O Teatro Amazonas, em Manaus, recebeu, nesta quarta-feira (1º), a cerimônia de premiação do concurso literário “Conta Um Conto” 2026, promovido pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio do Colégio Lato Sensu. O evento reuniu estudantes, familiares, professores e representantes de instituições parceiras para anunciar os vencedores da edição, que teve como tema “O Conto, a Amazônia e a Agenda 2030”.
Nesta edição, o concurso reuniu 235 estudantes da rede pública de ensino da Região Norte, reforçando o compromisso da Fundação Rede Amazônica com o incentivo à leitura, à escrita e à formação de novos talentos literários na Amazônia.
A proposta convidou crianças e adolescentes a criarem narrativas inspiradas na realidade amazônica, relacionando os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) aos desafios vividos na região, como preservação da floresta, mudanças climáticas, bioeconomia, garimpo ilegal, secas e cheias extremas. Os textos foram avaliados por uma comissão formada por especialistas e educadores, que considerou critérios como criatividade, originalidade, adequação ao tema, estrutura narrativa e conformidade com o regulamento.
A presidente da Fundação Rede Amazônica, Dra. Cláudia Daou, destacou que a iniciativa amplia as oportunidades para que estudantes desenvolvam a escrita e a criatividade.
“Acreditamos que a educação transforma vidas. O ‘Conta Um Conto’ incentiva crianças e adolescentes a descobrirem seus talentos, desenvolverem a criatividade e valorizarem a Amazônia por meio da escrita. Esse é um compromisso permanente da Fundação Rede Amazônica.”
A diretora executiva da Fundação Rede Amazônica, Mariane Cavalcante, ressaltou que o projeto incentiva os estudantes a refletirem sobre a realidade amazônica por meio da literatura.
“O ‘Conta Um Conto’ vai além da literatura. O projeto incentiva o pensamento crítico, valoriza as histórias da Amazônia e mostra o protagonismo dos jovens na construção de um futuro mais sustentável para a nossa região.”
Parceiro da iniciativa, o Colégio Lato Sensu foi responsável pela correção dos textos inscritos. Para a diretora de Ensino da instituição, Kamilla Luz, o concurso fortalece a escrita e incentiva os estudantes a desenvolverem novas habilidades.
“O projeto fortalece a escrita e desperta nos estudantes o interesse pela leitura e pela produção de textos, sempre conectado aos desafios da Amazônia e à Agenda 2030. É uma experiência que estimula a criatividade e amplia o aprendizado.”
Premiação reconheceu estudantes da Amazônia Legal
Os vencedores da edição 2026 foram anunciados durante a cerimônia realizada no Teatro Amazonas.
Na Categoria Amazonas, o vencedor do Ensino Fundamental II foi Házafe Deleon da Costa Martins, da Escola Municipal Professor Edinir Telles Guimarães, de Manaus (AM), com o conto “O Batismo Profano”.
“Meu conto foi inspirado na minha realidade e na importância do saneamento básico. Reuni experiências do meu dia a dia e transformei tudo em uma história. Receber esse prêmio é uma grande conquista.”
No Ensino Médio, a vencedora foi Heloíse Gabrielle Souza do Nascimento, do IFAM – Campus Manacapuru, de Manacapuru (AM), autora do conto “Minha Terra Prometida, a Promessa da Minha Vida”.
“A história foi inspirada na minha família e no sítio do meu avô. Ver esse conto ser reconhecido torna esse momento ainda mais especial e encerra essa etapa da minha vida com muita alegria.”
Na Categoria Amazônia, destinada aos demais estados da Amazônia Legal, a vencedora do Ensino Fundamental II foi Kaliane Rodrigues Silva Machado, da Escola Maria Carmosina Pinheiro, de Porto Velho (RO), com o conto “Nem Todos São Amigos”.
No Ensino Médio, a premiada foi Evellyn Pinheiro de Oliveira, da Escola Estadual Professor José Firmo do Nascimento, de Macapá (AP), autora do conto “O Dever de Mudar”.
Literatura ganhou vida no palco do Teatro Amazonas
Além da entrega dos troféus, a cerimônia contou com apresentações culturais que deram vida aos contos vencedores. Cada uma das quatro histórias premiadas recebeu uma interpretação cênica, aproximando o público das narrativas produzidas pelos estudantes.
O encerramento ficou por conta de uma apresentação de ciranda, que levou música, dança e elementos da cultura popular amazônica ao palco do Teatro Amazonas.
Sobre o projeto
O “Conta Um Conto” é uma iniciativa da Fundação Rede Amazônica, com apoio do Colégio Lato Sensu, que incentiva a leitura, a produção textual e o pensamento crítico entre estudantes da Amazônia. Em 2026, o projeto reforçou o compromisso com a educação e a sustentabilidade ao relacionar a literatura aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030.
Mestrando Selino Monteiro Costa Filho no Larsana. Foto: Divulgação/Acervo da pesquisa
Um estudo desenvolvido em parceria entre a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) investigou o potencial da copaíba-amazônica (Copaifera reticulata) como alternativa natural para o controle do carrapato bovino (Rhipicephalus microplus). O trabalho foi publicado em uma revista científica internacional apoiada pela American Chemical Society.
A pesquisa, desenvolvida por Selino Monteiro Costa Filho, biotecnologista e mestrando do Programa de Pós-Graduação em Biociências (PPG-Biociências) da Ufopa, foi resultado de uma colaboração entre o Laboratório de Sanidade Animal (Larsana), coordenado pelo Prof. Dr. Antonio Humberto Hamad Minervino, o Laboratório de Biotecnologia de Plantas Medicinais (LBPM), coordenado pela Profa. Dra. Elaine Cristina Pacheco de Oliveira, ambos da Ufopa, e o Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas (CPQBA), da Unicamp.
Intitulado “Chemical Composition and Ixodicidal Activity of Copaifera reticulata Ducke Oleoresin and Its Sesquiterpenic (Volatile) and Diterpenic (Resin) Fractions against Rhipicephalus microplus Larvae”, o estudo avaliou o potencial da oleorresina de copaíba como alternativa natural para o controle do carrapato bovino, uma das principais ameaças à pecuária.
Portencial da oleorresina da copaíba-amazônica segue em estudo
A oleorresina da copaíba-amazônica é rica em compostos terpenoides, isto é, compostos orgânicos naturais derivados de plantas, que atuam na defesa dos vegetais contra pragas. O estudo teve como objetivo caracterizar os constituintes químicos da oleorresina e de suas frações, bem como avaliar sua atividade carrapaticida, por meio do Teste de Imersão de Larvas (TIL).
A oleorresina analisada foi obtida de uma árvore adulta localizada na Floresta Nacional do Tapajós, em Belterra (PA). A amostragem da oleorresina foi feita mediante a perfuração de dois orifícios no tronco, seguindo os procedimentos padrão de extração de copaíba.
A coleta de carrapatos foi feita em um frigorífico no município de Santarém (PA), mediante a inspeção de bovinos destinados ao abate, provenientes de uma propriedade rural no município de Belterra. Os carrapatos coletados foram transportados para o Laboratório de Saúde Animal (Larsana) da Ufopa, onde foram identificados e armazenados até a realização dos testes.
Fotos: Divulgação/Acervo da pesquisa
Os resultados obtidos demonstraram que tanto a oleorresina bruta quanto a sua fração resinosa exibiram eficácia carrapaticida pronunciada contra larvas de carrapato, indicando que a espécie Copaifera reticulata pode contribuir para o desenvolvimento de produtos veterinários mais sustentáveis. Esses resultados reforçam o potencial dos produtos naturais da Amazônia para aplicações na saúde animal, em especial, no desenvolvimento de tecnologias para o manejo de carrapatos.
O trabalho foi publicado na ACS Omega, uma revista científica internacional da American Chemical Society, e está inserido na interface entre química de produtos naturais, saúde animal e desenvolvimento de alternativas sustentáveis para o controle de carrapatos na pecuária.
O artigo completo (em inglês) está disponível AQUI.
Um refúgio de vida humana e silvestre no município de Capitão Poço, no nordeste do Pará, abriga um marco para a ciência regional: a primeira torre de monitoramento climático instalada em uma floresta secundária na Amazônia. Instalada em 2026, a estrutura de 20 metros de altura monitora a área de 56 hectares, que se tornou um laboratório vivo e estratégico para ações que ajudam na mitigação dos impactos climáticos no estado, ao criar corredores ecológicos, proteger o solo contra a erosão e regular o ciclo da água, aumentando sensivelmente a resiliência do ecossistema local.
Capoeiras são florestas secundárias que se regeneram de forma natural após uma área sofrer desmatamento, queimada ou uso agrícola. Funcionam como o próprio sistema de cicatrização da Amazônia, onde a natureza recupera sua força e brota novamente a partir do solo.
Torre com 20 metros de altura monitora a área de 56 hectares em Capitão Poço. Foto: Marcio Nagano
Para entender como o território alcançou esse patamar, é preciso voltar pouco mais de 30 anos no tempo e conhecer a história de um guardião da floresta de passos largos e firmes, moldados por mais de nove décadas de intimidade com a terra. Manoel Geraldo de Carvalho, mais conhecido como seu Duquinha, tem uma grandiosidade inversamente proporcional ao seu tamanho físico. Essa grandeza se reflete na missão escolhida por ele mesmo para a sua vida e para os filhos, netos, bisnetos, que formam mais de 200 pessoas na sua linha de sucessão: a de parar de desmatar e começar a proteger.
Onde os olhos de quem passava pelo local enxergavam uma área de roçado e a pele sentia a atmosfera nublada de fumaça devido às queimadas, agora é possível experimentar um clima refrigerado ao caminhar por entre as árvores. O riacho que não mais vingava voltou a ser uma nascente depois do plantio de cerca de 30 mil mudas, entre castanheiras, jatobás e outras árvores frutíferas, como piquiás e bacurizeiros.
“Quando a gente chegou aqui, fazia tempo que aquele riachinho que é nascente não segurava; secava. A mata ciliar* estava muito degradada, então fomos fazendo a restauração. Hoje já está com um bom tempo que ele não seca”, lembra seu Duquinha, ao lado da esposa, Luiza Bezerra, sua companheira de jornada há 66 anos e com quem construiu a numerosa descendência.
*Mata ciliar: vegetação nativa que fica às margens de rios, lagos, nascentes e represas, funcionando como uma proteção para os cursos d’água.
Seu Duquinha, ao lado da esposa, Luiza Bezerra. Foto: Marcio Nagano
Para dona Luiza, o sítio que o casal ergueu junto é um privilégio nos dias de hoje, um verdadeiro oásis que vai contra a corrente do desmatamento. O orgulho pelo chão protegido só compete com o tamanho do amor pela família que ajudou a criar – e da qual ela faz questão de listar, de cabeça e num fôlego só, os nomes de batismo dos filhos, numa rima afetuosa que revela a força dessa espécie de clã familiar.
“Me sinto feliz demais, porque hoje em dia para se achar um lugar como esse é raro, porque em todo canto o pessoal só pensa em desmatar, em fazer roçado, fazer capinzal”, emociona-se dona Luiza.
Sobre a prole, ela faz questão de dizer os nomes: “Geraldo, Genaldo, Genário, Genadio, Genebaldo, Gesseraldo, Genivaldo, Marilene, Margarete, Marizete e Laína. E o Igor, que é neto, mas nós criamos e são nossos filhos, é nosso filho”, orgulha-se a matriarca.
A mesma motivação é compartilhada pelo patriarca, que sempre quis garantir como herança às próximas gerações uma floresta com vida, e não uma terra de cinzas. A colheita desse plantio pode ser vista correndo e voando pela área: cutias, veados, guaribas, ou macacos bugios, além de diversos pássaros, agora dividem o terreno com essa família.
Os macacos-bugio (ou guaribas) são considerados um dos maiores primatas das Américas e são famosos por sua forte vocalização. Seus gritos ecoam em grupo ao amanhecer ou ao anoitecer e podem ser ouvidos a até cinco quilômetros de distância. Na ciência, a presença e o canto deles são fortes indicativos de que a floresta está saudável.
“Boa Vida, Farinha Acabou e Paciência”
A ligação de seu Duquinha com a terra começou muito antes – ele fincou raízes nas proximidades quando Capitão Poço sequer existia como município. Ainda na infância, ele deixou a vizinha Ourém – uma das vilas mais antigas da região nordeste – para acompanhar o pai e os tios em uma jornada que mudaria o destino da família.
O que começou como uma temporada de caça nas matas da comunidade de Nova Colônia precedia, na verdade, uma nova vida. Ao decidirem se mudar definitivamente para a mata, os pioneiros lotearam os terrenos vizinhos. Com o mesmo humor e simplicidade com que seu Duquinha se apropriou para resgatar essas memórias, batizaram os sítios, de acordo com o que o momento oferecia.
“Dormindo no mato, meu pai e meus dois tios falaram: ‘vamos se mudar para cá’. Naquele dia, tinha acabado a farinha do acampamento e a gente tinha que ir embora. Aí o tio mais velho disse: ‘o meu terreno vai ser esse aqui e vai se chamar Boa Vida’. O outro tio disse: ‘o meu vai ser abaixo do seu e vai ser Farinha Acabou’, porque a farinha tinha acabado mesmo. Aí o papai escolheu o dele logo abaixo e meu tio disse para ele: ‘o seu vai ser Paciência’. Ficou Boa Vida, Farinha Acabou e Paciência”, e foram as três primeiras casas feitas em Nova Colônia, recorda seu Duquinha.
Anos depois, durante outra caçada em que se perdeu na mata, o jovem Duquinha acabou dormindo exatamente no local onde hoje pulsa a cidade de Capitão Poço. Foi naquele mesmo chão onde passou a noite perdido que ele, após o casamento, fincou sua primeira casa e viu seus filhos nascerem, antes de finalmente se mudar para a área que protege até hoje.
Do serviço público a um chamado familiar
Antes de se tornar uma referência em conservação, a trajetória de seu Duquinha cruzou caminhos que moldaram a sua visão de mundo. O homem que hoje cuida da terra e ainda olha por seus familiares já foi o responsável por registrar e documentar a vida de milhares de pessoas na região.
Alfabetizado por meio de uma escola radiofônica e, posteriormente, finalizado o ensino médio, ele ingressou no serviço público e atuou como escrivão de polícia em Capitão Poço e Ourém. Pela Secretaria de Segurança Pública (SEGUP), viajou por diversas colônias emitindo carteiras de identidade e de trabalho, além de ter liderado a comunidade local como presidente de cooperativa.
O apego com o cultivo sempre esteve ali, desde os tempos em que plantava arroz, milho e pimenta para sustentar a família. Foi plantando e vendendo malva que ele garantiu o enxoval do casamento com a companheira que ele orgulhosamente chama de “a mulher mais bonita do mundo”. No entanto, o plano de transformar a antiga área de roçado em um refúgio verde ganhou um propósito definitivo graças a um dos seus 12 filhos, o padre Geraldo, que atende pela alcunha de “Gerê”.
Capoeira vs. SAF: Qual é a diferença?
Capoeira (Regeneração Natural): É a floresta que nasce inteiramente sozinha após o abandono de uma área de pasto ou roçado. A própria natureza se encarrega de cicatrizar a terra, trazendo de volta as espécies nativas ao longo dos anos, de forma espontânea e sem um objetivo econômico direto ou foco na produção de alimentos.
SAF (Sistema Agroflorestal): É uma floresta planejada, assistida e manejada pela ação humana. Em vez de apostar em uma única cultura (monocultura), o agricultor combina intencionalmente árvores nativas com plantas alimentícias e comerciais (como cacau, açaí, banana e essências florestais), unindo a restauração ecológica do solo com a geração de renda para as famílias do campo.
A guinada para a recuperação da área
Foi o filho sacerdote quem teve o estalo de mudança e incentivou o pai a parar de desmatar e focar na preservação daquela área, dando início ao projeto que hoje une a sabedoria do patriarca à tecnologia da torre de monitoramento climatico. Essa é uma das principais frentes de estudo do Centro Avançado em Pesquisas Socioecológicas para a Recuperação Ambiental da Amazônia (Capoeira) em conjunto com o projeto Enabling large-scale and climate-resilient forest restoration in the Eastern Amazon, do Global Centre on Biodiversity for Climate (GCBC). A iniciativa voltada para a recuperação de ecossistemas desmatados e degradados no bioma amazônico é coordenada pela Embrapa, sediada no Pará e integra mais de 180 pesquisadores de 33 instituições.
