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Livro quadrilíngue sobre pesquisas com batata-doce conecta Amazônia ao Japão

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Foto: Bageense, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons

Da Amazônia ao Japão, a batata-doce atravessou culturas e desempenhou papel importante na alimentação de populações, inclusive em períodos marcados por conflitos e eventos climáticos extremos. Essa trajetória é contada no livro ‘Batata-doce: raízes que salvam vidas. Histórias da Amazônia à Hokkaido’.

Editada em quatro línguas – Português, Baniwa, Japonês e Inglês – , a obra aborda a história do alimento popular em todo o mundo misturando memórias afetivas, ciência e saberes tradicionais. O novo livro da Editora Inpa foi lançado nesta sexta-feira (2).

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A partir das experiências das autoras, Carina Silva Valencia-Baniwa e Kyoko Asano, o livro reúne histórias do Povo Baniwa do alto Rio Negro (AM), e japonesas, da ilha de Hokkaido, sobre o consumo da batata-doce e a importância histórica do tubérculo para as duas culturas. Em paralelo, duas realidades opostas à primeira vista, são conectadas por um ingrediente simples e cotidiano. 

Para Carina, o processo de construção do livro foi um momento de resgate de si mesma e aprendizado sobre sua cultura a partir de um alimento repleto de significado.

“Indescritível reencontrar uma parte de mim que estava guardada no tempo. No final fiquei muito feliz por ver a minha história registrada em um livro e poder compartilhá-la com o mundo”, conta.

O compartilhamento de memórias e experiências tendo a batata-doce como ponto de partida trouxe novas formas de ver e viver a Amazônia para Kyoko. “Sinto como se tivesse encontrado uma segunda terra natal. É uma sensação muito especial”.

‘Batata-doce: raízes que salvam vidas. Histórias da Amazônia à Hokkaido’ reconstrói a origem do alimento nas Américas Central e do Sul e como ele foi gradualmente sendo levado para outros pontos do planeta até chegar ao Japão. A batata-doce se tornou tão popular que já foi enviada ao espaço para pesquisas sobre sua utilização em cultivos espaciais. 

Publicado pela Editora Inpa, o livro é resultado da participação das autoras no projeto “Diálogos científicos multiculturais sobre a sociobiodiversidade na Amazônia com potencial bioeconômico”, financiado pelo CNPq, chamada PPBio 2023.

Livro quadrilíngue sobre pesquisas com batata-doce conecta Amazônia ao Japão

Amazônia Chibata

A obra integra a série Amazônia Chibata, que busca evidenciar a Amazônia como um território biocultural singular, a partir de perspectivas científicas e ancestrais. 

A série foi criada criada em 2024, pelas pesquisadoras do Inpa, Noemia Kazue Ishikawa, Ana Carla Bruno e Tiara Sousa Cabral e pelas egressas da PPG Agricultura no Trópico Úmido e PPG-Botânica, Ruby Vargas-Isla e Laura C.C. Leite. O primeiro volume da série fala sobre o Ariá.

Segunda Noemia Ishikawa, a série foi criada para  promover o diálogo entre as narrativas dos povos tradicionais e as narrativas acadêmicas. 

“Temos como  objetivo popularizar o conhecimento sobre a sociobiodiversidade amazônica dentro e fora da Amazônia, por isso [o livro] foi publicado em quatro línguas”, declara Ishikawa .

Leia também: Inpa e Musa inauguram exposição e lançam livro sobre cogumelos da Amazônia

O segundo volume da série Amazônia Chibata conta com prefácio de Eli Minev-Benzecry, primeiro autor do volume 1, posfácio do cineasta Estêvão Ciavatta Pantoja e da atriz e apresentadora Regina Casé, além de trazer uma apreciação do arqueólogo Eduardo Góes Neves. 

O exemplar físico da obra é comercializado pela Livraria Inpa, localizada na Editora Inpa, prédio 97, Campus I. No formato digital, o livro pode ser acessado gratuitamente via repositório do Inpa. 

*Com informações do Inpa

Seca já atinge 303 Terras Indígenas da Amazônia, sendo 23 em nível grave, aponta levantamento da Coiab

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Foto: Ricardo Stuckert/PR

“O verão chegou mais cedo; o Estado está em emergência”, afirma a liderança Sineia Wapichana, Coordenadora do Departamento de Gestão Territorial, Ambiental e Mudanças Climáticas do Conselho Indígena de Roraima (CIR), sobre o cenário atual das Terras Indígenas em Roraima, que, até agosto de 2026, concentrava 21 dos 23 territórios indígenas em seca grave identificados em levantamento recente realizado pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab). 

O avanço da seca já atinge 303 Terras Indígenas (um dos territórios abrange a jurisdição de dois estados, portanto na separação por UFs a contagem total de TIs é 303 e não 304) das 407 monitoradas pela Gerência de Monitoramento Territorial Indígena (Gemti) da Coiab, representando 74,4% destes territórios, uma extensão de aproximadamente 96,98 milhões de hectares na região amazônica. Estes resultados integram a nota técnica ‘Panorama territorial das secas nas Terras Indígenas da Amazônia Legal, 2023–2026’, elaborada pela organização a partir do cruzamento de 44 meses de dados do Monitor de Secas com os limites territoriais das TIs monitoradas. 

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Todos os estados brasileiros que compõem a Amazônia indígena já são afetados pela seca em diferentes níveis de intensidade e quantidade de áreas abrangidas, de acordo com os dados contabilizados no mês de agosto de 2026. Um total de 120 TIs está sob seca fraca, enquanto 160 estão sob seca moderada e 23 já sinalizam seca grave. Esta última classificação voltou a aparecer após seis meses sem incidência nas áreas indígenas analisadas. 

Os níveis de seca são separados por classe, a saber: S0 (seca fraca), S1 (moderada), S2 (grave), S3 (extrema) e S4 (excepcional); S2+ compreende S2, S3 e S4.

Das Terras Indígenas vinculadas ao estado de Roraima, 21 estavam em seca grave, 8 em seca moderada e 4 em seca fraca. No Acre, 30 estavam em seca moderada, 2 em seca fraca e 2 em seca grave. Já no Amazonas, 91 apresentavam seca moderada e 68 registravam seca fraca. Em Rondônia, 13 TIs estavam em seca moderada, enquanto no Tocantins 7 territórios apresentavam a mesma condição. O Pará tem 15 TIs em seca fraca e 12 em moderada. No Maranhão, 17 Terras Indígenas estavam em seca fraca, a mesma classificação das 5 TIs monitoradas no Amapá. Mato Grosso registrava 6 terras indígenas em seca fraca e 3 em moderada.  

Seca já atinge 303 Terras Indígenas da Amazônia, sendo 23 em nível grave, aponta levantamento da Coiab
Localização por UF das 23 TIs predominantemente em seca grave, agosto de 2026. Fonte: GEMTI/COIAB.

O resultado representa um sinal de agravamento territorial e reforça a importância da atualização contínua das informações, especialmente nos estados onde as classes de seca já apresentam maior intensidade. A série, entretanto, não permite afirmar que o episódio de 2026 atingirá a mesma extensão registrada em 2024, nem atribuir isoladamente as mudanças observadas ao El Niño. 

Os números sintetizam os possíveis impactos para as comunidades que enfrentam riscos como a redução dos níveis dos rios e igarapés, que compromete o abastecimento de água, a navegação e o acesso a serviços essenciais; o aumento dos incêndios florestais, inclusive em áreas de floresta anteriormente menos suscetíveis ao fogo; e a perda de roças, recursos pesqueiros e alimentos tradicionais, agravando a insegurança alimentar. 

