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Setor industrial do Pará registra crescimento acumulado de 65,8% entre 2018 e 2025

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Setor industrial do Pará registra crescimento acumulado de 65,8% entre 2018 e 2025. Foto: Reprodução/Fapespa

O Pará celebra o destaque da força do setor industrial na economia estadual. Dados da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) mostram que, entre 2018 e 2025, a indústria paraense acumulou crescimento de 65,8%, impulsionada principalmente pela indústria extrativa, transformação e construção civil.

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O avanço do setor também ganha visibilidade durante a XVII Feira da Indústria do Pará (Fipa 2026), considerada a maior vitrine industrial da Amazônia, realizada de 20 a 23 de maio, no Hangar Centro de Convenções, em Belém. O evento reúne empresas, investidores, especialistas e representantes do poder público para debater inovação, sustentabilidade e desenvolvimento econômico regional.

Segundo levantamento da Fapespa, o setor industrial saiu de R$ 45,5 bilhões em 2018 para R$ 72,6 bilhões em 2025. O maior pico foi registrado em 2021, quando a indústria alcançou R$ 111,3 bilhões, influenciada pela valorização internacional do minério de ferro e pela alta do dólar.

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Setor industrial do Pará registra crescimento acumulado de 65,8% entre 2018 e 2025
Setor industrial do Pará registra crescimento acumulado de 65,8% entre 2018 e 2025. Foto: Divulgação

Em termos de representatividade na economia paraense, a participação da indústria no Produto Interno Bruto (PIB) total do Estado iniciou o período em 28,2%, em 2018, e atingiu seu ápice histórico em 2021, quando passou a responder por expressivos 42,3% de toda a riqueza gerada no Pará. Após as flutuações de mercado nos anos seguintes, a fatia do setor industrial na atividade econômica chegou em patamares estáveis, consolidando uma participação estimada em 25,4% no PIB paraense em 2025.

“Os dados da Fapespa mostram claramente o sucesso da indústria no nosso Estado e muito disso se deve certamente à ação proativa do governo do Pará, fornecendo a infraestrutura, desburocratizando e auxiliando o setor produtivo naquilo que compete ao governo.  Os dados revelam que o nosso Estado está no caminho certo e continuamos acelerando a nossa economia”, explica o presidente da Fapespa, professor Marcel Botelho.

A indústria extrativa continua sendo a principal atividade econômica do setor, respondendo por mais de 60% da indústria estadual. Em 2020, por exemplo, o segmento cresceu 81,5%, impulsionado pelo aquecimento do mercado global de commodities minerais.

Após a forte retração registrada em 2022, causada pela queda dos preços internacionais do minério de ferro e pela desaceleração econômica chinesa, o setor voltou a apresentar recuperação gradual a partir de 2023.

Setor industrial do Pará registra crescimento acumulado de 65,8% entre 2018 e 2025. Foto: Sidney Oliveira/Agência Pará

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Os dados estimados para 2024 e 2025 indicam novo avanço, especialmente na indústria da transformação, puxada pelos segmentos de metalurgia, fabricação de produtos minerais não metálicos, bebidas, alimentos e madeira.

Para a coordenadora de Estatística Econômica e Contas Regionais da Fapespa, Regina Sanches, os números demonstram a importância estratégica da indústria para o desenvolvimento do Pará, principalmente diante do cenário de debates sobre sustentabilidade e bioeconomia na Amazônia. 

A atual edição da Fipa reforça esse movimento ao trazer como tema “Amazônia: raiz do futuro”, destacando soluções sustentáveis, inovação industrial e oportunidades de negócios alinhadas à economia verde. A expectativa da organização é receber mais de 30 mil visitantes, em mais de 100 estandes de empresas locais, nacionais e multinacionais.

Setor industrial do Pará registra crescimento acumulado de 65,8% entre 2018 e 2025. Foto: Divulgação

Durante a feira, o governo do Pará também apresenta políticas públicas voltadas à verticalização das cadeias produtivas, fortalecimento da sociobioeconomia e atração de investimentos para o Estado. 

“No Dia da Indústria, os indicadores reforçam o papel estratégico do Pará como uma das principais fronteiras industriais do País e destacam o potencial do Estado para consolidar uma economia cada vez mais conectada à inovação e à sustentabilidade”, avalia a diretora de Estatística e de Tecnologia e Gestão da Informação da Fapespa, Atyliana Dias.

*Com informações da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas

Ibama constata ‘indícios’ de irregularidades de mineradora vizinha de terra indígena no Amazonas

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Rejeitos de operações da mineradora Taboca no rio Alalaú, que corta território indígena, podem ter causado a morte de botos e tartarugas. Foto: Reprodução/ACWA

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aponta “indícios de ilícito ambiental” em uma área de mineração vizinha ao território dos Waimiri Atroari, no Amazonas. Entre abril e maio, indígenas afirmam ter encontrado animais mortos, como botos e tartarugas, nos rios que cortam a terra indígena e a suspeita é que os rejeitos das operações da Mineração Taboca, maior produtora de estanho refinado do Brasil, teriam poluído as águas dessa porção da Amazônia.

“As evidências visuais obtidas via sensoriamento remoto confirmam que a frente de lavra e a degradação ambiental associada avançam em direção ao limite imediato da TI Waimiri Atroari”, informa um documento enviado em 19 de maio ao Ministério Público Federal no Amazonas (MPF-AM), que investiga o caso.

Segundo relatos dos indígenas, grandes manchas de lama com “odor forte” e “coloração barrenta” teriam atingido, no início de abril, um igarapé que atravessa a área de mineração e deságua no Alalaú — o principal rio do território dos kinja, como são conhecidos os Waimiri Atroari. Semanas depois, dois botos, duas tartarugas e uma arraia foram encontrados mortos, como mostram registros fotográficos feitos pelos próprios indígenas. De acordo com os relatos dos kinja, não haveria sinais de ataques de predadores naturais.

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Um ofício enviado em 29 de abril pela Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) ao MPF-AM também chama atenção para o potencial impacto sobre os botos. “A morte de um mamífero aquático deste porte é um indicador biológico crítico de que a toxicidade e/ou a alteração física da água atingiu níveis insuportáveis para vida selvagem”. O documento alerta para a configuração de um “desastre ambiental de proporções severas”.

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Mineradora nega relação

Em nota, a assessoria de imprensa da Taboca afirmou que, até o momento, não havia sido formalmente notificada sobre novas diligências relacionadas ao procedimento no MPF-AM. A mineradora disse que “segundo conhecimento da empresa, não há relação causal ou técnica entre os fatos relatados e as suas operações” e reafirmou seu compromisso com a “colaboração integral com as autoridades para o completo esclarecimento dos fatos”. A íntegra da nota pode ser lida neste link.

As investigações fazem parte de um inquérito civil do MPF-AM que apura se a mineradora seria a responsável pela contaminação de rios no território dos Waimiri Atroari. O processo corre desde 2021, depois que fortes chuvas provocaram o transbordamento de estruturas de contenção de rejeitos da mineração.

Ano passado, após uma análise química, a apuração do MPF detectou traços de chumbo, arsênio e outras substâncias tóxicas na água do igarapé que alimenta o Alalaú.

Em ofício enviado para o MPF-AM em maio, Ibama aponta para indícios de ilícito ambiental” na área da mineradora. Foto: Reprodução/MPF-AM

O caso foi revelado pela Repórter Brasil na série de reportagens ‘Kinja: o povo indígena com medo do rio‘, em parceria com a Rainforest Investigations Network (Pulitzer Center). A mineradora contesta os laudos que apontam a contaminação das águas. Há mais de 40 anos na região, a Taboca atualmente é controlada por uma estatal chinesa e busca expandir a exploração dos minerais críticos, como cassiterita (matéria-prima do estanho), tântalo, nióbio e elementos de terras raras — estes ainda na fase de estudos.

