Medir biomassa florestal e converter esse dado em estimativas confiáveis de carbono ainda é um dos grandes desafios para quem atua com restauração, manejo, monitoramento e projetos climáticos. É nesse contexto que o LiDAR (Light Detection and Ranging) vem ganhando espaço como uma tecnologia capaz de ampliar a precisão e a eficiência do monitoramento florestal.
Publicação visa tornar a mensuração de carbono mais precisa e confiável.Foto: Divulgação/Imaflora
O material mostra, de forma aplicada, como o sensoriamento remoto pode fortalecer processos de mensuração de carbono com mais rastreabilidade, robustez estatística e eficiência operacional.
A publicação parte de um problema concreto: monitorar florestas com qualidade técnica suficiente para atender às exigências de mensuração, reporte e verificação de carbono sem tornar o processo excessivamente caro, demorado ou limitado em escala.
O LiDAR aparece nesse cenário como uma ferramenta capaz de “ler” a estrutura tridimensional da vegetação e apoiar inventários híbridos, nos quais o campo continua essencial, mas passa a ser usado de forma mais estratégica.
Para sair do plano conceitual, o documento se ancora na experiência de restauração conduzida pelo ISA no corredor do rio Xingu, em Mato Grosso, e na atuação do Carbon on Track, iniciativa de mensuração e verificação de carbono desenvolvida pelo Imaflora. A análise compara abordagens e apresenta a aplicação de inventário integrado com LiDAR embarcado em drone e amostragem dupla estratificada em 741 hectares de áreas restauradas.
Mensuração de carbono
Os resultados sistematizados na publicação indicam ganhos concretos. O uso do LiDAR foi associado à redução de 81% do esforço em campo, 76% do custo por hectare e 67% do erro percentual, além de contribuir para maior precisão estatística e espacial no monitoramento de áreas extensas.
Além de reunir evidências práticas, a publicação também chama atenção para barreiras ainda presentes nos sistemas de verificação e nos padrões internacionais. O material argumenta que parte das regras hoje adotadas não incorpora adequadamente as especificidades das florestas tropicais, o que pode elevar custos, criar entraves e dificultar a adoção de tecnologias já consolidadas no avanço dos inventários florestais. Por isso, a publicação se propõe também como contribuição técnica para atualizar práticas e fortalecer metodologias mais aderentes à realidade brasileira.
O Carbon on Track, solução de quantificação e verificação de carbono em plantios de restauração desenvolvido pelo Imaflora, ofereceu uma redução do custo por hectare de R$ 1.440,02 para R$ 336,44, enquanto o tempo corrido do processo passou de 540 dias para 385 dias em comparação ao monitoramento e verificação da principal certificadora do mercado no projeto analisado. Esses resultados são frutos do uso de tecnologias e soluções adaptadas a realidade nacional. A comparação completa você acompanha na publicação.
Amazônia é considerada fonte de carbono. Foto: climatepolicyinitiative
Público
Voltada a um público técnico e transversal, a publicação interessa a equipes de restauração e manejo, organizações da sociedade civil, auditorias, certificadoras, financiadores, empresas e gestores públicos que precisam de métricas mais consistentes, transparentes e verificáveis para acompanhar desempenho ecológico e carbono. O objetivo é apoiar decisões práticas, orientar protocolos de MRV e ampliar a capacidade de monitorar com qualidade e credibilidade.
Esta leitura é especialmente útil para: equipes de restauração; organizações e projetos territoriais que atuam com carbono; auditorias, certificadoras e verificadores; financiadores e investidores interessados em MRV robusto; gestores públicos e formuladores de protocolos.
Participantes do evento, Renata Alves (pesquisadora do ISA), Jochen Schongart (pesquisador do INPA) e Carlos Durigan (pesquisador do IPAM), além de Carlos Souza Jr (pesquisador do Imazon) remotamente. Foto: Reprodução/IPAM
Dentro da programação da COP15 das Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS) em Campo Grande (MS), um evento reuniu pesquisadores para discutir o papel das áreas úmidas e dos sítios Ramsar na proteção de espécies migratórias.
A atividade ocorreu nesta sexta-feira (27) na Casa do Homem Pantaneiro, com organização do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), Instituto Socioambiental (ISA), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).
Foi apresentada uma análise preliminar de cientistas do IPAM sobre a riqueza de espécies migratórias e fatores de degradação em áreas selecionadas da Amazônia.
Segundo os pesquisadores, os sítios Ramsar na Amazônia têm maior riqueza de espécies migratórias em comparação com terras indígenas e unidades de conservação. No entanto, a perda de cobertura de água foi identificada como um risco potencial para a degradação.
Os sítios Ramsar são áreas alagadas de forma perene ou sazonal, como manguezais, veredas e várzeas, mas também lagoas de água doce ou salgada. Levam esse nome pois resultam de convenção assinada na cidade de Ramsar, no Irã, para a certificar unidades de conservação de áreas úmidas.
