliografias dos autores e fontes primárias envolvendo documentos, correspondências (no caso de Mário Ypiranga), desenhos e pinturas (no caso de Moacir Andrade), originais de livros, artigos publicados em jornais, objetos pessoais (cadernos e cadernetas de campo, no caso de Mário Ypiranga), fotografias, dentre outros. Foi feito fichamento do material pesquisado, com vistas a análise e produção textual dos resultados da pesquisa.

Os equipamentos utilizados foram computadores, impressora, projetor de vídeo, imprescindíveis para o tratamento das informações de pesquisa. O maior investimento na pesquisa, entretanto, foi o potencial humano, que representou mais de dois anos de dedicação quase que diária, envolvendo consultas as bibliografias, fontes primárias, obras artísticas, fichamentos e escritas das produções antropológicas dos autores.

Influência de autores

Foram pesquisados nos autores, vários temas da cultura regional do Amazonas e da cidade de Manaus, envolvendo expressões materiais e imateriais, como festas religiosas e populares, trabalhadores ou artífices em meio urbano ou rural, mitologias amazônicas, cultivos e beneficiamentos de produtos regionais (mandioca, guaraná), artefatos, grupos folclóricos etc.

Leia também: Documentário retrata trajetória antropológica de Mário Ypiranga Monteiro e Moacir Andrade em Manaus

Observa-se a predominância dos estudos de campo, com ênfase na observação participante, resultando em elaboradas etnografias. Há certa influência nos autores da Antropologia Cultural de Franz Boas e, de forma mais explícita, em Mário Ypiranga Monteiro, citações textuais do próprio Boas, como também de Ruth Benedict, antropóloga norte-americana, orientanda de Boas.

Sérgio Ivan observa também em Mário Ypiranga, ideias e citações da antropologia clássica inglesa, com destaque para o antropólogo Bronislaw Malinowski. Por outro lado, Moacir Andrade prioriza para descrição, certas memórias vividas no passado, não raro em seu tempo de criança e adolescência, lançando mão do recurso de narrativas de situações e acontecimentos vários, considerados importantes para este autor, na abordagem dos temas amazônicos.

Desdobramentos da pesquisa

A partir da pesquisa, houve o desdobramento em um vídeo documentário de 6m30s, com a participação de toda a equipe da pesquisa, explicando ao público, os objetivos, procedimentos e resultados alcançados. O título do vídeo é o mesmo atribuído ao projeto de pesquisa: “Trajetórias de vida e Antropologia em Mário Ypiranga Monteiro e Moacir Andrade”.

Além disso, foram produzidos dois livros, um autoral e outro coletânea de textos:

  • Trajetórias de vida e Antropologia em Mário Ypiranga Monteiro e Moacir Andrade (Editora Valer, 2025)
  • Mário Ypiranga Monteiro e Moacir Andrade em perspectiva – organizado por Sérgio Ivan Gil Braga (Editora Valer, 2025)

Os livros serão lançados no dia 4 de julho de 2025, às 17h30, no Salão Verde da Livraria e Editora Valer, localizada no Largo de São Sebastião, Manaus (AM).

A pesquisa recebeu financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) – Programa Humanitas CT&I – Edital nº 005/2022 – Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (SEDECTI) – Governo do Estado do Amazonas.

*Com informações da Ufam

Primeiro Atlas Geográfico Escolar sobre o Amapá é lançado

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Foto: Jorge Júnior/Rede Amazônica AP

Lançado oficialmente nesta segunda-feira (23), primeiro atlas geográfico escolar conta com detalhes sobre o estado do Amapá. Foram impressos 33 mil exemplares que serão distribuídos em escolas públicas e em universidades. A versão digital do atlas está disponível para a consulta por meio do site da Unifap. Confira AQUI.

O trabalho foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Amapá (Unifap), da Universidade do Estado do Amapá (Ueap) e do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa).

“Nós fomos em cada um dos 16 municípios e fizemos uma fotografia de drone. Tentamos contar a história daquele município em que baseia-se a sua economia, a questão das populações tradicionais e as unidades de conservação desses municípios”, disse Orleno Marques, autor do atlas.