Mais do que um legado para o futuro da região, os 56 hectares (área equivalente, aproximadamente, ao tamanho do Parque da Cidade, em Belém) de floresta representam a herança material e espiritual que seu Duquinha deixa para os seus. Consciente do peso dos anos, o agricultor faz questão de lembrar os filhos e filhas de que a missão não termina com ele. Na verdade, perpetuar esse pensamento de conservação é o verdadeiro sentido de tudo o que foi construído, já que a terra passará de geração em geração, e que a responsabilidade de manter a floresta de pé é o que garante a continuidade da própria família naquele território.
“O prazer que eu tenho é de, aos 93 anos, estar mostrando para vocês o que eu fiz na minha vida, o que eu preservei. Eu desmatei, mas depois preservei, plantei, recuperei. O que eu construí hoje estou aqui mostrando para vocês”, compartilha.
O patriarca também reforça a continuidade do seu trabalho pelas novas gerações. “Sigam esse meu exemplo. Agora vocês já são técnicos, são doutores no assunto, são formados. Tomem conta disso e levem para frente, passem a mensagem”.
Ao ser questionado se toda uma vida dedicada a esse chão valeu a pena, seu Duquinha não hesita. Com o olhar de quem enxerga décadas à frente, ele resume o valor de sua obra na certeza de que aquele refúgio será, para sempre, uma memória viva da Amazônia, além de um lugar de acolhimento para a sua imensa linhagem e uma lição para as próximas gerações do mundo. “Quando vierem os seus netos que não conhecerem mata, aí vocês vêm aqui e a gente mostra a mata para eles”, finaliza o guardião.
Bióloga tem nas árvores da infância seu objeto de estudo
Bióloga Laína Carvalho. Foto: Marcio Nagano
Aquele ditado “a palavra convence; o exemplo arrasta” nunca fez tanto sentido como na família de seu Duquinha e dona Luiza. As escolhas do casal não apenas moldaram uma parte da paisagem de Capitão Poço, mas também definiram o destino profissional da geração seguinte da família.
Criada pelos avós desde o nascimento como uma filha, a bióloga Laína Carvalho, de 33 anos, cresceu correndo entre as árvores da propriedade, batizada de Reserva Ecológica São Geraldo Magela. Esse contato precoce com a terra guiou a direção de seus passos: hoje, ela é doutoranda em Ciências Florestais pela Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) e estuda justamente o ecossistema que a viu crescer.
“Eu sempre tive vontade de fazer alguma coisa que trouxesse retorno à reserva”, conta Laína. Se seu Duquinha aprendeu a recuperar a floresta na prática, agora no doutorado, Laína dedica seus dias a decifrar a matemática desse processo através da ecologia. Sua pesquisa foca em quantificar a capacidade da floresta de produzir e armazenar sua própria energia nas famosas capoeiras, buscando entender como essas áreas gerenciam sua energia em tempos de extremos climáticos, como secas severas ou chuvas concentradas.
“A planta recebe energia pela fotossíntese. Parte dela usa para crescer e se recuperar, e a energia que sobra é distribuída para o tronco, folhas e raízes. Meu trabalho é entender como essa distribuição acontece ao longo dos anos. Analiso desde capoeiras jovens até mais antigas, de 15 até 60 anos, incluindo a floresta primária intacta, onde o Centro Capoeira instalou, recentemente, outra torre de monitoramento”, explica a pesquisadora.
Para medir essa engrenagem viva, a cientista não olha apenas para o topo da torre, mas para o que cai no chão. A metodologia envolve coletar e analisar a “serrapilheira”, uma camada de folhas, galhos e frutos que cobre o solo, além de calcular até mesmo a perda de energia provocada por insetos que se alimentam das folhas (a herbivoria).
Esse monitoramento minucioso do funcionamento da floresta ajuda a prever como a natureza reage para sobreviver. Para Laína, ao identificar os momentos de seca em que a floresta investe mais energia para esticar as raízes em busca de água profunda, ou aqueles em que derruba as folhas para não desidratar, se torna possível criar estratégias melhores de conservação.
“As florestas primárias estão se perdendo com muita frequência. Precisamos proteger as secundárias, que se regeneram sozinhas e são fundamentais para estocar carbono, regular as chuvas e frear as mudanças climáticas que já estamos sentindo na pele”, defende Laína.
Duas torres, duas florestas: a ciência que olha o céu e o chão
Para dar conta de monitorar um ciclo de vida tão complexo, que vai das capoeiras mais jovens à mata mais antiga, a pesquisa de Laína conta com um reforço de peso em outra área: uma segunda torre de monitoramento ainda maior, com 40 metros de altura, foi instalada em uma floresta primária localizada dentro de um sítio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuária e da Pesca (Sedap) em Capitão Poço.
Enquanto a primeira estrutura acompanha a regeneração da capoeira, a torre maior vigia um fragmento de 500 hectares de floresta primária intacta, uma área equivalente a 500 campos de futebol de mata nativa que serve de espelho para a ciência e torna possível monitorar por cima das copas das árvores mais altas da região. É nessa intersecção entre a floresta que se regenera e a que permaneceu de pé que a bióloga caminha ao lado do seu co-orientador de doutorado, o pesquisador Fernando Elias da Silva – Museu Paraense Emílio Goeldi.
Doutor em Ecologia pela Universidade Federal do Pará (UFPA), Fernando Elias. Foto: Marcio Nagano
Doutor em Ecologia pela Universidade Federal do Pará (UFPA), Fernando é especialista em restauração florestal e estuda justamente o impacto humano nas florestas – como os danos causados pelo fogo e pelo corte seletivo de madeira, além de pesquisar áreas desmatadas que hoje passam por regeneração natural ou restauração ativa, incluindo experimentos com semeadura direta no Pará e no Mato Grosso.
A estrutura de 40 metros que hoje se sobrepõe à copa das árvores nasceu de um projeto coordenado por ele, financiado pelo Instituto Serrapilheira e desenvolvido em colaboração com o professor doutor Divino Silvério – Ufra, cujo grupo de pesquisa lidera os estudos na região de Capitão Poço. Inicialmente desenhada de forma independente, a iniciativa científica ganhou ainda mais corpo ao ser incorporada ao grande guarda-chuva que hoje é o Centro Capoeira.
De acordo com Fernando, o coração do projeto bate na defesa e na compreensão das florestas secundárias – aquelas áreas que, após sofrerem desmatamento para dar lugar a pastagens ou à agricultura, acabaram abandonadas e iniciaram um processo de regeneração natural.
O pesquisador explica que essas capoeiras prestam um serviço ambiental inestimável para o planeta, atuando diretamente na recuperação da biodiversidade local e oferecendo serviços ecossistêmicos cruciais, como a regulação do clima e o acúmulo de carbono, funcionando como verdadeiras esponjas que absorvem gases de efeito estufa. É justamente para medir a precisão e a velocidade dessa engrenagem invisível da natureza que as torres de monitoramento entram em cena no território.
“Bomba biótica”: como as florestas regulam o clima na prática
Para decifrar o mecanismo invisível que faz a floresta funcionar como um ar-condicionado natural do planeta, as duas estruturas receberão uma série de sensores microclimáticos instalados em diferentes alturas ao longo das torres. Esses aparelhos vão medir em tempo real variáveis como a umidade e a temperatura da superfície, do ar e do solo. O objetivo é visualizar e quantificar a capacidade real que a floresta tem de resfriar a paisagem através da reciclagem de água, um processo conhecido na ciência como “bomba biótica”, onde as árvores bombeiam água do solo para a atmosfera, regulando o clima.
Quando a mata original é derrubada para virar pasto ou roça, esse serviço ambiental é completamente perdido. No entanto, a Amazônia possui hoje uma estimativa de 15,9 milhões de hectares de florestas secundárias. O grande mistério que a pesquisa busca compreender é como, e em que velocidade, essas capoeiras em regeneração conseguem restaurar a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos que foram apagados pelo desmatamento.
“A ideia é comparar uma capoeira de 30 anos e uma floresta primária. A partir desses dados coletados no campo, aqui na floresta, a gente vai conseguir ajustar com dados já coletados pelo sensoriamento remoto e fazer uma extrapolação para todas as florestas da Amazônia”, projeta o pesquisador Fernando.
Até hoje, a ciência não dispunha de dados específicos sobre esse processo nessa porção do território. A escolha de Capitão Poço como laboratório vivo desse estudo não foi por acaso: o Nordeste Paraense é uma região de colonização antiga, marcada por sucessivos ciclos de uso da terra e desmatamento crônico. A facilidade logística pela proximidade com Belém, somada à presença de cientistas locais como o professor Divino Silvério – especialista em clima -, transformou a Reserva São Geraldo Magela no ponto zero para desvendar o futuro climático da região.
Professor Divino Silvério, especialista em clima. Foto: Marcio Nagano
Embora a Amazônia já conte com outras torres de monitoramento em florestas primárias, a grande inovação do projeto está na base. “Torres em florestas maduras existem várias na região, mas para a capoeira, esta é a primeira”, destaca Fernando. Enquanto ele lidera o monitoramento da diversidade da vegetação lenhosa e o professor Divino Silvério comanda a análise climática, o estudo investiga o que a floresta guarda de biodiversidade e o quanto ela ganha de carbono ao longo do tempo.
Na mata preservada, o trabalho de campo se ancora em parcelas de monitoramento de 0,25 hectares instaladas logo no início da floresta, algumas delas acompanhadas de perto pelos cientistas desde 1999. Ali, o inventário florestal acompanha o desenvolvimento de espécies imponentes como massarandubas, jutaís, breus e jatobás, além de palmeiras nativas.
A vida que pulsa sob as copas também é alvo de investigação minuciosa. O Centro Capoeira, em parceria com o GCBC, estendeu o olhar científico para os insetos através de armadilhas do tipo malaise (estruturas especiais para a captura de abelhas e polinizadores), sob a coordenação do professor doutor José Correia Neto, entomólogo (biólogo especializado no estudo de insetos) do Centro.
Devido a esse histórico severo de uso da terra, a mata local estoca menos carbono e abriga uma diversidade de fauna e flora menor quando comparada ao Oeste da Amazônia. “Mas em um raio de 500 quilômetros ao redor, você não encontra um fragmento melhor que esse. Já estamos no melhor cenário possível”, pontua o pesquisador, ressaltando o apoio logístico fundamental da Sedap, que fornece tratores para viabilizar o difícil acesso à área.
Para que os resultados ganhem robustez, a torre de 40 metros (quase o tamanho da Estátua da Liberdade, nos Estados Unidos, e maior que o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro) é equipada com pelo menos 10 sensores de alta precisão e precisará operar por, no mínimo, um ano.
“Precisamos dessas medidas tanto na estação seca quanto na chuvosa. O clima é extremamente volátil e sofre muita alteração ao longo do ano, por isso precisamos de 12 meses consecutivos de dados para ter um recorte seguro de comparação”, explica Fernando.
O período ajudará a quantificar em números o que a pele já sente na prática ao cruzar a fronteira entre as duas matas: o microclima da floresta primária é visivelmente mais agradável e fresco do que o de uma capoeira, embora a vegetação secundária já represente um alívio térmico gigantesco frente a uma área de solo nu. Segundo os pesquisadores, análises preliminares indicam que áreas florestadas podem apresentar temperaturas entre 2 °C e 3 °C mais baixas do que ambientes desmatados ou com pouca cobertura vegetal, reforçando o papel da floresta na regulação térmica da paisagem.
No fim das contas, a engenharia climática das capoeiras joga luz sobre uma urgência ainda maior: a proteção irrestrita dos santuários que nos restam. “Nós trabalhamos com restauração e com regeneração natural porque sabemos o papel que essas florestas secundárias desempenham na biodiversidade e nos serviços climáticos. Mas as florestas primárias, as matas não perturbadas, são imprescindíveis na paisagem. Elas são insubstituíveis”, defende o cientista.
Para o grupo de pesquisa, reforçar a manutenção dessas áreas de pé é a única garantia de sobrevivência regional. “Temos que evitar o desmatamento ao máximo para garantir a regulação climática e a biodiversidade pulsando. Isso tudo é perdido, de forma irreversível, quando se desmata”, conclui Fernando.
Física da floresta: o balanço de energia e o efeito ar-condicionado
Para decifrar a engrenagem climática que opera sob as copas, a pesquisa ganha o reforço da física aplicada com o professor doutor Divino Silvério. Natural de Mato Grosso e radicado no Pará há seis anos, onde atua diretamente em Capitão Poço, Divino estuda a Amazônia há mais de uma década.
Se o foco de Fernando Elias está na contabilidade do carbono e da diversidade de plantas, o de Divino está na atmosfera: ele quer entender a velocidade com que uma capoeira recupera a capacidade original que a floresta tem de moderar o clima. Afinal, a regeneração natural via florestas secundárias é um dos meios de restauração ecológica mais eficientes e de menor custo que existem no planeta, mas a ciência ainda carece de respostas sobre o tempo que essa ferida leva para cicatrizar do ponto de vista térmico.
O coração do monitoramento está no que os dois cientistas chamam de balanço de energia. Divino lembra, novamente: a principal fonte de força da Amazônia é o sol, que despeja diariamente uma quantidade massiva de radiação sobre as copas. Ele explica que em uma floresta primária intacta, a maior parte dessa energia solar é retida e consumida pelas próprias árvores para transformar a água do solo em vapor (o processo de evapotranspiração). Esse consumo de energia para produzir vapor d’água gera um efeito resfriador local imediato.
“Por isso, quando entramos na floresta, a temperatura está muito mais amena. A floresta usa essa energia do sol a seu favor, funcionando como um verdadeiro ar-condicionado natural”, explica Divino.
Quando a floresta é derrubada e convertida em pastagem ou agricultura anual, a perda desse serviço ambiental é drástica. Sem a cobertura vegetal para processar a radiação, a energia solar que sobra incide diretamente sobre o solo nu, provocando um superaquecimento da terra e do ar. Dados de estudos anteriores coordenados pelo pesquisador mostram que o desmatamento reduz em até 30% a ciclagem de água por evapotranspiração na região. O resultado prático na paisagem é severo: a temperatura média da superfície pode subir mais de 5 °C ao longo do ano, tornando o clima local muito mais seco e desafiador.
Do chão ao espaço: calibrando satélites para toda a Amazônia
A grande virada de chave do experimento em Capitão Poço é descobrir onde as capoeiras se encaixam nesse balanço térmico. “Sabemos que há uma diferença considerável na forma como uma floresta primária e uma área de pastagem geram o ciclo da água e da energia. O que estamos tentando entender com as capoeiras é como ocorre a recuperação desta capacidade de produzir vapor de água e manter a temperatura local amena”, aponta Divino. Os sensores de alta tecnologia instalados nas duas estruturas vão gerar, pela primeira vez na região, dados reais e contínuos de campo para desvendar esse mistério.
A relevância dessas medições locais deve ultrapassar as fronteiras do nordeste paraense. Atualmente, a ciência utiliza produtos de sensoriamento remoto (dados de satélite) para estimar o clima e a umidade na Amazônia, mas ainda não há certeza se esses modelos matemáticos funcionam com precisão quando aplicados às florestas secundárias. Ao cruzar as informações coletadas no chão com as imagens que vêm do espaço, a equipe do Centro Capoeira conseguirá calibrar os produtos de satélite, permitindo fazer inferências climáticas precisas para toda a extensão da bacia amazônica.
Essa calibração é crucial para o futuro da região e do país. A capacidade da Amazônia de ciclar chuva e transportar grandes massas de umidade para outras regiões do Brasil é o que garante a estabilidade das estações chuvosas e, consequentemente, a pujança da própria produção agrícola nacional.
No centro dessa engrenagem, a união entre a física do clima de Divino e a biologia da vegetação de Fernando tenta responder a uma pergunta fundamental: será que a água, a energia e o carbono andam juntos no relógio do tempo? “Queremos entender o que se recupera primeiro em uma floresta secundária. É uma colaboração para integrar os dados existentes e começar a responder a essas perguntas”, conclui Divino.