Manguezal é uma área úmida. Foto: Fernando Franzão /Agência Brasil
Análises sobre as espécies migratórias
“Nossas análises corroboram a ideia de que ações voltadas à conservação de espécies migratórias exigem fortalecer a proteção e consolidação de unidades de conservação e terras indígenas, mas também avançar em ações que extrapolem esses limites, em escala de biomas — na Amazônia e além — garantindo conectividade entre paisagens e países. Esse é um dos pontos centrais em debate na COP15. Nesse contexto, os sítios Ramsar emergem como uma camada estratégica adicional, especialmente para espécies associadas a ambientes aquáticos e áreas úmidas”, comenta Carlos Durigan, pesquisador do IPAM.
Jochen Schongart, pesquisador do INPA que participou da atividade, pondera:
“Ainda existem grandes lacunas do conhecimento sobre espécies migratórias de diversos táxons e sua variação de ocorrência em espaço e tempo na Amazônia. Portanto, a integração de populações indígenas e tradicionais em programas de monitoramento ambiental e ocorrência de espécies migratórias é fundamental para gerar mais informações sobre a importância das paisagens úmidas na Amazônia”.
Visando aumentar a proteção das espécies e evitar a degradação ambiental, as recomendações incluem, além de integrar de conhecimentos tradicionais e acadêmicos para maior efetividade nas ações, conectar as áreas protegidas já existentes e criar novos sítios Ramsar a partir da destinação de florestas públicas não destinadas. Essas florestas ocupam uma área do tamanho da Bahia na Amazônia e aguardam definição estadual ou federal de categoria fundiária.
Para tanto, os especialistas frisam que é necessário apoio financeiro a médio e longo prazo de forma a fortalecer a gestão participativa das áreas protegidas e conservação integrada de grandes paisagens úmidas.
Os efeitos negativos das mudanças climáticas na natureza evidenciam a urgência de medidas coordenadas entre os diversos setores da sociedade e em cooperação internacional. Segundo relatórios divulgados pela CMS durante a COP15, 24% das espécies migratórias listadas na Convenção estão ameaçadas globalmente e 49% enfrentam queda em suas populações.
Peixes migratórios de água doce estão entre os animais que correm mais risco: desde 1970, sua população caiu 81% no mundo todo – as secas cada vez mais severas explicam essa realidade, somadas à poluição da água, à pesca predatória e ao barramento de rios. Com tamanhos obstáculos, fica difícil para as espécies navegarem em busca de alimento e seguirem seus ciclos de reprodução.
Também participaram da atividade Renata Alves, pesquisadora do ISA, e Carlos Sousa Jr., pesquisador do Imazon, remotamente.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo IPAM Amazônia
Após passarem por um período de reabilitação e adaptação em cativeiro, de até dez anos, peixes-bois foram soltos na natureza na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Piagaçu-Purus, em Beruri, no interior do Amazonas. A preparação ocorreu em uma área de semicativeiro, em uma fazenda parceira do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).
Os animais foram soltos durante a cheia dos rios, época escolhida pelos pesquisadores por oferecer mais alimento.
Antes da soltura, cada um recebeu um microchip para identificação e monitoramento. O transporte até a reserva levou mais de 24 horas, feito por caminhão e barco.
Quatro deles ganharam um cinto com rádio transmissor na cauda, que permitirá acompanhar a adaptação nos primeiros meses em liberdade.
Entre os animais soltos está Muruá, fêmea que chegou ao Inpa em 2016, com apenas quatro meses e 25 quilos. Dez anos depois, ela volta à natureza já adulta.
“Nós sempre dizemos que nada mais barato e melhor que mãe de peixe-boi pra cuidar de filhote de peixe-boi é a natureza pra manter esses animais. O cativeiro é caro, a soltura é cara e o processo de monitoramento também. Agora pra essa soltura de um modo geral são recursos vindos de organizações não-governamentais”, explicou a coordenadora do Projeto Peixe-Boi, Vera Silva.
Educação ambiental com ajuda dos peixes-bois
O projeto também envolve moradores da reserva em ações de educação ambiental. Alguns deles, que antes caçavam a espécie, hoje atuam como monitores e ajudam no acompanhamento dos animais.
“É uma alegria, uma alegria imensa, porque claro que a gente achou o bicho, né, missão cumprida quando consegue sinal”, disse o monitor de peixe-boi, Mário Costa.
Os especialistas também orientam comunidades ribeirinhas sobre como agir ao encontrar filhotes. Se o animal estiver saudável, a recomendação é não resgatar, pois a mãe pode estar por perto. Apenas filhotes debilitados devem ser encaminhados aos órgãos responsáveis.
Ao todo, 59 peixes-bois já foram soltos na reserva. Segundo os pesquisadores, cada soltura ajuda na recuperação da espécie, que é ameaçada.
A Amazônia comemorou uma queda de 42% no desmatamento em fevereiro, que passou de 119 km² em 2025 para 69 km² em 2026. Uma diferença equivalente a 5 mil campos de futebol no mês, quase 180 por dia. Essa foi a menor área de floresta derrubada em fevereiro em oito anos, desde 2017.
