Abertura da Semana de Enfermagem, da Escola de Enfermagem Magalhães Barata, no campus IV da Uepa, em Belém, que teve como discussão Saúde Ambiental entre ribeirinhos. Foto: Divulgação/ Uepa
Práticas e experiências cotidianas entre ribeirinhos também constroem saber. A pesquisa “Letramento em Saúde Ambiental entre Ribeirinhos da Amazônia Paraense”, desenvolvida por estudantes do curso de Enfermagem da Universidade do Estado do Pará (Uepa), analisou como o conhecimento sobre saúde ambiental repercute no dia a dia dessa população.
O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) foi feito pelas alunas Élida Fernanda Rêgo de Andrade e Sandy Isabelly Osório de Sousa, sob orientação da professora Laura Maria Vidal Nogueira, da Escola de Enfermagem Magalhães Barata (EEMB), campus IV da Uepa, e coorientação da enfermeira Ana Kedma Correa Pinheiro.
Estudos como esse potencializam a produção científica e o papel da instituição, que promove, de 12 a 15 de maio, a Semana de Enfermagem 2026. O evento tem como objetivo fortalecer a formação acadêmica e incentivar a pesquisa, e traz como tema “Enfermagem em Movimento: Técnica, Ética e Política nas Lutas e Avanços”, marcando também o Dia Internacional da Enfermagem e do Enfermeiro, celebrado em 12 de maio.
Semana de Enfermagem da Uepa fortalece a formação acadêmica e incentiva a pesquisa, a ética e avanços da profissão. Foto: Divulgação/Uepa
Além de fortalecer a formação acadêmica, o estudo trata do letramento em saúde ambiental (LSA) no cotidiano de ribeirinhos da Amazônia paraense, com foco na prevenção de doenças e proteção ambiental e contribuem para a compreensão de práticas em saúde mais sensíveis às realidades locais. Na Uepa, a pesquisa recebeu o primeiro lugar do Prêmio Melhor TCC 2024/2025 do curso de enfermagem.
As alunas desenvolveram um estudo descritivo e qualitativo realizado na Unidade Municipal de Saúde da Ilha de Cotijuba, em Belém, e os dados foram coletados por meio de entrevistas. Participaram 29 ribeirinhos, a maioria do sexo feminino (82,76%), com idade média de 46 anos e renda familiar de até um salário mínimo.
De acordo com o estudo, as populações ribeirinhas enfrentam inúmeras necessidades, mas mantêm um modo de vida próprio, junto à natureza e orientado pela herança de saberes socioculturais que influenciam o cotidiano, as relações e os cuidados em saúde.
O Letramento em Saúde Ambiental refere-se à capacidade de compreender a relação entre ambiente e saúde e o uso desse conhecimento nas decisões cotidianas, como na identificação de mudanças na água, no solo e nos ciclos naturais, associando a impactos na saúde e ajustando práticas.
Estudantes de enfermagem da Uepa desenvolveram pesquisa para trabalho de conclusão de curso sobre as práticas ribeirinhas. Foto: Reprodução/Uepa
Além do acesso à informação, a prática ribeirinha envolve a interpretação e aplicação dos saberes no contexto sociocultural, fortalecendo o protagonismo social e a corresponsabilidade pela saúde individual e coletiva, explicou a aluna Élida Andrade. Esses conhecimentos articulam práticas e noções de saúde, influenciadas por crenças e experiências locais, que orientam a forma como os ribeirinhos reconhecem riscos e adotam estratégias de cuidado e prevenção.
Resultados
A pesquisa indica que os ribeirinhos associam saúde ambiental à limpeza e ao bem-estar, recorrendo à queima de lixo na ausência de coleta pública, apesar dos riscos à saúde. A preservação é vista como essencial ao sustento, enquanto a degradação ambiental é reconhecida como causa de doenças respiratórias e infecciosas, como leptospirose e dengue.
Moradores da Ilha de Ilha de Cotijuba, em Belém, têm saberes herdados socioculturais que influenciam o cotidiano. Foto: Reprodução/Agência Pará
Os moradores também relataram abandono do poder público e impactos negativos do turismo, sobretudo pela poluição trazida à ilha. As práticas de prevenção entre os ribeirinhos incluem o cuidado com a higiene da água e a eliminação de criadouros de mosquitos, ao mesmo tempo em que apontam desigualdades no acesso à informação, onde parte da população utiliza internet e celular, enquanto outra enfrenta limitações por falta de recursos e infraestrutura.
“Durante a pesquisa, observamos alguns desafios vivenciados por eles, como o acesso limitado aos serviços de saúde e educação, o que dificulta a circulação de informações qualificadas, além da vulnerabilidade socioeconômica e das desigualdades estruturais presentes nesses territórios. Também se observou que, em alguns momentos, essas comunidades são impactadas por ações de visitantes e turistas que, embora contribuam para a economia e a visibilidade local, foram associados ao descarte inadequado de lixo, com repercussões negativas para o ambiente e a qualidade de vida”, disse a aluna Sandy Sousa.
Foto: Divulgação
O estudo ressaltou também o papel do enfermeiro como educador e a necessidade de ações e estratégias de educação em saúde culturalmente adaptadas para empoderar essas comunidades e fortalecer a proteção ambiental e a qualidade de vida.
A pesquisa foi desenvolvida por meio de bolsas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) e também já foi publicada na Revista da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (REEUSP), e pode ser acessada aqui. A revista é classificada como Qualis A, reconhecida pelo seu alto rigor científico e impacto na área.
Semana de Enfermagem 2026
A Escola de Enfermagem Magalhães Barata realiza, de 12 a 15 de maio, a Semana de Enfermagem 2026 (SENF 2026). O evento tem o tema “Enfermagem em Movimento: Técnica, Ética e Política nas Lutas e Avanços”, e é promovido pela Coordenação do curso de enfermagem do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS) e o Centro acadêmico (Caenf). A programação reúne atividades voltadas ao fortalecimento da formação acadêmica, ao incentivo da produção científica e à promoção de reflexões sobre a enfermagem na sociedade.
A semana vai ter mesa redonda, mostra científica, oficinas e cursos intensivos preparatórios para residências multiprofissionais, apresentação cultural e palestras. A SENF 2026 se propõe como espaço de integração entre ensino, serviço e comunidade acadêmica para promover o aprimoramento técnico-científico e a troca de experiências. Outras informações, programação completa e inscrições disponíveis neste link.
“A SENF 2026 reunirá estudantes, docentes, pesquisadores e profissionais da comunidade acadêmica em torno da formação, da ciência e do fortalecimento da profissão. O tema convida à reflexão sobre os pilares da enfermagem contemporânea: excelência técnica, compromisso ético e protagonismo político”, destacou a professora e coordenadora do Campus IV, Maridalva Leite.
Para estimular a solidariedade, o evento também vai contar com uma campanha de doação de sangue no dia 13 de maio, das 9h às 16h, no campus IV, com direito à certificação para os participantes. O pré-cadastro pode ser feito nesta página e cada doação pode salvar até quatro vidas. Entre os parceiros da campanha de doação de sangue estão a Liga Acadêmica Multidisciplinar de Anatomia e Fisiologia ( LAMAF) e o Hemopa. A EEMB fica localizada na Avenida José Bonifácio 1289, bairro do Guamá, em Belém.
Docente da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) apresentou a utilização da fibra do caroço do açaí durante o ‘SciBiz Science, Business e Culture’, na Universidade de São Paulo (USP). Foto: Divulgação/UEA
O desenvolvimento de um processo produtivo que utiliza a fibra do resíduo do caroço do açaí na fabricação de painéis de MDF ecológicos, possibilitando a substituição de painéis convencionais, foi apresentado pelo Prof. Dr. Antonio Mesquita, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), durante o painel ‘A natureza e as comunidades tradicionais como parceiras de negócios regenerativos na Amazônia’.
A apresentação ocorreu no ‘SciBiz Science, Business e Culture’, na Universidade de São Paulo (USP), campus Butantã, no dia 11 de maio, e discutiu como a inovação pode emergir da integração entre conhecimento científico, saberes tradicionais e a dinâmica dos ecossistemas naturais.
O painel proposto pela Prof.ª Dra. Silvia Ferraz Nogueira De Tommaso (FIA Business School, Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP, Cepid Bridge) reuniu os painelistas Prof. Dr. Antonio de Lima Mesquita (UEA), Cinthia Souto (Soul ESGS) e Olinda Canhoto (Fundação Paulo Feitoza-FPFtech), sob mediação da Prof.ª Dra. Aline Homrich (Centro Universitário FEI e Cepid Bridge).
Fibra do caroço do açaí, uma solução ecológica
O projeto apresentado pelo professor Antônio Mesquita é considerado uma das principais alternativas econômicas que possibilita uma nova forma na decoração de móveis e divisórias. Os painéis ecológicos não utilizam resinas tóxicas nem depende de plantações de árvores para a confecção.
As estruturas são confeccionadas a partir de partículas provenientes de fibras vegetais da Amazônia, por meio de rejeitos de frutos agroindustriais, como é o caso do caroço do açaí.
Projeto da roda-gigante. Imagem: Divulgação/MT Par
Você sabia que Mato Grosso terá a maior roda-gigante da América Latina? A atração turística ainda não tem data de inauguração, mas as peças para sua construção tem chegado aos poucos no espaço do Parque Novo Mato Grosso, em Cuiabá. Com mais de 70 toneladas e 16 metros de comprimento, a peça foi fabricada na China, desembarcou no Porto de Santos (São Paulo) em fevereiro, e seguiu até Cuiabá por transporte terrestre, em carreta escoltada por batedores.
Segundo o Governo de Mato Grosso, responsável pela obra por meio da MT Participações e Projetos (MT Par), as demais peças tem sido entregues de forma gradual.
No total, a roda-gigante conta com 42 cabines, cada uma com capacidade para até seis pessoas, totalizando 210 visitantes por giro. Ela será instalada no canteiro central do Parque Novo Mato Grosso e, devido à sua dimensão e localização estratégica, poderá ser vista de vários pontos da cidade, inclusive da região central de Cuiabá e de Chapada dos Guimarães.
“Trata-se de um atrativo grandioso, acessível à população e que proporcionará uma vista panorâmica privilegiada da cidade. No Parque Novo Mato Grosso, ela integrará um conjunto de atrações como pistas de skate, motocross, kart e automobilismo, ampliando as opções de lazer, entretenimento e esporte”, destacou Wener Santos, presidente da MT Par, durante a entrega de partes da atração em fevereiro.
A estrutura da roda-gigante ocupará uma área construída de 1.000,37 m², distribuída em três níveis: térreo, primeiro pavimento e cobertura, sendo esta última destinada ao embarque dos visitantes.
Roda-gigante é parte do projeto Parque Novo Mato Grosso
Segundo o governo mato-grossense, o objetivo é que o Parque Novo Mato Grosso seja o maior espaço multieventos da América Latina e está em construção a 8 km de Cuiabá, na rodovia de acesso à Chapada dos Guimarães. Com 300 hectares de área, o empreendimento tem como objetivo impulsionar o esporte, os negócios e o turismo em todo o estado.
A operação logística do projeto da roda-gigante, conduzido pela Allog e Comexport, envolveu o transporte da estrutura desde a China até o Porto de Santos, etapa crítica e essencial para viabilizar a continuidade até seu destino final.
A operação foi estruturada em quatro embarques marítimos, reunindo estruturas metálicas de grande porte, cabines de vidro e componentes eletrônicos que darão forma à atração.
@govmatogrosso A MAIOR RODA GIGANTE DA AMÉRICA LATINA! 😱🎡 Ela vai brilhar no coração do Parque Novo Mato Grosso, o novo destino de lazer e entretenimento do Estado! 💕 👉🏼 Com peças que já começaram a desembarcar no Brasil e que em breve chegarão a Cuiabá, a superestrutura será montada bem no centro da rotatória do parque e promete entregar um visual incrível! 👉🏼 O parque será o maior complexo de lazer da América Latina, com atrações para todas as idades, espaços verdes, áreas de convivência e muita diversão para toda a família. É o GovMT trazendo mais lazer e colocando Mato Grosso na rota dos grandes destinos do Brasil! 🏞️ #turismobrasil#turismo#brasil#matogrosso_brasil#matogrosso#turismobrasileiro#rodagigante♬ som original – Governo de Mato Grosso
Diferentes modais para uma mesma operação
Devido ao grande volume da carga e à dinâmica da produção na fábrica, a operação foi estruturada em quatro embarques distintos. As estruturas metálicas de maior dimensão foram embarcadas como carga break bulk pelo porto de Taicang, enquanto as cabines e componentes menores seguiram em containers flat rack e contêineres fechados pelo porto de Shanghai.
Segundo Carolina Frei, gerente de Contas de Carga Projeto do Grupo Allog, essa estratégia foi essencial para viabilizar o transporte de peças superdimensionadas, otimizar prazos e garantir maior eficiência na consolidação da carga.
Peças da roda-gigante chegam aos poucos. Foto: Dan Lima/MT Par
O desafio do eixo central
Entre os itens transportados, destacou-se o eixo central da roda-gigante, peça fundamental para a sustentação da estrutura. Com cerca de 16 metros de comprimento e aproximadamente 70 toneladas, o componente exigiu planejamento específico de içamento, análise técnica da distribuição de peso e acompanhamento especializado durante todas as etapas do embarque.
Além das dimensões e do peso das cargas, o projeto também enfrentou prazos desafiadores e condições climáticas adversas na origem. Durante o verão chinês, as altas temperaturas exigiram ajustes operacionais, com parte das atividades sendo realizadas em horários alternativos para garantir segurança e eficiência.
*Com informações do Governo do Tocantins e da Assessoria de Comunicação GRUPO ALLOG
A Fundação Rede Amazônica (FRAM) realizou, nesta terça-feira (13), em Belém (PA), mais uma etapa do projeto Amazônia Que Eu Quero (AMQQ), com o painel “Democracia Digital e os desafios do desenvolvimento sustentável na Amazônia”. A atividade integrou a programação do Bioeconomy Amazon Summit (BAS) e promoveu um debate estratégico sobre os impactos da transformação digital na sociedade, na circulação da informação e na construção de soluções sustentáveis voltadas à realidade amazônica.
A programação teve início com a abertura institucional do projeto, reforçando o compromisso da Fundação Rede Amazônica com a promoção de espaços de diálogo qualificado e escuta ativa sobre os desafios contemporâneos da Amazônia. A iniciativa também evidenciou a importância do fortalecimento da participação social e da construção coletiva de propostas alinhadas às transformações econômicas, tecnológicas e socioambientais que impactam a região.
