Filhote de harpia foi registrado durante monitoramento do segundo ninho da espécie na Bolívia. Foto: Divulgação/MHNNKM
Após meses de monitoramento, um filhote de harpia teve seu nascimento registrado na Bolívia. O Programa de Conservação da Harpia, liderado pelo Museu de História Natural Noel Kempff Mercado (MHNNKM), no departamento de Santa Cruz, documentou de forma inédita, no dia 7 de julho, o ciclo reprodutivo da espécie considerada em perigo de extinção nas florestas bolivianas.
De acordo com o museu, o nascimento do filhote ocorreu nos primeiros meses deste ano, como resultado do monitoramento permanente do ninho descoberto em setembro de 2025 no município de Santa Rosa del Sara.
“Após anos de trabalho de campo, múltiplas expedições de monitoramento e o esforço conjunto do programa (…) foi possível registrar o segundo nascimento de um filhote de harpia (Harpia harpyja) confirmado para a Bolívia”, disse o museu por meio de suas redes sociais.
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O ninho foi localizado após uma busca sistemática promovida por pesquisadores do museu, com o apoio da família Drawert, proprietária da área onde essas aves vivem. A descoberta possibilitou acompanhar de perto um novo ciclo reprodutivo, uma expectativa que meses depois foi confirmada com o nascimento do filhote.
Antes da descoberta, as águias já haviam sido avistadas em várias ocasiões tanto pela família quanto por especialistas. Esses registros guiaram o trabalho de campo até que identificassem o local onde iniciariam um novo ciclo reprodutivo. Meses depois, essa expectativa se tornou realidade.
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O nascimento possibilitou documentar continuamente todo o ciclo reprodutivo e obter informações sobre sua biologia e ecologia, conhecimento que até então era escasso na Bolívia e essencial para fortalecer as estratégias de conservação.
Segundo o pesquisador Alexander Blanco, assessor internacional do programa desde sua criação, o ninho está entre os maiores ativos documentados para a espécie em toda a sua área de distribuição, uma característica que aumenta o valor científico do monitoramento.
Harpia em perigo

Os resultados dessa pesquisa são ainda mais relevantes porque o Livro Vermelho de Vertebrados da Bolívia 2026 recategorizou a harpia como ameaçada, após ter sido considerada vulnerável e, subsequentemente, quase ameaçada.
Conhecida como o “emblema do ar de Santa Cruz”, esta espécie de águia é uma das maiores aves de rapina do mundo. Pode atingir entre 90 centímetros e pouco mais de um metro de comprimento, uma envergadura de asas de até 2,24 metros e desenvolver garras de quase sete centímetros. Habita florestas úmidas de planície e necessita de grandes extensões de cobertura florestal para estabelecer seus ninhos e encontrar alimento.
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Sua reprodução progride lentamente, característica que faz de cada nova prole um registro de enorme importância para a conservação. A espécie põe um ou dois ovos e, entre 34 e 35 meses, podem se decorrer entre o nascimento de uma prole, dificultando a recuperação de suas populações diante de ameaças constantes.
O Livro Vermelho identifica a perda e degradação das florestas, a caça ilegal, colisões com linhas de energia e perseguição humana entre os principais riscos para sua sobrevivência.
Na Bolívia, o tamanho de sua população ainda é desconhecido, por isso especialistas consideram prioritário expandir pesquisas sobre sua distribuição, sucesso reprodutivo e requisitos de conservação.
O museu ressaltou que o monitoramento permanente do ninho fornece informações sem precedentes sobre a biologia e ecologia dessa ave, uma base científica que orientará futuras ações de conservação de uma espécie que hoje enfrenta um risco maior de desaparecer das florestas bolivianas.
*Com informações do Governo da Bolívia