A reportagem é fruto de uma colaboração entre o Amazônia Vox e o Centro Avançado em Pesquisas Socioecológicas para a Recuperação Ambiental (Capoeira), que tem atuação efetiva na Amazônia. O Centro Capoeira é coordenado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e tem apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Amazônia Vox, escrito por Natália Mello, com revisão de Carla Fischer e imagens de Marcio Nagano
O conhecimento genômico do açaí pode acelerar em até três vezes as etapas de avaliação e seleção realizadas em campo no melhoramento genético convencional.Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa
Cientistas da Amazônia sequenciaram pela primeira vez o genoma do açaí (Euterpe oleracea Mart.), uma palmeira que produz um dos frutos mais representativos da bioeconomia da Região Norte. A descoberta agilizará o melhoramento genético do açaizeiro ao identificar os genes responsáveis por características desejáveis, como elevada produtividade, maior teor de antocianinas (pigmentos naturais da planta) e resistência a enfermidades.
Além disso, o conhecimento do genoma do açaí amplia a compreensão sobre as diferentes colorações dos frutos e permitirá o desenvolvimento de novos produtos a partir da identificação dos genes relacionados a moléculas de interesse, como corantes naturais e antioxidantes.
A pesquisa começou pela seleção de amostras de açaizeiro no banco genético da Embrapa Amazônia Oriental. O centro de pesquisa forneceu amostras da cultivar BRS Pai d’Égua para o sequenciamento do DNA, bem como frutos em diferentes fases de desenvolvimento de uma variedade de açaizeiro que produz frutos roxos e de outra que produz frutos verdes, popularmente conhecido como “açaí branco”. Já ao Laboratório de Engenharia Biológica (EngBio), da UFPA, coube extração e o sequenciamento do DNA das amostras e a montagem do genoma com recursos de bioinformática. O EngBio é um laboratório residente do Parque de Ciência e Tecnologia Guamá, em Belém (PA).
Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa
A comparação entre as amostras de açaí roxo e branco revelou aos pesquisadores que a coloração mais comum se deve à ativação de uma enzima específica, responsável pela síntese de antocianinas. A variedade branca, por sua vez, apresenta uma inibição generalizada dos genes que iniciam esse processo de coloração. A pesquisadora Elisa Moura, da Embrapa Amazônia Oriental e uma das autoras do artigo, avalia que essas informações sobre a genética da planta podem agilizar o trabalho de campo.
“Com o sequenciamento, podemos identificar regiões do genoma que funcionem como marcadores para evitar a espera de cerca de seis anos até que tenhamos informações sobre produção de antocianinas e produtividade”, afirma.
Segundo Moura, o conhecimento do genoma do açaí é um importante ponto de partida para identificar os genes relacionados a características desejáveis da planta por meio de marcadores genéticos. Ela pontua que, embora ainda não exista uma enfermidade que seja um problema grave para a produção de açaí, se vier a ocorrer alguma, a informação do sequenciamento do genoma já será um passo importante para identificar os genes relacionados à resistência a uma doença.
Outro avanço importante no mapeamento genômico é a busca por variedades de açaí mais aptas ao cultivo em terra firme. Como a palmeira é nativa das florestas de várzea, áreas parcialmente alagáveis, desenvolver essa adaptação do açaizeiro a um ambiente com menos água tem sido um dos grandes focos dos estudos da Embrapa.
A também pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental Maria do Socorro Padilha, outra autora do artigo e responsável pela equipe que lançou a primeira cultivar de açaí, em 2005, exemplifica o impacto do novo conhecimento recordando a linha do tempo daquela pesquisa. De acordo com ela, foram necessários 24 anos de trabalho em campo para alcançar aquela primeira cultivar. Se os dados genômicos atuais estivessem disponíveis naquela época, o desenvolvimento poderia ter sido reduzido em até três vezes.
“Creio que levaria uns oito a dez anos, no máximo. Quando você tem informações consistentes do genoma da espécie, boa parte do trabalho de seleção pode ser feito dentro do laboratório. Torna-se muito mais fácil”, afirma. Os dados das avaliações das diferentes palmeiras de açaí em campo poderão ser relacionados às informações das equipes de biologia molecular, genética e bioinformática.
Foto: Ronaldo Rosa/EmbrapaFoto: Vinicius Braga/EmbrapaFoto: Ronaldo Rosa/Embrapa
Novas rotas biotecnológicas
Além de apoiar o melhoramento genético do açaizeiro, o professor Rafael Baraúna, do Instituto de Ciências Biológicas da UFPA e um dos autores do artigo, aponta que o sequenciamento do genoma do açaí também serve de base para dois campos de estudos. O primeiro se refere à geração de informações para o entendimento da biologia da planta, por meio de uma futura base de dados pública para ajudar os estudos de outros pesquisadores da região.
Já no âmbito da pesquisa aplicada, o mapeamento do genoma pode contribuir para a produção de moléculas de interesse da indústria farmacêutica ou cosmética. Após a identificação dos genes responsáveis por essas moléculas no açaí, como corantes naturais e antioxidantes, novas pesquisas podem utilizar técnicas de engenharia biológica para levar microrganismos, como bactérias ou leveduras, a produzir esses compostos em larga escala em laboratório. Esse processo é chamado pelos pesquisadores de criação de rotas biotecnológicas.
“Dessa forma, nós diminuímos a exploração da planta no campo e aumentamos a produção dessas substâncias dentro de um ambiente controlado, o laboratório. É uma maneira mais sustentável de alcançar aquele produto de interesse da indústria”, conclui Baraúna.
A pesquisa contou com o financiamento da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Além dos pesquisadores citados acima, também assinam o artigo: Maria Silvanira Ribeiro Barbosa, Sávio de Souza Costa, Davi Josué Marcon, Adan Rodrigues de Oliveira, Lucas da Silva e Silva, Maria Paula Cruz Schneider, Juarez Antônio Simões Quaresma, Diego Assis das Graças, Adonney Allan de Oliveira Veras, Simone de Miranda Rodrigues e Artur Silva.
Quatro décadas de melhoramento genético do açaí
Com viabilidade comercial, a Amazônia abriga duas espécies da planta: o açaí-solteiro (Euterpe precatoria Mart.), que predomina no Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima e que desenvolve um único tronco; e o açaí de touceira (Euterpe oleracea Mart.), nativo do Pará, Amapá e Maranhão, de cuja base brotam vários troncos e que hoje é responsável pela maior parte da produção nacional.
O trabalho de melhoramento genético da Embrapa começou na década de 1990 com foco no açaí de touceira, resultando no lançamento de duas variedades adaptadas para o cultivo em terra firme. Essa foi uma mudança importante, pois a palmeira é nativa de áreas de florestas de várzea, ou seja, temporariamente alagadas. A primeira delas, a ‘BRS Pará’, foi lançada em 2005 com foco no aumento de produtividade.
Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa
Já em 2019, a Embrapa lançou a ‘BRS Pai d’Égua’, que, além do rendimento, trouxe como diferencial a distribuição equilibrada da colheita ao longo do ano quando irrigada como forma de minimizar a escassez do fruto no período de entressafra no Pará.
Atualmente, o projeto Melhoraçaí – Fase III prossegue com as pesquisas de açaí de touceira e também busca selecionar genótipos (plantas com características genéticas superiores) da espécie Euterpe precatoria Mart. (açaí-solteiro) para abastecer o mercado de polpa nos estados do Acre e Roraima.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Embrapa Amazônia Oriental, escrito por Vinicius Soares Braga
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) lançou na semana passada as obras de sua nova sede no Maranhão. A estrutura será construída em uma área de cerca de 22 hectares no campus Maracanã do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), em São Luís. Participaram da cerimônia a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá; a diretora-executiva de Governança e Informação, Selma Beltrão; o chefe-geral da Embrapa Maranhão, Marco Bomfim; autoridades dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário; a equipe técnica da Embrapa; e a comunidade acadêmica do IFMA.
Intitulado ‘Uma Embrapa do tamanho que o Maranhão merece’, o evento foi realizado no local da construção, na Avenida dos Curiós, s/n, Vila Esperança, em São Luís.
Com investimento de R$ 43,9 milhões, proveniente do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), do Governo Federal, a obra integra a reestruturação da Embrapa Maranhão. A nova sede deverá ampliar a capacidade de pesquisa, inovação e articulação institucional da Unidade, com atuação voltada aos biomas Amazônia e Cerrado, à região do Matopiba, à agricultura familiar e às comunidades tradicionais do estado. A previsão de entrega da obra é de dois anos.
A reestruturação conta com o apoio do Governo do Maranhão e da bancada federal do estado, que destinaram, respectivamente, R$ 10 milhões e R$ 5 milhões para investimentos em infraestrutura e equipamentos.
No evento de lançamento, a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, iniciou falando sobre o propósito da Embrapa Maranhão, que é trabalhar em prol da agricultura multifuncional, regenerativa e sustentavel para produtores de todos os portes. Ela lembrou que o Maranhão abriga diversas realidades: produtores de grãos, pecuaristas, agricultura familiar, sistemas agroflorestais, babaçuais etc. Por isso, além do foco em aumento da produção e da produtividade, a Unidade trabalha com a sociobiodiversidade em seus biomas (Amazônia e Cerrado) e áreas de transição.
“Os pilares para esse novo tempo são as pessoas , a estrutura física e recursos financeiros contínuos para manter essa grande aliança em prol da pesquisa, desenvolvimento e inovação no estado. Estamos construindo esse futuro juntos a várias mãos”, disse a presidente da Empresa.
O chefe-geral da Embrapa Maranhão, Marco Bomfim, lembrou que a Unidade passou, nos últimos anos, por um processo de reestruturação e preparação para chegar a essa etapa com segurança técnica, definição de escopo, mecanismos adequados de governança e fortalecimento das parcerias no estado.
“A nova sede terá uma estrutura moderna e funcional, com soluções construtivas que combinam robustez, durabilidade e economia de operação e manutenção, além de considerar as condições sociais e geográficas do Maranhão. Esse é um momento histórico que representa a força da união de um conjunto de instituições e órgãos públicos, em parceria com o setor produtivo, para o fortalecimento da pesquisa, do ensino e da extensão rural. É uma grande aliança cujos impactos extrapolam o desenvolvimento tecnológico, transformando realidades e vidas”, afirmou.
Bomfim acrescentou que a implantação da sede tem significado institucional especial para a presença da Embrapa no estado. “Esperamos consolidar uma base sólida para a pesquisa, a inovação e a atuação territorial de longo prazo no Maranhão, conectada ao ecossistema de inovação. A nova estrutura está articulada à contratação de 50 empregados aprovados no último concurso público e à implantação do Hub Matopiba na Unidade Experimental de Pesquisa de Balsas (UEP Balsas). A iniciativa reúne 11 Unidades da Embrapa, incluindo a Embrapa Maranhão, e deverá contribuir para o Plano de Desenvolvimento do Matopiba, coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa)”.
O diretor-geral do IFMA – Campus Maracanã, Jeovani Machado Rodrigues, afirmou que a parceria reúne duas instituições comprometidas com a pesquisa, a inovação e o desenvolvimento social do Maranhão. “Está nascendo aqui uma parceria sinérgica que vai trazer benefícios para ambas as instituições, seus públicos e a sociedade. Quando reunimos conhecimento, infraestrutura e experiência, fortalecemos ações capazes de gerar soluções sustentáveis e mais próximas das necessidades da população maranhense”, destacou.
O senador federal Weverton Rocha (PDT-MA) disse que, na ocasião, que o momento é uma virada de chave para a agricultura do estado do Maranhão. “Tenho certeza que nessa rota entra agora as parcerias envolvidas, fundamentais para juntos darmos as mãos e enfrentar o grande desafio que é mostrar as potencialidades do Maranhão”.
O deputado federal Márcio Honaiser (Solidariedade-MA) também destacou o momento como um fato marcante para a agropecuária do estado.
“A Embrapa, que traz desenvolvimento, tecnologias, segurança alimentar e ajuda o setor agropecuário brasileiro a ser reconhecido mundialmente, no Maranhão cumprirá sua missão. Lá na década de 80, a Embrapa se instalou em Balsas e hoje o Matopiba é o que é graças às pesquisas desenvolvidas”
Nova sede da Embrapa Maranhão. Foto: Divulgação/ Embrapa
Maranhão reúne potencial agrícola e diversidade ambiental
Há pouco mais de 50 anos, o Brasil revolucionou a realidade no campo e se tornou líder mundial em ciência e tecnologia para a agricultura tropical, terceiro maior produtor e segundo maior exportador de alimentos do mundo, graças às pesquisas da Embrapa e de seus parceiros, ao trabalho dos produtores e ao apoio das políticas públicas. Hoje, essa trajetória de sucesso ainda enfrenta desafios, como garantir a sustentabilidade da atividade, harmonizar o desenvolvimento econômico com a conservação ambiental e promover a inclusão socioprodutiva da agricultura familiar.
No Maranhão, esses temas e desafios de futuro se manifestam com especial intensidade. Estrategicamente localizado na zona de transição entre a Amazônia e o Cerrado, o estado apresenta grande potencial produtivo e ampla diversidade socioambiental. É um dos dez maiores produtores agrícolas do país e a quarta maior economia do Nordeste. Por outro lado, possui um dos menores Índices de Desenvolvimento Humano e o maior índice de pobreza rural do país. Seu território está majoritariamente inserido na Amazônia Legal, e 33% integra o Matopiba, a maior fronteira agrícola do país, localizada no Maranhão, na região do Cerrado.
Ciência, inovação e tecnologia de ponta a serviço do Maranhão
Para responder aos desafios da produção sustentável e de alto valor agregado, a Embrapa Maranhão contará com uma central analítica multiusuário equipada com instrumentos de alta complexidade, como cromatógrafos e espectrofotômetros. A estrutura será integrada aos laboratórios de Química de Produtos Naturais e de Microbiologia e apoiará o desenvolvimento de novos bioinsumos e compostos bioativos.
Também serão construídos os laboratórios de Análise de Alimentos e de Processos Agroindustriais, este último com uma planta-piloto, destinados ao desenvolvimento de processos e produtos derivados da agricultura familiar, da pesca artesanal e do extrativismo. O objetivo é promover a bioeconomia inclusiva e a agregação de valor. A estrutura incluirá ainda um Laboratório de Inovação Social, voltado ao desenvolvimento de negócios de impacto social e à inclusão socioprodutiva das comunidades locais.
Para contribuir com o enfrentamento da emergência climática, será estruturado o Laboratório de Bioeficiência e Sustentabilidade na Pecuária, o primeiro desse tipo no bioma Amazônia e o único nas regiões Norte e Nordeste. O laboratório permitirá levantar indicadores de emissão de metano por bovinos, desenvolver tecnologias para reduzir essas emissões e selecionar animais com maior eficiência alimentar.
O campo experimental, com 19 hectares, contará com estrutura para apoiar o desenvolvimento de tecnologias destinadas às principais cadeias produtivas e a sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), sistemas agroflorestais (SAFs), piscicultura, apicultura, meliponicultura e cultivos alimentares.
Embrapa Maranhão: história e processo de reestruturação
A Embrapa Maranhão foi criada em 14 de dezembro de 2009, com a denominação de Embrapa Cocais. Desde os primeiros anos de atuação, a Unidade passou a atender demandas de todo o Maranhão, incorporando tecnologias a políticas públicas em parceria com o ecossistema de inovação do estado. Também reuniu e desenvolveu conhecimentos para apoiar a agricultura no sul maranhense, área integrante do Matopiba, e assumiu a gestão da Unidade de Execução de Pesquisa de Balsas (UEP Balsas).
Para cumprir sua missão sem dispor de sede própria, a Unidade adotou uma forma de atuação baseada na articulação com agentes de ciência e tecnologia, instituições públicas e privadas, outras Unidades da Embrapa, produtores, agroindústrias, governos estadual e municipais e organizações da sociedade civil. Essa atuação contribuiu para a construção de um modelo de inovação aberta e social em rede, voltado à geração de resultados e à diversificação das fontes de recursos.
Mudança construída a várias mãos
Em 2024, a Embrapa Maranhão redefiniu sua estratégia para responder aos desafios da produção sustentável e inclusiva. A nova atuação está organizada em três eixos: sistemas integrados de produção; bioeconomia da biodiversidade e economia verde; e inovação social.
