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Facções no Amazonas mantêm domínio dos rios e expandem poder na floresta, alertam especialistas

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Polícia apreende fuzil e mais de 2,5 toneladas de droga no interior do AM. Foto: Foto: Natália Póvoas/Rede Amazônica AM

Uma sequência de operações integradas entre as Forças de Segurança Estadual e Federal resultou na prisão de 1.902 pessoas e provocou um prejuízo estimado em R$ 263,48 milhões ao crime organizado no Amazonas entre 2024 e 2026. Apesar do cerco financeiro e do volume de apreensões, especialistas alertam que as facções continuam dominando calhas de rios e expandindo sua influência territorial.

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Os números de facções fazem parte do balanço elaborado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), por meio da Diretoria de Inteligência e Operações Integradas (Diopi).

Segundo o relatório, nesses dois anos, o Governo Federal investiu R$ 265 milhões em recursos diretos no estado para modernizar a infraestrutura, adquirir equipamentos e apoiar ações ostensivas de combate ao narcotráfico.

De acordo com o levantamento, a atuação conjunta entre os governos buscou bloquear os corredores logísticos estratégicos usados para a circulação de ilícitos na Amazônia. Entre os resultados contabilizados no período estão:

  • 20 operações estratégicas deflagradas e 139 mandados de prisão cumpridos;
  • 457.946 ações ostensivas e 164 operações de inteligência executadas;
  • 9,1 toneladas de drogas apreendidas e 48,8 toneladas incineradas;
  • 471 armas de fogo e 56 veículos confiscados;
  • 72 toneladas de minério ilícito recolhidas.

Leia também: Facções transformam crimes ambientais em nova fronteira do poder no Amazonas

Facções no Amazonas mantêm domínio dos rios e expandem poder na floresta
Facções no Amazonas mantêm domínio dos rios e expandem poder na floresta. Foto: Lucas Macedo/Rede Amazônica AM

O relatório aponta ainda o repasse de R$ 1,21 milhão em materiais estruturantes, incluindo sete drones, sete viaturas operacionais, munições e softwares de extração de dados, além do treinamento oferecido a mais de 90 agentes de segurança no estado.

Duas grandes operações aconteceram recentemente. Em maio, as Forças Armadas interceptaram mais de 15 toneladas de drogas durante a Operação Ágata Amazônia, realizada na faixa de fronteira do estado com o Peru e a Colômbia. A maior parte da droga, cerca de 14 toneladas de maconha do tipo skunk, estava escondida às margens do Rio Javari.

A outra aconteceu em julho deste ano, quando forças de segurança apreenderam mais de 2,5 toneladas de cocaína e um fuzil com munições nas proximidades do município de Codajás, no interior do Amazonas.

Gargalos estruturais e domínio fluvial

Apesar dos aportes milionários e das prisões, analistas de segurança ressaltam que o prejuízo financeiro acaba sendo absorvido pelo crime organizado como custo operacional frente aos lucros do setor.

Para o cientista político e historiador Joel Paviotti, as facções continuam agindo com força justamente onde a presença do Estado não é frequente.

“As principais dificuldades têm relação com a histórica falta de investimento em estrutura que possa possibilitar a alocação e facilitar o trabalho da polícia e das Forças Armadas. Não há como fazer segurança pública sem muito dinheiro investido. A falta de integração entre forças policiais e Forças Armadas também tem sido apontada como um dificultador para o combate ao crime organizado”, avalia Paviotti.

Facções no Amazonas mantêm domínio dos rios e expandem poder na floresta. Foto: Reprodução//Rede Amazônica AM

O especialista explica que a extensão das rotas dificulta a contenção do tráfico de cocaína pela calha do Rio Solimões até os grandes centros e o exterior.

“Essas rotas são gigantescas e o efetivo das Forças Armadas e da Polícia Federal não dá conta de mapear, fiscalizar e conter a quantidade de drogas transportada pelos grupos criminosos. Também existe a corrupção. A venda de cocaína gera lucros enormes, o que sustenta todo um sistema de corrupção que, inclusive, dificulta o trabalho do pouco efetivo policial que o Brasil dispõe para fiscalizar uma área gigantesca”, afirma.

Disputas por rotas e a nova fronteira dos crimes ambientais

Levantamentos feitos pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que a atuação das facções na região está mais complexa:

  1. Disputa territorial: Com o colapso da facção Família do Norte (FDN), o Comando Vermelho (CV) assumiu posição dominante na Rota do Solimões e trava confrontos com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A disputa abrange a tríplice fronteira (Brasil, Colômbia e Peru), a cooptação de comunidades ribeirinhas e alianças com grupos armados estrangeiros.
  2. Avanço sobre o meio ambiente: Para além do narcotráfico, organizações criminosas avançaram sobre a exploração ilícita da floresta em um “sistema híbrido”. O garimpo ilegal, a extração de madeira, a grilagem e o tráfico de ouro são utilizados como instrumentos diretos de lavagem de dinheiro e como moeda para financiar a compra de drogas e armas nas fronteiras.
Facções no Amazonas mantêm domínio dos rios e expandem poder na floresta. Foto: Divulgação

O que diz o poder público

Em entrevista, as Forças Armadas afirmaram que atuam de forma subsidiária e integrada no combate a crimes ambientais e em região de fronteira, destacando que as Operações Ágata e ações de patrulhamento fluvial e aéreo na tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia reforçam a presença do Estado e o controle de rotas do tráfico.

*Por Lucas Macedo, da Rede Amazônica AM

Seca no Amazonas: quatro trechos de rios terão dragagem para evitar problemas na navegação

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Dragagem no Rio Amazonas é alvo de ação do MPF. Foto: Divulgação

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) vai iniciar, na primeira quinzena de setembro, obras de dragagem em quatro trechos de rios no Amazonas. A medida visa garantir a navegação de barcos e o transporte de passageiros e mercadorias durante o período de estiagem no estado.

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As ordens de serviço já foram assinadas e a mobilização de equipes e equipamentos está em andamento. As intervenções fazem parte do Plano Anual de Dragagem de Manutenção Aquaviária (PADMA), que prevê contratos com duração de cinco anos para ações preventivas contínuas.

Os trabalhos de remoção de areia e desobstrução do leito dos rios serão realizados nos seguintes trechos:

  • Benjamin Constant a São Paulo de Olivença;
  • Tabatinga a Benjamin Constant;
  • Coari a Codajás;
  • Manaus a Itacoatiara.

Leia também: Empresas de navegação anunciam cobrança da ‘taxa da seca’ no Amazonas; valor pode chegar a R$ 9,7 mil

4 trechos de rios terão dragagem para evitar problemas na navegação
Foto: Divulgação/Prefeitura de Benjamin Constant

Escolha dos locais para dragagem

Segundo o Dnit a escolha dos locais foi definida com base no monitoramento periódico dos rios sob responsabilidade do órgão, o que permite mapear pontos críticos antes do agravamento da seca.

Para a realização dos serviços, as equipes utilizarão o método de sucção e remoção de sedimentos. Já no trecho entre Manaus e Itacoatiara, o departamento empregará uma embarcação especial do tipo draga Hopper, adequada para grandes volumes de resíduos.

*Com informações da Rede Amazônica AM

MPF divulga que condenações somam R$ 893 milhões em três anos de atuação ambiental na Amazônia

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Ofícios do MPF especializados em meio ambiente na Amazônia Oriental chegou a mais de 70% em 2026. Foto: Reprodução

Desde agosto de 2023, o Ministério Público Federal (MPF) obteve um total de R$ 893 milhões em condenações em processos cíveis por infrações ambientais cometidas no bioma amazônico do Pará, Amapá e Mato Grosso. Os processos cíveis são ações que podem resultar em decisões judiciais para obrigar responsáveis por danos ambientais a pagar valores, reparar prejuízos ou cumprir outras medidas determinadas pelo Judiciário.

Além das condenações pelos pagamentos, as decisões cíveis obtidas pelos Ofícios da Amazônia Oriental (Ofamor) do MPF também determinaram medidas de reparação ambiental, como a recuperação de áreas desmatadas e a suspensão de Cadastros Ambientais Rurais, os CARs.

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O levantamento reúne os resultados da atuação cível dos Ofamor em seus três primeiros anos de funcionamento. No período analisado, foram registrados 941 resultados cíveis. Desse total, 593 foram decisões favoráveis aos pedidos do MPF, o que corresponde a 63% dos casos. Também houve 43 acordos.

A atuação cível é a área do Ministério Público voltada à proteção de direitos coletivos, sem tratar diretamente de punições criminais. Em temas ambientais, ela pode resultar em condenações como ações judiciais, acordos, pedidos de reparação de danos e outras medidas para corrigir irregularidades e proteger o interesse público.

Suspensão dos CARs

Além da obrigação de pagamento de valores, outra medida determinada nas condenações foi a suspensão de Cadastros Ambientais Rurais (CARs). O CAR é um registro público eletrônico, obrigatório para imóveis rurais no Brasil. Ele reúne informações ambientais sobre propriedades e posses rurais, como áreas de preservação permanente, reserva legal, remanescentes de vegetação nativa e áreas consolidadas.

Leia também: Nova lei de licenciamento ambiental ameaça Unidades de Conservação no Amazonas, apontam especialistas

Amazonia
Amazônia. Foto: Fabio Nascimento/Greenpeace

A suspensão do CAR pode ser determinada quando há irregularidades relacionadas ao imóvel rural, ao uso da área ou à proteção ambiental. Na prática, a medida busca impedir que registros com problemas sejam usados para dar aparência de regularidade a áreas com danos ou pendências ambientais.

Números das condenações

Os dados também apontam evolução na taxa de sucesso da atuação cível dos ofícios ambientais do MPF na Amazônia Oriental. No levantamento, foram considerados resultados de sucesso: decisões favoráveis e acordos. Em 2023, primeiro ano do período analisado, a taxa estava em patamar próximo a 50%. Na média dos três anos, a taxa atingiu 68% dos resultados. Em 2026, a taxa de sucesso supera 70%, considerando decisões favoráveis e acordos.

Arte: Reprodução/MPF

O crescimento aparece também no detalhamento por ano. Em 2023, foram 143 resultados. Em 2024, os ofícios especializados registraram o maior número absoluto do período, com 355 resultados. Em 2025, houve 317 resultados, com percentual de decisões favoráveis superior a 70%. Em 2026, embora o levantamento ainda seja parcial, o percentual de decisões favoráveis ao MPF chegou a 74,58%.

Entre os 43 casos encerrados por acordo, 23 foram Termos de Ajustamento de Conduta, conhecidos como TACs, e 3 foram Acordos de Não Persecução Cível, os ANPCs. O TAC é um acordo celebrado pelo Ministério Público com a pessoa, empresa ou órgão responsável por violar ou ameaçar um direito coletivo. O objetivo é corrigir a irregularidade e evitar ou encerrar uma disputa judicial.

O ANPC é um acordo previsto na legislação para casos relacionados à prática de ato de improbidade administrativa. Ele pode ser celebrado entre o Ministério Público e os responsáveis pelo ato, conforme as regras aplicáveis.

Leia também: Garimpo ilegal no Amazonas: MPF pede que Justiça obrigue órgãos a atuar de forma integrada

Ofícios com atuação regional na Amazônia

Os Ofícios da Amazônia Oriental são ofícios socioambientais de atribuição regional criados pelo MPF. Eles atuam em matéria ambiental na área da Amazônia Legal nos estados do Pará, Amapá e Mato Grosso. A estrutura foi criada por portaria do procurador-geral da República em maio de 2022, que também instituiu os Ofícios da Amazônia Ocidental (Ofamoc).

Os cinco ofícios da Amazônia Oriental abrangem Pará, Amapá e Mato Grosso. Já os cinco ofícios da Amazônia Ocidental abrangem Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima. Essas estruturas foram somadas à atuação socioambiental que o MPF já mantinha nesses estados.

De forma resumida, os Ofamor atuam em procedimentos cíveis e criminais relacionados a autos de infração de órgãos ambientais, ações civis públicas ambientais padronizadas e ações vinculadas ao Projeto Amazônia Protege. Também estão entre as atribuições mandados de segurança e outros incidentes ligados a procedimentos administrativos ambientais.

Em Mato Grosso, a atribuição dos ofícios socioambientais da Amazônia Oriental fica restrita aos municípios do bioma amazônico. As regiões dos biomas Cerrado e Pantanal permanecem sob atribuição dos ofícios locais.

Território quilombola Cachoeira Porteira, em Oriximina. Foto: Antônio Silva/Agencia Pará

Casos que envolvam ameaça ou violação de direitos coletivos de povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais, extrativistas, ribeirinhos, trabalhadores rurais, pescadores artesanais ou outros grupos com modo de vida tradicional são analisados conforme as regras específicas da portaria. A depender da situação, pode haver remessa aos núcleos vinculados à Câmara de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais do Ministério Público Federal (6CCR/MPF) e à Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão.

Queda no desmatamento

O período de atuação dos Ofícios da Amazônia Oriental também coincide com uma trajetória de redução dos índices de desmatamento na Amazônia Legal registrada pelos sistemas de monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Segundo os dados consolidados mais recentes do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), a taxa anual passou de 9.064 km² no ciclo encerrado em julho de 2023 para 6.518 km² em 2024 e 5.731 km² em 2025. Entre 2023 e 2025, a redução acumulada foi de aproximadamente 37%. O dado de 2025 representa queda de 12,07% em relação ao ano anterior.

Os indicadores mais recentes também apontam continuidade dessa tendência. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, o Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), registrou 2.874,38 km² sob alertas de desmatamento na Amazônia. A área foi 36% menor que a observada no ciclo anterior e corresponde ao menor valor da série atual do sistema para o período.

Nos estados abrangidos pelos Ofícios da Amazônia Oriental, os dados mais recentes do Deter indicaram redução de 25,5% nas áreas sob alerta no Pará e de 49% em Mato Grosso entre agosto de 2025 e julho de 2026. No levantamento anual consolidado do Prodes referente a 2025, o Amapá apresentou redução de 37,04% no desmatamento em relação ao período anterior. Mato Grosso havia registrado aumento de 26,73% naquele ciclo anual, antes da queda observada nos alertas do Deter no período seguinte.

Os dois sistemas têm funções diferentes. O Deter produz alertas para orientar ações de fiscalização, enquanto o Prodes realiza o levantamento anual de maior precisão e fornece a taxa oficial de desmatamento. Por isso, os dados de 2026 do Deter indicam a tendência mais recente, mas não substituem a futura taxa anual do Prodes.

*Com informações do MPF

Rede Amazônica celebra 54 anos: “valorizar as pessoas acima de tudo”

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Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

O ano de 2026 marca o aniversário de 54 anos do Grupo Rede Amazônica (GRAM). Neste 1º de setembro, a rede, consolidada como a maior rede de comunicação e afiliada da Rede Globo na Região Norte, celebra um novo ano em sua trajetória na Amazônia. Após a tradicional Missa de Ação de Graças, foi realizado o descerramento da placa oficial de aniversário, com a mensagem que guia o novo ano que se inicia para grupo.

“Chegar aos 54 anos é uma grande vitória pra qualquer empresa, mas o que é mais importante é o trabalho que a gente tenta fazer. Eu acho que temos cumprido bem, que é ter esse trabalho focado nas pessoas, seja nos nossos colaboradores, seja nos amazônidas de uma maneira geral. É isso que nos leva a chegar aos nossos objetivos, é o que nos inspira, é isso que define o nosso futuro”, declarou o CEO do GRAM, Phelippe Daou Junior.

Para o CEO, a empresa tem um propósito profundo definido pelos fundadores há 54 anos: “é capaz sim de superar dificuldades, de vencer desafios, se adaptar aos novos tempos e ter a cada dia mais o amazônida na sua agenda, no seu dia a dia. Como é que a gente pode ajudá-lo? Como é que a gente pode transformá-lo?”.

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Rede Amazônica celebra 54 anos: "valorizar as pessoas acima de tudo"
Foto: Divulgação/Grupo Rede Amazônica

E é sobre seguir se adaptando, transformando, mas com foco em seu povo que a frase criada para celebrar o 54° aniversário, uma tradição iniciada pelo jornalista Phelippe Daou, revela que para este ciclo o grupo investe na Amazônia como uma referência para o futuro:

“A Amazônia é o nosso propósito. Que o nosso legado seja uma referência para as futuras gerações” – diretora-presidente da Fundação Rede Amazônica (FRAM), Cláudia Maria Daou Paixão e Silva.

Criadora da frase que norteia o ano que começa, Claudia destaca a paixão pela região como grande legado dos fundadores e valorização dos colaboradores.

“Eu acho que o primeiro lugar é a paixão que ele [Phelippe Daou] passou para nós, que os fundadores passaram para nós, principalmente pelo nosso pai. A paixão pela região, a paixão por fazer, a paixão por criar, a paixão por desenvolver e principalmente desenvolver as pessoas. E quando a gente fala da Amazônia, a gente fala dos rios, a gente fala das florestas, a nossa fauna, a nossa flora que é muito rica, e, claro, as pessoas que aqui vivem”, defendeu.

“Eu acho que nós aprendemos exatamente isso com o nosso pai: valorizar as pessoas acima de tudo. Porque a gente contribui para o desenvolvimento, mas e as pessoas que aqui estão? Eu acho que nosso legado se mistura com essa missão de valorizar, de desenvolver, de passar os nossos princípios, os nossos valores com essas pessoas para que elas tenham dignidade, para que elas tenham oportunidades. Eu sempre falo também para que elas tenham vontade, caso forem fazer algum curso fora, tenham vontade de voltar, para que o que elas aprenderem fora, possam contribuir para o desenvolvimento da região”, completa.

Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia
Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia
Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Homenagens

Em um novo momento, desde os 50 anos, o GRAM vem realizando o reconhecimento pela contribuição de seus colaboradores. Neste ano, homenagens foram feitas para quatro colaboradores que fazem parte do grupo há mais de 20 anos: Valdejane Lopes de Brito, do setor de Programação; Mariane Cavalcante, da Fundação Rede Amazônica (FRAM); Raimundo Cardoso do Nascimento, do setor de Transporte; e Francisco Beto de Souza, do setor de Jornalismo.

Cinegrafista, Valdejane agradeceu a homenagem e afirmou se sentir orgulhoso de sua trajetória no GRAM. “Só tenho que agradecer a Deus por estar falando sobre esse reconhecimento e que a gente fica muito orgulhoso. Isso aqui é dedicado a cada um da empresa também. Para mim é um sonho que está se realizando, pois não é o dinheiro, é a conquista que você tem ao decorrer do tempo, então nesses 28 anos só tenho o que agradecer, gratidão, gratidão à empresa, gratidão a cada um que está aqui presente nesse momento também”, comentou.

Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Diretora-presidente da FRAM, Mariane Cavalcante também agradeceu o reconhecimento: “É realmente emocionante. Foi o meu primeiro emprego. E eu aprendi muito com essa empresa, porque ela de fato cria valores. […] Eu estou muito emocionada. Eu sempre, antes de começar a minha vida profissional, assisti os jornais da Rede Amazônica. É realmente emocionante. Muito obrigada”.

Assim, no encerramento do encontro de celebração, o CEO do Grupo Rede Amazônica reafirmou que a missão do grupo segue com o propósito de promover a transformação social, com a missão de “integrar e desenvolver a Amazônia através da informação, entretenimento e educação”.

Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Grupo Rede Amazônica

Afiliada da Rede Globo na Região Norte, o Grupo Rede Amazônica está presente em seis estados: Amazonas, Acre, Roraima, Rondônia, Amapá e Pará (com a rádio CBN Amazônia), e mais de 150 municípios cobertos, promovendo informação, entretenimento e cultura para cerca de 8 milhões de telespectadores amazônidas. E para somar esforços, também estão as empresas do Grupo Rede Amazônica: o Amazon Sat, o Portal Amazônia, a CBN Amazônia, o Studio 5 – Shopping e Centro de Convenções, a Fundação Rede Amazônica e mais, confira AQUI.

Estudo aponta reserva biológica no Bailique como berçário de diferentes espécies de peixes

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Reserva Biológica Parazinho é localizada na Foz Rio Amazonas, no Bailique, distrito de Macapá. Foto: Larissa França

Uma pesquisa da Universidade do Estado do Amapá (Ueap) estudou a Reserva Biológica do Parazinho, no Arquipélago do Bailique, em Macapá, como área de reprodução e possível berçário de diferentes espécies de peixes.

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O trabalho, em Bailique, acompanhou ovos e larvas de peixes suspensos na água e transportados pelas correntes, organismos conhecidos na biologia como ictioplâncton. O monitoramento mostrou mudanças na composição das espécies ao longo dos anos, de acordo com as condições da água na região.

O coordenador da pesquisa, Ruineris Cajado, explicou a influência dos períodos de chuva e estiagem sobre as espécies encontradas no Parazinho:

“Em épocas de períodos chuvosos, quando o Rio Amazonas está com fluxo maior, a gente percebe a presença de espécies de água doce, como o pacu, o aracu e jaraqui. Em períodos de estiagem, quando o Rio Amazonas diminui o seu fluxo e o oceano adentra mais a região, a composição muda pra espécies que tem uma tolerância maior às variações ambientais de salinidade, como as pescadas, os filhotes e as piraíbas”.

Leia também: 3 espécies de peixes da Amazônia que tem um cuidado especial com os filhotes

peixe pacu - bailique
Foto: Reprodução/Associação Brasileira de Zootecnistas

A equipe acompanhou os primeiros estágios de vida dos peixes. A presença do ictioplâncton também confirmou a reprodução na área. Durante dois anos, os pesquisadores identificaram cerca de 7 mil larvas.

No laboratório, a equipe separou ovos e larvas dos restos de vegetação antes da identificação. Cerca de 50% das espécies registradas tinham importância para a pesca comercial ou de subsistência no Bailique e no Amapá.

Importância para a pesca

Os dados do estudo ajudaram a identificar períodos e locais de reprodução dos peixes. Para a estudante e pesquisadora Larissa Cunha, essas informações podem contribuir para políticas públicas de proteção das espécies.

“É importante para a gente conhecer esses estágios iniciais e poder saber em que período essas espécies estão desovando, que vai servir de subsídio pra políticas públicas, como, por exemplo, o período de defeso, que impacta diretamente a vida dos pescadores artesanais”.

Período de defeso é uma medida que proíbe a pesca e a captura de determinadas espécies em épocas específicas. O objetivo é proteger os peixes durante a reprodução e preservar as espécies.

Estoques de Bailique

Entre as espécies identificadas estavam a pescada-branca e o filhote, importantes para o consumo de pescado no Amapá. Os pesquisadores também avaliaram como as condições ambientais podem afetar os estoques pesqueiros da região de Bailique.

“Precisamos saber se as variáveis ambientais estão impactando negativamente os estoques pesqueiros, porque, se eles forem impactados, não tem como a gente continuar a manter a economia da região, principalmente a economia pesqueira”, disse Larissa.

*Por Maria Clara Prudêncio e Michele Ferreira, da Rede Amazônica Amapá

Universidade brasileira, investimentos sacrificados em favor de interesses partidários

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Foto aérea do Campus da Capital, da USP. Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

A forte descida de degraus das universidades brasileiras no ranking global não configura uma surpresa, mas a consequência de anos de perda de competitividade acadêmica, redução da atratividade da carreira científica e baixo alinhamento entre universidade, pesquisa e desenvolvimento econômico. Conclusões praticamente unânimes entre especialistas que acompanham e avaliam de perto o problema, “o ranking apenas tornou visível algo que já vinha acontecendo há muito tempo. O Brasil perdeu competitividade científica porque investiu menos, valorizou menos a carreira acadêmica e deixou de tratar a universidade como um ativo estratégico para o desenvolvimento nacional”.

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O levantamento do Center for World University Rankings (CWUR) avaliou mais de 21 mil instituições de ensino superior e selecionou as 2.000 melhores do mundo. Entre os critérios avaliados estão a empregabilidade de ex-alunos, qualidade do corpo docente, desempenho acadêmico e, principalmente, produção científica. A pesquisa responde sozinha por 40% da nota final, incluindo volume de publicações, relevância dos periódicos e número de citações recebidas pelos estudos desenvolvidos pelas universidades. Foi justamente nesse quesito que o Brasil apresentou os maiores recuos.

Caindo da 117ª posição mundial, edição de 2024, para a 133ª colocação, a USP é a universidade brasileira mais bem classificada no QS World University Ranking 2027, divulgado em junho. Elaborado anualmente pela consultoria britânica especializada em ensino superior Quacquarelli Symonds (QS), o ranking avaliou mais de 8,8 mil universidades e classificou as 1.504 melhores instituições de 106 países.

Na edição 2026, entre as instituições latino-americanas, a USP ocupa a terceira posição na classificação geral, atrás da Universidade de Buenos Aires (UBA), 84ª posição, e da Pontifícia Universidade Católica do Chile, 119ª posição. Depois da USP, seguem a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), na 277ª; a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na 367ª, e a Universidade Estadual Paulista (Unesp), na 513ª colocação.

Universidade brasileira, investimentos sacrificados em favor de interesses partidários
Praça do Relógio na cidade universitária da USP. Foto: Divulgação

O corolário dessa perda de expressão internacional decorre de circunstâncias adversas, a partir da precariedade financeira que vem corroendo as entranhas do sistema universitário do país. Aprovada pelo Congresso nacional em dezembro de 2025, a LOA – Lei Orçamentária Anual (PLN 15/2025) fixou o orçamento total das universidades federais em R$ 6,43 bilhões, cerca de US$ 1,2 bilhão, redução nominal de R$ 390 milhões comparativamente a 2025, ou 7,05% menos do total das disponibilidades de seus recursos discricionários.

Os cortes atingem todas as ações orçamentárias essenciais, causando maior precariedade funcional tanto em relação às atividades didáticas quanto ao campo das inversões em ciência, tecnologia e desenvolvimento. Apenas para efeito comparativo, a Universidade norte-americana Stanford e o MIT contam com budgets consolidados de US$ $10.3 bilhões e US$ 10 bilhões/ano para sustentar seus complexos de inovação e pesquisa acadêmica; Harvard, US$ 6,8 bilhões e a New York University (NYU), cerca de US$ 12 bilhões em receitas anuais.

Por mais absurdo que pareça, o Executivo compartilhou junto ao Congresso o desfiguramento do orçamento do ensino superior e de ciência & tecnologia brasileiros. Ao tempo em que promoveu cortes no orçamento previsto para as universidades federais e agências de fomento (Capes/CNPq), ainda mais grave, ampliou a dotação de recursos destinados a emendas parlamentares.

Dados do CNPq e TSE demonstram que a União gasta R$ 5,9 bilhões por ano para irrigar o Fundo Eleitoral (R$ 4,96 bilhões), que banca campanhas, e o Fundo Partidário (R$1,2 bilhão), o CNPq, opera com R$ 1,87 bilhão no financiamento de pesquisas científicas. Basicamente, para cada R$ 1,00 investido em ciência, o governo repassa R$ 3,07 ao sistema partidário. Brutal, devastador e criminosa distorção.

Leia também: ICBEU e comitê israelita sediam mostra ‘Judeus na Amazônia’ em Manaus

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Pesquisas detalham como desmatamento impulsiona vetores de Chagas e leishmaniose na Amazônia

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A investigação detectou que barbeiros infectados pelo parasita Trypanosoma cruzi ficam em palmeiras próximas às residências conforme o desmatamento aproxima as pessoas do ciclo silvestre do vetor. Foto: Wandercleyson Abreu

Pesquisas realizadas no Acre evidenciam diferentes efeitos do desmatamento na dinâmica da leishmaniose e da doença de Chagas na Amazônia. Os cientistas descobriram que áreas devastadas há mais tempo concentram maior abundância de mosquitos-palha, transmissores do protozoário do gênero Leishmania. Também mostraram que paisagens com menor cobertura florestal aumentam a probabilidade de barbeiros estarem infectados pelo parasita da doença de Chagas, sobretudo próximo a moradias.

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Esses resultados – frutos de investigação liderada pelo biólogo Gabriel Laporta, do Centro Universitário Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), e publicados nas revistas Parasites & Vectors e PLOS One – ajudam a compreender mecanismos de transmissão de infecções endêmicas e podem contribuir para aprimorar a vigilância epidemiológica na região. Eles se somam a um terceiro trabalho, divulgado em 2025 pelo mesmo grupo, que detectou maior risco de malária em áreas parcialmente degradadas, com 50% de cobertura.

Essa tríade de estudos sobre a relação entre mudanças no uso da terra na floresta tropical e transmissão de doenças reforça a importância de incorporar indicadores ambientais a estratégias de saúde.

Além de malária e leishmaniose serem consideradas endêmicas na Amazônia, elas estão na lista de doenças tropicais negligenciadas (DTNs), juntamente com a de Chagas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica as DTNs como um problema de saúde pública, com cerca de 1,4 bilhão de pessoas afetadas. No entanto, recebem menos atenção e financiamento do que outras condições.

Leia também: Casos de leishmaniose aumentam 19,75% no Amazonas, aponta FVS

Nos trabalhos, os cientistas avaliaram a relação entre humanos e insetos vetores em diferentes paisagens – desde florestas preservadas até totalmente desmatadas – para investigar impactos das mudanças ambientais e o risco de infecções. Foram realizados levantamentos de campo em 20 pontos de um assentamento rural em Cruzeiro do Sul nos anos de 2022 e 2024. Considerado o segundo maior município do Acre (a noroeste do Estado, na margem esquerda do rio Juruá), o local tem enfrentado pressão constante de desmatamento.

“Embora a relação entre a perda de floresta e o aumento do risco de zoonoses já seja tratada, ainda precisamos de dados empíricos sobre como o desmatamento se associa mecanicamente a doenças vetoriais [infecções causadas por parasitas, vírus ou bactérias e transmitidas por invertebrados]. O projeto usa um assentamento rural no Acre como modelo de estudo, mas é possível fazer inferência para outras regiões da Amazônia. Com isso, a mensagem geral é: precisamos restaurar”, conta Laporta, autor correspondente dos artigos.

As pesquisas tiveram financiamento da FAPESP por meio de projetos e bolsa (21/06669-622/10392-2 e 23/08053-8), além do Programa Iniciativa Amazônia+10, que visa apoiar pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico sobre a floresta.

Agora, Laporta está buscando responder à mensagem dos trabalhos: deu início a uma nova etapa do estudo, com o objetivo de restaurar áreas degradadas com espécies nativas amazônicas para medir, ao longo do tempo, as variáveis de saúde. O primeiro passo foi digitalizar imagens do local e, com base em modelos parametrizados, fazer simulações da evolução de casos de malária após um processo de restauração. Também tem buscado o apoio da comunidade para desenvolver o trabalho de forma colaborativa – moradores vão ficar responsáveis pelo plantio.

“Já sabemos que existe um mecanismo que leva ao acometimento de doenças graves, com tratamento complicado em alguns casos. Não adianta somente desvendar o mecanismo ou a associação entre as coisas. É preciso criar maneiras de agir. Queremos fazer um estudo de intervenção ambiental, promovendo a restauração da floresta, para analisar o que acontece. É um projeto de longo prazo, mas precisamos ter ambição”, diz o biólogo à Agência FAPESP.

Pesquisas detalham como desmatamento impulsiona vetores de Chagas e leishmaniose na Amazônia
Foram realizados levantamentos de campo em 20 pontos de um assentamento rural em Cruzeiro do Sul nos anos de 2022 e 2024. Segundo maior município do Acre, o local tem enfrentado pressão de desmatamento. Foto: Francisco Leitão

Os resultados e a relação com o desmatamento

Para realizar o estudo sobre leishmaniose cutânea, os cientistas acompanharam áreas com diferentes coberturas florestais e avaliaram a transformação da paisagem associada a taxas de transmissão e de infecção. Também coletaram mosquitos-palha (flebotomíneos) e descobriram que Nyssomyia antunesi é a espécie dominante.

A leishmaniose é uma doença parasitária transmitida pela picada de fêmeas de mosquitos-palha infectadas por Leishmania. Além da forma cutânea (ou tegumentar), que provoca feridas na pele, podendo evoluir para lesões nas mucosas do nariz e da boca, há a visceral, que afeta órgãos internos e, em casos graves, leva à morte. O tratamento é feito com medicamentos específicos, dependendo da gravidade e das condições do paciente.

Em Cruzeiro do Sul, a taxa média anual de incidência de leishmaniose cutânea é de três casos por 10 mil habitantes (inferior às observadas em áreas mais desmatadas do Estado), afetando principalmente jovens do sexo masculino das zonas rurais.

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A pesquisa indicou que a abundância de mosquitos-palha está mais ligada a quando ocorreu o desmatamento (ocupação humana) do que à cobertura florestal, já que os vetores conseguiram se estabelecer e permanecer por anos em ambientes modificados. Com isso, a quantidade de mosquitos-palha aumenta gradualmente à medida que os assentamentos se estabilizam e as atividades humanas persistem com o passar dos anos.

“Esse resultado me surpreendeu bastante. Achava que encontraríamos mais risco e abundância de flebotomíneos nas áreas de floresta, onde é mais úmido”, avalia Laporta. O biólogo destaca a importância de incluir o histórico de uso da terra nas ações de controle do vetor em áreas de transmissão de leishmaniose cutânea.

Perto, não necessariamente dentro de casa

Em relação à doença de Chagas, o estudo mostrou que não é preciso que o barbeiro “colonize” as residências para que o risco aumente. Normalmente, o inseto se esconde em frestas de paredes nas casas, em entulhos ou em móveis parados por muito tempo.

Porém, o trabalho detectou que barbeiros (triatomíneos) infectados pelo parasita Trypanosoma cruzi ficam em palmeiras próximas às residências conforme o desmatamento aproxima as pessoas do ciclo silvestre do vetor.

“Os triatomíneos se escondem em dobras na base da folha da palmeira e fazem a hematofagia [alimentam-se de sangue] nos animais silvestres, hospedeiros do Trypanosoma cruzi. Depois, os insetos voam para as casas e têm contato com seres humanos. Vimos que a distância da palmeira até a casa é modulada pelo desmatamento. Em paisagens muito desmatadas, essa distância importa para a frequência de triatomíneos contaminados. Quanto menor a distância, maior a probabilidade de encontrá-los”, explica Laporta.

Para essa investigação, o grupo de cientistas selecionou, em cada local de amostragem, uma palmeira (da espécie Attalea) próxima a uma residência para coletar os barbeiros e analisou a contaminação dos insetos pelo parasita. De acordo com o estudo, o desmatamento remodela as interações hospedeiro-vetor-parasita, aumentando o risco de transmissão silvestre-humana.

A doença de Chagas é uma infecção transmitida de várias formas: pela ingestão de bebidas e alimentos contaminados com o parasita, ou pelas fezes do barbeiro infectado, quando entram em contato com feridas na pele ou mucosas após a picada.

Os sintomas mais comuns são febre por mais de uma semana, dor de cabeça, fraqueza intensa, inchaço no rosto e nas pernas. Com o tempo, se não houver tratamento adequado, podem surgir problemas no coração e no sistema digestivo. O principal medicamento é o benznidazol, fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Para desenvolver o projeto, o grupo conta com cientistas de várias especialidades – incluindo estatística, biologia molecular, veterinária e entomologia, responsáveis, por exemplo, por dissecar mosquitos-palha e barbeiros.

“Os trabalhos ficam melhores quando conseguimos discutir e interpretar as informações sob diferentes ângulos. Além disso, procuramos contribuir para a formação de novos pesquisadores, trazendo desde alunos da iniciação científica até os de mestrado e pós-doutorado. Essa heterogeneidade, com a mistura dos que estão em formação e seniores, agrega aspectos interessantes”, conclui Laporta.

Os artigos Human occupation, not forest structure, determines sand fly abundance in the Amazon e Deforestation and human proximity influence Trypanosoma cruzi infection in palm-dwelling triatomines podem ser lidos, respectivamente, em link.springer.com/article/10.1186/s13071-026-07409-x e journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0349311.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Fapesp, escrito por Luciana Constantino

Conheça as três Terras Indígenas reconhecidas pela Funai na região sob pressão da BR-319

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Beruri, no Amazonas. Foto: Reprodução/Acervo Amazon Sat

A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) oficializou, em 8 de julho, o reconhecimento e delimitação de três novas Terras Indígenas (TIs) no estado do Amazonas, consolidando a proteção de mais de 933 mil hectares, o equivalente a aproximadamente seis vezes a área da cidade de São Paulo.

São elas:

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O reconhecimento das TIs aconteceu em um cenário de avanços no asfaltamento da BR-319, rodovia que liga Manaus a Porto Velho e que tem sido apontada como vetor de desmatamento, queimadas, grilagem de terras e abertura de ramais clandestinos. 

Seguindo o rito demarcatório, agora as TIs aguardam declaração de suas áreas pelo Ministério da Justiça e, na sequência, a homologação  pelo presidente da República. 

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Ao todo, existem 838 TIs em diferentes fases do processo. 167 estão em identificação, aguardando finalização dos estudos pela Funai; 45 TIs já delimitadas aguardam declaração pelo Ministério da Justiça; 71 TIs já declaradas aguardam a homologação pelo Presidente da República.

Até hoje, 540 áreas já passaram por esse longo processo, estando homologadas ou reservadas. Há ainda 15 Reservas Indígenas em processo de regularização. Até o momento, somam-se 21 TIs identificadas no governo Lula, 20 homologadas e 21 declaradas.

BR-319 e a pressão sobre Terras Indígenas

Duas das TI cujos estudos foram aprovados, a TI Apurinã do Alto Tupana e a TI Paiol, Cajual e  Palhal, são adjacentes à via e têm sido impactadas pelo processo de ocupação desordenada impulsionado pelo asfaltamento, segundo os Relatórios Circunstanciados de Identificação e Delimitação (RCID).

Conheça as três Terras Indígenas reconhecidas pela Funai na região sob pressão da BR-319
Avanço das rodovias federais aumenta a pressão sobre as florestas. Imagem: Reprodução/ISA/2026

A continuidade das obras na rodovia foram anunciadas em maio, em visita do Presidente Lula ao Amazonas. Na ocasião, além de prometer um pacote de medidas para destravar as obras da BR-319, como parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o presidente também reconheceu a sensibilidade da região e garantiu que os investimentos na região seriam feitos com o “maior cuidado ambiental do mundo”.

A aprovação do projeto de lei conhecido como “PL da Devastação”, entretanto, vai na contramão da promessa. O enfraquecimento do licenciamento ambiental promovido pela normativa transforma obras como essas em ainda mais pressão sobre territórios indígenas, defendem especialistas. 

Ainda, apesar do julgamento de sua inconstitucionalidade, que começou em 12/08, as obras já foram iniciadas seguindo o que determina a nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental (nº 15.190/2025). Isso é, sem consulta aos povos que serão afetados por ela, como determina a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) da qual o Brasil é signatário. 

Ao todo, segundo a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira, existem 69 Terras Indígenas na região de influência da BR-319. Essas áreas, mesmo anteriormente, já eram intensamente violadas, como mostraram monitoramentos recentes realizados pelo Observatório da BR-319. Segundo o estudo realizado pela rede de organizações, em 2025, existiam ao menos 2,2 mil quilômetros de estradas ilegais conectadas à BR-319, sendo 1,2 mil em territórios indígenas. 

Isso ocorre porque a pavimentação de rodovias impulsiona a estrutura fundiária e o uso da terra em seu entorno e funciona como um vetor para incêndios criminosos, como o que aconteceu no que ficou conhecido como ‘Dia do Fogo’, evento que completou sete anos neste ano. É o que mostra a Nota Técnica Queimadas em Terras Indígenas do ISA, de 2024. 

“Esse dia, que ficou conhecido como Dia do Fogo, foi marcado pela combinação de grandes queimadas, que contribuíram significativamente para o aumento do desmatamento e da destruição de áreas florestais no entorno da BR-163, entre Peixoto Azevedo, no norte do Mato Grosso, e Trairão, no sul do Pará”, explica a Nota Técnica, que aponta também que naquele ano, foram registrados 3.946 focos de calor. 

Apesar da comoção, nos anos seguintes, os focos de incêndio na região seguiram aumentando nos entornos das BRs 163, 230 e 319. 

“A persistência dos incêndios criminosos é parte dos efeitos deletérios da construção de uma rodovia sem o amparo de um plano de sustentabilidade e sem fiscalização ambiental eficiente”, completa o documento. 

A formalização das TIs é vista como uma estratégia para assegurar o modo de vida tradicional frente a essas pressões externas, defende o pesquisador do ISA Tiago Moreira. 

“A delimitação dessas TIs traz proteção para que os povos indígenas continuem protegendo a floresta e seu território tradicional. Mas só o avanço do processo demarcatório pode frear o avanço do desmatamento e da grilagem que a BR-319 traz para a região”, finaliza. 

Conheça as Terras Indígenas identificadas

Terra Indígena Apurinã do Alto Tupana, situada no estado do Amazonas, é ocupação tradicional do povo Apurinã. Localizada em Beruri (AM), a TI possui uma área delimitada de  251.388,9111 hectares. Ao todo, foram 22 anos de espera pelo andamento do processo de demarcação, com o primeiro Grupo de Trabalho criado em  2004 e reconstituído em 2024. Segundo o RCID, o povo Apurinã que habita esse território foi intensamente afetado durante  o período de exploração das chamadas “drogas do sertão”. Além disso, o relatório também aponta que a população indígena Apurinã sofreu com a atuação de missões religiosas, que promoveram um processo de aldeamento e trabalho compulsórios, conversão religiosa e integração forçadas. Além disso, o relatório aponta ainda uma trajetória marcada por deslocamentos compulsórios e violências contínuas.

Terra Indígena Paiol, Cajual e Palhal, situada no estado do Amazonas, é de ocupação tradicional dos povos Apurinã e Mura. Localizada em Manaquiri (AM), a TI possui uma área de 114.601,0860 hectares. Ao todo, foram 22 anos de espera pelo andamento do processo de demarcação, com o primeiro Grupo de Trabalho criado em 2004 e reconstituído em 2024. Segundo o RCID, a presença dos Mura na região banhada pelos baixos Rios Madeira, Purus, Solimões e Negro é registrada desde o início do século XVIII, em documentos jesuítas relacionados à instalação dos primeiros aldeamentos da Companhia de Jesus na região do baixo Rio Madeira.

O relatório aponta que os Mura ocuparam tradicionalmente e de maneira contínua a localidade até 1970 e 1972, quando funcionários da então Fundação Nacional do Índio (Funai) levaram para a região um grupo Apurinã originário dos igarapés Peneri e Tacaquiri, que havia deixado a região em meados da década de 1950, em razão dos conflitos provocados pela ocupação e exploração violenta do trabalho nos seringais. Atualmente, o território também está inserido em uma região de intensa pressão sobre as florestas públicas, agravada pelo asfaltamento progressivo da BR-319 e pela ocupação desordenada de áreas públicas não destinadas, como indicam as declarações no Cadastro Ambiental Rural sobrepostas a essas áreas.

Terra Indígena Kapyra Kanakury, situada no estado do Amazonas, é ocupação tradicional dos povos Apurinã (Aruak) e Jamamadi (Arawá). Localizada em Pauini (AM), a TI possui uma área de 567.606,00 hectares e uma população estimada em 300 pessoas. O Grupo de Trabalho para identificação e delimitação do território foi criado em 2024. Foram dois anos de espera pela conclusão dos estudos.

Segundo o RCID, a região do vale do Rio Purus e seus habitantes permaneceram relativamente isolados do mundo ocidental até meados do século XIX, quando a chegada de trabalhadores de diferentes partes do Brasil provocou profundas transformações no modo de vida das populações indígenas que habitavam a região, entre elas os povos Apurinã e Jamamadi. No caso específico da Terra Indígena Kapyra Kanakury, o relatório registra uma ocupação contínua da área pelas mesmas famílias Apurinã há pelo menos 120 anos. A história oral preservada pelo povo também reconhece na paisagem evidências de uma ocupação ainda mais antiga, que ultrapassa o período alcançado pela memória das famílias.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Instituto Socioambiental (ISA), por Luiza Barros e Mariana Soares

El Niño: IIAP utiliza drones, bioinsumos e DNA ambiental para reduzir riscos em florestas no Peru

O IIAP está utilizando drones, bioinsumos e DNA ambiental para reduzir o risco do impacto do El Niño na floresta tropical de altitude. Foto: Foto: Reprodução/Agência Andina/Editora Perú

O litoral e as terras altas não são as únicas áreas do Peru afetadas pelo El Niño. Na selva alta, chuvas intensas provocam deslizamentos de terra e secas prolongadas ressecam solos já fragilizados, deixando a terra propensa a incêndios.

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Diante desse cenário, o Instituto de Pesquisas da Amazônia Peruana (IIAP), entidade vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, responde em regiões como San Martín com uma equipe multidisciplinar de profissionais que combina soluções biológicas, reflorestamento com drones, monitoramento ambiental e gestão de bacias hidrográficas. 

A magnitude desses efeitos depende da topografia e da extensão da perturbação florestal, explica Héctor Guerra Arévalo, especialista em Sistemas Agroflorestais do IIAP.

Em áreas desmatadas, as raízes já não conseguem segurar o solo, de modo que as fortes chuvas provocam deslizamentos de terra. As secas, por outro lado, afetam principalmente ecossistemas já frágeis, como as florestas sazonalmente secas da região central de Huallaga. 

El Niño: IIAP utiliza drones, bioinsumos e DNA ambiental para reduzir riscos em florestas tropicais de altitude
Foto: Ricardo Stuckert / PR

Leia também: Jovens Yanomami aprendem a usar drones para mapear território e ajudar na fiscalização da floresta

Ações do IIAP

Para evitar o colapso da agricultura familiar devido à lixiviação de nutrientes e à proliferação de pragas, o IIAP promove biofertilizantes feitos com microrganismos de montanha e fungos micorrízicos, juntamente com agentes de controle biológico, como os fungos Trichoderma e Beauveria bassiana, e biocidas à base de plantas, usados ​​para proteger culturas como o cacau.  

Guerra afirma que os sistemas agroflorestais que misturam árvores e culturas complementam essa estratégia, assim como a produção de cogumelos comestíveis, uma alternativa que garante renda quando o clima prejudica a colheita. 

Onde já ocorreram incêndios, a resposta muda de escala. Nesses locais, o IIAP utiliza drones que dispersam esferas com sementes de espécies nativas sobre as encostas danificadas, uma forma de alcançar terrenos que seriam quase inacessíveis a pé e ganhar tempo para a recuperação antes da chegada das fortes chuvas. 

Rio Mayo. Foto: Ludwig Z/Tripadvisor

Nos rios, o trabalho é menos visível, mas igualmente constante. Os pesquisadores monitoram a saúde da água usando DNA ambiental, uma técnica conhecida como eDNA, que rastreia o material genético deixado pelos organismos. Eles estão aplicando esse método na bacia do rio Mayo, onde também estão restaurando zonas ribeirinhas ao longo do rio Yuracyacu para proteger as fontes de água e as espécies sensíveis às mudanças de umidade, como anfíbios e peixes nativos. 

Com foco nos cenários de risco desenvolvidos pelo Cenepred e divulgados pelo Ministério do Meio Ambiente para o verão de 2027, a abordagem científica busca romper com a inércia reativa.  

Guerra destaca que a chave para a selva alta é parar de contabilizar as perdas após cada desastre e consolidar uma proteção preventiva que combine dados de satélite, biotecnologia e gestão de bacias hidrográficas para manter os meios de subsistência das comunidades amazônicas.  

*Com informações da Agência Andina

ICBEU e comitê israelita sediam mostra ‘Judeus na Amazônia’ em Manaus

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Foto: Lincoln Ferreira/ICBEU-Manaus

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

O Instituto Cultural Brasil–Estados Unidos (ICBEU) em Manaus (AM), conduzido pela superintendente Cláudia Malheiros sediou, na sexta-feira, 28 de agosto, a abertura da exposição “Judeus na Amazônia”, produzida pelo Museu Judaico de São Paulo, instituição que cultiva e defende a diversidade das expressões da cultura judaica em diálogo com o contexto brasileiro e com o contemporâneo, enfatizando a defesa dos direitos humanos, o combate ao antissemitismo e a todas as formas de preconceito.

Maior exposição realizada desde sua inauguração em 2021, a mostra expõe mais de 200 obras de arte, vídeos, documentos históricos e fotográficos, que permanecerá em cartaz até 6 de dezembro de 2026. Segundo seus organizadores, “o projeto propõe um olhar ampliado sobre como a cultura judaica se ambientou em diferentes localidades, influenciando e sendo influenciada, preservando suas raízes ao mesmo tempo em que se mescla às idiossincrasias culturais e religiosas predominantes na Amazônia colonial no século XIX, desde quando, em pleno ciclo econômico do extrativismo, consideráveis fluxos de imigrantes judeus originários do Marrocos aqui aportaram”.

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Durante a solenidade de abertura, destinada a convidados especiais, dentre os quais Sérgio Band, presidente do Comitê Israelita do Amazonas (CIAM), órgão máximo da comunidade judaica há 96 anos ativo; o cônsul de Israel no Amazonas, Jaime Benchimol, presidente da Fogás; e o presidente da Bemol, uma das empresas líderes patrocinadoras do evento, Denis Minev; foi conduzida pela estrela das comunicações amazonenses, Daniela Assayag, quando foram apresentados concertos de violino de músicos da Orquestra Sinfônica do Amazonas e de sax e baixo, do Museu Judaico. A curadoria da mostra é de Aldrin Figueiredo, Ilana Feldman, Renato Athias e Mariana Lorenzi, responsável por sua itinerância em Manaus.

Ilana Minev, presidente do Conselho de Administração da Bemol, em contundente e emotiva saudação à comunidade judaica e à sociedade amazonense, inicialmente afirma:

“Quero começar agradecendo ao Museu Judaico e à sua equipe, que nos entregam esta tarde muito mais do que uma exposição: entregam um ato de memória. E agradeço à pessoa de Piatã Kignel, representante do Museu nesta cerimônia, que acompanhou de perto cada passo desta jornada. Esta abertura é a realização de um sonho construído ao longo de mais de dois anos, para que a Região Norte pudesse receber uma exposição desta grandeza. E ela não existiria sem seus curadores, a quem agradeço por transformarem pesquisa, acervo e sensibilidade na narrativa que vamos percorrer hoje. Agradeço aos parceiros que, junto com a Bemol, tornaram este momento possível, a Gera Amazonas e o ICBEU, e a cada pessoa que dedicou tempo, talento e coração ao projeto”.

Ilana é enfática: “saúdo o Comitê Israelita do Amazonas, o nosso CIAM, guardião dessa história há quase um século; nada do que celebramos hoje teria chegado até nós sem a sua dedicação. E cumprimento, com um carinho especial, as famílias aqui presentes: somos a continuação viva da história que esta exposição celebra”.

“Na verdade, uma ode dedicada a homenagear as primeiras famílias judias que há aproximadamente duzentos anos deixaram o Marrocos e atravessaram o Atlântico para recomeçar a vida na Amazônia, tangidas por séculos de perseguição e de reclusão, aqui encontraram, nesta floresta e nestes rios, uma terra que as acolheu. É essa história que o Museu Judaico traz hoje para Manaus. E é dela que todos nós fazemos parte”, afirma.

A saga encontra-se documentada no livro “Eretz Amazônia, a Nova Terra da Promissão”, de seu avô, o mestre Samuel Benchimol, que dedicou a vida a estudar a cosmologia amazônica. Esta tarde, ressalta Ilana, quero deixar que as palavras dele nos conduzam. Ele contava que aquelas famílias repetiram a história do êxodo bíblico em busca da sua Terra da Promissão, e resumiu essa saga assim: “A história dos judeus na Amazônia é longa, sofrida, pioneira e grandiosa”.

“Para o Museu Judaico de São Paulo, a itinerância de Judeus na Amazônia marca uma nova fase de uma pesquisa construída com muito fôlego e interesse por mais de 2 anos. Apresentar a exposição em Manaus, território de extrema relevância para essa história, significa reconhecer que o conhecimento produzido a partir do Museu não se encerra em uma exposição. Ao contrário, é na escuta do público local, de suas histórias e leituras, que essa investigação pode ganhar novos contornos e continuar se desdobrando”, assinala Patricia Wagner, diretora de Curadoria e Participação do MUJ.

Para Claudia Malheiros, superintendente do ICBEU Manaus, “receber uma exposição como “Judeus na Amazônia” reafirma o compromisso do Instituto de conectar o Amazonas aos grandes circuitos culturais do país e, mais do que isso, mostrar aos amazonenses uma importante parte da nossa história com a população judaico-marroquina. É uma honra abrir nossas portas para uma mostra que promove o diálogo entre diferentes culturas, preserva a memória e amplia o acesso do público amazonense a importantes narrativas da história brasileira”.

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Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista