Dragas destruídas na operação Boiúna contra o garimpo ilegal no sul do Amazonas. Foto: Divulgação/PF
As mudanças climáticas já produzem impactos diretos sobre a população do Amazonas. A avaliação está presente no relatório ‘O protagonismo das florestas brasileiras na agenda climática global’, divulgado pelo projeto Amazônia 2030. O estudo foi realizado por especialistas, pesquisadores e organizações ligadas à pauta ambiental.
Segundo o relatório, o Amazonas vivenciou períodos de secas e cheias severas que provocaram a morte de peixes, perdas na produção agrícola e aumento da insegurança alimentar em comunidades que dependem diretamente dos recursos naturais para sobreviver.
Vanda Witoto. Foto: Divulgação/Glocal Experience
No documento, a liderança indígena amazonense Vanda Witoto relata que o estado tem enfrentado, nos últimos anos, uma sucessão de eventos extremos que afetam comunidades indígenas, ribeirinhas e moradores do interior.
Outro problema destacado é o avanço do garimpo e seus impactos sobre os rios amazônicos. O texto alerta para a contaminação por mercúrio, substância utilizada na extração ilegal de ouro e que ameaça a qualidade da água, a pesca e a saúde das populações tradicionais.
“Em nossa região do Amazonas, vivenciamos, nos últimos dois anos, secas e cheias extremas, morte de peixes sem oxigênio, perda das plantações e insegurança alimentar. Estamos com medo de beber das águas, comer dos peixes e mergulhar nos rios. As águas agonizam contaminadas com mercúrio pela ganância do ouro”, afirma o documento ao reproduzir o relato da liderança indígena.
Relatório alerta sobre desmatamento
O relatório também chama atenção para o aumento das temperaturas em áreas próximas aos centros urbanos e para a perda de cobertura florestal em regiões do estado. Segundo o documento, a derrubada da vegetação compromete o equilíbrio climático local e agrava os efeitos das ondas de calor.
Além dos impactos ambientais, a publicação aponta preocupação com a pressão sobre os territórios indígenas e sobre os conhecimentos tradicionais dos povos da floresta. O relatório afirma que saberes ancestrais relacionados ao uso sustentável da biodiversidade muitas vezes são utilizados sem o devido reconhecimento das comunidades que os desenvolveram ao longo de gerações.
Apesar do cenário de alerta, os autores defendem que o Amazonas possui potencial para se tornar referência em uma economia baseada na conservação da floresta. O relatório cita atividades ligadas à bioeconomia, ao manejo sustentável e à valorização dos recursos florestais como alternativas para gerar emprego e renda sem ampliar a destruição ambiental.
A Amazônia está no centro das discussões globais sobre mudanças climáticas por abrigar a maior floresta tropical do planeta e desempenhar papel fundamental na regulação do clima. Além de armazenar bilhões de toneladas de carbono, a floresta influencia o regime de chuvas em diversas regiões da América do Sul por meio dos chamados “rios voadores”, que transportam umidade para outras partes do continente.
Apesar de sua importância ambiental, o bioma enfrenta uma série de ameaças. O avanço do desmatamento, das queimadas, da exploração ilegal de madeira e do garimpo tem provocado a degradação de áreas florestais e colocado pressão sobre rios, fauna, flora e populações tradicionais.
O relatório também destaca a contaminação por mercúrio decorrente da atividade garimpeira, considerada um dos principais problemas ambientais da região. Os efeitos das mudanças climáticas agravam esse cenário. Nos últimos anos, a Amazônia registrou secas históricas, cheias severas e ondas de calor que afetaram comunidades, comprometeram a pesca, a agricultura e o abastecimento de água.
O empresário Valmir Machado Portela. Foto: Reprodução/Amazon Sat
Empresário e fundador do restaurante Mr. Quilo, em Boa Vista (RR), Valmir Machado Portela é um dos convidados do programa Gente do Norte – Empresas, exibido pelo canal Amazon Sat. Sua trajetória é marcada pelo empreendedorismo, pela dedicação ao setor de alimentação e por uma história de crescimento construída ao longo de décadas na Amazônia.
Natural de Tianguá, no Ceará, Valmir chegou à Região Norte em busca de oportunidades e encontrou na Amazônia o ambiente ideal para desenvolver seus negócios.
“Eu vejo que aqui a gente cresce, consegue crescer. Eu tiro por mim. Vim para cá e consegui crescer porque aqui tem oportunidade. Se não tivesse oportunidade, eu não teria conseguido. E não só eu, muitas empresas chegaram pequenas e hoje são grandes”, afirmou Valmir.
Empreendedorismo começou com a venda de marmitas
A história empresarial de Valmir começou de forma simples. Na época, ele trabalhava como gerente de loja e morava nos fundos de um estabelecimento comercial. Recém-casado, viu a esposa iniciar a venda de marmitas para camelôs que trabalhavam no Centro de Boa Vista.
“Começamos entregando seis marmitas para os camelôs. Fomos crescendo, crescendo e chegamos a um patamar bem alto de entregas. Depois fizemos uma área para atender também ao público e o negócio continuou crescendo”, relembrou.
Com o aumento da demanda, ele precisou deixar o emprego para se dedicar integralmente ao empreendimento. “Chegou uma época em que crescemos tanto que tive que largar meu emprego de gerente para ficar na pequena pensão. Até as placas que chamavam a atenção para o restaurante fui eu mesmo quem pintou”, contou.
Surgimento do primeiro restaurante por quilo de Roraima
Foto: Reprodução/ Amazon Sat
Após passar por diferentes endereços, Valmir inaugurou o restaurante que se tornaria referência no estado.
“Foi quando aluguei um ponto no Centro e nasceu o primeiro restaurante Mr. Quilo. O primeiro restaurante por quilo do estado de Roraima começou ali. Foi um nome que eu criei, implementei, registrei e patenteei”, destacou.
Segundo o empresário, o início exigiu criatividade, já que não existiam fornecedores especializados em equipamentos para esse tipo de restaurante na região.
“Comecei tudo artesanalmente. Não existia restaurante por quilo em Boa Vista e nem equipamentos específicos. Depois fui a uma feira em São Paulo e consegui adquirir os equipamentos necessários. Quando abri, foi um sucesso. Tinha fila e lista de espera. O espaço era pequeno, mas fui alugando os pontos ao lado e conseguimos crescer ainda mais”.
Qualidade como prioridade
Ao longo dos anos, Valmir construiu uma filosofia de trabalho baseada na qualidade dos produtos oferecidos aos clientes. Ele afirma participar pessoalmente da escolha dos ingredientes utilizados no restaurante.
“Para ter uma boa comida, você precisa comprar produtos de qualidade. Não existe comprar produto ruim e oferecer comida boa. Por isso acordo todos os dias às cinco da manhã para ir à feira e trazer qualidade para dentro do restaurante”, afirmou.
Ele também destaca que o cardápio é desenvolvido pela própria equipe: “Nunca precisei copiar ninguém. Tudo o que criamos dentro do restaurante são pratos nossos. A gente elabora aquilo que consegue criar e oferecer aos clientes”.
Restaurante virou ponto turístico
Com o passar dos anos, o Mr. Quilo ampliou sua estrutura e passou a receber visitantes de diversas partes do país. “Hoje se tornou quase um ponto turístico. As pessoas que vêm de fora dificilmente deixam de visitar o restaurante”, afirmou.
Além dos salões ampliados, espaço infantil, fraldário, churrascaria e vista para o Rio Branco, o local também se tornou uma vitrine para produtos regionais.
O empresário é um dos convidados do programa Gente do Norte – Empresas, transmitido pelo canal Amazon Sat. Assista:
Projeto Consciência Limpa vai plantar mais de 100 mudas de árvores na próxima terça-feira (9) no canteiro central do Residencial Bonsucesso. Segundo MapBiomas, Rio Branco teve a maior redução proporcional de área verde urbana. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AC
Rio Branco (AC) perdeu mais de 10% da cobertura de vegetação urbana ao longo de duas décadas, segundo levantamento divulgado pelo MapBiomas em 2024. Para tentar recuperar áreas degradadas, o Projeto Consciência Limpa vai plantar mais de 100 mudas no canteiro central do Residencial Bonsucesso, em uma área de aproximadamente 2 mil metros quadrados.
A ação, marcada para a próxima terça-feira (9), alerta para diminuição da arborização nos centros urbanos e pretende ampliar as áreas verdes da capital acreana.
Apesar de continuar liderando o ranking nacional de capitais com maior proporção de áreas verdes urbanas, a cidade registrou a maior redução proporcional entre as capitais brasileiras no período analisado.
A mobilização é feita pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), em parceria com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), e deve reunir estudantes da rede pública estadual, instituições parceiras e representantes do poder público.
Ainda de acordo com o estudo do MapBiomas, a cobertura vegetal nas áreas urbanas do Acre caiu de 43,3% em 2003 para 32,8% em 2023. A presença de áreas arborizadas contribui para a melhoria da qualidade do ar, ajuda a reduzir a sensação térmica, diminui a poluição sonora e auxilia na preservação de rios e igarapés.
Além dos benefícios ambientais, espaços verdes também estão associados ao bem-estar da população e à valorização das áreas urbanas.
Praticante de corrida de rua, a autônoma Vânia Silva destaca a diferença que a arborização faz na rotina de quem utiliza espaços públicos para atividades físicas.
“Para a gente que corre, a árvore traz bastante benefício. Além da sombra, dos ventos, ela encanta. Então, quanto mais árvores no nosso meio ambiente, melhor, porque os benefícios que elas trazem são ricos, são maravilhosos”, afirmou.
Projeto busca incentivar retomada de área verde nas cidades. Foto: Reprodução/Arquivo/Fundação Rede Amazônica
Morador das proximidades do Parque Tucumã, o autônomo Hudson Moreira acredita que a preservação ambiental depende também da conscientização da população.
“Tudo isso tem a culpa do homem. O homem é o próprio destruidor da natureza. Perdeu 10% agora, depois perde 20%. Se o povo não se conscientizar disso, a tendência é piorar”, disse.
Segundo a secretária adjunta da Sema, Renata Souza, ações de arborizaçãopara criação de áreas verdes só alcançam resultados duradouros quando contam com a participação da comunidade.
“O Estado desenvolve políticas públicas e os municípios também, mas quando você faz o plantio e arboriza uma praça ou um bairro, é preciso que a população também cuide. Quando falamos de arborização, estamos falando de qualidade de vida. É uma preocupação que precisa ser coletiva”, ressaltou.
Plantio
No Residencial Bonsucesso, o plantio será feito em um trecho com cerca de 400 metros de comprimento por cinco metros de largura. A iniciativa busca recuperar áreas degradadas, melhorar o aspecto urbano da região e incentivar práticas sustentáveis entre os moradores.
O coordenador do projeto, Matheus Aquino, destaca que a proposta vai além da recuperação ambiental. “Quando unimos estudantes, poder público e parceiros em uma iniciativa prática, conseguimos transformar a relação da comunidade com o meio ambiente e estimular mudanças que permanecem no longo prazo”, afirmou.
