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Conheça as três Terras Indígenas reconhecidas pela Funai na região sob pressão da BR-319

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Beruri, no Amazonas. Foto: Reprodução/Acervo Amazon Sat

A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) oficializou, em 8 de julho, o reconhecimento e delimitação de três novas Terras Indígenas (TIs) no estado do Amazonas, consolidando a proteção de mais de 933 mil hectares, o equivalente a aproximadamente seis vezes a área da cidade de São Paulo.

São elas:

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O reconhecimento das TIs aconteceu em um cenário de avanços no asfaltamento da BR-319, rodovia que liga Manaus a Porto Velho e que tem sido apontada como vetor de desmatamento, queimadas, grilagem de terras e abertura de ramais clandestinos. 

Seguindo o rito demarcatório, agora as TIs aguardam declaração de suas áreas pelo Ministério da Justiça e, na sequência, a homologação  pelo presidente da República. 

Leia também: Entenda as etapas de demarcação de terras indígenas

Ao todo, existem 838 TIs em diferentes fases do processo. 167 estão em identificação, aguardando finalização dos estudos pela Funai; 45 TIs já delimitadas aguardam declaração pelo Ministério da Justiça; 71 TIs já declaradas aguardam a homologação pelo Presidente da República.

Até hoje, 540 áreas já passaram por esse longo processo, estando homologadas ou reservadas. Há ainda 15 Reservas Indígenas em processo de regularização. Até o momento, somam-se 21 TIs identificadas no governo Lula, 20 homologadas e 21 declaradas.

BR-319 e a pressão sobre Terras Indígenas

Duas das TI cujos estudos foram aprovados, a TI Apurinã do Alto Tupana e a TI Paiol, Cajual e  Palhal, são adjacentes à via e têm sido impactadas pelo processo de ocupação desordenada impulsionado pelo asfaltamento, segundo os Relatórios Circunstanciados de Identificação e Delimitação (RCID).

Conheça as três Terras Indígenas reconhecidas pela Funai na região sob pressão da BR-319
Avanço das rodovias federais aumenta a pressão sobre as florestas. Imagem: Reprodução/ISA/2026

A continuidade das obras na rodovia foram anunciadas em maio, em visita do Presidente Lula ao Amazonas. Na ocasião, além de prometer um pacote de medidas para destravar as obras da BR-319, como parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o presidente também reconheceu a sensibilidade da região e garantiu que os investimentos na região seriam feitos com o “maior cuidado ambiental do mundo”.

A aprovação do projeto de lei conhecido como “PL da Devastação”, entretanto, vai na contramão da promessa. O enfraquecimento do licenciamento ambiental promovido pela normativa transforma obras como essas em ainda mais pressão sobre territórios indígenas, defendem especialistas. 

Ainda, apesar do julgamento de sua inconstitucionalidade, que começou em 12/08, as obras já foram iniciadas seguindo o que determina a nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental (nº 15.190/2025). Isso é, sem consulta aos povos que serão afetados por ela, como determina a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) da qual o Brasil é signatário. 

Ao todo, segundo a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira, existem 69 Terras Indígenas na região de influência da BR-319. Essas áreas, mesmo anteriormente, já eram intensamente violadas, como mostraram monitoramentos recentes realizados pelo Observatório da BR-319. Segundo o estudo realizado pela rede de organizações, em 2025, existiam ao menos 2,2 mil quilômetros de estradas ilegais conectadas à BR-319, sendo 1,2 mil em territórios indígenas. 

Isso ocorre porque a pavimentação de rodovias impulsiona a estrutura fundiária e o uso da terra em seu entorno e funciona como um vetor para incêndios criminosos, como o que aconteceu no que ficou conhecido como ‘Dia do Fogo’, evento que completou sete anos neste ano. É o que mostra a Nota Técnica Queimadas em Terras Indígenas do ISA, de 2024. 

“Esse dia, que ficou conhecido como Dia do Fogo, foi marcado pela combinação de grandes queimadas, que contribuíram significativamente para o aumento do desmatamento e da destruição de áreas florestais no entorno da BR-163, entre Peixoto Azevedo, no norte do Mato Grosso, e Trairão, no sul do Pará”, explica a Nota Técnica, que aponta também que naquele ano, foram registrados 3.946 focos de calor. 

Apesar da comoção, nos anos seguintes, os focos de incêndio na região seguiram aumentando nos entornos das BRs 163, 230 e 319. 

“A persistência dos incêndios criminosos é parte dos efeitos deletérios da construção de uma rodovia sem o amparo de um plano de sustentabilidade e sem fiscalização ambiental eficiente”, completa o documento. 

A formalização das TIs é vista como uma estratégia para assegurar o modo de vida tradicional frente a essas pressões externas, defende o pesquisador do ISA Tiago Moreira. 

“A delimitação dessas TIs traz proteção para que os povos indígenas continuem protegendo a floresta e seu território tradicional. Mas só o avanço do processo demarcatório pode frear o avanço do desmatamento e da grilagem que a BR-319 traz para a região”, finaliza. 

Conheça as Terras Indígenas identificadas

Terra Indígena Apurinã do Alto Tupana, situada no estado do Amazonas, é ocupação tradicional do povo Apurinã. Localizada em Beruri (AM), a TI possui uma área delimitada de  251.388,9111 hectares. Ao todo, foram 22 anos de espera pelo andamento do processo de demarcação, com o primeiro Grupo de Trabalho criado em  2004 e reconstituído em 2024. Segundo o RCID, o povo Apurinã que habita esse território foi intensamente afetado durante  o período de exploração das chamadas “drogas do sertão”. Além disso, o relatório também aponta que a população indígena Apurinã sofreu com a atuação de missões religiosas, que promoveram um processo de aldeamento e trabalho compulsórios, conversão religiosa e integração forçadas. Além disso, o relatório aponta ainda uma trajetória marcada por deslocamentos compulsórios e violências contínuas.

Terra Indígena Paiol, Cajual e Palhal, situada no estado do Amazonas, é de ocupação tradicional dos povos Apurinã e Mura. Localizada em Manaquiri (AM), a TI possui uma área de 114.601,0860 hectares. Ao todo, foram 22 anos de espera pelo andamento do processo de demarcação, com o primeiro Grupo de Trabalho criado em 2004 e reconstituído em 2024. Segundo o RCID, a presença dos Mura na região banhada pelos baixos Rios Madeira, Purus, Solimões e Negro é registrada desde o início do século XVIII, em documentos jesuítas relacionados à instalação dos primeiros aldeamentos da Companhia de Jesus na região do baixo Rio Madeira.

O relatório aponta que os Mura ocuparam tradicionalmente e de maneira contínua a localidade até 1970 e 1972, quando funcionários da então Fundação Nacional do Índio (Funai) levaram para a região um grupo Apurinã originário dos igarapés Peneri e Tacaquiri, que havia deixado a região em meados da década de 1950, em razão dos conflitos provocados pela ocupação e exploração violenta do trabalho nos seringais. Atualmente, o território também está inserido em uma região de intensa pressão sobre as florestas públicas, agravada pelo asfaltamento progressivo da BR-319 e pela ocupação desordenada de áreas públicas não destinadas, como indicam as declarações no Cadastro Ambiental Rural sobrepostas a essas áreas.

Terra Indígena Kapyra Kanakury, situada no estado do Amazonas, é ocupação tradicional dos povos Apurinã (Aruak) e Jamamadi (Arawá). Localizada em Pauini (AM), a TI possui uma área de 567.606,00 hectares e uma população estimada em 300 pessoas. O Grupo de Trabalho para identificação e delimitação do território foi criado em 2024. Foram dois anos de espera pela conclusão dos estudos.