Os dados são do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do instituto de pesquisa Imazon, que monitora a floresta por imagens de satélite desde 2008. Conforme a série histórica, as menores destruições registradas no mês foram em 2016 (0 km²), 2014 (11 km²) e 2015 (42 km²). Já as maiores ocorreram em 2023 (325 km²), 2022 (303 km²) e 2018 (214 km²).
“A queda no desmatamento da Amazônia é essencial para a redução das emissões de gases de efeito estufa no Brasil e para o combate às mudanças climáticas, que têm deixado eventos extremos como secas e tempestades mais intensos e frequentes em todo o mundo”, explica Carlos Souza Jr., pesquisador que coordena o Programa de Monitoramento da Amazônia do Imazon.
Além disso, fevereiro representa o sétimo mês do chamado “calendário de desmatamento” de 2026, que por causa do regime de chuvas na Amazônia vai de agosto de um ano a julho do seguinte. Desde o início do calendário atual, em agosto de 2025, até fevereiro de 2026, a derrubada acumulada chegou a 1.264 km², 41% a menos do que no período anterior. Entre agosto de 2024 e fevereiro de 2025, foram devastados 2.129 km².
Pará, Amazonas e Acre têm as maiores áreas derrubadas
Entre os nove estados que compõem a Amazônia Legal, o Pará foi o que registrou a maior área desmatada entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026: 398 km². Esse acumulado, no entanto, foi 54% menor que o registrado no período anterior, entre agosto de 2024 e fevereiro de 2026, que somou 863 km². Além disso, é em solo paraense que fica a unidade de conservação mais desmatada nesses sete meses, a Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, que perdeu 34 km² de floresta no período, o equivalente a 16 campos de futebol por dia.
Amazonas e Acre completam o top 3, com 200 km² e 190 km² desmatados, respectivamente. Assim como o Pará, esses estados também apresentaram redução na derrubada, ambos de 32%.
Em rankings anteriores, no entanto, era Mato Grosso que costumava estampar o quadro de medalhas dos estados mais desmatadores, vaga agora ocupada pelo Acre. Com redução de 51% na derrubada, Mato Grosso passou da segunda para a quarta colocação na análise do desmatamento acumulado de agosto a fevereiro, os sete primeiros meses do calendário de 2026.
“O aumento no Acre pode ser explicado pelo fortalecimento dos últimos anos da fronteira agropecuária no oeste da Amazônia, especialmente na região conhecida como AMACRO, que integra áreas do Acre, Amazonas e Rondônia. Esse movimento tem sido marcado pela expansão da pecuária e pela pressão sobre terras públicas ainda florestadas. A saída do Mato Grosso do topo do ranking durante esse período não indica perda de relevância do estado no cenário do desmatamento. O que estamos observando é uma ampliação territorial da dinâmica do desmatamento na Amazônia Legal”, comenta Larissa Amorim, pesquisadora do Imazon.
Desmatamento da Amazônia por estado (km²):
Estado
Agosto de 2024 a Fevereiro de 2025
Agosto de 2025 a Fevereiro de 2026
Variação
Pará
863
398
-54%
Amazonas
296
200
-32%
Acre
280
190
-32%
Mato Grosso
368
181
-51%
Roraima
160
177
+11%
Rondônia
87
65
-22%
Maranhão
59
47
-20%
Amapá
7
4
-43%
Tocantins
9
2
-78%
Nesse período, Roraima foi o único estado a apresentar aumento na devastação, que passou de 160 km² entre agosto de 2024 e fevereiro de 2025 para 177 km² entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026. Além disso, o estado teve o município que mais derrubou a floresta no período: Caracaraí, com 66 km².
“Isso pode ter ocorrido porque Roraima tem um regime de chuvas diferente. Embora o início do ano seja chuvoso no restante dos estados, em Roraima é seco, o que contribui para o avanço do desmatamento”, explica a pesquisadora do Imazon Raissa Ferreira.
Município
UF
Desmatamento entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026 (km²)
Caracaraí
RR
66,4
Feijó
AC
42,86
São Félix do Xingu
PA
36,57
Rorainópolis
RR
33,38
Tarauacá
AC
31,79
Rio Branco
AC
25,83
Rio Branco
MT
25,83
Portel
PA
23,25
Canutama
AM
21,52
Pacajá
PA
19,21
Degradação também segue em queda
Além do desmatamento, que é a remoção completa da vegetação, a degradação florestal, que é o dano causado pelas queimadas e pela exploração madeireira, também segue em queda na Amazônia. Em fevereiro, o sistema do Imazon detectou 13 km² de florestas degradadas, uma redução de 93% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando foram degradados 211 km².
Na análise do calendário do desmatamento, aplicado também à degradação, o acumulado de agosto de 2025 a fevereiro de 2026 somou 2.275 km², também uma queda de 93% em relação ao período anterior. Entre agosto de 2024 e fevereiro de 2025, foram degradados 33.807 km², quando houve um pico de queimadas na região.