No fim de abril, após tomar conhecimento dos relatos dos indígenas, o MPF-AM solicitou um posicionamento do Ibama, órgão federal responsável pelo licenciamento e pela fiscalização do empreendimento. A análise preliminar do Ibama afirma que “manchas de solo exposto e extração mineral extrapolam visivelmente os limites geográficos dos processos minerários”.

Leia também: MPF processa mineradora responsável pelo desmoronamento de porto no Amapá

Segundo o órgão federal ambiental, uma vistoria no local ainda seria necessária para confirmar a origem do problema e definir eventuais diligências. O Ibama também aponta a ausência de “zona de amortecimento ou distância de segurança” entre o complexo minerário da mineradora e a terra indígena.

O MPF pediu que o Ibama realize vistoria presencial das atividades da Taboca, “com coletas de amostras de água, sedimentos, tecidos vegetais e fauna aquática em pontos diversificados”. A Procuradoria acionou também a Polícia Federal e pediu “a instauração de inquérito policial” para apuração de possíveis crimes ambientais cometidos pela mineradora.

Procurada pela Repórter Brasil, a Mineração Taboca reafirmou seu “compromisso com a condução responsável de suas operações” e disse que “segue acompanhando o contexto relatado pelas comunidades e reconhece a importância de que os fatos sejam esclarecidos com base em evidências técnicas e científicas”. Leia a resposta na íntegra aqui.

Mineradora contesta laudo

Mapa da mineradora e a Terra Indígena Waimiri Atroari
Mapa: Rodrigo Bento/Repórter Brasil

Em funcionamento desde 1982, a mina de Pitinga, operada pela Taboca, foi instalada em uma área considerada tradicional pelos kinja, após um decreto presidencial reduzir parte da TI para viabilizar a exploração das jazidas

“Embora esteja fora dos limites, as jazidas estão nas imediações da Terra Indígena. Então é evidente que as consequências socioambientais vão incidir sobre o interior do território”, afirma André Porreca, titular do 2º Ofício da Amazônia Ocidental e responsável pela investigação do MPF-AM.

Após reunião com os indígenas no mês passado, o MPF-AM solicitou providências à ANM (Agência Nacional de Mineração), responsável pela fiscalização da atividade minerária. A autarquia respondeu que iria se reunir com a equipe técnica da mineradora para “tratar de vários assuntos”, entre eles uma “programação de vistoria de campo com possível data de ocorrência para o mês de junho”.

Em nota, a ANM confirmou que se reuniu com a Taboca na última sexta-feira (22) e informou que deve realizar uma vistoria na área da mineradora na segunda quinzena de junho, “com o objetivo de apurar pendências técnicas e processuais”.

A agência afirmou que não foi informada pelos órgãos ambientais sobre atividade de extração mineral fora dos limites autorizados. Ressaltou, porém, que a “eventual constatação de irregularidade está sujeita à devida apuração, mediante instauração dos procedimentos administrativos pertinentes e adoção das medidas cabíveis, nos termos da legislação vigente”.

Leia também: Mineração em terras indígenas da Amazônia aumentou 1.217% nos últimos 35 anos

Em março, a assessoria de imprensa da mineradora enviou nota à Repórter Brasil informando que “não há evidências que indiquem nexo de causalidade” entre suas operações e a possível contaminação do rio.

O posicionamento informou ainda que o relatório de análises químicas que detectou traços de chumbo, arsênio e outras substâncias tóxicas no igarapé Tiaraju “apresenta lacunas metodológicas que comprometem a reprodutibilidade de informações, além de inconsistências técnicas, o que demanda aprofundamento para conclusão definitiva”. A íntegra da manifestação está disponível neste link.

Animais mortos assustam indígenas

Em 27 de abril, indígenas encontraram uma tartaruga morta boiando no rio Alalaú. Na manhã seguinte, foi a vez de dois botos – um deles já em estado de decomposição. A água apresentava então coloração barrenta e odor forte, segundo o ofício enviado pela Funai ao MPF-AM em 29 de abril e um relatório de fiscalização de 18 de maio. “A cor da água não está normal”, confirma Ewepe Atroari, morador da aldeia Maryda.

Duas semanas após o envio do ofício ao MPF-AM, os indígenas encontraram uma arraia e outra tartaruga mortas no leito do rio Alalaú. “A nossa preocupação é com os animais que vivem no rio e morreram”, diz Ewepe.

Para Funai, a morte dos mamíferos pode ser um indicador de que a toxidade da água “atingiu níveis insuportáveis para vida selvagem”. Foto: Reprodução/ACWA

Essa não foi a primeira vez que os kinja encontraram peixes e mamíferos aquáticos mortos. Em 2021, após o transbordamento de rejeitos da mineração, eles registraram em fotografias os cadáveres de tartarugas e de um peixe-boi. Também relataram diminuição dos peixes, base da sua alimentação.

Ancião Ky’netxiri Atroari, aldeia Alalaú. Foto: Fernando Martinho /Repórter Brasil

“A água barrenta desceu pelo rio, matando o peixe. Não tem mais condição de tomar água e o peixe está morrendo”, relatou o ancião Kynetxiri Atroari, em entrevista realizada em outubro de 2025.

Ele guarda a lembrança de um rio limpo que, a partir da instalação da mineradora nos anos 1980, teria sido alterado. “Na minha infância o Alalaú era limpo, tinha muito peixe e fartura. A poluição da Taboca chegou e atingiu tudo”, queixa-se.

A investigação do MPF-AM busca identificar se a mineradora é responsável pelo vazamento de rejeitos e pela contaminação do rio. Se a suspeita for confirmada, o próximo passo “seria impedir que o dano ambiental continue acontecendo”, afirma o procurador André Porreca.

Uma das hipóteses investigadas é que as barragens da mineradora não seriam adequadas para a contenção dos rejeitos. Nesse caso, explica o procurador, seria preciso avaliar melhorias nas estruturas, além de possíveis indenizações e medidas de despoluição. “Época de chuvas tem todos os anos, então precisa resolver”, complementa.

Mário Paruwe, diretor da ACWA. Foto: Fernando Martinho/Repórter Brasil

No final de abril, o MPF-AM ouviu os indígenas em uma audiência extrajudicial. “É muito tempo causando problemas. Falamos, mandamos documento. A Taboca está aí, será que eles escutam a palavra do indígena?”, questionou Mário Paruwe, diretor da ACWA, a Associação Comunidade Waimiri Atroari.

De acordo com a ata da reunião, os indígenas “identificaram, ainda, a Mineração Taboca como a única fonte poluidora da região e mencionaram que o transbordo de resíduos ocorre de forma recorrente nos períodos de pluviosidade”.

Em meio às investigações, a mineradora firmou em abril um termo de cooperação de R$ 12 milhões com a ACWA. A empresa se comprometeu a apoiar iniciativas de segurança alimentar, com projetos de criação de animais (como peixes, porcos e galinhas) e de perfuração e manutenção de poços artesianos nas aldeias

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Repórter Brasil, escrito por Isabel Harari com edição Carlos Juliano Barros

Planta amazônica usada contra glaucoma, jaborandi ganha banco vivo de conservação em Carajás

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Jaborandi é a única fonte natural conhecida de pilocarpina, composto usado no tratamento de glaucoma e outras doenças. Foto: Reprodução/Instituto Tecnológico Vale

Uma planta amazônica fundamental para a medicina moderna está no centro de um projeto inovador de conservação desenvolvido na Floresta Nacional de Carajás, no Pará. O jaborandi (Pilocarpus microphyllus), única fonte natural conhecida da pilocarpina — composto usado no tratamento de glaucoma, síndrome de Sjögren e xerostomia —, é classificado como vulnerável na Lista Vermelha da Flora Brasileira, pressionado por décadas de manejo e coleta inadequados e pela perda de habitat.