O encontro aconteceu no Parque da Bioeconomia e reuniu estudantes, representantes da sociedade civil, profissionais da área jurídica, especialistas em tecnologia, pesquisadores e integrantes do ecossistema de inovação presente no evento. A programação também contou com transmissão ao vivo pelo g1 Amazonas, ampliando o alcance do debate e fortalecendo a disseminação de informações qualificadas sobre temas estratégicos relacionados ao desenvolvimento regional.
Debate multidisciplinar e construção coletiva
Participaram do painel o juiz federal e membro suplente do Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA), Domingos Daniel Moutinho da Conceição Filho, a advogada Bianca Ribeiro Lobato (OAB/PA) e Marcelo Rocha de Sá, da Jambu Tecnologia e Rede Belém Aberta. A mediação foi conduzida pelo jornalista Ronaldo Santos, da CBN Amazônia Belém.
Durante o encontro, os participantes discutiram temas relacionados à democracia digital, cidadania, desinformação, inovação tecnológica e os desafios para o fortalecimento de políticas públicas alinhadas às necessidades da Amazônia contemporânea. As discussões também abordaram os impactos da transformação digital nos processos democráticos, no acesso à informação e na ampliação da participação social em debates relacionados ao desenvolvimento sustentável.
O painel destacou ainda a importância do diálogo entre diferentes setores da sociedade na construção de soluções inovadoras, inclusivas e conectadas às especificidades da região amazônica, considerando os desafios sociais, econômicos e ambientais presentes no território.
“Discutir democracia digital na Amazônia é pensar em inclusão, acesso à informação de qualidade e fortalecimento da participação cidadã. A transformação tecnológica precisa caminhar junto com o desenvolvimento social e com a garantia de direitos para as populações da região”, destacou Domingos Daniel Moutinho da Conceição Filho.
“A tecnologia tem ampliado o acesso à informação e fortalecido novas formas de participação social, mas também exige atenção aos impactos da desinformação nos processos democráticos. Discutir educação digital e responsabilidade no ambiente online é fundamental para a construção de uma sociedade mais consciente, participativa e preparada para os desafios contemporâneos”, ressaltou Bianca Ribeiro Lobato.
“A Amazônia precisa estar no centro das discussões sobre inovação e transformação digital. Quando conectamos tecnologia, participação social e desenvolvimento sustentável, criamos oportunidades mais alinhadas à realidade e aos desafios da região”, afirmou Marcelo Rocha de Sá.
Amazônia e inovação em pauta
Ao integrar a programação do Bioeconomy Amazon Summit, o Amazônia Que Eu Quero reforça seu compromisso com a promoção de debates estratégicos sobre desenvolvimento sustentável, bioeconomia, inovação e cidadania na Amazônia. A iniciativa amplia espaços de reflexão sobre os caminhos para uma região mais conectada, inclusiva e preparada para os desafios contemporâneos.
O projeto segue fortalecendo ambientes de escuta ativa e construção coletiva de propostas voltadas ao desenvolvimento regional, conectando especialistas, instituições, juventude e sociedade civil em discussões sobre oportunidades, inovação e sustentabilidade na Amazônia.
A próxima etapa do Amazônia Que Eu Quero acontecerá em Rondônia, no mês de junho, dando continuidade à agenda de debates e mobilização social promovida pela Fundação Rede Amazônica em diferentes estados da Amazônia Legal.
O Amazônia Que Eu Quero é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM) e uma iniciativa do Grupo Rede Amazônica.
O combate ao desmatamento ilegal e a promoção de um modelo sustentável de produção foram temas centrais de um fórum sobre agro e meio ambiente realizado pelo Governo do Tocantins, em Palmas, com a participação de autoridades, especialistas e representantes do setor produtivo. O encontro discutiu estratégias de inteligência territorial para equilibrar crescimento econômico, preservação ambiental e legalidade no campo.
Durante o evento, a gestão estadual destacou através do secretário de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Marcello Lelis, que os avanços na redução do desmatamento ilegal e na conservação da vegetação nativa são resultado da atuação conjunta entre órgãos públicos, instituições parceiras, equipes técnicas e produtores rurais. A proposta apresentada reforça que é possível aliar desenvolvimento do agronegócio à responsabilidade ambiental, garantindo geração de valor sem comprometer os recursos naturais.
Segundo os dados apresentados, o Tocantins se consolidou como referência nacional em regularidade ambiental. Com base no Relatório Anual do Desmatamento no Brasil 2024, do MapBiomas, o estado registrou, entre 2019 e 2024, 441 mil hectares de desmatamento com autorização legal, alcançando 59,6% de área desmatada autorizada, mais que o dobro da média nacional, de 23,5%.
No cenário do Matopiba, região considerada uma das principais fronteiras agrícolas do país, o Tocantins também aparece em posição de destaque. Em 2024, o estado apresentou 81,9% de cobertura de fiscalização e autorização sobre a área desmatada, o maior índice entre os estados que compõem a região, demonstrando avanço na regularidade das atividades produtivas.
O secretário ressaltou que esse desempenho não pode ser compreendido apenas pela análise do desmatamento bruto. A leitura qualificada dos dados permite diferenciar áreas autorizadas, áreas fiscalizadas, indícios de ilegalidade, cicatrizes de fogo e falsos alertas, oferecendo uma visão mais justa e transparente sobre a realidade ambiental do estado. Esse trabalho é fortalecido pelo uso de tecnologia e inteligência territorial, especialmente por meio do Centro de Inteligência Geográfica em Gestão do Meio Ambiente (Cigma).
Outro ponto destacado foi o papel do setor agronegócio tocantinense na conservação, que vem tendo um papel protagonista na preservação. Além de produzir alimentos, gerar emprego, renda e fortalecer a economia do Tocantins, o setor contribui para a manutenção de reservas legais, áreas de preservação permanente, nascentes, rios e biodiversidade. A mensagem central do fórum foi a de que o Tocantins possui um agro forte, produtivo e alinhado à legislação ambiental.
A apresentação também trouxe dados recentes dos alertas de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) que é um sistema desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), analisados entre janeiro e março de 2026. Do total de alertas avaliados, 18,4% apresentaram possíveis indícios de ilegalidade. Outros alertas foram classificados como desmatamento autorizados, cicatrizes de fogo ou falsos alertas, o que reforça a importância da análise técnica antes de qualquer conclusão pública.
Apesar dos avanços na regularidade ambiental, o fogo ilegal foi apontado como um dos principais desafios ambientais do Tocantins. Em 2025, o estado registrou cerca de 29,5 mil hectares de desmatamento ilegal, enquanto a área atingida por queimadas ilegais chegou a 1.579,3 mil hectares. Isso significa que o fogo ilegal atingiu uma área 53 vezes maior que o desmatamento ilegal no período.
Além dos danos ambientais, os incêndios provocam prejuízos diretos ao setor produtivo, com perda de pastagens, redução da produtividade, aumento de custos, impactos na logística e riscos para propriedades rurais, comunidades e áreas protegidas. Por isso, o combate ao fogo foi tratado como uma agenda de união entre poder público, produtores rurais, setor privado, municípios, brigadas, sociedade civil e instituições parceiras.