Os eixos foram definidos de forma colaborativa, a partir de uma ampla discussão com os empregados da Unidade e de contribuições de especialistas da Rede Embrapa, instituições de pesquisa e parceiros públicos e privados do setor produtivo. A gestão participativa e a articulação com o ecossistema de inovação do Maranhão estão entre as premissas desse novo ciclo. Com uma agenda transversal, a Unidade busca gerar valor tanto para a agricultura familiar quanto para a produção agropecuária em maior escala.
De Embrapa Cocais a Embrapa Maranhão
A adoção do nome ‘Embrapa Maranhão’ começou a ser discutida há alguns anos, diante da percepção de que a denominação ‘Embrapa Cocais’ já não representava a abrangência da atuação nem a identidade da Unidade.
Na avaliação dos dirigentes da Embrapa Maranhão, a nova assinatura-síntese reflete melhor sua presença em diferentes regiões do estado e sua atuação articulada com outros territórios. Essa abrangência, existente desde os primeiros anos, foi ampliada e fortalecida ao longo do tempo. A denominação Embrapa Maranhão também não vincula a Unidade a um bioma, tema ou cadeia produtiva específica. Com isso, permite construir uma identidade institucional mais abrangente e atualizá-la de acordo com novos desafios e prioridades.
Como parte desse processo, foi criado, na Unidade de Execução de Pesquisa de Balsas (UEP Balsas), no sul do Maranhão, o Hub Matopiba. A iniciativa reúne 11 Unidades da Embrapa, incluindo a Embrapa Maranhão, para tratar, de forma integrada, dos desafios da produção agropecuária na região.
Desenvolvido em parceria com o setor produtivo e instituições públicas e privadas, o Hub busca articular competências, conhecimentos e recursos para desenvolver soluções tecnológicas destinadas ao agronegócio e à agricultura familiar. A atuação tem como princípios a sustentabilidade, a inclusão socioprodutiva e a inovação
Eurico Alfredo Nelson: pioneiro no evangelismo em Rondônia. Foto: Acervo pessoal
Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com
Em fevereiro de 1919, sob o espectro da pandemia de Gripe Espanhola, Eurico Alfredo Nelson, então com 56 anos, chegou a Porto Velho, atual capital de Rondônia. Sua apresentação às autoridades locais foi intermediada pelo gerente da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e cônsul britânico, Knox-Little.
O diplomata solicitou, por meio de ofício, a cessão do salão da municipalidade para a realização de “serviços religiosos”. Embora a cidade-empresa já contasse com um salão evangélico desde 1908, aquele foi o primeiro ato público oficial do protestantismo na vila, então sob forte influência da Igreja Católica, liderada pelo padre e político Raimundo Oliveira.
Antes da chegada de Nelson, a presença batista já era sentida através de antilhanos e profissionais de destaque na ferrovia, como os médicos Carl Lovelace e William Emrich. A Igreja Batista foi a segunda denominação a se estabelecer em Porto Velho — logo após a Católica —, consolidando-se como parte integrante da fundação da cidade. O próprio Knox-Little, embora não fosse batista, professava o anglicanismo, reforçando o fato de que engenheiros, médicos e outros atores da construção da Madeira-Mamoré já traziam consigo a fé protestante.
Foto: Acervo Pessoal
Embora sueco de origem, Eurico Nelson — o notório “Apóstolo da Amazônia” — consolidara sua vida nos Estados Unidos antes de retornar ao Brasil, em 1891, via Belém. Ex-caubói, sem ocupação fixa em seus primeiros dias, sobrevivia vendendo exemplares da Bíblia em inglês no porto paraense. Pregador leigo, foi consagrado ao ministério em 1893, em Recife (PE). Posteriormente, a Junta de Richmond, sediada na Virgínia (EUA), comprometeu-se com seu sustento e o nomeou missionário oficial.
Após cinco anos de itinerância, Nelson organizou a primeira Igreja Batista da Amazônia, hoje a Primeira Igreja Batista do Pará. Percorrendo a vasta região amazônica por meio de barcos e canoas, ele semeou o evangelho e fundou diversas congregações. Foi esse ciclo de missões que o levou a Porto Velho em 1919, culminando na constituição efetiva da igreja local em 1921, com seus dez membros fundadores.
A trajetória missionária de Eurico Nelson estendeu-se até o fim de seus dias. Ele faleceu em 1939, aos 76 anos, após complicações decorrentes da ingestão de peixes em más condições, em Carajás, no interior do Pará.
Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.
O Ministério da Saúde anunciou uma série de medidas, nesta terça-feira (30), com o objetivo de preparar o Sistema Único de Saúde (SUS) para os efeitos do El Niño e os impactos das mudanças climáticas na saúde.
O plano prevê investimentos de R$ 9,8 bilhões para aumentar a capacidade de preparação e resposta da saúde pública a eventos climáticos extremos, incluindo 27 metas e 93 ações com planejamento até 2035.
A proposta inclui antecipar riscos climáticos e emitir alertas; preparar serviços de saúde resilientes; proteger a população, sobretudo em regiões mais vulneráveis; e fortalecer a capacidade do SUS de responder e reconstruir territórios afetados.
O programa tem como base cinco frentes com o objetivo de antecipar riscos e responder de forma mais rápida:
coordenação (sala de situação, articulação com estados, municípios e Defesa Civil);
fortalecimento da capacidade de saúde (equipes mobilizadas e reforço a territórios isolados);
comunicação (orientações claras para gestores, profissionais de saúde e população);
vigilância e alertas (monitoramento de riscos climáticos, sanitários e epidemiológicos); e
reforço de insumos (medicamentos, vacinas, água segura e estrutura para resposta rápida).
O plano também prevê a implantação de oito Centros Integrados de Saúde e Clima, distribuídos nas cinco regiões brasileiras. O primeiro deles, de acordo com a pasta, será inaugurado nesta quarta-feira (1º) na Bahia.
Outra ferramenta prevista é o Painel Nacional de Excesso de Calor, desenvolvido com o objetivo de apoiar ações de vigilância, prevenção e resposta aos riscos associados ao calor extremo, incluindo um sistema de alerta precoce com até cinco dias de antecedência.
As ações incluem ainda a expansão da Força Nacional do SUS para oito bases nas cinco regiões do país, permitindo resposta mais rápida às emergências, apoio em eventos de massa e situações de desastre e estruturação da capacidade local de pronta resposta.
Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia
De acordo com a pasta, a ideia é que as equipes tenham capacidade de atender a qualquer tipo de emergência em até 12 horas, além de iniciar ações compatíveis com a complexidade do desastre em questão em até 72 horas.
O ministério também trabalha com um protocolo específico sobre calor para idosos, com orientações que incluem:
oferecer água mesmo sem sede;
evitar exposição ao sol durante os horários mais quentes;
manter a casa ventilada, fresca e arejada;
conferir se medicamentos de uso contínuo estão sendo tomados corretamente;
usar soro fisiológico em caso de ressecamento dos olhos ou das narinas.
Em coletiva de imprensa, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, lembrou que a pasta considera a crise climática como uma crise de saúde pública.
“A crise na saúde pública decorrente das mudanças climáticas é, talvez, uma das faces mais dolorosas e mais evidentes para a população dos impactos das mudanças climáticas”.
Ele destacou que um estudo recente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) contabilizou 120 mil mortes ao longo dos últimos 20 anos diretamente relacionadas ao aumento da temperatura média em várias regiões do país.
“A mitigação é muito importante, o esforço para reduzir emissões de carbono que impactam as mudanças climáticas é muito importante e necessário, mas a adaptação dos sistemas de saúde é algo urgente”, concluiu Padilha.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Brasil, escrito por Paula Laboissière
Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com
Desde 1994, antes das eleições gerais, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresenta à sociedade e aos candidatos sugestões para melhorar o desempenho da economia. Em 2026, a instituição elaborou o documento “Construindo o Brasil 2050: a indústria na agenda dos presidenciáveis”. O documento foi entregue aos pré-candidatos na segunda-feira, 22, em ato realizado no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, com a presença de mais de mil representantes do setor industrial. Durante o evento, os pré-candidatos Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) apresentaram suas plataformas e o compromisso de dialogar diretamente com a indústria sobre prioridades para o crescimento sustentável, a inovação e a competitividade nacional.
O programa quadro “Construindo o Brasil 2050” configura, de fato e abrangentemente, uma agenda concreta e estruturada para retomar o crescimento sustentado do país. Mais do que um diagnóstico, salienta o texto, “é uma proposta de convergência objetivando transformar a política industrial em política de Estado, perene e continuamente aprimorada, à semelhança do que o Plano Safra representou para o agronegócio brasileiro”.
O trabalho se organiza em três grandes frentes interligadas entre si: uma agenda macroeconômica para o crescimento sustentado; políticas fundamentais de desenvolvimento produtivo — incluindo política industrial, comércio exterior, inovação, sustentabilidade, educação e desenvolvimento regional; uma agenda microeconômica de redução do Custo Brasil, que enfrenta temas decisivos como energia, transporte, tributação, financiamento, modernização trabalhista, ambiente regulatório e segurança jurídica. Em suma, “um mapa ligando a competitividade da indústria a ganhos de produtividade, inovação e investimento privado”.
Segundo o presidente da CNI, Antonio Ricardo Alvarez Alban, deve-se observar que, ao apresentar propostas técnicas e apartidárias a todos os presidenciáveis, “a Confederação eleva o debate público e oferece ao próximo governo um ponto de partida sólido para decisões de longo prazo”. Alban mencionou a satisfação de ver na ocasião representantes das indústrias e instituições do Amazonas presentes ao evento, levando a voz do nosso estado a essa construção nacional. Por conseguinte, salientou, “reposicionar a indústria no centro do projeto de desenvolvimento do país é, de fato, um caminho inevitável para um Brasil mais inovador, sustentável e socialmente justo — e o Amazonas tem muito a contribuir nessa agenda”, ressaltou.
As propostas da CNI aos presidenciáveis observam ainda que, na conjuntura desfavorável que assola o país, “a resiliência e a capacidade de adaptação de economias globalizadas, como a do Brasil, têm sido testadas de forma permanente”. Por conseguinte, “em resposta às adversidades, os governos de grandes economias se voltaram para a adoção de políticas industriais estruturadas e abrangentes, com a indústria sendo posicionada no centro dos planos nacionais de desenvolvimento econômico, tecnológico e sustentável. O Brasil, para superar os percalços macroeconômicos, políticos, sociais, ambientais e infraestruturais com os quais há décadas se debate, precisa seguir o mesmo caminho a partir de 2027”.
O presidente da FIEAM, Antonio Silva, avalia que “o documento da CNI espelha expectativas positivas do setor produtivo brasileiro, traçando roteiro seguro para a adoção de uma estratégia de desenvolvimento nacional coesa, ambiciosa e de longo prazo, sedimentando um futuro melhor para as próximas gerações”. Com as propostas apresentadas pela CNI, enfatiza, “a indústria brasileira manifestamente contribui para a formulação dos planos de governo a ser apresentados pelos presidenciáveis, colaborando com o objetivo de estabelecer, no próximo período da Presidência da República – assim como na legislatura que se avizinha no Congresso Nacional –, as bases adequadas para que o Brasil possa romper amarras do atraso e iniciar nova jornada de longo e consistente crescimento até 2050”.
Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).
Protetor solar NEUTROGENA SUN FRESH® CORPORAL. Imagem: Divulgação
Quem se expõe, se diverte: proteção para viver cada momento com tranquilidade.
Junho transforma a Amazônia em um grande palco de cultura, emoção e pertencimento. Em Parintins, a energia toma conta das ruas, dos portos e dos encontros que reúnem moradores e visitantes em uma das maiores manifestações culturais do país. É um período de cores, tradições, orgulho regional e experiências vividas intensamente ao ar livre.
Entre os preparativos, os passeios de barco, as apresentações culturais e os momentos compartilhados entre amigos e família, existe um cuidado que merece fazer parte dessa jornada: a proteção solar.
A importância da proteção solar na rotina amazônica
A região Norte registra altas temperaturas e forte incidência solar durante grande parte do ano. Mesmo em dias nublados, a radiação ultravioleta continua presente, tornando a proteção solar uma aliada importante para a saúde da pele no longo prazo.
Durante a temporada cultural que movimenta Parintins e atrai visitantes de todo o Brasil, o tempo ao ar livre aumenta significativamente e expõe a principal dor dos consumidores brasileiros à procura de um protetor solar corporal: um produto que não deixe a pele com aspecto oleoso e pegajoso, que consiga se adaptar ao clima úmido e quente da região e seja confortável na pele, de modo que entre festas, apresentações e encontros, possa acompanhar quem vive intensamente essa época, ajudando a aproveitar cada momento com mais tranquilidade e cuidado.
Proteção avançada para diferentes momentos do dia
Pensando nisso, a linha de proteção solar de NEUTROGENA SUN FRESH® CORPORALnas versões FPS 50 e FPS 70 possui a tecnologia Helioplex® XP, focada em proteção solar avançada. Ela cria um escudo leve e uniforme que bloqueia os raios UVA, UVB, UVA longo e a luz visível, enquanto combate o fotoenvelhecimento e ajuda a prevenir manchas solares. A linha foi desenvolvida para oferecer uma experiência mais agradável durante o uso, permitindo que a proteção faça parte da rotina de forma prática reunindo atributos pensados para acompanhar a rotina dos brasileiros.
A linha oferece alta proteção solar, textura ultraleve, toque seco e fórmula com vitamina E. Além disso, conta com 4x mais proteção contra sol, cloro, sal e ressecamento, ajudando a cuidar da pele em diferentes situações do dia a dia.
Essas características fazem diferença principalmente em regiões de clima quente e úmido, como a Amazônia, onde conforto e sensação de leveza são fatores importantes para quem passa longos períodos em movimento, aproveitando cada atração da temporada.
Um cuidado que combina com a energia de Parintins e da Amazônia
Parintins representa muito mais do que um destino nesta época do ano. A cidade se torna símbolo da força cultural amazônica, reunindo histórias, talentos, tradições e um sentimento de pertencimento que mobiliza toda a região Norte para acompanhar o espetáculo que transformou a ilha em referência nacional e internacional da cultura amazônica, reconhecido pelo Ministério do Turismo como o maior espetáculo a céu aberto do mundo.
É nesse cenário que NEUTROGENA SUN FRESH® CORPORAL reforça sua conexão com quem vive a Amazônia, valorizando os momentos que unem cultura, alegria e identidade regional. Porquê das margens dos rios aos grandes espetáculos culturais, cada experiência merece ser vivida intensamente.
A Defesa Civil de Palmas , no Tocantins, emitiu um alerta para a baixa umidade do ar na última semana. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os índices podem variar entre 20% e 30%, patamar inferior ao considerado ideal para a saúde. O aviso, classificado como de perigo potencial, é válido das 12h às 18h e também contempla municípios da região.
Mesmo com baixo risco de incêndios florestais e de impactos mais graves à saúde, o órgão orienta a população a adotar medidas simples para reduzir os efeitos do clima seco no organismo.
Confira 6 dicas para enfrentar a baixa umidade do ar e manter a saúde em dia
1. Beba água com frequência
Manter o corpo hidratado é uma das principais recomendações para evitar os efeitos da baixa umidade, como ressecamento das vias respiratórias e da pele.
Foto: Divulgação
2. Evite exercícios físicos nos horários mais quentes
Atividades intensas devem ser reduzidas entre o meio-dia e o fim da tarde, quando o ar costuma ficar mais seco.
3. Limite a exposição direta ao sol
Sempre que possível, permaneça em locais cobertos durante os períodos de maior calor para diminuir o desgaste do organismo.
4. Redobre os cuidados com crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias
Esses grupos são mais vulneráveis às alterações na qualidade do ar e podem apresentar sintomas com maior facilidade.
5. Mantenha os ambientes mais úmidos
Uma alternativa é utilizar recipientes com água, toalhas úmidas ou outros métodos que ajudem a aumentar a umidade dentro de casa.
6. Procure orientação em caso de necessidade
Em situações de dúvida ou emergência, a população pode acionar a Defesa Civil pelo telefone 153 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.
O alerta meteorológico foi divulgado pelo Inmet e reforça a importância de seguir as recomendações durante o período de baixa umidade para reduzir riscos à saúde.