A situação é especialmente crítica porque não há alternativa sintética consolidada à pilocarpina extraída da planta, o que torna a conservação da espécie uma questão simultaneamente ecológica, médica e econômica.

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Para preservar sua diversidade genética a longo prazo, pesquisadores do Instituto Tecnológico Vale Desenvolvimento Sustentável (ITV) criaram uma coleção inter situ na FLONA Carajás, ou seja, um banco de germoplasma com plantas vivas, cultivadas em condições seminaturais em áreas de restauração ecológica dentro da própria floresta. O trabalho foi publicado na renomada revista científica PLOS One.

A abordagem foi necessária porque o jaborandi não pode ser conservado pelos métodos convencionais. “As sementes de jaborandi perdem viabilidade rapidamente, o que dificulta a conservação nas formas tradicionais”, explica o pesquisador Cecilio Caldeira Frois, autor correspondente do estudo.

“Uma das formas viáveis de conservação do patrimônio genético da espécie é a implementação de um banco de germoplasma com plantas vivas”.

Leia também: Jaborandi em ambiente natural tem maior nível de substância que trata glaucoma, aponta pesquisa realizada no Pará

jaborandi
Fotos: Brendo Pereira/Ascom Ufra

Resultados expressivos do estudo com jaborandi

Entre 2020 e 2023, a equipe coletou sementes de quatro populações geneticamente distintas dentro da FLONA, produziu mudas em viveiro e as transplantou para antigas áreas de mineração em diferentes estágios de recuperação. O monitoramento foi conduzido individualmente  — cada planta rastreada desde sua origem materna até o campo —, o que permitiu identificar gargalos em cada etapa da propagação e ajustar as estratégias de coleta a cada campanha.

Até 2023, três das quatro populações apresentaram resultados expressivos, com mais de 500 plantas estabelecidas cada e representação genética adequada das populações silvestres. A quarta população, porém, ainda enfrenta desafios e segue como prioridade para as próximas campanhas de coleta.

Para Frois, os números positivos indicam progresso. “Estamos no caminho para estabelecer o banco de germoplasma de forma eficaz. No entanto, alguns desafios ainda persistem. O jaborandi é uma espécie desafiadora, mas o conhecimento gerado tem possibilitado avanços significativos que sugerem que estamos na direção correta”, afirma.

O projeto tem como um de seus pilares a participação da cooperativa local CoEx-Carajás, formada por famílias que manejam o jaborandi na floresta há gerações. Segundo o pesquisador, os cooperados não são apenas coletores de sementes; eles integram o planejamento desde o início.

“Eles são fundamentais para a identificação das necessidades e da viabilidade das propostas que buscamos desenvolver visando à conservação e ao uso sustentável do jaborandi”, diz Frois.

Leia também: Mina de Carajás: conheça a maior mina de minério de ferro a céu aberto do mundo

Além de conservar a espécie, a coleção inter situ enriquece o sub-bosque das áreas em restauração e gera material biológico para pesquisas e para aprimorar o manejo sustentável nas áreas de coleta tradicional. Os pesquisadores apontam que o modelo pode ser replicado para outras espécies tropicais cujas sementes também não suportam armazenamento convencional e que o artigo foi escrito justamente com esse objetivo, detalhando procedimentos, dificuldades e soluções encontradas ao longo do processo.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori

Boa Vista avança com asfalto na avenida Rio São Francisco, no Bela Vista

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A via está sendo contemplada com cerca de 2 km de pavimentação. Foto: Francisco Sena/PMBV

As melhorias de infraestrutura avançam no bairro Bela Vista com a chegada do asfalto à avenida Rio São Francisco. A via já recebeu mais de 600 metros de drenagem e, agora, está sendo contemplada com cerca de 2 km de pavimentação. Na próxima etapa, receberá serviços de urbanização, incluindo mais de 1,7 km de meio-fio, 1,7 km de sarjeta e 1,8 km de calçadas.

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De acordo com a secretária municipal de Obras, Kaynara Carvalho, as intervenções também contemplam os bairros Jóquei Clube, Jardim Tropical, Airton Rocha, Operário e Nova Cidade. Os investimentos integram um convênio de R$ 24 milhões, viabilizado por meio do Ministério das Cidades e de emenda parlamentar, com o objetivo de ampliar a infraestrutura urbana e melhorar a qualidade de vida da população.

Boa Vista avança com asfalto na avenida Rio São Francisco, no Bela Vista
As intervenções também contemplam os bairros Jóquei Clube, Jardim Tropical, Airton Rocha, Operário e Nova Cidade. Foto: Francisco Sena/PMBV

Ela destacou ainda,  que a avenida Rio São Francisco é uma das principais vias do bairro Bela Vista e está passando por uma transformação completa.

“Agora avançamos com a pavimentação e na sequência, executaremos toda a urbanização da avenida, com canteiro central, calçadas, meio-fio e sarjetas. Estamos entregando uma obra completa, que vai melhorar a mobilidade, proporcionar mais segurança e acessibilidade, valorizar os imóveis e oferecer mais qualidade de vida para os moradores”, destacou a secretária.

Leia também: Boa Vista avança com recapeamento da Avenida Nazaré Filgueiras no Pintolândia

“É um trabalho que a prefeitura faz pensando na população”, garantiu a comerciante Clarisse Sampaio. Foto: Francisco Sena/PMBV

Moradores comemoram chegada do asfalto

“Vai melhorar o tráfego de veículos e até o movimento do meu comércio. Sem falar que também ajuda as crianças a irem para a escola e a creche. É um trabalho que a prefeitura faz pensando na população que precisa desse serviço”, garantiu a comerciante Clarisse Sampaio, moradora do bairro Bela Vista.

O repositor Ramiro Ferreira, que mora na avenida Rio São Francisco, também agradeceu pelas melhorias no bairro. “As obras começaram com a drenagem e, quando vi as máquinas chegando com o asfalto, fiquei muito feliz. Minha casa ficará mais valorizada”, ressaltou.

Mudanças climáticas e saúde: doenças que aumentam com temperaturas extremas e ameaçam milhões de pessoas

Foto: Reprodução/Unifranz

As mudanças climáticas deixaram de ser apenas uma preocupação ambiental e se tornaram um dos maiores desafios de saúde pública do século XXI. O aumento contínuo das temperaturas, as chuvas irregulares, as ondas de calor e a poluição do ar estão alterando o comportamento de doenças infecciosas e exacerbando problemas respiratórios, cardiovasculares e de saúde mental em diversas regiões do mundo.

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que, entre 2030 e 2050, o aquecimento global poderá causar aproximadamente 250 mil mortes adicionais por ano devido à desnutrição, malária, diarreia e estresse térmico. Essa situação é agravada pela disseminação de doenças transmitidas por vetores, como dengue, zika e chikungunya, que prosperam em climas mais quentes e úmidos.

Fernando Siles, professor do programa de Medicina da Universidade Franz Tamayo (Unifranz), explica que as épocas de chuvas criam condições ideais para a proliferação de doenças infecciosas.

“Em Cochabamba, doenças respiratórias como resfriados e gripes são comuns devido ao aumento da umidade. Doenças transmitidas por mosquitos, como dengue e malária, também são prevalentes devido à proliferação desses insetos em criadouros de água parada”, observa o médico.

Leia também: Efeitos das mudanças climáticas são sentidos por um terço dos moradores da Amazônia Legal

Mudanças climáticas e saúde: doenças que aumentam com temperaturas extremas e ameaçam milhões de pessoas
Aedes aegypti. Foto: Reprodução/Fiocruz

Altas temperaturas e chuvas intensas favorecem a reprodução do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. O preocupante é que o inseto começou a se adaptar a áreas onde antes não conseguia sobreviver.

“Nos últimos anos, temos observado que o mosquito se adaptou a novas áreas geográficas; embora não sejam casos excepcionais, trata-se de uma mudança que deve suscitar preocupação”, alerta o Dr. Froilan Mamani Ch., também professor da Unifranz.

Segundo dados da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a América Latina atravessa um de seus períodos mais desafiadores em relação às doenças transmitidas por vetores, devido à combinação de mudanças climáticas, urbanização acelerada e mobilidade humana. As temperaturas mais elevadas permitem que os mosquitos expandam sua área de distribuição geográfica e permaneçam ativos por mais meses do ano.

Até uma década atrás, a presença do mosquito Aedes aegypti acima de 2.550 metros de altitude era considerada improvável. Hoje, cidades e regiões antes consideradas seguras começam a registrar casos.

“Durante a estação chuvosa, os casos de certas doenças aumentam, sendo as mais relevantes a dengue, o zika e a chikungunya. Isso ocorre porque a umidade e a água parada levam à proliferação de mosquitos”, explica Mamani.

A dengue continua sendo uma das doenças mais perigosas. A OMS estima que ocorram entre 100 e 400 milhões de infecções em todo o mundo a cada ano. Em casos graves, o vírus pode causar hemorragias, choque e morte em poucas horas se não houver atendimento médico imediato.

Leia também: Dengue, Zika e Chikungunya: como identificar e se prevenir das doenças que aumentam no período chuvoso na Amazônia

Foto: Divulgação/Arquivo/Ascom Sesau

Mas o impacto das mudanças climáticas na saúde não se limita a doenças infecciosas. Ondas de calor também aumentam o risco de insolação, desidratação e complicações cardiovasculares, especialmente em idosos e pessoas com doenças crônicas. O relatório Lancet Countdown alertou que a exposição prolongada ao calor extremo se tornou uma ameaça crescente para as cidades devido ao efeito de “ilha de calor urbana”, causado pelo acúmulo de concreto e pela falta de áreas verdes.

A poluição atmosférica é outro fator crítico. A OMS estima que cerca de sete milhões de pessoas morrem anualmente devido a doenças associadas à poluição do ar. Os incêndios florestais, cada vez mais frequentes e intensos devido às secas e às temperaturas extremas, agravam os problemas respiratórios e cardiovasculares.

Além disso, especialistas começam a alertar sobre o impacto psicológico da crise climática. Fenômenos como incêndios, inundações e secas geram ansiedade, estresse e uma crescente sensação de incerteza, especialmente entre os jovens. A chamada “ecoansiedade” é hoje reconhecida como uma resposta emocional ligada ao medo da degradação ambiental.

Foto: Divulgação

Diante desse cenário, a prevenção surge como a principal ferramenta para reduzir os riscos. Siles enfatiza a importância da adoção de medidas diárias de proteção à saúde e controle de vetores.

“Essas doenças podem aumentar durante a estação chuvosa devido à proliferação de mosquitos em criadouros de água parada”, destaca o acadêmico.

Eliminar recipientes com água acumulada, usar repelentes, reforçar a vigilância epidemiológica, expandir as campanhas de vacinação e melhorar a infraestrutura de saúde são algumas das ações recomendadas por organizações internacionais e especialistas.

As mudanças climáticas deixaram de ser uma ameaça futura. Seus efeitos na saúde humana são visíveis em hospitais, bairros e comunidades ao redor do mundo. A grande questão não é mais se elas impactarão a saúde pública, mas sim o quão preparados estarão os sistemas de saúde e as sociedades para enfrentar uma crise que se intensifica a cada grau de aumento da temperatura.

*Com informações da Unifranz

Unidades do ICMBio reforçam importância da preservação de animais silvestres

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Maior felino das Américas e espécie-chave para o equilíbrio dos ecossistemas, a onça-pintada depende da conservação dos habitats naturais para sobreviver. Foto: João Marcos Rosa

Uma pesquisa recente do Instituto Vida Livre, em parceria com a Quaest, aponta aquilo que o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) presencia diariamente em suas unidades de conservação (UCs) federais, centros de pesquisa e ações em campo: os brasileiros demonstram preocupação crescente com os animais silvestres e reconhecem a importância da conservação ambiental.

De acordo com o estudo, para 92% dos brasileiros, preservar os animais silvestres é algo “muito importante” (83%) ou “importante” (9%). Além disso, 68% da população acredita que a proteção da fauna deve estar entre as prioridades do país.

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Mais do que revelar empatia pela fauna, a pesquisa evidencia um desafio central para a conservação no país: transformar este sentimento em participação ativa. Isso envolve desde atitudes cotidianas e engajamento social até o fortalecimento das políticas públicas ambientais, das unidades de conservação e das ações de pesquisa, monitoramento e fiscalização.

Nas unidades de conservação e centros de pesquisa do Instituto Chico Mendes, essa questão é prioritária aos trabalhos de quem atua para evitar o desaparecimento silencioso de espécies ameaçadas.

“O resultado dessa pesquisa mostra que a sociedade brasileira compreende algo que a ciência vem alertando há décadas: não existe futuro possível com florestas vazias e espécies desaparecendo diante dos nossos olhos”, salienta Marcelo Marcelino, diretor de Pesquisa, Avaliação e Monitoramento da Biodiversidade (DIBIO) do ICMBio.

Leia também: Saiba o que são as Unidades de Conservação (UCs) e a importância delas para a Amazônia

Segundo ele, quando uma espécie desaparece, não se perde apenas um símbolo da natureza brasileira. “Quando uma onça perde território, quando uma arara desaparece de um bioma, não estamos falando apenas da perda de um animal simbólico – estamos falando do enfraquecimento dos ecossistemas que sustentam a vida, a água, o clima e a própria segurança ambiental da população”, afirma.

Entre os animais silvestres, a pesquisa mostra que a onça-pintada (33%) e a arara (20%) são as espécies que mais representam o Brasil para a população. No ICMBio, projetos desenvolvidos em diferentes biomas ajudam a conservar essas espécies silvestres e também muitas outras que, mesmo menos conhecidas, são fundamentais para o equilíbrio dos ecossistemas brasileiros.

“A proteção da fauna silvestre depende de políticas públicas permanentes, investimento em pesquisa, fiscalização, conservação dos habitats e fortalecimento das unidades de conservação”, destaca Marcelo Marcelino.

Onça, símbolo da fauna silvestre

No Parque Nacional do Iguaçu (PR), o segundo mais visitado do país em 2025, uma das mais importantes populações de onça-pintada da Mata Atlântica sobrevive graças a um esforço contínuo de pesquisa, monitoramento, proteção territorial e cooperação institucional.

“A onça-pintada é uma espécie-chave para o equilíbrio dos ecossistemas e sua presença no Parque Nacional do Iguaçu é um importante indicador da qualidade ambiental da unidade de conservação”, coloca o chefe da unidade, Ulisses dos Santos.

