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De “pai” no imaginário popular à sentinela dos rios: o boto que a Amazônia precisa conservar

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Foto: Reprodução/arquivo do Instituto BioMA

Quem vive na região amazônica provavelmente já ouviu sobre um charmoso homem vestido de branco, que seduz jovens ribeirinhas e depois desaparece nas águas, se transformando em um animal, o boto. Com isso, crianças sem a figura paterna conhecida foram então associadas a serem “filhos de boto”, alimentando uma série de histórias que permeiam o imaginário popular.

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“Essa cosmologia ainda é comum. No Pará, isso ocorre principalmente nas regiões do arquipélago do Marajó, baixo Amazonas e Baixo Tocantins, onde a presença desses animais é mais frequente”, explica a pesquisadora Angélica Rodrigues, bióloga e uma das diretoras do Instituto de Biologia e Conservação de Mamíferos Aquáticos da Amazônia (BioMA), da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA).

O grupo atua tanto com educação ambiental e resgate de animais encalhados, quanto nas pesquisas conservação e preservação de várias espécies marinhas, entre elas os botos.

“Por isso, quando pensamos em um programa de educação ambiental e de conservação das espécies, a primeira providência foi entender as relações das comunidades com essas espécies, para que junto com elas construíssemos um programa de conservação”, disse.

o boto que a Amazônia precisa conservar
Foto: Reprodução/arquivo do Instituto BioMA

Leia também: O que torna o boto cor-de-rosa especial e quais outros nomes ele possui na Amazônia?

“Em alguns lugares percebemos que existe uma resistência a falar sobre esses conhecimentos locais, mas existe também um grande respeito, tanto em comer a carne do animal, quando de manter a distância, especialmente entre mulheres, que evitam o animal por conta da lenda sobre esse ser que pode “mundiá-las”, que pode convocá-las para uma situação em que elas percam a cabeça, que elas sejam levadas para o rio, que elas engravidem e tenham um filho do boto”, explica a pesquisadora.

Segundo a pesquisadora, os botos também são foco do comércio de subprodutos místicos. “A mística que paira no universo dos botos ainda influencia muito, ainda tem muita demanda pela compra de produtos. Tanto na capital quanto no interior do estado é possível encontrar venda de partes dos animais, unguentos pra fins medicinais, amuletos. São produtos que não ficam tão à mostra, para evitar fiscalização, mas ainda existe muita procura. Os botos acabam ficando sempre muito vulneráveis”, diz. 

Perigo de extinção

Desde 2018 o boto cor-de-rosa (Inia geoffrensis) foi incluído na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, em inglês). A espécie já é considerada “Em perigo” tanto na categorização da IUCN quanto nas Listas Nacionais Oficiais de Espécies Ameaçadas de Extinção do Brasil, atualizadas pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos do ICMBio (CMA).

Na lista brasileira, o boto Tucuxi (Sotalia fluviatilis) também está na categoria “em perigo de extinção”, enquanto o boto do Araguaia (Inia araguaiaensis), que foi registrado por pesquisadores pela primeira vez em 2014, já nasceu considerada uma espécie vulnerável.

Foto: Reprodução/arquivo do Instituto BioMA

Os motivos são vários. Perda de habitat, dragagem dos rios, interação acidental em redes de pesca, captura para servir como isca, poluição e alterações climáticas são fatores que tem contribuído para esse declínio da população de botos na natureza, afirma a pesquisadora. “Nós precisaremos passar por treinamentos constantes diante do cenário de mudanças climáticas. Estamos realizando pesquisas para entender como essas mudanças afetam os botos, que já estão sentindo o impacto”, disse.

Angélica Rodrigues explica que os botos são considerados sentinelas da natureza, ou seja, a presença desses animais pode dar respostas sobre aquele ambiente.

“Ele está no topo da cadeia alimentar. É um animal que acumula as informações e funciona como um grande farol ambiental para nos dar pistas de como o ambiente está respondendo às emergências e aos impactos antrópicos. Toda vez que um animal encalha, vivo ou morto, é fonte de muita informação científica”, disse.

A reprodução da espécie é outro desafio. A gestação de um boto é longa, pode durar até ano e somente um filhote por vez. “Após o nascimento a mãe leva cerca de dois a três anos para ter um outro filhote, por conta do cuidado parental intenso com filhote”, disse.

Boto rosa no canal

Outra questão apontada pela pesquisadora para o declínio da população desses animais é a poluição dos rios. Isso se tornou mais evidente quando um boto rosa adulto foi encontrado no início do ano em um canal do centro da cidade de Belém, movimentando várias instituições para o resgate, incluindo o Instituto BioMA.

“Foi a situação mais atípica que já atendemos no Pará, um boto vindo por dentro dos canais a partir das águas pluviais. Infelizmente esse animal não resistiu, era um boto macho, adulto, e que estava com o trato intestinal cheio de lixo”, disse.

Leia também: Entenda a diferença de comportamento entre os botos da Amazônia e se eles são mesmo “implicantes”

Interação com humanos

A pesquisadora explica que os botos são animais selvagens em vida livre, mas em alguns locais foram habituados a receberem alimentação. “Infelizmente, essa interação e alimentação aumenta o fluxo de zoonoses, que são doenças transmitidas entre animais e humanos. Já existem evidências da transmissão de patógenos, como fungos, vírus e bactérias, inclusive resistentes a antibióticos, dos botos para as pessoas que os alimentam e vice-versa. Isso é uma questão de saúde pública”, alerta.

Foto: Reprodução/arquivo do Instituto BioMA

Na região de Mocajuba (PA), há anos a equipe acompanha entre 10 e 12 animais. As pesquisas são, atualmente, desenvolvidas a partir do projeto “Parâmetros fisiológicos e análise de risco para patógenos zoonóficos em botos-do-Araguaia (Inia araguaiaensis) sob impactos ambientais no contexto One Health”, realizado por meio da Iniciativa Amazônia +10.

Segundo Angélica Rodrigues, a proposta do grupo não é acabar com o turismo relacionado a animais de vida livre, mas subsidiar planos de gestão desse turismo, a partir das pesquisas. “Atualmente temos contato direto com sete animais e um filhotinho recente que ficam no entorno do Mercado. O boto é um símbolo, um patrimônio natural para aquela região, mas é preciso estabelecer como pode ser essa interação de forma correta, sem prejuízo aos animais e aos visitantes”, diz.