Sobre o Consciência Limpa
O Projeto Consciência Limpa busca mudar hábitos na Amazônia por meio de educação, ações práticas e comunicação. A iniciativa reforça o compromisso com a sustentabilidade e com a melhoria da qualidade de vida da população.
Em dezembro do ano passado, estudantes e professores da Escola Dr. Pimentel Gomes participaram de uma grande ação social com diversos serviços de cidadania à comunidade promovido pelo projeto.
Além das oficinas, os moradores da comunidade puderam acompanhar palestras sobre preservação do Igarapé São Francisco, reciclagem e economia circular.
No dia 28 de fevereiro deste ano, com diversos serviços disponíveis no Lado do Amor, em Rio Branco, o Projeto Consciência Limpa iniciou as ações da 2ª edição. Teve ainda o Dia D – Ação Consciência Limpa: Acre pelo Meio Ambiente e Clima e Drive-Thru.
Além das ações com enfoque ambiental, a programação inclui serviços de saúde, jurídicos, negociação de dívidas, imunização, Cadastro Ambiental Rural (CAR), atividades recreativas e emissão de documentos.
No dia 25 de março, ocorreu o Painel Consciência Limpa – Água na Amazônia: ciência, sociedade e gestão dos recursos hídricos. O evento foi promovido pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), em parceria com a Sema – Acre.
*Por Jhenyfer de Souza e Richard Lauriano, da Rede Amazônica AC
Espaço cultural receberá 60 obras dos dois artistas renomados na arte experimental brasileira. Foto: Rennan Oliveira
Cuiabá, a capital de Mato Grosso, receberá entre 7 e 21 de junho uma imersão na poesia visual contemporânea. O Museu do Morro da Caixa D’Água Velha abre simultaneamente as exposições ‘Convergências’, de Tchello D’Barros, e ‘Divergências – Cada leitor é o verdadeiro autor da poesia de cada poema’, de Juliano Lobato, reunindo 60 obras de dois artistas reconhecidos por suas contribuições à arte experimental brasileira.
Com entrada gratuita e classificação livre, a programação reforça o protagonismo histórico de Mato Grosso na poesia visual e transforma o público em participante ativo da criação artística.
Ao reunir 30 obras de cada artista, a iniciativa reafirma o papel do Museu do Morro da Caixa D’Água Velha como espaço de difusão cultural, reflexão e aproximação entre a produção artística contemporânea e a comunidade.
A exposição Convergências, de Tchello D’Barros, apresenta trabalhos que exploram as relações entre imagem, palavra e percepção visual. Reconhecido nacional e internacionalmente, o artista possui trajetória consolidada no campo da poesia visual, com participação em exposições, publicações e projetos culturais desenvolvidos em diversos países.
Já Divergências, de Juliano Lobato, propõe uma experiência baseada na liberdade interpretativa do observador. Artista visual, poeta experimental, curador e pesquisador da linguagem visual, Lobato desenvolve há mais de três décadas uma produção vinculada aos Poemas Sem Palavras, ao Intensivismo e aos desdobramentos contemporâneos do Poema-Processo.
Museu é um dos principais pontos culturais de Cuiabá. Foto: Emanuele Rigoni/Prefeitura de Cuiabá
Embora partam de influências estéticas distintas, as duas exposições compartilham uma mesma proposta: transformar o visitante em participante ativo da experiência artística. Sem títulos explicativos ou narrativas fechadas, as obras convidam o público a construir seus próprios significados, assumindo o papel de coautor da poesia presente em cada trabalho.
Para Juliano Lobato, os Poemas Sem Palavras dialogam diretamente com os princípios do Poema-Processo, movimento que compreende a leitura como parte essencial da obra.
“Cada leitor é o verdadeiro autor da poesia de cada poema. O artista cria a estrutura visual, mas a poesia se completa quando encontra o olhar, a memória e a experiência de quem observa”, afirma.
A proposta também evidencia a relevância histórica de Mato Grosso para os movimentos experimentais da poesia visual brasileira. O estado mantém forte ligação com artistas e pesquisadores que contribuíram para a consolidação de linguagens inovadoras no cenário nacional, entre eles Wlademir Dias-Pino, Rubens de Mendonça e Silva Freire, referências fundamentais para diferentes gerações de criadores.
Para Juliano Lobato, apresentar a exposição em Cuiabá tem significado especial. “Cuiabá ocupa um lugar importante na história da poesia visual brasileira, sendo berço de artistas e movimentos que influenciaram gerações. Expor essas obras ao público é uma forma de reconhecer essa herança cultural e fortalecer o diálogo entre a produção contemporânea e a comunidade.”
“Além de apresentar ao público a produção contemporânea de dois importantes nomes da poesia visual brasileira, as exposições também buscam aproximar os mato-grossenses do legado de Wlademir Dias-Pino, referência internacional da arte e da literatura experimental e um dos principais expoentes das vanguardas poéticas surgidas em Mato Grosso”, destaca Lobato.
Serviços avançam no canteiro central da Marechal Hermes, onde será implantado o maior Jardim de Chuva da capital. Foto: Paula Loirinho/Agência Pará
Com o objetivo de ampliar áreas verdes e fortalecer a infraestrutura ambiental urbana, a Prefeitura de Belém lançou o projeto ‘Jardim de chuva‘, que faz parte de um conjunto de ações voltadas à adaptação climática e à melhoria da qualidade de vida da população. O intuito da medida é a criação de espaços verdes capazes de captar, reter e filtrar a água da chuva de forma natural, evitando assim episódios de alagamemtos na capital paraense.