Leia também: Amapá lança Atlas que orienta novos investimentos em usinas eólicas e solares

O livro conta com 40 mapas que mostram detalhadamente os aspectos das florestas, rios solos, além de outros aspectos como o econômico e o populacional, bacias hidrográficas e muitos outros.

Foto: Jorge Júnior/Rede Amazônica AP

A publicação é dividida por sessões, incluindo:

  • Cartografia e ensino de geografia: com recursos didáticos, escalas e metodologia de elaboração do atlas;
  • Mapas políticos e divisões regionais: que explica sobra a evolução dos municípios dando um contexto histórico e político;
  • Mapas de regiões naturais: que aborda a geomorfologia, geologia, redes hidrográficas, bacias hidrográficas, zona costeira e outros;
  • Mapas Socioeconômicos: que indicam a população, densidade demográfica, Produto Interno Bruto (PIB), ocorrências minerais, atrações turísticas, faixa de fronteira e outros;
  • Mapas de unidades de conservação e áreas especiais: que mostra regiões protegidas ambientalmente, além de terras indígenas e quilombolas.

“Nós reunimos vários trabalhos de alguns estudantes do programa, fizemos outras pesquisas e construímos esse material que tem informações sobre vários aspectos do estado do Amapá. Para o professor de geografia, de história, ou de outros componentes que tá lá em sala de aula, para que ele tenha o material organizado e atualizado”, disse Tayane Ferreira Melém, autora do atlas.

O atlas traz ilustrações, dados atualizados e uma parte para exercícios. Incluindo um anexo que pode ser trabalhado por professores em sala de aula.

Tayane explicou ainda, que o livro deve funcionar uma uma ferramenta que vai contribuir para agregar conhecimentos aos estudantes.

Foto: Jorge Júnior/Rede Amazônica AP

“Na minha visão ele traz uma luz para o professor que tá lá em sala de aula, porque ele vai ter um material que os alunos vão ter acesso […] Pra ele chegar em sala de aula, pras bibliotecas da rede pública de ensino e esse aluno conseguir manusear esse material, tá ali perto, olhando essas informações sobre o estado do Amapá”, disse.

Segundo a pesquisadora, o livro possui quatro mapas impressos que podem ser utilizados em sala de aula, um QR code para baixar materiais adicionais e um encarte reproduzível.

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O programa de pós-graduação que desenvolve o projeto, conta também com a participação de pesquisadores da Secretaria de Estado da Educação (Seed). Além disso, foi obtida uma emenda junto à professora Marcivânia para realizar a tiragem do material em grande volume.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

Parceria entre pesquisadores e comunidades protege mangues na Amazônia

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Área de manguezal na Reserva Extrativista Marinha de Caeté-Taperaçu monitorada pelo projeto Mangues da Amazônia. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Árvores que chegam a 30 metros de altura – como um edifício de dez andares –, com raízes fixadoras que ultrapassam o tamanho de uma pessoa. Os mangues amazônicos são grandes sumidouros de carbono, superando as métricas até mesmo da floresta amazônica. Esse ecossistema é responsável por retirar da atmosfera três vezes mais gás poluente do que florestas de terra firme.

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É entre Maranhão, Pará e Amapá que está o maior território contínuo de manguezais sob proteção legal de todo o mundo. Os dados superlativos tornam também mais difícil o monitoramento e a fiscalização desses territórios.

No nordeste do Pará, o projeto Mangues da Amazônia trabalha junto às comunidades locais para mapear tanto a vegetação e a fauna quanto as áreas onde há corte de madeira. O projeto também identifica as áreas mais sensíveis e realiza o reflorestamento desses locais.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

“A gente vai na comunidade, mostra o mapa da região e pergunta onde está ocorrendo corte de madeira. Eles indicam no mapa. A gente visita cada um dos lugares para fazer o georreferenciamento. Tudo é checado e validado, e a gente produz mapas, a partir do mapeamento participativo. Esses mapas, a gente entrega para as prefeituras, associações e lideranças”, explica o professor titular da Universidade Federal do Pará (UFPA) e coordenador-geral do projeto Mangues da Amazônia, Marcus Fernandes.

De acordo com o professor, há áreas de corte identificadas onde as pessoas já fabricam ali mesmo as tábuas de madeira.

O projeto atua em quatro reservas extrativistas (resex): Resex Marinha de Tracuateua; Resex Marinha de Caeté-Taperaçu; Resex Araí-Peroba; e Resex Gurupi-Piriá. Elas estão localizadas, respectivamente, em quatro municípios: Tracuateua, Bragança, Augusto Corrêa e Viseu. Sua cobertura chega a uma área de 131 mil hectares – o equivalente a 120 mil campos de futebol.

O professor Marcus Fernandes é o coordenador do Laboratório de Ecologia de Manguezal – Lama, da Universidade Federal do Pará (UFPA) Fernando Frazão/Agência Brasil

A extração de madeira, assim como a captura de caranguejos não é ilegal nesses territórios. Mas, no caso do corte, é preciso informar o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

“É área de uso, mas tudo é controlado. Só que eles dão um truque. Têm que dizer quanto de madeira, qual madeira e onde vai cortar. Eles declaram isso, mas vão em outro lugar e tiram tudo que querem. Não tem fiscalização”, diz Fernandes. “Eles conseguem driblar. Muita gente também quer vender para fazer carvão para as padarias, para as olarias, etc. Então, é um problema, de fato, [a extração de] madeira aqui. Mas não é tão grave quanto é no Nordeste, quanto é no Sudeste”, acrescenta.

Além de mapear as áreas de corte, o projeto também mapeia as espécies que vivem nos mangues. “A gente leva os caranguejeiros para o mesmo processo de mapeamento. A gente vai para os lugares e faz o nosso censo para saber quantos machos, quantas fêmeas, o tamanho e o peso, para saber como é que está e mostrar uma figura do que está acontecendo com aquele lugar”, diz. “Tudo precisa de um diagnóstico”.

Filhote de caranguejo em área de manguezal reflorestada pelo projeto Mangues da Amazônia, na Reserva Extrativista Marinha de Caeté-Taperaçu. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O projeto também realiza o mapeamento genético da vegetação, para ajudar no plantio e recuperação das áreas. “Hoje, já tem todo o mapeamento de onde estão essas árvores. Agora, eu preciso saber qual é a qualidade dos diferentes tipos de mangue, o vermelho, o preto e o branco”, explica.  

“Quanto maior a variabilidade genética, melhor e maior a probabilidade dessa planta que for nascer daquela semente e daquela árvore ter melhor qualidade de vida lá na frente ou ser mais adaptável, mais sensível às mudanças que estão ocorrendo. Então, se eu escolher melhores sementes, eu sou capaz promover uma floresta mais resiliente, mais adaptável às novas mudanças que estão vindo por aí. Essa é a nossa proposta com a genética”, diz Fernandes. 

Mangues na Amazônia

Os manguezais são áreas úmidas que estão entre o mar e a terra firme. As espécies vegetais e animais que ali vivem são resistentes ao fluxo das marés e ao sal. O ecossistema abriga caranguejos, moluscos como ostras e sururus, peixes, aves e até mesmo mamíferos e répteis.

O projeto também realiza o mapeamento genético da vegetação, para ajudar no plantio e recuperação das áreas. “Hoje, já tem todo o mapeamento de onde estão essas árvores. Agora, eu preciso saber qual é a qualidade dos diferentes tipos de mangue, o vermelho, o preto e o branco”, explica.  

O Brasil é o segundo país com maior extensão de manguezal, com 14 mil quilômetros quadrados (km²) ao longo da costa, ficando atrás apenas da Indonésia, com cerca de 30 mil km²; 80% dos manguezais em território brasileiro estão distribuídos em três estados do bioma amazônico: Maranhão (36%), Pará (28%) e Amapá (16%).

Leia também: Pesquisadores usam genética de ponta para reflorestar a maior faixa contínua de manguezal da Amazônia

De toda a extensão amazônica, a maior parte está em 120 unidades de conservação que abrangem 12 mil km², 87% do ecossistema em todo o Brasil. Isso faz com o que o Brasil tenha o maior território contínuo de manguezais sob proteção legal de todo o mundo, de acordo com os dados do ICMBio.