“Fortalecer a capacidade de preparação, monitoramento e resposta dos territórios indígenas deixa de ser apenas uma medida preventiva e passa a ser uma estratégia fundamental para a proteção da vida como um todo” – Plano de adaptação e estratégia dos Territórios Indígenas da Amazônia brasileira para o El Niño e Eventos Climáticos Extremos.

Adaptando as terras indígenas

O relato de Sineia  foi apresentado durante o Webinar El Niño 2026-2027 e os riscos para os territórios indígenas da Amazônia brasileira, encontro virtual que reuniu a coordenação executiva da Coiab, a equipe técnica, lideranças indígenas e representantes de esferas governamentais para discutir os papéis do poder público, das organizações e das comunidades para a orientação, preparação territorial e recomendações para prevenção e resposta para as comunidades indígenas durante os períodos mais críticos do El Niño. Durante o evento, além da apresentação dos dados levantados no panorama, a Coiab também lançou o Plano de Adaptação dos Territórios Indígenas da Amazônia frente ao El Niño e Eventos Climáticos Extremos. 

O documento tem como objetivo orientar comunidades, associações, organizações indígenas e parceiros institucionais na adoção de medidas de preparação, monitoramento e resposta frente aos impactos do fenômeno El Niño 2026–2027, fortalecendo a proteção dos territórios indígenas da Amazônia brasileira.  

“Para além da problemática, o que a Coiab traz são alternativas para o enfrentamento aos impactos do El Niño nas comunidades indígenas, soluções construídas a partir da realidade dos territórios. Por isso, o compromisso da Coiab para com os povos indígenas da Bacia Amazônica traz essa corresponsabilidade de aplicar, junto às suas organizações de base, o plano de adaptação em nossos territórios”, declarou Anderson Tapuia, coordenador-secretário da Coiab, durante sua participação no webinar. 

Quem tem acesso ao plano de adaptação tem em mãos um manual com recomendações práticas e roteiros simplificados para o desenvolvimento comunitário de ações voltadas à proteção dos recursos hídricos, da segurança alimentar, da saúde comunitária, da vigilância territorial e de prevenção de incêndios, um apoio na construção de estratégias locais de enfrentamento aos eventos climáticos extremos nos territórios indígenas da Amazônia brasileira. 

Roteiro simplificado apresentado no documento distribuído pela Coiab para as comunidades construírem seus planos comunitários de preparação para o El Niño.

O documento visa subsidiar medidas de ação antecipada partindo dos próprios territórios e suas experiências acumuladas de anos anteriores. No entanto, respostas efetivas dependem da articulação de diversos atores sociais, cada um cumprindo suas responsabilidades específicas. Ou seja, o plano proposto pela Coiab fortalece a autonomia dos povos indígenas, mas a responsabilidade pela resposta não pode ser transferida às comunidades.

O plano deve ser um instrumento de articulação institucional e o poder público é quem deve garantir planos de contingência específicos, recursos antecipados, água, alimentos, medicamentos, transporte, prevenção ao fogo, proteção territorial e participação indígena nas decisões. 

“Os povos indígenas não são apenas atingidos pela crise climática. São parte central da resposta e precisam participar das decisões”, enfatiza Toya Manchineri, coordenador-geral da Coiab. 

Coiab responde em ações 

A análise da série histórica realizada pela Gemti permite acompanhar os períodos de agravamento e retração da seca, identificar as regiões mais atingidas e subsidiar as ações de preparação previstas no plano. O plano fortalece a capacidade de diálogo, planejamento e incidência das comunidades, contribuindo para que as demandas locais sejam apresentadas de forma objetiva e para que as ações de prevenção e resposta sejam realizadas com maior agilidade e efetividade, enfatiza Rosibel Baré, gerente de Monitoramento da Coiab. 

“Esse plano de adaptação traz ideias para fortalecer as bases de modo que consigam a implementação de políticas públicas de modo eficiente nos seus territórios. O material junta-se à cartilha, que traz essa visão de orientação para um preparo nos territórios, e assim a Coiab contribui na construção de planos locais, para que possam ter força e orientar de modo eficaz os serviços públicos que chegam às comunidades”, disse a gerente.

A Cartilha para enfrentamento do Super El Niño foi lançada durante a XV Assembleia Geral da Coiab, realizada em agosto deste ano, na Terra Indígena Karajá/Xambioá, em Tocantins. O material é parte da estratégia do plano de adaptação lançado e teve pelo menos 500 exemplares distribuídos para lideranças dos nove estados da Amazônia brasileira. 

Foto: Divulgação/Coiab

Leia também: Cartilha é lançada para enfrentamento do Super El Niño nos territórios indígenas 

Parte da equipe da gerência de monitoramento segura a Cartilha para enfrentamento do Super El Niño após o lançamento realizado na XV Assembleia Geral da Coiab.

Agora a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira chega a um novo momento: o desafio é levar esse material ao máximo de territórios possível, ampliando a eficiência do monitoramento e das respostas às comunidades, evitando, através de ações preventivas, um novo colapso nos territórios indígenas.

*Com informações da Coiab

Unidade demonstrativa de restauração com muvuca de sementes é instalada em Altamira, no Pará

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Participantes do I Encontro de Coletores da Amazônia viram de perto os primeiros resultados da semeadura das sementes coletadas pela muvuca de Sementes da Terra do Meio. Foto: Denise Santos Costa/ISA

“O objetivo principal dessa unidade demonstrativa é que se torne uma vitrine das técnicas de restauração aqui na região. Escolhemos estrategicamente o campo experimental da Embrapa, para que as pessoas que não conhecem possam acessar esse espaço que é bem mais perto da cidade”, afirma Miguel Gama, técnico em restauração ecológica do Instituto Socioambiental (ISA) sobre a unidade demonstrativa de restauração com muvuca de sementes nativas implantada em 26 fevereiro deste ano, cujos resultados já são visíveis.

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A semeadura aconteceu durante o dia de campo “Restauração ecológica com semeadura direta e muvuca de sementes”, no Campo Experimental da  Embrapa Amazônia Oriental, km 23 da BR230 em Altamira (PA).

Durante o evento, além de ver de perto o processo da restauração por muvuca, os convidados – entre eles Emater, Embrapa, universidades, estudantes, coletores de sementes, entre outros parceiros locais e empresas – também conheceram as ações que vêm sendo desenvolvidas na região pela Caminhos da Semente, Redário e Rede de Sementes Terra do Meio, iniciativas apoiadas pelo ISA. 

Altamira ganha unidade demonstrativa de restauração com muvuca de sementes
Convidados participaram da implantação da unidade demonstrativa experimental, entendendo como o método pode ser adaptado a diferentes formas de semeadura. Foto: Miguel Gama/ISA e Matheus Rezende/ISA

Leia também: Tecnologia acelera análise de sementes nativas na Amazônia

“Da teoria à prática, a gente foi para o campo, mostrar como é que é feito. Muitos participantes ainda não haviam tido contato direto com a muvuca, porque é uma coisa nova ainda aqui na região. Agora tem essa área, mais próxima deles, que podem visitar e acompanhar seu desenvolvimento”, continua Miguel.

Muvuca de sementes ajudará em monitoramento

Conforme Matheus Rezende, técnico em restauração ecológica (ISA), essa unidade também servirá para o monitoramento de indicadores ecológicos em futuros dias de campo.