O novo e maior ‘Jardim de Chuva’ de Belém (PA) será implantado ao longo de toda a extensão do meio-fio da avenida Marechal Hermes, uma área de 576,633 metros quadrados. A iniciativa do programa Belém Mais Verde representa uma das principais estratégias da atual gestão para enfrentar alagamentos urbanos por meio de soluções sustentáveis.
Durante o lançamento, o prefeito Igor Normando destacou que o projeto une adaptação climática e participação da iniciativa privada na construção de soluções para a crise do clima na cidade.
“Esse projeto reúne dois aspectos fundamentais para o futuro de Belém: a adaptação às mudanças climáticas e a parceria entre o poder público e a iniciativa privada. Estamos mostrando que é possível unir esforços para construir soluções modernas, sustentáveis e eficientes para problemas históricos da cidade. Os Jardins de Chuva são uma alternativa inteligente, de custo acessível, que ajuda a absorver a água das chuvas e a reduzir os impactos dos alagamentos”, afirmou o prefeito.
Jardim de chuva, uma solução inspirada na natureza
Os Jardins de Chuva são espaços verdes projetados para captar, reter e filtrar a água da chuva no solo de forma natural. A medida reduz o escoamento superficial e ajuda a minimizar alagamentos em áreas urbanas. O primeiro Jardim de Chuva implantado pela atual gestão municipal foi instalado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente na travessa Quintino Bocaiúva, esquina com a avenida Conselheiro Furtado.
A iniciativa segue o conceito internacional de cidade-esponja, modelo urbanístico que usa soluções naturais para aumentar a absorção da água da chuva e reduzir os impactos das enchentes. Países como China, Dinamarca e Nova Zelândia já adotam estratégias semelhantes para tornar suas cidades mais resilientes aos eventos climáticos extremos.
Plantio de mudas marca início da construção do Jardim de Chuva na avenida Marechal Hermes. Foto: Paula Loirinho/Agência Pará
Programa Belém Mais Verde
O programa Belém Mais Verde foi criado para adaptar a cidade ao cenário das mudanças climáticas e minimizar impactos sobre a população. As ações são orientadas pelas chamadas Soluções Baseadas na Natureza (SbN), metodologia que usa processos naturais para enfrentar desafios ambientais, sociais e climáticos.
Entre os subprojetos previstos estão a implantação de microflorestas urbanas, corredores verdes, escolas agroflorestais, jardins de chuva, sistemas sustentáveis de drenagem, restauração ambiental e ampliação da arborização urbana. A iniciativa integra uma política pública voltada para a adaptação climática de Belém e para a melhoria da qualidade de vida da população, com a natureza como principal ferramenta de transformação urbana.
Foto: Reprodução/Youtube – Memorias Indígenas em Rondônia e Noroeste de MT
A Universidade Federal de Rondônia (UNIR) divulgou o lançamento do documentário ‘Ki Mõyen – Nossa Língua Makurap‘, que busca fortalecer, valorizar e dar visibilidade à língua e à cultura do povo indígena Makurap. Com 23 minutos de duração, o curta-metragem registra memórias, narrativas e experiências territoriais, evidenciando a importância da língua Makurap como elemento central da ancestralidade e da identidade cultural desse povo.
A produção foi construída de forma colaborativa por lideranças, professores, anciãos, jovens e crianças das Terras Indígenas Rio Branco e Rio Guaporé, em Rondônia.
O trabalho é resultado da parceria entre o povo Makurap, o Coletivo Lakapoy, a Eldorado Filmes, a Associação Indígena Awanda, a Universidade Federal de Rondônia (UNIR) e a Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
As gravações ocorreram em maio de 2025, durante o Encontro do Povo Makurap, realizado na Aldeia Barranco Alto, localizada na Terra Indígena Rio Branco, reunindo famílias e representantes das Terras Indígenas Rio Branco e Rio Guaporé. O documentário foi lançado entre abril e maio de 2026 e integra as ações da Década Internacional das Línguas Indígenas (2022–2032), iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU) voltada à valorização e revitalização dos idiomas indígenas em todo o mundo.
Produzido a partir de uma metodologia participativa, o documentário garantiu o protagonismo indígena em todas as etapas do processo, desde a construção do roteiro até a definição das narrativas e imagens. A direção de fotografia ficou a cargo de Ubiratan Gamalodtaba Suruí, responsável por registrar o cotidiano das aldeias, os momentos de compartilhamento de saberes e a relação entre língua, território e ancestralidade.
De acordo com a coordenadora do projeto na UNIR, professora Roseline Mezacasa (DEINTER), a obra representa uma importante ferramenta de fortalecimento ultural e linguístico. O filme apresenta as iniciativas desenvolvidas pelas comunidades Makurap para manter viva sua língua materna, promovendo a transmissão de conhecimentos entre diferentes gerações e reforçando os vínculos com o território e a memória coletiva.
“O documentário surge em um contexto de resistência cultural diante dos impactos históricos sofridos pelo povo Makurap, especialmente durante o período dos seringais, quando diversas línguas indígenas foram proibidas. Ao destacar as narrativas e experiências do povo Makurap, a produção contribui para a valorização da diversidade linguística e dos povos originários”, pontua a docente.
A iniciativa também integra o projeto de pesquisa ‘Histórias da castanheira (Bertholletia excelsa), cacau (Theobroma cacao) e tucum (Astrocaryum sp.): plantas, narrativas indígenas e histórias profundas’, além do projeto de extensão ‘História(s) Indígena(s) e redes de memórias ancestrais: a floresta, as epistemologias indígenas e a Lei 11.645’, ambos coordenados pela professora Roseline.
Selecionado pelo Edital Bolsas para Arte e Vídeo – Lei Paulo Gustavo, da Secretaria da Juventude, Cultura, Esporte e Lazer de Rondônia (SEJUCEL), o filme está disponível gratuitamente ao público no canal do youtube.
O Amapá passa a contar com o maior acervo digitalizado de jornais históricos da região, lançado durante a inauguração do Parque Residência, com um novo acesso ao público, voltado à preservação da memória administrativa, política e social do estado.
Agora, décadas de histórias registradas nos jornais Amapá e Novo Amapá, publicados entre 1945 a 1974, podem ser consultadas de forma digital através do Portal da Imprensa Oficial.
O link desenvolvido pela Secretaria de Estado da Administração (Sead) dá acesso as edições dos periódicos que estão organizadas cronologicamente e podem ser consultadas de forma simples, clara e acessível pelo público. O secretário Adjunto de Logística, Diego Lima, destacou a importância da iniciativa para a preservação da história e a modernização dos serviços públicos.
“Estamos unindo tecnologia e memória institucional para garantir que a história do Amapá esteja acessível a todos. Esse portal não apenas preserva documentos valiosos, mas também fortalece a transparência e amplia o acesso da população aos serviços da Imprensa Oficial. É um avanço importante na modernização da gestão pública”, ressaltou Diego.
Além dos jornais, portal oferece mais recursos
Além da consulta aos jornais históricos, o portal também disponibiliza serviços da Imprensa Oficial de maneira remota. No caso do Diário Oficial, por exemplo, é possível solicitar pesquisas de publicações e encaminhar conteúdos para novas edições, que são publicadas diariamente.
As edições organizadas pelo Núcleo de Imprensa Oficial (NIO), trazem conteúdos que vão além dos atos oficiais, e reúne também notícias sobre política, esportes, obras públicas, ocorrências policiais e anúncios da época. Até então, esse material permanecia inacessível ao grande público.
Foto: Kit Nascimento/Sead AP
“Esse acervo não possuía digitalização, diferente dos Diários Oficiais, que já haviam passado por esse processo. Trata-se de um conteúdo pouco conhecido, mas de enorme valor histórico e administrativo, sendo uma rica fonte de pesquisa sobre o Amapá”, destaca Caio Semblano, do Núcleo de Imprensa Oficial.
A digitalização atende a uma demanda histórica e ocorre cerca de 80 anos após a publicação do primeiro exemplar.
Ao todo, são 28 anos de edições semanais agora disponíveis on-line, que retrata um período marcante da história do estado, logo após sua criação como território federal.
Expedição científica avaliará impacto nas águas do trecho do Igarapé Gurupá, no Território Quilombola de Gurupá. Foto: Daisy Feio/Imazon
Localizado no município de Cachoeira do Arari, no arquipélago do Marajó, no Pará, o Território Quilombola de Gurupá abriga aproximadamente 310 famílias remanescentes de quilombos. Grande parte da população tem no açaí a base da alimentação e como principal fonte de renda. Além disso, é por meio dos rios, lagos e igarapés da região, como o rio Arari e o igarapé Gurupá, que os moradores se locomovem e pescam para a venda e a subsistência.
No entanto, essas atividades essenciais para a comunidade já vêm sendo afetadas pelas mudanças climáticas.
“As populações e a biodiversidade já sofreram impactos negativos das mudanças climáticas, com as secas extremas de 2023 e 2024, mas ainda não foram caracterizados nem medidos”, comenta Carlos Souza Jr., coordenador científico do projeto Áreas Úmidas da Amazônia, conduzido pela RAISG.
Com foco em medir esses impactos e criar um plano de adaptação climática com base nos dados coletados, um grupo de 13 pesquisadores e dois jornalistas do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), do Instituto Socioambiental (ISA), da startup Bioflore, além de um apoiador quilombola e uma pesquisadora da Fiocruz, esteve na região entre os dias 12 e 16 de maio de 2026. A iniciativa integra os projetos Áreas Úmidas e Vulnerabilidade Hídrica, liderados pela Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada (RAISG), da qual fazem parte o Imazon e o ISA.
Em parceria com a Associação de Remanescentes de Quilombo do Rio Gurupá (ARQUIG), a equipe realizou um mapeamento florestal de alta precisão na vegetação nativa e em áreas de açaizais para avaliar seus estados. Também foram feitas análises da qualidade da água dos rios e igarapés da região, bem como dos poços rasos e artesianos utilizados pela comunidade.
Os habitantes relatam a diminuição do nível dos lagos, rios e igarapés, a morte de peixes e a queda na produtividade do açaí, que apresenta frutos “queimados”, como descrevem, ainda nos cachos. Eles também mencionam o aumento da salinidade dos rios, fenômeno agravado pela instabilidade climática que altera os regimes de seca e cheia na Amazônia. Com isso, a água do oceano adentra com maior força o estuário do Marajó entre julho e dezembro, período mais seco, tornando os corpos hídricos mais salgados do que o normal.
“O que tem afetado diretamente a produção do açaí, de forma notória, são as mudanças nos ciclos do período chuvoso e do período de seca. Se já tá quente e o cacho do açaí tá maduro e cai uma chuva (às vezes tem chuvas torrenciais), há um choque térmico, o açaí na árvore amolece e posteriormente ele seca”, descreve o professor Rosivaldo Correa, residente da comunidade e presidente da ARQUIG.