Segundo o RCID, a região do vale do Rio Purus e seus habitantes permaneceram relativamente isolados do mundo ocidental até meados do século XIX, quando a chegada de trabalhadores de diferentes partes do Brasil provocou profundas transformações no modo de vida das populações indígenas que habitavam a região, entre elas os povos Apurinã e Jamamadi. No caso específico da Terra Indígena Kapyra Kanakury, o relatório registra uma ocupação contínua da área pelas mesmas famílias Apurinã há pelo menos 120 anos. A história oral preservada pelo povo também reconhece na paisagem evidências de uma ocupação ainda mais antiga, que ultrapassa o período alcançado pela memória das famílias.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Instituto Socioambiental (ISA), por Luiza Barros e Mariana Soares

El Niño: IIAP utiliza drones, bioinsumos e DNA ambiental para reduzir riscos em florestas no Peru

O IIAP está utilizando drones, bioinsumos e DNA ambiental para reduzir o risco do impacto do El Niño na floresta tropical de altitude. Foto: Foto: Reprodução/Agência Andina/Editora Perú

O litoral e as terras altas não são as únicas áreas do Peru afetadas pelo El Niño. Na selva alta, chuvas intensas provocam deslizamentos de terra e secas prolongadas ressecam solos já fragilizados, deixando a terra propensa a incêndios.

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Diante desse cenário, o Instituto de Pesquisas da Amazônia Peruana (IIAP), entidade vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, responde em regiões como San Martín com uma equipe multidisciplinar de profissionais que combina soluções biológicas, reflorestamento com drones, monitoramento ambiental e gestão de bacias hidrográficas. 

A magnitude desses efeitos depende da topografia e da extensão da perturbação florestal, explica Héctor Guerra Arévalo, especialista em Sistemas Agroflorestais do IIAP.

Em áreas desmatadas, as raízes já não conseguem segurar o solo, de modo que as fortes chuvas provocam deslizamentos de terra. As secas, por outro lado, afetam principalmente ecossistemas já frágeis, como as florestas sazonalmente secas da região central de Huallaga. 

El Niño: IIAP utiliza drones, bioinsumos e DNA ambiental para reduzir riscos em florestas tropicais de altitude
Foto: Ricardo Stuckert / PR

Leia também: Jovens Yanomami aprendem a usar drones para mapear território e ajudar na fiscalização da floresta

Ações do IIAP

Para evitar o colapso da agricultura familiar devido à lixiviação de nutrientes e à proliferação de pragas, o IIAP promove biofertilizantes feitos com microrganismos de montanha e fungos micorrízicos, juntamente com agentes de controle biológico, como os fungos Trichoderma e Beauveria bassiana, e biocidas à base de plantas, usados ​​para proteger culturas como o cacau.  

Guerra afirma que os sistemas agroflorestais que misturam árvores e culturas complementam essa estratégia, assim como a produção de cogumelos comestíveis, uma alternativa que garante renda quando o clima prejudica a colheita. 

Onde já ocorreram incêndios, a resposta muda de escala. Nesses locais, o IIAP utiliza drones que dispersam esferas com sementes de espécies nativas sobre as encostas danificadas, uma forma de alcançar terrenos que seriam quase inacessíveis a pé e ganhar tempo para a recuperação antes da chegada das fortes chuvas. 

Rio Mayo. Foto: Ludwig Z/Tripadvisor

Nos rios, o trabalho é menos visível, mas igualmente constante. Os pesquisadores monitoram a saúde da água usando DNA ambiental, uma técnica conhecida como eDNA, que rastreia o material genético deixado pelos organismos. Eles estão aplicando esse método na bacia do rio Mayo, onde também estão restaurando zonas ribeirinhas ao longo do rio Yuracyacu para proteger as fontes de água e as espécies sensíveis às mudanças de umidade, como anfíbios e peixes nativos. 

Com foco nos cenários de risco desenvolvidos pelo Cenepred e divulgados pelo Ministério do Meio Ambiente para o verão de 2027, a abordagem científica busca romper com a inércia reativa.  

Guerra destaca que a chave para a selva alta é parar de contabilizar as perdas após cada desastre e consolidar uma proteção preventiva que combine dados de satélite, biotecnologia e gestão de bacias hidrográficas para manter os meios de subsistência das comunidades amazônicas.  

*Com informações da Agência Andina

ICBEU e comitê israelita sediam mostra ‘Judeus na Amazônia’ em Manaus

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Foto: Lincoln Ferreira/ICBEU-Manaus

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

O Instituto Cultural Brasil–Estados Unidos (ICBEU) em Manaus (AM), conduzido pela superintendente Cláudia Malheiros sediou, na sexta-feira, 28 de agosto, a abertura da exposição “Judeus na Amazônia”, produzida pelo Museu Judaico de São Paulo, instituição que cultiva e defende a diversidade das expressões da cultura judaica em diálogo com o contexto brasileiro e com o contemporâneo, enfatizando a defesa dos direitos humanos, o combate ao antissemitismo e a todas as formas de preconceito.

Maior exposição realizada desde sua inauguração em 2021, a mostra expõe mais de 200 obras de arte, vídeos, documentos históricos e fotográficos, que permanecerá em cartaz até 6 de dezembro de 2026. Segundo seus organizadores, “o projeto propõe um olhar ampliado sobre como a cultura judaica se ambientou em diferentes localidades, influenciando e sendo influenciada, preservando suas raízes ao mesmo tempo em que se mescla às idiossincrasias culturais e religiosas predominantes na Amazônia colonial no século XIX, desde quando, em pleno ciclo econômico do extrativismo, consideráveis fluxos de imigrantes judeus originários do Marrocos aqui aportaram”.

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Durante a solenidade de abertura, destinada a convidados especiais, dentre os quais Sérgio Band, presidente do Comitê Israelita do Amazonas (CIAM), órgão máximo da comunidade judaica há 96 anos ativo; o cônsul de Israel no Amazonas, Jaime Benchimol, presidente da Fogás; e o presidente da Bemol, uma das empresas líderes patrocinadoras do evento, Denis Minev; foi conduzida pela estrela das comunicações amazonenses, Daniela Assayag, quando foram apresentados concertos de violino de músicos da Orquestra Sinfônica do Amazonas e de sax e baixo, do Museu Judaico. A curadoria da mostra é de Aldrin Figueiredo, Ilana Feldman, Renato Athias e Mariana Lorenzi, responsável por sua itinerância em Manaus.

Ilana Minev, presidente do Conselho de Administração da Bemol, em contundente e emotiva saudação à comunidade judaica e à sociedade amazonense, inicialmente afirma:

“Quero começar agradecendo ao Museu Judaico e à sua equipe, que nos entregam esta tarde muito mais do que uma exposição: entregam um ato de memória. E agradeço à pessoa de Piatã Kignel, representante do Museu nesta cerimônia, que acompanhou de perto cada passo desta jornada. Esta abertura é a realização de um sonho construído ao longo de mais de dois anos, para que a Região Norte pudesse receber uma exposição desta grandeza. E ela não existiria sem seus curadores, a quem agradeço por transformarem pesquisa, acervo e sensibilidade na narrativa que vamos percorrer hoje. Agradeço aos parceiros que, junto com a Bemol, tornaram este momento possível, a Gera Amazonas e o ICBEU, e a cada pessoa que dedicou tempo, talento e coração ao projeto”.