Foto: Marcel de Paula/Governo do Tocantins
Governo do Tocantins afirma que ampliou investimentos
Para enfrentar esse desafio, o Governo do Tocantins ampliou os investimentos no Plano Integrado de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais. Em 2026, o plano prevê R$ 26 milhões em investimentos, contra R$ 17,1 milhões em 2025, um aumento de aproximadamente 52%. O reforço busca ampliar ações de prevenção, monitoramento, estruturação de equipes, resposta integrada e uso de tecnologia.
Os resultados já apontam avanços. De acordo com os dados apresentados, a área queimada no Tocantins caiu de 2,77 milhões de hectares em 2024 para 1,83 milhão de hectares em 2025, uma redução de 34%. A inteligência geográfica também tem permitido classificar melhor os tipos de ocorrência, diferenciando queima controlada, queima prescrita, queima não autorizada e incêndio florestal.
O fórum contou ainda com a participação do chefe-geral da Embrapa Territorial, Gustavo Spadotti, que apresentou o estudo de caso Produção e Preservação no Tocantins, além de mesa-redonda mediada por Humberto Simão, do Ministério da Agricultura e Pecuária.
Ao reunir setor produtivo, instituições públicas, entidades parceiras e especialistas, o Fórum Agro & Meio Ambiente reforçou a importância da integração para consolidar o Tocantins como referência em produção responsável, regularidade ambiental e preservação.
A expectativa para o Festival da Cunhã 2026 já movimenta o público em Manaus (AM), com o início da troca dos ingressos da pista social em três unidades do Super Nova Era até sexta-feira (15). Idealizado pela cunhã-poranga do boi Garantido, Isabelle Nogueira, o evento promete reunir milhares de pessoas no dia 23 de maio, na Arena da Amazônia.
A principal atração confirmada é a cantora Joelma, que lidera um line-up com mais de 10 artistas. Esta é a segunda edição do festival, que também contará com experiências culturais e gastronômicas, além de espaços dedicados ao artesanato regional.
“Patrocinar o Festival da Cunhã é uma forma de reforçar nosso compromisso com a cultura amazônica e com as tradições que fazem parte da identidade do nosso povo. O Super Nova Era acredita na força desses eventos para movimentar a economia e valorizar talentos locais”, destaca a gerente de Marketing do Grupo Nova Era, Viviane Cavalcante.
Foto: Michael Dantas/SEC-AM
Locais para as trocas de ingressos do Festival da Cunhã
O Super Nova Era é o ponto oficial de troca dos ingressos para a pista social. A retirada deve ser feita até sexta-feira (15), sempre das 13h às 20h, na unidade selecionada no momento do cadastro. Para garantir o ingresso, é necessário realizar um cadastro prévio online e apresentar CPF no momento da retirada. Cada pessoa tem direito a um ingresso, mediante a doação de 2 kg de alimentos não perecíveis (exceto sal) ou uma lata de leite em pó.
As trocas acontecem nas seguintes lojas:
Nova Era Grande Circular – Av. Autaz Mirim, 8900, bairro Jorge Teixeira
Nova Era Flores – Av. Torquato Tapajós, 2871, bairro Flores
Pela primeira vez, os pesquisadores do MapBiomas calcularam a quantidade de fragmentos de vegetação nativa no Brasil: eles passaram de 2,7 milhões em 1986 para 7,1 milhões em 2023. O crescimento de 163% em 38 anos sugere que a vegetação nativa no Brasil está mais exposta à degradação. Os dados inéditos são do módulo de Degradação do MapBiomas, recém-atualizado e disponível gratuitamente na plataforma. Veja AQUI.
Agora, o módulo de Degradação do MapBiomas apresenta todos os tamanhos de fragmentos de vegetação nativa no território nacional, quantificados a partir de meio hectare. Cada fragmento pode conter um ou mais de um tipo de vegetação nativa dentre as classes mapeadas pelo MapBiomas na Coleção 10.1, incluindo formação florestal, formação savânica, formação campestre, campo alagado e área pantanosa.
Fragmentação é o processo pelo qual áreas originalmente contínuas de vegetação nativa são divididas em porções remanescentes cada vez menores e mais isoladas por conta do desmatamento, seja para fins de expansão agropecuária, de urbanização, de abertura de estradas ou outras finalidades. Os efeitos negativos do desmatamento são ainda maiores quando as áreas remanescentes ficam muito fragmentadas.
“Quanto menor for o tamanho dos fragmentos de vegetação nativa, maior será a suscetibilidade à degradação”, ressalta Dhemerson Conciani, pesquisador do IPAM e coordenador do módulo de degradação do MapBiomas.
“O tamanho dos fragmentos de vegetação nativa tem relação direta com a quantidade e variedade da fauna e da flora presente. Cada vez que diminui o tamanho de um fragmento de vegetação nativa, mais problemas aparecem: aumenta o risco de extinções locais dessas espécies, diminui a chance de recolonização por indivíduos vindos de outros fragmentos vizinhos e maior é a proporção do efeito de borda. Em suma, esses fragmentos vão perdendo a diversidade de espécies”, detalha.
Esta análise gerou outro indicativo do avanço da degradação no país: o tamanho médio dos fragmentos de vegetação nativa. Se em 1986 a área média de um fragmento era de 241 hectares, em 2023 esse número reduziu para 77 hectares, uma queda de 68% no período avaliado. Até 5% da vegetação nativa do Brasil (26,7 milhões de hectares) está em pequenos fragmentos, menores que 250 hectares, com destaque para a Mata Atlântica, onde essa condição atinge até 28% da vegetação nativa remanescente (10 milhões de hectares).
Todos os biomas apresentaram aumento no número de fragmentos nas últimas quatro décadas (1986-2023). O Pantanal e a Amazônia foram os biomas com maior aumento da fragmentação, com 350% e 332%, respectivamente. Seguidos do Pampa com 285%, Cerrado com 172%, Caatinga com 90% e Mata Atlântica com 68%.
Mata Atlântica e Cerrado são os biomas com maior número absoluto de fragmentos de vegetação nativa: aproximadamente 2,7 milhões cada.
“Enquanto no Cerrado o aumento no número de fragmentos está associado ao avanço do desmatamento e à divisão de grandes remanescentes de vegetação nativa em áreas menores, na Mata Atlântica, parte desse aumento também pode ser explicada por um processo no sentido oposto ao desmatamento, ou seja, pelo surgimento de múltiplas áreas de recuperação da vegetação secundária”, pondera Natalia Crusco, coordenadora técnica da Mata Atlântica no MapBiomas.
A Amazônia destaca-se pela redução no tamanho médio dos fragmentos de vegetação nativa: de 2.727 hectares em 1986 para 492 hectares em 2023, uma redução de 82%. Queda semelhante (80%) pode ser observada no Pantanal, que passou de fragmentos com área média de 1.394 hectares em 1986 para 278 hectares em 2023.
Imagem: Reprodução/MapBiomas
Vegetação nativa está mais exposta à degradação
Até 24% da vegetação nativa do Brasil está exposta a pelo menos um vetor de degradação, segundo os dados disponíveis na plataforma. São até 134 milhões de hectares da vegetação nativa remanescente no país potencialmente expostos a fatores como fragmentação, área de borda, fogo, vegetação secundária e corte seletivo, entre outros.
Na Mata Atlântica, até 72% de toda a vegetação nativa (23,4 milhões de hectares) está exposta à degradação. O Pampa vem em segundo lugar, com até 47% da vegetação nativa remanescente (4,2 milhões de hectares) exposta a algum dos vetores de degradação mapeados. Com até 42% da vegetação remanescente exposta à degradação (42,6 milhões de hectares), o Cerrado é o bioma mais afetado em área absoluta.
Amazônia Legal: distúrbio de dossel e corte seletivo de madeira
O dossel é a camada superior da floresta, formada pela continuidade das copas das árvores mais altas. Quando essa camada sofre alterações, seja por secas, ventos, incêndios, corte seletivo de madeira, efeito de borda ou outras perturbações, abre-se no local uma clareira, rompendo a continuidade original da floresta, que recebe o nome de distúrbio de dossel.
Uma das novidades no módulo de Degradação do MapBiomas foi o mapeamento desses distúrbios de dossel na floresta, considerando as classes que incluem a formação florestal e a floresta alagável da Coleção 10.1 do MapBiomas, na Amazônia Legal entre 1988 e 2024.
Nesse período, em pelo menos 7% da cobertura de floresta na Amazônia Legal (24,9 milhões de hectares) houve detecção de algum sinal de distúrbio de dossel por pelo menos um mês. No ano de 2016, foi detectada a maior área mapeada desse distúrbio, com 4 milhões de hectares. Entre 2019 e 2024, a área afetada por esses distúrbios foi de 2,1 milhões de hectares.
Foto: Uêslei Araújo/Sema AC
Na floresta alagável, aquela situada nas margens de cursos d’água sujeitas a inundações periódicas, os maiores registros de distúrbio de dossel coincidiram com anos de seca intensa, como 2016, 2023 e 2024. “A previsão de ocorrência de El Niño para este ano indica condições favoráveis para novas secas na região, o que tende a facilitar a ocorrência desses distúrbios nesse tipo de floresta”, alerta Bruno Ferreira, pesquisador do MapBiomas na equipe da Amazônia.
O corte seletivo de madeira é uma das principais causas de distúrbio de dossel na Amazônia Legal. O MapBiomas identificou 9,7 milhões de hectares com indícios de corte seletivo entre 1988 e 2024. Essa atividade está concentrada: 83,5% do total ocorre no Mato Grosso e no Pará, e seis dos dez municípios com maior exploração estão no Mato Grosso em 2024.
Dados que orientam conservação, restauração e políticas públicas
O módulo de Degradação do MapBiomas foi desenvolvido para apoiar decisões de conservação e restauração da biodiversidade no país. O Brasil tem como meta restaurar 12 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030, compromisso assumido no âmbito do Planaveg e reforçado em acordos internacionais como o Acordo de Paris, o Desafio de Bonn e a Iniciativa 20X20.
“O monitoramento da degradação complementa o monitoramento do desmatamento. A importância desse monitoramento se justifica pelo fato de que a degradação de um remanescente de vegetação nativa muitas vezes pode ser minimizada ou revertida. Porém, se as causas da degradação não forem interrompidas, a capacidade de recuperação biológica natural das áreas afetadas pode ficar muito comprometida”, destaca Eduardo Vélez, pesquisador do MapBiomas na equipe do Pampa.
A plataforma do MapBiomas permite análises por territórios como país, estado, município, bacia hidrográfica, áreas protegidas, entre outros — oferecendo subsídios para gestores públicos, pesquisadores, organizações de conservação e setor privado.
“O módulo de Degradação do MapBiomas é uma ferramenta estratégica de apoio à recuperação de áreas degradadas e à conservação da vegetação nativa no país”, complementa Tasso Azevedo, coordenador do MapBiomas.
O que é degradação?
Degradação é diferente de desmatamento. No desmatamento, a vegetação é totalmente removida e a área originalmente vegetada fica descoberta, sendo convertida para algum tipo de uso antrópico, como a agricultura, por exemplo. Na degradação, a vegetação nativa permanece no local, mas sob a ação de fatores que a tornam menos saudável, menos resiliente e com menor diversidade de espécies.
Os vetores de degradação da vegetação nativa disponibilizados atualmente na segunda versão do módulo de Degradação do MapBiomas incluem o tamanho e isolamento dos fragmentos, a área e idade das bordas, a frequência do fogo, o tempo desde a última queimada, o corte seletivo, o distúrbio de dossel e a idade da vegetação secundária.
Sobre o módulo de Degradação do MapBiomas – Disponível na plataforma do MapBiomas Brasil que permite, de forma inédita, a análise e integração de vetores de degradação da vegetação nativa nos biomas brasileiros de 1986 a 2023, de forma isolada ou em combinação. Esta abordagem permite análises multicritério para diferentes territórios (país, estados, municípios, bacias hidrográficas e áreas protegidas), abrindo novas perspectivas para aplicações científicas e tomada de decisões. Os dados estão disponíveis gratuitamente na plataformahttps://plataforma.brasil.mapbiomas.org/.
Sobre o MapBiomas – Iniciativa multi-institucional que envolve universidades, ONGs e empresas de tecnologia, focada em monitorar as transformações na cobertura e no uso da terra no Brasil. A plataforma é hoje a mais completa, atualizada e detalhada base de dados espaciais com a Coleção 10.1 de uso da terra do Brasil entre 1985 e 2024. Todos os dados, mapas, métodos e códigos são disponibilizados de forma pública e gratuita em mapbiomas.org.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo MapBiomas
Uma planta comumente encontrada nos arredores de várias cidades da Amazônia por ser silvestre, que nasce naturalmente, o Malvarisco (Plectranthus amboinicus), também conhecida como Malva Grossa, hortelã-grosso, hortelã-da-folha-grossa, dentre outros nomes, possui diversas funções benéficas para os seres humanos, que vão desde a gastronomia até os cuidados com a saúde.
Conhecido por seu forte aroma e sabor picante, o malvarisco é uma Planta Alimentícia Não Convencional (PANC) que surpreende por seu potencial ir além da culinária.
Na culinária
Na culinária, o malvarisco se destaca porque suas folhas aromáticas podem ser utilizadas como tempero em carnes, sopas e caldos, conferindo um sabor marcante semelhante ao da hortelã, porém mais suave e levemente picante.
Segundo o médico geriatra Euler Ribeiro, o malvarisco se destaca não só pela ação na saúde, mas pelo cheiro e sabor característicos.
“Ela é suculenta. Tem um odor forte e maravilhoso. Além disso ela é diurética, antimicótica e antibacteriana. É uma erva muito utilizada pelos homens da floresta”, comenta.
Na saúde
Por falar em suas ações na saúde, o malvarisco é uma planta amplamente utilizada na medicina tradicional por suas propriedades terapêuticas, como aponta Ribeiro.
Suas folhas espessas são ricas em compostos com ação anti-inflamatória, expectorante e antimicrobiana, sendo muito empregadas no preparo de chás para aliviar sintomas de gripes, tosses e irritações na garganta.
Segundo o pesquisador Moacir Biondo, técnico em Agricultura e especialista em plantas medicinais da Amazônia, com mais de 40 anos de dedicação ao estudo da flora amazônica, as propriedades do malvarisco podem ser aproveitadas de forma simples em casa, por meio da produção de um chá ou até de xarope.
Além das propriedades para a melhoria de problemas respiratórios, o malvarisco também pode auxiliar no tratamento de problemas digestivos leves, como má digestão e gases. O sumo extraído das folhas também pode ser aplicado diretamente sobre a pele para ajudar na cicatrização de pequenos ferimentos, picadas de insetos e irritações cutâneas.
Seu efeito calmante e antisséptico natural contribui para reduzir inflamações e acelerar a recuperação da pele, sendo uma alternativa caseira bastante difundida em comunidades tradicionais como de povos indígenas e quilombolas.
Malvarisco é de fácil cultivo
O malvarisco é uma planta que não necessita de tantos cuidados para crescer, por isso é considerada de fácil cultivo. Em diversos tipos de solo ela facilmente se adapta e consegue crescer.
“São plantas silvestres, que nascem pela própria natureza. A natureza tem na verdade uma maneira muito simples de atender as necessidades dela própria, da própria terra. Então toda planta que nasce espontaneamente ela está fazendo uma função que a terra está requerendo”, destaca Biondo sobre a origem da planta.
Ao menos seis tipos de banana chegam aos pratos dos alunos no Vale do Ribeira e diversidade na alimentação escolar só aumenta. Foto: Claudio Tavares/ISA
Bolo de cará e de fubá com goiabada, bolinho de chuva, bolachinhas de polvilho, paçoca de amendoim, chás de erva cidreira e de alfavaca doce, seis tipos de banana, beiju. E, ainda, “Apressada” – um tipo de bolo de fubá – de boa qualidade e bem assada.
Parece merenda em dia especial na casa de vó, mas esses são alguns dos itens que constam na lista da chamada pública da alimentação escolar da Prefeitura de Iporanga, no Vale do Ribeira (SP), região que concentra um grande número de quilombolas e está numa das áreas mais preservadas da Mata Atlântica. É dessas florestas, rios, roças, quintais e cozinhas que está saindo parte da alimentação que irá para as mesas dos alunos e alunas.
Segundo Carlos Ribeiro, assessor técnico do Instituto Socioambiental (ISA), em Iporanga, os tipos de alimentos na lista para a entrega nas escolas passaram de 55 para 130 itens entre 2025 e 2026.
Isso só está sendo possível devido à adequação de políticas públicas de aquisição de alimentos – o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) – à realidade dos territórios tradicionais. Mas uma série de gargalos ainda impede que a política pública alcance um número maior de povos e comunidades tradicionais no país, dificultando que alimentos saudáveis cheguem aos estudantes.
Com as alterações feitas até agora, foram abertas chamadas públicas específicas para indígenas, quilombolas e povos e comunidades tradicionais, possibilitando mais cores e diversidade nos pratos dos estudantes. E também alimentos que muitos de nós nem ouviu falar e que são novidade até mesmo para a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Entre esses alimentos está o Berarubu. O preparo tradicional entre os indígenas Kayapó e Xikrin está chegando à merenda escolar na região da Terra do Meio, no Pará, por meio do PAA.
O Berarubu é feito à base de uma massa de mandioca recheada com peixe ou outra proteína. É assado em pedras quentes – encontradas no leito do Rio Xingu – e enrolado em folha de bananeira. Uma verdadeira iguaria feita com os alimentos colhidos, pescados e coletados em meio à floresta. Outros alimentos são a golosa, o inajá, o cacauí.
Assessora da Diretoria de Política Agrícola e Informação da Conab, Maria Cazé informa que o PAA na Terra do Meio é referência no país. Entre 2024 e 2025, a Rede Terra do Meio – que reúne indígenas, beiradeiros, extrativistas e agricultores familiares – apresentou ao PAA uma lista de 82 alimentos, sendo que 22 deles não existiam no sistema da Conab.
A situação levou um desafio à companhia e indica como a diversidade dos alimentos dos territórios tradicionais é invisibilizada. Para integrar a lista da companhia, é necessário passar por uma cotação de preços de mercado, mas vários desses alimentos – incluindo o Berarubu – não estão disponíveis no mercado. Com isso, foi necessário um arranjo com o Grupo Gestor do PAA e assistência técnica local para estabelecer um preço justo.
“Essa é hoje considerada uma das maiores referências de PAA no Brasil, porque é o mais diverso, é o que tem a diversidade de alimentos, a diversidade de povos, que tem o maior número de unidades recebedoras. Então, é hoje um dos PAA mais grandiosos que nós temos no Brasil”, disse durante a Semana do Extrativista, que aconteceu em 2025 na Terra do Meio.
Nesse mesmo encontro, a professora e artesã Ipikiri Asurini contou que entrega alimentos da sua roça na escola da comunidade Ita´Aka, onde estudam seus filhos e outras pessoas da família.
“Nessa aldeia, a maioria é família. E aí a maioria, o meu sobrinho, a minha sobrinha, a minha prima, eles estudam. E todos os quatro meus filhos, eles também estudam. Eu entrego tudo natural, né, não é as coisas que vêm da cidade. Então, assim, eu me sinto bem feliz, que eles estão comendo umas coisas que é tudo natural, que vem da roça, não que vem da cidade, né. Então pra mim é bom isso”, diz.
Entrega de alimentos na Escola Baniwa Eeno Hiepole, na comunidade Canadá, Rio Ayari (AM). Foto: Fellipe Abreu/ Isa
Assessor técnico do ISA, Leonardo de Moura acompanhou, também na região da Terra do Meio, um projeto-piloto de alimentação tradicional com o povo Arara.
“O piloto que desenvolvemos demonstrou que mais de 40% dos alimentos entregues pelos mais velhos eram desconhecidos pelas novas gerações. Mas as crianças não rejeitaram os alimentos”, informa.
Ele enfatiza que a inclusão desses alimentos deve ser acompanhada de ações educacionais para valorizar a cultura, além de alertar sobre os riscos do consumo de produtos ultraprocessados. “Essa diversidade alimentar também é vista como uma forma de proteção territorial e de resistência cultural”, diz.
No Alto Rio Negro, numa das regiões mais preservadas da Amazônia, a diversidade continua. Açaí, beiju, cubiu, farinha de maçoca, ingá, peixe moqueado, peixe fresco, polpa de cupuaçu, tucumã, tucupi, pupunha, vinho de patauá e vinho de buriti são alguns itens que estão na lista da alimentação escolar de São Gabriel da Cachoeira (AM), uma das cidades mais indígenas do país.
E no Território Indígena do Xingu (TIX), no Mato Grosso, a lista cresce ainda mais. Em Gaúcha do Norte – um dos municípios do qual o TIX faz parte -, nos últimos anos, o edital do PNAE vem incluindo alimentos como buriti, macaúba, mangaba, mel, murici, biribá, pequi, mangarito e peixe regional.
Até o sal é diferente. Na lista de alimentação escolar aparece o sal indígena: na região, os indígenas produzem o sal de aguapé, extraído das cinzas de planta aquática manejada pelas famílias xinguanas. Nas listas de algumas escolas aparecem, inclusive, os nomes indígenas dos alimentos, como Irá mare (mandioca e beiju), Krose (cuscuz), Ijore Benôra (sopa de peixe), Uxé (farofa de peixe) e Iwerú (canjica).
Avanços
Apesar de gargalos persistentes no acesso ao PAA e ao PNAE – como documentação e custos logísticos -, a situação já avançou bastante. No caso do PNAE, a mobilização acontece principalmente a partir da Comissão de Alimentos Tradicionais dos Povos (Catrapovos), iniciativa do Ministério Público Federal (MPF) com apoio da sociedade civil.
Entre os avanços sobre alimentação escolar estão as Notas Técnicas para adequação da exigência de documentos e de normas sanitárias. Essa também é uma das principais pautas acompanhadas pelo Observatório das Economias da Sociobiodiversidade (ÓSocioBio).
No Estado do Mato Grosso, as ações da Catrapovos, com apoio do ISA e do Instituto Centro de Vida (ICV), levaram à elaboração de uma nova norma específica que facilita a emissão de notas fiscais para povos indígenas e quilombolas, possibilitando a participação na política pública.
A mudança veio com a Portaria nº 131/2025 da Sefaz-MT, publicada em outubro do ano passado. Antes, para obtenção da inscrição estadual, havia a exigência de comprovação da posse da terra, o que inviabilizava a emissão de nota fiscal.
A Conab também vem promovendo alterações em relação ao PAA para melhorar o acesso de povos e comunidades tradicionais – público prioritário desse programa – principalmente a partir de 2023, com a retomada desta ação pelo Governo Federal.
Superintendente de Agricultura Familiar da Conab em Brasília, Enio Carlos informa que já há resultados. Levantamento do órgão indica que o índice de quantidade de produtos entregues pelos povos e comunidades tradicionais (PCTs) no PAA aumentou significativamente e chegou, em 2023, a quase três vezes mais em relação a 2013. Nesse mesmo período, a participação dos PCTs no programa mais que triplicou e, em números absolutos – cerca de 14 mil produtores -, foi considerada histórica.
Uma das adequações feitas pela Conab é em relação à documentação. Inicialmente, para participar do PAA, era necessária a Declaração de Aptidão ao Pronaf – DAP válida ou o Cadastro Nacional da Agricultura Familiar – CAF ativo. No caso dos povos e comunidades tradicionais foi regulamentado também o acesso pelo cadastro do CAD-Único ou NIS, visando ao aumento da participação deste grupo.
Em relação à documentação, a Conab está debatendo com a Controladoria Geral da União (CGU) a revisão de exigências documentais para contratação de CNPJs (cooperativas e associações) que façam serviço de produção de alimentação escolar. A proposta é buscar um modelo mais flexível, mantendo o controle sobre os CPFs dos produtores associados.
A Conab também passou a aceitar produtos de origem animal e vegetal processados pelos povos tradicionais, quando o consumo é feito na própria comunidade, respeitando os hábitos alimentares. Essa medida adequa as exigências sanitárias aos modos de vida e considera a Resolução nº 2/2023 do Grupo Gestor do PAA, baseada nas Notas Técnicas do MPF, especialmente a Nota Técnica nº 03/2020.
É essa adequação que permite que, por exemplo, o Berarubu chegue às escolas indígenas da Terra do Meio, reduzindo o consumo de ultraprocessados e incentivando a cultura alimentar regional.
Nhangri Kayapó e Piekayê Kayapó preparam o Berarubu em aldeia na Terra do Meio (PA). Foto: Fellipe Abreu/ISA
Outro avanço veio por meio do PNAE: em 19 de fevereiro foi publicada uma nova resolução do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) estabelecendo reajuste médio de 14,35% para a alimentação escolar. Escolas indígenas e quilombolas já recebem valor diferenciado, mas a partir de agora, outros povos e comunidades tradicionais passam a ter esse direito, reconhecendo as especificidades territoriais.
No país, são cerca de 28 povos e comunidades tradicionais. Os repasses passam a ser de R$0,98 (per capita) para alunos de escolas indígenas, quilombolas e de outros povos e comunidades tradicionais; e R$1,57 para creches e tempo integral.
Gargalos na alimentação escolar
Entre os principais gargalos na alimentação escolar que persistem, impedindo que mais alimentos saudáveis produzidos por povos e comunidades tradicionais cheguem às escolas, está a questão da documentação.
Coordenador do Eixo Economias da Sociobiodiversidade do ISA, Jeferson Camarão Straatmann pondera que a ampla aceitação do documento de autodeterminação – quando o próprio indígena, quilombola ou ribeirinho afirma a sua identidade, com o reconhecimento de sua comunidade – deveria ser documentação suficiente para participação das compras públicas, especialmente na contratação de pessoas jurídicas (associações e cooperativas) de PIQPCTs.
Ele explica que a constituição reconhece a organização própria de povos indígenas e autodeterminação dos grupos e seus membros é um direito internacional previsto pela convenção 169 da OIT.
O Enunciado nº 47 da 6ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF afirma que a autodeclaração dos territórios tradicionais por esses povos é legítima e gera repercussões jurídicas independentes e incidentais aos demorados procedimentos de reconhecimento e titulação pelo Estado, devendo orientar as políticas públicas e os procedimentos administrativos de imediato.
Marcos regulatórios e infralegais operacionalizados por Funai, Fundação Palmares e ICMBio utilizam processos de autodeterminação dos grupos para seus cadastros institucionais ligados à gestão territorial.
Atualmente, a Conab aceita a autodeclaração atrelada ao NIS para a identificação do grupo social ou etnia que que o participante é membro. Como o CADÚnico não considera todas as categorias de PCTs e por vezes o enquadramento não foi realizado a Conab aceita o documento de autorreconhecimento ou de autodeclaração no caso de indígenas e quilombolas. Ou seja, a medida vale apenas para dois dos cerca de 28 povos tradicionais do país.
Durante a COP30 em Belém, esse foi um dos temas debatidos durante o Painel Clima, Comida e Saberes, promovido pelo ISA. Uma das participantes do debate, Nilce de Pontes, da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), alertou que políticas públicas atuais não dialogam com territórios coletivos ao fazerem exigências burocráticas. “Desburocratizar é urgente”, disse.
Jeferson Camarão Straatmann pondera que a ampla aceitação da autodeterminação poderia ampliar o acesso a políticas públicas e garantir mais fartura e diversidade de alimentos, renda, fortalecimento cultural e proteção ambiental.
Preparo do beiju durante oficina com merendeiros e merendeiras na Terra Indígena Wawi (MT). Foto: Kamikiá Kisedje/ISA
E também geraria uma lista preciosa para o Ministério de Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) sobre a necessidade de busca ativa desses indivíduos para que os mesmos tenham acesso às documentações oficiais – direito muitas vezes não garantido pela distância do estado e o alto custo financeiro de retirada e manutenção dessas documentações.
Longas distâncias
No dia a dia dos territórios tradicionais, as dificuldades para a retirada de documentos são tão grandes quanto as distâncias amazônicas. Um exemplo vem do Amazonas. No início de fevereiro deste ano, uma voadeira – como são chamadas as pequenas embarcações na região do Alto Rio Negro (AM) – saiu da sede de São Gabriel da Cachoeira com destino à comunidade indígena Santa Isabel do Ayari.
Para chegar até a comunidade do povo Baniwa, leva-se cerca de dois dias de viagem por rio, inclusive atravessando trechos com corredeiras. O custo de combustível – são gastos 500l de gasolina – é de aproximadamente R$ 3.800,00.
A viagem foi feita com um objetivo específico: a emissão de Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF), um dos documentos que pode ser utilizado no cadastro no PAA e no PNAE. Para tal, foram envolvidos três colaboradores do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), uma técnica do ISA e o prático que conduz o barco. Ao final, foram emitidas 40 CAFs que vão beneficiar cerca de 100 pessoas.