O gestor do projeto Mangues da Amazônia, John Gomes, com mudas de mangue que serão levadas para reflorestamento. Fernando Frazão/Agência Brasil

“Um dos pontos do projeto é trazer o foco para quando você falar de Amazônia, você falar também dos manguezais amazônicos, porque eles ficam invisibilizados”, diz o gestor do projeto Mangues da Amazônia, John Gomes. 

Sumidouros de carbono

Na Amazônia, por conta do maior acesso a recursos hídricos, o mangue na região também acaba se desenvolvendo mais do que nas outras regiões do país, com árvores que chegam a 30 metros de altura. As grandes dimensões dos manguezais amazônicos aumentam também os impactos positivos do ecossistema.

Um deles é a capacidade de retirar gás carbônico da atmosfera e armazená-lo no solo, que, por ser muito úmido e denso, acaba retendo o gás poluente. De acordo com Fernandes, os manguezais da região armazenam 600 toneladas de carbono por cada hectare, de acordo com as medições feitas pelo projeto. “Isso é muita coisa. Então, é mais do que a média mundial”, diz.

mangues na Amazônia
Vista de um braço do Rio Caeté em área de manguezal na Reserva Extrativista Marinha de Caeté-Taperaçu monitorada pelo projeto Mangues da Amazônia. Fernando Frazão/Agência Brasil

Um dos grandes riscos para o manguezal são as mudanças climáticas e a consequente redução de chuvas no local, de acordo com o professor do Instituto de Estudos Costeiros da UFPA Hudson Silva que, no Mangues da Amazônia, é responsável pelo monitoramento das emissões dos gases.

“Se você tem redução nas chuvas, as áreas que se beneficiam dessa condição de alagado para funcionar como sumidouro começam a perder essa função. O solo começa a ser aerado, o oxigênio começa a entrar mais para esse solo, e o processo de decomposição começa a jogar mais gás carbônico para fora”, diz.

Os impactos já são sentidos. Segundo Silva, a taxa de precipitação na região, que chegava a 3 mil milímetros (mm) por ano, atualmente chega a 2 mil mm.

Fernandes complementa que a extinção dos mangues na região pode gerar consequências catastróficas, não apenas locais, mas impactando toda a costa, com avanço do mar e alagamento de regiões costeiras.

“A região amazônica tem um estoque enorme de carbono, então, se a gente corta ou perde esse ambiente, a gente vai jogar isso para fora. É como se você liberasse uma bomba de carbono para o ambiente”, diz. “E tem um efeito nacional absurdo na nossa costa, um efeito que vai ser também para toda a floresta. Se a gente tira o manguezal, tira a proteção costeira”.

Mangues da Amazônia

O Mangues da Amazônia nasce a partir do trabalho de estudo e conservação de manguezais feito no Laboratório de Ecologia de Manguezal (LAMA) da UFPA, em Bragança. O projeto, patrocinado pela Petrobras, está no segundo ciclo de execução. O primeiro foi entre 2021 e 2022, quando foram recuperados 14 hectares de mangue. O segundo ciclo começou em 2024 e segue até 2026, com a meta de reflorestar mais 17 hectares.

Cobra jiboia é vista em área de manguezal reflorestada pelo projeto Mangues da Amazônia na Reserva Extrativista Marinha de Caeté-Taperaçu. Fernando Frazão/Agência Brasil

O projeto é parte do Programa Petrobras Socioambiental, que patrocina 160 projetos em todo o país, com um investimento previsto de R$ 1,5 bilhão até 2029. De acordo com a gerente de Direitos Humanos da Gerência Executiva de Responsabilidade Social da Petrobras, Sue Wolter, o Mangues é um dos projetos com maior retorno, tanto ambiental, quanto social. A cada R$ 1 investido pela Petrobras, o retorno estimado para a sociedade é de R$ 7.

“O objetivo do Programa Petrobras Socioambiental é implantar os projetos buscando transformação social. Levar valor para a sociedade, para os territórios onde a gente está e, ao mesmo tempo, isso é um valor para a companhia. A gente entende que como uma empresa estatal brasileira, a gente tem uma função social e essa função social é ajudar esse processo de transformação de desenvolvimento”, diz.

*​A equipe da Agência Brasil viajou à Bragança entre os dias 11 e 14 de junho para conhecer o projeto Mangues da Amazônia, a convite da Petrobras, patrocinadora do projeto.