Ilana é enfática: “saúdo o Comitê Israelita do Amazonas, o nosso CIAM, guardião dessa história há quase um século; nada do que celebramos hoje teria chegado até nós sem a sua dedicação. E cumprimento, com um carinho especial, as famílias aqui presentes: somos a continuação viva da história que esta exposição celebra”.

“Na verdade, uma ode dedicada a homenagear as primeiras famílias judias que há aproximadamente duzentos anos deixaram o Marrocos e atravessaram o Atlântico para recomeçar a vida na Amazônia, tangidas por séculos de perseguição e de reclusão, aqui encontraram, nesta floresta e nestes rios, uma terra que as acolheu. É essa história que o Museu Judaico traz hoje para Manaus. E é dela que todos nós fazemos parte”, afirma.

A saga encontra-se documentada no livro “Eretz Amazônia, a Nova Terra da Promissão”, de seu avô, o mestre Samuel Benchimol, que dedicou a vida a estudar a cosmologia amazônica. Esta tarde, ressalta Ilana, quero deixar que as palavras dele nos conduzam. Ele contava que aquelas famílias repetiram a história do êxodo bíblico em busca da sua Terra da Promissão, e resumiu essa saga assim: “A história dos judeus na Amazônia é longa, sofrida, pioneira e grandiosa”.

“Para o Museu Judaico de São Paulo, a itinerância de Judeus na Amazônia marca uma nova fase de uma pesquisa construída com muito fôlego e interesse por mais de 2 anos. Apresentar a exposição em Manaus, território de extrema relevância para essa história, significa reconhecer que o conhecimento produzido a partir do Museu não se encerra em uma exposição. Ao contrário, é na escuta do público local, de suas histórias e leituras, que essa investigação pode ganhar novos contornos e continuar se desdobrando”, assinala Patricia Wagner, diretora de Curadoria e Participação do MUJ.

Para Claudia Malheiros, superintendente do ICBEU Manaus, “receber uma exposição como “Judeus na Amazônia” reafirma o compromisso do Instituto de conectar o Amazonas aos grandes circuitos culturais do país e, mais do que isso, mostrar aos amazonenses uma importante parte da nossa história com a população judaico-marroquina. É uma honra abrir nossas portas para uma mostra que promove o diálogo entre diferentes culturas, preserva a memória e amplia o acesso do público amazonense a importantes narrativas da história brasileira”.

Leia também: Minerais críticos e estratégicos, o Brasil sem domínio nem estratégia para exploração industrial no curto prazo

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Tesouro científico no Peru: fóssil de peixe-boi com mais de 13 milhões de anos é descoberto

Fóssil de peixe-boi com mais de 13 milhões de anos é descoberto no Peru. Foto: ANDINA / Editora Perú

A terceira expedição científica em busca da origem da biodiversidade amazônica na região de Loreto, no Peru, teve um bom começo. O que parecia ser apenas mais uma rocha às margens do rio Amazonas, na cidade de Orán, revelou-se um tesouro para a ciência, contendo informações valiosas que os pesquisadores precisarão decifrar.

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No sábado (22), por volta das 16h (hora local), a equipe multidisciplinar liderada pelo paleontólogo peruano Rodolfo Salas-Gismondi, da Universidade Peruana Cayetano Heredia (UPCH) e chefe do Departamento de Paleontologia de Vertebrados do Museu de História Natural (MHN) da Universidade Nacional de San Marcos (UNMSM), chegou à área de afloramento de El Cascajal, no meio do rio Amazonas. 

“Estávamos planejando uma caminhada para explorar a área, e você não vai acreditar, me deparei com o crânio de um peixe-boi, um sirênio. A princípio, não sabíamos o que era; estava incrustado na rocha, parecia um nódulo, apenas mais uma rocha; nosso guia Michel [Valles] achou que era uma rocha, mas para mim parecia um osso”, disse.

O cientista peruano olhou para ele, um pouco perplexo, como ele mesmo recorda. “Decidi quebrar um pequeno pedaço para ver a estrutura e confirmei que era osso. Era o crânio completo de um mamífero. Toda a equipe começou a escavar e a tentar expô-lo antes do anoitecer. À medida que a limpeza avançava, surgiam mais dúvidas, parecia uma preguiça”, admite.

Leia também: Nova fase de pesquisa: cientistas partem para Loreto, no Peru, em busca da origem da biodiversidade amazônica

fóssil de peixe-boi com mais de 13 milhões de anos é descoberto
Uma expedição científica, liderada pelo paleontólogo peruano Rodolfo Salas-Gismondi, descobriu o crânio de um peixe-boi fossilizado da região proto-amazônica no rio Amazonas. Foto: Ana Balcarcel

Leia também: Fóssil de tartaruga gigante que viveu na Amazônia há 13 milhões de anos é encontrado no Acre

O esmalte: um elemento diferenciador

“Quando cheguei ao hotel, comecei a remover o sedimento de onde eu achava que estavam os dentes e o esmalte apareceu, o que provou que não era uma preguiça como pensávamos”, disse ele.

Os dentes da preguiça não possuem esmalte; são cilíndricos, simples e pequenos. “Eles são formados por outros tipos de estruturas de tecido chamadas osteodentina e vasodentina; o tecido mais duro nos dentes da preguiça é a osteodentina, enquanto o esmalte é algo que seus ancestrais, os tatus, perderam milhões de anos atrás”, explica ele.

Ele explica que os dentes dos peixes-boi, com esmalte, são chamados de bunolofodontes; eles têm cúspides arredondadas em cristas transversais, típicas da espécie e de seus parentes, alguns mastodontes.

A primeira vez

Salas-Gismondi destaca que “não existe nenhum crânio fossilizado de peixe-boi da proto-Amazônia, nem em toda a América do Sul”.

“Estamos buscando a origem da diversidade amazônica, e ela é exatamente como descrita: os peixes-boi ainda existem hoje, mas ninguém sabe como eles eram no Mioceno Médio. Dentes, costelas e fragmentos de mandíbula foram encontrados, mas não sabemos como eram. Agora temos um crânio completo com todos os dentes”, enfatiza.

Há alguns anos, ele recorda, um fragmento de mandíbula com dentes foi encontrado na Colômbia, o que levou à descrição do gênero Potamosirem , e uma descoberta semelhante foi feita no Peru com um dente encontrado na selva. A coleção do Museu de História Natural inclui outro dente encontrado no rio Napo.

“Todos os achados são restos tão fragmentários que não nos permitem ter uma ideia clara de quantas espécies existiam ou de suas relações. Na realidade, dentes isolados ajudam, mas não são muito diagnósticos”, diz ele.

Isso explica “nosso conhecimento limitado sobre fósseis de peixes-boi”. “Esta será a primeira vez que uma árvore evolutiva de peixes-boi na proto-Amazônia poderá ser criada, e isso é extremamente interessante”, enfatizou ele em entrevista à agência de notícias Andina.

O cientista argumenta que o aspecto mais importante dessa descoberta é que o peixe-boi “é um dos animais menos conhecidos”.

“Neste momento, não sabemos exatamente o que é, mas sabemos que estamos perto de entender um pouco mais sobre como esses animais invadiram a proto-Amazônia milhões de anos atrás. Esse fóssil deve ter mais de 13 milhões de anos, talvez 14 ou 15 milhões de anos ; estudos irão confirmar isso”, conclui ele.

Ele alerta que “a história evolutiva desses animais na proto-Amazônia é uma das menos conhecidas. É uma peça fundamental para a compreensão da evolução dos peixes-boi na Amazônia”.

Por isso, a descoberta causou enorme entusiasmo entre os cientistas. “Ficamos realmente felizes; comemoramos, cantamos. Você não imagina”, confessa ele.