Disque-Encalhe

O Instituto BioMA é formado por biólogos, veterinários, sociólogos/arteeducadores, que se dedicam à atuação e monitoramento de praias, atendimento a encalhes e educação ambiental.

Caso os encalhes aconteçam em locais mais afastados da capital, o grupo aciona outras instituições parceiras, atuando em rede, incluindo os próprios monitores ambientais em formação nas comunidades, um canal que funciona em conjunto com os órgãos ambientais, bombeiros e polícia, mas que também exige checagem contra fake News.

Foto: Reprodução/arquivo do Instituto BioMA

“Às vezes precisamos primeiro verificar se aquela informação tem veracidade, especialmente vídeos; recebemos recentemente um vídeo de um lobo-marinho no Pará, o que já seria estranho, mas verificamos e o vídeo  era no Rio Grande do Sul”, disse.

O Disque-encalhe pode ser acionado pelos números (91) 992503113 e (91) 98032-4957, e funciona tanto para resgate de botos quanto de tartarugas, baleias, peixe-boi ou aves marinhas, vivos ou mortos.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Ufra, escrito por Vanessa Monteiro

“Arquiteto da floresta”: projeto preserva legado de Severiano Mário Porto no Amazonas

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Foto: Divulgação/Ufam

Conhecido como o “arquiteto da floresta”, Severiano Mário Vieira de Magalhães Porto (1930–2020) faz parte do dia a dia de cada estudante, trabalhador e visitante do Campus Sede da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Ladeados de aproximadamente 700 hectares de fauna e flora nativas, os prédios desenhados por Severiano Porto se misturam hoje àqueles construídos com vários pisos e elevadores, mas ainda continuam a ser a imagem arquitetônica mais representativa da antiga Universidade do Amazonas (UA).

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Isso porque, entre as décadas de 1970 e 1980, esse arquiteto foi o responsável por elaborar o plano diretor e o projeto original para a construção Campus da Ufam, inserido na maior área de floresta urbana do Brasil. Claro que ele aceitou o desafio de desenhar uma Universidade Amazônica no estado brasileiro que abriga a maior parte da floresta tropical do planeta. Os superlativos, porém, são um lugar comum na obra de Severiano Porto.

Além do Campus da Ufam, seu legado inclui ainda:

  • a sede da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), em 1974;
  • o Estádio Vivaldo Lima (em coautoria com Mário Emílio Ribeiro), em 1965, popularmente  chamado de “Vivaldão” e demolido para dar lugar à Arena da Amazônia;
  • o Centro de Preservação Ambiental de Balbina, em 1983;
  • a Pousada da Ilha de Silves, entre 1979 e 1983;
  • o Restaurante Chapéu de Palha, em 1967;
  • a própria residência, no ano de 1971;
  • o Fórum de Justiça Henoch Reis;
  • o Balneário do Clube do Trabalhador (Sesi)
  • e o edifício do Banco da Amazônia (Basa), em coautoria com Mário Emílio e inaugurado no ano de 1979 .

Este último, localizado na Avenida Sete de Setembro, Centro de Manaus, foi atingido por um incêndio de grandes proporções no dia 3 de setembro. O Basa era um dos projetos emblemáticos concebidos realizados em parceria com Mário Emílio Ribeiro, no qual eles conseguiram integrar concreto armado, treliças e troncos de madeira regional.

Leia também: Morre Severiano Porto, o Arquiteto da Amazônia; entre suas obras estão o Vivaldão, setor norte do campus da Ufam e a sede da Suframa

Acervo de Severiano Mário Porto preservado

Com o sinistro, ficou ainda mais evidente a importância das ações desenvolvidas pela Universidade Federal que, além de salvaguardar até hoje o projeto original elaborado para o seu Campus Universitário, tem liderado os esforços acadêmicos no sentido de resgatar, catalogar e divulgar a memória desse profissional.

Ainda que o poder público local tenha acenado publicamente que atuará para preservar e revitalizar o antigo prédio do Basa, já que é parte do Centro Histórico de Manaus, o Núcleo Arquitetura Moderna na Amazônia (Nama) já trabalha desde 2016 com na construção de um acervo digital com as obras criadas por Severiano Porto. 

Foto: Divulgação/Ufam

O Núcleo é coordenado pelo professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da Ufam Marcos Cereto e abriga projetos voltados à arquitetura pensada no e para o contexto sociocultural amazônico. De modo particular, a estratégia de digitalização das obras de Severiano Porto assegura que o material esteja ao alcance de todos, e não só no Brasil.

Em relação a esse acervo, o docente esclarece que é uma alternativa para manter viva a contribuição daquele arquiteto para a paisagem urbana amazonense diante da possibilidade de perda das estruturas físicas, seja por motivos acidentais ou pela degradação causada pelo tempo.

Para garantir que esse legado intelectual não se perca, a Ufam consolidou uma parceria estratégica com a UFRJ. “A cooperação realiza a unificação e a padronização do catalogamento entre as coleções mantidas no Rio de Janeiro e o acervo em Manaus. A nossa numeração está seguindo a numeração do Rio de Janeiro, de tal maneira que a gente possibilite aos pesquisadores, quando tudo isso estiver digitalizado, um acesso contínuo, sem a pessoa precisar ir para o Rio de Janeiro e depois vir para Manaus. A união desses acervos é justamente com esse objetivo de guardar, preservar e difundir a obra do principal arquiteto da Amazônia“, explica o professor Marcos Cereto.

Reconhecimento internacional

O Nama atua ainda para impulsionar a projeção internacional das obras de Severiano Porto. “Nós temos realizado uma série de trabalhos desde 2016. Eu posso destacar, por exemplo, uma exposição realizada com apoio da Universidade, ‘Amazônia em Construção: Arquitetura dos Rios Voadores’, em Paris, em 2019, na Cité de l’Architecture et du Patrimoine, onde nós expusemos e fizemos uma homenagem a ele”, destaca o professor Cereto.

Durante o evento na França, a relevância do trabalho motivou a submissão de sua candidatura ao Global Award for Sustainable Architecture — prêmio de prestígio internacional chancelado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e pela União Internacional de Arquitetos (UIA).

“Elaboramos um dossiê com as nossas pesquisas, com todas as obras de Severiano Porto, e encaminhamos a um júri internacional. Então, ele se tornou o primeiro arquiteto brasileiro a receber essa homenagem (…), mostrando as nossas ações em prol de manter essa memória viva de suas obras”, orgulha-se o idealizador do projeto.