Mato Grosso, Pará e Acre lideram degradação
Em relação à degradação, Mato Grosso e Pará lideram com grande diferença em relação aos demais estados, com 1.255 km² e 677 km² degradados entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026. Isso corresponde a 85% de toda a área afetada na Amazônia no período. Apesar disso, ambos estados tiveram reduções significativas na degradação, de 86% e 96%, respectivamente.
A terceira posição ficou com o Acre, onde a degradação aumentou 50%. Nesse estado, a área degradada passou de 72 km² entre agosto de 2024 e fevereiro de 2025 para 108 km² entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026.
Outro estado que registrou alta foi Roraima, onde a degradação passou de 50 km² para 55 km² nesses períodos. Os demais estados apresentaram redução nesse dano ambiental.
Tiago Pacheco, professor e pesquisador Koripako; Aloísio Cabalzar, antropólogo do ISA; e Mario Cohn-Haft, ornitólogo do Inpa. Foto: Vanessa Fernandes/ISA
De acordo com a cosmologia dos povos Koripako e Baniwa da bacia do Rio Içana, a queda das folhas anuncia a chegada do inverno no alto Rio Negro – fenômeno que ocorre na região a partir de maio. É nesse período que algumas aves grandes, como cabeças-seca, garças e cararás, iniciam sua jornada migratória, subindo do mar (leste) para fazer um dabucuri para sua tia, Wenia, que vive na serra de Kodamadali, no alto Rio Uaupés. Elas levam materiais para a reforma de sua maloca.
Essa é uma das explicações dos conhecedores indígenas para os movimentos migratórios de algumas aves por seu território. O conhecimento sobre aves migratórias integra as pesquisas sobre os ciclos de vida conduzidas pelos Agentes Indígenas de Manejo Ambiental (AIMAs) no Médio e Alto Rio Negro, região localizada no noroeste do Amazonas, na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Venezuela.
Os resultados iniciais foram apresentados em evento organizado pelo Instituto Socioambiental (ISA), no espaço Conexão sem Fronteiras, durante a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias (COP15), que acontece até 29 de março de 2026, em Campo Grande (MS).
O encontro reúne governos, cientistas e organizações da sociedade civil para debater estratégias globais de conservação da fauna migratória. Participaram da atividade Aloisio Cabalzar, antropólogo do ISA e coordenador da pesquisa intercultural no Rio Negro; Tiago Pacheco, professor e pesquisador Koripako; e Mario Cohn-Haft, ornitólogo do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).
Os AIMAs monitoram eventos ligados à migração e à reprodução de 18 espécies de aves na região. Além dos deslocamentos, os agentes classificam as observações entre registros ocasionais, presença de ovos e ocorrência de filhotes. O conjunto de dados analisado reúne cerca de 34.812 registros de mais de cem espécies na região do Rio Negro feitos em aplicativo ODK próprio utilizado pelos agentes indígenas.
Tiago Pacheco apresentou a pesquisa sobre aves migratórias na região do Rio Negro pela pespectiva do povo Koripako-Baniwa. Foto: Vanessa Fernandes/ISA
Ainda de acordo com a narrativa dos mais velhos, conta Tiago Pacheco, as penas mais longas nas asas de garças e cabeças-secas são semelhantes ao koyape – folhas de uma espécie de palmeira utilizadas na cobertura das malocas. Após passarem meses com a tia, contribuindo para a reconstrução da casa, as aves retornam ao seu habitat no leste, quando o verão já prevalece na região.
Há também as oolio, uma espécie de andorinha cujos bandos caem no rio e se transformam em cardumes de peixe toloya no início do inverno. Já as waliperhe, outra espécie de andorinha, se transformam no mesmo peixe no meio da estação, entre junho e julho.
Pacheco contou que agora os agentes indígenas estão aprofundando a pesquisa sobre as aves, envolvendo também os estudantes do ensino médio da escola da comunidade Bela Vista, no Médio Içana, onde ele leciona. Além de observar, anotar e analisar os dados, as informações são discutidas com os conhecedores mais velhos.
Para os povos Koripako e Baniwa, as aves migratórias se reproduzem em áreas úmidas (llanos) na Venezuela. “Sempre no início do inverno elas voam bem alto e, de lá, seguem para outras regiões do Brasil. Voam alto para facilitar a viagem longa e costumam procurar as cabeceiras dos rios”, explica Tiago.
Ilustração sobre a migração de aves observado pelos AIMAs. Foto:: Ismael dos Santos/AIMA
Um dos pontos levantados pela pesquisa, segundo Pacheco, é a redução no número de avistamentos na região, que pode estar relacionada às mudanças climáticas.
“As aves se conectam com o clima da região, dependem muito das estações do ano, inverno e verão. Atualmente, aparecem de vez em quando, porque as estações estão variando e não acontecem sempre no período esperado. Com isso, as aves migratórias estão cada vez menos presentes na região”, afirma. Essa afirmação coincide com o que vem sendo observado e registrado pelos AIMAs em seus diários.