“Discutimos diversas questões e dúvidas importantes sobre toda a cadeia da restauração com sementes, tornando a experiência ainda mais rica. Momentos como esses fortalecem a troca entre conhecimento científico, prática no campo e articulação multissetorial, essenciais para compreendermos tecnicamente a restauração ecológica com sementes, ampliando a restauração com qualidade e garantindo o sucesso dos projetos em diferentes ecossistemas”, finaliza.

O dia de campo experimental “Restauração ecológica com semeadura direta e muvuca de sementes” foi promovido pelo ISA, através das iniciativas Caminhos da Semente e Redário, em parceria com Embrapa Amazônia Oriental, Centro Capoeira e UFPA, com apoio financeiro da Fundação Bezos para a Terra.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Instituto Socioambiental, escrito por Andrea Ono

Operação Codajás: projeto busca garantir abastecimento de combustíveis durante seca na região Norte

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Foto: Divulgação/Transpetro

Desde a segunda quinzena de setembro, um comitê multidisciplinar formado pela Transpetro e Petrobras, com apoio da Marinha do Brasil, tem realizado a Operação Codajás, que visa garantir o abastecimento de combustíveis durante o período de seca dos rios na região Norte do Brasil.

A operação reúne medidas preventivas e ações logísticas voltadas a mitigar os impactos da vazante no transporte de combustíveis, em especial o Gás Liquefeito de Petróleo (GLP). A iniciativa também contribui para a continuidade do escoamento da produção de petróleo e gás natural proveniente do Polo de Urucu, garantindo a segurança energética local.

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Operação Codajás
Operação reúne medidas preventivas e ações logísticas para mitigar impactos da vazante no transporte de combustíveis, em especial o Gás Liquefeito de Petróleo (GLP). Foto: Divulgação/Transpetro

De acordo com o diretor de Transporte Marítimo da Transpetro, Jones Soares, a Operação Codajás foi acionada em meio ao cenário de tendência de redução dos níveis dos rios e de maior restrição à navegação nas próximas semanas.

“Os sinais observados pelo comitê multidisciplinar reforçam a importância do planejamento antecipado. Por isso, iniciamos as avaliações técnicas e operacionais necessárias para ampliar nossa prontidão logística. A Operação Codajás é um exemplo de como conhecimento do território, monitoramento contínuo e integração entre instituições são fundamentais para garantir que o gás de cozinha chegue à população do Norte de forma contínua, mesmo em cenários desafiadores”, afirmou Soares.

O Comitê da Vazante Amazônica monitora semanalmente condições climáticas, níveis dos rios e planejamento operacional e, de forma preventiva, avalia medidas para preservar a segurança e garantir a continuidade do transporte de produtos durante a vazante. O plano de contingência logístico prevê ações como a mobilização antecipada de recursos e o posicionamento estratégico de embarcações.

Leia também: Marinha do Brasil aumenta calado e reforça segurança da navegação na foz do Amazonas

Navios Darcy Ribeiro e Gilberto Freyre em operação. Foto: Reprodução/Transpetro

Navios em operação

Para a Operação Codajás de 2026, estarão disponíveis dois navios com dedicação exclusiva, os gaseiros Gilberto Freyre e Jorge Amado, além dos gaseiros Oscar Niemeyer, Barbosa Lima Sobrinho, Darcy Ribeiro e Lucio Costa e os petroleiros Sergio Buarque de Holanda, Romulo Almeida e José Alencar.

Além disso, o navio-tanque Epic Baluan será posicionado em Coari, para atuar como tancagem estendida, complementando a capacidade de armazenamento dos terminais da região. A estratégia contempla ainda o uso do convênio com a Marinha do Brasil para o acompanhamento dos navios e a sondagem dos trechos críticos durante o período de vazante.

Leia também: Monitoramento de pré-seca na Amazônia em 2026 ganha reforço e alerta do SGB

Operação completa 31 anos de atuação na Amazônia

Criada em 1995, a Operação Codajás completa 31 anos em 2026 como uma das principais ações logísticas voltadas à manutenção do abastecimento da Região Norte. Ao longo desse período, a iniciativa permitiu superar sucessivos desafios impostos pela dinâmica dos rios amazônicos.

Na seca histórica de 2024, considerada a mais severa da Amazônia em 74 anos, a operação transportou 16 mil toneladas de GLP para garantir o abastecimento regional. Já em 2025, mesmo sem a necessidade de adoção das medidas extraordinárias, a companhia manteve o monitoramento permanente e a prontidão operacional, onde ajudou a escoar mais de 60 mil toneladas de GLP e 129 mil m³ de petróleo.

Além desses feitos, a Operação Codajás mantém a contribuição para a continuidade da produção de petróleo e gás natural de Urucu, responsável por mais de 50% da geração de energia elétrica do estado do Amazonas.

Operação Codajás atua há 31 anos na Amazônia contribuindo para o transporte de combustível na região Norte. Foto: Divulgação/Transpetro

*Com informações da assessoria.

Idesam e APIAM ampliam acesso de territórios tradicionais à plataforma do MPF 

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Foto: Reprodução/Idesam

Em diferentes regiões do Amazonas, muitos territórios tradicionais inexistem em registros oficiais com informações sobre os espaços onde vivem, produzem, mantêm suas relações comunitárias e constroem seus modos de vida. A falta de informação, acesso à internet e equipamentos digitais estão entre as principais barreiras para que povos e comunidades tradicionais avancem no cadastramento de seus territórios na Plataforma Territórios Tradicionais, iniciativa do Ministério Público Federal (MPF). 

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Para apoiar esse processo, o Idesam e a Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Amazonas (APIAM) atuam por meio do projeto Territórios Vivos 02, realizado com apoio da GIZ. 

A plataforma permite que as próprias comunidades registrem informações sobre seus territórios a partir da autodeclaração. Hoje, cerca de 70 territórios do Amazonas estão cadastrados. A partir de dados do último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a equipe do projeto estima que aproximadamente 1,8 mil territórios no estado possam ser passíveis de cadastramento. 

O registro contribui para dar visibilidade à existência dessas áreas e reunir informações que podem subsidiar políticas públicas, ações de defesa de direitos e a atuação de instituições em contextos de conflitos territoriais. 

Para realizar o cadastro, qualquer integrante da comunidade pode iniciar o processo, desde que faça seu registro individual na plataforma, reúna as informações necessárias e articule o procedimento com as lideranças comunitárias. Também é necessária uma ata de autorização para formalizar a decisão da comunidade. 

Leia também: MPF volta a recorrer a tribunal para suspender perfuração de petróleo na Foz do Amazonas

Idesam e APIAM ampliam acesso de territórios tradicionais à plataforma do MPF 
Foto: Lincon Barbosa

A autodeclaração é um dos princípios centrais da plataforma. “Isso significa que não cabe às instituições determinarem quem pode ou não se reconhecer como ribeirinho, extrativista, indígena ou integrante de outro povo ou comunidade tradicional”, explica o consultor, Heitor Pinheiro.  

Esse entendimento está alinhado ao Enunciado nº 47 da 6ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal, que reconhece a legitimidade da autodeclaração dos territórios tradicionais, independentemente dos procedimentos de reconhecimento e titulação realizados pelo Estado. 

O cadastramento na plataforma não representa titulação da terra ou regularização fundiária. São processos diferentes. O registro funciona como um instrumento para reunir e dar visibilidade às informações declaradas pela própria comunidade sobre seu território, contribuindo para seu reconhecimento e para a atuação de instituições públicas. 