Qual a aparência de um crânio fossilizado de peixe-boi?

O crânio do peixe-boi estava coberto de sedimentos e incrustado em rochas nas margens do rio Amazonas, nos afloramentos de El Cascajal, perto da cidade de Orán, no distrito de Las Amazonas, província de Maynas, em Loreto. Era quase invisível, parecendo apenas mais uma rocha.

Foto: ANDINA / Editora Perú

“Agora está claro que se trata de um crânio com formato diferente do peixe-boi que vive na Amazônia, então o fóssil — com cerca de 25 centímetros de largura e 35 centímetros de comprimento — deve conter muitas informações. Era muito robusto: a ponta do focinho parece ter sofrido erosão, mas o restante do crânio está impecável, completo” , descreve ele.

Atualmente, o habitat do peixe-boi se estende do Mar do Caribe ao norte da América do Sul, principalmente em águas marinhas e costeiras. Eles também entram em rios. É uma espécie irmã do peixe-boi que vive na Amazônia.

“Existe outra espécie de peixe-boi na África. A ideia é que os peixes-boi eram originalmente marinhos e invadiram ambientes de água doce milhões de anos atrás, e essa invasão deu origem às formas que vivem na África e na América do Sul”, explica ele.

Como o peixe-boi teria chegado lá?

Salas-Gismondi afirma que os peixes-boi vêm do mar, provavelmente do Caribe, porque esse local foi habitado milhões de anos atrás por peixes-boi e dugongos, os dois grupos de sirênios.

Os sirênios são animais aquáticos herbívoros que se alimentam de ervas marinhas e algas. Acredita-se que algo semelhante ao que aconteceu com o Pebanista yacuruna, o maior golfinho a ter habitado o planeta, tenha ocorrido na região proto-amazônica.

“Não podemos deixar de traçar o paralelo. O Pebanista também entrou na região proto-amazônica vindo do mar, de um ancestral marinho. Este [peixe-boi] deve ter sido o mesmo. Estas são todas hipóteses, baseadas no que se sabe sobre alguns dentes e costelas, mas um crânio completo nunca havia sido encontrado. Esta é a primeira vez que temos esta oportunidade”, comenta ele.

A jornada continua

Nos próximos dias de trabalho, a expedição científica planeja chegar a Nuevo Pebas, onde em 2025, apesar do nível do rio Pebas estar bastante alto, foram encontrados muitos restos fossilizados, incluindo os de um peixe-boi, crocodilos e alguns restos de crocodilos terrestres.

“A expectativa é enorme, é assim que funciona a paleontologia, você não consegue determinar o que vai encontrar e, de repente, se depara com algo que ninguém jamais viu. É isso que torna essa ciência fascinante”, enfatiza ele.

A expedição faz parte do projeto de pesquisa “O registro fóssil de Loreto: Arquivos sobre a origem da biodiversidade amazônica” , financiado pelo Programa Nacional de Pesquisa Científica e Estudos Avançados (ProCiencia), entidade executora do Conselho Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação Tecnológica (Concytec).

*Com informações da Agência Andina

Operação Gota: vacinação é ampliada em comunidades indígenas da Amazônia

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Foto: Rafael Nascimento/MS

Desde o dia 30 de agosto uma nova fase da Operação Gota busca beneficiar 20 aldeias indígenas na Amazônia Legal. A ação amplia o acesso à vacinação em comunidades remotas, onde as condições geográficas e de transporte demandam logística aérea para o deslocamento de equipes de saúde.

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Em nota, o Ministério da Saúde informou que a operação segue até dia 6 de setembro, contemplando as comunidades atendidas pelo Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Amapá e Norte do Pará e inclui todas as doses disponíveis no Calendário Nacional de Vacinação.

A ação, realizada em parceria com a Secretaria de Saúde Indígena, com o Ministério da Defesa e com a Força Aérea Brasileira (FAB), também será levada a comunidades indígenas do Médio Rio Purus, com atividades previstas entre os dias 10 e 20 de setembro.

Leia também: Campanha vai aplicar 89 mil doses de vacinas em territórios indígenas

Operação Gota: vacinação é ampliada em comunidades indígenas da Amazônia
Foto:Divulgação/Ministério da Saúde

No primeiro semestre de 2026, a Operação Gota atendeu territórios do Alto Rio Negro, Alto Rio Juruá e Vale do Javari. Dados da pasta mostram que, ao todo, 112 aldeias foram visitadas, 13 mil doses foram aplicadas e mais de 8 mil indígenas foram imunizados.

Planejamento da vacinação

Antes das missões, os DSEIs realizam levantamento de comunidades com maior dificuldade de acesso e identificam pessoas a serem atendidas. São definidos os quantitativos de vacinas, insumos e demais recursos necessários para a realização das atividades.

Foto: Fábio Maciel/MS

De acordo com o ministério, além da vacinação, as equipes da Operação Gota podem realizar outros atendimentos em saúde durante as missões, conforme necessidades identificadas em cada território, incluindo assistência médica, avaliação e acompanhamento nutricional.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Brasil, escrito por Paula Laboissière

Gente do Norte Empresas: saiba quem é Oswaldo Xavier Dias

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Empresário Oswaldo Dias. Foto: Reprodução/Amazon Sat

O empresário Oswaldo Xavier Dias, diretor e CEO do Grupo Star, concessionária Honda no Acre, é um dos convidados do programa Gente do Norte – Empresas, exibido pelo canal Amazon Sat. Sua trajetória é marcada pelo pioneirismo, pelo empreendedorismo e pela busca constante por oferecer o melhor aos clientes. 

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Nascido em Guararapes, no interior de São Paulo, ele encontrou na região Norte espaço para desenvolver seus negócios e, ao longo de mais de duas décadas, transformou uma empresa que começou com a comercialização de motocicletas em um grupo com cinco negócios.

“Tudo que você vai fazer, você tem que ser pioneiro, você tem que ser o melhor, você tem que oferecer o melhor. E foi assim que a empresa evoluiu e se tornou uma das melhores e maiores empresas de transporte do Brasil e de toda a América do Sul, através do pioneirismo”, afirma Oswaldo.

De São Paulo para o Acre

Oswaldo Xavier Dias nasceu em 27 de abril de 1953, filho de Jovenil Xavier Dias e Antônio Dias Alva. Cresceu ao lado das três irmãs: Rosa Maria, Roseli Dias e Regiane Dias. 

E, apesar de nascer no estado de São Paulo, foi no Acre que Osvaldo consolidou sua trajetória empresarial. No dia 10 de abril de 1997 começou a história do Grupo Star com a primeira empresa.

Foto: Reprodução/Amazon Sat

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“Começamos aqui em abril de 1997 comercializando sete motocicletas. Isso proporcionou o crescimento das empresas, a contratação de pessoas, o aperfeiçoamento, treinamento e a construção de sedes próprias”, relembra.

Atualmente, o Grupo Star reúne cinco empresas, e os negócios têm como foco produtos e serviços relacionados à Honda, incluindo motocicletas nacionais e importadas, quadriciclos, motores e máquinas, peças, serviços, financiamento e seguros.

Quatro segmentos da Honda

Entre os diferenciais do grupo está a atuação em quatro das cinco áreas de produtos disponibilizadas pela Honda no Brasil. A empresa trabalha com motocicletas nacionais, produzidas no Polo Industrial de Manaus (PIM), motocicletas importadas, quadriciclos e motores e máquinas.

No segmento de motocicletas importadas, a empresa atua como concessionária da Honda Dream no Acre. Segundo Osvaldo, a operação coloca o estado em uma posição diferenciada no mercado, já que nem todos os estados brasileiros contam com esse tipo de representação.