Entre as espécies que mais costumavam ser avistadas estão o carará (wanali), a garça-grande (maali), o socó-dorminhoco (walha), o socozinho (pitshaaro), o martim-pescador grande e pequeno (dzaaliro), a tesourinha (kamawaapa) e a andorinha que cai na água (oolio). Segundo os pesquisadores, essas aves ainda migram, mas em menor número.
Aloisio Cabalzar explica que na pesquisa sobre os ciclos anuais, os AIMAs observam e registram uma ampla diversidade de fenômenos relacionados aos ciclos anuais e à dinâmica socioambiental do território. Entre eles estão a presença, ausência e intensidade das chuvas; o nível dos rios; o nome das constelações que marcam cada período; as estações do ano; revoadas de insetos; o canto e a reprodução de sapos e rãs; a migração e reprodução de mamíferos e aves, entre outros.
Aloísio Cabalzar, antropólogo do ISA, falou sobre o trabalho de pesquisa intercultural realizado em parceria com os AIMAs no Rio Negro. Foto: Vanessa Fernandes/ISA
Segundo o antropólogo, a análise específica sobre as aves migratórias ainda está em estágio inicial. Nesse contexto, levar o tema para discussão durante a COP15 também representa uma oportunidade de refletir sobre caminhos possíveis para o aprofundamento da análise e interpretação dos dados desse fenômeno que abrange várias regiões (e países) onde se desenvolvem as diferentes fases da vida das aves. Inclui a construção de protocolos de coleta mais completos, buscando conexões com outros grupos de pesquisa.
“A pesquisa intercultural é uma metodologia para abordar temas complexos e interescalares, que são observados pelos moradores das comunidades e pelos pesquisadores indígenas, mas que envolvem um âmbito espacial mais amplo, e que podem ser melhor compreendidos conectando-se com conhecimentos produzidos mais amplamente”, pondera Aloisio.
Mario Cohn-Haft destacou que a região conhecida como “encostada” funciona, na prática, como uma tríplice fronteira ecológica entre Brasil, Colômbia e Venezuela, que é muito anterior às divisões políticas atuais. “Essas fronteiras que hoje regem tanto as nossas vidas nunca foram relevantes para esses povos”, afirmou.
Mario Cohn-Haft, ornitólogo do Inpa, destacou que oportunidades para estudos de migração de espécies na tríplice fronteira. Foto: Vanessa Fernandes/ISA
Segundo ele, o conhecimento indígena sobre os llanos da Venezuela, que são áreas de cerrado sazonalmente alagadas, semelhantes ao Pantanal, ajuda a explicar a origem de espécies como a garça, cabeça-seca e outras aves que aparecem no Rio Negro.
Para o pesquisador, esse diálogo entre saberes aponta caminhos ainda pouco explorados pela ciência. “A gente não tem essa tradição de pesquisa integrada com a Colômbia e a Venezuela, mas vocês já carregam esse conhecimento”, disse. Ele defende que o atual contexto de maior articulação internacional pode abrir oportunidades para avançar nesses estudos, aprofundando investigações sobre rotas migratórias e fortalecendo cooperações transfronteiriças até então pouco desenvolvidas.
Presente entre o público do evento, a secretária de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Rita Mesquita, chamou atenção para os impactos silenciosos das mudanças ambientais sobre as espécies migratórias na Amazônia e destacou o papel fundamental das populações que vivem nos territórios na produção de registros e conhecimentos.
Segundo ela, eventos extremos, como secas em níveis inéditos na bacia amazônica, têm alterado profundamente as condições de vida dessas espécies, que dependem diretamente da relação com rios e áreas úmidas. “O que está mudando? O que está sumindo?”, questionou, ao enfatizar a importância de observar e documentar essas transformações.
Para a secretária, ainda há pouco monitoramento sobre esses impactos, o que reforça a necessidade de aprimorar protocolos de observação e produzir registros mais detalhados. Ela ainda destacou o valor do conhecimento de quem está na floresta e a importância da memória para identificar mudanças ao longo do tempo, além de apontar a relevância de conceitos como o de “migrações curtas”, apresentado na pesquisa dos AIMAs, dentro da Amazônia, ainda pouco estudados e documentados.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Instituto Socioambiental, escrito por Vanessa Fernandes
A 8ª edição da Semana do Quadrinho Nacional de Manaus acontece entre esta sexta-feira (27) e domingo (29). Foto: Divulgação/Mercadizar
A 8ª Semana do Quadrinho Nacional de Manaus começa nesta sexta-feira (27) e vai até domingo (29). A programação será na Biblioteca Pública do Amazonas e no Mirante Lúcia Almeida, no Centro da capital. O evento reúne oficinas, palestras, lançamentos de livros e feira de artistas, com quadrinistas de várias regiões do país. A entrada é gratuita.
Mais de 70 artistas de 15 estados e do Distrito Federal participam da edição. A expectativa é receber entre 10 mil e 15 mil visitantes. Para participar das oficinas, é necessário se inscrever no local com uma hora de antecedência.
Entre as novidades está o Passaporte Cultural, distribuído gratuitamente ao público. O material reúne indicações de pontos turísticos, restaurantes e estabelecimentos parceiros. Ao visitar os locais, os participantes podem colecionar carimbos e concorrer a prêmios, conforme o regulamento.
Na Biblioteca Pública, as atividades acontecem das 13h às 18h, com oficinas para iniciantes e profissionais. Nesta sexta (27), o evento começou com Helena Cunha ministrando a oficina “Roteiro para Quadrinhos”. Às 15h30, Monge Han conduziu a oficina de criação de personagens. O dia termina às 17h, com Raquel Teixeira e a oficina de coloração.
No sábado (28), às 14h, as atividades começam com a oficina “Narrativa para Mangás”, com Max Andrade. Às 15h30, Gabriela Gullich conduz a atividade “Jornalismo em Quadrinhos: HQ em pauta – técnicas para roteiro”. Às 17h, Leon Sarmiento ministra oficina de criação de cenários.
No domingo (29), a programação começa às 14h com oficina de desenho, com Questo. Às 15h30, Romahs Mascarenhas apresenta a atividade “Como criar um quadrinho”. O encerramento será às 17h, com a oficina “Como fazer tirinhas”, com Geovan Motter.
No Mirante Lúcia Almeida, as atividades acontecem nos três dias, das 14h às 20h. O espaço terá painel coletivo de desenhos com o tema “Jacarés” e a atividade “Um quadrinho que mudou a minha vida”, em que o público compartilha referências. Também haverá jam de desenho e apresentações de kamishibai.
A Feira Nacional da Páscoa permitirá aos produtores da região VRAEM aumentar as suas vendas e consolidar as suas marcas de produtos derivados do cacau e do café. Foto: Divulgação/DEVIDA
Sete organizações promovidas pela Comissão Nacional para o Desenvolvimento e a Vida sem Drogas (Devida) participarão da Feira Nacional da Semana Santa, que acontecerá de 2 a 4 de abril no Centro de Convenções de Canaã, em Ayacucho, cidade peruana. Este espaço permitirá aos produtores mostrarem seus produtos que são feitos a partir de produções de cacau e café.
Este espaço permitirá aos produtores também aumentarem as suas vendas e posicionarem as suas marcas no mercado regional durante uma das épocas comerciais e turísticas mais dinâmicas que é a Semana Santa católica.
Organizações dos distritos de Chungui, Santa Rosa, Ayna, Anchihuay, Unión Progreso (Ayacucho) e Villa Kintiarina (Cusco) oferecerão produtos de valor agregado, como chocolates, pasta e pó de cacau, café torrado moído, além de bebidas à base de café.
Todos esses produtos foram fabricados no Vraem (Vale dos Rios Apurímac, Ene e Mantaro), uma zona geopolítica estratégica no Peru, situada entre os departamentos de Ayacucho, Cusco, Huancavelica e Junín.
Essas associações são fortalecidas pela Missão Nacional para o Desenvolvimento e Vida sem Drogas (Devida), por meio da atividade associativa, da assistência técnica especializada em gestão organizacional e comercial, bem como da implementação de módulos de processamento em anos anteriores.
A Devida é um organismo público técnico do Peru, vinculado à Presidência do Conselho de Ministros, responsável por projetar e dirigir a Estratégia Nacional de Luta contra as Drogas e que está responsável pela organização.
Foto: Divulgação/DEVIDA
Café e cacau = Qualidade de vida
“Essas intervenções contribuem para melhorar a qualidade dos produtos, aumentar sua competitividade e gerar maior renda sustentável para as famílias produtoras”, acrescentou a Devida por meio de sua assessoria.
O órgão também acrescentou que essas ações fazem parte da Política Nacional de Drogas para 2030, que promove o desenvolvimento alternativo abrangente e sustentável, visando reduzir as disparidades econômicas e consolidar economias legais em territórios vulneráveis ao tráfico de drogas.
Carne de peixe cultivada a partir de células é uma tecnologia emergente. Foto: Reprodução/Embrapa
A Embrapa Pesca e Aquicultura (Palmas-TO) está realizando uma pesquisa junto à população para verificar o grau de aceitação à carne de peixe produzida a partir de células na indústria. É o primeiro estudo do gênero no país.
Segundo Diego Neves de Sousa, supervisor do Setor de Prospecção e Avaliação de Tecnologias (SPAT) da Embrapa Pesca e Aquicultura, levantamentos sobre a chamada “agricultura celular” são incipientes no Brasil e ainda mais escassos no contexto do pescado.
“A pesquisa é importante pelo fato de identificar as preferências do consumidor e suas intenções de compra em relação à carne de peixe cultivada à base de células, se vai ter aceitação ou não no mercado”, explica.
Os interessados em participar da pesquisa devem clicar AQUI. O questionário leva apenas oito minutos para ser respondido e a participação é totalmente anônima, sem coleta de informações pessoais que permitam a sua identificação.
Segundo Eduardo Varela, pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura e responsável pela pesquisa, a carne de peixe cultivada desta forma é produzida a partir de uma pequena amostra de células retirada de peixes.
“Em seguida, as células são cultivadas e produzidas na indústria para crescer e formar a carne, sem necessidade das etapas de criação e abate de animais”, detalha.
Pesquisa sobre a carne de peixe cultivada
A pesquisa busca identificar quais os fatores que influenciam na aceitação, no interesse em experimentar e quais são as possíveis barreiras ou motivações relacionadas a esse tipo de alimento.
“A carne de peixe cultivada a partir de células é uma tecnologia emergente, já desenvolvida em outros países e pode representar uma nova forma de produzir proteínas. O método contribui para uma produção de alimentos mais limpa, reduzindo a pressão sobre estoques naturais e impactos ambientais”, enumera Varela.
Filé de tambaqui. Foto: Reprodução/ Instagram-@Lenapescados
O pesquisador destaca que os resultados contribuirão para estudos sobre aceitação de novas tecnologias alimentares, podendo subsidiar políticas públicas e estratégias de comunicação sobre sustentabilidade e inovação no setor de pescados.
“Os investimentos da agenda de P&D da Embrapa são orientados com base nas demandas do mercado e do consumo. Sabemos que o mercado de proteínas alternativas é uma realidade e uma tendência. Não sabemos nada no Brasil sobre a percepção do consumidor brasileiro em relação ao consumo desses novos produtos. A pesquisa é justamente para buscar esses sinais e embasar a empresa para futuros investimentos”, conclui Varela.
Jacaranda copaia é usada para reflorestar áreas degradadas. Foto: Hedayson Rogério
Para celebrar a Festa Anual das Árvores, o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) convida o público para participar da trilha “Botânica Social”, na manhã do próximo sábado (28/03), no seu Parque Zoobotânico (PZB). Planejado para pessoas de todas as idades, o passeio terá três saídas: às 9h, às 10h e às 11h. Basta passar pela bilheteria e a equipe de guias do Serviço de Educação do Parque irá recepcionar os interessados em frente a Rocinha.
No roteiro, 11 paradas. Em cada uma, a história de uma árvore será compartilhada, a partir de sua importância histórica, cultural, ambiental e social. A programação é um convite para aprender, com base na ciência e nos saberes tradicionais, sobre a biodiversidade amazônica e sobre a relação humana com a botânica. A trilha finalizará diante da árvore jacarandá copaia, também chamada de parapará, a espécie homenageada pelo Museu Goeldi este ano.
Floração de jacaranda copaia ocorre entre agosto e setembro. Foto: Hedayson Rogério
A Festa Anual das Árvores consta no calendário nacional, instituída pelo Decreto n° 55.795, de 24 de fevereiro de 1965. O objetivo é difundir conhecimentos acerca da conservação das florestas e valorizar as práticas de preservação das árvores. A chefe do Serviço de Educação do MPEG, Mayara Larrys, explica que, tradicionalmente, o Museu Goeldi comemora a data com atividades educativas.
“A nossa programação anual expressa o compromisso da instituição em fazer divulgação científica, aproximando os públicos de todas as idades da biodiversidade que temos no ambiente, e também dos aspectos sociais e culturais atrelados a ela. Cada vez que o público participa, aprende as formas de conservação das espécies, mais especificamente das espécies amazônicas; conhece a importância destas espécies para a nossa região; e reflete sobre como a preservação da biodiversidade é a solução para enfrentarmos a crise climática”, descreve.
Jacarandá copaia, a árvore homenageada pelo museu
No Parque Zoobotânico, existem dois exemplares do jacarandá copaia (também conhecido como parapará, caroba e marupaúba), sendo um com 25 e outro com 28 metros. Eles estão localizados perto do viveiro da onça e ao lado do bambuzal. As copas do jacarandá copaia ganham o colorido das flores roxas entre agosto e novembro, quando passam a ser visitadas por abelhas grandes, chamadas de mamangavas, responsáveis pela polinização.
Sua madeira é considerada leve, de cor branco-palha, sendo indicada para fabricação de objetos como brinquedos, caixas e cabos de ferramentas. Devido à beleza da sua floração, é considerada uma boa opção para projetos de arborização urbana e, por causa do seu crescimento rápido, costuma ser uma espécie estratégica para a recuperação de áreas degradadas.
Com mais de 20 metros de altura, copa de jacaranda copaia se destaca no parque. Foto: Hedayson Rogério
O jacarandá copaia, geralmente, é encontrado no norte da América do Sul, em países como Brasil, Bolívia, Belize, Guiana e Guiana Francesa. Em território brasileiro, a espécie possui ampla distribuição nos estados do Pará, Amazonas, Mato Grosso e Maranhão. Por suas propriedades anti-inflamatórias, na medicina tradicional, é valorizada em tratamentos para aliviar os sintomas de artrose e reumatismo. A infusão de folhas e cascas em banhos serve para combater infecções na pele, devido à sua ação antisséptica e cicatrizante. Problemas renais, sífilis e relacionados ao colesterol alto também já foram combatidos com a espécie.
Engenheiro agrônomo responsável pelo setor de flora do Parque, Hedayson Rogério explicou que o jacarandá copaia foi escolhido como árvore homenageada este ano por ser uma espécie emblemática da Amazônia devido à beleza da sua floração.
“Outro motivo foi a sua importância ecológica como pioneira na regeneração de florestas degradadas e na captura de carbono, além dos benefícios para a fauna silvestre, sendo um excelente referencial de valor educativo e científico para abordar a importância da conservação do uso sustentável da floresta e da manutenção da biodiversidade”, ressaltou.
A copaíba, a seringueira, o açaizeiro, a samaumeira, o cupuaçuzeiro, o mogno, o pau rosa, o cipó alho, a castanheira e o jacarandá copaia formam o “elenco” de árvores que serão visitadas no decorrer da trilha “Botânica Social”, na manhã do próximo sábado. Com duração prevista de 45 minutos, o passeio revelará histórias e curiosidades sobre cada espécie, com a explicação de guias do Serviço de Educação do MPEG. Cada grupo será formado por ordem de chegada, com capacidade de até 30 participantes. Vale lembrar que a concentração estará ocorrendo em frente ao prédio da Rocinha, próximo à bilheteria.
Foto: Adrya Marinho/MPEG
As árvores do roteiro estão entre as 3.034 árvores que vivem no Parque Zoobotânico do Museu Goeldi. Do total de exemplares, 282 possuem mais de 20 metros de altura e 73 são espécies frutíferas.
O chefe do Serviço de Administração do PZB, Pedro Pompei, falou sobre algumas raridades preservadas no lugar. “A gente tem frutas aqui que já foram muito populares, como o cutite, o camitiê e o pajurá de Óbitos. Temos frutíferas que as pessoas nem lembram mais que existem e que as frutas não são mais encontradas nas feiras porque os prédios foram crescendo e as casas e os quintais foram desaparecendo”, frisando que as frutíferas são atraentes, mas as frutas não podem ser colhidas, uma vez que são alimentos para a fauna livre do Parque Zoobotânico.
Atenção para o que é proibido no Parque Zoobotânico
Riscar as árvores e subtrair vegetação;
Alimentar os animais e retirar os frutos das árvores;
Transportar ou carregar animais domésticos ou silvestres;
Atirar qualquer objeto dentro dos recintos dos animais;
Fumar dentro do Parque;
Ultrapassar canteiros, portões e muros de proteção;
Inseto barbeiro, causador da Doença de Chagas. Foto: Divulgação/Ministério da Saúde
A Superintendência de Vigilância em Saúde (SVS) confirmou seis casos de doença de Chagas em Macapá, no Amapá. Outros quatro casos estão em investigação. Todos estão relacionados ao consumo de açaí contaminado.
Uma pessoa morreu em decorrência da doença, e outra morte ainda está sob análise das autoridades de saúde. O alerta reacende a preocupação com a doença, que pode ser silenciosa e evoluir para complicações graves. Conheça os sintomas e saiba como se prevenir:
Principais sintomas da fase aguda
Febre persistente por mais de 7 dias
Mal-estar intenso
Inchaço no rosto e no abdômem
Cansaço extremo
Dificuldade para realizar atividades simples
Sem tratamento, a doença pode evoluir para a fase crônica, que não tem cura, e provocar problemas graves no coração, rins e sistema digestivo. A professora e poeta Carla Nobre, que descobriu a doença em 2008 durante um surto no estado, reforça a importância de atenção aos sinais.
“Eu fiquei 30 dias com febre, rosto e abdômen inchados, sem conseguir sequer segurar um copo de água. Só depois, com a ajuda de uma infectologista, descobri que era Chagas e comecei o tratamento”, disse.
Professora Carla Nobre contraiu doença de Chagas em 2008. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AP
Como ocorre a transmissão?
Na Amazônia, a transmissão costuma ser oral, ligada ao consumo de açaí contaminado pelo inseto barbeiro.
“Os açaizeiros estão em regiões de mata, onde há barbeiros. Quando o fruto é triturado junto com o inseto, há uma carga parasitária muito grande, o que pode levar à infecção”, explicou a superintendente da SVS, Cláudia Pimentel.
A orientação é consumir açaí apenas de locais fiscalizados e com boas práticas de higiene.
Insetor vetor da Doença de Chagas. Foto: Reprodução/ Centro de Vigilância em Saúde
“É importante que os empresários sigam protocolos adequados de manejo do fruto, desde a colheita até o momento em que é batido na batedeira”, reforçou Cláudia.
A professora Carla acrescenta que o sistema de saúde precisa estar preparado para identificar rapidamente os casos:
“Não adianta só conscientizar quem produz o açaí. O Amapá precisa estimular exames preventivos para identificar casos antes que evoluam”.
*Por Isadora Pereira e Michele Ferreira, da Rede Amazônica AP