A visibilidade internacional atraiu a visita anual de mais de 20 pesquisadores estrangeiros vindos de países como Escócia, Itália, Suíça, Áustria, Alemanha, Dinamarca e Estados Unidos para visitar o acervo.

Severiano Mário Porto
Severiano Mário Porto. Foto: Divulgação

Por que “Arquiteto da Floresta”?

Natural de Uberlândia, cidade mineira, Severiano Porto mudou-se ainda na infância para o Rio de Janeiro, onde concluiu a graduação na antiga Faculdade Nacional de Arquitetura (FNA) da então Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1955.

Durante uma viagem turística ao Amazonas, no ano de 1963, ele recebeu o convite para criar projetos públicos para a capital do estado. Três anos depois, já era morador de Manaus. O vínculo com a Ufam foi também como docente, pois ele lecionou na Faculdade de Tecnologia entre 1972 e 1998, onde ajudou a formar gerações de engenheiros.

A idealização do setor Norte do Campus da Ufam está entre os projetos que mais dialogam com os elementos da sociobiodiversidade regional. A planta foi desenhada com o objetivo de harmonizar os prédios, a topografia do lugar e a floresta do entorno. Ele pensou no aproveitamento da ventilação natural, no sombreamento e em gerar o menor impacto ambiental. Ele se inspirou nas construções dos ribeirinhos, onde se adotam estruturas sobre palafitas.

*Com informações da Ufam

Biocosméticos são produzidos com elementos da Amazônia e saberes Wajãpi no Amapá

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Estudantes do ensino médio participam do projeto Meninas na Ciência da Ueap. Foto: Francisco Pinheiro/Rede Amazônica AP

Elementos da Amazônia são amplamente utilizados na fabricação de biocosméticos devido às propriedades hidratantes, regenerativas e anti-inflamatórias. Esse conhecimento já é antigo e faz parte da cultura da região Norte. E o tema tem sido estudado na Universidade do Estado do Amapá (Ueap). Foi nesse contexto que surgiu o projeto Meninas na Ciência, uma iniciativa de extensão universitária voltada a incentivar a participação feminina na pesquisa.

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Cinco estudantes da Escola Estadual Esther da Silva Virgolino foram selecionadas para integrar a equipe. No contraturno, elas têm aulas teóricas e práticas para a produção de biocosméticos, utilizando produtos naturais da floresta e aprendendo técnicas tradicionais de extração de óleos e essências realizadas por comunidades extrativistas.

“O projeto surge quando a gente percebe que as meninas têm uma certa rejeição com as áreas das exatas e também não se imaginam no campo da pesquisa. Então a gente pensou, sentamos com meu grupo do Pibid (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência) em fazer um projeto destinado a meninas e incentivar elas no campo da ciência. O projeto vem alinhando não somente a questão das mulheres dentro do campo da pesquisa, mas também o reconhecimento dos povos originários”, declarou a coordenadora.

Biocosméticos são produzidos com elementos da Amazônia e saberes Wajãpi no Amapá
Estudantes do ensino médio produzem biocosméticos como sabão líquido através do projeto Meninas na Ciência. Foto: Francisco Pinheiro/Rede Amazônica AP

Biocosméticos com sabedoria ancestral

Dentro do projeto, é incentivado o destaque à cultura dos povos Wajãpi. Segundo a coordenadora, são usados elementos da Bioamazônia do Amapá para produzir os biocosméticos, por serem mais preservados do que os encontrados em outras áreas da Amazônia Legal.

Na primeira etapa, as alunas conheceram aspectos culturais dos povos originários, incluindo grafismos Wajãpi.

Vanessa Letícia, de 16 anos, é uma das participantes. Para ela, o projeto tem grande importância pelos conhecimentos que aprendem e vão levar para a vida toda.

“Esse projeto é fundamental para nós. Nós principalmente aprendemos a trabalhar em grupo, porque é muito importante. Esse projeto envolve outras coisas: ciência, química, biologia, de extrema relevância, extrema importância para nós. Esse aprendizado que nós estamos tendo já vai levar para a nossa vida, são coisas imensuráveis”, declarou.

Leia também: Biocosméticos à base de açaí são destaque em Centro de Artesanato de Santarém

Sabão produzido pelas estudantes do ensino médio no projeto Meninas na Ciência. Foto: Francisco Pinheiro/Rede Amazônica AP

As aulas são conduzidas pela acadêmica de licenciatura em química, Ini Palheta. Segundo ela, as estudantes têm contato com práticas experimentais de saberes ancestrais e também com atividades de laboratório para a fabricação de biocosméticos.

“Esses conhecimentos que elas estão absorvendo também vão compartilhar com escolas agrícolas, com outras meninas da academia da universidade e com outras meninas de fora”, explicou.

Parte do projeto é incentivar as estudantes a empreender a partir dos produtos que produzem, criando independência e autonomia. Elas também podem aplicar pinturas e significados culturais nos itens.

“Nós também vamos poder aprender que é importante. Já temos todo esse conhecimento aqui e podemos expandir. O objetivo é dar visibilidade para esse projeto, que tem grande potencial e importância para nós”, destacou.

*Por Francisco Pinheiro e Mayra Carvalho, da Rede Amazônica AP

Pesquisa no Amapá desenvolve mandioca capaz de conviver com a praga vassoura de bruxa

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Uma pesquisa do Iepa em Itaubal desenvolve uma mandioca resistente à praga vassoura-de-bruxa no Amapá. Foto: Thiago Nunes/Rede Amazônica AP

Uma nova linha de pesquisa conduzida pelo Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa) busca criar uma planta resistente à praga vassoura-de-bruxa da mandioca e que possa conviver com o fungo sem gerar infecção nas lavouras.

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A pesquisa é realizada na plantação do produtor rural Douglas Dutra, em Itaubal, e apresenta resultados promissores. Mesmo a cerca de 300 metros de áreas totalmente contaminadas, as mandiocas cresceram saudáveis.

“Talvez tenha a doença, mas visivelmente não apresenta sintomas. Mesmo estando em volta de vizinhos com a doença, a minha área vem dando bons resultados”, disse Douglas.

Segundo o pesquisador, durante o estudo foi observado que plantações afetadas pela praga passaram a ser tolerantes durante a rebrota — capacidade da planta de crescer novamente e produzir novos brotos após ser cortada.