“Hoje, uma das principais barreiras para o cadastramento é a falta de informação e de equipamentos digitais para o acesso. Nosso papel é apoiar as comunidades para que elas conheçam a ferramenta, entendam o processo e consigam reunir as informações necessárias para registrar seus territórios”, afirma o consultor Heitor Pinheiro.  

Foto: Fabíola Abess

Apoio direto aos territórios

No âmbito do Territórios Vivos 02, a APIAM atua em escala estadual, enquanto o Idesam concentra sua atuação prioritariamente no Interflúvio Madeira-Purus, além de apoiar comunidades de outras regiões do Amazonas. 

A meta do Idesam é contribuir diretamente com o cadastramento de 20 territórios. Um deles já teve o processo realizado, e novas atividades estão previstas entre setembro e novembro. 

Durante as ações, as equipes apoiam as comunidades na compreensão da plataforma, na organização das informações e nas etapas necessárias para o cadastramento. 

Mais do que ampliar o número de registros, a iniciativa busca fortalecer a autonomia das próprias comunidades sobre as informações relacionadas aos territórios onde vivem e garantir que esses espaços possam ser cada vez mais reconhecidos e considerados na formulação de políticas públicas e na defesa de direitos. 

*Com informações do Instituto de Conservação e Desenvolvimento da Amazônia.

Amazônia teve segundo menor desmatamento de janeiro a agosto em oito anos

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Amazônia teve segundo menor desmatamento em oito anos. Foto: Reprodução/Greenpeace

A Amazônia Legal registrou a segunda menor área desmatada entre janeiro e agosto em oito anos, desde 2018. Conforme dados do instituto de pesquisa Imazon, que monitora a região por imagens de satélite desde 2008, foram derrubados 2.053 km² de floresta nos oito primeiros meses de 2026.

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Apesar de ser 2% superior ao registrado no mesmo período de 2025, essa área foi 74% menor do que a desmatada em 2022, quando foram destruídos 7.943 km² de floresta, a maior área desde 2008. A menor área devastada da série histórica ocorreu em 2012, quando a Amazônia registrou 714 km² de floresta derrubada.

“Olhar a série histórica é muito importante para entendermos que o Brasil já conseguiu reduzir significativamente a derrubada da floresta amazônica, mas ainda precisa de mais esforços para atingir a meta de desmatamento zero até 2030”, afirma Raíssa Ferreira, pesquisadora do Imazon.

Amazônia teve segundo menor desmatamento de janeiro a agosto em oito anos
Foto: Reprodução/Imazon

Leia também: Mais de 80% das áreas protegidas da Amazônia tiveram desmatamento zero no primeiro semestre

Apenas em agosto, foram desmatados 463 km² na região. Essa área foi 19% maior do que a registrada em 2025, mas também a segunda menor dos últimos oito anos, desde 2018. A menor área derrubada da série histórica de agosto ocorreu em 2008, quando foram destruídos 102 km², e a maior foi registrada em 2021, quando foram devastados 1.606 km².

Foto: Reprodução/Imazon

Entre os estados, os que mais desmataram entre janeiro e agosto foram Pará, Mato Grosso e Amazonas. Juntos, eles somam 83% da derrubada registrada na região.

EstadoJaneiro a agosto de 2025Janeiro a agosto de 2026Variação
Pará43762443%
Mato Grosso515477-7%
Amazonas538394-27%
Acre19925327%
Roraima1391444%
Maranhão629756%
Rondônia10151-49%
Tocantins2310-56%
Amapá13200%

Terras Indígenas registram apenas 1,6% do desmatamento

A meta brasileira de chegar ao desmatamento zero em 2030 pode ser atingida primeiramente nas terras indígenas da Amazônia, onde mais da metade dos territórios não registrou áreas de floresta derrubadas nos primeiros oito meses deste ano, de janeiro a agosto. Conforme dados do instituto de pesquisa Imazon, 246 terras indígenas tiveram desmatamento zero no período (63%), seguidas de 138 com derrubadas menores que 1 km² (35%) e apenas sete com desmatamento acima de 1 km² (2%).

No total, as terras indígenas registraram 32,25 km² de desmatamento de janeiro a agosto, o que corresponde a apenas 1,6% do registrado em toda a Amazônia. A segunda categoria territorial com menor devastação foi a de unidades de conservação. Nesses oito meses, as UCs registraram 192,8 km² de desmatamento, apenas 9% do registrado na região.

Leia também: Saiba o que são as Unidades de Conservação (UCs) e a importância delas para a Amazônia

Número que poderia ter sido menor caso a derrubada fosse contida na Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, que registrou 75,19 km² de floresta destruída, o que representa quase 40% de toda a área desmatada nas 333 UCs da Amazônia. Entre as unidades de conservação, apenas 22 tiveram derrubada superior a 1 km² (7%), 93 inferior a 1 km² (28%) e 218 desmatamento zero (65%).

TIs com desmatamento superior a 1 km² entre janeiro e agosto de 2026

TIEstadoÁrea desmatada (km²)
Cachoeira SecaPA3,24
Porquinhos dos Canela-Apãnjekra (reestudo)MA2,05
Sete de SetembroRO/MT1,84
Trincheira/BacajáPA1,7
Andirá-MarauAM/PA1,23
YanomamiAM/RR1,21
AripuanãRO/MT1,02

UCs com desmatamento superior a 1 km² entre janeiro e agosto de 2026

UCEstadoÁrea desmatada (km²)
APA Triunfo do XinguPA75,19
FLONA de AltamiraPA26,91
RESEX Chico MendesAC13,8
APA do TapajósPA7,87
FES do Rio GregórioAC6,1
RESEX Guariba-RooseveltMT5,65
FLONA do JamanximPA4,2
APA do Lago de TucuruíPA3,15
RESEX Alto JuruáAC2,98
APA Arquipélago do MarajóPA/AP2,55
FES do MognoAC2,44
FES do Rio LiberdadeAC2,24
RESEX Rio Preto-JacundáRO2,2
FES Afluente do Complexo do Seringal JurupariAC1,9
FES do AntimaryAC1,85
RDS AmanãAM1,69
APA Baixada MaranhenseMA1,66
REBIO do GurupiPA/MA1,61
APA das Reentrâncias MaranhensesPA/MA1,51
FES do ParuPA/AP1,47
FLONA de TeféAM1,42
REBIO do ManicoréAM1,17

Degradação cai 72% entre janeiro e agosto

Diferente do desmatamento, que é a remoção completa da vegetação, a degradação florestal, dano causado pelo fogo e pela extração madeireira, teve uma queda de 72% na Amazônia nos primeiros oito meses deste ano. A área degradada passou de 2.744 km² entre janeiro e agosto de 2025 para 779 km² entre janeiro e agosto de 2026.

Foto: Reprodução/Imazon

Apenas em agosto, a degradação passou de 559 km² em 2025 para 436 km² em 2026, uma queda de 22%. Os estados que mais degradaram em agosto foram Mato Grosso (47%) e Pará (32%). “Os números da série histórica de degradação têm variado mais do que os do desmatamento, que normalmente apresenta tendências de queda ou de alta ao longo de alguns anos. Na degradação, picos de queimadas podem aumentar significativamente a área atingida em alguns anos, o que demonstra o quanto tem sido desafiador combater o fogo na Amazônia”, explica Manoela Athaíde, pesquisadora do Imazon.

Foto: Reprodução/Imazon

*O conteúdo foi originalmente publicado no Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia.