Produtor de açaí quilombola mostra frutos “queimados” na mão esquerda e frutos saudáveis na mão direita. Foto: Daisy Feio/ Imazon
“Nosso trabalho é diretamente com a comunidade. A gente quer entender os desafios para a gestão desse território, onde a principal atividade está relacionada ao açaí. Nós sabemos, com base nos dados históricos de monitoramento do MapBiomas Água, que há uma tendência de perda de superfície hídrica na escala da bacia amazônica. Essa comunidade foi afetada pelas secas extremas, o que levou a um estresse hídrico na vegetação local, impactando diretamente a produção do fruto, e o bem-estar das populações e a biodiversidade”, explica Carlos.
Áreas de açaizais são mapeadas em 3D com o uso de drones
Durante três dias de campo, foram utilizados drones equipados com sensores LiDAR e câmeras RGB de alta resolução em 12 pontos ao longo do rio Arari e dos Igarapés Murucutu, Gurupá e Baixo Gurupá, para realizar o mapeamento preciso da densidade, da distribuição e das características de reprodução e mortalidade das palmeiras de açaí. A pesquisa ocorreu tanto em áreas de açaí nativo, onde as palmeiras não passam por modificações humanas, quanto em áreas manejadas, onde a vegetação é aberta e o açaí é plantado para otimizar a produção e facilitar a extração do fruto. O levantamento também incluiu extensões de açaizais nativos ainda não explorados.
A atividade foi desenvolvida com o apoio técnico da Bioflore, uma startup especializada em monitoramento ambiental por meio do sensoriamento remoto, associado ao uso da Inteligência Artificial.
“Trabalhamos com o LiDAR, um tipo de sensor capaz de penetrar a copa da vegetação e gerar imagens tridimensionais da floresta. Com essas informações em 3D, conseguimos calcular a altura da vegetação e o estoque de carbono que as árvores armazenam. Outra tecnologia utilizada é a câmera RGB, que captura imagens em altíssima resolução para que a gente possa identificar as espécies existentes aqui, a quantidade delas e conhecer melhor a biodiversidade da região”, explica Heitor Filpi, CEO da Bioflore.
Alex Maciel e Manuel Silva, quilombolas de Gurupá, e Leonardo Gonçalves, da Bioflore, durante o mapeamento com drone próximo ao lago Carobas. Foto: Daisy Feio/ Imazon
O levantamento com drones permitiu mapear uma área de cerca de 300 hectares. A partir do diagnóstico detalhado dos açaizais, que ainda está em andamento, os quilombolas que se alimentam e trabalham diretamente com o fruto, poderão utilizar as informações tanto para criar um plano de adaptação climática para a comunidade, juntamente com o Imazon e o ISA, quanto para aprimorar o manejo do açaí.
Além disso, os dados podem apontar demandas de políticas públicas para a região e abrir novas oportunidades, como comenta Rosivaldo: “Com esse levantamento, a gente vai ter dados mais precisos e poderá elaborar projetos, participar de editais, e isso vai ser um ganho muito grande para nós. É muito importante ter esses dados para buscar melhorias para o nosso povo”.
Rosivaldo Correa, presidente da Associação dos Remanescentes de Quilombo do Rio Gurupá (ARQUIG). Foto: Daisy Feio/ Imazon
Qualidade da água de rios, igarapés e poços do quilombo é analisada
As mudanças climáticas também podem estar alterando a quantidade de sais minerais presentes nos rios e igarapés que banham o quilombo Gurupá. Isso ocorre porque os rios desaguam no mar e, durante os períodos de estiagem, cada vez mais intensos e frequentes devido à instabilidade do clima, o volume de água doce diminui. Com isso, o mar avança sobre o leito dos rios, deixando-os com níveis de salinidade inadequados à região.
A análise dos sais minerais, assim como a de outras características que definem a qualidade hídrica, como o teor de oxigênio e o pH, dentre outros parâmetros, foi realizada pela pesquisadora da Fiocruz, Gina Boemer. Ela recolheu duas amostras de água em pontos diferentes do rio Arari, duas no igarapé Gurupá, uma no igarapé Murutucu e duas no igarapé Aracaju, totalizando sete amostras entre o rio e os igarapés mais importantes para os quilombolas.
Pesquisadora Gina Boemer colhendo amostras de água no rio Arari, próximo a comunidade Quilombola de Gurupá. Foto: Daisy Feio/ Imazon
“O desejável é que a água esteja mais próxima das condições originais e que não haja grandes impactos humanos interferindo nessa qualidade hídrica. Esse equilíbrio ambiental é necessário para a manutenção da vida nesse ecossistema”, detalha a cientista.
As comunidades também vêm enfrentando dificuldades com a água destinada ao consumo, oriunda de poços mais profundos, chamados de artesianos, e de poços rasos, denominados localmente como “poços de boca aberta”.
Segundo relatos, não há tratamento adequado na comunidade, e cada família é responsável por tratar sua própria água, seja fervendo ou utilizando hipoclorito de sódio distribuído pelos agentes comunitários de saúde. Com base nas informações locais, a pesquisadora da Fiocruz analisou dois poços e duas torneiras utilizados pela população.
Miriam Santos, coordenadora escolar e moradora do Quilombo de Gurupá. Foto: Daisy Feio/ Imazon
A ausência de diagnóstico da qualidade da água, e as dificuldades no tratamento vêm causando doenças na população, principalmente nas crianças, que em alguns casos apresentam diarreia e vômito.
“Na minha casa, eu fervo a água para tomar, porque há muito tempo já sofri com algumas doenças causadas pela contaminação. Então, eu tenho certeza de que essa pesquisa vai gerar bons frutos, principalmente em relação à saúde das pessoas”, relata a coordenadora escolar e moradora Miriam Santos.
Equipe de campo e quilombolas que atuaram na expedição. Foto: Daisy Feio/ Imazon
O planejamento da iniciativa prevê o retorno da equipe ao local ainda em 2026, com o objetivo de apresentar a análise detalhada dos dados sobre o açaí e a água do Quilombo Gurupá. A partir daí, serão discutidas, com a comunidade, soluções práticas que contribuam para o enfrentamento das mudanças climáticas pelos quilombolas, que tem a floresta e as águas dos rios como território de vida.
“Em breve, vamos ter um dossiê detalhado sobre o que está acontecendo na comunidade. Existem algumas tendências sobre o que pode estar acontecendo, mas esse conjunto de dados pode nos dar perspectivas para compreender melhor essas mudanças e construir um plano de adaptação climática para o quilombo”, comenta Cícero Augusto, pesquisador do ISA.
Celebrado no dia 5 de junho, o Dia Mundial do Meio Ambiente é uma data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1972, como forma de influenciar a reflexão sobre a importância da conscientização e da preservação dos recursos naturais do planeta.
Por conta disso, a literatura infantil atua como uma importante aliada na formação de crianças, ajudando a torná-las mais conscientes por meio de histórias de aventuras, personagens que cativam e cenários inspirados na biodiversidade.
Os livros podem abordar temas como a conservação das florestas, a proteção dos animais, a sustentabilidade e o respeito aos povos originários.
Em comemoração a essa data importante, o Portal Amazônia buscou por novos livros que ensinam as crianças a compreender a importância de cuidar da Amazônia, do meio ambiente e do planeta. Confira:
Foto: Reprodução/ Livrinhos do Brasil
1. ‘Tapajós’, de Fernando Vilela
Inspirado em uma viagem de Fernando à Amazônia, o livro acompanha os irmãos Cauã e Inaê, que vivem às margens do rio Tapajós, mas que com a chegada do período das cheias, precisam deixar a casa de palafitas e se mudar para a floresta. Durante a mudança, Inaê percebe que seu jabuti de estimação, Titi, ficou para trás, e, acompanhada do irmão, embarcam em uma jornada repleta de desafios para encontrá-lo.
O livro é narrado por Cauã e se passa na região amazônica, caracterizada pelo inverno, quando chove muito, e pelo verão, período de seca, mudanças que interferem no nível da água, obrigando a população às margens do rio Tapajós se mudar de acordo com a estação.
2. ‘Diário de Pilar na Amazônia’, de Flávia Lins e Silva e Joana Penna
Pilar, Breno e o gato Samba chegam ao rio Amazonas por meio de um giro em uma rede mágica. Juntos eles montaram a Sociedade dos Espiões Invisíveis (SEI) e estão dispostos a desvendar os mistérios do passado, enquanto procuram pistas sobre o paradeiro do pai da menina.
Durante a aventura, eles conhecem lendas amazônicas, como a lenda da Iara e a da Cobra-Grande, além de se dar conta de que as árvores da floresta encantada estão sendo destruídas e que é preciso fazer alguma coisa para preservá-las.
Ao longo da viagem, Pilar aprende sobre os costumes da região, como comer pupunha cozida, navegar em canoas e viver em palafitas, além de compreender a importância da preservação ambiental.
3. ‘A Última Árvore da Amazônia’, de Maristela Lima de Araujo Silva
A obra retrata uma Floresta Amazônica devastada por queimadas e desmatamento. Na história, todas as árvores foram derrubadas, exceto uma árvore que foi escolhida para a preservação: o Angelim-Pedra, de madeira nobre.
Solitário, ele sonha com o retorno dos animais amigos que antes ajudavam a espalhar suas sementes. O livro ensina as crianças a refletirem sobre as consequências da destruição ambiental e da importância da recuperação das florestas.
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4. ‘A Árvore Generosa’, de Shel Silverstein
Considerado um clássico da literatura infantil, o livro narra a relação especial entre um menino e uma árvore que, ao longo da vida, oferece tudo que possui para ajudá-lo.
No entanto, à medida que vai crescendo, o menino vai ficando cada vez mais exigente nos pedidos, fazendo com que a árvore, mesmo com poucos recursos, continue a fazer tudo o que quer.
O livro estimula reflexões sobre a generosidade, o consumo e a forma como os seres humanos se relacionam com os recursos naturais, já que, disposta a qualquer coisa para vê-lo feliz, a árvore vai se desfazendo aos poucos, mostrando que, pelo amor do menino, pode abrir mão de sua própria vida.
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5. ‘Azul e Lindo – Planeta Terra, Nossa Casa’, de Otávio Roth e Ruth Rocha
A obra apresenta, de forma acessível às crianças, questões relacionadas à preservação ambiental, como o que fazer para impedir que os solos se tornem desertos, que as águas fiquem envenenadas e que as florestas sejam devastadas.
6. ‘Vivene e Florine e suas aventuras na Amazônia’, de Isa Colli
Depois de alcançar sucesso com a fábrica da aldeia Moinho, as abelhas Vivene e Florine, durante um passeio pela floresta, descobrem uma área devastada pela ação humana, com animais doentes e em situação de sofrimento.
Determinadas a ajudar, elas partem para a Amazônia em busca de especialistas em reflorestamento.
Durante a jornada, as personagens descobrem que a própria espécie está ameaçada de extinção e aprendem a importância desses polinizadores para a manutenção da vida.
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7. ‘Um Passeio na Floresta Amazônica’, de Laurie Krebs
O livro acompanha três crianças curiosas que exploram a maior floresta tropical do mundo. Durante o passeio, elas se deparam com animais como botos-cor-de-rosa, bichos-preguiça, onças-pintadas, jacarés e diversas espécies de aves.
Além de apresentar a riqueza da fauna e da flora amazônicas, a obra destaca a a importância de conservar a fauna e a flora, bem como respeitar e preservar a cultura dos povos da floresta.
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8. ‘Abaré’, de Graça Lima
Abaré, que significa ‘amigo’ em tupi-guarani, é um menino indígena curioso que percorre diferentes caminhos da floresta em busca de conhecimento sobre os animais e a diversidade da natureza.
Todas essas aventuras ajudam o menino a amadurecer, mas de todas as descobertas, a maior delas será a amizade.
A obra também apresenta elementos da cultura indígena e reforça a conexão dos povos originários com o meio ambiente.
9. ‘Antes que a Terra Fuja: Uma história pela limpeza do Meio Ambiente’, de Julieta de Godoy Ladeira
A história, cheia de fantasia e poesia, narra uma terra poluída e queimada que decide fugir por não suportar mais. Ao lado da lua, elas embarcam em uma aventura que leva os leitores a refletirem sobre a importância de preservar o planeta.
De forma lúdica, o livro aborda temas ambientais e desperta a consciência ecológica nas crianças.
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10. ‘As oncinhas guardiãs da Amazônia’, de Wellington Modesto De Souza
A obra apresenta seis oncinhas escolhidas pelos espíritos ancestrais para proteger a natureza de uma força sombria.
Na história, cada personagem possui um dom especial ligado à coragem, à cura, à sabedoria, à esperança e também proteção da floresta.
Inspirada no folclore brasileiro, a narrativa valoriza a biodiversidade amazônica e transmite mensagens sobre conservação ambiental e responsabilidade coletiva.
Literatura como ferramenta de conscientização
Mais do que entretenimento, os livros infantis podem ajudar a despertar desde cedo o interesse pela preservação da natureza. Ao apresentar temas ambientais por meio de histórias criativas, essas obras ensinam as crianças a compreenderem a importância das florestas, dos rios, dos animais e dos povos que vivem em harmonia com o meio ambiente.
Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, a leitura pode ser uma excelente oportunidade para incentivar novas gerações a conhecer, valorizar e proteger o planeta.
No Dia Mundial do Meio Ambiente, discursos sobre preservação, mudanças climáticas e sustentabilidade ocupam espaço nos meios de comunicação, nas redes sociais e nos fóruns internacionais. Todos importantes. Mas talvez exista uma pergunta que mereça mais atenção:
Quem protege a Amazônia?
Ao longo dos últimos anos, a floresta passou a ser vista como peça estratégica para o equilíbrio climático do planeta. Governos, empresas, universidades e organizações ambientais voltaram seus olhos para a maior floresta tropical do mundo. No entanto, muitas vezes esquecemos de olhar para aqueles que vivem dentro dela.
Como amazônida, jornalista, economista e alguém que navegou por dois anos os rios da Amazônia, desde a foz do Amazonas até o rio Napo, na Amazônia equatoriana, aprendi uma lição simples: a floresta não se preserva sozinha.
Ela é protegida por pessoas.
São indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, pescadores e agricultores familiares que convivem diariamente com os rios, as matas e a biodiversidade. São eles que conhecem os ciclos da natureza, os períodos da pesca, os tempos da floresta e os limites que precisam ser respeitados para garantir que os recursos continuem existindo para as próximas gerações.
Isso não significa idealizar ou romantizar a vida na floresta. Essas populações enfrentam desafios enormes relacionados ao acesso à saúde, educação, transporte, comunicação e oportunidades econômicas. Ainda assim, continuam desempenhando um papel fundamental na conservação de um patrimônio que pertence ao Brasil e interessa ao mundo inteiro.
Durante minha travessia pela Amazônia, encontrei inúmeras comunidades onde o conhecimento sobre o ambiente não estava nos livros, mas na prática cotidiana. Homens e mulheres capazes de identificar mudanças nos rios, prever comportamentos da natureza e manejar recursos florestais de forma sustentável muito antes de o termo sustentabilidade se tornar conhecido globalmente.
Por isso, quando falamos em meio ambiente, não podemos limitar o debate apenas às árvores, aos rios ou à biodiversidade. Precisamos falar também de pessoas.
A Amazônia precisa de conservação, mas precisa igualmente de inclusão. Precisa de proteção ambiental, mas também de desenvolvimento. Precisa manter a floresta em pé, mas garantir dignidade para quem vive nela.
Essa talvez seja uma das maiores lições amazônicas para o século XXI: não existe contradição entre preservar e gerar oportunidades quando os povos da floresta são reconhecidos como protagonistas.
Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, vale lembrar que proteger a Amazônia não é apenas uma questão ecológica. É também uma questão humana.
Porque não haverá floresta em pé sem povos da floresta de pé.
Sobre o autor
Olimpio Guarany é jornalista, documentarista e professor universitário. Realizou expedição histórica, navegando o rio Amazonas, desde a foz até o rio Napo (Peru), por onde atingiu o sopé da cordilheira dos Andes (Equador) no período 2020-2022 refazendo a saga de Pedro Teixeira, o conquistador da Amazônia (1637-1639). A expedição deu origem ao livro ‘A Nova Conquista da Amazônia’. Atualmente é apresentador do programa Amazônia em Pauta no canal Amazon Sat.