Foto: Reprodução/Amazon Sat

Outro segmento que vem ganhando espaço é o de motores e máquinas. Recentemente, o grupo venceu uma licitação para realizar uma das maiores entregas de roçadeiras da Honda no Acre. “Isso reforça o nosso comprometimento com a nossa marca”, destaca Osvaldo.

Pioneirismo como estratégia

Para o empresário, o crescimento do Grupo Star está diretamente ligado à disposição de investir em novas oportunidades e acompanhar aquilo que a Honda oferece ao mercado.

A relação com a marca também envolve uma série de exigências internacionais relacionadas à operação das concessionárias. Entre elas estão medidas de gestão de resíduos e cuidados ambientais.

“É a separação do lixo, são os produtos que estão contaminados, como a estopa, como algum produto que você substitui da motocicleta, que você não pode jogar fora e, sim, ser recolhido por uma empresa que faz a reciclagem desses produtos”, explica.

Empresário Oswaldo Dias
Empresário Oswaldo Dias. Foto: Reprodução/Amazon Sat

O grupo mantém parceria com uma empresa especializada para o recolhimento e destinação desses materiais. Além disso, as empresas investem em geração de energia solar. Atualmente, as duas unidades já possuem sistemas que atendem cerca de 90% do consumo de energia.

A gestão dos resíduos também faz parte da rotina das empresas, e o material é separado entre papelão, estopa, ferragem e outros tipos de resíduos recolhidos semanalmente pelo próprio grupo para a destinação adequada.

“Eu acho que isso tudo nos possibilita dizer para você o seguinte: nós somos uma empresa que estamos preocupados com o meio ambiente, sim”, afirma Oswaldo Dias.

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Uma empresa feita por pessoas

O crescimento do Grupo Star também foi acompanhado pela formação de uma equipe de profissionais com longa trajetória dentro da empresa. Entre os colaboradores estão pessoas que atuam há mais de 20 anos no grupo. 

Atualmente, Oswaldo divide a administração com outros dois sócios e conta ainda com seis procuradores que participam da gestão dos negócios. A estrutura é organizada em diferentes setores, como departamento de peças, serviços, showroom, área financeira e gerências.

Para Oswaldo, a participação da família e dos colaboradores é um dos fatores que ajudam a manter a identidade do negócio.“Aqui a gente fala que a gente não trabalha, aqui a gente passeia e ganha dinheiro e realiza sonhos das pessoas e da nossa família”, diz.

Uma história construída com confiança

A relação entre Oswaldo e alguns dos profissionais que hoje fazem parte do grupo também começou a partir da confiança. Marco Aurélio, supervisor de vendas do grupo, conta que conheceu o empresário quando ele ainda estava no Acremoto. Após ser apresentado a Oswaldo, recebeu um convite para acompanhá-lo em uma viagem a Boca do Acre, no Amazonas.

Marco Aurélio. Foto: Reprodução/Amazon Sat

Durante a viagem, passou a observar de perto a forma como o empresário tratava os funcionários e conduzia os negócios. “Ali já nasceu uma admiração por ele, pela maneira, pelo comportamento e como ele agia com os colaboradores”, relembra.

Na volta da viagem, sem realizar uma longa entrevista, o empresário teria tomado a decisão de contratá-lo após uma conversa. “Bastou que ele olhasse no meu olho e ele já tinha visto ali a minha sinceridade e disse que já estávamos contratados”, conta.

A contratação aconteceu em 2009, e desde então, o profissional passou a acompanhar a expansão dos negócios e também participou de viagens por diferentes municípios do Acre, incluindo localidades como Marechal Thaumaturgo e Porto Walter.

Comprometimento e comunicação

Ao longo da trajetória empresarial, Oswaldo aponta o comprometimento como uma das principais características necessárias para quem deseja crescer profissionalmente. “Você abrindo portas, surgem oportunidades e aí você cresce e conquista o seu espaço”, afirma.

Outro ponto considerado fundamental pelo empresário é a comunicação. Para ele, apesar dos desafios provocados pelo uso excessivo das novas tecnologias, especialmente do celular, a comunicação digital já faz parte da realidade dos negócios.

“A comunicação é a palavra-chave para o desenvolvimento e o crescimento das pessoas”, destaca.

Oswaldo reconhece que a tecnologia pode afetar as relações pessoais, mas considera que, no ambiente profissional, não é possível ignorar as transformações provocadas pela comunicação digital. “Ou você usa ou você fica fora do mundo dos negócios”, afirma.

Assim, com uma trajetória construída ao longo de décadas, Osvaldo Xavier Dias vê no crescimento do Grupo Star não apenas uma história empresarial, mas também a construção de uma rede formada por família, colaboradores e clientes.

O empresário é um dos convidados do programa Gente do Norte – Empresas, transmitido pelo canal Amazon Sat. Assista: 

Pescador encontra sucuri de 3 metros morta perto de rastros de onça em Roraima

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Foto: Reprodução/Instagram-Marcell Explore Fishing

Uma sucuri de aproximadamente 3 metros foi encontrada sem a cabeça e a cauda durante uma trilha em Caracaraí, no Sul de Roraima. A serpente foi achada pelo pescador esportivo Marcell Reis, de 34 anos. Próximo onde a sucuri foi encontrada Marcell percebeu que havia rastros de onça. Segundo ele, as pegadas estavam a cerca de cinco metros do local onde a cobra estava.

O encontro aconteceu na região do rio Baraúna, no dia 15 de agosto. O pescador estava acompanhado de outras três pessoas e carregava caiaques para chegar a um lago onde faria pesca esportiva quando viu o animal.

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O vídeo foi publicado nas redes sociais e soma mais de 700 mil visualizações. Assista:

Depois de percorrer cerca de 50 metros, o pescador sentiu um cheiro forte e decidiu procurar de onde vinha o odor. Ao vasculhar a área, o grupo encontrou os restos da serpente em estado de decomposição, em meio à vegetação.

“Durante a trilha visualizamos vários rastros de onça e isso já despertou certa atenção da equipe para evitar qualquer contato visando a segurança de todos. Encontramos a sucuri de aproximadamente três metros já em estado de decomposição e haviam sinais de que a onça havia comido a cauda e a cabeça da sucuri”, contou Marcell.

Leia também: Onça é flagrada ‘reclamando’ de câmera instalada na floresta, em Rondônia

Sucuri foi encontrada pelo pescador esportivo Marcell Reis em Caracaraí, no Sul de Roraima. — Foto: Reprodução/Marcell Reis/MarcellExploreFishing
Sucuri foi encontrada pelo pescador esportivo Marcell Reis em Caracaraí, no Sul de Roraima. Foto: Reprodução/Instagram-MarcellExploreFishing

Sucuri

Nativa da América do Sul, especialmente das regiões tropicais da Amazônia e do Pantanal, a sucuri é uma das maiores cobras do mundo. A serpente não é peçonhenta e mata as presas se enrolando ao redor da vítima e comprimindo o corpo até provocar a asfixia.

A sucuri não foi o único achado do pescador durante as excursões por Roraima. Em fevereiro, ele encontrou ao menos 30 desenhos rupestres gravados em pedras em Caroebe, também ao Sul do estado. Um especialista ouvido pelo g1 explicou que os registros podem ser de até 3 mil anos antes de Cristo.

Marcell Reis encontrou pegadas de onça na região onde sucuri foi achada morta em Roraima. — Foto: Reprodução/Marcell Reis/MarcellExploreFishing
Marcell Reis encontrou pegadas de onça na região onde sucuri foi achada morta em Roraima. Foto: Reprodução/Instagram-MarcellExploreFishing

*Por Yara Ramalho, da Rede Amazônica RR

15 livros do historiador Abrahim Baze que ajudam a preservar a memória do Amazonas

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Foto: Reprodução/Facebook

Nascido em Manaus (AM), no dia 27 de agosto de 1949, o historiador e jornalista Abrahim Baze se tornou uma das principais referências quando o assunto é a história do Amazonas e da Amazônia. Com uma trajetória marcada pela preservação da memória, o autor tem construído uma bibliografia com mais de 40 livros publicados, dedicados a personagens, instituições, ciclos econômicos e acontecimentos que ajudam a contar a formação da sociedade amazonense.

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Ao longo de décadas, Baze reúne documentos, fotografias, registros e memórias para transformar histórias muitas vezes desconhecidas em obras acessíveis aos leitores. Seus livros percorrem diferentes momentos da Amazônia, desde a presença portuguesa e a imigração até o Ciclo da Borracha, a escravidão, o desenvolvimento econômico e as trajetórias de personalidades que contribuíram para a construção da história regional.

Além disso, o escritor também ocupa a cadeira de número 13 da Academia Amazonense de Letras. Conheça 15 livros de Abrahim Baze que ajudam a compreender diferentes capítulos da história da região:

1. Samuel Isaac Benchimol: Ensaio Biográfico de um Educador – 4 edições

A obra é um registro da trajetória de Samuel Isaac Benchimol e apresenta um testemunho sobre o percurso de vida de um dos grandes intelectuais da Amazônia, conhecido por suas contribuições como professor, pesquisador e estudioso da região.

Abrahim Baze conta os principais acontecimentos da vida de Benchimol a partir dos principais acontecimentos que marcaram sua trajetória, destacando sua atuação no campo da educação e da pesquisa para os estudos amazônicos. A pesquisa também contribui para preservar a memória de Benchimol, descrito na obra como um amazônida e um ‘judeu caboclo’.

livro do historiador Abrahim Baze
Foto: Reprodução/Livraria Fontes

2. Álvaro Maia – Memórias de um Poeta

Em ‘Álvaro Maia – Memórias de um Poeta’, Abrahim Baze retrata a trajetória de Álvaro Maia, conhecido como o ‘príncipe dos poetas amazonenses’. A obra reúne informações sobre seus poemas, sua produção intelectual e os diferentes momentos de sua vida. 

Além disso, registros fotográficos e referências históricas ajudam a reconstruir a época em que o poeta viveu. O livro também revela a importância de Álvaro Maia para a cultura amazonense, aproximando o leitor da trajetória que marcou diferentes espaços da vida pública e cultural do estado.

Foto: Reprodução/Livraria Concorde

3. A Saga de um Imigrante Português

A presença portuguesa é um dos temas recorrentes na obra de Abrahim Baze. Em ‘A Saga de um Imigrante Português’, o historiador resgata a trajetória e as vivências daqueles que deixaram Portugal em direção ao Brasil em busca de novas oportunidades.

A obra aborda aspectos históricos, culturais e humanos da imigração lusitana e ajuda a compreender a influência dos portugueses na formação da sociedade amazonense.

Foto: Reprodução/AbeBooks

4. 125 Anos de História – Real e Benemérita Sociedade Portuguesa

O livro documenta a trajetória de uma das instituições de saúde e caridade mais tradicionais de Manaus. Ao documentar os 125 anos de história da Real e Benemérita Sociedade Portuguesa, Abrahim Baze registra acontecimentos importantes ligados à presença da comunidade portuguesa no Amazonas.

A obra retrata as associações criadas por imigrantes e seus descendentes, especialmente em uma cidade marcada pela chegada de diferentes povos e culturas. 

Foto: Reprodução/Estante Virtual

Leia também: De poeta a historiador: a trajetória de Abrahim Baze na literatura do Amazonas

5. Miranda Corrêa: Histórias e Memórias

O livro detalha o auge da família paraense Miranda Corrêa e recupera a trajetória de pessoas que tiveram participação importante na história empresarial e urbana da região.

Entre os nomes destacados está o engenheiro e empresário Luiz Maximino de Miranda Corrêa. Além disso, o livro também documenta marcos urbanos, como o antigo Palacete Miranda Corrêa, localizado na Avenida Eduardo Ribeiro e demolido na década de 1970.

Foto: Reprodução/ Sebo RS Raridades

6. Luso Sporting Club: a Sociedade Portuguesa no Amazonas

A história da fundação da nova agremiação Luso Sporting Club é o tema dessa obra. Formado, em sua maioria, por jovens idealistas, o clube enfrentou inicialmente alguma resistência da sociedade local, algo considerado natural diante de uma nova proposta de união comunitária. Aos poucos, a instituição se consolidou como um importante elo entre a colônia portuguesa e diferentes grupos sociais de Manaus.

Para reconstruir essa história, Abrahim Baze trabalha com fontes documentais dos arquivos do Luso em suas diferentes fases, seja como football ou sporting. O autor também busca suporte na historiografia regional com trabalhos de nomes como Mário Ypiranga Monteiro, Samuel Benchimol, Antonio Loureiro, Selda Vale e Márcio Souza.

Foto: Reprodução/Instagram-@lusosportingclube

7. Phelippe Daou: O Jornalista

Nesta obra, Abrahim Baze se dedica à trajetória de Phelippe Daou, um nome muito conhecido na comunicação na Amazônia. O livro registra a relevância do jornalista para a região a partir da convivência do próprio autor com Daou e de sua proximidade com a família. 

Além de recuperar a história pessoal de Phelippe Daou, a obra também contribui para compreender a evolução do jornalismo e dos meios de comunicação no Amazonas.

Foto: Reprodução/Estante Virtual

8. Escravidão: o Amazonas e a Maçonaria Edificaram a História

Em sua pesquisa, Abrahim Baze resgata documentos guardados em arquivos de lojas maçônicas do Amazonas, como a Esperança e Porvir nº 1 e a Amazonas nº 2. A obra aborda a participação de maçons no processo que tornou o Amazonas o segundo estado brasileiro a abolir a escravidão, quatro anos antes da assinatura da Lei Áurea.

Foto: Reprodução/Instagram-@lojarionegro4

9. Portal Amazônia: Crônicas de um Jornalista na Amazônia

A obra reúne uma variedade de crônicas e recordações históricas publicadas originalmente no Portal Amazônia. A publicação também une duas áreas presentes na trajetória de Abrahim Baze: o jornalismo e a pesquisa histórica, ao reunir textos publicados na imprensa, o autor demonstra como o jornalismo pode contribuir para preservar e divulgar a memória de uma região.

Foto: Reprodução/Estante Virtual

Leia também: Literatura amazônica: conheça livros que ajudam a desbravar a região sem sair de casa

10. La Amazonía en las Curvas del Tiempo

Escrito em espanhol, o livro amplia o alcance internacional da produção de Abrahim Baze. A obra explora a influência dos imigrantes portugueses na formação da sociedade e da economia amazônica. 

A publicação também permite que leitores de outros países tenham acesso a aspectos da história amazônica e à contribuição dos imigrantes para a formação social, econômica e cultural da Amazônia.

Foto: Reprodução/ Amazon

11. A História do Amazonas

O livro apresenta um panorama sobre a formação social, econômica e cultural do maior estado brasileiro. Lançado em Portugal com o objetivo de divulgar a realidade amazônica no exterior, o livro traça uma linha do tempo que vai desde o período pré-colonial até os desafios e a modernidade do Amazonas.

13. Aurora Luzitana – A Semente Portuguesa no Amazonas

Com mais de 400 páginas e um amplo acervo de imagens históricas, a obra mergulha na influência da imigração portuguesa e em sua relação com a Maçonaria na região amazônica. Abrahim Baze detalha a presença e a contribuição dos imigrantes portugueses para o desenvolvimento político, social e cultural do estado.

A publicação recupera personagens, instituições e acontecimentos ligados à presença lusitana, mostrando como diferentes gerações de portugueses e seus descendentes participaram da construção da sociedade amazonense.

Foto: Reprodução/Associação Comercial do Amazonas

14. Ferreira de Castro – Um imigrante português na Amazônia

Tendo como referência a presença do escritor português na Amazônia, Baze reconstitui os aspectos históricos da vida do romancista. Retrata suas vivências no seringal, experiência que inspirou a criação do romance A selva. Inclui o filme sobre a narrativa de Ferreira de Castro, dirigido pelo escritor Márcio Souza.

Foto: Reprodução/Estante Virtual

15. Rede Amazônica – 40 Anos de Comunicação na Amazônia

Lançado em comemoração aos 40 anos da empresa o livro aborda o lado iconográfico da história da empresa. A edição conta com um DVD contendo o documentário de 35 anos, além da versão audiolivro do ‘Rede Amazônica: 40 anos de comunicação na Amazônia’.

Foto: Mônica Dias/G1 AM

Uma vida dedicada à memória da Amazônia

A produção literária de Abrahim Baze revela uma trajetória dedicada a registrar histórias que ajudam a compreender o Amazonas em diferentes períodos. Seus livros mostram que a história do Amazonas não está apenas nos grandes acontecimentos, mas também nas trajetórias de pessoas, famílias, instituições e comunidades que contribuíram para construir a região.

Mapeamento aponta avanço da bioeconomia na Amazônia e destaca desafios para ampliar impacto

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Foto: Divulgação

Comunidades amazônicas já sustentam uma economia baseada na floresta em pé e em produtos da sociobiodiversidade, contribuindo para o desenvolvimento sustentável a partir das realidades locais. Apesar desse avanço, gargalos estruturais seguem limitando a expansão dessas iniciativas. É o que aponta o relatório “Bioeconomia e Territórios da Amazônia”, iniciativa desenvolvida pelo Programa EcoAm e disponível gratuitamente AQUI.

O levantamento é resultado das ações do programa EcoAm – Fomentando Ecossistemas de Impacto na Amazônia, criado em 2024 em parceria com o Impact Hub Manaus e o BID Lab, laboratório de inovação do Banco Interamericano de Desenvolvimento, por meio do Programa Amazônia Sempre, do Instituto Meraki, do Fundo Vale e do SEBRAE Amazonas na região de Tefé-AM.

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O EcoAm tem o objetivo de fomentar a bioeconomia em territórios do interior da Amazônia em parceria com o poder público, iniciativa privada e terceiro setor, gerando renda, emprego verde e estratégias de desenvolvimento dos territórios. Junto da produção de conhecimento sobre os territórios, já apoiou 17 negócios da bioeconomia amazônica e destinou R$ 1 milhão em investimentos por meio de duas edições do Lab de Impacto, programa de aceleração voltado ao fortalecimento de empreendimentos que atuam com produtos e serviços ligados à sociobiodiversidade da Amazônia.

O processo de construção do mapeamento envolveu mais de 100 entrevistas com lideranças indígenas, empreendedores, representantes de cooperativas, universidades, instituições de pesquisa, órgãos públicos e organizações da sociedade civil. Além disso, foram realizados três encontros presenciais conhecidos como “Vozes que EcoAm”, com momentos de escuta e devolutiva comunitária que reuniram representantes de diferentes organizações e iniciativas locais, fortalecendo conexões entre os territórios e ampliando o diálogo sobre desenvolvimento sustentável na Amazônia.

Leia também: Portal Amazônia responde: qual a diferença entre economia verde e bioeconomia?

Bioeconomia com potencial na Amazônia

Para Washington Silva, coordenador do programa, a publicação reflete a proposta da iniciativa de compreender as dinâmicas dos territórios amazônicos para fortalecer ecossistemas locais de bioeconomia e ampliar oportunidades de desenvolvimento sustentável.

“O EcoAm nasceu da convicção de que a bioeconomia precisa ser fortalecida a partir dos territórios do interior da Amazônia, para além dos grandes centros urbanos. Antes de investir recursos ou propor soluções, é preciso compreender quem são os atores locais, quais cadeias produtivas movimentam a economia e quais obstáculos ainda limitam seu crescimento. Este estudo contribui para tornar essas realidades mais visíveis e oferece subsídios para que investimentos, políticas públicas e oportunidades estejam cada vez mais conectados às necessidades de cada região”, afirma.

De acordo com ele, o Instituto Ñambi foi responsável por desenvolver e conduzir a metodologia da pesquisa, desde o planejamento do trabalho de campo até a realização das entrevistas, análise dos dados e elaboração dos Mapas Estruturantes Integrativos. O objetivo foi compreender como a bioeconomia acontece nos territórios, ouvindo diferentes atores locais e construindo um diagnóstico que possa apoiar políticas públicas e fortalecer a bioeconomia amazônica.

Já a cofundadora do Impact Hub Manaus, Juliana Teles, também destaca o propósito de ampliar a compreensão sobre a bioeconomia a partir das experiências construídas nos próprios territórios.

“A bioeconomia não é um conceito distante para quem vive na Amazônia. Ela já está presente no cotidiano das comunidades, nas feiras, nos rios, nos quintais, nas cooperativas e nas cadeias produtivas construídas a partir da floresta em pé. O que encontramos foi uma Amazônia múltipla, criativa e profundamente conectada aos seus modos de vida, onde cultura, conhecimento tradicional, empreendedorismo, inovação e conservação ambiental caminham juntos e revelam a dimensão e a complexidade desse território”, destaca.

Os territórios

A escolha dos territórios visa representar diferentes expressões da Amazônia. Os três territórios reúnem contextos sociais, econômicos e ambientais distintos, além de contarem com universidades, centros de pesquisa, cooperativas, organizações locais e redes que atuam no fortalecimento da bioeconomia.

Em Ji-Paraná (RO), a bioeconomia está fortemente associada à agricultura familiar e a cadeias produtivas como café, cacau, castanha, mel e pescado. O estudo identificou pelo menos 25 empreendimentos ligados à bioeconomia em atividade no território, evidenciando um movimento de reconexão com a floresta e de construção de alternativas econômicas sustentáveis. Entre os principais desafios estão a ampliação dos canais de comercialização, a criação de novos negócios e a incorporação de tecnologias às cadeias da bioeconomia.

O documento apontou que Rio Branco (AC) possui um ambiente favorável à inovação. Segundo dados do SEBRAE, o território abriga cerca de 81 startups de bioeconomia atuando em segmentos como alimentos, cosméticos, biotecnologia e nanotecnologia. A presença de universidades, centros de pesquisa e empreendedores cria condições para que a capital acreana se consolide como um polo de geração de negócios de alto valor agregado na Amazônia. O desafio, de acordom com a pesquisa, é fortalecer a conexão entre pesquisa, mercado, investimentos e comunidades para que iniciativas promissoras avancem para estágios mais robustos de crescimento.

Mapeamento aponta avanço da bioeconomia na Amazônia e destaca desafios para ampliar impacto
Foto: Divulgação

Já em Tefé (AM), a bioeconomia está diretamente ligada ao cotidiano das populações ribeirinhas e ao ritmo das cheias e vazantes dos rios. O relatório destaca cadeias estruturantes como a farinha de Uarini e o manejo sustentável do pirarucu, reconhecidos nacionalmente por sua relevância econômica e cultural. O território também evidencia o protagonismo de associações comunitárias, mulheres empreendedoras e jovens que articulam conhecimentos tradicionais e novas tecnologias. Entre os desafios identificados estão o fortalecimento da gestão comunitária, a melhoria dos processos produtivos e a ampliação do acesso a mercados.

O que o estudo revela

Ao longo de mais de 50 páginas, o relatório evidencia a diversidade social, econômica, cultural e geográfica presente nos três territórios analisados. Ao mesmo tempo, revela desafios compartilhados relacionados ao acesso a crédito, infraestrutura, assistência técnica, logística, comercialização e integração de políticas públicas.

O mapeamento também apresenta um panorama das cadeias produtivas ligadas à bioeconomia nos três municípios observados. Entre elas estão atividades relacionadas ao cacau, castanha-do-Brasil, café amazônico, mel e apicultura, horticultura orgânica, polpa de frutas, manejo do pirarucu, agricultura familiar, turismo de base comunitária, cosméticos naturais, biojoias, óleos vegetais e artesanato tradicional.

Em Ji-Paraná (RO), o estudo mostra um território marcado pelo avanço urbano e pelos impactos históricos do desmatamento. Ao mesmo tempo, iniciativas ligadas ao café amazônico, ao cacau e à agricultura familiar revelam esforços de reorganização econômica e social.

Na região, um dos principais desafios identificados é a permanência da juventude nos territórios. Embora muitos demonstrem interesse em permanecer nas comunidades, a falta de oportunidades locais ainda impulsiona o deslocamento para os centros urbanos, colocando em risco a continuidade cultural dessas populações.

“Se a gente perder a nossa cultura, por mais que tenha Gavião formado em Direito, em Medicina (…) Se não tiver a base cultural forte, os ‘Gavião’ perde a sua identidade”, afirma Josias Sebirope Gavião, fundador da Associação Indígena Zavidjaj Djiguhr – ASSIZA, que representa o povo indígena Gavião (Ikolóéhj).

Em Rio Branco (AC), a bioeconomia aparece como uma alternativa de desenvolvimento ligada à castanha, ao cacau, aos óleos vegetais, aos bioativos amazônicos e às cooperativas extrativistas. Apesar do potencial econômico e de 85% da região seguir sob a lógica da floresta, o território ainda enfrenta desafios relacionados à fragmentação institucional e à distribuição desigual de valor. Enquanto parte da economia está concentrada em atividades agropecuárias, outra parcela permanece ligada às cadeias sustentáveis e à floresta em pé, exigindo maior coordenação, planejamento e compromisso político.

“As políticas precisam ser construídas junto com quem de fato vive e conhece a floresta, não apenas no papel”, afirma Elenira Mendes, advogada e filha do sindicalista Chico Mendes.

Já em Tefé (AM), cadeias ligadas à farinha e ao manejo do pirarucu se destacam como atividades tradicionais da região. O documento também evidencia o protagonismo crescente das mulheres em associações e negócios locais, enquanto os jovens conciliam conhecimentos ancestrais com novas ferramentas tecnológicas.

“Os estudos mostram que existe uma Amazônia em movimento, conectando conhecimento tradicional, empreendedorismo, conservação ambiental e inovação a partir dos próprios territórios. Ao percorrer essas experiências, percebemos que a bioeconomia não se limita a uma agenda econômica ou ambiental, mas representa diferentes formas de pensar o futuro da região. É um convite para compreender a dimensão e a diversidade dessas iniciativas que já transformam a floresta em espaço de geração de renda, cultura e desenvolvimento”, finaliza Silva.

O relatório reúne análises, entrevistas, dados territoriais e mapeamentos desenvolvidos ao longo da fase piloto do programa EcoAm. O Instituto Ñambi foi responsável pela concepção e execução da metodologia de pesquisa do mapeamento, conduzindo todas as etapas, desde o planejamento do trabalho de campo até a realização de entrevistas, análise dos dados e elaboração dos Mapas Estruturantes Integrativos. O estudo ouviu representantes do poder público, empreendedores, cooperativas, universidades, organizações da sociedade civil, povos indígenas e comunidades tradicionais para compreender como a bioeconomia acontece, na prática, nos territórios amazônicos, produzindo um diagnóstico capaz de subsidiar políticas públicas, investimentos e ações de fortalecimento do setor.

*Com informações da assessoria

Ônibus-cafeteria: atração rondoniense serve grão cultivado no local com vista para a plantação

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Ônibus funciona como cafeteria e clientes consomem grão cultivado no local. Foto: Joás Chagas

Tomar um café especial dentro de um ônibus de passageiros desativado já é uma experiência incomum. Mas, na zona rural de Rolim de Moura (RO), a novidade vai além: os clientes degustam a bebida com vista para a plantação exata de onde saíram os grãos que estão na xícara.

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Batizado de Bus Café Nelinho, o veículo funciona como cafeteria desde 2024. Estacionado de forma fixa às margens de uma rodovia, o espaço se tornou ponto de encontro para moradores e ponto de parada para viajantes.

O estabelecimento serve e comercializa o café produzido na propriedade, das variedades Robusta Amazônico e Apuatã. Os visitantes podem, inclusive, escolher mesas instaladas ao ar livre, bem ao lado dos pés de café.

Leia também: Café de Rondônia é destaque nacional com aumento de produção e valorização do mercado

Ônibus-cafeteria: atração rondoniense serve grão cultivado no local com vista para a plantação
Bus Café Nelinho. Foto: Joás Chagas

O empresário Joás Chagas é o responsável pelo empreendimento. Antes de apostar na cafeteria, ele trabalhava como promotor de eventos e vendia temperos caseiros. A ideia de transformar o veículo surgiu de forma repentina.

“Numa viagem à cidade de Ji-Paraná, passei próximo à garagem de uma empresa de ônibus e uma luz acendeu”, conta.

Ele explica que o objetivo principal era criar um diferencial no mercado local e reforçar o orçamento da família. No início, a proposta dividiu opiniões, e Joás ouviu comentários de pessoas que não acreditavam no sucesso do negócio.

“Várias vezes disseram que era loucura, que não daria certo, que eu não teria condições. Mas também tive vários incentivos”, afirma.

Bus café Nelinho. Foto: Joás Chagas

Ônibus se tornou atração em conjunto com a gastronomia local

A frequência de clientes superou as expectativas iniciais. O estabelecimento recebe visitantes de municípios vizinhos quase todos os dias, além de turistas de outros estados e até de pessoas que moram no exterior.

Embora o cardápio atual siga um modelo tradicional, Joás planeja implementar novidades temáticas em breve. O projeto prevê a inclusão de trocadilhos relacionados ao trânsito, homenagens a empresas de ônibus que marcaram o país e referências a pontos turísticos de Rondônia.

Para quem busca abrir o próprio negócio com propostas fora do padrão convencional, o dono da cafeteria deixa um conselho baseado em sua trajetória:

“Acredite em seus sonhos e não desista. Muitos podem até achar loucura, mas tenha foco e supere os desafios com fé. Seja seu principal incentivador, feche os ouvidos para as vozes contrárias e só vai”, conclui.

O funcionamento ocorre de terça a sábado, das 6h às 19h. Aos domingos, o local oferece um café colonial, das 6h às 12h.

Interior do Bus Café Nelinho. Foto: Joás Chagas

*Por Vallery Sena, estagiária sob supervisão de Raíssa Fontes, da Rede Amazônica RO