Essa expedição a uma região remota da Amazônia mostra o desafio para o acesso a políticas públicas, situação que se repete em outras áreas, evidenciando que as exigências de documentação feitas pelos órgãos públicos não condizem com as longas distâncias e custos logísticos.
Além disso, não há uma operação ativa dos órgãos oficiais para a emissão e manutenção da documentação, o que acaba penalizando o indivíduo. Para chegar à sede de São Gabriel, por exemplo, cada uma dessas famílias teria que pagar o valor do combustível, além dos demais custos da viagem. Nas cidades, essas famílias precisam comprar seus alimentos, diferente de quando estão em suas comunidades e podem viver com os produtos das roças e floresta.
Assessora da Rede Terra do Meio, Kézia Oliveira atua em apoio à execução do PAA e aponta alguns elementos importantes, como identidade, pertencimento, cultura e autorreconhecimento.
“A gente trabalha muito essa coisa do pertencimento. O que é ser ribeirinho, o que é ser indígena, o que é morar num território tradicional? O modo de vida, o bem viver, a alimentação são questões culturais envolvidas no autorreconhecimento, principalmente num contexto onde, muitas vezes, as identidades são negadas de várias formas, seja pelo preconceito ou pela dificuldade de acesso a políticas públicas. Muitos têm dificuldades até de acessar o CPF ou identidade”, exemplifica.
Com essas reflexões, Kézia pondera que, no dia a dia com as comunidades tradicionais, o que se percebe é que as políticas são desenhadas numa realidade bem distante às do território.
Adequar a política pública fortalece o PAA e o PNAE e promove a segurança e a soberania alimentar. Mas os efeitos vão além. Ao incentivar as roças tradicionais, cultivadas em meio às florestas, esses programas fortalecem culturas e contribuem para a proteção ambiental, atuando também como importante política climática e de biodiversidade.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Instituto Socioambiental, escrito por Ana Amélia Hamdan
O Idesam lança o Desafio Bioinovação Amazônia, iniciativa internacional inédita que busca transformar o conhecimento científico sobre a biodiversidade amazônica em produtos e negócios de impacto global que gerem oportunidades para as comunidades tradicionais e as pessoas envolvidas nas cadeias de valor.
A ação, que conta com financiamento do Bezos Earth Fund e parceria da Penn State University (EUA), da Rede Terra do Meio e da COOPEACRE, convoca especialistas em P&D com atuação global e inovadores com experiência em biodiversidade amazônica para solucionarem seis desafios nos setores de alimentação, cosméticos e novos materiais verdes, utilizando matérias-primas como castanha-do-brasil, açaí, andiroba, copaíba, murumuru, buriti, babaçu e borracha nativa.
“Este projeto representa exatamente o tipo de inovação que precisamos para o futuro da Amazônia: aquela que mantém a floresta em pé ao mesmo tempo em que gera valor para as comunidades que vivem nela. Ao conectar ciência de ponta com o conhecimento local, estamos criando um novo modelo de desenvolvimento, capaz de transformar a biodiversidade em produtos inovadores, com alto valor agregado e impacto global. É nesse encontro entre tecnologia, natureza e comunidade que nascem as soluções mais relevantes e sustentáveis para o nosso tempo”, explica Paulo Simonetti, gerente de Inovação Aberta e ESG do Idesam.
O programa é estruturado em quatro fases: seleção de talentos (online), formação de equipes e design da solução (online), imersão e validação (residência na Amazônia + online) e cerimônia de premiação final (presencial).
A jornada completa prevê uma imersão de 15 dias na Amazônia (cerca de 10 dias em Manaus e cinco dias em comunidades rurais da região, dependendo do desafio), com todos os custos subsidiados.
São seis desafios que cobrem temas como valorização de óleos amazônicos (andiroba, copaíba, buriti), desenvolvimento de amidos funcionais de babaçu, aproveitamento de resíduos do açaí, inovação com óleos e manteigas amazônicas, produção de biomateriais a partir da borracha nativa e soluções de sanitização para a cadeia da castanha-do-brasil.
Perfis buscados
A iniciativa busca dois perfis complementares:
Inovadores com experiência comprovada em biodiversidade amazônica, residência ou atuação profissional na região e interesse em empreendedorismo ou licenciamento de tecnologia — exclusivamente para cidadãos brasileiros.
Especialistas em P&D com experiência internacional nos setores de cosméticos, alimentos ou materiais de base biológica, disponíveis para mentoria presencial e remota ao longo do programa.
Os 10 selecionados para a fase de imersão receberão um pacote robusto de apoio:
Bolsas mensais para Inovadores de R$ 3.500 a R$ 7.500/mês por 6 meses, conforme nível de formação
Grants para Especialistas em P&D de US$ 650 a US$ 1.300/mês por 6 meses
Fundo da validação de R$ 100 mil por equipe para insumos, reagentes e testes especializados
Suporte laboratorial do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) e do Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA)
Mentoria especializada em desenvolvimento de produtos, propriedade intelectual, mercado e bioeconomia amazônica
Passagens e hospedagem em Manaus custeadas para os membros de equipes selecionadas
Certificado de participação na “Residência Científica na Amazônia”, emitido pelo Idesam
Premiação final
1º Lugar: R$ 200 mil
2º Lugar: R$ 150 mil
3º Lugar: R$ 100 mil
Os três vencedores também se tornarão parceiros da Zôma, a geradora de negócios do Idesam dedicada à nova economia da floresta, e receberão suporte jurídico para adequação à Lei da Biodiversidade, acesso a redes de mercado e apoio estratégico contínuo para a criação do negócio.
“Para isso, buscamos reunir perfis complementares, vindos do Brasil e do mundo, capazes de enriquecer o projeto com diferentes repertórios e perspectivas. Ao conectar conhecimento técnico, vivências diversas e olhares plurais, conseguimos desenvolver soluções mais completas, inovadoras e alinhadas aos desafios reais da Amazônia, ampliando o potencial de impacto dessas iniciativas”, completa Paulo Simonetti.
O Idesam é uma organização amazonense com atuação na Amazônia Legal desde 2004 que tem como missão promover a valorização e o uso sustentável dos recursos naturais da Amazônia, buscando alternativas para a conservação ambiental, o desenvolvimento social e a mitigação das mudanças climáticas. Credenciado como Instituto de Ciência e Tecnologia, possui qualificação de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP).
Entre os reconhecimentos conquistados, foi eleito a melhor organização ambiental da Região Norte pelo prêmio Melhores ONGs em 2020 e 2023. Também recebeu o Prêmio Empreendedor Social 2022, promovido pela Folha de S.Paulo e pela Fundação Schwab, na categoria Inovação e Meio Ambiente, e é credenciado como ator da Década das Nações Unidas da Restauração de Ecossistemas (2021–2030). Para saber mais, acesse: www.idesam.org
A Penn State University (EUA) é uma das principais universidades de pesquisa do mundo e contribui com sua vasta experiência em pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico e metodologias de validação de produtos para mercados internacionais. A universidade servirá como a ponte global para este desafio, conectando talentos amazônicos a uma rede internacional de conhecimento e abrindo caminho para que soluções locais alcancem impacto global.
O Bezos Earth Fund destina parte de seus recursos para a proteção da Amazônia e o fortalecimento de cadeias de valor sustentáveis.
A iniciativa conta ainda com parceiros estratégicos como IPT, CBA, Emerge Brasil e SBSA Advogados.