Predadora de topo da cadeia alimentar, a onça regula populações de outras espécies e ajuda a manter processos ecológicos fundamentais para a floresta. Sem ela, o equilíbrio ambiental começa a se desfazer em cadeia. “Onde há onça, há vida”, resume Ulisses.

Leia também: Preservação da fauna silvestre é foco do Centro de Fauna do Tocantins

onça, símbolo da fauna silvestre
No Parque Nacional do Iguaçu, ações de monitoramento e conservação ajudam a proteger uma das mais importantes populações de onça-pintada da Mata Atlântica – Foto: Adriano Gambarini

Leia também: Guardiã do equilíbrio ecológico: a importância da onça-pintada na cadeia alimentar

Mas proteger grandes mamíferos exige muito mais do que admiração pública. A perda e fragmentação dos habitats, os atropelamentos, os conflitos com atividades humanas e a redução dos remanescentes florestais seguem entre os maiores desafios enfrentados pela espécie. É nesse ponto que se apresentam os trabalhos do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (CENAP) do ICMBio.

Embora a onça-pintada seja o animal mais conhecido, o centro atua também na conservação de espécies menos visíveis – e muitas vezes mais vulneráveis – como ariranhas, jaguatiricas, gato-palheiro-pampeano, gato-macambira, raposinha-do-campo e lobos-guará. Para o coordenador do centro, Rogério Cunha, um dos maiores paradoxos da conservação no país é justamente a distância entre o discurso ambiental e o apoio efetivo às ações de campo.

“Todo mundo acha bonito, acha importante proteger, mas quando a gente fala de realmente investir em ações de conservação, em disponibilizar recursos, cadê essas pessoas?” questiona.

Segundo Rogério, muitos projetos de conservação ainda dependem de redes de apoio externas, parcerias e campanhas de financiamento coletivo para fortalecer iniciativas de proteção da fauna. O desafio, afirma, é fazer com que a grande mobilização emocional que os animais despertam também se converta em maior engajamento da sociedade geral e do setor privado com a conservação.

O pesquisador também chama atenção para outro desafio crescente: a disseminação de conteúdos sensacionalistas e fake news envolvendo animais silvestres. Vídeos que tratam onças, lobos e outros carnívoros como atrações turísticas ou animais domesticáveis acabam reforçando uma percepção equivocada da fauna e dificultam estratégias de conservação baseadas em ciência e coexistência responsável.

Para ele, apoiar a conservação também significa defender políticas públicas ambientais e cobrar compromisso institucional dos setores que geram impactos sobre os habitats naturais.

Araras que ajudam a reconectar a cidade com a floresta

No coração de uma das maiores metrópoles do país, o Parque Nacional da Tijuca (RJ) convive diariamente com esse encontro entre pessoas e fauna silvestre. Ali, em meio à Mata Atlântica cercada pela cidade, histórias como as das araras Fátima e Sueli ajudam a aproximar o público urbano da biodiversidade brasileira – e transformam aves em símbolos vivos da conservação.

Além de personagens carismáticas, as araras representam também o trabalho contínuo de conservação, monitoramento e educação ambiental desenvolvido pelo ICMBio. Em uma floresta inserida dentro de uma grande área urbana, proteger a fauna exige pesquisa, manejo, acompanhamento técnico e, principalmente, a construção de uma relação mais consciente entre sociedade e natureza.

Fátima e Sueli, araras-canindé do Parque Nacional da Tijuca e símbolos da conservação da fauna silvestre em meio à Mata Atlântica urbana – Foto: Flávia Zagury/Reprodução ICMBio

A chefe do parque nacional, o mais visitado do país, Viviane Lasmar, vai ao encontro de Marcelino. “Os dados da pesquisa refletem a nossa rotina no Parque Nacional da Tijuca: o brasileiro tem um forte laço afetivo com a fauna silvestre, mas esse sentimento precisa virar cuidado concreto”, diz.

O parque convive com desafios permanentes relacionados à coexistência entre pessoas e vida silvestre. O avanço das construções da cidade, a circulação intensa de visitantes e práticas inadequadas no contato com os animais impactam diretamente a fauna e os ecossistemas protegidos.

É por isso que, segundo Viviane, “proteger essas espécies e combater a síndrome da floresta vazia é um compromisso urgente que depende diretamente das escolhas práticas de cada cidadão”. Ela lembra que pequenas atitudes fazem diferença direta na proteção da fauna: não alimentar animais, respeitar trilhas, descartar corretamente o lixo e compreender que espécies silvestres não pertencem ao ambiente doméstico nem ao entretenimento humano.

“O passo a ser dado, além do afeto, é transformar a empatia pelos bichos em respeito real, educação ambiental e engajamento permanente com o habitat deles”, recomenda Viviane.

Nesse processo, o trabalho do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (CEMAVE) do ICMBio estrutura estratégias de conservação em escala nacional. Como um dos 14 centros de pesquisa do Instituto, avalia o estado de conservação das espécies, elabora Planos de Ação Nacional (PANs), e atua no monitoramento populacional e em ações voltadas à proteção das aves brasileiras ameaçadas.

A coordenadora do CEMAVE, Priscilla do Amaral, também alerta para o fato de existir uma distância significativa entre sensibilização e ação prática, e destaca que as aves possuem enorme capacidade de aproximar as pessoas da biodiversidade justamente porque fazem parte do cotidiano, inclusive em áreas urbanas.

“Elas carregam um forte simbolismo cultural associado à liberdade, beleza e equilíbrio ambiental, funcionando como importantes embaixadoras da conservação”, explica.

Além do simbolismo, o monitoramento das aves também funciona como ferramenta de medição da saúde ambiental dos ecossistemas. O desaparecimento ou redução populacional de determinadas espécies pode indicar desequilíbrios ambientais relacionados ao desmatamento, fragmentação florestal, poluição e/ou mudança do clima.

*Com informações do ICMBio

Rondônia cria Lei Estadual de Inovação que estabelece novo marco legal para impulsionar desenvolvimento tecnológico

Foto: Esio Mendes/ Sedec RO

Rondônia passou a contar com um novo marco legal voltado à ciência, tecnologia e inovação após a aprovação do Projeto de Lei Complementar nº 178/2026. A proposta foi aprovada por unanimidade durante sessão itinerante da Assembleia Legislativa de Rondônia (Alero), realizada no Parque Vandeci Rack, em Ji-Paraná, na 13ª Rondônia Rural Show Internacional.

O texto estabelece diretrizes para ampliar o apoio à pesquisa, ao desenvolvimento tecnológico e ao empreendedorismo inovador no estado. A expectativa é que a legislação contribua para fortalecer o ambiente de inovação, incentivar a criação de startups e aproximar instituições de ensino e pesquisa do setor produtivo.

A proposta foi elaborada pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedec) em conjunto com universidades, centros de pesquisa, representantes do setor empresarial e outras entidades ligadas ao ecossistema de inovação.

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Segundo o governador Marcos Rocha, a nova legislação busca criar condições para que pesquisas desenvolvidas em universidades e centros de pesquisa tenham maior aplicação prática e possam gerar empregos, negócios e desenvolvimento econômico. Ele afirmou que a medida faz parte da estratégia do estado para estimular a modernização e a diversificação da economia.

Ciência, tecnologia e inovação

A aprovação unânime é resultado da mobilização conjunta entre o governo de Rondônia, Assembleia Legislativa, instituições de ensino, pesquisadores, empreendedores e representantes do ecossistema de inovação.

De acordo com o presidente da Fundação de Amparo ao Desenvolvimento das Ações Científicas e Tecnológicas e à Pesquisa do Estado de Rondônia (Fapero), Paulo Haddad, o novo marco legal fortalece a capacidade do estado de promover desenvolvimento econômico por meio do conhecimento.

“Rondônia agora tem uma base legal para exigir avanços que se tornam cada vez mais importantes no desenvolvimento econômico. Tão importante quanto a aprovação por unanimidade é a responsabilidade do Legislativo em apoiar as causas da ciência, tecnologia e inovação. Estudos que levaram ao Prêmio Nobel de Economia deixaram claro: só há desenvolvimento econômico nos tempos atuais se houver inovação”, enfatizou.

Leia também: Justiça Federal autoriza retomada do abate experimental de búfalos invasores em Rondônia

Com a aprovação da matéria, a próxima etapa será a regulamentação da legislação. A coordenadora de Ciência, Tecnologia e Inovação da Sedec, Elizeth Mesquita, informou que os trabalhos terão início imediato. “Agora vamos para mais uma etapa: a regulamentação. Contaremos com a contribuição de todos. Iniciaremos já com a elaboração de uma minuta de decreto.”

Mais investimentos

Entre os principais avanços da nova lei está a alteração da Lei Complementar nº 283/2003, que institui o Fundo de Investimento e Desenvolvimento Industrial (Fider). A medida determina a destinação mínima de 10% do orçamento anual do fundo para ações e projetos de inovação, além de ampliar as possibilidades de captação de recursos para o financiamento de iniciativas estratégicas.

A legislação também estabelece prioridade para projetos de tecnologia social voltados à redução de vulnerabilidades e à melhoria da qualidade de vida da população, além de autorizar a utilização de áreas públicas para implantação de ambientes de inovação, como incubadoras, aceleradoras, centros tecnológicos e parques tecnológicos.

Outro destaque é a criação de mecanismos modernos para contratação de soluções inovadoras pelo poder público, fortalecendo o empreendedorismo tecnológico e reduzindo barreiras para o surgimento de novos negócios. A iniciativa amplia as oportunidades para startups e empresas de base tecnológica atuarem no desenvolvimento de soluções para demandas da administração pública.

O secretário-adjunto da Sedec, Felipe Biasoli, ressaltou que a legislação garante mais segurança e previsibilidade para os investimentos no setor. “O governo do estado tem trabalhado para realizar entregas que mudam para melhor a vida das pessoas. Foi aprovada uma lei que dá diretrizes e previsibilidade aos investimentos em ciência e inovação.”

*Com informações do Governo de Rondônia

Entenda as previsões para o Super El Niño em 2026, que promete ser o mais intenso da década

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El Niño de 2026 pode ser o mais intenso em décadas e previsões indicam quais impactos podem chegar no Brasil como secas, enchentes e ondas de calor. Foto: Cimone Barros/Ascom Inpa

Em 1877, um El Niño de intensidade excepcional desencadeou uma das maiores catástrofes humanitárias do século XIX. Estima-se que dezenas de milhões de pessoas morreram ao redor do mundo em decorrência de secas, fome e doenças associadas ao fenômeno. No Brasil, o Nordeste foi devastado por uma das piores estiagens da sua história, teve lavouras destruídas, êxodo em massa, e uma crise que marcou gerações.

Quase 150 anos depois, modelos climáticos indicam que o El Niño de 2026 pode atingir uma intensidade comparável. A diferença fundamental é que hoje temos ciência, tecnologia e capacidade de nos antecipar. As projeções divulgadas pela NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica Naciona dos Estados Unidos) em maio de 2026 apontam 82% de probabilidade de formação do El Niño entre maio e julho, e 96% de que o fenômeno se mantenha entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027, o que significa impactos que podem se estender até pelo menos o segundo semestre de 2027.

A intensidade máxima ainda é incerta mas, o que pode definir a gravidade é, em grande medida, o nível de preparação e resiliência dos países, estados e cidades que serão atingidos. O El Niño é um fenômeno climático natural causado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical.

Leia também: El Niño em 2026 pode intensificar riscos climáticos na Amazônia

Super El Niño
Impactos do fenômeno El Niño na América do Sul para os períodos de verão (dezembro a fevereiro) e inverno (junho a agosto) Fonte: BTR1/CPTEC/INPE

Esse aquecimento altera padrões de vento e chuvas em escala global, com efeitos opostos em diferentes regiões do Brasil. No Norte, Nordeste e partes do Centro-Oeste do país, o El Niño costuma reduzir as chuvas e elevar as temperaturas, o que deixa essas regiões mais vulneráveis à secas prolongadas e às queimadas.

No Sul, o efeito se inverte e traz chuvas mais intensas e concentradas, elevando o risco de enchentes e deslizamentos. No Sudeste e Centro-Oeste, ondas de calor ficam mais frequentes, geralmente combinadas com baixíssima umidade do ar.

O que é o Super El Niño?

Um Super El Niño ocorre quando a anomalia de temperatura da superfície do mar ultrapassa +2°C em relação à média histórica. Nos últimos 150 anos, isso aconteceu apenas 4 vezes: 1877-78, 1982-83, 1997-98 e 2015-16. Os modelos climáticos atuais indicam que 2026 pode ser o quinto. Caso se confirme, significará um intervalo de pelo menos 5 anos mais curto entre um Super El Niño e outro, o que pode estar associado ao aquecimento global e intensificação das mudanças climáticas.

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O fenômeno do El Niño em si é natural e cíclico, e provavelmente acontece há milhões de anos, mas o que mudou nas últimas décadas é o contexto ambiental em que ele ocorre, contribuindo para o aumento na sua frequência e intensidade. Não é coincidência que entre 2023 e 2025 tenha-se registrado os maiores picos de ondas de calor no Brasil desde 1980, e que eles sejam ainda mais intensos em anos de El Niño.

O oceano é parte essencial desse mecanismo, pois regula o clima do planeta por meio de suas correntes, que distribuem calor ao redor da Terra, influenciando as temperaturas, as chuvas e os padrões climáticos em diferentes regiões.

O fenômeno El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico. — Foto: NOAA

As emissões pela queima de combustíveis fósseis, pelo desmatamento e pela pecuária vem aquecendo o planeta, e os oceanos absorvem a maior parte desse calor. Com os mares em temperatura cada vez mais alta, o El Niño passa a ocorrer em condições mais extremas do que as de décadas anteriores. Assim, embora o El Niño continue sendo um fenômeno natural, seus efeitos são amplificados por um clima cada vez mais desequilibrado. Por isso, proteger os ecossistemas marinhos é, diretamente, fortalecer a resiliência climática de populações costeiras e ribeirinhas.

As florestas também têm papel fundamental nessa equação e, quando degradadas, elas perdem a capacidade de regular a temperatura, reter umidade e influenciar na formação de chuvas. Em anos de seca severa, a floresta em pé e conservada funciona como uma proteção climática. Quando a seca aperta em algumas regiões, cresce muito a probabilidade de incêndios florestais em áreas com mata degradada, que não consegue impedir o avanço do fogo, muitas vezes provocado por ações humanas.

Leia também: Órgãos nacionais e internacionais alertam sobre aumento do fenômeno El Niño em 2026

Os ‘sinais’ do El Niño 2023/2024

O El Niño de 2023/2024 não chegou a ser considerado “Super”, mas sim como “Forte”. Nesse período, o Brasil enfrentou sua maior seca recente em extensão e 4.748 municípios (mais de 80% dos municípios do país) registraram algum grau de estiagem, dos quais quase 1.400 em níveis severos ou extremos. Em 2024, na Amazônia e no Pantanal, incêndios de grandes proporções devastaram extensões territoriais recordes. Comunidades no Norte respiraram ar com concentrações de partículas finas que superaram registros de grandes metrópoles globais, situação documentada em detalhe no relatório Céus Tóxicos, do Greenpeace.

No oceano, o calor extremo também provocou o 4º evento global de branqueamento em massa de corais já registrado, afetando recifes em diferentes regiões do Brasil e deixando os corais expostos a meses consecutivos de estresse térmico. Quando esses ambientes entram em colapso, populações costeiras se tornam mais vulneráveis a perdas econômicas, insegurança alimentar, danos à infraestrutura e aumento do custo de vida, aprofundando desigualdades sociais em cidades e territórios que dependem diretamente do oceano.

No Sul, por exemplo, o Rio Grande do Sul viveu um dos maiores desastres climáticos de sua história. Enchentes de escala inédita destruíram casas, infraestrutura e vidas.

Além das tragédias, o El Niño traz consequências econômicas também. O Banco Central reconheceu o impacto inflacionário do evento sobre os preços dos alimentos, especialmente produtos in natura. Famílias que já comprometem grande parte do orçamento com despesas básicas sentiram diretamente no bolso o custo da estiagem, das queimadas e das enchentes. E reagir depois de instalada a crise custa muito mais do que investir em prevenção antes.

O que esperar em 2026 e 2027 no Brasil

Com base nas análises do Centro de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (CEMADEN) divulgadas em 19 de maio, os padrões esperados para o próximo ciclo seguem o comportamento histórico dos Super El Niños anteriores.

Norte, Nordeste e partes do Centro-Oeste: Redução de chuvas, temperaturas mais altas e maior vulnerabilidade a secas prolongadas. Os efeitos sobre a geração de energia hidrelétrica nas bacias do Xingu, Madeira e Tocantins-Araguaia são uma preocupação concreta. Menos água nos rios significa menos energia e mais pressão sobre os preços, além da degradação da qualidade da água, do ecossistema, e dos impactos da seca para a população local.

Ainda nessas regiões, sobretudo na Amazônia Legal e no Pantanal, as temperaturas elevadas e a possibilidade de secas prolongadas aumentam significativamente os riscos de incêndios florestais, frequentemente agravados pelo uso inadequado ou criminoso do fogo. Embora o cenário para o bioma Amazônia ainda seja incerto para este ano – devido ao elevado volume de chuvas incomum para a época – permanecem em estado de alerta as áreas de transição entre a Amazônia e o Cerrado e, principalmente, o Pantanal.

O alerta, inclusive, já foi reforçado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Flávio Dino intimou a União e os estados dessas regiões a informarem, no prazo de até 10 dias úteis, quais providências e planejamentos estão sendo adotados diante das projeções já divulgadas.

Sul: aumento significativo no volume e na intensidade das chuvas entre setembro e dezembro. Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná concentram os maiores riscos de enchentes, enxurradas e deslizamentos. Porto Alegre segue como área de atenção máxima, com infraestrutura ainda em recuperação.

Sudeste e Centro-Oeste: ondas de calor mais frequentes combinadas com baixa umidade, impactando saúde pública, produção agrícola e segurança hídrica.

Oceano: Dados do NOAA mostram que 10% das áreas monitoradas no mundo já registram branqueamento de corais em 2026 e o El Niño pode agravar a situação. Duas estações no Brasil, Maracajaú (RN) e Todos os Santos (BA) já estão sob alerta de branqueamento inicial.

Em todos os casos, os impactos mais severos tendem a recair sobre quem tem menos recursos para se proteger: comunidades periféricas, indígenas, ribeirinhas, costeiras e agricultores familiares.

O que fazer agora?

A diferença entre o El Niño de 1877 e o de 2026 não está apenas no tempo que passou, está também na capacidade de agir com base em informação antecipada. Segundo dados da plataforma AdaptaBrasil, dois em cada três municípios brasileiros têm baixa ou muito baixa capacidade adaptativa às mudanças climáticas, evidenciando fragilidades na preparação e resposta a eventos extremos e suas consequências, e isso pode fazer a diferença entre uma crise gerenciável e uma tragédia anunciada.

Para que os eventos previstos não repitam o que vimos em 2023/2024, governos federal, estaduais e municipais precisam agir agora:

  • Ampliar o orçamento em adaptação climática, prevenção e resposta a desastres;
  • Garantir que governos federal, estaduais e municipais estejam preparados para prevenir e combater incêndios florestais, especialmente em biomas sob maior risco, como Pantanal, Cerrado e áreas de transição da Amazônia;
  • Implementar infraestrutura verde e azul nas cidades – recuperação de rios, parques alagáveis, áreas permeáveis, reflorestamento urbano;
  • Fortalecer a proteção costeira e marinha por meio de áreas marinhas protegidas que incluam corredores migratórios, áreas de alta biodiversidade e ecossistemas estratégicos como recifes de coral e manguezais,
  • Fortalecer sistemas de defesa civil, monitoramento climático e resposta rápida a eventos extremos;
  • Barrar retrocessos na legislação ambiental e o avanço de medidas que enfraqueçam ainda mais a fiscalização, o licenciamento ambiental e a capacidade do Estado de prevenir crimes ambientais e queimadas ilegais.
  • Garantir que as comunidades mais vulnerabilizadas participem das decisões, não apenas sofram as consequências.

*Com informações do Greenpeace

Curta documental aponta soluções para evitar colapso da Amazônia

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Curta reúne vozes da ciência indígena e acadêmica para mostrar que soluções baseadas na natureza não apenas existem, como já estão sendo implementadas. Foto: Reprodução/Youtube-WWF-Brasil

Em meio ao avanço do desmatamento, da degradação florestal e da crise climática, o curta documental ‘Ponto de Virada da Amazônia’, produzido pelo WWF-Brasil, traz uma mensagem urgente: ainda é possível evitar o colapso da maior floresta tropical do planeta – mas o tempo para agir está se esgotando.

Codirigido por Fer Ligabue, Jacqueline Lisboa e Solange Azevedo, o filme reúne vozes da ciência indígena e acadêmica para mostrar que soluções baseadas na natureza não apenas existem, como já estão sendo implementadas por povos e comunidades que protegem a floresta há gerações.

O curta acompanha iniciativas do povo Paiter Suruí, na Terra Indígena Sete de Setembro, em Rondônia, que conciliam conservação ambiental, fortalecimento cultural e geração de renda sustentável. Produção de café, cacau, banana e castanha são algumas das atividades apresentadas no filme como exemplos de uma economia capaz de manter a floresta em pé.

“Essas iniciativas de produzir com responsabilidade e de forma sustentável são um modelo que a gente está propondo para a Amazônia”, afirma o cacique geral Almir Suruí no documentário.

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Curta documental Ponto de Virada da Amazônia direciona o olhar para soluções concretas capazes de evitar esse cenário de colapso ao bioma. Foto: Reprodução/Youtube-WWF Brasil

Mais do que retratar experiências locais, o curta reforça que a proteção da Amazônia é estratégica para o equilíbrio climático global. O bioma abriga mais de 10% da biodiversidade terrestre do planeta, influencia o regime de chuvas em toda a América do Sul e armazena entre 250 e 300 bilhões de toneladas de carbono. No entanto, cientistas alertam que partes da floresta já apresentam sinais de ruptura ecológica.

Curta reforça riscos na Amazônia

O tema dialoga diretamente com o curta documental anterior do WWF-Brasil, Ponto de Não Retorno da Amazônia, premiado no Concurso de Filmes Yale Environment 360 de 2025, que alerta para o risco de a Amazônia atingir um estágio irreversível de degradação, perdendo sua capacidade natural de regeneração e passando a emitir mais carbono do que absorver.

Se o documentário anterior evidenciava os impactos devastadores da destruição ambiental, Ponto de Virada da Amazônia direciona o olhar para soluções concretas capazes de evitar esse cenário.

Entre os entrevistados do novo curta estão Carlos Nobre, copresidente do Painel Científico para a Amazônia, e Ivaneide Bandeira Cardozo, cofundadora da Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé. Ambos reforçam que povos indígenas e comunidades tradicionais desempenham papel fundamental na proteção do bioma e no enfrentamento da crise climática.

O documentário também destaca dados do estudo Nova Economia da Amazônia, segundo o qual investimentos em bioeconomia e conservação podem gerar até 833 mil novos empregos e mais de R$ 40 bilhões anuais para o PIB da Amazônia Legal até 2050, além de reduzir drasticamente as emissões de gases de efeito estufa.

Leia também: Documentários mostram como indígenas atuam na preservação ambiental da Amazônia

Filme reúne vozes da ciência indígena e acadêmica para mostrar que soluções baseadas na natureza não apenas existem, como já estão sendo implementadas. Foto: Jacqueline Lisboa / WWF-Brasil

Ao conectar conhecimento ancestral, ciência e soluções econômicas sustentáveis, Ponto de Virada da Amazônia reforça uma mensagem central: a floresta em pé vale mais do que destruída – ambiental, social e economicamente.

“A maior economia está na floresta em pé. A maior economia está na vida garantida. A maior economia é a economia de um futuro habitável também”, destaca Txai Suruí no filme. “E que dá para produzir. Mas também proteger.”

Em um momento em que a Amazônia se aproxima de limites críticos, o curta evidencia que proteger o bioma não é apenas uma questão ambiental, mas uma decisão essencial para o futuro climático, econômico e humano do planeta.

*Material publicado originalmente pelo WWF-Brasil

Altamira, no Pará, sedia 5ª edição do Chocolat Xingu

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Foto: Divulgação

Altamira, no sudoeste do Pará, sedia o Chocolat Xingu, no Centro de Eventos Vilmar Soares entre 11 e 14 de junho. Essa será a quinta passagem do evento – que é considerado o maior do setor na América Latina – pela Região Transamazônica, importante rota turística e econômica do estado e principal polo cacaueiro do Brasil. A programação será gratuita e aberta para o público geral.

Produtores rurais, agricultores familiares, lideranças setoriais, empreendedores e chefs de cozinha paraenses participarão do evento defendendo a força produtiva e a culinária local, com exposição, degustação e comercialização de uma variedade de produtos de origem do cacau, como chocolate artesanal, nibs, geleias, manteiga e mel de cacau.

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Para o Chocolat Xingu são esperados mais de 100 expositores de Altamira e de outros municípios do estado, como a capital, Belém, Medicilândia, maior produtor nacional de cacau, Brasil Novo, Placas, Vitória do Xingu, Anapu, Uruará, Novo Repartimento, Barcarena e Santarém.

Programação do Chocolat Xingu 2026  

O Chocolat Xingu 2026 contará com diversas atrações gastronômicas, culturais e formativas. Para essa edição já estão confirmadas a Cozinha Show e Cozinha Kids, com aulas técnicas de preparação de receitas e experiências degustativas para o público adulto e infantil. A grade contará com grandes chefs regionais e nacionais, entre eles Katyana Xipaya, líder indígena, defensora da culinária tradicional e empreendedora. Os chefs André Cabral, Carlos Motta, Léo Modesto, Bárbara Luanny, Rita Aguiar e Luíza Tabosa também integram a atividade. 

O Ateliê do Chocolate retorna para a 5ª edição do Chocolat Xingu, valorizando os símbolos culturais da região através da confeitaria artística. Esculturas gigantescas, feitas 100% de chocolate, serão construídas durante o evento pelo chocolatier Léo Vilela e o público poderá acompanhar o processo em tempo real.

Altamira, no Pará, sedia 5ª edição do Chocolat Xingu
Foto: Divulgação

Leia também: Região do Médio Xingu ganha novo chocolate indígena: Kunhã Arã

Outras atividades previstas são o “Concurso de Melhor Chocolate Paraense e de Produtos Derivados de Cacau e Chocolate do Chocolat Xingu 2026”, com premiação para os agricultores e produtores que trabalham com o cacau fino de alta qualidade, e o Túnel Sensorial, experiência imersiva que, através de um sistema de paisagismo, reproduz os sons, aromas e texturas de uma plantação de cacau.

O Chocolat Xingu também conta com rodadas de negócios B2B e programação técnica, com uma série de palestras com temas como inovação, sustentabilidade e o futuro da cacauicultura brasileira, a exemplo do Fórum Origem e Origem Day, que trarão painéis de debates com especialistas e autoridades do setor.

De acordo com Marco Lessa, idealizador do Chocolat Festival e CEO da MVU Empreendimentos, a expectativa é de que a feira receba milhares de pessoas e movimente milhões em negócios diretos e futuros. Para o empresário, o evento se estabelece como um grande vetor econômico para o Norte do país, alavancando setores como agronegócio, turismo e bioeconomia.

“O Chocolat Festival chega à sua 5a  edição em Altamira, consolidado como a principal vitrine do cacau e do chocolate de origem na Região de Integração do Xingu. O festival fortalece a bioeconomia amazônica ao valorizar o cacau sustentável, gerar renda local e ajudar a manter a floresta viva. Reúne produtores, marcas autorais e compradores, ampliando acesso a mercados nacionais e internacionais. Atraindo dezenas de milhares de visitantes, movimenta turismo, hotelaria e gastronomia na capital paraense. As rodadas de negócios e a programação técnica impulsionam milhões em vendas e parcerias futuras. Assim, o Chocolat Xingu se afirma como instrumento estratégico de desenvolvimento e projeção da região Norte no mapa mundial do chocolate de origem”, disse Lessa.

Foto: Divulgação

Altamira, potência na produção de cacau 

Maior município brasileiro em extensão territorial (159.533 km²), Altamira está localizada na Rota de Integração do Xingu, na região da Transamazônica, que engloba outras 

cidades que juntas detém o título de maior polo cacaueiro do país. 

Atualmente o estado do Pará responde por mais da metade da safra nacional do cacau, que produz cerca de 150 mil toneladas por ano. Deste montante, Altamira é responsável por 7 mil toneladas, colocando a cidade no ranking dos 10 maiores produtores do Brasil. 

Com o objetivo de transformar a cadeia produtiva do cacau em um polo de inovação, turismo e economia criativa, o Chocolat Xingu se consolidou no calendário de eventos da Amazônia. Só no Pará, o festival conta com edições em Belém e Altamira, totalizando quase 50 edições no Brasil e no exterior.

O Chocolat Xingu 2026 é uma realização da Prefeitura de Altamira, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura (Semagri) e da Secretaria Municipal de Turismo (Semtur), em parceria com o Governo do Pará, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca do Pará (Sedap) e com o apoio do Fundo de Desenvolvimento da Cacauicultura do Pará (Funcacau). A organização é da MVU Promoções e Eventos, idealizadora do Chocolat Festival.

Entrada é gratuita, mediante a doação de 1 Kg de alimento não perecível para instituições filantrópicas.

*Com informações da assessoria