O IIAP produzirá uma bebida funcional a partir da castanha amazônica para melhorar a absorção de selênio. Foto: Reprodução/Governo do Peru
O Instituto de Pesquisas da Amazônia Peruana (IIAP), entidade vinculada ao Ministério do Meio Ambiente no Peru, desenvolverá um projeto para produzir uma bebida funcional a partir da castanha-da-Amazônia, que permitirá melhor absorção de selênio pelo organismo. A iniciativa foi selecionada pela ‘PROCIENCIA’ no concurso ‘Desafios de Inovação para o Desenvolvimento Regional’, com o objetivo de validar essa tecnologia em condições semelhantes às da produção comercial.
📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp
A proposta utilizará castanhas quebradas e torta de castanha, subprodutos que atualmente têm pouco valor comercial, para produzir uma bebida funcional gourmet por meio de um processo de fermentação. Com essa iniciativa, o IIAP visa reduzir o desperdício de matéria-prima, diversificar a gama de produtos derivados da castanha e gerar maiores rendimentos para os colhedores de castanha em Madre de Dios.
O projeto se baseia em vários anos de pesquisa do IIAP sobre as propriedades nutricionais da castanha-do-pará amazônica. Durante esse período, os pesquisadores desenvolveram e avaliaram, em escala laboratorial, produtos fermentados que agora serão validados em condições semelhantes às de uma planta de produção.
Leia também: Bebida reidratante que melhora o desempenho físico e mental é criada por estudantes na Bolívia

“A iniciativa não só nos permitirá aproveitar um recurso que atualmente está sendo desperdiçado, como também facilitará a absorção de selênio pelo organismo, um micronutriente essencial para a saúde”, explicou Pedro Nascimento Herbay, gerente técnico do projeto.
A castanha-do-pará (Bertholletia excelsa) é uma das principais atividades econômicas em Madre de Dios. Mais de 1.200 famílias participam de sua colheita, processamento e comercialização. Segundo o Banco Central de Reserva do Peru, as exportações desse produto atingiram US$ 48 milhões em 2025, representando um aumento de 27,6% em relação ao ano anterior. Esse cenário destaca o potencial para o desenvolvimento de produtos de maior valor agregado a partir desse recurso florestal.
O projeto terá duração de 27 meses e envolverá a Associação de Colhedores Orgânicos de Castanha da Amazônia Peruana (RONAP), que representa mais de 50 famílias e administra 40.000 hectares de floresta manejada de forma sustentável. Participam também a Universidade Nacional Amazônica de Madre de Dios, que realizará estudos de mercado e viabilidade comercial, e a Universidade Estadual de Campinas, no Brasil, que contribuirá com sua expertise em análise e absorção de selênio pelo organismo.
Leia também: Estudantes bolivianos desenvolvem alimentos e bebidas funcionais com potencial para melhorar a saúde

Castanha impulsiona bioeconomia
O esforço interinstitucional representa um passo fundamental para o desenvolvimento de uma bioeconomia circular na região. Ao transformar subprodutos em uma bebida nutritiva de alto valor agregado, a iniciativa não só promove a saúde pública, como também consolida um modelo de manejo florestal sustentável.
Dessa forma, argumenta o pesquisador, o progresso socioeconômico das famílias que dependem da colheita é fortalecido, posicionando Madre de Dios como um exemplo claro de como a ciência e a inovação podem valorizar de forma responsável a imensa riqueza da biodiversidade amazônica.
Além de Nascimento Herbay, a equipa de investigação do IIAP inclui Ronald Corvera Gomringer, Edgar Cusi Auca, Adenka Muñoz Ushñahua, Yashira Vera Huamán, Wilson Mogrovejo Montesinos, Ana Cortijo Bellido e José Busto Flores. Os participantes externos incluem Yolanda Paredes Valverde da UNAMAD; Rafaella Regina Alves Peixoto da UNICAMP no Brasil; e Yackxeri Vela Grifa da RONAP.
*Com informações do IIAP