“Algumas roças, recentemente abandonadas pela vassoura-de-bruxa, apresentaram rebrota compensatória. A própria planta dá como se tivesse um reset, faz uma reorganização fisiológica, dá um start fisiológico e rebrota, lança novos ramos altamente vigorosos. Possivelmente esses ramos podem ser tolerantes à doença”.

Pesquisa no Amapá desenvolve mandioca capaz de conviver com a praga vassoura de bruxa
Propriedade de Itaubal no Amapá recebe a pesquisa do Iepa. Foto: Thiago Nunes/Rede Amazônica AP

Indução de resistência

A indução de resistência desenvolvida pelo Iepa inclui manejo do solo, biosfera, rizosfera, microbiota e uso de compostos biológicos para manter o material genético saudável. Segundo o Dr. Marcelo Carim, criar condições para que a planta esteja bem nutrida ajuda a combater a doença.

O instituto realiza correção de solo para criar um ambiente favorável ao desenvolvimento da mandioca. Para isso, o pesquisador se baseou em estudos dos anos 1990, quando a banana enfrentou a praga mal-do-Panamá, que afetava as raízes e matava o fruto.

“Nós desenvolvemos também diversos mecanismos de defesa, e um deles era a indução de resistência. A indução de resistência não é algo que eu criei, é algo que já existe para diversas culturas. […] então criamos condições para que a planta, bem alimentada, bem nutrida, possa combater a doença”, disse.

Leia também: Portal Amazônia responde: a mandioca é tóxica?

Propriedade de Itaubal no Amapá recebe a pesquisa do Iepa. Foto: Thiago Nunes/Rede Amazônica AP

Mandioca jurará

Os estudos estão sendo aplicados na variedade jurará, a pedido do produtor rural, por ser conhecida entre agricultores e recomendada pela Embrapa Amapá.

Para Douglas, trabalhar com outras variedades não é rentável, por isso mantém a produção da jurará.

“Ela tem uma boa aceitação comercial. A jurará dá um melhor rendimento de mandioca, enquanto outras variedades demoram dois dias pra processar uma tonelada, ela leva só um dia. Então ela tem uma industrialização mais fácil”, disse.

Problemas de comercialização

Em maio, Douglas colheu cerca de 25 toneladas de mandioca com apoio dos estudos do Iepa. Mesmo assim, enfrentou dificuldades para vender o produto.

“Eu mesmo tenho dificuldade em comercializar, até diminuir bastante o plantio, não por causa da doença, mas sim pela dificuldade de comercialização, que acaba ficando difícil a comercialização e receber essa mandioca vendida”.

Segundo o agricultor, reduzir a produção ameniza os impactos financeiros quando não consegue vender.

“Se você produz muito, fica complicado vender. Quando você diminui a produção, é mais fácil conseguir vender e comercializar, você escolhe os clientes. Quando você tem muita produção, acaba tendo que mandar para qualquer um e eles demoram para pagar, às vezes não pagam”, destacou.

Leia também: Embrapa e indígenas se unem para combater a praga vassoura-de-bruxa no Amapá

Novo mecanismo

O estudo entra em nova fase, com testes de pacotes biológicos para aumentar a produtividade. De acordo com o Dr. Marcelo Carim, os produtos são eficientes.

“Se eu trabalhei lá atrás com algo e deu resultado, imagine com uma atmosfera de elementos extremamente favoráveis e rigorosamente testados já. E eu estou trazendo para cá um exemplo. É o PF55, que é uma bactéria extremamente saprofísica. Então ela atua no solo, na raiz, no sistema da planta, na facilidade de absorção de nutrientes”, explicou.

Avanço da praga no Amapá

Praga vassoura-de-bruxa da mandioca contaminando plantação. Foto: Thiago Nunes/Rede Amazônica AP

A praga vassoura-de-bruxa da mandioca já foi confirmada em 15 dos 16 municípios do Amapá, conforme dados divulgados pela Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária do Amapá (Diagro). O único município que ainda não possui registro oficial é Vitória do Jari.

A doença foi registrada no Brasil em agosto de 2024, quando apareceu pela primeira vez em plantações e terras indígenas do Amapá, na região do Oiapoque. O fungo reduz a produtividade da mandioca e compromete a qualidade dos produtos consumidos ou comercializados pela comunidade.

*Com informações da Rede Amazônica AP

Cientistas percorrem rios em Cajamarca e Amazonas para estudar a diversidade de peixes no Peru

Representantes do IIAP, do IRD da França e do Museu de História Natural da UNMSM visitam Cajamarca e Amazonas. Foto: Divulgação/Agência Andina -Editora Peru

Uma equipe de pesquisadores peruanos e franceses realizou uma expedição científica pelas bacias dos rios Chamaya e Utcubamba, nas regiões de Cajamarca e Amazonas, no Peru, com o objetivo de estudar a diversidade de peixes que habitam esses sistemas aquáticos, desde as partes mais baixas até as mais altas.

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A pesquisa foi realizada de 6 a 22 de setembro e contou com a participação do Instituto de Pesquisas da Amazônia Peruana (IIAP), do Instituto Francês de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD) e do Laboratório de Ictiologia do Museu de História Natural da Universidade Nacional de San Marcos (UNMSM).

Durante o trabalho de campo, os especialistas coletaram espécimes de peixes e amostras de tecido em vários locais em ambas as bacias. Em cada local, eles também registraram as características e as condições ambientais onde os espécimes foram encontrados.

O material obtido será transferido para um laboratório para realizar a identificação taxonômica das espécies e, posteriormente, as análises moleculares correspondentes.

Cientistas percorrem rios em Cajamarca e Amazonas para estudar a diversidade de peixes no Peru
Foto: Divulgação/Agência Andina -Editora Peru

Peixes de diferentes altitudes

Um dos objetivos da pesquisa é determinar como a composição e a diversidade das comunidades de peixes variam de acordo com a altitude.

Para tanto, os pesquisadores realizaram amostragens desde os trechos mais baixos até as áreas de maior altitude das bacias dos rios Chamaya e Utcubamba. Essa metodologia permitirá a comparação das comunidades de peixes associadas a diferentes ambientes e a identificação de possíveis diferenças entre os ecossistemas aquáticos dos trechos superiores e inferiores.

A análise científica seguirá um procedimento que se inicia com a identificação taxonômica de cada espécime. Uma vez determinada a espécie, serão obtidas as respectivas sequências de DNA, de modo que a informação genética possa ser associada a espécimes corretamente identificados e documentados.

Esses dados poderão ser utilizados posteriormente em pesquisas relacionadas à diversidade, evolução, biogeografia e conservação de peixes.

Cientistas percorrem rios em Cajamarca e Amazonas para estudar a diversidade de peixes no Peru
Foto: Divulgação/Agência Andina -Editora Peru

Ampliar os registros de biodiversidade

A expedição dedicou especial atenção a ambientes que ainda têm representação limitada em coleções científicas e bancos de dados moleculares.

Portanto, cada registro incluirá informações sobre o local onde o espécime foi coletado, a espécie à qual pertence, o espécime de referência e os dados moleculares obtidos durante a análise laboratorial.

De acordo com os pesquisadores, se os resultados obtidos confirmarem as expectativas do estudo, o trabalho permitirá a incorporação de novos registros científicos da biodiversidade dos ecossistemas aquáticos no Peru.

Leia também: Nova espécie de peixe endêmica é identificada em Loreto, no Peru

Em nome do IIAP, o trabalho será realizado pelo Dr. Junior Chuctaya, especialista em taxonomia de peixes, que também consolidará as informações relacionadas à diversidade de peixes registradas durante a expedição.

Cooperação científica entre o Peru e a França

A pesquisa está sendo desenvolvida no âmbito do projeto OBAP, uma iniciativa de cooperação científica entre o IIAP e o IRD. A expedição foi liderada pelo Dr. Nicolas Hubert, pesquisador do IRD e coordenador do projeto, juntamente com os pesquisadores franceses Pierre Caminade e Chloe Langlet, e os pesquisadores peruanos Aaron de la Sota e Junior Chuctaya.

Os resultados das análises laboratoriais complementarão o conhecimento científico sobre os peixes das bacias dos rios Chamaya e Utcubamba e contribuirão para uma melhor compreensão da diversidade dos ecossistemas aquáticos em Cajamarca e Amazonas.

*Com informações da Agência Andina

KDaBerlinda aprimorado: aplicativo ajuda na localização em tempo real e tem novidades para o Círio 2026

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A ferramenta permite o rastreamento em tempo real da Berlinda, além de oferecer informações e transmissões ao vivo das romarias. Foto: Rosana Pinto/Asom DFN

O KDaBerlinda chega à 15ª edição em 2026 ampliando os recursos de localização, informação e interação para quem acompanha o Círio de Nazaré. Desenvolvido pela Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado do Pará (Prodepa), o aplicativo permite visualizar em tempo real onde está a Berlinda que conduz a imagem de Nossa Senhora de Nazaré nas 14 romarias oficiais. Neste ano, o rastreamento estará disponível a partir de 7 de outubro, durante o Traslado dos Carros.

Saiba mais: Veja os roteiros das 14 procissões do Círio de Nazaré 2026 em Belém

A ferramenta também reforça sua presença entre os devotos após registrar 216 mil downloads em outubro de 2025. Foram 148 mil no sistema Android, crescimento de 12,57% em relação a 2024, e 68 mil no iOS, avanço de 26,73%. Segundo a Prodepa, o desempenho colocou o aplicativo entre os mais baixados de sua categoria no Brasil durante o período do Círio.

Tecnologia e rastreamento da Berlinda

O aplicativo utiliza GPS para capturar as coordenadas da Berlinda durante os percursos. Os dados são transmitidos pela rede de telefonia móvel ao Data Center do Estado, instalado na Prodepa, onde são processados e armazenados, permitindo registrar a movimentação e todo o trajeto realizado.

“Neste ano, a Prodepa contará novamente com a parceria da operadora Claro, responsável pelo suporte à transmissão dos dados”, explica Wilfran Cardoso, gerente de Tecnologia e Inovação da Prodepa.

No mapa, o usuário consegue acompanhar o percurso e visualizar pontos de referência. A ferramenta também possui notificações “push”, que informam acontecimentos das romarias diretamente na tela do aparelho, sem necessidade de desbloquear o celular.

KDaBerlinda12
Imagem: Divulgação

Parceria e funcionalidades do aplicativo

Criado em 2012, o KDaBerlinda completa sua 15ª edição e, pelo terceiro ano consecutivo, funciona como aplicativo oficial de geolocalização do Círio. A iniciativa mantém a parceria entre o Governo do Pará, por meio da Prodepa, e a Diretoria da Festa de Nazaré (DFN).

A trajetória foi interrompida apenas em 2020 e 2021, quando as procissões tradicionais deixaram de ocorrer devido às restrições adotadas durante a pandemia de Covid-19.

Além do rastreamento, o aplicativo oferece mensagens sobre as romarias, fotos, vídeos, links para transmissões ao vivo, molduras temáticas para selfies, informações turísticas e cartazes do Círio produzidos entre 2011 e 2026.

A agenda informa ainda horários e locais de saída e chegada das procissões. O aplicativo disponibiliza tradução para o inglês, recurso direcionado especialmente aos visitantes estrangeiros que chegam a Belém durante a Quadra Nazarena.

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Apoio ao turismo e à segurança

Uma área específica apresenta informações sobre Belém e seus principais pontos turísticos. A proposta é facilitar a experiência de visitantes e integrar o acompanhamento das romarias aos atrativos culturais e turísticos da capital paraense.

Os dados gerados também podem auxiliar no planejamento das procissões e fornecer informações aos órgãos envolvidos na organização e na segurança pública.

“O KDaBerlinda não é apenas uma ferramenta de localização. Ele conecta os fiéis, amplia o acesso às informações do Círio e contribui para o planejamento e a gestão das romarias, oferecendo dados reais e estratégicos para os órgãos de segurança pública e demais entidades envolvidas. Hoje, o KDaBerlinda já pode ser considerado um patrimônio digital do Círio”, afirma Wilfran Cardoso.

Como acessar o KDaBerlinda

O KDaBerlinda é gratuito e está disponível para Android, iOS e navegador web, com interface adaptada para celulares, tablets e computadores. A localização em tempo real começará a funcionar em 7 de outubro, durante o Traslado dos Carros, primeira romaria da programação oficial da Quadra Nazarena.

Acesse pela Web: https://kdaberlinda.sistemas.pa.gov.br

*Com informações da Ascom FDN

Você sabia que alguns municípios da Amazônia Legal possuem senador, governador e presidente nos nomes? Confira a lista

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A cada quatro anos, a população brasileira vai às urnas para eleger os próximos representantes nos cargos de deputado federal, deputado estadual (ou distrital), senador, governador e presidente da República. Milhões de eleitores exercem o direito do voto para definir os que ocuparão os cargos no poder federal e estadual pelos próximos quatro anos.

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Por outro lado, o Brasil é conhecido pela tradição histórica de homenagens a personalidades, incluindo na hora de escolher o nome de cidades. Assim, até mesmo políticos que tiveram atuações marcantes em seus mandatos acabam tendo seus nomes usados para “batizar” cidades.

Na Amazônia Legal, por exemplo, algumas municípios carregam em suas identificações a função e o nome de personalidades políticas como uma forma de reconhecimento por suas ações em prol daquele local.

Cidades brasileiras homenageiam, em seus nomes, títulos de cargos públicos e personalidades
Milhões de brasileiros vão às urnas para eleger deputados federais e estaduais, senadores, governadores e o presidência da República pelos próximos quatro anos. Foto: Divulgação/TRE RN

Leia também: Saiba quantas e quais cidades da Região Norte possuem nomes que homenageiam personalidades

O Portal Amazônia buscou todos os municípios dos estados da região que possuem as palavras ‘senador’, ‘governador’ e presidente’ em seus nomes, além de explicar as razões da homenagem. A relação atende à ordem de votação que será respeitada na urna eletrônica nas eleições gerais de 2026.

Senador: 4 municípios

Senador Alexandre Costa (Maranhão) – Homenageia o engenheiro e político maranhense Alexandre Alves Costa, que foi prefeito de São Luís, deputado federal e exerceu quatro mandatos consecutivos como senador do Maranhão.

Senador Guiomard (Acre) – Homenagem à José Guiomard dos Santos, político responsável pelo projeto de lei que elevou o antigo Território do Acre à categoria de Estado.

Senador José Porfírio (Pará) – Nome dado em homenagem à José Porfírio de Miranda Júnior, político, militar e coronel da Guarda Nacional, que atuou como intendente (cargo equivalente a prefeito) de Souzel – antigo nome do município, entre 1898 e 1915, além de exercer os cargos de deputado estadual e senador estadual pelo Pará até 1930.

Senador La Rocque (Maranhão) – Homenagem ao político, jornalista e advogado maranhense Henrique de La Rocque de Almeida, que foi deputado federal por cinco mandatos e senador em 1975 pelo Maranhão.

Governador: 7 municípios

Governador Archer (Maranhão): Homenagem ao empresário e político brasileiro atuou como governador do estado entre 1947 a 1951. Também atuou como senador pelo Maranhão de 1955 a 1971 e prefeito de São Luís entre 1941 e 1945.

Governador Edison Lobão (Maranhão)*: Nome dado em homenagem ao advogado, jornalista e político brasileiro Edison Lobão, que foi governador do estado entre 1991 e 1994, mas também atuou como senador da República de 1987 a 2019, cumpriu dois mandatos de deputado federal e demais funções públicas

*Nota: Desde julho de 2026, o município passou a se chamar Ribeirãozinho do Maranhão, mudança estabelecida após a Lei estadual 12.965/2026, em cumprimento à uma ação civil pública do Ministério Público Federal (MPF) que questionou a homenagem ao político ainda em vida, o que violava o princípio constitucional da impessoalidade.

Governador Eugênio Barros (Maranhão) – Município recebeu o nome em homenagem ao político e empresário Eugênio Barros, que foi governador maranhense entre 1951 e 1956.

Governador Jorge Teixeira (Rondônia) – Em homenagem ao Coronel Jorge Teixeira de Oliveira, conhecido como “Teixeirão”, o último governador do antigo Território Federal e o primeiro do estado de Rondônia, sendo fundamental pela criação e elevação a estado em 1981.

Governador Luiz Rocha (Maranhão) – Recebe este nome em homenagem ao político e advogado brasileiro Luiz Rocha, que foi governador de forte atuação no estado entre 1983 e 1987.

Governador Newton Bello (Maranhão) – Nome dado em reconhecimento ao então governador Newton Bello, que comandou o estado entre 1961 e 1966, em que teve um papel de destaque no desenvolvimento de várias regiões do estado.

Governador Nunes Freire (Maranhão) – Homenageia Oswaldo da Costa Nunes Freire, médico que governou o estado do Maranhão entre 1974 e 1979, além de atuar como deputado estadual e federal.

Presidente: 8 municípios

Presidente Dutra (Maranhão) – Homenagem ao Marechal Eurico Gaspar Dutra, que foi 16º Presidente da República do Brasil, entre 1946 e 1951.

Presidente Figueiredo (Amazonas) – Nome dado em homenagem a João Baptista de Figueiredo Tenreiro Aranha, primeiro presidente da Província do Amazonas após a sua criação, no século XIX.

Presidente Juscelino (Maranhão) – Município recebeu esse nome em homenagem ao ex-presidente do Brasil, Juscelino Kubitschek de Oliveira (JK), que comandou o país entre 1956 e 1961.

Presidente Kennedy (Tocantins) – homenagem ao ex-presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, em reconhecimento ao líder norte-americano e seu histórico ideal de progresso, inspirado pelo período de otimismo e abertura gerado pela construção da rodovia BR-153.

Presidente Médici (Rondônia) – homenagem ao ex-político Emílio Garrastazu Médici, que governou a presidência do Brasil entre 1969 e 1974.

Presidente Médici (Maranhão) – Da mesma forma que o município rondoniense, a cidade maranhense homenageia o ex-presidente do Brasil, que administrou o país durante a ditadura militar.

Presidente Sarney (Maranhão) – Homenagem ao advogado, jornalista, político, escritor José Sarney de Araújo Costa, que foi o 31º presidente da República do Brasil, entre os anos de 1985 a 1990.

Presidente Vargas (Maranhão) – Nome dado em homenagem ao ex-presidente do Brasil, Getúlio Vargas, que governou o Brasil por mais tempo na história republicana do país – por 19 anos no poder -, em dois períodos: 1930-1945 e 1951-1954.

Gente do Norte Empresas: saiba quem é Edson Cruz

Foto: Reprodução/Amazon Sat

O empresário José de Oliveira Cruz, conhecido como Edson, é um dos convidados do programa Gente do Norte – Empresas, exibido pelo canal Amazon Sat. Natural de Tarauacá, no Acre, ele construiu uma trajetória de mais de três décadas no setor farmacêutico e atualmente está à frente do Grupo J Cruz, que reúne 35 lojas e aproximadamente 500 colaboradores no estado.

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A história de Edson é marcada pelo interesse pelo comércio desde a juventude, pela busca constante por conhecimento e pela expansão de um negócio que começou há 31 anos. Hoje, além das lojas, o grupo conta com uma distribuidora e um e-commerce voltado inicialmente ao mercado acreano.

Para o empresário, a trajetória é resultado de uma combinação entre oportunidades e dedicação.

“A sorte ajuda, mas é trabalho, foco e determinação que nós temos que ter no dia a dia para a gente poder prosperar no mercado”, afirma. 

Do interior do Acre ao comércio

Edson nasceu em Tarauacá e é filho de José de Souza e Maria Barbosa de Oliveira. Ele cresceu em uma família de nove irmãos e conta que, ainda garoto, já demonstrava interesse pela área comercial.

Na época, não imaginava que aquela afinidade com o comércio poderia se transformar em uma trajetória empresarial de mais de três décadas.

“Quando eu era garoto, gostava muito da área comercial. Sempre tive o desejo de trabalhar nesse segmento, mas nunca imaginei que chegaria onde estou hoje. Quando olhamos para trás e vemos tudo o que aconteceu, e, ao mesmo tempo, pensamos em tudo o que ainda está por vir, sabemos que vamos crescer muito mais. Ainda temos muitas coisas para conquistar e muitos lugares aonde queremos chegar”, explica o Edson.  

Edson Cruz
Foto: Reprodução/Amazon Sat

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Ao longo dos anos, ele participou de cursos, treinamentos e grandes feiras nacionais e internacionais, buscando conhecimento para aplicar no desenvolvimento dos negócios.

“Por estar no segmento, a gente entende que é muito importante conhecer toda a legislação, poder fazer melhor gestão da empresa”, destacou o empresário. 

Uma empresa que cresce junto com o Acre

Para Edson, empreender na Amazônia significa também reconhecer as oportunidades existentes na região. O empresário destaca a riqueza natural da Amazônia e acredita que os recursos podem ser utilizados de forma racional, gerando desenvolvimento para a população.

“A nossa região é muito rica, como nós sempre falamos, quando comparamos o resto do planeta com relação à fauna, a região amazônica, nós estamos aqui numa região privilegiada, vamos dizer assim. E aqui a gente tem grandes oportunidades, não só na questão da região amazônica, de modo geral da fauna, da flora, mas também das riquezas naturais que a gente pode explorar, usar isso de forma racional e trazer esses benefícios para o resto. Então nós somos privilegiados em morarmos nessa região”, explica Edson.

Foto: Reprodução/Amazon Sat

A atuação do grupo permanece concentrada no Acre, mas os planos para os próximos anos incluem uma expansão da estrutura. O planejamento do Grupo J Cruz prevê chegar a 50 lojas no mercado acreano até 2027, entre capital e interior.

A expansão deve ser acompanhada por investimentos em uma estrutura de distribuição com um centro de distribuição preparado para atender melhor às unidades. A expectativa é aumentar a competitividade e ampliar a capacidade de atendimento no estado.

Cultura e valores

Com o crescimento da empresa, Edson também passou a dedicar atenção à construção de uma cultura organizacional. Nos últimos anos, o grupo vem trabalhando valores relacionados à qualidade dos produtos, organização e educação profissional.

Foto: Reprodução/Amazon Sat

A proposta é fazer com que os princípios adotados pela empresa também sejam percebidos pelos clientes.

“Esses valores que a gente traz, zela muito para os nossos colaboradores aplicarem no dia a dia e transferirem isso para o nosso cliente”, explica o empresário.

A loja que marcou a trajetória

Entre as unidades do grupo, uma tem um significado especial para Edson: a antiga loja localizada no Mercado Municipal. Embora não tenha sido exatamente onde começou a trabalhar, foi naquele espaço que, segundo ele, o negócio prosperou e ganhou força.

Com a mudança do mercado, a unidade foi transferida para outro local, mas permaneceu na memória do empresário:

“É uma loja que tem um carinho muito legal, que a gente entende que foi a pegada, quase que um começo. Já tinha começado, mas foi onde prosperou”.

Trabalho e família

A trajetória empresarial de Edson também está ligada à família, já que a esposa também participa da rotina profissional. Segundo Dila Brito Oliveria, a parceria funciona porque os dois conseguem separar as responsabilidades dentro da empresa e respeitar o espaço de cada um.

“A gente dá opiniões, a gente diz que ficaria melhor assim ou assado, mas ninguém interfere no trabalho do outro. Ele toma uma decisão, ele me comunica, eu falo se está certo, se é legal ou se não é. E aí a gente tem essa parceria para não dar conflito”, explica.

Foto: Reprodução/Amazon Sat

Leia também: Gente do Norte Empresas: saiba quem é Adélio Barofaldi

Para ela, a parceria construída ao longo dos anos também se reflete na vida pessoal: “A gente tem esse diferencial de trabalho e de família. Eu espero que a gente fique velhinho juntos”.

Os desafios da gestão

Alex Brozzo, gerente de compras do grupo, destaca a relação profissional com Edson. Segundo ele, os desafios apresentados diariamente contribuem para o desenvolvimento profissional da equipe.

“Na verdade, ele acaba impulsionando a gente a desenvolver ainda mais o nosso profissional. O senhor Edson, na verdade, cobra da gente novos projetos, que a gente venha aderir esses projetos para que a gente desenvolva lá na ponta, principalmente com a minha equipe. Todo dia a gente aprende muito com ele. Já são muitos anos de mercado, então a experiência dele faz com que isso agregue ainda mais no nosso dia a dia”, comenta. 

Alex Brozzo. Foto: Reprodução/Amazon Sat

Depois de mais de 30 anos no mercado, Edson acredita que quem pretende ingressar na área comercial precisa conhecer dois pilares fundamentais de uma empresa: a área comercial e a gestão.

“Se não conhecer essas duas coisas, dificilmente você consegue hoje fazer gestão de uma empresa e prosperar no mercado”, alerta Edson.  

Aos 50 anos, o empresário afirma que ainda existem muitos projetos pela frente. Para ele, olhar para a trajetória construída até aqui também significa reconhecer que o crescimento do grupo ainda está em andamento.

Edson Cruz é um dos convidados do programa Gente do Norte – Empresas, transmitido pelo canal Amazon Sat. Assista:

Município que faz parte da Amazônia Legal, Nova Xavantina registra maior temperatura do Brasil: 43,3°C

Foto: Reprodução/Instagram-novaxavantinamatogrosso (via Rodrigo Spyer)

Medições do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mostraram que uma cidade que faz parte da Amazônia Legal registrou a maior temperatura no Brasil até 28 de setembro. Nova Xavantina (MT) registrou um novo recorde para este ano, chegando à 43,3°C na data. A cidade já tinha registrado a maior temperatura até então no dia anterior, com 42,2°C.

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Município que faz parte da Amazônia Legal, Nova Xavantina registra maior temperatura do Brasil: 43,3°C
Imagem: Reprodução/Inmet

No total, seis cidades mato-grossenses entraram na lista das 10 maiores temperaturas registradas no dia 28 de setembro. De acordo com os dados divulgados pelo monitoramento do Inmet, a tarde de 28 de setembro foi a mais quente no Brasil até o momento. Nove das 10 maiores temperaturas no país foram registradas na data (confira a imagem acima).

Com a influência do fenômeno El Niño no Brasil, o monitoramento segue com avaliações diariamente.

Leia também: Inmet informa que calor acima da média e chuvas irregulares devem marcar outubro

Temperatura ameniza com previsão de chuvas

Conforme o modelo numérico do Inmet, a previsão de chuva acumulada para o período entre 28 de setembro e 5 de outubro de 2026 indica que os maiores acumulados devem ocorrer nas Regiões Sul e Norte do país.

Na Região Norte, os maiores acumulados de chuva devem ocorrer na região central do Amazonas (AM), com valores que podem superar os 150 mm. Já no oeste do estado, na região popularmente conhecida como cabeça do cachorro, os acumulados ficam em torno de 40 mm. Outra região de destaque é o leste de Rondônia (RO), nessa área os acumulados podem chegar a 100 mm. Nas demais áreas, não se descartam chuvas isoladas, porém sem acumulados expressivos, com valores entre 5 mm e 20 mm ao longo da semana.

No Maranhão a previsão é de áreas com chuva fraca e isolada. A temperatura deve seguir alta no oeste do Mato Grosso (MT), pois a previsão indica chuva fraca, que não deve ultrapassar os 10 mm.

Previsão de chuva acumulada (28 de setembro a 5 de outubro de 2026). Fonte: INMET

Leia AQUI a previsão completa para esta semana de 28 de setembro a 5 de outubro de 2026 e as condições observadas no Brasil entre os dias 23 e 27 de setembro de 2026 no Informativo Meteorológico nº 39/2026.

*Com informações do Inmet e do ClimaTempo

Comunidades indígenas de Boa Vista iniciam colheita de milho

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A Serra do Truaru colheu os grãos cultivados na comunidade, após meses dedicados à lavoura. Foto: Jonathas Oliveira/PMBV

Resultado do trabalho em equipe, a colheita de milho na área indígena marca uma importante etapa na produção agrícola de Boa Vista. Nessa quarta-feira, 23, com o apoio da prefeitura em todas as etapas do processo de cultivo (preparação do solo, aquisição e distribuição de insumos e plantio), a Serra do Truaru colheu os grãos cultivados na comunidade, após meses dedicados à lavoura.

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Neste ano, foram plantados 102 hectares de milho nas comunidades do município, dentro da janela de cultivo, fator que impacta diretamente na produtividade da safra. De acordo com o secretário de Agricultura e Assuntos Indígenas, Cezar Riva, a prefeitura investe para manter o campo mais forte e capaz de impulsionar o desenvolvimento agrícola da capital.

“Com o potencial produtivo das comunidades indígenas, a prefeitura segue investindo para garantir que esses agricultores produzam em maior quantidade e com mais qualidade, aumentem sua renda e tenham mais segurança para permanecer no campo. Cada hectare colhido significa alimento na mesa e geração de oportunidades para os agricultores indígenas da capital”, disse.

Neste ano, foram plantados 102 hectares de milho nas comunidades do município, dentro da janela de cultivo. Foto: Bruno Raylenio/PMBV

Trabalho coletivo

As famílias produtoras da Serra do Truaru colheram 8 hectares de milho plantados em parceria com a Prefeitura. Para a coordenadora do projeto de grãos da comunidade, Keila da Silva, chegar ao momento da colheita, após meses de trabalho intenso, é gratificante, já que esse momento representa o resultado de todo o empenho, dedicação e cuidado dos produtores ao longo do ciclo de cultivo.

“Recebemos os técnicos da Prefeitura e as máquinas para preparar o solo na área que a gente vai plantar. Depois, continuam com a gente em todos os processos até chegar o dia da colheita. Hoje estamos aqui colhendo o resultado de meses de trabalho. Agora, uma parte da nossa colheita vai ser vendida e a outra fica na comunidade para alimentar os animais”, contou.

Keila da Silva é coordenadora do projeto de grãos da comunidade. Foto: Jonathas Oliveira/PMBV

Leia também: Com apoio da prefeitura, colheita de milho inicia na zona rural de Boa Vista

Redução de custos

Com assistência técnica especializada e a disponibilização de máquinas agrícolas, os agricultores conseguem reduzir os custos operacionais e aumentar a produtividade das lavouras durante a colheita. Integrante do projeto de grãos da Serra do Truaru, Robermário da Silva é claro: sem o apoio da prefeitura, a comunidade não conseguiria cultivar a área de plantio sozinha.

“Hoje, contamos com as máquinas e os técnicos para ajudar a gente. Se fosse trabalhando na mão, não seria possível plantar no tempo certo, nem colher essa quantidade de milho que estamos colhendo aqui. A ajuda da prefeitura é muito importante para a comunidade conseguir fazer essa colheita. Os técnicos estão sempre nos acompanhando no tempo certo”, destacou.

Com assistência técnica especializada e a disponibilização de máquinas agrícolas, os agricultores conseguem reduzir os custos operacionais e aumentar a produtividade das lavouras durante a colheita. Foto: Jonathas Oliveira/PMBV

Impacto do El Niño

A colheita ocorreu mesmo após a forte estiagem registrada no mês de julho, que tem afetado o desenvolvimento de parte das lavouras em todo o estado. As chuvas desse período são essenciais para o enchimento dos grãos, e a ausência de precipitações comprometeu a produtividade em algumas áreas. Os impactos estão relacionados aos efeitos do El Niño.

O fenômeno climático associado ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico, influencia o regime de chuvas na região Norte. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a previsão para o segundo semestre de 2026 indica a intensificação do período seco. Em Boa Vista, a estiagem deve provocar perdas de aproximadamente 50% em relação ao que foi colhido na mesma área no ano de 2025.