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Fotógrafo manauara premiado em Paris lança livro sobre cotidiano e sobrevivência na pandemia

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Nascido no Amazonas e radicado em São Paulo, Maneco Magnesio resgata a memória histórica do país no fotolivro “Vida que segue”. Foto: Reprodução e Acervo pessoal/Maneco Magnesio

Entre o caos e o lirismo, o fotógrafo e artista visual Maneco Magnesio Guimarães decidiu unir o propósito documental com seus dotes artísticos para lançar o fotolivro “Vida que segue – A Pandemia da Covid-19 nas Ruas do Brasil”. A obra reúne imagens capturadas pelo artista entre 2020 e 2022 para traçar um retrato contundente do cotidiano de luta pela sobrevivência do povo brasileiro durante a pandemia de Covid-19.

O livro é o desdobramento de uma exposição individual homônima que circulou por diversas galerias e centros culturais de São Paulo (capital), Suzano, Santos, Santo André e Praia Grande. A publicação foi viabilizada por meio de financiamento coletivo e se apresenta como um registro histórico de forte viés memorialístico.

Foto: Reprodução

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O fotolivro de Maneco conta com importantes colaborações textuais de nomes do jornalismo, da arte e de movimentos de vítimas e sobreviventes da pandemia. Há textos assinados por diversos profissionais:

  • João Kulcsár, professor de fotografia, curador, diretor de festivais do segmento e criador do Festival Foto Brasil e do Festival de Fotografia de Paranapiacaba;
  • Laura Prado, jornalista e escritora, responsável pela organização e edição do livro, também foi responsável da curadoria das exposições que antecederam a obra;
  • Cynara Menezes, jornalista, criadora e editora do site Socialista Morena e apresentadora na TV Fórum;
  • Rosângela Silva, presidente da AVICO Brasil (Associação de Vítimas e Familiares de Vítimas da Covid-19);
  • Maria Salete Magnoni familiar de vítima da Covid 19 e militante da AVICO;
  • Camila Tuchlinski, psicóloga, psicoterapeuta especialista em psicossomática, fundadora do Mentalistas na Cínica e jornalista.
  • Ainda há poemas de Dill Magno e Clóvis Gomes Silva (Revolucionário Distraído).

Fotolivro aborda relação entre caos e o lirismo da pandemia

As páginas de “Vida que segue” entrelaçam fotografias, manchetes de jornais da época e dados ligados às consequências da contaminação. No prefácio, João Kulcsár, destaca que essa apresentação não segue uma ordem linear: o aparente caos foi intencional, refletindo a própria percepção humana daqueles dias de crise.

Para Kulcsár, há um lirismo contido e potente na obra: “São imagens que revelam a capacidade do fotógrafo de perceber beleza onde havia suspensão e de reconhecer afeto onde reinava a incerteza”, conta.

Maneco Magnesio, autor do livro
Livro reúne imagens capturadas por Maneco entre 2020 e 2022 para traçar um retrato contundente da luta pela sobrevivência do povo brasileiro durante a pandemia de Covid-19. Foto: Acervo pessoal/Maneco Magnesio

O desejo de registrar o período surgiu em julho de 2020, quando Maneco saiu às ruas pela primeira vez e deparou-se com vias cheias de trabalhadores informais tentando garantir o sustento. Meses mais tarde, o fotógrafo retornou ao espaço urbano com o objetivo de documentar os atos e manifestações contra o governo Bolsonaro. É nesse vínculo indissociável entre o registro do cotidiano, a rua, a memória e a política que o livro se constrói.

“É parte do projeto reverberar a importância da memória para que a história não se repita. Mortes poderiam ter sido evitadas e o impacto da insegurança econômica e sanitária no cotidiano das pessoas poderia ter sido menor”, aponta Maneco.

O livro pode ser adquirido pela plataforma da Amazon ou diretamente na loja digital do autor. Neste último caso, quem for comprar via PIX, ganha desconto se preencher o formulário por meio deste link. Nas livrarias, os exemplares podem ser encontrados na La Librería, localizada no Café Colombiano, Alameda Eduardo Prado, 493, São Paulo/SP.

Leia também: Fotógrafo do Amazonas ganha reconhecimento internacional com publicação na PhotoVogue

Foto: Acervo pessoal/Maneco Magnesio

Sobre o autor

Maneco Magnesio Guimarães (Manaus, 1974) é fotógrafo, curador e designer gráfico. Nascido no Amazonas, viveu a adolescência e o início da vida adulta em Salvador (BA) e, desde 2003, reside na capital paulista. Formado em Desenho e Plástica pela UFBA e com especialização em Fotografia pelo MAM-SP (sob orientação de Marcello Vitorino), atua coordenando oficinas, mentorias e cursos livres na área.

Como fotojornalista independente e ativista pelos direitos humanos, integra o Coletivo Fotógrafas e Fotógrafos Pela Democracia. Pesquisa a fotografia de rua e urbana desde 2018, tendo acumulado três reconhecimentos na premiação internacional Pispa (Paris International Street Photo Awards), além de participar de diversas mostras coletivas e individuais.

Ficha Técnica

Livro: Vida que segue

Autora: Maneco Magnesio Guimarães

Rede social do autor: https://www.instagram.com/magnesio/

Número de páginas: 100

ISBN: 978-65-01-85406-9

Gênero: Fotografia

Ano: 2026

*Com informações da assessoria

Pesquisas da Ufam contribuem para diretrizes nacionais sobre manejo e conflitos entre humanos e onças-pintadas

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Foto: Divulgação/CIGS

Pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) participaram da construção de um documento técnico que reúne orientações para órgãos públicos, instituições de pesquisa, produtores rurais e comunidades sobre prevenção, manejo e resposta a ocorrências envolvendo onças-pintadas. As diretrizes foram elaboradas de forma colaborativa por especialistas de diferentes instituições brasileiras e têm como objetivo subsidiar a tomada de decisão em situações de conflito entre seres humanos e a espécie.

O material, intitulado Diretrizes e fundamentos para mitigação de conflitos entre humanos e onças-pintadas, começou a ser elaborado durante o I Workshop Internacional: Conflitos com Grandes Felinos, Riscos, Causas e Soluções, realizado em agosto de 2025, no Mato Grosso do Sul. Segundo o professor da Ufam, conselheiro do CFBio e um dos autores, Rogério Fonseca, as diretrizes apresentam definições técnicas, protocolos de classificação de ocorrências, estratégias de prevenção, procedimentos de resposta, critérios para tomada de decisão e orientações para atuação integrada entre órgãos públicos e instituições de pesquisa.

O documento também estabelece recomendações para monitoramento, comunicação com comunidades e ações voltadas à coexistência entre pessoas e onças-pintadas.

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Documento técnico reúne orientações sobre tomadas de decisão em situações de conflito entre seres humanos e onças-pintadas. Foto: Divulgação

“Entre as recomendações estão a classificação das ocorrências conforme o nível de gravidade, a adoção de protocolos padronizados de atendimento e a atuação integrada entre órgãos ambientais, forças de segurança, instituições de pesquisa e gestores públicos. A experiência acumulada pela Ufam no acompanhamento de ataques de onças a humanos contribuiu para a abordagem adotada no documento, baseada na compreensão das circunstâncias em que esses eventos ocorrem e na adoção de medidas que reduzem a possibilidade de novos conflitos. Ao longo deste trabalho, pesquisadores defendem que a prevenção, o monitoramento contínuo e a produção de evidências científicas são fundamentais para garantir a segurança das populações e a conservação da espécie”, explicou o professor.

O documento também orienta sobre procedimentos em caso de encontro com uma onça-pintada, como evitar correr, manter contato visual com o animal e buscar a aproximação de outras pessoas de forma gradual. As diretrizes classificam os incidentes em diferentes categorias, desde avistamentos esporádicos até ataques a seres humanos, estabelecendo quatro níveis de gravidade para orientar a resposta institucional. Para cada situação são definidos prazos de atendimento, composição das equipes técnicas e critérios para eventual necessidade de captura, manejo e destinação do animal, sempre com base em evidências e em avaliação técnica.

A construção das Diretrizes

A pesquisadora da Ufam e também uma das autoras do material, Fabrícia Reges Ferreira, lembrou que o processo de construção das diretrizes reuniu pesquisadores, gestores ambientais, representantes de instituições públicas, privadas e organizações não governamentais, além de profissionais com experiência no manejo e na conservação de grandes felinos. “O documento foi construído de forma colaborativa e ao longo desse processo, foram discutidas evidências científicas, experiências práticas e diferentes realidades internacionais e regionais, buscando consolidar diretrizes técnicas que possam orientar a prevenção, o manejo e a mitigação de conflitos entre humanos e onças-pintadas de forma integrada e baseada na ciência”, afirmou.

Leia também: Humanos convivendo com onças-pintadas: histórias de interação com um dos gigantes da Amazônia

Ufam e o monitoramento das onças-pintadas

Onça-pintada
Onça-pintada. Foto: João Marcos Rosa

O professor Rogério Fonseca é o responsável pelos projetos Amigos da Onça e OIAA ONÇA, ligados ao Laboratório de Interações Fauna e Floresta (LaIFF/Ufam). O primeiro trata-se de uma extensão universitária que trabalha desde 2008 com mapeamento de ataques de carnívoros silvestres em atividades produtivas próximas dos eixos rodoviários da BR230, 163, 174 e 319 e das AM 010 e 070 visando à orientação de produtores rurais na minimização de conflitos entre humanos e onças.

Já o OIAA ONÇA é um banco de dados de ciência cidadã onde todos os usuários registram ocorrências (avistamentos ou ataques) e estas colaborativamente são analisadas por uma equipe de profissionais que trabalham com a espécie identificando o seu registro e propondo ações de manejo quando necessárias.

“Os registros estarão automaticamente no banco de dados das autoridades brasileiras que comandam e controlam os carnívoros silvestres, o CENAP-ICMBio, assim encurtando as distâncias entre as Instituições e o cidadão”, finalizou o professor Rogério.

*Com informações da Ufam.

Projeto fortalece o manejo de castanha-da-amazônia na Flona de Caxiuanã, no Pará

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Foto: Sidney Oliveira/IPÊ

Moradores da Floresta Nacional de Caxiuanã, no arquipélago do Marajó, no Pará, participaram, na última semana de julho, de uma oficina sobre o diagnóstico da cadeia produtiva da castanha-da-amazônia. A iniciativa, promovida pelo projeto Castanha Caxiuanã, do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, tem o objetivo de fortalecer o diálogo local e potencializar as oportunidades para o manejo sustentável do alimento no território.

Durante a oficina, foram mapeados 25 castanhais na comunidade de Caxiuanã na unidade de conservação. O levantamento foi feito com base na informação dos próprios moradores, que desenharam o mapa da Flona e identificaram os pontos de coleta no território.

“A nossa ideia aqui é ouvir a comunidade e entender como funciona a cadeia da castanha, já que há muito tempo este produto é manejado na Flona. E a partir disso, auxiliar através do projeto nos pontos da cadeia que precisarem de atenção, seja na forma de manejo, na organização social ou na venda dela. Nesta primeira etapa, vamos fazer um mapeamento e diagnóstico participativo para escutar os moradores sobre a atividade da castanha e realizar um levantamento dos castanhais da região. Essas informações serão fundamentais para o planejamento das próximas ações, assim como para compreender como melhorar e fortalecer a cadeia produtiva local”, afirma Ilnaiara Sousa, pesquisadora do IPÊ.

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Equipe de pesquisadores do IPÊ e agentes do ICMBio. Foto: Sidney Oliveira/IPÊ

Além do encontro com os extrativistas, realizado na escola da comunidade Caxiuanã, o projeto também realizou visitas em dois castanhais da Flona para fazer o georreferenciamento da área.

A extrativista Maria Calixta, 63, disse que está animada com a execução do projeto e vê a iniciativa do IPÊ como uma oportunidade para valorizar a produção de castanha na localidade

Pesquisadora na Flora de Caxiuanã. Foto: Sidney Oliveira/IPÊ

“A coleta de castanha faz parte da rotina da minha família. Todos os anos nos reunimos para coletar e vender os frutos, mas devido às dificuldades que enfrentamos a cada ano, sem nenhum apoio, esse trabalho está cada vez mais desvalorizado. Como não temos uma cooperativa para fortalecer as vendas, o atravessador é que impõe o preço dele e muitas vezes acaba colocando um preço muito abaixo, que desestimula o trabalho. Por isso, acho importante ter uma oportunidade como essa, pois todos aqui passam pela mesma situação de desvalorização”, ressalta.

Leia também: Qual o termo certo: castanha do Pará, do Brasil ou da Amazônia?

A expectativa de dona Calixta também é compartilhada pelo extrativista Roberto Araújo, 38. Ele conta que a falta de apoio à atividade faz com que muitos coletores sejam obrigados a vender seus produtos muito abaixo do mercado. “Acredito que esse projeto pode ser uma oportunidade para fortalecer a nossa cadeia produtiva, principalmente em relação à comercialização. Outro ponto positivo que achei é a possibilidade da gente se organizar numa cooperativa, que certamente vai incentivar os coletores da nossa comunidade”, pontua.

As próximas etapas do projeto contarão com mapeamento e diagnóstico participativo em mais três comunidades da FLONA, inventários participativos dos castanhais, estimativa da produção, e elaboração do documento técnico participativo da Cadeia de Valor.

Flona de Caxiuanã

Floresta Nacional de Caxiuanã recebe a iniciativa do projeto que visa fortalecimento do manejo florestal da castanha-da-amazônia. Foto: Sidney Oliveira/IPÊ

Criada em 1961, a Floresta Nacional de Caxiuanã possui uma área de 330 mil hectares. A unidade de conservação, que ocupa os territórios dos municípios de Portel e Melgaço, no arquipélago do Marajó, é a Flona mais antiga da Amazônia e possui alguns dos ecossistemas naturais mais representativos da região como floresta de terra firme, igapó e várzea. De acordo com o último levantamento do ICMBio, na UC vivem cerca de 118 famílias distribuídas em sete comunidades.

Projeto Castanha Caxiuanã

Iniciado em dezembro de 2025, o projeto “Castanha Caxiuanã: fortalecimento da Cadeia de Valor da Castanha-da-amazônia na FLONA de Caxiuanã” tem como objetivo organizar e fortalecer o manejo florestal não madeireiro, com foco no desenvolvimento da cadeia de valor da castanha-da-amazônia na Floresta Nacional de Caxiuanã. A iniciativa, financiada pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB), com o apoio do ICMBio, prevê o fomento à sociobioeconomia local, através da participação coletiva e a melhoria dos planos de manejo florestal comunitário na unidade de conservação atendida.

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Castanhal do ICMBio. Foto:Sidney Oliveira/IPÊ

*Com informações da assessoria

Modelo de segurança pública de Roraima é apresentado para polícias da Amazônia Legal e Internacional

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Equipes conheceram a estrutura da Secretaria de Segurança Pública de Roraima na última quinta-feira, 6. Foto: Neto Figueiredo e Ascom/PCRR

Uma comitiva do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia (CCPI Amazônia), formada por representantes das polícias dos Estados da Amazônia Legal e dos países que fazem parte do bioma amazônico com o Brasil, visitou a estrutura da Secretaria de Segurança Pública de Roraima na última quinta-feira, 6 de agosto.

A visita, que também contou com um representante da Guarda Civil da Espanha, teve como objetivo apresentar as estratégias, investimentos e resultados da política estadual de segurança pública, além de fortalecer a cooperação entre as instituições que atuam no enfrentamento aos crimes transnacionais na região amazônica.

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Visita de comitivas na secretaria de segurança pública de Roraima
Equipes conheceram a estrutura da Secretaria de Segurança Pública de Roraima. Foto: Neto Figueiredo e Ascom/PCRR

Durante o encontro, a Sesp apresentou a estrutura da segurança pública estadual, as ações integradas entre as forças policiais, os investimentos realizados e os resultados obtidos no combate à criminalidade, especialmente nas ações voltadas ao enfrentamento ao crime organizado e aos delitos praticados na faixa de fronteira.

Também foram discutidas propostas de cooperação entre os órgãos de segurança dos países amazônicos e das instituições brasileiras, como produção integrada de inteligência, monitoramento por imagens de satélite, operações conjuntas de fiscalização, cooperação com autoridades da Guiana no enfrentamento à imigração ilegal e planejamento integrado de ações em áreas de fronteira.

A secretária da Segurança Pública, Eliane Gonçalves, destacou que as políticas públicas implementadas em Roraima têm chamado a atenção de instituições nacionais e internacionais pelos resultados alcançados.

“É gratificante constatar que as iniciativas desenvolvidas pelo Governo de Roraima, incluindo o trabalho realizado pelo Centro Integrado de Monitoramento e Atendimento ao Cidadão, são consideradas referências e modelos para outras regiões e países. Esse reconhecimento demonstra que o Estado vem consolidando uma gestão eficiente, integrada e comprometida com a segurança da população”, ressaltou.

Visitas Técnicas

A agenda da missão também incluiu visitas técnicas às unidades da PCRR (Polícia Civil de Roraima), acompanhadas pela delegada-geral Simone Arruda. A comitiva conheceu a estrutura operacional, os modelos de atendimento e o trabalho investigativo desenvolvido pela instituição.

A primeira visita ocorreu na Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), localizada na Casa da Mulher Brasileira, onde foram apresentados o fluxo de atendimento às vítimas de violência doméstica e familiar e os procedimentos adotados desde o acolhimento até a conclusão das investigações.

Na sequência, os representantes conheceram o 1º Distrito Policial, onde foram apresentados os serviços prestados pela unidade, a estrutura administrativa e os procedimentos adotados pela Polícia Civil no atendimento à população e na condução das investigações.

Visita na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), localizada na Casa da Mulher Brasileira. Foto: Neto Figueiredo e Ascom/PCRR

Toda a agenda institucional da PCRR contou com o apoio do Dopes (Departamento de Operações Especiais), responsável pelo planejamento operacional, segurança e deslocamento da missão durante as atividades.

Saiba mais: Amapá, Tocantins e Roraima lideram redução da violência letal na Amazônia Legal, aponta Anuário

A delegada-geral da PCRR, Simone Arruda, destacou a importância da cooperação entre as instituições diante da posição estratégica de Roraima na Amazônia.

“Roraima possui uma posição estratégica por fazer fronteira com a Venezuela e a Guiana. Essa integração fortalece a troca de informações, aproxima as instituições e amplia nossa capacidade de investigação e de enfrentamento ao crime organizado. A Polícia Civil de Roraima tem investido continuamente em qualificação profissional, tecnologia e acordos de cooperação técnica para oferecer respostas cada vez mais eficientes à sociedade”, afirmou.

O delegado da Polícia Federal e coordenador do CCPI Amazônia, Paulo Henrique Oliveira Rocha, explicou que a missão busca fortalecer a integração entre os órgãos de segurança dos países.

“Viemos a Roraima para que os integrantes do CCPI Amazônia conheçam o trabalho desenvolvido pelas instituições de segurança pública do Estado e, ao mesmo tempo, apresentar a atuação do Centro. Nosso objetivo é fortalecer a cooperação entre os estados da Amazônia Legal e os países que compartilham a floresta amazônica, ampliando o intercâmbio de informações e a integração entre as forças policiais no enfrentamento aos crimes transnacionais”, afirmou.

Leia também: Programa ‘Entrevistas’ levanta debate sobre o combate à criminalidade na Amazônia; assista

Equipes conheceram a estrutura da Secretaria de Segurança Pública de Roraima. Foto: Neto Figueiredo e Ascom/PCRR

Segundo o delegado, o CCPI Amazônia reúne oficiais de ligação dos estados da Amazônia Legal e representantes dos países amazônicos, promovendo a troca de informações estratégicas, o compartilhamento de boas práticas e o desenvolvimento de ações conjuntas voltadas ao combate ao tráfico de drogas, organizações criminosas, crimes ambientais, tráfico de pessoas e outras modalidades criminosas que ultrapassam fronteiras. O Centro também mantém cooperação internacional com a Guarda Civil da Espanha.

Resultados

Entre os indicadores apresentados está a redução de 37,2% na taxa de homicídios entre 2022 e 2024, considerada a maior do país, conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025.

Outro destaque foi a Operação Rota do Norte, realizada pela Polícia Civil de Roraima em 2026, que resultou no bloqueio judicial de R$ 429 milhões em bens e ativos ligados ao crime organizado, uma das maiores medidas de descapitalização da história da corporação.

Os investimentos estaduais em segurança pública passaram de R$ 619,8 milhões, em 2021, para R$ 1,02 bilhão, em 2025, o que representa crescimento real de 65%.

Leia também: Roraima participa de programa nacional de combate ao crime organizado

Gestão Integrada de segurança pública

A Sesp apresentou a estrutura de coordenação da política estadual de segurança pública. Entre as principais atribuições estão a elaboração do Plano Estadual de Segurança Pública, a gestão de recursos provenientes do Fundo Nacional de Segurança Pública, a produção de inteligência estratégica, a integração operacional entre Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros Militar e órgãos federais, além do monitoramento de indicadores e da utilização de tecnologias voltadas à prevenção e ao combate à criminalidade.

Centro Integrado de Comando e Controle (CICC/RR). Foto: Neto Figueiredo e Ascom/PCRR

O Centro Integrado de Monitoramento e Atendimento ao Cidadão também foi apresentado à comitiva como uma das ferramentas utilizadas para fortalecer a capacidade de resposta das forças de segurança.

A comitiva conheceu ainda o cenário enfrentado por Roraima em razão do intenso fluxo migratório registrado nos últimos anos. Desde 2018, foram contabilizadas mais de 962,5 mil entradas pela fronteira do Estado, situação que provocou impactos diretos na demanda por serviços públicos e nas ações de segurança.

A agenda da missão internacional prossegue nesta sexta-feira, 07, com visitas técnicas às unidades da Polícia Militar e, posteriormente, à cidade de Lethem, na Guiana, onde os representantes encerram a programação em Roraima.

*Com informações de Júlia Rocha e Sandra Lima, da Secom Roraima

Mais de 44 mil pessoas vivem em áreas de risco em Rio Branco, diz relatório; Veja bairros

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Principal desafio de Rio Branco está relacionado às inundações provocadas pelo Rio Acre e seus afluentes. Foto: Júnior Andrade/Rede Amazônica Acre

Entre bairros como Cidade Nova e Quinze, um levantamento inédito identificou 87 áreas de risco geológico e hidrológico na capital acreana, onde vivem, aproximadamente, 44 mil pessoas. O diagnóstico faz parte do Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR) de Rio Branco, apresentado na (5). Veja a lista das regiões mais afetadas.

O documento vai servir como base para orientar obras, investimentos e ações preventivas para reduzir os impactos provocados por enchentes, erosões, deslizamentos e outros eventos extremos.

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O relatório foi elaborado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), em parceria com o Ministério das Cidades e apoio da Defesa Civil Municipal. Além de mapear as áreas mais vulneráveis do município, o estudo também aponta intervenções prioritárias para diminuir os riscos e fortalecer o planejamento urbano.

Segundo a Defesa Civil Municipal, o levantamento também atualiza o número de áreas monitoradas pelo município. Em 2023, Rio Branco possuía 63 áreas classificadas como de risco, um aumento de cerca de 38%.

Os levantamentos em Rio Branco foram feitos em três etapas de campo: em junho e setembro de 2025 e fevereiro de 2026 e identificou casas suscetíveis a inundações, processos erosivos e movimentos de massa.

Com base nas informações coletadas, deve-se criar uma base técnica para orientar futuras políticas públicas nas áreas de infraestrutura, habitação, drenagem, saneamento e recuperação ambiental.

Leia também: Quase 3 mil áreas de risco na Amazônia Legal foram identificadas pelo SGB

Bairro Cidade Nova e Quinze, no Segundo Distrito, possuem o maior número de pessoas que ocupam setores classificados como de risco alto — Foto: Google Maps

Segundo o chefe da Divisão de Geologia Aplicada do Serviço Geológico do Brasil, Tiago Antonelli, o município enfrenta processos erosivos, conhecidos popularmente como ‘terras caídas’, decorrentes das características do solo da capital acreana.

“Nós temos também as terras caídas, os rastejos aqui em Rio Branco, por conta de características do solo. Então trincas e rachaduras são comuns também de acontecer, apesar da baixa declividade do terreno”, acrescentou.

Bairros mais afetados

Conforme o estudo, o maior número de pessoas que vivem em áreas de risco está nos bairros Cidade Nova e Quinze. Ao todo, mais de 7,4 mil pessoas ocupam regiões classificadas como de risco alto.

Em seguida, vem os bairros Taquari, com cerca de 5,2 mil pessoas, Seis de Agosto, com 4,5 mil pessoas, e Recanto dos Buritis, com 3,5 mil pessoas, que estão entre os diferentes setores de risco mapeados.

Segundo o levantamento, as classificações dos bairros em áreas de risco ocorrem da seguinte forma:

  • Bairros com risco muito alto: Dom Giocondo, Novo Horizonte, 6 de Agosto, Taquari e a área do Igarapé da Judia (Av. Durval Camilo).
  • Bairros com risco alto: Mocinha Magalhães, Aeroporto Velho, Palheiral, Volta Seca, Boa Vista, João Paulo II, Sobral, Laélia Alcântara, Calafate, Loteamento Severa Romana (Mutum), Taquari, Panorama, Adalberto Aragão, Jardim Tropical, Oscar Passos, São Francisco, Oscar Plácido, Vitória, Placas, Centro, Canaã, Recanto dos Buritis, Santa Inês, Cidade Nova e Quinze, Comara e Estrada do Porto Acre (localidade).
  • Bairro com risco médio: Mocinha Magalhães, Aeroporto Velho, Laélia Alcântara, Calafate, Floresta Sul, Taquari, Panorama, Estrada do São Francisco, Placa, Ouricuri, 6 de Agosto, Santa Terezinha e Igarapé da Judia (Av. Durval Camilo).

O relatório complementa ainda que alguns bairros aparecem em mais de uma categoria pois possuem diferentes áreas de risco, já que cada setor é classificado de forma individual e segue suas características geológicas, hidrológicas e o nível de vulnerabilidade das ocupações.

Soluções

Segundo o coordenador da Defesa Civil de Rio Branco, tenente-coronel Cláudio Falcão, além de apontar onde estão os problemas, o estudo também apresenta caminhos para solucioná-los.

“A prefeitura vai ter esse conhecimento e pode propor obras estruturantes e não estruturantes, enfim, fazer o planejamento urbano. Essas informações nós vamos priorizar e verificar aquelas áreas que estão mais suscetíveis e as que causam o maior problema”, disse.

O coordenador ressaltou ainda que, em alguns casos, o plano vai poder subsidiar projetos para reassentamento de famílias que vivem em áreas de maior vulnerabilidade.

Plano Municipal de Redução de Riscos mapeou áreas suscetíveis a enchentes, erosões e deslizamentos. Foto: Arquivo/Defesa Civil de Rio Branco

“O maior risco que temos é o hidrológico, o risco de inundação. Em algumas áreas, podemos propor inclusive a remoção de pessoas que habitam esses locais, por meio de planos de trabalho encaminhados ao Ministério das Cidades, a outros ministérios ou até mesmo com recursos próprios da prefeitura”, afirmou.

O chefe da Divisão de Geologia Aplicada do Serviço Geológico do Brasil complementou que o principal desafio de Rio Branco está relacionado às inundações provocadas pelo Rio Acre e seus afluentes.

“Aqui em Rio Branco, majoritariamente, o risco é a inundação, então é o extravasamento do Rio Acre, dos igarapés tributários. É um risco que a população tende a conviver com ele, que é natural, mas a nossa proposta é, além de dar luz ao problema, é sobre como o município pode mitigar, diminuir o grau de risco e a população conviver com o risco de insegurança”, explicou Antonelli.

“A ideia é que, na próxima atualização [do relatório], esse número [de 87] seja menor. Aí, sim, teremos um Plano Municipal de Redução de Riscos realmente atuante”, complementou Falcão.

*Por Pâmela Celina e Pedro Marcelo, Rede Amazônica Acre.

Mentoria da Charão ajuda empresas a proteger o lucro na Reforma Tributária

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Foto: Divulgação/Charão Tributário

A Reforma Tributária já exige decisões das empresas. Mais do que acompanhar as novas regras, empresários e gestores precisam compreender como as mudanças poderão afetar o lucro, a formação de preços, as margens e a competitividade do negócio.

Para apoiar essa preparação, a Charão Tributário desenvolveu a Mentoria da Reforma Tributária, voltada a empresas que desejam antecipar riscos e conduzir os sete anos de transição com mais clareza, segurança e estratégia.

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Na mentoria, empresários e gestores analisam os dados reais da própria empresa ao lado de especialistas. O trabalho busca identificar possíveis impactos e orientar a construção de estratégias para proteger preços, margens, operações e resultados.

Análise aplicada à realidade de cada empresa

Os efeitos da Reforma Tributária não serão iguais para todos os negócios. Segmento, regime tributário, localização, fornecedores, clientes, estrutura de custos e características da operação podem gerar cenários diferentes.

Por isso, a Charão não trabalha com uma orientação genérica. A mentoria parte da realidade de cada empresa para avaliar como as mudanças poderão interferir em suas decisões comerciais, financeiras, contábeis e fiscais.

Saiba mais: Grupo Charão conquista reconhecimento nacional no GPTW

A proposta é permitir que a liderança compreenda os possíveis cenários antes que os impactos apareçam nos resultados. Assim, o empresário deixa de apenas acompanhar a Reforma Tributária e passa a conduzir a preparação da empresa.

O processo também aproxima diferentes áreas do negócio. Gestão, financeiro, comercial, contábil, fiscal e tecnologia precisam estar alinhados, já que a transição poderá exigir ajustes em processos, sistemas, contratos e estratégias.

Especialização na realidade tributária do Norte

A Charão é especialista em Reforma Tributária aplicada à Zona Franca de Manaus e à Área de Livre Comércio de Boa Vista, regiões que possuem particularidades tributárias e operacionais que exigem uma análise específica.

Desde 2024, a empresa estuda a Reforma Tributária diretamente em Brasília e São Paulo, acompanhando sua evolução para transformar as mudanças legais em orientações aplicáveis à realidade das empresas.

Leia também: Charão Tributário marca presença na AMASE Big Show e reforça destaque local

Com forte atuação na região Norte do país, especialmente em Manaus, no Amazonas, e Boa Vista, em Roraima, e reconhecimento em âmbito nacional, a Charão reúne conhecimento técnico, experiência regional e proximidade com empresários e gestores.

Essa especialização permite analisar os efeitos da Reforma considerando não apenas as regras gerais, mas também os incentivos, os créditos e as características próprias das operações realizadas na Zona Franca de Manaus e na Área de Livre Comércio.

Dados transformados em estratégia

Mentoria Charão Tributário
Foto: Divulgação/Charão Tributário

A mentoria utiliza a Metodologia Charão, que integra profissionais especializados, processos seguros e tecnologia. O método transforma dados em informação, conhecimento e estratégia para apoiar decisões empresariais.

A proximidade com os empresários também faz parte do processo. A equipe busca compreender o funcionamento da empresa, seus desafios e sua estrutura para apresentar direcionamentos compatíveis com a realidade do negócio.

A proposta da mentoria não é apenas explicar a legislação, mas mostrar como as mudanças podem atingir cada empresa e quais decisões precisam ser tomadas para preservar o lucro, as margens e a competitividade.

A mensagem da Charão é direta: quem se antecipa protege o lucro. Quem espera pode pagar o preço.

Empresários e gestores interessados podem solicitar uma reunião de diagnóstico com o time da Charão Tributário. No encontro, a equipe conhece o cenário da empresa e apresenta como a mentoria poderá apoiar sua preparação.

Terras Raras, o novo petróleo, elemento fundamental à inserção do Brasil no mundo da alta tecnologia do século XXI

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Brasil possui grande reserva de terras raras. Foto: Reprodução/Jornal da USP

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

De acordo com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), terras raras são um grupo de 17 elementos químicos da tabela periódica, conhecidos como os lantanídeos, além do escândio e do ítrio. Não sendo escassos, podem ser encontrados em diferentes partes do globo. Sua extração é desafiadora e requer conhecimento técnico e controle ambiental rigoroso devido possuírem propriedades eletrônicas e magnéticas únicas, o que os torna essenciais para tecnologias avançadas. Suas características especiais permitem aplicações em diversos setores estratégicos, desde a indústria de alta tecnologia até a transição energética global. A importância desses elementos tem crescido exponencialmente nas últimas décadas, acompanhando o desenvolvimento de tecnologias mais eficientes e sustentáveis.

O domínio do conhecimento sobre terras raras representa, portanto, não apenas uma vantagem científica, mas também econômica e geopolítica. Com aproximadamente 21 milhões de toneladas em reservas, o Brasil ocupa uma posição estratégica no cenário mundial de terras raras. Essa expressiva quantidade de recursos coloca o país atrás apenas da China em termos de potencial geológico, representando uma oportunidade única para desenvolvimento econômico e tecnológico. Os principais mananciais e depósitos minerais estão localizados nos
estados de Goiás (Catalão e Serra Verde), Minas Gerais, Amazonas (Presidente Figueiredo), Rio de Janeiro e Bahia. Em nosso estado, o grau de exploração do minério é uma incógnita até o momento.

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Imagem colorida mostra Minas de Ferro no Carajás, interior do Pará. Terras raras
Brasil tem grande potencial de terras raras. Foto: Minera Júnior/ Reprodução

Entretanto, enquanto o Brasil, em 2025, produziu 2.000 toneladas do minério, a produção da China alcançou 270.000 t. Em termos de valor agregado (até 400x ao longo da cadeia), registra-se, segundo o IPT:

  • Concentrado (MREC), entre US$ 5 – 15/kg;
  • Óxidos (separados) US$ 50-300/kg;
  • Ligas (REE) US$ 100-150/kg;
  • Ímã Permanente – US$ 200-600/kg;
  • Motor EV/Turbina – US$ 2.000+/kg.

O Brasil encontra-se ainda no primeiro estágio – Concentrado (MREC), comercializado entre US$ 5-15/kg.

Por conseguinte, a questão central brasileira não é a disponibilidade de recursos, mas a definição dos elos da cadeia nos quais o país pretende construir vantagens competitivas e as capacidades tecnológicas, industriais e institucionais necessárias para capturar valor
econômico e estratégico. O Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE/MCTI) – “Terras raras no Brasil: Estado da arte, cenários e
um mapa do caminho estratégico para 2026–2040” – destaca os elementos essenciais para a formulação de políticas públicas, estratégias empresariais e iniciativas de desenvolvimento tecnológico voltadas à consolidação de uma cadeia nacional do minério.

Terras raras são minerais que compõem um grupo de 17 elementos químicos encontrados na natureza. Foto: Yara Ramalho/Rede Amazônica RR

A elaboração do estudo mobilizou especialistas de diferentes segmentos da academia, governo e setor produtivo, reunindo competências em geologia, mineração, processamento mineral, separação química, refino, metalurgia, ligas metálicas, ímãs permanentes, materiais avançados, sustentabilidade, economia circular, inovação, política industrial e geopolítica dos minerais críticos.

Leia também: Denis Minev defende na ACA investimentos em modernização no setor comercial para fazer à frente concorrência asiática

O documento do CGEE consolida contribuições técnicas de especialistas reconhecidos no setor, incorporando análises prospectivas orientadas à identificação de oportunidades, riscos e prioridades da cadeia produtiva no período 2026–2040, visando oferecer uma abordagem da cadeia de valor do minério e construir um mapa de caminho estratégico (roadmap) para o Brasil no horizonte proposto. O foco desloca-se da simples caracterização dos recursos minerais à compreensão dos desafios, oportunidades e decisões necessárias para que o país possa ampliar sua participação em segmentos de maior intensidade tecnológica e maior valor agregado.

O trabalho reuniu competências em mineração, processamento mineral, separação e refino, metalurgia, ligas metálicas, ímãs permanentes, materiais avançados, sustentabilidade, economia circular, política industrial, inovação e geopolítica dos minerais críticos.

Saiba mais: Pesquisadores identificam alta concentração de terras raras no interior de Roraima

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Pesquisa reúne imagens produzidas desde 1912 e ajuda a reconstruir a memória audiovisual de Rondônia

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Imagens raras ajudam a reconstruir memória de Rondônia. Foto: Divulgação/UNIR

O que as imagens produzidas há mais de um século podem revelar sobre a Rondônia de hoje? Essa é a pergunta que o projeto de pesquisa “Imagens de Rondônia no Século XX: Mapeamento, História e Análise”, da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) tem respondido para pesquisadores, estudantes e interessados pela memória audiovisual da Amazônia. O estudo, desenvolvido entre 2024 e 2026, mapeou e analisou filmes produzidos ao longo do século XX que registraram paisagens, povos e transformações do que é hoje o território rondoniense.

Coordenado pelos pesquisadores Juliano Araújo, da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), e Naara Fontinele, da Université de Picardie Jules Verne (França), o estudo identificou obras que atravessam diferentes períodos da história regional. Entre elas, estão registros realizados por Edgar Roquette-Pinto em 1912, imagens captadas por Silvino Santos na década de 1920 e produções que documentaram a ocupação da Amazônia nas décadas de 1970 e 1980.

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Para Juliano, parte significativa desse patrimônio audiovisual permanece pouco conhecida do público rondoniense.

“Quando começamos a pesquisa, percebemos que existiam muitas imagens produzidas sobre Rondônia, mas que estavam dispersas em arquivos, cinematecas e instituições de diferentes lugares. O desafio foi reunir esse material e compreender o que esses filmes dizem sobre a formação do estado e sobre a própria história da Amazônia”, explicou o pesquisador, frisando ainda que os “filmes mostram paisagens, modos de vida e processos históricos que marcaram profundamente a região” e que as obras “ajudam a entender como Rondônia foi vista em diferentes momentos e também como determinadas narrativas sobre a Amazônia foram construídas ao longo do tempo”.

Imagens resgatam memória, identidade e novas leituras

Imagens históricas chamaram a atenção de pesquisadores, estudantes e interessados em conhecer a memória audiovisual de Rondônia. Foto: Divulgação/Assessoria

Para Naara Fontinele, revisitar essas imagens é também uma forma de ampliar o debate sobre identidade e pertencimento. “Esses filmes não falam apenas do passado. Eles dialogam diretamente com questões que continuam presentes na Amazônia contemporânea. Quando revisitamos essas imagens, podemos enxergar novas camadas de significado e produzir outras interpretações sobre a memória de Rondônia”.

Leia também: Projeto artístico apresenta imagens de Rondônia do início do século XX

A pesquisadora ressaltou ainda a importância da preservação dos acervos audiovisuais. “Preservar filmes é preservar histórias, experiências e formas de ver o mundo. Sem esses registros, parte importante da nossa memória coletiva corre o risco de desaparecer”, finalizou.

No último dia 4 de agosto, a obra integrou a programação da 19ª edição do CINEAMAZÔNIA – Festival de Cinema Ambiental, realizado no auditório da UNIR. O evento reuniu pesquisadores, estudantes, realizadores e interessados em cinema para uma viagem pela memória audiovisual da Amazônia.

*Com informações da assessoria.

Pesquisadores usam extrato de planta amazônica para frear infecção em peixes

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Folha de pariri, planta amazônica investigada como fonte de compostos naturais contra bactérias resistentes. Foto: Acervo Pesquisadores

A biodiversidade amazônica pode ter a resposta para uma doença que acomete peixes e gera prejuízos para a aquicultura brasileira. Um estudo da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), publicado nesta sexta (7) na revista científica Brazilian Journal of Biology, aponta que, em testes laboratoriais, uma fração do extrato da folha de pariri (Fridericia chica) eliminou bactérias dos peixes com um desempenho superior ao de antibióticos comerciais.

Os testes laboratoriais avaliaram 54 isolados bacterianos recuperados de tambaquis de fazendas de criação da Ilha do Maranhão, provenientes de um quadro de aeromonose – uma infecção bacteriana que pode provocar hemorragias, úlceras e lesões de pele. O uso incorreto de medicamentos não autorizados nas águas de cultivo acelerou a seleção de linhagens multirresistentes da bactéria Aeromonas.

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Pesquisa foi realizada em bactérias extraídas de peixes tambaquis das fazendas de criação do Maranhão. Foto: Reprodução/Agência Bori

“A aeromonose é uma das principais causas de mortalidade na aquicultura brasileira”, explica Nancyleni Pinto Chaves Bezerra, médica veterinária e porta-voz da pesquisa da UEMA. “Surtos dessa doença causam prejuízos vultosos devido a interrupções na atividade produtiva, custos elevados com tratamentos, descarte de lotes e perda de competitividade no mercado”.

Descoberta pode ajudar a reduzir prejuízos na criação de peixes
Fracionamento através de partição líquida dos compostos presentes na planta. Foto: Reprodução/Agência Bori

Mas faltam opções de tratamento seguras. Não há nenhum antibiótico liberado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária que seja focado no tambaqui nativo (Colossoma macropomum), e a aplicação indiscriminada de antibióticos na água leva à evolução do patógeno oportunista, transformando tanques de piscicultura em incubadoras de superbactérias.

O processo desenvolvido pela equipe uniu a química de produtos naturais à microbiologia para isolar a ameaça e testar as folhas da planta pariri macerada, extraindo compostos com atividade direta contra a infecção.

Leia também: Pesquisadores de Mato Grosso buscam eliminar Salmonella em peixes híbridos tambatinga

Folha inibiu ação das bactérias nos peixes

Foto: Reprodução/Agência Bori

Como resultado, uma fração do extrato da folha fresca inibiu o crescimento das bactérias testadas mesmo em uma concentração muito baixa, superando o poder da gentamicina, um antimicrobiano padrão de amplo espectro.

“Esses resultados representam um passo inicial na bioprospecção de compostos bioativos no tratamento de uma doença que resulta em impactos tão severos”, destaca Nancyleni. “Poderemos confirmar essa fração como um composto poderoso contra isolados multirresistentes com a utilização de baixas concentrações, reduzindo a toxicidade e a sobrecarga de órgãos nos animais e sem causar danos ao meio ambiente.”

Para uma avaliação preliminar de toxicidade, os cientistas aplicaram a substância em larvas do inseto Tenebrio molitor. O teste in vivo registrou alta taxa de sobrevivência dos organismos nas concentrações mais baixas testadas, o que aponta para um perfil inicial de baixa toxicidade aguda no modelo utilizado. Os próprios autores ressaltam, porém, que esse tipo de teste com invertebrados terrestres oferece apenas uma indicação preliminar, e que a segurança do composto para organismos aquáticos e vertebrados ainda precisa ser confirmada em estudos futuros.

Os próximos passos da pesquisa incluem isolar e entender melhor os compostos responsáveis pelo efeito antimicrobiano, além de testar sua segurança em animais vertebrados — etapas necessárias antes que o extrato possa ser considerado uma opção viável para uso na aquicultura.

*Com informações da Agência Bori

Pesquisadores da USP analisam cerca de 100 amostras de argila em área com terras raras em RR

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Amostras de argila de área em Roraima são analisadas por pesquisadores da USP. Foto: Complexo Barreira/Reprodução

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) analisam amostras de argila coletadas no Complexo Barreira, em Caracaraí, no Sul de Roraima, para identificar quais elementos de terras raras existem na área, em que quantidade e onde estão concentrados.

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As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos estratégicos para a indústria de alta tecnologia. Eles usados na fabricação de baterias, turbinas eólicas, carros elétricos, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa. Entenda mais abaixo.

As amostras foram coletadas na mesma área onde pesquisadores da Universidade Federal de Roraima (UFRR) identificaram, em 2025, rochas e argilas com altas concentrações de terras raras. Agora, a equipe da USP analisa as argilas para avaliar o potencial da ocorrência mineral.

Nas áreas analisadas até agora pela USP, as concentrações variam entre cerca de 0,3% e 0,6%, enquanto depósitos desse tipo costumam registrar índices entre 0,01% e 0,3%, segundo os pesquisadores.

Leia também: Mineração urbana pode reduzir impactos ambientais da produção das terras-raras

Complexo Barreira em Caracaraí, no Sul de Roraima. Foto: Complexo Barreira/Reprodução

Cerca de 100 amostras passam por análises químicas da equipe da USP. O trabalho começou em janeiro de 2026 e inclui a extração das terras raras das argilas, a medição da concentração dos elementos e a separação deles.

Segundo o professor e doutor em Química da USP, Henrique Eisi Toma, o estudo está na fase de prospecção (investigação). Além de mapear a área, a equipe analisa cada amostra de argila para identificar os elementos presentes, medir concentrações e confirmar os resultados por meio de técnicas laboratoriais.

“Não é só um mapeamento, é um trabalho analítico muito cuidadoso, muito trabalhoso que é necessário para saber realmente se tem terra rara. Então, tem muito trabalho químico envolvido nesse processo. É um trabalho exaustivo, mas necessário”, explicou Toma.

Apesar do nome, as terras raras não são necessariamente escassas, e sim difíceis de separar e processar por terem propriedades químicas quase idênticas.

Análise da argila inclui tecnologia

Depois da etapa inicial de análise, os pesquisadores pretendem aplicar uma tecnologia de separação das terras raras desenvolvida pela USP e baseada em nanotecnologia.

A nanotecnologia é a criação e manipulação de materiais (nesse caso as terras raras de Roraima) em uma escala extremamente pequena, chamada nanométrica, que não pode ser observada a olho nu.

“Dominamos uma técnica de separação de terras raras que é única no mundo, ninguém mais sabe fazer isso. Ela é baseada em nanotecnologia. Então, a gente usando nanopartículas projetadas, trabalhadas para reconhecer terras raras, elas pegam as terras raras, separam, extraem e fazem um trabalho que, na ausência das nanopartículas, seria uma coisa quase que impossível de ser feita”, explicou.

O que são terras raras?

Amostras de argila de área em Roraima são analisadas por pesquisadores da USP.
Amostras de argila de área em Roraima são analisadas por pesquisadores da USP. Foto: Yara Ramalho/Rede Amazônica RR

As terras raras receberam esse nome no final do século XVIII e no início do XIX. Não é exatamente uma terminologia precisa: elas não são “terras” e nem tão “raras” assim na crosta terrestre. Trata-se de um grupo de 17 elementos químicos da Tabela Periódica. Fazem parte deste grupo:

  • Os 15 lantanídeos: elementos que vão do lantânio ao lutécio. Eles são “quimicamente pegajosos”: onde está um, geralmente estão todos os outros, o que torna a separação deles um dos maiores desafios da engenharia moderna.

O nome “lantanídeo” vem do primeiro elemento da fila, o Lantânio (do grego lanthanein, que significa ‘escondido’). É um nome muito apropriado, porque são elementos que ficam “escondidos” uns dentro dos outros nas rochas.

  • Escândio e ítrio: costumam aparecer associados aos lantanídeos e, por isso, também recebem o rótulo de “terras raras”.

O Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China. São 21 milhões de toneladas, o equivalente a 23% do total global, segundo o Ministério de Minas e Energia (MME).

*Por Rede Amazônica Roraima.