OVNI foi investigado em Vilhena

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Documento sobre OVNI chegou a ser recebido em Manaus. Foto: Acervo pessoal/Júlio Olivar

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

Em 24 de março de 1990, Vilhena tinha pouco mais de 30 mil habitantes e um céu ainda sem poluição luminosa. Foi nesse céu, em pleno pôr do sol, que um comerciante do centro da cidade jurou ter visto um segundo sol. O relato, que por mais de 30 anos ficou carimbado como confidencial nos arquivos da Aeronáutica, agora vem à tona no Arquivo Nacional.

Às 18h30 daquele sábado, Wilson Volver Fermaier, 45 anos, dono de um supermercado na Avenida Major Amarante, 4177, saiu na porta do comércio e olhou para o horizonte. O que viu, segundo seu depoimento oficial, era “uma luz forte, maior que o tamanho do sol, cor amarelo para vermelho, com grande velocidade em sentido reto com o horizonte, deixando um rastro de fumaça que permaneceu por 1 min no céu após o choque com o solo”.

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Espantado, Fermaier procurou a TASA – Telecomunicações Aeronáuticas S/A, estatal que controlava as comunicações de voo no aeroporto local. O caso foi considerado grave o suficiente para subir na cadeia de comando. O Serviço de Proteção ao Voo de Porto Velho abriu procedimento de investigação de OVNI e aplicou ao comerciante o questionário padrão da Força Aérea Brasileira, com 24 perguntas.

O caso subiu para Manaus. Em 21 de maio de 1990, o tenente-coronel Armando Antônio Rodrigues, do Serviço Regional de Proteção ao Voo de Manaus, órgão ligado ao Ministério da Aeronáutica, enviou ofício ao chefe nacional do serviço relatando episódios "estranhos" no céu de Vilhena.
Relatório sobre investigação de possível OVNI chegou a ser enviado para Manaus. Foto: Acervo pessoal/Júlio Olivar

Nas respostas, Fermaier foi direto: o objeto era único, não voava em formação e não emitia som. Parecia “uma estrela descendo e quando se aproximava ficava mais forte”. Tinha “forma de luz forte”, “maior do que o sol que se apresentava próximo do horizonte”, “amarelo cor de fogo tendendo para o vermelho”. Deixou “rastro de fumaça igual dos aviões a jato”, mas numa “velocidade maior que a de um jato umas 100 vezes”, em linha reta.

A observação durou cerca de 30 segundos. A luz sumiu, mas a fumaça ficou por mais 60 segundos no céu limpo. Foi a olho nu. Fermaier disse que teve tempo de chamar duas testemunhas: a própria esposa e a esposa do promotor público da cidade. Calculou que a queda teria ocorrido a uns 50 km dali, na direção da Fazenda Chupinguaia.

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A Aeronáutica não arquivou o caso como delírio. O tenente Nena Mendes, da Polícia Militar de Rondônia, foi verificar in loco. Segundo o relatório, ele “esteve até bem próximo do local da suposta queda e não conseguiu prosseguir devido a mata ser de difícil penetração, porém colheu informação dos moradores que confirmaram as informações do Sr. Wilson”.

O caso subiu para Manaus. Em 21 de maio de 1990, o tenente-coronel Armando Antônio Rodrigues, do Serviço Regional de Proteção ao Voo de Manaus, órgão ligado ao Ministério da Aeronáutica, enviou ofício ao chefe nacional do serviço relatando episódios “estranhos” no céu de Vilhena.

O documento original, com o cabeçalho “RCC FV – Recebimento do Serviço”, foi assinado pelo 2º Sargento França em 2 de maio de 1990, em Porto Velho, com anotação de que os majores Ecildon e Edson foram informados e que o setor permaneceria de sobreaviso.

Como todos os casos de OVNI da época, o dossiê foi classificado e enviado ao acervo confidencial do Governo Federal. Só agora, com a política de abertura dos arquivos de objetos voadores não identificados, o “segundo sol de Vilhena” voltou a brilhar.

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Cidade de Vilhena, em Rondônia, já teve investigação sobre OVNI, mas caso não foi arquivado.
Vilhena foi palco de um caso de investigação sobre aparecimento de um OVNI na década de 1990, mas caso não avançou. Foto: Reprodução/Prefeitura de Vilhena

Relembre outro caso

Um ET para chamar de nosso: há 52 anos, Vilhena teria sido visitada por OVNI

Janeiro de 2026 marcou os 30 anos do episódio que entrou para o imaginário popular como o “ET de Varginha”. Em 1996, o suposto aparecimento de uma criatura em Minas Gerais dominou o noticiário nacional. De jornais sensacionalistas como o Notícias Populares à Rede Globo, o caso virou pauta obrigatória.

Para celebrar a data, a Globo lançou a série “O Mistério de Varginha”, reunindo depoimentos de testemunhas, ufólogos e militares. Disponível no Globoplay, o documentário trouxe tanto confirmações quanto desmentidos: o ufólogo Ubirajara Rodrigues declarou não acreditar mais no caso, enquanto as mulheres que afirmam ter visto a criatura mantêm sua versão. Varginha nunca mais foi a mesma — o turismo e a identidade da cidade se moldaram em torno do episódio.

Professor abduzido em São Paulo e abandonado em Vilhena

Mas 22 anos antes de Varginha, Rondônia já havia vivido seu próprio enigma. Em 1974, Vilhena ainda era uma vila de pouco mais de 300 habitantes, marcada por estradas precárias e noites sem energia elétrica.

Na manhã de um sábado, às 6h, o jovem professor de química paulista Fábio [sobrenome não divulgado] foi encontrado desacordado na Avenida Major Amarante. O detalhe intrigante: ele havia sido visto em São Bernardo do Campo (SP), a mais de 2.100 km dali, na noite anterior. De carro, a viagem levaria ao menos dez dias.

“Na noite anterior, nenhum avião aterrissou no município, segundo pesquisamos na base da Aeronáutica”, disse Gilberto de Barros Lima, que resgatou Fábio. O fato alimentou rumores de abdução. Com 28 anos e sem memória do ocorrido, Fábio virou personagem central de um mistério de repercussão nacional. Seu Fusca foi localizado em São Bernardo, estacionado diante de um banco, e os 320 cruzeiros que havia sacado permaneciam intactos no bolso.

Mistério sem explicação

O caso foi destaque na Folha de S. Paulo, na revista O Cruzeiro e até no Fantástico. Em plena era de fascínio pela ufologia, impulsionada pela chegada do homem à Lua em 1969, o episódio nunca foi esclarecido e acabou caindo no esquecimento. O repórter João Leite Neto, morto em 2023, trabalhava no Fantástico e chegou a gravar matéria sobre o caso, mas o professor não quis se manifestar. O arquivo da reportagem não foi encontrado.

O jornalista Lúcio Albuquerque, correspondente da Folha em Rondônia e um dos nomes mais respeitados da imprensa rondoniense, foi o primeiro a relatar o episódio nacionalmente, projetando Vilhena no mapa da ufologia.

Em 1998, o ex-administrador de Vilhena, Gilberto de Barros Lima, conhecido como “Prefeito Gilberto”, reacendeu o mistério em entrevista à Folha do Sul. Contou como encontrou Fábio caído, desorientado. O rapaz estava em plena avenida, tomada pela poeira, “mas com a camisa branca absolutamente limpa”.

Levado a uma farmácia, Fábio apresentava tontura e náuseas. No bolso, um número de telefone levou ao contato com a família, atônita com sua localização. No mesmo dia, foi levado de volta a São Paulo de avião, acompanhado pelos pais.

Gilberto morreu em 2018, levando consigo a dúvida que ainda paira sobre Vilhena: teria sido a cidade visitada por um extraterrestre?

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista.

Termo de Cooperação é firmado entre Moto Honda e Secretaria de Educação de Manaus para fortalecer iniciativas ambientais

Foto: Divulgação

A Moto Honda da Amazônia e a Secretaria Municipal de Educação de Manaus (SEMED) assinaram nesta quarta-feira (1º) um Termo de Cooperação para a implementação de um projeto voltado à educação ambiental para alunos da rede municipal de ensino, intitulado Pequenos Guardiões da Natureza. A cerimônia aconteceu na escola CIME Prof. Dr. José Aldemir de Oliveira e contou com a presença de representantes da empresa, da SEMED, além de professores e estudantes.

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O projeto integra as celebrações dos 50 anos da presença da Honda em Manaus, que comemora em 2026 o cinquentenário da produção local de motocicletas, e reforça a trajetória da empresa na promoção da sustentabilidade na região amazônica.

A parceria tem como objetivo promover a conscientização ambiental de crianças de 9 a 12 anos, estimulando práticas sustentáveis, o respeito à natureza, a valorização da biodiversidade amazônica e o exercício da cidadania ambiental por meio de experiências educativas e atividades práticas.

Em sua fase inicial, o projeto beneficiará crianças de oito escolas municipais entre outubro de 2026 e março de 2027. Nos anos seguintes, a iniciativa manterá o atendimento anual de aproximadamente 800 estudantes, totalizando cerca de 2.400 crianças impactadas até 2028.

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Termo de Cooperação é firmado entre Moto Honda e Secretaria de Educação de Manaus para fortalecer iniciativas ambientais
Foto: Divulgação

As atividades serão realizadas tanto nas unidades escolares quanto na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Dr. Daisaku Ikeda, administrada pelo Instituto Soka Amazônia, parceiro técnico da iniciativa.

“O projeto reflete o compromisso da Honda com a educação, a sustentabilidade e o desenvolvimento das comunidades onde atua. Nossa fábrica está instalada no coração da Amazônia, o que reforça nossa responsabilidade de contribuir para a preservação desse patrimônio único. Por meio dessa iniciativa, queremos incentivar a nova geração a compreender a importância da conservação ambiental e a atuar como agente de transformação para um futuro mais sustentável.”, afirma João Mezari, Head da Divisão Administração e Finanças da Moto Honda.

O programa será desenvolvido em duas etapas. A primeira acontece nas escolas participantes, com palestras imersivas, atividades educativas, entrega de kits e plantio de mudas nativas. Na segunda fase, os estudantes participarão de visitas guiadas à RPPN Dr. Daisaku Ikeda, onde terão contato direto com a floresta amazônica por meio de experiências práticas de educação ambiental.

Durante as visitas, os alunos conhecerão espaços como o laboratório de sementes, o meliponário, o mirante e a sumaúma centenária da reserva, além de participarem de atividades de reflorestamento e conservação ambiental. Ao longo da vigência do projeto, está previsto o plantio de até 120 mudas de espécies nativas.

Legado ambiental na Amazônia

A preservação ambiental faz parte da trajetória da Honda e orienta suas iniciativas voltadas à redução dos impactos ambientais de suas operações e à promoção do desenvolvimento sustentável nas comunidades onde está presente.

Em 2026, a empresa celebra importantes marcos de sua atuação ambiental na Amazônia: os 25 anos de operação da Estação de Tratamento de Efluentes da Moto Honda da Amazônia e os 20 anos da Reserva Particular do Patrimônio Natural, mantida pela empresa em Manaus.

Instalada na fábrica da Honda, a Estação de Tratamento de Efluentes é responsável pelo tratamento da água utilizada nos processos produtivos, refeitórios e sanitários da unidade, assegurando que os efluentes retornem ao meio ambiente dentro dos mais rigorosos padrões ambientais.

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Foto: Divulgação

Já a RPPN protege uma área de 16 hectares localizada no perímetro urbano de Manaus, contribuindo para a conservação da biodiversidade amazônica, dos recursos hídricos e de diversas espécies da fauna e flora da região.

Além dessas iniciativas, a Honda desenvolve programas voltados à redução, reutilização e reciclagem de resíduos, alinhados aos princípios da economia circular e da gestão responsável dos recursos naturais.

Honda: 50 anos de produção no Brasil

Fundada em 1976, a fábrica de Manaus tornou-se referência global em tecnologia, inovação, eficiência e responsabilidade ambiental, sendo atualmente a unidade mais verticalizada do grupo Honda no mundo.

A operação industrial desempenha papel estratégico na economia local e nacional e reflete a forte conexão da marca com os brasileiros, construída ao longo de cinco décadas com base em confiança, qualidade e compromisso com a mobilidade.

Estudo envolvendo isótopos de água pode auxiliar na previsão de secas na Amazônia

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Foto: Defesa Civil/AM

Desde a escola, aprendemos que a água é composta por dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio, formando assim as moléculas de H₂O. Cada átomo, por sua vez, possui uma quantidade específica de prótons e nêutrons. Quando temos átomos de um mesmo elemento, mas com número de nêutrons diferentes os chamamos de isótopos. Essa diferença altera também a massa do átomo, tornando-o mais leve ou mais pesado. 

É possível afirmar, portanto, que na atmosfera existem moléculas de água diferentes umas das outras. Algumas, com menor número de nêutrons, são mais leves e evaporam com mais facilidade. Outras, com mais nêutrons, tornam-se mais pesadas e acabam se condensando, formando chuvas. Ao analisar essa “impressão digital” da água, os cientistas conseguem compreender o caminho percorrido pela molécula durante os dias anteriores à sua coleta, obtendo informações relevantes sobre processos de evaporação e precipitação, por exemplo.

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Condições mais quentes e secas geram um ambiente propício para a formação de vapor na floresta amazônica, enquanto o clima úmido se relaciona à precipitação. Em cada uma dessas situações, a água da chuva traz isótopos enriquecidos ou empobrecidos, revelando eventos climáticos que podem ocorrer nos dias seguintes à coleta. Pense, por exemplo, na possibilidade dos cientistas coletarem uma amostra repleta de isótopos pesados: este cenário indica um ambiente com condições evaporativas aumentadas, o que pode apontar para um período de seca.

Essa correlação foi abordada em um estudo publicado na revista científica Hydrological Processes. No trabalho, pesquisadores da Unesp analisaram diariamente, ao longo de 2023 e 2025, a variação isotópica na região de Manaus por meio de duas abordagens principais: a primeira baseou-se nas trajetórias retroativas das massas de ar que incidem na região, enquanto a segunda focou na comparação entre os isótopos observados em condições atmosféricas recentes e passadas. 

O artigo faz parte do projeto de doutorado da aluna Rafaela Rodrigues Gomes no Programa de Pós-Graduação em Geociências e Meio Ambiente, no Instituto de Geociências e Ciências Exatas (IGCE) da Unesp, no câmpus de Rio Claro. Além de ajudar a esclarecer quais fatores atmosféricos estão associados à variação isotópica observada na região, o trabalho também constatou uma queda na precipitação e o aumento na temperatura, associados ao fenômeno do El Niño ocorrido durante o intervalo estudado. 

Além dos pesquisadores do IGCE, participaram do trabalho colegas do Centro de Isótopos Estáveis da Unesp, no câmpus de Botucatu, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), do Serviço Geológico do Brasil (SGB) e do Grupo de Hidrologia de Traçadores da Universidade do Texas, em Arlington, nos Estados Unidos. O projeto recebeu financiamento conjunto pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). 

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No período chuvoso, prevalecem isótopos leves 

Para elaborar a primeira parte do estudo, a equipe coletou 207 amostras de chuva entre março de 2023 e fevereiro de 2025, e reuniu dados de temperatura, volume de precipitação e umidade relativa do ar registrados ao longo do mesmo período. Os autores também associaram os eventos de chuva em Manaus a dois sistemas variáveis que incidem sobre a região, a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) e o Alta Subtropical do Atlântico Sul (ASAS). Durante o estudo, os cientistas conseguiram acompanhar, a partir dos isótopos, qual havia sido o trajeto da massa de ar que atingiu Manaus (AM) nos oito dias que antecediam a precipitação. 

O artigo aponta que para o período chuvoso da Amazônia, que vai de março a maio, a equipe observou que a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) – sistema meteorológico responsável por cerca de 30% da chuva global – influenciou diretamente no transporte da chuva que atingiu Manaus.

“A variação isotópica, nesse momento, era mais empobrecida, ou seja, apresentava uma maior quantidade de isótopos leves”, explicou a pesquisadora.

Segundo Rafaela, essas trajetórias associadas ao sistema úmido passavam por um efeito conhecido como rainout effect: as massas de ar saiam do oceano, chegavam ao continente e, conforme elas iam adentrando, se precipitavam. “Cada vez que essa massa precipita ao longo desse trajeto, ela vai perdendo isótopos pesados. Quando chega em Manaus, essa chuva já está esgotada em isótopos pesados, ou seja, ela tende a chegar com os isótopos mais leves”, exemplifica. 

No período seco, prevalecem isótopos pesados 

Durante o período seco, de junho a agosto, foi observada a movimentação da Zona de Convergência Intertropical (ZEIT) para o sentido Norte, ao mesmo tempo em que ocorreu um deslocamento climatológico da Alta Subtropical do Atlântico Sul (ASAS) – sistema de alta pressão associado a ventos secos – no sentido Oeste.

Segundo a autora principal do artigo, esse é um momento em que a ASAS é mais influente sobre a trajetória desse vapor que sai do oceano e chega seco ao continente. “Como esse vapor já chega seco, a gente não tem tanta perda desses isótopos pesados ao longo da trajetória continental, chegando a Manaus uma chuva enriquecida, ou seja, com mais isótopos pesados”, comenta Rafaela.

Além desse efeito em relação à quantidade de umidade desses dois sistemas, Rafaela comenta que há ainda um efeito local. “No período seco, como eu tenho condições mais quentes e menos umidade relativa, eu tenho mais evaporação durante a queda das gotas de chuva. Logo, os isótopos leves evaporam antes da chuva atingir o local de coleta e a amostra fica com mais isótopos pesados”.

Períodos com padrões indefinidos

De setembro a novembro, não foi identificado um padrão. Na verdade, os pesquisadores observaram uma correlação entre os sinais isotópicos e o volume de chuva registrada, descrevendo o ocorrido com base no Amount Effect (efeito de quantidade). Ou seja, chuvas mais volumosas estariam ligadas a um sinal isotópico mais leve, enquanto chuvas menos volumosas foram associadas a um sinal enriquecido. 

O último trimestre (dezembro, janeiro e fevereiro) foi considerado pelos cientistas como o mais complicado de entender. “Percebemos que existia uma correlação entre a convecção e a umidade. Na literatura, temos autores que descrevem essa fase de transição da Amazônia como um momento de alta atividade convectiva”, explica Rafaela. Essa atividade convectiva caracteriza os movimentos verticais intensos de massas de ar quente e úmido que dão origem a grandes nuvens e tempestades. 

A geógrafa explica que, em condições menos úmidas e com alta atividade convectiva, gera-se vapor de maneira acelerada tanto na evaporação da água que vai originar a chuva quanto das próprias gotas durante a precipitação. Ocorre, então, um enriquecimento isotópico. 

Em condições mais úmidas e com menor atividade convectiva, por sua vez, há uma relação com a correlação com a coluna total de vapor. “Quando eu tenho uma alta umidade nessa coluna atmosférica, ela pode ser relacionada com o retorno gradual da ZCIT e com o empobrecimento isotópico. A ZCIT começa a retornar para o Sul novamente em outubro, com sua posição máxima em maio, mas existe esse retorno gradual que a gente notou em dezembro, janeiro e fevereiro”, explica. 

Comparação histórica sugere alerta precoce para secas

Os resultados descritos acima são referentes à primeira análise feita pela equipe. Na segunda parte do estudo, os pesquisadores compararam os valores isotópicos recentes com dados históricos. Nessa etapa, o grupo formado pela Unesp, Inpa, SGB, entre outros, recuperou o trabalho que, no passado, foi conduzido por pesquisadores do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (Cena-USP) e da Agência Internacional de Energia Atômica (Iaea). 

Entre os anos de 1965 e 1990, pesquisadores dessas duas instituições realizaram análises semelhantes que consideraram a variação isotópica da chuva na Amazônia, mas o trabalho foi interrompido por falta de financiamento.

“Ao comparar as duas séries de dados, vimos que os valores isotópicos recentes eram significativamente mais enriquecidos; eles tinham mais isótopos pesados na chuva quando comparados com os dados históricos”, destaca Rafaela. 

A pesquisadora também apontou que a comparação entre os dois períodos revelou uma diminuição no “excesso de deutério”, um parâmetro utilizado para capturar condições de não-equilíbrio durante os processos evaporativos ou durante os eventos de chuva. Segundo Rafaela, no contexto do trabalho, um deutério menor indicou aos pesquisadores condições mais quentes e secas nos processos posteriores à queda das gotas de chuva. 

Os cientistas também observaram um déficit de mais de 30% nos níveis de precipitação, além de temperaturas que superavam em 1ºC as médias históricas. As condições quentes e secas observadas para os anos de 2023 e 2024 foram associadas ao El Niño e também ao aquecimento acima da média do Atlântico Norte, que gera um deslocamento anormal da ZCIT já descrito em literatura, embora a anomalia não tenha sido calculada no estudo atual.

“Essas anomalias oceânicas trouxeram condições mais quentes e secas, e vimos isso no sinal isotópico, que se mostrou mais enriquecido e com mais isótopos pesados devido ao aumento dessas condições evaporativas”, explica Rafaela. “Os isótopos revelaram, em especial em 2024, um alerta precoce da chegada dessa estação seca”, conclui. 

“Uma das coisas que precisamos entender hoje é como as mudanças climáticas intensificam o ciclo hidrológico. Não digo que o clima vai ficar mais chuvoso ou mais seco, mas sim que ficará muito mais variável”, explica Didier Gastmans, orientador do trabalho e coordenador do Laboratório de Recursos Hídricos e Isótopos Ambientais (LARHIA) da Unesp, câmpus de Rio Claro.

“Os isótopos, por representarem uma impressão digital da água, surgem como mais uma ferramenta que pode ser implementada em programas de monitoramento climatológico e hidrológico para entender exatamente esses processos apresentados no trabalho”, completa. 

Na perspectiva dos pesquisadores, entretanto, a análise isotópica não se aplica apenas à água da chuva. Ela pode ser utilizada também, por exemplo, para estudos que visem conectar a água subterrânea aos reservatórios superficiais. “Uma das missões do nosso laboratório é colocar na agenda da gestão ambiental e de recursos hídricos do país essa ferramenta barata e capaz de fornecer respostas relevantes para estudos hidrológicos”, explica Gastmans.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal da Unesp, escrito por Carolina Fioratti

Gente do Norte Empresas: saiba quem é Iraçu Colares

Foto: Reprodução/Amazon Sat

Luiz Iraçu Guimarães Colares, conhecido como Iraçu Colares, é um dos convidados do programa Gente do Norte- Empresas, exibido pelo canal Amazon Sat. Engenheiro agrônomo, produtor rural e ex-servidor público, ele construiu uma trajetória de mais de cinco décadas dedicada ao setor agropecuário e à produção de alimentos no Amapá.

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Natural do município de Amapá, no norte do estado, Iraçu cresceu em uma fazenda ao lado dos pais e dos nove irmãos. A experiência no campo desde a infância influenciou a escolha profissional e, posteriormente, a atuação como produtor rural.

Atualmente, mantém propriedades rurais em família no município de Amapá, onde trabalha com criação de gado bovino e búfalos. Para ele, a produção de alimentos ocupa um papel central no desenvolvimento da sociedade e da região amazônica.

“Todas as atividades são importantes para a vida, para o ambiente e a alimentação, no meu entendimento, é a primeira delas. Quem levanta pela manhã procura logo alimento para poder entrar em atividade. Então é o que nós fazemos, nós pecuaristas, nós agricultores, nós produtores rurais, nós pescadores, de um modo geral, que trabalhamos com a produção de alimento”, afirma.

Da infância na fazenda à formação em Agronomia

Iraçu passou os primeiros anos de vida em uma fazenda da família. O pai, Ernesto Pereira Collares, era cearense e chegou ao Amapá ainda criança, em 1917, trazido por um tio durante um período de seca no Nordeste.

Na fazenda, Iraçu acompanhou de perto a rotina dos pais e dos irmãos, e aos 11 anos, encerrou o ensino primário e se mudou para a cidade de Amapá para continuar os estudos. Depois, foi para Belém, no Pará, onde prestou vestibular para Engenharia Agronômica, concluindo a graduação em 1975.

Iraçu Colares
Foto: Reprodução/Amazon Sat

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A formação profissional, no entanto, não rompeu a relação com o campo.

“Retornava sempre nas férias, sempre lidando com a fazenda, acompanhando meus pais, ajudando no que fosse possível, com o tempo disponível”, relembra.

Mais de 50 anos dedicados ao agro

Após concluir a graduação, Iraçu retornou definitivamente ao Amapá e passou a atuar profissionalmente como engenheiro agrônomo. Ao longo da carreira, ocupou diferentes funções no setor público e participou de atividades relacionadas ao desenvolvimento da agricultura e da pecuária no estado.

Entre as funções exercidas, esteve a de secretário de Agricultura e secretário executivo da então Associação de Crédito e Assistência Rural do Amapá, a ACAR, instituição que posteriormente passou a integrar a estrutura do Instituto de Extensão, Assistência e Desenvolvimento Rural (Rurap).

A atividade profissional também levou Iraçu a conhecer diferentes regiões do Brasil. 

“Viajei por conta da atividade, conheci o Brasil todo, praticamente, participei de grupos de movimentos de produtores rurais para fora do estado, para Minas e São Paulo, para conhecer um pouco da pecuária de outras regiões do país, para tentar colocar algumas modernidades, algumas novidades tecnológicas”, explicou o pecuarista. 

De acordo com Iraçu, essas experiências ajudaram a acompanhar as transformações ocorridas ao longo das últimas décadas. Segundo ele, o setor passou por um processo de modernização, com novas instalações, procedimentos e tecnologias, como a inseminação artificial.

Produção de alimentos

Na atividade privada, Iraçu mantém propriedades rurais em parceria com a família no município de Amapá. Uma delas está localizada na região de Costeira, em frente à Ilha do Maracá, onde são criados búfalos e gado bovino. Em outra propriedade, próxima à cidade de Amapá, a criação é voltada principalmente para o gado bovino.

A produção, segundo Iraçu, representa uma contribuição para o abastecimento da população e para a economia local. “Como eu sou, entre tantos outros, na região Amazônica, produtor de alimentos, eu classifico como de grande importância a nossa atividade para o desenvolvimento econômico e social da nossa região”, afirma.

Foto: Reprodução/Amazon Sat

Atualmente, a atividade conta com cerca de seis a oito trabalhadores permanentes, além de funcionários contratados de acordo com a necessidade das propriedades.

“Mas é, digamos assim, eu quantifico pela quantidade do que tem de pecuária no Estado, pela quantidade do que tem de produção de animal no Estado, que faz com que a gente entenda e quero que as pessoas entendam também o quanto é importante a nossa atividade na produção de alimentos”, explica Iraçu.

Os desafios para produzir no Amapá

Apesar das transformações tecnológicas no setor, Iraçu aponta alguns desafios que, na avaliação dele, ainda dificultam o desenvolvimento da atividade agropecuária no Amapá. Entre eles estão a regularização fundiária e a segurança jurídica das propriedades. 

Segundo o produtor, a ausência de regularização dificulta o acesso a recursos financeiros destinados ao desenvolvimento das atividades rurais.

“Esse é o grande desafio, mas é o grande benefício que nós fornecemos para a sociedade. Nós temos ainda alguns gargalos no Brasil e aqui no Amapá em particular, que é a questão da segurança jurídica. Nós temos a questão da regularização fundiária não concluída”, afirma.

Para Iraçu, a regularização das propriedades é importante para que os produtores possam acessar linhas de financiamento e investir na modernização das atividades. “Enquanto não tivermos a questão da regularização fundiária concluída, para nos garantir segurança jurídica, para nós buscarmos os recursos financeiros junto às casas bancárias que existem para isso, é difícil desenvolver atividade”, explica.

A relação com a Amazônia  

A relação de Iraçu com a atividade rural também influencia a maneira como ele enxerga a Amazônia. Para o produtor, um dos principais desafios é compreender que a região não possui uma realidade única.

“A Amazônia é uma ilustre desconhecida, essa que é a grande verdade. E a Amazônia não é um todo. Cada estado, cada município tem a sua peculiaridade, e essas diferenças são fundamentais no desenvolvimento de qualquer atividade que se queira na região”, afirma.

Foto: Reprodução/Amazon Sat

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Segundo ele, as diferenças climáticas, geográficas e econômicas entre os estados precisam ser consideradas na formulação de políticas públicas e no desenvolvimento das atividades econômicas.

“Quando aqui para nós o sol está, como está agora, mês de setembro, outubro, escaldante, lá em Roraima, bem pertinho de nós, dois mil quilômetros, está chovendo. Então são coisas diferentes que têm nessa Amazônia. Então enquanto as autoridades não perceberem que essas diferenças são fundamentais no desenvolvimento de qualquer atividade que se queira na região, a gente vai ter inúmeras dificuldades”, destaca.

Lugares marcantes no Amapá 

A história de Iraçu também está relacionada a um espaço que hoje faz parte da área urbana de Macapá. “Na realidade, quando eu sugeri a produção que fosse uma parte feita aqui, na Praça Jacy Barata Jucá, é porque aqui onde nós estamos exatamente foi uma vacaria que foi adquirida pelo meu pai e nós produzíamos leite aqui em Macapá”, explica Iraçu.

Foto: Reprodução/Amazon Sat

“Eu entreguei leite na cidade. Na vacaria nós tínhamos uma charrete que eu saía de manhã, sete horas da manhã, com os botijões de leite, levava e ia até próximo ao aeroporto fazer a entrega”, relembra.

Iraçu Colares é um dos convidados do programa Gente do Norte – Empresas, transmitido pelo canal Amazon Sat. Assista: